Fisica

680 visualizações

Publicada em

trabalho

Publicada em: Esportes
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
680
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
11
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Fisica

  1. 1. TERCEIRO E QUARTO CICLOSDO ENSINO FUNDAMENTALEDUCAÇÃO FÍSICATERCEIRO E QUARTO CICLOSDO ENSINO FUNDAMENTALEDUCAÇÃO FÍSICAPARÂMETROSCURRICULARESNACIONAISPARÂMETROSCURRICULARESNACIONAIS
  2. 2. Secretaria de Educação FundamentalIara Glória Areias PradoDepartamento de Política da Educação FundamentalVirgínia Zélia de Azevedo Rebeis FarhaCoordenação-GeraldeEstudosePesquisasdaEducaçãoFundamentalMaria Inês LaranjeiraPARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS (5ª A 8ª SÉRIES)B823p Brasil. Secretaria de Educação Fundamental.Parâmetroscurriculares nacionais :EducaçãoFísica/Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC /SEF,1998.114p.1.Parâmetroscurricularesnacionais.2.EducaçãoFísica : Ensino de quinta a oitava séries. I. Título.CDU: 371.214
  3. 3. TERCEIRO E QUARTO CICLOSDO ENSINO FUNDAMENTALEDUCAÇÃO FÍSICATERCEIRO E QUARTO CICLOSDO ENSINO FUNDAMENTALEDUCAÇÃO FÍSICAPARÂMETROSCURRICULARESNACIONAISPARÂMETROSCURRICULARESNACIONAISBrasília1998MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTOSECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL
  4. 4. AO PROFESSOROpapelfundamentaldaeducaçãonodesenvolvimentodaspessoasedassociedadesamplia-se ainda mais no despertar do novo milênio e aponta para a necessidade de seconstruirumaescolavoltadaparaaformaçãodecidadãos.Vivemosnumaeramarcadapelacompetiçãoepelaexcelência,emqueprogressoscientíficoseavançostecnológicosdefinemexigênciasnovasparaosjovensqueingressarãonomundodotrabalho.Taldemandaimpõeuma revisão dos currículos, que orientam o trabalho cotidianamente realizado pelosprofessoreseespecialistasemeducaçãodonossopaís.Assim,écomimensasatisfaçãoqueentregamosaosprofessoresdassériesfinaisdoensino fundamental os Parâmetros Curriculares Nacionais, com a intenção de ampliareaprofundarumdebateeducacionalqueenvolvaescolas,pais,governosesociedadeedêorigem a uma transformação positiva no sistema educativo brasileiro.Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram elaborados procurando, de umlado, respeitar diversidades regionais, culturais, políticas existentes no país e, de outro,consideraranecessidadedeconstruirreferênciasnacionaiscomunsaoprocessoeducativoem todas as regiões brasileiras. Com isso, pretende-se criar condições, nas escolas, quepermitamaosnossosjovensteracessoaoconjuntodeconhecimentossocialmenteelaboradosereconhecidoscomonecessáriosaoexercíciodacidadania.Os documentos apresentados são o resultado de um longo trabalho que contou coma participação de muitos educadores brasileiros e têm a marca de suas experiências e deseus estudos, permitindo assim que fossem produzidos no contexto das discussõespedagógicas atuais. Inicialmente foram elaborados documentos, em versões preliminares,paraseremanalisadosedebatidosporprofessoresqueatuamemdiferentesgrausdeensino,porespecialistasdaeducaçãoedeoutrasáreas,alémdeinstituiçõesgovernamentaisenão-governamentais. As críticas e sugestões apresentadas contribuíram para a elaboração daatual versão, que deverá ser revista periodicamente, com base no acompanhamento e naavaliaçãodesuaimplementação.EsperamosqueosParâmetrossirvamdeapoioàsdiscussõeseaodesenvolvimentodoprojetoeducativodesuaescola,àreflexãosobreapráticapedagógica,aoplanejamentode suas aulas, à análise e seleção de materiais didáticos e de recursos tecnológicos e, emespecial, que possam contribuir para sua formação e atualização profissional.Paulo Renato SouzaMinistro da Educação e do Desporto
  5. 5. OBJETIVOS DO ENSINO FUNDAMENTALOsParâmetrosCurricularesNacionaisindicamcomoobjetivosdoensinofundamentalqueosalunossejamcapazesde:• compreender a cidadania como participação social e política,assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis esociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade,cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro eexigindo para si o mesmo respeito;• posicionar-sedemaneiracrítica,responsáveleconstrutivanasdiferentes situações sociais, utilizando o diálogo como formade mediar conflitos e de tomar decisões coletivas;• conhecercaracterísticasfundamentaisdoBrasilnasdimensõessociais, materiais e culturais como meio para construirprogressivamenteanoçãodeidentidadenacionalepessoaleosentimento de pertinência ao país;• conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio socioculturalbrasileiro,bemcomoaspectossocioculturaisdeoutrospovosenações,posicionando-secontraqualquerdiscriminaçãobaseadaem diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo,de etnia ou outras características individuais e sociais;• perceber-se integrante, dependente e agente transformadordoambiente,identificandoseuselementoseasinteraçõesentreeles, contribuindo ativamente para a melhoria do meioambiente;• desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e osentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física,cognitiva,ética,estética,deinter-relaçãopessoaledeinserçãosocial,paraagircomperseverançanabuscadeconhecimentoe no exercício da cidadania;• conheceroprópriocorpoedelecuidar,valorizandoeadotandohábitossaudáveiscomoumdosaspectosbásicosdaqualidadedevidaeagindocomresponsabilidadeemrelaçãoàsuasaúdeeàsaúdecoletiva;• utilizarasdiferenteslinguagens—verbal,musical,matemática,gráfica, plástica e corporal — como meio para produzir,
  6. 6. expressar e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir dasproduções culturais, em contextos públicos e privados,atendendoadiferentesintençõesesituaçõesdecomunicação;• saber utilizar diferentes fontes de informação e recursostecnológicos para adquirir e construir conhecimentos;• questionar a realidade formulando-se problemas e tratando deresolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, acriatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica,selecionandoprocedimentoseverificandosuaadequação.
  7. 7. ESTRUTURA DOS PARÂMETROS CURRICULARESNACIONAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
  8. 8. Apresentação ............................................................................................................................................ 151aPARTESíntese dos princípios que norteiam a Educação Física no ensino fundamental .............................. 19Princípio da inclusão .............................................................................................................................. 19Princípio da diversidade ......................................................................................................................... 19Categorias de conteúdos ...................................................................................................................... 19Caracterização da área ............................................................................................................................. 21Influências, tendências e quadro atual ................................................................................................. 21Algumas tendências pedagógicas da Educação Física escolar .................................................... 22Abordagem psicomotora........................................................................................................... 23Abordagem construtivista ........................................................................................................... 23Abordagem desenvolvimentista ................................................................................................ 24Abordagens críticas .................................................................................................................... 25Quadro atual .............................................................................................................................. 26Educação Física e a cultura corporal de movimento ........................................................................... 27Educação Física e a cidadania ............................................................................................................ 30Mídia e cultura corporal de movimento ................................................................................................ 31Educação Física e os temas transversais ............................................................................................... 34Ética ................................................................................................................................................. 34Saúde ............................................................................................................................................... 36Valores e conceitos .................................................................................................................... 36Procedimentos ........................................................................................................................... 38Pluralidade cultural ........................................................................................................................... 38Meio ambiente ................................................................................................................................. 39Orientação sexual ............................................................................................................................ 40Trabalho e consumo ........................................................................................................................ 42Aprender e ensinar Educação Física no ensino fundamental .............................................................. 45O que ensinar? ....................................................................................................................................... 45Para quem ensinar? ............................................................................................................................... 45Como ensinar? ....................................................................................................................................... 46Prazer, técnica e interesses .................................................................................................................... 47A resolução de problemas ............................................................................................................... 49O exercício de soluções por prazer funcional e de manutenção ................................................... 51A inserção nos grupos de referência social ..................................................................................... 51Automatismo e atenção ........................................................................................................................ 52Estilo pessoal e relacionamento............................................................................................................. 54Portadores de necessidades especiais .................................................................................................. 56Curso noturno ......................................................................................................................................... 57Avaliação no ensino fundamental ......................................................................................................... 58Instrumentos de avaliação ............................................................................................................... 60Objetivos gerais para o ensino fundamental ........................................................................................... 632aPARTEEducação Física para terceiro e quarto ciclos........................................................................................ 67Critérios de seleção dos conteúdos....................................................................................................... 67Relevância social ............................................................................................................................. 67Características dos alunos ............................................................................................................... 67Especificidades do conhecimento da área .................................................................................... 67Blocos de conteúdos ............................................................................................................................. 67Conhecimentos sobre o corpo ........................................................................................................ 68SUMÁRIO
