Não há almoços grátis. A gratuitidade e a fruição das artes visuais. O caso dos museus públicos

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Publicada em

Centro de Artes e Cultura, Ponte de Sor
May, 2011

Short address on the issue of free universal admission to public museums. Explores European practices and contextualises Portuguese practice. Suggests a simplified model of income generation, which rests on a model of public funding close to the English/Scottish model.

Publicada em: Arte e fotografia
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  • Boa tarde a todos .
    Antes de mais, queria agradecer à Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, o convite para fazer esta breve comunicação – que, para mim tem mais significado porque me permite também agradecer ao pintor Pedro Avelar a influência e a educação artística que me deu ao longo da minha vida.
    Para quem aqui não sabe, o pintor é meu Tio, e, muito antes de os meus pais me arrastarem por infidáveis tardes em museus e catedrais, já os postais que os meus tios me mandavam, com as histórias tão bem explicadas nos seus versos, aguçavam a minha curiosidade e me sensibilizavam para esse mundo. Ao meu tio Pedro e à minha tia Antónia, muito obrigada.
  • “Não há almoços grátis”. Alguns poderão reconhecer esta frase de um livro do Prof. João césar das Neves surgido há uns anos. No entanto, a expressão é mais antiga e tem a sua origem
    A frase tem o seu maior uso nos Estados Unidos, referindo inicialmente a prática de os bares oferecerem almoço com a copra de bebidas alcóolicas. Hoje a frase resume a teoria de custo de oportunidade – ou seja, que todas as escolhas têm um custo, e que para cada escolha o custo de oportunidade equivale ao maior benefício perdido com esse custo.
    Durante os próximos 20 minutos, vamos falar dos custos de oportunidade que a gratuitidade, ou a falta dela, nas instituições culturais de artes visuais, acarreta.
    Vamos tb focar-nos só sobre os museus públicos – que são mais fáceis de abordar. Não pode haver comparação entre museus privados com fontes de rendimento limitadas (caso Fundação) e museus públicos que são os recipientes de verbas oriundas dos impostos
    pagos pelos contribuintes portugueses.
  • Nas últimas décadas temos assistido a uma expansão do panorama museológico dos museus, seja através da inauguração de novos museus (EVOLUÇÃO NOS ÚLTIMOS ANOS); seja pela requalificação de equipamentos de modo a torná-los mais atractivos para quem os visita. De simples salas visitáveis em horários por determinar, sob o olhar de um funcionário não especializado que detém as chaves para abrir as portas ao visitante ocasional , passámos, na grande maioria dos museus públicos, para equipamentos com um horário fixo, um quadro de pessoal mais complexo, programação temporária paralela, serviço educativo qualificado, e provido com os requesitos da modernidade – um website, uma loja, um café e os inevitáveis multimédia na sala de exposição.
    Estes novos modelos de instituições, acarretam consigo custos operacionais significativos (explicar), e não é raro encontrar um museu de pequena dimensão com um orçamento operacional anual entre os €100.000 e os €150.000, conforme o seu quadro de pessoal – embora poucos sejam os organismos públicos, do Ministério da Cultura às Direcções Regionais e/ou autarquias que têm a noção dos custos reais dos seus museus.
    Ou seja, ter um museu sai caro.
  • E, para mais, poucos os querem pagar – aqui vemos o lugar comparativo que os 28 museus e os 5 palácios soba tutela directa do estado ocupam em relação a uma recente aquisição no valor de 356 Milhões de euros...
    Ou seja, estamos também a falar d eopções que o Estado toma relativamente ao seu património cultural.
    O Museu Berardo, instalado no Centro Cultural de Belém, está entre os 50 mais visitados do mundo com mais de 950 mil visitantes em 2010 e subiu mais de 25 lugares na lista dos cem mais visitados do mundo - 3,5 milhões de euros que anualmente o Ministério da Cultura (MC)
  • E como saber se os custos de um museu compensarm? Qual é o objectivo de um museu?
  • A experiencia no museu é diferente. Muitos de nós assumem que é uma experiencia solitária, de observação de uma obra, e leitura da informação que l´he é pertinente.
  • Na realidade, a experiencia da maioria dos visitantes, é acima de tudo social – a aprendizagem é feita não só através da observação, mas também do diálogo.
  • Bem como do confronto de ideias, e da experimentação.
    Isto só é conseguido através da conjugação de vários tipos de programação – desde a exposição pura, ao desenvolvimento de serviçoes eudcativos, de parcerias institucionais, de projectos educativos – ou seja, é necessário investimento.
