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SORTE E OUTROS TRUQUES DE PESCADORO PRINCIPIANTE  Este é um Manual de Pesca para quem absolutamente nada sabe de pesca, ma...
com a prática. Apenas através dela você saberá escolher a melhor isca, fisgar na ora certa,sentir o melhor local ou adivin...
"Senhores Diretores:  Marquei, para o período de 2 a 8 de Maio, a utilização do meu crédito junto aessa empresa, com uma p...
trazidas de volta, ao final da pescaria e não reembolsadas, conforme política dohotel.  Começava aí uma brincadeira de mau...
montada no dia anterior, com a compra dos pintados.  E cá entre nós, entre pescar um pintado ou um dourado, reconhecemos q...
Em outros locais da cidade, as iscas vivas são vendidas a R$ 0,50 cada. Ohotel possui tanques para criação, o que deve bar...
alimentar piranhas com iscas caras, percorrendo as águas podres para nada.   Indaguem a esses associados se vão recomendar...
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Numa demonstração de que poderia ser um principiante na pesca, mas não na defesa dosmeus direitos, não deixei por menos, e...
iscas e, na minha ignorância, não ter traduzido por "as iscas que porventuranão forem utilizadas, poderão ser guardadas no...
provoca a falta de oxigênio na água, expulsando os peixes. Outros barcos foram            para outras regiões, longe do fe...
como useiros e vezeiros na arte de ludibriar pescadores, não hesitaremos em divulgá-los.  Esse relato é de extrema utilida...
É o mínimo que se pode esperar delas.                              A PESCA DE BARRANCO  Não há demérito algum para um prin...
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a isca além dele. Recolher num movimento contínuo e esperar pelo bote de uma delas.  B) se isso não funcionar, recolha a i...
fixar essas iscas ao anzol para que não morram imediatamente.  Peixes, por exemplo, devem ser iscados pelas costas. Carang...
Algumas espécies como o robalo, o black bass e o tucunaré, ambos esportivos e vorazes aoextremo, preferem circular por ent...
experiência e a prática, aliadas aos conhecimentos do equipamento, das iscas, dos hábitos dospeixes, dos pesqueiros e das ...
Um bom bronzeador também pode ser acrescentado a sua tralha, se for o caso.ACIDENTES COM ANZÓIS   Mesmo o mais experiente ...
ÁGUA-VIVA  A água-viva tem diversos nomes e pode ter diversas formas e tamanho. Costumam aparecernas praias após uma ressa...
DENTES  Tão ou mais perigosos que os ferrões são os dentes de algumas espécies pois numdescuido eles simplesmente podem de...
ser muito bem refletida.  Libertar o peixe pode ser um ato de amor à natureza e de louvor à coragem do animal,proporcionan...
anual é exigida da mesma forma.  Na época da chamada piracema, período de procriação dos peixes na maioria dos rios dopaís...
aconselhável levar o seguinte equipamento:  a) Varas de 1,6 m, para a pesca de corrico, até varas de 2,5 m, para a pesca d...
É importante ficar atento nesse tipo de pesca pois o pacu, quando avança para a isca, fazisso vorazmente, por isso é bom m...
Na pesca de batida, você pode usar também seu molinete e fazer da mesma forma que fariacom uma vara de bambu. Com a prátic...
aconselhável refazer os nós, coisa que, para quem praticou, tomará alguns segundos e evitaráqualquer possível frustração n...
O equipamento exigido para esse tipo de pesca deve ser especial, resistente à maresia.Uma vara de 3,50 m, com um suporte p...
Se ela não for o suficiente, pode se romper no momento do arremesso. Por isso é que seusa o arranque que nada mais é que u...
Este é um dos itens mais importantes de uma pescaria, pois a escolha do material corretovai lhe proporcionar momentos de l...
dor-de-cabeça.   Habitue-se, portanto, a pedir pela marca, elegendo uma linha preferido. E não pense quenisso as importada...
principalmente porque o que vale não é rebocar o peixe, mas trazê-lo até você numa luta queemociona e dá prazer.  Você pod...
esse tipo de argumento.  Tomando alguns cuidados você terá muitas alegrias e muito prazer com ela. Guarde-asempre numa pos...
Os molinetes vão indicar a sua resistência e a linha ideal. Com isso você não terá problemasde preparar seu equipamento pa...
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As iscas artificiais revolucionaram a pescaria pela sua praticidade e por eliminar uma sériede inconvenientes que se tem q...
Além de extremamente práticos, permitem que você libere logo o anzol e o peixe para voltarao que realmente interessa em tu...
lo dentro da água ou à sombra. Seja ele como for, o importante é estar sempre limpo e semprecheio de água.OUTROS MATERIAIS...
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  1. 1. Direitos exclusivos para língua portuguesa: Copyright © 2007 L P Baçan Pérola — PR — Brasil Edição do Autor. Autorizadas a reprodução e distribuição gratuitadesde que sejam preservadas as características originais da obra.
  2. 2. SORTE E OUTROS TRUQUES DE PESCADORO PRINCIPIANTE Este é um Manual de Pesca para quem absolutamente nada sabe de pesca, mas quer sebeneficiar das vantagens terapêuticas da pescaria. As mulheres normalmente não entendem como um homem pode se levantar de madrugadaem pleno feriado, juntar toda a sua tralha e viajar um longo caminho para chegar a um rio,onde será picado por pernilongos, arriscará tomar uma insolação, espetará o corpo comanzóis, comerá comida fria e voltará para casa sem trazer nada, arrebentado, com o corpodolorido, queimado, machucado, picado e espetado, mas com um sorriso de felicidade noslábios. Há um relaxamento total no corpo de uma pessoa estressada, já a partir do momento emque ela decide fazer uma pescaria. Ela já relaxa com a antevisão do rio e da água deslizandodiante dele, sonhando com a fantástica briga que um dia travará com o "pai de todos", aquelepeixão que vive na cabeça de todo pescador, que sonha um dia fisgá-lo na briga que parasempre será contada com orgulho, pois para esse peixe nem a história nem o tamanho dobicho precisarão ser aumentados. Os preparativos, a revisão do equipamento, as providências, tudo isso já coloca o sujeitonum outro mundo e todos os problemas até então existentes são deixados de lado comsatisfação. Uma impaciência vai tomando conta do indivíduo. As horas vão passando lenta masinexoravelmente, até a chegada do grande dia, quando a aventura se inicia e, com certeza,deixará recordações inesquecíveis. Há pessoas que não gostam disso, por isso não se beneficiam dessa maneira primitiva deenfrentar a natureza e reviver a luta ancestral do homem pela sobrevivência. O instinto do caçador que existe em todos nós se manifesta nesse momento. A pesca é umaluta constante entre a sua inteligência e habilidade e a rapidez do peixe. Entre os dois,intermediando, mas pendendo ora para um lado, ora para outro, a Dona Sorte se diverteimensamente com tudo isso. Pescar é uma arte e uma ciência que pode ser aprendida nos livros, mas a perfeição só virá
  3. 3. com a prática. Apenas através dela você saberá escolher a melhor isca, fisgar na ora certa,sentir o melhor local ou adivinhar onde está o peixe. O que pretendemos fazer aqui, portanto, é começar do zero, que foi onde começamos, háalguns anos atrás, quando, resolvemos fazer uma pescaria no Mato Grosso. Nada sabíamos do assunto, exceto que tínhamos que ter vara, molinete, anzol, chumbada euma caixa para guardar tudo isso. Disseram que no Mato Grosso encontraríamos peixesgrandes. Quem disse isso nos vendeu três varas muito boas e caras, de 1,80 m cada, queusamos muito bem, não para pescar, mas para guinchar nossos primeiros peixes mato-grossenses, privando-nos das emoções da pesca com equipamento mais leve e, por isso, maisemocionante. Este nosso Manual de Pesca Descomplicada pretende falar de pesca para quem querpraticá-la, mas hesita porque julga que não sabe o suficiente para isso. AVISO AOS PRINCIPIANTES O objetivo inicial de nosso trabalho foi o de apresentar instruções de utilidade para oprincipiante, cujo entusiasmo é muitas vezes maior que a experiência e, por isso, mais sujeito aalgumas desilusões que, longe de ser um desestímulo, devem servir como experiência, pois apesca é, acima de tudo, um estado de espírito que não pode ser prejudicado nemdesacreditado por aproveitadores e espertalhões que ainda teimam em fazer da Lei de Gersona grande regra nacional. Como orientação, conto algo que aconteceu comigo e a história poderá ser deduzida deuma carta que mandei para uma importante empresa de turismo do país, tida comoconceituada e responsável, onde narro minhas desventuras. Mais do que um desabafo, a cartaserve como um alerta para os pescadores em geral, pois temos hoje um poderoso instrumentochamado Código de Defesa do Consumidor, que precisa ser acionado para a moralização dasrelações entre prestadores de serviço e o público em geral. Os nomes foram omitidos e o texto foi editado em alguns trechos, para não permitir aidentificação, por razões que os leitores entenderão no decorrer do assunto. É revoltante perceber que um esporte divertido e saudável, que representa hoje uma grandefonte de rendas na área do turismo, ainda é explorado por pessoas tão inexperientes einsensíveis.