  9. 9. Esportes, jogos, lutas e ginásticas ..................................................................................................... 70Atividades rítmicas e expressivas ...................................................................................................... 71Organização dos conteúdos ................................................................................................................. 73Atitudes: conhecimento sobre o corpo; esportes, jogos, lutas e ginásticas;atividades rítmicas e expressivas ...................................................................................................... 74Conceitos e procedimentos: conhecimentos sobre o corpo .......................................................... 75Conceitos e procedimentos: esportes, jogos, lutas e ginásticas...................................................... 76Conceitos e procedimentos: atividades rítmicas e expressivas ....................................................... 77Quadro ilustrativo .............................................................................................................................. 79Ensinar e aprender no terceiro e no quarto ciclos .................................................................................. 81Diversidade ............................................................................................................................................ 83Autonomia ............................................................................................................................................. 84Aprendizagem específica ...................................................................................................................... 86Objetivos para terceiro e quarto ciclos .................................................................................................... 89Conteúdos para terceiro e quarto ciclos ................................................................................................. 91Atitudes: conhecimento sobre o corpo; esportes, jogos, lutas e ginásticas; atividades rítmicase expressivas .......................................................................................................................................... 91Conceitos e procedimentos: conhecimentos sobre o corpo ................................................................ 93Conceitos e procedimentos: esportes, jogos, lutas e ginásticas............................................................ 95Lutas e ginásticas ............................................................................................................................. 96Conceitos e procedimentos: atividades rítmicas e expressivas ............................................................. 98Avaliação no terceiro e no quarto ciclos............................................................................................... 101Critérios de avaliação .......................................................................................................................... 101Orientações didáticas ............................................................................................................................... 103Mídia, apreciação e crítica.................................................................................................................. 103Olhar sobre os conteúdos .................................................................................................................... 105Bibliografia .................................................................................................................................................. 109
  10. 10. EDUCAÇÃO FÍSICAEDUCAÇÃO FÍSICA
  11. 11. 14
  12. 12. 15Para boa parte das pessoas que freqüentaram a escola, a lembrança das aulas deEducaçãoFísicaémarcante:paraalguns,umaexperiênciaprazerosa,desucesso,demuitasvitórias; para outros, uma memória amarga, de sensações de incompetência, de falta dejeito, de medo de errar...Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física trazem uma propostaqueprocurademocratizar,humanizarediversificarapráticapedagógicadaárea,buscandoampliar, de uma visão apenas biológica, para um trabalho que incorpore as dimensõesafetivas,cognitivasesocioculturaisdosalunos.Incorpora,deformaorganizada,asprincipaisquestõesqueoprofessordeveconsiderarnodesenvolvimentodeseutrabalho,subsidiandoasdiscussões,osplanejamentoseasavaliaçõesdapráticadeEducaçãoFísica.Na abertura, o documento apresenta a síntese dos princípios que norteiam aEducação Física no ensino fundamental. A seguir, localiza as principais tendênciaspedagógicas e desenvolve a concepção da área, situando-a como produção cultural. Aprimeira parte trata das contribuições para a formação da cidadania, sugerindo possíveisinterfacescomostemastransversais,discutindoanaturezaeaespecificidadedoprocessode ensino e aprendizagem e expondo os objetivos gerais para o ensino fundamental.Asegundaparteabordaotrabalhocomasquatrosériesfinaisdoensinofundamental,indicando objetivos, conteúdos e critérios de avaliação. Os conteúdos são apresentadossegundo sua categoria conceitual, procedimental e atitudinal, organizados em blocosinterrelacionados e são explicitados como possíveis enfoques da ação do professor. Essaparte contempla, também, aspectos didáticos gerais e específicos da prática pedagógicaemEducaçãoFísicaquepodemauxiliaroprofessornasquestõesdocotidianodassalasdeaulaeservecomopontodepartidaparaasdiscussões.O trabalho de Educação Física nas séries finais do ensino fundamental é muitoimportantenamedidaemquepossibilitaaosalunosumaampliaçãodavisãosobreaculturacorporal de movimento, e, assim, viabiliza a autonomia para o desenvolvimento de umaprática pessoal e a capacidade para interferir na comunidade, seja na manutenção ou naconstruçãodeespaçosdeparticipaçãoematividadesculturais,comojogos,esportes,lutas,ginásticasedanças,comfinalidadesdelazer,expressãodesentimentos,afetoseemoções.Ressignificar esses elementos da cultura e construí-los coletivamente é uma proposta departicipaçãoconstanteeresponsávelnasociedade.Secretaria de Educação FundamentalAPRESENTAÇÃO
  13. 13. EDUCAÇÃO FÍSICAEDUCAÇÃO FÍSICA1ª PARTE1ª PARTE
  14. 14. 18
  15. 15. 19SÍNTESE DOS PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM AEDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTALOsParâmetrosCurricularesNacionaisparaaáreadeEducaçãoFísicaescolartrazemcomo contribuição para a reflexão e discussão da prática pedagógica, três aspectosfundamentais, expostos a seguir.Princípio da inclusãoA sistematização de objetivos, conteúdos, processos de ensino e aprendizagem eavaliação tem como meta a inclusão do aluno na cultura corporal de movimento, por meiodaparticipaçãoereflexãoconcretaseefetivas.Busca-sereverteroquadrohistóricodaáreade seleção entre indivíduos aptos e inaptos para as práticas corporais, resultante davalorizaçãoexacerbadadodesempenhoedaeficiência.Princípio da diversidadeO princípio da diversidade aplica-se na construção dos processos de ensino eaprendizagem e orienta a escolha de objetivos e conteúdos, visando a ampliar as relaçõesentre os conhecimentos da cultura corporal de movimento e os sujeitos da aprendizagem.Busca-selegitimarasdiversaspossibilidadesdeaprendizagemqueseestabelecemcomaconsideraçãodasdimensõesafetivas,cognitivas,motorasesocioculturaisdosalunos.Categorias de conteúdosOsconteúdossãoapresentadossegundosuacategoriaconceitual(fatos,conceitoseprincípios), procedimental (ligados ao fazer) e atitudinal (normas, valores e atitudes). Osconteúdos conceituais e procedimentais mantêm uma grande proximidade, na medida emque o objeto central da cultura corporal de movimento gira em torno do fazer, docompreenderedosentircomocorpo.Incluem-senessascategoriasosprópriosprocessosdeaprendizagem,organizaçãoeavaliação.Osconteúdosatitudinaisapresentam-secomoobjetos de ensino e aprendizagem, e apontam para a necessidade de o aluno vivênciá-losde modo concreto no cotidiano escolar, buscando minimizar a construção de valores eatitudes por meio do “currículo oculto”.
  16. 16. 20
  17. 17. 21CARACTERIZAÇÃO DA ÁREAInfluências, tendências e quadro atualNo século XX, a Educação Física escolar sofreu, no Brasil, influências de correntesdepensamentofilosófico,tendênciaspolíticas,científicasepedagógicas.Assim,atéadécadade50,aEducaçãoFísicaorasofreuinfluênciasprovenientesdafilosofiapositivista,daáreamédica (por exemplo, o higienismo), de interesses militares (nacionalismo, instrução pré-militar),oraacompanhouasmudançasnoprópriopensamentopedagógico(porexemplo,avertente escola-novista na década de 50).Nessemesmoperíodohistóricoocorreuaimportaçãodemodelosdepráticascorporais,comoossistemasginásticosalemãoesuecoeométodofrancês,entreasdécadasde10e20, e o método desportivo generalizado, nas décadas de 50 e 60.Contudo,observa-senahistóriadaEducaçãoFísicaumadistânciaentreasconcepçõesteóricas e a prática real nas escolas. Ou seja, nem sempre os processos de ensino eaprendizagemacompanharamasmudanças,àsvezesbastanteprofundas,queocorreramno pensamento pedagógico desta área. Por exemplo, a co-educação (meninos e meninasna mesma turma) era uma proposta dos escola-novistas desde a década de 20, mas essadiscussãosóalcançouaEducaçãoFísicaescolarmuitotempodepois.Mais recentemente, na década de 70, a Educação Física sofreu, mais uma vez,influências importantes no aspecto político. O governo militar investiu nessa disciplina emfunção de diretrizes pautadas no nacionalismo, na integração (entre os Estados) e nasegurança nacionais, objetivando tanto a formação de um exército composto por umajuventude forte e saudável como a desmobilização das forças políticas oposicionistas. Asatividades esportivas também foram consideradas importantes na melhoria da força detrabalho para o “milagre econômico brasileiro”. Nesse período, estreitaram-se os vínculosentreesporteenacionalismo.Umbomexemploéousoquesefezdacampanhadaseleçãobrasileira de futebol, na Copa do Mundo de 1970.Em relação ao âmbito escolar, a partir do Decreto no69.450, de 1971, a EducaçãoFísicapassouaserconsideradacomo“aatividadeque,porseusmeios,processosetécnicas,desenvolve e aprimora forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando”. Odecretodeuênfaseàaptidãofísica,tantonaorganizaçãodasatividadescomonoseucontrolee avaliação, e a iniciação esportiva, a partir da quinta série, se tornou um dos eixosfundamentaisdeensino;buscava-seadescobertadenovostalentosquepudessemparticiparde competições internacionais, representando a pátria.Nesse período, o chamado “modelo piramidal” norteou as diretrizes políticas para aEducaçãoFísica:aEducaçãoFísicaescolareodesportoestudantilseriamabasedapirâmide;
  18. 18. 22a melhoria da aptidão física da população urbana e o empreendimento da iniciativa privadanaorganizaçãodesportivaparaacomunidadecomporiamodesportodemassa,osegundonível da pirâmide. Este se desenvolveria, tornando-se um desporto de elite, com a seleçãode indivíduos aptos para competir dentro e fora do país.Nadécadade80osefeitosdessemodelocomeçaramasersentidosecontestados:oBrasil não se tornou uma nação olímpica e a competição esportiva da elite não aumentousignificativamente o número de praticantes de atividades físicas. Iniciou-se então umaprofunda crise de identidade nos pressupostos e no próprio discurso da Educação Física,queoriginouumamudançaexpressivanaspolíticaseducacionais:aEducaçãoFísicaescolar,queestavavoltadaprincipalmenteparaaescolaridadedequintaaoitava sériesdoprimeirograu, passou a dar prioridade ao segmento de primeira a quarta séries e também à pré-escola.Oobjetivopassouaserodesenvolvimentopsicomotordoaluno,propondo-seretirarda escola a função de promover os esportes de alto rendimento.O campo de debates se fertilizou e as primeiras produções surgiram apontando orumodasnovastendênciasdaEducaçãoFísica.Àsrecém-criadasorganizaçõesdasociedadecivil, bem como entidades estudantis, sindicais e partidárias, somaram-se setores do meiouniversitário identificados com as tendências progressistas. Simultaneamente, a criaçãodos primeiros cursos de pós-graduação em Educação Física, o retorno de professoresdoutorados que estavam fora do Brasil, as publicações de um número maior de livros erevistas, bem como o aumento do número de congressos e outros eventos dessa naturezaforam fatores que contribuíram para esse debate.As relações entre Educação Física e sociedade passaram a ser discutidas sob ainfluência das teorias críticas da educação: seu papel e sua dimensão política foramquestionados.ALGUMAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS DAEDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAREm oposição à vertente mais tecnicista, esportivista e biologicista surgem novasabordagens na Educação Física escolar a partir do final da década de 70, inspiradas nomomento histórico social pelo qual passou o país, nas novas tendências da educação deuma maneira geral, além de questões específicas da própria Educação Física.Atualmente coexistem na área várias concepções, todas elas tendo em comum atentativaderompercomomodeloanterior,frutodeumaetaparecentedaEducaçãoFísica.Essasabordagensresultamdaarticulaçãodediferentesteoriaspsicológicas,sociológicaseconcepçõesfilosóficas.Todasessascorrentestêmampliadooscamposdeaçãoereflexãopara a área, o que a aproxima das ciências humanas. Embora contenham enfoquesdiferenciados entre si, com pontos muitas vezes divergentes, têm em comum a busca deuma Educação Física que articule as múltiplas dimensões do ser humano.
  19. 19. 23As abordagens que tiveram maior impacto a partir de meados da década de 70 sãocomumente denominadas de psicomotora, construtivista e desenvolvimentista comenfoques da psicologia crítica, com enfoque sociopolítico, embora outras transitem pelosmeios acadêmico e profissional, como, por exemplo, a sociológica-sistêmica e aantropológica-cultural.Abordagem psicomotoraA psicomotricidade é o primeiro movimento mais articulado que aparece a partir dadécadade70emcontraposiçãoaosmodelosanteriores.Nele,oenvolvimentodaEducaçãoFísica é com o desenvolvimento da criança, com o ato de aprender, com os processoscognitivos,afetivosepsicomotores,ouseja,buscandogarantiraformaçãointegraldoaluno.AEducaçãoFísicaé,assim,apenasummeioparaensinarMatemática,LínguaPortuguesa,sociabilização...Paraestemodelo,aEducaçãoFísicanãotemumconteúdopróprio,maséumconjuntodemeiosparaareabilitação,readaptaçãoeintegração,substituindooconteúdoqueatéentãoerapredominantementeesportivo,oqualvalorizavaaaquisiçãodoesquemamotor, lateralidade, consciência corporal e coordenação viso-motora.Este discurso penetrou no contexto escolar, tendo sido aceito pelos diferentessegmentos que o compõem, como diretores, coordenadores e professores. O discurso e aprática da Educação Física sob a influência da psicomotricidade conduzem à necessidadedeoprofessordeEducaçãoFísicasentir-seumprofessorcomresponsabilidadesescolarese pedagógicas. Buscam desatrelar sua atuação na escola dos pressupostos da instituiçãodesportiva, valorizando o processo de aprendizagem e não mais a execução de um gestotécnico isolado.A principal vantagem desta abordagem é que ela possibilitou uma maior integraçãocom a proposta pedagógica ampla e integrada da Educação Física nos primeiros anos deeducaçãoformal.Porém,representouoabandonodoqueeraespecíficodaEducaçãoFísica,como se o conhecimento do esporte, da dança, da ginástica e dos jogos fosse, em si,inadequadoparaosalunos.Abordagem construtivistaÉprecisolembrarque,noâmbitodaEducaçãoFísica,apsicomotricidadeinfluenciouaperspectivaconstrutivista-interacionistanaquestãodabuscadaformaçãointegral,comainclusãodasdimensõesafetivasecognitivasaomovimentohumano.NadiscussãodoobjetodaEducaçãoFísicaescolar,ambastrazemumapropostadeensinoparaaáreaqueabrangeprincipalmente crianças na faixa etária até os 10-11 anos.
