1UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁRITA MARIA ALVES VASCONCELOSO “GUETO” PARA HOMOSSEXUAIS DEFORTALEZA: DESVENDANDO PRECONCEIT...
2FORTALEZA­CEARÁ2009AGRADECIMENTOSAgradeço a Deus, pela vida, e pelos sinais de sua presença em momentos de alegria,      ...
3compartilhamentos das angústias.Às amigas Claudiana, Ítala, Inah, Katiane e Kelly, por suas amizades incondicionais,     ...
4RESUMOO presente estudo tem como objetivo compreender, interpretar e analisar as                   percepções e os posici...
5social de referência.Espero que esse estudo possa contribuir para que a sociedade                     Fortalezense aprend...
62.4. Sujeitos da pesquisa e trajetória metodológica 38CAPÍTULO III : ”GUETO” HOMOSSEXUAL: AS PERCEPÇÃOES E OS            ...
7se sentiram bastante incomodados com tal situação.O fato decisivo para o empreendimento em torno do “gueto” homossexual, ...
8incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente                 discriminados e á discussão d...
9exponho os sujeitos da pesquisa e a trajetória metodológica da investigação.No terceiro e último capítulo, “Gueto” homoss...
10na sua discussão.Um dos pontos de enfoque apontado por Loiola (2005) diz respeito à                     compreensão da s...
11das normas de sociabilidade.A sexualidade revela­se, assim, como um fenômeno sociocultural, em que                 os pa...
12envergonha dele.                   Nesse sentido, destaca Santos (2008):A dimensão sexual parece constranger e assombrar...
13foge da visão biologizante da sexualidade humana, ressaltando a importância da                   fantasia:Com efeito, a ...
14porém lá onde ele se exercia e como meio para seu exercício; criaram­se em                         todo canto incitações...
15Como aponta Loiola (2005) a família:inicia a inserção da criança no mundo adulto a partir das normas e                  ...
161.2. Identidade sexualComo vemos o sexo durante algum tempo considerado como algo                 meramente biológico e ...
17Complexo de Édipo, quando:o menino percebe a presença do órgão masculino, manipula­o obtendo                 satisfação ...
18tomar rumos diferentes. Como, por exemplo, o sentimento de desagrado do menino                     pelo pai pode permane...
19orientação sexual tem fundamento biológico, não se pode esquecer da influência                   2cultural que promove a...
20determinando:o seu identificar­se, sentir­se, comportar­se e vestir­e.Mesmo com as               ‘revoluções’ dos costum...
21atitudes dos outros significativos, como assume o mundo deles.A criança na socialização primaria identifica­se com os ou...
22inferiores; e com escravos, por não serem considerados cidadãos (CHAUÍ, 1984).Com o advento do Cristianismo, o Império r...
23“Não te aproximaras dum homem como se fosse mulher, porque é uma abominação.”                       (Lv. 18,22); e “Aque...
24abominação do prazer homossexual pela instituição cristã, “determina a dualidade nas                   relações entre os...
25Começaram a abundar na Europa e no Brasil, em meados do século XIX,                       abordagens cientificas sobre a...
26paranóides”, por exemplo.Na década de 30, no Brasil, a idéia da homossexualidade como patologia                     ganh...
27homossexual no decorrer da história, é uma crescente manifestação homofóbica que                   4vai desde assassinat...
28Para Trevisan (2007) discutir as causas da homossexualidade é algo                 dispensável e equivocado. A homossexu...
29de segregação social e para vivenciarem sua sexualidade livre de preconceito e                     discriminação.O termo...
30Nunan e Jablonski (2002) indicam que os homossexuais procuram os                 “guetos”, pela segregação forçada por c...
31nos próprios locais em que tais fatos acontecem, sem alterar o seu ritmo natural ou                           cotidiano ...
32coisa.Há alguns que tiram a blusa, e dançam entre os demais, e geralmente são                         pessoas de corpos ...
332.2 Natureza do estudoAo realizar uma pesquisa, cabe ao pesquisador, questionar a realidade                 compreendend...
34dá suporte para compreendermos o real e construirmos conhecimento. A partir dessa                     compreensão, a pes...
35um determinado tipo de lugar?Quais as características desse lugar?Por que as                   pessoas freqüentam?Essas ...
36enfrentamento ao preconceito por orientação sexual em diversas instâncias da                 sociedade, através da const...
37desenvolvido ações sócio­educativas e de intervenção social, sob o princípio de                   prioridade em melhorar...
38assessoria jurídica e psico­social e de mediação de conflitos em casos de                     discriminação por razão da...
RITA MARIA ALVES VASCONCELOS (TCC)
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  1. 1. 1UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁRITA MARIA ALVES VASCONCELOSO “GUETO” PARA HOMOSSEXUAIS DEFORTALEZA: DESVENDANDO PRECONCEITOS ESIGNIFICADOS
  2. 2. 2FORTALEZA­CEARÁ2009AGRADECIMENTOSAgradeço a Deus, pela vida, e pelos sinais de sua presença em momentos de alegria,                           e sobretudo, nas dificuldades.Ao meu pai pelo amor e carinho dedicado em toda minha infância, sentimentos que                         foram fundamentais na minha formação humana, seus ensinamentos e exemplos                 fizeram de mim o que sou hoje.A minha mãe, exemplo de dedicação e luta, meu muito obrigada.Aos meus treze sobrinhos e sobrinhas (filhos/filhas) que eu tanto amo, e que de alguma                           forma contribuíram para realização desse trabalho.Pelo carinho e apoio em todos os                     momentos.Agradeço, especialmente pela ajuda direta no desenvolvimento do trabalho:               Cristina (Tininha), Érica, Mariana, Leandro e Márcio.A todos meus irmãos, sempre tão dispostos a me ajudar.Em especial, agradeço a                       minha irmã Fátima (Neném) e ao meu irmão Assis (Tiza), por terem sempre acreditado                         em mim, me apoiando e incentivando e me ajudando de todas as formas.O apoio e                           ajuda deles, foram fundamentais para a conclusão desse trabalho.A minha prima Susana, pela ajuda na digitação do trabalho.A minha querida cunhada Keila, pela disposição em me ajudar na árdua busca de                         material bibliográfico.As amigas Mercedes, Pimenta, Valéria e Eliete, pelas constantes conversas e                   
  3. 3. 3compartilhamentos das angústias.Às amigas Claudiana, Ítala, Inah, Katiane e Kelly, por suas amizades incondicionais,                     por terem me proporcionado momentos maravilhosos ao longo da minha formação                   acadêmica, pelo apoio, incentivo e ajuda na realização desse trabalho.Ao meu querido amigo Renato, sempre tão presente em minha vida, me incentivando,                       apoiando, ajudando e compartilhando as angústias.Ao amigo Eduardo, mesmo distante, agradeço pelo carinho e apoio.Ao meu amigo Evaldo, sempre tão solícito e disposto a me ajudar quando mais                         precisei.A equipe de profissionais da instituição na qual desenvolvo atividade de estágio –                       Defesa Civil de Fortaleza – pelo aprendizado e amizade.Em especial, a Elisângela                     Medeiros e ao Alísio Santiago, por compreender minha ausência, para conclusão da                     monografia.Agradeço a minha orientadora Alessandra Silva Xavier, pela ajuda na realização e                     orientação desta pesquisa.Aos membros da banca examinadora pela delicadeza em aceitar o convite e contribuir                       para o aprimoramento da minha pesquisa.Ao Grupo de Resistência Asa Branca, pelo acolhimento e apoio com material                     bibliográfico.Aos sujeitos participantes da pesquisa, por compartilharem comigo uma parte de suas                     vidas, contribuindo com os resultados do estudo.
