ANÁLISE E CRÍTICA DO LIVRO “EU SOU CAMILLE DESMOULINS”,              de Hermínio C. Miranda e Luciano dos Anjos.          ...
doutrina espírita, organizada por Allan Kardec na segunda metade do século XIX,na França. (p. 13, 14)Aqui deparamos um dif...
1. Regressão de memória (que recuperaria lembranças da existência atual);2. Regressão ao útero materno (supostas recordaçõ...
Diversas escolas advogam que passes manuais podem promover benefícios variados.Sem pensar muito podemos lembrar o johrei, ...
“Embora para muitos autores de renome, como Lewis Spence, magnetismo ehipnose sejam a mesma coisa com nomes diferentes, pr...
vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outroEspírito. Ele opera uma transmutação por ...
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preste a desferir um golpe. Os pacientes ficavam alucinados, a maioria caíadesacordada, outros entravam em convulsão.Algun...
5. Este fluxo e refluxo é mais um menos geral, mais ou menos particular, mais oumenos composto, de acordo com a natureza d...
desconhecidas. Tal afirmação pressupunha que, pelo trabalho contínuo de pesquisa,essas leis se tornariam futuramente conhe...
De fato, a regra geral é essa, sempre respeitada pelos iniciados que manipulavamtais conhecimentos e operavam os delicados...
Esta questão permanece polêmica, principalmente, no meio espírita. Mesmo semadentrarmos, por enquanto, na questão de serem...
E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado.Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, com...
“Se reencarnamos para ressarcir dívidas, não seria interessante guardar alembrança delas? Não haveria maior facilidade em ...
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inteligência, ou seja da memória”. A memória, sem dúvida, é suporte da inteligência,contudo uma não se confunde com a outr...
espírito, que se identificava com uma jovem puritana que vivera no século XVI,escreveu através da Sra. Curran obra literár...
hostes angelicas passeando pelo cosmo, sucessão de luzes, sorrisos, alegrias infindas...tudo no intuito de defender a tese...
...o confrade Ismael Nunes Tavares...me trouxera convite da D. Chiquita...espíritaencantadora, médium de muitos recursos.....
É importante destacar que o vivenciado pelo jornalista pode ser qualificado como“regressão” de boa qualidade. Mesmo se com...
poderia ser reputado profícuo realizado pelo “profeta” é o que tange às vidas passadas.Nesse segmento descobri coisas muit...
antes de seu início qual o nome completo de Camille Desmoulins, onde ele nascerae em que dia, eu só poderia responder com ...
âmbito religioso, pois a fé acrescenta força aos pontos débeis da inferência, mas seriamuito difícil levar adiante pesquis...
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À reunião daquela noite compareceu Luciano dos Anjos, desejoso que estava deobservar nossas experiências e debater nossos ...
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Análise e crítica do livro eu sou camille desmoulins

  1. 1. ANÁLISE E CRÍTICA DO LIVRO “EU SOU CAMILLE DESMOULINS”, de Hermínio C. Miranda e Luciano dos Anjos. por Moizés MontalvãoObservação1: os grifados, sublinhados, negritos, nas citações de textos de outrosautores, são de nossa autoria. Textos [entre colchetes] são inserções explicativas, denossa autoria.Observação2: algumas citações ilustrativas são relativamente longas. A intenção émostrar claramente o pensamento do autor, evitando distorções, o que é comumocorrer com referências curtas.Observação3: alusões à reencarnação e mediunidade são inevitáveis na presenteanálise. Conseqüentemente, referências ao espiritismo também serão inevitáveis. Nãohá qualquer intento em agredir crenças, as quais respeitamos com muita seriedade.Discutimos, sim, idéias, proposições, teorias.OBJETIVO: analisar a alegação de que as recordações experienciadas por Luciano dosAnjos, sob a condução de Hermínio Miranda, demonstram um autêntico caso dereencarnação. COMENTÁRIOS INICIAISOs protagonistas da obra sob apreciação são Hermínio Correa de Miranda e Luciano dosAnjos. O evento teria ocorrido durante alguns meses, no ano de 1967 e, segundo osautores, foi gravado em fita e das gravações produziu-se o livro.Hermínio e Luciano são pessoas dotadas de elevada cultura. Hermínio domina quatro oucinco idiomas, escreveu muitos livros, nos quais mostra familiaridade com variadosassuntos. Luciano atuou como jornalista por longo tempo e também escreveu diversasobras. Portanto, estamos lidando com pessoas do mais alto gabarito, cuja formaçãointelectual é inatacável e, ao que tudo indica, são figuras ilibadas, não dadas adissimulações ou fraudes conscientes.Desse modo, as apreciações que faremos não têm por objetivo denegrir a imagem dosautores, sim avaliar a experiência de regressão que, segundo defendem, atestariaindubitavelmente um evento reencarnacionista. O objetivo deste trabalho é verificar setal declaração é suficientemente firme para ser acatada sem receios.Antes de falarmos da experiência propriamente dita, necessário se faz conhecer ametodologia utilizada, bem como a base teórica que ampara a prática regressionista, nosmoldes praticados por Hermínio Miranda. Estas estão detalhadas na obra “A Memória eo Tempo”, de autoria de Hermínio, na qual, logo no início, se lê:Regressão da memória é o processo espontâneo ou provocado, por meio do qual, oespírito encarnado ou desencarnado fica em condições de retornar ao passado, navida atual ou em existências anteriores, próximas ou remotas. Estou bem certo deque a definição proposta pressupõe aceitação de alguns dos preceitos básicos da
  2. 2. doutrina espírita, organizada por Allan Kardec na segunda metade do século XIX,na França. (p. 13, 14)Aqui deparamos um dificultador: para se aceitar a definição proposta por Hermínionecessário se faz aceitar pressupostos da doutrina espírita. O que constitui umproblema e uma limitação. Hermínio Miranda assevera que a melhor maneira (e talvez aúnica aceitável) de explicar o fenômeno seja por meio da teoria espírita. Como se podever no trecho a seguir:“Os pressupostos implícitos na definição oferecida não são...invenção doespiritismo nem surgiram de revelações transcendentais revestidas de carátermístico ou dogmático, a exigir sustentação da fé cega. São princípioseminentemente lógicos que podemos aceitar sem nenhuma forma de violência àrazão e que têm sido exaustivamente pesquisados e confirmados por inúmerosinvestigadores qualificados. (...)Sugerimos, portanto, aos mais renitentes e obstinados negadores que os aceitem,provisoriamente, como hipóteses de trabalho e os submetam aos testes e aplicaçõesque julgarem necessários. Ainda que não os aceitem, porém, não há como negarque eles estão implicitamente contidos na visão integrada do fenômeno daregressão da memória. Estão, assim, embutidos na estrutura do fenômeno osseguintes conceitos fundamentais que aqui alinhamos como premissas básicas:– existência do espírito, ser consciente em evolução.– existência de um corpo energético, organizador biológico, a que chamamos deperispírito.– preexistência do espírito à sua vida na carne.– sobrevivência do espírito à morte do corpo físico.– sua permanência por algum tempo numa dimensão que escapa aos nossossentidos habituais.– seu retorno em novo corpo físico para nova existência na carne.– sua responsabilidade pessoal pelos atos praticados, no bem ou no mal. (p. 14)Essas “exigências” dificultariam ao investigador não-espírita a averiguação do caso,pelo menos dentro da abordagem realizada pelo autor. Praticantes do regressionismo,não adeptos da doutrina espírita, teriam dificuldades em acatar alguns dos quesitosespecificados, notadamente a existência do perispírito. De certo modo, o que HermínioMiranda determina é mais ou menos o seguinte: analisem a experiência de Luciano dosAnjos e constatem a evidência demonstrada da reencarnação, isso desde que o façamsegundo as suposições seguidas pela doutrina espírita.A afirmação de que os itens relacionados acima integram o fenômeno regressionistaseria, em parte, aceitável se fosse acatada aprioristicamente a idéia de que as lembrançassão autênticas reminiscências. A investigação que se pretenda ampla deve levar emconta outras hipóteses. Uma delas seria a de que as recordações sejam elaboraçõesmentais do paciente, extraídas de seus próprios conhecimentos, (conhecimentos obtidosna existência atual).Como forma de melhor compreender o assunto, consideramos conveniente distinguirtrês modalidades de regressão:
  3. 3. 1. Regressão de memória (que recuperaria lembranças da existência atual);2. Regressão ao útero materno (supostas recordações da vida intra-uterina);3. Regressão a vidas passadas (alegadas lembranças de outras vidas).Contudo, Hermínio Miranda utiliza a expressão “regressão da memória”indistintamente, isto é, sem diferenciar dentre as modalidades aqui referidas. Nopresente estudo, estaremos, pois, investigando um episódio de regressão a vidaspassadas. O MÉTODOA técnica hipnótica de Hermínio, aplicada para obter lembranças de vidas passadas,conjuga passes “magnéticos” com sugestões verbais.A sugestão, por meio de comandos imperativos, na hipnose é prática consagrada. Hátécnicas de indução sem a utilização de instruções verbais – uma das principais,conhecida por letargia −, contudo, o processo hipnótico global não prescinde doscomandos ou induções por meio da voz. E é fácil compreender porque tal se dá: oobjetivo de uma sessão de hipnose é obter determinada reação, seja agir de certo modo,ou avivar a memória, ou despertar emoções. Tais objetivos se realizam direcionando amente hipnotizada com palavras adequadas.O passe, dito magnético, tem uma função específica. No espiritismo é utilizado comoforma de transmitir energia terapêutica de uma pessoa para outra. Alguns teóricosespíritas asseveram que, em realidade, o passe não transfere energia vital do agente aopaciente; em vez disso, promove o reequilíbrio da circulação energética. O processo sedaria pela interseção dos campos magnéticos dos envolvidos, conforme se vê nadeclaração de Paulo Henrique de Figueiredo, na revista Universo Espírita:“Está equivocado quem imagina a técnica do Magnetismo Animal como sendo aemissão de um fluido das mãos do médico com o poder de curar o doente eenvolvê-lo. Não é essa a teoria de Mesmer. Por conseqüência, não é a teoriaespírita.” (Universo Espírita, nº 49, p. 37) [Obs. No original consta efetivamente apalavra “médico”, porém temos a impressão de que o autor pretendia grafar“médium”]Nada obstante, a maioria dos que fazem uso do magnetismo, conforme o molde espírita,o entendem como transferência de energia. Alguns dos escritos de Kardec transmitem aidéia de cessão de energia. E este parece ser, igualmente, o pensamento de HermínioMiranda, conforme se vê no seguinte trecho de sua autoria.Magnetismo, a nosso ver, é a técnica de desdobramento provocado por meio depasses e/ou toques, enquanto a hipnose ficaria adstrita aos métodos da sugestãoverbal, transmitindo-se as instruções ordenadamente, em cadência e tom de vozadequados. Ainda mais: os dois métodos podem ser combinados, simultâneos,cabendo ao operador transmitir as instruções para o relaxamento ao mesmo tempoem que satura de energias o sensitivo, com passes apropriados.” (A Memória e oTempo. P. 81)
  4. 4. Diversas escolas advogam que passes manuais podem promover benefícios variados.Sem pensar muito podemos lembrar o johrei, utilizado na Igreja Messiânica; a práticaReiki; a imposição de mãos em algumas igrejas protestantes; certos exercícios de magia,que atribuem poderes a gestos manuais, etc. Ainda que variem as explicações sobre oque seja o passe, dependendo do grupo religioso que o pratica, todos admitem que oprocedimento acarreta benefícios. A Bíblia fala da imposição de mãos, aplicadaconcomitantemente à oração, como se vê no livro bíblico de Tiago, capítulo 5:“Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele,ungido-o com óleo em nome do Senhor;”Também, no livro de Hebreus, capítulo 6, encontramos:“Pelo que deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até aperfeição, não lançando de novo o fundamento de arrependimento de obras mortase de fé em Deus, e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e sobreressurreição de mortos e juízo eterno.”A realidade, contudo, não mostra que os passes sejam dotados de poderesextraordinários, quase mágicos, como alguns supõem. Os adeptos afirmam que a técnicade passes magnéticos é praticada desde o primórdio da civilização, entre egípcios,caldeus, gregos. Contudo, a imposição de mãos na antiguidade não estava atrelada àteoria do “magnetismo animal”. O passe pode ser benéfico em diversas situações, masos efeitos salutares, inclusive terapêuticos, são resultado da sugestão positiva que oprocedimento induz.As concepções sobre o passe magnético, no caso espírita, constituem herança do médicoaustríaco Franz Anton Mesmer. Esta figura tem uma história singular. Mesmercontribuiu para erigir um dos pilares do pensamento kardecista, uma vez que a teoria do“magnetismo animal” foi inteiramente acatada por Kardec, na qual baseou expressivaparcela de seus ensinamentos.Hermínio Miranda, no livro “A Memória e o Tempo”, apresenta ilustrativa exposiçãosobre o magnetismo e sobre a hipnose, desde Mesmer até a atualidade. A explanação deHermínio é longa para ser reproduzida nesta apreciação. À medida que nossocomentário evoluir, faremos referências a ela, principalmente dos pontos queconsideramos discutíveis. Em linhas gerais, o que Hermínio apresentou está coerentecom os melhores estudos do assunto; discordamos do tratamento privilegiado − a nossover excessivo e com pouca base −, que dá à teoria do passe magnético. Recomenda-seaos interessados em acompanhar o presente estudo, a leitura dos livros citados (AMemória e o Tempo e Eu sou Camille Desmoulins).A hipótese do “magnetismo animal” não foi comprovada experimentalmente. Inexistemevidências de que haja, nos corpos vivos, algo como uma “circulação magnética”.Apesar disso, tal conjectura é cultivada por diversos segmentos religiosos. Para okardecismo, por exemplo, o magnetismo seria a canalização produtiva do “fluidouniversal”. Fluido este que permanece no campo das conjecturas, uma vez que não foidetectado por experimentos científicos. Hermínio Miranda, por outro lado, tem opiniãopeculiar a respeito:
