Projeto Descritivo Caps Ad

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Projeto de pesquisa voltado para a análise da gestão da informação num CAPS AD e a construção de um modelo de prontuário eletrônico

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Projeto Descritivo Caps Ad

  1. 1. UNIVERSIDADE DO PLANALTO CATARINENSE Av. Castelo Branco, 170 - CEP 88.509-900 - Lages - SC - Cx. P. 525 - Fone: (49) 251-1022 Fax: (49) 251-1051 UNIVERSIDADE DO PLANALTO CATARINENSE - UNIPLAC COORDENADORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO, PESQUISA E EXTENSÃO FORMULÁRIO PARA PROJETO DE PESQUISA1 - IDENTIFICAÇÃO Construção de um modelo informatizado de prontuário num1.1. Título da Pesquisa:Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e outras Drogas, em Lages, SantaCatarina.1.2. Área da Pesquisa: 1.03.03.04-9 – Sistemas de Informação2 - JUSTIFICATIVA A rede de saúde mental para o atendimento de dependentes químicos baseia-se no Brasil, emgrande medida, nos Centros de Atenção Psicossocial e, complementarmente, nas chamadasComunidades Terapêuticas e hospitais gerais ou especializados. A crescente demanda poratendimento, nesta área, encontra porém serviços funcionando sem protocolos específicos,desenvolvendo estratégias e iniciativas próprias para lidar com esta demanda e muitas vezesatropelados pelo enorme volume de trabalho. Desenvolver uma ferramenta de trabalho, como umprontuário informatizado, pode contribuir para a agilização destes serviços, permitindo que asequipes façam escolhas mais objetivas e baseadas em evidências bem como pode permitir que todo otrabalho desenvolvido seja submetido a avaliações periódicas. A demanda crescente por atendimento especializado para tratamento das dependências precisaencontrar equipes preparadas e com os instrumentos adequados para um rápido e resolutivoatendimento, encaminhamento e acompanhamento do problema. Registros em papel, desorganizadosou muito subjetivos podem representar um entrave para a agilização de serviços como os CAPS.Modelos informatizados de prontuário tem se mostrado mais adequados para o registro,arquivamento e acesso das informações num centro de atenção à saúde mental, possibilitandoinclusive a reavaliação periódica dos planos terapêuticos formulados e o encaminhamento paraoutros serviços da rede. Equipes de centros de atenção à saúde mental, pela própria natureza das situações com queprecisam lidar, tendem a trabalhar com poucos critérios objetivos (protocolos) em suas avaliações.Geralmente isto traz repercussões ao processo de triagem e avaliação dos usuários destes centrosbem como pode comprometer o adequado planejamento terapêutico (ou plano de cuidados) que éestruturado. Construir um modelo que minimize a subjetividade e aumente a objetividade dascomunicações pode facilitar este trabalho. O trabalho multi e interdisciplinar exigido em serviços como os CAPS necessita contar com
  2. 2. ferramentas que deem conta desta característica, facilitando o fluxo de informações entre osprofissionais e otimizando os recursos disponíveis. A construção de um modelo informatizado dosdados dos usuários (prontuário) pode vir a facilitar este trabalho dentro das equipes, diminuindo suacarga de estresse ocasionada pelo fluxo e volume das informações, levando a uma melhora doatendimento prestado.3 - PROBLEMÁTICA DE PESQUISA A inexistência de processos bem definidos e devidamente documentados muitas vezesdificulta o trabalho dos Centros de Atenção Psicossocial ao Álcool e outras Drogas (CAPS AD) ouserviços similares. Além disso, o CAPS AD necessita de ferramentas que torne o fluxo das informações maisconfiável e menos burocrático. Permitindo desta forma maior agilidade, organização eprodutividade; maior integridade e veracidade da informação; maior estabilidade e segurança deacesso à informação, dado a importância do serviço prestado pela instituição.4. OBJETIVO:GeralDesenvolvimento