    Para mais, em Portugal, e não só, as instituições culturais repetem várias vezes o seu ensejo de serem socialmente inclusivas, proclamando o seu apego à famosa “diversificação de públicos”. Presume-se que se refiram não só a questões socioeconómicas (classes AB vs. CD) como tamb+em relacionadas com comunidades sub-representadas. Estudos levados a cabo no Reino Unido demonstram que questões financeiras e logísticas previnem uma maior adesão por parte destas comunidades.
  • Porquê as artes visuais em particular?
    Bilhetes de cinema e concertos custam dinheiro que as pessoas pagam. Jogos de futebol custam muito caro.
    Berardo – não se entra na lista dos 50 museums mais visitados no mundo sem haver valorização por parte do visitante.
  • No entanto, vivemos numa cultura que cada vez mais se pauta pela produção dos chamados “conteúdos” gratuitos. O que é que isto quer dizer?
    Quer dizer que estamos a viver na era da gratuitidade – os jornais são de acesso gratuito; facebooks, twitters, flickr e quejandos habituam as novas gerações ao conteúdo de qualidade, gratuito e disponivel imediatamente.
    Por exemplo, as receitas dos museus IMC têm um valor não negligenciável - K€ 2.980 em 2009, o que dá quase 70.000€ por instituição – se para museus pequenos este montante seria 2/3 dos seus custos, para instituições como o MNAA, o PNMafra, PNQueluz, de pouco contribuiria para uma estratégia sólida de desenvolvimento
    No entanto, das 33 instituições do IMC, 20 têm uma receita inferior a 15.000€ anuais. 8 têm uma receita superior a 100.000€anuais. Nenhum tem nas receitas de bilheteira a sua fonte principal de rendimento. Dividido irmãmente
    Beneficios colaterais:
    Educação para a cidadania
    Turismo – hotelaria, cafés, etc.
  • A politica de gratuitidade dos museus nacionais,
    nestes museus implica que cerca de 61 por cento dos seus visitantes entre gratuitamente. Dos restantes 39 por cento, que pagam, há ainda um grupo de 12 por cento que, por diversas razões, beneficia de descontos.
    Ou seja, apenas 27% dos visitantes dos museus nacionais pagam o bilhete por inteiro – na sua maioria estrangeiros.
  • Mark Jones, director of the Victoria and Albert Museum, told The Times that the museum already requested a £3 donation but was not as forceful as New York’s institutions: “I’m not in favour of anything that makes people feel they won’t want to go because they feel like they will have to pay.”
  • Um critério de solidariedade social, e missão educativa coerente com a noção de serviço público.
  • Foto BM: Russ McGinnFoto V&A: Ms. Houghton
    Gratuitidade condicionada – a partir de 2000.
    Em 1999, o Governo Britânico financiou a entrada livre nos Museus para crianças e, em 2001,para os maiores de 60 anos
    Em 2001 o Governo (re)introduziu a admissão livre nos Museus, assim como aumentou o financiamento central - > Aumento de 128% do número de visitantes de em 10 anos.
    As exposições temporárias passaram a ser as únicas pagas
    Para compensar o rendimento perdido, o ministério atribui um subsídio aos museus mediante o cumprimento de objectivos específicos – nomeadamente no que diz respeito à acessibilidade e inclusão. A obtenção de um subsidio maior depende do sucesso com que esses objectivos são cumpridos – o serviço público é aqui posta activamente no centro da missão do museu.
    “I’m not in favour of anything that makes people feel they won’t want to go because they feel like they will have to pay.”
    Caixinha das doações
    Admissão sugerida.
  • Os “passes”:
    National Art Pass – para aquisição de obras de arte;
    Cool culture - famílias que estão em programas de assistencia social (90 museus, 50,000 familias NYC).
    Os “dias e noites” gretuitos.
    Dos Domingos de manhã, para todo o dia; bem como dia de semana à noite.
    (falar do Smithsonian!)
    Mecenas que absorva as receitas de bilheteira (15.000 € não é muito para um mecenas se tornar no mecenas da gratuitidade...).
    Caixa de donativos – com fim específico.
  • O que não quer dizer que a gratuitidade universal não traga consigo problemas que são necessários resolver:
    Por si só não elimina a falta de representatividade de camadas socio-económicas e outras comunidades entre os visitiantes;
    Poderá contribuir para uma degradação dos espaços.
  • Como já deverão ter percebido, eu acho que não há almoços grátis - mas não no sentido em que poderão ter interpretado o título.
    O custo de oportunidade em manter os nossos museus públicos com entradas pagantes é o de limitar a acessibilidade a camadas da populção; contribuir para um sistema burocrático que não compensa a receita obtida; desviar o objectivo do museu de ser acessível a todos para o debate “como é que vamos pagar isto”.
    Para mim a missão social do museu sobrepõe-se a quetões financeiras imediatas. O contribuinte já paga - as decisões é que poderão não ser as melhores
  • Voltemos por isso para outro dizer americano -
  • Não há almoços grátis. A gratuitidade e a fruição das artes visuais. O caso dos museus públicos