  4. 4. "Senhores Diretores: Marquei, para o período de 2 a 8 de Maio, a utilização do meu crédito junto aessa empresa, com uma pescaria no Pantanal, juntamente com meu filho, umprojeto que já vínhamos adiando há alguns anos. O escolhido foi o Hotel X,pertencente a essa rede. Antes de irmos, telefonamos duas vezes ao hotel, tirando nossas dúvidas,inclusive expondo a questão mais importante para nós, que era saber a respeitodos peixes. As informações foram de que estavam pescando pacus, pintados,piaus e outros, o que nos deixou ainda mais ansiosos para a pescaria. Indagar se havia peixes no Pantanal pode parecer tolice, mas íamos viajar maisde 1.200 quilômetros de ônibus e seria decepcionante fazer essa viagem paranada. Tudo preparado, rumamos para ..., onde chegamos após 20 horas de viagem,cansados, mas impacientes para iniciarmos a pescaria. Vale dizer que a recepçãofoi acima da média. O pessoal do hotel é de primeira linha, atencioso epreocupado com o atendimento aos hóspedes. Quando fomos contratar a pescaria com o piloteiro, que é fornecido pelohotel, juntamente com o barco, o motor e as iscas, fomos informados por eleque os peixes estavam sendo encontrados longe do hotel e que naquele diahaviam apanhado 4 (quatro) pintados de bom tamanho, que estavam, inclusive,guardados num dos freezers do hotel. Além deles, poderíamos também pescarpacus. A sugestão do piloteiro foi de que levássemos o seguinte:80 litros de combustível80 iscas para pintados (truviras)50 iscas para pacus (caranquejos) Isso nos parecia mais do que o suficiente para uma pescaria sensacional, poisnão planejávamos trazer peixes. Apenas pescar, fotografar e soltar.Considerando, porém, que o hotel não aceita iscas vivas de volta, mesmoque estejam vivas, optamos por levar50 iscas para pintados e20 iscas para pacusdas quais aproximadamente 20 iscas para pintados e 5 iscas para pacus foram
  5. 5. trazidas de volta, ao final da pescaria e não reembolsadas, conforme política dohotel. Começava aí uma brincadeira de mau gosto. Viajamos mais de 2 horas debarco para chegarmos ao local onde o piloteiro havia pescado os pintados no diaanterior. Foi um sobe e desce de barcos rio acima e rio abaixo, pois estava nohotel uma excursão com 26 pescadores que, como nós, estavam ansiosos paracapturar alguns belos espécimes. Chegamos a fisgar pacus, cachorras, um douradinho e piranhas, muitaspiranhas, mas nosso barco fazia água, por isso não pudemos ficar ali, parados.Como os outros pescadores, fomos levados rio acima e rio abaixo, procurando ospeixes, sem sucesso nenhum, só queimando combustível, o que, no nossocaso, era ainda agravado pelo furo que havia no barco, onde, aparentemente,havia se soltado um arrebite e a água entrava generosamente, mesmo com otampão improvisado pelo piloteiro, com um talo de aguapé. Havia piranhas, como já dissemos. Muitas piranhas que foram alimentadas comiscas vivas caríssimas, mas não havia pintados nem grandes pacus. Retornamosno fim do dia cansados, e, juntamente com todos os elementos dos outros barcos,decepcionados. Então, no decorrer do jantar, ficamos sabendo de algo interessante: os pintadosnão haviam sido apanhados conforme o piloteiro havia afirmado. Eles haviam sidocomprados e traziam no lombo ainda as marcas da rede com a qual haviam sidoapanhados por um pescador profissional. Isso nos deixou a todos indignados, muito embora o responsável pelaspescarias no hotel lamentasse o ocorrido. Só que pagamos, pasmem, senhores,R$ 197,80 para sermos enganados, gastando combustível e esperança,alimentando piranhas com iscas vivas de R$ 0,70 cada. Isso não seria tão grave se há poucos minutos do hotel, num localconhecido, os pescadores da cidade e outros estavam pescando douradoscom extrema facilidade. Só que nos foi informado que não havia peixes porperto. Além disso, ocorria na região para onde fomos levados o fenômenochamado "decoada" ou "água-podre", que espanta os peixes. I Isso era de conhecimento dos piloteiros, que foram unânimes em recomendar olocal onde sabiam que não haveria peixes, tudo isso em função de uma farsa
  6. 6. montada no dia anterior, com a compra dos pintados. E cá entre nós, entre pescar um pintado ou um dourado, reconhecemos que émuito mais emocionante o dourado, que estava, inclusive, muito mais próximo denós. E as decepções não param por aí, senhores. Antes da chegada da excursãocom 26 pescadores, e da nossa chegada, o hotel havia reajustado o preço docombustível e das iscas, contrariando a informação que havíamos recebido portelefone anteriormente:Combustível: de R$ 0,85 para R$ 1,13Iscas: de R$ 0,60 para R$ 0,70. Nós nos sentimos numa verdadeira armadilha, sem ter como sair dela.Entender como um litro de combustível, que na bomba custa R$ 0,70, podereceber um sobrepreço de 61,43% é coisa que nem mesmo os técnicos do CNPconseguiriam. E não se pode alegar que nesse combustível está incluído o óleolubrificante, pois o motor é alugado. Subentende-se que o preço do aluguel incluitodo o necessário para a manutenção do motor, incluindo, é claro, oimprescindível óleo combustível. Acompanhem-me rapidamente, senhores, num cálculo grosseiro, massignificativo para que se entenda o que significa tudo isso:BARCO:Aluguel diário: R$ 25,00.Projeção de renda mensal possível: R$ 750,00Custo de um barco: R$ 750,00? R$ 1.000,00?Previsão de retorno do investimento: 1 mês? 2 meses no máximo?MOTOR:A mesma coisa.COMBUSTÍVEL:Lucro de R$ 0,43 por litro, ou 6l,43% de lucro imediato.ISCAS:
  7. 7. Em outros locais da cidade, as iscas vivas são vendidas a R$ 0,50 cada. Ohotel possui tanques para criação, o que deve baratear o custo. Mesmo assim,cobram 40% a mais.REFEIÇÕES: R$ 3,00 por um sanduíche de pão de forma, uma fatia de mussarela e umhambúrguer de frango. R$ 7,00 o almoço ou o jantar. Numa excelente churrascaria no centro dacidade, come-se um rodízio das melhores carnes, com um bufê de alimentosquentes, frios e sobremesa, por R$ 6,50 por pessoa. R$ 5,00 um marmitex que pode ser comprado na cidade por até R$ 2,50, muitomais substancial e variado, inclusive. Dois dias depois dessa malfadada pescaria, com orientação do proprietáriodessa churrascaria, fizemos uma pescaria contratada com um autônomo. Vejam a comparação das duas despesas: HOTELAUTÔNOMOCombustível.............................. R$ 1,13 R$1,00Barco, Motor e Piloteiro.... R$ 75,00 R$ 60,00Iscas.......................................... R$ 0,70 R$0,50Total da pescaria.................. R$ 197,80 R$110,00 Como se percebe, senhores, fomos enganados de tantas maneiras quesimplesmente desistimos da pescaria e antes de completar nosso período depermanência, deixamos o hotel. Não se viaja 1.200 quilômetros para que nos tratem como tolos, ingênuos eidiotas, por um esquema que não tem pejo em lançar mão de todos os artifícios asua disposição para explorar o turista e sugá-lo uma única vez. Talvez isso sejafeita porque há muitos pescadores pelo Brasil. São tantos que mesmo cada umindo apenas uma vez na vida, o hotel sempre terá novos clientes. Consultem os outros associados que estiveram no Hotel no mesmo período.Indaguem a eles se gostaram de passear de barco, queimar combustível e
  8. 8. alimentar piranhas com iscas caras, percorrendo as águas podres para nada. Indaguem a esses associados se vão recomendar o Hotel a seus amigos.Indaguem se vão voltar. Indaguem se, como nós, eles não se sentiram lesados,enganados e tratados como idiotas por piloteiros espertos, a mando de alguémmais esperto ainda. Foi com uma ironia muito grande que li a ADVERTÊNCIA contida no impressoque estava no balcão do hotel, bem à vista dos hóspedes. Advertência que dizque serão penalizados por danos materiais aos bens da empresa, por faltasdisciplinares, por desrespeito a funcionários, por atentados contra a moral e osbons costumes e por agressões físicas ou morais contra outrém. Havia também uma cópia do Regulamento Geral de Reservas, onde se falaDos Compromissos dos usuários, mas não se fala de seus direitos, exceto o Art.23, que diz que os casos omissos serão solucionados pela Diretoria. A minha pergunta é essa, Senhores Diretores: E os nossos direitos? E a expectativa de um período tranqüilo e divertido quetivemos e que foi destruída pela ganância do responsável pelo Hotel? E o tempoque perdemos andando de barco, quando pagamos para pescar? E ossobrepreços que pagamos para não receber os serviços correspondentes? E adecepção que nos atormentou pelos 1.200 quilômetros da volta e que até agoranos revolta e contra a qual temos que lutar para que nunca mais alguém passepelo mesmo que passamos? Senhores, a diária do Hotel, com o atendimento e o pessoal que tem, ébaratíssima. Barata demais. Tão barata que não dava para entender como podiaser tão barata. Na verdade, é só uma isca para atrair os pobres pescadores,invertendo ironicamente as posições. O lucro do hotel não está no setor hoteleiro,mas na exploração dos pescadores, gente cheia de esperanças por uma boaaventura que é capaz de viajar 2.400 quilômetros de ônibus, passar quase doisdias em viagem, apenas pela emoção de fisgar bons peixes. Desrespeitar isso, utilizando-o como pretexto para justificar a ganância, é, nomínimo, um ato de covardia, antes de ser um CASO DE DESRESPEITO À LEIDO CONSUMIDOR, porque lança mão de propaganda enganosa. Enganosa aoafirmar por telefone, para o pescador distante, que o período está bom para apesca, quando se sabe que está ocorrendo o fenômeno das cheias e da decoada.Enganosa quando um piloteiro a serviço do hotel se dispõe e afirmar que peixescomprados foram pegos em determinado local, longe, muito longe, lá nas águas
  9. 9. podres, onde se gastará muito tempo para chegar e nada se encontrará. Enganosa porque não vende qualidade, mas explora no preço. Enganosa porque não leva em conta as expectativas do cliente, mentindo vergonhosamente. O peixe, que estava a duas horas e meia de barco, também estava a cinco minutos do hotel. A emoção que buscávamos era a da pesca e não a do passeio de barco pelas águas podres. Infelizmente nada podemos fazer a respeito do assunto, senão protestar e pagar o nosso prejuízo. Nada nos impede, porém, que alertemos os outros pescadores e que alertemos essa Diretoria, como responsável pelo Hotel e pela excelência dos serviços por ele prestados. Anexamos comprovantes dessa aventura." O justo e veemente alerta deste pobre pescador enganado, à luz do que existe de maiscoerente empresarialmente falando, deveria ter encontrado junto à empresa prestadora deserviços as mais urgentes e honestas providências, uma vez que não se tratava de umaacusação gratuita, mas comprovada. Ao invés disso, para minha surpresa, a resposta da empresa foi agressiva, ameaçando-o,entre outras coisas, de um sério processo por calúnia e difamação. A sutileza de certasafirmações são dignas de nota e de repúdio. Por exemplo: "Referente aos ganhos, que em sua correspondência afirma serem abusivos, temos a salientar que um barco, um motor, a licença para navegar, não aparecem gratuitamente, no Hotel..." "... pois nenhum negócio ou serviço é fornecido gratuitamente, ao menos que estivessemos tratando de benemerência..." "... o hotel não pode ser responsabilizado pelo sucesso ou insucesso da pescaria. Todo pescador, sabe que nem todos os dias em que se obtém bons resultados na pescaria..." "... ninguém pode responder pela satisfação numa pescaria..." "Colhemos o ensejo que informar que as alegações expostas em sua carta não correspondem à verdade, o que facilmente se comprova, podendo assim ensejar, tais aleivosidades, a responsabilidade de reparar os danos morais causados ao (nome da empresa)."
