Sexta - Estudo adicional
Jesus e os excluídos sociais
O Desejado de Todas as Nações, p. 183-195: "Junto ao Poço de Jacó".
...
serás salvo". Rom. 10:6-9.
Pág. 187
Jesus não respondeu imediatamente à pergunta a Seu respeito, mas com solene seriedade ...
formas de culto. Não queriam reconhecer o templo de Jerusalém como a casa de Deus, nem admitir que a
religião dos judeus e...
em meditação. O semblante irradiava-Lhe, e temeram interromper Sua comunhão com o Céu. Sabiam, no
entanto, que estava desf...
a colheita! Os samaritanos vieram a ouvir Jesus, e nEle creram. Aglomerando-se ali em torno dEle,
assediaram-nO com pergun...
corações abertos para receber a verdade, Cristo está pronto a instruí-los. Revela-lhes o Pai, e o culto
aceitável Àquele q...
rapidamente. Não haviam, porém, de partir sós. Havia outros barquinhos de pesca ali por perto, na praia, os
quais se enche...
apenas quando, desesperando de si mesmos, se voltaram para Ele, que os pôde socorrer.
Quantas vezes se repete em nós a exp...
povo. Surpreendida e atemorizada, afluía toda a população ao encontro de Jesus. Os dois possessos
haviam sido o terror da ...
Embora o povo de Gergesa não houvesse recebido a Jesus, Ele não os abandonou às trevas que tinham
preferido. Quando lhes p...
Da despertar e burburinho da cidade, das turbas ansiosas e dos rabinos traidores, desviou-Se Jesus para o
sossego do oliva...
Em Seu ato de perdoar a essa mulher e animá-la a viver vida melhor, resplandece na beleza da perfeita
Justiça o caráter de...
confiança: "Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se
morar nas trevas,...
demais lastimável é a condição daquele que sofre ao peso do remorso; é como uma pessoa aturdida,
cambaleante, a afundar-se...
Acham-se entre as vítimas da intemperança indivíduos de todas as classes e profissões. Pessoas de
elevada posição, de notá...
As vítimas de maus hábitos devem ser despertadas para a necessidade de fazer esforços por si mesmos.
Outros podem desenvol...
Decepções e Perigos
Os que trabalham pelos caídos ficarão decepcionados com muitos que dão esperança de reforma. Muitos
nã...
podemos guardar de pecar por um momento sequer. A cada instante dependemos de Deus.
A verdadeira reforma começa com a puri...
Ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei;
Se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz.
Tornará a apiedar-Se de nós,
Sub...
alcançar o que basta para restituir-lha, então, a que for vendida ficará na mão do comprador até ao Ano do
Jubileu." Lev. ...
"Se tomares em penhor a veste do teu próximo, lho restituirás antes do pôr-do-sol, porque aquela é a sua
cobertura; ... em...
Estudo Adicional_Jesus e os excluídos sociais_712014
Estudo Adicional_Jesus e os excluídos sociais_712014
Estudo Adicional_Jesus e os excluídos sociais_712014
Estudo Adicional_Jesus e os excluídos sociais_712014
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Estudo Adicional_Jesus e os excluídos sociais_712014

452 visualizações

Publicada em

O Estudo adicional e para as pessoas terem acesso aos trechos dos livros pedido na parte de sexta, da lição da escola sabatina.

Publicada em: Espiritual
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
452
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
9
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Estudo Adicional_Jesus e os excluídos sociais_712014

  1. 1. Sexta - Estudo adicional Jesus e os excluídos sociais O Desejado de Todas as Nações, p. 183-195: "Junto ao Poço de Jacó". De caminho para a Galiléia, passou Jesus por Samaria. Era meio-dia quando chegou ao belo vale de Siquém. À entrada desse vale, achava-se o poço de Jacó. Fatigado da jornada, sentou-Se ali para descansar enquanto os discípulos iam à cidade comprar alimento. Judeus e samaritanos eram acérrimos inimigos, evitando tanto quanto possível todo trato uns com os outros. Negociar com os samaritanos, em caso de necessidade, era na verdade reputado lícito pelos rabis; qualquer contato social com eles, porém, era condenado. Um judeu não tomava emprestado nem recebia obséquios de um samaritano, nem mesmo um pedaço de pão ou um copo de água. Comprando comida, os discípulos estavam agindo em harmonia com o costume da nação. Além disso não iam, entretanto. Pedir um favor de um samaritano, ou buscar por qualquer maneira beneficiá-lo, não entrava nas cogitações nem mesmo dos discípulos de Cristo. Ao sentar-Se à beira do poço, Jesus desfalecia de fome e de sede. Longa fora a jornada desde a manhã, e agora dardejavam sobre Ele os raios do Sol de meio-dia. A sede era-Lhe acrescida ao pensamento da fresca e refrigerante água ali tão perto, e todavia inacessível, para Ele; pois não tinha corda nem cântaro, e fundo era o poço. Cabia-Lhe a sorte da humanidade, e esperou que viesse alguém para tirá-la. Aproximou-se uma mulher de Samaria e, como inconsciente da presença dEle, encheu de água o cântaro. Ao voltar-se para ir embora, Jesus lhe pediu de beber. Um favor como esse nenhum oriental recusaria. No Oriente, a água era chamada "o dom de Deus". Dar de beber a um sedento viajante era considerado tão sagrado dever, que os árabes do deserto se desviariam do caminho Pág. 184 a fim de o cumprir. O ódio existente entre judeus e samaritanos impedia a mulher de oferecer um obséquio a Jesus; o Salvador, porém, buscava a chave para esse coração, e com o tato nascido do divino amor, pediu, não ofereceu um favor. O oferecimento de uma gentileza poderia haver sido rejeitado; a confiança, no entanto, desperta confiança. O Rei do Céu chegou a essa desprezada alma, pedindo um serviço de suas mãos. Aquele que fizera o oceano, que rege as águas do grande abismo, e abre as fontes e rios da terra, repousou de Sua fadiga junto ao poço de Jacó, e esteve na dependência da bondade de uma estranha até quanto à dádiva de um pouco de água. A mulher viu que Jesus era judeu. Em sua surpresa, esqueceu-se de satisfazer-Lhe o pedido, mas procurou indagar a razão do mesmo. "Como é", disse ela, "que sendo Tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?" Jesus respondeu: "Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz - Dá-Me de beber, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva". João 4:9 e 10. Tu te admiras de que te pedisse mesmo um tão pequenino favor, como um pouco de água do poço aos nossos pés. Houvesse tu Me pedido a Mim, e Eu te haveria dado de beber da água da vida eterna. A mulher não compreendera as palavras de Cristo, mas sentiu-lhes a solene importância. Sua atitude leve, gracejadora, começou a mudar. Supondo que Jesus falasse do poço que lhes estava em frente, disse: "Senhor, Tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde pois tens a água viva? És Tu maior que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele?" João 4:11 e 12. Ela via diante de si apenas um sedento viajante, exausto e poento. Comparou-O, em seu espírito, com o honrado patriarca Jacó. Alimentava o sentimento, tão natural, de que nenhum outro poço poderia ser igual àquele que fora legado pelos pais. Olhava atrás, aos pais, e ao futuro, à vinda do Messias, ao passo que a Esperança desses antepassados, o próprio Messias, estava ao seu lado, e ela O não conhecia. Quantas almas sedentas se acham hoje junto à fonte viva, e olham todavia a distância, em busca das fontes da vida! "Não digas em teu coração: Quem subirá ao Céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo). Ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, tornar a trazer dentre os mortos a Cristo). ... A Palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração. ... Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus O ressuscitou dos mortos, ramos@advir.com
  2. 2. serás salvo". Rom. 10:6-9. Pág. 187 Jesus não respondeu imediatamente à pergunta a Seu respeito, mas com solene seriedade disse: "Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna". João 4:13 e 14. Aquele que busca matar a sede nas fontes deste mundo, beberá apenas para tornar a ter sede. Por toda parte estão os homens descontentes. Anseiam qualquer coisa que lhes supra a necessidade da alma. Unicamente Um lhes pode satisfazer essa necessidade. O que o mundo necessita é "o Desejado de todas as nações", é Cristo. A divina graça que só Ele pode comunicar, é uma água viva, purificadora, refrigerante e revigoradora da alma. Jesus não queria dar a ideia de que um único gole da água da vida bastasse ao que a recebe. O que experimenta o amor de Cristo, anelará continuamente mais; mas não busca nenhuma outra coisa. As riquezas, honras e prazeres do mundo, não o atraem. O contínuo grito de sua alma, é: "Mais de Ti". E Aquele que revela à alma suas necessidades, está à espera, para lhe saciar a fome e a sede. Falharão todo recurso e dependência humanos. As cisternas esvaziar-se-ão, os poços se hão de secar; nosso Redentor, porém, é uma fonte inesgotável. Podemos beber, e beber mais, e sempre encontraremos novo abastecimento. Aquele em quem Cristo habita, tem em si mesmo a fonte da bênção - "uma fonte de água que salte para a vida eterna". João 4:14. Dessa fonte poderá tirar forças e graça suficientes para todas as suas necessidades. Ao falar Jesus da água viva, a mulher O olhou com atenta curiosidade. Ele lhe despertara o interesse, e incitara o desejo de receber o dom de que falava. Percebia não ser à água do poço de Jacó que Se referia; pois dessa usava ela continuamente, bebendo, e tendo novamente sede. "Senhor", disse ela, "dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la". João 4:15. Jesus mudou então abruptamente a conversa. Antes que essa alma pudesse receber o dom que Ele ansiava conceder-lhe, seria preciso que fosse levada a reconhecer seu pecado e seu Salvador. Disse-lhe Ele: "Vai, chama o teu marido, e vem cá". Ela respondeu: "Não tenho marido". Assim esperava evitar qualquer interrogação nesse sentido. Mas o Salvador continuou: "Disseste bem: Não tenho marido; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade". João 4:16-18. A ouvinte tremeu. Misteriosa mão estava voltando as páginas de sua vida, apresentando aquilo que esperava manter Pág. 188 sempre oculto. Quem era Esse que podia ler-lhe os segredos da vida? Acudiram-lhe pensamentos da eternidade, do juízo futuro, quando tudo que é agora oculto será revelado. A esse clarão, despertou a consciência. Não podia negar nada; mas buscou escapar a qualquer menção de um assunto tão indesejado. Com profunda reverência, disse: "Senhor, vejo que és profeta." João 4:19. Então, esperando abafar a convicção, voltou-se para pontos de controvérsia religiosa. Se Este fosse profeta, certamente lhe poderia dar instruções a respeito desses assuntos tão longamente discutidos. Pacientemente Jesus permitiu que ela dirigisse a conversa à sua vontade. Espreitava, entretanto, o ensejo de fazer penetrar-lhe a verdade no coração. "Nossos pais adoraram neste monte", disse ela, "e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar." João 4:20. Achava-se mesmo à vista o monte Gerizim. Seu templo estava demolido, e só o altar restava. O lugar de culto havia sido motivo de rivalidade entre judeus e samaritanos. Alguns dos ancestrais dos últimos pertenceram outrora a Israel; devido a seus pecados, porém, o Senhor permitira que fossem subjugados por uma nação idólatra. Durante muitas gerações haviam estado misturados com adoradores de ídolos, cuja religião lhes contaminara gradualmente a sua. Verdade é que afirmavam que seus ídolos se destinavam apenas a lembrar-lhes o Deus vivo, o Soberano do Universo; não obstante, o povo era levado a reverenciar as imagens de escultura. Quando o templo de Jerusalém fora reconstruído, nos dias de Esdras, os samaritanos desejaram unir-se aos judeus nessa ereção. Este privilégio lhes foi negado, e amarga animosidade suscitou-se entre os dois povos. Os samaritanos construíram um templo rival no monte Gerizim. Ali adoravam segundo o ritual mosaico, conquanto não renunciassem inteiramente à idolatria. Mas sobrevieram-lhes desastres, seu templo foi destruído pelos inimigos, e pareciam achar-se sob maldição; apegavam-se, todavia, a suas tradições e ramos@advir.com
