A década da utopia

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A década da utopia

  1. 1. A DÉCADA DA UTOPIA PROF. MS. MARCOS REZENDE
  2. 2. ORIGENS <ul><li>Os anos da década de 60 no século anterior foram mitologizados como um grande sonho da juventude politizada, contra cultural e com uma nova proposta de mundo. A impressão que se tem é de uma época de contestação dos valores burgueses estabelecidos por uma juventude ansiosa por uma nova ordem coletiva, baseada no bem estar, solidária, fraterna e contra a ditadura do dinheiro. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Porém, este período não existiu como uma geração espontânea. É o estuário de toda uma nova ordem gerada no pós segunda guerra mundial. O mundo burguês perdia seu centro econômico na Europa e buscava se reordenar sob a batuta norte americana nos pressupostos de Bretton Woods. Por outro lado a ética burguesa centrada no lucro e geradora de duas grandes guerras seria gravemente contestada por movimentos estudantis, sociais, políticos e econômicos. Foi um momento em que a moral burguesa foi colocada sob suspeita e novos modelos alternativos apresentados. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>É um erro buscar na juventude a força dos movimentos da década de sessenta. Os jovens não foram os autores das idéias de mudanças, mas, os seus principais personagens. Em cada país em que ocorreram contestações à ordem vigente, os protestos assumiram a coloração das questões atinentes a cada sociedade. Em todo caso é possível encontrar um núcleo de posturas comuns como: </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Contestar o stablisment burguês como conservador da ordem vigente e gerador de miséria e violência. </li></ul><ul><li>Repudiar a sociedade de consumo e a mercantilização da vida humana. </li></ul><ul><li>Recusa em aceitar os padrões sociais e a família tradicional assentada no contrato e não no amor. </li></ul><ul><li>Propor um pacifismo na linha de Gandhi, Tolstoi e Buda. </li></ul><ul><li>Manifestar-se pelo naturismo e o Rock. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>A onda contestadora buscou em pensadores antigos e da época o suporte para a expressão de suas idéias. A práxis decorre de uma teoria, o que não significa que todos dominassem o pensamento filosófico. Em muitos casos o discurso filosófico significou uma interpretação dos desejos do segmento mais jovem. Os filósofos ou pensadores que mais influenciaram o período em questão foram de diversas nacionalidades e apresentaram uma leitura sócio-política-afetivo-religiosa diferenciada. No seu conjunto apresentavam uma unidade que serviria de base para qualquer discurso. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>KARL MARX: </li></ul><ul><li>A vitória da Revolução Cubana e a aparente estabilidade chinesa, bem como as conquistas tecnológicas da URSS apresentavam o socialismo como uma alternativa viável ao capitalismo. Os homens barbudos e românticos de Cuba passaram a impressão que pela força das armas a sociedade poderia ser mudada e inaugurada uma nova ordem de harmonia e igualdade. No caso brasileiro, a luta contra a ditadura após o A.I.5 mobilizou a juventude inspirada pelo modelo cubano e o glamour de Guevara. Uma das últimas guerrilheiras mortas no Araguaia tinha vinte e três anos e era estudante de pedagogia da Universidade Federal de Minas Gerais. Acreditaram na força das armas como motor de mudança. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Por outro lado, uma vertente optou pela resistência cultural, usando para tanto o teatro, a música e o cinema. Inscreve-se nesta vertente a música de protesto, a tropicália, os centros populares de cultura etc. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>JEAN PAUL SARTRE: </li></ul><ul><li>O “livro “O ser e o nada” se tornou um emblema da juventude e Sartre deu o mote necessário:” O homem é um projeto de si mesmo e afirma radicalmente sua liberdade quando se engaja. O próprio Sartre demonstrou este engajamento quando saiu às ruas defendendo suas idéias e o socialismo. A idéia de que cada um deveria construir seu projeto de vida encontrava forte eco comunitário no sentido de construir uma nova sociedade que fosse espelho de cada um e de todos. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>MARCUSE: </li></ul><ul><li>Herbert Marcuse no seu livro “Eros e Civilização” convida os jovens para ser a força renovadora da sociedade. “A repressão sexual e a padronização do ser humano são inevitáveis no capitalismo. Os jovens são a força revolucionária e modificadora”. O velho Marcuse conclamava os jovens para a mudança contra a padronização imposta pelas sucessivas revoluções industriais e uma moral repressora e vitoriana. