O Paleolítico

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O Paleolítico

  1. 1. 1-O Paleolítico As Comunidades Recolectoras
  2. 2. <ul><li>De acordo com a arqueologia, a Península Ibérica terá sido, não a primeira, mas uma das ultimas escalas da viagem que os mais antigos representantes do género Homo ( Homo Erectus ) iniciaram a partir de África em direcção á Ásia e à Europa . Aqui chegaram , ao fim do mundo, há pouco mais de um milhão de anos, provavelmente atravessando e estreito de Gibraltar ,e logo se espalharam por toda a península . </li></ul>Homo Erectus
  3. 3. <ul><li>Os mais antigos artefactos </li></ul><ul><li>( calhaus pontiagudos ) produzidos pelo” Homem” encontrados no território da actual Península Ibérica, datam de há mais de 400 000 anos . São testemunhos da mais antiga forma de trabalhar a pedra, o “ACHEULENSE”. </li></ul><ul><li>No entanto a nossa actual espécie, o género ” Sapiens-sapiens, não se relaciona com esta primeira vaga de “imigrantes “ Africanos. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Tal só aconteceu muito mais tarde , há aproximadamente 100.000 anos altura em que os primeiros Sapiens também provenientes de Africa, se espalharam por todo o lado coexistindo, com o Homo Erectus ,que acabaram por substituir. </li></ul><ul><li>O continente Africano foi pois </li></ul><ul><li>“ o laboratório”onde se processou toda a evolução do Género Homo . Podemos de facto dizer sem medo de errar, que em ultima análise, todas as” raças”que actualmente constituem a nossa espécie , descendem dos escassos milhares de negróides que cruzando mares e oceanos a partir de Africa colonizaram todo o planeta . </li></ul>
  5. 5. <ul><li>As designações, “ Acheulense”, “ Abevilense” (Paleolítico inferior),” Mustierense” , (Paleolítico Médio), “ Aurinhacense” , ” Solutrense”, “ Magdalenense” (Paleolítico Superior), atribuídas aos diferentes complexos líticos Pré-Históricos, relacionam-se com os nomes das regiões, onde, pela primeira vez , foram encontrados estes artefactos de pedra ou osso. </li></ul><ul><li>Cada uma delas atesta um estado diferente da evolução humana: do Homo Erectus ao homo Sapiens. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Chama-se Paleolítico ou Período da Pedra Lascada a esta época, porque as únicas ferramentas que o Homem conseguia produzir eram pedras lascadas, toscamente trabalhadas com o auxílio de outras pedras. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Produziam-se, assim, ferramentas variadas que evoluíram muito lentamente do simples seixo aguçado para utensílios mais trabalhados e de uso mais especializado – pontas de setas, machados, arpões, lanças, anzóis de osso, cortadores, raspadores, etc. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Do Homo Erectus ao Homo Sapiens foram encontrados pela Arqueologia vestígios abundantes que atestam a presença ininterrupta do Homem, neste território, desde há mais de um milhão de anos. </li></ul><ul><li>Os homens que viveram nesta altura organizavam-se em clãs ou pequenas tribos . Habitavam tendas e, principalmente, cavernas que lhes serviam de abrigo e refúgio. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Numa paisagem que compartilhavam com animais ferozes e de grande porte, só unidos os podiam caçar. A caça e a recolha de alimentos silvestres (frutos, bagas, ervas) eram a base da sua sobrevivência. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>Viver em grupo permitia, também, uma melhor distribuição de tarefas. </li></ul><ul><li>Os homens caçavam, as mulheres e as crianças recolhiam frutos, preparavam alimentos, secavam e preparavam as peles com que se vestiam. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Este período a que chamamos Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada prolongou-se até há, aproximadamente, 12 000 anos . </li></ul><ul><li>O fim desta era coincide, por isso, com o fim da Idade do Gelo na Europa. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Não produzindo o seu próprio alimento, dependendo inteiramente dos recursos e das condições naturais, o Homem Paleolítico era um caçador recolector nómada . </li></ul><ul><li>Deslocava-se à procura de caça e alimento, sempre que estes escasseavam no território que ocupava. </li></ul><ul><li>Os confrontos com outras tribos eram frequentes pela disputa do melhor território. </li></ul>