  20. 20. 24Na perspectiva construtivista, a intenção é a construção do conhecimento a partir dainteração do sujeito com o mundo, e para cada criança a construção desse conhecimentoexige elaboração, ou seja, uma ação sobre o mundo. Nesta concepção, a aquisição doconhecimentoéumprocessoconstruídopeloindivíduodurantetodaasuavida,nãoestandopronto ao nascer nem sendo adquirido passivamente de acordo com as pressões do meio.Conhecer é sempre uma ação que implica esquemas de assimilação e acomodação numprocessodeconstantereorganização.A meta da construção do conhecimento é evidente quando alguns autores propõemcomoobjetivodaEducaçãoFísicarespeitarouniversoculturaldosalunos,exploraragamamúltipla de possibilidades educativas de sua atividade lúdica e, gradativamente, proportarefascadavezmaiscomplexasedesafiadorascomvistaàconstruçãodoconhecimento.A proposta teve o mérito de levantar a questão da importância de se considerar oconhecimento que a criança já possui na Educação Física escolar, incluindo osconhecimentospréviosdosalunosnoprocessodeensinoeaprendizagem.Essaperspectivatambémprocuroualertarosprofessoressobreaimportânciadaparticipaçãoativadosalunosnasoluçãodeproblemas.Abordagem desenvolvimentistaA abordagem desenvolvimentista é dirigida especificamente para a faixa etária até14 anos e busca nos processos de aprendizagem e desenvolvimento uma fundamentaçãopara a Educação Física escolar. É uma tentativa de caracterizar a progressão normal docrescimento físico, do desenvolvimento motor e da aprendizagem motora em relação àfaixaetáriae,emfunçãodessascaracterísticas,sugeriraspectosouelementosrelevantesàestruturaçãodeumprogramaparaaEducaçãoFísicanaescola.A abordagem defende a idéia de que o movimento é o principal meio e fim daEducaçãoFísica,propugnandoaespecificidadedoseuobjeto.Suafunçãonãoédesenvolvercapacidades que auxiliem a alfabetização e o pensamento lógico-matemático, embora talpossa ocorrer como um subproduto da prática motora. Em suma, uma aula de EducaçãoFísica deve privilegiar a aprendizagem do movimento, conquanto possam estar ocorrendooutras aprendizagens, de ordem afetivo-social e cognitiva, em decorrência da prática dashabilidades motoras.Grandepartedomodeloconceitualdestaabordagemrelaciona-secomoconceitodehabilidade motora, pois é por meio dela que os seres humanos se adaptam aos problemasdocotidiano.Comoashabilidadesmudamaolongodavidadoindivíduo,desdeaconcepçãoaté a morte, constituíram-se numa área de conhecimento da Educação Física — oDesenvolvimento Motor. Ao mesmo tempo, estruturou-se também uma outra área emtorno da questão de como os seres humanos aprendem as habilidades motoras — aAprendizagem Motora.
  21. 21. 25Paraaabordagemdesenvolvimentista,aEducaçãoFísicadeveproporcionaraoalunocondições para que seu comportamento motor seja desenvolvido pela interação entre oaumento da diversificação e a complexidade dos movimentos. Assim, o principal objetivoda Educação Física é oferecer experiências de movimento adequadas ao seu nível decrescimento e desenvolvimento, a fim de que a aprendizagem das habilidades motorassejaalcançada.Acriançadeveaprenderasemovimentarparaadaptar-seàsdemandaseàsexigênciasdocotidiano,ouseja,corresponderaosdesafiosmotores.A partir dessa perspectiva passou a ser extremamente difundida a questão daadequação dos conteúdos ao longo das faixas etárias. A exemplo do domínio cognitivo, foiproposta uma taxionomia para o desenvolvimento motor, ou seja, uma classificaçãohierárquicadosmovimentosdossereshumanos.Abordagens críticasComapoionasdiscussõesquevinhamocorrendonasáreaseducacionaisenatentativade romper com o modelo hegemônico do esporte praticado nas aulas de Educação Física,apartirdadécadade80sãoelaboradososprimeirospressupostosteóricosnumreferencialcrítico, com fundamento no materialismo histórico e dialético.AsabordagenscríticaspassaramaquestionarocaráteralienantedaEducaçãoFísicanaescola,propondoummodelodesuperaçãodascontradiçõeseinjustiçassociais.Assim,umaEducaçãoFísicacríticaestariaatreladaàstransformaçõessociais,econômicasepolíticas,tendoemvistaasuperaçãodasdesigualdadessociais1.Esta abordagem levanta questões de poder, interesse e contestação. Acredita quequalquerconsideraçãosobreapedagogiamaisapropriadadeveversarnãosomentesobrecomoseensinamecomoseaprendemesses conhecimentos,mas tambémsobreas suasimplicaçõesvalorativaseideológicas,valorizandoaquestãodacontextualizaçãodosfatosedoresgatehistórico.Buscapossibilitaracompreensão,porpartedoaluno,dequeaproduçãocultural da humanidade expressa uma determinada fase e que houve mudanças ao longodo tempo. Essa reflexão pedagógica é compreendida como sendo um projeto político-pedagógico.Políticoporqueencaminhapropostasdeintervençãoemdeterminadadireção,e pedagógico porque propõe uma reflexão sobre a ação dos homens na realidade,explicitando suas determinações.Quanto à seleção de conteúdos para as aulas de Educação Física, sugere que seconsidereasuarelevânciasocial,suacontemporaneidadeesuaadequaçãoàscaracterísticassociocognitivas dos alunos. Em relação à organização do currículo, ressalta que é preciso1É importante ressaltar que mesmo dentro da Educação Física surgiram alguns desdobramentos da abordagemcrítica, com posições nem sempre convergentes, mas que não serão discutidas neste texto.
  22. 22. 26fazeroalunoconfrontarosconhecimentosdosensocomumcomoconhecimentocientífico,paraampliaroseuacervo.Alémdisso,sugerequeosconteúdosselecionadosparaasaulasdeEducaçãoFísicadevem propiciar uma melhor leitura da realidade pelos alunos e possibilitar, assim, suainserçãotransformadoranessarealidade.AEducaçãoFísicaéentendidacomoumaáreaquetratadeumtipodeconhecimento,denominado cultura corporal de movimento, que tem como temas o jogo, a ginástica,o esporte, a dança, a capoeira e outras temáticas que apresentarem relações com osprincipais problemas dessa cultura corporal de movimento e o contexto histórico-socialdosalunos.Em resumo, a introdução das abordagens psicomotora, construtivista,desenvolvimentista, e críticas no espaço do debate da Educação Física proporcionou umaampliaçãodavisãodaárea,tantonoquedizrespeitoànaturezadeseusconteúdosquantonoquerefereaosseuspressupostospedagógicosdeensinoeaprendizagem.Reavaliaram-se e enfatizaram-se as dimensões psicológicas, sociais, cognitivas, afetivas e políticas,concebendo o aluno como ser humano integral. Além disso, foram englobados objetivoseducacionais mais amplos, não apenas voltados para a formação de físico que pudessesustentaraatividadeintelectual,econteúdosmaisdiversificados,nãosórestritosaexercíciosginásticoseesportes.Quadro atualNaatualidade,asquatrograndestendênciasapontadastêmsedesdobradoemnovaspropostaspedagógicas,emfunçãodoavançodapesquisaedareflexãoteóricaespecíficasda área e da educação escolar de forma geral, e da sistematização decorrente da reflexãosobreapráticapedagógicaconcretadeescolaseprofessores,que,muitasvezesdentrodesituações desfavoráveis, seguem inovando. Ao mesmo tempo, infelizmente, encontra-seainda, em muitos contextos, a prática de propostas de ensino pautadas em concepçõesultrapassadas, que não suprem as necessidades e as possibilidades da educaçãocontemporânea.Nesse contexto, instala-se um novo ordenamento legal na proposição da atual Leide Diretrizes e Bases, que orienta para a integração da Educação Física na propostapedagógicadaescola.Aodelegarautonomiaparaaconstruçãodeumapropostapedagógicaintegrada, a nova lei responsabiliza a própria escola e o professor pela adaptação da açãoeducativaescolaràsdiferentesrealidadesedemandassociais.Éimportanteressaltarqueessaautonomiadevepressuporavalorizaçãodoprofessore da instituição escolar, criando condições concretas e objetivas para o exercício produtivodessaresponsabilidade,poisapossibilidadedeconstruçãodevegerarumavançoemdireção
  23. 23. 27aoexercícioplenodacidadania,garantindoatodososalunosoacessoaosconhecimentosdaculturacorporaldemovimento.Poroutrolado,interessespolíticoseeconômicosescusospodem, a partir de uma interpretação distorcida da lei, legitimar a descaracterização daEducaçãoFísicaescolar,tornando-ameraáreatécnicaourecreativa,desprovidadefunçãono processo educativo pleno.É fundamental, portanto, que a escola, a comunidade de pais e alunos eprincipalmenteoprofessorvalorizem-seesejamvalorizados,assumindoaresponsabilidadedaintegraçãodestaáreadeconhecimentohumanoaoprojetopedagógicodecadaescola,exigindo plenas condições para o exercício de seu trabalho, garantindo para o aluno amanutenção de número adequado de aulas e de condições efetivas para a aprendizagem.Os Parâmetros Curriculares Nacionais se propõem a contribuir nessa construção,fornecendosubsídiosparaadiscussãoeconcretizaçãodapropostacurriculardecadaescola.Educação Física e a cultura corporal de movimentoO ser humano, desde suas origens, produziu cultura. Sua história é uma história decultura na medida em que tudo o que faz é parte de um contexto em que se produzem ereproduzem conhecimentos. O conceito de cultura é aqui entendido, simultaneamente,comoprodutodasociedadeecomoprocessodinâmicoquevaiconstituindoetransformandoa coletividade à qual os indivíduos pertencem, antecedendo-os e transcendendo-os.Não se trata aqui do termo cultura no sentido mais usual, empregado para definircertosaber,ilustração,refinamentodemaneiras.Nosentidoantropológicodotermo,afirma-se que todo e qualquer indivíduo nasce no contexto de uma cultura. Não existe homemsemcultura,mesmoquenãosaibaler,escreverefazercontas.Pode-sedizerqueohomemé biologicamente incompleto; não sobreviveria sozinho sem a participação das pessoas edo grupo que o geraram.A cultura é o conjunto de códigos simbólicos reconhecíveis pelo grupo, e é porintermédio desses códigos que o indivíduo é formado desde o nascimento. Durante ainfância, por esses mesmos códigos, aprende os valores do grupo; por eles é mais tardeintroduzidonasobrigaçõesdavidaadulta,damaneiracomocadagruposocialas concebe.Afragilidadederecursosbiológicosfezcomqueossereshumanosbuscassemsuprirasinsuficiênciascomcriaçõesquetornassemosmovimentosmaiseficientesesatisfatórios,procurandodesenvolverdiversaspossibilidadesdeusodocorpocomointuitodesolucionarasmaisvariadasnecessidades.Entreessaspossibilidadesenecessidadespodem-seincluirmotivosmilitares,relativosaodomínioeaousodeespaço;motivoseconômicos,quedizemrespeitoàstecnologiasdecaça, pesca e agricultura; motivos de saúde, pelas práticas compensatórias e profiláticas.Podem-se incluir, ainda, motivos religiosos, no que se referem aos rituais e festas; motivos