  10. 10. Numa demonstração de que poderia ser um principiante na pesca, mas não na defesa dosmeus direitos, não deixei por menos, encaminhando a seguinte resposta. "Prezados Senhores: Antes de mais nada, as minhas mais humildes desculpas e minha total retratação pela correspondência remetida em 13 de maio, onde, possivelmente por falha de redação ou por confusão mental da minha parte, não consegui externar exatamente o que ocorreu com nossa pescaria no Hotel X. Primeiramente, em momento algum afirmei que essa empresa não é uma empresa séria e honesta. Se ficou subentendido isso, foi por falha minha. O objetivo de minha carta foi ALERTAR a Diretoria da empresa que, com toda certeza, não é onipresente nem onisciente, conforme ela própria reconhece, pois precisou de 30 dias para apurar os fatos. Com certeza, a minha intenção de alertar a empresa, de que sou sócio há quase 30 anos, que já me privilegiou com momentos de lazer inesquecíveis, não tenha ficado bem clara, por absoluta falha minha ao redigir minha correspondência. Só que daí a afirmar que minhas afirmações foram aleivosidades [sic] vai uma distância muito grande, tão grande quanto o anacronismo da mentalidade dessa empresa, com uma folha de 30 anos de bons serviços à comunidade, que não dispõe ainda de um Atendimento ao Consumidor, no mínimo decente. Anacronismo que se evidencia no uso de métodos intimidatórios, próprio de 30 anos atrás, para responder uma reclamação, assinando-a com um impessoal Diretoria e uma pomposa, mas prolixa, Consultoria Jurídica, como se esses títulos tivessem o condão de anular consciências e calar vozes, que desejam participar de um processo de mudança para melhor, exigível em todos os setores que optarem por se manter no mercado, não pela imposição da sua marca (que pode se desgastar ou até já estar desgastada), mas pela qualidade de seus serviços. Se o objetivo foi amedrontar, confesso que fiquei realmente apavorado com a repercussão de meus atos impensados e de minhas aleivosias, razão pela qual eu me retrato de todas as afirmações feitas anteriormente e nem a Diretoria nem a Consultoria Jurídica precisam me responder algumas questões que ficaram pendentes e que não me atrevo mais questionar, mas que gostaria de deixar registradas, apenas para constar: 1)- Em relação às iscas, peço desculpas por ter lido uma placa que estava no local, onde mencionava claramente que não seriam aceitas devoluções de
  11. 11. iscas e, na minha ignorância, não ter traduzido por "as iscas que porventuranão forem utilizadas, poderão ser guardadas no Hotel (Onde?) paraaproveitamento no outro dia." 2)- Quanto ao preço delas, também não precisa explicar por que alguns podemvender mais barato, já que há os que vendem mais caro, para equilibrar asituação. 3)- Quando ao preço do combustível cobrado pelo hotel e ao preço cobradopela bomba, ficou bem claro que o custo do transporte é que provoca a diferença.Nem precisa explicar como é transportado, pois acredito que, por ser um materialinflamável, o combustível tem que ser transportado com todo o conforto. Acho queisso também justifica as diferenças de preço da refeição e do marmitex. 4)- Achei muito boa a colocação sobre serviço fornecido gratuitamente esobre benemerência. Foi de um humor finíssimo e de uma ironia sutil muito bemaplicados. Para ter sido perfeito, só faltou encontrar uma explicação do mesmonível para a falta de manutenção do barco, que fazia água por um furo no casco. 5)- Não vou ter a leviandade de cometer outra aleivosidade e afirmar que,conforme informações da portaria do Hotel, os preços do combustível haviam sidoreajustados no início daquele mês (maio). Afinal, eles podem ter dito que ocombustível não aumentara no dia primeiro de maio, porque ele vinha semantendo igual desde fevereiro de 1995 e eu tivesse entendido errado. Nemprecisa olhar nas notas de fevereiro de 1995 e nas de maio de 1996 para verificarisso. Acredito! 6)- Agradeço de todo coração e com todo o entusiasmo de pescador amador oprecioso parágrafo que filosofa magistralmente sobre sucessos e insucessosnuma pescaria. Adorei particularmente o trecho que fala da paciência que se deveter numa pescaria. Tem que ter calma e sangue frio. Continuar firme, enquanto obote faz água. Afundar se for preciso, mas não desistir nunca. Excelente! Umalição de vida para o pescador amador. 7)- Sou obrigado aqui a exigir que Diretoria e a Consultoria se decidam, poisuma hora não são oniscientes nem onipresentes e na outra o são. Reprovam-mepor usar um argumento inverídico ( isso quer dizer mentira ou aleivosidade?) aodizer que todos os pescadores estavam pescando exatamente no local ondelhe foi indicado. Todos? Todos quem? E quem estava conseguindo pescaralguma coisa? Os que estavam lá, direcionados pela falsa informação de umpiloteiro do hotel (lembram-se?), estavam passeando de barco numa região deágua podre, onde um processo cientificamente comprovado (e não fortuito)
  12. 12. provoca a falta de oxigênio na água, expulsando os peixes. Outros barcos foram para outras regiões, longe do fenômeno da decoada,com melhores resultados. Seria a decoada um fenômeno novo? Os piloteiros não sabiam que isso ocorria? Não trocam informações entre si? São novos na região e desconhecem seus fenômenos mais comuns? 8)- Não precisam me explicar também a brincadeira feita pelo piloteiro do hotel. Afinal, foi apenas uma pegadinha e nós todos ainda daremos muitas risadas desse fato. Comprar peixe e dizer que pescou é uma atitude muito comum dos pescadores. Por que não de um piloteiro do hotel, afirmando que a região estava ótima, exibindo os peixes para comprovar. Peixes que haviam sido comprados. E todo mundo foi para lá, é claro. Só depois descobriram que ele havia feito uma brincadeira. Resta saber se esse tipo de comportamento é natural nas pessoas que prestam serviço a essa empresa e aos estabelecimentos a ela subordinados. Sim, porque era um piloteiro do hotel. E que nome a Diretoria e a Consultoria Jurídica dão a uma aleivosidade cometida por alguém que trabalha sob sua supervisão, num hotel que hospeda pescadores, que vão ali para pescar e não para serem vítimas de brincadeiras de mau gosto 9)- Finalmente, retiro tudo que disse em minha correspondência anterior e que possa levar alguém menos avisado a interpretar como um ataque à seriedade desta empresa, que em nenhum momento, pretendeu de modo ardil, ludibriar seus sócios, pois esta é uma atitude totalmente desnecessária, quando se oferece um bom serviço, reconhecido pela sociedade há 30 (trinta) anos, e da qual sou sócio há quase 30 (trinta) anos. Não posso deixar, porém, de mais uma vez ALERTAR a empresa para o fato de, com 30 anos de mercado e uma imagem sólida e séria a preservar, atender um consumidor de forma tão lamentável, usando o ataque como forma de defesa, a intimidação como resposta e a ironia como argumento, apropriados numa disputa judicial contra marginais menores e não contra o quadro associativo. Ao longo de toda a sua correspondência, a Diretoria e a Consultoria Jurídica atacaram gratuitamente a inteligência, a honra e o bom nome deste sócio há quase trinta anos..." *** Gostaríamos de poder afirmar que essa ocorrência foi isolada e somente aconteceu, por ummotivo ainda não explicado, apenas comigo principiante. Se algo parecido já aconteceu a você,escreva-me contando a sua história. Na medida em que certos nomes forem se repetindo
  13. 13. como useiros e vezeiros na arte de ludibriar pescadores, não hesitaremos em divulgá-los. Esse relato é de extrema utilidade para os iniciantes, que devem estar atentos a todos osdetalhes de uma pescaria, principalmente quando organizada por terceiros, analisandoquestionando e discutindo cuidadosamente itens da máxima importância numa pescaria, como: a)- Consultar fontes sérias e honestas para saber se a época é adequada para pescaria,naquele local. b)- Discutir e relacionar custos e serviços a serem prestados. Formalizar um contrato. c)- Dimensionar a quantidade de iscas necessárias, evitando a empurroterapia. Analisar ospreços cobrados em outros locais e discutir a destinação das sobras de iscas vivas. d)- Verificar as condições do barco, do motor e do equipamento fornecido. Exigir cláusula dereembolso ou de isenção de pagamento, em caso de motores quebrados, barcos furados ououtros problemas decorrentes da manutenção e da qualidade vendida pelo prestador deserviços. e)- Verificar com os outros pescadores sobre os melhores locais para a pescaria, nãodeixando isso a critério dos piloteiros contratados pela empresa prestadora de serviços. f)- Fiscalizar o combustível utilizado. g)- Pedir a orientação de pescadores mais experientes, que conheçam a região, a respeitodos pesqueiros e dos melhores locais. h)- Deixar claro quais são as atribuições do piloteiro. Uma boa política é você não pedir parapilotar o barco, nem ele pedir para pescar. A tarefa dele é manter o bote em posição ou semovimentar, conforme as ordens que você lhe der. Da mesma forma, certifique-se de que aempresa prestadora de serviços fornece alimentação para o piloteiro, evitando despesas extraspara você. E, acima de tudo, nada de brindar o primeiro peixe pescado com uma cervejinha. Obom pescador deve evitar beber durante a pescaria. O piloteiro principalmente. I)- Usar um mapa da região para definir o local onde pretende pescar e deixe essainformação na portaria do hotel, por uma questão de segurança. Não vá para um local nãoindicado previamente, pois em caso de um acidente, as buscas se concentrarão nos locais jáconhecidos. Com providências simples como essas, muita dor-de-cabeça poderá ser evitada, pois tudodeve acontecer conforme aquele velho ditado: "o que é combinado, não é caro!" Fazendo isso,suas pescarias somente lhe trarão alegrias e boas recordações.
