Espiral 19

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Espiral 19

  1. 1. espiral boletim da associação FRATERNITAS MOVIMENTO Nº 19 - Abril / Junho de 2005NA HORA DO RENDER DA GUARDA EDITORIAL Após oito anos de caminhada, poderemos dizer que a nossa Eleito na Assembleia-Geral de Fraternitas em 24 deAssociação já ganhou rosto e definição, que nós próprios Abril, queria dedicar uma primeira palavra a todos quantos antesaclarámos ideias relativamente à nossa situação eclesial e de mim fizeram crescer e solidificar este movimento, com a suaque estamos preparados para novos rasgos e novos horizontes. competência, generosidade e profunda fraternidade para com Olhando para os acontecimentos com o sentido todos os que estamos nesta situação peculiar de dispensados doprovidencialista do P. Filipe, consegue-se perceber que o exercício ministerial. Uma primeira palavra de gratidão, apreçoEspírito Santo suscita sempre em tempo oportuno aquela e profundíssima admiração para com o nosso Presidente desde oinspiração que há de conduzir às transformações que são primeiro momento há oito anos, o Prof. Dr. João Simão. Paranecessárias. Então, é nossa obrigação tentar descobrir em além do nosso Fundador, Cónego Filipe de Figueiredo a quemcada momento qual é o papel que nos está destinado nesta Deus já concedeu a graça de viver na Sua presença definitiva, oconjuntura de renovação eclesial. João foi sem dúvida a personalidade que mais nos marcou, e Perante a actual crise de vocações, a nossa decisão de constituiu a verdadeira “pedra angular” do nosso Movimento,pedir a dispensa do celibato é susceptível de ser valorizada sempre com uma enorme simplicidade de trato, umanegativamente, mas também pode ter uma valoração positiva. profundíssima lucidez intelectual, um dom magnífico de expressão A visão negativa avalia-a como deserção e infidelidade a e escrita, e sobretudo com tudo aquilo que o configura como umum compromisso assumido. Institucionalmente é esse o juízo. verdadeiro “Homem de Deus”. Nunca seremos capazes deTendo em conta que, ao longo da sua história, a Igreja já agradecer tamanho dom, e nesta gratidão devemos englobarpassou por muitas crises graves e sempre conseguiu superá- também todos os que com ele foram os dirigentes generosos elas, esta será mais uma e, porventura, a de menores dimensões. competentes durante estes anos.Apenas uma questão de tempo e a crise logo se resolverá. Chegada agora a minha vez de assumir a tarefa, embora A visão positiva considera-a uma chamada de atenção perfeitamente consciente de que nunca serei capaz de atingir opara uma situação institucional que precisa de ser revista. É seu nível, apenas poderei prometer esforçar-me por servir todosminha convicção de que não há falta de vocações para o (continua na pág. 3)serviço dos outros, mesmo nos ministérios ordenados. Bastaconsiderar a forma entusiasta como os jovens aderem aosserviços de voluntariado, não hesitando em participar nas Sumário:missões ad gentes e noutras iniciativas humanitárias, mesmo A nossa Páscoa 3com sacrifício das suas próprias carreiras. Se não chegam aosacerdócio é porque não lhes são garantidas as liberdades XII Encontro Nacional 4fundamentais inerentes à própria natureza humana, como sejao direito de constituírem família, se assim o desejarem. Na Breves... 6dúvida, pessoas conscientes não arriscam. Igreja ao ritmo do Pentecostes 7 Várias vezes ouvi o Reitor do meu Seminário dizer-nos oseguinte: quando uma árvore é fustigada pelo vento, são os In Memoriam... Drª. Mª Fernanda M. Fernandes 8 (continua na pág. 2)
