Livro curso de aprendizes do evangelho (1)

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Livro curso de aprendizes do evangelho (1)

  1. 1. Curso de Aprendizes do Evangelho
  2. 2. Índice 1. O VELHO TESTAMENTO 1 2. VISÃO GERAL DO NOVO TESTAMENTO 4 3. A PALESTINA: ASPECTOS HISTÓRICOS 7 4. FATOS DA VIDA DE JESUS: NASCIMENTO E INFÂNCIA 10 5. FATOS DA VIDA DE JESUS: PRISÃO E MORTE 12 6. FATOS DA VIDA DE JESUS: QUESTÕES POLÊMICAS 15 7. JOÃO BATISTA, O PRECURSOR 19 8. OS DOZE APÓSTOLOS 21 9. O SERMÃO DO MONTE: BEM AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO 23 10. O SERMÃO DO MONTE: BEM AVENTURADOS OS QUE CHORAM E OS QUE SOFREM PERSEGUIÇÃO POR AMOR DA JUSTIÇA 26 11. O SERMÃO DO MONTE: BEM AVENTURADOS OS MANSOS E PACIFICADORES 27 12. O SERMÃO DO MONTE: BEM AVENTURADOS OS QUE TEM FOME E SEDE DE JUSTIÇA E OS MISERICORDIOSOS.29 13. SERMÃO DO MONTE: BEM AVENTURADOS OS LIMPOS DE CORAÇÃO E QUANDO INJURIAREM 30 14. O SERMÃO DO MONTE: “VÓS SOIS O SOL DA TERRA” “O JURAMENTO” 32 15. O SERMÃO DO MONTE: “OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE” “SEDE PERFEITOS” 35 16. O SERMÃO DO MONTE 37 17. SERMÃO DA MONTANHA: SÓ DEUS PODE JULGAR E A CASA SOBRE A PEDRA 40 18. JESUS E A PRECE 42 19. OS MILAGRES E O EVANGELHO 44 20. MEDIUNIDADE NO EVANGELHO 46 21. AS APARIÇÕES DE JESUS APÓS SUA MORTE 50 22. AS CURAS NO EVANGELHO 52 23. A OBSESSÃO NO EVANGELHO 56 24. O SERMÃO DO CENÁCULO 59 25. O SERMÃO PROFÉTICO 61 26. PARÁBOLAS COMPARATIVAS DO REINO DOS CÉUS 62 27. PARÁBOLAS SOBRE O DESAPEGO ÀS RIQUEZAS TERRENAS 65 28. PARÁBOLAS SOBRE A VALORIZAÇÃO DAS OBRAS DO HOMEM 68 29. PARÁBOLAS SOBRE AS FALSAS APARÊNCIAS 71 30. PARÁBOLA SOBRE A VIGILÂNCIA, PRUDÊNCIA E VALORIZAÇÃO DO TRABALHO 73 31. MARIA DE MAGDALA 75 32. ZAQUEU, O PUBLICANO 76 33. JUDAS ISCARIOTES 77 34. OS FILHOS DE ZEBEDEU 78 35. MARTA E MARIA 79 36. LUCAS, O EVANGELISTA 80 37. O COLÓQUIO COM NICODEMOS 81 38. A MULHER SAMARITANA 82 39. A MULHER ADÚLTERA 83 40. ATOS DOS APÓSTOLOS - A MISSÃO DE PEDRO 84 41. ATOS DOS APÓSTOLOS - O PAPEL DE PAULO 85 42. AS CARTAS PAULINAS 86 43. AS EPÍSTOLAS DO NOVO TESTAMENTO E O APOCALIPSE DE JOÃO 96 44. AS DETURPAÇÕES DO CRISTIANISMO 102 45. O ESPIRITISMO E O CRISTIANISMO 103
  3. 3. Capítulo 1 O VELHO TESTAMENTO A Bíblia é composta de um conjunto de 73 livros, sendo 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo, subdivididos em três grandes categorias: livros históricos, doutrinais e proféticos, segundo os teólogos e exegetas. As edições protestantes não trazem alguns livros chamados deuterocanônicos. Ex. Judite, Daniel, Eclesiastes, etc. Os livros do Antigo Testamento escritos uns em hebraico e outros em aramaico foram traduzidos para o gre- go. De modo geral, os livros relatam a aliança e as relações entre Deus e os Hebreus até o nascimento de Jesus, por isso são chamados também de “Antiga Aliança”, fundamento da Religião Judaica. Os mais antigos manuscritos bíblicos, hoje conhecidos, foram descobertos a partir de 1947, graças a um fortuito encontro em uma caverna perto do Mar Morto. Por isso são conhecidos como os “Manuscritos do Mar Morto”, os “Manuscritos de Qumrâm”, nome do lugar em que estavam. Alguns são do século II a. C. (A Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas) Entre as traduções da Bíblia, as mais antigas e famosas são: a Versão dos Setenta e a tradução feita por São Jerônimo, chamada Vulgata. Recentemente, após as descobertas dos Manuscritos do Mar Morto, processou-se sua tradução, por especialistas de diferentes religiões cristãs, procurando-se eliminar os desvios semânticos, decorrentes das modificações da língua através dos tempos e de diferentes interpretações, para que se chegasse a um denomi- nador comum.. Essa tradução foi designada de “A Bíblia de Jerusalém”. Os 46 livros do Velho Testamento subdividem-se em históricos, doutrinais e proféticos, mais o Pentateuco, chamado de A Lei. LIVROS HISTÓRICOS: São os livros do Pentateuco e os de Josué, Juízes, Ruth, Rei, Macabeus e outros, ao todo 21, os quais narram a história do povo hebreu. O livro de Josué relata a conquista da Terra da Promissão e sua distribuição pelas tribos. O Juízes mostra a história dos judeus sob o governo dos Juízes. Samuel fala sobre os reis Saul e Davi. O livro de Reis registra a história de Salomão até a destruição do Templo de Jerusalém, pelos babilônios. Esdras narra a volta do exílio de grupo de judeus. Cada livro narra uma parte da história hebréia. LIVROS DOUTRINAIS: São os Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Sabedoria e outros, ao todo 7. Estes livros indicam sempre uma rota a seguir pelo homem de bem. Qualquer que seja sua forma de apre- sentação são sempre norteadores de conduta, indicação de caminho, regras morais, preces, hinos etc. O Livro dos Salmos, ou Saltério, é uma coleção de poemas sagrados compostos por vários autores inspirados, dos quais o mais importante e conhecido é o rei Davi (A Bíblia Sagrada, Edição Barsa). O Saltério (palavra de origem grega), é o nome de um instrumento de cordas que acompanhava os cânticos, os salmos e, por extensão, passou a denominar a coletânea dos Salmos. O Povo de Israel, assim como seus vizinhos, cultivou a poesia lírica de várias formas através dos Salmos. Todo povo sensível se transcende através da palavra cantada, onde o som se harmoniza mais facilmente com as esferas mais altas. O valor espiritual dos salmos ou sua riqueza religiosa os transformaram nas preces do Antigo Testamento (súplicas, ações de graças e profecias do Messias). O livro dos Provérbios é um conjunto de regras práticas para se viver com sabedoria e representa vários sé- culos de reflexão dos sábios, desde Salomão; por isso muitas vezes é citado por Provérbios de Salomão. A sabedo- ria é personificada em justiça e verdade, mas, embora de bons sentimentos morais, seu ensinamento foi superado pelas parábolas de Jesus. LIVROS PROFÉTICOS: São os de Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Joel e outros, ao todo 18. Estes livros, de modo geral, registram as principais profecias dos missionários profetas de Israel. Isaías (séc. VIII a.C.) prevê a vinda do Messias; a ruína de Israel por sua infidelidade; a ruína da Babilônia etc. Jeremias (séc. VII a.C.) vaticina sobre a ruína de Jerusalém e Judá. Ezequiel e Daniel (séc. VI a.C.) viveram no exílio da Babilônia, tendo Daniel profetizado vários fatos, tornando-se, inclusive, magistrado na corte do Rei Nabucodonosor. É bom observar que o estudo do Velho Testamento deve ser acompanhado pela observação sistemática em mapas geográficos da época, que mostram os lugares mais importantes e as razões de certas situações, ampliando o visual do estudante. A leitura do Antigo Testamento mostra que Jesus respeita suas leis e as devolve ao legítimo sentido. Cristo conclui a Nova Aliança, pela qual os cristãos, como herdeiros de Abraão, estão no Novo Testamento. (Gálatas, 3:15 a 29). Os Espíritas, diz Emmanuel em O Consolador, questão 360, como “novos discípulos do Evangelho devem compreender que os dogmas passaram. E as religiões liberalistas, que os construíram, sempre o fizeram simples- mente em obediência a disposições políticas, no governo das massas. Dentro das novas expressões evolutivas, po-
  4. 4. Curso de Aprendizes do Evagelho2 rém, o espiritista deve evitar as expressões dogmáticas, compreendendo que a Doutrina é progressiva, esquivando- se a qualquer pretensão de infabilidade, em face da grandeza inultrapassável do Evangelho”. Por isso, pode-se dizer que por meio do Espiritismo, Jesus, cumprindo suas promessas (Jo., 14:16-26 e 16:12- 14), renova sua Aliança com os Homens, em geral, fazendo-os, todos, herdeiros do seu Cristianismo Redivivo, de forma que todas as ovelhas pudessem ser conduzidas, sem exceção, ao aprisco do Senhor, no caminho da plurali- dade das existências. MOISÉS E SUA MISSÃO PLANETÁRIA E O ÊXODO Durante 430 anos a família e os descendentes de Jacó permaneceram no Egito, transformando-se em um povo numeroso - o povo de Israel (Ex. 12:40). Os Egípcios, sentido-se ameaçados, impunham-lhes pesados tributos através da coréia (trabalho gratuito ao Senhor). Para evitar o aumento de reprodução israelita, o Faraó Ramsés II, em torno de 1250 a.C., determinou o afo- gamento no rio Nilo de seus filhos recém-nascidos do sexo masculino. Jocabel, mulher de Amran, neto de Levi, deu à luz um menino e amamentou-o por três meses. Temerosa de que os guardas o descobrissem, arquitetou colocá-lo no rio Nilo, num cesto forrado de betume, à hora do banho da princesa Termutis, filha de Ramsés II. (Ex. 2). A princesa recolheu-o e adotou-o como filho. Certamente Moisés foi um Espírito missionário de alta hierarquia, com uma difícil tarefa: libertar o povo hebreu do jugo egípcio e codificar as leis divinas de caráter universal (O Decálogo). Educado em palácio, iniciado nos cultos herméticos dos faraós e sacerdotes, sempre se destacou por sua per- sonalidade de liderança. Após um incidente com um guarda egípcio, Moisés mata-o, em legítima defesa, e tem de fugir. Vai para Madiã, ao sul da Palestina, onde se casa e passa 40 anos pastoreando, também aprendendo os cami- nhos do deserto. Um dia, nas imediações do Monte Sinai, o mesmo onde recebeu o Decálogo, anos mais tarde, Moisés ouviu a chamada à sua missão, quando Deus “lhe fala” do meio da sarça ardente. (Ex., 3). Moisés volta ao Egito com sua família. Reinava, então, Menerphtah, filho de Ramsés II (Ex., 4:18) e tendo seu irmão mais velho, Arão, como intér- prete de sua vontade junto ao Faraó,. pediu a liberdade de seu povo. Depois de muitas dificuldades, e pragas terríveis o Faraó, ainda assim, não concordou com sua saída (Ex., cap. 7 a 11). Face a não concordância do Faraó, o Senhor instituiu a páscoa (Ex., 12), na qual os hebreus deveriam marcar as ombreiras das portas com o sangue dos cordeiros imolados, assinalando sua presença para que seus primogêni- tos não fossem atingidos pela praga destruidora. Disse então o Faraó a Moisés. “ide e servi ao Senhor, como tendes dito” (Ex., 12:31). Inicia-se o Êxodo mas, arrependendo-se, o Faraó persegue-os até às margens do Mar Vermelho (na região do Mar dos Juncos) onde os soldados egípcios são tragados pelo mar, depois da passagem de Moisés e seu povo. (Ex., 14) Não se sabe ao certo qual o caminho percorrido pelos israelitas no deserto, mas a probabilidade maior é a di- reção sul, ao longo da costa do Mar Vermelho e depois em direção do Monte Sinai. Em Êxodo, capítulo 19, lê-se que no terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, Moisés sobe ao monte e lá recebe os Dez Manda- mentos. O DECÁLOGO E AS LEIS TRANSITÓRIAS Fala Emmanuel, em O Consolador, questão 269, que embora Moisés trouxesse consigo as mais elevadas fa- culdades mediúnicas, era “impossível que o grande missionário dos judeus e da Humanidade pudesse ouvir o Espí- rito de Deus”. Diz, ainda, que após o advento do Espiritismo, o homem está habilitado a compreender que os dez mandamentos forma ditados por emissários de Jesus, “porquanto todos os movimentos de evolução material e espi- ritual do orbe se processaram, como até hoje se processam, sob o seu augusto e misericordioso patrocínio.” Diz Kardec (ESE, cap. I) que “há duas partes distintas na lei mosaica: a lei de Deus, promulgada sobre o Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés”. A lei de Deus, ou Decálogo, é uma lei “de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um caráter divino”. Todas as demais leis estabelecidas por Moisés, contidas no Levítico, Números e Deuteronômio, eram transitórias, porque o grande Patriarca foi “obrigado a manter pelo temor um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha de combater abusos arraigados e preconceitos adquiridos durante a servidão do Egito. Para dar autoridade às suas leis, ele teve de lhes atribuir uma origem divina, como fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A autoridade do homem devia apoiar-se so- bre a autoridade de Deus.” Passaram quarenta anos no deserto inóspito, para depuração de sua geração e preparo da nova nação, no bu- rilamento da alma do seu povo para a reforma íntima. Ao final deste tempo, dirigiram-se ao vale de Arabá (sul do Mar Morto) entrando pelo lado oriental do Edom e subindo até às terras de Moab e Amon. Acamparam nas estepes de Moab, à margem esquerda do rio Jordão, em frente a Jericó. Moisés, sentindo-se no final de sua vida terrestre, escolhe Josué como novo líder e discursa ao povo falando do término de sua tarefa, da continuidade por Josué e por fim dá sua bênção a todas as tribos e sob ao Monte Nebo. “Tinha Moisés a idade de 120 anos quando morreu.”(Deut., 34:7), deixando na história dos homens a marca de sua personalidade missionária, como líder de um povo, como legislador extraordinário e como “legítimo emissário do plano superior, para entregar ao mundo terrestre a grande e sublime mensagem da primeira revelação”(O Consola- dor, questão 270, Emmanuel).
