Espiral 44

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Espiral 44

  1. 1. espiral da ANO xiI fraternitas moviment - ternit N.º vimento boletim da associação fraternitas movimento N.º 44 JULHO/SETEMBRO - JULHO/SETEMBRO de 2011A cor agem do AMOR fERNANDO fÉLIX N ascida do coração de Deus, a Igreja existe para o amor. O concílio Vaticano II, no documento do inquietado, de onde retiro uma frase: «Tu (Deus) criastes o mundo, nós criamos o imundo.».sobre a Igreja, Lumen Gentium, logo no número 1, diz que aIgreja é instrumento de Deus para a união de todos com Elee de todos entre si. Igreja existe para que possamos amar a A Fraternitas é uma presença profética de como é possível harmonizar o Eros com o Ágape. E não só a Fraternitas, mas todos os crentes e todas as associações eDeus e nos possamos amar uns aos outros. É por isso que ela todos os movimentos cristãos que dão testemunho práticose alegra com todas as tradições e leis que estreitam os laços de como não se pode amar a Deus que não se ê se não sesociais, religiosos, políticos e culturais entre todas as pessoas, ama o próximo que se vê.pois assim se alcança a plena unidade com Jesus Cristo. P or sua vez, se uma tradição ou lei não servir o estreitamento dos laços pelo amor, deve ser abolida. S omos famílias cristãs, modelo para os jovens e as outras famílias. Anunciamos com a nossa vida o que significa “ser uma só carne”, isto é, ser íntimos ao pontoE isto tanto na sociedade como, em particular, na Igreja. de deixar tudo e estar disposto a morrer pelo outro. Ser umaConcretamente, se organização da Igreja não levar ao estreitar só carne é amar, e amar é rir com quem ri, chorar com quemdos laços, à comunhão – feita de iguais direitos e deveres chora, andar com quem caminha, parar com quem descansa,diferentes – toda a estrutura de carismas e ministérios, acabaria sonhar com quem sonha, viver consciente e voluntariamentepor ser inútil e até prejudicial. a intimidade com quem se nos dá totalmente. A sociedade, hoje, não gosta de Deus e, por isso, não gosta dos cristãos. Mas, nos países ocidentais, a Igreja e o Cristianismo também perdem força profética, porque os cristãos adaptam-se em demasia ao modo de vida liberal. Não são corajosos. Falta-lhes seguir a Jesus Cristo com a radicalidade dos mártires. Vegetam no vazio espiritual. F elizmente, também há crentes enérgicos que atraem multidões. E isso nota-se quando o mundo propõe o individualismo, e os crentes propõem a comunidade, quando a sociedade impõe o consumismo, e os crentes propõem a partilha, quando o ruído social apregoa a indiferença, e a Igreja propõe o amor, quando os valores do mundo dizem que as N este boletim reflete-se sobre a crise e a falta de esperança, que exigem o vigor da fé. Fala-se de“Nova Evangelização”, para dizer que nós é que precisamos adversidades conduzem ao desalento e então é preciso destruir o que incomoda, os crentes dizem-se gratos e fortalecidos pela esperança de um presente e futuro melhores. Sim, comde mudar e não o Evangelho. Não pode acontecer na Igreja Jesus Cristo ganhamos confiança e sabemos que poderemoso que existe no desporto: quando se procura que os jogadores chegar a fazer aquilo de que já tínhamos desistido.mudem de atitude e a equipa renda mais, dá-se uma chicotadapsicológica, ou seja, despede-se o treinador! E fala-se daqueleamor que os pensadores recortaram em três definições: eros,filia e ágape. Eros é o amor carnal; filia é o amor de amizade O Encontro Nacional, em Fátima, de 30 de setembro a 2 de outubro, vai implicar muita coragem. A coragem do amor, pois coragem é o amor em ação. Vamose ágape é o amor divino, o amor em estado puro. E os falar de “Mulheres no mundo e na Igreja. O que foi feito? Oextremos tornaram-se inconciliáveis com o tempo, mas podem que falta fazer?” E vamos discutir se a Fraternitas pode ouser reharmonizados. Termina o «Espiral» com um texto não abrir-se a consagradas e consagrados não ordenados desvinculados dos seus votos. Que o Espírito nos ilumine!
  2. 2. documento2 espiralLivros de associados da Fraternitas editados em 2006 e 2008 Pelos meandros da produção literáriaNo Espiral número 42 – janeiro/ Em 2008 Jesus – «Ad Jesum per Mariam» a – (…):março de 2011 – estão anuncia- “ALGUMAS REFLEXÕES A o grande desconhecido dos fiéis cristãosdos os livros dos associados edi- PROPÓSITO DAS «APARIÇÕES» continua sendo a pessoa adorável detados em 2009 e 2010, um EM LOURDES. Algumas Reflexões Jesus de Nazaré. (…) Não há dúvida debiénio muito profícuo, tendo por nos 125 anos de culto a Nossa Senhora que estamos em tempo de crise e combase os dados de que o secretari- de Lurdes nas Lajes do Pico e nos 150 necessidade de mudança. (…) E na suaado dispõe. prosseguir, agora,Vamos prosseguir, agor a, com um anos do seu aparecimento a Bernardette Mensagem de Páscoa, o nosso bispo, D.triénio. E solicitam-se dados rela- Soubirous”, Artur Cunha de Oliveira António de Sousa Braga, teve a clarivi-tivamente a quaisquer livros pu- (Angra do Heroísmo, 2008), composi- dência e a fortaleza de afirmar:blicados, prevendo o próximo arti- ção e revisão da esposa, Antonieta Lo- «Nós cristãos deveríamos estargo sobre o período 2003-2005. pes Oliveira, edição do autor, [em for- mentalizados e preparados para as mu-Parabéns aos autores, e que Deus mato 17 cm/11.5 cm, 82 páginas]. danças necessárias na sociedade em que Trino louvado!Uno e Trino seja louv ado! Em Nota Explicativa, na página 3: vivemos e também na Igreja a que per-Se puderem, levem os vossos li- “É este o texto da conferência que pre- tencemos […] Qual fermento quer fer-vros e outras obras para os En- parei em resposta ao honroso convite menta a massa, a vida cristã é uma ca-contros Nacionais!... do vigário da Matriz da Santíssima Trin- minhada permanente de conversão e, Urtélia Silva Urtélia Silv dade da nobre Vila das Lajes do Pico, portanto de mudança (o sublinhado é reverendo padre Rui Silva, para com ela meu), também na forma histórica de participar na preparação da solene festa presença no mundo» (…).” em honra de Nossa Senhora de Lourdes (…). Em vez de acender mais uma “HISTORIAL DOS ARRUAMEN- consumptiva vela no altar da tradicional TOS DA VILA DE LAVRA”, e popular devoção (…), optei por Boaventura Santos Silveira (Lavra, 2008), reflectir um pouco sobre a atual situação [em formato A4, com 546 páginas]. de crise que já se verifica e avulta na Igreja Na Introdução: "Existem, no per- Católica e no Cristianismo (…).” curso das nossas vidas, pessoas e factos Em Conclusão, nas páginas 76-79: que nos marcam e lembram o que de “A partir de 1891 até bem uma deze- mais importante e profundo subsiste no na de anos depois da implantação da nosso íntimo, quase nos ‘tatuando? a República em Portugal, não passou alma, a partir do momento em que vi- ano em que não houvesse numa qual- vemos a oportunidade e/ou felicidade Deste triénio, em 2008, recebemos quer ilha dos Açores a inauguração de de os encontrar e perscrutar. Ficarão in-o número duplo 31-32 da revista Refle- templo, ermida ou capela em honra e crustados no nosso ser, quais pedrasxão Cristã, propriedade e edição do louvor de Nossa Senhora de Lurdes, graníticas, belas e imutáveis, fortes e sóC.R.C. (Centro de Reflexão Cristã), a nem fosse trazida para um altar de lidas, como devem ser os pilares da exis-cuja Direção pertencia à data o associa- igreja, ermida e capela não dedicada tência de cada um de nós.do n.