  14. 14. É o mínimo que se pode esperar delas. A PESCA DE BARRANCO Não há demérito algum para um principiante praticar a pesca de barranco, já que o objetivodela também é buscar emoções e, o que é muito importante, desenvolver a sensibilidade e aprática no uso do equipamento. Desde pescar simples lambaris, que não são tão fáceis de serem apanhados, como tentarpeixes maiores, tudo é válido e soma conhecimentos e experiência para o pescador. Dos peixes hoje disponíveis para a pesca de barranco em qualquer região, acreditamos quea tilápia é um dos mais esportivos e que se presta a dar aulas importantes para o pescadoriniciante, já que pode ser pescado com uma variedade de iscas, inclusive a isca artificial, o queabre a possibilidade de se familiarizar com esse tipo de equipamento. A tilápia rendali pode chegar a 2 kg, é muito ardilosa e arisca, exigindo paciência e técnicado pescador para que possa se divertir e emocionar com a experiência de fisgar uma delas. Para esse tipo de pesca usa-se varas leves, de 3 a 4 metros, com linha 0,25 e anzóisnúmero 12 a 14. Como isca você pode usar desde capim até milho cozido ou a clássicaminhoca. É o momento ideal para você observar os outros pescadores, a maneira como elespreparam o anzol, o tipo de isca que usam e a forma como dispõem as varas à beira do rio, darepresa ou do lago, pois alguns chegam a requintes de usar três anzóis numa mesma linha,por exemplo. Um empate feito com uma linha mais grossa que a usada na linha principal podeser usado, preso a um girador. Quando for prender a chumbada, coloque antes uma conta oumiçanga para que a chumbada não fique presa ao nó do empate. No momento de puxar a isca,sentindo o peso da chumbada a tilápia vai se retrair, por isso a linha deve estar sempre livre.Para unir as duas linhas de espessuras diferentes, use o nó apresentado no início. O melhor momento para a pescaria da tilápia é à noite e isso exige algumas providênciaspor parte do pescador, pois a iluminação direta na água, a movimentação e as sombras asassustam. É preciso quebrar a luminosidade com uma proteção, de forma que apenas aspontas das varas fiquem iluminadas, permitindo, assim, observar quando a tilápia toca a isca. Se você vai a um pesquepague, possivelmente não terá maiores preocupações que prepararo cenário, acomodar-se e ir jogando as iscas na água. Se for num rio ou numa represa
  15. 15. particular, possivelmente você terá que cevar o local para aumentar suas chances de encontraro peixe. Para isso, pegue uma embalagem com uns 5 a 10 kg de milho, complete com água limpa edeixe assim por umas duas semanas. Após isso o milho terá azedado e estará pronto paraatrair as tilápias. Retire a água e coloque o milho dentro de dois sacos plásticos desses usadospara transportar batatas e cebolas. Amarre uma pedra e uma corda nesse saco e jogue-o naágua, a 3 m da margem. A pedra o levará ao fundo e a corda será usada para prendê-lo àmargem, evitando que seja carregado pela correnteza. Se você observar, verá outros pescadores se utilizando de outros tipos de ceva, comosimplesmente atirar bolas de fubá molhado na água, enquanto pescam. Segundo os entendidos, os melhores meses do ano para se pescar tilápias são os de janeiroe fevereiro, muito embora de outubro a março elas possam ser apanhadas, mas não com tantafacilidade. É importante ter em mente que a tilápia é muito arisca, por isso o silêncio e a tranqüilidadesão fundamentais para sua pesca. Se vai levar os peixes, use um samburá com uma cordacomprida para guardá-las no fundo do rio, onde não se debatam. Ou então, colocá-lasdiretamente no gelo.ISCA ARTIFICIAL O uso de isca artificial para a pesca da tilápia acrescenta um grau de emoção muito grandeà pescaria, pois esse peixinho, quando fisgado, dá longas e deliciosas corridas para tentar fugirda linha que o prende. Também nesse caso o equipamento deve ser leve, só que a vara já não precisa ser tãolonga. Uma vara leve de l,50 a l,70 m é o ideal, uma vez que as iscas utilizadas são pequenase leves. Os molinetes deverão ser os recomendados para a linha, que poderá ser a mais finapossível, aumentando sua emoção. Recomenda-se o uso de um girador se for usar spinnersou só um snap (alfinete) caso opte por iscas do tipo chamado plug, facilitando a troca nos doiscasos. Isso é de suma importância porque a tilápia é realmente um peixe manhoso e você terá deexperimentar alguns tipos de isca artificial, até descobrir a que mais atrai os peixes naquelemomento.DICAS A) procurar localizar um cardume, já que elas costumam se mover em bando, e arremessar
  16. 16. a isca além dele. Recolher num movimento contínuo e esperar pelo bote de uma delas. B) se isso não funcionar, recolha a isca numa ação contínua, dê uma paradinha, depoiscontinue recolhendo. Há diversas iscas que se prestam à pescaria da tilápia, mas as menores são sempre asmais recomendadas, inclusive aquelas que imitam insetos, como um grilo ou um vermezinho. Para explorar ao máximo o potencial desse tipo de pesca, troque informações com outrospescadores, observe-os, leia livros e revistas especializadas e converse com os vendedores delojas especializadas. Em pouco tempo você será um especialista no assunto e estarádesenvolvendo sua própria técnica e, o que é importante, desejando ampliá-la em relação aosoutros peixes maiores e mais difíceis, mas não menos emocionantes. CADÊ O PEIXE? Podemos definir a arte da pesca esportiva como o esforço dedicado a localizar e capturarum peixe. Se pudermos ampliar o sentido dessa arte, vamos incluir como um segmento da artemoderna da pesca o ato de soltar o peixe também, contribuindo para a preservação natural eao mesmo tempo proporcionando aos outros pescadores o prazer de passar pela mesmaemoção na captura de um exemplar memorável. Para capturar um peixe há uma série de equipamentos, dos quais os principais nós vimos nodecorrer deste livro. Desde os equipamentos mais simples até os mais sofisticados, todosenglobam alta tecnologia para que possam cumprir adequadamente sua função. As iscas artificiais e naturais estão a nossa disposição, principalmente as naturais queindicam logo qual é a preferência dos peixes daquela região, como o tucum ou coquinho, alaranjinha de pacu, a goiaba ou o ingá, cujos troncos pendem para dentro do rio e onde deixamcair seus frutos, para alimentação dos peixes da área. Usar esses alimentos naturais jáaumenta consideravelmente a chance de sucesso. Iscas inertes como tripa de galinha, miolo de pão, milho cozido, queijo, carne, pedaços depeixes, mandioca, fígado e coração de boi e outros podem funcionar e é bom estar atento aocardápio dos peixes de cada região. Usar iscas vivas como caranguejos, minhocas, minhocuçu, tuviras, lambaris e peixespequenos também representam sempre uma chance de sucesso, mas aí é necessário saber
  17. 17. fixar essas iscas ao anzol para que não morram imediatamente. Peixes, por exemplo, devem ser iscados pelas costas. Caranguejos se iscam fazendo oanzol descrever um arco no interior do corpo, deixando a ponta da farpa ficar à vista. Pequenospeixes devem ser fisgados também pelas costas, de forma que fiquem presos pela colunavertebral, mas sem afetar seus órgãos vitais, permitindo que se movimentem. É bom estar atento ao cardápio dos peixes de cada região e ir gravando. Para isso,perguntar será sempre a melhor pedida. Outra coisa importante a ser descoberta são os hábitos alimentares dos peixes, se saempara se alimentar durante a manhã, à tarde, exclusivamente à noite. Para isso, basta uma pequena investigação ao chegar ao pesqueiro, indagando aosmoradores quais os peixes que se pega ali, o que se usa de isca e quais os melhores horários.Com um pouco de jeito e conversa eles entregam o ouro sem maiores problemas. A experiência e a observação irão dando as indicações seguintes e ensinando os sinais aserem seguidos para a localização dos peixes. Um deles é a presença de aves em quantidadenum determinado ponto do rio ou do mar. Sempre indicam a presença de cardumes que são abase de sua alimentação. Nos rios, os poços profundos, principalmente se próximos de uma correnteza, os chamadosremansos, onde também se localizam pequenos peixes e onde os grandes, que vivem nospoções, vão se alimentar principalmente à noite. É normalmente onde as plantas aquáticas, osaguapés, se acumulam, imóveis, formando um tapete verde. Na beira do mar, observar as pedras, quando as ondas recuam. A presença de organismosvivos ali indicam que o local certamente atrai peixes que vão buscar alimentação nessascolônias. Nessas observações, note que os peixes menores vão à procura de alimento e atrás delesvêm os peixes maiores, que nos interessam mais de perto, como pescadores. Assim, apresença de cardumes de pequenos lambaris seguramente vai atrair peixes de maior porte. Para a pesca de praia, como já foi dito, procure pelo terceiro canal, o mais distante, masnormalmente o mais profundo e onde se concentram os melhores espécimes. Nos locais onde pequenos riachos ou braços de rio se encontram com o curso principal,observe a existência de um canal mais profundo, por onde a correnteza passa. Ali é o caminhotrilhado pelos cardumes em seus movimentos pelo rio.
  18. 18. Algumas espécies como o robalo, o black bass e o tucunaré, ambos esportivos e vorazes aoextremo, preferem circular por entre galhadas submersas, principalmente nas represas oumesmo em troncos tombados sobre o rio. Para a pesca desses exemplares você terá que ser muito rápido, não permitindo que ele váse esconder. Se um deles entrar na galharia, dificilmente você conseguirá tirá-lo de lá. Umpiloteiro experiente e hábil pode ajudá-lo, mas com certeza você perderá algumas boas iscasartificiais, antes de dominar a técnica. Nas margens dos rios e riachos, a presença de capim no barranco indica a existência deinsetos que, por sua vez, são alimentos para os peixes pequenos que, em sua esteira, trazemos grandes. Para as tilápias, por exemplo, o capim serve de alimento. Se o capim cresce dentro da água, possivelmente abriga alevinos e peixinhos que vão ali embusca de proteção. Uma concentração deles indica a presença dos grandes que estarãosempre rondando, esperando o momento de dar o bote num incauto. As chamadas curvas de rio, onde se acumula a tranqueira e os galhos levados pelacorrenteza com freqüência indicam poços profundos, onde peixes de couro como o jaú e opintado costumam habitar. Peixes predadores como o dourado gostam de correntezas, onde devem ser caçados comiscas que imitem o movimento dos peixes menores. Outro dado importante que deve ser observado pelo pescador é a profundidade em que seencontra o peixe, que varia em função da temperatura da água. Como isso nem sempre podeser medido, se estiver usando isca artificial inicie a pescaria com aquelas de superfície, depoisvá mudando para as de meia água e, finalmente, para as de profundidade, até encontrar oscardumes. Com isca viva, a melhor maneira de se descobrir isso é usando a pesca de batida, conformejá foi descrita, mas aumentando o tamanho da linha até conseguir encontrar o peixe. Outro fator importante, segundo os entendidos, é observar a pressão atmosférica. Com aaproximação de uma frente fria, a tendência da pressão é abaixar. Nesse momento, se vocêestiver pescando vai perceber que cessa toda a atividade dos peixes e enquanto a pressão semantiver assim, não haverá puxadas na sua linha. Quando passa a chuva, no entanto, e a pressão volta a subir, os peixes retornam comvoracidade à procura de alimento. É quando você deve estar pronto para ele. Como você viu, não é tão difícil assim se tornar um bom pescador. Na realidade, a
  19. 19. experiência e a prática, aliadas aos conhecimentos do equipamento, das iscas, dos hábitos dospeixes, dos pesqueiros e das cevas, juntos, é que lhe darão o suporte necessário para seguirem frente. Quando se fala em experiência e prática, significa que jamais você deve aceitar comoverdade absoluta o que um pescador mais experiente disser, pois muitas vezes aquela técnicafunciona para ele, embora os princípios gerais da pescaria não possam ser mudados. O peixeestá ali e você precisa de uma isca para atraí-lo, um anzol para fisgá-lo e uma linha para trazê-lo até você. Tudo o que ocorre entre o momento em que você se dispõe a pescar e o primeiro peixefisgado é algo de mágico e prazeroso que não poderá jamais ser traduzido em palavras. O importante é começar. Como todos nós começamos um dia, sem conhecimento, semexperiência, com a cara e a coragem, aventurando-nos numa experiência inesquecível que noscativou e prendeu para sempre nas malhas dessa arte como querem uns, dessa ciência, comoquerem outros. ATENÇÃO! CUIDADO! Uma pescaria tem que ser, antes de tudo, um divertimento cheio de prazer e de emoções,por isso todo e qualquer situação de risco deve ser evitada ao máximo. Muita gente confunde pescaria como desculpa para encher a cara e aprontar mil e umatrapalhadas, pondo em risco não apenas a sua vida, mas a de seus companheiros de pesca. Que uma cervejinha gelada na hora certa, depois de uma pescaria emocionante, porexemplo, faz muito bem ao corpo, ninguém nega. O que não pode acontecer é exagerar nissodurante a pescaria. Se o mais importante é a bebida, o melhor é ficar em terra ou no bar,pronto! Acidentes podem acontecer. Andar de madrugada pelo barranco de um rio pode serperigoso, por isso nem é preciso que se recomende que cada caixa de pesca tenha uma boalanterna, com pilhas e lâmpadas de reserva. Durante o dia, ao sol, proteja o corpo e os olhos, usando chapéu, óculos escuros, roupaclara e folgada. Não se exponha em demasia ao sol nem deixe a pele avermelhar, antes decomeçar a se preocupar.