  4. 4. 4RESUMOO presente estudo tem como objetivo compreender, interpretar e analisar as                   percepções e os posicionamentos dos homossexuais sobre o “gueto” homossexual em                   Fortaleza.Para abordar a temática, realizei, em um primeiro momento, pesquisas                 bibliográfica e documental buscando fundamentação teórica em livros e artigos que                   tratam das categorias sexualidade, homossexualidade, preconceito e discriminação, e               “gueto” homossexual.No segundo momento, realizei pesquisa de campo no Grupo de                   Resistência Asa Branca (GRAB) com quatro homossexuais que fazem parte do Projeto                     SAGAS/GRAB – Fortaleza­Ce.Para tanto, adotei a abordagem qualitativa por meio de                   entrevista semi­estruturada e observação direta.Após análise dos discursos dos               homossexuais, sujeitos do estudo, pude apreender que: a relação com a família, no                       momento da descoberta da homossexualidade, torna­se conflituosa, entretanto com o                 tempo vai se modificando, e os sentimentos de medo , negação e raiva, dos sujeitos                           em relação à família vão sendo superados, embora na maioria das vezes, haja certo                         distanciamento dos familiares com a vida íntima do individuo, mas há harmonia e boa                         convivência nessa relação; os homossexuais fora dos espaços delimitados sofrem                 discriminação das mais variadas formas, desde piadas de mau gosto, xingamentos,                   agressões verbais até a perda de emprego; o “gueto” homossexual para os sujeitos da                         pesquisa, representa um espaço de proteção contra o preconceito e a discriminação,                     e ainda, um local onde eles desenvolvem um sentimento de pertencimento a um grupo                         
  5. 5. 5social de referência.Espero que esse estudo possa contribuir para que a sociedade                     Fortalezense aprenda a viver com as diferenças, respeitando os diferentes, e                   essencialmente, os protagonistas desse estudo – os homossexuais. E ainda, contribuir                   para que o Serviço Social, diante dos dados dessa pesquisa, se empenhe na luta pela                           transformação social, essencialmente no respeito às diferenças, uma vez que seu                   Código de Ética profissional tem como princípios fundamentais, entre outros, “opção                   por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem                       societária (...)” e “empenho na eliminação de todas as formas de preconceito,                     incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente                 discriminados e á discussão das diferenças” (CFESS,1993)SUMÁRIOINTRODUÇÃO 9CAPÍTULO I : ENFOQUES SOBRE SEXUALIDADE HOMOSSEXUALIDADE E             “GUETO” 121.1. Sexualidade: construto sócio­histórico­cultural 121.2. Identidade sexual 171.3.Os saberes sobre a homossexualidade 221.3.1. Concepção clerical da homossexualidade231.3.2. Concepção da medicina 251.4. Homossexualidade e o “gueto” 27CAPÍTULO II: PASSOS METODOLÓGICOS DA INVESTIGAÇÃO 312.1 Aproximação com o objeto – “gueto” 312.2 Natureza do estudo 332.3.Campo da pesquisa 35
  6. 6. 62.4. Sujeitos da pesquisa e trajetória metodológica 38CAPÍTULO III : ”GUETO” HOMOSSEXUAL: AS PERCEPÇÃOES E OS               POSICIONAMENTOS DOS SUJEITOS DA PESQUISA 423.1.A descoberta da homossexualidade 423.2.A relação com a família443.3.Tipos de discriminação sofrida fora dos espaços delimitados 473.4.Visão sobre o “gueto” 48CONSIDERAÇÕES FINAIS 51REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS 55INTRODUÇÃOEsta pesquisa tem como objetivo central, compreender, interpretar e               analisar as percepções e os posicionamentos dos homossexuais sobre o “gueto”                   homossexual em Fortaleza.O ponto primordial que me impulsionou a pesquisar sobre tal temática, foi                     ter presenciado, diversas vezes, uma pessoa da família, pela qual tenho grande                     estima, sendo vítima de preconceito e discriminação, por conta de sua orientação                     sexual.Essa pessoa tornou­se ponte para atrair para o meu convívio, vários outros                     homossexuais, dos quais me tornei muita amiga e confidente.Fato esse, que só fez                       aumentar minha indignação, pois, convivendo com o maior número de pessoas de                     orientação sexual e afetiva por pessoas do mesmo sexo, tenho presenciado com muita                       freqüência situações de constrangimento, que essas pessoas têm passado por causa                   de sua orientação sexual. Por vezes, quando estou em algum local com alguns deles,                         observo manifestações preconceituosas e discriminatórias, no momento eles             disfarçam, fingem que não foi com eles, mas depois acabam me confidenciando, que                       
  7. 7. 7se sentiram bastante incomodados com tal situação.O fato decisivo para o empreendimento em torno do “gueto” homossexual,                   foi uma situação de extrema violência, pela qual passou um desses amigos.Ele foi                       expulso brutalmente, por um segurança, de um local dito “hetero”, por estar apenas                       conversando de forma mais íntima com outra pessoa do mesmo sexo que o seu.Fato                         que nos deixou profundamente indignados, surgindo a partir daí várias discussões                   entre nós sobre preconceito e discriminação contra homossexuais.Durante as               discussões, alguns apontavam como solução para fugir dessas manifestações               preconceituosa e discriminatória, a escolha por freqüentar locais voltados               exclusivamente para o público homossexual.Já, outros, assim como eu, questionavam                 esse tipo de solução que os empurravam para um confinamento – o “gueto”                       homossexual ­ aceitando passivamente a violência social de rejeição e repressão, uma                     vez que o “gueto” não elimina a ameaça social dirigida aos homossexuais.A partir de                         então, as discussões sobre o “gueto” homossexual tornou­se uma constante no nosso                     grupo de amigos, havendo divergência de opiniões.Onde uns, apontam que o “gueto” é                       um espaço para diversão e para a liberdade de expressão da homossexualidade,                     outros, consideram uma segregação forçada, pelo preconceito, pela discriminação e                 pela homofobia de uma sociedade intolerante, que não sabe viver com a diversidade,                       pensamento por mim compartilhado.Por essas razões aqui expressas, eu cursando Serviço Social na                   Universidade Estadual do Ceará (UECE), fui levada a refletir sobre o “gueto”                     homossexual, e buscar com mais afinco, através de pesquisa bibliográfica e de                     campo, conhecimento para desvendar os reais significados do “gueto” homossexual                 em Fortaleza ­ objetivo central dessa pesquisa.Devo destacar aqui, a relevância desse estudo para o Serviço Social, uma                     vez que o Código de Ética profissional tem como principio fundamental, entre outros, o                         reconhecimento da liberdade como valor ético central.Nesse sentido , o assistente                   social deve ter todo o empenho na eliminação de toda forma de preconceito,                       
  8. 8. 8incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente                 discriminados e á discussão das diferenças.Para além da análise critica da realidade,                     a dimensão ética da prática do Serviço Social, deve agir em busca da transformação                         social, em que, a democracia, a defesa dos direitos humanos e o respeito às                         diferenças, estejam sempre presentes no fazer profissional.(CFESS,1993)Assim, os resultados obtidos nesse estudo, podem contribuir para o Serviço                   Social viabilizar políticas públicas para o público LGBTT (Lésbicas, Gays, Travestis e                     Transexuais), pois no conjunto de deveres que estão postos para o assistente social                       em seu Código de Ética, destaca­se, entre outros, “empenhar­se na viabilização dos                     direitos sociais dos usuários, através dos programas e políticas públicas.” (CFESS,                   1993)Vale salientar aqui, que o percurso metodológico para realização deste                 estudo foi bastante árduo, pois o tema em questão dispõe de pouquíssimo material                       bibliográfico.Este trabalho está constituído em quatro capítulos.No primeiro capítulo               intitulado “Enfoques sobre sexualidade – homossexualidade e “gueto”, trago a                 discussão teórica em torno da sexualidade, da homossexualidade e do “gueto”,                   abordando aspectos sócio­histórico­ cultural.Procuro mostrar que a sexualidade             humana, como um fenômeno sociocultural, tem sido regulada por instituições como a                     igreja, a família e Estado, e como a cultura patriarcal machista com a predominância                         do domínio masculino, tem influenciado na negação e desvalorização dos                 homossexuais.E o que tem levado os homossexuais a buscarem, cada vez mais os                       “guetos” homossexuais.No segundo capítulo, denominado “Passos metodológicos da           investigação”, apresento toda a trajetória metodológica da investigação.Inicialmente             mostro como foi feito a aproximação com o objeto de estudo, em seguida descrevo a                           natureza do estudo.Na seqüência, descrevo o campo de pesquisa.E, por último,                   
  9. 9. 9exponho os sujeitos da pesquisa e a trajetória metodológica da investigação.No terceiro e último capítulo, “Gueto” homossexual:as percepções e os                 posicionamentos dos sujeitos da pesquisa”, faço a análise das percepções e dos                     posicionamentos dos homossexuais entrevistados, articulando suas falas com a               literatura consultada, para elucidar os objetivos do estudo.Nas considerações finais, são apresentados os principais resultados             identificados na realização do estudo.Esse é o momento de descoberta das perguntas                     iniciais da pesquisa.CAPÍTULO I: ENFOQUES SOBRE SEXUALIDADE ­HOMOSSEXUALIDADE E “GUETO”1.1 Sexualidade: construto sócio­histórico­culturalA sexualidade é uma temática sobre a qual há bastante discussão, diversos                     autores têm adotado diferentes enfoques destacando elementos importantes quando               
  10. 10. 10na sua discussão.Um dos pontos de enfoque apontado por Loiola (2005) diz respeito à                     compreensão da sexualidade como um construto sócio­histórico­cultural dos sujeitos.               Sem desconsiderar o aspecto biológico ­ que acaba por restringir à sexualidade a                       reprodução ­ prioriza o entendimento da sexualidade a partir da interação do sujeito                       com a sociedade, com a história e com a cultura a que pertence.Destarte, o entendimento da sexualidade está para além da função                   procriativa, onde se tem uma compreensão que abrange todas as suas significações e                       funções na vida humana.É preciso compreender, que para além da perspectiva reprodutiva, a                   sexualidade é “uma construção dos sujeitos concretos (homens e mulheres)” (LOIOLA,                   2005, p.50). Apesar da influência do contexto sócio­histórico­cultural, estes sujeitos,                 são portadores de uma subjetividade que os permite vivenciar as diversas                   manifestações da sexualidade.Entretanto, as funções e significados acerca da sexualidade variam, ao                   longo da história humana, e estas variações irão produzir efeitos sobre a forma como                         serão aceitos ou questionados determinados comportamentos sexuais. Assim, o               entendimento da sexualidade subsiste numa concepção binária, em que a existência                   dos dois sexos (masculino e feminino) está intrinsecamente ligada à procriação.                   Dessa forma, a história da sexualidade apresenta­se como um fenômeno sociocultural                   que determina os papéis sociais e os comportamentos sexuais dos indivíduos, ou seja,                       uma padronização de conduta que controla a subjetividade dos indivíduos.Os padrões de comportamentos sociais e sexuais são regulados pela                 cultura, sendo esta a mediadora das ações realizadas pelos indivíduos em seu                     cotidiano. A cultura aqui referendada é a cultura ocidental, que traz em seu cerne o                           estabelecimento de uma ordem sexual patriarcal e machista com a predominância do                     domínio masculino sobre o feminino, onde cabe aos homens o ditame dos valores e                         