  2. 2. 2 espiralNa hora do render da guarda(continuação da pág. 1) Gostaria de mencionar todos aqueles que comigo trabalharam, tanto na comissão instaladora como nasramos secos ou podres que caem e isso é bom que aconteça, sucessivas direcções. A presença do P. Filipe foi sempreporque, assim, a árvore fica mais limpa. No entanto, constante, embora discreta.explorando a mesma analogia, podemos chegar a uma Comissão instaladora: Francisco Sousa Monteiro, Mariaconclusão bem diferente. De facto, esquece-se que é sempre Isabel Beires Fernandes, José Sampaio Ferreira, José Alvessobre os ramos que maior folhagem possuem – os mais Carneiro, João Simão, P. Filipe.produtivos – que a pressão dos ventos é maior e que, se eles 1ª Direcção eleita: João Simão, José Sampaio Ferreira,não forem amparados, acabam por quebrar. Nos pouco Maria Isabel Fernandes, LuísAntónio Gouveia,Alberto Osóriofolhosos e pouco produtivos a tempestade não exerce qualquer de Castro.influência devastadora, esses ficam. Mas a árvore ficou mais 2ª Direcção eleita: João Simão, José Sampaio Ferreira,pobre. Maria Isabel Fernandes, Alberto Osório de Castro, António Novidade hoje é o abandono massivo de elementos Carlos Figueiredo Reis, Boaventura Santos Silveira.ordenados, o que, a nosso ver, constitui um sinal de que há 3ª Direcção eleita: João Simão, António Carlos Figueiredoalgo que precisa de reflexão sobre as causas e as Reis,AntóniaAdelina Cecílio Sampaio Ferreira, Carlos Leonelcorrespondentes soluções. Pereira dos Santos, Paulo Tunes Eufrásio. É neste contexto que surge a Fraternitas através da Mesa da Assembleia Geral – João António Martinsiniciativa do P. Filipe, a quem o Espírito Santo já tinha inspirado Baptista, ManuelAntónio Silva Ribeiro,Alípio MartinsAfonso,antes o interesse pelos marginais. Manuel JoaquimAlves Tuna, Manuel Batista Calçada Pombal. A Conferência Episcopal Portuguesa acolheu com Conselho Fiscal – José Serafim Alves de Sousa, Albertosimpatia essa iniciativa e aprovou a nossa associação, José Parente Videira d’Assumpção, Cibele da Silva Carvalhocometendo-lhe a incumbência de contribuir para a Sampaio, Luís da Luz e Cunha.regularização canónica da situação dos padres que deixaram Em todos eles encontrei competência, dedicação,o exercício do ministério. Trata-se de um gesto inovador, pois, amizade, espírito de serviço e colaboração incondicional. Asem vez de esconder os casos da comunidade eclesial, decide- minhas homenagens por isso.se envolver os próprios excluídos na resolução do problema. A Fraternitas tem-se esforçado por corresponder aos Finalmente, uma palavra especial de agradecimento éobjectivos propostos, ao mesmo tempo que tem procurado devida ao nosso colega Artur da Cunha Oliveira. Porque ele,ajudar os colegas que se encontrem em necessidade de apoio por diversas vezes e sempre com muita generosidade, se dispôseconómico ou psicológico. Tudo no rigoroso acatamento das a partilhar connosco os seus muitos conhecimentos de Sagradaregras canónicas pertinentes. Mas ninguém nos poderá impedir Escritura, nos ensinou a lê-la com olhos de hoje e nos orientoude reflectirmos sobre as causas que proporcionaram este nos caminhos da oração com a Bíblia.abandono massivo de tantos padres (cerca de um em cadatrês) em tão pouco tempo. Last but not least: uma nota absolutamente necessária: Na hora da passagem do testemunho gostaria de agradecer Embora eu tenha referido acima nomes isolados, a verdadea todos os membros da Fraternitas a confiança que, ao longo manda dizer que eu deveria ter falado em casais, pois, quer nodestes oito anos, sempre depositaram nos seus corpos trabalho quer na disponibilidade, tanto a esposa como o marido,directivos. Sem a vossa compreensão e adesão, tudo quanto conforme os casos, deram uma contribuição indispensável ejá vivemos não teria certamente acontecido. fundamental. Todos nós estamos em condições de o poder Não posso deixar de mencionar com gratidão a assistência avaliar devidamente.do P. Filipe, que