  5. 5. “Embora para muitos autores de renome, como Lewis Spence, magnetismo ehipnose sejam a mesma coisa com nomes diferentes, preferimos aqui manter adistinção para fins didáticos, embora os resultados práticos de ambos sejamidênticos ou muito semelhantes. Magnetismo, a nosso ver, é a técnica dedesdobramento provocado por meio de passes e/ou toques, enquanto a hipnoseficaria adstrita aos métodos da sugestão verbal, transmitindo-se as instruçõesordenadamente, em cadência e tom de voz adequados. Ainda mais: os dois métodospodem ser combinados, simultâneos, cabendo ao operador transmitir as instruçõespara o relaxamento ao mesmo tempo em que satura de energias o sensitivo, compasses apropriados.” (A Memória e o Tempo. P. 81)Para Hermínio Miranda, os passes permitem ao espírito “desdobrar-se”, o que significaisso? Segundo certa teoria, em algumas circunstâncias a alma (juntamente com operispírito) consegue descolar do “invólucro carnal” e realizar peripécias quenormalmente não lhe estariam acessíveis.Allan Kardec apresentou amplas considerações a respeito do fluido magnético em váriasde suas obras, o tema tinha para ele importância capital, ilustramos com a seguintedeclaração, extraída de “A Gênese”.32. – São extremamente variados os efeitos da ação fluídica sobre os doentes, deacordo com as circunstâncias. Algumas vezes é lenta e reclama tratamentoprolongado, como no magnetismo ordinário; doutras vezes é rápida, como umacorrente elétrica. ... Todas as curas desse gênero são variedades do magnetismo esó diferem pela intensidade e pela rapidez da ação. O princípio é sempre o mesmo:o fluido, a desempenhar o papel de agente terapêutico e cujo efeito se achasubordinado à sua qualidade e a circunstâncias especiais.33. – A ação magnética pode produzir-se de muitas maneiras:1º pelo próprio fluido do magnetizador; é o magnetismo propriamente dito, oumagnetismo humano, cuja ação se acha adstrita à força e, sobretudo, à qualidadedo fluido;2º pelo fluido dos Espíritos, atuando diretamente e sem intermediário sobre umencarnado, seja para o curar ou acalmar um sofrimento, seja para provocar o sonosonambúlico espontâneo, seja para exercer sobre o indivíduo uma influência físicaou moral qualquer. É o magnetismo espiritual, cuja qualidade está na razão diretadas qualidades do Espírito;3º pelos fluidos que os Espíritos derramam sobre o magnetizador, que serve deveículo para esse derramamento...34. – É muito comum a faculdade de curar pela influência fluídica e podedesenvolver-se por meio do exercício; mas, a de curar instantaneamente, pelaimposição das mãos, essa é mais rara e o seu grau máximo se deve considerarexcepcional...Em “O Livro dos Médiuns” encontramos outra informação ilustrativa:131. Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo,mas inexplicado até hoje: o da mudança das propriedades da água, por obra da
  6. 6. vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outroEspírito. Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, comoatrás dissemos, é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ouelemento universal. Ora, desde que ele pode operar uma modificação naspropriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com osfluidos do organismo, donde o efeito curativo da ação magnética,convenientemente dirigida.Sabe-se que papel capital desempenha a vontade em todos os fenômenos domagnetismo. Porém, como se há de explicar a ação material de tão sutil agente? Avontade não é um ser, uma substância qualquer; não é, sequer, uma propriedadeda matéria mais etérea que exista. A vontade é atributo essencial do Espírito, istoé, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matériaelementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujaspropriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas.Tanto quanto do Espírito errante, a vontade é igualmente atributo do Espíritoencarnado; daí o poder do magnetizador, poder que se sabe estar na razão diretada força de vontade. Podendo o Espírito encarnado atuar sobre a matériaelementar, pode do mesmo modo mudar-lhe as propriedades, dentro de certoslimites. Assim se explica a faculdade de cura pelo contacto e pela imposição dasmãos, faculdade que algumas pessoas possuem em grau mais ou menos elevado...Para Kardec e, parece-nos, para a maioria dos praticantes do espiritismo, o passemagnético teria efetiva aplicação terapêutica. Hermínio Miranda acrescenta-lhe outraqualidade, conforme dito, o passe teria a peculiaridade de promover o “desdobramento”do perispírito. À página 70 de “A Memória e o Tempo” Hermínio explica suaconcepção de desdobramento:(...)separação temporária e controlada entre o perispírito e o corpo físico, no serencarnado(...)Também, à página 92, lemos:“Seja pelo passe magnético, pela fixação do olhar, pela sugestão verbal ou pelosoutros processos de indução, tanto quanto pela anestesia química, o fenômenopsicossomático é o mesmo, ou seja, o desdobramento do ser em seus componentesbásicos – desprende-se o espírito com o seu corpo energético, perispiritual ou queoutro nome lhe tenha sido aplicado, enquanto o corpo físico permanece emrepouso. Como a sensibilidade está no perispírito, e não no corpo físico, este setorna insensível à dor, se o sono magnético for suficientemente profundo paraproduzir a separação adequada.”Quem conheça um pouquinho das teorias sobre a hipnose notará que a suposiçãoapresentada por Hermínio Miranda é particularíssima e traz alegações de difícil defesa.A afirmação de que a sensibilidade do corpo está no perispírito é deveras complicada.Seria intrincado obterem-se bons argumentos para amparar tal idéia. Parece que, paraHermínio Miranda, a insensibilidade tátil é conseqüência obrigatória da induçãohipnótica e seria demonstração do desdobramento. Nada menos veraz: dependendo da
  7. 7. forma como for sugestionado, o paciente pode apresentar sensibilidade exacerbada, emvez de analgesia.Outra idéia confusa é a do “desacoplamento” do espírito, durante a hipnose. Talsuposição é fruto de antigas conjeturas. No passado era comum a crença de que, duranteo sono, a alma se desprendia do corpo. Os sonhos seriam a confirmação de que ofenômeno ocorria. Kardec incorporou essa primitiva idéia à doutrina que elaborou. Noentanto, os estudos sobre o sonho passam longe de tal opinião. É certo que existemagremiações propondo a capacidade de se viajar no “universo astral”. E parece queessas viagens são gratificantes, porque não poucas pessoas se dedicam a excursões daespécie. Entretanto, é fácil demonstrar que o processo se passa inteiramente na mente dopraticante. Alguns testes, relativamente simples, deixam claro o fato. No caso deregressão de Luciano dos Anjos, o desligamento do perispírito foi apresentado porHermínio como um fato inconteste. Em momento algum ele se propôs a verificar se oespírito do regredido se encontraria efetivamente fora de sua morada carnal. Adiante,quando examinarmos as regressões, falaremos mais do assunto.A nosso ver, não obstante o brilhante trabalho que o livro “A Memória e o Tempo”representa, encontramos alguns equívocos sérios no pensamento de Hermínio Miranda.À frente resumiremos os pontos principais, no título “ALGUNS PONTOSCONTROVERSOS NO PENSAMENTO DE HERMÍNIO MIRANDA.”Falemos um pouco a respeito de Franz Anton Mesmer, pois este nome está ligado aoconceito kardecista de magnetismo (conceito este que, conforme foi dito, é mantidoainda na atualidade). MESMER (1733-1815)O austríaco Franz Anton Mesmer desde tenra idade revelou pendores intelectuaisincomuns. A família esforçou-se para que ele tivesse a melhor educação possível. Oresultado do investimento certamente não frustrou os familiares, Mesmer formou-se emfilosofia, medicina e direito. Também estudou música e era versado em astrologia.Afora essas especializações, que lhe garantiriam a classificação de sábio segundo ospadrões de sua época, Mesmer estava inclinado a descobrir novas formas de praticar amedicina. Ele se interessara pela teoria de Paracelso (1493-1541), e sucessores, quepostulara a existência de um fluido universal, por meio do qual seria possível umhomem exercer influência sobre outros homens e sobre objetos inanimados. Paracelsoconquistara grande respeito em sua época e, após sua morte, diversos pesquisadoresderam continuidade às suas idéias.Também a teoria hipocrática de que a doença era resultante do desequilíbrio dos fluidosorgânicos era simpática ao médico austríaco. Por outro turno, Mesmer acompanhou otrabalho de certo sacerdote exorcista, chamado Gassner. Desse contato resultou aaceleração das cogitações do austríaco e fixou o rumo dos estudos que conduziria apartir de então. Johann Josef Gassner era um clérigo, contemporâneo de Mesmer,famoso pelas curas que obtinha por meio da expulsão de demônios dos corpos doentes.O sacerdote, durante os rituais, trajava-se escalafobeticamente e carregava um enormecrucifixo de metal. Diante de um suposto possesso, Gassner arremetia-se em direção aoinfeliz, vociferando palavras em latim e brandindo o crucifixo, como se fora uma espada
  8. 8. preste a desferir um golpe. Os pacientes ficavam alucinados, a maioria caíadesacordada, outros entravam em convulsão.Alguns estudiosos da história do hipnotismo creditam a Gassner, e não a Mesmer, opioneirismo da prática hipnótica, uma vez que conseguia com muita freqüência deixarseus pacientes num estado típico dos hipnotizados.Mesmer analisou o trabalho de Gassner e concluiu que os resultados que obtinhamdevia-se à influência do crucifixo metálico. Este conduziria o fluido universal eprovocaria as curas, que, no entender de Mesmer, seriam erroneamente atribuídas aoritual de exorcismo. Contudo, nem todos os pesquisadores concordam que tenha havido um encontro entreMesmer e Gassner. Há quem diga que Mesmer conhecia o trabalho do sacerdote e delefizera apreciação positiva, ressalvando a ingenuidade do religioso em atribuir aosobrenatural o que seria meramente fenômeno magnético. Segundo se conta, aodesmerecer a possibilidade de atuação de forças demoníacas, Mesmer favoreceu adecretação, pelo papa, da censura sobre suas obras.Seja como for, o que interessa destacar é que a proposta terapêutica formulada pelomédico austríaco foi um sucesso. Diversas curas incontestes se relataram e a fama domédico cresceu admiravelmente. Esse fato despertou a curiosidade e uns e a inveja deoutros. Mesmer enfrentou reações contrárias na Austria, onde iniciara os trabalhos decura e mudou-se para Paris. Nesta cidade a popularidade da cura magnética foiacentuada, levando o médico a criar forma de atender aos pacientes em grupos.Em síntese, a teoria de Mesmer, conforme foi dito, baseava-se na existência do fluidouniversal, que seria parte constituinte de todas as coisas existentes no universo. Nosseres vivos, notadamente no homem, a perfeita saúde devia-se ao equilíbrio harmoniosodesse fluido. Quando isso não acontecia, instalava-se alguma doença. Era óbvio,portanto, que para voltar ao estado saudável, necessário se fazia rearmonizar a correntefluídica. Inicialmente, Mesmer trabalhou com imãs, acreditando que esse materialconduziria melhor o fluido universal. Depois, concluiu que algumas pessoasprivilegiadas, que chamou magnetizadores, teria o dom de obter os resultados almejadose dispensou o uso de instrumentos auxiliares. A doutrina proposta por Mesmer foiexplanada em 27 aforismos, publicados em 1779. Vejamos alguns deles:1. Existe uma influência mútua entre os corpos celestes, a Terra e os corposanimados.2. O meio desta influência é um fluido universalmente distribuído e contínuo, semnenhum vazio e de natureza incomparavelmente sutil, e por cuja natureza é capazde receber, propagar e transmitir todas as impressões de movimento.3. Esta ação recíproca é subordinada a leis mecânicas que são desconhecidas atéagora.4. Esta ação resulta em efeitos alternados que podem ser considerados como fluxoe refluxo.
