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Apresentaçao

  1. 1. UNIVERSIDADE KATYAVALA BWILA INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO DE BENGUELA DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS SECTOR DE HISTÓRIA • Trabalho de fim de curso para a obtenção do grau de licenciatura em Ciências de Educação, opção História • O CONTRIBUTO DAS AUTORIDADES TRADICIONAIS NA DIVULGAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES SÓCIO- CULTURAIS DAS COMUNIDADES DE BENGUELA E SUA ABORDAGEM NO ENSINO DA HISTÓRIA DA 7ª CLASSE DA ESCOLA 1º DE AGOSTO DA BAÍA-FARTA • AUTOR: JOAQUIM PEDRO • TUTOR: Mestre, JOSÉ GUENDE MÁQUINA
  2. 2. INTRODUÇÃO • A identidade cultural é um sistema de representação das relações entre indivíduos e grupos, que envolve o compartilhamento de patrimónios comuns como a língua, a religião, as artes o trabalho, os desportos, as festas, entre outros. • É um processo dinâmico, de construção contínua que se alimenta de várias fontes no tempo e no espaço. Como consequência do processo de globalização, as identidades culturais não apresentam hoje contornos nítidos e estão inseridas numa dinâmica cultural fluida e móvel.
  3. 3. • Contudo, o fraco domínio da História local pela maior parte da nova geração estudantil, particularmente os adolescentes é preocupante na grande medida em que, tem sido um dos factores que, confrontado com atitudes, costumes e formas de vida estranhas, contribui certamente para os problemas de identidade cultural nas nossas sociedades.
  4. 4. • Assim, a escola é um espaço da construção e reconstrução simbólica, e os profissionais da educação também são profissionais da cultura. • O ambiente escolar convive com as tradições, no momento em que globalização da cultura e dos padrões de comportamento instalou- se como tendência mundial. É na Escola que começa a ser construída a identidade social e cultural.
  5. 5. • Parece-nos que um aspecto fundamental no estudo das sociedades, do ponto de vista antropológico, a tomar em consideração, é indiscutivelmente o meio natural, ou se quisermos o ambiente natural, já que no processo de povoamento, factores sócio-económicos, jogam um papel determinante. • Para Jorge Dias (1959), na formação de uma cultura existem três elementos basilares: A terra, o homem e a memória. A terra é o quadro natural formado pelo solo, o clima, recursos animais, de que o homem dispõe para satisfazer as suas necessidades primárias e as necessidades secundárias que resultam das primárias.
  6. 6. JUSTIFICAÇÃO DO TEMA • No nosso tempo, é frequente afirmar-se que se vive uma época de desestruturação social acompanhada de uma acentuada falta de valores e que a sociedade hodierna atravessa uma crise de identidade que se agrava fortemente entre os jovens e adolescentes, situação que tem sido acompanhada pelo recrudescimento de fenómenos de violência, marginalidade e droga. • É evidentente que a globalização traz implícita o ideal de união e confraternização entre os povos, porém, pode excluir os aspectos particulares da cultura de cada povo. Daí que o grande desafio dos tempos actuais é justamente a preservação da identidade cultural frente aos inequívocos apelos do aludido processo de globalização.
  7. 7. • Assim, motivos práticos e técnico-profissionais estiveram na base da escolha do tema: • A pouca abordagem do tema no programa da 7ª Classe da Escola 1º de Agosto da Baía-Farta; • A pouca divulgação do mesmo assunto. • A escassez de bibliografia sobre o tema. • Julgamos necessário para o desenvolvimento do ensino da disciplina de História, o tratamento deste tema para moldar uma consciência de cidadão nacional, que se insira num todo, universal, legítimo, herdeiro do património histórico deixado pelos antepassados e que urge preservar. • Em tal sentido se assumiu como:
  8. 8. PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO • Como contribuir na formação de conhecimento, divulgação e valorização do contributo das autoridades tradicionais na divulgação das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela e sua abordagem no ensino da história da 7ª classe da Escola 1º de Agosto da Baía Farta‖?
