UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO “PROF. JOSÉ DE SOUZA HERDY” –UNIGRANRIOEscola de Ciências Sociais AplicadasCurso de Serviço Soc...
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“A auto-suficiência é incompatível com odiálogo. Os homens que não têm humildade oua perdem, não podem aproximar-se do pov...
RESUMOAtravés da presente monografia pretendemos examinar certos aspectos da trajetóriado Serviço Social, que cooperaram e...
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LISTA DE ILUSTRAÇÕESGráfico 1- Entendimento sobre o Serviço Social ..........................................................
SUMÁRIOINTRODUÇÃO..................................................................................................... 121...
3.1 Metodologia .............................................................................................................
12INTRODUÇÃOO presente trabalho de conclusão de curso é fruto das experiências adquiridas atravésdo estágio na Creche e Ce...
13CAPITULO I - O PROBLEMA1.1 Apresentação do ProblemaO Serviço Social a muito se constituiu como profissão, e como tal pas...
14Washington Reis criou o primeiro Departamento de Segurança Alimentar e NutricionalSustentável do Estado do Rio de Janeir...
15relacionada com a saúde se demonstra na preocupação com a recuperação do peso dascrianças através de uma alimentação reg...
16impacto em diferentes áreas, contribuindo também para a instituição Unigranrio, a instituiçãoCCAIC e para os usuários.Em...
17atividades.
18CAPÍTULO I I-REVISÃO DE LITERATURA2.1 Breve Histórico do Serviço Social e suas ConcepçõesO surgimento do Serviço Social ...
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20[...] a identidade atribuída ao Serviço Social pela classe dominante era uma síntesede funções econômicas e ideológicas,...
21sua hegemonia, a partir das orientações e diretrizes da Rerum Novarum e do QuadragésimoAnno, encíclicas papais que se po...
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23científico e a legitimação de sua prática profissional, demonstrando também a necessidade delaicizar a prática social.2....
24A segunda perspectiva, histórico-critica, entende que o Serviço Social representa umpapel visivelmente político, exerce ...
25considerados como desvios do indivíduo. Estudava apenas as possibilidades de adequação dostrabalhadores ao tipo de organ...
26A intervenção profissional fundamentada na teoria estrutural-funcionalista passa a serquestionada por vários setores no ...
27A profissão de Serviço Social tem seu reconhecimento na sociedade na proporção emque é socialmente necessária e exigida ...
28natural. Ele põe em movimento as forças naturais pertencentes a sua corporalidade,braços e pernas, cabeça e mão, a fim d...
29suprir as necessidades humana esse caráter só pode ser entendido na área da produção. Aessência do trabalho concreto est...
30decisivamente com a “evolução da ajuda”, a “racionalização da filantropia” nem a“organização da caridade”, vinculam-se c...
31O agravamento das desigualdades sociais, o empobrecimento das populações, aexclusão social, o desemprego, a violência, a...
32Na contemporaneidade exigem-se novas características do Assistente Social, énecessário que seja qualificado, que tenha c...
33A escola tem como papel diante da sociedade propiciar ações para a efetivação dosdireitos sociais. Dentro deste contexto...
34A partir da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) promulgada em 1961 desaparece aobrigatoriedade do ensino primário gratuito, ...
35(VII) garantia de padrão de qualidade;(VIII) piso salarial profissional para os profissionais da educação escolar públic...
36Durante as transformações políticas e econômicas ocasionadas pelo capitalismo,mudanças significativas ocorreram na organ...
37Na década de 1940 ocorreu um importante marco legal na legislação sobre as creches,a Consolidação das Leis Trabalhistas ...
38instituições não cuidariam apenas das crianças, mas também passariam a desenvolvertrabalhos e atividades educacionais.A ...
392.3.2 A inserção do Serviço Social na educação e sua prática profissionalNo seu início o Serviço Social surgiu como uma ...
40Atualmente varias são as expressões da questão social presentes no espaço escolarpode-se melhor exemplificar através das...
41sociedade civil como os de: empreendedorismo, empregabilidade e emancipação.(ALMEIDA, 2000, P. 52)Atualmente a inserção ...
42famílias, Conselhos de Direito e Tutelares, bem como ligações com outras instituições dalocalidade onde se encontra a es...
43A indefinição sobre interdisciplinaridade origina-se ainda dos equívocos sobre oconceito de disciplina”. A polêmica sobr...
44a cada uma seu caráter propriamente positivo segundo modos particulares e comresultados específicos. (JAPIASSU, 1976, p....
45- Expor sentimentos, usar de franqueza e espontaneidade nas trocas com os outrosintegrantes do grupo, nas discussões, tr...
46essa formação profissional está em constante movimento inteirando o fortalecimento e ocrescimento do Serviço Social.Ness...
O QUE PENSAR SOBRE O SERVIÇO SOCIAL UM ESTUDO A PARTIR DA EQUIPE INTERDISCIPLINAR DO CCAIC (TCC)
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O QUE PENSAR SOBRE O SERVIÇO SOCIAL UM ESTUDO A PARTIR DA EQUIPE INTERDISCIPLINAR DO CCAIC (TCC)

  1. 1. UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO “PROF. JOSÉ DE SOUZA HERDY” –UNIGRANRIOEscola de Ciências Sociais AplicadasCurso de Serviço SocialLidiane Araujo da SilvaSuzana da Silva Santana EstanislauValdemira da Silva BezerraO QUE PENSAR SOBRE O SERVIÇO SOCIAL? UM ESTUDO A PARTIR DAEQUIPE INTERDISCIPLINAR DO CCAIC, EM PARQUE MUÍSA – DUQUE DECAXIAS/RJ.Duque de Caxias – RJ
  2. 2. 2012LIDIANE ARAUJO DA SILVASUZANA DA SILVA SANTANA ESTANISLAUVALDEMIRA BEZERRAO QUE PENSAR SOBRE O SERVIÇO SOCIAL? UM ESTUDO A PARTIR DAEQUIPE INTERDISCIPLINAR DO CCAIC, EM PARQUE MUÍSA – DUQUE DECAXIAS/RJ.Monografia apresentada ao Curso de ServiçoSocial da Universidade do Grande Rio Prof.José de Souza Herdy, como parte dosrequisitos parciais para obtenção do Título deBacharel em Serviço Social.Orientador: Marcio BrottoDuque de Caxias – RJ2012
  3. 3. LIDIANE ARAUJO DA SILVASUZANA DA SILVA SANTANA ESTANISLAUVALDEMIRA BEZERRAO QUE PENSAR SOBRE O SERVIÇO SOCIAL? UM ESTUDO A PARTIR DAEQUIPE INTERDISCIPLINAR DO CCAIC, EM PARQUE MUÍSA – DUQUE DECAXIAS/RJ.Monografia apresentada ao Curso de ServiçoSocial da Universidade do Grande Rio Prof.José de Souza Herdy, como parte dosrequisitos parciais para obtenção do Título deBacharel em Serviço Social.Aprovado com grau ________ ( ) em ____ de ___________ de _______.Banca Examinadora:___________________________________________________Prof. Marcio BrottoUniversidade do Grande Rio___________________________________________________Profa. Debora de Oliveira LopesUniversidade do Grande Rio___________________________________________________Profa. Sandra Regina Pereira BalizaUniversidade do Grande Rio
  4. 4. Dedico este trabalho a meus pais, Leila eAnanias.(Lidiane A. da Silva).Dedico este trabalho ao senhor Jesus, a minhavalente mãe Rejane, a meu dedicado maridoRinaldo e ao meu amado filho Renan.(Suzana S.S. Estanislau).Dedico este trabalho a minha mãe Neuza e ameu pai José, que me proporcionou umaexcelente educação, por quem tenho muitaadmiração, carinho e respeito.(Valdemira da S. Bezerra).
  5. 5. AGRADECIMENTOSEste é o momento de agradecer a todos que contribuíram para que chegasse até aqui,pessoas queridas que sempre estiveram presentes ao longo dessa caminhada. Afinal agradeceré reconhecer que sozinhos não chegamos a lugar algum.Em primeiro lugar agradeço a Deus, por ter me permitido chegar até aqui, pelo seusustento e força, por todos os seus benefícios feitos a mim.Aos meus queridos pais Leila e Ananias, pelo carinho e incentivo nos momentosexatos.Ao meu amado esposo Davi, por toda sua compreensão e auxílio nos momentosdifíceis.A estas pessoas especiais e fundamentais em minha vida, o meu muito obrigado!" Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nosimpedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito." (Chico Chavier)Lidiane A. da SilvaAo chegar ao fim dessa trajetória onde me deparei com vários obstáculos, mastambém com grandes experiências positivas, e refletindo sobre o caminho percorrido, constatomeu amadurecimento, pessoal e acadêmico. Para chegar até esse momento que considerocomo uma vitória, algumas pessoas contribuíram de forma especial, sem as quais certamenteesse trabalho teria se tonado muito mais difícil, por tudo meu profundo agradecimento.Ao Meu Deus pela sua grande fidelidade na minha vida.À minha Querida mãe Rejane, que foi meu braço forte que sempre acreditou em mim,sempre esteve disponível para me ajudar em qualquer situação.Ao meu amado e inesperado filho Renan, que caminhou comigo no ventre, a trajetóriade dois períodos da faculdade, e agora na reta final, ensaia seus primeiros passos e meadmira de seu cercadinho.Ao meu amado e especial esposo Rinaldo, que sempre contribuiu de várias formaspara que eu pudesse alcançar meu objetivo.
  6. 6. Ao meu querido avô José Manoel, que foi o primeiro a acreditar na possibilidade deter, mas um membro da família na Universidade.Á doce Nati, que tanto me ajudou, especialmente no período da minha gravidez, amigaque pretendo levar por toda vida, a querida amiga Sayone e a companheira Lidiane queesteve comigo nesta caminhada.E por fim agradeço aos queridos professores (Charles Toniolo, Andréia Lopes, BrunoJosé, Maria Márcia, Robson Roberto) que contribuíram de forma especial para minhaformação.(Suzana S.S. Estanislau)Agradeço a Deus que com sua infinita bondade iluminou o meu caminho, para queconseguisse ao longo dessa jornada alcançar meu objetivo.Aos meus pais Neuza e José pelo carinho e incentivo que sempre me deram.A meus filhos Flavio Junior e Juliana, com muito amor e carinho, por entender osmomentos de ausência.A meu marido Flávio, pelo incentivo que sempre recebi e as palavras de total apoio.(Valdemira da S. Bezerra)
  7. 7. “A auto-suficiência é incompatível com odiálogo. Os homens que não têm humildade oua perdem, não podem aproximar-se do povo.Não podem ser seus companheiros depronúncia do mundo. Se alguém não é capazde sentir-se e saber tão homem quanto osoutros, é que lhe falta ainda muito quecaminhar, para chegar ao lugar de encontro,não há ignorantes, nem sábios absolutos: háhomens que, em comunhão, buscam sabermais.”(Paulo Freire).