sempre nos acompanhou, ajudando-nos a daros passos certos. Não foi fácil. Por tudo isso damos graças a Nós, os que agora cessamos funções, desejamos aosDeus e reiteramos a nossa fidelidade à sua iniciativa e à sua próximos corpos gerentes da nossa associação bom trabalhomemória. e muitas felicidades no desempenho das suas tarefas. Estamos absolutamente convictos de que a Fraternitas vai ficar em Uma vez que os corpos directivos trabalharam sempre boas mãos.em sintonia, com dedicação e espírito colaborativo, asrealizações conseguidas foram resultado dum trabalho de toda Fátima, Casa de Nossa Senhora das Dores, 24-04-2005a equipa. João Simão
  3. 3. espiral 3Editorial dúvida as grandes rotas, e a elas estaremos sempre muito atentos.(continuação da pág. 1) Cada um de nós, e o Movimento no seu conjunto, embora conscientes da nossa pequenez, será sempre “pedra” desta Igrejaos membros de Fraternitas com a minha melhor vontade e as que amamos e queremos servir. Teremos que aprofundar qual ominhas limitadas capacidades, contando com todos eles para nosso papel concreto como conjunto, e qual a tarefa pessoal ame perdoarem as insuficiências, me darem a mão nas dificuldades, que Deus nos chama. Não nos podemos resignar passivamente ae me advertirem fraternalmente para corrigir a rota quando tentar sobreviver, mas cumpre-nos avançar, renovar, aperfeiçoar,entenderem que me desvio dela. De todos, mormente dos que na reflexão teológica e pastoral, no espírito de oração e nome acompanham nos novos corpos gerentes, espero sempre testemunho de “homens e mulheres” no mundo e para o mundo,sugestões e conselhos e uma colaboração paciente e atenta. Mas como construtores do Reino.claro que conto também com todos os Sócios actuais e futuros, ecom os que não sendo sócios são pelo menos simpatizantes, Fraternamente de mãos dadas, atentos àqueles desobretudo com os mais jovens, e consequentemente de espírito entre nós que mais precisarem do nosso apoio, caminharemosmais aberto aos sinais dos tempos na Igreja e no Mundo. decididos e abertos à presença do Espírito, e nesta caminhada eu sou o primeiro a contar com todos. Só peço com simplicidadeNão escondo a minha apreensão, e também a minha que contem também comigo.enorme expectativa pelos caminhos que a Igreja irá tomando,como presença sacramental e viva num mundo tão afastado Porto, 11 de Maio de 2005daquilo que Cristo deseja como caminhos do Reino. O novo Papa, Vasco FernandesBento XVI, ainda tão recentemente escolhido, marcará sem A nossa Páscoa1- No encontro regional de Março, no Porto, foi passado um afinal, na superfície, só têm valor as coisas que se radicam diaporama: diversos poços, atulhados, impediam o livre no mais fundo. acesso à água. Após limpeza profunda, houve água a E saciamo-nos de água fresca. Só esta reconforta, rodos… é uma parábola! equilibra… satisfaz.2- Aproximei este diaporama da visita de Jesus a casa de 5- Que convite! E o Senhor passou. Deixou-nos a batata Marta e Maria (Lc. 10, 38ss). Recordemos essa passagem. quente: “escolher a melhor parte”! O trabalho agora Maria ouvia Jesus; Marta atarefava-se com as lides da compete a nós. Enchemos a vida com nadas. E como casa. Jesus certificou: “… uma só coisa é necessária. custa limpar o poço! “Tudo o que sobe converge” — é Maria escolheu a melhor parte...”