  5. 5. Visão Geral do Novo Testamento 3 O PENTATEUCO Pode-se dizer que o Pentateuco é o “livro da Lei de Moisés” - a Torá, como é chamado na Bíblia Judaica. É composto de cinco livros. A composição literária é atribuída a Moisés, afirmado por Jesus e apóstolos (Jo., 1:45), embora não haja confirmação de que ele tenha escrito os cinco livros (A Bíblia de Jerusalém). O Pentateuco contém um conjunto de prescrições e postulados que orientam a vida moral, social e religiosa do povo judeu e se divide em: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Gênesis: Este primeiro livro contém a história primitiva; a criação do universo e do homem; o pecado original e toda sua consequência até o dilúvio. Depois do dilúvio, tem-se o início da era patriarcal e todo o referencial gene- alógico das tribos que compõem a história do povo hebreu. Êxodo: Neste livro encontra-se a libertação dos judeus do Egito; a “Aliança com Deus” no Sinai, com o Decá- logo; a instituição de leis reguladoras da atividade social e religiosa, tais como leis sobre servos, violências, proprie- dades, deveres dos Juízes etc. e, ainda, regeras para o uso do tabernáculo, objetivando resguardar a pureza do mo- noteísmo, contra as idolatrias e costumes arraigados por tanto tempo na convivência com os egípcios. Levítico: é um livro legislativo, que regula o ritual dos sacrifícios de purificação e agradecimento; investidura de sacerdotes; leis sobre alimentação animal; sobre a purificação da mulher depois do parto; sobre a saúde e cuida- dos com a lepra; sobre casamentos ilícitos etc., com instituição de penas aos faltosos. Números: É o quarto livro de Moisés. Refere-se ao recenseamento “de toda a congregação dos filhos de Is- rael, segundo suas famílias, segundo a casa de seus pais, contando todos os homens, nominalmente, cabeça por cabeça”(Nm., 1:2). Aí registra-se também a primeira tentativa de se entrar em Canaã (Nm., 13); a rebelião contra o sacerdócio de Arão (Nm., 16 e 17); o direito de herança etc. Deuteronômio: É o quinto livro de Moisés. Encerra um conjunto de três discursos de Moisés ao seu povo. No primeiro, conta a história de Israel e de de seus objetivos para chegar à Terra Prometida, exortando-os à obediência. No segundo, Moisés conta a história da legislação, falando-lhes dos dez mandamentos e relembrando as leis edita- das anteriormente e da necessidade de sua obediência. No seus últimos atos, Moisés fala da nova aliança de Deus com o povo e das promessas da misericórdia divina; da indicação de Josué como seu sucessor e sua bênção ao seu povo, antes de sua morte. QUADRO I - O Decálogo 1. Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma de tudo o que há em cima no Céu, e do que há embaixo na terra, nem de coisa que haja nas águas, debaixo na terra. Não andarás, nem lhes darás culto. 2. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão. 3. Lembra-te de santificar o dia de sábado. 4. Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a Terra. 5. Não matarás. 6. Não cometerás adultério. 7. Não furtarás. 8. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 9. Não desejarás a mulher do próximo. 10.Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem outra coisa alguma que lhe pertença. Fonte: Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. I
  6. 6. Capítulo 2 VISÃO GERAL DO NOVO TESTAMENTO O Novo Testamento é composto por um conjunto de 27 livros classificados em históricos, doutrinais e proféti- cos. São históricos os quatro Evangelhos, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João e o Atos dos Apóstolos. São livros doutrinais as 21 epístolas de Paulo, Tiago, Pedro, João e Judas. O livro profético é o Apocalipse. O EVANGELHO O Evangelho é uma palavra de origem grega e significa Boa Nova. Essa Boa Nova é a notícia solene de uma doutrina moral, onde os exercícios da lei da justiça, com misericórdia, do saber e do amor, da humildade e da cari- dade, da fé e da esperança, fundamentam a ação da reforma íntima do ser humano, dando à ressurreição do espírito o caráter de evolução, com responsabilidade individual e coletiva, possibilitando através do aprendizado e do conví- vio fraterno, o direito da graça e da honra de se conhecer a Deus, ingressando no Seu Reino. Por isso Jesus, o Cristo, ensinou: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todo teu pensamento. Este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos, depende toda a lei e os profetas”. (Mateus, 22:37 a 40) Numa visão global, abrangendo todo o contexto histórico e moral do Evangelho, destaca-se a idéia profunda e impressionante da exemplificação de Jesus, que transcende seu campo de trabalho, na sua curta vida terrena, em uma época de transição mundial (onde a busca do saber e das conquistas, sufocava o valor da ação do amor), a ponto de se tornar um marco na História da Civilização, que conta os seus dias a partir do seu nascimento. Uma análise sensível e meditativa do Evangelho dá ao homem a compreensão e paciência para a vida; en- che-o de coragem e fé; ensina-lhe a servir a Deus através de seu semelhante, e a conquistar o “Reino de Deus” pelo entendimento da verdade. André Luiz, (Os Mensageiros, cap. 36.) narra momentos lindos, demonstrando que o “Evangelho dá equilíbrio ao coração”, envolve e extrapola segundo as possibilidades individuais de recepção da luz espiritual. Jesus asseverou aos seus discípulos: “Se permanecerdes nas minhas palavras, verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (João, 8:31 e 32) Allan Kardec (ESE, Introdução), explica que a Boa Nova pode ser dividida em cinco partes: os atos comuns da vida do Cristo, os milagres, as predições, as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja e o ensino moral. OS QUATRO EVANGELISTAS O Evangelho de Jesus está escrito em quatro livros, segundo o entendimento e inspiração de cada evangelis- ta: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros se assemelham, daí o nome de sinóticos. A tradição eclesiástica reconhece Mateus como o primeiro evangelista, embora haja discussões improdutivas a respeito. No livro “Paulo e Estevão”, 2ª parte, ca. I, Emmanuel diz que Paulo recebeu de Ananias umas notas dispersas com elementos da tra- dição apostólica, o qual o informou sobre a aquisição do Evangelho na “Casa do Caminho”, em Jerusalém (cópia in- tegral das anotações de Levi, isto é, Mateus). Mateus: o Levi publicano, coletor de impostos em Cafarnaum, foi um dos quatro evangelistas, membro do co- legiado apostólico. Suas primeiras anotações foram feitas na Palestina, em hebraico, para os judeus convertidos. Sua idéia original foi converter e edificar, ilustrando a fé. Marcos: João Marcos, primo de Barnabé, fez a primeira viagem com Paulo e foi discípulo de Pedro, daí a di- zer-se que ele é “um eco da voz de Pedro”. Seu nome hebraico era João, o latino Marcos (Atos, 12:25). Destaca os aparentes fracassos de Jesus perante os homens, para comprovar os desígnios de Deus (Era necessário que o Cristo sofresse para resgatar os homens”- 9:12, 10:45, 14:24) e culmina com o triunfo do ressurgimento do túmulo. Lucas: escritor de grande talento, amigo inconteste de Paulo de Tarso, médico dos homens e das almas, nas- ceu em Antióquia, perto de Tarso (Síria). Seu trabalho é o resultado de muita ordem e informações pessoais com os Apóstolos, Maria e Discípulos. Foi escrito para os pagãos convertidos. Sem o terceiro evangelho não teríamos 16 das mais belas parábolas de Jesus. Segundo Emmanuel (Paulo e Estêvão, 2ª parte, cap. VIII), Paulo em sua última viagem a caminho de Roma, pede a Lucas que faça “suas anotações de modo simples e nada comente que não seja para glorificação do Mestre, no Seu Evangelho imortal”. Esses trabalho de pesquisa deu oportunidade de uma narração mais completa da vida e obra de Jesus. João: o “discípulo que Jesus mais amava”, era irmão de Tiago (filhos de Zebedeu e Salomé). Ele narra o epi- sódio dos primeiros discípulos com a propriedade e os pormenores de quem foi testemunha ocular, desde o primeiro milagre, nas Bodas de Caná, até aos pés da cruz, com a doce herança da mãe sublime. Seu trabalho expande os momentos mais íntimos com Jesus, enquanto os outros evangelistas sintetizam o acontecido. Seu resumo da última ceia é riquíssimo (capítulos 13 a 17): a humildade do lava-pés, a despedida e a esperança (“não se turve o vosso co- ração”), a verdadeira videira, a vinda do Consolador, a promessa de um breve reencontro e a grande prece interces- sória de Jesus ao Pai Celeste, são momentos sublimes que o Evangelho de João traz aos homens. O Evangelho de
  7. 7. Visão Geral do Novo Testamento 5 João é espiritual: nele Jesus é a Luz que vem ao mundo, o Mestre que orienta, o Pão da vida, o Bom pastor, o Cor- deiro de Deus que se imola pela salvação do mundo e o filho que glorifica ao Pai que está no Céu. ATOS DOS APÓSTOLOS E EPÍSTOLAS Entre os livros históricos do Novo Testamento, acha-se o Ato dos Apóstolos, escrito por Lucas. Narra a história das origens do Cristianismo primitivo, em Jerusalém, sua expansão à Palestina e difusão entre os pagãos. Fala da perseguição de Herodes, da conversão de Paulo e de suas três viagens missionárias, inclusive de sua prisão em Roma. As Epístolas, ao todo 21, formam o conjunto dos livros doutrinais ou didáticos. As 14 de Paulo são chamadas pessoais e as de Tiago, Pedro, João e Judas, universais, porquanto não são dirigidas a pessoas em particular, mas aos cristãos, em geral. Paulo de Tarso, o Apóstolo dos Gentios, a figura mais proeminente na expansão do Cristianismo, nasceu em Tarso, Cilícia (hoje Turquia), aproximadamente no ano 10; descendente de uma rica família judaica, do clã de Ben- jamim; era, ao mesmo tempo, cidadão romano. Recebeu forte educação farisaica e conhecia bem a literatura grega. Esta grande personalidade, viril, perseverante, corajosa e cheia de fé em Jesus, pode ser amplamente estudada no livro histórico de Emmanuel, referente ao início do Cristianismo, “Paulo e Estevão”. O Apocalipse, que em grego significa “revelação do futuro”, é um livro profético e foi escrito por João Evange- lista, filho de Zebedeu, na Ilha de Patmos entre os anos 70 e 95, aproximadamente. O Apocalipse difere do oráculo e das visões por ter cunho universalista. Já era conhecido dos judeus através do Apocalipse dos profetas Ezequiel, Zacarias e Daniel no Velho Testamento. Foi escrito para reerguer o ânimo dos cristãos, submetidos a perseguições por judeus e pagãos, nos tempos de Nero e Domiciano, imperadores de Roma, objetivando aumentar-lhes a “fé e fortaleza dom a promessa da vitorio- sa vinda do Senhor”(Bíblia Sagrada, Edição Barsa - dicionário, verbete “Apocalipse”). EVANGELHOS APÓCRIFOS Apócrifo quer dizer escrito sem autenticidade ou cuja autenticidade não se provou. Para a Igreja Católica são os escritos que se referem a assuntos de natureza sagrada, mas que não foram incluídos no Cânon das Escrituras consideradas de inspiração divina. São, às vezes, vistos como narrativas piedosas, mas sem maior significado, ou escritos de tendência herética e falsa para corromper as verdadeiras Escrituras. Muitos escritos foram considerados apócrifos, relativos ao Velho como ao Novo Testamento: narrações de visões, passagens proverbiais, Evangelhos, Atos de Apóstolos, Epístolas, etc. Os protestantes julgam apócrifos os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, Primeiro e Se- gundo livro dos Macabeus e partes dos livros de Ester e Daniel. A Igreja Católica, no entanto, os considera escritos sob inspiração divina e, portanto, gozando da mesma autoridade que os outros livros da Bíblia. Para os espíritas, em todas as circunstâncias, o essencial é o ensinamento moral contido nos livros. ANÁLISE CRÍTICA DOS EVANGELHOS Uma análise crítica dos Evangelhos e das Cartas Apostólicas, levam-nos, naturalmente, ao encontro de algu- mas passagens pouco aceitáveis, ilógicas ou até mesmo absurdas: "A tentação no deserto", "A expulsão dos vendi- lhões do templo" e muitos pensamentos colocados na boca de Jesus, não resistem a uma análise racional por en- contrarem-se em evidente contradição com os mais elementares princípios da lógica, da justiça e da caridade. Estes desencontros evangélicos em nada desmerecem a obra, que é, segundo Kardec, "código universal da moral", mas despertam nossa atenção para alguns detalhes vinculados a ela: a) As Adulterações Involuntárias: Jesus nada escreveu. Acredita-se que as primeiras anotações tenham surgido muito tempo depois da sua morte. Marcos, Lucas e Paulo não chegaram a conhecer o Messias e, portanto, colhe- ram informações de outras fontes. Todos essas evidências levam-nos a acreditar que determinadas colocações apresentadas nos Evangelhos não correspondem à realidade absoluta dos fatos. Certa- mente, ocorreram adulterações involuntárias. b) Os Enxertos dos Evangelistas: Notamos, ao examinarmos os Evangelhos, que uma preocupação básica ocupava a mente dos evangelistas: provar que Jesus era de fato o Messias aguardado pelos judeus. Para que a Mensa- gem cristã viesse a vingar na Palestina, esta idéia deveria prevalecer. Acredita-se então, que algumas passagens da Boa Nova não ocorreram realmente, mas foram acrescentadas às anotações com esse objetivo. "O nascimento de Jesus em Belém", "a hipotética viagem ao Egito", a "Tentação no deserto" e muitas outras passagens teriam sido enxertadas para provar a tese de que Jesus era o Salvador dos Judeus, o Enviado de Jeová. c) As Adulterações Posteriores da Igreja: Muitas anotações verificadas nos textos bíblicos de hoje não são identificadas nas versões originais, mostrando que foram acrescentadas posteriormente.
