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frutificavam as melhores goiabas da região. Narealidade, não era época da fruta e todos, olhandoansiosos para os galhos ma...
pé-de-moleque, manuê, grude de goma, ponches delimão e laranja, os “pirulitos” de dona Toinha e as“chupetas de açúcar” de ...
Sinfronina”, uma antiga lavadeira da família, que tinhafama de ser catimbozeira e fazer uns despachos.       - Dando uma f...
- Ela vai sê muito intiligente, vai estudá e se formá,vai sê muito populá, vai vencê na vida, vai viajar muitopor esse mun...
- Dapaz, minha santa, já está passando muito dahora do padre Clodoaldo comer. Ele tem gastrite eterminar passando mal se n...
- Ô minha gente, esses filhos de vocês não temestilo não, é? Ficam todas de beleza aí na sala enquantoos meninos parecem q...
- É verdade, estão na mala do carro, Alguém meajude aqui, por favor!        E os convidados que já se preparavam pra fazer...
Difícil descobrir, afinal tinha criança demais nafesta. Ela trocou o timão da menina e foi falar com J. L.sobre o ocorrido...
- Capítulo 1 -         JINGLE BELLS, NASCEU A “MINI” NINHA...       Era uma vez, numa cidadezinha da mata sul,torrão bendi...
As primeiras visitas recebidas foram: MariaAndrade, Quinquina e Dona Elvira; seu Alcides, Saló, Cila,já mocinha, e Concinh...
Aline e a maninha Ana Maria, primogênita docasal, encheram de alegria a vida dos pais e de todos osvizinhos de rua.      M...
do sul do país, sem esquecer naturalmente o RepórterEsso, responsável pelo noticiário do que estavaocorrendo no Brasil e n...
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Capítulo 2

  1. 1. - Capítulo 2 - O BATIZADO DA BORBOLETA Naqueles velhos tempos, a religião católica quepretendia ser a única, era levada muito a sério. Ou se eracatólico ou crente e, estes, nunca eram bem aceitosentre os membros da santa madre igreja. A segregação ediscriminação era explícita e tinha a aprovação geral detodos. Havia até uns mais radicais que apelidavam osnão seguidores do Vaticano de “bodes”. E é claro que nahora das compras básicas o bom católico não ia buscaro pão da tarde na padaria do irmão Joab ou comprarrendas e bicos na lojinha da irmã Midiã. E foi nesse ambiente de Irlanda do Norte semarsenal bélico que, novinha ainda, a pequenina miniAline foi levada à Pia Batismal, por seus zelosos pais,guardiães da fé cristã. Na época do batizado, a família havia mudadode residência e estava habitando uma ampla casa, estilosolar, na Rua 13 de Maio. Quebrando uma tradição da época, os pais deAline não tiraram o nome da criança da folhinha denomes de santos. Seu nome tem a seguinte origem.Maria, por que a menina havia nascido laçada e, casonão lhe fosse dado aquele nome, ela poderia vir a morrerqueimada. Quanto à Aline, originou-se de um desejo damamãe, quando estava grávida da pequena. Dapazsentiu desejos de comer goiabas e juntamente com J. L.dirigiu-se à casa de seu Né Coelho e dona Toinha, onde
  2. 2. frutificavam as melhores goiabas da região. Narealidade, não era época da fruta e todos, olhandoansiosos para os galhos mais altos da goiabeira,começaram a procurar uma frutinha por pequena quefosse. De repente, papai João Luiz exclamou eufórico eentusiasmado: - “Ali, Né”, tem uma goiaba madura! Foi daquela exclamação que a mamãe Dapaz,além de obter a fruto do seu desejo de gestante,conseguiu uma boa inspiração para colocar o segundonome do futuro rebento: Aline. Este fato desconhecidode muitos, foi fruto de longa pesquisa da estudiosa degenealogia e heráldica, Leda Maria. Os padrinhos da garotinha, escolhidos entreamigos próximos, moravam no vizinho distrito deCaracituba, futura cidade de Primavera de SantoAntônio. Seu José Rocha e dona Nina, juntamente com ojovem Luiz Jacinto e outros convidados, vieram de “carrode linha”, gentilmente cedido por seu Frederico Dubeux.Padre