Oposiçao a ditadura

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Oposiçao a ditadura

  1. 1. Oposição à ditadura<br />
  2. 2. <ul><li>Em Portugal, Salazar impunha o Estado Novo, um regime inspirado nos ideais fascistas de Mussolini, mas sem os exageros da violência nazi.
  3. 3. O regime salazarista impôs-se através de um aparelho repressivo que fortalecia e perpetuava a sua acção, combatendo toda a contestação. </li></li></ul><li><ul><li>Deste aparelho repressivo fazia parte a PIDE, polícia política do regime, apoiada numa vasta rede de informadores que fiscalizava, amedrontava a população e prendia os opositores.
  4. 4. O destino dos opositores eram as prisões do regime espalhadas pelo país e nas colónias, onde aqueles eram torturados física e psicologicamente, quando não assassinados. </li></li></ul><li>PrisõesPoliticas do Regime<br />
  5. 5. Prisão<br /> do <br />Aljube<br />Prisão <br />de <br />Caxias <br />Prisão<br /> de<br /> Peniche <br />Prisão <br />da <br />PIDE <br />no Porto<br />
  6. 6. A Prisão de Peniche<br />O Forte de Peniche, durante o Estado Novo, converteu-se numa prisão politica de alta segurança.<br />
  7. 7. Presos de Peniche<br />Álvaro Cunhal<br />Joaquim Gomes <br />Carlos Costa <br />Jaime Serra<br />Francisco Miguel<br />José Carlos<br />Guilherme Carvalho<br />Pedro Soares<br />Rogério de Carvalho <br />Francisco Martins Rodrigues<br />E muitos outros…<br />Álvaro Cunhal<br />Francisco Martins Rodrigues<br />
  8. 8. A Fuga de Peniche – episódio insólito<br /> A 3 de Janeiro de 1960, deu-se a “Fuga de Peniche", protagonizada por prisioneiros comunistas como Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Martins Rodrigues.<br />
  9. 9. <ul><li>A operação foi organizada internamente por uma comissão de presos e no exterior, por outros dirigentes comunistas.
  10. 10. Na data combinada, ao final da tarde, um automóvel parou em frente ao Forte, com o porta-bagagens aberto. Esse era o sinal combinado para que, no interior da prisão, se soubesse que, no exterior, estava tudo a postos para a fuga. </li></ul>Desenho <br />de <br />Álvaro Cunhal<br />
  11. 11. O carcereiro foi neutralizado com o emprego de uma anestesiae, com a ajuda de um sentinela – o guarda José Alves – que fazia parte do plano de fuga, os prisioneiros atravessaram o espaço mais exposto do percurso. <br />Do piso superior desceram para o piso inferior com o recurso a uma árvore. Aqui correram para o pano exterior da muralha que desceram com o auxílio de uma corda feita com lençóis, até alcançarem o fosso exterior. <br />
  12. 12. Depois tiveram que saltar um muro para chegar à vila, onde se encontravam à sua espera os automóveis que os haviam de transportar para as casas clandestinas onde deveriam passar a noite.<br />Cunhal passou a noite na casa de Pires Jorge, em São João do Estoril, onde ficou a viver clandestinamente durante algum tempo.<br />
  13. 13. Álvaro Cunhal<br /><ul><li>Em 1931, com 17 anos, aderiu ao Partido Comunista Português. Estudava então na Faculdade de Direito de Lisboa.
  14. 14. As suas primeiras tarefas partidárias foram ligadas à Liga dos Amigos da URSS, ao Socorro Vermelho Internacional e aos Grupos de Defesa Académica.
  15. 15. Em 1934, foi eleito pelos estudantes de Lisboa seu representante no Senado Universitário.
  16. 16. Teve a seu cargo a reorganização da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (FJCP) em Lisboa.</li></li></ul><li>Em 1935, foi eleito Secretário-Geral das Juventudes Comunistas e participou no IV Congresso da Internacional Juvenil Comunista, em Moscovo. <br />Começava então a sua vida clandestina .<br />Em1936, passou a integrar o Comité Central do Partido Comunista Português.<br />
  17. 17. Desenhos da prisão de Álvaro Cunhal<br />
  18. 18. Peniche no dia da Libertação<br />Depois do derrube do regime, a 25 de Abril de 1974, a Prisão de Peniche foi utilizada como abrigo para os retornados das ex-colónias portuguesas da África que regressaram a Portugal quando se deu a descolonização.<br />
  19. 19. A prisão de Aljube<br /><ul><li> A cadeia do Aljube foi uma prisão situada na freguesia da Sé, na cidade de Lisboa, Portugal.