  11. 11. 11das normas de sociabilidade.A sexualidade revela­se, assim, como um fenômeno sociocultural, em que                 os papéis sociais e sexuais dos sujeitos são regulados por instituições como a igreja,                         a família e o Estado.A igreja cristã, considerando o sexo como tendo uma função exclusivamente                   procriativa, reprimiu todas as práticas que perturbasse as finalidades atribuídas à                   procriação. Conforme Loiola (2005) a Igreja cristã:a partir de uma série de estratégias castradora da vida: confundiu a essência                       da vitalidade humana, a sexualidade, rotulando­a de perversão, fornicação,               bestialidade, pecado sodomia, heresia, dentre outros tantos atributos;             sacrificou várias personalidades através da ‘santa’ inquisição, levando­as à               fogueira, quando não , à guilhotina.Publicou todas essas barbaridades aos                 ‘quatros canto do mundo’ em nome do amor divino.Usou a fogueira e a                       guilhotina durante a inquisição, posteriormente o celibato e a confissão,                 decretou e publicou a morte, mas não conseguiu o êxito esperado ­ eximir a                         necessidade do desejo sexual, muito embora tenha produzido subjetivamente               uma sexualidade extremamente negativa.(p.55)Dessa forma, a igreja regula a vida do sujeito, impondo­lhe, com rigor                     violento, os preceitos cristãos, baseada na concepção da articulação entre o sexo e a                         expulsão do homem do “paraíso”, onde se deu o pecado original. A mulher                       culpabilizada por tal pecado é vista como mais sensual e mais sexuada que o homem,                           portanto, mais fraca e sujeita a sucumbir às tentações do prazer carnal. A partir dessa                           ideologia, indica Pinheiro (2003, p.29):colocam­se as mazelas do mundo na relação sexual livre e prazerosa                   associando o sexo, a mulher e o gênero feminino ao pecado.Por trás desta                       ideologia, estão as bases da criação do sistema patriarcal, no qual o homem                       nega à mulher e o prazer ( oprimindo o gênero feminino) e exalta o poder e o                               trabalho ( exaltando o masculino).Assim, para a igreja católica, herdeira das tradições bíblicas, a miséria que                     oprime os homens é conseqüência do pecado original cometido por Adão, mas com                       grande cooperação de uma mulher: Eva. Esse pecado foi transmitido a todos os                       homens afetando a morte de suas almas e distanciando­os de Deus. Com a                       descoberta da nudez, pelo pecado original, o homem descobre o sexo e se                       
  12. 12. 12envergonha dele.                   Nesse sentido, destaca Santos (2008):A dimensão sexual parece constranger e assombrar a Igreja por ocultar                   implicações outras que extrapolam o campo da sexualidade. Representações               de Deus, da salvação e do pecado podem de fato estar em jogo em torno                           dessa problemática. Além de uma questão moral, a Igreja se vê imobilizada                     diante de um emaranhado de questões dogmáticas. Por isso mudanças na                   moral sexual encontram resistências e impossibilidades. Outro fator a ser                 considerado é a construção ideológica católica em torno do poder da Igreja                     como ‘sustentáculo da verdade’. Abrir mão de certas posições colocaria em                   xeque este poder e seu domínio sobre os fiéis. (p.9).Segundo Chauí (1984) o Dicionário de Psicanálise de Laplanche e                 Pontalis, aponta a sexualidade como:polimorfa, polivalente, ultrapassa a necessidade fisiológica e tem a ver com a                     simbolização do desejo. Não se reduz aos órgãos genitais ( ainda que estes                       possam ser privilegiados na sexualidade adulta) porque qualquer região do                 corpo é susceptível de prazer sexual, desde que tenha sido investida de                     erotismo na vida de alguém, e porque a satisfação sexual pode ser alcançada                       sem a união genital.(p.15).Dessa forma, a sexualidade humana, à luz da psicanálise, ultrapassa a                   dimensão biológica, e as “tentativas de supressão das pulsões são sempre falhas e os                         fenômenos substitutivos que emergem em conseqüência desta ‘supressão’ constituem               as doenças nervosas.” (SANTOS, 2008, p.6). A tentativa de inibir o desejo sexual pode                         causar no indivíduo, debilidade ou adoecimento. Visto que, a constituição do sujeito                     não pode ser separada da sua sexualidade. Entretanto, a moral cristã com todo seu                         rigor repressivo, não conseguiu arrancar do sujeito sua necessidade sexual, os                   “impulsos e desejos desconhecem barreiras para sua satisfação”. (SANTOS, 2008,                 p.4). Mesmo estabelecendo   uma relação negativa, no que concerne ao sexo, “o poder não ‘pode’ nada contra o                           sexo e os prazeres, salvo dizer­lhes não” (FOUCAULT, 2007, p.93).Como indica Loiola (2005) à psicanálise “elastece a sexualidade no âmbito                   das relações sociais, desfamiliariza a binaridade do sexo­reprodução (...) privilegia o                   gozo e o prazer como seus atributos principais.” (p.67). Desse modo, a psicanálise                       
  13. 13. 13foge da visão biologizante da sexualidade humana, ressaltando a importância da                   fantasia:Com efeito, a sexualidade se inscreve na fantasia, antes de mais nada.Esse é                       o campo por excelência do erotismo.Não existiria, pois, sexualidade sem                 fantasia,sendo esta a sua matéria­prima.Seria, então, a partir da fantasia                 como fundamento, que aquela pode assumir formas comportamentais             diversificadas.O comportamento seria, pois, o elo final de uma longa cadeia de                     relações, que se inscreveriam primordialmente na fantasia do sujeito, o sexo                   seria, portanto, um efeito distante do sexual, por mais paradoxal que possa                     parecer esta afirmação.Em contrapartida, se existe algo de enigmático e de                   absurdo no erotismo, a fantasia seria o lugar desse enigma e de iluminação                       dessa obscuridade (BIRMAN, citado por LOIOLA,2005, p.67­68).Foucault (2007) aponta que as práticas sexuais no início do século XVII não                       procuravam o segredo, entretanto, com o advento do capitalismo a burguesia vitoriana                     encerra a sexualidade, ou seja, a sexualidade:Muda­se para dentro de casa. A família conjugal a confisca. E absorve­a,                     inteiramente, na seriedade da função de reproduzir. Em torno do sexo, se                     cala. O casal, legítimo e procriador, ditam a lei.Impõe­se como modelo, faz                     reinar a norma, detém a verdade, guarda o direito de falar, reservando­se o                       princípio do segredo.(FOUCAULT,2007,p.9).Com a Contra–Reforma a Igreja católica intensifica o sacramento da                 confissão em todos os países católicos, impondo ”regras meticulosas de exame de si                       mesmo.” (FOUCAULT, 2007, p.25). Nessa nova pastoral, o bom cristão deve, durante                     a confissão, mencionar em detalhes “todas as insinuações da carne: pensamentos,                   desejos, imaginações voluptuosas, deleites, movimentos simultâneos da alma e do                 corpo”. (FOUCAULT, 2007, p.25).A confissão no Ocidente, foi umas das técnicas mais                     valorizadas para produzir a verdade sobre o sexo.Como bem ressalta Loiola:o confessionário ocupa o lugar central para o discurso da sexualidade cristã,                     haja vista que todo cristão teria essa obrigação para com sua igreja, de modo                         que esse espaço configurou­se num lugar interroga­tivo e             punitivo.(2006,p.46­47).Foucault (2007) aponta que nas sociedades modernas, o sexo não tem sido                     condenado a permanecer na obscuridade, pelo contrário, há uma explosão discursiva                   sobre ele, entretanto:tais discursos sobre o sexo não se multiplicaram fora do poder ou contra ele,                         
  14. 14. 14porém lá onde ele se exercia e como meio para seu exercício; criaram­se em                         todo canto incitações a falar; em toda parte dispositivos para ouvir e registrar,                       procedimentos para observar, interrogar e formular. Desenfurnam­no e             obrigam­no a uma existência discursiva.Do singular imperativo, que impõe a                 cada um fazer de sua sexualidade um discurso permanente, aos múltiplos                   mecanismos que, na ordem da economia, da pedagogia, da medicina e da                     justiça incitam, extraem, organizam e institucionalizam o discurso do sexo, foi                   imensa a prolixidade que nossa civilização exigiu e             organizou.(FOUCAULT,2007,p.39).Assim, tem­se uma proliferação de discursos sobre o sexo, que se                   caracteriza pela busca do conhecimento da sexualidade como estratégia de controle                   do indivíduo e da população. E ainda, destaca Foucault, a sociedade capitalista:não reagiu ao sexo com uma recusa em reconhecê­lo. Ao contrário,                   instaurou todo um aparelho para produzir discursos verdadeiros sobre ele.(...)                 também empreendeu a formulação de sua verdade regulada.(2007,p.78­79).De acordo com Foucault (1977) citado por Chauí (1984) a partir do século                       XVIII, foram utilizadas quatro estratégias nas relações de saber e poder sobre o sexo1)histerização do corpo feminino (hipersexualizada e fecunda, a mulher se                 distribui em dois papéis, a mãe e a histérica);2) pedagogização do sexo                     infantil (a criança é um ser sexuado polimorfo, desconhecendo a sexualidade                   saudável, de modo que suas práticas sexuais colocam em risco sua vida,                     sua sanidade mental e da futura prole; o risco principal é a masturbação);                       3)socialização das condutas de procriação ou regulação           demográfica(interdição das práticas anticoncepcionais pelo Estado e pela             medicina);4)psiquiatrização do prazer perverso(que de pecado e vício, se               torna doença).(CHAUÍ,1984,p.184­185).Dessa forma, a pedagogia, a medicina, a psiquiatria, a economia e o                     Estado fizeram da família o espaço fundamental para a sexualização dos corpos.A família proclamada pelo pensamento religioso judaico–cristão é uma               instituição natural dos homens, permanente e criada por Deus. (GURGEL, 1999).                   Nessa perspectiva, a família como primeiro grupo responsável pela socialização do                   sujeito, promove a educação das crianças estabelecendo papéis sociais e sexuais de                     meninos e meninas de acordo com o sexo biológico e com os preceitos cristãos –                           estimula nos meninos a expressão sexual e nas meninas a reclusão e a repressão –                           reforçando, assim, os valores promulgados pela igreja cristã.Assim, a moralização do                   sexo faz­se preferencialmente pela família.       