  9. 9. OBJECTO DE INVESTIGAÇÃO • O Processo de ensino e aprendizagem da disciplina de História da 7ª classe da Escola 1º de Agosto da Baia Farta.
  10. 10. OBJECTIVO GERAL • Elaborar uma proposta didáctica centrada no conhecimento e divulgação do contributo das autoridades tradicionais na divulgação das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela através da discilpina de História da 7ª classe da Escola 1º de Agosto da Baia Farta.
  11. 11. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS • Identificar as manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela; • Destacar o contributo das autoridades tradicionais na manutenção e preservação do património histórico-cultural. • Diagnosticar o estudo do tema no processo de ensino-aprendizagem da disciplina de História. • Fundamentar uma proposta didáctica de maneira a contribuir para a qualidade do processo de ensino-aprendizagem em História.
  12. 12. CAMPO DE ACÇÃO  Conteúdos sobre o contributo das autoridades tradicionais na divulgação das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela através da discilpina de História da 7ª classe da Escola 1º de Agosto da Baia Farta. • HIPÓTESE  A elaboração de uma proposta didáctica que integra o trabalho sistemático e planeado sobre a divulgação das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela contribuirá para elevar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem em História nos alunos da 7ª classe do I Ciclo do ensino secundário da Escola 1º de Agosto da Baia Farta.
  13. 13. Variáveis  Variável Independente (V.I): A elaboração de uma proposta didáctica que integre o trabalho sistemático e planeado sobre a divulgação das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela.  Variável Dependente (V.D): Contribuirá para elevar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem em História nos alunos da 7ª classe do I Ciclo do ensino secundário da Escola 1º de Agosto da Baia Farta.
  14. 14. MÉTODOS E PROCEDIMENTOS DE PESQUISA  Métodos empíricos: Entrevista aos professores alunos e gestores que proporciou a informação concreta sobre o problema; Consulta bibliográfica, que nos permitiu consolidar a base teórica do nosso trabalho e o seu carácter científico; análise documental, que nos ajudou realizar uma análise do programa de História.  Métodos teóricos: Analítico - sintético, que permitiu um estudo minucioso sobre a educação patrimonial no ensino da História; dedutivo-indutivo, que nos garantiu a análise de factos gerais da educação para as questões específicas das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela.
  15. 15. POPULAÇÃO • Oito (8) professores que trabalham com o programa e setenta (70) alunos. • Dos 8 professores seleccionados de forma intencional, já que constituíram a franja daqueles que trabalham directamente com o programa, o que significou 100%; obtiveram-se os seguintes resultados: • Da amostra constituída de forma aleatória de 70 alunos trabalhou-se com 55 perfazendo 79% .
  16. 16. AMOSTRA • A amostra dos professores foi seleccionada de forma intencionada de 8, o que significou 100% e dos alunos trabalhou-se com 55, perfazendo 79% .
  17. 17. NOVIDADE CIENTÍFICA • Está dada, pelo Valor teórico e prático: • Valor teórico : Consubstanciado pela abordagem dos conteúdos sobre as autoridades tradicionais nas comunidades de Benguela. • Valor prático: Prende-se com a introdução e aplicação da proposta metodológica sobre o grupo etnolinguístico Ovimbundu, no programa de História da 7ª Classe da Escola 1º de Agosto da Baia Farta..
  18. 18. ESTRUTURA DO TRABALHO • Além da introdução, conclusões, recomendações, anexos e as fontes consultadas, o trabalho consta de três capítulos. • CAPÍTULO I. ASPECTOS GERAIS SOBRE AUTORIDADES TRADICIONAIS NA DIVULGAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES SÓCIO- CULTURAIS DAS COMUNIDADES DE BENGUELA.•
  19. 19. • Neste capítulo apresentam-se os fundamentos gerais quanto à constituição política e territorial umbundu, o contexto etno-político de Benguela, bem como, a necessidade de manutenção e preservação do património histórico-cultural.