  3. 3. formas de culto. Não queriam reconhecer o templo de Jerusalém como a casa de Deus, nem admitir que a religião dos judeus era superior à sua. Respondendo à mulher, Jesus disse: "Crê-Me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos, porque a salvação vem dos judeus." João 4:21 e 22. Jesus mostrara ser isento do preconceito judaico contra os samaritanos. Agora procurava derribar Pág. 189 o mesmo preconceito da parte desta samaritana contra os judeus. Ao mesmo tempo que aludia à corrupção da fé dos samaritanos pela idolatria, declarou que as grandes verdades da redenção haviam sido confiadas aos judeus, e que dentre eles devia aparecer o Messias. Nos Sagrados Escritos tinham clara apresentação do caráter de Deus e dos princípios de Seu governo. Jesus Se colocou juntamente com os judeus, como sendo aqueles a quem o Senhor outorgara conhecimento a Seu respeito. Era Seu desejo erguer os pensamentos de Sua ouvinte acima de questões de formas, cerimônias e controvérsias. "A hora vem", disse, "e agora é em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim O adorem. Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade." João 4:23 e 24. Aí se declara a mesma verdade que Jesus expusera a Nicodemos, quando disse: "Aquele que não nascer de novo [de cima, diz outra versão], não pode ver o reino de Deus." João 3:3. Não por procurar um monte santo ou um templo sagrado, são os homens postos em comunhão com o Céu. Religião não é limitar-se a formas e cerimônias exteriores. A religião que vem de Deus é a única que leva a Ele. Para O servirmos devidamente, é mister nascermos do divino Espírito. Isso purificará o coração e renovará a mente, dandonos nova capacidade para conhecer e amar a Deus. Comunicar-nos-á voluntária obediência a todos os Seus reclamos. Esse é o verdadeiro culto. É o fruto da operação do Espírito Santo. É pelo Espírito que toda prece sincera é ditada, e tal prece é aceitável a Deus. Onde quer que a alma se dilate em busca de Deus, aí é manifesta a obra do Espírito, e Deus Se revelará a essa alma. A tais adoradores ele busca. Espera recebêlos, e torná-los Seus filhos e filhas. Enquanto a mulher falava com Jesus, foi impressionada por Suas palavras. Nunca ouvira esses sentimentos expressos por parte dos sacerdotes de seu povo ou dos judeus. Ao ser-lhe exposta sua vida passada, tornara-se cônscia de sua grande necessidade. Percebera a sede de sua alma que as águas do poço de Sicar jamais poderiam saciar. Coisa alguma de tudo com que estivera em contato até então, a despertara para mais elevada necessidade. Jesus a convencera de que lia os segredos de sua vida; sentiu, entretanto, que Ele era seu amigo, compadecendo-Se dela e amando-a. Se bem que a própria pureza que dEle emanava lhe condenasse o pecado, não proferia palavra alguma de acusação, mas falara de Sua graça, que lhe podia renovar a alma. Nela se começou Pág. 190 a formar a convicção acerca de Seu caráter. Surgiu-lhe no espírito a indagação: "Não poderia Este ser o tão longamente esperado Messias?" Disse-Lhe: "Eu sei que o Messias (que Se chama o Cristo) vem; quando Ele vier, nos anunciará tudo". Jesus respondeu: "Eu o sou, Eu que falo contigo". João 4:25 e 26. Ao ouvir a mulher estas palavras, a fé brotou-lhe no coração. Aceitou a maravilhosa comunicação dos lábios do divino Mestre. Essa mulher encontrava-se em disposição de espírito capaz de apreciar. Estava pronta para receber a mais excelente revelação, pois interessava-se nas Escrituras, e o Espírito Santo lhe estivera preparando a mente para a recepção de maior luz. Estudara a promessa do Antigo Testamento: "O Senhor teu Deus te despertará um profeta do meio de ti, e de teus irmãos, como eu; a Ele ouvireis". Deut. 18:15. Anelava compreender esta profecia. A luz já lhe estava brilhando no espírito. A água da vida, a vida espiritual que Cristo dá a toda alma sedenta, começara a brotar-lhe no coração. O Espírito do Senhor trabalhava nela. A positiva declaração de Cristo a essa mulher, não podia ter sido feita aos fariseus, cheios de justiça própria. Era muito mais reservado quando falava com eles. Aquilo que fora retido aos judeus, e que os discípulos haviam recebido recomendação de guardar em segredo, foi a ela revelado. Jesus viu que ela empregaria seu conhecimento em levar outros a partilhar de Sua graça. Ao voltarem os discípulos de seu mandado, ficaram surpreendidos de encontrar o Mestre falando com a mulher. Não tomara o refrigerante gole que desejara, nem Se deteve para comer o alimento trazido pelos discípulos. Havendo-se retirado a mulher, insistiram em que comesse. Viram-nO silencioso, absorto, como ramos@advir.com
  4. 4. em meditação. O semblante irradiava-Lhe, e temeram interromper Sua comunhão com o Céu. Sabiam, no entanto, que estava desfalecido e fatigado, e julgaram seu dever lembrar-Lhe Sua necessidade física. Jesus lhes reconheceu o amorável interesse, e disse: "Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis". João 4:32. Os discípulos cogitaram quem Lhe poderia ter trazido alimento; Ele porém, explicou: "A Minha comida é fazer a vontade dAquele que Me enviou, e realizar a Sua obra". João 4:34. Como Suas palavras à mulher lhe houvessem despertado a consciência, Jesus regozijou-Se. Viu-a bebendo a água da vida, e Sua própria fome e sede Pág. 191 foram mitigadas. O cumprimento da missão para cujo desempenho deixara o Céu, fortalecia o Salvador para Seus labores, sobrepondo-O às necessidades humanas. Ministrar a uma alma faminta e sedenta da verdade era-Lhe mais grato que comer ou beber. Constituía um conforto, um refrigério para Ele. A beneficência era a vida de Sua alma. Nosso Redentor tem sede de reconhecimento. Tem fome da simpatia e do amor daqueles que comprou com Seu próprio sangue. Anela com inexprimível desejo que venham a Ele e tenham vida. Como a mãe espreita o sorriso de reconhecimento de seu filhinho, o qual lhe revela o alvorecer da inteligência, assim está Cristo atento à expressão de grato amor que revela haver começado a vida espiritual na alma. A mulher enchera-se de alegria ao escutar as palavras de Cristo. A maravilhosa revelação fora quase demasiado forte para ela. Deixando o cântaro, voltou à cidade, para levar a outros a mensagem. Jesus sabia porque ela se fora. O cântaro esquecido revelava eloqüentemente o efeito de Suas palavras. O veemente desejo de sua alma era obter a água da vida; e olvidou seu objetivo em ir ao poço, esquecendo a sede do Salvador, que se propusera satisfazer. Coração transbordante de alegria, apressou-se em ir comunicar a outros a preciosa luz que recebera. "Vinde e vede um Homem que me disse tudo quanto tenho feito", disse ela aos homens da cidade. "Porventura, não é este o Cristo?" João 4:29. Suas palavras tocaram o coração deles. Havia em sua fisionomia expressão nova, uma transformação em todo o seu aspecto. Despertou-se-lhes o interesse em ver a Jesus. "Saíram pois da cidade, e foram ter com Ele." João 4:29 e 30. Jesus, ainda sentado à borda do poço, pôs-Se a olhar para os campos de trigo que se estendiam diante dEle, seu delicado verdor banhado pelos dourados raios do Sol. Chamando a atenção dos discípulos para a cena, serviu-Se dela como de um símbolo: "Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que Eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa." E olhava, enquanto assim dizia, aos grupos que se vinham dirigindo ao poço. Faltavam quatro meses para a ceifa do cereal; havia, entretanto, uma colheita pronta para o ceifeiro. "O que ceifa", disse, "recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, Pág. 192 ambos se regozijem. Porque nisto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa." João 4:35-37. Aí indica Jesus o sagrado serviço que devem a Deus os que recebem o evangelho. Cumpre-lhes ser instrumentos vivos em Suas mãos. Ele lhes exige o serviço individual. E quer semeemos ou ceifemos, trabalhamos para Deus. Um espalha a semente; outro ajunta na ceifa; e tanto o semeador como o ceifeiro recebem galardão. Regozijam-se ambos na recompensa do seu labor. Jesus disse aos discípulos: "Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho." João 4:38. O Salvador antecipa aqui a grande colheita do dia de Pentecoste. Os discípulos não deviam considerá-la como resultado dos próprios esforços. Entravam no trabalho de outros homens. Desde a queda de Adão, Cristo estivera sempre a confiar a semente da Palavra a Seus escolhidos servos, para ser semeada nos corações humanos. E uma invisível influência, sim, uma força onipotente, operava silenciosa, mas eficazmente para produzir a colheita. O orvalho, a chuva e o Sol da graça de Deus haviam sido dados para refrescar e nutrir a semente da verdade. Cristo estava prestes a regar a semente com Seu próprio sangue. Seus discípulos tinham o privilégio de ser coobreiros dEle e dos santos homens da antiguidade. Pelo derramamento do Espírito Santo, no Pentecoste, milhares se haviam de converter em um dia. Isso era o resultado da semente lançada por Cristo, a colheita de Seu labor. Nas palavras dirigidas à mulher à borda do poço, fora lançada boa semente, e quão rapidamente se obteve ramos@advir.com
  5. 5. a colheita! Os samaritanos vieram a ouvir Jesus, e nEle creram. Aglomerando-se ali em torno dEle, assediaram-nO com perguntas, recebendo ansiosamente Suas explicações de muitas coisas que para eles haviam sido obscuras. Escutando-O, suas perplexidades se começaram a desvanecer. Eram como um povo em meio de grande treva, seguindo um súbito raio de luz, até chegarem à claridade do dia. Mas não se satisfizeram com essa breve entrevista. Ansiavam ouvir mais, e dar a seus amigos também oportunidade de ouvir esse maravilhoso Mestre. Convidaram-nO a ir a sua cidade, pedindo-Lhe que ficasse com eles. Durante dois dias deteve-Se em Samaria, e muitos mais creram nEle. Os fariseus desprezavam a simplicidade de Jesus. Passavam-Lhe por alto os milagres, e pediam-Lhe um sinal de que era o Filho de Deus. Os samaritanos, porém, não pediram sinal, e Jesus não operou nenhum milagre entre eles, a não ser a revelação dos segredos da vida da mulher, junto ao poço. Entretanto, muitos Pág. 193 O receberam. Em sua nova alegria, disseram à mulher: "Já não é pelo teu dito que nós cremos, porque nós mesmos O temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo." João 4:42. Os samaritanos criam que o Messias havia de vir como o Redentor não só dos judeus, mas do mundo. O Espírito Santo dEle predissera, por meio de Moisés, como um profeta enviado por Deus. Por intermédio de Jacó fora declarado que a Ele se congregariam os povos; e de Abraão, que nEle seriam benditas todas as nações da Terra. Nessas escrituras baseavam os samaritanos sua fé no Messias. O fato de haverem os judeus interpretado mal os últimos profetas, atribuindo ao primeiro advento a glória da segunda vinda de Cristo, levara os samaritanos a desprezar todos os sagrados escritos, com exceção dos que foram dados por meio de Moisés. Ao demolir, porém, o Salvador, essas falsas interpretações, muitos aceitaram as últimas profecias e as palavras do próprio Cristo com relação ao reino de Deus. Jesus começara a derribar a parede de separação entre os judeus e os gentios, e a pregar salvação a todo o mundo. Conquanto judeu, misturava-Se sem restrições com os samaritanos, anulando os costumes farisaicos de Sua nação. Apesar de seus preconceitos, aceitou a hospitalidade desse povo desprezado. Dormiu sob seu teto, comeu com eles à mesa - partilhando do alimento preparado e servido por suas mãos ensinou em suas ruas, e tratou-os com a máxima bondade e cortesia. No templo de Jerusalém havia apenas uma baixa parede divisória entre o pátio exterior e as outras dependências do sagrado edifício. Viam-se nessa parede inscrições em diferentes línguas, declarando que ninguém, a não ser os judeus, podia ultrapassar esses limites. Houvesse um gentio