  8. 8. Curso de Aprendizes do Evengelho6 Para justificar certos dogmas, alguns sacramentos e determinadas práticas religiosas, certos representantes da Igreja, ainda nos primeiros séculos da era Cristã, acrescentaram aos textos originais idéias, princípios e passagens que na realidade não ocorreram.
  9. 9. Capítulo 3 A PALESTINA: ASPECTOS HISTÓRICOS O POVO JUDEU NA ÉPOCA DE JESUS Depois de mais de 700 anos sob denominação estrangeira (Império Assírio (722 a.C.), Babilônio (597 a.C.), Persa (539 a.C), Egípcio, Macedônio (332 a.C.), Selêucidas (311 a.C.), Israel vive sob o jugo do Império Romano na época do nascimento de Jesus. O último rei judeu foi executado em 37 a. C., tendo sido nomeado governante, por Roma, o judeu idumeu He- rodes, que governou a região tiranicamente, de 37 a. C. até 4 d.C., sob a dominação direta do governador romano da província da Síria, último reduto, antes da denominação de Roma, do poderoso império selêucida. Roma não ti- rou a liberdade da prática religiosa dos judeus, buscando assim, manter a ordem mais facilmente, permitindo que um governante testa-de-ferro conservasse o título de rei. Roma preocupa-se mais com o comando militar do que com os aspectos religiosos. Após a morte de Herodes o Grande, o reino israelita foi dividido entre seus três filhos: a Galiléia e a Peréia fi- caram com Herodes Antipas; a Ituréia e a Traconítide com Herodes Felipe (posteriormente assassinado por ordem de Herodes Antipas) e a Judéia, a Iduméia e Samaria com Arquelau, que governou tão mal que Roma o destituiu, mandando um procurador para o comando. Pôncio Pilatos foi o procurador de Roma, dessa região, entre 26 a 36 d.C. No setor econômico, os judeus pagavam pesados impostos, cobrados pelos publicanos. Havia três tipos de impostos: a) sobre as terras dos próprios judeus; b) sobre toda a compra e venda de produtos e c) uma contribuição anual para o sustento dos soldados romanos que ocupavam a Palestina. Este tributo era o mais difícil de ser aceito pelos judeus. Em Atlas da Bíblia, Edições Paulinas, lê-se que “A difusão da cultura grega (helenismo) e a presença de mui- tos judeus em outros países prepararam o cenário para o Novo Testamento. O último fator decisivo foi o governo de Roma, que unificou politicamente o mundo antigo, como o helenismo o havia unificado culturalmente”. Lê-se ainda, que “Os judeus da diáspora tinham colocado em muitos lugares os fundamentos da fé em Deus e do conhecimento de sua lei. Como afirma Paulo na carta aos Gálatas, Jesus veio “quando chegou a plenitude do tempo” (Gl. 4:4 e Hb., 1:1-2. É importantíssima a análise de alguns pontos deste momento histórico na vida dos homens, porquanto estava o terreno preparado para a vinda de Jesus: • o mundo antigo ocidental praticamente unificado sob a bandeira romana, extremamente ze- loso das regras jurídicas e tolerante com os princípios religiosos dos povos conquistados; • o mundo ocidental unificado pela expansão da cultura grega, desde a conquista dos mace- dônios, com Alexandre Magno e seus sucessores, Selêucidas (Palestina) e Ptomomeus (Alexandria), suplantando a latina e outras, com sua arte, literatura e filosofia, com Sócrates, Xenofonte, Platão, Aristóteles e tantos outros; • o declínio do paganimso greco-romano e de outros povos não mais davam respostas aos in- teresses da alma humana. • A sustentação, por Israel, do monoteísmo, principalmente porque os judeus da diáspora ti- nham colocado em muitos lugares os fundamentos da fé em Deus e do conhecimento da sua lei. Diz o historiador Cesare Cantu(História Universal) que “só Israel, no meio de tão grandes desastres exterio- res, conservou viva a outra parte da tradição, e, ao mesmo tempo que o dogma da queda ele admitia o da regeneração; a ele se liga tanto mais energicamente, quanto mais baixo se sente cair. Israel só, entre as nações antigas, conhece esta doutrina do progresso, caráter e glória da civilização moderna”. Emmanuel, referindo-se a este momento histórico do mundo encarnado, escreve em À Caminho da Luz: “O Cristo reúne as assembléias de seus emissários. A Terra não podia perder a sua posição espiritual, depois das con- quistas da sabedoria ateniense e da família romana.” CLASSES SOCIAIS. HIERARQUIA POLÍTICA E RELIGIOSA Diz Kardec (ESE, Introdução, item III) que para “bem compreender certas passagens dos Evangelhos, é ne- cessário conhecer o valor de muitas palavras que são freqüentemente empregadas nos textos, e que caracterizam o estado dos costumes e da sociedade judia daquela época”. Para isso esclarece os conceitos das diferentes classes sociais da época, originárias das antigas tribos israelitas. A partir da divisão do reino, quando Roboão, filho de Salomão, fica no sul, com o reino de Judá, e Joreobão se torna rei das dez tribos ao norte, formando o reino de Israel, com capital em Siquem e, mais tarde, em Samaria, diz
  10. 10. Curso de Aprendizes do Evengelho8 Kardec, “uma versão profunda, datando da época da separação, perpetuou-se entre os dois povos que se esquiva- vam a todas as formas de relações recíprocas.” Os Samaritanos, complementa Kardec, para tornarem a cisão mais profunda e não terem de ir a Jerusalém, para a celebração das festas religiosas, construíram um templo próprio e adotarem certas reformas: admitiam so- mente o Pentateuco, que contém a leis de Moisés, e rejeitaram todos os livros que lhe haviam sido posteriormente anexados. Diz Cesare Cantu que os Samaritanos aceitavam facilmente os ritos e as divindades estrangeiras (II Rs., 17:24 e seguintes), queimavam os livros da lei, perseguiam os que mantinham a circuncisão das crianças, transfor- mando a religião muitas vezes, em simulacros pagãos e teatro de solenidade obscenas de Baco, como aconteceu sob o domínio de Antioco (170 a.C.) que edificou uma fortaleza sobre as ruínas da cidadela de Javi em Jerusalém e dedicou o templo a Júpiter Olímpico. Os Nazarenos, por tradição, adotavam a castidade, a abstinência de bebidas alcoólicas e não cortavam os ca- belos, Eram nazarenos Sansão, Samuel e João Batista. Os Publicanos eram os encarregados da cobrança de impostos e outras rendas. Eram desprezados por todos e considerados “impuros” porque Os judeus não aceitavam pagar impostos, especialmente a contribuição para o sustento dos soldados romanos. Os Fariseus, que quer dizer separados (Parasch), aceitavam que Moisés “independentemente da lei escrita, ti- nha recebido do anjo Raziel uma lei oral, que transmitiu a Josué, este aos anciões do povo, e estes aos membros da grande sinagoga. Esta tradição, o Cabala, explica coisas conservadas em segredo para a multidão, o verdadeiro sentido das cerimônias, das profecias e dos enigmas” (Atlas da Bíblia, Ed. Paulinas) Os Fariseus, diz Kardec, eram observadores servis e afetados das práticas exteriores do culto e das cerimôni- as, inimigos das inovações, mas sob as aparências de uma devoção meticulosa, escondiam costumes dissolutos, muito orgulho. A religião para eles, era mais um meio de subir do que objeto de uma fé sincera. Acreditavam na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos. A primeira notícia sobre eles data de 150 a.C. e era um partido religioso popular. Os Saduceus, opostos aos fariseus, não acreditavam na imortalidade da alma nem na ressurreição. Eram me- nos piedosos e mais políticos, sendo o partido religioso sacerdotal de Caifás e Anás. Os Essênios moravam em edifícios semelhantes a mosteiros, distinguiam-se pelos costumes suaves e as vir- tudes austera. Tinham seus bens em comum e se entregavam à agricultura. “Tendo as doutrinas orientais e gregas chegado ali ao seu conhecimento, ele as misturaram com as doutrinas mosaicas, de modo que formassem uma seita distinta”, e por isso, “repelindo a tradição, como os saduceus, acreditando, como os fariseus, na imortalidade da alma, não gostando da cidade, viviam nos campos, abstinham-se de todo o tráfico, aplicavam-se ao trabalho, bani- am a escravidão e não acumulavam riquezas”. (Atlas da Bíblia) Os Escribas eram os doutores da Lei Mosaica, aqueles que a conheciam profundamente e eram seus intér- pretes para o comportamento social e religiosos da vida judaica. Eram, em geral, fariseus. Junto com os principais Sacerdotes e os anciãos (chefe do clã) constituíam o Gran- de Sinédrio. Muitos outros guapos sociais formavam o povo judeu à época de Jesus: os mercadores, os escravos, os pas- tores e agricultores. Sob o aspecto político, a Palestina estava sujeita aos romanos, embora governada por um rei judeu, Herodes, o Grande, sob supervisão do Governador romano da Síria. Após a morte de Herodes e destituição de seu filho Arquelau, a Judéia foi governada por um procurador roma- no. Roma permitia aos países dominados gerir suas questões internas. Para a Judéia e Samaria o órgão adminis- trativo era o Sinédrio, chefiado pelo Sumo Sacerdote. Ao procurador romano, entretanto, era facultado nomear ou depor o Sumo Sacerdote, o que explica, de alguma forma, a pressa com a prisão e julgamento de Jesus. O Sinédrio era uma assembléia de anciãos que tinha por finalidade a administração civil e a religiosa, cabendo-lhes a interpre- tação, julgamento e aplicação da lei. COSTUMES. CIDADES. VESTUÁRIO. COMÉRCIO. ALIMENTAÇÃO. TRABALHO. PROFISSÕES Sua forma de viver prendia-se a costumes seculares fixados no Torá, ou Lei de Moisés (O Pentateuco), em regras religiosas fixadas posteriormente pela classe sacerdotal e outras decorrentes, principalmente, do sincretismo greco-judaico, a partir da vitória macedônica, com Alexandre Magno, em 333 a.C. Nazaré, no tempo de Jesus, na região da Galiléia, como ainda hoje, era um dos mais belos locais da Palesti- na. Situa-se ao norte do fértil vale de Israel, com suaves colinas de onde se pode ver, a dezenas de quilômetros, o vale do rio Jordão. Fica ao sul de Séforis, e tinha cerca de 5.000 habitantes. Era uma pequena cidade, sem grande importância política, mas os olivais e os vinhedos das encostas eram de alta produtividade, em decorrência do clima ameno e temperado que suavizavam este ponto de encontro das caravanas entre Damasco e Jerusalém. Por sua população diversificada, por sua rusticidade, pelos homens pouco fiéis às leis e aos ritos judaicos, Na- zaré era vítima de preconceitos pelos judeus metropolitanos e era comum a frase: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?”, como aconteceu na conversação entre Natanael e Felipe (Jo., 1:46) ou como fala Isaías (Is., 9:1), quando é chamada de “Galiléia dos Gentios”. Jerusalém, no tempo de Jesus, era capital da Judéia, o grande centro religioso judeu, com o seu grande tem- plo. Situa-se num interessante alti-plano bem próximo ao vale do Jordão, nas chamadas montanhas da Judéia, à 30 km do Mar Morto, ao sul. Jerusalém significa “paz sagrada”.
