Vidas secas

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Vidas secas

  1. 1. Vidas secas - 1938 Graciliano Ramos Retirantes (1944), Cândido Portinari Prof. Jorge
  2. 2. CONTEXTO HISTÓRICO MUNDIAL <ul><li>Século XX: </li></ul><ul><li>Primeira Grande Guerra (1914-18) – crise humana que ativa os negócios e prenuncia outras crises próximas. </li></ul><ul><li>Revolução Russa de 1917 – abalou o mundo com uma nova proposta política (socialismo/comunismo). </li></ul><ul><li>Crise econômica de 1929 – provocou desemprego e desajustes sociais em escala global. </li></ul><ul><li>A crise de 29 é uma crise do próprio liberalismo econômico – o Estado deve intervir? </li></ul><ul><li>Fascismo/Hitlerismo e comunismo – surgem como alternativas. </li></ul>
  3. 3. CONTEXTO BRASILEIRO <ul><li>Início do século XX: incipiente industrialização . </li></ul><ul><li>Até 1930, o Brasil viveu a República Velha – domínio das oligarquias cafeeiras que defendem interesses particulares. </li></ul><ul><li>Em 1922: tentativa de tomada do forte de Copacabana (primeira manifestação do tenentismo), fundação do Partido Comunista Brasileiro e Semana de Arte Moderna. </li></ul><ul><li>Em 1929, o café é fortemente atingido pela crise. </li></ul><ul><li>Em 1930, Getúlio Vargas dá um golpe de Estado que instaura a República Nova e substitui o Estado oligárquico. </li></ul><ul><li>Década de 30: abalada por intensas crises no plano político, intervenção nos sindicatos e opressão do proletariado. </li></ul><ul><li>1937: Estado Novo – endurece ainda mais o regime. </li></ul><ul><li>No Nordeste, de 1919 até 1938, Lampião e seu bando faziam “justiça com as próprias mãos”. </li></ul>
  4. 4. Graciliano Ramos (1892-1953)
  5. 5. MODERNISMO – GERAÇÃO DE 30 <ul><li>Semana de 22 : profunda renovação na literatura brasileira. </li></ul><ul><li>Geração de 30: </li></ul><ul><li>Não mantém o experimentalismo dos vanguardistas. </li></ul><ul><li>Porém, considera irreversíveis conquistas como: </li></ul><ul><li>O interesse por temas nacionais; </li></ul><ul><li>A busca de uma linguagem mais brasileira; e </li></ul><ul><li>O interesse pela vida cotidiana. </li></ul><ul><li>NOVA QUESTÃO: Como o artista pode participar concretamente das transformações sociais com sua obra? </li></ul>
  6. 6. PROSA: O Movimento Neorrealista <ul><li>Os escritores lançam um olhar crítico sobre a sua realidade imediata. </li></ul><ul><li>Literatura regionalista, caracterizada pela denúncia social. </li></ul><ul><li>Captam o universal no particular. </li></ul><ul><li>Recuperam e transformam características do Realismo-Naturalismo do século XIX. </li></ul><ul><li>O determinismo do meio e das circunstâncias históricas e sociais aponta a humanidade como responsável pela sua trajetória. </li></ul><ul><li>Preocupação em dar uma amostra do real sensível, sob a perspectiva da luta de classes, mas com um lirismo que atenua o clima de opressão. </li></ul>
  7. 7. Características do romance <ul><li>Único livro do autor em terceira pessoa – ONISCIÊNCIA ABSOLUTA que permite mergulhar na alma das personagens; </li></ul><ul><li>capítulos relativamente independentes – gênero intermediário entre o romance e o conto - QUADROS; </li></ul><ul><li>o romance surge a partir de um conto que se transformaria no capítulo “Baleia”; </li></ul><ul><li>característica circular, cíclica dos retirantes – começa em “Mudança” e termina em “Fuga”. </li></ul>
  8. 8. Temas <ul><li>O principal tema é, sem dúvida, a seca . Esse fenômeno climático é a fonte principal das preocupações das personagens, que lutam contra o meio agreste e procuram a sobrevivência. </li></ul><ul><li>Vidas Secas – interior de homens que reproduz o exterior do ambiente. </li></ul><ul><li>Impõe o fatalismo do destino. </li></ul><ul><li>Outros temas são: </li></ul><ul><li>• A problemática da marginalização social (a miséria e o êxodo rural). </li></ul><ul><li>• Opressão versus submissão. </li></ul><ul><li>• A incomunicabilidade e a incompreensão nas relações familiares. • A desumanização das personagens. • A impotência do homem. • A revolta contra as injustiças. • A solidão do homem. </li></ul>
