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  1. 1. 1 Distribuiçãogratuita.VendaProibida.
  2. 2. 2 1 Organização dos textos: Mateus Nagime Ano de publicação: 2016 LCD
  3. 3. 2 3 ÍNDICE Apresentação Mostra Cinema Mexicano, por Mateus Nagime O Curta-metragem Mexicano, por Jorge Magaña O México nas telas do cinema: heranças, transformações e perspectivas, por Larissa Jacheta Riberti Um país no cinema - e é um filme de estrada, por Mateus Nagime Filmes Carmim Tropical H2Omx A Zebra A Vida Depois As Lágrimas As Razões do Coração Nunca Morrer Manhã Psicotrópica Navalhada Post Tenebras Lux Te Prometo Anarquia Verão de Golias Eu Sou a Felicidade deste Mundo O Modelo de Pickman Nuvens Flutuantes Ramona Créditos 4 5 8 14 20 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42
  4. 4. 4 5 A CAIXA é uma das principais patrocinadoras da cultura brasileira e destina, anualmente, mais de R$ 60 milhões de seu orçamento para patrocínio a projetos culturais em seus espaços, com o foco atualmente voltado para exposições de artes visuais, peças de te- atro, espetáculos de dança, shows musicais, cinema, festivais de teatro e dança em todo o território nacional, e artesanato brasi- leiro. Os eventos patrocinados são selecionados via Programa de Se- leção Pública de Projetos, uma opção da CAIXA para tornar mais democrática e acessível a participação de produtores e artistas de todas as unidades da federação, e mais transparente para a so- ciedade o investimento dos recursos da empresa em patrocínio. A mostra Cinema Mexicano Contemporâneo: Inéditos traz ao Bra- sil filmes que venceram muitos prêmios e alcançaram sucesso no México, mas não encontraram um espaço no circuito comercial brasileiro. Reforçamos, portanto, a importância da CAIXA Cultural como um espaço alternativo fundamental para que o cinema se faça presente diante dos debates e das questões que movimen- tam a sociedade. Ao patrocinar esta mostra, mais uma vez a CAIXA contribui para promover e difundir a cultura e retribui à sociedade brasileira a confiança e o apoio recebidos ao longo de seus 155 anos de atua- ção no país, e de efetiva parceira no desenvolvimento das nossas cidades. Para a CAIXA, a vida pede mais que um banco. Pede in- vestimento e participação efetiva no presente, compromisso com o futuro do país, e criatividade para conquistar os melhores resul- tados para o povo brasileiro. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Mostra Cinema Mexicano por Mateus Nagime O cinema mexicano geralmente é lembrado nos livros de história do cinema pelas décadas de 1940 e 1950 quando fortes dramas levaram multidões às salas de exibição criavam estrelas e arran- cavam lágrimas dos espectadores. O gênero, que aos poucos foi transportado para a televisão e continua a influenciar o mundo inteiro com as telenovelas mexicanas, deu lugar a um cinema mais moderno e arrojado. A chamada Época de Ouro do cinema mexicano marcou todo o mundo e não só pelos dramalhões. Luis Buñuel, por exemplo, viveu uma frutífera fase no México, enquanto fugia do regime franquista espanhol, fazendo vários de seus melhores filmes no país latino. Já o cineasta mexicano Emilio Fernán- dez, ficou conhecido como “El Indio” por realizar películas em que celebra- va o tipo indígena mexicano. Além disso, um cinema popular floresceu no país, principalmente nos gêneros ficção científica e comédia – nesta, o maior nome é o do ator e humorista Cantiflas, famoso no Brasil, que seguiu carreira em Hollywood. Outros nomes do cinema mexicano também migraram para os Estados Unidos, como a atriz Katy Jurado e o fotógrafo Gabriel Figueroa. No entanto, a maioria dos atores e atrizes alcançou seu pedacinho de céu na América Latina. Como em vários países latino-americanos, o cinema mexicano é marcado pela irregularidade. De uma numerosa e premiada