  15. 15. 15Como aponta Loiola (2005) a família:inicia a inserção da criança no mundo adulto a partir das normas e                       prescrições interpretadas da ‘carta sagrada’ legitimada pela igreja.Com suas               estratégias seguidas da ritualização em todo o processo socializador               constitui desde a apresentação do indivíduo representante de Deus na Terra                   até o casamento, exercendo a função de cristalizar nas subjetividades a                   doutrina disciplinadora da conduta dos homens e mulheres,... , limitada à                   reprodução da espécie. (p.56).Assim, a família, reproduzindo a moral cristã no processo de socialização                   do indivíduo, atribui papéis estereotipados para o homem e para a mulher de forma                         desigual, onde o papel atribuído ao homem é sempre mais valorizado do que o papel                           da mulher.Nesse sentido, destaca Trevisan: “criaram­se corpos doutrinários e normas                 severas, com o intuito de sedimentar a família enquanto espaço fundamental para                     defesa da catolicidade.” (2007,p.110).O Estado, por seu turno, absorve os valores moralistas da igreja cristã, em                       parceria com a família e com a escola e dotado de recursos formais e legais reproduz                             o machismo e a binaridade dos sexos.Deste modo, o Estado (e o Estado aqui referendado é o Estado burguês,                       que direciona suas ações seguindo a lógica do capital ­consumo e obtenção de lucro)                         ao mesmo tempo em que, em nome da moral e dos bons costumes,castra as                         possibilidades de prazer dos sujeitos, expõe o corpo humano para a venda de                       mercadorias com o objetivo de obter lucro.Assim, banaliza a sexualidade dos sujeitos                     transformando­a em mercadoria. (LOIOLA,2005).A sexualidade, segundo Costa (1994), é um aspecto conflituoso e                 controverso da vida do ser humano, e na cultura ocidental, criam­se modelos para                       classificar as pessoas, na maioria das vezes baseadas em preconceitos, não                   permitindo que as mesmas sejam como são. Tais moldes se referem aos papéis                       sociais determinados para o masculino e feminino, que desconsideram a dinâmica da                     sexualidade, sua multiplicidade, variável de pessoa para pessoa, não sendo uma                   experiência estanque ao longo da vida.
  16. 16. 161.2. Identidade sexualComo vemos o sexo durante algum tempo considerado como algo                 meramente biológico e natural, passa por transformações, ao ser deslocado do plano                     natural para o plano cultural. Esse deslocamento, segundo os antropólogos e os                     psicanalistas, acontece a partir da proibição do incesto. (CHAUÍ, 1984).Nesse sentido, aponta Chauí (1984), a tragédia de Édipo, quando Freud                   elabora o conceito de Complexo de Édipo , passa a ser o tema central na discussão                           1da sexualidade e de sua repressão.Nye (2002) aponta que Freud acreditava que a estrutura e o funcionamento                     básicos da personalidade humana­ embora tenha certa flexibilidade­ são formados                 durante os primeiros cincos ou seis anos de vida. Assim, boa parte do que o sujeito é                               como adulto é determinado por suas experiências na infância.Chauí (1984) indica que Freud classificou as fases da libido, segundo a                     origem do prazer, as regiões prazerosas do corpo e os objetos. A primeira fase é oral,                             onde a atividade se centraliza na boca, e o prazer vem do ato de comer ou sugar e da                                   ingestão de alimentos. A segunda fase é anal, tem como órgão do prazer o ânus, e o                               prazer se dão pela retenção e expulsão das fezes. A terceira fase é a fálica ou genital,                               que tem como fonte de prazer os órgãos genitais, o prazer vem da masturbação e das                             fantasias.Para Freud, segundo indicam Santos, Xavier e Nunes (2008) a fase fálica é                       decisiva na formação da personalidade do sujeito. Nesta fase, onde se organiza o                       1  Trata­se de um sistema ou de uma rede intrincada (donde, complexo) de afetos e fantasias que a criança possui,entre os três e quatro anos, ao perceber que faz parte de uma tríada ou relação triangular constituída por ela, pelamãe e pelo pai (CHAUÍ, 1984, p.63)..
  17. 17. 17Complexo de Édipo, quando:o menino percebe a presença do órgão masculino, manipula­o obtendo                 satisfação libidinal.A menina também percebe a diferença anatômica sexual e                 ressente­se por não possuir algo que os meninos possuem. Em ambos os                     casos a mãe é o primeiro objeto de amor.Nesse processo, o menino mantém                       um desejo incestuoso pela mãe.O pai é percebido como rival que lhe impede                       o acesso ao objeto desejado(mãe).Temendo ser punido com a perda dos                   órgãos genitais(angústia de castração) e do lugar fálico em que se encontra,                     o menino terá que recalcar o desejo incestuoso pela mãe e identificar­se com                       o pai, escolhendo­o como modelo de papel masculino, e então internalizar                   regras e normas impostas pela autoridade paterna (a pessoa que ocupa esse                     lugar). A situação feminina é distinta. Ao perceber a ausência do pênis,                     desenvolve um sentimento de inferioridade, tendo inveja e desejando o órgão                   masculino. Atribui à mãe a culpa por ter sido gerada assim e rivaliza com                         ela.Ao mesmo tempo precisa se identificar com a mãe para obter o amor do                         pai.Depois, esse desejo pelo pai deve se dissipar a fim de que possa sair da                           situação edípica, havendo um grande deslocamento de energia libidinal que                 leva consigo para o inconsciente, os sentimentos conflituosos             experimentados nessa fase, e as vivências infantis orais, anais e fálica                   (SANTOS, XAVIER e NUNES,2008,p.47­48).Assim, nesta fase o falo representa, tanto para os meninos como para as                       meninas, a onipotência. Entretanto, a menina desenvolve um sentimento de                 inferioridade, por perceber que não possui o pênis, e o menino, por medo da                         castração, desiste de seu objeto de desejo – a mãe.De acordo com Freud (1967) citado por Chauí (1984) há diferenças na                     superação do complexo de Édipo:No menino, o complexo será vencido graças ao medo da castração pelo                     pai,como punição do desejo incestuoso.Para conservar o pênis, o menino                 aceita renunciar a mãe.Na menina, a solução será mais demorada porque                   precisa aceitar e conseguir um substituto para o pai, o que só lhe será                         possível puberdade (p.70).Assim, a ameaça da castração faz com que os meninos resolvam de forma                       definitiva e completa o complexo de Édipo, já as meninas, por não serem motivadas                         pelo medo da castração, prolongam a superação do complexo de Édipo até a                       puberdade.Nye (2002) adverte que a solução do complexo de Édipo do menino pode                       
  18. 18. 18tomar rumos diferentes. Como, por exemplo, o sentimento de desagrado do menino                     pelo pai pode permanecer e prolongar­se para todas as figuras de autoridade. Nesse                       sentido, indica Nye (2002, p.25):Entre os pensamentos de Freud sobre a homossexualidade estava a                 idéia de que ela pode resultar de uma intensa ligação erótica com a                       mãe, especialmente na ausência de um pai forte; a identificação com a                     mãe em vez de com o pai, é uma possibilidade nesses casos.Desse modo, a homossexualidade pode ser resultado das marcas                 deixadas na vida adulta pelo modo como foi experimentado o complexo de Édipo e a                           proibição do incesto na infância. Parisotto (2003) indica que Freud tinha alguns                     pressupostos acerca da identidade sexual, bem como dos fenômenos               Heterossexualidade/Homossexualidade. Entre alguns desses pressupostos, Freud         considerava que tanto a hetero como a homossexualidade se desenvolvem                 socialmente, e que a homossexualidade incluía fenômenos de ordens diversas, mas                   afirmava ainda que os indivíduos possuem sempre uma corrente libidinosa                 homossexual e heterossexual, mas que a determinação da orientação dominante vai                   depender de questões diversas.Nesse contexto, na psicanálise:entende­se a sexualidade do adulto como decorrente de um processo de                   desenvolvimento ordenado a partir de diversos aspectos, desde o biológico,                 atravessando o aprendizado cultural, até as representações mentais que               estão perpassadas por conflitos referentes à situação edípica. É nesta área –                     dos conflitos, das representações mentais, das fantasias –, que está para                   além da objetividade e que está presente em toda atividade sexual, que a                       psicanálise tem oferecido sua maior contribuição. (PARISOTTO, 2003, P.84)Ao tratar sobre o sexo, Calligaris (1997) aponta que se este for definido                       pelos órgãos externos e por sua função procriativa, temos ainda hoje, dois sexos                       biológicos: homem e mulher.Entretanto, ressalta Calligaris, a identidade de gênero não está relacionada                 somente ao sexo biológico, mas a uma variedade de fatores.Nesse sentido, por mais que as pesquisas procurem mostrar que a                   
  19. 19. 19orientação sexual tem fundamento biológico, não se pode esquecer da influência                   2cultural que promove a divisão dos sujeitos em categorias sexuais.Segundo Costa (1993) desde o século XIX, passamos a acreditar que os                     sujeitos estavam naturalmente divididos em heterossexuais, homossexuais e             bissexuais. A crença nesta classificação é fruto do vocabulário sexual de nossa cultura,                       que nos induz a produzirmos modos de identificarmos moralmente, a nós e aos outros.                         As identificações sexuais de cada indivíduo são determinadas pela crença nos                   dispositivos lingüísticos. Entretanto, é preciso, aponta Costa (1993) abandonar o                 vocabulário que deu origem a esta crença, que classifica o indivíduo em heterossexual,                       homossexual e bissexual, e buscar definir os sentimentos, de acordo com os padrões                       éticos de cada um, redescrevendo um novo modo de amar e desejar sexualmenteConforme enfatiza Graner (2008) tem­se encontrado, mesmo que em               comunidades geográfica e socialmente diferenciadas, por meio da história e da                   cultura, distinções significativas entre homem e mulher. Ao homem, por possuir o falo,                       geralmente associa­se a idéia de domínio, poder e de liberdade sexual, em                     contrapartida, a figura da mulher encontra­se frequentemente associada à idéia de                   fraqueza, sujeição e recato sexual.Assim, o órgão genital (o pênis ou a vagina) vai simbolizar a afirmativa de                         identidade do indivíduo, em que a sociedade a qual pertence traça um roteiro de vida                           2 Orientação sexual é a atração afetiva e/ou sexual que uma pessoa sente pela outra. A orientação sexual existenum continuum que varia desde a homossexualidade exclusiva até a heterossexualidade exclusiva, passandopelas diversas formas de bissexualidade. Embora tenhamos a possibilidade de escolher se vamos demonstrar, ounão, os nossos sentimentos, os psicólogos não consideram que orientação sexualseja uma opção consciente que possa ser modificada por um ato de vontade (BRASIL, 2004, p. 29).