  20. 20. O estabelecimento prisional recebia presos comuns até o início da década de 1930, quando passou a ser lugar de reclusão de presos políticos do Estado Novo.
  21. 21. O cárcere foi fechado em Agosto de 1965.</li></li></ul><li>Presos do Aljube <br />Urbano Tavares Rodrigues<br />António Borges Coelho<br />Miguel Torga<br />José Manuel Tengarrinha<br />
  22. 22. Luís de Sttau Monteiro<br />Carlos Brito<br />Vasco Granja<br />José Medeiros Ferreira<br />
  23. 23. MiguelTorga<br />Escritor português, acusado de defender ideias subversivas, foi preso pela PIDE e colocado na prisão do Aljube. <br />Seria libertado em Fevereiro de 1940.<br />Várias vezes nomeado para o Prémio Nobel da Literatura, tornou-se um dos mais conhecidos autores portugueses do século XX. <br />
  24. 24. Luís de <br />Sttau Monteiro<br />Em 1961, publicou a peça de teatro Felizmente Há Luar, distinguida com o Grande Prémio de Teatro.<br />Foi proibida a representação da peça pela Censura. Só viria a ser representada em 1978 no Teatro Nacional. <br />Foi preso em 1967 pela PIDE, no Aljube, após a publicação das suas peças de teatro.<br />
  25. 25. “Há homens que obrigam outros homens a reverem-se por dentro…<br />Luís de Sttau Monteiro<br />
  26. 26. A prisão de Caxias<br />Começou a ser utilizada como prisão politica em 1936.<br />As condições físicas eram mais toleráveis do que no Aljube, embora existissem celas subterrâneas de castigo. <br />Um irónico acontecimento ocorrido nesta prisão foi a fuga de oito detidos, todos altos funcionários do PCP .<br />
  27. 27. Presos de Caxias<br />Albertina Diogo<br />Albina Pato<br />Aida Magro<br />Aida Paula<br />António Manuel<br />Fernanda Tomás<br />Hermínio Inácio<br />Joaquim Gorjão Duarte<br />José Magro<br />Julieta Gândara<br />Luísa Paula<br />Marcos Rolo Antunes<br />Mário Henriques<br />Manuel M. Felizardo<br />Maria Eugénia Varela Gomes<br />Mateus Branco<br />Natália David<br />Nuno Teotónio Pereira<br />Piedade Gomes<br />Virgínia Moura<br />Vítor Serra Lopes<br />
  28. 28. «Podem traçar meu corpo à chicotada<br />Podem calar meu grito enrouquecido<br />Para viver de alma ajoelhada<br />Vale bem mais morrer de rosto erguido.»<br />
  29. 29. Fuga de Caxias <br /> No dia 4 de Dezembro de 1961, oito militantes comunistas evadiram-se do Reduto Norte da prisão de Caxias num carro blindado, perante o olhar impotente dos carcereiros. <br /> Realizada em poucos segundos e apenas com recursos do interior da prisão, tratou-se de uma das mais audaciosas fugas dos cárceres fascistas.<br />
  30. 30. Com os 8 homens dentro do carro, este<br />arranca em direcção ao portão principal,<br />que não resiste ao embate e cede. <br />Dez segundos depois, o carro está<br />fora da prisão e ruma à auto-estrada,<br />sob os disparos da GNR. <br />Chegados a Lisboa, a viatura é<br />abandonada e os seus ocupantes<br />refugiam-se em casas seguras. <br />
  31. 31. Presa em Caxias …<br />
  32. 32. Maria Eugénia Varela Gomes<br />
  33. 33. 1956 – Dirige o Serviço Social do Hospital de Santa Maria, que é obrigada a abandonar, dois anos depois, devido a um processo disciplinar, por motivos políticos.<br />1958 - Participa activamente na Campanha eleitoral de Humberto Delgado.<br />
  34. 34. 1959 - Envolve-se directamente na Revolta da Sé e acompanha de perto o julgamento e a prisão dos implicados.<br />revolta contra o regime salazarista.<br />As reuniões conspiratórias ocorriam na Sé de Lisboa, com o conhecimento do pároco, o padre Perestrelo de Vasconcelos. Depois de julgados e presos, os implicados são repartidos por Caxias, Aljube, Trafaria e Elvas.<br />