produção que era exibida em todo o mundo e exportava talentos para os Estados Unidos e Europa, houve um momento em que este cinema privilegiou comédias ligeiras e fil- mes de horror, entre as décadas de 1960 e 1980 e era representada interna- cionalmente por filmes independentes e ousados, como as produções do cineasta chileno Alejandro Jodorowsky, radicado no México. Nos anos 1990, uma nova geração surgiu, auxiliada por diretores mais ex- perientes como Arturo Ripstein, Alfonso Arau, Jaime Humberto Hermosillo, Jorge Fons, entre outros, que continuavam criando. Os novos realizadores misturavam influências e pautas: em sua maioria produziam um cinema mais social, mas ainda assim eram fortemente influenciados pela produção nor- te-americana. O resultado é um cinema muito particular, com a mistura de temas e estilos de todo o mundo, refletindo o papel especial que o México possui: os EUA ao norte, o resto do continente ao sul, e ainda uma relação
  5. 5. 6 7 particular com a Espanha e com o resto da europa. As distribuidoras independentes norte-americanas, um amplo circuito de festivais e o videocassete fizeram desse cinema realizado com baixo-orça- mento, um sucesso não só México, mas em todo o mundo. Seus principais diretores viraram grandes nomes que pouco a pouco foram ganhando re- conhecimento. Hoje, o cinema mexicano vive seu melhor momento em Hollywood: os di- retores Alfonso Cuarón e Alejandro González Iñárritu ganharam três Oscars seguidos de melhor direção (Cuarón por Gravidade, em 2014, e Iñárritu por Birdman, em 2015, e O regresso, em 2016), o fotógrafo mexicano Emma- nuel Lubezki também venceu três estatuetas seguidas pelos mesmos filmes. Outro diretor radicado nos EUA é Guillermo del Toro, realizador do também oscarizado O labirinto do fauno (2007). Esse sucesso nos EUA nos leva a questionar: o que é o cinema mexicano? Mais cineastas mexicanos estão fazendo sucesso fora do país de maneiras diversas, sendo presença constante nas principais premiações do cinema mundial. Por exemplo, os filmes de Carlos Reygadas, embora sejam filmados no México, são coproduzidos com outros países. Já Julio Hernández Cordón, um dos principais cineastas mexicanos contemporâneos, rodou uma série de filmes na vizinha Guatemala com capital internacional. Um caso bastante particular é o da cineasta argentina Paula Markovitch, que foi examinar sua infância na Argentina fazendo um filme... no México. Seu longa El premio (2011) recebeu 9 prêmios Ariel, o mais importante da indús- tria mexicana. Também Heli (2013), de Amat Escalante, ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 2013, ocasionando uma estreia do filme no Brasil, em 2014. Este, porém, foi um caso raro, já que dificilmente os filmes mexicanos ganham estreia no Brasil, apesar de sua vasta produção. Carlos Reygadas, por exemplo, é um dos principais nomes do cinema me- xicano contemporâneo. Seus quatro longas passaram em Cannes: Japón (2002) levou a menção especial da Camera D’or em 2002; Batalha no céu (Batalla en el cielo, 2005) integrou a competição oficial de 2005 e o mesmo ocorreu com Luz silenciosa (Stellet licht, 2007), vencedor do prêmio do júri; finalmente, Post Tenebras Lux (2012) ganhou o prêmio de melhor direção em 2012. No entanto, desses filmes apenas Luz silenciosa teve uma estreia em circuito comercial, ainda assim muito discreta. Foi pensando nessa disparidade, nesse amplo cinema mexicano que circula em festivais e acumula prêmios mundo afora – e, mesmo assim, passa bati- do nas salas brasileiras – que idealizamos a presente mostra. Selecionamos filmes de 2010 para cá. Apesar de serem obras frescas, ousadas e repletas de vigor, nunca estrearam em circuito comercial no Brasil. Muitas delas inclusive serão exibidas pela primeira vez. Neste catálogo, antes de apresentarmos os filmes