Plagios

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Artigo sobre logotipo em Coimbra

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Plagios

  1. 1. Plágios? Ao CPD chegaram notícias de dois eventuais plágios, ambos em Coimbra: o da marca da Cidade e o do site do Mercado Municipal D. Pedro V. O Centro procurou recolher o maior número de elementos, no mais curto lapso de tempo, que permitissem aos leitores da designlist uma leitura o mais completa possível deste caso. Publica-se a seguir o logótipo e a página de rosto deste site, os quais nos foram enviados por Pedro Moreira, e a resposta que o Centro lhe enviou, bem como a resposta do designer Francisco Providência, na sequência de um pedido de esclarecimento que o Centro lhe fez. Este espaço está aberto a comentários. Partcipe! O CPD reserva-se o direito de só publicar opiniões de leitores devidamente assinadas e que contribuam, de forma isenta e elevada para uma troca de ideias responsável, livre e pedagógica sobre esta matéria. Logótipo e página de rosto do site do Mercado Municipal D. Pedro V 1/4
  2. 2. Resposta do Centro Português de Design a Pedro Moreira O CPD tem vindo a recolher informação sobre este processo, atendendo e respondendo às legítimas preocupações da classe profissional e aos dados de que dispõe. Num processo de análise devemos, antes de qualquer atitude, recolher toda a informação que nos permita questionar e avaliar como e a quem nos devemos dirigir e, claro está, de que forma o devemos fazer. É importante alertar para estas situações como é importante a forma como o fazemos. O CPD está atento e segue este e outros processos e agradece o cuidado de alertas para estas situações. Devemos e queremos defender as boas práticas dando exemplo de condutas correctas no conteúdo e na forma. 2/4
  3. 3. Carta de Francisco Providência ao CPD Exmo Senhor Presidente do Centro Português de Design Designer Henrique Cayatte Exmo Senhor, com vista ao esclarecimento solicitado por V. Excia relativo à suspeita levantada de falta de idoneidade na minha prática profissional junto da Cãmara Municipal de Coimbra, anexo relatório descritivo. Mantendo-me inteiramente à disposição de V. Excia para quaisquer esclarecimentos suplementares despeço-me cordialmente Francisco Providência, designer O caso da marca “Coimbra”: um pecado que não é original. No dia 11 de junho de 2003 pelas 15h e 26’ recebi por email, a mensagem do desconhecido senhor Adriano Esteves, comparando as imagens de “Coimbra” desenhada por mim e recentemente lançada, com a imagem da “Quintiles transnacional” (empresa que posteriormente investiguei verificando tratar-se de uma empresa de origem americana do ramo químico). Naturalmente que se instalou em mim um estado de angustia e pânico por não conseguir perceber o que tinha sucedido. O escritório ficou todo lívido e passamos a “pente fino” durante o resto da tarde, todas as publicações de design do escritório, na expectativa de encontrar uma resposta; não encontramos qualquer vestígio da Quintiles. A surpresa foi tanto maior quanto tinha desenvolvido todo o trabalho com o meu colaborador Arqº Miguel Palmeiro, no seu computador. A marca aparecia desenvolvida passo a passo num conjunto de cerca de 256 imagens intermédias, experimentando dar corpo a uns tantos argumentos e rejeitando outros como é comum em qualquer projecto. Pelas 17h e 56’, enviei por email a comunicação do sucedido ao Vereador Nuno Freitas, pessoa a quem estava incumbido pelo Presidente da Câmara a tarefa do concurso e implementação da nova imagem. Em conversa pessoal manifestou-me todo o seu apoio e desdramatizou o episódio, reforçando a sua satisfação pela marca. Na mesma altura enviei comunicação ao Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, expondo o problema e manifestando-me aberto a qualquer resolução. No dia 12 junho de 2003 contactei por email o senhor Adriano Esteves, agradecendo-lhe a amabilidade de me ter informado das suas descobertas. Nesse dia começaram a chover telefonemas dos jornais regionais e do Público, que embora não tivessem dado qualquer importância à sessão de apresentação da nova marca, foram prontos a publicar a descoberta do senhor Esteves. Por essa ocasião e reclamando o direito à minha defesa, enviei cartas com um endereço web para que os interessados pudessem aceder ao processo de desenvolvimento da marca. Carta 1: “Recorrendo ao direito de resposta previsto pelo artº 24º da Lei de Imprensa e na qualidade de invocado na V. notícia do passado dia 19 junho, solicito a publicação da seguinte declaração: 1. 