ousado penetrar no interior, teria profanado o templo, e o pagaria com a vida. Mas Jesus, o originador do templo e de seu serviço, atraía a Si os gentios pelo laço da simpatia humana, ao passo que Sua divina graça lhes trazia a salvação que os judeus rejeitavam. A permanência de Jesus em Samaria destinava-se a ser uma bênção para os discípulos, ainda sob a influência do fanatismo judaico. Julgavam que, para serem leais a sua nação, era preciso que nutrissem inimizade contra os samaritanos. Admiravam-se da conduta de Jesus. Não se podiam recusar a seguir-Lhe o exemplo, e durante os dois dias passados em Samaria, a fidelidade para com Ele lhes manteve em sujeição os preconceitos; todavia, no coração, continuavam irreconciliados. Foram tardios em Pág. 194 aprender que seu desprezo e ódio devia dar lugar à piedade e à simpatia. Após a ascensão do Senhor, porém, Suas lições foram recordadas por eles, assumindo novo significado. Depois do derramamento do Espírito Santo, relembraram o olhar do Salvador, Suas palavras, o respeito e a ternura de Seu trato para com esses desprezados estrangeiros. Quando Pedro foi pregar em Samaria, pôs em seu trabalho o mesmo espírito. Quando João foi chamado a Éfeso e a Esmirna, lembrou-se do incidente de Siquém, e encheu-se de gratidão para com o divino Mestre, que prevendo as dificuldades que haviam de enfrentar, lhes proporcionara auxílio com Seu próprio exemplo. O Salvador continua ainda a fazer a mesma obra que realizou quando ofereceu água da vida à mulher de Samaria. Os que se chamam Seus seguidores, podem desprezar e evitar os párias da sociedade; circunstância alguma de nascimento ou nacionalidade, porém, nenhuma condição de vida, pode desviar Seu amor dos filhos dos homens. A toda alma, embora pecadora, Jesus diz: Se Me pedisses, Eu te daria água viva. O convite evangélico não deve ser amesquinhado, e apresentado apenas a uns poucos escolhidos, que, supomos, nos farão honra caso o aceitem. A mensagem deve ser dada a todos. Onde quer que haja ramos@advir.com
  6. 6. corações abertos para receber a verdade, Cristo está pronto a instruí-los. Revela-lhes o Pai, e o culto aceitável Àquele que lê os corações. Para esses não emprega nenhuma parábola. Como à mulher junto ao poço, Ele lhe diz: "Eu sou, Eu que falo contigo." João 4:26. Quando Jesus Se sentou para descansar à beira do poço de Jacó, havia chegado da Judéia, onde Seu ministério pouco fruto produzira. Fora rejeitado pelos sacerdotes e rabis, e os próprios que professavam ser Seus discípulos, deixaram de perceber-Lhe o divino caráter. Achava-Se desfalecido e fatigado; não negligenciou, no entanto, a oportunidade de falar a uma única mulher, conquanto fosse uma estranha, inimiga de Israel, e vivendo abertamente em pecado. O Salvador não esperava que se reunissem congregações. Começava muitas vezes Suas lições tendo apenas poucas pessoas em volta de Si; mas, um a um, os transeuntes paravam para escutar, até que uma multidão, maravilhada, e respeitosa ficava a ouvir as palavras de Deus através do Mestre, enviado do Céu. O obreiro de Cristo não deve julgar que não pode falar a poucos ouvintes com o mesmo fervor com que o faz a um maior auditório. Poderá haver uma única pessoa a escutar a mensagem; quem poderá, entretanto, dizer até onde se estenderá sua influência? Pág. 195 Pouca importância, mesmo para os discípulos, parecia ter essa mulher de Samaria, para o Salvador gastar com ela Seu tempo. Ele, porém, raciocinou mais fervorosa e eloqüentemente com ela, do que com reis, conselheiros ou sumos sacerdotes. As lições por Ele dadas àquela mulher têm sido repetidas até aos mais afastados recantos do mundo. Assim que encontrou o Salvador, a samaritana levou outros a Ele. Demonstrou-se mais eficiente missionária, que os próprios discípulos. Estes nada viram em Samaria indicativo de um campo promissor. Tinham os olhos fixos numa grande obra a ser feita futuramente. Não viram que exatamente em torno deles havia uma colheita a fazer. Por meio da mulher que haviam desprezado, porém, toda uma cidade foi levada a ouvir o Salvador. Ela transmitiu imediatamente a luz a seus concidadãos. Essa mulher representa a operação de uma fé prática em Cristo. Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário. Aquele que bebe da água viva, faz-se fonte de vida. O depositário torna-se doador. A graça de Cristo na alma é uma vertente no deserto, fluindo para refrigério de todos, e tornando os que estão prestes a perecer, ansiosos de beber da água da vida. O Desejado de Todas as Nações, p. 333-341 "Cala-te, Aquieta-te". Fora um dia farto de acontecimentos na vida de Jesus. Junto ao Mar da Galiléia, propusera Suas primeiras parábolas, por meio de ilustrações familiares, expondo novamente ao povo a natureza de Seu reino, e a maneira por que devia ser estabelecido. Comparara Ele Sua obra à do semeador; o desenvolvimento de Seu reino à semente da mostarda e ao efeito do fermento na medida de farinha. A grande separação final dos justos e os ímpios, descrevera-a nas parábolas do trigo e do joio e da rede de pescar. A inexcedível preciosidade das verdades que ensinava, tinha sido ilustrada pelo tesouro escondido e a pérola de grande preço, ao passo que, na parábola do pai de família, ensinara aos discípulos a maneira de trabalhar como representantes Seus. Todo o dia estivera Ele ensinando e curando; e, ao baixar a tarde, ainda as multidões se achavam aglomeradas ao Seu redor. Ajudara dia a dia a essas massas, mal Se detendo para tomar alimento ou ter algum repouso. A crítica perversa e as calúnias com que os fariseus constantemente O perseguiam, tornavaLhe o trabalho muito mais árduo e fatigante; e agora, o fim do dia O encontrava tão extenuado, que decidiu buscar refúgio em algum lugar solitário, do outro lado do lago. A costa oriental de Genezaré não era desabitada, pois havia aldeias aqui e ali à margem do lago; era, no entanto, uma desolada Pág. 334 região, em confronto com a parte ocidental. A população aí era mais de pagãos que de judeus, e tinha pouca comunicação com a Galiléia. Oferecia assim o retiro que Ele buscava, e convidando os discípulos, para lá Se dirigiu. Tendo despedido a multidão, tomaram-nO eles no barco mesmo "assim como estava", e afastaram-se ramos@advir.com
  7. 7. rapidamente. Não haviam, porém, de partir sós. Havia outros barquinhos de pesca ali por perto, na praia, os quais se encheram em breve de gente que seguiu a Jesus, ansiosa de vê-Lo e ouvi-Lo ainda. O Salvador desafogou-Se enfim do aperto da multidão e, vencido pela fadiga e a fome, deitou-se na popa do barco, adormecendo em seguida. A tarde fora calma e aprazível, e espelhava-se por todo o lago a tranqüilidade; de súbito, porém, sombrias nuvens cobriram o céu, o vento soprou rijo das gargantas das montanhas sobre a costa oriental, rebentando sobre o lago violenta tempestade. Pusera-se o Sol, e a escuridão da noite baixou por sobre o tormentoso mar. As ondas, furiosamente açoitadas pelos ululantes ventos, sacudiam com violência o barco dos discípulos, ameaçando submergi-lo. Aqueles intrépidos pescadores haviam passado a vida no lago, e guiado a salvo a embarcação em meio de muita tormenta; agora, porém, sua resistência e habilidade nada valiam. Achavam-se impotentes nas garras da tempestade, e sentiram desampará-los a esperança ao ver o barco a inundar-se. Absorvidos nos esforços de se salvar, haviam esquecido a presença de Jesus ali no barco. Enfim, vendo nulos os seus esforços, e nada menos que a morte diante de si, lembraram por ordem de quem haviam empreendido a travessia do lago. Jesus era sua única esperança. Em seu desamparo e desespero, exclamaram: "Mestre, Mestre!" Mas a densa treva O ocultava aos olhos deles. Suas vozes eram abafadas pelo rugido da tempestade, e nenhuma resposta se ouviu. A dúvida e o temor os assaltaram. Havê-los-ia Jesus abandonado? Seria Aquele que vencera a enfermidade e os demônios, e até mesmo a morte, impotente para ajudar os discípulos? Havê-los-ia acaso esquecido em sua aflição? E chamaram novamente, mas nenhuma resposta, a não ser o irado uivar do vento. Eis que o barco já vai a afundar. Um momento, e parece que serão tragados pelas revoltosas águas. De repente, o clarão de um relâmpago penetra as trevas, e vêem Jesus adormecido, imperturbado pelo tumulto. Surpreendidos, exclamaram em desespero: "Mestre, não se Te dá que pereçamos?" Mar. 4:38. Como pode Ele repousar assim tão serenamente, enquanto se encontram em perigo, lutando contra a morte? Pág. 335 Seus gritos despertam Jesus. Ao vê-Lo à luz do relâmpago, notam-Lhe no rosto uma celeste paz; lêem-Lhe no olhar o esquecimento de Si mesmo, um terno amor e, corações voltados para Ele, exclamam: "Senhor, salva-nos, que perecemos." Nunca soltou uma alma aquele brado em vão. Ao empunharem os discípulos os remos, tentando um derradeiro esforço, ergue-Se Jesus. Está em meio dos discípulos, enquanto a tempestade ruge, as ondas rebentam por sobre eles, e o relâmpago vem iluminar-Lhe o semblante. Ergue a mão, tantas vezes ocupada em atos de misericórdia, e diz ao irado mar: "Cala-te, aquieta-te." Mar. 4:39. Cessa a tormenta. As ondas entram em repouso. As nuvens dispersam-se, e brilham as estrelas. O barco descansa sobre o mar sereno. Volvendo-se então para os discípulos, Jesus pergunta, magoado: "Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?" Os discípulos emudeceram. Nem mesmo Pedro tentou exprimir o assombro que lhe enchia o coração. Os barcos que partiram seguindo a Jesus, achavam-se no mesmo perigo que o dos discípulos. Terror e desespero apoderem-se dos tripulantes; a ordem de Jesus, porém, trouxera sossego à cena de tumulto. A fúria da tempestade levara os barcos a mais próxima vizinhança, e todos os que havia a bordo testemunharam o milagre. Na paz que se seguiu, foi esquecido o temor. O povo segredava entre si: "Que Homem é este, que até os ventos e o mar Lhe obedecem?" Pág. 336 Quando Jesus foi despertado para enfrentar a tempestade, estava em perfeita paz. Nenhum indício de temor na fisionomia ou olhar, pois receio algum havia em Seu coração. Contudo, não era na posse da força onipotente que Ele descansava. Não era como o "Senhor da Terra, do mar e do Céu" que repousava em sossego. Esse poder, depusera-o Ele, e diz: "Eu não posso de Mim mesmo fazer coisa alguma." João 5:30. Confiava no poder de Seu Pai. Foi pela fé - no amor e cuidado de Deus - que Jesus repousou, e o poder que impôs silêncio à tempestade, foi o poder de Deus. Como Jesus descansou pela fé no cuidado do Pai, assim devemos repousar no de nosso Salvador. Houvessem os discípulos confiado nEle, e ter-se-iam conservado calmos. Seu temor, no tempo do perigo, revelava-lhes a incredulidade. Em seu esforço para se salvarem a si mesmos, esqueceram a Jesus; e foi ramos@advir.com