  9. 9. 5. Este fluxo e refluxo é mais um menos geral, mais ou menos particular, mais oumenos composto, de acordo com a natureza das causas que o determinam.6. É por esta operação (a mais universal daquelas apresentadas pela Natureza) queas proporções de atividade são estabelecidas entre os corpos celestes, a terra e aspartes eu os compõem.7. As propriedades da Matéria e dos Corpos Orgânicos dependem desta operação.8. O corpo animal experimenta os efeitos alternativos desse agente, e éimediatamente afetado pela penetração da substância nos nervos.9. É particularmente manifesto no corpo humano que o agente tem propriedadessimilares às do imã; pólos diferentes e opostos podem igualmente ser distinguidos epodem ser mudados, comunicados, anulados e reforçados; até mesmo o fenômenode oscilação é observado.10. Esta propriedade do corpo animal, que o deixa sob a influência dos corposcelestes e das ações recíprocas daqueles que o rodeiam, como demonstrado pelasua analogia com o imã, levou-me a denominá-la MAGNETISMO ANIMAL.(...)23. Se verá a partir dos efeitos, de acordo com as regras práticas que se há dedocumentar, que este princípio pode curar desordens nervosas diretamente eoutras desordens indiretamente.24. Com essa ajuda, orienta-se o médico no uso de medicamentos; ele aperfeiçoasua ação, provoca e controla as crises benéficas e tal maneira que as sujeita.25. Dando a conhecer meu método, demonstrarei, por meio de uma nova teoria dasenfermidades, a utilidade universal do princípio que aplico a elas.26. Com este conhecimento, o médico determinará confiantemente a origem, anatureza e o progresso das doenças, mesmo as mais complexas. Evitará queganhem força e terá sucesso em curá-las, sem jamais expor o paciente a efeitosperigosos ou conseqüências desastrosas, independentemente da idade, dotemperamente e sexo. Até mulheres em trabalho de parto gozarão dessesbenefícios.27. Conclusão, esta doutrina permitirá ao médico determinar o estado de saúde decada indivíduo e salvaguardá-lo de males a que estaria sujeito. A arte curativaalcançará, assim, seu estádio final de perfeição.Fontes:http://www.levir.com.br/inst-022.phphttp://web.archive.org/web/20040710162753/http://www.unbf.ca/psychology/likely/readings/mesmer.htmMesmer tinha grande estima pela teoria que elaborou. Para ele, o caminho queconduziria a medicina à excelência estava descortinado com o advento do magnetismoanimal. Lamentavelmente, passados mais de duzentos anos de promulgada a hipótese dofluido universal, este permanece tão sutil e evasivo às investigações quanto na época deMesmer. O médico afirmava que as leis que regiam o fluido universal eram, até então,
  10. 10. desconhecidas. Tal afirmação pressupunha que, pelo trabalho contínuo de pesquisa,essas leis se tornariam futuramente conhecidas. Contudo, a existência de tais leispermanece nebulosamente hipotética desde que foi elaborada.Boa parte dos pacientes de Mesmer, durante a aplicação do magnetismo, entrava emconvulsão. Esse efeito era desejado e incentivado, pois, segundo o pensamento domédico, a crise acelerava a cura. Contudo, outros não convulsionavam, em vez disso,apresentavam-se como que sonolentos. Mesmer registrou essa reação, para ele diversada esperada, mas entendeu que a lassidão constituía falha do tratamento, visto que eranecessário haver crise para que a doença fosse extirpada. Tempos mais tarde, umdiscípulo de Mesmer, atuando por conta própria, passou a dar valor ao efeitosonambúlico das magnetizações. Podemos dizer que Mesmer roçou a ponta do que seriafuturamente a prática hipnótica, mas não lhe deu a devida atenção.Franz Mesmer é figura polêmica até os dias de hoje, alguns o qualificam como santo,outros, charlatão. Buscando um meio-termo, entendemos que foi um homem de seutempo. Tinha uma teoria e buscou pô-la em prática, intentando demonstrar a veracidadedo que postulava. Foi um pioneiro e, como tal, cometeu erros e acertos.Na atualidade, a teoria magnética é defendida em setores mais ligados à religiosidade,que à ciência. A hipótese do fluido universal foi perdendo força, uma vez que nenhumexperimento de cunho científico logrou confirmá-la. As teorias modernas que procuramexplicar o processo hipnótico – que é o sucedâneo do magnetismo – dispensam, pordesnecessária, a conjectura de uma força universal, pretensamente responsável pelaocorrência do fenômeno. As ExperiênciasAté o capítulo 5 de “A Memória e o Tempo” Hermínio Miranda discorre sobre ométodo, a teoria e considerações complementares, que embasam a práticaregressionista, conforme as concepções por ele defendidas. No capítulo 6 sãoapresentadas experiências objetivas de regressão.Ao falar das experiências que administrou, Hermínio tem o cuidado de esclarecer que o“esquecimento” de outras vidas é a regra. Lembranças somente as que estivessem“autorizadas”. Autorizadas por quem? Caberia a pergunta. A resposta não é dadadiretamente, podemos supor que seriam entidades espirituais, das quais se diz queacompanham atentamente o trabalho de regressão, as responsáveis por controlar o quepode ser lembrado ou não. Em outros trechos acena-se com a hipótese de que algummecanismo interno, de origem desconhecida, libere o permitido e bloqueie o proibido.Leiamos alguns trechos do livro:“Este livro começou com uma experiência de regressão na qual tivemos o relato deum processo de iniciação no antigo Egito – [a regredida afirmou ter sido sacerdotisano tempo de Ramsés II e narra o processo de iniciação de um sacerdote, cuja fase finalconsistia em passar a noite numa tumba, onde conheceria suas vidas passadas]. Comoo procedimento normal do mecanismo da memória é esquecer para reduzir a faixade atrito do ser com a sua realidade íntima... por que então, provocar lembrançasque aparentemente estariam mais seguras nos porões da memória, no quechamamos de arquivo morto?
  11. 11. De fato, a regra geral é essa, sempre respeitada pelos iniciados que manipulavamtais conhecimentos e operavam os delicados controles psíquicos do ser encarnado.Note-se, porém, que a finalidade da pesquisa na memória integral não se propunhaà mera satisfação de curiosidade inconseqüente ou malsã. (...)Isso explica por que a regressão da memória era a última etapa no vestibular dainiciação. Somente aquele que houvesse demonstrado, sem a menor hesitação oudúvida, que reunia em si as condições mínimas para o aprendizado, era entãosubmetido às técnicas adequadas, a fim de ‘saber tudo o que já fora’. (...)O conhecimento das vidas anteriores é, pois, um privilégio, por certo, mas umaresponsabilidade muito grave e não deve ser buscado senão por motivos relevantes,por operadores competentes e equilibrados, por pessoas que tenham demonstradoinequivocamente as condições mínimas exigidas para suportar os impactos queusualmente causam certas revelações. Do contrário, poderão sobrevir crisesemocionais de vulto, capazes de desencadear processos de desequilíbrio mental edesajustes graves de personalidade. Aliás, não poucas perturbações emocionais sãoprovocadas por interferências de memórias anteriores no fluxo das vivênciasatuais. Disfunções psíquicas de certa gravidade podem resultar de regressõesespontâneas a memórias de outras vidas, nas quais o doente se imagina, porexemplo, um general de Napoleão ou uma condessa medieval. Seus gestos e suapostura externa podem, ao olhar desatento e cruel, parecer cômicos, mas e se elefor mesmo um general napoleônico reencarnado ou ela uma condessa poderosaque voltou para resgatar?” (A Memória e o Tempo. P. 59,60)“Aliás, essa foi sempre uma das tônicas do nosso trabalho: nada forçar, para nãoprovocar roturas, cujas conseqüências poderiam ser imprevisíveis. Se a regra geralem questões atinentes à memória é esquecer; é porque há razões bastante sólidaspara isso, como já discutimos alhures, neste livro. Já em outros casos, revelaçõesdessa natureza são recebidas com serenidade e até contribuem para explicar certasincongruências íntimas, mediante nova arrumação de conceitos.” (A Memória e oTempo. P. 255)Hermínio exibe prudência e seriedade na prática regressionista. No entanto, umaquestão preocupante daqui se depreende: supondo-se que tenha sido descoberto métodoque permita vasculhar a mente, em busca de memórias de outras vidas, quemcontrolará o uso da técnica, visto que está disponível para quem queira usá-la? A idéiade que existam entes espirituais monitorando o processo, pode ser satisfatória paraalguns, porém, muitos regressionistas induzem recordações em seus pacientes, semqualquer cogitações relativas a tais entidades, ou referências a restrições espirituais.Se Hermínio Miranda e outros são criteriosos ao induzir regressões, pode-se supor queexistam os que tão-somente a pratiquem por curiosidade ou por motivos menos nobres.Ninguém poderá impedir que essa utilização, digamos, espúria, seja buscada. Alegarque a prática desautorizada acarreta prejuízos é muito vago, uma vez que osregressionistas que não seguem os ditames referidos por Hermínio também afirmamobter resultado positivos. Lembrar ou não lembrar?