de um sistema informatizado de prontuário que possa ser utilizado em Centros deAtenção Psicossocial ao Álcool e outras Drogas (CAPS AD) ou serviços similares.Específicosa)Identificar e adaptar padrões de processos envolvidos nas etapas de acolhimento (recepção),triagem/avaliação, plano terapêutico individualizado (plano de cuidados), evolução ematendimentos clínicos ou de oficinas, bem como instrumentos para comunicação intra-equipe eencaminhamentos para outros serviços (como hospitalização).b)Com base nas informações geradas em (a), disponibilizar um sistema informatizado através de umaplicativo Web.5 - QUESTÕES DE PESQUISA E/OU HIPÓTESES Esta pesquisa visa responder as seguintes questões:a)Qual a melhor sistemática a ser adotada em um sistema de prontuário eletrônico para um CAPSAD?b)Quais as restrições tecnológicas de um sistema no formato de prontuário eletrônico via Web?c)Como organizar o processo de comunicação e fluxo de informação entre as diversas etapas deatendimento aos usuários (pacientes) que envolvem os serviços prestados pelo CAPS AD?d)Como estabelecer uma linguagem única entre os integrantes da equipe, padronizando termos,
  3. 3. estabelecendo dimensões consensuais relativas ao problema “dependência química” e respectivosdesdobramentos?e)Como construir um modelo dimensional de avaliação aplicável à todas as etapas de atendimento(acolhimento/recepção, avaliação/triagem, evolução), baseado em consensos e/ou evidências daliteratura científica e que possam ser desdobrados em ações, encaminhamentos ou condutaspadronizadas, estabelecendo-se com isso protocolos mínimos?f)Como transformar as informações reunidas em metas (“objetivos terapêuticos a serem atingidos”)para cada setor (médico, psicólogo, assistente social e enfermeira, p.ex.), visando a construção de umplano de cuidados que possa ser reavaliado periodicamente com critérios?6 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E CONCEITUAL/ REFERENCIAL TEÓRICO Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2011), na década de 1970, houve transformações daassistência, com um modelo centrado na comunidade e substituindo o modelo do HospitalEspecializado. Com a constituição 1988, cria-se o Sistema Único de Saúde (SUS), e sãoestabelecidas as condições institucionais para implantação de novas políticas de saúde, dentre essas aPolítica em Saúde Mental. Está sendo considerada como reforma psiquiátrica um processo histórico de formulação crítica e prática, que tem como objetivos e estratégias o questionamento e elaboração de propostas de transformação do modelo clássico e do paradigma da psiquiatria. No Brasil a reforma psiquiátrica é um processo que surge mais concreta e principalmente, a partir da conjuntura da redemocratização, em fins da década de 70. Tem como fundamentos apenas uma crítica conjuntural ao sub-sistema nacional de saúde mental, mas também e principalmente uma crítica estrutural ao saber e ás instituições psiquiátricas clássicas, dentro de toda a movimentação político social que caracteriza a conjuntura de redemocratização. (AMARANTE, 2003, p.87). Jorge et al. (2005) afirmam que a partir da década de 1980, tendo a inserção dos movimentoscivis que buscavam a maior participação popular e a democratização na nação, teve o surgimentodos grupos profissionais em saúde mental junto com a sociedade civil, que tinham uma organizaçãopara combater o modelo psiquiátrico atual. Com a busca de uma política de saúde mental extra-hospitalar equânime e de base comunitária. Com os movimentos de denúncias foram iniciadastransformações dentro dos hospitais públicos, dando origem a um processo de democratização dasrelações dos profissionais e pacientes a redução de leitos hospitalares e centro psicossocial(Naps/Caps) para tratar os pacientes próximo de seu lar e família. Desse modo, a “Política Nacional de Saúde Mental, vigente no Brasil, objetiva reduzirprogressivamente os leitos em hospitais psiquiátricos, expandindo qualificando e fortalecendo a redeextra-hospitalar”.( Souza,2007, p.391). Segundo Sampaio & Santos (2001), os centros atenção psicossocial oferece uma situaçãoprivilegiado se pensarmos nos princípios do movimento Brasileiro da Reforma Psiquiátrica seus