2. 3. Eu, Francisco Providência, designer, declaro-me autor exclusivo da nova imagem de marca de Coimbra. Mais declaro ter tido conhecimento da lamentável e infeliz semelhança entre o “O” da marca “Coimbra” e o “Q” da marca industrial americana “Quintiles”, que naturalmente desconhecia, cinco dias após a sua apresentação pública. Interpelado pela comunicação social tive oportunidade de manifestar o meu pesar pelo acidental acontecimento e esclarecer telefonicamente (durante o dia 11 junho) a origem do desenho do tal “anel” ou “O”. Duas premissas estiveram na base desta escolha: a recuperação da forma circular dos primeiros brasões de Coimbra (D. Dinis e D. João I) e a enfatização da cobra (serpente alada ou dragão) presente na heráldica Coimbrã desde D. 3/4
  4. 4. 4. JoãoI e representativa do conhecimento (sabedoria); destas duas premissas surgiu a evocação à simbólica do uruboro (anel formado pela cobra que morde a própria cauda), interpretada por Bachelard como sendo a evocação à dialéctica da vida e da morte, o ciclo da vida e o tempo. O “conhecimento”, (atribuição solicitada), desperta idênticas associações pela provisoriedade da ciência, sempre sujeita à circularidade do “eterno retorno”. Na notícia de 19 de junho, um novo clima de suspeição cai sobre a originalidade da marca “Coimbra”, levantando-se agora a dúvida sobre a verosimilhança da justificação prestada pelo seu autor e com ela a negação de toda a rasoabilidade. Por este motivo, para o devido esclarecimento de todos, e facultando o juízo independente de cada um dos cidadãos de Coimbra, apresenta-se o processo completo de evolução gráfica da marca, nos 254 passos que antecederam a proposta final: site www.fprovidencia.com/coimbra/evolucao.html” 4/4
  5. 5. Para tentar tranquiliza definitivamente a opinião pública, redigi o presente texto que enviei aos jornais para divulgação: Carta 2: 5/4
  6. 6. “Autor da nova marca de “Coimbra”, confessa-se! A Câmara Municipal de Coimbra e particularmente o Senhor Vereador Dr. Nuno Freitas, devem ser aqui mencionados pela exemplaridade com que conduziram todo o processo do concurso para a selecção da nova imagem de marca da cidade. A metodologia faseada em dois momentos, privilegiou num primeiro tempo a apresentação e discussão de ideias, facultando uma exploração efectiva da simbólica escolhida para a cidade, reservando para momento posterior a respectiva aplicação técnica. O júri (Administração autárquica) convidou um colégio de personalidades de significativa intervenção cultural na cidade, para que assistissem e se pronunciassem sobre as peças a concurso. A marca foi assim produzida ao longo de um processo interactivo e não por “inspiração instantânea”. A marca “Coimbra” é de importância determinante para o marketing da cidade. A sua implementação representa importantes esforços materiais e humanos por parte de um diversificado conjunto de pessoas e instituições, cujo respeito, se não mesmo o reconhecimento, nos é devido. A insinuosa suspeição sobre a sua originalidade veiculada pela imprensa, tem tentado corroer a confiança da cidade na sua nova identidade gráfica, invocando o falso problema da sua origem. Apesar dos devidos esclarecimentos anteriores, levanta-se agora a dúvida sobre a verosimilhança da justificação prestada pelo seu autor e com ela a negação de toda a razoabilidade. Por este motivo, e para o devido esclarecimento de todos, faculta-se ao juízo independente de cada um dos cidadãos de Coimbra o processo completo de evolução gráfica da marca, nos 255 passos que antecederam a proposta final, publicados no site www.fprovidencia.com/coimbra/evolocao.html. Não se pode questionar a identidade de Coimbra por poder haver, algures noutra parte do planeta, outro emblema qualquer, que se lhe possa assemelhar na forma do todo ou nas partes. Não há outra marca no mundo que se designe “Coimbra”; essa é a sua identidade original há mais de seiscentos anos. Ao seu nome associamos o símbolo da sabedoria (serpente) na figura de um anel (uróboro) que, como já explicámos, foi recuperado da anterior heráldica coimbrã. Uróboro, também evocado por Goethe na obra “O anel do Nibelungo” (e traduzido em Coimbra nos anos 40), representa o ciclo da vida e do eterno retorno do conhecimento, consagrada na ópera Parsifal de Richard