As Memórias do   Livro       Romance    Geraldine Brooks
Sobre o livro…         As Memórias do livro é um romance que tem como tema a história de um outro livro, aHagadá de Seraje...
talvez pela sua calma, mas também pela coleção de pergaminhos pintados, brilhantes e atraentes, queeste tinha à sua frente...
Por fim, em 1996, ainda em Serajevo, a curiosa conservadora de livros, Hanna, vaitentar descobrir todos os mistérios que e...
regiões montanhosas. Hanna ficou assim a saber que a Hagadá estivera em regiões comessas características. Mas, como é que ...
Pedras de sal        Outro facto que suscitou a curiosidade de Hanna, foi a descoberta de umaspedras de sal numa das págin...
ficando assim, depois de a água se evaporar, umas pedras de sal numa das folhas daHagadá.Um pelo branco          Outra des...
Sobre a autora …                                    Geraldine Brooks nasceu a 14 de setembro de 1955,na Austrália. É uma e...
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As memórias do livro

  1. 1. As Memórias do Livro Romance Geraldine Brooks
  2. 2. Sobre o livro… As Memórias do livro é um romance que tem como tema a história de um outro livro, aHagadá de Serajevo. Este códice é o texto utilizado para os serviços da noite de Páscoajudaica (Pessach) e contém a leitura da história da libertação do povo de Israel do Egitoconforme é descrita no Livro do Êxodo. Por celebrar esta libertação, o Pessach é a maisimportante das festas judaicas, e cada judeu tem por mandamento narrar às futuras gerações estalibertação. A Hagadá contém a narrativa desta libertação, as orações, canções e provérbiosjudaicos que acompanham esta festividade. Hanna, uma conservadora de livros, é uma australiana contratada pela ONU paratrabalhar na preparação da Hagadá de Serajevo a fim desta ser apresentado ao público.Durante o seu trabalho, Hanna encontra na encadernação do livro uma série de minúsculosartefactos: um fragmento de uma asa de borboleta, manchas de vinho, pedras de sal e um pelo branco.Estas descobertas levam Hanna a investigar a sua origem e essa investigação vai remeter-nospara toda a história, mistérios e pessoas que estiveram por detrás da elaboração e proteção do antigocódice. A história da Hagadá começa em Espanha, mais propriamente em Sevilha, no anode 1480. Zahra era uma rapariga muçulmana, filha de um médico (Ibrahim al-Tarek) queusava plantas para curar os doentes. Até ser capturada e levada para a escravidão, Zahratrabalhava com o seu pai, ilustrando as plantas que ele usava, criando herbários inigualáveis. Nomercado de escravos, Zahra foi levada por Hooman, um homem que tinha uma oficina depintura, onde a rapariga desenvolveu a sua arte. Entretanto, a muçulmana foi trabalhar para acasa de um judeu, Netanel ha-Levi. Este tinha um filho surdo-mudo, Benjamin, e dissera aZahra que sentia uma grande tristeza por não conseguir contar ao filho a história da libertação dosjudeus, tal como a tradição exigia. Então, Zahra resolveu fazer em segredo um conjunto degravuras para Benjamin, que narrassem a história do mundo tal como os judeus acreditam que estesurgiu. Apesar de saber que a fé judaica se opunha a qualquer tipo de ilustração, Zahra pensou quenenhum judeu levaria a mal, pois ela estava a fazer isso por Benjamin, para que ele conhecesse ahistória do seu povo. Entretanto, Bejamin acaba por ir para Terragona, Espanha, decorria o ano de1492. É aqui que David Ben Shoushan, um judeu de Terragona, encontra Benjamin.Este estava num mercado da cidade e tentava vender as magníficas ilustrações que Zahra fizerapara ele. David, que não costumava dar importância às pessoas do mercado, reparou no jovem,