  8. 8. RESUMOAtravés da presente monografia pretendemos examinar certos aspectos da trajetóriado Serviço Social, que cooperaram e continuam contribuindo para criação de uma visãodiversificada acerca da profissão e que lhe conferiu em dados momentos um carátersubalterno, neste sentido entender a história e os referenciais teórico-metodológicosconstruídos no decorrer da trajetória do Serviço Social, são essenciais para compreender osdesafios apresentados à profissão no contexto social da atualidade.Compreender como se dá a inserção e atuação do Serviço Social no campo daeducação, e sua relação com as demais profissões, onde a formação profissional deve serrepensada, com o objetivo de possibilitar uma capacitação profissional de acordo com adinâmica apresentada pelo mercado de trabalho, e a necessidade do trabalho interdisciplinar,considerando que o Serviço Social é uma profissão que apresenta uma área fértil para acontribuição do conceito interdisciplinar, pois o caráter interdisciplinar está presente noprocesso de formação e produção profissional do Assistente Social.Palavras-chave: Serviço Social, Educação, Interdisciplinaridade.
  9. 9. ABSTRACTThrough this thesis we intend to examine certain aspects of the trajectory of SocialService, who cooperated and continue to contribute to creating a diverse view on theprofession and conferred on data subaltern character moments in this sense to understand thehistory and the theoretical and methodological constructed during the course of social Service,are essential for understanding the challenges presented to the profession in todays socialcontext.Understand how the integration and performance of Social Work in the field ofeducation and its relation to other professions where training must be rethought, with theobjective of providing a professional training according to the dynamics presented by thelabor market and the necessity of interdisciplinary work, considering that Social Work is aprofession that provides a fertile area for the contribution of the interdisciplinary concept,because the interdisciplinary character is present in the training process and productionprofessional Social Worker.Keywords: Social Work, Education, Interdisciplinarity.
  10. 10. LISTA DE ILUSTRAÇÕESGráfico 1- Entendimento sobre o Serviço Social ............................................................. 51Gráfico 2 - A importância do Serviço Social na educação.............................................. 53Gráfico 3 - Concepções acerca das atribuições do Assistente Social............................... 54Gráfico 4 - Classificação do atendimento aos usuários.................................................... 56Gráfico 5 - Percepção do que é fundamental para intervenção do Serviço Social........... 57Gráfico 6 - Atividades que poderiam ser desenvolvidas pelo Serviço Social................. 58Gráfico 7 - O trabalho do Serviço Social é de forma interdisciplinar.............................. 60Gráfico 8 - Concepção sobre interdisciplinaridade .......................................................... 60Gráfico 9 - Principais contribuições do Serviço Social para a equipe interdisciplinar .... 62
  11. 11. SUMÁRIOINTRODUÇÃO..................................................................................................... 121 CAPÍTULO I - O PROBLEMA ........................................................................ 131.1 Apresentação do Problema................................................................................... 131.2 Relevância do Estudo............................................................................................ 151.3 Objetivos do Estudo.............................................................................................. 161.3.1 geral........................................................................................................................ 161.3.2 específicos............................................................................................................... 162 CAPÍTULO II – REVISÃO DE LITERATURA............................................... 182.1 Breve Histórico do Serviço Social e suas Concepções........................................ 182.1.1 A gênese do Serviço Social e suas perspectivas ................................................. 222.2 Processo de Trabalho e Serviço Social ................................................................ 262.2.1 Trabalho e Serviço Social na contemporaneidade............................................. 292.3 A Política de Educação Brasileira: Breve Histórico .......................................... 312.3.1 Educação infantil................................................................................................... 352.3.2 A inserção do Serviço Social na educação e sua prática profissional............... 382.4 Interdisciplinaridade ............................................................................................ 412.4.1 Serviço Social e Interdisciplinaridade................................................................. 442 CAPÍTULO III – A PESQUISA DE CAMPO ................................................... 49
  12. 12. 3.1 Metodologia ........................................................................................................... 493.1.1 Tipo de Pesquisa.................................................................................................... 493.1.2 Universo/Amostra ................................................................................................. 503.1.3 Instrumento/Procedimento .................................................................................. 503.2 Análise de Dados ................................................................................................... 523.2.1 Categoria I - Entendimento Acerca do Serviço Social...................................... 523.2.2 Categoria II- Entendimento Sobre Interdisciplinaridade................................. 61CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 65REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................ 67ANEXO A – Roteiro de entrevista com os profissionais da equipe interdisciplinardo CCAIC....................................................................................................................... 71ANEXO B – Termo de autorização para realização das entrevistas ............... 72
  13. 13. 12INTRODUÇÃOO presente trabalho de conclusão de curso é fruto das experiências adquiridas atravésdo estágio na Creche e Centro de Atendimento à Infância Caxiense (CCAIC) do ParqueMuísa, situada no município de Duque de Caxias.A elaboração desta pesquisa é de suma importância, pois visa buscar maior exploraçãodo tema, o que contribui para ampliação deste, não apenas na categoria profissional, mastambém no processo de formação de novos profissionais.No primeiro capítulo será exposto o problema em questão, onde será apresentada ainstituição campo de estágio, salientando a relevância e os objetivos desta pesquisa.No segundo capítulo, com o intuito de esclarecer e enriquecer a análise sobre o temaserá feita uma breve discussão sobre os principais fatores que levaram a consolidação doServiço Social como uma profissão legitimada, bem com a sua inserção em diferentes áreas.Em relação à área da educação, abordaremos as suas atribuições e contribuições dosAssistentes Sociais para este segmento, isto levando em consideração as mudanças ocorridasno sistema educacional brasileiro.Também abordaremos o vínculo do Serviço Social com a interdisciplinaridade, comose dá seu dialogo com as demais profissões, como sua intervenção contribui para a dinâmicado processo educacional e como os demais profissionais enxergam a atuação do ServiçoSocial no âmbito escolar.No terceiro momento para maior aprofundamento e compreensão do tema em questão,foram realizadas entrevistas de forma semiestruturada, com perguntas abertas e fechadas,com alguns profissionais do CCAIC, e através da apreciação dos materiais colhidos será feitaapresentação da análise dos dados obtidos.
  14. 14. 13CAPITULO I - O PROBLEMA1.1 Apresentação do ProblemaO Serviço Social a muito se constituiu como profissão, e como tal passou porinúmeras transformações ao longo dos anos. A monografia a ser apresentada ao curso degraduação em Serviço Social da Universidade Unigranrio, toma por base elementos reflexivosdesenvolvidos no processo de formação. E busca, través da articulação de saberes, fazer umaanálise da realidade social contemporânea, acerca do fazer profissional do Assistente Socialem determinada área, neste caso especificamente a educação.O presente trabalho justifica-se através da importância e ampliação do conhecimentoem relação à categoria profissional. A partir da inserção no campo de estágio, pode-severificar o processo de trabalho do Serviço Social na instituição bem como conhecer osinstrumentos e técnicas que fazem parte da sua atuação, o que permitiu o contato com arealidade, sendo possível somar teoria e prática.E com base nas experiências adquiridas através da inserção no campo estágio,levantou-se a questão acerca do trabalho e atividades realizadas pelo Assistente Social nainstituição. Por se tratar de uma equipe interdisciplinar, entende-se que é de suma importânciadebater (ou pensar) sobre o tipo de concepção que os diferentes profissionais da instituiçãopossuem sobre o Serviço Social. É importante verificar como estes enxergam a profissão, quala importância que dão para o Assistente Social e consequentemente a suas ações, seconcordam em dividir o planejamento e a execução das atividades, bem como identificar suareal compreensão sobre a atuação do Serviço Social no âmbito da creche.Desta forma, foi elaborada esta pesquisa, que se refere à visão acerca do trabalhorealizado pelo Serviço Social para equipe interdisciplinar da Creche e Centro de Atendimentoà Infância Caxiense (CCAIC), localizada no bairro Parque Muísa, em Duque de Caxias. Ainstituição CCAIC teve seu início a partir da atuação do mutirão contra a desnutriçãomaterno-infantil, pelo direito a infância, coordenado pelo bispo D. Mauro Morelli, que deuorigem as políticas públicas municipais na área da segurança alimentar e nutricional emDuque de Caxias.Sediado na Câmara Municipal, o mutirão levou o próprio poder legislativo local, avotar uma emenda orçamentária com recursos do poder executivo municipal destinado aosistema de vigilância alimentar e nutricional - SISVAN. O então prefeito na época,
  15. 15. 14Washington Reis criou o primeiro Departamento de Segurança Alimentar e NutricionalSustentável do Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de assessorar e gerenciar as políticaspúblicas municipais no setor.Sendo assim o governo municipal decidiu criar a Creche e Centro de Atendimento àCriança Caxiense (CCAIC). A instituição possui a finalidade de reduzir o número de criançascom idade entre 1 e 5 anos com risco nutricional ou desnutrição grave, a instituição temcomo objetivo constituir-se como um centro de referência para a questão alimentar enutricional.Falando especificamente da instituição no Parque Muísa, esta foi inaugurada em 16 dejunho de 2004, na época se chamava Portal do Crescimento - Parque Muísa, entretanto no anode 2007 houve alteração no nome e até hoje se chama Creche e Centro de Atendimento àInfância Caxiense – CCAIC. Inicialmente a instituição foi dirigida pela professora SandraRegina Alves Pequeno Correia, que visava prestar um atendimento em torno dos eixos: saúde,educação e assistência. No período de inauguração a instituição tinha o quadro defuncionários constituído por: Diretora, Orientadora Educacional, Orientadora Pedagógica eestimuladoras.O espaço físico consiste em uma residência que foi comprada e adaptada para afinalidade de creche-escola. E atualmente a equipe técnica da instituição é interdisciplinar e écomposta por: Professoras (passaram a integrar a equipe em 2005), Nutricionista, AssistenteSocial, Orientador pedagógico, Técnica em enfermagem, Auxiliar administrativo, Cozinheira,Auxiliar de cozinha, Porteiro, Auxiliar de serviços gerais, Estimuladoras materno-infantil,Diretora, Motorista. A instituição presta atendimento para crianças que moram no bairro e naslocalidades próximas e são inseridas na creche através de seleções feita pelo Mutirão decombate à desnutrição materno-infantil e posteriormente avaliadas por profissionais daSecretaria Municipal de Saúde.O CCAIC fornece alimentação adequada e balanceada para as crianças com intuito decontribuir para superação do quadro de desnutrição ou risco nutricional, além de desenvolveratividades pedagógicas baseadas na Política Nacional de Educação Infantil. E além dostrabalhos realizados com as crianças a instituição conta com programas e projetos de geraçãode renda e fornecimento de cesta básica alimentar às famílias das crianças matriculadas.Embora constituído como uma creche, a instituição atua também no campo daeducação, saúde e assistência social. Sua relação com a educação está presente nas atividadespedagógicas que visam o desenvolvimento psicomotor e cognitivo das crianças. A ação
  16. 16. 15relacionada com a saúde se demonstra na preocupação com a recuperação do peso dascrianças através de uma alimentação regrada e própria para elas, já em relação à assistênciasocial seu trabalho se dá através do acompanhamento realizado com as famílias dos alunos dacreche.Na instituição CCAIC, o Serviço Social sempre existiu dentro do local, tendo comoprincipal foco viabilizar o acesso das crianças e suas famílias a serviços bem comoproporcionar a garantia e efetivação de seus direitos, e entende-se que para se executar eefetivar o trabalho:“Não basta prefigurar idealmente o fim da atividade para que o sujeito realize o trabalho; é preciso queele reproduza, também idealmente, as condições objetivas em que atua (a dureza da pedra etc.) e possa transmitira outrem essas representações.” (NETTO; BRAZ, 2007, p.33).As leis que respaldam a atuação do profissional são: Constituição Federal 1988 artigo208-IV, Lei Orgânica da Assistência Social, Sistema Único de Assistência Social, ECA,LDB/96, PNE/200, Lei de Segurança Alimentar e Nutricional e o Projeto Político Pedagógicodo CCAIC, que é construído anualmente.O trabalho do Assistente Social na instituição consiste em: entrevista social com asfamílias, levantamento do perfil das famílias, atendimento individual as famílias, reuniõesperiódicas (grupo de família), interlocução com redes de serviços, busca por parcerias comrecursos locais, realização de visitas domiciliares, esclarecimento, orientação eencaminhamento em consonância com os direitos sociais existentes, elaboração de relatórios epareceres, realização de dinâmica de grupos, realização de palestras e eventos conformenecessidades detectadas a partir da coleta de dados, informações quanto o acesso aosprogramas disponíveis nas políticas sociais, elaboração de projetos e participação em reuniõesem outras instituições.1.2 Relevância do EstudoConsidera-se a elaboração do estudo de suma importância, pois através deste serápossível identificar qual a visão que os profissionais da instituição possuem sobre o ServiçoSocial. O estudo não será apenas importante para o profissional de Serviço Social, terá
  17. 17. 16impacto em diferentes áreas, contribuindo também para a instituição Unigranrio, a instituiçãoCCAIC e para os usuários.Em relação à universidade Unigranrio, que é um local de formação e interfere nasrelações sociais, é importante uma pesquisa sobre este tema, pois irá contribuir paraenriquecer e construir reflexões e conhecimentos acerca da atuação do Serviço Social nosistema escolar.Para a instituição servirá como avaliação do trabalhado que vem sendo realizado pelaequipe, além de privilegiar o papel dos diferentes profissionais que integram a equipeinterdisciplinar do local.Contribuirá para o Serviço Social permitindo uma releitura do profissional acerca desua postura e ações, bem como compreender como é visto pelos demais profissionais, o queproporcionará um melhor posicionamento do Assistente Social em relação a sua atuação, eampliação do seu processo de trabalho no âmbito educacional.Para os usuários a contribuição desse trabalho é trazer uma melhor compreensão dopapel do Assistente Social na instituição, e a partir do entendimento e análise do trabalho dosprofissionais do Serviço Social, garantir que as intervenções realizadas sejam mais eficazes,atendendo as demandas dos usuários.A viabilidade da pesquisa se dá pelo fácil acesso a bibliografia sobre o Serviço Socialna educação, disponível, por exemplo, na biblioteca da faculdade Unigranrio, ao acesso ainstituição, o que possibilitará melhores condições para execução da pesquisa.1.3 Objetivos do Estudo1.3.1 Objetivo geralAnalisar a visão acerca do Serviço Social para os profissionais que integram a equipeinterdisciplinar do CCAIC em Parque Muísa1.3.2 Objetivos específicos• Verificar a contribuição do Serviço Social na instituição.• Identificar a concepção dos profissionais acerca do Serviço Social.• Verificar o trabalho em equipe realizado na instituição.• Identificar as dificuldades encontradas pelo Assistente Social para execução de suas
  18. 18. 17atividades.
