A Dama ou o tigre

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A Dama ou o tigre

  1. 1. A DAMA OU O TIGRE (Adaptado do conto original de Frank R. Stockton) Há muito tempo, numa terra distante, viveu um rei cujas ações, exuberantes e indomadas, revelavam a sua origem bárbara. Ele governava com uma autoridade irresistível, interferindo na vida dos súditos mesmo nos assuntos mais particulares. Dotado de uma imaginação vigorosa, o rei semibárbaro se gabava de ter criado um sistema de justiça que ele considerava incontestável. Quando um homem era acusado de cometer um crime digno da atenção real, o criminoso era conduzido a uma arena, onde ele próprio decidiria o seu destino. Nesta arena, o acusado deveria caminhar na direção de duas portas, escolher uma delas e abri-la. Atrás de uma porta esperava um tigre faminto, pronto para fazê-lo em pedaços. Na outra porta, aguardava uma bela dama, com quem o acusado se casaria imediatamente, com direito à festa, paga pelo rei. Esse sistema de justiça era aprovado pelo povo e pelos intelectuais do reino, afinal de contas, não tinha o acusado o direito de escolher o seu próprio destino?
  2. 2. O rei tinha uma filha e, como é comum em histórias desse gênero, a princesa era a moça mais bonita do reino. Acontece que o destino fez com que a princesa se apaixonasse por um vassalo, com quem mantinha uma ardente e secreta história de amor. Porém, as vozes da delação fizeram com que o rei ficasse sabendo do romance e o pobre vassalo foi condenado à arena. Esse era, evidentemente, o castigo ideal para tamanha ousadia. Para salvar o seu amante, a princesa usou da sua autoridade e de seu ouro, subornou os guardas e descobriu o segredo das portas. Mas, para surpresa da princesa, a dama com quem seu amado se casaria caso se salvasse era, justamente, aquela por quem ela sentia um ciúme avassalador. E mais, a princesa muitas vezes viu, ou imaginou ver, a tal dama trocar olhares suspeitos com o jovem vassalo.
  3. 3. O grande dia chegou. Quando o jovem vassalo entrou na arena, todos os olhares se voltaram para ele. Antes de caminhar para as portas, o infeliz virou- se para reverenciar o rei e receber, conforme tinham combinado anteriormente, um sinal da princesa indicando qual porta ele deveria escolher. Então, com um pequeno movimento de cabeça, a princesa indicou a porta da direita. O sinal foi percebido apenas pelo vassalo, que caminhou confiante na direção das duas portas. De repente, a princesa e todos os presentes viram o jovem parar diante da porta da direita. Ele olhou para o público, buscou mais uma vez o olhar da amada, mas desta vez não o encontrou, já que a princesa, visivelmente transtornada, cobria o rosto com as mãos. Então, sem hesitar mais nem um segundo, o jovem vassalo respirou fundo, esticou o braço e abriu a porta.
  4. 4. AGORA É COM VOCÊ LEITOR! O que tinha atrás da porta indicada pela princesa? O tigre faminto ou a bela dama? O amor da princesa falou mais alto e ela indicou a porta que salvou a vida do seu amante, mesmo sabendo que isso o jogaria nos braços de outra? Ou o sangue bárbaro que corria nas suas veias prevaleceu e, cegas de ciúmes, indicou a porta que o conduziu até tigre faminto, que despedaçou o pobre vassalo?

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