  20. 20. 20determinando:o seu identificar­se, sentir­se, comportar­se e vestir­e.Mesmo com as               ‘revoluções’ dos costumes,idéias e papéis sociais, ainda persiste para               muitos a idéia de que um ‘pênis’ significa,como regra: homem, roupa de                     homem (azul, gravata, calça, sem adornos), brinquedos/objetos de             homem(outdoor e violentos/ativos), trabalho de homem( mecânicos, exatos,             físicos e de comando), comportamento de homem( virilidade, truculência               corporal), etc.Enquanto que uma ‘vagina’ significa, também como regra:               mulher, roupa de mulher( rosa, laço, saia, adornos), brinquedos/objetos de                 mulher (indoor epacíficos/passivos), trabalho de mulher ( delicados,             subjetivos, mentais e de agregação), comportamento de mulher(feminilidade,             delicadeza corporal) etc.( GRANER,2008, p.77)Ainda tratando a respeito de sexualidade e sexo, e seus significados                   socioculturais, há no trabalho de Graner (2008), reflexões sobre o tema, apontando que                       sexo é:O conjunto de desejos, afinidades, projeções, sonhos e ações, e o ‘sexo’ que                       o ‘EU’ exercita através do corpo, mente e espírito pode tanto representar                     prazer, gozo, liberdade, vaidade, autonomia,orgulho ou furor como dor,               frigidez, prisão, perversão, dependência, vergonha ou apatia. (p. 76)Nesse mesmo trabalho, a referida autora destaca a noção de gênero,                   entendido como um conjunto de concepções, valores e praticas que se consensuam                     associados a praticas sexuais e sociais do sexo oposto, evidenciando a busca de                       compreensão das relações sociais entre homens e mulheres.Nesse contexto, surge o conceito de identidade de gênero, que como indica                     Graner (2008) é o:auto conhecimento emocional definido através da afinidade maior com o que                   socialmente se convencionou reconhecer como masculino e/ou feminino,             podendo ou não corresponder à demarcação sexual atribuída à pessoa pelo                   coletivo no momento de seu nascimento( dada tanto pela percepção de seu                     órgão genital como pelo estabelecimento de sua existência jurídica.) ( p.79).O homem nasce em uma estrutura social objetiva que lhe impõem                   significativos que se encarregam de sua socialização.Assim, a criança interioriza os                   papéis e as atitudes dos outros significativos – as pessoas mais próximas ­                       tornando­se capaz de auto­identificar­se.Desse modo, ela não só absorve os papéis e                     
  21. 21. 21atitudes dos outros significativos, como assume o mundo deles.A criança na socialização primaria identifica­se com os outros significativos,                 por não ter escolha, já que os outros significativos são definidos antecipadamente pela                       sociedade.O mundo dos pais é interiorizado por ela, como sendo o único mundo                       possível existente.”Os outros significativos na vida do indivíduo são os principais                   agentes da conservação de sua realidade subjetiva” (BERGER e LUCKMANN, 1985,                   p.200).1.3. Os saberes sobre a homossexualidadeA história tem mostrado que a homossexualidade não é um fenômeno                     recente, das tribos às civilizações, sempre existiu homossexual, entretanto, a forma                   como é tratada se diferencia de um momento histórico para outro.Segundo Loiola (2006), na Grécia antiga, as relações homossexuais,               apesar de se submeterem a postulados legais, eram livres, desde que tais relações se                         realizassem entre pessoas de idades diferenciadas, um adulto e um jovem, sob o                       pretexto do mais velho educar e proteger o mais novo.Na Grécia e em Roma antigas, a homofilia (o termo homossexualidade é                     recente) masculina era tolerada e, por vezes, até estimulada. Nessas sociedades, a                     mulher considerada naturalmente passiva, o jovem livre, do sexo masculino,                 considerado passivo pela pouca idade, e o escravo, considerado passivo por sua                     condição de dominado e por obrigação, faziam com que as relações homofílicas só                       fossem admitidas entre um homem livre adulto e um jovem livre ou um escravo, jovem                           ou adulto. O jovem, pela idade, podia ser livre e passivo sem desonra; o escravo, por                             sua condição desonrosa, só podia ser passivo; um homem, livre adulto que se                       prestasse a uma relação homofílica no papel passivo era considerado imoral e indigno,                       entretanto, comportando­se como ativo na relação sexual, era livre para manter                   relações com jovens, por não afetar sua masculinidade; com mulheres, por serem                     
  22. 22. 22inferiores; e com escravos, por não serem considerados cidadãos (CHAUÍ, 1984).Com o advento do Cristianismo, o Império romano, que antes celebrava a                     bissexualidade, passa a condenar as práticas homoeróticas. Os códigos de conduta, a                     moral e a ética impostas pela Igreja, aliada ao império, segregam os indivíduos que                         estão fora dos padrões socialmente estabelecidos. O tribunal do Santo Ofício,                   instituído na Europa, perseguia aqueles que praticavam heresia e a homossexualidade                   estava incluída dentre estas práticas.Na Europa dos séculos XVI, XVII e XVIII, não apenas a Espanha, Portugal,                       França e Itália católicos, mas também a Inglaterra, Suíça e Holanda protestantes                     puniam severamente a sodomia seus praticantes eram condenados a punições como:                   multas, prisão, confisco de bens, banimento da cidade ou do País, trabalho forçado,                       execração e açoite público até a castração, amputação das orelhas, morte na forca,                       morte por fogueira e afogamento (TREVISAN, 2007).1.3.1. Concepção clerical da homossexualidadeA religião cristã, sempre restringiu a sexualidade à função procriativa, ou                   seja, qualquer atividade sexual que não tivesse finalidade procriadora era considerada                   pecaminosa. Assim, aponta Gurgel (1999), foi desenvolvido um código de ética sexual                     pelos primeiros padres da Igreja cristã – Clemente, Orígenes, Jerônimo e Agostinho –                       estabelecendo o princípio de que o sexo praticado para finalidade não procriativa era                       uma violação da natureza. Desta forma, a homossexualidade passa a ser condenada                     como um pecado, visto que sua prática representa uma transgressão à ordem natural e                         divina das coisas.A Igreja faz uso de textos bíblicos para determinar pecados condenáveis.                   Como o livro de Levítico do Antigo Testamento, que sobre a sodomia aponta que:                         33 Termo utilizado na Bíblia, para designar as relações homossexuais masculinas, em Sodoma, tidas como relaçõescontra a natureza. (ARIÈS, 1985).
  23. 23. 23“Não te aproximaras dum homem como se fosse mulher, porque é uma abominação.”                       (Lv. 18,22); e “Aquele que pecar com um homem, como se fosse uma mulher, ambos                           cometeram uma coisa execranda, sejam punidos de morte; o seu sangue caia sobre                       eles.” (LV.20,13).Também no livro I Coríntios do Novo Testamento, há referências à                     condenação da homossexualidade: “nem os efeminados, nem os sodomitas (...)                 possuirão o reino de Deus”.(I Cor.6,10). A Epístola de São Paulo aos Romanos (1,                         26­27), no Novo Testamento, deixa clara a condenação que o apóstolo Paulo faz a                         prática homossexual, considerando como um desregramento cometido contra a               natureza:Por isso Deus entregou­os a paixões de ignomínia.Efetivamente, as suas                 próprias mulheres mudaram o uso natural em outro uso, que é contra a                       natureza, e ,do mesmo modo, também os homens, deixando o uso natural da                       mulher, arderam nos seus desejos mutuamente, cometendo homens com               homens a torpeza e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu                           desregramento.(BÍBLIA, 1983).É mister destacar aqui, o trabalho de Gafo (1985) apontado por Loiola                     (2006), sobre o cristianismo e a homossexualidade, em que ele faz uma divisão da                         história cristã em quatro fases:a primeira compreende os primeiros setes séculos da cristandade – onde as                     influências do mito da cidade de Sodoma influenciam e/ou justificam                 decisivamente na criação dos códigos de condutas e determinações punitivas                 para os pecadores, ainda no Império Romano.A segunda fase (..) entre os                     séculos VII e XI – é aqui que se Distingue com maior clareza as atitudes                           consideradas homossexuais:’ toques, afetos, masturbação mútua, conexão           interfemural e sodomia’ – a homossexualidade é considerada um pecado                 grave a homossexualidade feminina tem citação inédita.A terceira fase (...)                 séculos XI e XIII – neste período é definido por alguns santos o pecado                         antinatural, incluindo a homossexualidade e outras práticas como a               masturbação.Santo Alberto Magno e Sto.Tomás de Aquino são expoentes (...)                 para a solidez da moral cristã nesse período; a quarta fase(...) séculos XIV e                         XX – período de afirmação da moral cristã com um profundo acirramento da                       aversão à homossexualidade, haja vista a proclamação do sexo               exclusivamente para a procriação.( LOIOLA,2006,p.43).Diante de tal consideração, percebe­se que a moral cristã tem influenciado                   sobremaneira as condutas dos sujeitos, determinando o uso do sexo para procriação,                     punindo e condenado como um pecado contra a natureza, as práticas sexuais com                       finalidades não procriativas, entre elas destaca­se a homossexualidade. A               
  24. 24. 24abominação do prazer homossexual pela instituição cristã, “determina a dualidade nas                   relações entre os homens e as mulheres (...), fixa o estabelecimento dos papéis                       sexuais e sociais eliminando a possibilidade da homossexualidade” (LOIOLA, 2006,                 p.47).O depoimento de Roberto, em entrevista cedida a Paiva (2007), confirma a                     influência que a moral cristã tem na direção das condutas dos sujeitos:A questão da homossexualidade ocupa todos os lugares da minha vida.(...). A                     minha memória homoerótica vai aos três anos de idade, pelo                 menos.(...).Desde a primeira infância, segunda infância, puberdade,           adolescência, eu sempre soube que eu era diferente e sabia qual era essa                       diferença.Daí ter sofrido terrivelmente, porque fui criado sob a ética católica,                   quer dizer, judaico­cristã, no catolicismo romano, indo para a missa todo                   domingo não sei mais o quê , e que dizia sobre aquilo que eu sentia de                             diferente em mim, e que era a minha peculiaridade, a minha essência,era que                       aquilo era proibido, era sujo, era pecaminoso. Se insistisse naquilo eu iria ser                       condenado ao fogo do inferno,etc.(...).Participava de grupos de orações e                 pedia a Deus que me curasse então diretamente.Me sentia culpado porque                   me masturbava tendo desejos por homens.Mas o próprio contato com a                   religião me afundava cada vez mais, me fazendo me sentir uma nulidade total                       como ser humano...(p.123­125)Esse posicionamento da igreja, com variações mínimas ao longo da                 historia, tem influenciado e motivado diversas discussões ao redor do mundo, acerca                     da Homossexualidade, bem como do surgimento de grupos de discussões acerca do                     próprio papel da igreja no controle do pensamento e opiniões da sociedade.1.3.2. Concepção da medicinaA partir do século XIX, irrompe na Europa e no Brasil a preocupação                       médica com a homossexualidade. A ciência médica passa a exercer um controle                     terapêutico que substitui o antigo controle religioso. A homossexualidade, antes tida                   como pecado, vício ou crime, passíveis de castigos ou de penas, passa a ser                         considerada uma patologia, que necessita da intervenção e do cuidado do médico ou                       do psiquiatra (TREVISAN, 2007).