  19. 19. 18CAPÍTULO I I-REVISÃO DE LITERATURA2.1 Breve Histórico do Serviço Social e suas ConcepçõesO surgimento do Serviço Social é marcado pela consolidação do sistema capitalistaMonopolista, e para compreendermos sua gênese é necessário entendermos que toda práticaprofissional e seu fortalecimento está vinculada ao processo histórico da sociedade, e dasrelações sociais, neste caso dos conflitos sociais e sua relação com o Estado. A história doServiço Social está intrinsecamente ligada à história da sociedade brasileira, a profissão estáinserida na divisão social do trabalho, e no decorrer de seus processos históricos vaialcançando representações diversas no campo profissional, que irão refletir na imagemprofissional.A profissão ao longo da história adquiriu várias características, o Serviço Social sóvem a ser reconhecido como profissão a partir da sua inserção nas instituições públicas eprivadas. O Assistente Social é considerado como profissional liberal, e seu fazer profissionalnão está vinculado diretamente à produção material, mas a reprodução das relações sociais,criando condições essenciais para essa reprodução.Nessa perspectiva, a reprodução das relações sociais é entendida como a reproduçãoda totalidade da vida social, o que engloba não apenas a reprodução da vida materiale do modo de produção, mas também a reprodução espiritual da sociedade e dasformas de consciência social através das quais o homem se posiciona na vida social.Ou seja, a reprodução das relações sociais, “como a reprodução do capital permeiaas várias ‘dimensões’ e expressões da vida em sociedade” (IAMAMOTO;CARVALHO, 1995, p. 65).No decorrer deste item pretendemos examinar certos aspectos da trajetória do ServiçoSocial, que cooperaram e continuam contribuindo para criação de uma visão diversificadaacerca da profissão e que lhe conferiu em dados momentos um caráter subalterno. Nestesentido entender a história e os referenciais teórico-metodológicos construídos no decorrer datrajetória do Serviço Social, é essencial para compreender os desafios apresentados àprofissão no contexto social da atualidade.A institucionalização da profissão de Serviço Social na sociedade capitalista se refleteem um contexto contraditório entre as classes sociais divida entre burguesia e proletariado, enos países industrializados, essa institucionalização está ligada a intervenção progressiva doEstado nas expressões da questão social.
  20. 20. 19Originalmente a questão social foi constituída em torno das transformaçõeseconômicas, políticas e sociais ocorridas na Europa do século XIX, devido à industrialização,relacionada ao pauperismo. De acordo com Pereira (2003, p.115) está divida em três aspectos:a) O empobrecimento agudo da classe trabalhadora, produzido pelo peculiar modode exploração burguesa; b) A consciência dessa classe da condição de exploração; c)A luta política desencadeada por essa classe contra os opressores, a partir dessaconsciência;A pobreza resultante desse processo não é em si, a questão social. Ela é a pré-condição estrutural da questão social, que para ser explicitada como tal, precisou serpoliticamente problematizada por atores sociais dotados de poder de pressão ecapacidade de ameaçar a coesão do sistema.Inicialmente essa questão foi levantada com a tomada de consciência da sociedade, ouparte dela, dos problemas decorrentes do trabalho urbano e da pauperização como fenômenosocial. Hoje entende-se que a questão social é a expressão das desigualdades e lutas sociaisem suas múltiplas manifestações com todos os segmentos sociais envolvidos, sendoconsideradas como maiores expressões da questão social a pobreza e a violência.A “Questão Social” refere-se a uma apropriação fundamental sobre a qual umasociedade vivência seu processo de coesão social enquanto tenta eliminar o risco desua fratura, pondo em questão a capacidade de uma sociedade existir como umconjunto ligado por relações de interdependência.A questão social assim qualificada foi suscitada no início do século XIX não só pelaexistência efetiva, real, de condições desumanas de vida e de trabalho doproletariado emergente no bojo do moderno processo de industrialização, mastambém pela tomada de consciência e reação dessa classe contra essas condições.(PEREIRA. 2004, p. 112)A questão social é o embate político estabelecido por sujeitos coletivos que,problematizam necessidades e demandas sociais contra a classe dominante, dividindo asociedade em duas classes, é o conflito entre capital x trabalho, burguesia x proletariado; logoa luta por direitos sociais que, uma vez conquistados, serão regulados pelo Estado na forma depolíticas sociais, os quais se desdobrarão em serviços, programas e projetos sociais.O surgimento do Serviço Social e sua especialização acerca do trabalho coletivo estávinculado a emersão da questão social, a profissão surge com o objetivo de conter a classetrabalhadora e garantir a produção do capital, principalmente no fordismo kenesyanismo, aquestão social é a matéria-prima essencial da relação profissional do Serviço Social e arealidade social.
  21. 21. 20[...] a identidade atribuída ao Serviço Social pela classe dominante era uma síntesede funções econômicas e ideológicas, o que levava a uma produção de uma práticaque se expressava fundamentalmente como um mecanismo de reprodução dasrelações sociais de produção capitalista, como estratégia para garantir a expansão docapital. (MARTINELLI. 2009, p. 124)O Serviço Social tem sua institucionalização no interior da divisão capitalista dotrabalho e colaborando para a implementação de políticas sociais efetuadas por organizaçõespúblicas e privadas, operando forma instrumental para o controle social, seu papel é deinfluenciar a conduta e vida dos trabalhadores. Diante da situação social com o crescimentodo pauperismo da população o Serviço Social atua como mediador de conflitos. Porém seuposicionamento é em favor dos interesses do capitalismo e suas ações encontram respaldo nateoria positivista, onde o papel da profissão era adequar os indivíduos considerados comodesajustados, e garantir a harmonia social.No cenário brasileiro, a institucionalização do Serviço Social tem algumasparticularidades, pois sua legitimação profissional se dá a partir dos interesses do Estado, daburguesia e da Igreja Católica, com o objetivo de intervir nas expressões da questão social. Nadécada de 1930 a regulação dos conflitos entre as classes sociais é assumida pelo Estado, quecomo estratégia de enfrentamento cria um conjunto de iniciativas conforme destaca Yazbek :A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o Salário Mínimo e outras medidas decunho controlador, assistencial e paternalista. Ao reconhecer a legitimidade daquestão social no âmbito das relações entre capital e trabalho, o governo Vargasbuscou enquadrá-la juridicamente, visando à desmobilização da classe operária e aregulação das tensões entre as classes sociais. Como mostra Ianni (1990), o Estadobrasileiro transformou a questão social em problema de administração,desenvolvendo políticas e agências de poder estatal nos mais diversos setores davida nacional. (2009, p.25).O Serviço Social, no inicio, possuía um caráter de filantropia, não apresentava umperfil profissional, e permaneceu dessa forma durante um longo período e posteriormente veioa ligar-se aos dogmas da doutrina social da Igreja Católica. A formação profissional em suafase emergente sofreu grande influência da Igreja Católica, que nesse período era responsávelpor criar um ideal, conteúdos e processo de formação dos primeiros profissionais do ServiçoSocial no Brasil. Em 1932 foi criado o (CEAS) Centro de Estudos e Ação Social, essaentidade posteriormente fundou a primeira Escola de Serviço Social do país. O objetivo doCEAS era divulgar a ação social e doutrina da igreja católica, neste período tentava manter
  22. 22. 21sua hegemonia, a partir das orientações e diretrizes da Rerum Novarum e do QuadragésimoAnno, encíclicas papais que se posicionavam como antissocialista e antiliberal.