  3. 3. talvez pela sua calma, mas também pela coleção de pergaminhos pintados, brilhantes e atraentes, queeste tinha à sua frente. Bem Shoushan ficou fascinado com aquelas ilustrações e não hesitou emcomprá-las todas. Iria usá-las para ilustrar a Hagadá que ele próprio iria escrever para oferecer aoseu sobrinho como prenda de casamento. No entanto, devido à perseguição dos judeus emEspanha, Ben Shoushan acaba por morrer e a Hagadá ficou com a sua filha, Ruti, quetinha ficado encarregue de a levar ao ourives. Este iria adornar o livro com uma asa (símbolo dafamília do sobrinho de David) entrelaçada com uma rosa (símbolo da família de David), ambosde prata, e iria também fazer um par de fechos iguais. Sabendo da perseguição que se estava a realizar, Ruti foge, levando a Hagadáconsigo. Em 1609, a Hagadá chega a Itália (Veneza) onde o padre Vistorini, que eraum judeu convertido à fé cristã, a salvou da Inquisição Papal, assinando-a e escrevendo “Revistoper mi”. A Hagadá estava assim salva da fogueira da Inquisição. No ano de 1894 a Hagadá foi encontrada em Viena (na altura considerada o centroda cultura e do saber), para ser estudada e restaurada. Quem ficou encarregue de restaurar o antigo livro foi Florien Mittl, um cristão já idosoe doente, com a visão e memória debilitadas devido a um grande tumor. Sentindo-se cada vez pior,Mittl decide ir ao médico, Franz Hirschfeldt (judeu). Este propõe a Mittl um tratamentoainda pouco testado, mas que parecia dar resultados muito bons. Este tratamento era bastante caroe, como o restaurador queria ficar bom para poder continuar a trabalhar, decidiu tirar os fechos deprata da Hagadá e dá-los ao médico como forma de pagamento. O médico hesitou em aceitar,mas ficou fascinado pela beleza das rosas e das asas de prata, achando que dariam um belo par debrincos para oferecer à sua esposa. A Hagadá perdia assim os seus lindos fechos. Entretanto, a Hagadá chega a Serajevo e, em 1940, em plena Segunda GuerraMundial, Serif Kamal, um muçulmano que trabalhava na biblioteca de Serajevo, decideesconder o antigo códice, protegendo-o dos nazis, que estavam a destruir tudo o que pertencia à “raçaperdida”. Como Serif Kamal temia pela segurança da sua esposa e filho, e como sabia que aoesconder um livro judeu estava a arriscar-se a ser perseguido pelos nazis, decidiu pedir ajuda a umamigo seu, também muçulmano, que morava numas montanhas que circundam Serajevo. Lá,foram à biblioteca da mesquita e esconderam a Hagadá entre livros islâmicos. Este magníficolivro sobrevivia assim à Segunda Guerra Mundial e a 460 anos de história.
  4. 4. Por fim, em 1996, ainda em Serajevo, a curiosa conservadora de livros, Hanna, vaitentar descobrir todos os mistérios que estão por detrás da Hagadá. As descobertas de Hanna e as histórias que a Hagadá esconde … Uma asa de inseto Enquanto observava cada pormenor da Hagadá e folheava as suas magníficas folhas de pergaminho ricamente ilustradas, Hanna encontrou um minúsculo fragmento, que observado ao microscópio lhe pareceu uma asa de inseto. Guardou-o num envelope de papel de cristal e levou-o à sua amiga Amalie, em Viena, onde no seu avançado laboratório, se descobriu que afinal aquele minúsculo artefacto pertencia a uma borboleta. Essa borboleta é conhecida cientificamente como Parnassius mnemosyne leonhardiana e vive apenas em
  5. 5. regiões montanhosas. Hanna ficou assim a saber que a Hagadá estivera em regiões comessas características. Mas, como é que a asa lá foi parar? Quando Serif Kamal foi a casa do seu amigo (que depois o ajudou a escondero livro) uma brisa suave provocada pela abertura de uma porta fez flutuar uma asa deborboleta até à Hagadá, que Kamal estava a mostrar ao se amigo. Ficava assimmarcado na história do livro mais um lugar por onde ele viajara ao longo de centenas deanos.Manchas de vinho Outra das descobertas de Hanna foi uma mancha castanho-avermelhada numadas páginas da Hagadá. Curiosa, a conservadora de livros retirou uma pequena amostrae pediu a um amigo seu, Raz, que observasse aquela amostra no seu microscópio. Essemicroscópio conseguia, através de espetros de luz, identificar as substâncias que constituíamaquela mancha. Desta forma, Hanna ficou a saber que aquela mancha era de vinhomisturado com sangue. Esta mancha formou-se quando o padre Vistorini, no momento de decidir sesalvava a Hagadá da Inquisição Papal ou não, relembrou as suas raízes judaicas e,enervado, partiu o copo de vidro que tinha na mão, fazendo uma ferida e derramando ovinho e sangue sobre o pergaminho do livro. Ficava assim a Hagadá com mais uma história marcada nas suas páginas.