  25. 25. 25Começaram a abundar na Europa e no Brasil, em meados do século XIX,                       abordagens cientificas sobre as perversões sexuais. A psiquiatria, com larga                 experiência no trato da loucura, passa a enquadrar os desvios à norma não mais como                           crimes e sim como doenças. O pederasta, agora considerado doente, não era mais                       culpado por transgredir a norma, do ponto de vista jurídico.Nesse período, a medicina iniciou estudos acerca das causas da                 homossexualidade, e apresentou duas causas principais: biológicas, destacando a               hereditariedade e os defeitos congênitos e defeitos hormonais; e causas de cunho                     social. Uma vez que havia causas endócrinas e orgânicas, os médicos viam, dessa                       forma, a possibilidade de cura, pela correção hormonal, por exemplo. E, além disso, se                         fosse observada que as causas eram de caráter social, haveria “medidas                   pedagógicas” de correção. (FRY e MACRAE, 1983)No Brasil, as investidas psiquiátricas contra os homossexuais nunca               chegaram a criar instituições especializadas, nem por isso as sugestões de crescente                     psiquiatrização da prática homossexual deixaram de ser, a partir da década de 1920,                       periodicamente reiteradas por autoridades médico­policiais do país, preocupadas             com a defesa da sociedade sadia. Apesar de não haver, no Código Penal Brasileiro,                         nenhuma menção à homossexualidade como crime, a medicina legal se achava no                     direito de sugerir ação médico­correcional para os delinqüentes homossexuais, além                 de punição do crime específico de que eram acusados (FRY e MACRAE, 1983). Em                         parte isso se dava porque as visões da medicina e da ciência aliavam­se à visão                           tradicionalista da Igreja, e assim continuava perseguição aos homossexuais.A partir do início do século XX, a medicina toma para si o direito de falar                             sobre homossexualidade e suas causas, procurando determina­la, “diagnosticá­la”,             procurando intervenções. Assim, a homossexualidade passa de crime, pecado, para, a                   partir de então, ser considerada doença. (FRY e MACRAE, 1983). Nesse período, a                       medicina começou a destacar a homossexualidade como patologia que traria consigo                   a possibilidade de outras doenças, surgindo os homossexuais ”esquizóides e                 
  26. 26. 26paranóides”, por exemplo.Na década de 30, no Brasil, a idéia da homossexualidade como patologia                     ganhava força. Entretanto, médicos, psicólogos e sexologistas, ao tratarem dessa                 temática em seus escritos, recorriam aos ensinamentos da Igreja Católica sobre a                     imoralidade do homoerotismo como referencia de fundo para argumentar que eram                   necessárias atitudes sociais mais tolerantes para com os indivíduos depravados sobre                   as quais escreviam (GREEN, 2000).Nos anos 60, os movimentos de jovens e estudantes propiciaram várias                   discussões na sociedade e na mídia sobre a sexualidade, os papéis de gênero e a                           homossexualidade.A discussão acerca dos saberes sobre a diversidade sexual no Brasil,                     ganha força nos anos 70, quando se dá início ao movimento comunitário homossexual.                       Associações e grupos se multiplicavam pelo País, na luta pelos direitos humanos de                       gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais (GLTB).De acordo com os dados do                   programa Brasil sem homofobia (2004), atualmente, há cerca de 140 grupos                   espalhados por todo o território nacional.Em 1973, em grande parte devida ás pressões dos movimentos                 homossexuais, a homossexualidade deixou de ser classificada como doença pela                 Associação Americana de Psiquiatria. Médicos e psicoterapeutas passam a aceitar a                   idéia de que a homossexualidade é uma orientação sexual tão aceitável como a                       heterossexualidade (FRY e MACRAE, 1983).1.4. Homossexualidade e o “gueto”O que vemos hoje, ao lado dos avanços dados no trato da questão                       
  27. 27. 27homossexual no decorrer da história, é uma crescente manifestação homofóbica que                   4vai desde assassinatos de homossexuais, até a utilização de simples símbolos que                     confirmam a discriminação e o preconceito.A apreensão do conceito de preconceito aqui, é a indicada por Rodrigues,                     Assmar e Jablonski (1999), que traz sua definição como uma atitude hostil ou negativa                         com relação a um determinado grupo, já a discriminação refere­se a comportamentos                     (expressões verbais, condutas agressivas,etc.)Para fugir da violência e da intolerância da sociedade contra sua                   subjetividade homossexual, os homossexuais têm buscado cada vez mais espaços                 onde possam expressar sua sexualidade, livres de discriminação e preconceito – o                     “gueto” homossexual. Para Loiola (2006) o “gueto” homossexual, ao mesmo tempo em                     que contribui para a socialização com outros indivíduos de mesma orientação sexual,                     segrega­os.Assim, o “gueto”:constitui­se como o lugar que se consolida a segregação,onde serão                 manifestados, livremente, os sentimentos interiorizados, inibidos pela           dinâmica social.É o lugar fechado, onde os iguais na (orientação sexual) se                     encontram, ou os diferentes do mundo sistematizado se escondem.               (LOIOLA,2006, p.92)A dinâmica social acaba impondo ao homossexual, desde muito cedo, a                   idéia de que a homossexualidade é algo inferior, sujo, pervertido. O homossexual,                     internalizando essas idéias, acaba por sentir­se segregado, buscando os “guetos”                 como locais de livre expressão, entre os “iguais”. São locais nos quais se vive, sexual e                             socialmente, a homossexualidade, sem nenhuma repressão. Dessa maneira, os               indivíduos se agrupam nos “guetos”, cedendo à pressão social, para sentirem­se                   aceitos e não sofrerem punições.(RODRIGUES, ASSMAR e JABLONSKI, 2001).4 O termo homofobia é utilizado para descrever a aversão aos sujeitos que têm orientação sexual e afetiva porpessoas do mesmo sexo.A homofobia é uma ideologia anti­homossexual que se manifesta de múltiplasformas:agressão física, chantagem e extorsão, xingamentos, ofensas verbais, discriminação, constrangimento,humilhação e assassinato.(LOIOLA, 2006).