º 33, Carlos Leonel Pereira dos a Nossa Senhora de Lurdes a sua "Mutatis mutandis", isto é, mudan-Santos, que saudosamente partiu em 16 veneranda imagem. (…) E que efei- do o que deve ser mudado, igualmentede outubro desse mesmo ano. A ele se tos resultaram dessa devoção e culto? os topónimos e antropónimos dosrefere outro membro da Direção, Gui- Não é possível sabê-lo. Tudo per- arruamentos da vila de Lavra nos re-lherme de Oliveira Martins, na página manece no recôndito das consciências e cordam atos e factos passados ou pes-11 desse mesmo número: “ (…) E não no mistério que é Deus. (…) Ademais, e soas que nos precederam."esquecendo a sua entrega à causa do li- contrariamente ao que teológica e pas- Do vereador do Pelouro da Culturavro cristão, como semente no mundo toralmente devia ser a devoção e o cul- da Câmara Municipal de Matosinhos:contemporâneo. (…)” to a Maria de Nazaré, Mãe do Senhor "Com este livro, Boaventura Silveira
  3. 3. documento l espiral 3volta a surpreender-nos. Depois do Prefácio de D. Manuel Martins, bis- lido a capela que tínhamos, para cons-exaustivo ensaio "PESSOAS DE LA- po emérito de Setúbal: "Quando Pio XII truir outra nova. (…) Vi-me assim obri-VRA" em dois volumes, o autor regres- proclamou o nosso Santo António Dou- gado a escrever este livro, ao ritmo dosa com mais um estudo aprofundado tor da Igreja, anunciou-o ao mundo com andamento dos processos (ao longo desobre esta freguesia do concelho. Desta uma carta que começava assim: "Exulta, cinco anos). (…).”feita, sobre a origem e explicação das ó Portugal Feliz". Quando faço voltar Do III, “Monfebres quer capeladesignações das múltiplas artérias viári- às minhas mãos o pri-as de Lavra. Da enigmática e antiquíssi- meiro volume dema designação da "minha" Rua dos Pessoas de Lavra" e ago-Imbelos até ao incontornável José Do- ra me vejo perante ummingues dos Santos, são um sem-nú- segundo, apetece-me,mero de interessantíssimas e úteis infor- mas a sério, servir-memações que fazem, afinal, a História. das palavras do grande(...)”. Pontífice, para exclamar: "Exulta, ó Lavra Feliz". Em 2007 É que é mesmo caso para Nada consta no secretariado. isso. (...) São as pessoas que fazem a terra, que Em 2006 dão alma e identidade à "PESSOAS DE LAVRA" (2.º volu- terra, que permitem queme), Boaventura Santos Silveira (Lavra, a terra não perca a2006), [em formato A4, com 572 pági- memória. Está infelizmente em voga a nova”, páginas 87,89,92:nas]. (Nota: O 1.º volume. foi publica- terrível doença de Alzheimer, que tem “(…) Foi assim que a “11/04/99,do em 1996). como primeiro sintoma e mais sentido (…) celebrava a primeira missa na nova agravo a perda de memória. À medida capela (…)A celebração litúrgica (…) foi que vamos perdendo memória, vamos animada com cânticos e com este também perdendo consciência de nós. ofertório solene: Esta doença não atinge, não atingirá, “Trazemos ao teu altar sobretudo pela sorte que Deus lhe con- P´ra Vós, Senhora das Neves, cedeu na pessoa de seu ilustre filho Dr. Na luz pura desta vela Boaventura Silveira, que apreende, sen- Padroeira e Mãe tão boa, te, comunga e transmite, com mãos de A Fé viva de Monfebres mestre, a vida da sua terra.(...)”. Já que sois nossa Rainha Que Te ergueu esta capela. Na Introdução: "Nós temos a dita “ MEMÓRIAS DE UMA CAPE- (…)de Lavra se situar na orla marítima. E LA – O Poder da Baixa Política e a For- Trazemos mais esta coroa.”um dos "frutos" do mar são os búzios, ça Instável do Povo Simples”, Rogério Em Conclusão, nas páginas 142 eque todos conhecem, e, com certeza, Morais Teixeira (Murça, 2006), edição 143: “ (…) Só muito mais tarde, e de-muitos, ciosamente, os guardam como do autor [formato A5, 150 páginas]. pois de muito rogada, é que a dioceseobjetos de adorno. Ora, se aplicarmos Em Nota Prévia, nas páginas 5e 6: “ se pronunciou sobre o processo judicialum deles, na sua parte mais bojuda e Sendo a construção de uma capela acon- que nos tinham levantado, e em cuja ori-aberta, junto do nosso ouvido, escuta- tecimento digno de celebração e de re- gem tinha estado a própria diocese. (…)remos algo de verdadeiramente surpre- gisto na história de qualquer aldeia, (…) O depoimento chegou tão tarde queendente e maravilhoso: de dentro dele mais que recordar, nos farão reviver a nem o apresentámos para defesa. (…)ressoa o murmúrio cavo e confuso de justa alegria que, (…), sentimos na festa O prelado, que nos dera luz verde paratodas as "vozes" do mar, do seu maru- de inauguração [da Capela de avançar, em vez de nos defender, rea-lhar profundo e contínuo. (...) Oxalá este Monfebres, paróquia de Candedo, con- gindo prontamente, deixou que o toirolivro desempenhe, junto de cada leitor, celho de Murça]. (…) Só que, vivendo investisse contra nós e nos ferisse grave-a função do búzio: este lembra o mar, nós ainda um clima de justificado orgu- mente, só nos vindo acudir, quando nós,onde teve origem; "PESSOAS DE LA- lho, (…) eis que somos surpreendidos por nosso próprio pé e a sangrar, saí-VRA" oxalá relembre e fortaleça a esti- (…) por uma ação judicial que nos acu- mos já da arena. Mas antes tarde quema pelo rico património humano que sava de ter praticado «um ato de nunca. Por isso, mesmo assim, apraz-nosnos legaram os nossos antepassados. (...)” selvajaria criminoso» por termos demo- agradecer (…).”
  4. 4. opinião4 espiral Porquê? problemas da vida ausentes. A Fé não ilumina a vida. Os problemas que nos afetam passam ao largo. Fala-se do gestos A Fé descarnada não ilumina, não ajudanem leva à transformação. Não interpreta. homem, mas do ‘anjo’. A Fé não ilumina, não ajuda nem leva à transformação. Não interpreta. Fé desencarnada. pessoais A crise que nos afeta não é maldição de Deus. Não é praga Todos os dias nós acordamos com contra o homem. Não é uma notícias perturbadoras (…). fatalidade. É consequência da Queremos dar algumas pistas para ação do homem, da sua ajudar as comunidades que servimos e ambição, da sede do domínio, da para que alentem a esperança de todos sofreguidão do capital. Toda a perante um futuro fortemente gente sabe disso! Mas é preciso angustiante. (…) Deus ouviu o clamor alertar. Criar consciência. Vencer do povo oprimido no Egito e nunca a crise com determinação, foi indiferente ao sofrimento dos pobres. vontade, certeza de que a força do nosso Deus está com os pobres, os marginalizados, os A política não me seduz. sem teto, os desempregados, osDesinteressei-me! Debates no velhos… Do outro lado, os lucrosParlamento, que resolvem? Os desmedidos de empresas, os salários ecompadrios e oportunismos de comissões chorudas dos ‘protegidos’.deputados e secretários? A E a Igreja? O arcebispo de Bragapermissividade de ministros? O