Clodoaldo oficiou a liturgia, colocando os sais e ossantos óleos e vertendo a água benta sobre as lourasmadeixas da garotinha, que se esganava de tanto gritar,sem contar que, dona Nina sua madrinha, quase quedeixa a pequena se afogar na pia batismal, não fosse orápido auxílio de Cila Rodrigues que ajudou a segurá-la. Aneo batizanda tinha seis meses de idade e já pesavadoze quilos e meio. Todos os presentes elogiavam o timãobranco, decorado de renda francesa e lacinhos cor-de-rosa, obra-prima de dona Elvira Fontes, a mais famosamodista da cidade. Era dia de festa no solar de J. L. e Dapaz. Umgrande almoço, com aquele cardápio regional:buchada, cabidela, peru assado, fritada, bolo de milho,
  3. 3. pé-de-moleque, manuê, grude de goma, ponches delimão e laranja, os “pirulitos” de dona Toinha e as“chupetas de açúcar” de seu Heleno para a criançada. Na cozinha, aquele exército de comadres eafilhadas: dona Severina Cavalcanti, Maria Calixto,Santa, Zefinha e outras, ajudando a mexer o pirão,decorar os pratos, encher a buchada e carregar oscopinhos de bebidas fortes para os homens, e asgarrafinhas de gasosa e guaraná para as damas e ospimpolhos. Afinal, à época, o uso de bebidas fortes nãohavia se tornado moda ainda entre as damas e estas, sóingeriam bebidas leves, tipo ponches e refrigerantescomo Fratteli Vita e Gasosa. Maria Andrade e dona Quinquina cortavam osdoces de batata e as goiabadas em lata, verdadeirasdelícias da culinária de seu Laurindo Doceiro. Na sala o papai J. L. recepcionava os convidadosdo sexo masculino, oferecendo bebidas quentes; dosesde vinho Quinado Imperial e conhaque Palhinha eCastelo, além de cerveja Pielsen esfriada. Os canapéseram torresmo, bode assado, e sarapatél. Para osfumantes, caixas de cigarilhas, cigarros Petisco, Caruso,Bom Marché, Cara Preta e charutos Suerdick Bahia. Haviaaté uns maços de Gesira e Pour la Noblesse, importadosraros da época. Presentes o prefeito da cidade, Dr. PlínioAraújo e a esposa, seu José de Assunção e dona NelyGomes de Sá, seu Erasmo e dona Levina, seu AlcidesRodrigues e Saló, além de alguns amigos da prefeitura,comerciantes, senhores de engenhos e, naturalmente, osprimos e parentes do engenho e de Recife. Em meio à festança, enquanto os convivas sedeleitavam bebendo e dançando a polca, a porta seabriu e adentrou o recinto, bastante irritada, “Sinhá
  4. 4. Sinfronina”, uma antiga lavadeira da família, que tinhafama de ser catimbozeira e fazer uns despachos. - Dando uma festa e nem mim convidam, né? Intéeu que ajudei a engomar os lençó de linhe do enxová dacriança!, berrou a velha. Qui ingratidão. Cadê a minina?Cadê cumade Santa. To a pui de dá um bale nela. - Sente-se, Sinhá Fronina, convidou dona Elvira.Aceita um pedacinho de peru assado ou uma fatia debolo? - Inhora não, já cumi meu prato de pirão de ovo,respondeu ela, fumaçando de raiva. Só vim dá umaispiada e rezar a minima pru meu Padim Ciço e MãeDasdore portregê a bruguela. Adonde ela tá? - Venha comigo, Sinhá Fronina, convidou donaElvira. E as duas se dirigiram para o quarto onde estava oberço da neném. - Oxente, mai qui tanta caxa é essa dento dobeço? “São as lembrancinhas que ela recebeu, SinháFronina! - Mai num pode não, essa tuia de brebote vaiterminá sofocando a minina”, e a velha foi logo retirandoas caixas e os presentes e jogando tudo na cama aolado. Agora sim, nói pode vê ela. Meu Padim Ciço, cumaele gorda. Benza Deus!” A benzedeira concentrou-se e olhou a recém-nascida demoradamente. Então puxou um galhinho dearruda preso pelo turbante junto da orelha e começou aaspergir a garotinha, enquanto rezava sua prece. Depoispersignou-se e exclamou solenemente:
  5. 5. - Ela vai sê muito intiligente, vai estudá e se formá,vai sê muito populá, vai vencê na vida, vai viajar muitopor esse mundo de meu Deus, vai inté se casar, mai numvai passá de um metro e meio de artura. Mai aiguente ospovo vai impelidá-la de Baxinha e Nina Bolinha.” Tem maiainda, ela vai sê muito braba; quando ela apontar odedo fura bolo, der três piscadinha cum as pestana e umpiqueno supapo no peito, corram de perto, que vai sobrápra arguém. É o castigo pru tere se isquecido de mim. E a velha Fronina retirou-se como um pé-de-vento,deixando os convidados pasmos. Será que os augúrios da velha iriam se tornarrealidade? Os convidados entre assustados e pasmosnão paravam de cochichar entre si, mas o papai J. L.logo pediu que o sanfoneiro tocasse um baião e a festavoltou à animação inicial. Já quase uma hora da tarde, os homens iam seanimando com os repetidos tragos e com grandesbaforadas de charuto e cigarros. As senhoras,acomodadas na sala, conversavam discretamenteenquanto enxugavam o suor do colo e do pescoço comtoalhinhas de feltro. As crianças, já “adocicadas” detanto pirulito e chupeta de açúcar, corriam enquantoesbarravam nos mais velhos e promoviam a aquelabaguncinha organizada. Num recanto da sala, sentado numa poltrona, opadre Clodoaldo de batina preta com dezenas debotões que iam do colarinho até o abanhado, barretepreto na cabeça, enxugava o rosto com um lenço e seabanava com o breviário. De vez em quando dava umaolhada no relógio de algibeira. Salomé de seu Alcidesnotou aflição do reverendo e correu esbaforida para acozinha:
  6. 6. - Dapaz, minha santa, já está passando muito dahora do padre Clodoaldo comer. Ele tem gastrite eterminar passando mal se não forrar logo o estômago. Maria Andrade logo tomou a frente e começou apreparar um prato para o vigário. Colocou numabandeja e levou até a mesa da sala. O reverendo foiconvidado para sentar e recebeu o prato sorrindo, jáestava passando o lenço na testa e na iminência de teruma oria. Maria Andrade, apressada, gritou para donaZefinha: - Prepara uma sangria para o padre. E dona Zefinha, espantada, respondeu: - Mas dona Maria, o sangue todo foi colocado nacabidela. - Santa ignorância, Zefinha, sangria é um ponchede vinho com água e açúcar. Não bote gelo, o padretem problemas de garganta. Afinal, toda a comunidade religiosa tinha umhistórico completo da saúde do pároco. PadreClodoaldo começou a se servir e, quando, preparava ocopo para tomar o primeiro gole de sangria, passa ummenino correndo e bate no braço do reverendo. Atoalha de linho da mesa ficou lilás. Dapaz apareceu nasala e lamentou o estado se sua toalha de linhoengomada. O padre, pálido, quase perde o apetite,ficou sem ação. Mais uma vez Maria Andrade contornoua situação. - Não se preocupe, padre, aqui está outra sangria.Vou ficar por aqui pra domar estes meninos.
  7. 7. - Ô minha gente, esses filhos de vocês não temestilo não, é? Ficam todas de beleza aí na sala enquantoos meninos parecem que estão correndo no prado. O padre almoçou, fez uma rápida leitura nobreviário e começou a se despediu dos convidados e dosanfitriões. Ao sair ainda benzeu os que estavam por perto. Quase catorze horas, estava na hora de servir oalmoço. Mas como iria caber tanta gente à mesa? Foiquando apareceu dona Frederica Faneca, esposa doprefeito, e apresentou a solução. - Por que vocês não fazem um almoçoamericano? Os nativos entreolharam-se e ficaram sementender nada. De novo Maria Andrade em cena. - Que história é essa de almoço americano, donaFrederica? - Muito simples, colocam-se os pratos e talheres namesa, em seguida, vão trazendo os pratos das iguarias ecada um se serve e vai comer em algum lugar da casaque não seja na mesa. - Que idéia maravilhosa, dona Frederica,exclamou Dapaz. Os pratos, talheres, guardanapos e as iguarias doalmoço foram colocados na mesa da sala de jantarsobre a toalha de linho branco engomada e com umaenorme mancha de sangria. Os convidados famintoscomo estavam, nem perceberam. - O Clodomiro, cadê as grades de coca-cola?Perguntou dona Lita.
