Aspectos fisiológicos da ingestão de água no organismo humano

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Aspectos fisiológicos da ingestão de água no organismo humano

  1. 1. Aspectos Fisiológicos da Ingestão de Água no Organismo Humano e sua Influência no Rendimento Atlético Physiological Aspects of Drinking Water in the Human Body and its Influence on Athletic Performance Samuel Dias Cardoso1,, Sandro Conceição de Souza2 1 Licenciado em Educação Física pela Universidade Salgado de Oliveira Bacharel em Educação Física pela Universidade Salgado de Oliveira 2 Mestrando em Ciência da Atividade Física pela Universidade Salgado de Oliveira , Graduado em Educação Física pela Universidade Salgado de Oliveira , Especialista em Treinamento Desportivo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Docente do Curso de Especialização em Fisiologia e Treinamento de Força da Universidade Salgado de Oliveira e Docente do Curso de Graduação em Educação Física da Universidade Salgado de OliveiraResumo – É consenso entre os profissionais que atuam na área de prescrição de exercícios, que um bomequilíbrio hídrico é fundamental para a manutenção dos exercícios físicos. Essa temática também é de interessede esportistas e de vários profissionais interessados no comportamento fisiológico do homem quando ematividades de elevada intensidade. Porém, mesmo compreendendo a importância do tema, algumas perguntascontinuam deixando espaços para reflexões e merecem ser investigadas com mais atenção. Uma dessas questõesrefere-se ao momento que se deve ingerir líquidos de uma forma em geral, para se obter a manutenção ou até oganho do rendimento atlético e consequentemente, encontrar uma quantidade mínima ideal para o bomfuncionamento do organismo humano. Diante ao exposto, temos como objetivo verificar a importância da águapara o organismo humano, seus benefícios para a saúde e as recomendações para consumo antes, durante e apósa pratica de exercícios de alto rendimento. Utilizaremos como metodologia de pesquisa a análise de fontesbibliográficas no período de 1971 a 2010, em diversas bases de dados (Scielo, Bireme, MedLine) e livros textoseditorados, para demonstrar e esclarecer os argumentos desenvolvidos e aqui apresentados. Após a revisão dasfontes bibliográficas, obteve-se uma maior compreensão sobre o papel da água no organismo humano.Concluímos que a água é de fundamental importância para o funcionamento equilibrado da célula, para orendimento atlético e que em alguns casos, faz-se necessário a adição de substratos energéticos e sais mineraisem complemento, para um perfeito restabelecimento orgânico e melhora da performance.Palavras chaves: líquidos, desidratação, hidratação e atividade física. Samuel D. C.: profsamuelcardoso@hotmail.com
  2. 2. I – Introdução Uma das respostas do corpo humano quando submetidos a uma atividade é a produçãode calor e consequentemente ativação dos mecanismos fisiológicos de controle térmico ehídrico. Ao realizarmos uma atividade física com elevada intensidade, esse aspecto torna-seextremamente relevante e limitador da continuidade dessa atividade. Baseado nessa premissa,a reposição de líquidos deve ser estimulada e aceita como um fator fundamental para amanutenção e qualidade do exercício e para reduzir os riscos de síncopes geradas peloestresse térmico. Assim, uma hidratação apropriada durante a atividade física de carátercompetitivo ou recreativo pode garantir que o desempenho atlético esperado seja atingido eque problemas de saúde sejam evitados. Os procedimentos para assegurá-la requeremconhecimento de fatores que influenciam quando e o quanto beber de água. Asrecomendações dependem do tipo de atividade a ser realizada e de fatores individuais, comocondicionamento físico, idade, modalidade praticada, estresse ambiental, entre outros. Dianteao exposto temos como objetivo verificar a importância da água para o organismo humano,seus benefícios para a saúde e as recomendações para consumo antes, durante e após a praticade exercícios de alto rendimento. Utilizaremos como metodologia de pesquisa a análise defontes bibliográficas de diversas bases de dados (Scielo, Bireme, MedLine) e livros textospublicados para demonstrar e esclarecer os argumentos desenvolvidos e aqui apresentados. A água não possui nenhum valor calórico e por isso raramente é considerada comonutriente. Porém, sua importância para a manutenção da vida só fica atrás do oxigênio. Aágua constitui de 40 a 70% da massa corporal, dependendo de idade, sexo e composiçãocorporal; representa de 65 a 75% do