  12. 12. Esta questão permanece polêmica, principalmente, no meio espírita. Mesmo semadentrarmos, por enquanto, na questão de serem ou não as lembranças autênticasrecordações, existe bastante discussão sobre a liberdade de lembrar.Quem levar ao pé da letra as recomendações de Kardec, fatalmente terá de afastar-se daprática regressionista. O codificador foi taxativo ao declarar que as lembranças estãovedadas, sendo possível conhecê-las somente em circunstâncias muito especiais e, quasesempre, de forma espontânea.Na época de Kardec, uma das objeções mais incisivas à doutrina da reencarnação era anão-reminiscência das vidas pretéritas. Os oposicionistas argumentavam: se vivemosoutras vidas, então deveríamos recordá-las. Esta objeção não foi plenamente resolvida,mas Kardec elaborou esclarecimento logicamente aceitável, afirmava ele: se aslembranças fossem franqueadas, problemas muito graves e de toda a espéciesurgiriam, oriundos dessas recordações.Em termos objetivos, a proposição de Kardec é coerente. Imaginemos a esposadescobrindo que o marido é reencarnação de quem a assassinara em outra existência? Ea mãe informada que o filho a estuprara noutra vida? E o pai sabendo que filha foraesposa anteriormente? Enfim, toda a sorte de encrencas afloraria na hipótese de haverliberação geral das lembranças. Assim, o codificador fechou as portas às recordações, sóadmitidas em situações especialíssimas.“Esquecimento do passado11. Em vão se objeta que o esquecimento constitui obstáculo a que se possaaproveitar da experiência de vidas anteriores. Havendo Deus entendido de lançarum véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança trariagravíssimos inconvenientes. (...) Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitávelperturbação nas relações sociais. Freqüentemente, o Espírito renasce no mesmomeio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, afim de reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse nelas as a quem odiara,quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no íntimo... Para nos melhorarmos,outorgou-nos Deus, precisamente, o de que necessitamos e nos basta: a voz daconsciência e as tendências instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial. Aonascer, traz o homem consigo o que adquiriu, nasce qual se fez; em cada existência,tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes: se se vêpunido, é que praticou o mal. Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta acorrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção,porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço maisconservará.Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Volvendo à vidaespiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado; nada mais há, portanto,do que uma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestredurante o sono, a qual não obsta a que, no dia seguinte, nos recordemos do quetenhamos feito na véspera e nos dias precedentes.
  13. 13. E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado.Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra,mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, oEspírito tem consciência de seus atos anteriores; sabe por que sofre e que sofrecom justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vidade relação. Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa eprejudicá-lo nas suas relações sociais, forças novas haure ele nesses instantes deemancipação da alma, se os sabe aproveitar.” (O EVANGELHO SEGUNDO OESPIRITISMO)___________________________“(...) Gravíssimos inconvenientes teria o nos lembrarmos das nossasindividualidades anteriores. (...)395. Podemos ter algumas revelações a respeito de nossas vidas anteriores?Nem sempre. Contudo, muitos sabem o que foram e o que faziam. Se se lhespermitisse dizê-lo abertamente, extraordinárias revelações fariam sobre o passado.396. Algumas pessoas julgam ter vaga recordação de um passado desconhecido,que se lhes apresenta como a imagem fugitiva de um sonho, que em vão se tentareter. Não há nisso simples ilusão?Algumas vezes, é uma impressão real; mas também, freqüentemente, não passa demera ilusão, contra a qual precisa o homem por-se em guarda, porquanto pode serefeito de superexcitada imaginação.” (O LIVRO DOS ESPÍRITOS) ___________________________“290. Perguntas sobre as existências passadas e futuras15ª Podem os Espíritos dar-nos a conhecer as nossas existências passadas?Deus algumas vezes permite que elas vos sejam reveladas, conforme o objetivo. Sefor para vossa edificação e instrução, as revelações serão verdadeiras e, nesse caso,feitas quase sempre espontaneamente e de modo inteiramente imprevisto. Ele,porém, não o permite nunca para satisfação de vã curiosidade.a) Por que é que alguns Espíritos nunca se recusam a fazer esta espécie derevelações?São Espíritos brincalhões, que se divertem à vossa custa. Em geral, deveisconsiderar falsas, ou, pelo menos, suspeitas, todas as revelações desta natureza quenão tenham um fim eminentemente sério e útil.b) Assim como não podemos conhecer a nossa individualidade anterior, segue-seque também nada podemos saber do gênero de existência que tivemos, da posiçãosocial que ocupamos, das virtudes e dos defeitos que em nós predominaram?“Não, isso pode ser revelado, porque dessas revelações podeis tirar proveito paravos melhorardes. Aliás, estudando o vosso presente, podeis vós mesmos deduzir ovosso passado.” (O LIVRO DOS MÉDIUNS)Outros autores também se pronunciam contrários às lembranças, um exemplo:
  14. 14. “Se reencarnamos para ressarcir dívidas, não seria interessante guardar alembrança delas? Não haveria maior facilidade em aceitar sofrimentos edissabores que ensejam o resgate?O objetivo primordial da existência humana é a evolução. O resgate de dívidas éapenas parte do processo. Quanto ao esquecimento, funciona em nosso benefício.Seria impossível incorporar, sem perturbador embaralhamento, o rico, o pobre, onegro, o índio, o branco, o amarelo, o analfabeto, o letrado e tudo mais que jáfomos, em múltiplas encarnações. É ilustrativo que muita gente vai parar emhospitais psiquiátricos simplesmente por sofrer a pressão de pálidas lembranças,envolvendo acontecimentos pretéritos. (Reencarnação: Tudo o que você precisa Saber –Richard Simonetti)Curiosamente, Kardec afirma que as lembranças “em todas as circunstâncias,acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais”; no entanto, para Hermínio,o esquecimento tem a finalidade de “reduzir a faixa de atrito do ser com a suarealidade íntima...”. Parece-nos que são visões distintas e, talvez, difíceis de conciliar. ALGUNS PONTOS CONTROVERSOS NO PENSAMENTO DE HERMÍNIO MIRANDAA fim de não nos alongarmos nesta exposição inicial, uma vez que o objetivo principalé a avaliação da experiência regressionista de Luciano dos Anjos, apresentaremos a listade alguns dos pontos controvertidos no discurso de Hermínio. Em seguida iniciaremos otrabalho principal, que é a avaliação da suposta reencarnação de Luciano.1. O conceito de memória defendido por Hermínio Miranda não está de acordo com asboas pesquisas sobre o assunto. Para ele, a memória é “extracerebral”, uma vez queestaria localizada não na estrutura do cérebro, sim no perispírito. Acontece que asinvestigações atuais sobre essa questão, encaminham-se mais e mais no sentido decomprovar taxativamente que a memória é resultado de complexas interações dasconexões neuronais, ou seja, fenômeno indubitavelmente cerebral. Na página 40 de “AMemória e o Tempo” é apresentada a forma esquemática do que Hermínio entende sejao funcionamento da memória. Ele trabalha com a concepção freudiana de inconsciente,a qual amplia ao seu arbítrio, para que agasalhe a suposição de que memórias de vidaspassadas estejam armazenadas nesse hipotético segmento da mente. A discussão sobre opensamento de Hermínio a esse respeito ensejaria trabalho específico. De momento,deixamos registrado que o que ele entende por memória não encontra respaldo seja napsicologia, seja na neurologia.2. A idéia de instinto apresentada por Hermínio carece de reparos. O escritor segue adefinição apresentada em “A Gênese”: “o instinto é a força oculta que solicita os seresorgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles” eacrescenta, “todo ato maquinal é instintivo; o ato que denota reflexão, combinação,deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é”. (A Memória e o Tempo, p. 42).Essas declarações contêm vários equívocos. Primeiro, o instinto não tem nada de “forçaoculta”, instinto é um impulso automatizado, que varia de espécie para espécie, cujaprincipal função é preservar o espécime contra ameaças inesperadas. Também sãoinstintivos os incitamentos biológicos que induzem à perpetuação da espécie. Outraquestão é que as declarações, tanto de Kardec, quanto de Hermínio, classificaria como
  15. 15. instinto coisas que não o são, por exemplo, o hábito é um ato maquinal, mas não éinstinto.3. A possibilidade de conhecer o futuro. Logo ao início do livro “A Memória e oTempo”, Hermínio defende que seria possível “recordar” o futuro, do mesmo modo queé possível rememorar o passado. Na página 26, encontramos: “Só nos resta umainevitável conclusão, por mais que ela se choque com os nossos conceitos epreconceitos: se podemos ver hoje algo que acontece mesmo daqui a dois dias, seismeses ou trezentos anos, então é porque esses eventos já existem hoje, lá nofuturo...”. Acontece que essa convicção de Hermínio Miranda, além das discussões quepode ensejar, tanto no campo filosófico, quanto científico, entra em conflito com o quedeclarou Kardec a respeito:“Alguma coisa nos pode ser revelada sobre as nossas existências futuras?”.“Não; tudo o que a tal respeito vos disserem alguns Espíritos não passará degracejo e isso se compreende: a vossa existência futura não pode ser de antemãodeterminada, pois que será conforme a preparardes pelo vosso proceder na Terrae pelas resoluções que tomardes quando fordes Espíritos. Quanto menos tiverdesque expiar tanto mais ditosa será ela. Saber, porém, onde e como transcorrerá essaexistência, repetimo-lo, é impossível(...)”7ª Podem os Espíritos dar-nos a conhecer o futuro?Se o homem conhecesse o futuro, descuidar-se-ia do presente. É esse ainda umponto sobre o qual insistis sempre, no desejo de obter uma resposta precisa.Grande erro há nisso, porquanto a manifestação dos Espíritos não é um meio deadivinhação. Se fizerdes questão absoluta de uma resposta, recebê-la-eis de umEspírito doidivanas, temo-lo dito a todo momento.8ª Não é certo, entretanto, que, às vezes, alguns acontecimentos futuros sãoanunciados espontaneamente e com verdade pelos Espíritos?Pode dar-se que o Espírito preveja coisas que julgue conveniente revelar, ou queele tem por missão tornar conhecidas; porém, nesse terreno, ainda são mais detemer os Espíritos enganadores, que se divertem em fazer previsões. Só o conjuntodas circunstâncias permite se verifique o grau de confiança que elas merecem.9ª De que gênero são as previsões de que mais se deve desconfiar?Todas as que não tiverem um fim de utilidade geral. As predições pessoais podemquase sempre ser consideradas apócrifas. (O LIVRO DOS MÉDIUNS)4. Hermínio Miranda confunde memória com inteligência. Na página 47, lemos: “E,logicamente, quanto maior o volume de dados no banco de memória, mais vasta ebrilhante a inteligência”, e, na página 45: “Creio, pois, que se pode admitir,tranqüilamente, que inteligência é informação armazenada, ou, examinando-a soboutro aspecto, a medida do seu vigor é a amplitude da memória integral... Assimcomo Platão ampliou o conceito de aprendizado, considerando-o função darecordação, a doutrina dos espíritos amplia o conceito bergsoniano da função da