  20. 20. Um bom bronzeador também pode ser acrescentado a sua tralha, se for o caso.ACIDENTES COM ANZÓIS Mesmo o mais experiente pescador pode, num descuido, machucar-se com um anzol oucom a garatéia de uma isca artificial. A distração é a principal causa desse tipo de acidente,bem como a inexperiência de quem tenta desenroscar uma linha presa, puxando-a. A linha sedistende e, soltando-se, virá na direção do pescador como um projétil, podendo cravar-sedolorosamente em alguma parte de seu corpo. Por isso muitas vezes o melhor a fazer é cortar a linha e perder uma chumbada e um anzoldo que se arriscar a um problema maior que seguramente poderá acontecer com você ou comalguém por perto. Se acontecer, a primeira coisa a fazer é não perder a calma. Apanhar rapidamente o alicatede ponta fina e cortar a linha ou o encastoamento, de forma a liberar a parte ferida, impedindoque o anzol seja puxado, provocando danos mais sérios. Apanhe a caixa de primeiros socorros, lave e desinfete o local, procurando estancar osangue para poder avaliar o que ocorreu. Se houver hemorragia, comprima um pouco antes doferimento. Se preciso, passe um esparadrapo apertando com força. Observe com atenção o ferimento. Se a ponta está visível, empurre um pouco mais o anzole corte-a, depois é só puxá-lo para trás, retirando-o. Se a ponta não é visível, verifique se épossível retornar com o anzol, mas de uma forma que a farpa não agrave ainda mais oferimento. Se for possível, faça isso com calma e devagar. Com um pouco de paciência eresistência do ferido, isso pode ser feito. Se conseguir remover o anzol, lave e desinfete o local novamente. Envolva com gaze e tãologo quanto possível consulte um médico para uma avaliação, inclusive quanto à necessidadede uma prevenção contra o tétano. Se não conseguir remover o anzol, lave e desinfete o local,procurando ajuda médica o mais depressa possível. Se a ponta do anzol não estiver visível, não tente empurrar o anzol para frente até que issoocorra, pois com isso você pode atingir uma artéria, uma veia ou um nervo, agravando oquadro. Garatéias de iscas artificiais são muito perigosas, quando se tenta retirá-las sem que acabeça do peixe esteja imobilizada, por isso recomenda-se o uso do alicate, que deverá serusado com firmeza. Um acidente nesse momento, com o peixe vivo e se debatendo, poderáser particularmente doloroso e provocar um estrago irreparável.
  21. 21. ÁGUA-VIVA A água-viva tem diversos nomes e pode ter diversas formas e tamanho. Costumam aparecernas praias após uma ressaca ou quando venta muito na direção da terra. É quase transparentee nisso reside o risco de pisá-la com pés descalços ou, dentro da água, acontecer dela resvalarno corpo. Isso provoca uma espécie de queimadura ou uma urticária muito desconfortável, que ardeem demasia. Isso, no entanto, não deve alarmar o pescador inexperiente, pois não se temnotícia de alguém que tenha tido maiores problemas, além do ardor e dos vergões na pele. Se acontecer isso com você, lave o local com água do mar e se tocar o local ferido evitepassar a mão na boca e nos olhos. Após algumas horas a reação cessa e o desconfortopassa. Caso uma área muita extensa do corpo for afetada, procure ajuda médica para aliviaros efeitos.FERRÕES Os ferrões são mecanismos de defesa dos peixes e exigem dos pescadores muito cuidadono manuseio das espécies que os possuem. Por isso o uso do alicate é sempre recomendado,pois com ele você não precisa tocar o peixe para imobilizá-lo. Segundo a medicina, não existe antídoto para a dor que advém de uma ferroada dessas. Nocaso da arraia, por exemplo, são trinta e seis horas de dor constante e terrível, latejando eprovocando até cãibra. No caso dos outros peixes, essa dor pode durar alguns dias, como obagre, o cascudo, o pintado, o jaú, a jurupoca, os mandis, principalmente o mandi-chorão. Para evitar as ferroadas de uma arraia, o segredo é caminhar arrastando os pés no fundo daágua, pois se tocada ela simplesmente vai se afastar do seu caminho. Se pisar nela ela reagiráimediatamente, ferroando. Outro conselho e caminhar com uma vara raspando o fundo a suafrente, espantando-a. Um perigo inesperado é oferecido pelo ferrão do robalo, que fica na ponta de sua nadadeiraanal. Normalmente a pessoa que vai limpar ou escamar o peixe acaba se ferindo. Por isso, aprimeira providência ao limpar um robalo é cortar junto à base do ferrão e com o alicate torcere puxar, removendo-o. Em sua maioria, esses ferrões estão localizados nas pontas das nadadeiras laterais e nanadadeira dorsal, três pontos que podem ser evitados se o peixe for seguro da forma correta,na falta de um alicate.
  22. 22. DENTES Tão ou mais perigosos que os ferrões são os dentes de algumas espécies pois numdescuido eles simplesmente podem decepar um dedo com a maior facilidade. Só para se ter uma idéia, em alguns locais se pesca o pacu usando um coquinho como isca.Uma frutinha que, para ser quebrada, necessitará de uma boa martelada. Com seus dentes opacu faz isso, quebrando-a com a mesma facilidade com que quebra a casca de umcaranguejo. E o que dizer dos dentes da piranha? Basta examinar uma para se ter uma idéia do perigoque eles representam, tão perigosos como os dentes proeminentes da cachorra. Qualquer um desses peixes têm força suficiente na mandíbula para provocar um grandeestrago, principalmente o dourado, que consegue cortar o aço de um encastoamento mais fino. Assim, com esses peixes nunca brinque de pôr o dedo na boca de um deles, pois isso podeser desastroso. O instrumento indicado para imobilizá-los e lidar com eles é o alicateapropriado, que afastará a possibilidade de qualquer acidente. Não brinque jamais com a sua segurança, pois a pescaria é um lazer e uma diversão, antesde mais nada. Equipamentos como o salva-vidas, a caixinha de primeiros socorros, os alicates,o chapéu e outros mais devem ser levados em conta por todos que querem emoção e prazer,não dor e atribulações. No barco, use sempre colete salva-vidas! Em sua tralha, tenha sempre um kit de primeiros socorros! PESCADOR ECOLÓGICO Omitimos deliberadamente a menção ao isopor ou a qualquer outro apetrecho para guarda econservação do peixe, considerando que a última das preocupações do pescador é a de trazerpeixes para casa para mostrar aos familiares e aos vizinhos que ele é um bom pescador. Se for a um pesquepague, ótimo! Os peixes estão ali para isso mesmo. Se for num rio, épreciso considerar que cada espécime que ali se encontra é uma obra demorada da natureza.Simplesmente tirá-lo de lá para transformá-lo num troféu ou numa refeição é coisa que deve
  23. 23. ser muito bem refletida. Libertar o peixe pode ser um ato de amor à natureza e de louvor à coragem do animal,proporcionando a outros aficionados o mesmo prazer que ele lhe provocou. Só que, para soltar esse peixe, é necessário que ele tenha condições de sobrevivência. Àsvezes o anzol atravessa o olho do peixe, fere suas guelras ou as garatéias da isca artificialprovocam danos no corpo do bichinho. Devolvê-lo à água nessas condições pode ser condená-lo à morte na certa. Nesse caso, convém levá-lo e transformá-lo numa boa refeição. Muitos pescadores que o fazem por esporte removem as garatéias e fixam, no lugar delas,anzóis comuns que comprem da mesma forma seu papel, sem causar tanto estrago como osganchos originais das iscas artificiais, sem prejuízo, no entanto, da emoção e da eficiência doequipamento. No momento de devolver o peixe à água é importante dar-lhe tempo para que volte a sereanimar, após todo o esforço feito para fugir ao anzol. Quem assiste aos programas de pescana televisão já observou os movimentos que o pescador faz, empurrando o peixe contra a águapara que esta passe por suas guelras, oxigenando-as. É o procedimento correto. Um outro fator deve ser observado. O IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente eRecursos Naturais Renováveis determina o tamanho mínimo de peixes que podem serlevados, após pescados. É interessante procurar conhecer essa lista, no momento em quevocê for tirar sua licença anual de pescador. Resumidamente e abordando apenas os peixes mais comuns, estes são os tamanhosmínimos exigidos pelo IBAMA: ESPÉCIE_________________TAMANHO Curimbatá............................................. 30 cm Dourado................................................ 55 cm Jaú........................................................ 80 cm Piau e piapara..................................... 30 cm Pacu...................................................... 40 cm Surubim e pintado............................. 80 cm É importante ressaltar que não existe tamanho mínimo para a pesca oceânica, mas a licença
  24. 24. anual é exigida da mesma forma. Na época da chamada piracema, período de procriação dos peixes na maioria dos rios dopaís, a pesca fica proibida. Isso ocorre normalmente nos meses de novembro a fevereiro, masantes de partir para qualquer pescaria mais distante, é bom se informar a respeito desseperíodo ou de qualquer outra proibição. Há algum tempo, visando a preservação, num ato coragem e nobre, o governador do MatoGrosso do Sul proibiu a pesca comercial em todo o Estado o que, diga-se de passagem,significa um avanço enorme nas políticas de conservação e preservação da natureza e, aomesmo tempo, aumenta as chances de nós, pescadores ocasionais, nos depararmos com umbelo exemplar. A pesca predatória, feita com redes, sem respeitar tamanho mínimo em pouco tempoacabou com os peixes em muitas regiões do país. A proscrição desse tipo de pesca deveria seestender a todos os Estados brasileiros. Quem já pescou na região do Mato Grosso deve ter visto passar aquelas barcaças, tãoabarrotadas de peixes que parecia que afundariam a qualquer momento. Ou então deve tervisto pescadores em suas toscas canoas, recolhendo aquelas redes imensas, puxando parabordo peixes de todos os tamanhos. O argumento de que fazem aquilo por necessidade ou por profissão não se justifica, pois aocontribuir para com a devastação, não percebem, por acaso, que estão contribuindo paraexterminar não apenas os peixes, mas sua própria profissão? Portanto, faça das suas pescarias momentos de prazer e emoção, sem se preocupar emmatar. Fotografe os peixes pescados. Com certeza serão troféus muito mais interessantes doque a carcaça ou o esqueleto do peixe. A PESCA DE BARCO Antes de vermos algumas situações práticas da pescaria mais indicada para o iniciante, apesca desembarcada, vamos a algumas noções sobre a pesca embarcada. Possivelmente o pescador principiante, quando for pescar embarcado, irá com alguém maisexperiente, que lhe dará as dicas e informações necessárias sobre o tipo de pesca e de peixeesperado. Numa situação normal, num rio de grande porte ou no Pantanal, por exemplo, é
  25. 25. aconselhável levar o seguinte equipamento: a) Varas de 1,6 m, para a pesca de corrico, até varas de 2,5 m, para a pesca de rodada ouapoitada. b) Molinetes de médio porte. c) Linha entre 0,50 e 0,80 mm, anzóis encastoados e chumbadas. d) Colete salva-vidas preso ao corpo.PESCA APOITADA Nesse tipo de pescaria o barco ficará apoitado ou ancorado na margem do rio ou no meio deum canal, chamado de corixos ou mesmo numa correnteza. Nesse tipo de pesca pode-setentar fisgar o pacu ou peixes de couro como o pintado e o jaú. O equipamento ideal poderá ser uma vara de 2,5 m, com linha 0,50 mm e anzol 7/0 ou 8/0para o pacu e linhas de 0,80 mm e anzol 9/0 para peixes de couro. A isca a ser utilizada será de acordo com o peixe e, como você estará pescando com algummais experiente, observe-o e imite-o, aprendendo na prática tudo que puder.PESCA DE BATIDA Esse tipo de pesca é indicado para se pegar o pacu e, para o sucesso dela, é preciso que opiloteiro seja experiente e mantenha o barco sempre paralelo à margem do rio e próximo dosaguapés, mas ao sabor da correnteza. A pescaria exige uma certa habilidade do pescador, mas é muito emocionante, pois se utilizade um equipamento bem rústico, que poderá até ser uma vara de bambu de uns 3,0 a 3,5 m.Corte um pedaço de linha de meio metro maior do que o tamanho da vara que estiver usando,coloque uma chumbada pequena, de no máximo 10 gramas e um anzol 7/0 comencastoamento. Possivelmente o pescador que o acompanha estará usando um coquinho, uma laranjinha,goiaba ou outra isca desse tipo. Após firmá-la no anzol, faça a seguinte experiência. Atire parao alto uma isca e observe como ela cai na água. Com essa mesma intensidade arremesse asua isca, deixando-a se afundar um pouco e retirando rapidamente. Repita duas ou três vezesisso e, por fim, deixe a isca se afundar totalmente, até que a vara fique a meio metro da água.Se nada acontecer, retire a isca e repita o movimento.