  9. 9. História - Capítulos <ul><li>1. Mudança </li></ul><ul><li>Condição de retirantes; </li></ul><ul><li>Incompreensão entre pais e filhos – ausência de comunicação; </li></ul><ul><li>Chegam a uma fazenda abandonada; </li></ul><ul><li>Sonho de uma vida melhor: </li></ul><ul><li>[…] A catinga ressuscitaria, a semente do gado voltaria ao curral, ele, Fabiano, seria o vaqueiro daquela fazenda morta. Chocalhos de badalos de ossos animariam a soli- dão. Os meninos, gordos, vermelhos, brincariam no chi- queiro das cabras, sinha Vitória vestiria saias de ramagens vistosas. As vacas povoariam o curral. E a catinga ficaria toda verde. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>Fabiano </li></ul><ul><li>“ Viera a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o ex- pulsara. Fabiano fizera-se desentendido e oferecera os seus préstimos, resmungando, coçando os cotovelos, sorrindo aflito. O jeito que tinha era ficar. E o patrão aceitara- o, entregara-lhe as marcas de ferro.” </li></ul><ul><li>— Você é um bicho, Fabiano. […] — Um bicho, Fabiano. </li></ul><ul><li>Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não agüentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. </li></ul><ul><li>- Você é um homem, Fabiano! </li></ul>
  11. 11. 3. Cadeia “ Sabia perfeitamente que era assim, acostumara-se a todas as violências, a todas as injustiças”. “ Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados, machucados por um sol- dado amarelo.”
  12. 12. 4. SinhaVitória “ Provavelmente não havia perigo, a seca devia estar longe. Sinha Vitória constata que só falta a cama para serem quase felizes. Seus pensamentos se voltam para a galinha pedrês, a mais gorda, que foi comida pela raposa. Deseja vingança. Colocaria uma armadilha perto do poleiro. Era melhor esquecer o nó e pensar numa cama igual à de seu Tomás da bolandeira. Seu Tomás tinha uma cama de verdade, feita pelo carpinteiro, um estrado de sucupira alisado a enxó, com as juntas abertas a formão, tudo embutido direito, e um couro cru em cima, bem esticado e bem pregado. Ali podia um cristão estirar os ossos.”
  13. 13. <ul><li>5. O Menino Mais Novo </li></ul><ul><li>6. O Menino Mais Velho </li></ul><ul><li>Inverno </li></ul><ul><li>“ A família estava reunida em torno do fogo, Fabiano sentado no pilão caído, sinha Vitória de pernas cruzadas, as coxas servindo de travesseiros aos filhos. A cachorra Baleia, com o traseiro no chão e o resto do corpo levanta- do, olhava as brasas que se cobriam de cinza. </li></ul><ul><li>Estava um frio medonho, as goteiras pingavam lá fora, o vento sacudia os ramos das catingueiras, e o barulho do rio era como um trovão distante.” </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Festa </li></ul><ul><li>A família vai para uma festa de Natal na cidade. </li></ul><ul><li>Sentem-se “estrangeiros”. </li></ul><ul><li>Fabiano bebe e ganha coragem: </li></ul><ul><li>“— Cadê o valente? Quem é que tem coragem de dizer que eu sou feio? Apareça um homem.” </li></ul><ul><li>Fabiano dorme e sonha com muitos soldados amarelos. </li></ul>
  15. 15. 9. Baleia A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagreci- do, o pêlo caíra-lhe em vários pontos, as costelas avulta- vam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida. “ Não poderia morder Fabiano: tinha nasci- do perto dele, numa camarinha, sob a cama de varas, e consumira a existência em submissão, ladrando para juntar o gado quando o vaqueiro batia palmas”. “ Escutou, ouviu o rumor do chumbo que se derramava no cano da arma, as pancadas surdas da vareta na bucha. Suspirou. Coitadinha da Baleia.” “ Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano enorme. As cri- anças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes”.