propriamente ditos, gos- taríamos de levantar alguns pontos de partida para debater o cinema mexi- cano hoje. A importância do curta-metragem como formação de cineastas desta nova geração é discutida em um texto assinado pelo curador e pro- gramador mexicano Jorge Magaña. Já o contexto sociopolítico mexicano e o papel do cinema na sociedade, que ajudam a pensarmos e repensarmos a história desse país, são abordados pela historiadora Larissa Jacheta Riberti, especialista em México. Por fim, eu mesmo retorno para pincelar os princi- pais temas que aparecem nos filmes selecionados para a mostra. Desejamos a todos uma boa leitura e uma boa mostra! Mateus Nagime é graduado em Comunicação Social, com especialização em cinema e vídeo na Universidade Federal Fluminense, com passagem pela Université Paris 8 e é mestrando em Imagem e Som na Universidade Federal deSãoCarlos.Atualsecretário-geraldaAssociaçãoBrasileiradePreservação Audiovisual (ABPA), com passagens pelo Arquivo de Filmes do Centro Técnico Audiovisual e pelo Centro de Pesquisa e Documentação da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Tem críticas de filmes e análises publicadas em catálogos, livros, e em várias publicações impressas e online. Faz parte do comitê editorial da revista acadêmica argentina Imagofagia.
  6. 6. 8 9 O curta metragem mexicano Jorge Magaña Traduzido por Fabricio Felice O México continua sendo uma potência do curta-metragem em nível mundial. A produção cresceu no país devido ao formato se constituir como um celeiro de novos talentos em todos os setores do cinema, além de ser o meio ideal para que diretores consagra- dos sigam trabalhando, experimentem novas narrativas e possam expressar suas ideias e sentimentos. Então, por que não há espaços suficientes para a exibição deste formato? Por que os curtas não são exibidos comercialmente ou vendidos? Por que não há mais apoio para a sua realização? Por que não há mais apoio para as vitrines de exibição do curta? Estas são algumas das perguntas que muitas das pessoas interessadas no curta-metragem se fazem todos os dias. Sem dúvida, apesar dos inconvenientes, estamos convencidos das qualidades temáticas e estéticas, assim como da importância do forma- to, que é um dos mais livres e honestos no campo audiovisual. O homem e a sociedade sempre buscaram formas de expressão de acordo com o seu desenvolvimento técnico e também com a sua sensibilidade. As obras ou criações culturais – os filmes –, assim como os meios utilizados – o cinema –, unem-se para caracterizar e marcar um momento histórico. Nos tempos atuais, sem dúvida, o que nos caracteriza é o visual: estamos no auge de uma era marcada pelas imagens em movimento (etapa audiovisual), na qual o cinema ocupa um lugar extremamente importante e privilegiado. Mais de um século depois de sua formação, o cinema deixou marcas em to- dos os setores da vida. A ciência, a religião, o comércio e as demais atividades humanas cresceram e buscaram novas identidades a partir da projeção de imagens em movimento. O cinema, assim como outros meios audiovisuais como a televisão e a Internet, satura e bombardeia os sentidos do especta- dor atual. A história do curta-metragem no México, considerado um formato cinema- tográfico menor, caracterizou-se por sua absoluta marginalidade, atraso e esquecimento, apesar de sua importância real como meio de expressão – sobretudo artística – e de comunicação. Nas últimas décadas, este gênero teve grande presença e importância na história da cinematografia mexicana. Os fatos recentes permitem ver com certa esperança o futuro do curta-me- tragem mexicano, um cinema que não deve estar necessariamente limitado ao espaço escolar ou acadêmico, mas que deve ser difundido, ser parte de nossa cultura e, no atual momento, uma solução para a crise econômica e, por