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>WILHELM REICH: </li></ul><ul><li>Dissidente do pensamento freudiano criou uma variante política na interpretação da sexualidade humana. “A luta pela liberdade sexual é uma luta contra a opressão burguesa”. Este pensamento chegou em um momento em que a pílula anticoncepcional provocava uma revolução sexual: o sexo pelo prazer sem o risco de uma gravidez indesejada. A idéia de o prazer superar o conceito cristão de reprodução. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>CARLOS CASTAÑEDA E TIMOTHY LEARY: </li></ul><ul><li>O primeiro era antropólogo e o segundo psicólogo. Defendiam o uso de alucinógenos para “abrir as portas da percepção”. Foram defensores do uso de L.S.D e Canabis. O questionamento máximo de uma sociedade racional e geradora de infelicidades. Não levaram em conta a dependência química e a alienação provocada pelas drogas. </li></ul>
  13. 13. <ul><li>CARLOS CASTAÑEDA E TIMOTHY LEARY: </li></ul><ul><li>O primeiro era antropólogo e o segundo psicólogo. Defendiam o uso de alucinógenos para “abrir as portas da percepção”. Foram defensores do uso de L.S.D e Canabis. O questionamento máximo de uma sociedade racional e geradora de infelicidades. Não levaram em conta a dependência química e a alienação provocada pelas drogas. </li></ul>
  14. 14. SINGULARIDADES <ul><ul><li>A França foi o ponto de partida para os movimentos quando os jovens da Universidade de Nanterre iniciaram o movimento por dormitórios mistos. A repressão policial demonstrou que a sociedade como um todo precisava de renovação. A adesão momentânea dos trabalhadores com a ocupação de fábricas e escolas criou a ilusão de uma revolução socialista em curso. Os slogans do período são bastante sugestivos: </li></ul></ul>
  15. 15. <ul><li>O sol nasce vermelho para todos; </li></ul><ul><li>É proibido proibir; </li></ul><ul><li>Quanto mais faço amor, mais sou revolucionário; quanto mais sou revolucionário, mais faço amor. </li></ul><ul><li>Make love, not war. </li></ul><ul><li>Sejamos realistas, exijamos o impossível. </li></ul>
  16. 16. PENSAMENTOS DE MAIO 68 <ul><li>Progressiva dos modos de trabalho contrários aos ritmos biológicos (trabalho nocturno, etc.). </li></ul><ul><li>Amis de la Terre, França, 1968 </li></ul><ul><li>Todas as grandes religiões falaram da importância do amor - caridade cristã ou compaixão universal dos budistas - mas poucas sugestões fizeram para permitir à juventude manifestar e cultivar o amor. </li></ul><ul><li>Aldous Huxley </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Não procurem ser santos. Contentem-se em ser humanos, porque a verdadeira santidade é um dom divino que, quando se tenta imitar, se torna uma flor de plástico. </li></ul><ul><li>Allan Watts </li></ul><ul><li>O chamamento da vida nunca terá fim. </li></ul><ul><li>Herman Hess </li></ul>
  18. 18. <ul><li>É muito mais difícil desenvolver uma cidade, do que enviar um homem à Lua. </li></ul><ul><li>Professor Colin Buchanan, 1968 </li></ul><ul><li>A não-violência é um fracasso. O único fracasso maior é a violência. </li></ul><ul><li>Joan Baez, cantora «folk», 1967 </li></ul><ul><li>Caro presidente, o amor e a poesia são vencedores em todos os lances. A guerra é sempre uma grande e pesada perda. Eu sou poeta, amo e ganho. E você? </li></ul><ul><li>Philip Whalen </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Rudi Dutschke Caro presidente, o amor e a poesia são vencedores em todos os lances. A guerra é sempre uma grande e pesada perda. Eu sou poeta, amo e ganho. E você? </li></ul><ul><li>Philip Whalen </li></ul><ul><li>Toma a tua vida em tuas próprias mãos e fá-lo em comunidade. </li></ul><ul><li>Movimento alternativo, RFA </li></ul><ul><li>A «revolucionarização» dos revolucionários é a condição decisiva para a «revolucionarização» das massas. </li></ul>
  20. 20. <ul><li>A máquina de força do Estado, a burocracia e o poder executivo são os guardiões naturais da ordem, da calma e da segurança da sociedade atual. </li></ul><ul><li>Rudi Dutschke </li></ul><ul><li>A revolução acaba a partir do momento em que é preciso sacrificar-se por ela. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>A imaginação assume o poder. </li></ul><ul><li>Só a verdade é revolucionária. </li></ul><ul><li>Sejamos solidários e não solitários. </li></ul><ul><li>Quando o último dos sociólogos tiver sido enforcado com as tripas do último burocrata, teremos nós ainda problemas? </li></ul>