peso do músculo e cerca de 10% da massa de gordura(MCARDLE, KATCH & KATCH, 2008). Alguns autores colocam que em média cerca de 60% da massa corporal é constituídapor água, ou seja, 42 litros para um indivíduo pesando cerca de 70 Kg (GUYTON, 1997;MARQUEZI & LANCHA JÚNIOR, 1998; COSTILL & WILMORE, 2001). Segundo Costill & Wilmore (2001) podemos sobreviver a perdas de até 40% de nossopeso corporal de carboidratos, proteínas e gorduras. Mas uma perda de apenas 9% a 12% dopeso corporal de água pode levar um individuo a morte. A água é importante em muitosprocessos do organismo, assim como, no transporte do corpo e o meio reativo; nutrientes egases viajam em solução aquosa; os produtos de desgaste deixam o corpo através da águaexistente na urina e nas fezes; a difusão dos gases se dá na presença de superfíciesumedecidas pela água; a água, em combinação com várias proteínas, lubrifica as articulaçõese protege contra o choque vários órgãos, tais como o coração, os pulmões, os intestinos e osolhos.II – Discussão: Compartimentos Hídricos: São dois os compartimentos hídricos (líquidos) do corpo humano, o intracelular e oextracelular. Aproximadamente dois terços da água do nosso corpo encontram-se contidos dentrodas nossas células e é denominado de compartimento intracelular. O restante encontra-se foradas células e é denominado compartimento extracelular (COSTILL & WILMORE, 2001;MCARDLE, KATCH & KATCH, 2008). Inclui a este compartimento o liquido intersticial,linfa, saliva, líquido existente nos órgãos, líquidos excretados pelas glândulas e pelo tratodigestivo, líquidos que banha os nervos raquidianos e líquidos excretados pela pele e pelos
  3. 3. rins, além, do plasma sanguíneo (COSTILL & WILMORE, 2001; MCARDLE, KATCH &KATCH, 2008). O plasma sanguíneo é responsável por quase 20% do líquido extracelular. A águacorporal total uma média de 62% representam líquido intracelular e 38% de fonte extracelular(MCARDLE, KATCH & KATCH, 2008). Utilizando os dados de referência de Costill & Wilmore (2001) e McArdle, Katch &Kacth (2008) comparando um homem de 70 kg, seu peso de água corporal total (aprox. 60%)será de 42 kg, seu volume intracelular (aprox. 2/3 ou 62%) será de 28 kg e seu volumeextracelular (1/3 ou 38%) será de 14 kg. Equilíbrio Hídrico: Diariamente um adulto sedentário em um meio ambiente termo neutro necessita deaproximadamente 2,5 L de água. Porém para um adulto ativo em um meio ambiente quente eúmido essa necessidade pode chegar a quantidade entre cinco e 10 L de água por dia(MCARDLE, KATCH & KATCH, 2008). Essa ingestão será dividida da seguinte forma: 60% ingestão líquida, 30% ingestãoalimentar e 10% produção metabólica de água. Alimentos: Todos os alimentos nos fornecem água, sendo que uns fornecem mais queoutros, como por exemplo dos que nos fornecem bastante água temos o melaço (25%), o pãointegral (35%), a carne de hambúrguer (54%) e o leite integral com (87%); já os que nosfornecem menos água temos as nozes (4%), e os cocos secos e as nozes-peças com apenas(7%). Líquidos: São as bebidas em geral como o refrigerante, sucos, entre outros, porém amaior parte será a ingestão da própria água. Água metabólica: Cerca de 14% da água utilizada pelo nosso organismo diariamente,por uma pessoa sedentária, provem do fracionamento das moléculas dos macronutrientes queno seu metabolismo forma dióxido de carbono e água, essa água é denominada águametabólica. Excreção de Água: Segundo McArdle, Katch & Katch (2008) a perda de água pelo corpo ocorre de quatromaneiras: pela urina,, como vapor de água no ar expirado, pela pele e nas fezes. Pela urina: Em repouso, a maior parte de água é excreta é pela urina (cerca de 60%), orins utilizam essa água para colocarem para fora do organismo os produtos metabólicos sob aforma de urina. Em condições de repouso, os rins excretam cerca de 50 a 60 ml de água porhora. Pelo vapor d’água no ar: Cerca de 30% da água excretada pelo organismo é atravésdo trato respiratório, uma vez que todo o ar que respiramos é umedecido e depois expelidopelos pulmões. Pela pele: Através da transpiração são perdidos cerca de 5% de água diariamente. Pelas fezes: É excretado pelo intestino grosso cerca de 5% de água através das fezes,vale ressaltar que cerca de 70 % do material fecal é constituído por água. Diante aos fatos acima citados, estudos são realizados para obter melhor compreensãode como podemos garantir boas condições de saúde e melhor rendimento atlético fazendo usoda água. A partir daqui prosseguiremos em nossa análise dando ênfase as variantes hídricas napresença dos exercícios.