  24. 24. 28artísticos, ligados à construção e à expressão de idéias e sentimentos; e por motivaçõeslúdicas, relacionadas ao lazer e ao divertimento.Algumas práticas com motivos de caráter utilitário relacionam-se mais diretamenteà realidade objetiva com suas exigências de sobrevivência, adaptação ao meio, produçãode bens, resolução de problemas e, nesse sentido, são conceitualmente mais próximas dotrabalho.Outras,commotivosdecarátereminentementesubjetivoesimbólico,sãorealizadascom fim em si mesmas, por prazer e divertimento. Estão mais próximas do lazer e dafantasia,emborasuasorigens,emmuitoscasos,estejamempráticasutilitárias.Porexemplo,a prática do remo, da caça e da pesca por lazer e não por sobrevivência, o caminhar comopasseioeocorrercomocompetiçãoenãocomoformadelocomoção.Assim,àsatividadesdessesegundoagrupamentopode-seatribuiroconceitodeatividadelúdica,decertomododiferenciada do trabalho.Com um caráter predominantemente utilitário ou lúdico, todas visam, a seu modo, acombinar o aumento da eficiência dos movimentos corporais com a busca da satisfação edoprazernasuaexecução.Arigor,oquedefineocaráterlúdicoouutilitárionãoéaatividadeem si, mas a intenção do praticante; por exemplo, um esporte pode ser praticado com finsutilitários, no caso do esportista profissional, e pode ser praticado numa perspectiva deprazer e divertimento, pelo cidadão comum.Derivaram daí conhecimentos e representações que se transformam ao longo dotempo. Ressignificadas, suas intencionalidades, formas de expressão e sistematizaçãoconstituem o que se pode chamar de cultura corporal de movimento.Dentro desse universo de produções da cultura corporal de movimento, algumasforam incorporadas pela Educação Física como objetos de ação e reflexão: os jogos ebrincadeiras, os esportes, as danças, as ginásticas e as lutas, que têm em comum arepresentação corporal de diversos aspectos da cultura humana. São atividades queressignificamaculturacorporalhumanaeofazemutilizandooraumaintençãomaispróximado caráter lúdico, ora mais próxima do pragmatismo e da objetividade.A Educação Física tem uma história de pelo menos um século e meio no mundoocidental moderno. Possui uma tradição e um saber-fazer ligados ao jogo, ao esporte, àluta, à dança e à ginástica, e, a partir deles, tem buscado a formulação de um recorteepistemológico próprio.O trabalho na área da Educação Física tem seus fundamentos nas concepçõessocioculturais de corpo e movimento, e a natureza do trabalho desenvolvido nessa área serelaciona intimamente com a compreensão que se tem desses dois conceitos.Historicamente, suas origens militares e médicas e seu atrelamento quase servil aosmecanismos de manutenção do status quo vigente na sociedade brasileira contribuíramparaquetantoapráticacomoareflexãoteóricanocampodaEducaçãoFísicarestringissem
  25. 25. 29os conceitos de corpo e movimento — fundamentos de seu trabalho — aos seus aspectosfisiológicos e técnicos.No entanto, é necessário superar a ênfase na aptidão física para o rendimentopadronizado2, decorrente deste referencial conceitual, e caracterizar a Educação Física deforma mais abrangente, incluindo todas as dimensões do ser humano envolvidas em cadaprática corporal.Atualmente, a análise crítica e a busca de superação dessa concepção apontam anecessidadedequeseconsideremtambémasdimensõescultural,social,políticaeafetiva,presentes no corpo vivo, isto é, no corpo das pessoas, que interagem e se movimentamcomosujeitossociaisecomocidadãos.Buscando uma compreensão que melhor contemple a complexidade da questão, aproposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais adotou a distinção entre organismo — nosentido estritamente fisiológico — e corpo — que se relaciona dentro de um contextosociocultural—eabordaosconteúdos daEducaçãoFísicacomoexpressãodeproduçõesculturais, como conhecimentos historicamente acumulados e socialmente transmitidos.Portanto,entende-seaEducaçãoFísicacomoumaáreadeconhecimentodaculturacorporal de movimento e a Educação Física escolar como uma disciplina que introduz eintegra o aluno na cultura corporal de movimento, formando o cidadão que vai produzi-la,reproduzi-la e transformá-la, instrumentalizando-o para usufruir dos jogos, dos esportes,das danças, das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e damelhoria da qualidade de vida.Trata-se,portanto,delocalizaremcadaumadessasmodalidades(jogo,esporte,dança,ginástica e luta) seus benefícios humanos e suas possibilidades de utilização comoinstrumentos de comunicação, expressão de sentimentos e emoções, de lazer e demanutenção e melhoria da saúde. E a partir deste recorte, formular as propostas de ensinoeaprendizagemdaEducaçãoFísicaescolar.É fundamental também que se faça uma clara distinção entre os objetivos daEducação Física escolar e os objetivos do esporte, da dança, da ginástica e da lutaprofissionais. Embora sejam uma fonte de informações, não podem transformar-se emmetaaser almejadapelaescola,comosefossemfins emsimesmos.A Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos para quedesenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva, visando seuaprimoramento como seres humanos. Cabe assinalar que os alunos portadores denecessidadesespeciaisnãopodemserprivadosdasaulasdeEducaçãoFísica3.2Tradicionalmente, a “aptidão física” é um conjunto de capacidades, tais como força, resistência e velocidade, queo indivíduo deveria ter para estar apto a praticar atividades físicas. O “rendimento padronizado” diz respeito àsmetas de desempenho corporal que todos os alunos, independentemente de suas características, deveriam atingir.3O trabalho de Educação Física para portadores de necessidades especiais é abordado adiante, em item específico.
  26. 26. 30Seja qual for o objeto de conhecimento em questão, os processos de ensino eaprendizagemdevemconsiderarascaracterísticasdosalunosemtodasassuasdimensões(cognitiva,corporal,afetiva,ética,estética,derelaçãointerpessoaleinserçãosocial).Sobreo jogo da amarelinha, o de voleibol ou uma dança, o aluno deve aprender, para além dastécnicas de execução (conteúdos procedimentais), a discutir regras e estratégias, apreciá-los criticamente, analisá-los esteticamente, avaliá-los eticamente, ressignificá-los e recriá-los (conteúdos atitudinais e conceituais).ÉtarefadaEducaçãoFísicaescolar,portanto,garantiroacessodosalunosàspráticasda cultura corporal, contribuir para a construção de um estilo pessoal4de praticá-las, eoferecer instrumentos para que sejam capazes de apreciá-las criticamente.Educação Física e cidadaniaA concepção de cultura corporal de movimento amplia a contribuição da EducaçãoFísica escolar para o pleno exercício da cidadania, na medida em que, tomando seusconteúdos e as capacidades que se propõe a desenvolver como produtos socioculturais,afirma como direito de todos o acesso e a participação no processo de aprendizagem.Favorece, com isso, a modificação do histórico da área, que aponta para um processo deensino e aprendizagem centrado no desempenho físico e técnico, resultando em muitosmomentosnumaseleçãoentreindivíduosaptoseinaptosparaaspráticasdaculturacorporalde movimento.O princípio da inclusão do aluno é o eixo fundamental que norteia a concepção e aaçãopedagógicadaEducaçãoFísicaescolar,considerandotodososaspectosouelementos,sejanasistematizaçãodeconteúdoseobjetivos,sejanoprocessodeensinoeaprendizagem,para evitar a exclusão ou alienação na relação com a cultura corporal de movimento.Além disso, aponta para uma perspectiva metodológica de ensino e aprendizagemquebuscaodesenvolvimentodaautonomia,acooperação,aparticipaçãosocialeaafirmaçãode valores e princípios democráticos.O lazer e a disponibilidade de espaços públicos para as práticas da cultura corporaldemovimentosãonecessidadesessenciaisaohomemcontemporâneoe,porisso,direitosdocidadão.Osalunospodemcompreenderqueosesporteseasdemaisatividadescorporaisnãodevemserprivilégioapenasdosesportistasprofissionaisoudaspessoasemcondiçõesdepagarporacademiaseclubes.Darvaloraessasatividadesereivindicaroacessoacentrosesportivosedelazer,eaprogramasdepráticascorporaisdirigidosàpopulaçãoemgeral,éumposicionamentoquepodeseradotadoapartirdosconhecimentosadquiridosnasaulasdeEducaçãoFísica.4Esse conceito está desenvolvido no item “Afetividade e estilo pessoal” deste documento.
  27. 27. 31No âmbito da Educação Física, os conhecimentos construídos devem possibilitar aanálise crítica dos valores sociais, como os padrões de beleza e saúde, desempenho,competição exacerbada, que se tornaram dominantes na sociedade, e do seu papel comoinstrumento de exclusão e discriminação social.A atuação dos meios de comunicação e da indústria do lazer em produzir, transmitire impor esses valores, ao adotar o esporte-espetáculo como produto de consumo, tornaimprescindível a atuação da Educação Física escolar. Esta deve fornecer informaçõespolíticas, históricas e sociais que possibilitem a análise crítica da violência, dos interessespolíticos e econômicos, do doping, dos sorteios e loterias, entre outros aspectos.O vínculo direto que a indústria cultural e do lazer estabelece entre o acesso aosconhecimentos da cultura corporal de movimento e o consumo de produtos deve ser alvode esclarecimento e reflexão.A compreensão da organização institucional da cultura corporal de movimento nasociedade,incluindoumavisãocríticadosistemaesportivoprofissional,devedarsubsídiospara uma discussão sobre a ética do esporte profissional e amador, sobre a discriminaçãosexualeracialquenelesexiste.Essadiscriminaçãopodesercompreendidapelaexplicitaçãodeatitudescotidianas,muitasvezesinconscienteseautomáticas,pautadasempreconceitos.Contribui para essa compreensão, por exemplo, o conhecimento do processo político ehistóricodeinclusãodosnegrosedasmulheresnaspráticasorganizadasdosesportesemolimpíadasecampeonatosmundiais.Pode,ainda,favoreceraformaçãodeumaconsciênciaindividual e social pautada no bem-estar, em posturas não-preconceituosas e não-discriminatórias e, ainda, no cultivo dos valores coerentes com a ética democrática.Mídia e cultura corporal de movimentoAadolescênciatemcomoumadesuascaracterísticasatuaisacapacidadedeproduzirformas culturais próprias. Essa “cultura dos jovens”5está muito associada aos meios decomunicação, em especial a televisão, e valoriza o uso de uma linguagem audiovisual(combinação de palavras, imagens e música) que se manifesta na própria comunicaçãoentreosjovens(usodegestoscorporais,onomatopéias,gírias,palavrasefrasestruncadasetc.)enalinguagemdamídia6(videoclipes, imagens produzidas por computação gráfica,desenhosefotosassociadasatextosconcisosnasrevistasejornaisetc.).Amídiaestápresentenocotidianodosalunos,transmitindoinformações,alimentandoum imaginário e construindo um entendimento de mundo. Os alunos permanecem muitashoras diante do aparelho de televisão, que hoje rivaliza com a escola e com a família como5Para aprofundamento do assunto, consultar quarta parte da Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais.6“Mídia” é o aportuguesamento do latim “media”, plural “médium”, que significa “meio”. Por mídia entendem-se osmeios de comunicação, como rádio, televisão, jornais, revistas etc.