  8. 8. apenas quando, desesperando de si mesmos, se voltaram para Ele, que os pôde socorrer. Quantas vezes se repete em nós a experiência dos discípulos Quando as tempestades das tentações se levantam, e fuzilam os terríveis relâmpagos, e as ondas se avolumam por sobre nossa cabeça, sozinhos combatemos contra a tormenta, esquecendo-nos de que existe Alguém que nos pode valer. Confiamos em nossa própria força até que nos foge a esperança, e vemo-nos prestes a perecer. Lembramo-nos então de Jesus, e se O invocarmos para nos salvar, não o faremos em vão. Embora nos reprove magoado a incredulidade e a confiança em nós mesmos, nunca deixa de nos conceder o auxílio de que necessitamos. Seja em terra ou no mar, se, temos no coração o Salvador, nada há a temer. A fé viva no Redentor serena o mar da vida, e Ele nos guardará do perigo pela maneira que sabe ser a melhor. Outra lição espiritual há neste milagre de acalmar a tempestade. A vida de todo homem testifica da veracidade das palavras da Escritura: "Os ímpios são como o mar bravo, que se não pode aquietar. ... Os ímpios, diz o meu Deus, não têm paz." Isa. 57:20 e 21. O pecado destruiu-nos a paz. E enquanto o eu não é subjugado, não podemos encontrar repouso. As paixões dominantes do coração, poder algum humano pode sujeitar. Somos aí tão impotentes, quanto os discípulos para acalmar a esbravejante tempestade. Mas Aquele que mandou aquietarem-se as ondas da Galiléia, proferiu para cada alma a palavra de paz. Por mais furiosa que seja a tormenta, os que para Jesus se volverem com o grito: "Senhor, salva-nos", encontrarão livramento. Sua graça, que reconcilia a alma com Deus, acaba com a luta da paixão humana, e em Seu amor encontra paz o coração. "Faz cessar a tormenta, e acalmam-se as Pág. 337 ondas. Então se alegram com a bonança; e Ele assim os leva ao porto desejado." Sal. 107:29 e 30. "Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo." "E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça repouso e segurança, para sempre." Rom. 5:1; Isa. 32:17. De manhã cedo o Salvador e Seus companheiros chegaram à praia, e a luz do Sol nascente banhava a terra como bênção de paz. Mas assim que pisaram a terra, deparou-se-lhes uma cena ainda mais terrível que a fúria da tempestade. De um lugar oculto, entre os sepulcros, dois loucos avançaram sobre eles, como se os quisessem despedaçar. Pendiam-lhes pedaços de cadeias que haviam partido para fugir à prisão. Tinham a carne dilacerada e sangrando nos lugares em que se haviam ferido com pedras agudas. Brilhavam-lhes os olhos por entre os longos e emaranhados cabelos; como que se apagara neles a própria semelhança humana, pela presença dos demônios que os possuíam, parecendo mais feras que criaturas humanas. Os discípulos e seus companheiros fugiram aterrorizados; notaram, porém, depois, que Jesus não Se achava com eles, e voltaram em Sua procura. Encontrava-Se onde O tinham deixado. Aquele que acalmara a tempestade, que enfrentara anteriormente a Satanás, vencendo-o, não fugiu em presença desses demônios. Quando os homens, rangendo os dentes e espumando, dEle se aproximaram, Jesus ergueu a mão que acenara às ondas impondo silêncio, e os homens não se puderam aproximar mais. Quedaram furiosos, mas impotentes diante dEle. Ordenou com autoridade aos espíritos imundos que saíssem deles. Suas palavras penetraram no espírito entenebrecido dos desventurados. Percebiam, fracamente, estar ali Alguém capaz Pág. 338 de salvá-los dos demônios atormentadores. Caíram aos pés do Salvador para O adorar; mas, ao abrirem-selhes os lábios para suplicar-Lhe a misericórdia, os demônios falaram por eles, gritando fortemente: "Que tenho eu contigo Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-Te que não me atormentes." Jesus indagou: "Qual é o teu nome?" E a resposta foi: "Legião é o meu nome, porque somos muitos." Servindo-se dos atormentados homens como meio de comunicação, rogaram a Jesus que os não enviasse para longe daquela região. Sobre uma montanha, não muito distante, pastava grande manada de porcos. Os demônios pediram que se lhes permitisse entrar nos mesmos, e Jesus o consentiu. Da manada subitamente se apoderou o pânico. Precipitaram-se loucamente penhasco abaixo e, incapaz de se deterem ao chegar à praia, imergiram no mar, ali perecendo. Enquanto isso, maravilhosa mudança se operara nos possessos. Fizera-se-lhes luz no cérebro. Brilharamlhes os olhos de inteligência. A fisionomia, por tanto tempo mudada à semelhança de Satanás, tornara-se repentinamente branda, tranquilas as ensanguentadas mãos, e louvaram alegremente a Deus por sua libertação. Dos penhascos, os guardadores dos porcos tudo presenciaram, e correram a contá-lo aos patrões e a todo o ramos@advir.com
  9. 9. povo. Surpreendida e atemorizada, afluía toda a população ao encontro de Jesus. Os dois possessos haviam sido o terror da região. Ninguém se sentia seguro ao passar por onde estavam, pois avançavam em cima de todo viajante com fúria de demônios. Agora, esses homens achavam-se vestidos e em perfeito juízo, sentados junto de Jesus, ouvindo-Lhe as palavras e glorificando o nome dAquele que os curara. Mas o povo que testemunhou essa admirável cena não se regozijou. A perda dos porcos afigurava-se-lhes de maior importância que a libertação desses cativos de Satanás. Fora por misericórdia para com os donos desses animais, que Jesus permitira lhes sobreviesse o prejuízo. Achavam-se absorvidos em coisas terrestres, e não se importavam com os grandes interesses da vida espiritual. Cristo desejava quebrar o encanto da indiferença egoísta, a fim de Lhe poderem aceitar a graça. Pág. 339 Mas o desgosto e a indignação pela perda temporal cegou-os à misericórdia do Salvador. A manifestação do poder sobrenatural despertou as superstições do povo, despertando-lhes os temores. Novas calamidades seguir-se-iam, se conservassem entre si esse Estranho. Suspeitaram de ruína econômica, e decidiram livrar-se de Sua presença. Os que atravessaram o lago com Jesus contaram tudo quanto sucedera na noite anterior; seu perigo na tempestade, e de como o vento e o mar se haviam aquietado. Suas palavras, porém, não produziram efeito. Aterrorizado, o povo aglomerava-se em volta de Jesus, pedindo-Lhe que Se afastasse deles, e concordou, tomando imediatamente o barco para a outra margem. O povo de Gergesa tinha diante de si o vivo testemunho do poder e misericórdia de Cristo. Viam os homens a quem fora restituída a razão; mas atemorizavam-se tanto com o risco para seus interesses terrestres, que Aquele que vencera perante seus olhos o príncipe das trevas foi tratado como intruso, e o Dom do Céu despedido de suas portas. Não temos a oportunidade de nos desviar da pessoa de Cristo como aconteceu aos gergesenos; há, porém, ainda muitos que Lhe recusam obedecer a palavra, por isso que a obediência representaria o sacrifício de algum interesse mundano. Para que Sua presença não ocasione perda financeira, rejeitam-Lhe muitos a graça e afugentam de si o Seu Espírito. Muito diverso, todavia, foi o sentimento dos restabelecidos endemoninhados. Desejavam a companhia de seu Libertador. Em Sua presença, sentiam-se seguros contra os demônios que lhes haviam atormentado a existência e arruinado a varonilidade. Quando Jesus ia para tomar o barco, mantiveram-se bem perto dEle, ajoelharam-se-Lhe aos pés, e rogaram que os deixasse estar sempre ao Seu lado, para que sempre O pudessem ouvir. Mas Jesus lhes mandou que fossem para casa e contassem quão grandes coisas o Senhor fizera por eles. Ali estava para eles uma obra a realizar - ir para um lar pagão, e contar as bênçãos que haviam recebido de Jesus. Foi-lhes duro separar-se do Salvador. Grandes dificuldades os rodeariam, por certo, no convívio com seus patrícios pagãos. E seu longo isolamento da sociedade parecia torná-los inaptos para a obra que Ele lhes indicara. Mas assim que Jesus lhes apontou o dever, prontificaram-se a cumpri-lo. Não somente à sua casa e aos vizinhos falaram acerca de Jesus; mas foram através de Decápolis, declarando por toda parte Seu poder de salvar, e descrevendo como os libertara dos demônios. Assim fazendo, era maior a bênção Pág. 340 que recebiam do que se, para seu próprio benefício apenas houvessem permanecido em Sua presença. É em trabalhar para difundir as boas novas de salvação, que somos levados para perto do Salvador. Os dois curados possessos foram os primeiros missionários enviados por Cristo a pregar o evangelho na região de Decápolis. Só por poucos momentos tinham esses homens tido o privilégio de escutar os ensinos de Cristo. Nem um dos sermões de Seus lábios lhes caíra jamais ao ouvido. Não podiam ensinar o povo, como os discípulos, que se achavam diariamente com Cristo, estavam no caso de fazer. Apresentavam, porém, em si mesmos o testemunho de que Jesus era o Messias. Podiam dizer o que sabiam; o que eles próprios tinham visto e ouvido, e experimentado do poder de Cristo. É o que a todo aquele cujo coração foi tocado pela graça de Deus, é dado fazer. João, o discípulo amado, escreveu: "O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida...; o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos." I João 1:1-3. Como testemunhas de Cristo, cumpre-nos dizer o que sabemos, o que nós mesmos temos visto e ouvido e sentido. Se estivemos a seguir a Jesus passo a passo, havemos de ter qualquer coisa bem positiva a contar acerca da maneira por que nos tem conduzido. Podemos dizer como Lhe temos provado as promessas e as achado fiéis. Podemos dar testemunho do que temos conhecido da graça de Cristo. É esse o testemunho que nosso Senhor pede de nós, e por falta do qual está o mundo a perecer. ramos@advir.com
  10. 10. Embora o povo de Gergesa não houvesse recebido a Jesus, Ele não os abandonou às trevas que tinham preferido. Quando lhes pediram que Se afastasse deles, não Lhe tinham ouvido a palavra. Ignoravam o que estavam rejeitando. Portanto, Ele lhes tornou a enviar a luz, e por intermédio daqueles a quem não recusariam ouvir. Ocasionando a destruição dos porcos, era desígnio de Satanás desviar o povo do Salvador, e impedir a pregação do evangelho naquela região. Esse próprio acontecimento, no entanto, despertou todo o país como nenhuma outra coisa o poderia ter feito, atraindo a atenção para Cristo. Embora o próprio Salvador partisse, permaneceram os homens curados, como testemunhas de Seu poder. Os que haviam sido instrumentos do príncipe das trevas, tornaram-se condutos de luz, mensageiros do Filho de Deus. Os homens maravilhavam-se ao ouvir as assombrosas novas. Abriu-se naquela região uma porta ao evangelho. Quando Jesus Pág. 341 voltou a Decápolis, o povo aglomerou-se ao Seu redor, e durante três dias, não somente os habitantes de uma cidade, mas milhares de toda a região circunvizinha, escutaram a mensagem da salvação. O próprio poder dos demônios está sob o domínio de nosso Salvador, e a operação do mal é sujeitada para o bem. O encontro com os endemoninhados de Gergesa foi uma lição para os discípulos. Mostrou as profundezas de degradação a que Satanás está procurando arrastar toda a raça humana e a missão de Cristo, de libertar os homens de seu poder. Aqueles míseros seres, habitando entre os sepulcros, possuídos de demônios, escravizados a desenfreadas paixões e repugnantes concupiscências, representam o que se tornaria a humanidade se fosse abandonada à jurisdição de Satanás. A influência de Satanás é constantemente exercida sobre os homens para perturbar os sentidos, dominar a mente para o mal, incitar à violência e ao crime. Enfraquece o corpo, obscurece o intelecto e corrompe a alma. Sempre que os homens rejeitam o convite do Salvador, estão-se entregando a Satanás. Em todos os estados da vida - no lar, nos negócios e mesmo na igreja - há multidões fazendo assim hoje em dia. É por isso que a violência e o crime se têm alastrado na Terra, e a treva moral, como um sudário, envolve a habitação dos homens. Por meio de suas sedutoras tentações, o maligno conduz os homens a males cada vez piores, até que o resultado seja a depravação e a ruína. A única salvaguarda contra seu poder encontra-se na presença de Jesus. Em face dos homens e dos anjos, foi Satanás revelado como inimigo e destruidor da humanidade; Cristo, como seu amigo e libertador. Seu Espírito desenvolverá no homem tudo quanto enobreça o caráter e dignifique a natureza. Ele edificará o homem para a glória de Deus, tanto no corpo, como na alma e no espírito. "Pois Deus não vos deu o espírito de timidez, mas de força, de amor, e de prudência." II Tim. 1:7. Ele nos chamou para alcançarmos "a glória" - o caráter - "de nosso Senhor Jesus Cristo"; chamou-nos para ser "conformes à imagem de Seu Filho". II Tess. 2:14; Rom. 8:29. E almas que têm sido degradadas a instrumentos de Satanás, são ainda, mediante o poder de Cristo, transformadas em mensageiras da justiça, e enviadas pelo Filho de Deus a contar quão "grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti". O Desejado de Todas as Nações, p. 460-462. "Por Entre Laços". Novamente os sacerdotes e principais procuraram combinar planos para o aprisionamento de Jesus. Insistiam em que, fosse Ele por mais tempo deixado em liberdade, desviaria o povo dos chefes estabelecidos, e o único meio seguro era fazê-Lo emudecer quanto antes. No maior calor de sua discussão, foram repentinamente detidos. Nicodemos perguntou: "Porventura condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz?" Fez-se silêncio na assembléia. As palavras de Nicodemos penetraram-lhes na consciência. Não podiam condenar um homem que não fora ouvido. Não foi, entanto, só por esse motivo que os altivos príncipes permaneceram em silêncio, fixando aquele que ousara falar em favor da justiça. Ficaram surpreendidos e enfadados de que um dentre eles houvesse sido tão impressionado pelo caráter de Jesus, que emitisse uma palavra em Sua defesa. Recobrando-se de seu espanto, dirigiram-se a Nicodemos com picante sarcasmo: "És tu também da Galiléia? Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu." João 7:52. Todavia, o protesto deu em resultado a cessação dos movimentos do conselho. Os principais não podiam executar seu desígnio e condenar a Jesus sem um exame. Momentaneamente derrotados, "cada um foi para sua casa. Porém Jesus foi para o Monte das Oliveiras". João 7:53-8:1. ramos@advir.com