. axioma assumido. Também tudo o que se aprofunda3- Esta passagem sempre me intrigou: “uma só coisa é unifica. Oh! Se parássemos para aprofundar as razões do necessária”!... O diaporama deu-me a percepção de dois nosso proceder! Decerto concluiríamos que há muitas níveis: a superfície e a profundidade. Assim decorre a coisas que só aparentemente nos dividem. nossa vida. Na superfície, preocupamo-nos, enchemo-nos 6- Preparar a Páscoa é atravessar este longo deserto. Às de coisas, atafulhamo-nos… Eu diria mesmo: entulhamo- vezes, as cebolas do Egipto fazem-nos ter saudades. Só -nos! quem avançar, os corajosos, gozará a Terra Prometida. Aqui entra a sabedoria. Será possível encontrar um sentido Não é fácil. Os fogos-fátuos do consumismo, da moda, novo para a vida? Por iniciativa própria ou com apoio de dos penachos, de vaidades… atrapalham a nossa amigos, de picareta em punho, lá vamos furando o sistema caminhada. Com o dom de Deus, a ajuda e amizade dos em busca da água pura que nos escapava. amigos, manteremos o rumo…4- Na profundidade tudo se explica e simplifica. Todas as Santa Páscoa! coisas perdem o relevo, que no horizonte nos empecilhava Joaquim Soares e deturpava a visão. E descobrimos, deslumbrados, que, (Terça-feira Santa)
  4. 4. 4 espiral XII ENCONTRO NACIONAL DAO correu em Fátima, aos pés da Mãe de todos os homens, na Casa da NossaSenhora do Carmo, de 22 a 25 de Abril Chegados os dias do Encontro, foi a alegre e desejada viagem de Elvas para o reencontro. Muitas caras novas? Ausência de caras conhecidas? gostar mais de Deus e deles, com um fraquinho especial por terem entrado tanto adentro da nossa condição e das nossas condições, excepto no pecado!...passado. Louvado seja Deus pelas irmãs e Bem gostaria a nossa curiosidade Logo que surgiu a hipótese deste texto irmãos que já partiram para a Casa do histórica que tivesse havido então umde reflexão, delineou-se-me no espírito pai e pelos muitos novos irmãos e irmãs cronista e jornalista modernos...um esquema simples: Na Expectativa da Fraternitas! Assim, queda-nos o Amor e a Fé,— Chegar — Com-viver — Reflectir/ Para mim, alegria suplementar foi o apelando à razão. Mas que não caiamosRe-pensar. Encontro ter permitido também que nos mo racionalismo, pois os nosso avatares Alguns óbices e percalços de saúde reencontrássemos cinco do mesmo na Fé cristã partiram doutros princípiosnão nos permitiram ser fiéis e assíduos curso e ano de ordenação (1964). Deus e escreveram com pressupostoscomo nos primeiros quatro Encontros (D. seja bendito eternamente! diferentes!... E experiências doSerafim, D. Jorge Ortiga, D. Manuel Mas o grande encontro, através do Ressuscitado.Martins e D. Manuel Falcão). Já não nosso muito querido Dr.Artur da Cunha Foi muito bom adensarmos o nossocom D. Vitalino Dantas e D. António Oliveira, foi com o Jesus de Nazaré — Encontro com Jesus, em Mateus.Taipa, embora sim com o nosso Cristo menino, jovem, pregador, morto Mesmo as incursões, atrás de Jesus, porMartins e, ultimamente, com D. Albino miseravelmente, mas ressuscitado! Com Cafarnaúm, pelo Gólgota, o encontroCleto e Frei Bento Domingues. Ele e com a Sua Mãe e, fugazmente, com Maria e os Apóstolos, assim como com o pai, S. José. (No serão a deter-nos a reflectir sobre os géneros de 22, foi delicioso convi- literários nos Evangelhos, a “cheia de vermos com o jovem irmão graça”, a Ressurreição de Jesus e a Dr. Francisco Fanhais!). nossa própria. Sem esquecer a realidade Pessoalmente sentimo-l’Os incomensurável do Universo espácio- muito próximos de nós e da -temporal passado e futuro, o nossa realidade vital. Se aparecimento da vida e do homem/ possível, ainda ficámos a /mulher, descendo a realidades mais Os dias que precederam este XIIEncontro Nacional foram de reflexão erevisitação às origens do Movimento.Aínos encontrámos com colegas das zonasde Cáceres, Mérida e Badajoz, atravésdo MOCEOP (Movimento do CelibatoOpcional — 1986-1990..., já integradona Federação Internacional deSacerdotes Católicos Casados). Vi-me em Badajoz com o nossosaudoso e querido Cónego Pe. FilipeMarques de Figueiredo a sonhar ea diligenciar por que a futuraFRATERNITAS–Movimento fosse,desde a sua génese, internacional. Aspectos do serão com o Francisco Fanhais.