  28. 28. 32fonte de formação de valores e atitudes. Contudo, o que a mídia propicia, num primeiromomento, é um grande mosaico sem estrutura lógica aparente, composto de informaçõesdesconexase,emgeral,descontextualizadas.Tambémnocampodaculturacorporaldemovimentoaatuaçãodamídiaécrescenteedecisivanaconstruçãodenovossignificadosemodalidadesdeentretenimentoeconsumo.Oesporte,asginásticas,asdançaseaslutastornam-se,cadavezmais,produtosdeconsumo(mesmoqueapenascomoimagens)eobjetosdeconhecimentoeinformaçõesamplamentedivulgados ao grande público. Jornais, revistas, videogames, rádio e televisão difundemidéias sobre a cultura corporal de movimento, e muitas dessas produções são dirigidasespecificamente ao público adolescente e infantil. Os alunos também tomam contato, àsvezes precocemente, com práticas corporais e esportivas do mundo adulto. Hoje, todos osindivíduossãoconsumidorespotenciaisdoesporte-espetáculo,senãocomotorcedoresnosestádiosequadras,aomenoscomoespectadoresdetelevisão.Éevidenteque,namídia,existeumaparticipaçãomajoritáriadoesportecomonotícia,transmissão de eventos ao vivo ou simplesmente como temática (por exemplo, napublicidade). Basta ligar a televisão para perceber que o esporte está em toda parte. Emnovelas,noticiários,programasdeauditório,filmes,seriados,desenhosanimados,paranãofalar nos programas especificamente esportivos de reportagens e comentários. É possívelassistiraocampeonatoamericanodebasquetebol,aocampeonatoespanholoujaponêsdefutebol, à maratona de Nova York, a ciclismo ou hóquei, e assim por diante. A mídiaapresenta uma concepção prevalecente do que é esporte e do que é ser esportista, muitasvezes associada a “vencer na vida”, cultivando como valores o esforço intenso, o dinheiro,as medalhas olímpicas e recordes. Por outro lado, numa aparente contradição, ela tende achamar de “esporte” todas as atividades corporais que visam à melhoria da condição física(andar,correr,“malhar”naacademiaetc.),àsuperaçãodedesafios(body-jumping,asa-delta)ou a atividades na natureza (montanhismo, trilhas ecológicas).Mas também há aulas de ginástica aeróbica pela televisão, médicos dão entrevistasfalando dos benefícios e riscos da atividade física, comentaristas informam sobre táticas eregras nas partidas de futebol, vôlei ou basquete, e revistas femininas e para adolescentessugeremexercícioseequipamentosparadeixarocorpoemforma.Informaçõesnemsemprecorretas, nem sempre confiáveis, mas que se sobrepõem pela baixa capacidade crítica damaioriadostelespectadoreseleitores.Tudoissolevouoníveldeinformaçõespublicamentepartilhadas na área da cultura corporal de movimento a um patamar nunca antes atingidona História.Nocasodoesporte,atelevisãoproduziuumanovamodalidade—oesporteespetáculo— que se apóia na sofisticação de modernos recursos tecnológicos. Nas transmissões denatação,ginástica,hóquei,pára-quedismo,vôlei,corridadeautomóveis,esportes naneve,ciclismo,eesportesradicais,oclose,acâmaralenta,oreplay,osrecursosgráficospropiciadospelainformática,asminicâmarasacopladasnoscapacetesdosatletasenosautomóveisdecorrida tornam quase todas as modalidades espetáculos televisivos em potencial. Mesmo
  29. 29. 33as tradicionais transmissões de partidas de futebol utilizam cada vez mais câmaras,microfonesnocampo,replaycomputadorizado(otira-teima)eoutrosrecursosquepropiciamao telespectador uma experiência muito diferente de assistir ao vivo.Nasatividadesrítmicaseexpressivas,particularmentenasdançasurbanasdouniversopop,ocorreomesmofenômenodeespetacularizaçãonosvideoclipesrealizadoscomediçõesem velocidade alucinante e efeitos especiais.Na verdade, a televisão ilude o espectador, dando-lhe a falsa sensação de contatodireto com a realidade, quando existe uma distância entre a prática real do esporte e dadançaeoquesevênaTV.Háumprocessodemediaçãoentrearealidadeeaimagem,queenvolveaseleçãoeaediçãodefatoseaspectos,segundoumalógicadeespetacularizaçãoque é em parte motivada por interesses econômicos, em parte pela própria especificidadeda linguagem televisiva, cujas possibilidades são levadas às últimas conseqüências. Issoleva, em geral, à fragmentação e à descontextualização do fenômeno esportivo e corporalem geral, dissociando-o, ainda mais, da experiência primeira de praticar modalidades dacultura corporal ativamente.Por exemplo, a cada final de semana realizam-se centenas de milhares de partidasde futebol em todo o mundo. Terão destaque no noticiário de domingo à noite, além daspartidasdeníveltécnicomaiselevado,emgeraldospaísesmaisimportantesdocenáriodofutebol mundial, aquela ou aquelas em que ocorreram cenas de violência,independentemente da origem geográfica ou nível técnico, induzindo os telespectadoresà falsa opinião de que o futebol é, ou está se tornando, um esporte violento. E as outrasmilhares de partidas, nas quais tantas pessoas, sejam atletas ou não, vivenciaram umaexperiência corporal que lhes propiciou satisfação e bem-estar, oportunidades desociabilização e autoconhecimento no confronto com outrem etc.? A televisão raramentefalasobreisso.Nesse contexto, aparecem conseqüências importantes para a Educação Física. Emprimeirolugar,osalunospossuemmuitasinformaçõessobreaculturacorporaldemovimentoem geral e sobre esportes em particular, exigindo do professor uma atualização constante.A mídia exerce uma função genérica de conhecimento sobre essa cultura, o que podeenriquecerasuaapreciaçãoeinterpretaçãopelosalunos.Aimagempossuiumaimportânciacognitiva na atualidade e vai ao encontro da cultura audiovisual cultivada pelos alunos. Oprofessorprecisaestarpermanentementeatentoàmídia,afimdenãoperderumimportantecanal de diálogo e compartilhamento de interesses. Em segundo lugar, há um evidentedescompasso entre o nível técnico difundido pelo esporte-espetáculo da TV e as reaispossibilidades de alunos, professores e escola atingirem-no. Como atingir o nível técnicodos astros do basquete americano, ou de qualquer outra modalidade exercidaprofissionalmente?Nãosepodemignoraramídiaeaspráticascorporaisqueelaretrata.Esseéouniversoem que as novas gerações socializam-se na cultura corporal de movimento, pois o futebol,
  30. 30. 34por exemplo, não é mais só uma pelada num terreno baldio, é também videogame eespetáculo da TV. Portanto, a Educação Física deverá manter um permanente diálogocrítico com a mídia, trazendo-a para dentro da escola como um novo dado relacionado àcultura corporal de movimento.Educação Física e os temas transversaisAEducaçãoFísicadentrodasuaespecificidadedeveráabordarostemastransversais,apontados como temas de urgência para o país como um todo, além de poder tratar outrosrelacionadosàsnecessidadesespecíficasdecadaregião.Sobrecadatemaestedocumentotraz algumas reflexões para serem tratadas pela área, com a intenção de ampliar o olharsobre a prática cotidiana e, ao mesmo tempo, estimular a reflexão para a construção denovasformasdeabordagemdosconteúdos.É T I C AO desenvolvimento moral do indivíduo, que resulta das relações entre a afetividadee a racionalidade, encontra no universo da cultura corporal um contexto bastante peculiar,no qual a intensidade e a qualidade dos estados afetivos experimentados corporalmentenas práticas da cultura de movimento literalmente afetam as atitudes e decisões racionais.A vivência concreta de sensações de excitação, irritação, prazer, cansaço eeventualmenteatédor,juntoàmobilizaçãointensadeemoçõesesentimentosdesatisfação,medo,vergonha,alegriaetristeza,configuramumdesafioàracionalidade.Desafionomelhorsentido de controle e de adequação na expressão desses sentimentos e emoções, pois seprocessamemcontextosemqueasregras,osgestos,asrelaçõesinterpessoais,asatitudespessoaisesuasconseqüênciassãoclaramentedelimitadas.E,habitualmente,distintasdasexperimentadas na vida cotidiana.Aqui reside a riqueza e o paradoxo das práticas da cultura corporal, particularmentenassituaçõesqueenvolveminteraçãosocial,decriarumasituaçãodeintensamobilizaçãoafetiva, em que o caráter ético do indivíduo se explicita para si mesmo e para o outro pormeiodesuasatitudes,permitindoatomadadeconsciênciaeareflexãosobreessesvaloresmais íntimos.Oquesequerressaltaréapossibilidadedeconstruirformasoperacionaisdepraticarerefletirsobreessesvalores,apartirdaconstataçãodequeapenasapráticadasatividadese o discurso verbal do professor resultam insuficientes na sua transmissão e incorporaçãopelo estudante.O respeito mútuo, a justiça, a dignidade e a solidariedade podem, portanto, serexercidos dentro de contextos significativos, estabelecidos em muitos casos de maneira
  31. 31. 35autônoma pelos próprios participantes. E podem, para além de valores éticos tomadoscomoreferênciadecondutaerelacionamento,tornar-seprocedimentos concretos aseremexercidos e cultivados nas práticas da cultura corporal.No caso específico dos jogos, esportes e lutas, certamente não se pode estabeleceruma relação direta entre uma atitude pautada na ética dentro e fora da situação de jogo, ouseja,serjustonojogonãoimplicanecessariamenteserjustonasrelaçõessociaisconcretase objetivas. O inverso também é verdadeiro, pois nem sempre uma atitude pautada norespeito mútuo se mantém no calor de uma disputa lúdica. Nesse universo de situações,portanto, podem-se valorizar a possibilidade de construção coletiva e a priori das regras eos acordos firmados entre os participantes. Pois quando ocorre um descumprimento doque foi combinado se estabelece uma relação de responsabilidade pela conseqüência dasatitudes intrínsecas à própria atividade.Ao interagirem com os adversários, os alunos podem exercer o respeito mútuo,buscando participar de forma leal e não-violenta. Confrontar-se com o resultado de umjogoecomapresençadeumárbitropermiteavivênciaeodesenvolvimentodacapacidadede julgamento de justiça (e de injustiça). Principalmente nos jogos, em que é fundamentalque se trabalhe em equipe, a solidariedade pode ser exercida e valorizada. Em relação àpostura frente ao adversário, podem-se desenvolver atitudes de solidariedade e dignidadenosmomentosemque,porexemplo,quemganhaécapazdenãoprovocarenãohumilhar,e quem perde pode reconhecer a vitória dos outros sem se sentir humilhado.Nosjogos,esporteselutasemqueexistemregrasdelimitandoasações,surgemdoiselementosinteressantesparaadiscussãodevaloreséticos:umdeleséasimulaçãodefatose o outro é a figura do árbitro. Por exemplo, num jogo de futebol, um atacante entra naárea, dribla o jogador da defesa, mas adianta demais a bola e, ao perceber que perdeu ajogada, imediatamente se lança ao chão, simulando ter sofrido uma falta. Essa situaçãopode ser pano de fundo para uma interessante discussão, pois apesar das possíveis“vantagens” resultantes da simulação, o jogador segue sendo responsável por um ato quesabedesonesto.Afiguradoárbitropotencializaessasituação,namedidaemquepermiteaosjogadorestransferirem a responsabilidade moral para o juiz, incorporando a figura do árbitro ao jogo,comomaisumelementoquepodesermanipulado.Ouseja,todasimulaçãonãopercebidapelo juiz tornar-se legítima e em muitos contextos essa capacidade de simulação é tãovalorizadacomoashabilidadestécnicas.Emambasassituaçõesadiscussãodeveincluiradimensãopessoaldaéticanovaloratribuído às atitudes certas ou erradas, positivas ou negativas, construtivas ou destrutivas.Deve incluir, ainda, a dimensão social da ética que atribui valores às atitudes pessoais, eque, em muitos contextos, acaba por legitimar a transferência da responsabilidade dasatitudes pessoais para o grupo ou para o juiz. Em qualquer âmbito, a responsabilidademoral pelas atitudes é conseqüência do ato em si, independente de ter sido percebido ou