  11. 11. A Palestina: Aspectos Históricos 9 Seu movimento econômico era grande e Roma aí fazia sua sede de governo com seus procuradores. A cidade dividia-se em três bairros: Cidade Alta que ficava no Monte Sião e onde residiam os ricos; Cidade Baixa, ao longo do vale de Cedron, onde se aglomerava o povo pobre e o Bairro do Templo, com muitas dependências, em outra mon- tanha. O Templo ligava-se à Cidade Alta por uma longa ponte de pedra. Era uma cidade populosa, sendo multiplicada pelo intenso movimento à época das festas, principalmente a Páscoa. Era toda de ruas estreitas e íngremes, circundada por muralhas. De Jerusalém a Nazaré tem cerca de 100 quilômetros. O Grande Templo foi idealizado por Davi e construído por Salomão, destruído por Nabucodonosor em 586 a.C. e reconstruído após a libertação dos judeus pelos medo-persas. Continha várias portas e pátios internos sobre- postos. Os pátios internos eram: Pátio dos Gentios, onde todos podiam freqüentar, ali eram vendidos os animais para sacrifício (consta que cabia até 140.000 pessoas). Pátio dos Israelitas, para o povo judeu. Pátio das Mulheres. Pá- tio dos Homens, que terminava junto à monumental porta de bronze, com 22 metros de altura e que se fechava à noite. Pátio dos Levitas, onde ficava o altar dos sacrifícios sobre uma rampa. Neste pátio dos levitas, atrás do altar, erguia-se o Santuário com 45 metros de largura, dividido em duas partes: a primeira, chamada de O Santo, onde fi- cava o altar dos perfumes e a segunda parte, Santo dos Santos, simbolizando a antiga Arca da aliança, que continha duas tábuas de pedra, e onde somente o Sumo Sacerdote podia entrar. Era da lei a obrigação de circuncisar crianças masculinas no oitavo dia (Lucas,2:21), após o nascimento; era proibido o trabalho no sábado; era costume comemorar a festa nacional da Páscoa (Ex.,12); em Jerusalém; os cri- minosos pela lei judaica sofriam a ação do “olho por olho, dente por dente”, as adúlteras eram lapidadas; os romanos levaram para a região a flagelação e a crucificação como forma de punição aos criminosos. Havia três categorias de sacerdotes: os sacerdotes menores, encarregados de serviços internos que se subor- dinavam ao diretor do Templo. Os sacerdotes de graus maiores, os encarregados da administração civil e religiosa e o Sumo-Sacerdote que era eleito de dois em dois anos. Cobravam os tributos devidos ao Templo, tanto em dinheiro como em espécie, pois os israelitas eram obrigados a pagar dízimos, bem como a entregar parte da primeira colheita de suas plantações. O holocausto ritual dependia do que se celebrava e segundo as condições de cada família. Exemplo: A purifi- cação das mulheres, após o parto, 30 dias após, sendo menino e 60 dias, sendo menina, era feita com sacrifícios de cabritos ou pombos. Os sacerdotes mercadejavam com muitas coisas: bois, carneiros, pombos, destinados aos sacrifícios; perfu- mes, óleos, e aromatizantes utilizados nas cerimônias de purificação. (Lucas,2:24) Quando os mercadores e camponeses deixavam de pagar os tributos, seus produtos eram declarados imun- dos, e com isso se afastavam os compradores. Havia no Templo mesas, guichês, repartições, balcões, destinados ao comércio, ao recebimento de donativos, além do grande movimento de animais transportados para os sacrifícios, no Pátio dos Levitas. (Jo.,2:13 a 17) Era costume, no Templo, sentarem-se rabinos em banquetas, nos pórticos e nos pátios públicos. Ao seu re- dor, pequena multidão ouvia atenta os comentários sobre a Lei de Moisés, segundo a idéia iniciática a que pertenci- am, fariseus ou saduceus. Uma crença generalizada de que Deus não podia receber o culto senão na Terra Santa, levou os judeus, no exílio, a criarem um santuário que lembrasse o Templo de Jerusalém, a Sinagoga. Nesta, o culto assumiu forma in- teiramente diversa, sem sacrifícios e sem sacerdotes. Aí somente os rabinos e conhecedores da lei e dos profetas eram capazes de explicá-lo aos ouvintes. Em lugar de sacrifícios, um culto espiritual composto de orações, cantos de salmos, leituras bíblicas e comentários. (Lucas,4:16) Era crença generalizada, também, que o Messias seria um “Salvador” da Pátria, dominador do mundo, logo não podiam os judeus aceitar Jesus, para eles demasiado simples e bom e que somente se manifestava entre pes- soas desclassificadas e ignorantes. Não era o condutor enérgico e altivo. Como esperar o triunfo , a implantação do novo Reino, se afirmava que maior é aquele que se fizer menor de todos? Diz Humberto de Campos, em Boa Nova, cap.24 que Judas pensava assim, por isso fez o que fez, objetivando liderar o movimento renovador. Muitas outras profissões e trabalhos existiam na região à época de Jesus: pescadores, pastores, mercadores, doutores, escravos. No Templo haviam os trombeteiros, acendedores de lâmpadas, as tecedeiras, os sacrificadores, os fiscais dos sacrifícios, auxiliares de cerimonial e uma série de outros, participando da função administrativa e ope- racional do Templo e das cidades.
  12. 12. Capítulo 4 FATOS DA VIDA DE JESUS: NASCIMENTO E INFÂNCIA O QUE REZAM AS TRADIÇÕES Consoante o que havia sido vaticinado, o advento do tão esperado Messias deveria acontecer em Belém de Judá, cidade onde David havia sido coroado rei. Na época o Imperador romano havia decretado um recenseamento e todos os judeus deveriam se alistar em suas cidades de origem, por isso, Maria e José tiveram que se dirigir para Belém, na Judéia, pois ele era da linhagem de Davi. Logo que chegaram a essa cidade, Maria sentiu as dores do parto, e como ali não havia acomodação devido ao elevado número de forasteiros, eles se abrigaram numa estalagem e, o menino Jesus teve uma manjedoura como berço. O Evangelho registra que o rei Herodes, sendo judeu, não desconhecia os vaticínios das Escrituras sobre o advento do Messias, e que um dos prognósticos asseverava que “Deus daria ao Messias o trono de Davi”, (Lucas,1:32). Por isso, Herodes se remoia de inquietação , na suposição de que tal acontecimento lhe roubaria o trono e o poder, dados pelo Imperador romano, porque as esperanças e o desejo do povo, bem sabia, eram para o surgimento de um Messias nacional que assumisse o poder em Israel, proclamando-se rei e expulsando os intrusos romanos. Conseqüentemente, quando soube que o Messias já estava na Terra, ele envidou todos os esforços para evitar que ele crescesse, inclusive pedindo aos três Magos do Oriente para que lhe dessem informes sobre o lugar onde Jesus havia nascido. Devido à sanha feroz de Herodes, José, o pai de Jesus, recebeu em sonho uma recomendação oriunda dos Benfeitores Espirituais, para que pegasse o menino e sua mãe e fugissem para o Egito, o que foi feito, tendo voltado somente quando Herodes, o Grande, já havia falecido. Informa o Evangelho de Mateus (2:22-23), que “Ouvindo que Arquelau reinava na Judéia, no lugar de Herodes, José receou ir para lá; mas avisado em sonhos, por divina revela- ção, foi para as partes da Galiléia. E chegou e habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno”. Jesus Cristo foi o primogênito de Maria de Nazaré. Quando ele tinha oito dias de vida na Terra, foi circunci- dado e, com quarenta dias foi levado ao Templo de Jerusalém, para ser apresentado ao Senhor, pois, segundo as leis estabelecidas por Moisés, “todo o macho primogênito deveria ser consagrado ao Senhor”. O QUE AFIRMAM OS HISTORIADORES Segundo Hermínio Miranda (Cristianismo: Mensagem Esquecida), os estudos técnicos levados à efeito por pesquisadores sérios, levam conclusões bem definidas quanto ao nascimento e a genealogia de Jesus. As principais conclusões são: a) Há objeções muito sérias à informação de que Jesus tenha nascido em Belém. Ao que tudo indica, nasceu em Nazaré, ou pelo menos nas suas imediações, na Galiléia e não na Judéia, onde fica Belém. b) A idéia da concepção e a do nascimento virginais são acomodações posteriores e foram in- troduzidas no texto. São inquestionáveis e bem documentadas as evidências textuais de que Jesus tenha sido filho de José e Maria. c) Acreditam os historiadores que Jesus teve irmãos de sangue, sendo ele, provavelmente, o mais velho. d) A viagem ao Egito, a matança das crianças por Herodes, o nascimento na manjedoura, bem como a presença dos “reis magos”, nada mais seriam que figuras místicas, criados pela imaginação humana. Quanto à data precisa do nascimento de Jesus, há divergências. Will Durand, no livro César e Cristo opina: - Tanto Mateus como Lucas colocam o nascimento de Jesus “nos dias em que era rei da Judéia Herodes”,consequentemente antes de 3a.C. Lucas, entretanto, dá Jesus “com cerca de 30 anos”, quando João o batizou no “quinto ano de Tibério” - isto é, 28-29 d.C., isto coloca o nascimento de Cristo no ano 2 ou 1 a.C. Lucas acrescenta que “naqueles dias foi lançado um decreto de César Augusto para que todo o mundo fosse recenseado, ao tempo em que era Quirino o governador da Síria”. Quirino esteve como legado na Síria entre os anos 6 e 12 de nossa era; Josefo refere-se a um censo de Quirino na Síria, mas coloca-o entre os anos 6 e 7 de nos- sa era, e não tem nenhuma outra referência a esse fato. Tertuliano fala em censo da Judéia feito por Saturnino, go- vernador da Síria em 8 7a.C.; se é este o censo a que Lucas se refere, o nascimento de Cristo deve ser colocado antes de 6 a.C. Nada sabemos do dia certo de seu nascimento: alguns cronologistas põem o nascimento de Cristo no dia 19 de abril, outros em 20 de maio e Clemente em 17 de novembro. O dia 25 de dezembro foi convencionalmente determinado como sendo o do nascimento de Jesus, data já da festa central do mitraísmo, o natalis invicti solis, ou o aniversário do sol invencível.