  5. 5. espiral 5A FRATERNITAS-MOVIMENTO Um plano dos participantes no XII Encontro Nacional. nossas, como o pecado, o casamento, o Outrossim, não pode passar em claro de encontros/retiro , com mais momentos matrimónio, seu sacramento, o celibato a sempre afectuosa e alegre presença específicos de oração, mesmo da e a ordem do presbiterado/sacerdócio, do Sr. D. Serafim, ao vir saudar as Liturgia da Horas. vistos à luz, sempre, da analogia da Fé. “cunhadas & sobrinhos”! Bem haja, Por último e, agora, mesmo para E em espírito de serviço à Comunidade Senhor Bispo de Leiria-Fátima, que terminar: exaramos aqui uma palavra de humana, dos crentes e não-crentes. temos e sentimos como Irmão.Amigo e agradecimento e apreço às irmãs e Apraz-nos registar, com agrado, que muito querido. Irmãos que deram vida aos Corpos este XII Encontro Nacional foi, de todos, Só mais uma impressão. Pareceu- Gerentes que, desde os primeiros passos o mais numeroso: a família alarga-se. -nos pairar nos espíritos uma certa fome até aqui, exerceram e cessaram funções. (Será que o JAAI 2000 não vai surgir Generosa e abnegadamente. da letargia?). E a dimensão do Um sentido bem-vindos e obrigado acolhimento, o sentir-se-em-casa, bem- aos que oferecem os ombros, o coração, -estar, alegria e paz, também. inteligência, vontade e tempo para Igualmente, digna de registo a sobraçarem as pastas dos “ministérios” Eucaristia presidida no VI Domingo da da nossa Fraternitas–Movimento. Páscoa pelo Pe. João Caniço, SJ, disponível amavelmente para nós. Vila Nova da Barquinha, 02.05.2005 Clara de Jesus e Parte da assembleia em Eucaristia. Alberto Oliveira Marinho
  6. 6. 6 espiralMumy Por razões familiares toda a família Mãe(continuação da pág. 8) (continuação da pág. 8) rumou a Braga, distrito natal do marido… de início detestou a mudança… A morte do pai aos 7 anos marcou-a pessoa que estava sempre PRESENTE mas 18 anos depois suspirava pelo tempotoda a vida… teve que crescer mais na luta pela vida, perpassada por que lá viveu…rápido do que seria esperado… mudou- doenças, desaires, complicações e tanto Lá a vida nem sempre foi fácil…se para Coimbra com a mãe e o irmão mais! Como a mãe e mulher mas nunca deixou de também estarajudando sempre na economia familiar. PROTECTORA, que não largava o atenta aos outros! Numa noite descobriuQuer fosse a ajudar nas lides da casa e nosso leito nos momentos de dificuldade, que uma aluna não tinha tomadono tratamento das hóspedes (meninas de doença... nenhuma refeição naquele dia e que tinhaque estavam a estudar na universidade), sido posta fora de casa… o que fez? Deu-quer mais tarde a dar explicações de Mãe, de facto, partiste, deixaste de lhe o jantar e trouxe-a para casa… e foimatemática para pagar o próprio curso nos iluminar com a tua presença física, cuidando dela… mesmo à distância atéuniversitário. contudo a tua luz continua bem acesa morrer… Licenciou-se em 1966 em Ciências dentro de nós, não