  13. 13. <ul><li>O Paleolítico prolongou-se por milhões de anos, foi um período em que as mudanças se deram a um ritmo muito lento. </li></ul><ul><li>Tal parece indicar uma relação harmoniosa e satisfatória com a natureza, pois o Homem evolui mais rapidamente quando se depara com adversidades. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>O domínio do fogo , há aproximadamente 500 000 anos , foi o acontecimento mais importante deste longo período. Para outros foi a fala. Mas não subestimemos o Biface . Ou como alguém lhe chamou, o canivete suíço do Paleolítico. </li></ul><ul><li>Com o biface tudo era possível : Caçar, pescar matar ,perfurar ,cortar, raspar…. Coisas que precisávamos fazer para ir vivendo. Mais e melhor. </li></ul>
  15. 15. <ul><li>Na parte final do Paléolitico Superior, surgem as primeiras manifestações culturais, as pinturas e gravuras rupestres . </li></ul><ul><li>Umas eram mais abstractas e simbólicas – sinais, signos - são representativas da parte final desta era. </li></ul><ul><li>Outras mais realistas e” ingénuas”, mais ligadas a aspectos da vida quotidiana e da luta pela sobrevivência – principalmente cenas relacionadas com a caça –são bastante mais antigas. </li></ul><ul><li>Umas e outras reflectem uma tal sensibilidade e perícia que nos levam a questionar o ”primitivismo” dos nossos ancestrais antepassados. </li></ul>
  16. 16. Entretanto, na Península Ibérica o Homem de Neandertal encontrou refúgio durante milhares de anos. Aqui coexistiu com o Homo Sapiens que o empurrou para a extinção, há aproximadamente 28 000 anos.
  17. 17. <ul><li>Sob constante pressão do emergente Homo Sapiens-sapiens , que com ele partilhou o mesmo antepassado, o Homem de Neandertal, demasiadamente acomodado a um mundo que dominou durante milhares de anos, acabará por se extinguir. </li></ul><ul><li>Desaparecerá incapaz de competir com a avidez do Homo Sapiens-sapiens que, eliminando toda a competição, se tornou rapidamente na espécie dominante do planeta. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Entre outras questões, como por exemplo, as que se relacionam com a forma como a nossa actual </li></ul><ul><li>espécie, ( Sapiens-Sapiens), evoluiu, isto é, se nos cruzámos ou não com os Neandertais, a extinção do Homem de Neandertal serviu para desfazer um mito que a ciência aceitou, como verdade, até finais do séc. XIX e que a nossa vaidade faz perdurar: </li></ul>
  19. 19. <ul><li>O Mito de que dominámos o planeta e os seus recursos apenas porque possuimos cérebros de maior volume .E por isso sermos “melhores”. De facto, sabemos hoje que o Homem de Neandertal, o primeiro ramo do género Sapiens, estava tão ou mais bem adaptado ao meio que o seu “primo - irmão” Homo Sapiens - Sapiens. E, além disso, tinham cérebros maiores. Eram apenas mais recuados .Encaixavam numa testa mais pequena.… </li></ul>
  20. 20. <ul><li>As técnicas de talhar a pedra e o osso, desenvolvidas pelo Homo Sapiens, </li></ul><ul><li>( o Aurignacense,o Solutrense e o Magdalenense ) , evoluíram a partir do “Mustierense” , indústria lítica ligada ao Homem de Neandertal desde o Paleolítico Médio, refinando-se com o tempo já no Paleolítico superior . </li></ul><ul><li>Neste período, generalizam-se os artefactos de osso: dos arpões aos anzóis passando pelas sovelas com que o Homo Sapiens cosia as peças de pele com que se vestia. </li></ul>O “ Mustierense “ O “Solutrense”
  21. 21. <ul><li>Os milhares de anos de coexistência, na Península, de géneros tão aparentados, torna difícil perceber que estes povos não se tenham cruzado, reproduzido e vivido, talvez em comum .A Historia repete-se sempre uma ou mais vezes. </li></ul><ul><li>Por cá tivemos o exemplo dos Celtas e dos Iberos . E muitos outros. </li></ul><ul><li>Partes do esqueleto de um indivíduo jovem da espécie “ S apiens ” , a “ Criança de Lapedo ”, descobertas em Portugal , parecem ,segundo alguns arqueólogos, apontar para uma miscigenação entre os dois géneros. </li></ul><ul><li>Para outros, no entanto, os supostos indícios ou provas da existência de indivíduos híbridos, que o estudo das ossadas teria demonstrado, não passariam de anormalidades comuns em indivíduos da nossa espécie . </li></ul>