  32. 32. 36não pelo outro. O futebol profissional atualmente traz elementos para essa discussão, namedida em que as tentativas de simulação são consideradas passíveis de punição pelaregrae,emalgumastransmissõespelaTV,existeumcomentaristaespecíficoparaoárbitro.Aapreciaçãodoesporte-espetáculopermiteconhecerediferenciarasreferênciasdevalores e atitudes presentes nas práticas da cultura corporal exercidas profissionalmente,nasquais,obviamente,avitória,aderrota,aregraeatransgressãodaregraadquiremoutraconotação, outro tipo de conseqüência.S A Ú D EAsrelaçõesqueseestabelecementreotematransversalSaúdeeaEducaçãoFísicasão quase que imediatas e automáticas ao considerar-se a proximidade dos objetos deconhecimentoenvolvidoserelevantesemambasasabordagens.Dessaforma,apreocupaçãoearesponsabilidadenavalorizaçãodeconhecimentosrelativosàconstruçãodaauto-estimaedaidentidadepessoal,aocuidadodocorpo,ànutrição,àvalorizaçãodosvínculosafetivose a negociação de atitudes e todas as implicações relativas à saúde da coletividade, sãocompartilhadas e constituem um campo de interação na atuação escolar.Noentanto,comoapontadodeformaacertadaeinequívocanodocumentodeSaúde,a mera informação tem se mostrado insuficiente para a alteração ou construção decomportamentos favoráveis à proteção e à promoção da saúde do educando, e cabe àEducaçãoFísicaescolararesponsabilidadedelidardeformaespecíficacomalgunsaspectosrelativos aos conhecimentos procedimentais, conceituais e atitudinais característicos dacultura corporal de movimento.Nesse sentido, algumas ressalvas devem ser feitas ao tratamento específico que aárea dá aos valores e conceitos que circulam no ambiente sociocultural, veiculadosprincipalmentepelamídia,eaosaspectosprocedimentaiscomofontedeinformaçõesdiretaenecessariamentevinculadaaofazercorporal.Valores e conceitosApráticadejogos,esportes,lutas,dançaseginásticaséconsiderada,nosensocomum,como sinônimo de saúde. Essa relação direta de causa e efeito linear e incondicional éexplorada e estimulada pela indústria cultural, do lazer e da saúde ao reforçar conceitos ecultivar valores, no mínimo questionáveis, de dieta, forma física e modelos de corpo ideais.Atreladaaessaspremissasinevitavelmentecarregadasdevaloresideológicoseainteresseseconômicos,apráticadaatividadefísicaévinculadadiretamenteaoconsumodebensedeserviços (equipamentos, academias, espaços de lazer, complementos alimentares,
  33. 33. 37prescrições de treinamento), citada como método infalível no combate ao uso abusivo deálcool, fumo e drogas, e como recurso de integração social do jovem e do adolescente.Emsíntese,osconceitosevalores sobreas práticas corporais sãodivulgados dandomais ênfase aos produtos da prática e menos aos processos. Assim, a prática do esporteresultaria necessariamente em saúde, a dança em capacidade expressiva, a convivêncialúdica em relacionamento integrado, o exercício em boa forma, o esforço em sucesso ebem-estar, a prática sistemática em disciplina, e a superação de limites na satisfação e noprazer. As práticas da cultura corporal aparecem, quase sempre, em relações de causa eefeito que não são necessariamente verdadeiras e, em alguns casos, em premissasefetivamentefalsas(porexemplo,dequeexercíciosabdominaisemagrecem).Parecerestarao sujeito apenas submeter-se, adaptar-se a metas e padrões estabelecidos de antemão.Ou, sentindo-se incapaz, alienar-se, não se permitindo vivenciar a experiência.Énecessáriofazerumcontrapontoaoincluiroutrasinterpretaçõessobreoselementose as possibilidades que se abrem ao educando durante os processos. Por exemplo, amobilização de afetos e sentimentos de medo, vergonha, prazer, inclusão e exclusão; assensaçõesdeprazer,dor,preguiça,exaustãoesatisfação;anegociaçãodeinteressespessoaise grupais; a diversidade de formas de sistematização de programas de atividade física, osriscos de contusão a curto e longo prazos. O exemplo mais gritante dessa distorção é odiscursosobreostalentosinatosqueomitemosprocessosdetreinamentoedesenvolvimentoqueantecedemasconquistaseas vitórias.Além disso, deve-se ressaltar que grande parte das informações conceituaisdisponíveisnoambientesocioculturalrelativasàspráticasdaculturacorporaldemovimentodizem respeito ao exercício profissional dessas atividades, com enfoques e valores muitasvezes contraditórios que contribuem para a construção tanto de uma imagem distorcida doexercício profissional de esportes, lutas, danças e ginástica, como numa referênciaequivocada para o cotidiano do cidadão comum. Considerando a força que a cultura demassaconsegueimprimirnaconstituição/geraçãodemodelosdecomportamentoseatitudes,resultamdessasdistorções,porexemplonoplanoinstitucional,amanipulaçãodemagógicade poderes públicos, na prestação de serviços de lazer e programas de atividade física, e ousodeinstituiçõespúblicasdepesquisanageraçãodetecnologiaeconhecimentoaseremutilizados pelo setor privado. No plano pessoal, da vida cotidiana do cidadão, abre-se umespaço que favorece os modismos, o consumismo exacerbado ou a impossibilidade deacesso,aanorexiaentreadolescentes,aexclusãocalcadaemestereótiposepadrõescorporais,no comércio clandestino de anabolizantes, entre outros.Nesse sentido, para além do suporte de informações de caráter científico e cultural,é responsabilidade da Educação Física escolar diversificar, desmistificar, contextualizar, e,principalmente, relativizar valores e conceitos da cultura corporal de movimento.Assim, o aprendizado das relações entre a prática de atividades corporais e arecuperação, manutenção e promoção da saúde deve incluir o sujeito e sua experiência
  34. 34. 38pessoal ao considerar os benefícios, os riscos, as indicações e as contra-indicações dasdiferentes práticas da cultura corporal de movimento e as medidas de segurança no seuexercício.Ocotidianopostural,otipodetrabalhofísicoexercido,oshábitosdealimentação,sono, lazer e interação social, o histórico pessoal de relação com as atividades corporaisconstituem um sujeito real que deve ser considerado na formulação de qualquer programade saúde que envolva atividade física.ProcedimentosPrincipalmente nas zonas urbanas, as atuais condições socioeconômicas, como odesemprego crescente, a informatização e automatização do trabalho, a urbanizaçãodescontrolada e o consumismo, favorecem a formação de um ambiente em que o cidadãoconvive com a poluição, a violência, a deterioração dos espaços públicos de lazer e a faltade tempo para a atividade física e convívio social. Esse contexto contribui para a geraçãode um estilo de vida caracterizado pelo sedentarismo, pelo estresse e pela alimentaçãoinadequada, resultando num crescente aumento de mortes por doenças cardiovasculares.Essa situação, somada à falta de infra-estrutura pública para atividades corporais,transformaashorasdiantedatelevisãoemumadaspoucasopçõesdelazerparaamaioriada população, especialmente para crianças e adolescentes, o que leva à diminuição daatividade motora, ao abandono da cultura de jogos infantis e à substituição da experiênciade praticar atividades pela de assistir passivamente às práticas da cultura corporal demovimento.Nãobastasseessaconjuntura,aEducaçãoFísicaescolar,emmuitoscontextos,aindareproduz modelos de alienação e consumismo no próprio tratamento metodológico,excluindoalunosdoprocessodeaprendizagempornãoresolverumaquestãobásica:comofazer para que todos tenham a experiência de fazer? Como permitir que cada um, a seumodo, tenha as oportunidades de experimentar?Nenhumdiscursoracional,pormaiselaboradoqueseja,podesubstituiraexperiênciaprática e a vivência corporal. O movimento é real e não virtual. O gesto é a sensação, aemoção,areflexão,apossibilidadedecomunicaçãoesatisfação.Todasasmodalidadesdeesporte, dança ou ginástica, têm existência na medida em que são exercidas por pessoas.Pode parecer óbvio, mas a cultura corporal existe na medida em que é cultivada.PLURALIDADE CULTURALA Educação Física permite que se vivenciem diferentes práticas corporais advindasdas mais diversas manifestações culturais. Permite também que se perceba como essa
  35. 35. 39variada combinação de influências está presente na vida cotidiana7. Particularmente noBrasil, as danças, os esportes, as lutas, os jogos e as ginásticas, das mais variadas origensétnicas,sociaiseregionais,compõemumvastopatrimônioculturalquedeveservalorizado,conhecido e desfrutado. O acesso a esse conhecimento contribui para a adoção de umapostura não preconceituosa e não discriminatória diante das manifestações e expressõesdos diferentes grupos étnicos e sociais (religiosos, econômicos e de diferentes origensregionais)edaspessoasquedelesfazemparte.Na escola, a Educação Física pode fazer um trabalho de pesquisa e cultivo debrincadeiras, jogos, lutas e danças produzidos na cultura popular, que por diversas razõescorremoriscodeseresquecidosoumarginalizadospelasociedade.Pesquisarinformaçõessobreessaspráticasnacomunidadeeincorporá-lasaocotidianoescolar,criandoespaçosdeexercício,registro,divulgaçãoedesenvolvimentodessasmanifestações,possibilitaampliaro espectro de conhecimentos sobre a cultura corporal de movimento. Dessa forma, aconstrução de brinquedos, a prática de brincadeiras de rua dentro da escola, a inclusão dedanças populares de forma sistemática — e não apenas eventual — nas festas ecomemoraçõescontribuemparaaconstruçãodeefetivasopçõesdeexercíciodelazerculturale para o diálogo entre a produção cultural da comunidade e da escola.A intensa veiculação pela mídia e o caráter quase universal de determinadasmodalidadesesportivas,comoofutebol,ovôlei,obasquete,oboxeeoatletismo,permitemaapreciaçãoeacomparaçãodeestilosemaneirasdepraticá-las,relacionando-asadiversosgrupossociaiseculturais.Nocasodadança,épossívelquestionarasdistorçõesdecorrentesdamassificação,dabanalizaçãoedocarátercompetitivoimpostos pelaindústriadolazeredo turismo, em manifestações como o samba e a capoeira, por exemplo.Asregrasdosjogos,asadaptaçõesdosesportes,assimcomoasexpressõesregionais,ganham um sentido maior quando vivenciadas dentro de um contexto significativo, quepermita, por exemplo, comparar a capoeira que se pratica na Bahia com a capoeira que sepratica em São Paulo. Pode-se, ao contextualizar aspectos relativos à expressão cultural eao treinamento para competição, explicitar a trajetória da imigração de uma cultura, suaapropriação por outras culturas, trazendo à tona os valores e usos dados por seusprotagonistas.MEIO AMBIENTEAsinterseçõesdaEducaçãoFísicacomestetematransversal,noquedizrespeitoaocuidadodesimesmocomoumelementointegrantedomeioambienteeàresponsabilidade7Entende-se por “vida cotidiana” tudo aquilo que existe ao redor dos indivíduos, que está presente materialmenteno ambiente em que convivem: produtos culturais como escrita, números, hábitos sociais, objetos de uso, empregode conhecimentos científicos; ou tudo aquilo que chega até os indivíduos pelos meios de comunicação: transmissõesculturais, técnicas, saberes e mentalidades, provenientes de tempos e espaços diferentes.