só porque serás Os momentos de felicidade e orgulhoMatemáticas pela Universidade de sempre a nossa guia interior, como também foram muitos… as filhasCoimbra e começou o seu périplo pelas também porque onde quer que estejas cartoladas no cortejo da queima das fitasestradas a caminho das escolas onde estarás sempre, como, aliás, sempre de Coimbra… os almoços de domingotrabalhou. Desde Carregal do Sal, estiveste, a olhar por nós! em família a comer Papas deArganil, Lousã. Sandra Sarrabulho… o aprender a nadar com EmAgosto de 1974 conhece, quem 50 anos, pelas mãos das filhas… asdois anos depois, seria marido. A 9 de bodas de prata de casamento…Setembro de 1976 casam-se no Adorava conduzir, ir para a Praia,Convento da Rainha Santa Isabel numa passear… sentir as filhas enfiarem-secerimónia discreta pois estavam de luto. o que lhe ia acontecer, pelas decisões na sua cama aos domingos de manhã… Peripécias durante as gravidezes não que tomou, pelas palavras que ver novelas (gravava os últimosfaltaram… desde o comboio começar a proferia… parece que esperou até poder episódios para não perder pitada!) …arder e ter que ser tirada ao colo com morrer nos braços de quem amava! Foi estar a jogar no computador (ninguém auma barriga de 8 meses a ir mais cedo com grande serenidade que foi para o batia no freecell), sempre com a cadelapara a maternidade porque a última filha céu… e foi levada para a sua última à beira!decidiu vir ao mundo mais cedo!!! morada no dia e à hora que fazia 62 Mesmo com graves problemas de O maior sofrimento que passou, e anos… 15 deAbril de 2005. saúde nunca deixou de lutar… nunca seque nunca curou, foi sair em 1979 da As coisas visíveis vão… as invisíveis deixou abater pelas crueldades que amaternidade de braços vazios… o ficam… Fica a memória da tua força… vida lhe fez… conquistou com pulsomenino tinha nascido morto! fica a tua forma de organizar a casa… firme o que quis a nível pessoal e Não baixou os braços e continuou a ficam os teus gostos… fica a tua marca profissional…lutar pela vida… por ela, pelo marido e em nós!!! O coração pregou-lhe uma partidapela filha… e depois pela outra filha que Paula fatal… mas até parece que ela pressentiaveio ao mundo! b r e v e s . . . espiritual que, quer ela quer os seus fa- 12 de Maio. A recuperação está a cor- miliares mais chegados, recebemos da rer bem. FALECIMENTO: Fraternitas. O Francisco Valente foi operado à No passado dia 10 de Abril, pelas 13:40 DOENTES: próstata no dia 19 de Maio. A sua recu- horas, faleceu a mãe da Margarida, terminando um longo tempo de prova- Damos notícia deintervenções cirúrgicas peração, embora segura, não tem sido ção e de sofrimento. a que foram submetidos dois irmãos nos- isenta de dificuldades. Aqui se regista o nosso agradecimen- sos: o Carlos Reis e o Francisco Valente. Rezemos por eles e por todos os nos- to por todo o carinho, presença física e O Carlos Reis foi operado à anca, no dia sos doentes.