    1. 1. Não há almoços grátis A GRATUITIDADE NA FRUIÇÃO DAS ARTES VISUAIS - O CASO DOS MUSEUS PÚBLICOS -
    2. 2. O problema : os museus são caros… Telefones Electricidade Manutenção do edifício Programação Salários Divulgação Produção de exposições Conservação de obras de arte Segurança Equipamentos Água Website Limpeza
    3. 3. … e poucos os querem pagar €15,9M €356M
    4. 4. Para que serve um museu? Estava a ler Racine (Iphigénie) e apercebi-me de repente que aquela era uma discussão que podia acontecer em qualquer família (...) Uma observação perfeitamente banal e algo tardia (...) Como é óbvio, há outros aspectos, em particular históricos (...), mas a razão pela qual a arte importa é pelo modo como ilumina os nossos dilemas. Neil MacGregor, Director, British Museum
    5. 5. O debate teórico Contribuinte pagador “A cultura (pública) deve ser acessível a todos” Utilizador pagador: “O fruidor só valoriza o que é pago”
    6. 6. A prática ACESSO GRATUITO  Padrões de comportamento em Portugal equacionam fruição das artes visuais (museus) com experiências gratuitas:  Os valores obtidos não compensam o investimento em software, bilhética, pessoal e formação para a sua manutenção;  Cultura o motor para benefícios colaterais ACESSO PAGANTE  O valor obtido com a venda de entradas, por pequeno que seja, é essencial para a gestão dos museus;  Entradas pagantes são modo de controlo de entradas (edifícios “património”)
    7. 7. Caminhos possíveis
    8. 8. RÉUNION DES MUSÉES NATIONAUX •Menores 18 anos (em grupo ou não •18-25 (União Europeia); •Professores em actividade •Alunos de Escolas e Universidades de Historia de Arte •Artistas •Desempregados •Reformados •Deficientes e mutilados de guerra •... França : critério social alargado
    9. 9. O modelo britânico
    10. 10. ENTRADA GRATUITA EXPOSIÇÕES TEMPORÁRIAS SERVIÇO EDUCATIVO PREMIUM PROGRAMAÇÃO PARALELA PROGRAMAÇÃO BASE GRATUITA CONCESSÃO DE LOJA CONCESSÃO DE CAFETARIA EVENTOS PARTICULARES ALUGUER DE ESPAÇOS
    11. 11. Não há almoços grátis
    12. 12. As melhores coisas da vida são gratuitas

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