  26. 26. É importante ficar atento nesse tipo de pesca pois o pacu, quando avança para a isca, fazisso vorazmente, por isso é bom manter a vara bem firme na mão. Uma vez fisgado, aproveitea briga que ele vai lhe proporcionar.PESCA DE CORRICO Este tipo de pesca consiste em deixar a isca ficar para trás e arrastá-la com o movimento dobarco. É preciso sensibilidade e experiência do pescador para encontrar a velocidade certa emanter-se atento para se certificar de que a isca está se comportando como deve, movendo-setanto para um lado como para outro. Usa-se a isca tipo colher, com um encastoamento de aço de até meio metro, com umcuidado adicional. Adaptar um girador junto à colher, de preferência do tipo alfinete, quepermite a rápida mudança da isca. Um outro girador deverá ser adaptado no fim doencastoamento, unido à linha principal. Iscas artificiais também podem ser usadas nesse tipo de pesca e com calma, observação epaciência você começará a descobrir qual a melhor em cada situação, já que o barco tanto vaise movimentar a favor como contra a correnteza. A vara a ser usada deverá ser curta, de até 1,60 m. Como na pesca de batida, é preciso semanter atento, segurando firmemente a vara da mão, pois o ataque de um dourado, porexemplo, vai provocar uma emoção que você jamais esquecerá, principalmente quando o virsaltando e se debatendo, com o corpo dourado refletindo a luz do sol.PESCA DE RODADA Aqui também a perícia do piloto do barco é importante, pois ao remo ele manterá o barco norumo, enquanto desce ao sabor da correnteza, possivelmente num lugar fundo e pedregoso,onde se escondem os grandes peixes de couro. Quando o barco chega ao fim do poço, opiloteiro retorna com ele até o ponto inicial, onde tudo recomeça. Como não há necessidade de arremessos, pois é só soltar a linha e deixar que ela searraste pelo fundo do rio, usa-se uma vara de até 2,10 m, linha de 0,60 a 0,80 mm, anzolencastoado de 7/0 a 10/0, chumbada redonda (formato oliva) e uma isca viva. Não se esqueça que o peixe visado nesse tipo de pescaria pode chegar aos 100 kg de peso,ficando a média em torno de 50 kg. Será uma emoção brutal, mas, ao mesmo tempo, umaexperiência fantástica conseguir trazer esse peixe para cima. Seja humilde, observando eaceitando conselhos dos pescadores mais experientes, não se esquecendo que, um dia, elesforam principiantes como você. Se eles conseguiram se tornar bons pescadores, você tambémpode.
  27. 27. Na pesca de batida, você pode usar também seu molinete e fazer da mesma forma que fariacom uma vara de bambu. Com a prática, você conseguirá pôr a isca no ponto exato do rio quedesejar, assim que pegar o jeito. Lembre-se que, para os arremessos, as linhas mais finas são mais indicadas, enquanto queas mais grossas ficam para a pescaria de rodada. As varas mais longas se prestam melhor aosarremessos e as curtas, à rodada. Não se esqueça de praticar os nós que for aprendendo, pois no momento de fisgar um peixegrande um nó fraco pode pôr a perder toda a oportunidade de experimentar uma emoçãoindescritível. NÓS Uma das grandes dificuldades do principiante na pesca é como conseguir prender comsegurança a linha ao anzol ou aos outros apetrechos usados. A linha de nylon desliza com facilidade e os nós comuns não são suficientes nemadequados. Perder um peixe porque anzol se soltou é terrivelmente frustrante, muito emborapossa acontecer uma hora ou outra. Existem alguns nós básicos, que todo principiante deve conhecer, pois são a base de umapescaria segura, sem preocupações com a perda do anzol e da isca, principalmente quando setrata de ma isca artificial razoavelmente cara. Em todos os casos, é importante que o principiante pratique esses nós, repetindo-os atéconseguir fazê-los de olho fechado, automaticamente. O empate fixa o anzol à linha, evitando que ele fique oscilando. Facilita colocar a isca e dámais sensibilidade quando o peixe belisca. Não pode ser usado, no entanto, se você estiverpescando peixe com dentes, pois facilmente ele cortará a linha. Basicamente você não terá necessidade de aprender muitos nós, muito embora hajadiversos deles, todos com o mesmo objetivo. É importante lembrar que, no momento em que alinha é dobrada e amassada em um nó, sua resistência diminui um pouco. Assim, é bom acada vez que retirar um peixe da água, principalmente se ele foi um bom brigador, verificar osnós e a resistência da linha. A cada grupo e fisgadas, dependendo da qualidade de sua linha, é
  28. 28. aconselhável refazer os nós, coisa que, para quem praticou, tomará alguns segundos e evitaráqualquer possível frustração na seqüência da pescaria. Como os encastoamentos já tem uma presilha que se abre para receber o anzol, muitasvezes o trabalho será apenas o de ligar a linha ao encastoamento. Se precisar de um girador,por exemplo, terá de atá-lo ao encastoamento e, aí, serão necessários dois nós bem firmes. Por outro lado, há um sistema de encastoamento que consiste num rolinho de fio de aço,encapado com plástico transparente, vendido juntamente com as presilhas para unir as partes.Com esse material, você corta o encastoamento no tamanho que desejar, fixa o anzol numadas pontas e o girador na outra. Na seqüência bastará um nó da linha no girador para seuconjunto estar pronto para a pescaria. A PESCA NA PRAIA A pescaria oceânica, sonho de todo pescador, não é coisa em que se deva pensar logo noinício da carreira. Não só pelos custos do equipamento e da pescaria em si, a pesca oceânicaexige muita segurança e muita habilidade, já que, de uma hora para outra, você pode estar àsvoltas com um peixe de mais de 500 kg, o que, convenhamos, é muita areia para o nossocaminhãozinho. Por outro lado, a modalidade de pesca de praia pode oferecer emoções iniciais satisfatórias,já que há peixes interessantes, de bom peso e brigadores à disposição dos interessados. Basicamente você poderá optar por dois tipos de pesca de praia, uma efetuandolançamentos curtos, usando linha e chumbada leve, em locais onde não haja grandes peixes.Uma linha de 0,15 a 0,25 mm com um rabicho de dois ou três anzóis serão suficientes e vocênão terá maiores preocupações. No segundo tipo, que exige lançamentos longos e chumbadas pesadas, buscando peixes de5 kg ou mais, você terá que se especializar um pouco mais, pois algumas providências serãonecessárias e você terá que aprender a conviver com arranques e chicotes, exigíveis nessamodalidade. Nada que possa confundí-lo, no entanto. Basta um pouco de paciência e prática e vocêpoderá, com um pouco de sorte, se deliciar com momentos de pura emoção.
  29. 29. O equipamento exigido para esse tipo de pesca deve ser especial, resistente à maresia.Uma vara de 3,50 m, com um suporte para mantê-la em pé, molinete adequado, com 150 a200 m de linha 0,30 mm com um chicote de 80 cm, pernadas de 30 cm e um arranque de 7 me chumbada tipo pirâmide de até 120 gramas. As iscas podem ser o camarão frescodescascado, o corrupto, que pode ser apanhado na praia com uma bomba de sucçãoapropriada e a sempre útil e conhecida minhoca. As condições do mar ditarão a necessidadede aumentar ou diminuir o peso da chumbada, por isso é preciso estar atento a isso e contar,sempre, com a experiência dos outros pescadores. Na pesca de praia, é preciso localizar os canais onde os peixes se movimentam e sealimentam. Numa praia normalmente são encontrados três deles e podem ser localizadosobservando-se as ondas que se aproximam, quebrando-se continuamente. Os canais ficamjustamente no intervalo entre esses locais onde elas se quebram. Assim, observando o localonde as ondas se quebram, basta arremessar a isca um pouco adiante desse ponto. Ocorre que isso pode ficar a até 150 m do local onde está o pescador e isso vai exigir delealguma técnica para fazer o lançamento correto. Em alguns pontos, ele precisará mesmoavançar mar adentro para isso, coisa que não aconselhamos a ninguém, principalmente paraaqueles que não conhecem o local, pois a qualquer momento pode ser puxado para o mar eter de abrir mão do seu equipamento para conseguir nadar de volta. Em tese, uma vez definida a localização do canal, basta preparar seu arremesso e jogar achumbada, juntamente com os anzóis e as iscas, até aquele ponto. A ilustração a seguirdemonstra como isso pode ser feito com facilidade e sem maiores problemas, já que opescador experiente consegue realmente jogar a isca onde desejar, principalmente em umlocal aberto como a praia. Isso, no entanto, pode não ser tão fácil assim. Você precisará praticar um pouco, casocontrário seus arremessos poderão ser desastrosos. Você poderá usar um lançamento alto,para chegar ao ponto desejado, um lançamento direto ou normal e, finalmente, um lançamentocurto, dependendo do ângulo com que é feito o lançamento. Para a pescaria no mar, os melhores dias são quando não há ressaca e o mar está calmo.O ARRANQUE Já foi possível observar que o equipamento para conseguir realizar o arremesso tem que serpesado. A chumbada, principalmente, tem que ter peso para impulsionar o conjunto até oponto desejado, na hora do arremesso. Para suportar esse peso, é preciso que a linha seja grossa e aí surge o problema: com umalinha grossa dificilmente você conseguirá fazer um arremesso tão longe assim.