  16. 16. inteligência, ou seja da memória”. A memória, sem dúvida, é suporte da inteligência,contudo uma não se confunde com a outra. Há casos de pessoas dotadas de excelentememória e de parca inteligência. Um conceito tradicional sobre a inteligência estabeleceque seja a interação de três aspectos: memória, imaginação e juízo, portanto, a memória,isoladamente não pode ser tomada pela inteligência.No que tange à Platão, quando o filósofo afirmou que “aprender é recordar”, não estavaampliando o conceito de aprendizado, conforme declara Hermínio, sim atrelando-o aconcepção reducionista. Na fase madura de seu pensamento Platão substituiu o“aprender é recordar” pela “ciência dialética”. Agora o filósofo advogava que aprendernão mais significaria recordação do que fora visto, sim, o trabalho de esmiuçar ashipóteses, desbastando-as daquilo que teriam de falso, ou desnecessário, num processocontínuo, até que se atingisse o ponto de certeza, ou pelo menos, de convicção maisfirme que a existente ao início do debate. Fiquemos por ora com as presentes objeções. Nos comentários seguintes faremosreferências a idéias de Hermínio que nos pareçam passíveis de crítica. LUCIANO DOS ANJOS ou CAMILLE DESMOULINS? Considerações iniciaisNa primeira parte da obra “Eu Sou Camille Desmoulins” encontra-se a narrativa daexperiência, acompanhadas de considerações de Hermínio Miranda. A partir da página301 estão as explanações de Luciano dos Anjos sobre o que vivenciou. (Trabalhamoscom a 1ª edição do livro, em outras impressões a numeração de páginas poderá serdiferente) Do que nos foi dado conhecer da produção escrita de Hermínio Miranda, concluímosque o autor aprecia defender opiniões controversas. Logo ao início do livro ele afirma:(lembramos que os destaques são de nossa autoria)“...o que temos nos compêndios de história...é uma espécie de imitação da vida,uma interpretação pessoal dos fatos e não os fatos em si mesmos. Vemos múmiashumanas, figuras empalhadas e cobertas pela venerável poeira histórica, e ficamosa nos perguntar como seriam realmente aquelas pessoas...Em suma, vemos cópiasde cópias de retratos e não temos meios pra checar os originais, conferir equestionar, avaliar para concluir. Ou temos?A resposta é sim, temos.A literatura espírita vem apresentando, pelo menos no decorrer do último século,respeitável acervo de depoimentos de personalidades históricas, basicamente porvia mediúnica.(...)Tanto faz a gente crer como não, o fato é que muitos espíritos têm tido aoportunidade de trazer depoimentos póstumos da maior importância. Sãoinúmeros os exemplos e podemos tomar qualquer um deles entre os de indubitávelcredibilidade, como o famoso caso de Patience Worth... A Sra. Henry H. Rogers,médium americana...manteve, durante vinte e cinco anos, equilibrado e proveitosointercâmbio com uma entidade desencarnada que se assinava Patience Worth. Este
  17. 17. espírito, que se identificava com uma jovem puritana que vivera no século XVI,escreveu através da Sra. Curran obra literária de inquestionável valor...O relacionamento Sra. Curran/Patience Worth manteve-se como verdadeiromistério para certos cientistas e pesquisadores que estudaram o fenômeno.Contudo, para os que se acham informados da realidade espiritual, e a aceitam, averdade é simples e clara, como sempre: um espírito desencarnado que veio trazera contribuição do seu depoimento pessoal. (...)É possível, portanto, obter dos próprios espíritos depoimentos de suas experiênciaspessoais e retificar a História...” (Eu Sou Camille Desmoulins – p. 11,12,13)Admiramos a firmeza com que Hermínio defende tal idéia, entretanto a suposição deque a mediunidade seja capaz de “corrigir” a pesquisa histórica não se confirma. Aindaque alguns médiuns, aquinhoados com talentos incomuns, tragam informações de boaqualidade, as quais atribuem à comunicação interespiritual, estas não substituem,tampouco complementam, a investigação convencional. Se o que Hermínio afirma fossefato, as questões históricas de difícil elucidação estariam plenamente esclarecidas. Cabeindagar, qual a contribuição da mediunidade no conhecimento da origem e da cultura depovos antigos, de cuja existência se encontraram parcos indícios? Investigadores seesforçam por conhecer civilizações que podem ter sido brilhantes em realizações, dasquais pouca coisa restou que possibilite averiguação adequada. Trabalho árduo, queexige dedicação, grande dose de energia e, muitas vezes, miúdos resultados.Lamentavelmente não aparece qualquer mensagem mediúnica que auxilie os sábios naspenosas tarefas a que se dedicam. E o que dizer das línguas faladas por povos passados,das quais existem boa quantidade de escritos, mas que não puderam ser traduzidas, pormais que lingüistas se empenhem? Por que os espíritos não dão uma mãozinha? Amediunidade poderia prestar grande apoio não só à História, também a outras ciências,se possuísse a imaginada capacidade revelativa que lhe atribui Hermínio Miranda.Durante muitos anos, eruditos de diversas nacionalidades se desgastaram na decifraçãoda escrita egípcia antiga, sempre com resultados frustrantes. Não fosse o sacrifício e ogrande talento de Champollion em dominar línguas antigas, o qual empenhou-se porinteiro na desafiadora missão, provavelmente, até hoje estaríamos tentando imaginar oque os egípcios haviam registrado nos hieroglifos. A mediunidade se mantevecompletamente ausente dessa empreitada.Consideremos o médium tido como o melhor do Brasil, talvez do mundo. Chico Xavierpsicografou centenas de livros, a maioria narrativas romanceadas e poéticas, mas,alguns trazem abordagens históricas, outros discorrem sobre temas científicos. Poisnessas produções não se encontram conteúdos que enriqueçam o conhecimento noscampos desses saberes. É indiscutível que Chico possuía singular talento para a escrita,sendo que o aspecto mais forte de sua criatividade seria a poesia. Nas obras de cunhocientífico a qualidade da produção cai a olhos vistos. Vejamos, como exemplo, o livro“Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, onde o suposto espírito de HumbertoCampos apresenta piegas narrativa da história do Brasil. Provavelmente, em vidaHumberto Campos jamais assinaria produção tão ingênua, porém, no outro lado se viuconstrangido a emprestar seu nome a tal trabalho. Em linhas gerais, “Coração doMundo” constitui a visão Xicochaveriana do que teria sido a caminhada histórica denosso país, a qual teria sido realizada por meio de eventos coloridos, realizaçõesdulcíssimas, plena harmonia de propósitos, planos celestiais infalíveis, com direito a
  18. 18. hostes angelicas passeando pelo cosmo, sucessão de luzes, sorrisos, alegrias infindas...tudo no intuito de defender a tese de que a nação fora vocacionada pelo Alto parapropagar a doutrina espiritista. Não se vê nas linhas do livro análise madura dosacontecimentos passados. O melhor médium do mundo, apenas produziu um relato docedo processo histórico nacional; em termos de cooperação efetiva à compreensão doseventos, nada...A obra atribuída a Patience Worth − o espírito que supostamente visitava Pearl Curran−, surpreende pela riqueza e qualidade do material originado. Pode-se dizer que é umdos pouquíssimos casos em que o resultado seja rico o suficiente para ensejar pesquisasde maior vulto. Se fosse inconteste ocorrência mediúnica, dada as singularidades equalidade dos escritos, seria circunstância única, não comparável às multiplasmensagens que pululuam pelo mundo, todas, quase sem exceção, aquém daquilo queseria esperado de contatos espirituais. Como não conhecemos estudo aprofundado arespeito de Pearl Curran, nada de mais significativo podemos dizer. Seja como for, apessoa de Patience Worth jamais foi identificada, o que leva à suspeita de que tenhasido criação da própria mente de Curran.Pelo sim, pelo não, o campo está aberto: os espíritos podem ainda se redimir dasinumeráveis comunicações pobres de conteúdo e enviar elaborações que façam jus àprocedência. Isso, além de prover de fortes argumentos a tese da comunicação entrevivos e mortos, também ajudaria no trabalho de cientistas e pesquisadores. Esperamosque aconteça... LUCIANO DOS ANJOSAo início deste estudo declaramos que votamos tanto a Hermínio Miranda, quanto aLuciano dos Anjos, o maior respeito. Ainda que discordemos das conclusões queapresentam, relativamente às regressões, isso em nada modifica o fato de os termos emalta estima, visto que são pessoas que conduzem com muita seriedade os trabalhos aosquais se dedicam.No livro, Luciano dos Anjos se encarrega de descrever as qualidades que o habilitaramcomo figura ideal para uma regressão coalhada de detalhes curiosos. No início da parteque lhe coube escrever Luciano traça sua trajetória profissional, narra peripéciasvariadas, algumas jocosas, outras arriscadas, redigidas em estilo agradável, temperadascom fino humor e entremeadas com doses de vaidade. Em meio ao relato, identificareencarnações, não só dele próprio, como de várias pessoas conhecidas. Nessasapreciações, Luciano deixa claro que, mesmo antes do encontro com Hermínio, traziaconsigo a convicção de já ter vivido na França, conforme ilustram os trechos a seguir:“Sempre acreditei, sendo espírita, que houvesse vivido na França, tanto pelo amorque lhe sentia, como, mais tarde, por uma oblíqua insinuação do querido médiumFrancisco Cândido Xavier. (...)Quando, cerca de dois anos depois, eu mesmo estive com o Chico aqui no Rio e emSão Paulo, durante a célebre campanha jornalística em defesa das memoráveismaterializações de Uberaba, através da médium Otília Diogo, discretamente tenteiobter dele o nome da personagem. Ele apenas confirmou, sorrindo, que estive lá −[na França], naquela época...
  19. 19. ...o confrade Ismael Nunes Tavares...me trouxera convite da D. Chiquita...espíritaencantadora, médium de muitos recursos... vi-me pela primeira vez frente com D.Chiquita... ela me olhava espantada, denotando violentíssimo impacto. (...)− Eu conheço o senhor. Estivemos juntos, na época da Revolução Francesa. Assimque o senhor entrou eu o vi, senti isso... (Eu Sou Camille Desmoulins. P. 341, 342) Diante desse quadro, uma coisa é patente: Luciano possuía a bagagem necessária pararevivenciar existência na França, no período da Revolução. A dúvida, neste ponto, é sea idéia de que fora Camille Desmoulins, mesmo antes de iniciar as regressões comHermínio Miranda, já estaria em sua mente, ainda que de forma semi-consciente.Deixemos que o próprio Luciano diga o que pensa sobre isso:“Jamais, jamais me passou pela cabeça ser Camille Desmoulins. Mas,curiosamente, eu sentia inexplicável sabor (o termo é esse mesmo: sabor) nasraríssimas vezes em que pronunciava esse nome. Afora isso, pouco me preocupava,como já disse, com a personalidade passada que eu tinha vivido. Nunca parei parapensar muito nisso.” (Eu Sou Camille Desmoulins. P. 369) Sem querer pôr em xeque o testemunho de Luciano, é possível supor que, ao menos nosubconsciente, sua ligação com Desmoulins estivesse rascunhada. Ele declara que nãopensava muito no assunto, ou seja, não manifestava maior interesse em descobrir qualteria sido sua personalidade passada, entretanto, a própria narrativa que nos apresentamostra que havia nele viva curiosidade por identificar tal personagem. No trecho quecitamos anteriormente, vimos que pedira a Chico Xavier que o informasse, entretanto, omédium fugiu ao assunto. Mais tarde, D. Chiquita revela tê-lo conhecido durante aRevolução. Luciano também relata encontro que teve com o médium Homero LopesFogaça, o qual garantiu que o jornalista vivera na corte francesa e autorizara a “morte dealgumas pessoas”. E Luciano arremata: “Tudo isso me intrigou sobremaneira”. Ora,como jornalista − por vocação inquiridor e curioso −, era de esperar que partisse para apesquisa meticulosa de sua identidade pregressa. Luciano dos Anjos, hábilreconhecedor de personalidades pretéritas – mais adiante falaremos desse talento dojornalista −, que descobriu a identidade de André Luiz (conforme declara com muitafirmeza), ao se ver perante a notícia de que fora figura ativa na época da Revolução,quedou-se despreocupado em descobrir quem seria esse alguém... assertiva que nos soadúbia, por isso, acreditamos ser factível desconfiar que estivesse presente na mente dohomem de imprensa, ainda que de forma não clarificada, sua identificação com CamilleDesmoulins.Não vamos, porém, exaurir a dúvida a ponto de desqualificar a declaração de Lucianode que não sabia, anteriormente ao encontro com Hermínio, de sua suposta identidadepregressa. Vamos lhe conceder voto de confiança sobre o que declarou, ou seja, que atérealizar a experiência com Hermínio não sabia ter sido Camille Desmoulins.O que nos interessa deixar claro, por ora, é que Luciano dos Anjos estava previamentepreparado, e bem preparado, para lucubrar criativa recordação de vivência no período daRevolução Francesa.
