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Etchegaray reconhece que o transpor-       dessas empresas”, aponta Oswaldo Segu-        no local. Como era publicado o co...
ESPECIAL                  Microglobais         que seu objetivo é abrir as fronteiras, pa-         ra ajudar as empresas a...
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A volta ao mundo em pequenos frascos, América Economía Brasil junho 2012

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A volta ao mundo em pequenos frascos, América Economía Brasil junho 2012

  1. 1. ESPECIAL Microglobais A volta ao mundo em pequenos frascos As micro, pequenas e médias empresas da América Latina representam 90% dos empreendimentos da região, mas apenas 9% das exportações. Conheça algumas experiências de quem conseguiu virar o jogo David Cornejo, de Santiago C entenas de borboletas são soltas pal (Comissão Econômica para a Améri- geiros e já é vendido na Suécia, em Por- todos os anos em casamentos ca Latina e o Caribe). tugal, na Austrália e no México. Agora, a na Colômbia, como um símbo- “Geralmente, as MPMEs que expor- empresa negocia um acordo para expor- lo da superação do passado e o tam nascem com esta vocação”, comen- tar para os Estados Unidos. renascer de uma nova vida. Milhares de- ta o analista da Fundes, Oswaldo Segura. As MPMEs precisam alcançar uma las voaram em cerimônias nos últimos dez Quais elementos são essenciais para que taxa de crescimento constante, que lhes anos. Trata-se de um serviço criado pela as empresas de menor porte da América permita superar a temida barreira dos três empresa Alas de Colombia, que o lançou Latina ganhem espaço no mercado glo- anos, intervalo em que a grande maioria buscando alcançar o volume e o capital ne- bal? Logística, boas ideias e apoio estatal. das pequenas empresas deixa de existir. cessários para começar a exportar casulos “Com uma boa ideia é muito mais fá- “Em termos da produção limitada das de borboleta, objetivo do projeto, iniciado cil vender para fora, muito mais do que no microempresas, é importante que elas se- em 2001 com uma equipe de três pessoas. próprio país, sobretudo porque uma ideia jam capazes de atender aos pedidos, e is- “Desde o início, concebemos o negó- nova não tem concorrência”, comenta o so envolve acesso a capital para fazer os cio para exportação, mas o volume neces- proprietário e administrador da empre- investimentos que permitam aumentar sário era muito alto para começar. Então, sa chilena de sapatos C.U., Luis Ramos. a produção”, comenta José Luis Uriarte, desenvolvemos produtos para serem co- Diante de um mercado de calçados que diretor da Sercotec, entidade do gover- mercializados nacionalmente, propostas dificilmente poderia competir com os no chileno de apoio à pequena empresa. de presentes vivos com borboletas, com preços de países orientais, Ramos e seu A partir do momento em que se conse- simbologias e lendas indígenas sobre dei- pai criaram uma palmilha de cobre para gue garantir uma boa produção, o próxi- xar os sonhos voarem”, comenta a geren- sapatos, aproveitando a abundância desse mo passo é gerenciar a logística que en- te da Alas de Colombia, Vanessa Wilches. metal no Chile e as suas propriedades an- volve enviar os produtos a outros países. Dois anos após a abertura da empresa, tissépticas e bactericidas. A ideia inicial Nesse ponto, é fundamental o trabalho Vanessa exporta casulos de borboleta pa- era vender para diabéticos (que têm pro- das empresas de entrega de encomendas ra insetários, universidades e exposições blemas circulatórios, principalmente nos que se dedicam a esse transporte, como científicas em âmbito global. A Alas de pés) no mercado interno, mas o produto DHL, UPS, TNT e FedEx. Colombia faz parte das 60 mil MPMEs ganhou força entre distribuidores estran- “O transporte marítimo é lento, porém (micro, pequenas e médias empresas) que mais econômico, e se a empresa estiver existem formalmente