  23. 23. 22De acordo com o pensamento social da igreja a questão social era considerada comouma questão moral, os problemas sociais deveriam ser considerados como problemasindividuais dos sujeitos, apesar de situados no contexto da sociedade capitalista, o ServiçoSocial era orientado pela igreja católica sua ação era individualista, psicologizante econservadora. O Serviço Social no Brasil através da sua relação com a igreja católicafundamentou seus primeiros objetivos político-sociais, e a partir dessa relação à profissãoassume um caráter humanista e conservador, e que se baseavam também na caridade e doassistencialismo.A forma de intervenção do Serviço Social junto aos usuários neste período históricoera direcionada a educação religiosa e familiar, a vigilância, a repreensão e os valoresespirituais também faziam parte de sua intervenção, reproduzindo os conceitos aprendidos emsua formação profissional. A formação profissional baseada nos valores da Igreja Católica,também era interessante para o Estado e para o capital, que sofriam pressão pela classetrabalhadora por direitos sociais, o Serviço social se tornou um instrumento de controle social,em favor dos interesses da classe dominante.Com o favorecimento à industrialização o desenvolvimento e a criação de instituiçõesestatais, se tem a necessidade de manter o controle social. Especialmente na década de 1940quando o Estado começa a agir como regulador das relações sociais e a intervir nas relaçõesprodutivas, atuando como mediador e contribuindo para a acumulação capitalista, como noatendimento as reivindicações e necessidades sociais das classes menos favorecida.[...] na história social da organização da própria sociedade brasileira, que se gestamas condições para que, no processo de divisão social e técnica do trabalho, o ServiçoSocial constitua um espaço de profissionalização e assalariamento. Como mediação,neste processo, o Serviço Social vai se inserir, obtendo legitimidade no conjunto demecanismos reguladores, no âmbito das políticas socioassistenciais, desenvolvendoatividades e cumprindo objetivos que lhe são atribuídos socialmente e que, comoassinalamos anteriormente, ultrapassam sua vontade e intencionalidade [...]. Aprofissão amplia sua área de ação, alarga as bases sociais de seu processo deformação, assume um lugar na execução das políticas sociais emanadas do Estado e,a partir desse momento, tem seu desenvolvimento relacionado com a complexidadedos aparelhos estatais na operacionalização de Políticas Sociais. (YAZBEK, 2009p.9,10)Diante da realidade social apresentada, emergente pobreza da população, e asdemandas do desenvolvimento industrial, o Serviço Social se apropriava da teoria positivista,para respaldar sua prática profissional que minimizava os conflitos, e adequava os sujeitosdesajustados à sociedade. Nesta direção surge o debate sobre necessidade do reconhecimento
  24. 24. 23científico e a legitimação de sua prática profissional, demonstrando também a necessidade delaicizar a prática social.2.1.1 A gênese do Serviço Social e suas perspectivas.De acordo com Carlos Montano (2000) existem duas perspectivas evidentementecontrárias sobre a gênese do Serviço Social: A primeira perspectiva é a Endogenista queconjectura a origem da profissão, com o desenvolvimento, profissionalização e organizaçãode formas anteriores de ajuda, filantropia e caridade. A segunda perspectiva é a Histórico-Critico que compreende o surgimento da profissão como um produto extraído dos projetospolíticos e econômicos, que agiram em seu progresso histórico no momento em que o Estadocria respostas para conter a questão social.Referente à primeira perspectiva, vários autores tratam do assunto, porém HermanKruse apresenta o Serviço Social como aplicador de teorias, uma maneira de prestar ajuda, ouainda, respectivamente como prática sociológica, para o autor José Lucena Dantas otradicionalismo do inicio da profissão passa por etapas.Dessa forma o modelo assistencialista, determina que tais práticas, são anteriores aprofissão de Serviço Social, datando modelos dessas praticas na idade média no século XIX.Conforme Balbina Ottoni Vieira (1977, p.82):“O Serviço Social está presente nas sociedades desde as origens da humanidade, através dos atos de prevençãodos males sociais e promoção do bem-estar. Assim, a ajuda ao próximo, pode ser em qualquer de suasdimensões, caridade, filantropia ou Serviço Social”.Os diversos autores apresentam de formas diferenciadas a mesma tese, a de que oServiço Social é a profissionalização, organização e sistematização da caridade; nãoconsiderando a história da sociedade como objeto fundamental para o desenvolvimento daprofissão, que é compreendida a partir de si própria, desconsiderando suas relações sociais eos conflitos de classe.“O assistente social é solicitado tanto pelo caráter propriamente técnico-especializado de suas ações, senão,antes e basicamente, pelas funções de cunho educativo, moralizador e disciplinador [...] o assistente socialaparece como profissional da coerção e do consenso, cuja ação recai no campo político” (IAMAMOTO, 2008,P.145).
  25. 25. 24A segunda perspectiva, histórico-critica, entende que o Serviço Social representa umpapel visivelmente político, exerce uma função que não se explica por si mesma, mas sim pelaposição em que se insere na divisão sociotécnica do trabalho. Nesta perspectiva a profissão éentendida como produto da história, sendo assim, sua relação depende da dinâmica entre aclasse dominante e os trabalhadores; e a relação do Estado com o antagonismo das classessociais; o enfrentamento da questão social; e criação de políticas sociais.José Paulo Netto (1997, p. 93) afirma que:É na interseção de processos econômicos, sociopolíticos e teórico-culturais queocorrem na ordem burguesa, no capitalismo da idade dos monopólios, que se gestamas condições para emergência do Serviço Social como profissão na Europa. Aformulação e a implementação das políticas públicas, próprias desta fase da ordemsocioeconômica, estimulam a criação de novas profissões especializadas, entre asquais o Serviço Social surge ocupando uma posição subordinada na divisão sócio-técnica do trabalho, vinculado à execução terminal das políticas sociais.Considerando esses aspectos, o surgimento da profissão ocorre devido à necessidadedo Estado e da classe dominante manter a hegemonia do sistema capitalista. Outro marco daprofissão que é destacada por vários autores é o caráter de subordinação, entre os elementosque contribuem para essa subordinação da profissão Montano (2000) destaca dois aspectos:O primeiro destaca o Serviço Social como uma profissão elevadamente feminina, quese insere nas sociedades dominadas e marcadas por paradigmas machistas e patriarcais. Paramais, o Serviço Social é estigmatizado por exercer uma função auxiliar, no que se refere àassistência à população pobre, como profissional subordinado a outros profissionais, portantonão era visto como profissional que toma decisões, que traça objetivos referente às políticassociais e os recursos necessários para sua execução, o profissional de Serviço Social era vistocomo executor das decisões de outros profissionais e, visualizava a realidade a partir do olhartambém de outros profissionais, porém, no decorrer de sua trajetória profissional essacaracterística foi sendo revista e para a categoria tem sido deixada para trás.A segunda questão que trata Montano é o entendimento a respeito do Serviço Socialcomo profissão não necessitar de produção científica, precisa apenas se apropriar do conjuntode teoria das ciências e sua aplicação da prática, essa separação entre teoria e métodos, é algoradical e constitui o “praticismo” do Serviço Social.Segundo Rosa Trindade (2001), no decorrer do percurso profissional a produçãosociológica nos Estados Unidos, não permite a análise dos fenômenos da sociedade que eram
  26. 26. 25considerados como desvios do indivíduo. Estudava apenas as possibilidades de adequação dostrabalhadores ao tipo de organização da sociedade burguesa, utilizando como base os métodosde Mary Richomond com sua produção referente ao tratamento das práticas individuais deassistência. Também tinha como base a teoria de Gordon Hamilton que desenvolveu oServiço social de Casos que possuía um caráter psicologizante, formado por estudos,diagnósticos e tratamento, esses autores enfatizavam a lógica do ajuste social, ou seja, ostrabalhadores precisavam ser ajustados às normas da sociedade capitalista.O Serviço social em sua fase de institucionalização desenvolvia com base na teoria deMary Richomond e Gordon Hamilton a abordagem grupal, principalmente nas décadas de1950 e 1960, onde essas teorias eram utilizadas como base para o desenvolvimento decomunidade, Rosa Trindade (1991, p. 32) aponta que:Sob as influências da Psicologia e da Psicanálise, o Serviço Social de grupos passa aser utilizado de forma geral para solução de problemas pessoais de relacionamento esocialização. A perspectiva de grupos proporcionaria um autodesenvolvimento dosindivíduos e a possibilidade de se ajustarem às normas e valores sociais vigentes. Ostrabalhos sociais de caráter comunitário desenvolvem-se através de processos demobilização e organização de grupos de população, a fim de promover odesenvolvimento econômico-social de pequenas localidades. A intenção é melhoraro meio, as condições imediatas, deixando de centrar-se apenas nas mudançascomportamentais do indivíduo e da família.A partir da década de 1970 o Serviço Social começa discutir sobre outro tipo projetoprofissional e societário, isso se dá a partir da aproximação da teoria marxista. Esse debateacontece ao mesmo tempo em que as correntes tradicionais e conservadoras do Serviço Socialdiscutem sobre sua pratica baseada nos conteúdos dogmáticos da Igreja católica e noestrutural funcionalismo.Segundo Rosa trindade (2001) com base nos documentos de Araxá e Teresópolis severifica que as primeiras formulações para o projeto profissional modernizador, destacava aslimitações da pratica profissional tradicional, porém procurava a renovação do Serviço Social,com base nas novas demandas postas pelo Estado através das praticas desenvolvimentistas.Esse caráter modernizador apontado pelo Documento de Araxá de 1967:“Como prática institucionalizada, o Serviço Social se caracteriza pela ação junto a indivíduos comdesajustamentos familiares e sociais. Tais desajustamentos muitas vezes decorrem de estruturas sociaisinadequadas”. (CBCISS, 1986, p.24).