  20. 20. • CAPÍTULO II. O CONTRIBUTO DAS AUTORIDADES TRADICIONAIS NA DIVULGAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES SÓCIO- CULTURAIS DAS COMUNIDADES DE BENGUELA E SUA ABORDAGEM NO ENSINO DA HISTÓRIA DA 7ª CLASSE DA ESCOLA 1º DE AGOSTO DA BAÍA-FARTA. O CAPÍTULO ESTÁ RESERVADO À APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS.
  21. 21. • CAPÍTULO I. ASPECTOS GERAIS SOBRE AUTORIDADES TRADICIONAIS NA DIVULGAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES SÓCIO- CULTURAIS DAS COMUNIDADES DE BENGUELA
  22. 22. • Neste capítulo, destinado a fundamentação teórica do tema em estudo, faz-se necessário entender o conceito de autoridade tradicional enquanto guadiã das manifestações sócio- culturais das comunidades, se atendermos ao facto da sua realidade histórica, sociológica e cultural que exige o aperfeiçoamento e dignificação como forma de representação do pluralismo social pelo reconhecimento daqueles que tudo fazem para que as populações das regiões do interior de Angola, pôe exemplo, dentro de alguma organização e respeito pela vida, sem esquecer o repeito pelas suas terras natais. • Consideramos que a autoridade, no seu exercício prático, requer alguns atributos tais como: ascendência, consideração, credibilidade, capacidade de domínio, capacidade de influência, magnetismo, certo peso social, prestígio e reputação comunitária.
  23. 23. • Porquanto, a autoridade, simplesmente como tal, só tem prestígio quando se distancia de quem se exerce, pois o prestígio só é passível de existir caso exista um enigma, um mistério, um tabú, isto é para evitar que o seu detentor seja menos conhecido pela comunidade. • Em decorrência desta problemática, primeiramente se aborda a evolução das características, funções e atribuições gerais das autoridades tradicionais com seus aspectos históricos e conceptuais para posteriormente discorrer sobre a questão do seu papel e contributo das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela.
  24. 24. Natureza da Cultura • A cultura, para os antropólogos em geral, constitui-se no ―conceito básico e • central de sua ciência‖, afirma Leslie A. White (In Kahn, 1975:129). • O termo cultura (colere, cultivar ou instruir; cultus, cultivo, instrução) não se restringe ao campo da antropologia. Várias áreas do saber humano, agronomia, biologia, artes, literatura, história, valem- se dele, embora seja outra a conotação. • Muitas vezes, a palavra cultura é empregue para indicar o desenvolvimento do indivíduo por meio da educação e da instrução. Nesse caso, uma pessoa ―culta‖ seria aquela que adquiriu domínio no campo intelectual ou artístico. Seria ―inculta‖ a que não obteve instrução.
  25. 25. • Os antropólogos não empregam os termos culto ou inculto, de uso popular, nem fazem juízo de valor sobre esta ou aquela cultura, pois não consideram uma superior à outra. Elas apenas são diferentes em nível de tecnologia ou integração de seus elementos. • Todas as sociedades — rurais ou urbanas, simples ou complexas — possuem cultura. Não há indivíduo humano desprovido de cultura excepto o recém-nascido; porque ainda não sofreu o processo de endoculturação. • Para os antropólogos, a cultura tem significado amplo: engloba os modos • comuns e aprendidos da vida, transmitidos pelos indivíduos e grupos, em sociedade.