  13. 13. Fatos da Vida de Jesus: Nascimento e Infância 11 A INFÂNCIA E A JUVENTUDE Os Evangelhos discorrem muito pouco sobre a infância e juventude de Jesus, dizendo, apenas, que o “menino crescia e se robustecia em Espírito, cheio de sabedoria e a graça de Deus estava com ele”(Lc.,2:40) Comenta-se que em Nazaré, Jesus, ainda bastante jovem, freqüentava a sinagoga local, e numa das primei- ras vezes que lá esteve, para interpretação do texto lido, como era comum, referente ao profeta Samuel, analisou tudo com profundidade, o que, pela sua pouca idade, causou espanto geral. Com 12 anos de idade, (Lc.,2:39), tendo atingido a idade legal para o Bar Mitzrah, ele e sua família foram a Jerusalém a fim de participarem dos cerimoniais da Páscoa. Ao regressarem, quando já estavam a meio caminho, seus pais notaram que ele não estava com as demais crianças e, por isso, voltaram apressadamente a Jerusalém, onde, após três dias, o encontraram no Templo, confabulando com os doutores da Lei, surpreendendo-os com as in- dagações que fazia em torno das Escrituras. “Todos estavam maravilhados com a sua sabedoria e suas respostas”. Quando sua mãe o admoestou pela preocupação que passavam, ele respondeu: “Não sabeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” Dessa época até quando tinha trinta anos, nada mais é mencionado nos Evangelhos. Várias teorias existem sobre a vida de Jesus Cristo dos doze anos. Há quem o veja entre os Essênios, apren- dendo as doutrinas de elevada cultura dessas escolas. Há também os que acreditam ter ele estado entre os mestres orientalistas, no Himalaia. No entanto, nenhuma dessas suposições pode prevalecer, pois, Emmanuel, em “À Caminho da Luz”, sustenta de modo categórico: “O Mestre, porém, não obstante a elevada posição das escolas essênias, não necessitou de sua contribuição. Desde os primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era, dentro da superioridade que o planeta lhe conheceu desde os tempos longínquos do princípio.”
  14. 14. Capítulo 5 FATOS DA VIDA DE JESUS: PRISÃO E MORTE A ÚLTIMA CEIA Intróito Preliminar da Última Páscoa (Jo., 11:55); (Mt., 26:17); (Mc., 12:14) e (Lc., 22:27) De acordo com o Thorá, os judeus preparavam todos os anos a ceia tradicional da Páscoa (que significa “passagem”), relembrando o êxodo do Egito, de seus antepassados. Para os cristãos, a Páscoa encerra o sentido da Ressurreição, isto é, a “passagem” pela libertação do Espírito para ressurgir na “Terra Prometida” do Mundo Maior. Jesus enviou dois de seus discípulos (Pedro e João - Lc., 22:10) para que se encontrassem com um guarda (comum naquela época) seguindo-o até a casa do seu chefe, com a recomendação de perguntar ao dono da casa onde seria o aposento em que ele e os discípulos se reuniriam. Esta passagem nos favoreceu a interpretação de um prévio entendimento entre Jesus e o dono da casa que já tinha um cenáculo (refeitório), pronto para a Páscoa (Lc., 22:12) Emmanuel em “Pão Nosso”, nº 144, entende esse cenáculo mobiliado como o “perfeito símbolo do aposento interior da alma”, significando que a cada dia limpa-se e ornamenta-se a casa espiritual com fé e higiene mental, para a grande comunhão. O Lava-pés(Jo., 13:5) O preceito de higiene judaico, indicava o lava-pés, as mãos e o rosto antes das ceias. Assim o fizeram e sen- taram-se à mesa. Jesus, pronto para o seu grande momento, “sabendo que viera de Deus e a Deus voltava” exemplificava, aos seus discípulos amados, a humildade santificante. Levanta-se da mesa, depõe o manto, toma uma toalha e uma bacia e começa a lavar os pés de seus discípu- los. Imagem nobre e grandiosa, o mestre servindo os seus servos. Com veneração sincera Pedro quer recusar mas Jesus explica o sentido da purificação no seu ato: o sacrifício físico do grande Mestre por amor aos seus. Está no versículo 14: “Se eu; Mestre, vos lavo os pés (vos sirvo), lavai também vós os pés dos outros (humildade, caridade). Como sempre, o Senhor Jesus exemplifica seus ensinamentos maiores: “O servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado maior do que quem o enviou.” (Jo., 13,16) É preciso saber as coisas, mas é imprescindível fazê-las. O Anúncio da Traição de Judas (Jo., 13:21) Logo a seguir, seu coração meigo perturbou-se na tristeza e declarou que um daqueles que estavam a mesa o trairia. A pequena assembléia se espanta e lamenta ”Como poderiam eles trair ao Mestre amado? Como Deus permi- tiria isso?” Eis aí, a necessidade da contínua ligação do aprendiz do Evangelho com a Providência Divina. Jesus dirigiu-se a Judas Iscariotes e disse “Faze depressa o que tens a fazer”. Os discípulos não entenderam a triste verdade da frase, pois Judas era quem administrava as parcas finanças do grupo e pensaram que Jesus lhes dera uma ordem. Judas saiu imediatamente. A Despedida (Jo., 13:31) a) O Novo Mandamento Depois que Judas partiu, a reunião se tornou uma verdadeira comunhão espiritual. Jesus declara-se já glorificado e Deus glorificado nele porque já pressente sua vitória espiritual (13:31) e anuncia sua despedida. “Para onde vou, não podeis ir, mas deixo-vos um mandamento novo” - que é o mandamento de todo discípulo de Jesus: “Como vos amei, amai-vos uns aos outros”(13:34) A fraternidade é o escopo do amor de Jesus e o lábaro da universalidade. Anteriormente Jesus ensinava: “Amar ao próximo, como a ti mesmo”, que é o fundamento da lei de igualdade perante Deus: é dever de todos que querem a mesma compreensão para si. Amar aos semelhantes, como Jesus nos ama, é a ampliação da aceitação fraterna para a sublima- ção da Fraternidade Universal perante o Criador Eterno. b) Certamente, os discípulos se entristeceram e o amor de Jesus os consolou: “Não se turbe o vosso coração”... “na casa de meu Pai tem muitas moradas...” “vou prepará-las e vos levarei comigo”.
  15. 15. Fatos da Vida de Jesus: Prisão e Morte 13 A casa de Deus é o Universo e a promessa de Jesus dava-lhes fé, pois, se não tinham lugar seguro aos seus ideais na Terra, o Mestre garantia-lhes o seu coração meigo e manso pelos caminhos estreitos do serviço. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. III, item 7, Kardec faz sua excelente comparação das diversas moradas e para lá remetemos os leitores. A generalidade da medida cósmica é a Evolução, que se desdobra relativamente à melhoria inte- lectual, psíquica e moral do espírito. Continuando, (14:6) afirma que é o “Caminho, a Verdade e a Vida”: é o Caminho porque exemplifi- ca o amor através da caridade, o único acesso ao Pai; é a Verdade, sublime e reveladora, porque destrói preconceitos e dogmas (verdades estagnadas) comprovando a fé na razão e no conhecimento das leis na- turais que regem o exercício da vida, é a luz que esclarece; é a Vida, pois, somente por ele, nos seus ensi- namentos, no seu amor, o Espírito é vivificado, isto é, imortalizado, sendo que Deus enviou Seu Filho Amado ao mundo para que ele seja salvo por ele (Jo., 3:16), porque Jesus está no Pai como o Pai está nele. E o Mestre Reafirma sua Ida Para o Pai a) Pela tristeza profunda de seus discípulos amados, o Mestre diz que se o amarem e observa- rem seus mandamentos, ele rogará ao Pai que lhes mande um novo Paracleto (em grego igual a De- fensor, Mentor), para que o Espírito de Verdade (revelador dos princípios fundamentais da verdadeira religião) possa permanecer no mundo, o que não era possível naquele tempo, embora os discípulos o conhecessem. E salienta: “Quem observa meus mandamentos, me ama, quem me ama, será amado por Pai; eu o amarei e a ele me manifestarei.” b) “Minha paz vos dou, não como o mundo a dá”(Jo., 14:27) Essa saudação, usual dos judeus, como a promessa de felicidade perfeita e verdadeira intro- duzia a calma interior, a serenidade da confiança em Deus que não pode se comparar com a paz apa- rente, inconstante e superficial do mundo. A paz de espírito é calcada em trabalho, boa vontade e perseverança no estudo e nas boas obras. Em Vinha de Luz, nº 105, Emmanuel nos orienta sobre a paz ilusória. A verdadeira paz, como Jesus ofereceu aos discípulos de todos os tempos, é a flor perene cultivada nos campos da consciência e do coração (de sol a sol) com a palavra da Boa Nova. c) “Eu sou a verdadeira vida. (Jo., 15:1) Nesta imagem de metáfora, Jesus explica que o Pai é o “agricultor” desta videira, da que é podado todo ramo que está infrutífero (pois todo fruto é resultado final de um trabalho vivo) para que ela se fortifique e dê mais frutos. O ramo que já está “podado”, isto é, preparado pela palavra de Jesus, permanece nele “como ele em nós”, brotando para a nova vida. O ramo que não fica na árvore, seca e é lançado fora (15:4) Em mais um momento solene, o mestre diz aos seus discípulos que é Amigo Divino (15:15) “Não mais vos chamo servos, porque o servo não sabe o que o amo faz; mas vos chamo de amigos, porque tudo que ouvi do pai, vos dei a conhecer”. A PROMESSA DO CONSOLADOR O Mestre esclarece aos discípulos que eles não são deste mundo, mas estão neste mundo; por isso devem saber parar acima das circunstâncias terrenas. Confirmando a lição do lava-pés, recorda que o servo não é mais do que o Senhor é, assim como perseguiram a ele, Jesus, perseguirão aos seus discípulos, deste modo prevenido-os sobre as provações que os esperava, a fim de que não vacilassem na fé e que nesses momentos, o Espirito de Verdade lhes daria Testemunhos do Senhor. A vinda do Consolador (cap. 6:5). Naquele momento Jesus pressente o lamento daqueles corações humildes e diz-lhes que é até de seu interesse que ele parta: “Se eu não for, o consolador não virá”(Jo., 16:7). Esse Consolador restabelecerá a responsabilidade real do mundo no tocante aos erros cometidos através do orgulho, da vaidade e da incredulidade, a respeito da justiça à luz da fé e da razão, dos direitos de Jesus como Filho Amado de Deus, provan- do a sua origem e o seu ser celeste a respeito do julgamento onde o Consolador revelará o sentido da morte de Jesus e anunciará a nova ordem que se inicia na Ressurreição. ORAÇÃO DE JESUS POR SEUS DISCÍPULOS Numa prece de oblação, Jesus se oferece a Deus e roga que o Pai o glorifique junto dele, com a mesma glória que ele tinha antes que o mundo existisse. (Jo., 17:5).
  16. 16. Curso de Aprendizes do Evengelho14 Transforma sua oração num pedido de intercessão por seus discípulos, rogando ao Pai que não os abando- nasse no mundo e para que todos os seus discípulos “sejam um assim como Tu, Pai, estás em mim e eu em Ti” (Jo., 17:21). Jesus sabia da necessidade da continuidade da vida na Terra para o aprendizado e o serviço; apenas roga que Deus os preserve do mal porque, assim como o Pai enviou Seu Filho ao mundo, ele, o filho enviou seus discí- pulos, a fim de que “eles sejam um em nós”(Jo., 17:21) No apogeu do amor fraterno universal, Jesus invoca ao Pai, Todo Poderoso, que enviou seu Filho e o chama para si, fazendo com que onde o Filho estiver, esteja seus discípulos que o próprio Pai lhe deu, para que contem- plem a glória de Jesus, seu Filho amado, a quem Ele ama mesmo ANTES da criação do mundo (Jo., 17:24) E encerra, no altar do seu sacrifício espiritual: “Pai, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e os que me enviastes também conheceram-te ... a fim de que o amor com que me amastes esteja neles da mesma forma como estáem mim”. É a solicitação mais solene do meigo Mestre, para que haja união fraterna do Homem, do Filho do Homem e do Pai que está nos Céus. PAIXÃO E CRUCIFICAÇÃO DE JESUS (JO., 18 E 19): (MT., 26 E 27) E (LC., 22 E 23) a) Jesus em Getsêmani Terminada a ceia, cantaram o hino que tradicionalmente encerra a ceia pascal (Mt., 26:30) e, como de costume, foram para além do vale do Cedron, onde havia um horto chamado Getsêmani, nas fraldas do Monte das Oliveiras. Estavam muito tristes. Jesus aconselhou-os a “orar para que não entrassem em tentação”, pois o momento cruciante se aproximava e era imperioso estarem atentos e conscientes, mantendo bons pensamentos e sentimentos. Assim também, os Aprendizes do Evangelho, os espíritas em geral devem orar e vigiar, pois é no “sono da lama que se amostram as mais perigosas tentações, através de pesadelo ou fantasias”. (Emmanuel - C.V.V. nº 87) A oração é sentinela avançada de nossa alma. Os apóstolos tinham a excelência espiritual, mas nem por isso alcançavam, ainda, a compreensão divina. Retirando-se para um lado, Jesus também orou fervorosamente ao Senhor da Vida (Lc., 22:44). b) a Prisão de Jesus: Ora, Judas também conhecia o local e levou os soldados romanos e os guardas dos sacerdotes, pela noite, até o horto dando-lhe voz de prisão. Levaram Jesus perante Anás e Caifás (o sogro e o sumo sacerdote) na casa deles, pela madru- gada, o que era ilegal, interrogando-o sobre sua doutrina e seus discípulos. O Mestre respondeu que nada fazia às escuras, pois ele podia ser encontrado à qualquer hora, no Templo. Foi por esta ocasião que Pedro negou a Jesus por três vezes, como está descrito no Evangelho. De Caifás, levaram Jesus diante de Pilatos (era já madrugada alta), no Pretório (tribunal romano). A hipocrisia dos judeus não enganou a Pilatos que não se interessou pelo caso, mas foi coagido posterior- mente a fazer o “julgamento”, o que fez após muita hesitação. Segundo João (19:12), Pilatos não queria condenar Jesus, mas os judeus, com artimanha, o for- çaram. Era na época da preparação da Páscoa dos judeus. c) A crucificação. Jesus e Sua Mãe: Tomaram a Jesus e o levaram a um lugar chamado Gólgota (caveira), perto da cidade, onde o crucificaram. Perto da cruz onde foi crucificado, com os corações dilacerados pela dor, permaneciam de pé Ma- ria Madalena, Maria de Nazaré (sua mãe) e Maria de Cleofas, mulher de Alfeu. Vendo o seu discípulo João nas proximidades de sua mãe, o Mestre disse-lhe: “Mulher, eis aí o teu filho”, e posteriormente dirigindo-se a João, disse-lhe “Eis aí a tua mãe”. Aqui, o sentido do vocábulo “Mulher” parece transcender a simples piedade filial, mas significa a su- blimação da maternidade pois, Maria, passaria a ser considerada por toda a Humanidade como sendo a mãe santíssima, que serviu de instrumento para o advento, na Terra, do maior dos Missionários, o Ungido de Deus.