na América Lati- Com dificuldade para bem programada, com um volume rele- na, segundo dados da organização lati- vante, é uma boa opção”, afirma o geren- no-americana Fundes, dedicada ao mo- competir com os te comercial da UPS para as Américas, nitoramento desses pequenos negócios na grandes, os pequenos Phillippe Etchegaray. “O transporte ter- região. Embora representem mais de 60% restre, se houver programação, também é dos empregos formais nos países da Amé- devem investir em mais barato e é uma boa opção em âmbi- rica Latina, respondem por apenas 9% criatividade to internacional, embora os trâmites adu- das exportações, segundo dados da Ce- aneiros costumem ser lentos.” 42 AméricaEconomia Junho, 201242_ESP_INOVADORES.indd 42 5/28/12 2:54 PM
  2. 2. Etchegaray reconhece que o transpor- dessas empresas”, aponta Oswaldo Segu- no local. Como era publicado o conta- Ilustração: Shutterstock te aéreo é o melhor em rapidez, porém ra, da Fundes. to da página web, a procura começou a mais caro. A decisão depende do tipo de A importância da contribuição dos go- aumentar”, afirma Ramos. “Por meio de produto. Há alguns que podem esperar e, vernos está relacionada ao fato de as em- um jornal, ficamos sabendo de um proje- portanto, pagam menos. Para outros, so- presas de menor tamanho terem dificul- to de financiamento estatal e ganhamos bretudo produtos orgânicos (como as bor- dades de acesso ao financiamento. As um fundo em 2010.” boletas), o principal é a rapidez. iniciativas estatais permitem que elas Outra questão na relação Estado- Atualmente, o serviço de courier é o ti- saiam desse círculo. “Como são empre- MPME é a postura de cada país diante da po de envio mais utilizado pelas MPMEs sas que estão começando e contam com abertura comercial ao mundo. As políti- para envios em pequena escala, nos quais um risco significativo, o acesso ao crédito cas internacionais podem ajudar ou pre- se busca rapidez, eficiência do serviço e fica mais caro”, afirma Uriarte, da Serco- judicar esses empreendimentos. bom preço. A incorporação de tecnolo- tec. Trata-se de um empurrão inicial que Na Argentina, país constantemente gias de classificação e acompanhamen- já gera frutos na América Latina. acusado de protecionismo, Horacio Rou- to permite às MPMEs monitorar seus en- No caso da Alas de Colombia, a enti- ra, que dirige o órgão estatal de apoio às vios em tempo real, o que dá segurança dade estatal Proexport financiou 50% de MPMEs (Sepyme), aponta que seu ob- aos clientes. “Enviamos por courier aéreo uma viagem para o Reino Unido, onde a jetivo é permitir que essas empresas se porta a porta, e corremos contra o relógio, empresa conseguiu seu primeiro clien- aproximem da exportação de forma se- porque os casulos duram apenas dez dias te internacional. “Após nossa visita, um quencial, “entrando primeiro nos merca- no total, antes que as borboletas nasçam”, borboletário da Inglaterra nos deu a opor- dos fora de sua própria província, depois afirma Vanessa, da Alas de Colômbia. tunidade de enviar as primeiras remessas. regionais e, enfim, em todo o mundo.” Depois, por indicação, nos tornamos co- Segundo Roura, a importância das pe- Resgate estatal nhecidos nos Estados Unidos e na Euro- quenas empresas na Argentina é que elas O apoio estatal às empresas na América pa. Essa foi a forma de obter apoio do Es- empurram o crescimento, “gerando tra- Latina consiste no financiamento e apoio tado, por meio de ajuda com os gastos balho, substituindo importações e posi- em redes de negócios, embora essa ajuda dessa viagem”, recorda Vanessa. cionando produtos de qualidade no mer- não seja equilibrada em toda a região. “Eu Ramos, da C.U., destaca o apoio pa- cado exterior.” destacaria México e Chile. São poucos os ra gerar redes de contatos oferecido pe- No caso do Chile, onde o governo bus- países que têm fundos para MPMEs e que la Sercotec. “Eles nos ajudaram fazendo ca uma abertura comercial com poucas buscam aumentar as cifras de exportação algumas de suas coletivas de imprensa restrições, o diretor da Sercotec aponta Junho, 2012 AméricaEconomia 4342_ESP_INOVADORES.indd 43 5/28/12 2:54 PM