  26. 26. I.2 - O PAPEL DAS AUTORIDADES TRADICIONAIS NA DIVULGAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES SÓCIO- CULTURAIS DAS COMUNIDADES DE BENGUELA • Falar das autoridades tradicionais implica a compreensão da diversidade de situações que encontramos em Angola, variando em função da influência de factores históricos e das dinâmicas sociais que ocorrem no interior das comunidades, conformando novos elementos característicos da sua natureza, legitimidade e funções. • Do ponto de vista da sua natureza, as autoridades tradicionais, de forma geral, são moldadas por uma organização social linhageira assente no parentesco, tendo no culto aos antepassados uma das características marcantes da sua religiosidade. • Nestas circunstâncias, a linhagem constitui, assim, o principal critério para legitimar o poder de uma autoridade tradicional.
  27. 27. • Desde há muitos anos que os sistemas de uso e posse de terras vêm sofrendo transformações decorrentes de factores económicos e demográficos. Tais transformações têm tido implicações significativas no funcionamento das autoridades tradicionais relativamente ao seu papel na gestão de terras e de outros aspectos ligados a vida das comunidades. • Colóquio do Ministério da Administração do Território; 19 e 20 de Junho; II Encontro Nacional sobre Autoridade Tradicional; Palácio dos Congressos, Luanda 2006.
  28. 28. • A passagem dos sistemas de posse de terras das formas tradicionais afectas ao poder do osoma para formas de vínculo individual, fez com que o direito geral de utilização da terra deixasse de existir, surgindo em seu lugar o direito específico, o que, de acordo com as constatações de um estudo recentemente realizado no Huambo sob os auspícios da Rede Terra, leva a concluir que não se pode falar de terras comunitárias nesta região, mas sim de propriedade privada, mesmo que este facto não seja, do ponto de vista jurídico-legal, reconhecido. • Esta alteração, conforme se destaca mais adiante, teve repercussões no que diz respeito ao papel das autoridades tradicionais na gestão de terras nos dias de hoje.
  29. 29. • No que toca a resolução de conflitos, embora na prática com a assumpção cada vez evidente do conceito de propriedade privada, a acção das autoridades tradicionais é de algum modo importante, particularmente naqueles casos em que as partes em conflito não conseguem chegar a uma solução, sendo necessária a intervenção do ondjango. • Os conflitos de terras frequentemente resolvidos com o apoio do onjango têm a ver com a herança, demarcação de limites e disputa de parcelas.
  30. 30. CONSTITUIÇÃO POLÍTICA E TERRITORIAL • Apresenta-se, em seguida uma estrutura que se hierarquiza da seguinte forma: • A Ofeka com o sentido e significação de Estado/País ou Nação. • A Ombala é entendida como capital, cujo status de ordenamento habitacional pode significar uma cidade. Por ter também a função de sede político-administrativa designa-se por Elombe, pois nela, estão contidas as instituições dos Poderes soberanos da ordem tradicional. • Ymbo ou Ovambo no plural corresponde com aquilo a que se designa desde a chegada portuguesa, por aldeia (s). O ymbo, que equivale a povoação, aldeia, mas que representa um aglomerado de indivíduos; é uma comunidade que pode compor- se de uma ou mais famílias alargadas. • É um centro territorial colectivo que representa o modo primogénito estável de uma comunidade de inserir-se no espaço, é também uma comunidade de bens colectivos que possibilita a realização das primeiras funções económicas, e tem uma personalidade própria a semelhança da família, o que se manifesta em primeira-mão, a partir do próprio nome, que surge em analogia ou ao fundador ou as complexidades naturais que envolvem o lugar.
  31. 31. • Osongo ou Olosongo, são as estruturas básicas do contexto de organização tradicional dos Estados Ovimbundu que se estendem entre as actuais províncias do Bié, Huambo, Benguela e sul do Kuanza-SuI. • Alunda, espaços que tenham sido vividos e trabalhados no passado, são património cultural e demitem qualquer tentativa de analogia à parcelas em pousio ou Otchipempe, cujo significado é somente, parcelas de reserva para o exercício agrícola. • Alunda vão dispor-se dentro do território que constituem os limites do Estado, Porque na perspectiva africana vitalista, ―não há lugar para o completamente inerte e não existe o vazio‖. • Eis que os ovimbundu não acreditam no nada absoluto ou seja em negar o ser‖.