  22. 22. <ul><li>As mais recentes descobertas científicas apontam para dois factos: </li></ul><ul><li>1-Não se encontraram no nosso A.D.N . os genes específicos do Homem de Neandertal . </li></ul><ul><li>2- No nosso A.D.N. os 5% de genes que dele nos distinguem são inferiores aos que distinguem os humanos actuais entre si. </li></ul>
  23. 23. <ul><li>Serve isto para dizer que, fundamentalmente, sobrevivemos e acabámos por tudo subjugar, não por sermos inatamente mais capazes, mas porque perante as mudanças ou adversidades, fomos mais flexíveis, organizados, mais matreiros e implacáveis para com a concorrência. Neste processo o acaso, foi também um factor determinante. </li></ul><ul><li>A tudo nos conseguimos adaptar. Mesmo desprovidos de pêlo garras ou presas. E tivemos mais sorte .Quando as coisas pioraram , quando a espécie se sentiu ameaçada, quase extinta ,o sexo resolveu as coisas. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>Sem depender dos períodos de cio para procriar, e com um período de gestação relativamente curto, os nossos antepassados conseguiram sobreviver às mortandades, porque lhes era mais fácil renovar a espécie . </li></ul><ul><li>A evolução da nossa espécie foi sempre acompanhada pelo aumento do volume do seu cérebro. Mas não terá sido, como o provam os “ Neandertais ”, o único factor a explicar o seu sucesso. </li></ul>
  25. 25. <ul><li>O longo domínio incontestado do Homem de Neandertal tornou-o mais preguiçoso e menos flexível . </li></ul><ul><li>A robustez que tinha desenvolvido e que o tinha ajudado a sobreviver ao frio, durante a ultima glaciação, tornou-se numa desvantagem à medida que esta se aproximava do seu fim. </li></ul><ul><li>Mais forte mas menos esguio e mais lento ,que o ramo sapiens – sapiens ,o homem de Neandertal dificilmente sobreviveria às novas condições climáticas e às novas espécies de caça,de menor porte mas mis rápidas, que emergiram com o final da idade do gelo. </li></ul>
  26. 26. <ul><li>No entanto esta afirmação ficará sempre por provar já que a seu desaparecimento ocorreu 15.000 antes destas alterações se verificarem. Uma ninharia se considerarmos a longa duração deste período da História da Humanidade. </li></ul>
  27. 27. <ul><li>Incapaz de competir com a maior destreza , rapidez e melhor organização do seu competidor Sapiens, foi sendo progressivamente empurrado para as regiões mais pobres e isoladas. </li></ul><ul><li>O desaparecimento do Homem de Neandertal ter-se-á devido,também em parte, à endogamia generalizada que passou a praticar para que a sua espécie, cada vez mais reduzida, pudesse sobreviver. </li></ul><ul><li>Esta prática continuada por décadas tê-lo-á enfraquecido e determinado, a longo prazo, a sua extinção. </li></ul>
  28. 28. A evolução da nossa espécie nunca foi pois, nem tranquila nem linear. A este nível o exemplo mais surpreendente e intrigante , encontramo - lo , no chamado “ Homo- Florensis “, que de resto era uma mulher, descoberto numa gruta da ilha das Flores . Apenas uma ,entre as mais de mil que constituem o Arquipélago da Indonésia.
  29. 29. <ul><li>As ossadas encontradas correspondem a uma espécie de humanos completamente nova. Em tudo aparentada nas formas e nas proporções , com o Homo – Erectus, que a partir de África e da Ásia chegou a estas distantes ilhas depois de muito navegar. </li></ul><ul><li>No entanto esta nova espécie era constituída por hominídeos que não ultrapassavam o metro de altura. A altura de uma criança de três anos. </li></ul>
  30. 30. <ul><li>Mas o mais surpreendente era o tamanho dos seus cérebros. Semelhantes ao do Homo Erectus , mas muito mais pequenos .E ao contrário do que muitos cientistas começaram por defender, analises comparativas posteriores provaram não se tratar nem de pigmeus nem de indivíduos sapiens que tinham sofrido de microcefalia. </li></ul>
  31. 31. Sabe-se pelos utensílios encontrados terem sido hábeis caçadores, que competiam pelo alimento com animais de porte muito maior. Só em grupo de forma organizada e planeada o poderiam ter feito com sucesso. E o seu tamanho não lhes facilitava as coisas.