  7. 7. espiral 7 Pousada que foi a poeira mediática IGREJA AO RITMO DO PENTECOSTESque envolveu o final do pontificado deJoão Paulo II e a eleição de Bento XVI, investigação teológica e fechado à relação de causa e efeito entre osentramos num clima mais desa- necessidade de dar à colegialidade desertos exteriores e interiores.paixonado para olhar o actual momento episcopal o vigor que se anunciara nos Recordava-nos recentemente Freida Igreja. textos conciliares. Há também quem Bento Domingues que esperava que este Uma primeira observação se impõe. preveja que na Cúria do Vaticano Papa promovesse uma Igreja noNas escolhas dos últimos papas, persista uma posição inflexível quanto a pressuposto de que ela só será católicanenhuma dela tinha suscitado tantas problemas que se arrastam, como o do se a sua unidade for construída noreacções de receio e de reserva como celibato dos padres e do sacerdócio da respeito pela pluralidade dos carismas.aquelas que desta vez se manifestaram mulher. De facto, a Igreja não pode serface à eleição de Ratzinguer. Também Temos, todavia, de reconhecer que, concebida como uma multinacional comnunca terá havido em eleições anteriores nos poucos dias do seu pontificado, Bento a sua sede em Roma, mas como umauma tão grande catadupa de declarações XVI abriu algumas inesperadas janelas. comunhão de igrejas locais unidas naa elogiar o Papa, muitas delas em De facto, algumas das suas primeiras mesma fé e como um rosto dereacção às criticas veiculadas pelos atitudes parecem ir na linha do perfil com multifacetadas manifestações domedia, dando do actual Sumo Pontífice que o carismático bispo Pedro Espírito. Esperemos que o Papao perfil de um homem aberto, dialogante Casaldáglia sonhava, quando, em contribua para organizar a cúria romanae afável. recente entrevista, um jornalista lhe de modo a desfazer a ideia de que o Feita a observação, pode procurar- perguntou que tipo de Papa gostaria de bispo de Roma é o bispo de toda a Igreja,se uma possível explicação para o facto ver como sucessor de João Paulo: «Que limitando-se a ter nos bispos diocesanosde esta eleição ter sido feita sob o signo seja um Papa pobre, misericordioso, uma espécie de auxiliares. A evoluçãoda polémica, por vezes apaixonada. Os verdadeiramente ecuménico, que aceite da Igreja no sentido de uma efectivaque levantam reservas receiam que que ninguém tem o monopólio da colegialidade dos bispos e de uma maiorRatzinger venha a impor uma visão verdade (...) Que ausculte a Igreja e o descentralização, constitui um dosmonolítica da Igreja. Os que exteriorizam mundo para saber que tipo de Papa maiores desafios que o actual Papa teráo seu contentamento procuram contrariar desejam os crentes e não crentes». As pela frente. Sem se darem passos nessea imagem de conservador e intolerante afirmações e actuações com que o Sumo sentido, a eclesiologia do Concíliocom que o recém eleito papa se tornou Pontífice iniciou o seu ministério Vaticano II não passará de uma simplesconhecido em vários sectores, enquanto sugerem que ele tem certezas muito cosmética.ocupou o cargo de Prefeito da sólidas quanto à missão da Igreja, mas Veremos, pois, o que o futuro nosCongregação para a Doutrina da Fé. que também sabe ouvir e perscrutar os reserva. De qualquer modo, para- sinais dos tempos. Além disso, uma vez fraseando o nosso Presidente, há mais Penso que a atitude mais avisada nomeado Papa, Bento XVI está a dar a vida e vivência da fé para lá da eleiçãoserá a de esperar para ver. Esperemos imagem de um homem simples, papal. Por muito que amemos o Papa, oque Bento XVI seja capaz de nos evangélico e atento aos sofrimentos da fundamento da nossa Fé está em Jesussurpreender, tanto mais que a história já humanidade. Na celebração que marcou Cristo e será para Ele que deveremosnos reservou inesperadas surpresas. o início do seu pontificado teve orientar a nossa atenção. Foi Pedro, oBasta recordar o que se passou com João declarações que revelam a sua primeiro Papa, a pedra sobre a qual oXXIII que, apesar de acolhido com preocupação não apenas diante dos Senhor quis construir a Igreja, a pro-reservas na altura em que foi eleito, se