  17. 17. Capítulo 6 FATOS DA VIDA DE JESUS: QUESTÕES POLÊMICAS O ENDEUSAMENTO DE JESUS “Meu Pai, é chegada a hora: glorificai o vosso Filho, para que o vosso Filho vos glorifique.” (João, 17:1) No século IV se produziram duas correntes entre aqueles que acreditavam ser Jesus o Messias anunciado pelos profetas: uma corrente judeu-cristã, que estacou aquém da divinização do Mestre, e uma corrente judeu-grega, que foi até à divinização completa do Cristo. Quando, em 313, o Imperador Constanino, através do Édito de Milão, liberou todos os cultos, fez com que os debates sobre a divindade de Jesus, até então circunscritos aos bastidores, fossem levados à praça pública. O povo imiscuiu-se nessas contendas; o sangue correu em praças públicas, e Consta tino, o único responsável pela manu- tenção da ordem em todo o Império, após sua vitória sobre Licínius, em 323, teve, em nome da paz, de intervir nes- ses debates, mandando o bispo Osius tentar um acordo. Não conseguindo Osius convencer Ário a ceder, fez com que o Imperador convocasse uma grande assembléia de bispos, que se denominou concílio de Nicéia, onde os arianos foram proscritos, por afirmarem que o Filho é de outra hipóstase ou substância que o Pai, passando então a prevalecer a tese sustentada por Atanásio e Alexandre, que contou também com a simpatia de Constantino: que Jesus era da mesma substância de Deus, advindo daí a chamada trindade. O Espiritismo repele a teoria da existência de um Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo, proclamado, como decorrência que Jesus Cristo, como criatura de Deus, teve um começo como todos os demais Espíritos. Allan Kardec, em Obras Póstumas, discorre sobre esse tema do modo mais sensato e extenso possível, de- monstrando que nem os chamados milagres, nem o testemunho dos profetas e dos apóstolos, levam ao endeusa- mento de Jesus Cristo, mencionado ainda uma série interminável de trechos dos Evangelhos nos quais o Cristo dei- xa bem clara a sua submissão a Deus. A Doutrina Espírita, também veio desvendar uma série de novas leis, provando que os milagres, sobre os quais se alicerçam os idealizadores da Trindade, afim de atribuírem ao Mestre uma natureza divina, estão enquadra- dos nas leis da Natureza, nada apresentando de sobrenatural ou atentatório ao equilíbrio das leis eternas e imutáveis que regem os destinos da Humanidade. Penetrando ainda mais nesse terreno, proclama que os próprios Espíritos das trevas podem produzir fenômenos que, no passado, se impuseram aos olhos dos homens como autênticos mila- gres. O testemunho dos Apóstolos sobre a divindade de Jesus, longe de corroborar a teoria da Trindade, atesta de modo incisivo, que Jesus é o Filho do homem, investido de uma autoridade emanada do Pai, porém em situação de subalternidade e submissão em relação a Ele. O Apóstolo Paulo, por sua vez, como que antevendo as controvérsias que se formariam sobre essa questão, asseverou: Se somos filhos, somos herdeiros de Deus e co-herdeiros de Jesus Cristo. (Romanos 8:17). O próprio Cristo é quem mais se insurge contra esse endeusamento, o que se pode observar através das nar- rações de todos os quatro evangelistas, destacando-se dente elas as seguintes: Quem me recebe, recebe Aquele que me enviou, porque o que for menor entre nós, esse é o mai- or. (Lucas, 9:48) Se Deus é nosso Pai, vós me deveis amar, porque é de Deus que eu procedo, e é de sua parte que eu vim aqui, porque eu não vim de modo próprio, mas foi Ele que me enviou. (João, 8:42) E não falo senão do que vi em casa de meu Pai e vós não fazeis senão o que tendes visto na casa do vosso. (João, 8:38) E apareceu uma nuvem que os envolveu, e dessa nuvem saiu uma voz que fez ressoar estas pala- vras: Este é o meu Filho bem amado. Prestai-lhe atenção. (Transfiguração no Tabor, Marcos, 9:6) Porque se alguém se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o Filho do homem dele corará quando vier em sua glória e na de seu Pai, com os santos anjos. (Lucas, 9:26) Mas, quem se há de assentar à minha esquerda ou à minha direita, não sou eu quem determina, mas sim, meu Pai, que já o tem designado. (Mateus, 20:23) E eis que, aproximando-se dele um mancebo, disse-lhe: Bom Mestre, que boas obras devo fazer para ganhar a vida eterna? Jesus respondeu-lhe: porque me chamais de bom? Só Deus é bom. (Mateus, 19:16-17) A Doutrina que vos ensino não é minha, mas sim daquele que me enviou. (João, 7:16)
  18. 18. Curso de Aprendizes do Evengelho16 Então Jesus em alto brado, exclamou: Pai, em vossas mãos deixo o meu Espírito. (Lucas, 23:46) Mas digo isto para este povo que me rodeia, a fim de que acredite que sois vós que me enviastes. (João, 11:41-42) O Evangelho segundo João, sobre o qual melhor se fundamentam os partidários da Trindade, encerra uma forma mística, da qual se serviram os nossos antepassados da primitiva igreja para considerar Jesus como parte tri- na de Deus. João abre o Evangelho, dizendo: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus, e todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez”. O Espiritismo nos ensina que Jesus Cristo é o dirigente do nosso mundo e foi ele quem presidiu a criação de todas as coisas nele existentes, o que é corroborado pelo próprio Mestre quando asseverou: E agora glorifica-me tu ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse. (João, 17:15) Quando o Pai achou oportuno que uma nova mensagem fosse revelada à Terra, encarregou o seu Filho de concretizar essa revelação e, então, o Verbo se fez carne, na pessoa de Jesus Cristo, e ele habitou entre nós. Uma análise mais profunda dos Evangelhos, e uma meditação mais prolongada, propiciará a qualquer um o conhecimento de que Deus é o Pai, Jesus o seu Filho, nosso irmão maior. A “TENTAÇÃO” DE JESUS Imediatamente o Espírito impeliu para o deserto. Ali ficou quarenta dias tentado por Satanás; esta- va com as feras, e os anjos o serviam. (Marcos, 1:12) O Evangelista Marcos, sem ter sido discípulo direto de Jesus Cristo, escreveu em seu Evangelho, pelos infor- mes que conseguiu colher, que o Mestre foi tentado, durante quarenta dias no deserto. Outros Evangelistas foram mais além e afirmaram que Satanás levou o Senhor ao pináculo do templo e a um monte e ali lhe fez uma série de propostas, dentre elas uma bastante arrojada: O poder sobre todos os reinos da Terra em troca da sua submissão. Qual o Espírito das trevas, mesmo o mais arrojado, teria a audácia de enfrentar Jesus Cristo, face a face, para lhe fazer propostas de ordem profundamente mundana? Os Evangelhos narram que os Espíritos trevosos fugiam espavoridos à simples aproximação do Mestre, haja vista, para ilustração, o caso do célebre possesso geraseno (Marcos, 5:6-7) O Espiritismo define bem o vocábulo Satanás termo genérico que abrange o conjunto dos Espíritos que per- sistem em viver nas trevas, tendo a prática do mal como apanágio. Espíritos esses que a misericórdia do Criador fará com que retornem, um dia, a lei da evolução que Ele os conduzirá. O estado de Satanás não é portanto um es- tado permanente. Trata-se de um estágio temporário escolhido pelo próprio Espírito que se compraz na prática do mal, estágio esse que terá um fim quando o Espírito, cansado de viver na recalcitrância e na prática de atos maus, se decidir a retomar a senda evolutiva. Ora, assim como qualquer treva é afugentada pelo raiar do sol, qualquer Espírito trevoso se afasta quando uma entidade sublimada, principalmente da ordem hierárquica a que pertence Jesus Cristo, dele se aproxima. Conseqüentemente, jamais poderemos aceitar em seu sentido literal as narrativas evangélicas sobre a tenta- ção de Jesus, cumprindo tão somente extrair delas o sentido simbólico que encerram, como constante advertência aos homens sobre a necessidade de oração e vigilância. Quando o Mestre desenvolveu entre nós o seu sublime Messiato, fortes barreiras foram erguidas contra as inovações que vinha trazer. As potestades das trevas se mobilizaram, através dos seus agentes encarnados e de- sencarnados, no sentido de embaraçar a transcendental missão que representava um dos mais autênticos presentes do Céu à Terra. Enquanto alguns Espíritos menos evoluídos procuravam solapar a fé e a disposição de trabalho dos apóstolos, ora criando rivalidades entre eles, ora tentando fazer desfalecer a fé que os animava, outros instalavam o seu quar- tel-general no Sinédrio, insuflando o ódio e o falso zelo religioso na mente dos escribas, dos fariseus, dos saduceus e de outros mentores religiosos. Esse estado de coisas levou os condutores do povo a exigir, na frente do Pretório, a condenação de Jesus Cristo e a libertação de Barrabás. A crença na tentação de Jesus ainda se torna mais problemática quando as narrativas afirmam que ele se en- contrava no deserto, e as sugestões do lendário Satanás se fizeram em Jerusalém no pináculo Templo, ou em cima de um monte, induzindo-os a crer que houve um autêntico fenômeno de bilocação ou de levitação, o que torna a nar- ração ainda mais inverossímil. A tentação de Jesus, narrada pelos Evangelistas tem o objetivo primário de nos ensinar a importância da ora- ção e da vigilância para não cairmos em tentação, pois, mesmo os Espíritos que descem à Terra para o fim específi- co de aqui desempenharem missões relevantes, podem fracassar se não houver o devido discernimento em face das sugestões ou obstáculos que são entrepostos pelos Espíritos das trevas. Dada importância de que se revestiu a missão desempenhada no mundo pelo Cristo, forçoso é se convir que todos os Espíritos, que o assessoraram na tarefa, não fizeram por acaso. Obviamente, legiões de Espíritos de ordem elevada encarnaram na Terra para serem contemporâneos de Jesus e cujas tarefas foram objetos de um plano ardi- damente preparado. Por isso afirma João, no capitulo 17, versículos 14 a 18 do seu Evangelho: Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os aborreceu, porque eles não são do mundo. Não rogo que tires do mundo, mas que guar- des do maligno. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