  30. 30. Se ela não for o suficiente, pode se romper no momento do arremesso. Por isso é que seusa o arranque que nada mais é que uma linha numa bitola um pouco maior, normalmente 1,5mm mais grossa que a usada. Se sua linha principal for de 0,30 mm, usar para o arranque umade 0,45 mm, num tamanho igual a duas vezes o comprimento da vara. No momento em que você estiver recolhendo o peixe, quando ele se aproximar já haveráparte da linha mais grossa enrolada no carretel do molinete, segurando-o se ele tentar umaúltima e desesperada corrida. Esse arranque será unido à linha principal usando-se o nó ensinado no início deste livro ouusando-se o sistema de colagem, já à venda no mercado e de resistência garantida.RABICHO OU CHICOTE O rabicho ou chicote é a parte que levará os anzóis e a chumbada, unida ao arranque porum girador, pois os movimentos da linha sob os efeitos das ondas pode resultar numaconfusão terrível. A confecção do rabicho também deve ser praticada com afinco, observando-se os outrospescadores e desenvolvendo sua própria técnica. Inicialmente, a linha a ser usada no rabicho deverá ser ligeiramente mais resistente que alinha mestre. A medida mais adequada é a de 80 cm para isso. Na ponta deverá ser presa achumbada, na forma de uma pirâmide, que é a que melhor se adapta a esse tipo de pesca. Entre o arranque e a chumbada, serão feitas as pernadas, nas pontas das quais serãoaplicados novos giradores e os anzóis, no máximo de três. Uma vez montados os seusrabichos, acondicione-os numa cartela plástica ou outro tipo de embalagem, de forma que setorne fácil manuseá-los, quando estiver usando-o. Com esses elementos em mãos você já pode iniciar a pesca de praia, não se esquecendodos procedimentos de segurança e de ficar atento nos outros pescadores para descobrir ostruques e segredos que usam para pescar. Com o tempo, você começará também a dar essas informações aos novos que procurarempor você, quando estiver pescando... A TRALHA DE PESCA
  31. 31. Este é um dos itens mais importantes de uma pescaria, pois a escolha do material corretovai lhe proporcionar momentos de lazer e diversão, sem preocupações adicionais. Muitos acham um exagero levar uma porção de coisas para uma pescaria, mas o importanteé que todas as preocupações menores fiquem de lado e você possa se concentrar apenas noseu peixe e no paciente trabalho de localizá-lo, atraí-lo, fisgá-lo, retirá-lo da água e dar-lhe umdos seguintes destinos: comê-lo ou soltá-lo. Para isso vamos por partes.A CAIXA DE PESCA Antes de mais nada, compre uma boa embalagem para acondicionar e transportar o materialmiúdo. Há, no mercado, inúmeras marcas e modelos, todas indicadas para isso e disponíveispara todos os gostos e bolsos. Alguns cuidados são importantes, como o material, que precisa ser resistente para suportaras viagens e os prováveis tombos a que todo pescador está sujeito. O sistema de dobradiça e a fechadura devem ser observados com cuidado para seassegurar de que vão agüentar o abre-e-fecha constante. Uma tranca é aconselhável, paraevitar que crianças mexam inadvertidamente e acabem se espetando com um anzol. As alçasdevem ser adequadas para suportar o peso de seu conteúdo. Fora disso, é cuidar dela, não a expondo por muito tempo ao sol direto, evitando trancos etombos, se possível e o que é mais importante: mantendo-a sempre muito bem limpa eorganizada para que a possa utilizar a qualquer momento. Afinal, ninguém sabe quando vaisurgir a oportunidade de uma nova pescaria, principalmente agora, com a proliferação dospesquepagues, que permite a qualquer um treinar adequadamente para as aventuras maisemocionantes.AS LINHAS Tecnicamente conhecidas como monofilamento de nylon, muita gente costuma dizer que aslinhas são todas iguais e há um engano nisso tudo. Se acreditar nisso poderá ter os mesmosproblemas que qualquer principiante que se deixa levar por essa conversa. Há linhas e linhas. Há linhas que esticam demais e atrapalham a fisgada. Há linhas que têmexcelente memória e quando você as desenrolam elas mantém aquele formato anelado quefica lindo nas cabeleiras que se formam nos molinetes ou carretilhas. São baratas, mas só dão
  32. 32. dor-de-cabeça. Habitue-se, portanto, a pedir pela marca, elegendo uma linha preferido. E não pense quenisso as importadas são melhores que as nacionais, porque temos excelentes marcas por aqui.O melhor conselho e olhar a caixa de pesca de um pescador veterano ou simplesmenteperguntar a quem tem experiência. Não acredite no vendedor de uma loja de artigos parapesca que nunca pescou ou que tem muito dó dos coitadinhos dos bichinhos. A espessura da linha determina o peso que ela suporta e nisso está envolvida umatecnologia muito grande. Não duvide, portanto, se a embalagem afirmar que aquela linhafininha suporta um peso de cinco quilos, porque, seguramente, ela deve suportar umpouquinho mais. Uma vara grossa com uma linha proporcional, servirá como excelente reboque para tirar ospeixes do rio, mas pouco ou nenhum prazer ou emoção lhe proporcionarão. Uma linha fina, poroutro lado, exigirá de você perícia e tempo para tirar o peixe com segurança, principalmentequando ele está no peso limite de sua linha. Aí é que surge o pescador que faz da pesca umaciência e uma arte. Assim sendo, habitue-se a observar a resistência das linhas, antes de se definir pelo tipo depeixe que pretende pescar. Uma linha de 0,20 mm resistirá a um peixe de 2 kg tranqüilamentee possivelmente só se romperá entre 2,5 e 3,0 kg. Um peixe de 2,0 kg, fisgado numa linha de0,20 mm, se for um brigador, dará uma boa emoção por algum tempo, até que se canse. Ecom essa mesma linha, uma vara adequada e muita habilidade você poderá fisgar e trazerpeixes de peso superior ao recomendado, o que aumenta ainda mais a emoção e torna a lutamuito mais justa para o peixe. Como todos os outros materiais, uma linha também se gasta pela fricção com os passadoresda vara, nas pedras, nos galhos, no bote e pela própria tensão a que é submetida, quando setem uma briga boa. Por esse motivo, é conveniente revisar sempre a linha que estiver usando,principalmente nas proximidades do anzol. Além disso, após algum uso, substitua-a. Ela não étão cara e isso o livrará do desprazer de tê-la partida, justo no momento em que fisgava omaior de todos.A VARA DE PESCA Você pode pescar sem usar uma vara, apenas segurando a linha com a mão. Em algunscasos isso é até divertido, quando se trata de peixes pequenos, já que um deles um poucomaior poderia não apenas tomar-lhe a linha como também deixar como lembrança um belocorte. A vara correta para o tamanho de peixe que pretende pescar é de suma importância,
  33. 33. principalmente porque o que vale não é rebocar o peixe, mas trazê-lo até você numa luta queemociona e dá prazer. Você pode usar uma comum e sempre útil vara de bambu e com ela encontrar muitasemoções, numa pesca de barranco ou mesmo embarcado. Para aventuras maiores, noentanto, você precisará de uma vara de fibra de vidro ou de nylon, com boa ação e muitaresistência para não se quebrar na hora inadequada. No princípio, não se acanhe de comprar uma vara um pouco mais forte, talvez um poucodemais até, pois o aprendizado trará a sensibilidade e, com o tempo, buscará o equilíbrio idealdo equipamento. Nesse momento, a linha adequada, um pouco mais forte que o necessário,completará o equipamento inicial do aprendiz. Sabendo que esse equipamento lhe permitirá, sem qualquer problema, trazer o peixe atévocê, aproveite a oportunidade para sentir o peixe, perceber como cada espécie reage demodo diferente depois de fisgado. Veja como alguns se deixam tracionar até se aproximar da flor da água e da luz, reagindoem seguida. São conhecimentos que nenhum outro poderá lhe passar, porque você vai ter quesentí-los ali, na sua mão, no seu braço e no seu corpo. Alguns peixes se cansam rapidamente. Outros são matreiros, se deixam puxar e,inesperadamente, reagem, fugindo. Alguns saltam, outros vão para o fundo. Muitos procuramas tocas para se esconder depois de fisgados e você não conseguirá tirá-los de lá. Várioscorrem na direção das galhadas, onde a linha vai se enrolar e se arrebentar. Com o tempo e a experiência você irá reduzindo o porte do seu equipamento e, em tese,aumentando as chances do peixe de conseguir fugir. O ideal em relação às varas é ter duas ou três, em tamanhos diferentes, uma mais fina esensível, outra um pouco mais pesada, outra mais longa. Nesse aspecto, muitas delas, assimcomo as embalagens das linhas, trazem a informação do peso que suportam, o que facilita emmuito a escolha e o uso da linha. Esses dados são sempre os mínimos, deixando uma boa margem de segurança, razão pelaqual a sua habilidade será sempre posta à prova quando fisgar um peixe acima do pesorecomendado. Também aqui não vale a pena economizar, mas adquirir um produto de qualidade testada eaprovada. Observe os pescadores mais experientes, converse com eles, anote as marcas,discuta com os vendedores, seja chato e peça todas as explicações a que tem direito. Asnacionais se rivalizam com as importadas, por isso não deixe que ninguém o deslumbre com
  34. 34. esse tipo de argumento. Tomando alguns cuidados você terá muitas alegrias e muito prazer com ela. Guarde-asempre numa posição em que não fique forçada. Transporte-a com cuidado, se possível dentrode uma embalagem apropriada, que evite choques e danos, principalmente com a ponta que,numa batida inadvertida, pode se partir. Uma forma de transportar suas varas sem maiores problemas é só mandar cortar um tubode plástico PVC num tamanho um pouquinho maior que a vara. Use dois terminais de plásticoum para ser soldado numa extremidade e outro para ser rosqueado na outra, permitindo abrí-lae tirá-la com facilidade. No meio dela, prenda um girador e com um cordão amarre essa tampaao corpo do tubo, para não perdê-la com facilidade. Se quiser, instale um prendedor em cadaextremidade e prenda neles uma correia para levar o tubo às costas ou como uma mala, pelaalça. Forre com espuma o fundo para que as varas não fiquem batendo. Quando for transportá-las, faça uma almofada de espuma para introduzir no tubo e imobilizar as varas para evitar africção de uma contra a outra. A organização e os cuidados em uma pescaria se justificam pelo tempo que você deixa deperder com detalhes insignificantes, para poder se concentrar no que realmente interessa: apescaria.MOLINETE E CARRETILHA Sempre que se pergunta qual dos dois é o melhor para um pescador aprendiz, a respostapode variar de um para outro pescador, dependendo de sua experiência. Por experiência própria, afirmo sem medo de errar que o molinete é mais adequado, dámenos problema e com poucos arremessos você já consegue colocar a isca onde deseja, sejalançando com a vara em pé, seja com ela inclinada. Para evitar polêmicas, lembrem-se sempreque estamos fazendo um manual para o pescador principiante. Um molinete dificilmente provoca o efeito cabeleira, se você usar uma linha de qualidade. Acarretilha exigirá muita prática e muita habilidade o que pode fazer com que o pescadoriniciante desista logo cedo, julgando-se incapaz de manusear esse tipo de equipamento. Ao escolher o seu ou os seus, já que são feitos em diversos tamanhos, cada um delesadequado para peixes até um determinado peso, verifique se ele têm a manivelaintercambiável, podendo ser usada na direita ou na esquerda, o que facilita o trabalho doscanhotos que querem aprender a pescar.