  32. 32. AUTORIDADE TRADICIONAL UMBUNDU (USOMA) • Por causa da herança do poder político tradicional baseada na consanguinidade, as instituições políticas Ovimbundu ―não devem ter conhecido subordinações absolutas (poder central) sem que haja relação de parentesco na linhagem com o direito a herança‖. • O exercício e a manutenção do Poder Tradicional Umbundu são providos de algumas qualidades colectivamente identificáveis como: a legitimidade, o prestígio sócio-económico e o mágico-religioso, atendendo que literalmente, Poder é também entendido como a capacidade de influenciar os pensamentos ou acções dos outros. Meio pelo qual a pessoa ganha a concordância dos outros. • Logo defende-se que para exercitá-lo, é necessário granjeara simpatia do grupo.
  33. 33. • ―Antes da penetração efectiva europeia (século XVI), a componente mágico-religiosa era a mais representativa e constituía a fonte inspiradora das qualidades básicas para o governo tradicional (eloquência, coerção e perícia), que levavam o Soma a impor a sua autoridade perante os súbditos, porque as entidades mágicas participam do processo de governação através da manutenção da ordem e da conduta social aceitáveis pelo grupo, com regras temíveis e com alguma limitação: • pouco tolerantes e inegociáveis, pois a autoridade neste âmbito, é representada por personagens que abandonam seus corpos em sono, circulando apenas com os espíritos, sob a forma de policiamento. • Daí a impossibilidade de negociação, porque são pessoalmente incontactáveis‖
  34. 34. • A única relação na convivência com os vivos passa simplesmente por aceitá-los: - sancionam o grupo humano em caso de infracção e protegem em circunstâncias de indefesa, logo, coloca as comunidades na posição de vulneráveis, porque politicamente são representados pela autoridade linhageira, a única com acesso de contacto com os não vivos em nome das comunidades.
  35. 35. A COMPONENTE SÓCIO-ECONÓMICA • Os rendimentos dos Olosoma Vinene consistiam nos tributos de vassalagem, impostos aduaneiros ou de circulação, emolumentos que tinham o direito de (cobrar na decisão dos pleitos entre particulares, nas multas que impunham aos criminosos do Estado e nos presentes que recebiam frequentemente. • Também alguns Olosoma mandavam os seus Sekulos comerciantes, mediante uma comissão, a fazerem negócios seus. O pagamento que se fazia aos carregadores dos negócios do chefe supremo do Estado era inferior ao que se pagava entre particulares. • A esta forma, incluíam-se as propriedades agrícolas, gado e cativos/escravos.
  36. 36. A COMPONENTE MÁGICO-RELIGIOSA • Consideramos, no presente aspecto, que a terra encerra os antepassados como fonte de vida e de sabedoria, enquanto o sangue, vai representar a faceta transcendental e profunda, porque expressa e veicula a vida e constitui o princípio imanente e a própria razão de ser do grupo. Este é considerado o centro do Poder real, porque constitui-se em base e serve de elo de ligação entre as gerações actuais e os ancestrais, - os Akisi que eram espíritos daqueles que morreram há muito tempo, e depois de estarem completamente em paz, se tornavam em protectores de uma dada família, a qual haviam pertencido em vida; • corresponde por essência a necessidade da imposição da ordem, normas cívicas e regras em respeito aos mortos, pelo facto de as leis e normas não estarem documentadas, mas obrigadas ao seu cumprimento pela governação.