  11. 11. Da despertar e burburinho da cidade, das turbas ansiosas e dos rabinos traidores, desviou-Se Jesus para o sossego do olival, onde podia encontrar-Se a sós com Deus. De manhã cedo, porém, regressou ao templo e, reunindo-se-Lhe o povo em volta, sentou-Se e pôs-Se a ensiná-los. Foi em breve interrompido. Aproximou-se dEle um grupo de fariseus e escribas, arrastando consigo uma aterrorizada mulher, a qual, com duras e veementes vozes, acusavam de ter violado o sétimo mandamento. Havendo-a empurrado para a presença de Jesus, disseram-Lhe com hipócrita manifestação de respeito: "Na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu pois que dizes?" João 8:5. Sua fingida reverência ocultava um laço fundamente armado para Sua ruína. Lançaram mão dessa oportunidade para garantir-Lhe a condenação, julgando que, fosse qual fosse a decisão que Ele desse, haviam de achar ocasião de acusá-Lo. Se absolvesse a mulher, seria acusado de desprezar a lei de Moisés. Declarasse-a Pág. 461 Ele digna de morte, e seria denunciado aos romanos como assumindo autoridade que só a eles pertencia. Jesus contemplou um momento a cena - a trêmula vítima em sua vergonha, os mal-encarados dignitários, destituídos da própria simpatia humana. Seu espírito de imaculada pureza recuou do espetáculo. Bem sabia para que fim fora levado esse caso. Lia o coração, e conhecia o caráter e a história da vida de cada um dos que se achavam em Sua presença. Esses pretensos guardas da justiça haviam, eles próprios, induzido a vítima ao pecado, a fim de prepararem uma armadilha para Jesus. Sem dar nenhum indício de lhes haver escutado a pergunta, inclinou-Se e, fixando no chão o olhar, começou a escrever na terra. Impacientes ante Sua demora e aparente indiferença, os acusadores aproximaram-se, insistindo em Lhe atrair a atenção sobre o assunto. Ao seguirem, porém, com a vista, o olhar de Jesus, fixaram-na na areia aos Seus pés, e transmudou-se-lhes o semblante. Ali, traçados perante eles, achavam-se os criminosos segredos de sua própria vida. O povo, olhando, reparou na súbita mudança de expressão e adiantou-se, para descobrir o que estavam eles olhando com tal espanto e vergonha. Com toda a sua professada reverência pela lei, esses rabis, ao trazerem a acusação contra a mulher, estavam desatendendo às exigências da mesma. Era dever do marido mover ação contra ela, e as partes culpadas deviam ser igualmente punidas. A ação dos acusadores era de todo carecida de autorização. Entretanto, Jesus os rebateu com as próprias armas deles. A lei especificava que, nas mortes por apedrejamento, as testemunhas do caso fossem as primeiras a lançar a pedra. Erguendo-Se, então, e fixando os olhos nos anciãos autores da trama, disse Jesus: "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela." João 8:7. E, inclinando-Se, continuou a escrever no chão. Não pusera de lado a lei dada por Moisés, nem fora de encontro à autoridade de Roma. Os acusadores haviam sido derrotados. Então, rotas as vestes da pretendida santidade, ficaram, culpados e condenados, em presença da infinita pureza. Tremeram de que as ocultas iniqüidades de sua vida fossem expostas à multidão; e um a um, cabisbaixos e confusos, foram-se afastando silenciosos, deixando a vítima com o compassivo Salvador. Jesus Se ergueu e, olhando para a mulher, disse: "Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? e ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem Eu também te condeno: Vai-te, e não peques mais." João 8:10 e 11. Pág. 462 A mulher estivera toda curvada, possuída de temor diante de Jesus. Suas palavras: "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela", haviam-lhe soado qual sentença de morte. Não ousava levantar os olhos para o rosto do Salvador, mas aguardava em silêncio a condenação. Atônita, viu os acusadores partirem mudos e confundidos; então, chegaram-lhe aos ouvidos as palavras de esperança: "Nem Eu também te condeno; vai-te, e não peques mais." João 8:11. Comoveu-se-lhe o coração, e ela se atirou aos pés de Jesus, soluçando em seu reconhecido amor e confessando com amargo pranto os seus pecados. Isto foi para ela o início de uma nova vida, vida de pureza e paz, devotada ao serviço de Deus. No reerguimento dessa alma caída, operou Jesus um milagre maior do que na cura da mais grave enfermidade física; curou a moléstia espiritual que traz a morte eterna. Essa arrependida mulher tornou-se um de Seus mais firmes seguidores. Com abnegado amor e devoção, retribuiu-Lhe a perdoadora misericórdia. ramos@advir.com
  12. 12. Em Seu ato de perdoar a essa mulher e animá-la a viver vida melhor, resplandece na beleza da perfeita Justiça o caráter de Jesus. Conquanto não use de paliativos com o pecado, nem diminua o sentimento da culpa, procura não condenar, mas salvar. O mundo não tinha senão desprezo e zombaria para essa transviada mulher; mas Jesus profere palavras de conforto e esperança. O Inocente Se compadece da fraqueza da pecadora, e estende-lhe a mão pronta a ajudar. Ao passo que os fariseus hipócritas denunciam, Jesus lhe recomenda: "Vai-te, e não peques mais." João 8:11. Não é seguidor de Cristo aquele que, desviando os olhos, se afasta do transviado, deixando-o sem advertência prosseguir em sua degradante carreira. Os que são mais prontos a acusar a outros, e zelosos em os levar à justiça, são freqüentemente em sua própria vida mais culpados que eles. Os homens aborrecem o pecador, ao passo que amam o pecado. Cristo aborrece o pecado, mas ama o pecador. Será esse o espírito de todos quantos O seguem. O amor cristão é tardio em censurar, pronto a perceber o arrependimento, pronto a perdoar, a animar, a pôr o transviado na vereda da santidade e a nela firmar-lhe os pés. A Ciência do Bom Viver, p. 164-169. "Auxílio aos Tentados". Necessitamos mais da simpatia natural de Cristo; não somente simpatia pelos que se nos apresentam irrepreensíveis, mas pelas pobres almas sofredoras, em luta, que são muitas vezes achadas em falta, pecando e se arrependendo, sendo tentadas e vencidas de desânimo. Devemos dirigir-nos a nossos semelhantes tocados - como nosso misericordioso Sumo Sacerdote - pelo sentimento de suas enfermidades. Eram os rejeitados, os publicanos e pecadores, os desprezados pelos povos, que Cristo chamava, e por Sua amorável bondade os compelia a aproximar-se dEle. A classe que Ele nunca favorecia era a daqueles que ficavam à parte na própria estima, e olhavam os outros de alto para baixo. "Sai pelos caminhos e atalhos, e força-os a entrar", ordena-nos Cristo, "para que a Minha casa se encha." Luc. 14:23. Em obediência a esta palavra, devemos ir aos não-convertidos que se acham perto de nós, e aos que estão distantes. Os "publicanos e as meretrizes" (Mat. 21:31) devem ouvir o convite do Salvador. Por meio da bondade e da longanimidade de Seus mensageiros, o convite se torna um poder para erguer os que se acham imersos nas maiores profundezas do pecado. Os motivos cristãos exigem que trabalhemos com um firme desígnio, um infatigável interesse e crescente insistência, por essas almas a quem Satanás está procurando destruir. Coisa alguma nos deve esfriar a fervorosa, anelante energia pela salvação dos perdidos. Notai como através de toda a Palavra de Deus se manifesta o espírito de insistência, de implorar a homens e mulheres que se cheguem a Cristo. Devemo-nos apoderar de toda oportunidade, tanto em particular como em público, apresentando todo argumento, insistindo com razões de peso infinito para atrair homens ao Salvador. Com todas as nossas forças nos cumpre insistir com eles para que olhem a Jesus, e aceitem Pág. 165 Sua vida de abnegação e sacrifício. Devemos mostrar que esperamos que eles dêem alegria ao coração de Cristo, usando todos os Seus dons para honra de seu nome. Salvos por Esperança "Em esperança, somos salvos." Rom. 8:24. Os caídos devem ser levados a sentir que não é demasiado tarde para serem íntegros. Cristo honrou o homem com Sua confiança, deixando-o então sob a vigilância de sua própria honra. Mesmo aqueles que haviam caído mais baixo, Ele tratava com respeito. Era para Cristo uma contínua dor o contato com a inimizade, a depravação e a impureza; nunca, porém, soltou Ele uma expressão que mostrasse estarem as Suas sensibilidades chocadas ou ofendidos os Seus apurados gostos. Fossem quais fossem os maus hábitos, os fortes preconceitos ou as dominantes paixões das criaturas humanas, Ele as encarava a todas com piedosa ternura. Ao partilharmos de Seu Espírito, olharemos todos os homens como irmãos, com idênticas tentações, caindo muitas vezes e lutando por se erguer novamente, combatendo contra o desânimo e as dificuldades, sedentos de simpatia e auxílio. Então nos aproximaremos deles de modo a não desanimá-los nem repeli-los, mas a suscitar a esperança em seu coração. Ao serem assim animados, poderão dizer em Pág. 166 ramos@advir.com
  13. 13. confiança: "Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz." Ele julgará "a minha causa" e executará "o meu direito". Ele trazer-me-á "à luz, e eu verei a Sua justiça." Miq. 7:8 e 9. "De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão." Rom. 14:12 e 13. Deus "da Sua morada contempla todos os moradores da Terra. Ele é que forma o coração de todos eles". Sal. 33:14 e 15. Ele nos manda, no trato com os tentados e errantes, olhar "por ti mesmo, para que não sejas também tentado". Gál. 6:1. Com um senso de nossas próprias enfermidades, teremos compaixão das enfermidades dos outros. "Quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido?" I Cor. 4:7. "Um só é o vosso Mestre, ... e todos vós sois irmãos." Mat. 23:8. "Por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? ... Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão." Rom. 14:10 e 13. É sempre humilhante ver seus próprios erros apontados. Ninguém deveria tornar a prova mais amarga por desnecessárias censuras. Ninguém já foi conquistado por meio de repreensão; mas muitos têm sido assim alienados, sendo levados a endurecer o coração contra as convicções. Um espírito brando, uma maneira suave e cativante, pode salvar o desviado, e encobrir uma multidão de pecados. O apóstolo Paulo achou necessário reprovar o erro, mas quão cuidadosamente procurou ele mostrar que era um amigo para os extraviados! Quão ansiosamente lhes explicava o motivo de seu proceder! Fazia-os compreender que lhe doía o causar-lhes dor. Mostrava a simpatia e confiança que tinha para com os que estavam lutando por vencer. "Em muita tribulação e angústia de coração, vos escrevi", disse ele, "com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho." II Cor. 2:4. "Porquanto, ainda que vos tenha contristado Pág. 167 com a minha carta, não me arrependo, embora já me tivesse arrependido; ... agora, folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para o arrependimento. ... Porque, quanto cuidado não produziu isso mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio. ... Por isso, fomos consolados." II Cor. 7:8, 9, 11 e 13. "Regozijo-me de em tudo poder confiar em vós." II Cor. 7:16. "Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, fazendo, sempre com alegria, oração por vós em todas as minhas súplicas, pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora. Tendo por certo isto mesmo: que Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo. Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração." Filip. 1:3-7. "Portanto, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim firmes no Senhor, amados." Filip. 4:1. "Porque, agora, vivemos, se estais firmes no Senhor." I Tess. 3:8. Paulo escrevia a esses irmãos como a "santos em Cristo Jesus" (Filip. 4:21); mas não estava escrevendo a pessoas de caráter perfeito. Escrevia-lhes como a homens e mulheres que estavam lutando contra a tentação, e se achavam em perigo de cair. Apontava-lhes "o Deus de paz" que "tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande pastor das ovelhas". Assegurava-lhes que, "pelo sangue do concerto eterno" Ele os aperfeiçoaria "em toda a boa obra, para fazerdes a Sua vontade, operando em vós o que perante Ele é agradável por Cristo Jesus". Heb. 13:20 e 21. Quando uma pessoa em falta se torna consciente de seu erro, cuidai em não lhe destruir o respeito de si mesma. Não a desanimeis pela indiferença ou a desconfiança. Não digais: Pág. 168 "Antes de lhe dar minha confiança, quero esperar para ver se ela persevera." Frequentemente essa mesma desconfiança faz com que o tentado tropece. Devemos esforçar-nos por compreender as fraquezas dos outros. Pouco sabemos nós das provas de coração daqueles que têm estado ligados em cadeias de trevas, a quem falta resolução e poder moral. Por ramos@advir.com
  14. 14. demais lastimável é a condição daquele que sofre ao peso do remorso; é como uma pessoa aturdida, cambaleante, a afundar-se no pó. Não pode ver nada com clareza. A mente se acha obscurecida, não sabe que passo há de dar. Muita pobre alma é mal compreendida, mal apreciada, cheia de aflição e de angústia uma ovelha desgarrada, perdida. Não pode encontrar a Deus, e experimenta todavia intenso anseio de perdão e de paz. Oh, não deixeis escapar nenhuma palavra que vá causar dor mais profunda ainda! À alma cansada de uma vida de pecado, mas não sabendo onde encontrar alívio, apresentai o compassivo Salvador. Tomai-a pela mão, erguei-a, dirigi-lhe palavras de ânimo e esperança. Ajudai-a a segurar a mão do Salvador. Desanimamos muito facilmente com os que não correspondem imediatamente aos nossos esforços. Nunca devemos deixar de trabalhar por uma pessoa enquanto houver um raio de esperança. Os seres humanos custaram a nosso Redentor demasiado caro para serem levianamente abandonados ao poder do tentador. Necessitamos colocar-nos a nós mesmos no lugar dos tentados. Considerai o poder da hereditariedade, a influência das más companhias e do ambiente, a força dos maus hábitos. Podemos nós admirar-nos de que, sob tais influências, muitos se degradem? Podemos admirar que sejam tardios em corresponder aos nossos esforços pelo seu reerguimento? Muitas vezes, quando conquistados para o evangelho, aqueles que se afiguravam vulgares e não promissores, achar-se-ão entre os mais leais de seus adeptos e defensores. Não Pág. 169 estão inteiramente corrompidos. Sob um desagradável exterior, há impulsos bons que podem ser atraídos. Sem a mão ajudadora, muitos há que nunca se haveriam de restabelecer, mas mediante esforço paciente e perseverante, podem ser levantados. Essas pessoas requerem ternas palavras, bondosa consideração, auxílio real. Necessitam aquela espécie de conselho que não extinguirá o débil raio de ânimo na alma. Considerem isso os obreiros que se põem em contato com elas. Serão encontrados alguns cuja mente foi por tão longo tempo desacreditada que nunca na vida se tornarão aquilo que poderiam ter sido sob mais favoráveis circunstâncias. Mas os brilhantes raios do Sol da Justiça podem resplandecer na alma. É seu privilégio possuir aquela vida que se estende paralela à vida de Deus. Implantai-lhes na mente pensamentos que elevem e enobreçam. Que vossa vida lhes patenteie a diferença entre o vício e a pureza, as trevas e a luz. Leiam eles em vosso exemplo o que significa ser cristão. Cristo é capaz de levantar os maiores pecadores, colocando-os no estado em que serão reconhecidos como filhos de Deus, herdeiros com Cristo da herança imortal. Pelo milagre da divina graça, muitos podem tornar-se aptos para uma vida de utilidade. Desprezados e abandonados, perderam por completo o ânimo; talvez pareçam insensíveis e indiferentes. Sob o ministério do Espírito Santo, todavia, a estupidez que faz parecer impossível seu reerguimento desaparecerá. A mente pesada, obscurecida, despertará. O escravo do pecado será posto em liberdade. O vício desaparecerá, será vencida a ignorância. Mediante a fé que opera por amor, o coração será purificado e a mente, iluminada. A Ciência do Bom Viver, p. 171-182: "A Obra em Favor dos Intemperantes". Toda verdadeira reforma tem seu lugar na obra do evangelho, e tende ao reerguimento da alma a uma vida nova e mais nobre. A obra da temperança, especialmente, requer o apoio dos obreiros cristãos. Eles devem chamar a atenção para essa obra, tornando-a objeto de vivo interesse. Por toda parte devem apresentar ao povo os princípios da verdadeira temperança, e pedir assinaturas para o voto da mesma. Fervorosos esforços se devem fazer em favor dos que se acham escravizados aos maus hábitos. Há por toda parte uma obra a ser feita por aqueles que caíram devido à intemperança. Entre as igrejas, as instituições religiosas, e lares supostamente cristãos, muitos jovens estão seguindo o caminho da ruína. Por hábitos de intemperança, trazem sobre si mesmos a enfermidade, e pela ganância de obter dinheiro para pecaminosas transigências, caem em práticas desonestas. Arruínam a saúde e o caráter. Alienados de Deus, rejeitados pela sociedade, essas pobres pessoas se sentem sem esperança tanto para esta vida como para outra, por vir. O coração dos pais fica quebrantado. As pessoas falam desses extraviados como casos sem esperança; assim não os considera Deus. Ele compreende todas as circunstâncias que os têm Pág. 172 tornado o que são, e os contempla com piedade. Essa é uma classe que demanda auxílio. Nunca lhes deis ocasião de dizer: "Ninguém se importa comigo." ramos@advir.com
  15. 15. Acham-se entre as vítimas da intemperança indivíduos de todas as classes e profissões. Pessoas de elevada posição, de notáveis talentos, de grandes realizações, têm cedido aos apetites a ponto de se tornarem incapazes de resistir à tentação. Alguns, que eram antes possuidores de fortuna, encontram-se sem lar, sem amigos, em sofrimento e miséria, enfermidade e degradação. Perderam o domínio de si mesmos. A menos que uma mão ajudadora lhes seja estendida, hão de cair mais e mais baixo. Aliada a essa condescendência consigo mesmo se acha, não somente um pecado moral, mas uma doença física. Muitas vezes, ao ajudar os intemperantes, devemos, como Cristo fazia tão frequentemente, atender primeiro a suas condições físicas. Necessitam alimento e bebida saudáveis, não estimulantes, roupas limpas, oportunidades de manter o asseio físico. Necessitam ser rodeados de uma atmosfera de salutar e enobrecedora influência cristã. Deve-se prover em toda cidade um lugar em que os escravos dos maus hábitos possam receber auxílio para quebrar as cadeias que os prendem. A bebida forte é considerada por muitos o único consolo na aflição; mas não será preciso que seja assim, se, em lugar de desempenhar o papel do sacerdote e do levita, os professos cristãos seguirem o exemplo do bom samaritano. Ao lidar com as vítimas da intemperança, cumpre-nos lembrar que não estamos tratando com pessoas de são juízo, mas com aqueles que, de momento, se acham sob o poder de um demônio. Sede pacientes e mansos. Não penseis na desagradável, repulsiva aparência, mas na preciosa vida para cuja redenção Cristo morreu. Ao despertar o bêbado para o sentimento de sua degradação, fazei quanto estiver ao vosso alcance para lhe mostrar que sois seu amigo. Não profirais uma palavra de censura ou de repugnância. É muito provável que a pobre pessoa se maldiga a si mesma. Ajudai-a a se erguer. Dirigi-lhe palavras que fortaleçam a fé. Procurai fortalecer todo bom Pág. 173 traço em seu caráter. Ensinai-lhe a maneira de alcançar um nível mais elevado. Mostrai-lhe que é possível viver de modo a conquistar o respeito de seus semelhantes. Ajudai-a a ver o valor dos talentos que Deus lhe tem dado, mas que ela tem negligenciado desenvolver. Embora se haja a vontade depravado e enfraquecido, existe para ela esperança em Cristo. Esse lhe despertará no coração mais elevados impulsos e desejos mais santos. Animai-a a apoderar-se da esperança que se lhe apresenta no evangelho. Abri a Bíblia ao tentado e lutador, lendo-lhes repetidamente as promessas de Deus. Essas promessas serão para ele como as folhas da árvore da vida. Continuai pacientemente em vossos esforços, até que, com reconhecida alegria, a trêmula mão se apegue à esperança da redenção em Cristo. Deveis apegar-vos firmemente àqueles a quem buscais ajudar, do contrário jamais obtereis a vitória. Eles serão continuamente tentados para o mal. Serão repetidamente quase vencidos pelo intenso desejo da bebida forte; aqui e ali poderão cair; não cesseis, entretanto, por isso, os vossos esforços. Eles decidiram fazer um esforço para viver para Cristo; sua força de vontade, porém, acha-se enfraquecida, e devem ser cuidadosamente guardados pelos que cuidam das almas como quem por elas têm de dar contas. Eles perderam sua varonilidade, que devem reconquistar. Muitos têm de lutar contra fortes tendências hereditárias para o mal. Fortes desejos não naturais, impulsos sensuais, eis a herança que por nascimento receberam. Contra os mesmos devem ser cuidadosamente guardados. Interior e exteriormente, estão o bem e o mal em luta pelo domínio. Os que nunca passaram por tais experiências não podem conhecer o quase avassalador poder do apetite, ou o feroz conflito entre os hábitos de condescendência consigo mesmo e a decisão de ser temperante em todas as coisas. Essa batalha deve ser travada uma e muitas vezes. Muitos dos que são atraídos a Cristo não possuirão força moral para continuar a luta contra o apetite e a paixão. O Pág. 174 obreiro não deve, no entanto, se desanimar por isso. São apenas os que foram salvos das maiores profundidades os que apostatam? Lembrai-vos de que não trabalhais sozinhos. Anjos ministradores se unem em serviço a todo o sincero filho e filha de Deus. E Cristo é o restaurador. O grande Médico mesmo Se acha ao lado dos fiéis obreiros, dizendo à alma arrependida: "Filho, perdoados estão os teus pecados." Mar. 2:5. Muitos serão os párias que se apoderarão da esperança que lhes é apresentada no evangelho, e entrarão no reino do Céu, ao passo que outros que foram beneficiados com grandes oportunidades e grande luz, que não aproveitaram, serão deixados nas trevas exteriores. ramos@advir.com