  22. 22. <ul><li>A revolução também combate pela beleza. Ajudem-nos a expulsar a fealdade do Mundo. </li></ul><ul><li>A revolução estudante é uma revolução cultural e moral. Talvez uma utopia. Mas as utopias são as realidades de amanhã. </li></ul><ul><li>A anarquia é a ordem. </li></ul><ul><li>Utilizem os anos que têm sobre este Planeta para reviver todas as possibilidades da aventura humana, pré-humana e até infra-humana. Explorem a infinidade dos espaços interiores e descubram o pavor das aventuras e dos êxtases que repousam no fundo de cada um de nós. </li></ul>
  23. 23. <ul><li>Não há desordem quando não há polícia. </li></ul><ul><li>Jacques Sauvegeot </li></ul>
  24. 24. <ul><li>O divórcio entre o mundo estudantil e operário retirou os trabalhadores do movimento. Os operários travavam sua própria luta pela subsistência e salários. Quando o governo cedeu aos trabalhadores eles saíram do movimento. Trabalhadores e estudantes continuavam a pertencer a universos distintos.A rejeição da classe média a repressão governamental esvaziaram as manifestações. Segundo John Lennon: “ The dream is over”. </li></ul>
  25. 25. ESTADOS UNIDOS <ul><li>A peculiaridade Norte americana foi a guerra do Vietnã que mostrou via televisão toda violência ideológica motivada pela guerra fria. A reação se materializou no Rock e no movimento hippie com forte influência indiana trazida pelos Beatles. </li></ul><ul><li>A pílula anticoncepcional ensejou uma revolução sexual e o movimento feminista. Betty Friedan e Simone de Beauvoir pregavam a igualdade política, econômica e sexual. </li></ul><ul><li>Na outra ponta o movimento negro explodiu em todas as suas tensões. O pastor Martin Luther king foi a sua face pacífica na luta pelos direitos civis dos negros. Malcon X , os Black Panhers e os Black Powers a sua face violenta que demonstrava que o preconceito estava acima da lei e os direitos civis não superavam a pobreza. </li></ul>
  26. 26. THECOSLOVÁQUIA <ul><li>A proposta de Alexander Dubcek, líder do P.C da Tchecoslováquia, de um “socialismo com face humana” conjugando a igualdade do socialismo com a liberdade da democracia foi esmagada pelas tropas do Pacto de Varsóvia. ““A Primavera “de Praga” terminou em um lamento em um muro da capital:” Circo russo na cidade, não alimente os animais”. A guerra fria não admitia defecções ou alternativas ao mundo bipolar em qualquer de seus limites. </li></ul>
  27. 27. CHINA <ul><li>O fracasso do “Grande Salto” ( proposta de fazer a China crescer cem por cento em dez anos ) fez com que Mao Tse Tung buscasse recuperar seu poder manipulando a juventude. O “Livro Vermelho” de Mao propunha uma luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velha cultura, velhas idéias, velhos costumes. </li></ul>
  28. 28. <ul><li>Os jovens foram convocados para se constituírem no motor de uma renovação que nada mais era que a manutenção de uma continuidade. Os jovens com o “ Livro Vermelho “ em punho foram manipulados até a aniquilação dos adversários de Mao. A revolução cultural foi substituída por um culto à personalidade do líder: </li></ul><ul><li>“ Grandes são o céu e a terra, maiores ainda são os feitos do presidente Mao. Sem ele, eu não estaria vivo hoje”. </li></ul>
  29. 29. <ul><li>A década de sessenta não deve ser vista como uma época anárquica, mas antes de tudo como um período em que se acreditou em um ideal coletivo, em que um bem estar social seria possível sem a ditadura do individualismo. Talvez estejamos apenas vivendo mais uma onda conservadora... </li></ul>
  30. 30. BRASIL <ul><li>A luta contra a ditadura mobilizou a juventude brasileira inspirada pelo modelo cubano e chinês. Uma vertente optou pela luta armada depois do A .I. 5 que esgotou qualquer possibilidade de diálogo com a sociedade. O ato instituiu a censura, a cassação de políticos, o fim do hábeas corpus e significou a ditadura plena dos militares. No contexto cultural houve também a opção por uma outra vertente de ser fazer uma resistência cultural ao regime de força na Música, Cinema e Teatro. </li></ul><ul><li>Porém, a jovem guarda simbolizou a apropriação visual da contra cultura do rock, porém, com o discurso alienado político. </li></ul><ul><li>A tropicália buscou um novo discurso mesclando elementos da cultura nacional e estrangeira. </li></ul>
  31. 31. IMAGENS

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