  20. 20. É importante destacar que o vivenciado pelo jornalista pode ser qualificado como“regressão” de boa qualidade. Mesmo se comparadas com as melhores de que temosconhecimento. Se a cotejássemos com o “caso Bridey Murphy” diríamos que aslembranças de Luciano “dão de dez a zero” nas obtidas por Virginia Tighe, aprotagonista do caso. Apesar de Bridey Murphy ter obtido repercussão muito maisampla que o caso Camille Desmoulins, em tudo é inferior a este.Morey Bernstein, que conduziu as sessões hipnóticas com Virgínia, antes desse feito,costumava praticar a hipnose para divertir-se com os amigos, como atividade efetivadedicava-se ao comércio na cidade de Pueblo, nos Estados Unidos. Gradativamente,porém, conforme relata, passou a buscar mais conhecimentos. Chegou a entrevistarJoseph Rhine e acompanhar o trabalho que o pesquisador conduzia, na Universidade deDuke. Rhine lhe passou diversas sugestões, as quais impressionaram o curioso homemde comércio. No entanto, parece que o professor não mitigou o anseio místico queBernstein trazia consigo e que o fez enveredar por outro rumo, até topar com a herançaocultista de Edgar Cayce.Cayce, por quem Hermínio demonstra grande admiração − dele faz diversas referênciasalvissareiras em “A Memória e o Tempo” −, era um sujeito meio esquisito,especializado em “leituras mediúnicas”, por meio das quais revelava vidas passadas, ostalentos e, ainda, falava da saúde dos interessados. Caía em sono dito profético e falavamuitas coisas. Após o despertamente garantia nada recordar do que dissera durante otranse. Obviamente, alguém tinha de anotar as declarações do profeta. Uma das tônicasdos vaticínios de Cayce, alcunhado “profeta dorminhoco”, era desvelar experiências deseus consulentes na lendária Atlântida. Praticamente todos os que o buscavam recebiaminformes de existências passadas no continente perdido. Escusado dizer que o discursode Cayce não casava com o explanado por Platão sobre a Atlântida; tampoucoharmonizava com afirmações de outros alegados “conhecedores” dos imaginadossegredos da ilha-continente.Na atualidade, os seguidores de Edgar Cayce dão prosseguimento ao seu trabalho,realizando o que chamam “astrologia cármica”, que conjuga a configuração astral doconsulente na data do nascimento, com perfis anteriormente estabelecidos pelo profeta.Essa “fórmula”, afirmam, mostra as potencialidades do interessado e lhe revelamaspectos de existências anteriores. Por curiosidade, encomendei um desses estudos, aopreço de R$48,00. Então, descobri muitas coisas a respeito de minhas “vidas passadas”e também sobre minhas capacidades atuais.Neste trabalho, “Cayce”, além de revelações genéricas, aplicáveis indistintamente aquem quer que seja, tipo: “você demonstra ser um indivíduo dotado de mente elevada”,assegurou que me darei bem como escritor, que tenho facilidades com idiomas e, devidoà minha existência mercuriana, possuo pendores para exercer cargos de autoridade. Diz,ainda, que minha mente é clarividente, mas não informa se se trata de capacidadeparanormal, ou de clarividência no sentido comum de “ver com clareza”. Assevera quetenho dificuldade em distinguir o que é fato e o que é ficção e muito mais.O caso é que se eu possuísse tais qualidades (e algumas ele parece ter acertado, mas nãose animem, quem atira em todas as direções acaba atingindo alguma coisa), pois então,se eu possuísse os dons que Cayce me atribuiu de pouco me valeria a “revelação”, umavez que as qualidade já seriam de meu conhecimento. Desse modo, o “trabalho” que
  21. 21. poderia ser reputado profícuo realizado pelo “profeta” é o que tange às vidas passadas.Nesse segmento descobri coisas muito interessantes.Conforme informou Cayce, vivi no planeta Mercúrio. Também estive no planetaSaturno. Em minhas entrevidas morei em Urano. E, não poderia faltar, tive umaexistência como atlante, na qual fiquei em meio às disputas dos adeptos de Belial contraos asseclas da Lei do Um. Apesar de não ter informação a respeito dessas agremiações,suponho que deva considerar a experiência de alta relevância, para o quê não sei...Pensam que acabou? Nada. Acompanhei Alexandre, o grande, em suas conquistas (logoeu que detesto guerras). Também devo ter sido um viking (ele não deu certeza quanto aisso), participei da construção da pirâmide inca, vivi no Egito antigo e provavelmentehabitei nas terras que hoje constituem a Austrália. Ufa, isso é que é excursão cármica!Eram coisas semelhantes a essas que Edgar Cayce transmitia aos incautos que oprocuravam! E este foi um dos gurus que levou Morey Bernstein ao mundo mágico dasvidas passadas. Ressaltamos, Hermínio Miranda considera Cayce um grande médium...Outro caso de regressão, este mais recente, cujo relato em livro vendeu milhões deexemplares, é o apresentado por Brian Weiss, intitulado “Muitas Vidas, MuitosMestres”. Semelhantemente à Bridey Murphy, as regressões feitas por Brian Weiss emCatherine, são em muito inferiores à aventura de Luciano dos Anjos.Brian Weiss era conceituado psiquiatra quando vivenciou inusitada experiência compaciente refratária ao tratamento convencional. Segundo assevera o médico, o encontrocom Catherine o levou a descobrir autêntica panacéia. O Dr. Brian foi muito criticadopor ter deixado de lado esmerada formação, a fim de abraçar teorias de fracafundamentação. Ele deve ter tido motivo$$ para isso, o que respeitamos. Mas, não sepode deixar de constatar que no regressionismo Brian Weiss tem proferidos discursosque beiram o ridículo. Conforme se depreende da afirmação seguinte:“Avaliei o propósito terapêutico da exploração das vidas passadas de Catherine...Há nesse campo algum poder curativo muito forte, um poder que parece muitomais eficiente do que a terapia convencional ou a medicina moderna...” (MuitasVidas, Muitos Mestres)Qualificar a terapia de vidas passadas como terapeuticamente superior à medicinamoderna só mesmo na cabeça de Brian Weiss: será que se o Dr. Brian sofresse uminfarto agudo do miocárdio buscaria socorro na TVP?Podemos afirmar que a avaliação da experiência de Luciano dos Anjos significa aferirum dentre os melhores relatos regressionistas. O aspecto mais destacado na históriadessa regressão é a proclamada fidedignidade dos relatos históricos, notadamente acitação de detalhes da vida de Desmoulins, que nem mesmo estudiosos versadosconheciam. Desse assunto, Hermínio dá sua apreciação.“Fui bom aluno de história nos bancos escolares e continuei a ler história porprazer e curiosidade, nas quatro ou cinco línguas em que posso fazê-lo. No entanto,naquela primeira sessão de 19 de maio de 1967, se alguém me perguntasse minutos
  22. 22. antes de seu início qual o nome completo de Camille Desmoulins, onde ele nascerae em que dia, eu só poderia responder com um honesto e bem sonante Não sei......conferimos os informes principais logo após a primeira sessão-surpresa.Realmente, tal como dissera Luciano, o homem chamava-se Lucie Simplice BenoistCamille Desmoulins, nascera em Guise, no Aisne, em 2 de março de 1760....mesmo César Burnier, autoridade em história – especialmente a da Revolução −,confessou posteriormente que também ele ignorava que Camille tivesse aquelesoutros nomes...”(Curiosa a declaração de Hermínio, “nas quatro ou cinco línguas em que posso fazê-lo”. Será que ele não sabe ao certo em quantas línguas é capaz de ler?)Grande destaque é dado à capacidade mnemônica de Luciano, que recordavaminudências da vida de Desmoulins, as quais talvez a maioria dos estudiosos nãolembrasse, conforme sucedeu com a citação do nome completo de Camille Desmoulins.O próprio César Burnier, apresentado como especialista na Revolução, confessou quedesconhecia o informe. Entretanto, saber do nome inteiro de Desmoulins não temgrande significado. Certo que é de estranhar que Burnier não o soubesse, visto que seapresentava como perito na matéria. Ainda que não recordasse, deveria ao menos saberque Desmoulins tinha vários nomes. Podemos comparar isso ao caso de estudioso dahistória do Brasil que não lembre todos os nomes pelos quais D. Pedro II foi registrado,de qualquer modo, deverá saber que o imperador possuía outros epítetos além de Pedrode Alcântara. (Para quem se interessar, a titulação completa do imperador era, Pedro deAlcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de PaulaLeocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga – ganha um doce quem o disser de umfôlego só).Modernamente, o conhecimento de minúcias das vidas de personagens históricos é tidopor secundário no aprendizado. Este tipo de informação, quando muito, demonstra acapacidade memorativa do estudioso. O mais importante é a compreensão dascircunstâncias que envolvem os fatos históricos. Por exemplo, em vez de simplesmentedecorar as datas de nascimento e o nome completo de todos os personagens daRevolução, o bom estudante esforçar-se-á por entender o porquê dos acontecimentosque ocasionaram o levante e as decorrências deles advindas.Entretanto, a dúvida permanece: a citação do nome completo de Desmoulins, bem comoda data de aniversário e o local de nascimento, podem ser consideradas relevantes paraclassificar a lembrança como autêntica recordação de vida passada?Para alguns, a resposta seria sim, e o raciocínio que ampara tal suposição pode ser dessaforma: se uma pessoa, que não é especializada em história, de repente passa a revelarmuitos detalhes da vida de algum personagem do passado, sem tê-los pesquisado, e se,além das lembranças, essa pessoa demonstrar emoções que mostram laços indeléveiscom a tal figura, então temos indícios seguros de que se trata de legítimo caso dereencarnação!Não é preciso refletir muito para perceber que esse pensamento, em termos deinvestigação científica, é de frágil sustentabilidade. Ele pode ser válido para uso em
  23. 23. âmbito religioso, pois a fé acrescenta força aos pontos débeis da inferência, mas seriamuito difícil levar adiante pesquisa baseada em ditames científicos partindo de talproposta. Por isso, é preciso saber se além das boas lembranças existe algo mais a seroferecido.Contudo, é necessário considerar que as lembranças de Luciano dos Anjos não serestringiram a acertos relativos à idade, nome, endereço e questões correlatas. Ojornalista também se referiu, e corretamente, a assuntos específicos daquela época: sabiao preço de jornais; como a moeda estava dividida (neste caso, sabia mais ou menos, poiscometeu erros); o salário do trabalhador e outros. Como, então, explicar isso, semconsiderar a hipótese de legítima lembrança de vida passada? Pois é o que tentaremosapreciar nas linhas seguintes. Começaremos a analisar as reuniões, que aconteceramdurante o ano de 1967, buscando nelas elementos que nos auxiliem a entender melhor ocaso. A EXPERIÊNCIA DE LUCIANO: NOSSA INTERPRETAÇÃOA fim de facilitar o entendimento do que será exposto no decorrer deste estudo,anteciparemos nosso entendimento do que foi a experiência regressionista do jornalista.A presente apreciação, acreditamos, ficará demonstrada pelos comentários que seguirão.De antemão, é importante que os leitores conheçam a linha argumentativa queseguiremos.Entre Hermínio Miranda e Luciano dos Anjos foi firmado acordo tácito, no sentido degarimparem personalidade da qual muitos detalhes historicamente corretos pudessemser revelados. Não dizemos que tenham articulado ostensivamente o plano, se assimfosse não seria acordo tácito; afirmamos, sim, que ambos buscavam experiência cujosresultados fossem superiores ao que normalmente se obtêm nos exercíciosregressionistas. Em outras palavras, nas cogitações de cada um estava patente quepoderiam explorar criativamente as perspectivas alvissareiras que o trabalho conjuntoprometia.Explicando, ainda, de outro modo: Hermínio Miranda intuía que Luciano dos Anjosfosse capaz de recuperar lembranças comparáveis às melhores já formuladas. Ambosestavam igualmente motivados nessa busca, as perspectivas eram em tudo promissoras.Por outro turno, Luciano precisava de alguém com quem pudesse atuar em plenaharmonia, a fim de descobrir o personagem que acreditava ter sido, de cuja identidadetalvez ainda não tivesse clara consciência. A convicção, presente em cada um, de quehaviam encontrado a “pessoa certa” deve ter tomado forma após o primeiro encontro− apesar de não ser possível estabelecer com certeza quando de fato ocorreu esseprimeiro encontro, conforme veremos adiante.Em suma, Luciano estava intimamente persuadido de ter vivido na Françarevolucionária; Hermínio, certo de que era possível recuperar tais recordações. Emmomento algum, qualquer dos dois aventou a hipótese de que lembranças da espéciepudessem ser explicadas por outros mecanismos, em outras palavras: partiu-se dopressuposto de que lembrança de vidas passadas é fato. O intento da dupla, assim nosparece, era obter demonstração cabal da reencarnação, pelo reconhecimento inequívocode um vivo de identidade que assumira em existência pregressa. Por isso, neste