  19. 19. Fatos da Vida de Jesus: Questões Polêmicas No entanto, muitos desses Espíritos teriam fracassado não fora a amorosa interferência de Jesus: Maria Madalena teria continuado no caminho do erro; Paulo de Tarso teria continuado a ser o antítese do Cristão; Pedro teria sido vítima dos Espíritos do mal e sua fé teria desfalecido. O ensinamento propiciado pela tentação tem, pois, por objetivo primário, demostrar que o simples fato de es- tar encarnado na Terra, mesmo em se tratando de Espíritos, de ordem elevada, cria a necessidade da oração e da vigilância, em face dos atrativos que a vida humana oferece àqueles que se deixam seduzir pelas coisas de César. POR QUE ME DESAMPARASTE? “E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lama sabachtani; isto é, Deus meu, por que me desamparaste? “ (Mateus, 27:46) Os estudiosos dos Evangelhos sofrem um impacto quando se deparam com a afirmativa de Mateus e Marcos, em torno das palavras pronunciadas por Jesus Cristo na hora suprema: Deus meu, Deus meu, por que me desampa- raste? pois elas dão a entender que o Mestre ficou angustiado e aterrorizado quando do desfecho da sua missão. Os outros dois evangelistas, entretanto, afirmam que as palavras do Mestre não foram estas, mas sim: Pai em tuas mãos entrego o meu Espírito, segundo Lucas (23:46), e Tudo está consumado, segundo João (19:30). Alguns exegetas, objetivando minorar o efeito que as palavras Deus meu, Deus meu, por que me desampa- raste? tiveram aos olhos do povo, sustentam que elas foram Deus meu, como glorificaste? Outros ainda, ousada- mente, proclamaram que a interrogação Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? não foi pronunciada por Jesus, mas sim por Dimas, um dos ladrões crucificados ao seu lado e a quem ele havia formulado uma promessa de com ele encontrar-se no mundo espiritual. Vendo-se desamparado com a desencarnação de Jesus, possuído de ex- tremo desespero, teria pronunciado tais palavras, que devido ao tumulto reinante nas proximidades da cruz, teriam sido atribuídas ao Mestre. Existem várias profecias sobre a vida e obra de Jesus Cristo. Em torno dessa passagem também existe uma: o Salmo 22:1 de Davi é explícito: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas as palavras do meu bramido, e não me auxilias? Esse vaticínio, bem como os de outros profetas, parecem validar aquelas discu- tidas palavras atribuídas ao Messias. Na descrição do evangelista Mateus existe ainda outro pormenor: as palavras Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? são uma tradução de Eli, Eli, lama sabachtami. Os que testemunharam a ocorrência aparente- mente não as entenderam com essa significância, pois logo em seguida disseram: Ele chama por Elias (Mateus, 27:47), (Marcos, 15:35) e Vejamos se Elias vem livrá-lo. (Mateus, 27:49). Explicam alguns que o fato de estarem ali alguns gregos e romanos, fez com que as palavras proferidas pelo Mestre não fossem entendidas em seu verdadeiro sentido, levando-os a dizerem: Ele chama por Elias. Essa explicação, todavia, não tem consistência, pois, nessa al- tura, gregos e romanos que ali estivessem pouco ou nada sabiam em torno de Elias ou de Deus. Teria realmente havido confusão entre os nomes de Eloim (denominativo de Deus entre os Judeus), e Elias (profeta)? Os evangelistas Lucas e Marcos não foram discípulos de Jesus, conseqüentemente não assistiram ao sacrifí- cio do Calvário. As narrativas dos evangelistas não acusam a presença de Mateus no local. O único que testemu- nhou o fato foi João, que estava nas proximidades da cruz, e segundo esse apóstolo as palavras do Senhor foram: Está consumado. Os evangelistas Marcos e Mateus, ao escreverem os seus evangelhos, trinta ou quarenta anos após a crucifi- cação do Mestre, talvez tenham-se apegado aos vaticínios contidos no Salmo 22:1 de Davi, ao tentarem descrever os últimos momentos de Jesus entre os homens. Alguns exegetas do Evangelho aceitam as palavras: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? como tendo sido proferidas por Jesus. Afirmam que Joana D’ Arc, também, no momento cruciante de sua vida, quando foi atada à fogueira, cessou de ouvir vozes dos seus Espíritos benfeitores, e julgou-se desamparada. Afirmam então, ainda que de fato não pudesse Jesus ser desamparado por Deus, sentia em si todo o amargor que a carência da divina consolação produz na alma sensível - e ele se constituíra em amparo para todos os pecado- res do mundo. HOMÔNIMOS NOS EVANGELHOS “Mas Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração.” (Lucas, 2:19) A existência de nomes semelhantes tem dado origem a algumas confusões entre pessoas que tomam conhe- cimento das narrativas evangélicas, sem uma análise mais profunda dos seus textos. Existem nos Evangelhos três personagens com o nome de João: um deles foi o filho de Isabel e Zacarias e passou à posteridade com o nome de João Batista, pelo fato de praticar o batismo da água às margens do rio Jordão; o outro, filho de Zebedeu, passou a ser conhecido por João Evangelista, em virtude de ter sido o autor do chamado Quarto Evangelho. João Marcos, cuja mãe chama-se Maria, foi discípulo de Pedro e posteriormente de Paulo e Barnabé. Foi au- tor do Segundo Evangelho. O primeiro, como reencarnação do Espírito do profeta Elias, foi precursor do advento de Jesus Cristo; o se- gundo foi um dos seus apóstolos. Ambos desempenharam tarefas distintas, pois, enquanto João Batista veio prepa-
  20. 20. Curso de Aprendizes do Evengelho18 rar a Humanidade para a vinda do Messias, cumprindo assim os vaticínios de vários profetas. João Evangelista as- sessorou dedicadamente o Mestre, no desempenho de seu sublime Messiado. João Batista foi decapitado por sugestão de Herodías e Salomé, e por ordem de Herodes; João Evangelista foi desterrado na Ilha de Patmos, na Grécia, e ali desencarnou de velhice, após ter escrito um Evangelho, algumas Epístolas e ter recebido, via mediúnica, o apocalipse. Nos Evangelhos constam narrativas sobre cinco Marias. Enumeremo-las: Maria de Nazaré, Maria de Betânia, Maria Madalena, Maria, mãe de Marcos e Maria de Cleofas. Algumas confusões tem ocorrido sobre esses persona- gens, principalmente sobre Maria de Betânia e Maria de Magdala. Maria Madalena ou Maria de Magdala, segundo a citação evangélica, converteu-se à Doutrina do Cristo após ter ele afastado dela uma legião composta de sete Espíritos obsessores, que a mantinham terrivelmente possessa. Ela acompanhou o Mestre durante praticamente todo o seu Messiado, foi a primeira pessoa a quem o seu Espírito apareceu, após o drama da crucificação, e posteriormente ainda conviveu com os apóstolos. A sua reforma interior foi altamente apreciada por Jesus, pois foi exemplo vivo de pessoa que se enquadra na sentença evangélica: Quem tomar do arado não deve mais olhar para trás. Maria de Betânia era irmã de Marta e de Lázaro. Sobre ela existem algumas narrativas: uma delas que, ao ser visitada a casa de Lázaro, ela se assentou aos pés do Mestre, a fim de ouvir as suas maravilhosas palavras, ao con- trário, de Marta que passou a se dedicar exclusivamente aos afazeres domésticos. Diante da observação de Marta, de que Maria deveria ajudá-la, Jesus sentenciou: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas. Mas uma só necessária e Maria escolheu a boa parte, a qual jamais lhe seria tirada. Quando o Senhor visitou a casa de Simão, o Leproso, ela foi até lá, portando um vaso de ungüento de alto valor. ali chegando, quebrou-o e derramou o seu conteúdo sobre a cabeça do Mestre. Judas Iscariotes e outros apóstolos lamentaram o desperdício, dizendo que ela deveria ter vendido o ungüento e distribuído o dinheiro entre os pobres. Diante da observação de Judas, o Meigo Nazareno, afirmou: Deixai-a, para que molestais? Ela fez-me uma boa obra. Porque sempre tendes convosco os po- bres, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tereis. Ela fez o que podia; antecipou- se a ungir o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este Evan- gelho for pregado, também o que ela fez será contado para memória sua. Maria de Nazaré foi a mãe carnal de Jesus. Espírito Missionário que desceu à Terra para que nele se cumpris- se a profecia de Simeão (Lucas, 2:25-35): E uma espada trespassará também a tua própria alma; para que se mani- festem os pensamentos de muitos corações. Ela nasceu em Nazaré, na Galiléia. Maria de Cleofas era prima-co-irmã de Maria de Nazaré e mãe dos apóstolos Tiago Menor, Simão Cananita e Judas Tadeu, por isso eles eram chamados Irmãos do Senhor. Maria, mãe de João Marcos, era quem abrigava os discípulos e apóstolos de Jesus em sua casa, nos dias das intensas perseguições. Os Evangelhos e o livro dos Atos dos Apóstolos nos dão conta da existência de dois Filipes. O primeiro foi apóstolo de Jesus Cristo, era de Betsaida, a mesma cidade de onde provieram os apóstolos Pedro e André. Foi quem apresentou Natanael ao Senhor, fazendo com que ele passasse também a segui-lo, transmudando-se num dos apóstolos. O segundo foi um dos sete diáconos, eleitos para zelarem pelo andamento da Casa do Caminho. Natural de Hierápolis da Frígia, era pai de quatro filhas donzelas, as quais eram portadoras de mediunidade e se comunica- vam freqüentemente com os Espíritos (Atos:, 21:9). Esse Filipe foi responsável pela conversão do Eunuco da Etió- pia, fato narrado em (Atos, 8:26-40). Um passou a ser conhecido como Filipe, o apóstolo; o outro por Filipe, o Evan- gelista, uma vez que, após a lapidação de Estevão e a dispersão dos cristãos de Jerusalém, passou a ser ardente divulgador dos Evangelhos de Jesus. Os Evangelhos nos dão conta da existência de dois Tiagos. Para diferencia-los um foi designado Tiago Maior e outro Tiago Menor. Ambos foram apóstolos de Jesus Cristo. Tiago Maior era filho de Zebedeu e irmão de João Evangelista. Foi um dos mais destacados discípulos, chegando mesmo a exercer certa hegemonia sobre os demais apóstolos, após a crucificação do Mestre. Foi executado à espada, por ordem de Herodes. Tiago Menor ou Tiago, o Justo, era filho de Alfeu e Maria de Cleofas, e irmão dos apóstolos Judas Tadeus e Simão Cananita. Era primo-irmão de Jesus, dai o qualificativo de Irmão do Senhor. Aparentemente foi apedrejado por ordem do Sumo Sacerdote Ana- nias, o Jovem, no ano 62 ou 63. Foi autor da Epístola Universal de São Tiago.