desertos da fome, da pobreza, do clamar que o Senhor Jesus é que é amantém ainda na nossa memória como abandono, da solidão e do amor destruído pedra angular e que todos os baptizadoso papa que mais contribuiu para a mas também frente ao deserto da também são pedras vivas para afrescura duma Igreja próxima do obscuridade de Deus. Através de uma construção do Templo espiritual (1 PedroEvangelho. linguagem de grande recorte teológico, 2, 4). A tónica predominante das reservas lembrou ao homem contemporâneo que Manuel Antónioa esta eleição está associada ao receio «quem crê nunca está sozinho nem nade um Papa avesso à liberdade de vida nem na morte» e estabeleceu uma
  8. 8. In Memoriam... DRA. MARIA FERNANDA MONTEIRO FERNANDES 1943 – 2005 15 de AbrilAté logo, Maria Fernanda Lembro-me ainda daquele dia 1 de familiares e dos nossos melhores amigos, eAgosto de 1974 em que te conheci, na cidade sobretudo da presença do nosso Padre Joãode Coimbra, recordo o teu lindo sorriso, o teu e do nosso querido amigo, Cónego Filipe.olhar de contentamento e sobretudo o teu Estavas felicíssima por eles e sobretudo porcoração de ouro. poderes repetir de novo aquelas palavras Recordo, com saudade, aquele dia 9 de mágicas do nosso casamento: “Manuel, recebeSetembro de 1976, em que vestindo aquele vestido esta aliança em sinal do meu amor”.branco, semelhavas um anjo de candura e beleza exterior e Maria Fernanda! Agora que gostavas de passear, já libertasobretudo interior. das obrigações escolares, Jesus chamou-te para o Céu, sem Recordo, com saudade, aqueles momentos em que se quer te despedires do marido, das tuas queridas filhas e dealeitavas as nossas filhas, Paula e Sandra, num tantos amigos que tinhas.deslumbramento de ternura materna. Não foste uma grande Queria finalmente lembrar-te aquela quadra que te fiz ummãe, foste a maior das mães. dia e tanto gostavas de repetir: Lembro-me daqueles momentos em que eu chegava tarde, Do alto do miradouromais tarde do que o normal, e sentia o teu coração doloroso, Vejo Coimbra aos teus pés.pois era para ti a maior loucura do mundo. As lágrimas que choraste Recordo o teu sofrimento nos Hospitais por causa dos teus Mostram a grandeza que és!problemas de saúde… sempre sofrendo com um sorriso nos Estamos órfãos, ainda a viver a ilusão que poderás voltarlábios e oferecias o teu sofrimento ao Senhor. Só os santos se nós te merecêssemos.sabem sofrer assim… Quando o Senhor quiser iremos ter contigo. Enquanto Recordo a tua entrega total aos alunos nos Colégios, e estamos de cá abençoa as filhas que tanto amavas, o maridodepois nas Escolas Secundárias, até 2002. Eras a professora que amavas loucamente, os familiares e amigos a quem teexigente, mas sobretudo a professora amiga, atenta aos dedicavas e sê o nossoAnjo da Guarda no nosso caminhar emproblemas familiares dos teus alunos. direcção à eternidade. Queria ainda lembrar-te, aquele dia lindo em que Até logo, até sempre… Fernandinha!celebrámos as nossas Bodas de Prata, rodeados dos nossos Manuel FernandesMAMY Mãe, Mulher de garra, não se assustava com os problemas da Com a tua partida o sentimento de orfandade foi o primeirovida… aguentava-os no momento a sangue frio e só desabava de muitos outros sentidos em catadupa...quando tudo estivesse bem! Mas passado o impacto inicial do inimaginável pesadelo, Nasceu a 15 de Abril de 1943 na casa da estação de ferro que aterrou bem no centro das nossas vidas... eis que fomosda CP da Pampilhosa… como ela dizia tinha os comboios no imbuídos do teu legado e tentamos refractá-lo nas nossas vidas!sangue pois, era filha e neta de chefes de estação! Não passaste na vida por passar, passaste marcando a tua (conclui na pág. 6) presença nos corações de todos aqueles com quem conviveste, em especial o das tuas filhas e marido! boletim da espiral associação fraternitas movimento Como uma FORÇA, essa é sem dúvida a imagem que vai ficar para Rua Lourinha, 429 - Hab 2 = 4435-310 RIO TINTO Responsável: Alberto Osório de Castro sempre nos nossos corações! Como a e-mail: a-osorio-c@clix.pt Nº 19 - Abril/Junho de 2005 (conclui na pág. 6)

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