apelou à solidariedade dos padres. O P.evedetismo? Decerto, tudo isto ou um Mourujão chamou a atenção do novopouco de cada coisa. Governo para a situação dos pobres… Na campanha eleitoral, fui a um Não basta. A caridade não substitui a 1. Combater a ignorânciacomício! Para ver… Pensei nas justiça. E é de justiça que se trata. Melhor: indesculpável como um serviço àrivalidades partidárias, na falta de ideias, a justiça é a caridade no mais alto grau. verdade que liberta.na ausência de debates dos problemas Justiça e caridade identificam-se. A cada (…) Reconhecemos que temos vividoque nos afligem… «Muita parra… Uma um o que é devido. O direito dos pobres: acima das nossas possibilidades. (…) Onoite para esquecer!», pensava. A escola, a dignidade. trabalho deve estar sempre acima doedifícios, sistema, professores e a sua Interrogo-me. Maria ouve Jesus: capital. O trabalho não é um meio deavaliação, dotação, depois os tribunais e “Escolheu a melhor parte”. Seria o novo produção ou mais um recurso; nele estáquestões de justiça. Os problemas com Reino que Jesus anuncia já presente? em jogo a dignidade da pessoa.os operários, ordenados em atraso Precisamos de profetas que anunciem, Causa-nos perplexidade o modo(milhões de euros!), retenção de testemunhem pela palavra e pelo como os lucros são privatizados, eordenados, desrespeito pelas categorias exemplo este Reino de verdade, justiça, socializados prejuízos, em parte,profissionais, violência sobre amor. A liturgia, sacramentos são uma branqueados com o dinheiro público.trabalhadores, exploração nos horários, parte deste Reino, mas é a vida, a palavra,os recibos verdes, desvio nos descontos,despedimentos, falências fraudulentas, o o exemplo, que fazem de nós testemunhas verdadeiras. 2. Devemos tomar partido pelasdesemprego, o aproveitamento da crise, Na Igreja sou caput minor. Devo vítimas da crise. A solidariedade é umacorrupção… os juros, as execuções manter-me em silêncio. Somos laicos. O virtude essencial para tanto elevar ahipotecárias, o domínio do capital… a leigo deve ouvir com atenção! Não estará moral numa sociedade individualista edesumanidade que se vive. neste procedimento pastoral a razão de materialista, como para garantir a Vi-me confrontado com a Fé. abandono de tantos cristãos? Decerto sobrevivência das suas vítimas. Tomar Nas celebrações da Fé, raramente não será fácil encontrar as causas. O que partido supõe que nem tudo vale e nãoaparecem estes problemas. Ninguém se não nos satisfaz são as soluções até agora podemos manter atitudes que nosquestiona. Fazem-se as leituras que a encontradas ou sugeridas. tornem menos credíveis, ou seja, fazerliturgia prevê. Faz-se a homilia, com os um pacto com as grandes empresas que Joa q uim Soares Joa Soares
  5. 5. opinião l espiral 5 contra a Eu creio, Senhor! crise «Eu creio, Senhor, aumenta a minha fé!» (Mc 9, 24) económica Há quarenta e dois anos, fui apresentado ao meu bispo para serFórum «Curas Madrid» / AditalFórum Adital ordenado sacerdote. Aceitei-o com liberdade e responsabilidade. Os tempos «As alegrias e as esperanças, as tristezas e não eram fáceis. O Vaticano II, encerradoas angústias dos homens de nosso tempo, havia pouco tempo, ainda estava vivo.sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, Na nossa memória o bom papa João,são por sua vez as alegrias e esperanças, tristezas ‘jovem’, estimulava a uma açãoe angústias dos discípulos de Cristo» (GS 1). comprometida, honesta, que se abria ao Esperança! Não me angustio. A diálogo. O Espírito vivo animava a Deus pertencem os tempos e o universo. Igreja, impelindo-a para caminhos Deus tira proveito do erro ou dasfinanciam os nossos eventos e, novos. Autêntico Pentecostes! limitações dos homens. E a intenção, anecessariamente, baixar o tom das E seguimos em frente! Servi com vontade manifesta, a disponibilidadecríticas, aceitando o dito: “Não podes entusiasmo e alegria. Enfrentámos com total, satisfazem plenamente emorder a mão que te alimenta.” determinação o imobilismo paralisante compensam as outras falhas dosAusteridade, comunhão de bens, – atrofiante. Superámos dificuldades, homens. Deus não está limitado pelaconsumo responsável, o uso da banca choques… apostámos numa linha de capacidade, iluminada ou mesquinha,ética, apoio material, apoio emocional e futuro, apoiados em Jesus Cristo, num dos decisores.espiritual para com os desempregados, diálogo aberto, perseverante. Crescemos Amigo, não vejas nestas minhasa oferta de espaços e momentos para na Fé! Alterar mentalidades não é fácil, palavras um apelo ao conformismo, àencontros, para a festa, para a escuta da remover convicções ancestrais, marcadas aceitação passiva daquilo que nos parecePalavra de Deus que sustenta a esperança, pela burocracia, pela religiosidade – contrariar os mais altos desígnios depara a celebração da vida animada pelo imobilizadora… Foi o nosso percurso Deus. Sempre: um não rotundo àEspírito, são algumas ações que eclesial! rebelião! Mas nunca cruzar os braços epodemos, baseados na justiça social e Novos caminhos se abriram. Em deixarmo-nos ir… Não! No tempo dena Doutrina Social da Igreja. 1978, reiniciei a caminhada, partilhando Pio XII, ninguém esperava o Vaticano a vida, em rumos novos, de aventura e II. Aconteceu. Uma surpresa! Alguém 3. Mostrar o rosto de uma Igreja realização humana e sacerdotal, com a tinha esperança e mantinha a vela acesaSamaritana e amável, mas inflexível com companheira de todos os dias. para uma Igreja renovada: ‘serva ea injustiça. Queremos ser uma igreja que Sonhámos. Era possível continuar com pobre’. Não esperou em vão! Dianteconforta, que dá esperança e que os compromissos anterior mente dos olhos o exemplo de Maria: sempredenuncia a injustiça. assumidos? É a questão. Os homens, presente, na discrição. Para isso, fazemos do sofrimento do ainda que com boas intenções, traçam Novos apelos do Espírito. Sabernosso próximo algo que nos caminhos difíceis. Ai! A coerência… esperar! O caminho será longo. Nãodesassossega e nos ocupa, tema das A Igreja condiciona, em nome de perscrutemos os tempos, nemnossas reflexões, da nossa oração (…). valores mais altos, o exercício do múnus antecipemos acontecimentos. Sejamos Apostamos em alternativas (valores sacerdotal. É razoável em situações perseverantes. Não nos contentamosdo Evangelho) aos valores materialistas normais. Em situações de exceção, como com soluções fáceis. E o Espírito levar-do capitalismo desenfreado (…). as de hoje, com inúmeras paróquias nos-á por caminhos novos, para soluções desprovidas e com o reduzido número futuras, totalmente inesperadas – de padres assoberbados por celebrações imprevisíveis. Ele está presente. Abramo- 4 . Colaborar com os grupos/ múltiplas - que fazer? Aprecio a posição nos ao Espírito. Às vezes parece ummovimentos/iniciativas sociais que da Fraternitas: mantém viva a esperança fantasma. Não ter medo é caminho dereivindicam os valores sociais (direitos de que alguns responsáveis da Igreja fé. “Senhor, aumenta a minha fé”.humanos). revejam a realidade. J. S.