  16. 16. <ul><li>10. Contas </li></ul><ul><li>Consciência da exploração do patrão; </li></ul><ul><li>Resigna-se com a sua condição. </li></ul><ul><li>“ Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era preciso barulho não. Se havia dito palavra à-toa, pedia desculpa. Era bruto, não fora ensinado. Atrevimento não tinha, conhecia o seu lugar. Um cabra. Ia lá puxar ques- tão com gente rica? Bruto, sim senhor, mas sabia respeitar os homens. Devia ser ignorância da mulher. Até estranha- ra as contas dela. Enfim, como não sabia ler (um bruto, sim senhor), acreditara na sua velha. Mas pedia desculpa e jurava não cair noutra.” </li></ul>
  17. 17. <ul><li>O Soldado Amarelo </li></ul><ul><li>O Soldado Amarelo está perdido e Fabiano o encontra. </li></ul><ul><li>Oportunidade de vingança. </li></ul><ul><li>Fabiano ensina o caminho para o Soldado Amarelo. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>O mundo coberto de penas </li></ul><ul><li>O Mulungu do bebedouro cobria-se de arribações. Mau sinal, provavelmente o sertão ia pegar fogo. Vinham em bandos, arranchavam-se nas árvores da beira do rio, descansavam, bebiam e, como em redor não havia comida, seguiam viagem para o sul. O casal agoniado sonhava desgraças. O sol chupava os poços, e aquelas excomungadas levavam o resto da água, queriam matar o gado. </li></ul><ul><li>Chegou-se à casa, com medo. Ia escurecendo, e àquela hora ele sentia sempre uns vagos terrores. Ultimamente vivia esmorecido, mofino, porque as desgraças eram muitas. Precisava consultar sinha Vitória, combinar a viagem, livrar-se das arribações, explicar-se, convencer-se de que não praticara injustiça matando a cachorra. Necessário abandonar aqueles lugares amaldiçoados. Sinha Vitória pensaria como ele. </li></ul>
  19. 19. 13. Fuga A vida na fazenda se tornara difícil. SinhaVitória benzia-se tremendo, manejava o rosário, mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava a catinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. o céu azul as últimas arribações tinham desaparecido. Pouco a pouco os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia, pedindo a Deus um milagre. Não sentia a espingarda, o saco, as pedras miúdas que lhe entravam nas alpercatas, o cheiro de carniças que empestavam o caminho. As palavras de Sinha Vitória encantavam-no. Iriam para diante, alcançariam uma terra desconhecida. Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque não sabia como ela era nem onde era. Repetia docilmente as palavras de sinha Vitória, as palavras que sinha Vitória murmurava porque tinha confiança nele. E andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se como uns cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer? Retardaram-se, temerosos. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, SinhaVitória e os dois meninos.