  24. 24. comentário não abordaremos em profundidade as inconsistências da hipótese de queexistam legítimas lembranças de outras existências.A suposição que ora apresentamos não significa que enquadremos como fraudulenta aaventura de Luciano, nada disso, a aventura, cremos, foi real. A interpretação é quepede reparo. Nosso intento é deixar antevisto ao leitor o panorama que a históriadescortina. No decorrer dos comentários esse quadro ficará clarificado e devidamenteilustrado com declarações dos próprios envolvidos constantes do livro.As sessões conduzidas por Hermínio Miranda com Luciano foram em número de dez,incluído aí o primeiro encontro, que pode ser reputado como reunião preliminar. Asestas se somam mais duas, havidas após o término dos trabalhos, as quais intitularemos“especiais”. No total, foram doze encontros. Comentaremos os acontecimentos por nósjulgados de maior interesse. REUNIÃO PRIMEIRA e as dúvidas dela decorrentes UMA NOITE DE MAIO DE 1967 (p. 19-22)Deste encontro não há muito o que dizer. Teria sido a primeira vez que Luciano dosAnjos se submetia a uma sessão de hipnose com Hermínio Miranda. O resultado deixouHermínio positivamente surpreso, pois o paciente se revelou facilmente hipnotizável.Rapidamente, atingiu transe profundo, o que, na visão de Hermínio, favorece boasregressões. Destacamos a expressão “na visão de Hermínio” em virtude de haverregressionistas afirmando dispensar o transe hipnótico, estes tão-somente induziriam oscandidados ao estado de relaxamento, − o que poderia ser classificado de “pré-hipnose”−, o que é por eles considerado mais adequado para que as lembranças fluam. O registro curioso desse evento aconteceu após o despertamento. Vejamos o quesucedeu, de acordo com relato de Hermínio Miranda.“Despertou faminto, devorou rapidamente uma generosa porção de bolo e pediumais, sem a mínima cerimônia. Em seguida levantou-se, deu um passo incerto edesabou no tapete macio, como se não tivesse pernas. Na excitação do momento,havíamos sido imprudentes e precipitados – era necessário esperar alguns minutosem repouso até que seu espírito reassumisse totalmente os controles do corpo físicoantes de empreender qualquer movimentação maior. Assim como odesprendimento se realiza por etapas, também a reintegração no corpo tem seuritmo próprio e suas fases bem definidas...” (Eu Sou Camille Desmoulins. P. 21, 22)Registrem, por favor, a seqüência dos eventos: 1º) despertou; 2º) devorou porção debolo; 3º) levantou-se; 4º) desmoronou no tapete. Mais adiante destacaremosincompatibilidade entre esta narrativa e o que Luciano fala sobre tal encontro.A explicação dada por Hermínio para o episódio está concorde com a idéia que defende,de acoplamento e desacoplamento do perispírito como conseqüência do processohipnótico, e que nos parece concepção muito vaga para ser admitida; mesmo levando-seem conta as parcas explicações dadas por Hermínio, a conjetura nos parece incerta.Outros praticantes do hipnotismo não teorizam nada parecido com tal suposição. Noentanto, o motivo do tombo tem elucidação trivial e passa distante da suposição de que
  25. 25. a hipnose promova o desgrudamento do espírito: tendo em conta que Luciano atingiu orelaxamento profundo e assim esteve por bom tempo, a musculatura ficoucompletamente descontraída. É compreensível, portanto, que as pernas não reagissemde pronto. Era necessário que aguardasse alguns minutos, não para que o “espíritoreassumisse o comando”, sim para que os músculos recuperassem a tonicidade. Porque buscar explicação complicada, quando se pode esclarecer o caso de forma simples esatisfatória?Conforme foi dito, o livro “Eu Sou Camille Desmoulins” foi escrito conjuntamente porHermínio Miranda e Luciano dos Anjos. Parece-nos claro que cada qual teve aliberdade de narrar os fatos da forma como entendeu e sentiu. Isso, a princípio, mostraque não houve “acerto”, para que contassem exatamente a mesma história. Em tese,trata-se de aspecto positivo, pois demonstra que o trabalho foi executado de formaespontânea, sem arranjos destinados a elidir pontos que jogassem dúvidas sobre ainterpretação que os autores apresentam. O que dissemos a respeito de um “acordotácito” entre Hermínio e Luciano, linhas atrás, não se aplica aqui.Pois bem, Hermínio declara que a primeira experiência hipnótica a que Luciano sesubmeteu, sob seu auspício, ocorreu nesta reunião de maio de 1967, na qual poucainformação útil se obteve. Neste encontro, Hermínio Miranda informa que Lucianomostrava-se cético quanto à possibilidade de ser hipnotizado. Isso porque tentara outrasvezes, com diversos operadores, sem resultados produtivos. Estava quase convicto deque não era candidato adequado para se submeter a investigações por esse processo,mas decidiu realizar nova tentativa. Qual não foi a surpresa de ambos, Lucianorapidamente entrou num sono hipnótico de excelente qualidade, conforme narraHermínio Miranda (adiante veremos que Luciano diz coisa diferente a respeito desseestado hipnótico). Entretanto, a “facilidade” que Luciano encontrou para serhipnotizado por Hermínio nos leva à seguinte indagação: por que Luciano, quemostrava-se resistente à hipnose, em diversas experiências, sob a direção de técnicosvariados, com Hermínio obteve sucesso?A resposta que nos parece mais adequada, reforça a suposição que apresentamosanteriormente, sobre Hermínio e Luciano terem encontrado um no outro a condição delevar à frente o projeto reencarnacionista que acalentavam. Luciano dos Anjos não sedeu bem com os demais operadores porque na ocasião inexistia motivo que oestimulasse a cooperar. Os praticantes da hipnose, em geral, informam que todahipnose, em verdade é uma auto-hipnose, ou seja, se o indivíduo não se sujeitar aoprocesso dificilmente poderá ser hipnotizado. Diante de Hermínio Miranda, Lucianodos Anjos se entregou à indução, tendo em vista o forte clima de confiança entre os doise o interesse mútuo pelas regressões.Precisamos, agora, nos atermos aos pontos controversos nos relatos. Em primeiraleitura, esses pontos tendem a passar despercebidos, mas se cotejamos os testemunhoselaborados pelos protagonistas, logo as divergências saltam à vista. Comecemos pelodiscurso de Hermínio Miranda.“Um grupo do qual eu participava empenhava-se em algumas experiênciasexploratórias nos abismos da memória integral. Naquela noite de maio de 1967estávamos reunidos num apartamento amplo e confortável em Copacabana. (...)
  26. 26. À reunião daquela noite compareceu Luciano dos Anjos, desejoso que estava deobservar nossas experiências e debater nossos “achados”. Estávamos já habituadosa receber, seletivamente, alguns amigos que manifestavam interesse em observarnossos trabalhos. A certa altura Luciano aquiesceu em submeter-se aos testes desuscetibilidade...Luciano, que contava então 34 anos de idade, acomodou-se confortavelmente numsofá... sem ser negativa, sua atitude era de moderado ceticismo, não ante ofenômeno em si da regressão ou, mais amplamente, quanto à reencarnação... Suadúvida era quanto à sua própria suscetibilidade às induções hipnóticas oumagnéticas. Em várias tentativas anteriores, com diferentes operadores, nãoconseguira atingir nem mesmo os estados superficiais do transe anímico. Nãocustava, porém, tentar mais uma vez...Após as instruções preparatórias e os esclarecimentos de praxe, ele fechou os olhos,relaxou o corpo... enquanto os passes eram aplicados lentamente, sem tocá-lo.Diria que a indução foi fulminante. Em escassos minutos percebia-se que elemergulhara fundo no transe. (...)Despertou faminto, devorou rapidamente uma generosa porção de bolo e pediumais, sem a mínima cerimônia. Em seguida levantou-se, deu um passo incerto edesabou no tapete macio, como se não tivesse pernas. Na excitação do momento,havíamos sido imprudentes e precipitados – era necessário esperar alguns minutosem repouso até que seu espírito reassumisse totalmente os controles do corpo físicoantes de empreender qualquer movimentação maior. Assim como odesprendimento se realiza por etapas, também a reintegração no corpo tem seuritmo próprio e suas fases bem definidas, embora variáveis de pessoa para pessoa.Usualmente os primeiros músculos a se movimentarem são os das pálpebras; emseguida, os dedos das mãos ou dos pés, braços, pernas, até que todo o corpo estejanovamente sob controle da vontade. É freqüente observar nos sensitivos emdespertamento a concentração da consciência na área específica da cabeça –nenhuma outra sensação física, nem mesmo senso de orientação quanto aoposicionamento do corpo. É como se todo o ser estivesse na cabeça, fosse apenas acabeça. (Eu Sou Camille Desmoulins. P. 19-22)Neste trecho, quem relata é Hermínio Miranda. Nota-se que o autor privilegia o passe,chamado “magnético”, como principal ferramenta indutora do transe, referência algumafaz a comandos verbais, os quais constituem o procedimento comum em hipnose.Agora, vejamos o que Luciano dos Anjos tem a nos dizer de seu primeiro encontrohipnótico com Hermínio.“Quando começamos, eu e Hermínio, nossas sessões, em casa de E.V., emCopacabana, não me passara jamais pela cabeça que pudesse chegar a conclusõestão surpreendentes... Ouvindo-o falar, rapidamente, desse trabalho, sobre o qualme refiro com mais detalhes no Capítulo 3 da Segunda Parte deste livro, é que meentusiasmei e resolvi vê-lo de perto. O Hermínio contou-me as muitas pesquisas járealizadas nesse setor, algumas surpresas, diversos casos especiais, as variadasmanifestações e os excelentes benefícios muitas vezes conseguidos. Disse-me, poralto, que empregava o método do Coronel De Rochas... Falamos dos métodos