  6. 6. notícias6 espiralMENS@GENS ELETRÓNIC@S A qualquer instante, chegam Miranda, C. M. de Barcelos, C. M. demensagens por correio eletrónico ao Sousel, J.P.F., Casa de Pascoaes, Herdeirosendereço do secretariado da Fraternitas do poeta António Pinheiro Guimarães– secretariado@fraternitas.pt. e em diversas entidades e colecções São todas bem-vindas. particulares do País e do Estrangeiro. É Divulgo esta, do associado n.º 7, autor de diversos cartazes, capas deAlbertoJosé Parente d´Assumpção, publicações e logótipos e tem obras suasVice-Presidente da Assembleia Geral: reproduzidas em capas de livros. «Estimado amigo(a). Agradeço, Integrou o Júri de selecção da II edesde já, a pronta disponibilidade em da III Bienal de Arte Jovem de Vilaajudar. Junto envio um folheto que Verde. Foi seleccionado pelo Júri Internacional para participar na 4.ª Bienal OBRA DO P e FILIPE .poderá facilitar a divulgação entre os seusconhecimentos. Tenho igualmente Internacional de Arte Contemporânea de 3 de julho – Dia da inauguração dodisponíveis desdobráveis que poderei Firenze – Itália. Foi selecionado para Centro Social “Nossa Senhora doenviar pelo correio, se necessário. participar no “BIRD 2005 International Amparo”, da Fundação Cónego Filipe Um abraço Art Award”, Pequim – China e na 1.ª de Figueiredo. O empreiteiro Manuel Alberto D’Assumpção FRSA Bienal Internacional de Arte de Chapingo, Matos da Prozinco, (também da Direcção Conteúdo do folheto: México. da Fundação), entregou a obra, dando Albertod´Assumpção. Filho do É citado no “Dicionário de Artistas por terminados os trabalhos. Num diapintor Manuel D’Assumpção, nasceu em Plásticos de Portugal” da Estar Editora, aberto à população, a obra contou comLisboa em 1956. Expõe regularmente em “Artes Plásticas – Portugal” da a presença do bispo de Aveiro, D.desde 1989, dedicando-se em exclusivo Adrian Editora, em “Aspectos das Artes António Francisco dos Santos, para alémà pintura em 1990. É membro da Plásticas em Portugal – III”, “Arte – 98” das individualidades das váriasRoyalSocietyofArts (RSA), de Londres. e “Anuário Internacional de Arte 2003” instituições locais e regionais.Com os artistas AdrianBayreuther, de Fernando Infante do Carmo, está A Fraternitas esteve presente a conviteConstantinSeverin, IzabellaPavlushko e referenciado no “Arteguia – Directório da anterior secretária da Liga dosOlga Dmytrenko constitui o Grupo de Arte Espanha e Portugal”, no “Guia Amigos, Paula Pomar, a quem muitoInternacional “3º Paradigma”. É d’Arte”, no “Whoiswhoofthe Portuguese agradecemos. Segundo o prospectoigualmente membro da Sociedade Artists”, da Sol Invictus Publicações, no distribuído, Lar de Idosos, Creche,Portuguesa de Autores, do “International “Anuário das Artes Plásticas” da Estar Apoio Domiciliário e Centro de Dia sãoIllustrated Letter Writing Society”, do Editora, no “Artes 2001 – Directório de as valências a abrir brevemente. O localgrupo “Artists For Peace”, do grupo Artes Plásticas”, da Publicenter, no tem espaço para 45 idosos internos, 40“ArchetypalExpressionism” e do “Magazine das Artes Plásticas” nº1, em no apoio domiciliário, 30 no Centro de“MircaArtGroup”, Suécia. Está “Surrealismo abrangente – colecção Dia e 33 crianças na Creche. Questionadorepresentado nas colecções do Banco de particular de Cruzeiro Seixas” Fundação se a qualidade da obra era destinada aPortugal, Fundação Cupertino de Cupertino de Miranda, em uma camada elitista da sociedade, “Freedom&Art” e “PlanetHeart, Manuel de Matos garantiu que: “ NÃO. PlanetArt”, ambos do MircaArtGroup, É uma obra para servir todas as pessoas Suécia, em “International Dictionary of que delas necessitarem. Claro que é um Artists”, da WorldWideArtBooks, USA, espaço que tem os seus custos, as coisas e em “Privatsphären”, Viena, Austria. não podem ser dadas gratuitamente, mas Contactos: Urb. de S. Gemil, lote 9, não é um espaço para os ricos, é para 4805-318 PONTE GMR todos”, frisou. Que ASSIM SEJA! É de Telefone: 351 962 364 361 facto uma obra com muita luz!… Mas alberto.dassumpcao@gmail.com que a LUZ que sempre brilhou na pessoa w w w. A r t Wa n t e d . c o m / A . D - do fundador, ilumine e ampare os Assumpcao passos de todos os que para ela http://3rdparadigm.net trabalhem, porque o padre Filipe de Recordo que este Artista foi o autor Figueiredo era “um homem de Deus do logótipo da Fraternitas. Existimos com vocação para os marginalizados”, para nos ajudarmos! Boa sorte! para os mais pobres…
  7. 7. notícias l espiral 7 NA S CIMENTO Assembleia constitutiva DA MARIANA da União das Associações dos É neta do José Serafim A. de Sousae Maria da Graça. Nasceu no dia do 37.º Antigos Alunos dos Semináriosaniversário do Matrimónio dos avós. “Omais interessante é que eu profetizei queela iria nascer neste dia um mês antes. E Portugueses( UASP)aconteceu, sem forçar nada… às 22h”,escreveu o avô “babado”. Realizou-se no dia 17 de setembro, instituições eclesiais e dos organismos Que graça de facto: há dois mil e no Seminário Diocesano de Leiria, a oficiais, a nível nacional e internacional,tantos anos, lá em Nazaré, nascia Maria assembleia constitutiva da UASP (União as suas associadas; defender e promoverde uma Ana, Santas. das Associações dos Antigos Alunos dos a solidariedade entre as suas associadas Parabéns aos pais e aos avós da Seminários Portugueses). no respeito pela identidade de cada umaMariana. Projeto sonhado na preparação e delas (artigo 2º dos Estatutos da UASP). realização do primeiro Congresso dos Da agenda da reunião constou a Antigos Alunos dos Seminários leitura e aprovação dos Estatutos, leitura Portugueses (abril de 2009) e referido da Ata da Constituição e sua assinatura nas Conclusões como “um sentimento pelos representantes das Associações generalizado para que seja dada alguma aderentes; celebração da Eucaristia, sequência ao Congresso através de ações presidida por D. António Marto, bispo que se venham a organizar no futuro”, foi amadurecendo nestes dois anos e tomou a forma de União das Associações aderentes. Dos espaços de encontro de antigos alunos dos Seminários Portugueses, 27 (12 diocesanos e 15 religiosos) criaram alguma forma de organização. Destes, 12 já aderiram ao projeto: 9 são diocesanos (Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Funchal, Lamego, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Vila Real) e 3 são religiosos (Franciscanos, Espiritanos e Combonianos); em fase de reestruturação e com intenção de aderir estão quatro associações dos seminários Parabéns aos restantes pais e avós que religiosos; outras duas disseram não estarexperimenta(ra)m este tipo de graça ou interessadas; quanto às restantes, umas de Leiria-Fátima e eleição dos órgãossemelhante, nascimentos ou matrimónios aguardam pela decisão dos órgãos sociais para o primeiro triénio.… competentes e outras pela evolução do No horizonte deste fórum nacional Vão sendo muitos os associados que projeto da UASP. das Associações de Antigos Alunos estáse encontram num estado de saúde mais Esta nova estrutura nacional que, à não só a vontade de fazer memória dasou menos fragilizado. Cada um data da sua constituição, reunirá 44% das origens, mas, sobretudo, de recorrer àmereceria uma breve descrição para o Associações de Antigos Alunos dos experiência comum, ainda que vivida deseu caso, que alongaria o texto… Fica Seminários Portugueses, define-se forma muito diversa, para refletir sobrepara a Folha Informativa que juridicamente como associação privada o momento que nos é dado viver,acompanha o envio deste número do de fiéis e tem os seguintes objetivos: acolher os seus desafios à luz doEspiral. “fomentar a corresponsabilidade eclesial Evangelho e abrir perspetivas de A melhor saúde para estes associados e a participação em projetos que participação e compromisso nase seus cuidadores e as nossas orações. promovam a dignidade humana e os comunidades cristãs e nos espaços sociais valores evangélicos; congregar, e culturais de que cada um de nós faz A Secretária coordenar e representar junto das parte.