  37. 37. • Desta feita,―a ascensão ao Usoma pressupõe aceitar e praticar as complexidades desse poder, para o qual o aspecto mágico - religioso é entendido como preponderante e encerra algumas entidades e divindades que apoiando-se em três pesquisadores - escritores sintetizou- se o seguinte: • O Tchimbanda ou curandeiro • Onganga • A Otchituka • Otchiliangu OtchiIuIo • Olundumba • Olondele • Ondele - ou espírito • Olosande
  38. 38. • CAPÍTULO II – O CONTRIBUTO DAS AUTORIDADES TRADICIONAIS NA DIVULGAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES SÓCIO- CULTURAIS DAS COMUNIDXADES DE BENGUELA E SUA ABORDAGEM NO ENSINO DA HISTÓRIA DA 7ª CLASSE DA ESCOLA 1º DE AGOSTO DA BAÍA- FARTA •
  39. 39. Apresentação, análise e interpretação dos resultados obtidos • Resultados dos inquéritos apresentados aos professores • Dos 8 professores seleccionados de forma intencional, já que constituíram a franja daqueles que trabalham directamente com o programa, o que significou 100%; obtiveram-se os seguintes resultados:
  40. 40. Acha importante a inclusão no currículo de História da 7ª classe do tema ― O contributo das autoridades tradicionais na divulgação das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela‖? • Os resultados obtidos nesta questão servem de argumento para as nossas preocupações; o que sobremaneira justifica a necessidade da nossa proposta de inclusão do tema no programa. Nº de professores resultados percentagem 8 Sim 100% - Não 0 - Pouco 0 Total 100%
  41. 41. Acha que o tratamento desse tema no programa da 7ª classe do curso em questão motivará a aprendizagem da História Local e de um modo geral despertará o interesse do próprio angolano a saber da sua origem e da verdadeira identidade? • O presente quadro, permite conferir a importância de reflectir sobre a identidade do próprio angolano no processo de ensino- aprendizagem de História. Portanto O grande desafio dos tempos actuais é justamente a preservação da identidade cultural frente aos inequívocos apelos do processo de globalização. Daí, a necessidade da nossa proposta. Nº de professores resultados percentagem 7 Sim 87% 0 Não 0% 1 Pouco 13% Total 100%
  42. 42. Conhece algumas obras bibliográficas sobre o tema? • Os resultados obtidos nesta questão servem também de argumento às nossas preocupações quanto a inserção do tema no programa. Nº de professores resultados percentagem 01 Muitas 13% 07 Poucas 87% 0 Nenhuma 0% Total 100%
  43. 43. Resultados dos inquéritos apresentados aos alunos • Da amostra constituída de forma aleatória de 70 alunos trabalhou- se com 55 perfazendo 79% . • Ao aplicarmos o inquérito, manifestaram-se da seguinte forma:
  44. 44. Tens conhecimento sobre o contributo das autoridades tradicionais na divulgação das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela‖? • Os resultados obtidos nesta questão servem de argumento para as nossas preocupações; o que sobremaneira justifica a necessidade da nossa proposta didáctica. O resultado obtido na presente questão responde, de igual modo, a necessidade da nossa proposta. Opções Frequência Percentagem Sim 0 0% Não 45 64% Pouco 10 36% Total 55 100%
  45. 45. Possuis material bibliográfico sobre o contributo das autoridades tradicionais na divulgação das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela‖? • As nossas apreensões quanto ao material bibliográfico encontram resposta nos dados obtidos. De resto, de certa maneira, reafirmamos que, tem constituído um dos factores limitativos ao processo de aprendizagem em História Nacional e Local. Opções Frequência Percentagem Sim 0 0% Não 51 73% Pouco 4 27% Total 55 100%
  46. 46. Sugestões para a integração do tema no programa da 7ª classe da Escola 1º de Agosto da Baía-Farta. • Proposta concreta • TÍTULO: • O contributo das autoridades tradicionais na divulgação da manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela. • Fundo de tempo: 16 horas.
  47. 47. Sistema de objectivos: Objectivo Geral • Analisar o contributo das autoridades tradicionais na divulgação das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela, com o intuito de elevar o nível de conhecimento dos alunos da 7ª classe da Escola 1º de Agosto da Baía Farta.
