Como falar e fazer missoes urbanas hoje

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Como falar e fazer missoes urbanas hoje

  1. 1. Como Falar e Fazer Missões Urbanas Hoje Missão Urbana IGREJA BATISTA DA CONCÓRDIA Pr. Fernando Herculano Gonçalves
  2. 2. 2 Introdução.................................................................04 A Urbanização...........................................................05 Como Falar de Missão Urbana..................................06 Como Fazer Missão Urbana......................................08 Missão Urbana em Prática.........................................09 Conclusão..................................................................11 Bibliografia ..............................................................12
  3. 3. 3 INTRODUÇÃO Vamos refletir a respeito de Missões Urbanas, que é uma missão da Igreja de Jesus Cristo, missão esta que se torna cada vez mais complexa devido às transformações aceleradas dos séculos XX e XXI no que diz respeito à urbanização, um êxodo do campo para as cidades. Por isso os desenhos das cidades vão se alterando e formando suas particularidades, suas “tribos”, e suas diversas comunidades. Por outro lado a igreja deve acompanhar todas as transformações da sociedade para não perder o diálogo. Dessa forma se faz necessária essa reflexão sobre a seguinte pergunta: Como Falar e Fazer Missão Urbana Hoje? Essa resposta é um desafio mas também uma responsabilidade nossa.
  4. 4. 4 A URBANIZAÇÃO O mundo e o Brasil há décadas passam por um processo acelerado de urbanização: As populações rurais que migram para os pólos urbanos onde há desenvolvimento e tecnologia e que proporcionam a demanda de profissionais das mais distintas áreas. Dessa forma há um acelerado crescimento populacional sem a suficiente infra-estrutura para absorver os imigrantes de uma forma ordenada e satisfatória e conseqüentemente essa sociedade cresce em meio de um caos que acaba gerando grandes problemas que faz a coletividade padecer. Podemos enunciar alguns dos problemas mais graves que atingem sobretudo as grandes cidades: a. As Favelas Essa é uma questão urbana gravíssima, pois, o espaço geográfico das cidades não comporta tal fenômeno de crescimento, gerando essa característica irregular e imprópria de moradia e formando grandes comunidades onde não há infra-estrutura e nem a presença do estado, mantendo assim um estilo miserável nesses “guetos” construídos nos morros ou à beira de um córrego. b. A Violência Essa é comum a todo centro urbano, gerando nos cidadãos um estilo diferente e desconfiado de vida. As pessoas se enclausuram, fogem do contado com a outra pessoa, por medo ou receio, deixam de sair a determinadas horas do dia ou da noite por conseqüência dos riscos. A violência nasce nos seio de uma sociedade desfavorecida em que os cidadãos não têm acesso às políticas sociais que os inserem na vida como uma pessoa preparada para o mercado de trabalho. c. Os viciados e o Tráfico Aos que vivem à margem da sociedade certamente são mais vulneráveis a esse tipo de problema: as drogas. Desde cedo crianças são expostas a essa condição, na escola e no
  5. 5. 5 lugar onde moram. Como o tráfico é organizado e tem sua estrutura em comunidades pobres, esses cidadãos estão diante dessa situação o tempo todo, faz parte da sua vida. O tráfico financia a violência e os viciados são submetidos a uma subvida. d. Os Encarcerados Nas grandes cidades ou em seus arredores são construídos grandes presídios que mais parecem cidades muradas. É o lugar dos cidadãos que descumprem a lei, e mais uma vez, vemos na sua grande maioria aqueles que estavam à margem da sociedade. e. Os Doentes Nos grandes centros urbanos há uma infinidade de grandes hospitais que sempre estão com as suas capacidades bem perto do máximo. Há hospitais que a população de doentes e de profissionais superam em número boa parte dos municípios brasileiros. f. A Prostituição Um número enorme de pessoas, sobretudo mulheres degradam suas vidas na prática da prostituição constituindo assim um grupo de risco e vulnerável a outras espécies de males. São esses alguns dos muitos fenômenos próprios das grandes ou mega cidades em nosso país que muito influencia a vida de todos os cidadãos e que também exige de todos nós: Do governo, da sociedade e sobretudo da igreja, uma olhada mais apurada no intuito de amenizar esses fenômenos e tocar às pessoas para que vivam dignamente conforme a proposta cristã para todo homem. Tudo isso está bem perto de nós, diante dos olhos de todas as pessoas, por isso, o olhar de compaixão de Jesus se faz necessário em todos, é bem certo que a partir desse ponto tudo pode acontecer, as atitudes, as ações, as políticas poderão ser implementadas. COMO FALAR DE MISSÃO URBANA O nosso discurso à cerca de Missão Urbana deve estar bem respaldado com uma boa teologia e hermenêutica.