  8. 8. reflexão8 espiralNOVA(?) EVANGELIZAÇÃOLi, há tempos, um apelo do na cabeça dos Apóstolos e discípulos o mação bíblica. Essa de muitos liturgistas Vouga,Correio do Vouga , jornal da essencial do que será ser Seu amigo: a da atualidade quererem cultivar o mis-diocese de Aveiro, aos leitores, prática, a vivência incondicional do tério intrínseco à celebração eucarísticapara transmitirem aos Amor, palavra-chave do Novo à custa de um regresso a práticas dosresponsáveis pelo mesmo a sua Testamento que, então, Ele lhes/nos tempos tridentinos não passa de um sau-reação ou sentir sobre os temasque aí são escritos. Neste sentido deixou. dosismo bacoco da Igreja triunfalistae no espírito da preconizada nova anterior ao Vaticano II, hoje quaseevangelização,evangelização , gostaria de tecer obnubilado, com grande responsabilida-os seguintes comentários. de da hierarquia. Além do mais, tais atitudes estão Fernando Neves contra o espírito da Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II e a subsequente Constituição O que é Apostólica Missale Romanum, de Paulo VI, que promulga o Missal: “Queremos a nova evangelização? também que tudo quanto nesta O primeiro é que a expressão nova Constituição fica estabelecido e prescritoevangelização é, semanticamente, tenha força de lei, agora e para otautológica, redundante, repetitiva. futuro, não obstando, se for caso disso,Vejamos: a palavra evangelização deriva as Constituições e Ordenaçõesda palavra Evangelho que, na sua origem Abordando Apostólicas dos nossos Predecessores,grega, quer dizer boa nova/notícia/mensagem. a reforma lítúrgica Desdobrando a expressão nova O segundo é uma ligeira discordân-evangelização concluiríamos, então, que cia com o que o pároco diz na sua en-será igual ou o mesmo que nova boa trevista, a propósito das obras feitas nanova/mensagem. Ora não há uma nova matriz de Vagos. Tem a ver com a cen-boa nova/mensagem ou seja não há um novo tralidade do Altar da Eucaristia e doEvangelho; há sim um Evangelho (em ambão da Palavra.quatro narrativas canónicas) que nos O Vaticano II assim o propôs de talapresenta a mensagem de Jesus, pessoa modo que a Eucaristia – vulgo missa,humana e divina sempre nova nas suas termo que já devia ter entrado em de-palavras, gestos, ações e relacionamento suso – fosse não com o presidente dacom os outros. Ele é verdadeiramente assembleia de costas voltadas para ao Lógos, a Palavra encarnada, amorosa, mesma, mas de frente, de olhos noscriadora e renovadora de Deus. olhos. E ainda que a Palavra seja pro- Assim o que se devia pretender seria clamada na língua vernácula de cadaa revitalização vivencial do Evangelho, povo. E com isto nada se perde do mis-sobretudo com novas praxis cristãs, tério de fé que, mesmo assim, esta cele-novos comportamentos, formas de agir, bração litúrgica continua a ser e a ter.processos, técnicas e meios de anunciar Não é, pois, necessário entrar em para-a mensagem de Amor que Jesus veio nóias de ocultismos ou dizer coisas to-trazer ao mundo, para os homens de talmente inacessíveis à compreensão datodos os tempos. Nos Evangelhos, Assembleia, pela barreira de uma línguaprincipalmente no de João, isto está como atualmente o Latim. Já bem bas-condensado nas ações e palavras de ta o carácter fechado e de difícil com-Jesus, durante a última ceia onde Ele quer preensão das leituras propostas em cadacomo que resumir e deixar bem gravado Eucaristia, para quem tem pouca for- página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: direccao@fraternitas.pt * blogue: http://fraternitasmovimento.blogspot.
  9. 9. reflexão l espiral 9 ou quaisquer outras prescrições, ainda que dignas de especial menção ou derrogação.” Cinco pedrinhas mágicas O terceiro e último comentário é sobre As cinco pedrinhas mágicas propostas para atingir a graça santificante: 1.ª) A vivência da Eucaristia. 2.ª) A confissão. 3.ª) O rosário. 4.ª) Leitura e estudo da Bíblia. 5.ª) Jejum. Desconfio que fossem estas as prioridades sequenciais de Jesus. Com a primeira até concordo, mas numa Eucaristia como celebravam os apóstolos e discípulos (entenda-se comunidade cristã), fazendo memória de Jesus e a partilha do pão por Ele mesmo proclamada: “Dai-lhes, vós mesmos, de comer”. Quanto à segunda, continua Quanto à Palavra de Deus está as economias fruto das refeições eco- interiorizado o espírito tribunalesco do relegada, postergada para sítio nenhum, nómicas que sempre devemos fazer. tridentino (muito custa a dar o passo em que não é o seu. Não ficaria nada mal Não são as outras coisas que se dizem frente para o Vaticano II!). Então não estar mesmo em primeiro lugar, pois, que dão o valor ao jejum. Jejuar, vestir- devia, ao menos, ser reconciliação? como diz S. Paulo, “fides ex auditu” “a fé se com sacos, de anjinho ou outros Quanto ao terceiro, bem mal! Então nasce do que é ouvido, proclamado, quejandos, fazer peregrinações ou já nem só o terço? E mesmo assim lido”. E os católicos apostólicos procissões mais ou menos folclóricas, lembrar que esta prática popular de rezar romanos, na generalidade, leem muito esfarrapar o corpo, os pés e os joelhos, (recitar, dizer de cor; não orar!), vem dos pouco a Bíblia. Se ao menos, em cada fazer sacrifícios, será isso que agrada ao tempos em que o povo não sabia ler e dia, fizessem as leituras que estão no Senhor? “O jejum que Me agrada não não teria, por isso, muitas outras formas missal quotidiano! Mas quantos o farão? será antes este: quebrar as cadeias injustas, palpáveis de praticar/viver a sua E sem fé prévia, nem a própria desatar os laços da servidão, por em religiosidade, aprofundar a sua fé e Eucaristia tem sentido. Não seria, pois, liberdade os oprimidos… repartir o teu cultura bíblica. Por isso a Igreja tornou nada mau propagandear a necessidade pão com o faminto, dar casa aos pobres aconselhável essa devoção. Em todo o da leitura da Bíblia de modo que esta sem abrigo, levar roupa aos que não têm caso, é bom lembrar que ela tem muito fosse mais ´obrigatória` do que a reza que vestir e não voltar as costas ao teu de semelhante ao que o próprio Jesus do terço. Muitas pessoas declaram na semelhante?” (ver Is 58, 1-9) censura quando diz que não é com o Penitência como ´pecado`(?) o não ter Assim, se viverá o “dom mais dizer muitas palavras (distraída e rezado o terço. Mas quantas fazem o excelente” de que fala S. Paulo: a mecanicamente), sem uma verdadeira mesmo sobre a leitura da Palavra de Caridade. Posso rezar muito, cumprir relação do emissor (pessoa orante, que Deus? todas as minhas obrigações religiosas e sabe e pensa o que diz – caso contrário Sobre a última pedrinha (o jejum) o mais algumas “Mas se não tiver será uma conversa tola) com o recetor que é essencial é que ele deve contribuir Caridade, nada valho”, como discípulo (Deus, a Quem mesmo no Seu silêncio para nos tornar “solidários, pois o que de Jesus. Serei só blá-blá, como o sino entendemos como nosso dialogante) que não comemos devemos dar em esmola”. que toca e faz tanto barulho que, por se é agradável aos olhos de Deus. Diria: partilhar ainda muito mais do que vezes, só incomoda..com * e-mail: secretariado@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: tesouraria@fraternitas.pt