  36. 36. 40socialdecorrente,estãodiretamentevinculadasaosaspectosdesenvolvidosnoitemSaúde.Noentanto,algumasoutrasreflexõessãonecessárias.Nasociedadecontemporâneaassiste-seaocultivodeatividadescorporaispraticadasem ambientes abertos e próximos da natureza. São exemplos dessa valorização o surfe, oalpinismo,obice-cross,ojet-ski,entreosesportesradicais;eomontanhismo,ascaminhadas,o mergulho e a exploração de cavernas, entre as atividades de lazer ecológico. Se por umladoépossívelpercebernessaspráticasumabuscadeproximidadecomoambientenatural,também é necessário estar atento para as conseqüências da poluição sonora, visual eambientalqueessasatividadespodemcausar.Ascaracterísticasbásicasdealgumasdessasmodalidades,comooindividualismo,abuscadaemoçãoviolenta(adrenalina),anecessidadede equipamentos sofisticados e caros, devem ser discutidas e compreendidas no contextoda indústria do lazer. Ou seja, é ingênuo pensar que apenas a prática de atividades junto ànatureza,porsisó,ésuficienteparaacompreensãodasquestõesambientaisemergentes.Emborapossaexistir,entreosadeptosdessasmodalidades,oenvolvimentocomasquestõesambientais, o que determinará o nível reflexivo sobre uma ou outra questão ambiental é areflexão crítica e atenta realizada pelos praticantes de cada atividade.Semprequepossíveléinteressantetrazerparaocotidianoumavisãosobreoequilíbriodossistemasedesociedadesustentávelquesejaamaispróximadarealidadelocal.Comarealização de atividades no meio natural, pode-se desenvolver uma atitude de observadoratento às mudanças, traçando possíveis relações que o meio estabelece com o organismodurante uma prática, e de uma atitude no cotidiano que busque minimizar as marcasdeixadas pelo homem no meio ambiente.Pode-se, ainda, desenvolver o hábito de silenciar quando em meio à natureza,ampliando a capacidade de percebê-la, de sentir-se parte, de responsabilizar-se pela suamanutenção. Esse enfoque pode representar um grande diferencial, pois desperta para apercepção de que os seres humanos são parte integrante do meio ambiente, e que poderobservá-lo, estudá-lo, deve contribuir para a compreensão de seus próprios desequilíbrios,projetados no meio por intermédio das suas ações e interferências.Dentrodoprojetopedagógicodecadaescola,pormeiodasaulasdeEducaçãoFísica,inclui-seessadimensãonotrabalhocotidiano,comautilizaçãotantodosespaçosdaescolacomodasáreapróximas,taiscomoparques,praçasepraias,espaçospossíveisparaaspráticas.Representam o meio ambiente com o qual o indivíduo se relaciona e são oportunos para odesenvolvimentodaspropostasdetrabalho,poisviabilizamadiscussãosobreaadequaçãodeespaçosparaapráticadaculturacorporal,sejaemlocaismaispróximosdanatureza,sejanoscentrosurbanos.ORIENTAÇÃO SEXUALAspráticasdaculturacorporaldemovimentosecaracterizam,entreoutrosaspectos,
  37. 37. 41por serem espaços de produção simbólica, de linguagens por meio das quais o homem serelaciona e se comunica com o outro e com sua própria cultura. Jogar, lutar e dançar poderepresentar, portanto, a possibilidade de expressar afetos e sentimentos, de explicitardesejos, de seduzir, de exibir-se.Essacomunicaçãoocorredentrodecertospadrõesestabelecidospelaprópriaculturacorporal de movimento, o que envolve valores, normas, atitudes, conceitos e,inevitavelmente, preconceitos.Para o jovem e o adolescente, as práticas da cultura corporal de movimento podemconstituir-senuminstrumentointeressantedecomunicaçãoeconstruçãodeauto-imagem,mas podem também, se certos cuidados não forem tomados, constituir-se num contextoameaçador e desfavorável para essa mesma auto-imagem. O ambiente sociocultural,permeado de valores preestabelecidos de beleza, estética corporal e gestual, eficiência edesempenho,senãoforobjetodeumaposturacríticaereflexiva,podeestabelecerpadrõescruéis para a maioria da população, abrindo espaço para a tirania dos modelos de corpo ecomportamento.Nesse sentido, a valorização do estilo pessoal e do interesse de cada pessoa emaperfeiçoar-se numa ou noutra modalidade contribui para o cultivo da cultura corporal demovimentocomoinstrumentodesociabilidadeeconvivênciasaudável.Porexemplo,numaatividade de vivência e apreciação crítica, pode-se conhecer a diversidade de linguagenscorporaisqueseexpressamnumdesfiledeescolasdesamba,emquecrianças,passistas,malabaristas,ritmistas,aladasbaianascompõem,cadaumaseumodo,umamanifestaçãode intensa riqueza simbólica. Essa experiência pode ser pano de fundo para uma reflexãosobre conceitos e preconceitos relativos à nudez, ao corpo do idoso e do jovem, e àdiversidade de biotipos e formas de expressão corporal.Outra vez se pretende evitar umaabordagemapenasdiscursiva,massimbuscaraconstruçãodesituaçõesnasquaisconceitos,preconceitos, valores e atitudes tenham conseqüências efetivas, reais, concretas.Aindaemrelaçãoàvalorizaçãodocorpoedomovimentocomoinstrumentoderelação,écomumaseguinteequação:apossibilidadedesatisfaçãodependedaaparência;aaparênciase constrói com esforço; e o esforço é sinônimo de sofrimento. Nesse contexto, sejustificariam falsas idéias como a de que “o exercício para fazer efeito tem de doer”, ou deque “determinado alimento engorda”.Abordaressadimensãodentrodeumaóticadeautoconhecimentoparaoautocuidadoe ampliá-la como sendo um direito almejar uma vida prazerosa possibilitarão umacontraposiçãoaosinteresseseconômicosquepregamabuscadaaptidãofísicapormeiodosofrimento, subjugando o corpo pela vontade apoiada em um modelo de dominação e noconsumodebenseserviços.Outra questão presente no universo da cultura corporal de movimento e dasexualidadedizrespeitoàconfiguraçãodepadrõesdegênerohomememulheresuarelaçãocom o corpo e a motricidade, padrões que se constroem e que são cultivados desde ainfância, pautados em referências biológicas e socioculturais.
  38. 38. 42Essa construção pode ser compreendida pela explicitação das atitudes cotidianas,muitas vezes inconscientes e automáticas, pautadas em valores preconceituosos. Porexemplo, com relação à habilidade das meninas para jogar futebol, é comum surgiremfrases como: “ela joga bem, parece até homem jogando”, “aquela menina é meio macho,olha como ela joga bem, pode até jogar com a gente”, e, nesses casos, é fundamental quese questione o modelo de eficiência que tem como referência o jogo masculino. Essa visãoem si já está permeada de valores culturais e estabelece padrões de identificação para acaracterizaçãodegêneroemrelaçãocomamotricidade,poisascaracterísticasmaisgenéricasdamotricidadedogêneromasculino,comoforçaevelocidade,edogênerofeminino,comocoordenação e equilíbrio, devem ser compreendidas independentemente do valor quesocialmente se atribui a elas.Pode-se estimular os alunos a comparar o desenvolvimento do futebol a outrosesportes, como o basquete, que inicialmente foram praticados apenas por homens e que,num segundo momento, desenvolveram-se sob as características femininas, criando umestilopróprio,nemmelhornempiorqueomodelomasculino.Pode-seatuarconcretamentecontra o preconceito expresso na falsa idéia de que “homem não dança”, cultivando aspossibilidadesdeexpressãomasculinanasatividadesrítmicaseexpressivas.Umabreveanálisesobreaparceriacoreográficaqueseestabeleceentreumaporta-bandeira e um mestre-sala, em que uma movimentação centrada e sutil da primeira atuaem complementariedade e como referência para uma movimentação mais dinâmica dosegundo, pode ilustrar uma reflexão sobre a riqueza de expressão que pode resultar dodiálogodecaracterísticasgestuaisrelativasaogênero.AsaulasmistasdeEducaçãoFísicapodemdaroportunidadeparaquemeninosemeninasconvivam,observem-se,descubram-seepossamaprenderasertolerantes,anãodiscriminareacompreenderasdiferenças,deforma a não reproduzir, de forma estereotipada, relações sociais autoritárias.Cabe, por último, alertar para a importância de uma reflexão dos professores sobrequais são os valores e os conceitos, cultivados implicitamente, que mantêm, instalam ouainda reforçam um papel de submissão nas relações que ocorrem no ambiente escolar,pautadasnasquestõesdegênero.TRABALHO E CONSUMOA crescente divulgação, pela mídia, das atividades corporais pode ser positiva comoestimuloàpráticaeàdivulgaçãodaculturacorporal,masnegativaquandoagregavaloresereproduz modelos estereotipados. Mais uma vez busca-se apontar para a necessidade deestimular no aluno a reflexão crítica sobre as relações que envolvem o consumo.Pode-seconsiderar,juntoaosalunos,quaissãoosequipamentosesportivosrealmentefundamentaisparaarealizaçãodeumadeterminadapráticae,pormeiodessamesmaanálise,
  39. 39. 43abordaraevoluçãodessesequipamentos,relacionando-oscomaspectostécnicosdeconfortoou moda. Trata-se de refletir, principalmente junto aos grupos de jovens e adolescentes,de que modo esses produtos são vinculados pela mídia à prática de atividades e em quemedidasetornamobjetodedesejo,poissuaaquisição(tênis,skate,roupas)implicaainclusãoou não a um determinado grupo de referência.Torna-se muito importante ao professor que trabalha com essa faixa etária ampliarseuolharparaessaquestão,poisoadolescente,aolidarcomasquestõesdeconsumo,devepoder criticar e reconstruir seus modelos e ideais de vida. Essa situação de transformação,comtodososconflitosqueacarreta,ficaocultamuitasvezes,poisofocoécolocadonaaçãode consumir: o consumo é apresentado como forma e objetivo da vida, com a criaçãopermanente de novas necessidades, transformando bens de consumo supérfluos ouconspícuos em vitais. A isto chama-se consumismo. O consumismo pode ser visto comoumadaschavesparaainterpretaçãodavidacotidiananaatualidade,tantodavidacotidianadossetoressociaisquepodemconsumircomotambémporsuaincorporaçãocomodesejoe expectativa nos setores que têm menos acesso — ou estão fortemente excluídos — aosbens e serviços oferecidos pelo mercado. Como exemplo, pode-se apontar o modelo deboaformafísicaveiculadocomaspráticaseosequipamentosnasacademias,quepodeseranalisado como inclusivo de alguns grupos que podem consumir, afirmando determinadosvalores estéticos e de moda, e exclusivo daqueles que não podem consumir nem a moda,nem pagar a academia. Não se trata de ser contra a academia e suas práticas, pois elasrepresentam significativa e benéfica influência nos hábitos de vida de parte da população,mas sim, a partir de uma análise contextualizada e mais aprofundada, de trazer para adiscussão com os alunos quais os conhecimentos científicos que embasam suas práticas,quais os modismos e como se exploram comercialmente certos produtos gerando o ato deconsumir inconscientemente.AindacomrelaçãoaotemaTrabalhoeConsumo,éinteressantelembrardaproduçãode jogos, brinquedos e materiais necessários para determinadas práticas. Pode-sedesenvolveravisãohistóricadaproduçãodessesequipamentoseconhecimentostratadosdentro da cultura corporal de movimento e sua forma de divulgação através dos tempos.Porexemplo,sobreaschamadaspipasoupapagaios,podem-selevantaralgumasquestões:como se ensina e se aprende a fazer e a usar? Qual é o valor de saber fazer e utilizar a suaprodução?Comoascriançastêmaprendido,tantonopassadocomoatualmente,aconstruirosprópriosbrinquedos?Pararefletirsobreatransformaçãodaproduçãoculturalemprodutoa ser consumido, podem-se levantar vários exemplos: tendo como objeto de análise acapoeira, considerar como foram historicamente produzidos e transmitidos seusconhecimentos e como isso ocorre atualmente; relacionar o surgimento das escolinhas defutebolcomodesaparecimento,quasequeporcompleto,doscamposdefuteboldevárzeanos grandes centros urbanos; questionar os critérios utilizados para os recortes que sãofeitossobreoconhecimentodaculturacorporal,porexemplopelas academias denatação,quando elegem os quatro estilos de competição como objetos de ensino e aprendizagemrepresentativos desse universo de conhecimento.