  48. 48. Objectivos instrutivos • Compreender as principais transformações históricas ocorridas na sua comunidade ou região, bem como a dinâmica dos modelos de organização dessas comunidades, desde o seu surgimento até a actualidade; • Caracterizar a autoridade tradicional umbundu na comunidade; • Demonstrar o contexto sócio-cultural e histórico de Benguela; • Identificar as manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela; • Destacar o contributo das autoridades tradicionais na manutenção e preservação do património histórico-cultural.
  49. 49. Objectivos educativos • Desenvolver o amor pela sua cultura; • Valorizar, preservar e conservar o património histórico-cultural; • Despertar o orgulho de assumir a sua identidade cultural ante os actuais desafios da globalização.
  50. 50. CONCLUSÕES • A identidade cultural é um sistema de representação das relações entre indivíduos e grupos, que envolve o compartilhamento de patrimónios comuns como a língua, a religião, as artes o trabalho, os desportos, as festas, entre outros. É um processo dinâmico, de construção continuada, que se alimenta de várias fontes no tempo e no espaço. • Falar de autoridades tradicionais implica a compreensão da diversidade de situações que encontramos em Angola, variando em função da influência de factores históricos e das dinâmicas sociais que ocorrem no interior das comunidades, conformando novos elementos característicos da sua natureza, legitimidade e funções.
  51. 51. CONCLUSÕES • O governo tradicional, independentemente de ser exercido supremamente por consanguíneos, os seus agentes são eleitos, e exercem autoridade nos comandos seguindo certas normas e leis existentes na prática e acção, mesmo não tendo sido escritas. A obediência é devida ao conjunto de regras e regulamentos legais, previamente estabelecidos e não a pessoa em si. A legitimidade baseia-se, desta forma, em normas legais costumeiras e racionalmente definidas. • A autoridade, no seu exercício prático, requer alguns atributos tais como: ascendência, consideração, credibilidade, capacidade de domínio, capacidade de influência, magnetismo, certo peso social, prestígio e reputação comunitária.
  52. 52. CONCLUSÕES • Apesar da erosão estrutural e funcional que as autoridades tradicionais sofreram e continuam a sofrer, fragilizando o seu poder, prestígio e influência junto dos seus liderados, ainda desempenham um papel importante em muitos aspectos da vida das comunidades. • O exercício e a manutenção do Poder Tradicional Umbundu, como manifestação sócio-cultural, são providos de algumas qualidades colectivamente identificáveis como: a legitimidade, o prestígio sócio- económico e o mágico-religioso, atendendo que literalmente, Poder é também entendido como a capacidade de influenciar os pensamentos ou acções dos outros.
  53. 53. CONCLUSÕES • A escola é um espaço de construção e reconstrução simbólica, e os profissionais da educação também são profissionais da cultura. O ambiente escolar convive com as tradições, no momento em que globalização da cultura e dos padrões de comportamento instalou-se como tendência mundial. É na Escola que começa a ser construída a identidade social e cultural. • A nossa investigação levou-nos a constatar haver lacunas e insuficiências na assimilação e aplicação das diversas manifestações dos ovimbundu em geral e das manifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela em particular, no seio da população em geral e dos alunos da 7ª classe em particular.
  54. 54. RECOMENDAÇÕES • Por todas as questões tratadas neste trabalho, recomendamos o seguinte: • Que a proposta elaborada sobre o contributo das autoridades tradicionais na divulgação das maninifestações sócio-culturais das comunidades de Benguela seja feita no programa da 7ª classe na disciplina de História Escola 1º de Agosto da Baía-Farta.
  55. 55. RECOMENDAÇÕES • Que a partir da sistematização destes conteúdos, presentes neste trabalho de fim de curso, se realizem seminários, debates que permitam socializar e aprofundar o tema. • Que os resultados deste trabalho devem ser generalizados nas outras instituições do I ciclo de formação de professores no nosso país.
  56. 56. •O MEU MUITO OBRIGADO.

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