  35. 35. Os molinetes vão indicar a sua resistência e a linha ideal. Com isso você não terá problemasde preparar seu equipamento para a sua primeira pescaria ou para voltar a pescar, após terdesistido prematuramente. Um bom investimento nesse momento se justifica, pois você terá em suas mãos umequipamento confiável e de qualidade, principalmente no que se refere à quantidade derolamentos utilizados, que dão durabilidade ao conjunto. A limpeza deve ser sempre muito cuidadosa, procurando remover areia e terra que porventura possam ter entrado nas engrenagens. Lubrifique sempre com a graxa indicada pelorevendedor ou por uma de sua confiança, evitando encharcar seu molinete de óleo, pois elepode passar para a linha e daí para a isca. Peixe não tem nariz para sentir o cheiro, pode dizeralguém. É verdade! Mas ele tem gosto. Se ao pôr a isca na boca ele sentir um gosto estranho,com certeza vai cuspí-la e se afastar. Se gostar, vai puxar e detonar todo o processo dafisgada e da briga que se seguirá com certeza.ANZÓIS Existe uma série de cuidados técnicos num anzol, mas em resumo o que se espera dele éque: a)- seja afiado para fisgar; b)- seja resistente para manter o peixe fisgado até ser retirado. Tudo o mais a respeito do assunto, que daria para encher um tratado, é apenasconhecimento inútil para quem deseja ter a pescaria como um lazer e um relax. Você vai encontrá-los numerados em diversos tamanhos e qualidade, mas aqui também oinvestimento compensa. Um anzol que se abre ou que se quebra ou perde a ponta comfacilidade é a última preocupação que um pescador deve ter. A experiência vai ser sempre a melhor conselheira, mas como as medidas sãopadronizadas, percebeu-se que algumas espécies de peixe são fisgados com mais freqüênciadentro dessa ou daquela medida. Os padrões mais comuns recomendam as seguintes numerações de anzóis para asseguintes espécies: PEIXE ANZOL
  36. 36. Tilápia e piau 4 a 10 Mandi, sargo, corvina 1/0 a 3/0 (*) Bagre e traíra 1/0 a 4/0 Black Bass 2/0 e 3/0 Pacu, garoupa e badejo 5/0 e 6/0 Pintado 5/0 Dourado, enchova 6/0 a 8/0 . Cação 7/0 (*) Quando pedir esse tamanho de anzol diga três barra zero, ou cinco barra zero, porexemplo. Para entender essa numeração, a numeração 10/0 corresponde a um anzol com umcomprimento de 8,25 cm e uma abertura de 3,17. A partir daí os anzóis vão diminuindo detamanho e de numeração até o 1/0, depois a numeração passa a ser com um número simples,aumentando de dois em dois, à medida que diminui o tamanho do anzol. Assim, o número 2tem um tamanho de 3,17 cm e o número 16, por exemplo, de 0,71 cm. No desenho e no formato há muitas variações também mas o objetivo de todos eles é fisgaro peixe. Assim, o tamanho adequado é muito mais importante do que o desenho ou aconfiguração geral do anzol. Qualquer decisão por este ou por aquele modelo deverá ser frutoda experiência e da prática de cada um, pois cada pescador tem uma preferência em funçãode sua experiência e jamais se chegaria a um consenso sobre o assunto. Como o nosso objetivo é simplificar a pesca e não complicar, escolha seus anzóis pelotamanho a que ele se destina e pela qualidade. Há anzóis nacionais de excelente qualidade,mas algumas marcas internacionais, já fabricadas aqui, incorporam o que existe de maismoderno e avançado para produzir esse simples, mas importante objeto. Alguns pescadores esportivos costumam limar a farpa do anzol para que o peixe sejafisgado com mais facilidade, já que o objetivo deles é a emoção da pesca, pois costumamsoltar os exemplares capturados. Com isso precisam usar de toda a sua habilidade, pois setorna mais fácil para o peixe se libertar, principalmente para aqueles que costumam saltar e sedebater no ar.ISCAS ARTIFICIAIS
  37. 37. As iscas artificiais revolucionaram a pescaria pela sua praticidade e por eliminar uma sériede inconvenientes que se tem quando se utiliza isca viva. Por outro lado, exige muitahabilidade e experiência, coisa que confunde no início um principiante, para quem o ideal é asempre velha e eficiente minhoca. No entanto, a utilização das iscas artificiais tem de ser considerada e o ideal é ir comprandoe testando aos poucos. Segundo os que se utilizam de iscas artificiais, basta aprender a usarpara nunca mais abandoná-las. A dificuldade maior está no fato de que uma isca viva tem movimentos próprios e naturais,enquanto que a isca artificial precisa ser trabalhada para imitar esses movimentos. Possuem ainda algumas características que as fazem agir à flor da água, a meia água e emmergulho profundo, indo buscar, dessa forma, as diferentes espécies de peixe em cada umadas linhas de água onde preferem se movimentar. Futuramente voltaremos ao assunto, mas é interessante, mesmo para o principiante, ter emsua tralha de pesca um ou dois spinners que podem ser utilizados para a pesca da tilápia, porexemplo, desenvolvendo, assim, a sensibilidade para esse tipo de equipamento.ALICATES São instrumentos indispensáveis para a tranqüilidade de uma pescaria, pois auxiliam naremoção do peixe para fora da água e do anzol com que ele foi fisgado. Servem para quebrarferrões, para cortar rapidamente uma linha e até para um conserto inesperado. Dois modelos são básicos. Um para retirar o peixe da água e manter a sua cabeça imóvel,enquanto se remove o anzol e outro para se remover o anzol e quebrar ferrões. Deve servirtambém para cortar linhas e apertar uma chumbada numa linhada simples. Os peixes com ferrão oferecem um perigo constante ao pescador inexperiente, que pode seferir dolorosamente. O alicate permite que ele se debata, mas não consiga atingir a mão dopescador, quando este vai lhe remover o anzol. Da mesma forma, um peixe pego com uma isca artificial pode se debater e fazer com queuma garatéia provoque um estrago irremediável na mão ou no corpo do pescador. Por issorecomendamos isso da mesma forma que recomendamos o uso de um bom óculos de sol, nãoapenas para proteger a visão do sol, mas de eventuais acidentes com chumbadas e anzóis. A remoção de anzóis com o alicate de ponta fina se torna muito fácil, principalmente quandose trata de um pacu ou de um outro peixe com dentes afiados. Pôr os dedos ali dentro para seretirar um anzol é coisa que não recomendamos para ninguém.
  38. 38. Além de extremamente práticos, permitem que você libere logo o anzol e o peixe para voltarao que realmente interessa em tudo isso: a emoção da pesca. Como são razoavelmente baratos, nem se discute a sua compra. Só fazemos umarecomendação, movidos também pela experiência própria: quando comprar seus alicates, nãose acanhe em comprar aqueles com as cores mais berrantes, que jamais possam serconfundidos com a terra ou com a vegetação. Isto porque são fáceis de serem esquecidos ouperdidos, principalmente quando não são postos de volta na caixa imediatamente após o uso.A FACA Em toda caixa de pesca necessariamente tem que ter uma faca, mas uma boa faca,balanceada, isto é, com o peso maior na lâmina e não no cabo, como algumas que existem poraí. Com um bom fio, que permita um corte delicado o suficiente para se retirar o filé de umpeixe, mas com peso e resistência para cortar um osso ou um galho. Há, no mercado, facas de todos os tipos e de todas as marcas. Algumas muito bonitas,outras sofisticadas, muitas com uma infinidade de itens de sobrevivência que podem, uma horaou outra, serem úteis. O que importa e o que se deve ter em mente é que uma boa faca tem que fazer o que sepropõe fazer: cortar. Para isso, um investimento bem feito vai lhe dar satisfação a todomomento em que dela precisar. Além disso, uma faca é uma arma primitiva e existe muito deinstintivo na compra de uma. Empunhe-a, sinta seu peso, examine a lâmina, pergunte sobre aqualidade e a garantia, depois faça a sua escolha. Os cuidados com ela devem ser constantes, se quiser tê-la por muito tempo. Ao amolar, façacom cuidado, para não riscar ou não danificar a lâmina. Jamais guarde uma faca suja em suabainha. Limpe-a primeiro. Prenda-a ao cinto enquanto pesca ou deixe-a na caixa de pescariapara quando precisar usá-la.CANTIL Sobre esse importante componente de toda tralha de pesca não há muito o que se falar,principalmente quando se faz uma pescaria num local ermo. A água do rio pode não ser muitosaudável para ser bebida, por isso o cantil tem que ser levado. Há dos mais simples aos mais sofisticados, com isolamento térmico que conservará a águasempre fresca. Um de alumínio fará a mesma coisa, desde que você tome o cuidado de deixá-
  39. 39. lo dentro da água ou à sombra. Seja ele como for, o importante é estar sempre limpo e semprecheio de água.OUTROS MATERIAIS Nenhuma caixa de pesca estará completa se não contiver um pequeno estojo de primeirossocorros, incluindo-se ali repetente contra insetos e o chamado after bite, um sedativo quealivia a dor e a reação de uma picada que eventualmente ocorra. Quanto ao repelente, prefira aqueles cuja aplicação possa ser feita por spray. Casocontrário, se tiver de espalhá-lo na pele com as mãos, lave-as muito bem depois para nãotransmitir gosto às iscas, o que poderá fazer parar, de uma hora para outra, as puxadas emsua isca. Outro acessório importante, principalmente quando se pesca de barranco, é um fincador, ousuporte para a vara. Feitos de metal, em diversos modelos, permitem que você deixe a varanum ângulo adequado, possibilitando que se pesque com duas ou mais varas ao mesmotempo.MIUDEZAS Sempre muito bem organizadas na caixa devem ir, finalmente, os acessórios miúdos, masigualmente importantes numa pescaria: bóias, chumbadas, giradores e encastoamentos dediversos tamanhos, adequados para os tipos de anzol, linha e vara que pretende usar. Para ganhar tempo, você pode deixar os anzóis prontos, presos ao encastoamento e esse,por sua vez, preso aos giradores, estes muito úteis quando se pega um peixe como o pacu, porexemplo, que se debate e gira o corpo na água. Sem o girador, sua linha fica imprestável logono primeiro peixe. A vantagem do encastoamento é evitar que o peixe corte a linha logo acima do anzol, apósser fisgado. Como são fáceis de serem colocados e tirados, permitem que, no meio de umapescaria, você troque rapidamente um anzol, aumentando ou diminuindo o tamanho. As chumbadas devem ter o peso adequado para levar a isca até o fundo, mas não tãopesadas que tornem impossível sentir uma puxada ou dificultem a retirada da isca da águapara uma verificação ou para troca. LOURIVALDO PEREZ BAÇAN O MAGO DAS LETRAS
  40. 40. Atividades:Professor de primeiro, segundo e terceiro grausBancário aposentadoInstrutor de Treinamento ProfissionalEscritor: poeta, contista e novelistaCompositor letristaTradutorPalestrante: Redação Criativa e O Processo CriativoPublicações:Publicou em 1996 a novela rural Sassarico, sobre o fim do ciclo do café, início da rotação deculturas (soja e trigo) e surgimento dos bóias-friasPublicou em 1998 o livro de poemas Alchimia e em 1999 o livro Redação Passo a Passo.Escreveu mais de 800 textos, publicados em sua maioria, sobre os mais diferentes assuntos,como: romances, erotismo, palavras cruzadas, charadas, passatempos, literatura infantil,passatempos infantis, horóscopos, esoterismo, simpatias populares, rezas, orações, intenções,anjos, fadas, gnomos, elementais, amuletos, talismãs, estresse, manuais práticos, religião elivros de bolso com os mais diversos temas, letras para músicas.

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