  4. 4. Desidratação: Quando o organismo está com níveis adequados de água, dizemos que ele está numestado de euhidratação. A hipohidratação se caracteriza como uma situação na qual oorganismo apresenta uma redução do conteúdo de fluidos do corpo, e a hiperhidratação secaracteriza por um volume de água no corpo acima do normal. O termo desidratação defineuma redução mais ou menos rápida da água corporal, levando o organismo de um estado deeuhidratado para hipohidratado (COSTILL & WILMORE, 2001). Segundo Sawka & Pandolf (1990), uma desidratação relativamente pequena, como daordem de 1 a 2% do peso corporal, já é suficiente para alterar o desempenho em exercícios deresistência (FOSS et al., 2000). Independentemente de quando ocorre a redução da quantidade de água do organismo,se antes da prática de exercícios (GREENLEAF & CASTLE, 1971; NADEL at al, 1980;SAWKA et al., 1985) ou durante os exercícios (MONTAIN & COYLE, 1992), os efeitosadversos da perda de água corporal nas funções cardiovasculares e na termoregulação,aumenta gradativamente em função do aumento da quantidade de líquidos perdidos. Segundo Sawka & Pandolf (1990) a desidratação interfere negativamente naperformance da atividade física, sendo que os efeitos negativos se acentuam quanto maior foro grau de desidratação e quanto maior for o tempo de atividade. Em resumo, quando se inicia um exercício em condições de desidratação, são elevadasas probabilidades de ocorrerem efeitos adversos nas funções fisiológicas e no rendimentoatlético, e em estado de hidratação, mesmo que parcial, esses efeitos indesejáveis sãoatenuados. Hiperhidratação: Se por um lado, a perda hídrica durante o exercício vai gerar um estado dedesidratação, com diminuição do rendimento e prejuízos no mecanismo de termoregulação,por outro, um estado de hiperhidratação também é prejudicial, já que pode causar desconfortogástrico e hiponatremia (INSTITUTE OF MEDICINE, 2004; MEYER & PERRONE, 2004;BRITO & MARINS, 2005). Segundo Latzka et al. (1998); Meyer & Perrone (2004); Machado-Moreira et al(2006) existe controvérsia se o aumento da quantidade de água do organismo em umasituação de euhidratado afeta positivamente o organismo. Um dos principais fatores quecontribui para essa controvérsia reside na quantidade de líquidos que é ingerida durante aatividade física. É pouco provável que a hiperhidratação pré-exercícios traga alguma vantagem extra,caso seja feita uma hidratação adequada durante o transcorrer do evento. Entretanto, sabe-seque é raro entre os atletas ocorrer uma reposição integral de fluidos durante um eventoesportivo, sendo esta geralmente menor que 50% dos líquidos perdidos através do suor e daurina (SAWKA & PANDOLF, 1990). Segundo Latzka et al. (1998) a hiperhidratação préviaparece retardar o aparecimento da desidratação por algum tempo, embora não seja eficiente naproteção contra os efeitos negativos de uma hipertermia progressiva. Perda de Eletrólitos: Os eletrólitos são de suma importância para a manutenção do sistema fisiológico doser humano e durante a pratica de exercícios. Com a diminuição de água no organismo esseseletrólitos são rapidamente alterados, isso se dá principalmente por duas vias: a transpiração ea produção de urina.