  32. 32. <ul><li>O Homo- florensis , até prova em contrário a maior descoberta arqueológica do século XXI, veio baralhar tudo. Constitui um exemplo único no processo da hominização, de evolução feita ao contrário .O exemplo da acção da natureza sobre o homem e não do inverso .De facto a pequenez do Homo- florensis , não foi um salto evolutivo. Não lhe trouxe qualquer vantagem num ambiente povoado por criaturas enormes com as quais se tinha de confrontar para sobreviver. </li></ul>
  33. 33. <ul><li>Mas talvez se escondesse mais facilmente dos seus predadores naturais, talvez o alimento não abundasse e fosse necessário reduzir as necessidades a este nível, já que tal fenómeno se verificou nesta ilha com outras espécies. </li></ul><ul><li>Animais bem maiores noutros sítios como o elefante , aqui tinha menos de metade da envergadura. </li></ul><ul><li>O que se sabe é que estes minúsculos caçadores - recolectores, conseguiram sobreviver até há aproximadamente 18.000 anos atrás e que se afirmaram até agora como a peça mais original e intrigante do nosso processo evolutivo. Ou talvez não. </li></ul>
  34. 34. A evolução das espécies nunca obedeceu a um plano. A nossa também não. Fez-se de contradições de avanços e recuos. Nunca foi linear. Com cérebros minúsculos mas cognitivamente tão aptos como os do “ Homo –Erectus” os “Homo-Florensis” foram versão mais pequena mas igualmente capaz..Os “ Hobbit “ como passaram a ser chamados , pensavam ,agiam e ,organizavam-se da mesma maneira que os seus antepassados. Mais uma vez ,tudo parece resumir-se a uma questão de qualidade… Cérebros“ Florensis” e Sapiens
  35. 35. Entretanto os novos conquistadores ,os “sapiens” tinham-se espalhado por quase todo o lado .E como em muitos outros episódios da história da humanidade, a misericórdia e o bom senso não eram propriamente valores a respeitar , quando se tratava de sobreviver .
  36. 36. Assim, mal foram asseguradas primeiro a sobrevivência , e depois a supremacia ,iniciaram-se os festins. E a carnificina. Tal como aconteceu a muitas espécies animais nenhum ramo hominídeo dos que coexistiram durante milhares de anos com o género sapiens sobreviveu .E não foi certamente por estarem mal adaptados … Com a avidez e o desperdício do homem, o equilíbrio entre as espécies começava a romper-se. Surgiam os primeiros sinais de que, progresso e abundância a mais, eram maus progressos e más abundâncias .
  37. 37. <ul><li>Entre as primeiras vítimas destas irremediáveis carnificinas contam-se os mamutes . </li></ul><ul><li>Perseguidos e caçados até ao extremo pelo homo - sapiens , os mamutes e outras espécies foram incapazes de sobreviver , neste contexto adverso, às alterações climáticas que ditaram o fim da Idade do Gelo . </li></ul>
  38. 38. <ul><li>Os primeiros extermínios massivos de várias espécies animais, às mãos do homem, aconteceram durante a parte final deste período. </li></ul><ul><li>Muito mais tarde, no séc. XVI os conquistadores Espanhóis devastarão o continente Americano montando cavalos, espécie que há muito tempo tinha desaparecido da face deste continente. </li></ul><ul><li>Para os indígenas, o cavalo tinha sido, durante milhares de anos, apenas uma vaga referência presente nos seus mitos mais ancestrais </li></ul>
  39. 39. <ul><li>Na realidade, os cavalos tinham desaparecido do continente Americano simplesmente porque, milhares de anos antes na parte final do Paleolítico, as populações locais, através da caça desenfreada e excessiva, os tinham conduzido à extinção . </li></ul>

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