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  • 1. Artigos TécnicosMastite - Entenda o que é, quais são os fatores desencadeadores, como diagnosticar,como tratar e prevenir.O principal desafio das propriedades atualmente é a implantação de um programa de prevenção damastite baseado em um bom manejo de ordenha, melhoria das condições ambientais e da capacidadeimunológica das vacas, dando a elas condições de combater rapidamente a invasão demicroorganismos na glândula mamária. Um ponto importante no sucesso contra a apresentaçãoclínica da doença é a eficácia no tratamento, evitando recidivas e surgimento de vacas afetadascronicamente, que hoje é uma das principais causas de descarte involuntário, além de fontes dosmaiores gastos com medicamentos em uma fazenda leiteira.Inúmeros são os questionamentos quanto ao tratamento da mastite clínica: Quantos dias tratar? Qualantibiótico usar? Injetável e/ou intramamário? Devo ou não utilizar antiinflamatórios? Quando devotrocar a base do antibiótico?Apesar de algumas estratégias mostrarem bons resultados, a verdade é que não existe uma “receita”pronta que resulte no sucesso do tratamento, mas sim o somatório de alguns fatores, como cuidadoscom higiene, treinamento da mão de obra, conhecimentos dos agentes e medicamentos, além dogerenciamento dos números, que são decisórios para o sucesso no tratamento dos casos clínicos nasfazendas.RecidivasA freqüência de novas infecções e duração das infecções já existentes determina a gravidade damastite no rebanho. E este é o grande desafio do tratamento: promover cura clínica e bacteriológica,ou seja, acabar com os sintomas e com os microorganismos que estão infectando a glândulamamária. Isto é fato quando nos deparamos nas fazendas com algumas vacas que retornam à mastiteinúmeras vezes na lactação e são de difícil cura. Isto acontece pelo fato da doença flutuar entre aforma clínica e a subclínica, e esta reversão é tida muitas vezes como cura. Vacas subclínicas quevoltam a apresentar mastite clínica em estágios avançados da lactação apresentam menor taxa decura, pelo fato do microorganismo invadir o tecido secretório e a partir daí não ser eficientementeatingido pelo antibiótico. Isso evidencia a necessidade de tratar bem o primeiro caso clínico dalactação, visando minimizar os retornos.Diagnóstico precoceA partir deste contexto, o primeiro passo para o sucesso no tratamento do caso clínico é odiagnóstico precoce. Neste ponto, são detectadas falhas graves nas fazendas, principalmenterelacionado ao critério utilizado pelos ordenhadores no momento de iniciar ou não a terapia. Foicriada a idéia de que mastite clínica acontece apenas mediante o aparecimento de grumo, e seesquece de ficar alerta a outras alterações que podem ser detectadas precocemente, como:- alteração na característica do leite: “aguado”ou com coloração alterada- úbere inchado, vermelho e quente- pequenos grumos nos primeiros jatos do teste da caneca, que para muitos é apenas o resquício doleite residual da ordenha anteriorPortanto, os ordenhadores devem estar treinados para identificar as diferentes alterações causadaspela mastite, para que a precocidade no tratamento seja determinante no sucesso do mesmo.Higiene no tratamentoApós o diagnóstico, outro ponto fundamental é a higiene dos procedimentos de tratamento. É fatoque, logo após a remoção das teteiras, a ponta do teto está contaminada e a introdução das cânulasintramamárias sem uma prévia desinfecção leva a reintrodução de bactéria na cisterna do teto,
  • 2. diminuindo as chances de cura (Figura 1). A partir disso, tem-se usado com sucesso a desinfecção daponta do teto com o produto de pré ou pós-dipping (Iodo, Cloro, Clorexidine, etc), durante ummínimo de 30 segundo e secagem com papel toalha, ou mesmo a utilização de lenço ou algodãoumidecidos em álcool 70% (presente em vários intramários), para posterior introdução da cânula.Além disso, atitudes simples como utilização de luvas pelo ordenhador, remoção do lacre da bisnagaapenas momentos antes da aplicação e introdução de cânulas curtas diminuem consideravelmente odesafio de nova contaminação do canal do teto (Figura 2). Figura 1 – Reintrodução de microorganismos na glândula mamária durante o tratamento sem uma prévia desinfecção da ponta do teto. Figura 2 – Sequência de procedimentos visando a desinfecção do teto antes e após o tratamento evitando a introdução de microorganismos.Procedimentos para uma boa higiene no momento do tratamento