  28. 28. 28Para Trevisan (2007) discutir as causas da homossexualidade é algo                 dispensável e equivocado. A homossexualidade é fato consumado, não precisa de                   justificação causal. Ao questionar a origem de algo diferente, já se está sugerindo a                         idéia de um desvio da normalidade.Nesse sentido:(...) criar conceitos fechados de homossexual (ou bissexual) acabaria servindo                 mais aos objetivos da normatização do que a uma real liberação da                     sexualidade, inclusive por incentivar diretamente a política do gueto, do                 separatismo e do racismo sexual, numa discriminação às avessas               (TREVISAN, 2007, p. 36).Desse modo, os homossexuais, considerados desviantes da normatividade             padronizada, buscam espaços onde possam expressar livremente sua sexualidade               livres de discriminações e preconceitos.Numa sociedade como a nossa em que a identidade homossexual é                   estigmatizada, a criação do ”gueto“ (bares, discotecas, saunas e outros espaços                   direcionados para o público homossexual) tem sido uma estratégia utilizada pelos                   homossexuais não só para socialização de pessoas com mesma orientação sexual,                   mas também para proteção contra manifestações discriminatórias, preconceituosas e               homofóbicas. Assim, o “gueto” homossexual passa a ser um ambiente social seguro,                     onde o individuo pode expressar sua sexualidade sem preocupação ou ansiedade.Esses espaços – “os guetos” – para além de um local de diversão são                         criados pela rejeição da sociedade as manifestações públicas da subjetividade dos                   homossexuais. Nesse sentido, é mister destacar a definição clássica de “gueto”                   apontada por Pollak (1985) como “bairros urbanos habitados por grupos segregados                   do restante da sociedade, levando uma vida econômica relativamente autônoma e                   desenvolvendo uma cultura própria” (p.70).O uso do termo “gueto” nesse trabalho refere­se aos locais nos quais os                       homossexuais se encontram para, além da diversão, se reconhecer como sujeitos                   através da interação com outras pessoas que compartilham uma experiência similar                   
  29. 29. 29de segregação social e para vivenciarem sua sexualidade livre de preconceito e                     discriminação.O termo ”gueto” tem sido usado por diversas ciências. Mas, de uma forma                       geral, há convergência de significado, como uma área:urbana restrita, uma rede de instituições ligadas a grupos específicos e uma                     constelação cultural e cognitiva (valores, formas de pensar ou mentalidades)                 que implica tanto em isolamento sócio­moral de uma categoria estigmatizada                 quanto o truncamento sistemático do espaço e das oportunidades de vida de                     seus integrantes.(WACQUANT, 2004, p.156).O referido autor indica que o uso do termo se tornou disseminado e                       aplicado conforme o senso comum que prevalece nas sociedades, de modo que não                       há definição precisa do mesmo nas diversas áreas do conhecimento.A palavra “gueto” foi inicialmente utilizada para referir­se à consignação                 forçada de judeus por autoridades políticas e religiosas da cidade. Nesses casos, os                       judeus viviam em áreas cedidas e restritas, onde praticavam seus negócios e seguiam                       seus costumes. O termo deriva de giudecca, borghetto ou gietto, do idioma italiano.                       Seu significado passou por várias modificações, das quais se destaca a utilização do                       termo para referir­se aos locais específicos dos homossexuais ‘ em resposta ao                     estigma e à libertação gay’ (LEVINE citado por WACQUANT, 2004, p.157).Wacquant (2004) indica que para a categoria dominante a finalidade do                   “gueto” é circunscrever e controlar, o que se traduz no que Max Weber chamou de                           ‘cercamento excludente’ da categoria dominada “(WACQUANT, 2004, p.158). Para os                 dominados o “gueto” tem o papel de integrar e proteger, pois proporciona a                       socialização de seus membros e livra­os do contato permanente com os dominantes.Para Pinheiro (2003), os “guetos” são:Locais criados pela rejeição social da expressão pública desta subjetividade,                 o que força as pessoas a buscar lugares para a sua expressão, com uma                         cultura própria, extremamente apartada. Desta forma, o gueto surge como                 espaço público de afirmação da subjetividade e da existência da comunidade                   homoerótica. (p.59)
  30. 30. 30Nunan e Jablonski (2002) indicam que os homossexuais procuram os                 “guetos”, pela segregação forçada por causa da discriminação, por preferir manter                   contato com pessoas similares compartilhando identidade e por poder ser eles                   mesmos, mostrando sua orientação sexual sem preocupação ou ansiedade.Toda essa situação de rejeição social que acaba empurrando os                 homossexuais para os “guetos”, estimula as relações de objeto.Ou seja, os                   homossexuais acabam tendo de contentar­se com relações passageiras e com a                   coisificação das relações.Viver uma relação afetiva mais sólida implica em ter que se                       expor, enfrentando toda uma carga de preconceito que isso pode produzir, uma vez                       que, uma relação mais humana e edificante existe para além do “gueto”.CAPÍTULO II: PASSOS METODOLÓGICOS DA INVESTIGAÇÃO2.1. Aproximação com o objeto – “gueto”Para me aproximar do objeto, realizei visitas a duas boates destinadas ao                     público LGBTT. Fiz observação direta no “gueto” homossexual, compreendendo que                 esse tipo de observação tem por objetivo registrar e recolher todos os componentes                       da vida social do meio observado e que se apresentem à percepção do observador.                         Dessa forma, pude testemunhar os comportamentos, atitudes, praticas dos indivíduos                 
  31. 31. 31nos próprios locais em que tais fatos acontecem, sem alterar o seu ritmo natural ou                           cotidiano (PERETZ, 2000).Na boate “A”, o espaço físico é pequeno, mas aconchegante, com dois                     andares, os dois destinados à dança. Há um bar que vende diversos tipos de bebidas,                           nos dois ambientes. Luzes se espalham por todo o local, de baixa intensidade, e das                           mais variadas cores, com direito a globo luminoso e jogos de luz. Um DJ realiza a                             seqüência de musicas, e não há pausas entre elas. Em alguns momentos, percebi                       certa preferência por alguns cantores, que não identifiquei quem eram, mas o publico                       gritava, dando resposta que tinham aprovado a escolha do DJ.O público, eminentemente masculino, veste as mais variadas roupas, de                 diversos estilos, e alguns utilizam óculos escuros, alem de gel no cabelo e outros até                           maquiagem. Observei presença restrita de travestis, e um deles falou que eles não são                         muito bem vindos naquela boate (preconceito???). Por conta do intenso barulho da                     musica, não consegui distinguir bem as conversas, nem esmiuçar a linguagem, mas                     percebi que há uma variação também grande de estilos e linguagens, com uso de                         expressões próprias, e alguns se tratam e se abordam no feminino ( “Dá licença que                           estou precisando ir ao banheiro, estou morta de apertada”). Esse uso do feminino                       para tratar de si e dos outros foi algo muito comum que observei no lugar.Brigas, não vi. O lugar é calmo, e muito raramente se vê discussão ou se                           precisa de apoio da segurança, me informa um dos freqüentadores. O que mais                       observei foi muita dança, todos parecem envolvidos pela musica, muito contagiante.                   Observei poucos casais, que se beijam e se abraçam livremente. A presença de                       casais só aumentou no fim da noite, dentro da madrugada, e um amigo informa que é a                               hora que todos procuram alguém pra beijar.Há um local denominado de dark room, no qual a luminosidade é mínima, e                         os freqüentadores têm mais “liberdade” com seus parceiros, e um amigo informa que                       nesse local há muito sexo, livre. Passei pelo local, mas não consegui enxergar muita                         
  32. 32. 32coisa.Há alguns que tiram a blusa, e dançam entre os demais, e geralmente são                         pessoas de corpos muito bonitos, “malhados”.O ambiente funciona ate seis da manha, quando então a casa fecha.Permaneci no local ate três da manha, e amigos ainda me criticaram                     porque fui “muito cedo”.A boate “B”, os cenários são relativamente parecidos, mas há, nessa,                   outros ambientes, e esses pude observar com mais clareza. Há uma sala em que são                           exibidos filmes de natureza pornográfica, e segundo alguns amigos que me                   acompanharam, há sessões de masturbação coletiva e individual, livremente e na                   frente de demais pessoas. Não entrei nesse ambiente,mas pela descrição e                   observação externa à sala, o ambiente é sempre cheio, e há uma rotatividade grande                         para dentro e fora dessa sala. Há também um dark room, em frente à sala de cinema                               pornográfico. Dessa a sala, há também um grande fluxo de freqüentadores, mas                     observei que a permanência dentro dessa sala é mais rápida do que na sala de                           cinema. Alguns amigos me informaram que muitos vão apenas para observar, e não                       participam ativamente. Percebi ainda que, como no caso da boate “A”, o publico é                         eminentemente masculino, mas vi algumas mulheres no local. Na parte da frente da                       boate, há uma pista de dança, e mais uma vez, observei muito envolvimento com a                           música e com a dança no local. Na parte de trás da boate, há um local de ar livre, onde                                     se vendem bebidas e há musica ao vivo, o “pagode”, e os freqüentadores dispõem                         também de espaço para dança. Lateralmente, há banheiros coletivos, e, amigos                   novamente descreveram que nesses banheiros o sexo acontece publicamente.               Segundo amigos que freqüentam mais assiduamente o local, essa boate é mais                     comumente freqüentada por pessoas de classe social mais baixa, devido , sobretudo,                     ao valor da entrada, mais acessível que a da boate “A”.