  4. 4. resultados, instrumentos e intervenções. O Caps é uma forma de assistência pública, no problema desaúde mental no coletivo e individual, sendo que se destingue pelo acesso local e pelainterdisciplinaridade. Suas características são amplas dimensões técnicas e políticas: integração asistemas primários e secundários de atenção; acessibilidade local; prática multiprofissional;interdisciplinar; multiplicidade de práticas; processo de supervisão; centro dinâmico das políticas desaúde mental; verdade exclusiva. Caps foi elaborado há dez anos em setembro 1986. Em março do ano seguinte foi oficialmente inaugurado e no mês de junho iniciou suas atividades com pacientes suas atividades com pacientes. Desde sua criação é um serviço de assistência ensino e pesquisa inserindo na rede pública de atenção á saúde mental. Destina-se ao atendimento e pacientes graves.Ao longo dos anos foi ampliando suas funções: formando pessoal para a rede de atendimento, oferecendo estágio para estudantes e desenvolvendo sua vocação como local de reabilitação( GOLDBERG, Jairo, 2001, p.34-35). Dados do Ministério da Saúde (2010) do mês de abril do estado de Santa Catarina, os Capsexistentes são: - 41 Caps I ; - 13 Caps II; - 01 Caps III; - 06 Caps Infantil; - 08 Caps Adulto A progessiva mudança com avanços no modelo assistencial brasileiro como um todo e naatenção e no cuidado à saúde mental em particular. Simulatanemente, a adequação desse modelo àsnecessidades e demandas e, igualmente à questão da informação em saúde necessita avançar demaneira expressiva nesse processo de mudanças. Segundo Sabbatini (2007), “a medicina foi uma das últimas áreas a adotar as modernastecnologias de informação e telecomunicação em suas rotinas e procedimentos”. Não deixa de sersurpreendente o fato de que, embora a área de saúde tenha como uma de suas particularidades ageração e utilização extremamente intensivas de dados e de informação em todas as suas atividades,esta mesma área ainda apresente resistências à informatização em pleno século vinte e um. De acordo com Wyatt e Sullivan (2005) informação em saúde: “[…] helps doctor with theirdecisions and actions, and improves patient outcomes by making more efficient the way patient dataand medical knowledge is captured, processed, communicated and applied”. E mais adiantecompletam: “Information only exists to support decisions and actions: if it fails to do this, it isirrelevant noise”. A idéia de que dados dos pacientes e conhecimento médico precisem ser capturados,processados, comunicados e aplicados e de que a informação deva dar suporte à decisões a ações – eque, fora isso, é puro ruído – pode parecer pragmática demais à primeira vista, sobretudo paraprofissionais da área de saúde mental, acostumados com impressões subjetivas e decisões assimbaseadas. No entanto, a esmagadora demanda, por si só, por atendimento por transtornos mentais emnosso meio deveria estar suscitando reflexões, estudos e debates justamente sobre os métodos aindautilizados por profissionais do setor para capturar, processar, comunicar e aplicar os dados aportadospelos usuários, lançar mão do conhecimento científico atualmente existente, intercambiarinformações com outros serviços e profissionais etc. O descompasso entre a demanda e a oferta deserviços especializados estaria portanto muito além da quantidade baixa de profissionais e serviços