de mastite clínica: 1-Desinfecçãoda ponta do teto com solução de pré ou pós dipping ; 2- secagem com papel toalha; 3-Limpeza daponta do teto com álcool; 4- abertura do lacre próximo à ponta do teto; 5- Introdução de cânulacurta; 6-Pós-Dipping.Duração do tratamentoQuanto tempo tratar as vacas para garantir boas taxas de cura e o mínimo de recidivas de maneiraeconomicamente viável? No dia a dia das fazendas, encontram-se protocolos de tratamento quepreconizam a finalização do antibiótico na ordenha em que a vaca não apresentar mais grumos noleite, e algumas vacas apresentam melhora clínica logo no primeiro dia. No entanto, terapias curtasaumentam os riscos de cronificação, aumento de CCS e recidivas futuras com baixíssima taxa de
  • 3. cura. Então, o que fazer?Os trabalhos mostram que, ao contrário do que dizem as bulas dos medicamentos intramamários, asterapias devem ser prolongadas para garantir a cura bacteriológica e devem priorizar a utilização deantibióticos intramamários (Tabela 1). Terapias parenterais (antibióticos injetáveis) devem serutilizadas em situações especiais, as chamadas mastite grau 3, nas quais a vaca apresenta estadoclínico geral ruim, com febre, falta de apetite, desidratação e letargia. TABELA 1 - Taxa de cura de casos clínicos causados por Streptococcus. Ambientais Fonte: Hilerton JE et al., 2002A partir destes dados e de experiências práticas, uma estratégia interessante é o tratamento por nomínimo de 3 dias, em 2 ordenhas diárias, independente da melhora do quadro clínico. Em casos deinsucesso no tratamento com a primeira base de antibiótico, é necessário iniciar uma nova terapiacom novo medicamento, utilizando o mesmo protocolo da primeira base. Caso necessário, umaterceira base deve ser utilizada em animais que não respondam bem aos 2 primeiros tratamentos. Porisso, é importante ter na propriedade pelo menos 3 antibióticos intramamários como alternativa paravacas que não respondam bem ao início do tratamento. Outro ponto importante é tratar os animaispor pelo menos 2 ordenhas (24 horas) após o fim dos sintomas, garantindo além da cura clínica, umagrande chance de conseguir a cura bacteriológica. TABELA 2 - Taxas de cura em casos de mastite clínica causada por Strep. Uberis Fonte: Hillerton e Kleim, 2002
  • 4. Quando o antibiótico intramamário não é suficiente?Em algumas circunstâncias, é preciso recorrer a outros medicamentos, como antiinflamatórios eantibióticos injetáveis. Para isso, classifica-se a mastite em 3 graus, de forma a padronizar e terparâmetros para a tomada de decisão sobre qual terapia instituir. Mastite Grau 1:Alterações visíveis apenas nas características do leite. Ou seja, o animal não apresenta inchaço no úbere ou qualquer alteração no seu estado clínico geral. Nestes casos, encontram-se apenas grumos ou leite com características anormais na coloração e viscosidade. Neste tipo de mastite é necessária apenas a utilização de antibióticos intramários. Mastite Grau 2:Alterações visíveis no leite e na glândula mamária. Nesta categoria estão os animais que apresentam alterações no leite e na glândula mamária. Estes casos são facilmente diagnosticados pelo fato do úbere apresentar-se avermelhado, quente, com aumento de volume e muitas vezes mais consistente. Nestes casos, é necessária a utilização de antiinflamatórios não esteroidais (AINES) associados ao antibiótico intramamário. Mastite Grau 3: O animal apresenta alterações no leite, glândula mamária e no seu estado clínico geral. As vacas encontram-se prostradas, desidratadas, comem pouco e em muitos casos apresentam as mucosas congestas (arroxeadas). Muitos destes casos graves de mastite são causados pela chegada de bactérias à corrente sanguínea ou liberação de toxinas por elas, causando uma reação inflamatória sistêmica que deve ser minimizada rapidamente ou pode matar os animais em poucas horas. Nestas situações, é importante utilizar antibióticos injetáveis (Sulfa e Trimetropim, Ceftiofur, Oxitetraciclina, etc.) e intramamários, além de um tratamento suporte com antiinflamatórios (preferencialmente flunixine meglumine) e hidratação oral ou endovenosa. Figura 3 - Mastite clínica – Da esquerda para a direita, grau 1, 2 e 3.Qual antibiótico utilizar?Muitas propriedades utilizam antibiograma com o objetivo de escolher o medicamento e o protocolode tratamento baseado nos resultados destes testes laboratoriais. Fato é que os diferentes tipos deantibióticos (Gentamicinas, Cefalosporinas, Penicilinas, Tetraciclinas, etc), apresentam