  5. 5. O suor é um filtrado do plasma sanguíneo e, por esta razão, ele contém muitassubstâncias encontradas no plasma, incluindo o sódio (Na+), o cloreto (Cl-), o potássio (K+), omagnésio (Mg 2+) e o cálcio (Ca 2+ ) (Tabela 1). Embora o seu sabor seja salgado, ele contémmuito menos mineral do que o plasma ou outros líquidos corporais. Na realidade, ele écomposto por 99% de água (GUYTON, 1997). As concentrações dos eletrólitos no suor podem variar consideravelmente entre osindivíduos, sendo fortemente influenciadas pela taxa de transpiração, pelo estado detreinamento e pelo estado da aclimatação ao calor. A figura 1 apresenta os valores referenciaisde eletrólitos e osmolaridade de diversas regiões do corpo humano. De uma forma geral, ematletas, ocorrem perdas da ordem de 5 a 7% para sódio e cloreto e 1% de potássio e magnésio.Essas perdas provavelmente não acarretam um efeito mensurável sobre o desempenho doatleta (MARQUEZI & LANCHA JÚNIOR, 1998; COSTILL & WILMORE, 2001). Figura 1. Concentrações de eletrólitos e osmolaridade no suor, plasma e músculo de homens após 2 horas de exercícios no calor. Eletrólitos (mEq/L) Osmolaridade Local Na+ Cl- K+ Mg2+ (mOsm/L) Suor 40-60 30-50 4-6 1,5-5 80-185 Plasma 140 101 4 1,5 295 Músculo 9 6 162 31 295 Fonte: COSTILL & WILMORE, 2001 A taxa de sudorese (quantidade de suor perdida por unidade de tempo) é variável edepende da superfície corporal, temperatura do ambiente, umidade, tipo de roupa eaclimatação do atleta. Em média perde-se de 1 a 2 litros de líquido a cada hora de exercício.Normalmente os homens tendem a suar mais do que as mulheres e a taxa de suor diminui como avanço da idade (MAUGHAN & NADEL, 2000). Para Guyton (1997) além de eliminar produtos de degradação do sangue e regular osníveis de água, os rins também regulam o conteúdo de eletrólitos no organismo. A produçãode urina é a outra fonte importante de perda de eletrólitos. No repouso, eles são excretados naurina conforme for necessário para a manutenção dos níveis homeostáticos, e essa é aprincipal via de perda dos eletrólitos. Entretanto, quando a perda de água corporal aumentadurante o exercício, a taxa de produção de urina diminui consideravelmente num esforço parapreservar a água. Conseqüentemente, com muito pouca urina sendo produzida, a perda deeletrólitos por essa via é minimizada (MAUGHAN & GLEESON, 2004).
  6. 6. Recomendações para consumo de líquidos e outros substratos: A ingestão de líquidos durante o exercício, especialmente durante temperaturaselevadas, apresenta benefícios como evitar a desidratação, regular a temperatura corporal eevitar estresse cardiovascular (MEYER & PERRONE, 2004). A hidratação com água apresenta como vantagens um rápido esvaziamento gástrico,desnecessária adaptação para a palatabilidade da solução e custo praticamente zero.Entretanto, a reposição hídrica utilizando apenas água não é aconselhada para atletas, pois aperda de eletrólitos, associada a um quadro de ingestão aumentada de água pode induzir aquadros como a hiponatremia (MARINS et al, 2003; MOUNTAIN et al, 2006). Os sinais e sintomas de hiponatremia geralmente ocorrem quando há diminuiçãorápida dos níveis de sódio ou quando o Na+ sérico é menor que 120 mEq/l. Os sintomasprincipais decorrem do edema cerebral (brain swelling) e incluem confusão mental e letargia,anorexia, convulsões e coma, além de náuseas, vômitos, cãibras e fraqueza (KOKKO, 1996). A ingestão de isotônico antes do exercício tem apresentado algumas vantagens emrelação à água. Os pontos positivos de uma hidratação com carboidratos são: manutenção dosníveis de glicemia sangüínea ideais durante o exercício, aumento no tempo de exercício,menor índice de percepção do esforço e absorção intestinal mais rápida. Como pontosnegativos tem-se: possível sensação de plenitude gástrica, desconforto gástrico e custofinanceiro (NASSIS et al, 1998; SHIRREFFS at al, 2007). A adição de eletrólitos nestas bebidas é controversa. Em relação ao sódio, suapresença na bebida se justifica por 2 motivos, para a reposição do conteúdo deste eletrólitoperdido no suor e para facilitar a absorção dos carboidratos (NASSIS et al, 1998; MEYER &PERRONE, 2004; SHIRREFFS at al, 2007). Sobre o potássio não existe consenso sobre sua adição nas bebidas para atletas. Umabaixa significativa nas concentrações de potássio ocorrem quando o atleta se utiliza dediuréticos. Uma pequena quantidade de potássio na recuperação pode melhorar a retenção deágua no espaço intracelular, além de reduzir a perda de potássio devido a retenção de sódiopelos rins (NASSIS et al, 1998; MEYER & PERRONE, 2004; SHIRREFFS at al, 2007). Diferentemente dos carbohidroeletrolíticos