Wagner. Se a nova marca de “Coimbra” pode fazer recordar a marca da Vodafone, (ambas exibem um anel), não será por falta de “criatividade” de quem o desenhou (já que foram realizadas pelo menos 255 etapas até à solução final), mas por uma comum interpretação do espírito do tempo. No entanto, pelo facto desta marca apresentar um anel, ocorrência que se reconhece na outra, jamais correrá o risco de se confundir com ela; as marcas reportam-se a distintos contextos funcionais: ninguém confunde a identidade de marcas como a nação Suiça, a Cruz vermelha, a Igreja católica, a farmácia da esquina ou a aritmética (representada pela operação aditiva); no entanto todas elas se representam pelo mesmo sinal da cruz. Os ícones de geometria regular e figuração elementar são visualmente mais fortes e universais, mas pela sua simplicidade tornam-se mais expostos à incidência da repetição. Não podemos brincar com coisas sérias; com isto refiro-me não só ao serviço prestado no desenho da nova imagem da cidade, como à contribuição diária de todos quantos em Coimbra, constróem uma nova imagem da cidade, através da excelência das suas prestações. Francisco Providência, Designer e Professor de design” Embora a marca “Coimbra” e “Câmara Municipal de Coimbra” sejam marcas registadas desde Maio de 2004, e a sua implementação esteja declinada em diversas empresas municipais como os serviços de transportes públicos, o estádio municipal, a empresa de recolha e tratamento de lixos e consagrada num sem número de suportes, parece-me no mínimo estranho o aparecimento 6/4
  7. 7. extemporâneo (dois anos depois), de novas e insidiosas suspeitas sobre o meu trabalho. A insistência sobre a denúncia deste acidente, parece mais empenhada na ofensa pessoal ou na corrupção do meu bom nome, do que na acção de informar e esclarecer os públicos. A colagem sem dúvida perversa da comparação entre as marcas de Coimbra e da Quintiles, justapondo-os com os sites das Câmaras de Barcelona e Coimbra, comparando as marcas dos seus mercados cujo autores desconheço, insinuando tratar-se de mais um plágio da minha autoria, é sem dúvida um acto de reprovável imoralidade e deselegante difamação pelo boato. Em cultura nada se perde, nada se cria, tudo se transforma; sobre a suspeita de plágio e o mito da originalidade. O designer Alan Fletcher, que para quem não sabe foi só co-fundador da Pentagram, e que tal como Montaigne só cita os outros para se expressar a si próprio, entre os muitos citados no seu livro The Art of Looking Sideways, apresenta três citações que me parecem particularmente oportunos ao tema: P. Stark: Eu sou exclusivamente um plagiador, um impostor. Espero, leio revistas. Algum tempo depois o meu cérebro envia-me um produto; B. Mau: Interesso-me pelo momento em que dois objectos colidem e geram um terceiro. O terceiro é onde se encontra o trabalho interessante; A. Fletcher: a extracção de ouro consiste na remoção de três toneladas de cascalho para por cada onça de ouro encontrado; As três citações completam-se na representação do que possa ser o processo criativo em design. A criação é uma combinatória, única. Ninguém cria nada a partir do nada. Todos intervimos e interagimos na criação artificial, contaminados uns pelos outros, pelos vivos e mortos, construindo uma base sempre provisória de cultura dirigida aos futuros construtores da sociedade. Somos os outros em nós, organizados segundo uma ordem que é a da vivência da nossa própria existência; da combinação entre a nossa própria vivência, a aprendizagem cultural que fazemos e o acaso, nasce a construção da nossa identidade, como proposta evoluída de outra coisa nova, que já deve pouco à origem genética. Será admissível pensar que um profissional e pai de família com 42 anos de idade, com escritório próprio onde trabalham cerca de 10 colaboradores, acumulativamente à experiência de professor universitário durante vinte anos, imerso numa actividade que lhe permitiu acompanhar milhares de projectos, entre os seus próprios e os dos seus alunos, a seu tempo também premiado pelo Centro Português de Design pela qualidade da sua obra e convidado a publicar numa das mais prestigiadas editoras de design do mundo (GG Barcelona), tenha a ingenuidade de responder a concurso público, para a concepção de marca representativa de uma das mais importantes cidades do país, a que foi expressamente convidado, plagiando outra marca já existente? Evidentemente