  3. 3. ESPECIAL Microglobais que seu objetivo é abrir as fronteiras, pa- ra ajudar as empresas a sair para o mundo nas melhores condições. “Longe de nos fecharmos ao mundo, o apoio que pode- mos oferecer às empresas de menor ta- manho não passa por fechar as frontei- ras”, afirma Uriarte. “Envolve fazer um esforço para transformá-las em empresas competitivas. Querer se isolar do mundo e viver em uma bolha é não querer ver a realidade”, acrescenta. Traje informal Na América Latina, uma grande quantidade de MPMEs funciona de ma- neira informal, o que, em parte, explica o círculo vicioso de alto risco percebido e a falta de financiamento por parte do sistema bancário. Por isso, uma impor- tante missão dos Estados é fazer com que passem para o mercado formal, o que lhes permitiria ter acesso a finan- ciamentos, públicos e privados, e expan- dir os negócios. Visibilidade “Existem muitas empresas que fazem envios domésticos e por correio privado, e isso não é contabilizado como expor- tação. Contudo, tentamos mostrar a elas virtual os benefícios de exportar de maneira re- gular. Os custos de envio caem, os bene- fícios tributários são diferentes. Se você quer se transformar em uma empresa que não seja de alguns envios por mês, mas sim uma verdadeira fornecedora, clara- mente a exportação doméstica não fun- Canais digitais, como Facebook, não apenas ciona”, afirma o diretor da Sercotec. geram contatos, mas também são um espelho O sucesso está em fazer evoluir cada pequena empresa, como comenta Ste- sobre as capacidades das próprias empresas L phen Senwick, CEO da DHL Express Americas, empresa global que trabalha inkedIn, Twitter, Slideshare, Face- multinacional para ter alcance global. com MPMEs e que também já foi uma book ou Pinterest são ferramentas Não é preciso ter capital financeiro delas, em seus primórdios em São Fran- tecnológicas que podem abrir ou fe- muito grande, mas sim ser empreende- cisco, na Califórnia, na década de 1970. char portas, conforme seu uso. Com dor, e aí valem mais as ideias que a ca- “Vemos a evolução agora, com grandes o baixo número de MPMEs que exportam pacidade financeira”, comenta Tomás oportunidades para fazer negócios pe- na América Latina, a promoção e o bran- Sawada, analista da Intellignos, con- quenos, muito mais que há uma década, ding virtual permitem avaliar potenciais sultora argentina de Análise de Inter- e já não precisamos mais de uma grande projetos e clientes mundo afora. net e MPMEs. infraestrutura. Boa parte dessas peque- Hoje, uma boa ideia empresarial po- Apesar das possibilidades das re- nas empresas pode ser a próxima Apple, de obter clientes e seguidores de modo des sociais, ter um site continua a ser ou a Microsoft da próxima década”, co- instantâneo em âmbito internacional, o principal contato de uma empresa menta Fenwick. se for direcionada aos canais adequa- de menor tamanho com o mundo. “Por Crescer ou morrer, este é o desafio. dos. “Não é mais necessário ser uma um momento, pensou-se que o site não 44 AméricaEconomia Junho, 201242_ESP_INOVADORES.indd 44 5/28/12 2:54 PM
  4. 4. Um caminho para os brasileiros Sergio Siscaro, de São Paulo No Brasil, um órgão vinculado ao A Apex-Brasil também divulga estu- MDIC (Ministério do Desenvolvimento, dos sobre a competitividade das em- Indústria e Comércio Exterior) faz a in- presas no mercado internacional. O termediação entre as empresas brasi- mais recente, lançado no início do leiras e clientes de outros países. Para ano, indicou que informações adequa- promover comercialmente os produ- das para o processo de tomada de de- tos nacionais no exterior, os empresá- cisões, ganhos em escala e redução rios participam de feiras e eventos se- dos riscos são os principais pontos ci- toriais. A Apex-Brasil (Agência