convencionais, pesquisadores têm buscadouma alternativa natural para esta reposição: a água de côco. A água de côco é uma bebidasaborosa, nutritiva e pouco calórica (27 Kcal/100g) (TAVARES et al, 1998). SegundoCOSTA et al (2006), os principais constituintes da água de côco são os açúcares, minerais,substâncias nitrogenadas, gorduras e algumas vitaminas. O potássio é o eletrólito maisabundante e seus teores variam de 2572,11 mg/L a 3149,04 mg/L, vindo em seguida o cálcioe o magnésio (ARAGÃO et al, 2001; CARVALHO et al, 2006; COSTA et al, 2006). Corrobora para a indicação de sua utilização na hidratação também o fato deapresentar uma densidade semelhante à do plasma sanguíneo, pH favorável, presença deaminoácidos essenciais, vitaminas do complexo B, ácido ascórbico e eletrólitos diversos. Poreste fato, ela foi utilizada durante a Segunda Guerra como soro fisiológico para reequilibrar oslíquidos do organismo, durante as cirurgias de emergência, e também como infusãointravenosa, em casos de desidratação acentuada (ARAGÃO et al, 2001; EMBRAPA, 2007). Um recente estudo comparando índices de rehidratação utilizando água pura, bebidasesportivas (carbohidroeletrolíticos), água de côco e água de côco acrescida de sódio mostrouque os três últimos compostos apresentam efetividade equivalente na rehidratação, bem comona manutenção das taxas de glicemia. Como vantagem a água de côco apresentou menoríndice de náusea e desconforto gástrico (ISMAIL et al, 2007). Assim, este produto natural parece ser uma excelente forma de manutenção dahidratação corporal, muito embora estudos adicionais ainda sejam necessários para aelucidação completa dos seus benefícios.
  7. 7. Recomendações da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte: Devemos ingerir líquidos antes, durante e após o exercício. Para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem hidratado, recomenda-se que ele beba cerca de 250 a 500ml de água duas horas antes do exercício. Durante o exercício recomenda-se iniciar a ingestão já nos primeiros 15 minutos e continuar bebendo a cada 15 a 20 minutos. O volume a ser ingerido varia conforme as taxas de sudorese, geralmente entre 500 e 2.000ml/hora. Se a atividade durar mais de uma hora, ou se for intensa do tipo intermitente mesmo com menos de uma hora, devemos repor carboidrato na quantidade de 30 a 60g·h-1 e sódio na quantidade de 0,5 a 0,7g·l-1. A bebida deve estar em temperatura em torno de 15 a 22oC e apresentar um sabor de acordo com a preferência do indivíduo, favorecendo a palatabilidade. Após o exercício, deve-se continuar ingerindo líquidos para compensar as perdas adicionais de água pela diurese e sudorese. Deve-se aproveitar para ingerir carboidratos, em média de 50gde glicose, nas primeiras duas horas após o exercício para que se promova a ressíntese do glicogênio muscular e o rápido armazenamento de glicogênio muscular e hepático. A hiperhidratação com líquidos contendo glicerol pode aumentar o risco de hiponatremia pela maior diluição, e a vontade de urinar durante a competição. Mesmo que boa hidratação durante o exercício prolongado no calor favoreça as respostas termorregulatórias e de performance ao exercício, não podemos garantir que, em situações de extremo estresse térmico, ela seja suficiente para evitar fadiga ou choque térmico.III – Conclusão: Após a análise dos materiais referenciais, podemos concluir que uma hidrataçãoapropriada durante a atividade física de caráter recreativo ou competitivo pode garantir que orendimento físico esperado seja atingido e que problemas de saúde sejam evitados. Osprocedimentos para assegurá-la requerem conhecimento de fatores que influenciam quando eo quanto beber de água. As recomendações dependem do tipo de atividade e de fatoresindividuais, como condicionamento físico, idade, modalidade praticada, estresse ambiental,entre outros. Pode-se verificar também que a água é de fundamental importância para o organismohumano e para a continuidade dos exercícios físicos, e que em alguns casos são necessário aadição de substratos energéticos aos líquidos ingeridos, principalmente glicose. Asquantidades de sais minerais também são cruciais para a manutenção dos exercícios.Portanto, adição de Cálcio e Potássio aos líquidos, pode ser uma interessante estratégia paraminimizar os efeitos deletérios da desidratação, podendo também melhorar o desempenho. Vale ressaltar que apesar do assunto ser amplamente pesquisado, algumas lacunaspermanecem em aberto e merecem ser revistas. Assim, recomendamos que novos estudos derevisão e/ou originais possam atender a essas lacunas e que a compreensão detalhada de todaa regulação hídrica possa ser esclarecida.