  6. 6. Pedras de sal Outro facto que suscitou a curiosidade de Hanna, foi a descoberta de umaspedras de sal numa das páginas do livro. Tal como fez com a mancha de vinho, retirou umaamostra das pedras e enviou-as ao seu amigo Raz, a fim deste as examinar no seu potentemicroscópio. Ao examiná-las, Raz concluiu que de facto se tratava de cloreto de sódio(NaCl), mas era marinho, e não rochoso como se suspeitava. Assim, Hanna pensou quea Hagadá tivesse passado pelo mar. E de facto passou. Quando Ruti, a filha de Ben Shoushan (homem que escreveu o texto daHagadá), foge da perseguição aos judeus em Espanha acaba por abrigar-se numa gruta.Nessa mesma gruta, estava também abrigada a mulher do seu irmão, Rosa, uma cristã,que por se ter casado com um judeu convertido, passava também pela perseguição. Essamulher estava grávida do irmão de Ruti e, quando ela entrou na gruta já estava a entrarem trabalho de parto. Ruti ajudou-a a ter o seu filho, que Rosa acabou por desprezar.Assim, Ruti decidiu cuidar do bebé e, como Rosa não quis saber dele, acabou por batizá-lo segundo os costumes judaicos. Desta forma, entrou pelo mar com o bebé nos braços e asacola com a Hagadá no ombro e mergulhou a criança na água salgada, completando oritual de batismo judaico. Mesmo puxando a sacola para cima, tentando impedir que olivro se molhasse, um pouco de água salgada conseguiu infiltrar-se na proteção do livro,
  7. 7. ficando assim, depois de a água se evaporar, umas pedras de sal numa das folhas daHagadá.Um pelo branco Outra descoberta curiosa que Hanna fez numa das páginas da Hagadá foi ade um pelo branco. A conservadora de livros decidiu então levá-lo à investigação criminal dapolícia, na expetativa de, através do ADN, descobrir de quem era o pelo. Acontece que aquele pelo não era humano, mas sim de um animal, maispropriamente de um gato. Durante a investigação foram também detetados, juntamente como pelo, alguns pigmentos de tintas muito fortes de espetro amarelo. Mas, como é que um pelode gato foi parar às iluminuras da Hagadá ? Quando Zahra (a rapariga que fez as magníficas gravuras da Hagadá)estava a fazer os últimos desenhos, usando os últimos pigmentos que Hooman lhe dera, opincel, já velho e gasto, formado por pelos de gato, deixou escapar um dos pouco pelos que lherestava, ficando este inserido nas gravuras do livro, passando também a fazer parte da suahistória. Curiosidade … Geralmente, os primeiros pincéis espanhóis eram feitos com pelo de esquilo. Já os miniaturistas iranianos usavam os pelos da zona do pescoço de gatos persas com dois meses, especialmente criados para esse fim.
  8. 8. Sobre a autora … Geraldine Brooks nasceu a 14 de setembro de 1955,na Austrália. É uma escritora e jornalista que cresceu nos subúrbios ocidentais de Sydney.Atualmente, vive em Martha’s Vineyard (ilha na costa nordeste dos Estados Unidos) com omarido, Tony Horwitz, o filho, Nathaniel e três cães. Ela trabalhou durante três anos como repórter para o jornal australiano The SydneyMorning Herald, onde deu a conhecer o seu interesse especial por questões ambientais. Em 1982, ganhou uma bolsa de estudo para o mestrado de jornalismo na Universidadede Columbia, em Nova Iorque. Mais tarde, Geraldine Brooks trabalhou como correspondente do Wall StreetJournal na Bósnia, na Somália e no Médio Oriente. Em 2006, a escritora ganhou o Prémio Pulitzer na categoria de ficção, com o seuromance March. O seu primeiro romance, Year of Wonders, é um bestseller internacional. Outras obras da escritora traduzidas em português são, por exemplo, O Idealista eNove Partes de Desejo.

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