que não! O que se passou então? Na verdade não sei. Julgo tratar-se de uma infeliz coincidência como o disse repetidas vezes, mas admito ter sido enganado pelo meu próprio cérebro, deixando submergir algo de que não tenho consciência. Ora é aqui que se deve questionar os domínios do plágio. O que é que se considera plágio?! “Plágio” aparece pela primeira vez escrito em língua portuguesa no séc. XVIII, indicando pelo latim um roubo a alguém. Mas também aquele que se posiciona sobre a obliqua (e não em linha recta), que está de lado, transversal, inclinado, e isto atendendo à origem grega do termo. As interpretações grega e latina não são coincidentes, segundo Antônio Houaiss. Talvez o sentido de posse autoral esteja mais próximo de uma lógica de direito romano sobre a propriedade do que a ambiguidade grega, mais filosófica do que militar. Uma citação não é um plágio; como nunca renunciei à remota possibilidade de reconhecer semelhança com o símbolo da Quintiles, bastaria assumi-lo como possível origem da nova proposta para que não se colocasse a questão. 7/4
  8. 8. No plágio há uma intenção clara de apropriação indevida dos direitos intelectuais de alguém, que se condena por crime de plagiário; ora, não houve da minha parte o desejo de ser tomado por autor da marca Quintiles. Mas o que há de semelhante entre as marcas Quintiles e Coimbra? Quintiles é uma marca americana de químicos e Coimbra uma marca autárquica portuguesa; As famílias tipográficas são diferentes, a composição também, a marca Quintiles inscreve-se num triângulo, a marca Coimbra em dois quadrados; se compararmos os logotipos sem o “anel”, as marcas afastam-se definitivamente. O que parece resistir como semelhança é apenas o anel que em Coimbra toma o desempenho do “o” e em Quintiles não. A espessura e cor do anel, assim como a sua escala relativamente ao conjunto são diferentes. Para além do mais as marcas operam em mercados distintos, representando coisas diferentes (“Q” e um “O”) embora recorrendo a forma semelhante. Do ponto de vista da prot ecção dos direitos comerciais inerentes, não há concorrência entre elas, a não ser que a C.M. de Coimbra se dedicasse à comercialização de químicos. O mesmo não se poderá dizer da marca “Orquestra de Câmara de Coimbra”, cujos cliente e autor, não poderão dizer que desconhecessem a marca da C. M. Coimbra e pelo contrário, tenham publicada a marca recorrendo a um logótipo em Trajano numa colagem óbvia ao símbolo da Câmara Municipal. 8/4
  9. 9. Talvez o desejo de representar Coimbra pelo círculo (feminina e alternativa ao escudo da heráldica de cavalaria, burguesa e alternativa à oval do clero), tenha encontrado no “urubora” o argumento visual e a justificação racional, a metáfora, que informou posteriormente a concepção geométrica do símbolo; talvez nesse momento a consciência tenha encontrado nas antigas arcas de memórias, um objecto visto algures que servia plenamente para o efeito; quem sabe? Ou talvez se tenha passado o contrário disso, começando o processo pela adopção de uma forma que transportava em si um património simbólico milenário e constituindo tudo o resto apenas uma história inventada pelo subconsciente para justificar a sua proposta; mas em qualquer caso, há um direito simbólico-visual que transcende a propriedade intelectual. Ao denominar a molécula do benzendo, ainda que pela primeira vez, não fico proprietário de todo o benzendo. Resta ainda a outra possibilidade, que no limite da incidência geométrica tenha o autor inventado inocentemente algo que já existia, atendendo a que formas semelhant es já anteriormente aparecem em obras suas. Malgrado a semelhança à marca americana, o símbolo continua a desempenhar bem as suas funções identitárias, evocando Coimbra como feminina e científica, tentadora como um pecado, cheia de encantos. Tudo o que se possa dizer a este respeito é falseável, como toda a auto biografia é falsa (Dália de Oliveira a propósito da obra de Ruben Andresen); qualquer auto-retrato é ficcionado, o que representamos de nós é sempre a construção do personagem que nos permitimos interpretar (ou que nos permitiram desempenhar), assim criando, frequentemente, o assassino que há-de esconder os nossos próprios restos mortais, de indivíduo natural. A ficção de nós é concorrente do nós histórico e natural; mas qual dos dois é mais verdadeiro? Francisco Providência 9/4

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