  27. 27. clássicos de regressão de memória e das diferentes hipóteses que inclusive noespiritismo são levantadas para explicar a fenomenologia do processo.Recordamos o que nossos mentores espirituais nos têm ensinado nesse matéria e,por fim, marcamos o início das sessões. Confessei-lhe, com absoluta consciência darazão por que o confessava, que, lamentavelmente, não haveríamos a meu respeito,de chegar a nenhum resultado positivo, pois outras vezes eu tentara serhipnotizado e nada conseguira. Cerca de dez anos antes, em casa do Dr. AloísioGonçalves, no Jardim Botânico, eu me entregara a várias sessões e não cheguei aser hipnotizado. O máximo que se conseguiu foram alguns movimentosautomáticos de braço, mas muito pouco significativos. O Dr. Aloísio Gonçalves,meu velho amigo, é autoridade indiscutível na matéria, capaz de conduzir seusclientes, em frações de segundo, ao mais profundo sono hipnótico. Mas comigo nembastaram a água açucarada, a música, o disco visual... E o Dr. Aloísio me explicavaesperançoso, que ás vezes são precisas até setecentas (!) tentativas para seconseguir inibir o córtex de uma pessoa. (...)Uma tarde, eu e o Hermínio conversávamos em seu gabinete de trabalho... Dizia-me estar fazendo interessantes sessões de regressão da memória e me contava oscasos mais significativos. Também eu lhe dizia dos meus sucessos e fracassos,narrando-lhe exemplos maravilhosos de materializações ou fraudesgrosseiríssimas, que eu flagrava através do aparelho ótico, emissor de raiosinfravermelhos, de propriedade do cientista norte-americano Dr. AndrijaPuharich... Ficou devendo o Hermínio uma visita, à minha sessão, e ele, emretribuição, estudaria uma oportunidade de eu também conhecer a dele. Mas otempo corria e nunca cumpríamos nossos compromissos recíprocos. (...)Assim... resolvi efetivar, afinal, nosso encontro. Estávamos em setembro ououtubro do ano de 1966. Marcamos a primeira sessão para uma segunda-feira,quando Hermínio me apresentaria à Sra. E.V., em cuja casa se realizariam ostrabalhos... Quando os trabalhos com uma sensitiva terminaram, o Hermínioperguntou se eu não queria ser testado. Concordei e me deitei no sofá. Deixamos oambiente em penumbra, e o Hermínio iniciou seu trabalho... ligava o gravador,sentava-se ao lado do paciente, na poltrona, e procurava induzir-nos ao sono,enquanto fazia a imposição das mãos, segundo o método de De Rochas. Eu −conforme já disse − não tinha nenhuma esperança e me mantinha estirado, demúsculos completamente relaxados, menos por conhecimento prático do exercíciodo que por total descrédito quanto aos efeitos. Ouvia-lhe a voz monótona... Tudoconforme a boa técnica, mas já tão usado antes comigo sem qualquer resultadopositivo. Foi nessas cogitações interiores − ou quem sabe, por causa delas! − que,depois de muitos minutos (a paciência de Hermínio é chinesa), aconteceu oinesperado: perdi a consciência! O Hermínio conseguira! (...)Assim, ao lado da alegria, uma espécie de decepção me tocou: e eu? Contudo, pelomenos alguma coisa nova acabava de acontecer comigo. Restava prosseguir paravermos até onde chegaríamos. Aguardei mais uma semana e, na segunda-feiraseguinte, voltamos ao apartamento da Sra. E.V. (Eu Sou Camille Desmoulins. P.305, 306 e 352-354)
  28. 28. O relato de Hermínio começa com o encontro propriamente dito; Luciano faz referênciaa contatos preliminares. Luciano estava curioso quanto ao trabalho que seu amigoconduzia e decidira acompanhar uma dessas reuniões. Só que as narrativas contêmdiscordâncias graves. Se fosse apenas questão de estilo redativo, ou mesmo aobservação de certos acontecimentos sob óticas diversas, nada de sério poderíamosobjetar. No entanto, as discrepâncias vão muito além. Primeiramente, as datas nãobatem: vários meses separam a primeira reunião informada por Luciano, do que seria omesmo encontro, relatado por Hermínio (Luciano fala em outubro de 1966; Hermínioem maio de 1967). Segundo declara Hermínio Miranda, Luciano entrou em estadohipnótico quase automaticamente; entretanto Luciano afirma que Hermínio necessitoude muita paciência, até obter resultado. Luciano não faz menção ao cômico tombo quesofreu. A queda é comentada em outro encontro, o qual não coincide com o queHermínio dele descreve. Ou ocorreram reuniões não noticiadas no texto de Hermínio,ou os autores estão falando de coisas diferentes.Vamos tabelar as informações, parafacilitar a compreensão.OS FATOSr Por HERMÍNIO Por LUCIANO DOS ANJOS OBSERVAÇÃO MIRANDAData do 1º encontro Maio de 1967,Setembro, ou outubro, deDivergência. As datas [provavelmente sexta-feira] 1966, em uma segunda-feiranão conferem (p.19) (p.353)Local do encontro Amplo e confortávelImenso apartamento, da Sra.Parece ser o mesmo apartamento, emE.V., no 6º andar do prédio,endereço Cobacabana, (não informa ode frente para o mar, (não nome do proprietário) (p.19) informa o bairro) (p. 353)Dificuldade ou Realizara várias tentativasIdem (p. 354) Relatos coincidentesfacilidade pré- sem sucesso (p.20)existente paravivenciar o transehipnóticoMétodo utilizado Passe magnético. SomentePasse magnético,Divergência. Hermíniopor Hermínio para depois do transe atingido éconcomitantemente comprivilegiaobter o transe que aplicou comando de vozcomandos verbais (p. 354) excessivamente o passe. (p. 20) Luciano noticia o uso concomitante do passe e do comando verbalResultado da Os passes obtiveramSomente após muitaDivergência. Natentativa inicial de resultado imediato,insistência, por meio deopinião de um, aatingir o estado classificado pelo operadorcomandos verbais, finalmenteindução foi rápida; ohipnótico como “indução fulminante”atingiu-se o estado hipnóticooutro afiança que (p.20) (p. 354) demorou bastante. Hermínio atribui aos passes o resultado positivo; Luciano parece conferir maior valor ao comando de vozAtitude do Mostrava-se em pânico.Muita agitação e poucaDivergência. O relatohipnotizado Respondia informação. Citou um nomeperde a coerência antedurante o processo monossilabicamente. Citoufrancês, que não ficou claroa não referência ao Necker, ministro de finançasna gravação (p. 354) nome de Necker por de Luiz XVI (p.21) Luciano, que teria sido
  29. 29. a única informação consistente conforme afirma HermínioApós despertar Sentiu-se faminto, comeuO tombo no tapete, paraDivergência. bolo, tentou levantar-se eLuciano, ocorreu em outra desabou no tapete. reunião. Pode ser que os autores estejam a falar de eventos diversos. Talvez cada qual tenhaclassificado como “primeiro encontro” acontecimentos não coincidentes. Seriadiscrepância muito grande as variações de datas, caso estivessem falando dos mesmosepisódios. Se entendermos que se tratam de casos distintos, outro problema surge:significa que ocorreram encontros entre Luciano e Hermínio, que este não relatou.Nesta hipótese, fica prejudicada toda a narrativa concernente à inexperiência de Lucianono que tange às regressões e, em decorrência, toda sorte de suposições podem serlevantadas. Outro ponto que deve estar bem destacado é o resultado da indução: desde asessão inicial que Hermínio garante ter Luciano entrado em estado hipnótico quaseque imediatamente. Por outro turno, Luciano assegura de resistiu bastante até ceder.Não só nesta reunião ocorreu dificuldade para atingir o estado hipnótico, na que seriaa segunda sessão, conforme o cronograma de Luciano − que não bate com o deHermínio −, ele diz que levou entre “dez e quinze minutos” para ser vencido.Mais adiante, apresentaremos os relatos por inteiro, para que possam ser comparados.RESUMO DAS REUNIÕES, NAS NARRATIVAS DE HERMÍNIO E DE LUCIANOA fim de tentarmos entender como foi que cada protagonista vislumbrou os episódiosregressionistas, faremos nova tabulação, especificando as datas de todos os encontros, eas coincidências e discrepâncias. Talvez assim tenhamos possibilidade de compreenderos motivos que ocasionaram os desacordos narrativos. Hermínio nomeou o primeiroencontro como reunião de testes e começou a numerar as sessões a partir da 2ª, quandoos encontros passaram a ser realizados na residência do autor. No quadro, numeramoslinearmente, nominando “1ª sessão” a acontecida em maio de 1967 (no cronogramaherminiano), portanto, o que está na tabela a seguir, registrado sob o título “1ª sessão”corresponde à “sessão de testes”; a 2ª sessão corresponde à primeira de Hermínio.Assim foi feito como tentativa de parametrizar os relatos, dada a não convergências dasinformações fornecidas por um e por outro.EVENTOS PRINCIPAIS Data e localSESSÕES Conforme Conforme Conforme Conforme LUCIANO HERMÍNIO LUCIANO HERMÍNIO1ª sessão É hipnotizadoDemora a serMaio/1967 – (sexta-Setembro/outubro/1966 - rapidamente. Poucahipnotizado. Poucafeira) (3) – apart. em(segunda-feira)(3) – apart. informação útil; citouinformação útil; falouCopacabana (p.19) da Sra. E.V. (p.353) o nome de Necker (2);nome francês não sente muita fome eidentificado; não fala come bolo, emda queda. Presença seguida, tenta erguer-do Edson.(4) se e cai no tapete. (1) Nenhuma referência ao Edson (4)
  30. 30. EVENTOS PRINCIPAIS Data e localSESSÕES Conforme Conforme Conforme Conforme LUCIANO HERMÍNIO LUCIANO HERMÍNIO2ª sessão Foi rapidamente aoEntra em transe após19/5/1967 (sexta-feira)Segunda-feira seguinte à transe (P. 23). Revela10 ou 15 minutos– apart. de Hermínioreunião acima – apart. da que seu nome é Lucie(p.355). Ao despertar(p.23) Sra. E.V. (p.354) Simplice Benoisttenta ficar de pé e cai Camille Desmoulins. no tapete, depois Nenhuma referênciasente muita fome e ao Edson (4) come bolo. (p.360) (1) Presença do Edson (4)3ª sessão Revela que a esposa deAfirma que Necker26/5/1967 (sexta-feira)Segunda-feira seguinte à (2) Desmoulins éfará besteira – não informareunião acima – não fala atualmente sua filha!(p.362) mudança no local dade mudança no local da (p. 47) reunião, supõe-se quereunião, supõe-se que continuasse no apart.continuasse no apart. da de Hermínio. Sra. E.V. (p. 361)4ª sessão Não faz referência àA gravação desse9/6/1967 (sexta-feira)Ocorreu na “semana perda da gravação,evento se perdeu– não informaseguinte” (p.365), na narrada por Luciano,(Hermínio gravoumudança no local dasegunda-feira (p.367) – ao contrário, afirmaoutra sessão por cima)reunião, supõe-se quenão fala de mudança no que o “tape” existe (p.(p.365). Trabalhoscontinuasse no apart.local da reunião, teria 65). Não relatasuspensos (p.367). (5)de Hermínio. continuado no apart. da suspensão dosPara Luciano, esta Sra. E.V. trabalhos. (5) seria a penúltima reunião, depois fala do último encontro em 1/9/1967, o qual, pelo cronograma de Hermínio, é o penúltimo.5ª sessão Só existe relato deSem registro. 16/6/1967 (sexta-Sem registro. Hermínio desse feira). Apart. de encontro Hermínio.6ª sessão Só existe relato deSem registro. 23/6/1967 (sexta-feira)Sem registro. Hermínio desse Apart. de Hermínio. encontro7ª sessão Só existe relato deSem registro. 7/7/1967 (sexta-feira)Sem registro. Hermínio desse Apart. de Hermínio. encontro8ª sessão Só existe relato deSem registro. 14/7/1967 (sexta-feira)Sem registro. Hermínio desse Apart. de Hermínio. encontro9ª sessão Só existe relato deSem registro 21/7/1967 (sexta-feira)Sem registro. Hermínio desse Apart. de Hermínio. encontro10ª Final das sessões deSem registro 4/8/1967 (sexta-feira)Sem registro.sessão regressão Apart. de Hermínio.11ª 1ª Sessão “especial”Último encontro1/9/1967 (sexta-feira)1/9/1967sessão (p.248) (Hermínio informa terApart. de Hermínio. Apart. de Hermínio. havido mais outra reunião).12ª 2ª Sessão “especial”Sem registro 8/9/1967 (sexta-feira)Sem registro.sessão (p.233) Apart. de Hermínio.

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