  16. 16. As vítimas de maus hábitos devem ser despertadas para a necessidade de fazer esforços por si mesmos. Outros podem desenvolver os mais fervorosos empenhos para erguê-los, a graça de Deus pode-lhes ser abundantemente oferecida, Cristo pode rogar, Seus anjos ministrar; tudo, porém, será em vão, a menos que eles próprios despertem para pelejar o combate em seu favor. As derradeiras palavras de Davi a Salomão, então um jovem, e que ia em breve receber a coroa de Israel, foram: "Esforça-te, ... e sê homem." I Reis 2:2. A todo filho da humanidade, candidato a uma coroa imortal, dirigem-se estas palavras proferidas pela inspiração: "Esforça-te, ... e sê homem." Os habituados a satisfazer às tendências naturais devem ser levados a ver e a sentir que é mister grande renovação moral, se se querem tornar homens. Deus os convida a despertar e, na força de Cristo, reconquistar a varonilidade que Deus lhes dera, e que foi sacrificada em pecaminosas condescendências. Sentindo o terrível poder da tentação, o arrastamento do desejo que leva à fraqueza, muito homem brada em desespero: "Não posso resistir ao mal." Dizei-lhe que ele pode, que ele precisa resistir. Poderá haver sido derrotado uma e outra vez, mas não é necessário que seja sempre assim. Ele é fraco Pág. 175 em força moral, dominado por hábitos de uma vida de pecado. Suas promessas e resoluções são como cordas de areia. A consciência das promessas não cumpridas e dos violados votos enfraquece-lhe a confiança na própria sinceridade, fazendo com que ele sinta que Deus não o pode aceitar, nem cooperar com os seus esforços. Não precisa, entretanto, desesperar. Os que põem em Cristo a confiança não devem ficar escravizados por nenhuma tendência ou hábito hereditário, ou cultivado. Em lugar de ficar subjugados em servidão à natureza inferior, devem reger todo apetite e paixão. Deus não nos Pág. 176 deixou lutar com o mal em nossa própria, limitada força. Sejam quais forem nossas tendências herdadas ou cultivadas para o erro, podemos vencer, mediante o poder que Ele nos está disposto a comunicar. O Poder da Vontade O tentado necessita compreender a verdadeira força da vontade. É este o poder que governa na natureza do homem - o poder de decisão, de escolha. Tudo depende da devida ação da vontade. Os desejos em direção da bondade e da pureza são em si mesmos justos; mas, se aí ficamos, nada aproveitam. Muitos descerão à ruína, enquanto esperam e desejam vencer suas más propensões. Eles não entregam a vontade a Deus. Não escolhem servi-Lo. Deus nos deu o poder da escolha; a nós cumpre exercitá-lo. Não podemos mudar o coração, nem reger nossos pensamentos, impulsos e afeições. Não nos podemos tornar puros, aptos para o serviço de Deus. Mas podemos escolher servi-Lo, podemos entregar-Lhe nossa vontade; então, Ele operará em nós o querer e o efetuar, segundo a Sua aprovação. Assim, nossa natureza toda será posta sob o domínio de Cristo. Mediante o devido exercício da vontade, uma completa mudança pode ser operada na vida. Entregando a vontade a Cristo, aliamo-nos com o divino poder. Recebemos força do alto para nos manter firmes. Uma vida nobre e pura, uma vida vitoriosa sobre o apetite e a concupiscência, é possível a todo aquele que quiser unir sua vontade humana, fraca e vacilante, à onipotente e inabalável vontade de Deus. Os que estão em luta com o poder do apetite devem ser instruídos nos princípios do viver saudável. Devese-lhes mostrar que a violação das leis da saúde, criando um estado enfermo e desejos não naturais, lança as bases para o hábito das bebidas alcoólicas. Unicamente vivendo em obediência aos Pág. 177 princípios da saúde, podem eles se libertar da sede de estimulantes contrários à natureza. Ao passo que dependem da força divina para quebrar as cadeias do apetite, devem cooperar com Deus pela obediência a Suas leis, tanto as morais como as físicas. Os que se estão esforçando para reformar-se devem ser ajudados a obter emprego. Ninguém em condições de trabalhar deve ser ensinado a esperar alimento, roupa e casa de graça. Por amor deles próprios, bem como dos outros, devia ser planejado um meio pelo qual produzam o equivalente àquilo que recebem. Animai todo esforço quanto à manutenção própria. Isso fortalecerá o respeito de si mesmo, e uma nobre independência. E a ocupação da mente e do corpo num trabalho útil é essencial como salvaguarda contra a tentação. ramos@advir.com
  17. 17. Decepções e Perigos Os que trabalham pelos caídos ficarão decepcionados com muitos que dão esperança de reforma. Muitos não farão senão uma superficial mudança em seus hábitos e maneiras de proceder. São movidos por impulso, e por algum tempo podem parecer reformados; mas não há verdadeira mudança de coração. Acariciam o mesmo amor-próprio, têm a mesma sede de prazeres vãos, o mesmo desejo de satisfação própria. Não têm conhecimento da obra da formação do caráter, e não se pode confiar neles como homens de princípios. Rebaixaram suas faculdades mentais e espirituais pela satisfação do apetite e da paixão, o que os enfraquece. São inconstantes e mutáveis. Seus impulsos tendem à sensualidade. Essas pessoas são muitas vezes uma fonte de perigo para outros. Sendo considerados como homens e mulheres reformados, confiam-se-lhes responsabilidades, e são colocados em posições em que sua influência corrompe os inocentes. Pág. 178 Mesmo os que estão buscando sinceramente reformar-se não se acham livres do perigo de cair. Precisam ser tratados com grande sabedoria e ternura. A tendência de lisonjear e exaltar os que foram salvos das maiores profundidades provoca por vezes sua ruína. O costume de convidar homens e mulheres para relatar em público os incidentes de sua vida de pecado é cheio de perigos, tanto para o que fala como para os que escutam. Demorar o pensamento em cenas de mal é corruptor para a mente e a alma. E o destaque em que se colocam os que são assim salvos é-lhes prejudicial. Muitos são levados a pensar que sua vida pecaminosa lhes confere certa distinção. São animados o amor da notoriedade e o espírito de confiança em si mesmo, os quais se demonstram fatais à alma. Unicamente desconfiando de si mesmos e confiando na misericórdia de Cristo podem eles subsistir. Todos quantos dão provas de verdadeira conversão devem ser animados a trabalhar pelos outros. Que ninguém repila uma alma que deixa o serviço de Satanás pelo de Cristo. Quando uma pessoa dá demonstração de que o Espírito de Deus está lutando com ela, dai-lhe todo ânimo para entrar no serviço do Senhor. "E tende piedade de uns, usando de discernimento." Jud. 22, Versão Trinitariana. Os que são sábios na sabedoria que vem de Deus verão almas necessitadas de auxílio, pessoas que se arrependeram sinceramente, mas que, sem animação, mal se atreveriam a firmar-se na esperança. O Senhor porá no coração de Seus servos receber com agrado essas criaturas trementes, arrependidas, para sua amorável convivência. Sejam quais forem seus pecados habituais, não importa quão baixo hajam elas caído, quando, em contrição se achegam a Cristo, Ele as recebe. Dai-lhes então alguma coisa a fazer para Ele. Se elas desejam trabalhar no reerguimento de outros do abismo da destruição de que elas próprias foram salvas, dai-lhes oportunidade. Ponde-as em contato com cristãos Pág. 179 experientes, a fim de obterem vigor espiritual. Enchei-lhes o coração e as mãos de trabalho para o Mestre. Quando a luz resplandece na alma, alguns dos que pareciam mais entregues ao pecado se tornarão obreiros de êxito em favor de pecadores da mesma espécie que eles antes foram. Mediante a fé em Cristo, alguns se erguerão a elevadas posições de serviço, e ser-lhes-ão confiadas responsabilidades na obra de salvar almas. Eles vêem onde reside sua fraqueza, compreendem a depravação de sua natureza. Conhecem a força do pecado, e do mau hábito. Avaliam sua incapacidade para vencer sem o auxílio de Cristo, e seu constante clamor é: "Sobre Ti lanço minha desamparada alma." Esses podem ajudar a outros. Aquele que tem sido tentado e provado, cuja esperança havia quase desaparecido, mas foi salvo ouvindo a mensagem de amor, é capaz de entender a ciência de salvar almas. Aquele cujo coração está cheio de amor para com Cristo, por haver sido, ele mesmo, procurado pelo Salvador e trazido de volta ao redil, sabe ir em busca dos perdidos. Pode encaminhar os pecadores ao Cordeiro de Deus. Entregou-se sem reservas a Deus, e foi aceito no Amado. Foi segurada a mão que, em fraqueza, se estendeu num pedido de socorro. Pelo ministério dessas pessoas, muitos pródigos serão levados ao Pai. Para toda alma em luta por se erguer de uma vida de pecado a uma de pureza, o grande elemento de poder reside no único nome "debaixo do céu", "dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos". Atos 4:12. "Se alguém tem sede" de tranqüilizadora esperança, de libertação de propensões pecaminosas, Cristo diz: "Venha a Mim e beba." João 7:37. O único remédio para o vício é a graça e o poder de Cristo. As boas resoluções tomadas por alguém em suas próprias forças nada valem. Nem todos os votos do mundo quebrariam o poder do mau hábito. Homem algum nunca praticará a Pág. 180 temperança em todas as coisas enquanto seu coração não estiver renovado pela graça divina. Não nos ramos@advir.com
  18. 18. podemos guardar de pecar por um momento sequer. A cada instante dependemos de Deus. A verdadeira reforma começa com a purificação da alma. Nosso trabalho com os caídos só logrará real êxito à medida que a graça de Cristo remodelar o caráter, e a alma for posta em viva ligação com Deus. Cristo viveu uma vida de perfeita obediência à Lei de Deus, deixando nisto um exemplo perfeito a toda criatura humana. A vida que Ele viveu neste mundo, devemos nós viver, mediante Seu poder, e sob as Suas instruções. Em nossa obra pelos caídos, cumpre gravar na mente e no coração deles as exigências da Lei de Deus e a necessidade de lealdade para com Ele. Nunca deixeis de mostrar que existe assinalada diferença entre os que servem a Deus e os que O não servem. Deus é amor, mas não pode desculpar a voluntária desconsideração de Seus mandamentos. Os decretos de Seu governo são de tal ordem que o homem não escapa às conseqüências da deslealdade. Ele só pode honrar àqueles que O honram. A conduta do homem neste mundo decide seu eterno destino. Segundo houver semeado, assim ceifará. A causa será seguida do efeito. Nada menos que a perfeita obediência pode satisfazer ao ideal que Deus requer. Ele não deixou Sua vontade indefinida. Não ordenou coisa alguma que não seja necessária a fim de pôr o homem em harmonia com Ele. Devemos encaminhar os pecadores a Seu ideal de caráter, e conduzi-los a Cristo, por cuja graça, unicamente, pode esse ideal ser atingido. O Salvador tomou sobre Si as enfermidades humanas, e viveu uma vida sem pecado, a fim de os homens não terem nenhum temor de que, devido à fraqueza da natureza humana, eles não pudessem vencer. Cristo veio para nos tornar "participantes da natureza divina" (II Ped. 1:4), e Sua vida declara que a humanidade, unida à divindade, não comete pecado. Pág. 181 O Salvador venceu para mostrar ao homem como ele pode vencer. Todas as tentações de Satanás, Cristo enfrentava com a Palavra de Deus. Confiando nas promessas divinas, recebia poder para obedecer aos mandamentos de Deus, e o tentador não podia alcançar vantagem. A toda tentação, Sua resposta era: "Está escrito." Assim Deus nos tem dado Sua Palavra para com ela resistirmos ao mal. Pertencem-nos grandíssimas e preciosas promessas, a fim de que por elas fiquemos "participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que, pela concupiscência, há no mundo". II Ped. 1:4. Dizei ao tentado que não olhe às circunstâncias, à fraqueza do próprio eu, ou ao poder da tentação, mas ao poder da Palavra de Deus. Toda a sua força nos pertence. "Escondi a Tua palavra no meu coração", diz o salmista, "para eu não pecar contra Ti." Sal. 119:11. "Pela palavra dos Teus lábios me guardei das veredas do destruidor." Sal. 17:4. Falai ao povo de maneira a incutir ânimo; erguei-os a Deus em oração. Muitos dos que têm sido vencidos pela tentação são humilhados por seus fracassos, e sentem ser vão buscar aproximar-se de Deus; mas esse pensamento é sugestão do inimigo. Quando pecaram, e sentem que não podem orar, dizei-lhes que é então o momento de orar. Talvez se encontrem envergonhados, e profundamente humilhados; ao confessarem, Pág. 182 porém os seus pecados, Aquele que é fiel e justo lhos perdoará, purificando-os de toda injustiça. Coisa alguma é aparentemente mais desamparada, e na realidade mais invencível, do que a alma que sente o seu nada, e confia inteiramente nos méritos do Salvador. Pela oração, pelo estudo de Sua Palavra, pela fé em Sua constante presença, a mais fraca das criaturas humanas pode viver em contato com o Cristo vivo, e Ele a segurará com mão que nunca a soltará. "Posso todas as coisas nAquele que me fortalece. O meu Deus, segundo as Suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória por Cristo Jesus." Filip. 4:13 e 19. Essas preciosas promessas toda pessoa que permanece em Cristo pode tornar suas. Ela pode dizer: "Eu, ... esperarei no Senhor; Esperarei no Deus da minha salvação; O meu Deus me ouvirá. Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ramos@advir.com