  8. 8. Referências:1. ARAGÃO, Wilson Menezes; CRUZ, Elizangela M. O.; HELVÉCIO, Jaqueline S. Caracterização morfológica do fruto e química da água de côco em cultivares de coqueiro anão. Agrotópica, v. 13, n. 2, p. 49-58, 2001.2. BRITO, C.J.; MARINS, J.C.B. Caracterização das práticas sobre hidratação em atletas da modalidade de judô no estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. v.13, n.2, p. 59-74, 2005.3. CARVALHO, Joelia M; et al. Composição mineral de bebida mista a base de água-de- coco e suco de caju clarificado. B.CEPPA, Curitiba, v. 24, n. 1, p.1-12, jan/jun, 2006.4. COSTA, José Maria C; et al. Características físico-químicas e minerais de água de côco de frutas da variedade anã amarelo em diferentes períodos de maturação. Acta Science Agronomy. Maringá, v. 28, n. 2, p. 173-177, April/June, 2006.5. COSTILLL, David L. & WILMORE, Jack H. Fisiologia do Esporte e do Exercício. 1.ed. São Paulo: Manole, 2001.6. FOSS, Merle L.; KETEYIAN, Steven J. Fox´s physiological basis for exercise and sport. 6.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 472, 2000.7. GREENLEAF, J.E. & CASTLE, B.L. Exercise temperature regulation in man during hypohydration and hyperhydration. J. Appl. Physiol. V.30, p.847-853, 1971.8. GREENLEAF, J.E.; R. LOOF-WILSON, J.L. WISHERD, C.G.R. JAKSON, P.P. FUNG, A.C ERTL, P.R. BARNES, C.D. JENSEN; J.H. WHITTAN (1998). Hypervolemia in men from fluid ingestion at rest and during exercise. Aviat. Space Environ. Med. v.69, p.374-386, 1998.9. GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Kogan, 1997.10. HERNANDEZ, Arnaldo J.; NAHAS, Ricardo M. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v.15, n.2, p.01-12, 2009.11. INSTITUTE OF MEDICINE (2004). Dietary Reference Intakes for water, potassium, sodium, chloride, and sulfate. Washington, DC: The National Academies Press, in press. Disponível em www.iom.edu/report.asp?id=18495, acessado em abril de 2010.12. ISMAIL, I; SINGH, R.; SIRISINGHE, R.G. Rehydration with sodium-enriched coconut water after exercise-induced dehydration. Southeast Asian Journal of Tropical Medicine Public Health. v.38, n. 4, p. 769-785, 2007.13. KOKKO JP. Disorders of fluid volume, electrolyte, and acid-base balance. Chapter 75, pg 525-551. in: Cecil Textbook of Medicine. 20th ed. Bennett JC & Plum F. WB Saunders Co, Philadelphia, PA, 1996.14. LATZKA, W.A.; SAWKA, M.N.; MOANTAIN, S.J.; SKRINAR, G.S.; FIELDING, R.A.; MATTOTT, R.P.; PANDOLF, K.B. Hyperhidration: tolerance and cardiovascular effects during encompensable exercise-heat stress. Appl. Physiol. v.84, p.1858-1864, 1998.15. MACHADO-MOREIRA, Christiano A.; VIMEIRO-GOMES, Ana C.; SILAMI- GARCIA, E.; RODRIGUES, Luiz O.C. Hidratação durante o exercício: a sede é suficiente? Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v.12, n.6, p.405-409, 2006.16. MARINS, João C.B.; DANTAS, Estélio H.M; NAVARRO, Salvador Z. Diferentes tipos de hidratação durante o exercício prolongado e sua influência sobre o sódio plasmático. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. v.11, n.1, p. 13-22, 2003.
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