  21. 21. Capítulo 7 JOÃO BATISTA, O PRECURSOR NASCIMENTO DE JOÃO BATISTA (MT., 3:1); (LC., 1:5) Na importância transcendental do trabalho de Jesus na Terra, encontram-se ascendentes na assistência do Plano Superior, desde os Profetas maiores e menores, dos quais falam os teólogos, até o grande precursor, a voz da verdade que clamou no deserto árido dos espíritos humanos conturbados. Hoje, ainda, o Consolador, porta voz do Senhor, testemunha fiel do Precursor, caminha pelos desertos da vida, sem descanso, oferecendo trabalho fraterno e evolução, aparando e fortalecendo os ensinamentos do Mestre. João Batista era filho de Zacarias, um sacerdote da Judéia, e de Isabel (Elizabeth), parente próxima de Maria, mãe de Jesus. “E eram ambos justos perante Deus.” Segundo o testemunho o anjo Gabriel anunciou a Zacarias o nascimento de João “com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc., 1:11 a 19). Isabel era estéril e de idade avançada e, por isso, Zacarias duvidou do aviso do Anjo e, por isso ficou mudo por uns tempos. Este anúncio foi solenemente feito na Casa do Senhor, em dia de trabalho sacerdotal. (I, Crônicas, 24) Quando completou-se o tempo (Lc., 1:57) Isabel deu à luz um filho. Zacarias, cheio de júbilo, disse que se chamaria João e, imediatamente recomeçou a falar, louvando a Deus (O Cântico de Zacarias - Lc., 1:67-80). “E a mão do Senhor estava com João.” João cresceu cheio de virtudes e, ascético, retirou-se para o deserto. Embora o Evangelho não comente, afir- ma-se que João Batista foi iniciado pelos essênios e se preparou no deserto (intérpretes judeus e tradição espiritual) (Bíblia de Jerusalém e os documentos de Qumrã). Pelo testemunho de Jesus, João Batista foi Elias, profeta maior , em vida anterior e prenunciado por Isaias, em Is., 40:3 a 8. A PREGAÇÃO (LC., 3:7 A 17) Às margens do Rio Jordão, em Betânia, João Batista prega que “toda carne é como erva (vida efêmera) e toda a sua beleza, como as flores do campo (fenecem e caem) mas a palavra de Deus subsiste eternamente”. João alertava para a vida próxima do Messias e insistia no preparo da Penitência, através do batismo e do ar- rependimento. (Mt., 3:11) “Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas...” Para o refazimento espiritual mister se faz endi- reitar os caminhos morais, aprimorando os impulsos mentais com humildade e paciência. Ao ver muitos saduceus e fariseus procurá-lo, clamava: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futu- ra (reação da vida)? Produzi frutos dignos de arrependimento, advertindo que o arrependimento para ser sincero e válido deve ser profundo e profícuo, sofrido e renovado. A fé sem boas obras é morta”. Anunciava a Jesus, dizendo “Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas alpercatas não sou digno de levar; ele nos batizará com o Espírito e com o fogo”. (Mt., 3:11; Lc., 3:16) Seu batismo tinha o significado de um compromisso de mudança interior de vida (Reforma íntima). Em sua pregação resumia, como Jesus mais tarde, a obra fraterna: “Quem tem duas túnicas, reparta com o que não tem e quem tiver alimentos, faça o mesmo”(Lc., 3:11) “A ninguém tratai mal, nem defraudeis”, significando a máxima de Jesus “fazei ao próximo o que quereis que vos façam”. Tudo o que se faz é supervalorizado, em virtude dos interesses terrenos. O orgulho, a vaidade e o egoísmo adornam a cabeça dos vendilhões da paz. A insatisfação é o alimento dos desajustados de si mesmos. O homem firme sabe o que deve fazer na busca da sua evolução material e espiritual, aproveitando o esforço nas oportunidades e iniciativas, com dignidade e respeito pelos semelhantes. O BATISMO DE JESUS E O TESTEMUNHO DE JOÃO BATISTA (LC., 3:21), (MT., 3:13), (MC., 1:9) E (JO., 1:15) No tempo certo, Jesus desceu da Galiléia ao rio Jordão, onde estava João Batista. Este ao vê-lo, disse: “eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”(Jo., 1:29), e não queria batizá-lo por não se achar disso. Jesus po- rém respondeu: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir a justiça”. (as profecias). Jesus se submete ao batismo como um acontecimento que objetivava identificar a sua personalidade, assu- mindo, então o seu ministério messiânico em cumprimento da justiça perfeita de Deus: justiça com misericórdia. (Mt., 5:17) “É necessário que ele cresça e eu diminua.”(Jo., 3:30)
  22. 22. Curso de Aprendizes do Evengelho20 Fazendo-se pequeno e humilde o homem é atraído pela grandeza do coração manso e meigo de Jesus. Quanto mais elevado o homem construir o santuário do Pai em seu coração, mais será atraído e absorvido por fo- çãos espiritualizantes. Quanto mais a mensagem de Jesus crescer no coração do homem, mais ele terá diminuído os defeitos que dormitam em sua alma, crescendo assim a qualidade dos sentimentos e da inteligência como Homem Novo ligado ao Cristo. PRISÃO E EXECUÇÃO. (MT., 14: ), (MC., 6:14) E (LC., 3:19) A missão de João termina com seu encarceramento, por ordem de Herodes, o tetrarca, por causa de sua mu- lher, Herodíades, antes mulher de seu irmão Filipe, que havia sido assassinado. Herodíades usa de um estratagema e instrui sua filha para que, ao dançar para Herodes no dia de seu aniver- sário, lhe pedisse a cabeça de João Batista. Herodes não pode furtar-se porque há havia prometido o que ela pedis- se e mandou degolar João no cárcere. (Mt., 14:10) João Batista foi classificado por Jesus como: “o maior dentre todos os nascidos de mulher” e “maior que pro- feta”. (Mt.m 11:9-11)
  23. 23. Capítulo 8 OS DOZE APÓSTOLOS OS PRIMEIROS DISCÍPULOS (MT., 4:12), (JO., 1:35), (MC., 3:13) E (LC., 6:12) Foi por ocasião da volta de uma visita a Jerusalém, pela Páscoa. que Jesus começou a confiar a doze amigos para que o seguissem na Grande Missão Fraterna, numa evocação de novos guias “do povo eleito de Israel”(As 12 tribos de Israel). Esse número era importante para eles e foi restabelecido depois da deserção de Judas (Atos, 1:26) na escolha de Matias, através de Efodi, antigo instrumento de consulta a Javé, hoje interpretado como de natureza mediúnica. (Ex., 33:7) Matias também conhecera Jesus e o acompanhava sempre, inclusive, por ocasião do seu ressurgimento do túmulo. Segundo João Evangelista (Jo., 1:35), no dia seguinte ao batismo de Jesus, que aconteceu perto de Betânia, além do Jordão, nas cercanias de Jericó, João Batista estava com dois discípulos seus, quando ao ver passar o meigo Rabi exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus”. Ao ouvir a frase, como um sinal, seguiram Jesus e ficaram com ele pelo resto do dia (eram 16 horas). Na ver- dade o chamamento celeste é inerente ao espírito, é a força de atração do Amor do Criador à sua criatura. Esses dois discípulos eram João e André, irmão de Simão Pedro. André chamou a Simão Pedro a quem Jesus recebeu amorosamente e o apelidou de “Cefas” que quer dizer “pedra”(forte como a rocha), indicando a força da fu- tura casa doutrinária construída sobre rocha, anunciando o futuro membro destacado do Colégio Apostólico. Algum tempo depois, já na Galiléia, o Mestre chamou a Felipe, conhecido de Pedro, pois era seu conterrâneo, da cidade de Betsaida, às margens do Lago Genesaré, também conhecido como Mar da Galiléia. Felipe chamou Natanael, que era de Canaã, na Galiléia (Jo., 21:2), também conhecido como Bartolomeu nos Evangelhos sinópticos, o qual Jesus “viu antes sob a figueira”. Este conhecimento presciente e telepático é uma das características do Messias, que faz também nesses versículos a profecia sobre o seu ressurgimento do túmulo: “Coisas maiores do que esta verás... daqui em diante vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. (Jo., 1:51) Tiago, irmão de João, filhos de Zebedeu e Salomé, atendeu o chamado com alegria, pelo amor que já tinha a Jesus, pois os dois eram galileus de Betsaida, pescadores generoso e sinceros, cognominados por Jesus de os Fi- lhos do Trovão, por seu dinamismo amoroso, embora ainda muito jovens. Os irmãos Tadeu e Tiago Menor logo se juntaram ao pequeno grupo, filhos de Alfeu e Cleofas, eram aparen- tados com Maria, conhecendo e amando a Jesus desde pequenos. Tomé, também da família de pescadores da região de Dalmanuta, tinha uma personalidade e firmeza de ca- ráter. Simão, o Cananita, mais tarde apelidado de Zelote, era também humilde pescador e, talvez, o mais velho de todos (Boa Nova, cap. 9). Levi ou Mateus, todos já conhecem a sua vocação contada nos três Evangelhos sinópticos. Apenas o seu Evangelho o chama de “publicano”, eticamente evitado por seus companheiros evangelistas. Reza a tradição espiri- tual que Mateus era conhecido de Jesus desde pequeno, tendo sido seu companheiro nos estudos na Sinagoga. Finalmente é escolhido Judas Iscariotes que se estabelecera comercialmente em Cafarnaum, onde vendia peixes e quinquilharias. Portanto, foram os seguintes os apóstolos de Jesus: • Tiago Maior; • Tiago Menor; • João - também conhecido por João Evangelista; • Pedro - também conhecido por Simão Pedro ou Cefas; • Felipe; • Mateus - também chamado de Levi, o Publicano; • Judas Iscariotes - também conhecido por Judas de Kerioth; • Simão Cananita - também conhecido por Simão, o Zelote; • Tomé - também conhecido por Dídimo; • Natanael - também conhecido por Bartolomeu; • Judas Tadeu - também conhecido por Judas Lebeu • André
  24. 24. Curso de Aprendizes do Evengelho22 A MISSÃO DOS DOZE APÓSTOLOS No decurso de toda a História da Humanidade, vemos que os grandes missionários não trabalham sozinhos, objetivando assim colimar a máxima fraternidade, através da cooperação mútua. Afirma Cairbar Schutel, em seu li- vro “Espírito do Cristianismo”, que as grandes missões requerem sempre grandes Espíritos. Jesus Cristo, além de ensinar, também propiciou exemplos salutares durante toda a sua vida. Para dar conti- nuidade à sua missão, o Mestre preparou outros Espíritos, de sua inteira confiança, para que, através dos milênios não se descuidassem de “endireitar os caminhos do Senhor”, como o fez João Batista. Deste modo o Redentor deu uma demonstração viva do seu amor pela Humanidade que Deus colocou sob a sua tutela, prometendo ainda que, em época propícia enviaria o Espírito Consolador, para dar testemunho da verdade e restabelecer as primícias dos seus maravilhosos ensinamentos. (Jo., 16) É indubitável que a sublime missão desempenhada por Jesus Cisto e pelo seus doze valorosos apóstolos não abrangia meramente uma renovação intelectual de aspecto material, mas tinha um caráter mais transcendental, ou seja, conduzir os homens no roteiro certo para colimar a reforma íntima. Ele não deu o peixe aos homens, mas ensi- nou-os a pescar, do mesmo modo como ele veio “pescar” muitas almas que se achavam chafurdadas nas traves da ignorância. Jesus Cristo convocou os doze apóstolos, e, no Evangelho segundo Lucas, vemos que ele arrebanhou outros setenta discípulos, dando a todos a autoridade sobre os Espíritos maus e o poder para colimar todos os tipos de cura, pois o Mestre conhecia o que reinava em seus corações, sabendo de antemão que eles eram aptos para a tarefa. Como ponto de partida, Jesus fez-lhes um discurso de advertência, demonstrando o caráter do seu coração extremoso: “Dirigi-vos às ovelhas desgarradas da casa de Israel”, pois o Mestre em sua sabedoria sabia que o tempo para a conversão dos gentios também se avizinhava. “Amai os alquebrantados da alma, despertai aqueles que dormitam no desinteresse, dai de graça o que de graça recebestes”, pois o Reino dos Céus conquista-se com as boas obras. Os dons que Deus nos concede são ex- pressão da sua excelsa vontade. “Se forem bem recebidos nas cidades, saudai-as; se não, esquecei-as” (e não se envolvam em suas vibrações impuras), pois a fé não pode ser imposta mas conquistada”. “Sacudir o pó das alpercatas” é não conservar mágoa. “Sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas.” Jesus asseverou que os missionários seriam perseguidos mas que nunca estariam desamparados do Pai. Não existe discípulo superior ao Mestre, basta que o discípulo procure tomar o Mestre como paradigma. Não se preocupar com o reconhecimento alheio, com a estima do mundo, pois o reino de Deus não tem apa- rências exteriores - é realidade insofismável e concreta. Que esperar do julgamento humano para nós quando o pró- prio Jesus foi crucificado? O destaque terreno é fugaz ou então desaparece nos contornos históricos. Só a bondade vive sempre na lembrança. Fala abertamente e sem medo, pois não há nada encoberto que não venha a ser revelado; “dizei-o à luz do dia”. Não temer a morte do corpo, mas aquilo que corrompe a alma como os maus sentimentos e as iniquidades. “Não vim trazer a paz mas a espada.” Jesus não oferecia a paz da comodidade, mas o instrumento de aperfeiçoamento no conhecimento, na carida- de e no burilamento do Espírito através dos esforços nobres. Ele oferece uma batalha sem sangue, mas com suor e lágrimas, a batalha do aperfeiçoamento, pois nenhuma idéia nova se estabelece sem lutas. (ESE, cap. XXII, itens 12 e 16) Jesus sabia que os seus ensinamentos não se expandiriam nem frutificariam pacificamente, por causa da du- reza dos corações humanos. Desta forma, até hoje, irmãos empunham armas contra irmãos por não professarem as mesmas idéias e sentimentos, esquecidos do legítimo ideal de amor ao próximo. Finalmente, Jesus assevera que é preciso renuncia a si mesmo, com sublimidade, para segui-lo, isso com o significado de colocar os elevados propósitos da vida maior acima dos mesquinhos e acanhados interesses munda- nos. E concluiu: “Quem vos recebe, a mim recebe, e quem me recebe, recebe ao que me enviou. Quem for caridoso é meu discípulo e jamais perderá o seu galardão.” em súmula, Jesus recomendou o testemunho e a dignidade, a perseverança e a caridade, enfim, a fidelidade aos desígnios de Deus, nosso Pai Celestial. Jesus conclama a todos para que tenham senso de responsabilidade perante o próximo, pois, só assim a fra- ternidade se torna obra de fé.

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