  27. 27. 26A intervenção profissional fundamentada na teoria estrutural-funcionalista passa a serquestionada por vários setores no interior da categoria profissional no fim dos anos 1970. Adécada de 1980 é marcada por um efervescente clima político, discussão e luta em favor daredemocratização do Brasil, é também nesse período que um movimento com maior força,luta pela renovação da profissão de Serviço Social, já que nos anos anteriores devido aoprocesso ditatorial essa parcela da profissão não tinha força nem liberdade para por seuprojeto em disputa com o conservadorismo.É posta em questão toda a base profissional constituída até esse momento, significanteparcela da profissão tem a necessidade de intervir de forma critica na realidade social, e apartir desse movimento surge a possibilidade de criar uma nova postura profissional voltadapara o interesse da classe trabalhadora, trazendo o questionamento da estrutura econômico-social como definidora da questão social.A intervenção profissional se direciona para uma abordagem coletiva, com objetivo demobilizar a população para reivindicar direitos sociais. Referente ao campo da teoria osprofissionais se apropriaram da teoria marxiana utilizando suas fontes originais, procurandoaprofundar-se nos estudos de Marx para compreender as questões específicas do ServiçoSocial e seu objeto de intervenção que é a questão social.Na década de 1990 o capitalismo destaca algumas necessidades e medidas de caráterpolítico, econômico e ideológico, com a finalidade de superar as constantes crises. Aefetivação do modelo Neoliberal de atuação do Estado resulta no controle dos gastos sociais,que passam a ser aplicados de forma residual e pontual, trazendo novos desafios para aprofissão. É nesse período que o Serviço Social começa a adquirir maturidade intelectual,definindo um direcionamento social para sua prática, que está presente no Código de ÉticaProfissional e no Projeto Ético Político.Ao longo de sua história a profissão adquiriu diversas teorias que embasam suaprática, e é importante destacar que embora surja uma nova perspectiva no contexto social,não significa anular as teorias já existentes, ainda que a nova perspectiva se torne hegemônicano âmbito da profissão. Dessa forma o fato da perspectiva histórico-critica ser consideradacomo hegemônica, não descarta o fato de que as perspectivas tradicionais e conservadorasainda são mantidas por determinados profissionais.2.2 Processo de Trabalho e Serviço Social
  28. 28. 27A profissão de Serviço Social tem seu reconhecimento na sociedade na proporção emque é socialmente necessária e exigida por determinado grupo social. É uma profissão queatualmente faz parte da especialização do trabalho coletivo, e está inscrita na divisão social etécnica do trabalho, porém não é predominante entre as atividades ligadas diretamente aoprocesso de criação de produtos e valores. Embora o Serviço Social não seja reconhecidocomo ciência, isso não quer dizer que a profissão não produza conhecimento, sua atuação estátotalmente ligada à produção e reprodução social.“enquanto profissão, não dispõe de uma teoria própria, nem é uma ciência; isto não impede, entretanto, que seusprofissionais realizem pesquisas, investigações etc. e produzam conhecimentos de natureza teórica, inseridos noâmbito das ciências sociais e humanas”. (NETTO 1999, p. 102)Em relação ao processo de produção capitalista, o Serviço Social não produzmercadorias, porém atua como facilitador indispensável na produção de mercadorias para ocapital. Diante disto surge no âmbito da categoria a questão que é debatida por vários autores,se o Serviço Social pode ser considerado como trabalho ou não.Para que possamos entender os processos sociais e as questões que envolvem oServiço Social em relação à categoria trabalho, primeiramente é preciso verificar o contextohistórico da sociedade, compreendendo assim o desenvolvimento do homem e suas relaçõessociais. A história do trabalho tem sua origem no momento em que o homem foi buscarmaneiras de suprir suas necessidades para produção de sua vida material, essa produção serelacionava à busca do alimento, na proporção em que sua satisfação é alcançada, surgemoutras necessidades que se ampliam a outros homens gerando assim as relações sociaisresponsáveis por definir a condição histórica do trabalho.A partir do momento que o homem com seu trabalho transforma a natureza,transforma também o seu sujeito e foi através de várias mudanças ocorridas nas sociedadesque surgiu o ser social, capaz de se comunicar e se expressar através da fala, planejar erealizar atividades de modo reflexivo, consciente e autoconsciente, os homens deixaram deviver única e exclusivamente pelos seus instintos, adquirindo hábitos e atitudes queconsolidaram a vida social.Antes de tudo, o trabalho é um processo entre o homem e a Natureza, um processoem que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismocom a Natureza. Ele mesmo se defronta com a matéria natural como uma força
  29. 29. 28natural. Ele põe em movimento as forças naturais pertencentes a sua corporalidade,braços e pernas, cabeça e mão, a fim de apropriar-se da matéria natural numa formaútil para sua própria vida. Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a Naturezaexterna a ele e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza.(MARX, 1996, p. 29)Para produzir e reproduzir as condições de vida e de produção são instituídas relaçõesmútuas entre os homens, através da ação transformadora da natureza, ou seja, através daprodução de mercadorias. A produção social é indispensavelmente histórica, trata-se darelação social entre pessoas e classes sociais que representam determinada posiçãoeconômica.“Os seres sociais tornaram-se mediados entre si e combinados dentro de uma totalidade social estruturada,mediante um sistema de produção e intercâmbio estabelecido.” (ANTUNES, 2006, p.19)A produção no processo capitalista se apresenta como uma forma histórica quedetermina a forma de produção e reprodução das condições materiais de vida e das relaçõessociais que conduzem a produção. Para o capitalismo trabalho é a mercadoria que produzvalor, como o trabalhador é livre pode vender sua força de trabalho como quiser, porém essaliberdade significa que esse trabalhador não possui os meios de produção restando-lhe apenassua força de trabalho para garantir sua sobrevivência. O capitalista é o dono dos meios deprodução e, é ele que regulamenta essa venda através do contrato de trabalho, onde em trocado salário o trabalhador vende sua energia, sua força de trabalho; durante a jornada detrabalho o indivíduo produz valor, mais do que o valor pago pela produção, gerando assim amais-valia.“O capitalista, mediante a compra da força de trabalho, incorporou o próprio trabalho, como fermento vivo, aoselementos mortos constitutivos do produto, que lhe pertencem igualmente” (MARX, 1996, p. 304).Todo trabalho é, por um lado, dispêndio de forças de trabalho do homem no sentidofisiológico, e nessa qualidade de trabalho humano igual ou trabalho humano abstratogera o valor da mercadoria. E, todo trabalho é, por outro lado, dispêndio de força detrabalho do homem sob forma especificamente adequada a um fim, e nessaqualidade de trabalho concreto útil produz valores de uso. (MARX, 1996, p.171).Para Marx o trabalho possui um caráter duplo, o que gera valor de uso, o trabalhoconcreto; e o que gera valor da mercadoria, que é o trabalho abstrato. O caráter concreto podeser entendido como a transformação de objetos naturais em objetos úteis com a finalidade de
  30. 30. 29suprir as necessidades humana esse caráter só pode ser entendido na área da produção. Aessência do trabalho concreto está totalmente vinculada ao desenvolvimento da consciência,onde o homem deixa de apenas se adaptar ao meio ambiente e passa a transformar a natureza.Assim o trabalho produtivo ocorre com a transformação da matéria-prima em mercadoriagerando valor de uso ou mais- valia.O caráter abstrato do trabalho surge a partir do século XVIII, através da estreitarelação com o capitalismo manufatureiro se fortalece na grande indústria, diante disto otrabalho abstrato é considerado como uma categoria fundamentalmente histórica, e noprocesso de acumulação capitalista gera trabalhadores necessários para a produção e valor docapital. Os trabalhadores improdutivos realizam a redistribuição das mercadorias na esfera dacirculação, este tipo de trabalho não produz mais-valia, mas sobrevive da produção do valorque o capital produz.Desta forma, tanto o trabalho produtivo como o improdutivo, são necessários àprodução capitalista, o capital não pode suprimir o trabalho concreto do sistema de produçãode mercadorias e valores, nem pode eliminar o trabalho abstrato, pois o primeiro se estabelececomo atividade vital, meio fundamental da atividade humana. O segundo realiza papeldeterminante na criação de valores de troca na sociedade, seu predomínio é induzido pelalógica do capital. Através do trabalho o ser social pode, ou não, materializar sua capacidadeteleológica, presume-se então que para o processo de trabalho o homem é indispensável.No processo de produção capitalista, o desenvolvimento das forças produtivas e dasrelações sociais é determinado pelas novas necessidades sociais, que tendem a ordenarprofissionais cada vez mais qualificados para atender as demandas do capital, incluído nessalógica o Serviço Social.Para Iamamoto e Carvalho (1995), o Serviço Social se organiza e se desenvolve comoprofissão reconhecida na divisão social do trabalho, no cenário do desenvolvimento docapitalismo industrial, que contribuiu para emergência de novas classes sociais, a criação eexpansão do proletariado e da burguesia industrial. O Trabalho do Serviço Social no contextocapitalista se dá também numa relação de compra e venda de mercadorias, sendo a principaldelas a sua força de trabalho, o salário é o preço dessa mercadoria tão importante para ocapital.é somente na ordem societária comandada pelo. monopólio que se gestam ascondições histórico-sociais para que, na divisão social (e técnica) do trabalho,constitua-se um espaço em que se possam mover práticas profissionais como as doassistente social. A profissionalização do serviço social não se relaciona
  31. 31. 30decisivamente com a “evolução da ajuda”, a “racionalização da filantropia” nem a“organização da caridade”, vinculam-se com dinâmica da ordem monopólica. Aemergência profissional do serviço social é, em termos histórico-universais, umavariável da idade do monopólio. E como profissão, o serviço social é indivorciávelda ordem monopólica – ela cria e funda a profissionalidade do serviço social.(NETTO 2001, p. 82)Percebe-se de forma clara que o trabalho é o fundamento do ser social, pois atravésdele o ser humano adquiriu outras habilidades e capacidades, dentro desse contexto históricodo trabalho existe o questionamento se o Serviço Social é ou não trabalho, já que a profissãona sua prática não transforma a natureza, nem produz mercadoria.Segundo Granemann (1999), o Serviço Social pode ser considerado trabalho, já quesua ação interventiva gera transformação na natureza, e possui elementos que constituem oprocesso de trabalho como: a força de trabalho e suas finalidades, instrumentos e matéria-prima ou objeto. Para autora a ampliação da tecnologia gerou um distanciamento entre ohomem e natureza, criando uma nova forma de produzir, que defende uma relação com todosos espaços da vida social, sendo assim, mesmo não intervindo diretamente na natureza oServiço Social mantém relação com ela. O capitalismo interliga todas as formas de trabalho,ocorrendo transformação da natureza, mesmo que venham a ser mediadas por instrumentos.“O Serviço Social sendo um trabalho, e como tal de natureza não liberal, tem nas questões sociais a base desustentação da sua profissionalidade e sua intervenção se realiza pela mediação organizacional de instituiçõespúblicas, privadas ou entidades de cunho filantrópico”. (GUERRA, 2000, p.18)2.2.1 Serviço Social na ContemporaneidadePara que possamos analisar a profissão de Serviço Social como parte da história dasociedade atual, precisamos ultrapassar o universo profissional, é necessário romper com avisão endógena da profissão, que a torna prisioneira no interior da categoria.Extrapolar o Serviço Social para melhor apreendê-lo na história da sociedade daqual ele é parte e expressão. È importante sair da redoma de vidro que aprisiona osassistentes sociais numa visão de dentro e para dentro do Serviço Social, comoprecondição para que se possa captar as novas mediações e requalificar o fazerprofissional, identificando suas particularidades e descobrir alternativas de ação.(IAMAMOTO, 2007 p.20)
  32. 32. 31O agravamento das desigualdades sociais, o empobrecimento das populações, aexclusão social, o desemprego, a violência, a crise na proteção social, crise financeira, e oafastamento do Estado mediante as demandas, representam inúmeros desafios para asdiferentes as profissões, em especial, para o Serviço Social.Esse contexto de crise estrutural, determinado pelo aprofundamento da miséria e peladegradação das políticas públicas, traz significantes transformações nos processos deintervenção do Assistente Social e na formação profissional; exigindo mudanças efetivas,como profissão inscrita na divisão social e técnica do trabalho o Serviço Social precisa sercapaz de responder a essas necessidades sociais.É preciso compreender como tais transformações atingem o conteúdo e a direção daprofissão, como afetam as atribuições, competências e requisitos para formação dosAssistentes Sociais, existe a necessidade da profissão expandir os horizontes em relação aomovimento das classes sociais e do Estado. Não perdendo ou enfraquecendo asparticularidades da profissão.O presente cenário sociohistórico não se torna apenas um simples pano de fundo parao trabalho profissional, ele transpõe e conforma o cotidiano da pratica profissional e da vidados usuários. O desenvolvimento capitalista industrial e a expansão urbana consolidam osistema capitalista, gerando o agravamento das múltiplas expressões da questão social.É no contexto da globalização mundial sobre a hegemonia do grande capitalfinanceiro, da aliança entre o capital bancário e o capital industrial, que setestemunha a revolução técnico-cientifica de base microeletrônica, instaurandonovos padrões de produzir e de gerir o trabalho. Ao mesmo tempo, reduz-se ademanda de trabalho, amplia-se a população sobrante para as necessidades médiasdo próprio capital, fazendo crescer a exclusão social, econômica, politica, cultural dehomens, jovens, crianças, mulheres das classes subalternas, hoje alvo da violênciainstitucionalizada. (IAMAMOTO. 2007, p.18)A atual realidade social, com sua alta complexidade, traz novos desafios ao ServiçoSocial, exigindo do Assistente Social uma redefinição nos parâmetros teórico-metodológicose ético-políticos. E para se falar sobre o Serviço social na contemporaneidade deve secompreender o contexto da sociedade contemporânea. Os desafios postos á categoriaprofissional devem ser identificados e enfrentados com novas perspectivas críticopropositivos de intervenção, para a construção de um projeto societário, mas cidadão e areafirmação do projeto ético-político da profissão.