resultadosvariados dependendo da fazenda. Além disso, vários trabalhos revelaram pouca relação entre osresultados de sensibilidade (antibiograma) e as taxas de cura bacteriológica. Esta divergência éatribuída aos poucos estudos quanto ao comportamento da solução intramamária dentro da glândulamamária. Um exemplo disso é que a grande maioria dos testes mostram uma alta sensibilidade doStaphilococccus aureus aos antibióticos e na prática o tratamento de vacas portadoras deste agente écomumente frustrante.Então, como serão escolhidos os antibióticos utilizados na fazenda? Para a decisão acertada, épreciso recorrer à gestão dos números que envolvem o tratamento de mastite e fazer com que apropriedade seja o “antibiograma” e diga qual antibiótico utilizar. Para isso, é necessário que haja
  • 5. anotações criteriosas dos tratamentos pelos ordenhadores. A partir destas planilhas de controle serápossível definir quais antibióticos utilizar baseados em um índice chamado de “Eficiência deTratamentos”.Para o levantamento deste número, são levadas em consideração as vacas que se curaram comdeterminado antibiótico - vacas que se curaram da mastite e não apresentaram recidiva no quartotratado após 15 dias do final do tratamento. A partir deste índice é definida a eficiência de cadaprotocolo, que já é conseguido em alguns softwares de gestão pecuária.Exemplo: em determinada fazenda foram tratados 30 casos de mastite com determinado antibiótico(protocolo 1). Destes, apenas 10 se curaram e outros 20 necessitaram de nova opção demedicamento. A partir destes números, chegou-se à eficiência do protocolo 1 que foi de 33,3%(10/30), número muito inferior às metas aceitáveis para cada protocolo, necessitando de revisão domesmo e escolha de novas opções para a fazenda. TABELA 3 - Metas de eficiência dos diferentes protocolos de tratamento de mastite clínica Fonte: Curso de Qualidade do Leite e Controle da Mastite (ReHAgro)Outras ferramentas são utilizadas na avaliação da eficiência do tratamento, como a CCS e o cultivomicrobiológico. A CCS, apesar de ser indicativa de infecção, pode ser enganosa pelo fato de suadiminuição não necessariamente ser acompanhada de cura bacteriológica. Neste caso, pode ocorrer oefeito da diluição dos outros quartos ou mesmo havendo declínio na CCS da glândula tratada,bactérias residuais podem continuar sendo liberadas. O outro método, pouco utilizado nas fazendas,é a realização do cultivo pós-tratamento. Sol et, al. (1997) recomendam que a definição de curadeveria ser baseada em pelo menos 2 culturas, intervaladas de 15 e 30 dias após o final dotratamento.ImunidadeAlém dos objetivos propostos de diminuir o desafio ambiental e tratar corretamente a mastite, éimportante que se tenha como foco a imunidade da vaca. Para isso, deve-se estar atento ao estresse(térmico, social, manejo, etc), balanceamento de minerais e vitaminas (tabela 3) e preservação doesfíncter do teto, por este ser a primeira barreira contra a entrada e colonização bacteriana no úbere.Toda esta preocupação com a imunidade vem do fato de que algumas infecções na glândula mamáriaterem auto-resolução e este processo ser totalmente dependente da eficácia dos mecanismos dedefesa do animal, principalmente nas mastites ambientais causadas por gram-negativos. Somado aisso, o sucesso da ação do antibiótico é extremamente dependente do sistema de imune da vaca, umavez que mesmo durante o tratamento, grande parte da eliminação de bactérias no úbere é feita pelascélulas de defesa.Em resumo, pode-se concluir que vacas com bom sistema imune têm menos casos clínicos demastite, se curam mais rápido e consomem menos medicamentos, diminuindo os impactos negativosdesta doença no rebanho.Referências Bibliográficas:Fetrow, J., 2000. Mastitis: na economic consideration. PP 3-47 in Proceeding of the 29™ annualmeeting of NMC. Vol 42, National Mastitis Council, Madison WI.Hillerton, J. E. and K.E. Kliem. 2002. Effective treatment of Streptococcus uberis clinical mastitis to
  • 6. minimize the use of antibiotic. J Dairy Sci 85: 1009 – 1014.Ruegg, P.L. Estratégia de tratamento da mastite clínica. Curso Novos Enfoques na Produção eReprodução de Bovinos.Ruegg, P. L. Tratamento de mastite clínica – O que nos dizem as pesquisas. Anais do XV CursoNovos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos, 2011.Ruegg, P.L. Seleção de antibióticos para o tratamento da mastite. Curso Novos Enfoques naProdução e Reprodução de Bovinos.