  10. 10. reflexão10 espiralAS DUAS FACES DO AMOR: EROS E ÁGAPE P.e Raniero Cantalamessa, Raniero Cantalamessa, OFMCap Há um âmbito em que a secularização age de maneira especialmente difusa e nefasta, e é o âmbito do amor. A secularização do amor consis te em separ ar o amor humano de Deus, em todas as formas desse amor. consist separar todas formas amor, merament amente sobra amor, reduzindo-o a algo mer amente “profano”, onde Deus sobr a e até incomoda. Mas o amor não é um assunto importante apenas para a evangelização, ou seja, para as relações com o mundo. Ele importa, antes de todo o mais, para a própria vida interna da Igreja, para a santificação dos seus membros. É nesta perspectiva que se situa a encíclica Deus caritas est, do Papa Bento XVI, e é nela que nós também nos colocamos para estas reflexões. O amor sofre de uma separação unidos: tudo o que ele faz, amarnefasta não só na mentalidade do inclusive, tem que refletir essamundo secularizado, mas também, estrutura. Se o componente humanodo lado oposto, entre os crentes e, ligado ao tempo e à corporeidade éem particular, entre as almas sistematica-mente negado ouconsagradas. Poderíamos formular a reprimido, a saída será dúplice: ousituação, simplificando ao máximo, seguir adiante aos arrastos, por sensoassim: temos no mundo um eros de dever, por defesa da própriasem ágape; e entre os crentes, temos imagem, ou ir atrás de compensaçõesfrequentemente um ágape sem eros. mais ou menos lícitas, chegando até O eros sem ágape é um amor os dolorosíssimos casos que estãoromântico, mas comumente afligindo atualmente a Igreja. Nopassional, até violento. Um amor fundo de muitos desvios morais dede conquista, que reduz almas consagradas, não é possívelfatalmente o outro a objeto do ignorá-lo: há uma concepçãopróprio prazer e ignora toda distorcida e retorcida do amor.dimensão de sacrifício, de Temos, então, um duplofidelidade e de doação de si. Não é repetitivos, o estro é substituído pela motivo e uma dupla urgência depreciso insistir na descrição desse técnica, a espontaneidade pelo redescobrir o amor na sua unidadeamor, porque se trata de uma virtuosismo. original. O amor verdadeiro erealidade que temos todo dia diante Com base nessa distinção, o integral é uma pérola encerrada entredos nossos olhos, propagandeada ágape sem eros é um “amor frio”, um duas conchas: o eros e o ágape. Estascom estrondo pelos romances, amar parcial, sem a participação do duas dimen-sões do amor não podemfilmes, novelas, internet, revistas. É ser inteiro, mais por imposição da ser separa-das sem destruí-lo, comoo que a linguagem comum entende, vontade do que por ímpeto íntimo o hidro-génio e o oxigénio nãohoje, com a palavra “amor”. do coração. Um entrar num cenário podem ser separados sem se privarem Para nós é mais útil entender o que predefinido, em vez de criar um da água.significa ágape sem eros. Na música, próprio, realmente irrepetível, comoexiste uma diferenciação que pode nos irrepetível é cada ser humano perante IINCOMPATIBILIDADESajudar a ter uma ideia: a diferença entre Deus. Os atos de amor voltados para A reconciliação mais importanteo jazz quente e o jazz frio. Eu li certa vez Deus parecem aqueles de namorados entre as duas dimensões do amor éessa caracterização dos dois géneros, mas desinspirados, que escrevem à amada prática. É aquela que acontece na vidasei que não é a única possível. O jazz cartas copiadas de modelos prontos. das pessoas, mas, para ser possível, elaquente (hot) é o jazz apaixonado, ardente, Se o amor mundano é um corpo precisa começar pela reconciliação entreexpressivo, feito de ímpetos, de senti- sem alma, o amor religioso praticado o eros e o ágape inclusive teoricamente,mentos e, portanto, de improvisações assim é uma alma sem corpo. O ser na doutrina. Isto nos permitirá conheceroriginais. O jazz frio (cool) é o profis- humano não é um anjo, um espírito finalmente o que é que se entende porsional: os sentimentos se tornam puro; é alma e corpo substancialmente estes dois termos tão comumente
  11. 11. reflexão l espiral 11usados e subentendidos. A importância da questão nascedo facto de existir uma obra quepopularizou em todo o mundocristão a tese oposta da incon-ciliabilidade das duas formas deamor. É o livro do teólogo luteranosueco Anders Nygren, intituladoEros e Ágape. Podemos resumir opensamento dele nestes termos: erose ágape designam dois movimentosopostos. O primeiro indica ascensãoe subida do homem para Deus e parao divino como próprio bem e própriaorigem; o outro, o ágape, indica adescida de Deus até o homem coma encarnação e a cruz de Cristo, e,portanto, a salvação oferecida aohomem sem mérito nem resposta desua parte, a não ser a fé e somente afé. O Novo Testamento fez umaescolha precisa, usando, para o nosso coração até descansar em ti” Deus, pode, por sua vez, amar a Deus,exprimir o amor, o termo ágape, e [2]. Também é dele a imagem do dar-lhe algo de seu, o que destruiria arefutando o termo eros. amor como um peso que atrai a absoluta gratuidade do amor de Deus. Foi São Paulo quem recolheu e alma, como por força de gravidade, No plano existencial, ainda de acordoformulou com mais pureza essa para Deus, como ao lugar do próprio com Nygren, o mesmo desvio acontecedoutrina do amor. Depois dele, ainda repouso e prazer [3]. Tudo isso, para na mística católica. O amor dos místicos,segundo a tese de Nygren, essa antítese Nygren, insere um elemento do com a sua fortíssima carga de eros, nadaradical se perdeu para dar lugar a amor de si, do próprio bem, e, é, para ele, senão amor sensualtentativas de síntese. Assim que o portanto, de egoísmo, que destrói a sublimado, uma tentativa de estabelecercristianismo entra em contato cultural pura gratuidade da graça; é uma com Deus uma relação de presunçosacom o mundo grego e a visão platônica, recaída na ilusão pagã de fazer a reciprocidade em amor.já com Orígenes, há uma reavaliação do salvação consistir numa ascensão a Quem rompeu a ambiguidade eeros, como movimento ascensional da Deus, em vez de na gratuita e devolveu à luz a pura antítesealma rumo ao bem e ao divino, como imotivada descida de Deus até nós. paulina, segundo o autor, foi Lutero.atração universal exercitada pela beleza Prisioneiros desta impossível síntese Fundamentando a justificação ape-e pelo divino. Nesta linha, o Pseudo entre eros e ágape, entre amor de Deus nas na fé, ele não excluiu a caridadeDionísio Areopagita escreverá que “Deus e amor de si, são, para Nygren, São do momento-base da vida cristã,é eros” [1], substituindo com este termo Bernardo, quando define o grau como o acusa a teologia católica;o ágape da célebre frase de João (I Jo, supremo do amor de Deus como um antes, libertou a caridade, o ágape,4,10). “amar a Deus por si mesmo” e um do elemento espúrio do eros. À No ocidente, uma síntese “amar a si mesmo por Deus” [4]; São fórmula do “somente a fé”, comanáloga foi feita por Agostinho com Boaventura, com seu ascensional exclusão das obras, corresponderia,a doutrina da caritas, entendida Itinerário da mente para Deus; e São em Lutero, a fórmula do “somentecomo doutrina do amor descendente Tomás de Aquino, que define o amor o ágape”, com exclusão do eros.e gratuito de Deus pelo homem de Deus infuso no coração do batizado Não me cabe estabelecer se o autor(ninguém falou da “graça” com mais (cf. Rom, 5,5) como “o amor com que interpretou corretamente neste ponto oforça do que ele), mas também como Deus nos ama e nos faz amá-lo” (amor pensamento de Lutero, que, deve-seanseio do homem pelo bem e por quo ipse nos diligit et quo ipse nos dizer, nunca pôs o problema em termosDeus. É dele a afirmação: “Fizeste- dilectores sui facit) [5]. Isto viria a de contraste entre eros e ágape comonos, Senhor, para ti, e inquieto está significar que o homem, amado por fez com fé e obras.