  5. 5. constituídos. Depois de uma insistentemente cobrada (e nunca finalizada) “reforma psiquiátrica”,podemos estar já diante de uma ainda não reconhecida mas necessária “reforma da saúde mental” ede seus métodos de gestão da informação que possa sintonizá-la com os novos tempos digitalizadosque estamos vivendo. Devemos reconhecer que o progresso tecnológico que se acelerou nas últimas décadas pareceter sido mais generoso com algumas áreas da medicina, mais do que com outras. Enquantoespecialidades como a cardiologia e a oftalmologia, entre outras, exibem modernos recursosbaseados, em algum nível, na contribuição da informática, o mesmo não se pode dizer, por exemplo,da psiquiatria ou, pelo menos, de sua vertente mais social, a chamada saúde mental pública. Nas últimas décadas, enquanto um articulado movimento tratava de desconstruir um modelode psiquiatria centrado nos hospitais e nos médicos psiquiatras, ia emergindo, paralelamente, umarede de serviços dita preocupada em garantir os direitos dos pacientes, agora então denominados“usuários”. Os serviços assim constituídos – e os Centros de Atenção Psicossocial são orepresentante-mor desta tendência – passaram a assumir a assistência de milhares de pessoas, namaioria das vezes sob condições duvidosas em matéria de preparo ou adequação para a tarefa.Passados alguns anos, e em meio a uma situação crítica de desassistência na área, pode-se indagarse os preceitos éticos, ideológicos e políticos que nortearam essa guinada na assistência pública àsaúde mental no país de fato são ainda suficientes – ou adequados - para garantir a transparência emseus processos e a real inclusão destes usuários na atualmente chamada sociedade de informação. Ouse estaríamos diante de uma rede onde os discursos acenam com a liberdade e o gozo dos direitosmas onde a prática rotineira mais se aproxima das mais empedernidas burocracias, pelo menos noque diz respeito à forma como se entende a gestão da informação nestes serviços. Um dos instrumentos que melhor represente a ideia de cuidado, atenção e respeito à dignidadedo cidadão em situação de atendimento num serviço de saúde talvez seja o prontuário. A formacomo esse instrumento é visto, considerado, respeitado e usado pelos profissionais pode revelar, porexemplo e de certo modo, a ideia que se tem do usuário e seus direitos. No entanto, a ênfaseexagerada no subjetivismo, concepções ideológicas equivocadas sobre a doença mental, pressões degrupos militantes, entre outros desvios, plantaram na área da saúde mental pública, a concepção deque muitas outras coisas são mais importantes do que... prontuários. De acordo com REIS et al.(2009): Nem sempre a existência de prontuários, que acompanham a trajetória dos usuários dos equipamentos de saúde mental e nos quais se inscrevem os diversos dados, ações, cuidados e medidas atinentes a esses sujeitos, foi reconhecida como sendo de real utilidade para eles, nem sua existência representou um valor positivo por parte de setores de trabalhadores da saúde mental. Já se argumentou criticamente, num momento histórico em que as instituições de saúde mental respondiam maciçamente ao modelo médico-hospitalar, que prontuários cristalizavam a vida e enrijeciam a dinâmica da situação dos sujeitos que neles tinham suas vicissitudes inscritas e, assim, contribuíam para a reificação e estigmatização dos processos que os afetavam. A existência dessa modalidade de registro prender-se-ia tão exclusivamente a medidas burocrático-administrativas, não raro ideológicas e derivadas mimeticamente de procedimentos próprios da área que se ocupa das doenças físicas”. A análise dos processos de gestão da informação nestes novos serviços de saúde mental poderevelar dados – e atitudes - interessantes. Em pesquisa que analisa a representação doscoordenadores de equipe dos CAPSi a respeito do valor e da utilidade dos prontuários, REIS et al.(2009) demonstram como, a despeito de todos os avanços em matéria de garantia dos direitos dosusuários, estes serviços ainda trabalham considerando o prontuário como algo importante apenas