  20. 20. Espaço <ul><li>Caatinga, fazenda, cidade, cadeia. </li></ul><ul><li>O espaço é indeterminado – caráter universal da experiência da seca no sertão; </li></ul><ul><li>relação entre paisagem hostil e vida humana miserável; </li></ul><ul><li>determinismo (naturalismo) - influência do meio sobre o homem que o habita; </li></ul><ul><li>espaço hostil = homem animalizado. </li></ul>
  21. 21. “ A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos (…) Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos.” “ Mudança”
  22. 22. Tempo <ul><li>Indeterminado – confere caráter universal à narrativa; </li></ul><ul><li>A ação decorre entre dois períodos de estiagem; </li></ul><ul><li>história em ciclo, espiral – inicia-se com a fuga de uma seca e termina com a fuga de outra; </li></ul><ul><li>caráter incessante dos tormentos da seca sobre a vida do sertanejo, como se ela (a seca) fosse eterna; </li></ul><ul><li>o tempo predominante não é cronológico, os fatos não ocorrem na ordem em que são narrados; </li></ul><ul><li>tempo psicológico – os fatos se desenrolam a partir da memória e da interioridade das personagens. </li></ul>
  23. 23. Linguagem <ul><li>Linguagem das personagens: enxuta e seca, como a realidade retratada; </li></ul><ul><li>vocabulário pobre e mirrado como a realidade morta do sertão; </li></ul><ul><li>economia de linguagem, dizer o mínimo necessário – dificuldade de comunicação das próprias personagens. </li></ul><ul><li>Linguagem do narrador: alterna objetividade e lirismo. </li></ul>
  24. 24. Capacidade comunicativa <ul><li>Personagens carentes de linguagem, quase mudos – aproximam-se dos bichos; </li></ul><ul><li>desprovidos de linguagem e pensamento – deixam de ser seres racionais; </li></ul><ul><li>busca pela linguagem – meio de compreender a realidade que os cerca (a natureza hostil e a autoridade injusta); </li></ul><ul><li>Seu Tomás da Bolandeira – poder </li></ul>
  25. 25. Personagens <ul><li>Duplamente vitimados – pela seca e pela exploração econômica; </li></ul><ul><li>ignorância, incapacidade verbal e falta de autoconsciência – animalização; </li></ul><ul><li>carência total – não têm direito nem à terra nem à linguagem; </li></ul><ul><li>desumanização – tornam-se seres brutos, coisificados, reificados (do latim res , coisa); </li></ul><ul><li>perambulam por um mundo incompreensível, em busca unicamente da sobrevivência; </li></ul><ul><li>suas trajetórias oscilam do nada ao nada – ao invés de do nada ao ser; </li></ul><ul><li>indivíduos fechados, semimudos, presos à ignorância e ao analfabetismo. </li></ul>
  26. 26. “— Você é um bicho, Fabiano. Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades. Chegara naquela situação medonha — e ali estava, forte, até gordo, fumando o seu cigarro de palha. — Um bicho, Fabiano. Era. Apossara-se da casa porque não tinha onde cair morto, passara uns dias mastigando raiz de imbu e sementes de mucunã. Viera a trovoada.” “ Fabiano”
  27. 27. Fabiano <ul><li>Representa o sertanejo sofredor e explorado; </li></ul><ul><li>Apesar de embrutecido, é capaz de analisar a si mesmo; </li></ul><ul><li>identifica-se com os animais – bicho; </li></ul><ul><li>coisa, escravo – não possui terra e é obrigado a trabalhar para os outros; </li></ul><ul><li>sente-se mal perante outras pessoas – vive isolado do mundo, acostumado à incomunicabilidade dos animais (choque de civilizações); </li></ul><ul><li>interage com o mundo por meio da experiência sensitiva; </li></ul><ul><li>incapaz de se comunicar verbalmente – utiliza uma linguagem gestual e onomatopéica. </li></ul><ul><li>Explorado pelo poder de autoridade do Soldado Amarelo. </li></ul><ul><li>Explorado economicamente pelo Patrão. </li></ul>
  28. 28. “ Não possuíam nada: se se retirassem, levariam a roupa, a espingarda, o baú de folha e troços miúdos. Mas iam vivendo, na graça de Deus, o patrão confia neles — e eram quase felizes. Só faltava uma cama. Era o que aperreava Sinhá Vitória.” “ Sinha Vitória”