  6. 6. 6 A teologia nos fará refletir com mais consistência sobre o tema para um bom cumprimento de nossa missão como igreja. As nossas ações sem as devidas avaliações, críticas ou direções, podem nos levar a um ativismo inconsistente e desnecessário. “Precisamos desenvolver a capacidade de julgar nossos sucessos (e fracassos!) a partir da revelação de Deus em Jesus Cristo e não dos valores que a sociedade secular nos impõe. Sob esta perspectiva, o único êxito que podemos ambicionar em nossa ação é o do servo a quem seu Senhor disse: Servo bom e fiel. Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Em outras palavras. O verdadeiro êxito é a fidelidade. E a teologia nos ajuda a pararmos para verificar até que ponto estamos obtendo esse êxito. Ela cumpre assim uma função crítica com respeito à ação.”1 A reflexão teológica se faz muito necessária principalmente diante das distintas conjunturas existentes como: Culturais, religiosas, geográficas, políticas, etc. A mensagem de Deus deve ser proclamada a todos, levando-se em conta todas essas diferenças, então a teologia articula ou contextualiza o evangelho para que seja acessível aos indivíduos de uma sociedade. Com esse argumento, percebe-se que a educação teológica é fundamental para o desenvolvimento da missão da igreja, pois, proporciona na liderança e na membrezia uma consciência cristã equilibrada, objetiva e também crítica, elevando de uma forma positiva o potencial da igreja de ser útil, participativa e necessária para o bom desenvolvimento da sociedade na qual está inserida, tanto através da mensagem quanto na ação. O nosso discurso deve estar bem afinado com a revelação de Deus, sabemos que a anunciação ou a evangelização é de responsabilidade da igreja: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a Criatura.”2 O evangelho deve ser levado a todos em todo o mundo. Todas as camadas da sociedade e todas as esferas da existência humana devem ser atingidas por uma pregação que de fato represente o evangelho em sua integralidade, ou seja, atinja o âmago do ser humano em sua vivência, em suas necessidades, em suas dúvidas, em seus receios, em suas pobrezas, em suas aspirações, enfim, em todas as suas carências. Essa completude na pregação do evangelho demandará não apenas um preparo religioso, mas também uma compreensão e interpretação da vida, do cotidiano, das demandas do homem e 1 PADILHA, 2009, 26 2 O Evangelho Segundo Marcos, 16.15
  7. 7. 7 da sociedade onde está inserida a comunidade cristã. E essa tanto poderá ter as respostas como as ações que beneficiarão aqueles que a cercam. Presume-se que a mensagem evangélica é necessária e imperativa, mas não está desassociada da ação e do envolvimento como podemos ler: “Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.”3 Precisamos ler o evangelho, viver o evangelho, ler a sociedade, e agir em seu benefício. COMO FAZER MISSÃO URBANA Antes do início da ação missionária, antes da proclamação, precisamos primeiro ter sido tocado pelo evangelho. A mensagem central evangélica é do amor e da compaixão: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”4 Precisamos compreender como Deus veio ao nosso encontro porque nos amou, se identificando e vivendo a nossa vida. Percebemos uma aproximação que teve como motivo o amor. Portanto, esse amor de Deus deve nos tocar de forma que entendamos o sentido da vida, ou o valor ímpar da vida de cada indivíduo como criatura de Deus. Cheios desse amor poderemos sentir, compadecer e agir em favor de alguém. Podemos ver a ação de Jesus em favor de uma pessoa como resultado da sua compaixão: “Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo!”5 . Nós como cristãos e a nossa comunidade deve ter essa mesma identificação com as pessoas que nos rodeiam, tendo esse mesmo sentimento de amor e compaixão que nos fará aproximar das pessoas. A aproximação é necessária, pois nos dará condições de conhecer e vivenciar as necessidades de uma forma geral. Jesus ensinou a vontade de Deus vivendo com as pessoas, inserido e vivenciando as mesmas questões, não era alguém estranho, ou imune que apenas discursava do lado fora do contexto, não, ele estava bem perto. Esse é o mesmo desafio para a igreja hoje, estar perto das pessoas e anunciar na vivência, no relacionamento, 3 Tiago 2.15 4 Evangelho Segundo João 3.16 5 Evangelho Segundo Marcos, 1.41