  6. 6. para a equipe e o serviço, mas quase nada para o usuário. No dizer dos autores: [...] os prontuários são percebidos como valiosos instrumentos de trabalho e sua importância destacada como instrumento de intervenção e de acompanhamento clínicos. Sua relevância é assinalada como dispositivo que possibilita a articulação e a comunicação dos membros das equipes técnicas dos CAPSi. Por outro lado, não é percebida qual a utilidade que eles teriam para o usuário. A contradição nos níveis de importância alocada à utilidade dos prontuários quando se trata da equipe técnica ou dos usuários enseja uma discussão aprofundada sobre a natureza da clínica em saúde mental praticada nos CAPSi. Mais do que ensejar, no entanto, uma discussão aprofundada sobre a natureza da clínica emsaúde mental praticada nos CAPS em geral, esta atitude com relação aos prontuários pode tambémconduzir, por extensão, a uma não menos preocupante postura com relação aos novos processos degestão da informação baseados na informática, processos esses sim profundamente revolucionáriospor sua capacidade de democratizar realmente, e na prática, a informação. De acordo com os autores da pesquisa, o prontuário como um instrumento da equipe – eapenas da equipe – impede, na verdade, que ele seja utilizado como “um eficaz meio de diálogo,apetrecho clínico interativo entre a equipe e o usuário” (grifos nossos). Se entendermos que, nos diasde hoje, para que a interatividade ocorra e seja completa, é fundamental incluir o mundo digital,podemos imaginar também que, a menos que esta forma de pensar os prontuários em nossos serviçospúblicos de saúde mental mude, as barreiras continuarão sendo imensas para a adoção, por exemplo,de prontuários eletrônicos, espaços onde esta interatividade é cada vez mais exercida e ampliada naárea da saúde. Neste sentido, não deixa de ser sintomática a ausência repetida nos debates, encontrose capacitações da saúde mental pública de qualquer referência à modelos de gestão da informaçãonos serviços, adoção de prontuários eletrônicos e outros temas e recursos da informática em saúde oudas tecnologias de informação e comunicação. Mais do que isolando serviços, profissionais e usuários dos infinitos recursos e avançospossibilitados pela informática, a ausência da reflexão destes temas na área pode estar atrasandoainda mais a incorporação da mesma ao mais recente, e ainda mais inovador aspecto do chamadomundo digital, no que diz respeito à saúde: a e-saúde, ou saúde em rede digital. ConformeSABBATINI, “e-saúde é o conjunto de aplicações, sistemas, infraestrutura, interconexão e filosofiade integração de dados, informações e serviços que abrangem a totalidade das atividades típicasdeste setor econômico e social”. Ampliando esta definição e possibilitando que pensemos em váriosdesdobramentos e aplicações possíveis da e-saúde na área da saúde mental pública, este mesmoautor cita Günter Eysenbach (2001): e-saúde é um campo emergente da união da informática médica, saúde pública e negócios, referente aos serviços de saúde e de informação comunicados através da internet e das tecnologias relacionadas. Num sentido mais amplo, o termo caracteriza não somente o desenvolvimento técnico como também um estado de espírito, um modo de pensar, uma atitude e um compromisso com a rede, pensamento global, para melhorar o cuidado com a saúde local, regional e mundial com o uso da tecnologia de informação e comunicação” (SABATTINI, 2007, apud Eysenbach, 2001). A e-saúde reuniria, na verdade, todas as condições de transformação radical do sistema desaúde. Não preparar o terreno de uma área para sua chegada e implantação significa, por extensão,alijar pessoas deste profundo processo de transformação, já em curso em muitos países. Sabattini(2007) enumera algumas destas transformações possibilitadas pela e-saúde:•Democratização do acesso à informação médica.•Mudanças no relacionamento médico-paciente (parceria, co-responsabilidade, consentimentoesclarecido etc.).