  12. 12. reflexão12 espiral o termo erótico, ou, se o emprega, é em sentido negativo. O motivo é que, tanto naquele tempo como agora, a palavra evoca o amor na sua expressão mais egoísta e sensual [7]. Tão logo o cristianismo entra em contato e diálogo com a cultura grega daquele tempo, cai por terra de imediato, como já vimos, toda preclusão quanto ao eros. Ele é usado com frequência, nos autores gregos, como sinônimo de ágape, e empregado para indicar o amor de Deus pelo homem, como também o amor do homem por Deus, o amor pelas virtudes e por tudo o que é belo. Basta, para nos convencermos disso, uma simples olhada no Léxico Patrístico Grego, de Lampe [8]. O sistema de Nygren e Barth, portanto, foi construído sobre uma O contragolpe desta operação é bíblica não constrói um mundo paralelo falsa aplicação do assim chamadoa radical mundanização e ou um mundo contraposto ao original argumento “ex silentio”.secularização do eros. Enquanto fenômeno humano que é o amor, mascerta teologia retirava o eros do aceita o homem todo, intervindo na sua EROS PARA CONSAGRADOSágape, a cultura secular era bem feliz, procura pelo amor para purificá-la, O resgate do eros ajuda acima deao retirar o ágape do eros, ou seja, destr uindo, em paralelo, novas tudo os enamorados humanos e osao retirar do amor humano toda dimensões suas” (7-8). Eros e ágape esposos cristãos, mostrando a beleza ereferência a Deus e à graça. Freud estão unidos à própria fonte do amor, a dignidade do amor que os une. Ajudaapresentou para isto uma justificação que é Deus: “Ele ama”, segue o texto os jovens a experimentar o fascínio doteórica, reduzindo o amor a eros e o da encíclica, “e este seu amor pode ser outro sexo não como coisa turva, a sereros a libido, uma mera pulsão sexual qualificado certamente como eros, que, vivida às costas de Deus, mas, aoque luta contra toda repressão e no entanto, é também e totalmente contrário, como um dom do Criadorinibição. É o estágio a que se reduz ágape” (9). para a sua alegria, desde que vivido nahoje o amor em muitas manifesta- Entende-se o acolhimento ordem querida por Ele. Na sua encíclica,ções da vida e da cultura, princi- insolitamente favorável que este o papa acena ainda para esta funçãopalmente no mundo do espetáculo. documento pontifício encontrou positiva do eros sobre o amor humano mesmo nos ambientes leigos mais quando fala do caminho de purificação RETORNO À SINTESE abertos e responsáveis. Dá esperança do eros, que leva da atração Se não podemos mudar de uma vez ao mundo. Corrige a imagem de uma momentânea ao “para sempre” doa ideia de amor que o mundo possui, fé que toca o mundo em tangente, matrimônio (4-5).podemos, sim, corrigir a visão teológica, sem penetrá-lo, com a imagem Mas o resgate do eros deve ajudarque, sem querer, a favorece e legitima. evangélica da levedura que faz a também aos consagrados, homens eÉ o que fez de maneira exemplar o Papa massa fermentar; substitui a ideia de mulheres. Eu acenei no início aoBento XVI com a encíclica Deus caritas um reino de Deus que veio julgar o perigo que as almas religiosas corremest. Ele reafirma a síntese católica mundo pela de um reino de Deus que de um amor frio, que não desce datradicional expressando-a com os veio salvar o mundo, começando mente para o coração. Um sol determos modernos. “Eros e ágape”, pelo eros que é a sua força inver no, que ilumina, mas nãolemos ali, “amor ascendente e amor dominante. aquece. Se eros significa ímpeto,descendente, não se deixam jamais O Novo Testamento evitou a palavra desejo, atração, não devemos terseparar de todo um do outro [...]. A fé “eros” como o pregador de hoje evita medo dos sentimentos, nem muito
  13. 13. reflexão l espiral 13menos desprezá-los e reprimi-los. existe o Verbo feito carne, que reuniu qualidades e atenções que umQuando se trata do amor de Deus, os dois extremos numa só pessoa. É homem procura numa mulher e umaescreveu Guilherme de Saint Thierry, nele que o próprio amor ao próximo mulher no homem. O amor dele nãoo sentimento de afeto (affectio) é encontra o seu fundamento: “Foi a nos elimina necessariamente atambém graça; a natureza não pode mim que o fizestes”. sedução das criaturas e, em parti-infundir um sentimento assim [9]. O que significa tudo isto pelo amor cular, a atração do outro sexo (ela Os salmos estão cheios desse anseio de Deus? Que o objeto primário no faz parte da nossa natureza, que Eledo coração por Deus: “A ti, Senhor, eu nosso eros, da nossa busca, desejo, criou e não quer destruir). Mas noselevo a minh’alma...”. “A minh’alma tem atração, paixão, deve ser o Cristo. “Ao dá a força para vencer essas atraçõessede de Deus, do Deus vivente”. “Preste Salvador é pré-ordenado o amor com uma atração mais forte.atenção”, diz o autor da Nuvem do não humano desde o princípio, como ao seu “Casto”, diz São João Clímaco, “éconhecimento, “a este maravilhoso modelo e fim, como uma urna tão quem afasta o eros com o Eros” [11].trabalho da graça na tua alma. Ele não é grande e tão ampla que pudesse acolher Neste mundo, damos a Deus o quesenão impulso imprevisto, que surge sem a Deus [...] O desejo da alma é recebemos dele. “Nós amamos porqueaviso e aponta diretamente para Deus, unicamente de Cristo. Aqui é o lugar do Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4, 19). Ocomo uma centelha que se desencarcera seu repouso, porque só Ele é o bem, a amor que damos a Cristo é o seu própriodo fogo... Golpeie essa nuvem do não verdade e tudo quanto inspira amor”. amor por nós, que devolvemos a Ele,conhecimento com a flecha afiada do Não quer dizer restringir o horizonte do como o eco nos devolve a nossa voz.desejo de amor e não esmoreça, ocorra amor cristão de Deus a Cristo; quer Onde está então a novidade e ao que ocorrer” [10]. É suficiente, para dizer amar a Deus do jeito que Ele quer beleza deste amor que chamamostanto, um pensamento, um movimento ser amado. “O Pai vos ama porque vós eros? O eco reenvia para Deus o seudo coração, uma jaculatória. me amais” (Jo 16, 27). Não se trata de próprio amor, mas enriquecido, Deus deu-nos o próximo para um amor quase por procuração, por colorido e perfumado com a nossaamarmos. “Ninguém jamais viu a meio do qual quem ama Jesus “é como liberdade. E é tudo o que Ele quer.Deus; se amarmos uns aos outros, se” amasse o Pai. Não. Jesus é um A nossa liberdade lhe paga tudo. EDeus permanece em nós e o seu mediador imediato; amando a Ele, não só isto, mas, coisa inaudita,amor se tor na perfeito em nós. amamos, ipso facto, o Pai. “Quem me escreve Cabasilas, “recebendo deQuem não ama o próprio irmão, a vê, vê o Pai”; quem me ama, ama o Pai. nós o dom do amor em troca de tudoquem vê, não pode amar a Deus, a A beleza e a plenitude da vida o que Ele nos deu, Ele ainda sequem não vê” (1 Jo 4, 12-20). Mas consagrada depende da qualidade do reputa nosso devedor” [12]. A tesedevemos ficar atentos para não saltar nosso amor por Cristo. É só o que que contrapõe eros e ágape se baseiauma fase decisiva: antes do irmão que pode nos defender dos altos e baixos em outra conhecida contraposição:vemos, há outro que também vemos do coração. Jesus é o homem a contraposição entre graça ee tocamos: o Deus feito carne, Jesus perfeito; nele se encontram, em grau liberdade, e, mais ainda, na negaçãoCristo! Entre Deus e o próximo infinitamente superior, todas aquelas da liberdade no homem decaído. Notas: 1 Pseudo Dionísio Areopagita, Os nomes divinos, IV,12 (PG, 3, 709 em diante.) 2 S. Agostinho, Confissões I, 1. 3 Comentário ao evangelho de João, 26, 4-5. 4 Cf. S. Bernardo, De diligendo Deo, IX,26 –X,27. 5 S. Tomás de Aquino, Comentário à Carta aos Romanos, cap. V, liç.1, n. 392-293; cf. S. Agostinho, Comentário à Primeira Carta de João,9, 9. 6 K. Barth, Dogmática eclesial, IV, 2, 832-852. 7 O sentido que os primeiros cristãos davam à palavra eros se deduz do famoso texto de S. Inácio de Antioquia, Carta aos Romanos, 7,2:“O meu amor (eros) foi crucificado e não há em mim fogo de paixão…não me atraem o nutrir corrupção e os prazeres desta vida”. “O meueros” não indica aqui Jesus crucificado, mas “o amor de mim mesmo” , o apego aos prazeres terrenos, na linha do paulino “Fui crucificado comCristo, não sou mais eu que vivo” (Gal 2, 19 s.). 8 Cf. G.W.H. Lampe, A Patristic Greek Lexicon, Oxford 1961, pp.550. 9 Guilherme de St. Thierry, Meditações, XII, 29 (SCh 324, p. 210). 10 Anônimo, A nuvem do nao conhecimento, trad. Italiana, Ed. Áncora, Milão, 1981, pp. 136.140. 11 S. João Clímaco, A escada do paraíso, XV,98 (PG 88,880). 12 N. Cabasilas, Vida em Cristo, VI, 4 .Santo - diz o texto do Concílio Vaticano II - de um modo conhecido por Deus, dá a todos aoportunidade de estar associados ao mistério pascal” [3].