  35. 35. 1962 - É raptada e presa pela PIDE, por alegado envolvimento no golpe de Beja. <br />Nova revolta, visando o derrube de Salazar, dirigido pelo Capitão Varela<br />Gomes (sector militar) e por Manuel Serra (sector civil).<br />Tentativa frustrada de tomada do Quartel de Beja<br />
  36. 36. É mantida isolada desde Janeiro até Abril, na prisão de Caxias.<br />É submetida à tortura do sono. <br />
  37. 37. Permanece presa, em Caxias até 1963.<br />1963 – É libertada. Liga-se à Frente Patriótica de Libertação Nacional, integrando uma célula onde estava também Jorge Sampaio, entre outros.<br />1964 – É presente como ré, ao lado do marido, no julgamento dos implicados de Beja. É condenada a dezoito meses de prisão, enquanto João Varela Gomes é condenado a seis anos.<br />
  38. 38. «Não participei nem na preparação nem no assalto ao Quartel de Beja, mas estou de alma e coração com o meu marido e os companheiros dele». <br />
  39. 39. Logo que alcançou a liberdade, passou a dedicar todas as suas energias à causa dos presos políticos. <br />Funda, com outras personalidades de oposição, a CNSPP (Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos).<br />1969 - Participa na Campanha Eleitoral pelas listas da CDE e, um ano depois, é novamente presa por uma semana.<br />1973 - Participa na campanha eleitoral para a Assembleia Nacional. No final de um comício na Sociedade Nacional de Belas Artes, é brutalmente espancada pela policia de choque, juntamente com a filha mais nova.<br />
  40. 40. 1974 - Após o 25 de Abril, trabalha com advogados e membros da CNSPP na libertação dos presos políticos, bem como na posterior remodelação desta organização.<br />
  41. 41. Caxias no dia da libertação<br />
  42. 42. O Campo da Morte doTarrafal<br />
  43. 43.
  44. 44. A Colónia Penal do Tarrafal, situada no lugar de Chão Bom do concelho do Tarrafal, na ilha de Santiago (Cabo Verde), foi criada pelo Governo português do Estado Novo em 1936.<br />
  45. 45. <ul><li>Em 18 de Outubro de 1936 partiram de Lisboa os primeiros 152 detidos, entre os quais se contavam os participantes na revolta de 18 de Janeiro de 1934, na Marinha Grande, e marinheiros que se tinham amotinado a bordo de um navio de guerra no Tejo.</li></li></ul><li><ul><li>O Campo do Tarrafal ou Campo de Concentração do Tarrafal, como ficou conhecido, começou a funcionar em 29 de Outubro de 1936, com a chegada dos primeiros prisioneiros.</li></ul>Grupo de prisioneiros do Tarrafal<br />
  46. 46. O campo do Tarrafal foi inspirado nos campos de concentração nazis, que Hitler nessa altura começava a montar na Alemanha.<br />
  47. 47. <ul><li> No Tarrafal não havia câmaras de gás, como nos campos de concentração nazis, mas os presos eram submetidos a um regime de morte lenta - por isso ficou conhecido como o «Campo da Morte Lenta». </li></ul>Posto de socorros<br />Cela da Morte Lenta<br />
  48. 48. Vista aérea do Campo do Tarrafal<br />
  49. 49. <ul><li>O Campo do Tarrafal encerrou em 1954, tendo sido reactivado em 1961, sob a denominação de Campo do Chão Bom, para receber prisioneiros oriundos das colónias portuguesas.</li></li></ul><li>Testemunhos do Tarrafal<br />«Na Achada Grande do Tarrafal montou o governo fascista o campo de concentração. Na Achada Grande há pântanos, mosquitos e paludismo. Era a zona mais temida pela gente de Cabo Verde. Na ilha que o mar guardava melhor que o arame farpado e as armas dos carcereiros, o mosquito seria um executor discreto. <br /> Sem possibilidade de ferver a água inquinada, sem mosquiteiros, sem medicamentos, com má alimentação, trabalhos forçados, espancamentos, semanas na «frigideira», todas as resistências orgânicas se desmoronavam abrindo caminho fácil ao paludismo.»<br />