  7. 7. •Criação das Redes Comunitárias de Informação em Saúde, permitindo a integração e o intercâmbiode informações médicas entre todos os provedores de saúde de uma cidade, reduzindo amultiplicidade de dados, possibilitando o acesso dos pacientes a uma parte das informaçõespublicadas na Web (através do prontuário eletrônico do paciente) etc..•Novas modalidades de provimento de serviços médicos e de saúde mediadas pela rede, diretamenteaos pacientes, tais como telemonitaração doméstica e home-care à distância etc..•O acoplamento de serviços de comércio eletrônico de medicamentos e de suprimentos médico-cirúrgicos diretamente aos pacientes.•A avaliação on-line da qualidade de serviços médicos, feitos pelos próprios pacientes e divulgadospublicamente na Web (transparência da gestão pública). Ainda segundo SABBATINI (2007), quando totalmente implantada, a e-saúde poderá trazermuitos e variados benefícios, tais como:•A desospitalização progressiva do sistema com deslocamento de boa parte dos serviços de atençãomédica e à saúde para sistemas ambulatoriais, one-day hospital, etc., diminuindo os custos gerais eos riscos intrínsecos da hospitalização.•Um aumento da cobertura de serviços de saúde pública e privada, principalmente em municípiospequenos, pobres e remotos, onde as especialidades médicas mais sofisticadas nunca conseguiriamprosperar ou justificar seus custos devido à considerações de tamanho de mercado.•Descentralização dos serviços de saúde, mantendo o acesso total a dados de qualidade.•Regulação mais apurada e frequente do sistema de atendimento, permitindo o surgimento desistemas automatizados de referência e contra-referência, central de leitos, central de ambulâncias,serviços de urgência, etc..•Acesso mais rápido aos dados, com consequente aumento da qualidade.•Racionalização, enxugamento e eliminação de desperdícios através da melhor informação.•Participação mais ativa dos usuários, melhor controle da população sobre a gestão do sistema. É oportuno destacar que vários avanços trazidos pela saúde em rede digital (e-saúde), jácomprovados em várias partes do mundo, são a própria materialização de velhas bandeiraslevantadas por vários movimentos ainda atuantes na área da saúde pública (desospitalização,controle social etc.) com suas respectivas soluções. Se tais bandeiras ainda não foram atingidas,talvez isto se explique pelos métodos inadequados que foram usados até agora. A e-saúde pode estarrepresentando justamente a possibilidade de alcançarmos objetivos idealizados, quase semprepresentes nos discursos oficiais mas ainda muito distantes do dia a dia dos cidadãos.7- METODOLOGIADe acordo com Silva e Menezes (2005), a pesquisa em questão pode ser classificada como: aplicadaquanto à sua natureza e descritiva, quanto à forma usada para atingir os objetivos.A presente pesquisa será iniciada com um breve levantamento bibliográfico de prontuárioseletrônicos e sua forma de relacionamento com o serviço prestado por CAPS AD, a fim deidentificar as melhores práticas a serem adotadas em sistemas desta natureza.Será investigado através de estudo in loco e entrevistas com os responsáveis do CAPS AD de Lagescomo é o atual processo de gerenciamento das etapas de atendimento dos usuários (pacientes) ecomo se dá o fluxo de informações dentro deste processo. Nesta etapa, será possível realizar a
  8. 8. modelagem do sistema, propondo o estabelecimento de uma linguagem padronizada de termos. Paraa modelagem será utilizado o Processo Unificado, onde será inicialmente realizado o levantamentode requisitos para, em seguida, elaborar os casos de usos e o modelo lógico do banco de dados dosistema transacional proposto.Na etapa final será realizada a implementação do sistema em questão, levando em consideraçãocomo requisitos tecnológicos para dar suporte a uma aplicação Web: ser compatível com sistemaoperacional e banco de dados livres, além das linguagens HTML e CSS, na parte visual, e PHP eJavaScript, para a lógica de negócio. Ainda, a aplicação web deve, na medida do possível, utilizar osconceitos de padrões web e orientação a objetos através da linguagem PHP.Durante todo o processo de implementação serão realizados testes para a verificação dasfuncionalidades da aplicação. Sendo então, a aplicação implantada no servidor da CAPS AD.Por fim, será feita a redação do relatório final apontando