  8. 8. - É verdade, estão na mala do carro, Alguém meajude aqui, por favor! E os convidados que já se preparavam pra fazeros pratos, pararam e ficaram admirados com asgarrafinhas de coca. - Eu vou tomar uma coca em lugar da gasosa,fala dona Minervina, enquanto enchia o copo,espantada com a espuma. - Ave Maria, fica fervendo no copo e na boca.Queima e arde. - Dona Minervina, fala seu Clodomiro, é pra tomargelada. Quente ninguém, agüenta. Quando nada, boteuma pedra de gelo no copo. - E a coca-cola roubou a cena do almoço. Afinalela só tinha chegado ao Brasil há dois anos e, naprovíncia, pouca gente tinha experimentado o novorefrigerante. E assim foi servido o primeiro almoço no “estiloamericano” em Amaraji. - De repente, um grito estridente e um choro decriança. Dapaz e outras mães correram para o quarto e,espantadas, viram a mini “nina” muito vermelha, sedebatendo no berço, engasgada e quase sufocada comuma chupeta de açúcar. - Quem foi que fez uma barbaridade dessas?Perguntou a mamãe. Deve ser cria de alguma daquelasindolentes que estão na sala e não se levantam paranada.
  9. 9. Difícil descobrir, afinal tinha criança demais nafesta. Ela trocou o timão da menina e foi falar com J. L.sobre o ocorrido. - Tá bom de tanta festa e de dança, João Luiz,esses meninos já bagunçaram demais e a casa está umlixo, além do que a bebida já acabou. Tá na hora detodo mundo voltar pra suas casas. João Luiz pediu que o sanfoneiro parasse que afesta já ia acabar. Aos poucos os convidados iamagradecendo e se retirando. Lá pelas quatro da tarde não restava maisninguém, a não ser os familiares e as comadres quecomeçavam a fazer a faxina. Dapaz, bastante cansada,repetia: - Outra festa dessas aqui em casa, nunca mais.Teve gente que pareciam não ter se alimentado há ummês. Parece que vieram tirar a barriga da miséria mesmo.O filho de dona Regina estava lavando as mãos na jarra.Tem jeito? E a sobrinha de dona Davina, usou metade domeu vidro de Madeira do Oriente. Quem era aquele debigode que fumava e cuspia lá no canto da sala? JoãoLuiz convidou cada um... E os comentários foram se amenizando, enquantoa faxina estava quase concluída. O tempo passou e muitos esqueceram aquelacena insólita e curiosa da velha Fronina, histérica,saracoteando pela sala, mas algumas pessoas ainda seperguntavam: será que algo daquilo iria acontecer?
  10. 10. - Capítulo 1 - JINGLE BELLS, NASCEU A “MINI” NINHA... Era uma vez, numa cidadezinha da mata sul,torrão bendito, cercada de montanhas, poesia, matasverdejantes e rio a correr, um casal muito feliz que trouxeao mundo uma “mini” garotinha, fim de rama, caçulinha,cheia de graça e encantamento. A menininha veio ao mundo na residência de seusgenitores, situada à Rua Prefeito Rocha Pontual, juntinhodo cartório de seu Samuel Coelho. Seu papai era comerciante do ramo dapanificação e assessor do prefeito da província, e amamãe, de prendas domésticas. Como rezava a tradição da época, ela foi“pegada” por Mãe Dedé, a parteira mais famosa daregião e nasceu tão miudinha, tão bolotudinha, tãorechonchudinha, que cabia na palma da mão. Era, notodo, de aparência muito saudável, com madeixasgalegas e tez rosada. Parecia uma calunga de louça. Os felizardos pais, João Luiz e Maria da Paz, deramà nenenzinha, o nome de Maria Aline. Era o dia 27 deoutubro de mil novecentos e bauzes, exatamente doisanos após a chegada da coca-cola no Brasil. Como acontece em todo lugarejo do interior, anotícia espalhou-se com rapidez e, pelo fato do casal termuitos amigos, logo começou a aparecer pessoas paraver a mais nova moradora da casa.