  33. 33. 32Na contemporaneidade exigem-se novas características do Assistente Social, énecessário que seja qualificado, que tenha capacidade de propor alternativas criativas,inovadoras, que possua visão crítica.O novo perfil que se busca construir é de um profissional afinado com a análise dosprocessos sociais, tanto em suas dimensões macroscópicas quanto em suasmanifestações quotidianas; um profissional criativo e inventivo, capaz de entender o“tempo presente, os homens presentes, a vida presente” e nela atuar, contribuindo,também, para moldar os rumos da história. (IAMAMOTO, 2007, p.49)O propósito de explicitação das atribuições do Assistente Social, na atualidade, deveestar vinculado à busca dos fundamentos teórico-metodológicos e científicos de forma maissólida. Para que os mesmos possam orientar a atuação, ultrapassando a mera atividadetécnica, procurando resgatar, sistematizar e fortalecer o potencial inovador contido navivência cotidiana dos trabalhadores, criando alternativas de resistência ao processo dedominação, consonantes com o projeto ético-político profissional. É necessário que estecompreenda o processo de trabalho no qual se insere e as alternativas ético-politicas que secolocam ao exercício e a formação profissional crítica.2.3 A Política de Educação Brasileira: Breve HistóricoA educação não está vinculada apenas a escola, é constituída também e, sobretudo,como um direito social, campo de intervenção do Estado e dimensão da vida social, é atravésdesta que o homem deveria se instrumentalizar culturalmente, preparando-se paratransformações tanto materiais como espirituais.A educação é a base para o desenvolvimento social, sem ela até mesmo as sociedadesmais avançadas retornariam ao estado primitivo em pouco tempo. Depende-se dela paraformar profissionais, além de oferecer uma base de conhecimento para todas as pessoas.Contudo o que pode ser observado na realidade é contraditório, pois o sistemaeducacional não emancipa os indivíduos, ao contrário, doutrina de acordo com os moldescapitalistas, sua universalidade é restrita ao papel, a lei, pois este direito infelizmente aindanão é para todos.
  34. 34. 33A escola tem como papel diante da sociedade propiciar ações para a efetivação dosdireitos sociais. Dentro deste contexto, o setor educacional deveria oferecer alternativas parapessoas excluídas do sistema a oportunidade de se (re) integrarem através da participação,bem como da luta pela universalidade de direitos sociais e do resgate da cidadania.A história da educação brasileira passou por rupturas muito marcantes, podendo dizerque não houve a oportunidade de formar uma educação tipicamente brasileira, tendo em vistaque, desde seu princípio teve fortes influências de outros países, como por exemplo, achegada dos portugueses que trouxeram um modelo de educação europeu.Ao longo dos anos podem-se perceber algumas mudanças na área da educação, nadécada de 1920 foram realizadas diversas reformas, a nível estadual, como por exemplo, as deLourenço Filho, no Ceará, a de Fernando Azevedo, no Distrito Federal (atual Rio de Janeiro).A década de 1930 teve como principal evento a inserção do Brasil no mundocapitalista de produção, desta forma a nova realidade brasileira passou a exigir uma mão deobra especializada e, como consequência, houve a necessidade de investir na educação; sendoassim, a escola deste período era voltada para a expansão das indústrias, foi criado oMinistério da Educação e Saúde Pública, e ainda nesta época foi instituída pela primeira vezna constituição a educação como direito de todos, sendo sua ministração de responsabilidadeda família e do poder público.Na década de 1940 alguns ramos da educação foram reformados, e tais reformasreceberam o nome de Lei Orgânica do Ensino, foi criado o Serviço Nacional deAprendizagem Industrial (SENAI), neste período as escolas visavam atender às demandasprofissionais, o ensino era técnico.A Política da Educação no Brasil sempre foi marcada por avanços e recuos; a primeirametade da década de 1960 foi marcada por uma ação de movimentos de educação popular.Segundo ARANHA (1996), os principais foram: Centros Populares de Cultura (CPC), quesurgem em 1961 e espalham-se entre 1962 e 1964. Os Movimentos de Cultura Popular (MCP)aparecem na data de 1960, inclusive Paulo Freire pertenceu a este grupo e também aomovimento de Educação de Base (MEB), criados em 1961 pela Conferência Nacional dosBispos do Brasil. O golpe militar de 1964 desativa esses movimentos de conscientizaçãopopular, considerados como subversivos, e penalizava os lideres. O MEB seria o único quecontinuaria, apesar de diminuírem suas atividades e mudarem sua direção. Desta forma nasdécadas de 1960 e 1970 já começa a se exigir uma força de trabalho mais qualificadatecnicamente.
  35. 35. 34A partir da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) promulgada em 1961 desaparece aobrigatoriedade do ensino primário gratuito, prevendo também que o Estado poderiasubvencionar estabelecimentos de ensino particulares. A cooperação financeira do Estadoseria feita sob a forma de bolsas de estudos, empréstimos para a construção, reformas ecusteio na infraestrutura das escolas.Em contrapartida esta LDB também obrigava o governo a investir 12% de sua receitade impostos em educação, ao mesmo tempo em que desresponsabilizava o Estado pelaobrigatoriedade do ensino primário gratuito, incentivava o crescimento das instituições deensino particulares.Pinto (1986) ao abordar a política educacional posterior a 1964 cita autoresrenomados, como Maria Luiza de Souza, Cornely e José Pinheiro Cortez, que em seusdepoimentos revelam que a política educacional após 1964 tinha como objetivo aimplementação de uma própria política de Estado burocrático e autoritário do país, tendocomo elemento fundamental desta política a tecnocracia.No final dos anos 1980, com o fim do Regime Militar, o debate sobre educação jáhavia perdido o sentido pedagógico e assumiu um caráter político, ou seja, a educação passoua ser vista em um sentido mais amplo, para além da sala de aula. Nesta década foi promulgadaa Constituição Federal de 1988 que procurou introduzir inovações e compromissos, entre elesa universalização do ensino fundamental e a erradicação do analfabetismo.No Art. 6º, da Constituição Federal, consta que a educação também constitui um dosdireitos sociais de cada cidadão. E o art. 208, § 1°, da Constituição Federal afirma que “Oacesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”, e seu não oferecimentopelo Poder Público ou sua oferta irregular implica responsabilidade da autoridade competente.Os princípios constitucionais da educação são:( I) igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;(II) liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;(III) pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicase privadas de ensino;(IV) gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;(V) valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos decarreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redespúblicas;(VI) gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
  36. 36. 35(VII) garantia de padrão de qualidade;(VIII) piso salarial profissional para os profissionais da educação escolar pública.De acordo com a Lei 9394/96 o atual sistema de ensino se divide em:I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.II – educação superior.Atualmente o sistema educacional brasileiro é respaldado pela Lei 9394/96, pelo PlanoNacional de Educação e de acordo com a constituição e a LDB, a educação deve ser gerida eorganizada por cada nível de governo, sendo assim, o Governo Federal, Estado, DistritoFederal e Municípios são responsáveis pela organização e manutenção de seus respectivossistemas de ensino.No final do século XX a educação alça status prioritário no cenário internacional.Somente no decorrer dos anos 1990 foram realizados três eventos mundiais, dosquais resultaram três Declarações que trazem diretrizes educacionais a seremobservadas por todas as Nações, evidenciando, assim, a posição estratégica que aeducação ocupa neste período histórico de globalização. A Declaração de 1990 versasobre ‘Educação para Todos’, em 1994, temos a Declaração de Salamanca – sobreEducação Especial- e em 1997 a pauta abordou a Educação de jovens e Adultos.(PEQUENO,2000, p.1)O âmbito educacional expressa os reflexos oriundos do mundo capitalista do trabalhoe sofre com questões referentes à empregabilidade e a relação público/ privado. Até os dias dehoje muitas alterações tem ocorrido no âmbito do planejamento educacional, principalmenteem decorrência do fenômeno da globalização, que ocasionou diversas alterações no sistemade ensino onde se exige cada vez mais indivíduos qualificados para atuação no mercado detrabalho, e como consequência ocorre à flexibilização da educação através de ensino àdistância e financiamentos para os estudos, por exemplo, a área da educação tem se tornadoum espaço estratégico onde ocorre a estreita relação entre cultura e economia.E assume duas funções: A primeira econômica que visa atender às exigências domercado de trabalho, e a segunda que é cultural e ideológica que pode vir a despertar para oconhecimento crítico preparando o indivíduo para o exercício da cidadania ou reforçar adominação resultando na alienação.2.3.1 Educação infantil
  37. 37. 36Durante as transformações políticas e econômicas ocasionadas pelo capitalismo,mudanças significativas ocorreram na organização familiar, sobretudo pela participaçãofeminina na população economicamente ativa do país. E os cuidados com as criançaspequenas tiveram destaque no conjunto dessas transformações, o que demonstra estreitarelação entre o surgimento de instituições de atenção à infância e a transformação do papel damulher na sociedade.Com a inserção da mulher no mercado de trabalho houve alteração no modo de cuidare educar os filhos. As mães operárias que não tinham com quem deixar seus filhos utilizavamos serviços das mães mercenárias, mulheres que não trabalhavam nas fábricas, mas vendiamsua força de trabalho para abrigarem e cuidarem dos filhos de outras.Em decorrência da maior inserção dos pais no mercado de trabalho começaram asurgir outras formas de serviços para as crianças, que eram organizados por mulheres querealizavam atividades como: canto reza, desenvolvimento de bons hábitos, entre outros.Contudo com o aumento desta oferta de emprego para mulheres aumentou também o índicede maus tratos às crianças, porém como as famílias pobres tinham que garantir suasobrevivência tais atos foram se tornando socialmente aceitos.No Brasil vários fatores contribuíram para a criação de creches, entre eles o elevadoíndice de mortalidade infantil, desnutrição e acidentes domésticos. Isto levou diferentessegmentos da sociedade como empresários, religiosos e educadores, a pensarem em umespaço de cuidados para as crianças fora do contexto familiar, ou seja, num primeiromomento o atendimento oferecido pelas creches era semelhante ao atendimento oferecidopelas instituições asilares, que possuíam caráter filantrópico e perduraram até os anos 1920.As primeiras experiências de atendimento institucional à infância foram de cunho assistenciale custodial voltadas ao amparo de crianças e famílias pobres.Por muitos anos as instituições de atendimento as crianças foram mantidas porinstituições particulares e filantrópicas. Contudo a partir de 1930 o Estado passou a intervir,minimamente, em reposta à política desenvolvimentista de Getúlio Vargas, que previa umamplo projeto para atingir a civilidade e a modernidade, o que ocasionou a difusão domovimento higienista entre os envolvidos no atendimento prestado nas creches.[...] criaram-se leis e propagaram-se instituições sociais nas áreas da saúde pública,do direito da família, das relações de trabalho, da educação. [...] são iniciativas queexpressam uma concepção assistencialista que denominamos ‘assistência científica’por se sustentar na fé e no progresso e na ciência característica daquela época.( KUHLMANN, JÚNIOR, 2001, p.60)
  38. 38. 37Na década de 1940 ocorreu um importante marco legal na legislação sobre as creches,a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) que previa a obrigatoriedade das empresas commais de 30 funcionárias, acima de 16 anos, implantarem creches para os filhos dasfuncionárias.Na década de 1960 surge outra corrente de pensamento: os discursos pedagógicosbaseados na teoria de privação cultural, desta forma o espaço da creche passou a ser vistocomo um local privilegiado para compensar carências de natureza biológica, psicológica ecultural, apresentadas ao longo do desenvolvimento infantil. Novas categorias profissionaiscomo professores, psicólogos, pedagogos e recreadores foram inseridos no âmbito dascreches.Sendo assim as instituições públicas passaram a atender crianças pobres, enquanto asinstituições privadas prestavam atendimento as de classe social elevada, desta forma ascrianças de diferentes classes sociais eram submetidas a um desenvolvimento diferenciado, asde classe menos favorecida eram atendidas com trabalhos voltados para a ideia de carência edeficiência, e as outras recebiam uma educação que privilegiava a criatividade e socialização.Até os anos 1970 pouco havia sido feito em relação à legislação que garantisse a ofertada educação infantil. Porém na década de 1980 diferentes setores da sociedade semobilizaram com intuito de sensibilizar a sociedade e o governo sobre os direitos da criança auma educação de qualidade, e através da Constituição Federal de 1988, este direito foigarantido e expresso através do art. 227 que determina:É dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança e ao adolescente,com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, aolazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e àconvivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma denegligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.O direito da criança à educação foi garantido através da inclusão da creche e pré-escola no sistema de ensino brasileiro, e expresso no artigo 208, inciso IV da constituição: Odever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:IV- educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade;Como resultado as creches que até então estavam vinculadas a assistência socialpassaram a ser de responsabilidade da educação, adotou-se o principio de que essas