  40. 40. 44
  41. 41. 45APRENDER E ENSINAR EDUCAÇÃOFÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTALÉ necessário visualizar com nitidez os diversos caminhos que se estabelecem entreossujeitosdaaprendizagemeosobjetosdeensino.E,nessesentido,precisarcomclarezaas relações entre o que, para quem, e como se ensina e se aprende a cultura corporal demovimento na escola.O que ensinar?O principal instrumento que os Parâmetros Curriculares Nacionais trazem nestadireção é a abordagem dos conteúdos escolares em procedimentos, conceitos e atitudes.Apontam para uma valorização dos procedimentos sem restringi-los ao universo dashabilidades motoras e dos fundamentos dos esportes, incluindo procedimentos deorganização,sistematizaçãodeinformações,aperfeiçoamento,entreoutros.Aosconteúdosconceituaisderegras,táticasealgunsdadoshistóricosfactuaisdemodalidadessomam-sereflexões sobre os conceitos de ética, estética, desempenho, satisfação, eficiência, entreoutros. E, finalmente, os conteúdos de natureza atitudinal são explicitados como objeto deensino e aprendizagem e propostos como vivências concretas pelo aluno, o que viabiliza aconstrução de uma postura de responsabilidade perante si e o outro. Essa explicitaçãominimiza a construção de valores e atitudes, por meio do chamado “currículo oculto”8.Propõe-se, ainda, a inclusão de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinaisrelativosaosprópriosprocessosdeaprendizagem,visandoàconstruçãodeumaautonomiaparaaprenderaaprender.Para quem ensinar?Quem é o aluno do ensino fundamental? Quais são os seus interesses deaprendizagem?Quaissãoosseusconhecimentosprévios?Comosãocompostasasclasses?Quais as transformações corporais, cognitivas, afetivas e sociais que ocorrem neste alunodurante o ensino fundamental? Que grau de autonomia em relação ao próprio processo deaprendizagemoalunopodeassumiremcadaetapadaescolaridade?Asrespostasaessasea inúmeras outras perguntas devem dar subsídios para que os processos de ensino eaprendizagem incluam o aluno em relação interativa com os objetos de conhecimento da8Ver item “Conteúdos para o ensino fundamental”, neste documento.
  42. 42. 46área.Éfundamentalquenãosepercamdevistaaduraçãoeacomplexidadedessainteração,pois da mesma forma que os objetos de ensino transformam os sujeitos da aprendizagem,são,aomesmotempo,porelestransformados.É interessante refletir e considerar a qualidade e a quantidade de experiências deaprendizagem oferecidas pela escola, em relação com o meio sociocultural vivido peloaluno fora dela, no qual é bombardeado pela indústria de massa da cultura e do lazer comfalsasnecessidadesdeconsumo,carregadodemitosdesaúde,desempenhoebeleza,deinformaçõespseudocientíficasefalácias.Emsuma,umasociedadequeprometeparamuitose viabiliza para poucos.Os valores, os preconceitos, e os estereótipos presentes no ambiente são o pano defundodeterminanteparaageraçãodeinteressesemotivaçõesdosalunose,nessecontexto,deve-se valorizar a função social da escola como espaço de experiências em que amplaparceladapopulaçãopodeteracessoàpráticaeàreflexãodaculturacorporaldemovimento.Como ensinar?Nas aulas de Educação Física, os aspectos procedimentais são mais facilmenteobserváveis, pois a aprendizagem desses conteúdos está necessariamente vinculada àexperiência prática. No entanto, a valorização do desempenho técnico com pouca ênfasenoprazerouvice-versa,aabordagemtécnicacomreferênciaemmodelosmuitoavançados,a desvalorização de conteúdos conceituais e atitudinais e, principalmente, uma concepçãode ensino que deixa como única alternativa ao aluno adaptar-se ou não a modelospredeterminados têm resultado, em muitos casos, na exclusão dos alunos. Portanto, alémde buscar meios para garantir a vivência prática da experiência corporal, ao incluir o alunonaelaboraçãodaspropostasdeensinoeaprendizagemsãoconsideradassuarealidadesociale pessoal, sua percepção de si e do outro, suas dúvidas e necessidades de compreensãodessa mesma realidade. A partir da inclusão, pode-se constituir um ambiente deaprendizagemsignificativa,quefaçasentidoparaoaluno,noqualeletenhaapossibilidadedefazerescolhas,trocarinformações,estabelecerquestõeseconstruirhipótesesnatentativaderespondê-las.Naaprendizagemenoensinodaculturacorporaldemovimento,trata-sebasicamentede acompanhar a experiência prática e reflexiva dos conteúdos na aplicação dentro decontextos significativos. Durante esse acompanhamento, diversificando estratégias deabordagemdosconteúdos,professorealunopodemparticipardeumaintegraçãocooperativadeconstruçãoedescoberta,emqueoprofessorpromoveumavisãoorganizadadoprocesso,como possibilidades reais (experiência socioculturalmente construída, referência para aleitura da tentativa do aluno), e o aluno contribui com o elemento novo (o seu estilo pessoalde executar e refletir, e, portanto, de aprender), de que se apropria, trazendo a síntese daatualidade para o momento da aprendizagem (conhecimentos prévios, recursos de troca
  43. 43. 47de informações, informações da mídia etc.). Desse modo, ambos podem ressignificar suasestruturas interiores de aprendizagem e de ensino e elaborar a intenção e a predisposiçãonecessáriasparaaconstruçãodonovoedoatual.Emsíntese,oquesequerressaltaréquenemosalunos,nemosconteúdosetampoucoosprocessosdeensinoeaprendizagemsãovirtuaisouideais,massimreais,vinculadosaoque é possível em cada situação e em cada momento.Prazer, técnica e interessesEm função da própria natureza lúdica de muitas das práticas da cultura corporal edos diferentes contextos e intenções em que são exercidas, muito facilmente uma série deconfusõesseestabelecemnaconcepçãodosprocessosdeensinoeaprendizagem.Essasconcepçõesseexpressamnaspropostascurricularesorigináriasdeváriosestadosbrasileirosda seguinte forma:• em alguns casos, julga-se adequado nos dois primeiros ciclosuma ênfase nas atividades lúdicas por meio de jogos ebrincadeiras, considerando os perigos de uma especializaçãotécnica precoce e seus efeitos decorrentes;• noutras,justamenteemfunçãodasupostaprecariedadetécnicados jogos e brincadeiras exercidos nesses primeiros ciclos,propõem-seexercíciosdehabilidadesefundamentosesportivoscomo construção de pré-requisitos para a aprendizagem demodalidadesesportivasnosciclosposteriores.Em ambos os casos, o lúdico é visto como necessariamente satisfatório e comosinônimo de ausência de técnica ou, no mínimo, como descompromisso com a eficiência.Em oposição, em busca da eficiência técnica é atribuído um caráter de seriedade e demecanicismo, pautado em critérios de desempenho via de regra equivocados. Se, de fato,as atividades lúdicas contêm um caráter de fruição, de liberdade, de prazer e deimprovisação, também é fato que constituem um universo de desafios na direção daeficiência e do aperfeiçoamento técnico. E vice-versa, todo esforço na direção doaperfeiçoamentotécnico,sejaemquegraufor,podeedeveserfontedesatisfaçãoeprazer.Porexemplo,umjogodefuteboldecriançasiniciantesnamodalidade,mesmosendotecnicamente não muito elaborado, apresenta procedimentos que são frutos deaprendizagem,resultantesdeesforçoseadaptações.Mesmosendocativanteeprazeroso,nemporissodeixadecontermomentosdefrustraçãoeinsatisfação.Revelaoqueépossívelrealizar a partir das referências obtidas no ambiente sociocultural, dos recursos corporaisdisponíveisedasexperiênciasanterioresdaquelesjogadores.
  44. 44. 48Trata-sedecompreender,naconstruçãodaspropostasdeensinoeaprendizagem,abusca da eficiência (técnica) e da satisfação (prazer) como aspectos simultâneos ecomplementares e não como antagônicos ou excludentes. Aspectos que podem co-existir,mas que não são, necessariamente, vinculados ou decorrentes um do outro.Nesse sentido, é fundamental compreender de que modo se articulam osconhecimentostécnicos,asatisfação/prazere,principalmente,osinteressesdoalunocomomotivaçãoparaaaprendizagem,assimcomosituarquaisconceitosdetécnica,satisfaçãoeinteresseestãoimplícitosemcadaconcepçãodeensinoeaprendizagempresenteemcadacontexto.Pararefletirsobrecomoseestabelecemosreferenciaisparaaaprendizagemtécnica,pode-se utilizar, por exemplo, o ensino da natação. Por uma série de razões históricas esociais,edeinteresseseconômicos,dentretodoouniversodeconhecimentos construídospelo homem na sua relação com o meio líquido se faz um recorte priorizando os quatroestilos de natação presentes nas competições esportivas. Muito facilmente, esses estilosvão sendo considerados como sinônimo de natação, ou seja, aprender a nadar significaaprender a nadar os estilos clássico, costas, peito e borboleta. Outras situações como onadar em rios, o nadar no mar, os vários tipo de mergulho e salto, as brincadeiras na água,são excluídas como referenciais de técnica e situações de produção de conhecimento. Noextremo seria considerar que, nessas situações, os conhecimentos utilizados são inatos enão frutos de um processo de aprendizagem, ou, no mínimo, que neles a técnica não estápresente. O mesmo raciocínio poderia ser aplicado à dança, ao futebol ou ao judô, entreoutros.No exemplo da natação, sob esse critério de valorização dos quatro estilos comoreferencial de análise técnica, são construídas as propostas de ensino e aprendizagem, oque via de regra resulta numa visão restrita e excludente de outras possibilidades deaprendizagem. Talvez a mais restritiva delas seja a noção de certo e errado a partir de umreferencial absoluto e não relativo.Sempre que se falar em ensino e aprendizagem de alguma técnica corporal, énecessárioterclaroqualouniversodeconhecimentoqueseestáelegendocomoreferencial;e qualquer que seja esse referencial, omitir a técnica é obrigar o sujeito a “reinventar aroda”, alienando-o dos conhecimentos socialmente construídos. Valorizar o conhecimentotécnico como referência ideal e imutável é desconsiderar o sujeito da aprendizagem einviabilizar a sua contribuição nessa construção.Em determinados momentos, optar por uma tentativa gestual mais elaborada podesignificarumapossibilidademaisarriscadadeobtersatisfação,emboracommenoschancesde eficiência objetiva, como, por exemplo, ao tentar, num jogo de futebol, um drible numasituaçãoemqueumpasseseriaomaisprevisível.Emcasodesucesso,asatisfaçãoobtidadecorre justamente da eficiência na execução de um gesto com um grau de dificuldademaior.

×