Rompendo%20barreiras2[1]

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Rompendo%20barreiras2[1]

  1. 1. Rompendo barreiras: do disquete ao blog Arlete Esteves “Voa, coração a minha força te conduz que o sol de um novo amor breve vai brilhar...” Sou professora da Escola Municipal Vila Monte Cristo desde o ano de 1996 e, no início, confesso, tinha muito receio de trabalhar com as crianças na Midiateca, a sala de informática de nossa escola. O computador era uma nova ferramenta e naquele momento eu me considerava uma analfabeta digital... Naquela época realizei projetos interessantes, inclusive com turma de progressão, mas não consegui publicá-los, por absoluta falta de softwares, internet e equipamentos que hoje são acessíveis a todos. Cheguei a guardar todo um trabalho em muitos disquetes e não consegui torná-lo visível mais tarde quando já tínhamos internet na Midiateca. Mas, a tecnologia foi chegando com uma velocidade vertiginosa, já conseguíamos publicar nossos projetos no site da Escola e, certo dia, a professora Jussara Oleques que já estava na Midiateca desde 2000, contou que havia um aparelho onde se poderia armazenar muitos arquivos e teríamos mais mobilidade com eles, poderíamos escrever em casa e trazer para a Escola ou vice-versa. Era a pen drive! Lembro até hoje deste dia, ficamos sonhando com a novidade e nos benefícios que ela traria ao nosso trabalho de educadores, embora a mesma ainda fosse inacessível para nós. Hoje o avanço tecnológico, a produção em série baixando custos, há pen drives acessíveis com até 8 gigas, superou todas as nossas expectativas. Na educação criou um novo cenário, em que não temos mais paredes, só janelas e portas abertas para o mundo que ficou conectado, instantâneo e interligado. Assim, conceber e pensar a educação sem um computador e a internet é remeter a todos a qualquer coisa como a idade da pedra. O que fazer? Como programar as aulas com crianças desse novo tempo? Como construir aprendizagens significativas e prazerosas com crianças que praticamente “nascem’ com o controle da TV na mão? Este questionamento me fez refletir sobre o que é educar e aprender nos dias de hoje, a problematizar a minha prática e busquei em José Moran explicações para este novo cenário educacional. Segundo ele “Educar é colaborar para que professores e alunos -nas escolas e organizações- transformem suas vidas em processos permanentes
  2. 2. de aprendizagem”. Mais adiante ele afirma que “na sociedade de informação todos estamos reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o grupal e o social”. Esta busca por novas formas de ensinar e aprender, aliadas a não acomodação, foi vital para mim, pois novamente procurei a Jussara e pensamos na utilização do blog como uma ferramenta de letramento digital para os alunos do 3° ano do I Ciclo. Escolhi a Turma A33, Turma do Amor, do ano de 2009, na qual fui professora referência. Nasceu assim a idéia do Blog na Alfabetização, que iniciou com pequenos desafios aos meus alunos. A gurizada ficou muito empolgada porque se viu na rede, em fotos ou em comentários, as famosas postagens. Logo eles se apropriaram da nova ferramenta e entraram na Comunidade Virtual da EVMC. Os comentários das crianças, de início curtos, foram enriquecidos no segundo semestre. Crianças que ainda não estavam lendo ou escrevendo encontraram no blog o motivo de ler e escrever com significado. Paralelo a este fato, outra coisa curiosa começou a acontecer: tudo de legal que acontecia na aula eles diziam: “Vai pro nosso blog”! O blog tornou-se um diário virtual da turma, que foi acessado até fora dos horários de aula em casa, por outras crianças e pelas famílias. A interação com as famílias foi impressionante, pois elas faziam postagens em casa ou liam as nossas acompanhando as atividades realizadas na escola através do nosso blog. Para a trajetória da nossa Escola este fato é marcante, pois a Monte Cristo “nasceu”,em 1995, debruçada sobre a comunidade, pesquisando ‘in loco” os seus desejos, suas necessidades e interesses. Na época, visitávamos as famílias com o objetivo de sentir as suas necessidades e organizávamos o nosso complexo temático a partir das observações feitas na Vila Monte Cristo( onde está situada a escola). Hoje buscamos novas formas de realizar esta interação e o computador usado de forma criativa é uma delas. Concordo com o professor José Valente quando ele afirma que “o uso do computador na criação de ambientes de aprendizagem que enfatizam a construção do conhecimento apresenta enormes desafios’. Considero que a escola precisa urgentemente repensar a sua prática e nós, educadores, refletir sobre o nosso papel nos dias atuais. Assim realizei, junto com a professora Jussara e o estagiário Jorge Miguel, uma oficina do nosso blog para as famílias da turma. Elas receberam o convite para visitar a Midiateca, em horário escolar, e lá tiveram a oportunidade de interagir com o blog. As crianças foram os melhores monitores que podíamos ter, pois ensinavam aos familiares como “mexer” no computador e fazer os seus comentários. Muitas mães nunca tiveram a chance de trabalhar no computador e ali, extasiadas, aprenderam
  3. 3. a fazer postagens. Estavam se alfabetizando de uma nova forma, entrando num novo tempo, mais rápido, interativo, dinâmico e este foi um momento marcante para todos. Enfim, as possibilidades educacionais de que dispomos no momento são imensas e temos muito a pesquisar, aprender e a ensinar. Uma das melhores maneiras de aprender é no coletivo, na troca entre os nossos pares e com as crianças. Elas são os melhores professores que já encontrei e agradeço as aprendizagens que fiz olhando os meus alunos. Para onde vamos? Como vamos chegar? Que outras possibilidades vamos encontrar? Ainda não sei, mas sei que posso dizer, como Toquinho, Voa, coração a minha força te conduz que o sol de um novo amor breve vai brilhar... Vai onde a aurora mora e acorda um lindo dia colhe a mais bela flor que alguém já viu nascer e não se esqueça de trazer força e magia, o sonho, a fantasia e a alegria de viver...

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