  19. 19. Ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; Se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz. Tornará a apiedar-Se de nós, Subjugará as nossas iniquidades E lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar." Miq. 7:7, 8 e 19. Deus tem prometido: "Farei que um homem seja mais precioso do que o ouro puro E mais raro do que o ouro fino de Ofir." Isa. 13:12. "Ainda que vos deiteis entre redis, Sereis como as asas de uma pomba, cobertas de prata, Com as suas penas de ouro amarelo." Sal. 68:13. Aqueles a quem mais Cristo perdoou, mais O amarão. São estes os que, no dia final, mais perto se acharão de Seu trono. "E verão o Seu rosto, e na sua testa estará o Seu nome." Apoc. 22:4. A Ciência do Bom Viver, p. 183-200: "Auxílio aos Os Desempregados e os Destituídos de Lar". Há homens e mulheres de grande coração, os quais meditam ansiosamente na situação dos pobres, e nos meios pelos quais possam ser aliviados. Um problema para o qual muitos estão buscando uma solução é como os desempregados e os que não têm lar podem ser ajudados em obter as bênçãos comuns da providência de Deus e viver a vida que Ele intentava que o homem vivesse. Mas não há muitos, mesmo entre educadores e estadistas, que compreendam as causas que se acham no fundo do atual estado da sociedade. Os que seguram as rédeas do governo são incapazes de resolver o problema da corrupção moral, da pobreza, da miséria e do crime crescente. Estão lutando em vão para colocar as operações comerciais em base mais segura. Se os homens dessem mais atenção aos ensinos da Palavra de Deus, encontrariam uma solução a esses problemas que os desconcertam. Muito se poderia aprender do Antigo Testamento quanto à questão do trabalho e do alívio aos pobres. O Plano de Deus Para Israel No plano de Deus para Israel, toda família tinha um lar no campo, e terreno suficiente para o cultivo. Assim eram proporcionados Pág. 184 tanto os meios como o incentivo para uma vida útil, industriosa e independente. E nenhuma medida humana jamais suplantou esse plano. A pobreza e a miséria que hoje existem se devem, em grande parte, ao fato de o mundo ter se afastado dele. Ao estabelecer-se Israel em Canaã, a terra foi dividida entre todo o povo, sendo excetuados apenas os levitas, como ministros do santuário, nessa eqüitativa distribuição. As tribos eram contadas por famílias, e a cada uma destas era concedida, segundo o seu número, uma herança proporcional. E embora uma pessoa pudesse, por algum tempo, dispor de sua possessão, não poderia vender permanentemente a herança de seus filhos. Quando habilitada a resgatar sua terra, estava em qualquer tempo na liberdade de o fazer. As dívidas eram perdoadas cada sete anos, e no quinquagésimo, ou ano do jubileu, toda propriedade em terras, revertia a seu original possuidor. "A terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é Minha; pois vós sois estrangeiros e peregrinos comigo. Portanto, em toda a terra da vossa possessão dareis resgate à terra. Quando teu irmão empobrecer e vender alguma porção Pág. 185 da sua possessão, então, virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que vendeu seu irmão. E, se alguém... achar o que basta para o seu resgate, ... tornará à sua possessão. Mas, se a sua mão não ramos@advir.com
  20. 20. alcançar o que basta para restituir-lha, então, a que for vendida ficará na mão do comprador até ao Ano do Jubileu." Lev. 25:23-28. "E santificareis o ano quinquagésimo e apregoareis liberdade na Terra a todos os seus moradores; Ano de Jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e tornareis, cada um à sua família." Lev. 25:10. Assim cada família era garantida em sua possessão, sendo proporcionada uma salvaguarda contra os extremos, quer da opulência, quer da miséria. Preparo Profissional Em Israel, era considerado um dever o preparo profissional. Exigia-se de cada pai que ensinasse a seus filhos algum ofício útil. Pág. 186 Os maiores homens em Israel eram exercitados para atividades industriais. O conhecimento dos deveres pertencentes ao governo da casa era considerado essencial a toda mulher. E a habilidade nesses deveres era considerada uma honra para as mulheres da mais alta posição. Várias profissões eram ensinadas nas escolas dos profetas, e muitos dos alunos se mantinham a si mesmos por meio de trabalho manual. A Consideração Para com os Pobres Essas medidas não conseguiam, entretanto, evitar inteiramente a pobreza. Não era o desígnio de Deus que cessasse de todo essa condição. É um de Seus meios para o desenvolvimento do caráter. "Pois nunca cessará o pobre", diz Ele, "do meio da Terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado e para o teu pobre na tua terra." Deut. 15:11. "Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em alguma das tuas portas, na tua terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre; antes, lhe abrirás de todo a tua mão e livremente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade." Deut. 15:7 e 8. "E, quando teu irmão empobrecer, e as suas forças descaírem, então, sustentá-lo-ás como estrangeiro e peregrino, para que viva contigo." Lev. 25:35. "Quando também segardes a sega da vossa terra, o canto do teu campo não segarás totalmente." Lev. 19:9. "Quando no teu campo segares a tua sega e esqueceres uma gavela no campo, não tornarás a tomá-la. ... Quando sacudires a tua oliveira, não tornarás atrás de ti a sacudir os ramos. ...Quando vindimares a tua vinha, não tornarás atrás de ti a rebuscá-la; para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva será o restante." Deut. 24:19-21. Pág. 187 Ninguém precisa temer que sua liberalidade o leve à necessidade. A obediência aos mandamentos de Deus daria certamente em resultado a prosperidade. "Por esta causa", disse Deus, "te abençoará o Senhor, teu Deus, em toda a tua obra e em tudo no que puseres a tua mão." Deut. 15:10. "Emprestarás a muitas nações, mas não tomarás empréstimos; e dominarás sobre muitas nações, mas elas não dominarão sobre ti." Deut. 15:6. Princípios Comerciais A Palavra de Deus não sanciona nenhum plano que enriqueça uma classe pela opressão e o sofrimento de outra. Em todas as nossas transações comerciais, ela nos ensina a colocar-nos no lugar daqueles com quem estamos tratando, a considerar, não somente o que é nosso, mas também o que é dos outros. Aquele que se aproveitasse do infortúnio de um outro para se beneficiar a si mesmo, ou que buscasse para si lucros por meio da fraqueza ou incompetência de outros seria um transgressor, tanto dos princípios como dos preceitos da Palavra de Deus. "Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão; nem tomarás em penhor a roupa da viúva." Deut. 24:17. "Quando emprestares alguma coisa ao teu próximo, não entrarás em sua casa para lhe tirar o penhor. Fora estarás, e o homem, a quem emprestaste, te trará fora o penhor. Porém, se for homem pobre, te não deitarás com o seu penhor." Deut. 24:10-12. "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas." Mat. 7:12. Pág. 188 ramos@advir.com
  21. 21. "Se tomares em penhor a veste do teu próximo, lho restituirás antes do pôr-do-sol, porque aquela é a sua cobertura; ... em que se deitaria? Será, pois, que, quando clamar a Mim, Eu o ouvirei, porque sou misericordioso." Êxo. 22:26 e 27. "E, quando venderdes alguma coisa ao vosso próximo ou a comprardes da mão do vosso próximo, ninguém oprima a seu irmão." Lev. 25:14. "Não cometereis injustiça no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida." Lev. 19:35. "Na tua bolsa não terás diversos pesos, um grande e um pequeno. Na tua casa não terás duas sortes de efa, um grande e um pequeno." Deut. 25:13 e 14. "Balanças justas, pedras justas, efa justo e justo him tereis." Lev. 19:36. "Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes." Mat. 5:42. "O ímpio toma emprestado, e não paga; mas o justo compadece-se e dá." Sal. 37:21. "Toma conselho, executa o juízo, e põe a tua sombra no pino do meio-dia como a noite; esconde os desterrados e não descubras os vagueantes. Habitem entre ti os Meus desterrados, ... serve-lhes de refúgio perante a face do destruidor." Isa. 16:3 e 4. O plano de vida que Deus deu a Israel, destinava-se a servir de lição objetiva para toda a humanidade. Fossem esses princípios postos em prática hoje em dia, quão diverso seria o mundo! Dentro dos vastos limites da natureza, ainda há margem para os sofredores e necessitados acharem um lar. Há ainda, dentro de seu meio, recursos suficientes para lhes fornecer alimento. Ocultas nas profundezas da terra, existem bênçãos para todos quantos têm a coragem, a força de vontade e a perseverança de lhe recolher os tesouros. Pág. 189 O cultivo do solo - o emprego designado por Deus ao homem no Éden - abre um campo que oferece a multidões oportunidade para ganhar a subsistência. "Confia no Senhor e faze o bem; Habitarás na terra e, verdadeiramente, serás alimentado." Sal. 37:3. Milhares e dezenas de milhares dos que se apinham nas cidades, à espera de um acaso para ganhar uma ninharia, poderiam estar trabalhando no solo. Na maioria dos casos, essa insignificância que ganham não é gasta em pão, mas posta na gaveta do vendedor de bebidas, para obter aquilo que destrói alma e corpo. Muitos consideram o lavrar a terra como trabalho vil, e procuram obter a subsistência por meio de expedientes, de preferência a um trabalho honesto. Este desejo de ganhar a vida sem trabalho abre, de maneira quase ilimitada, a porta à ruína, ao vício e ao crime. Nos Bairros Pobres Há nas grandes cidades multidões que recebem menos cuidado e consideração do que os que são concedidos a mudos animais. Pensai nas famílias amontoadas como rebanhos em miseráveis cortiços, sombrios porões muitos deles, exalando Pág. 190 umidade e imundícia. Nesses sórdidos lugares as crianças nascem, crescem e morrem. Nada vêem das belezas naturais que Deus criou para deleitar os sentidos e elevar a alma. Rotas e quase morrendo de fome, vivem elas entre o vício e a depravação, moldadas no caráter pela miséria e o pecado que as rodeia. As crianças só ouvem o nome de Deus de maneira profana. A linguagem suja, as imprecações e os insultos enchem-lhes os ouvidos. As exalações da bebida e do fumo, nocivos maus cheiros e degradação moral pervertem-lhes os sentidos. Assim se preparam multidões para se tornarem criminosos, inimigos da sociedade que os abandonou à miséria e à degradação. Nem todos os pobres dos becos das cidades pertencem a essa classe. Homens e mulheres tementes a Deus têm sido levados aos extremos da pobreza por doença ou infortúnio, muitas vezes causados pelos desonestos planos dos que vivem à custa dos semelhantes. Muitos que são retos e bem-intencionados ficam pobres por falta de preparo profissional. Por ignorância, se acham inaptos para lutar com as dificuldades da vida. Levados a esmo para as cidades, são muitas vezes incapazes de achar emprego. Rodeados de cenas e sons de vício, são sujeitos a terríveis tentações. Associados e muitas vezes classificados com os viciados e os degradados, é somente por uma luta sobre-humana, um poder acima do finito, que podem ser preservados de cair no mesmo abismo. Muitos se apegam firmemente a sua integridade, preferindo sofrer a pecar. Esta classe, em especial, requer auxílio, simpatia e ânimo. Se os pobres agora aglomerados nas cidades encontrassem habitações no campo, poderiam não somente ramos@advir.com

×