resultados da pesquisa e um artigo, onde obolsista aprofundará seus conhecimentos sobre a redação de documentos científicos.8 - RESULTADOS ESPERADOSAo concretizar esta pesquisa espera-se contribuir diretamente na qualidade dos serviços prestadospelos CAPS AD. Especificamente, têm-se como resultados esperados:•Científicos:oEntendimento e padronização do processo de comunicação que envolvem os serviços prestadospelos CAPS ADoPublicação de um artigo em evento nacional;Divulgação dos resultados em eventos científicosnacionais e internacionaisoAmpliar a interface e parceria de pesquisa interdisciplinar entre a área da Saúde e dos Sistemas deInformação•Tecnológicos:oCriação de um prontuário eletrônico do CAPS AD que poderá ser amplamente utilizado pelosserviços de CAPS no Estado e no Brasil•Econômicos:oOtimização dos recursos e instrumetos utilizados no cotidiano dos serviços•Sociais:oElaboração de uma “versão do usuário” do Plano Terapêutico Individualizado (PTI) de modo ainformar ao usuário sobre metas a atingir em seu projeto?•Ambiental:oA ampla utilização do sistema informatizado poderá trazer menores impactos ambientais, quandocomparada a um sistema manual (utilização de papel).9– PLANO DE TRABALHO DO ALUNO BOLSISTAPara alcançar os objetivos propostos neste projeto, o bolsista desenvolverá as seguintes atividades:1.Acompanhamento da revisão bibliográfica.2.Realização de entrevistas e visitas in loco adotando os padrões de documentação do ProcessoUnificado.3.Modelagem do Sistema através do levantamento de requisitos, elaboração de casos de uso e
  9. 9. modelagem do banco de dados.4.Estudo sobre as principais tecnologias e ferramentas utilizadas para o desenvolvimento de sistemasweb, dentre as quais destacam-se: Linguagens HTML, CSS e PHP.5.O desenvolvimento do website utilizando as tecnologias estudadas.6.Redação do relatório final da pesquisa e do artigo.10 - CRONOGRAMA DE ATIVIDADES DE PESQUISA Atividades CalendárioRevisão Bibliográfica Outubro a Novembro de 2011Visita in locu e Entrevistas com responsáveis CAPS AD Dezembro de 2011 a Março de 2012Modelagem do Sistema Fevereiro e Março de 2012Implementação do Sistema Fevereiro a Junho de 2012Testes do sistema Abril a Julho de 2012Implantação do Sistema Agosto de 2012Participação da Mostra Científica Outubro de 2012Elaboração do Relatório Final do Projeto Agosto a Outubro de 2012Elaboração do Artigo Setembro e Outubro de 2012BIBLIOGRAFIA CONSULTADAAMARANTE, P. Loucos pela vida: A trajetória de reforma psiquiátrica no Brasil. 2.ed. Rio de Janeiro:Editora Fiocruz, 2003.136p.11 -BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Mental. [citado 14 abril]. Disponível em:www.saude.gov.br.BRASIL, 2011. O que é reforma psiquiátrica. http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=925JORGE, MAS et al. Política de Saúde: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Verâncio.FundaçãoOswaldo Cruz. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003.242p.Jr. BB. Desafios da Reforma Psiquiátrica no Brasil. PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 17(2):243-250, 2007.REIS, AOA et al . Prontuários, para que servem?: representação dos coordenadores de equipe dos capsi arespeito do valor e da utilidade dos prontuários. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum., São Paulo, v. 19, n.3, dez. 2009 . Disponível em: <http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12822009000300004&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 11 set. 2011.SAMPAIO, J.J.C.; SAnTOS, A.W.G. A experiência do Centro de Atenção Psicossocial e o MovimentoBrasileiro de Reforma Psiquiátrica. In: PITTA, A. (Org.). Reabilitação psicossocial no Brasil. São Paulo:Hucitec, 2001. p.127-34.SABBATINI, RME: e-Saúde. Em: Knight, Peter T. et al. (Editores): e-Desenvolvimento. São Paulo, EditoraYendis, 2007 (PDF).SILVA, E. L. da e MENEZES, E. M. Metodologia da Pesquisa e Elaboração de Dissertação. 4 ed.Florianópolis: UFSC, 2005. 138 p.SOUZA AJF, MATIAS GN, GOMES KFA, PARENTE ACIM. A saúde mental no Programa Saúde daFamília. Rev. Bras Enfer, Brasília 2007 jul-ago; 60(4): 391-5.WHYATT, Jeremy C.; SULLIVAN, Frank. What is health information? Disponível em:http://www.bmj.com/content/331/7516/566.full?sid=98ac7dcb-c478-43a3-9b46-b672522c36cb. Acesso em:11 set. 2011.

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