  8. 8. 8 na experiência de vida. Esse constitui um testemunho bem eficaz e humano. Infelizmente, percebe-se outro tipo de proclamação evangélica; aquela que é fria e sem contato pessoal, sem a experiência da caminhada, sem conhecimento das demandas de uma sociedade ou de indivíduos. A igreja cristã são os “chamados para fora” e devemos justificar esse título, ou essa condição. As liturgias dos templos são necessárias, mas igualmente necessária é a saída dos cristãos para fora das portas dos templos para enxergarem a realidade do mundo. Não apenas a contemplação espiritual, mas também, a contemplação do mundo e sua real necessidade. “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”6 Influenciar o mundo a partir de nossas vidas é a vontade de Deus, portanto, a sociedade ou a nossa comunidade deve sentir o reflexo da luz que há em nós: A igreja é tanto luz como sal para o mundo corrupto e injusto. Essa luz e sal devem se manifestar em nós em palavras e ações que permitirão o surgir da justiça de Deus. A igreja tocada pelo evangelho não pode de forma alguma permanecer insensível ou indiferente às injustiças próprias de nossa sociedade. “O sal é importante, por outro lado, não porque o percebemos e o reconhecemos como sal; mas porque destaca o sabor daquilo que ele tempera. Tanto a luz como o sal passam mais despercebidos quando cumprem melhor suas funções. No entanto, quando não estão presentes, notamos sua ausência. O que isto nos diz sobre a presença cristã na sociedade?”7 MISSÃO URBANA EM PRÁTICA Algumas atitudes se fazem necessárias para que a igreja seja despertada para a sua primordial missão: Influenciar o mundo com a mensagem cristã e suas ações. Enumeremos as seguintes: a. Intercessão. 6 Evangelho Segundo Mateus, 5.13-16 7 PADILHA, 209, 77
  9. 9. 9 A oração intercessória gera unidade na igreja e a desperta para o propósito da evangelização. Através da oração somos levados a uma reflexão profunda da obra missionária e das carências e necessidades de um povo ou comunidade e nesse ponto poderemos com eles nos identificar. b. Educação. O treinamento de lideranças e de todas as pessoas envolvidas na missão deve ser levado a sério para que a qualidade da evangelização e do discipulado seja consistente e respaldado nas Escrituras. A nossa fé ou a nossa crença deve ser muito bem justificada e explicada, somente através do preparo teológico essa realidade se tornará possível. Inclusive esse preparo deve visar ou proporcionar o conhecimento e orientações a cerca dos vários grupos de pessoas citadas no primeiro capítulo. c. Proclamação. A mensagem evangélica deve ser proclamada a todos em todos os lugares. O objetivo não é criar o proselitismo para encher a igreja e sim ensinar a verdade e os princípios bíblicos com a finalidade de gerar uma mentalidade cristã. É o discipulado que pode ser realizado de forma individual ou em pequenos grupos que proporcionam o convívio e integração entre os participantes. d. Ação. A missão não termina com a proclamação. O Reino de Deus não será manifestado apenas por palavras, mas também por ações. A igreja também terá uma responsabilidade social, agindo ou trabalhando contra toda injustiça e opressão contra o ser humano, e em socorro daqueles que necessitam. A mensagem e a ação integradas poderão transformar toda uma sociedade conforme os padrões cristãos.
  10. 10. 10 CONCLUSÃO Acredito que o conteúdo abordado aponta tanto para a complexidade da missão da igreja, mas contudo, aponta para diretrizes que sinalizam a direção a tomar em favor do cumprimento da obra missionária. Está muito claro as demandas complexas da sociedade urbana, e também muito claro a importância da teologia na missão, para uma leitura ampla e consciente da conjuntura da sociedade em que a igreja pretende atuar e de uma forma sincrônica proporcionar as ações necessárias. O amor de Jesus é o mesmo, pois, Ele é o mesmo. Nós como corpo de Cristo devemos manifestar esse amor, em todo o lugar, para todas as pessoas.
  11. 11. 11 BIBLIOGRAFIA EKSTROM, Bertil. História da Missão: A história do movimento missionário cristão. 1.ed. Londrina: Descoberta, 2001 EKSTROM, Bertil. MENDES, Paulo. Missões e Companhia: Unindo forças na obra missionária. 1.ed. Londrina:Descoberta, 2002 LAUSANNE, O Pacto de. Congresso Internacional de Evangelização Mundial. Lausanee, Suíça, 1974 PADILHA, C. René. O Que é Missão Integral? 2.ed. Viçosa: Ultimato, 2009

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