  50. 50. «As mortes dos antifascistas no Tarrafal foram premeditadas. Tão claro era o objectivo que o director do Campo não o escondeu. Afirmou-o para que todos os presos soubessem a que estavam destinados.»<br />«E muitos morreram e lá ficaram no cemitério que tão perto estava do Campo»<br />
  51. 51. “Quem vem para o Tarrafal, vem para morrer…”<br />
  52. 52. Presos do Tarrafal<br />Bento Gonçalves<br />Joaquim Amaro<br />Francisco Miguel<br />Jaime de Sousa<br />Sérgio Vilarigues<br />Joaquim Montes<br />Manuel da Costa<br />António Guerra<br />Joaquim Marreiros<br />
  53. 53. Bento Gonçalves <br />Bento António Gonçalves nasceu a 2 de Março de1902, em Trás-os-Montes, e morreu em 1942 , no campo de concentração do Tarrafal, vitima de biliosa.<br />Bento viria a filiar-se no PCP em 1928.<br />Em 1935 foi preso no Arsenal da Marinha.<br />Em 1936 foi enviado para o Tarrafal<br />
  54. 54. Sérgio Vilarigues<br />Sérgio Vilarigues, militante comunista, foi um dos poucos sobreviventes do campo de concentração do Tarrafal. <br />Integrou o grupo dos primeiros <br /> presos enviados para o Tarrafal <br /> em 1936.<br />Saiu do Tarrafal em 1940.<br />
  55. 55. A “Frigideira”<br />A frigideira era uma caixa de cimento com uma forma rectangular. <br />O tecto era uma placa de betão. Uma parede dividia-a interiormente em 2 celas quase quadradas. <br />Cada uma tinha uma porta de ferro. <br />O percurso de uma parede a outra de cada cela era de 4 passos.<br />
  56. 56. Estava exposta ao sol de manhã à noite. <br />A luz e o ar entravam com muita dificuldade pelos buracos na porta e em cima pela abertura junto ao tecto. <br />
  57. 57. «O sol batia na porta de ferro e o calor ia-se tornando sempre mais difícil de suportar. Íamos tirando a roupa, mas o suor corria incessantemente.» <br />A frigideira teria capacidade para dois ou três presos por cela. <br /> «Chegámos a ser doze numa área de nove metros quadrados.»<br /> «Lá dentro era um forno.»<br />
  58. 58. Presos Políticos que morreram no Tarrafal<br />FRANCISCO JOSÉ PEREIRA<br />PEDRO DE MATOS FILIPE<br />FRANCISCO DOMINGOS QUINTAS<br />RAFAEL TOBIAS <br />AUGUSTO DA COSTA<br />CANDIDO ALVES BARJA<br />ABILIO AUGUSTO BELCHIOR<br />FRANCISCO ESTEVES<br />ARNALDO SIMÕES JANUÁRIO<br />ALFREDO CALDEIRA<br />FERNANDO ALCOBIA<br />JAIME DE SOUSA<br />ALBINO COELHO<br />MÁRIO  DOS SANTOS CASTELHANO<br />JACINTO  FARIA VILAÇA<br />CASIMIRO FERREIRA<br />
  59. 59. ALBINO ANTÓNIO CARVALHO<br />ANTÓNIO OLIVEIRA E SILVA<br />ERNESTO JOSÉ RIBEIRO<br />JOÃO DINIS<br />HENRIQUE VALE DOMINGUES<br />BENTO ANTÓNIO GONÇALVES<br />DAMÁSIO  MARTINS PEREIRA<br />ANTÓNIO JESUS BRANCO<br />PAULO JOSÉ DIAS<br />JOAQUIM MONTES<br />EDMUNDO GONÇALVES<br />MANUEL ALVES DOS REIS<br />MANUEL DA COSTA<br />JOAQUIM  MARREIROS<br />ANTÓNIO GUERRA<br />FRANCISCO NASCIMENTO GOMES<br />
  60. 60. Extinção do Tarrafal<br />A 26 de Janeiro de 1954, o Campo de Concentração do Tarrafal foi encerrado.<br />Em 1962, o Campo de Concentração do Tarrafal foi reaberto, desta vez destinado aos patriotas dos movimentos de libertação das colónias portuguesas, capturados na Guerra Colonial.<br />
  61. 61. O Museu da Resistência<br />Hoje, existe no local, o Museu da Resistência destinado a preservar a memória dos tempos em que não havia liberdade.<br />

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