  11. 11. As primeiras visitas recebidas foram: MariaAndrade, Quinquina e Dona Elvira; seu Alcides, Saló, Cila,já mocinha, e Concinha, bem novinha. Do vizinho distritode Caracituba: seu José Rocha e dona Nina, futurospadrinhos da recém-nascida. Do engenho Amora: seuJoão Vieira, dona Mariinha e as pequenas, Socorro,Josete e Anália. Da capital: os tios Clodomiro e Lita, e aprima Maria Alice ainda de braço. Cada visitante que aparecia (os homensevidentemente) eram agraciados pelo pai da garotinha,com um cálice de excelente cachimbada de mel deuruçu com cachaça de cabeça preparada na hora,charutos Suerdick Bahia ou cigarros Asa, dependendo dogosto de cada um. Um fato inusitado é que a menina era tãopequenina, tão curtinha, que todos os presentes ficaramcuriosos a respeito do futuro da garotinha. O que ela iriaser quando crescesse? E, em meio ao cochichado geraldas visitas, uma voz fanhosa e estridente gritou lá de trás:“Ela vai ser borboleta de pastoril!” A exclamação haviasido proferida por seu João Severo, o dono doenchimento, que estava entrando para ver a neném eescutara parte da conversa dos presentes. “Oxente, seuJoão Severo, ela vai ser é uma fleira, uma madresuperiora, isso sim, se Deus quiser,” afirmou a jovem e boaAurinha, futura moradora da Vila São Vicente, que haviachegado correndo para ver o novo rebento. Os presentes recebidos: lençóis e camisinhas depagão, mamadeiras, toucas e consolos coloridos,sapatinhos de crochet, chiquitos, maracás e uma figa deouro. Maria Andrade levou uma boneca de panograúda, confeccionada por Amara da Boneca e umvidro de alfazema da loja de seu Alcides. Levou tambémum capão gordo, para a canja do resguardo da mamãe.
  12. 12. Aline e a maninha Ana Maria, primogênita docasal, encheram de alegria a vida dos pais e de todos osvizinhos de rua. Maria Andrade, amiga e guardiã da família,ajudava a mamãe Dapaz na criação da “mini” Ninha eDona Maria Calixto, foi a sua ama-de-leite. Quando a gordinha começou a ficar maispesada, mamãe Dapaz contratou a ama Ivanise paracuidar das duas manas. Como ela teria de dormir nosolar, Dapaz encomendou uma cama-de-lona a seuAmaro Feitosa e, na feira, comprou um baú amareloornado de gregas, daqueles fabricados lá para asbandas do agreste, para as fardas da ama. A menininha crescia (perdão), se tornava a cadadia, mais saudável e rechonchuda, cabeleira farta commadeixas louras e as bochechas rosadas. A essa altura ela já se alimentava do leite gordo enutritivo da vacaria de seu Samuel, que, todas as manhãsera distribuído por meio de uma carrocinha, puxada porum robusto carneiro. A cidadezinha era muito pequena e quase nadade novo acontecia. As notícias eram trazidas poralgumas pessoas, geralmente comerciantes eautoridades municipais, que viajavam semanalmentepara a capital e, no retorno, compravam algum jornal ourevista que era repassado para amigos. Havia poucosrádios na cidade, mas duas pessoas possuíam aparelhosde rádio possantes da marca RCA Victor, seu João Luiz eseu Victor Alves. Muitas noites, o casal João Luiz e MariaDapaz convidava a jovem Elza Dorotéia e algumasamigas para ouvirem a programação do rádio que eracomposta de serestas e transmissão de apresentações deprogramas de calouros ou de outros artistas que vinham
  13. 13. do sul do país, sem esquecer naturalmente o RepórterEsso, responsável pelo noticiário do que estavaocorrendo no Brasil e no mundo. Nestes saraus radiofônicos, escutavam-se novelas,programas de auditório e músicas de sucesso da época.Um dos programas inesquecíveis foi quando seapresentou “Dilu Melo”, famosa artista de São Paulo, queveio daquele estado apresentar-se na PRA-8, RádioClube de Pernambuco. E deleitou a todos os ouvintes,cantando: “Fiz a cama na varanda, Esqueci o cobertor Deu o vento na roseira Me cobriu todo de flor.” Nas noites de verão, cadeiras eram colocadas nascalçadas, onde amigos e vizinhos se reuniam para atradicional prosa. Naquelas ocasiões, os homens falavamsobre a administração do prefeito, as notícias nacionais einternacionais escutadas no Repórter Esso e, as senhoras,discutiam as atividades da paróquia, os sermões dopadre Teodoro, as últimas peças bordadas ou algumareceita culinária nova recortada do Diário dePernambuco. Nossa história se passa no final da primeirametade do século passado. Não é um tempo tãodistante, mas a realidade das pequenas cidades dointerior era bem diversa. Na zona urbana uma populaçãopequena, poucas casas e um comércio diminuto. Na zona rural, grande engenhos com seuscasarões e muitos moradores. Estas propriedadesassemelhavam-se a pequenos feudos da idade média. Osenhor de engenho era o patrão, o conselheiro, o juiz que
  14. 14. decidia sobre todas as questões e acontecimentos dapropriedade. Tempos amenos, bucólicos e românticos Ainexistente poluição ambiental e mental fazia com que omeio se conservasse puro e paradisíaco; puras e arejadaseram também as mentes e o pensar da época.

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