  29. 29. Sinha Vitória <ul><li>Ironia do nome – “vitória” aponta para uma existência feliz; </li></ul><ul><li>Sinha Vitória – vencida pelo meio natural e pelo meio humano; </li></ul><ul><li>ambições pequenas e limites estreitos – sua aspiração maior era ter uma cama; </li></ul><ul><li>Esperança: apega-se a sonhos como válvula de escape para sua realidade miserável. </li></ul>
  30. 30. Criança morta (1944), Cândido Portinari
  31. 31. Os meninos <ul><li>Os meninos não têm nome – são chamados apenas de “menino mais velho” e “menino mais novo”; </li></ul><ul><li>desumanização total – são coisas, não precisam de nomes; </li></ul><ul><li>por serem meninos, ainda não “produzem”; </li></ul><ul><li>por não produzirem, nada significam. </li></ul><ul><li>MENINO MAIS NOVO: sonha em ser como o pai. </li></ul><ul><li>MENINO MAIS VELHO: sonha em ter um amigo e quer “entender coisas que os pais não podiam explicar”. </li></ul>
  32. 32. Baleia <ul><li>Função de guia, companheira e responsável pela sobrevivência do grupo ao caçar; </li></ul><ul><li>seu nome é o contrário de si mesma – franzina e habitante de um local árido e seco; </li></ul><ul><li>mais capaz de se comunicar que os seres humanos; </li></ul><ul><li>apresenta sentimentos e pensamentos; </li></ul><ul><li>animal humanizado (antropomorfização) x seres humanos animalizados (zoomorfização). </li></ul>
  33. 33. “ Olhou-se de novo, aflita. Que lhe estaria acontecendo? O nevoeiro engrossava e aproximava-se. Sentiu o cheiro bom dos preás que desciam do morro, mas o cheiro vinha fraco e havia nele partículas de outros viventes. Parecia que o morro se tinha distanciado muito.” “ Baleia”
  34. 34. Soldado Amarelo <ul><li>Simboliza a autoridade do Governo e a injustiça contra os mais fracos e oprimidos. </li></ul>
  35. 35. Patrão <ul><li>Simboliza a opressão dos poderosos e o poder da exploração do trabalho alheio. </li></ul><ul><li>Ele engana Fabiano nas contas. </li></ul>
  36. 36. Seu Tomás da Bolandeira <ul><li>Não chega a aparecer na história. </li></ul><ul><li>É apenas sugerido nas falas e pensamentos de Fabiano e Sinha Vitória. </li></ul><ul><li>Simboliza o desejo de ascensão social e econômica da família: fala com perfeição, tem muitos livros e uma cama de madeira e couro. </li></ul>
  37. 37. Narração - Discurso indireto livre <ul><li>Narrador em terceira pessoa que revela o interior das personagens; </li></ul><ul><li>meio-termo – objetividade do narrador em terceira pessoa e subjetividade do narrador em primeira pessoa; </li></ul><ul><li>atmosfera de imobilidade – pouca ação, predomínio da análise psicológica; </li></ul><ul><li>revelação do universo mental fragmentado das personagens. </li></ul>
  38. 38. Discurso indireto livre <ul><li>Fabiano também não sabia falar. Às vezes largava nomes arrevesados, por embromação. Via perfeitamente que tudo era besteira. Não podia arrumar o que tinha no interior. Se pudesse... Ah! Se pudesse, atacaria os soldados amarelos que espancam as criaturas inofensivas. Bateu na cabeça, apertou-a. Que faziam aqueles sujeitos acocorados em torno do fogo? Que dizia aquele bêbado que se esgoelava como um doido, gastando fôlego à toa? </li></ul><ul><li>Sentiu vontade de gritar, de anunciar muito alto que eles não prestavam para nada. Ouviu uma voz fina. Alguém no xadrez das mulheres chorava e arrenegava as pulgas. Rapariga da vida, certamente, de porta aberta. Essa também não prestava para nada. Fabiano queria berrar para a cidade inteira, afirmar ao doutor juiz de direito, ao delegado, a seu vigário e aos cobradores da prefeitura que ali dentro ninguém prestava para nada. Ele, os homens acocorados, o bêbado, a mulher das pulgas, tudo era uma lástima, só servia para agüentar facão. Era o que ele queria dizer. </li></ul>

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