  14. 14. fraternitas fraternit ternitas14 espiral «A Fraternitas deve-lhe imenso»«Sempre admirei nele o enorme rigor decidiu chamar ao nosso grupo demonstrando um grande Amor à e a total dedicação com que Fraternitas, foi esboçado pelo Alberto Igreja e uma profunda vivência de Fé, e desempenhava as suas funções, e Videira o logotipo, e se decidiu que desde logo comecei a simpatizar com ao mesmo tempo a sua grande desejávamos ser Movimento e não mera ele. Pareceu-me um homem dimensão como pessoa, como Associação. extremamente calmo, muitíssimo marido e pai, e como membro ativo O Luís Gouveia, quando chegou a organizado em tudo, meticuloso até ao da Igreja local», partilha Vasco sua vez de partilhar, deu-nos um belo mais pequeno pormenor, possuidor de Fernandes, num testemunho sobre testemunho de vida, muito construtivo, grandes qualidades humanas e de umaLuís António Gouveia, que faleceu a simpatia contagiante. Como o retiro não 6 de Junho transato. era em silêncio, tivemos oportunidade de conversar entre todos, quer nas Vasc o asco Fer n andes Fern refeições quer nos corredores, e tanto Conheci o Luís António Gouveia, e ele como a Maria do Carmo ficarama sua mulher Maria do Carmo, claro está, desde logo nossos amigos.naquele já longínquo mês de abril de Já nos tínhamos encontrado em1997, no terceiro encontro de pdres grupo com outros padres dispensadoscasados e suas mulheres, orientado pelo do ministério, no primeiro retiroentão bispo de Beja, D. Manuel Falcão, realizado em Fátima, em agosto de 1996,na Casa de N.ª Sr.ª do Carmo, em a convite do P.e Filipe de Figueiredo, deFátima. Évora. Aquele fora um desafio que nos O grupo era muito reduzido, porque motivou e, por isso, voltámos.a escolha da data não fora a melhor, e Sucederam-se muitos outroscuriosamente foi nesse encontro que se encontros, quer no Porto, a nível mais «Continuará a encher de luz Última carta do continuar a andar. E muito feliz estou, por saber que mais e de encanto» Luís Gouveia um Bispo orienta o XVIII Encontro Nacional – o D. Gilberto – Bispo de Setúbal, um dos No dia 6 de julho, nasceu para o Céu a Maria Lúcia Guedes da Costa Valente, Ermesinde, 15 de abril de 2011 “ESTAGIÁRIOS” na nossa Diocese do esposa de Dr. Francisco Carlos Martins «(…) Juntamente com o «Espiral»– Porto, e com a eleição de Corpos Gerentes para Valente. ansioso por o receber e tão completo, desde o o triénio de 2011 a 2013. A Maria Lúcia tinha sido operada aos Editorial do nosso Presidente (…), com os Sumamente ainda estarei muito mais 15 anos a um pulmão que mais tarde diversos e distintos colaboradores, até à satisfeito, (…), e quem sabe um dia as mulheres foi retirado. Sofria de problemas cárdio- resenha literária (…) sobre os livros dos serem admitidas ao Sacerdócio Ministerial respiratórios, usando um aparelho para nossos associados, recebi o convite para o (porventura a Virgem Maria – Nossa a oxigenação.... Encontro Nacional (…). Senhora não foi uma delas?) na Igreja Tinha 78 anos. Nasceu na freguesia Mui tristemente por não poder participar, Católica, como já acontece em algumas das do Barqueiro, Mesão Frio, a mesma do visto estar a ser operado na substituição de Igrejas Cristãs. nascimento e ordenação do marido. revisão à prótese da anca esquerda no (…) Ao Francisco e aos três filhos do casal Hospital da Arrábida em Vila Nova de Transmita a todos os participantes as – Francisco, Domingos e Graça – Gaia, no dia 18 de abril, com a estabilização preocupações do 1º Tesoureiro da nossa endereçamos as sentidas condolências, de não poder andar em transportes públicos Associação, para que a e as palavras de Luís Gonzaga: durante dois meses, e três meses sem conduzir. “FRATERNITAS” se tor ne um «Só morre quem renuncia a Vida. A Por outro lado, estou contente por me Movimento providencial no futuro da Igreja Maria Lúcia Viveu, Vive e Viverá. aliviarem o sofrimento em que me encontro, Católica. Continuará a encher de luz e de encanto com o joelho esquerdo sempre dorido e já com De mim próprio e da minha esposa Maria cada espaço por ela calcorreado. Ela queixas da perna direita (tornozelo), do Carmo (…), um ABRAÇO retributivo continuará bem presente no coração do valendo-me do apoio duma bengala para mui fraternal. seu marido, filhos e amigos.»
  15. 15. fraternitas fraternit ternitas l espiral 15regional, quer em Fátima, a nível nacional. estimávamos muito, mas sobretudo programaMais tarde, na formação da primeira aqueles que com ele trabalharam de ENCONTRODireção, presidida pelo João Evangelista perto na criação e consolidação daSimão, o Luís Gouveia foi convidado e Fraternitas. NACIONALaceitou generosamente ser o tesoureiro Uma das belas recordações que Fátima - Seminário do Verbodo Movimento. Não vou aqui fazer a dele guardo é de quando o fui buscar Divino (Rotunda Norte)história do desenvolvimento desse grupo, a Ermesinde para o funeral, em Tema: Mulheres no mundo e nanem dos passos que levaram a que se Felgueiras, do nosso querido colega Igreja: o que mudou? O que faltaconstituísse em “Movimento” formal, e sócio da Fraternitas Domingos mudar?que mais tarde – em maio de 2000 – Moreira, já há um par de anos. Nessaseria aprovado pela Conferência viagem tive a oportunidade de sentir, Dia 30 de setembro (6.ª-feira)Episcopal Portuguesa. mais uma vez, como ele era por 20h00 – Jantar, antecedido de Mas o facto da minha mulher – Isabel dentro, tão enriquecedor e tão acolhimento– ser a secretária e o Luís Gouveia o profundo. E não posso esquecer que, 21h15 – Informações.tesoureiro, da primeira Direção, ao chegar a casa dele, fez questão de Diálogo sobre a(s) vida(s) na Fraternitasnaturalmente que nos aproximou e, por me pedir para aguardar um instante, 22h00 – Descansoisso, contactámos muito mais vezes do para que pudesse ir buscar ao seuque com a maioria de outros casais apartamento a neta que ele adorava, Dia 1 de outubro (sábado)elementos da Fraternitas, visitámo-nos porque queria que ela me conhecesse 8h30 – Pequeno-almoçomutuamente e conhecemo-nos muito e eu a ela. Foi enternecedor e 9h00 – Laudes. Exposição domelhor. comovente e uma prova da especial Santíssimo Sempre admirei nele o enorme rigor amizade que me dedicava. Nunca 10h15 – Encontroe a total dedicação com que esquecerei esse detalhe. 13h00 – Almoçodesempenhava as suas funções, e ao Nas últimas semanas em que 15h15 – Encontromesmo tempo a sua grande dimensão esteve em coma induzido no Hospital 19h30 – Vésperascomo pessoa, como marido e pai, e de S. João, e dado que faço lá duas 20h00 – Jantarcomo membro ativo da Igreja local. manhãs semanais de voluntariado, 21h15 – Tertúlia fraternal Quando, por motivos de saúde, teve procurei ir sempre saber emque ser substituído na estrutura de uma pormenor notícias dele ao serviço Dia 2 de outubro (domingo)nova Direção da Fraternitas, nem por isso especializado em que estava internado, 8h30 – Pequeno-almoçodeixou nunca de estar disponível para e foi precisamente falando com uma 9h00 – Laudestudo aquilo em que pudesse colaborar. das enfermeiras no sábado de manhã 9h45– ASSEMBLEIA GERALE como pessoa muito meticulosa, a seguir ao seu falecimento, que soube 12h00 – Eucaristia, com ensaio prévioanotava tudo quanto considerava que o Pai o tinha finalmente chamado 13h00 – Almoçoimportante e tornava-se por isso a nossa para o grande e eterno Abraço.melhor “memória” para todos os No meu coração, na minhapormenores da evolução do Movimento memória, e na minha amizade sincera, ASSEMBLEIAem todas as suas fases. o Luís Gouveia continuará sempre Infelizmente, as frequentes vivo, e procurarei fazer sentir isto GERALintervenções cirúrgicas a que teve de sesubmeter, privaram-nos muitas vezes de mesmo à sua querida Maria do Carmo, e aos seus filhos e neta. extraordináriaconviver com ele em encontros e retiros, Tive a felicidade de poder A realizar no dia 2 de outubro dequer a nível regional quer a nível nacional. acompanhar o seu corpo já depois 2011 (domingo), pelas 9h45, noMas nunca foi por comodismo ou da chegada junto de Deus, e de cantar Seminário do Verbo Divino, emmenos vontade de estar presente, e no pequeno coro improvisado na Fátima, com a seguinte ordem desempre nos fez saber quão dolorosas Missa de Corpo Presente na Paróquia trabalhos: 1 – Apreciação e votação daeram essas suas ausências. Quando estava de Ermesinde. acta da última reunião.um pouco melhor e se conseguia A Fraternitas deve-lhe imenso, e 2 – Informações.locomover, mesmo com dores e esforço, cada um de nós só pode dar graças a 3 – Discução e deliberação quantoaproveitava para nos acompanhar nas Deus por ter conhecido e convivido à viabilidade da abertura da Fraternitasatividades que fazíamos, sempre com o com esta pessoa extraordinária ao a consagradas e consagrados nãomesmo espírito construtivo e animador longo destes últimos anos. ordenados.que lhe era característico. Todos o Até sempre, Luís! 4 – Outros assuntos.

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