  39. 39. 38instituições não cuidariam apenas das crianças, mas também passariam a desenvolvertrabalhos e atividades educacionais.A Constituição Federal de 1988 possui uma valiosa contribuição na garantia dedireitos dos indivíduos, sobretudo das crianças, esta foi fator decisivo na afirmação dosdireitos das crianças de 0 a 6 anos de idade que passaram a ser vistas como sujeitos dedireitos. Em 1990 foi aprovado o Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8.069/90 queregulamenta os direitos das crianças e dos adolescentes, e posteriormente ente os anos 1994 e1996 foram publicados pelo MEC diversos documentos de suma importância para a educaçãoinfantil.No Brasil a perspectiva referente às crianças e adolescente teve um caminho lento,tendo seu início em 1979 com a criação do Código de Menores. Somente em 1989 aConvenção Internacional dos Direitos da Criança, das Organizações das Nações Unidas(ONU) marcou definitivamente a transformação das políticas públicas voltadas a essapopulação, culminando assim na criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)criado em 13 de julho de 1990, este se instituiu como Lei Federal n.º 8.069.O Estatuto, em seus 267 artigos, garante os direitos e deveres de cidadania a crianças eadolescentes, determinando ainda a responsabilidade dessa garantia aos setores que compõema sociedade, sejam estes a família, o Estado ou a comunidade. Ao longo de seus capítulos eartigos, o estatuto discorre sobre as políticas referentes à saúde, educação, adoção, tutela equestões relacionadas a crianças e adolescentes autores de atos infracionais.De acordo com Ferreira (2000, p.184), esta lei vai além de um instrumento jurídico porque:Inseriu as crianças e adolescentes no mundo dos direitos humanos. O ECAestabeleceu um sistema de elaboração e fiscalização de políticas publicas voltadaspara a infância, tentando com isso impedir desmandos, desvios de verbas e violaçõesdos direitos das crianças. Serviu ainda como base para a construção de uma novaforma de olhar a crianças: uma criança com direito de ser criança. Direito ao afeto,direito de brincar, direito de querer, direito de não querer, direito de conhecer,direito de sonhar. Isso quer dizer que são autores do próprio desenvolvimento.O ECA em termos de legislação voltada para a infância e adolescência, é referência mundial,porém ele ainda precisa ser entendido de forma autêntica, para que seus fundamentos sejamtrilhados de forma legítima, ainda é necessário percorrer um longo caminho pela sociedadecivil e pelo Estado para que seus fundamentos sejam vivenciados cotidianamente.
  40. 40. 392.3.2 A inserção do Serviço Social na educação e sua prática profissionalNo seu início o Serviço Social surgiu como uma profissão prático interventiva eatuava em instituições que visavam atender as necessidades sociais daqueles que não tinhamacesso à riqueza.De acordo com Vieira (1978) o Serviço Social na escola surgiu nos Estados Unidos,no início do século XX, tendo muitas experiências nas escolas como as de Nova York, Bostone Harford; integrando a equipe junto a professores e psicólogos, atendendo alunos comproblemas de aprendizagem. O Serviço Social neste período tinha por objetivo atender asdificuldades de caráter individual e familiar, apresentados como problemas sociais no âmbitoescolar. Na França era especializado na área da saúde, ou seja, resolvendo questões deaprendizagem relacionadas à saúde dos alunos.Na América Latina, o Serviço Social num primeiro momento, privilegiava oatendimento individualizado, contudo num segundo momento, passou a buscar um melhorrelacionamento da escola com a família, sobretudo através da família dos alunos. A educaçãose constituiu com área temática da profissão a partir do CBAS (Congresso Brasileiro deAssistentes Sociais), até então a profissão não estava vinculada à educação.Até a metade dos anos 1970 o Serviço Social estava vinculado ideologicamente porsubordinação ou por opção ao projeto político do Estado; porém a partir do Movimento deReconceituação, baseado em uma perspectiva critica da profissão, voltado para obtenção deuma identidade profissional e no rompimento com Serviço Social conservador/tradicional, aintervenção no âmbito educacional ganhou novas perspectivas, neste momento a perspectivada intenção se aproxima do marxismo.“A ruptura com a herança conservadora expressa-se como uma procura, uma lutapor alcançar novas bases de legitimidade da ação profissional do Assistente Social,que, reconhecendo as contradições sociais presentes nas condições do exercícioprofissional busca colocar-se, objetivamente, a serviço dos interesses dos usuários,isto é, dos setores dominados da sociedade”. (IAMAMOTO, 2007. p.37)A educação brasileira só obteve investimento após a Primeira República, quando setornou pública, ou seja, para todos, entretanto ainda não possuía maiores investimentos.
  41. 41. 40Atualmente varias são as expressões da questão social presentes no espaço escolarpode-se melhor exemplificar através das palavras de Dimenstein:“A família é pobre. Mora numa casa onde não existe saneamento básico. O ambiente facilita a transmissão dedoenças. As doenças enfraquecem o corpo, que já é desnutrido. A criança desnutrida não aprende direito o que éensinado. E quem não estuda não consegue arrumar um bom emprego.” (2005 p.162)Apesar do que consta no Art. 205 da Constituição Federal de 1988 que:“A educação, direito de todos e dever do estado e da família, será promovida com a colaboração da sociedade,visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para otrabalho.”O sistema educacional tem sofrido com as influências do mercado de trabalho, donovo sistema de emprego e a relação público e privado, o que faz com que sua eficácia equalidade atendam ao interesse do mercado.No atual contexto brasileiro, nota-se que o ensino tem se mostrado insuficiente, no quese refere à quantidade de vagas para o atendimento dos alunos, tendo-se como um dos grandesdesafios à melhoria de sua qualidade.Portanto para compreender a prática profissional é preciso que se pense noaperfeiçoamento teórico que está vinculado ao fazer profissional. Segundo Iamamoto (1999)para compreender o exercício profissional é necessário à concepção de que aquilo quegeralmente é chamado de prática corresponde a um dos elementos constitutivos do processode trabalho que é próprio do trabalho.O Serviço Social é uma profissão socialmente legitimada, e o âmbito educacional nãose trata de uma nova experiência para esta profissão.A inserção dos assistentes sociais na área da educação não se constitui em umfenômeno recente, sua origem remonta aos anos iniciais da profissão em sua atuaçãomarcadamente voltada para o exercício de um controle social sobre a famíliaproletária e em relação aos processos de socialização e educação na classetrabalhadora durante o ciclo de expansão capitalista experimentado no períodovarguista. Sua notoriedade atual em muito se deve a três tendências observadas nocampo das políticas sociais a partir dos anos 1980: O enfrentamento da pobreza apartir de políticas publicas que estabelecem condicionalidades em relação àeducação escolarizada. A interface de diferentes políticas setoriais, em especialaquelas dirigidas aos segmentos sociais em situação de vulnerabilidade social,tornando o acesso à educação escolarizada um marco na afirmação dos direitossociais de crianças e jovens.O alargamento da compreensão da educação como direito humano, adensando aspraticas sociais organizadas em torno de diversos e abrangentes processos deformação humana, criando uma arena de disputas ideológicas fortementemobilizadoras dos paradigmas educacionais em disputa no âmbito do Estado e da
  42. 42. 41sociedade civil como os de: empreendedorismo, empregabilidade e emancipação.(ALMEIDA, 2000, P. 52)Atualmente a inserção de Assistentes Sociais na área da educação tem se fortalecido,justamente pelo fato deste ser um profissional que lida com a garantia de direitos. É muitoimportante dizer que o Serviço Social pode atuar em diferentes setores dentro da área escolar,e para isso é necessário pensar para além das unidades escolares.Dentro do sistema educacional o Serviço Social irá se apresentar no atendimento aopúblico-alvo da política educacional, ou seja, perceber o trabalho realizado em diferentesespaços, como por exemplo, as famílias e as escolas; e também junto aos órgãos deplanejamento e de gerencia da política educacional, seja na esfera da Secretaria de Educaçãomunicipal ou estadual, coordenadorias; não somente no atendimento mas também naelaboração dessa política. Sendo os dois extremamente importantes para o exercícioprofissional do Assistente Social na educação.Nesta esfera o Serviço Social tem muito a contribuir para a política pública deeducação, o Assistente Social tem como objetivo articular das diversas políticas sociais, comintuito de diminuir questões relacionadas às desigualdades sociais. O profissional deveassegurar que nas escolas sejam elaborados e executados projetos com ações preventivas naesfera das relações interpessoais, entre alunos, familiares e funcionários da escola, além desituações relacionadas a questões socioeconômicas e a violência, situações presente narealidade de muitos alunos.O profissional de Serviço Social deve viabilizar uma articulação com setores dapolítica social, de forma abrangente em relação não só ao aluno, mas também a sua família,buscando recursos de serviços e programas sociais, além de reconstruir a autonomia dafamília com a finalidade de obter uma melhor qualidade de vida para os usuários.De acordo com Almeida (2000), é necessário pensar a inserção do Assistente Social naeducação não como uma especulação sobre a possibilidade de ampliação do mercado detrabalho, mas como uma reflexão de natureza política e profissional sobre a função social daprofissão em relação às estratégias de luta pela conquista da cidadania através dos direitossociais e das políticas sociais.Sendo assim o Serviço Social deve lutar pela conquista da cidadania, que se tornou umcomponente fundamental para sua unidade, observando a importância da articulação com as
  43. 43. 42famílias, Conselhos de Direito e Tutelares, bem como ligações com outras instituições dalocalidade onde se encontra a escola, ou seja, deve fortalecer e formar redes.Muitas são as contribuições da profissão para a educação como, por exemplo: permitirque a comunidade interaja com o espaço escolar, envolver as famílias, realizar trabalhos quecontribuam para a diminuição da evasão escolar, violência, alcoolismo e drogas, a fim de queo aluno melhor se desenvolva e possa exercitar sua cidadania. Procurar e apresentar formas deatendimento às demandas socioeconômicas de seus usuários, contribuir para a permanênciado aluno, propor, executar e avaliar projetos junto à comunidade, conhecer as necessidadesdos usuários, orientar usuários de acordo com suas demandas especificas.2.4. InterdisciplinaridadePara compreendermos o termo interdisciplinaridade é necessário termos a noção deque as disciplinas são essenciais para o desenvolvimento das Ciências sociais e dopensamento humano, trata-se da organização de uma categoria no interior das diversas áreasde conhecimento que são abrangidas pelas ciências.A organização disciplinar foi instituída no século XIX, notadamente com a formaçãodas universidades modernas; desenvolveu-se, depois, no século XX, com o impulsodado à pesquisa científica; isto significa que as disciplinas têm uma história:nascimento, institucionalização, evolução, esgotamento, etc.; essa história estáinscrita na da Universidade, que, por sua vez, está inscrita na história da sociedade;(MORIN 2002, p. 105 ).E de acordo com Paulo Freire ( 2007, p.39):Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino... Enquanto ensino continuobuscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e meindago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e meeduco. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar anovidade.A disciplina é uma forma de delimitar, um conjunto de estratégias organizacionais,como escolhas de conhecimentos que serão oferecidos ao aluno com o objetivo de apoiar umconjunto de procedimentos didáticos e metodológicos.