Brasileira tados pelas companhias consultadas de Promoção de Exportações e Inves- para adquirir mais destaque no cená- timentos) realizou, ao longo de 2011, rio externo. missões comerciais que incrementa- A fim de ser efetiva no apoio às em- ram em US$ 363 milhões o total expor- presas, a Apex-Brasil atua em todo o tado pelo Brasil no mesmo ano. território nacional por meio de unida- Os programas da Apex valem tanto des de atendimento instaladas em es- para as PMEs quanto para grandes em- critórios das federações estaduais da presas. Na maioria dos casos, o apoio indústria. Além disso, a agência man- estatal pode ser a única oportunidade tém sua presença em Miami (EUA), Ha- de chegar a potenciais clientes interna- vana (Cuba), Pequim (China), Luanda era tão importante – mas para essas cionais e exportar. Um caso recente foi (Angola), Dubai (Emirados Árabes Uni- Montagem sobre imagens da Shutterstock empresas, espaços como Facebook ou a parceria com a rede americana de va- dos), Moscou (Rússia) e Bruxelas (Bél- Twitter não são bons para divulgação. rejo Macy’s, que adotou o Brasil como gica). Nesta última, é feito o acompa- As redes sociais estão muito mais liga- tema em suas 675 lojas, além do site. nhamento das decisões adotadas pela das a grandes empresas. E estar bem Ao todo, 18 empresas brasileiras, de di- UE (União Europeia) que podem ter im- posicionado no Google continua sen- ferentes portes, participaram. pacto sobre as empresas brasileiras. do fundamental”, assinala o consultor da agência digital peruana Neoconsul- ting, Daniel Falcón. o Slideshare”, sugere Falcón. O Pinterest Essas ferramentas na web não só per- Entre os canais mais formais está o permite filtrar e compartilhar imagens mitem gerar contato com clientes e con- LinkedIn, rede nascida especificamente na internet, com total interação com ou- correntes, como também com pessoas para o universo dos negócios e que, des- tros websites. O Slideshare, por outro la- que não têm nenhuma relação com a de sua criação, em 2003, vem se desta- do, possibilita o envio e o compartilha- marca. Assim, é possível avaliar a pró- cando como um bom ambiente para ge- mento de apresentações em formatos pria empresa em nível global. “O conta- rar visibilidade. Por meio de seus grupos como PowerPoint e Office. to com os outros países e concorrentes de interesse, as empresas se relacionam O projeto Facebook Deals é uma nova é um espelho para saber o que podemos e fazem contatos comerciais, sem o per- forma de aproximação do website com melhorar. Por meio desses contatos, fil informal do Facebook. as MPMEs, com seu sistema de cupons podemos conhecer o negócio e explo- Entre as redes mais recentes, desta- de desconto no estilo do Groupon ou Lets rar a nossa própria vantagem em rela- cam-se as que permitem compartilhar fo- Bonus, relacionados à localização geo- ção aos concorrentes”, comenta Vanes- tografias e vídeos, como Pinterest e Slide- gráfica dos usuários. “Esse é um sinal sa Wilches, gerente da exportadora de share. “Se falamos de produtos visuais, o claro dos novos focos do Facebook”, afir- casulos de borboleta Alas de Colombia. Pinterest é uma rede social que deve ser ma Sawada. “Ainda não está em todos os Por fim, independentemente dos cami- considerada, sobretudo se temos um ca- países, mas o Facebook Deals quer ser nhos que as micro, pequenas e médias tálogo de produtos relacionados à moda, uma plataforma para empresas pequenas, empresas sigam na web, o importan- ou no qual haja muita interação com fo- com uma possibilidade de segmentação te é ganhar clientes em todo o mundo, tografias. E, para as empresas que expor- muito forte, que é o que o Facebook tem quem sabe com vendas online: o obje- tam serviços, o canal mais apropriado é de vantagem sobre outras redes sociais.” tivo final de tanto teclar. Junho, 2012 AméricaEconomia 4542_ESP_INOVADORES.indd 45 5/28/12 2:54 PM

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