  33. 33. 332.2 Natureza do estudoAo realizar uma pesquisa, cabe ao pesquisador, questionar a realidade                 compreendendo que qualquer conhecimento é apenas recorte e que ao lado da                     preocupação empírica deve haver a preocupação teórica, uma vez que é preciso ter                       conhecimento teórico para captar a realidade. A realidade existe independente da                   interpretação, entretanto, para conhecê­la é preciso interpretá­la (DEMO, 1999).É mister destacar que enquanto a teoria coloca a discussão sobre                   concepções de realidade, o método coloca a discussão sobre concepções de                   ciências.Portanto, na pesquisa é essencial também a preocupação metodológica,               visto que ela é um dos horizontes estratégicos da pesquisa, uma vez que alcança a                           capacidade de discutir de forma criativa, caminhos alternativos para a ciência. O                     método é que vai diferenciar a ciência de outros saberes, pois a ciência é assumida                           como conhecimento metódico, cuidadoso e testado.Andery (1996) aponta que o conhecimento em Marx:(...) não se produz, portanto a partir de um simples reflexo do fenômeno, tal                         como este aparece para o homem; o conhecimento tem que desvendar, no                     fenômeno aquilo que lhe é constitutivo e que é em principio obscuro; o método                         para a produção desse conhecimento assume, assim, um caráter               fundamental: deve permitir tal desvendamento, deve permitir que se descubra                 por trás da aparência o fenômeno tal como é realmente, e mais, o que                         determina, inclusive, que ele apareça da forma como o faz. (ANDERY, 1996,                     p. 413).Assim, em Marx, para construir conhecimento é preciso desvendar no                 fenômeno o que lhe é constitutivo, procurando descobrir o que está por trás da                         aparência, considerando que os fenômenos constituem­se, fundam­se e             transformam­se a partir de múltiplas determinações.Desse modo, Marx com seu método materialista, histórico e dialético, nos                   
  34. 34. 34dá suporte para compreendermos o real e construirmos conhecimento. A partir dessa                     compreensão, a pesquisa social a que me propus realizar, foi norteada pelo método                       materialista, histórico e dialético de Marx.Para elucidar o objeto que tomei para investigação realizei uma pesquisa                   bibliográfica e documental buscando informações e conhecimento através da literatura                 especializada.Na pesquisa de campo, visando abranger a complexidade do objeto, a                   abordagem foi feita através de uma pesquisa qualitativa, buscando descobrir o                   significado das ações e das relações que se ocultam nas estruturas sociais, captar o                         universo das percepções das emoções e das interpretações dos informantes no seu                     contexto (MARTINELLI, 1999).A técnica utilizada para obtenção das informações foi a entrevista                 semi­estruturada, contendo questões abertas, visando captar as falas espontâneas               dos sujeitos participantes da pesquisa. Tal entrevista permite que o entrevistado fale                     livremente sobre os assuntos que vão surgindo, como desdobramento do tema, dando                     oportunidade para que o mesmo coloque outras questões relacionadas com a questão                     central. (HAGUETTE, 1999).Dessa forma, a investigação teve como principal instrumento de coleta de                   dados a entrevista na qual foram feitas as seguintes perguntas aos homossexuais                     participantes da pesquisa: Como você se percebeu homossexual?A família sabe de                   sua orientação sexual?Como reagiu ao saber?O que os amigos significam para                   você?Você possui mais amigos homossexuais ou heterossexuais?Qual o lugar que                 você prefere freqüentar? Por quê?O que o “gueto” representa para você?Quais os                     tipos de discriminação você sofre fora dos “guetos”?Você acha que os homossexuais                     devem se expor ou não?O que seria mais incomodo para você na reação das                         pessoas?Há algo em que você tenha vergonha?O que você pensa acerca da sua                       orientação sexual?Como você se sente?As pessoas costumam ter alguma reação a                   você por conta da sua orientação sexual?Você acha que o público LGBTT freqüenta                       
  35. 35. 35um determinado tipo de lugar?Quais as características desse lugar?Por que as                   pessoas freqüentam?Essas perguntas, portanto, instigam e movem essa pesquisa que tem como                   objetivo geral desvendar os reais significados do “gueto” homossexual em Fortaleza, e                     como objetivos específicos:desvelar o significado do “gueto” para os homossexuais;                 identificar os tipos de discriminações sofridas pelos homossexuais entrevistados.Através da articulação das respostas dos sujeitos entrevistados com a                 literatura consultada, tentei elucidar os objetivos do estudo.2.3. Campo da pesquisaA pesquisa de campo foi realizada no GRAB (Grupo de Resistência Asa                     Branca) situado na Rua Teresa Cristina, 1050, Centro – Fortaleza­ Ceará.Fundado em 1989, o GRAB é uma organização da sociedade civil, sem fins                       lucrativos, com base comunitária, sendo pioneira no estado do Ceará, na defesa dos                       direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTT). Busca de forma                     permanente a inclusão dos/das homossexuais, através do ativismo, pela construção da                   cidadania e da defesa dos direitos humanos das comunidades LGBTT. Tem variados                     projetos destinados a facilitar a discussão do tema na sociedade, através de oficinas,                       encontros, projetos comunitários, sendo inclusive atualmente reconhecido como de               Utilidade Publica Municipal (Lei 7066 de 27/03/1992). Presta assessoria jurídica e                   psico­social ás pessoas afetadas por discriminação de prevenção das DST/AIDS e                   Hepatites virais e apoio a pessoas vivendo com HIV/AIDS, com fornecimento orientado                     e gratuito de preservativos. Ainda, disponibiliza um centro de documentação                 (biblioteca e videoteca) sobre Direitos Humanos, Homossexualidade e DST/AIDS para                 toda a sociedade.O GRAB, em seus vinte anos de existência, tem atuado diretamente no                     
  36. 36. 36enfrentamento ao preconceito por orientação sexual em diversas instâncias da                 sociedade, através da construção da cidadania homossexual na premissa de que esta                     perpassa todas as esferas da vida humana, exigindo uma atuação plural que                     contemple a justiça, a saúde, a educação, a cultura, a formação profissional,                     contribuindo para que essa população vivencie plenamente seus direitos sexuais e                   sociais. Desta forma, a instituição tem desenvolvido diversas ações e projetos nas                     áreas da Saúde (prevenção das DST/HIV/Aids e apoio às pessoas vivendo com                     HIV/Aids), Qualificação Profissional (cursos de informática e centro de estética),                 Direitos Humanos (assistência jurídica e psico­social gratuita em casos de                 discriminação por orientação homossexual), Ativismo (politização e luta pelo controle                 social das políticas públicas) e Organização das Paradas pela Diversidade Sexual no                     Ceará.No período de 1995 a 2006, o GRAB realizou Projetos na área de                       Assessoria Jurídica, Prevenção e Cidadania, junto à população de gays, bissexuais,                   trabalhadores do sexo e transgêneros.Em 2000, desenvolveu o Projeto HIVIDAARTE,                 junto a 30 jovens, de 14 a 21 anos, portadores de HIV/Aids e filhos de portadores, para                               a capacitação profissional.Realiza as Paradas pela Diversidade Sexual no Ceará, desde 1999, tem                   participado das Conferências estaduais e nacionais de Direitos Humanos e das                   reuniões para a formulação do Programa Brasil Sem Homofobia – Programa de                     combate à violência e à discriminação contra LGBTT e de promoção da cidadania                       homossexual, da SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos) – Presidência da                   República.O quadro de profissionais do GRAB é formado por pessoas habilitadas em                     gerenciamento e elaboração de projetos, ativismo, controle social, desenvolvimento               institucional, advocacy intervenção etc., que o credencia a utilizar as ferramentas                   metodológicas empregadas, baseadas em metodologias participativas, numa           construção entre pares e de empoderamento comunitário.Dessa forma, tem               
  37. 37. 37desenvolvido ações sócio­educativas e de intervenção social, sob o princípio de                   prioridade em melhorar a qualidade de vida de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e                       transexuais e estreitar, cada vez mais, o diálogo entre o movimento comunitário                     homossexual e a sociedade civil.A Diretoria do GRAB, de acordo com seu estatuto, é formada por um                       presidente, um vice­presidente, primeiro e segundo secretários, primeiro e segundo                 tesoureiros e um conselho fiscal composto por três filiados do GRAB e seus                       respectivos suplentes.O GRAB tem como missão, melhorar a qualidade de vida de lésbicas, gays,                       bissexuais, travestis e transexuais; e pessoas vivendo com HIV/Aids, no estado do                     Ceará.Para tanto, a instituição desenvolve hoje os seguintes Projetos: Entre nós;                   SOMOS ;Diversidade sexual e Cidadania; Centro de Referência LGBTT Janaina                 Dutra; OBALUAIÊ e o Projeto SAGAS.O Projeto Entre Nós, realiza ações educativas em prevenção das                 DST/HIV/Aids junto a gays e outros Homens que fazem Sexo com Homens (HSH) em                         13 municípios cearenses e em 15 bairros da periferia de Fortaleza.O SOMOS desenvolve ações voltadas ao fortalecimento institucional de               ONGS de promoção dos direitos humanos de homossexuais, nas áreas de                   intervenção, advocacy e desenvolvimento organizacional.O Projeto assessora hoje,             mais de 15 grupos em todo estado do Ceará.O Projeto Diversidade Sexual e Cidadania, têm como objetivo capacitar                 profissionais da educação, especialmente, os professores da rede pública municipal                 de Fortaleza a estarem habilitados para a abordagem e discussão sobre sexualidade                     humana e diversidade sexual, nos espaços escolares, privilegiando o prisma do                   enfrentamento ao preconceito e a discriminação.O Centro de Referencia LGBTT Janaina Dutra oferece serviços de                 
  38. 38. 38assessoria jurídica e psico­social e de mediação de conflitos em casos de                     discriminação por razão da orientação sexual.O atendimento é feito por uma equipe                     multidisciplinar, formada por advogada, estagiários de Direito, psicóloga e assistente                 social.O OBALUAIÊ realiza ações preventivas à transmissão das hepatites virais,                 através da mobilização e parceria entre ativistas LGBTT, rede pública de saúde,                     especialmente as equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) e autoridades                     afro­descendente da área de abrangência do projeto.O Projeto SAGAS faz parte de uma parceria entre a Fundação Schorer –                       Instituição Holandesa voltada para o público LGBTT – com quatro ONGS no Brasil: o                         GRAB no Ceará, a ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids) e Grupo                     Arco­Íris no Rio de Janeiro e o Grupo Somos no Rio Grande do Sul.O SAGAS/GRAB                           realiza atividades que tem como objetivo estimular a prática do sexo seguro e                       contribuir para a autonomia dos jovens homossexuais e outros Homens que fazem                     Sexo com Homens – HSH na Cidade de Fortaleza – Ceará.As atividades de interação                         do Projeto SAGAS/GRAB iniciaram em 2008 e conta com diversas ações: Sobre nós:                       diálogos e sexualidades – atividades diretamente com os jovens; Atividades de                   pesquisa; Parcerias e Desenvolvimento Institucional.Nas primeiras terças­feiras de cada mês o GRAB realiza reuniões aberta                   ao público, onde são discutidos temas como: Prevenção e Sexo Seguro, Gênero e                       Sexualidade, Cidadania Homossexual, A Diversidade Sexual e o Parlamento, o                 Movimento Homossexual e a Luta Contra a Aids.(GRAB, 2009)A escolha do GRAB se deu por conta de sua visibilidade na sociedade                       cearense, como um grupo de referência quando o assunto é a temática                     homossexual.Além disso, é uma entidade que tem como principal bandeira de luta o                       enfrentamento ao preconceito por orientação sexual em diversas instâncias da                 sociedade, divulgando informações corretas e positivas da homossexualidade e               esclarecendo ao público LGBTT a importância da organização política na luta pelos                     

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