  44. 44. 43A indefinição sobre interdisciplinaridade origina-se ainda dos equívocos sobre oconceito de disciplina”. A polêmica sobre disciplina e interdisciplinaridadepossibilita uma abordagem pragmática em que a ação passa a ser o ponto deconvergência entre o fazer e o pensar interdisciplinar. É preciso estabelecer umarelação de interação entre as disciplinas, que seriam a marca fundamental dasrelações interdisciplinares. (FAZENDA,1999, p. 66).Historicamente a interdisciplinaridade como enfoque metodológico surge na segundametade do XX, como reposta as necessidades apresentadas nos campos das ciências humanase da educação. Era preciso superar a fragmentação e o caráter de especialização doconhecimento, causadas principalmente por uma epistemologia (Teoria do Conhecimento), deorigem positivista fundamentadas especialmente por Descartes e Galileu, as ciências foramdivididas em varias áreas e a interdisciplinaridade procurou criar diálogo entre elas, apesar denão conseguir obter a totalidade e a unidade. Na imaginação Positivista a fragmentação dosaber era essencial para o progresso da ciência.A interdisciplinaridade buscou compreender melhor a relação entre o todo e as partes,Para Goldman (1979), apenas o modo dialético de pensar, fundado na historicidade, poderiaresgatar a unidade das ciências. A tradição marxista resolveu, em parte, o problema,colocando a historicidade como fundamento das ciências. Marx afirmava que só existia umaciência: a História. Assim ele resolvia a questão da fragmentação. A totalidade não seriaalcançada, como queriam os neo-positivistas, através da interdisciplinaridade, mas através deum referencial comum que é a história, e desde esse período histórico a interdisciplinaridadevem se desenvolvendo também nas ciências da educação.A definição do conceito do termo interdisciplinaridade é algo que ainda está emconstrução, é um conceito que varia, não apenas na nomenclatura, mas também em seusignificado, não possui um sentido único e estável. O Termo interdisciplinaridade foi e aindaé amplamente discutido, devido à existência de varias definições, que dependem do olhar e davivência de cada um, por exemplo, a experiência educacional possui suas particularidades.A interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre osespecialistas e pelo grau de interação real das disciplinas no interior de um mesmoprojeto de pesquisa. [...] Podemos dizer que nos reconhecemos diante de umempreendimento interdisciplinar todas as vezes que ele conseguir incorporar osresultados de várias especialidades, que tomar de empréstimo a outras disciplinascertos instrumentos e técnicas metodológicos, fazendo uso dos esquemas conceituaise das análises que se encontram nos diversos ramos do saber, a fim de fazê-losintegrarem e convergirem, depois de terem sido comparados e julgados. Dondepodermos dizer que o papel específico da atividade interdisciplinar consiste,primordialmente, em lançar uma ponte para ligar as fronteiras que haviam sidoestabelecidas anteriormente entre as disciplinas com o objetivo preciso de assegurar
  45. 45. 44a cada uma seu caráter propriamente positivo segundo modos particulares e comresultados específicos. (JAPIASSU, 1976, p.74,75)Considerando a teoria do autor Hilton Japiassu, atualmente observa-se a necessidadede conceituar e diferenciar os prefixos inter, de multi, pluri e transdisciplinaridade, atualmenteverifica-se a interdisciplinaridade como um conceito polissêmico, devido à atitudeinterdisciplinar depender do histórico de vida, das compreensões adquiridas e daspossibilidades de enxergar perspectivas diferentes de uma mesma questão.Atualmente a compreensão da Interdisciplinaridade destaca a forma que as diversasprofissões estabelecem relações, e se contrapõem a visão do especialismo profissional. Asmúltiplas áreas de especializações gerou o aperfeiçoamento de técnicas especificas, porém aomesmo tempo, criou um abismo onde a própria especificidade trouxe a fragmentação daatividade cientifica, caindo nos especialismos.Em uma equipe Interdisciplinar os profissionais trazem contribuições através doconhecimento técnico-científico de sua profissão, com o objetivo de superar situaçõesespecificas, a ação Interdisciplinar concede a cada profissional a possibilidade de discutir,opinar, e atuar em determinada situação, não havendo limitação e nem fragmentação daquestão, ampliando a visão em uma perspectiva coletiva, visualizando a questão em suatotalidade.[...] o pensar interdisciplinar parte da premissa de que nenhuma forma deconhecimento é em sim mesma exaustiva. Tenta, pois, o diálogo com outras fontesdo saber, deixando-se irrigar por elas. Assim, por exemplo, confere validade aoconhecimento do senso comum, pois é através do cotidiano que damos sentido anossas vidas. Ampliado pelo dialogo com conhecimento científico, o senso comumtende a uma dimensão maior, a uma dimensão, que utópica, capaz de enriquecernossa relação com o outro e o mundo. (FAZENDA, 2002, p. 15).E diante deste contexto alguns procedimentos que podem ser adotados junto à equipeinterdisciplinar, a fim de que haja um melhor desenvolvimento do exercício profissional,segundo Backhaus (1992,p.75) são:- Ter sempre presente que a pessoa (individuo) deve ser considerado na suaexperiência, no processo de trabalho grupal e comunitário e no contexto onde elaprópria constrói e vai se construindo;- Levar em conta a questão da “motivação” dos integrantes do grupo, como ênfase arealização de um bom trabalho;- Buscar a conquista de espaços dentro e fora do grupo- “posicionar-se”;
  46. 46. 45- Expor sentimentos, usar de franqueza e espontaneidade nas trocas com os outrosintegrantes do grupo, nas discussões, trabalhar a “ideia” e, sobretudo, perguntar a“união grupal”;- A conquista da liberdade de opinião é primordial à interação grupal, osposicionamentos devem ser discutidos em nível de equipe (profissionalmente) e nãoa nível pessoal. Os resultados precisam vir ao encontro, visando o aperfeiçoamentodo conjunto.Interdisciplinaridade refere-se a uma concepção de trabalho que tem por baseinterdependência entre diversos segmentos de conhecimento. Neste modelo de trabalho énecessário que a equipe seja criativa, ousada e possua uma nova visão da divisão dos saberes,pois, as especificidades e particularidades de cada profissão devem ser mantidas e garantidasde forma paralela à integração, nem todo significativo e harmônico.Ao se pensar em interdisciplinaridade é preciso ver além da soma das partesenvolvidas e ser capaz de perceber que tudo repercute em tudo. E devido as constantesmudanças nos diferentes setores da atual sociedade, que é necessário uma concepção deensino e aprendizado baseados na interdependência entre os diferentes tipos de conhecimento.2.4.1 Serviço Social e InterdisciplinaridadeAo analisarmos a formação profissional dos Assistentes Sociais e sua relação com ainterdisciplinaridade é necessário compreendermos o cenário em que se efetiva a profissão,assim como a realidade social que a cerca. As transformações políticas, sociais, culturais eideológicas, assim como as intensas transformações nos processos de produção e reproduçãoda vida social, e das relações entres os sujeitos, apresentadas nos tempos atuais nos leva arefletir sobre as novas dinâmicas e demandas do mundo do trabalho.Além de compreender o papel da profissão na sociedade capitalista, diante do processode produção e reprodução das relações sociais, as novas exigências do mercado de trabalhodemandam profissionais cada vez mais qualificados.“A contemporaneidade exige cada vez mais profissionais qualificados, dotados de conhecimentos especializadose atualizados, flexibilidade intelectual no encaminhamento de diferentes situações e capacidade de análise paradecodificar a realidade social” (OLIVEIRA, 2002, p 43).Neste contexto atual, entende-se que a formação profissional deve ser repensada, como objetivo possibilitar, uma capacitação profissional de acordo com a dinâmica apresentadapelo mercado de trabalho. Pensar em formação profissional é pensar em um processodialético, aberto e dinâmico, possibilitando a compreensão da realidade em sua totalidade,
  47. 47. 46essa formação profissional está em constante movimento inteirando o fortalecimento e ocrescimento do Serviço Social.Nesse sentido, Gonçalves e Higuchi (1998) apontam a formação profissional como umprocesso, como uma práxis (ação-reflexão-ação) que leva ao desenvolvimento de habilidadesnecessárias ao desempenho profissional. Batista in Fazenda (2002) propõe que a formaçãoatravessa e constitui a história dos homens como seres sociais e por isso traz consigodimensões subjetivas e dimensões intersubjetivas.A Formação Profissional dos Assistentes Sociais tanto em sua natureza, quanto em seuconteúdo estabelece diferenças através de suas particularidades institucionais, porém tambémse distingui pela diversidade de paradigmas interligados a outras ciências.O Serviço Social diante do contexto contemporâneo tem se confrontado com as novasexigências para a formação profissional. Através da busca do conhecimento teórico -metodológico com consistência, garantido aos profissionais um entendimento mais claro emrelação à realidade social e a identificação das demandas apresentadas e os instrumentos maisadequados para sua intervenção. Diante do cenário atual é necessário um novo olhar emrelação ao fazer profissional, que deve ser consolidado e comprometido com os princípiosético-políticos estabelecidos pelo Código de Ética.Esse processo exige do assistente social uma participação enquanto [...] um sujeitoprofissional que tenha competência para propor, para negociar com a instituição osseus projetos, para defender o seu campo de trabalho, suas qualificações e funçõesprofissionais [...] [...] desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construirpropostas de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir dedemandas emergentes no cotidiano. [...] e buscar apreender o movimento darealidade para detectar tendências e possibilidades nela presentes. (IAMAMOTO,2001, p. 20).Diante das novas representações da sociedade contemporânea, ocorre um rápidocrescimento e ampliação da inserção dos Assistentes Sociais em novos e diversos campos detrabalho. Habilitados pelo mercado de trabalho, neste caso destacamos o campo da Educação,onde o Serviço Social também encontra varias expressões da questão, devido à atuação maisefetiva do Serviço Social no Campo da educação ser algo recente, sua ação ocorre dentro deuma perspectiva interdisciplinar.A construção da Interdisciplinaridade profissional surge a partir do diálogo, daintegração dos saberes e da troca de conhecimentos e informações objetivando uma visão totaldo sujeito. Assim no campo educacional, o Serviço Social em conjunto com as demais

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