conseguinte, cinematográfica. Observamos que o cinema responde, cada vez mais, às condições financeiras impostas pelas grandes empresas e indústrias multinacionais encarregadas de“pré-pro-pós”produzir essa arte, que se converteu em produto. O cinema encontra-se submetido em grande medida às leis de mercado (o que temos visto ao longo de toda a história do nosso cinema). No caso do México e de outros países, isso limita o curta-metragem, especialmente nos aspectos artístico e criativo, devido a fatores econômicos, além de ser esma- gado pela produção comercial – principalmente pelo cinema dos EUA, com suas superproduções. No final do século passado, o curta-metragem permitiu que o nome do Mé- xico se colocasse em primeiro plano no cinema mundial, ostentando um elevado prestígio. O curta mexicano demonstrou grande qualidade, relatos concisos, capacidade para surpreender e impactar com apenas algumas imagens, assim como liberdade de expressão e poder de síntese. Tais cons- tatações são provas da habilidade e engenhosidade demonstradas pelas pessoas ocupadas na realização desses filmes. Graças à difusão internacional, em especial do Instituto Mexicano de Cinema- tografía (IMCINE) e de instituições educativas como o Centro de Capacitación Cinematográfica (CCC) e o Centro Universitario de Estudios Cinematográficos (CUEC) da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), o curta me- xicano pôde participar dos fóruns de cinema mais importantes do mundo, com uma presença constante em centenas de festivais a cada ano, obtendo prêmios e reconhecimentos de alto nível por suas qualidades. Além disso, foi possível vender seus direitos de exibição a países como Itália, EUA, Espa- nha, Finlândia, Holanda, França, Alemanha, Canadá, Brasil, Peru, Porto Rico, Noruega, Suíça, Austrália e Japão. Como se pode ver, essas realizações são conhecidas mais no exterior do que em nosso próprio país. O curta-metragem, como forma de arte cinematográfica, está adquirindo mais importância e força no México devido ao desempenho que teve em eventos cinematográficos internacionais. A presença de realizações mexica- nas tem sido permanente nestes últimos anos, especialmente no Festival de
  7. 7. 10 11 Cannes, na França. Vários curtas mexicanos competiram em uma importante seção deste prestigiado festival, a Semana Internacional da Crítica. Entre eles, estão Ponchada (1994), de Alejandra Moya, em 1994; La tarde de um matri- monio de classe media (1995), de Fernando León, em 1996; e Adiós mamá (1997), de Ariel Gordon, em 1997. Participaram também da Seleção Oficial deste festival: Me voy a escapar (1992), de Juan Carlos de Llaca, em 1993; El héroe (1993), de Carlos Carrera, ganhador da Palma de Ouro – prêmio máxi- mo dado pelo festival –, em 1994; e 4 maneras de tapar un hoyo (1995), de Guillermo Rendón e Jorge Villalobos, em 1996. Em 2008, Ver llover, de Elisa Miller, estudante do CUEC, obteve novamente para o México o maior prêmio do Festival de Cannes. Este é o maior reconhe- cimento conquistado pela indústria cinematográfica mexicana. Junto a ele, também figuram o Leão de Ouro recebido por Tierra y pan, de Carlos Ar- mella, no Festival Internacional de Cinema de Veneza, na Itália, em 2008; e a presença constante dos curtas-metragens mexicanos em Clermont-Ferrand, na França, e no Festival Internacional de Cinema de Berlim, na Alemanha. É necessário sublinhar a importância que existe em competir e se destacar nestes eventos, algo que não é fácil. Em Cannes, por exemplo, o comitê re- cebe a cada ano mais de 700 curtas, dos quais são selecionados 14. Pode-se dizer que o fato de ser selecionado já é uma grande distinção e que o México pertence a esse grupo seleto. Como se pode observar, os curtas-metragens mexicanos têm sido feitos com a qualidade que as pautas internacionais demandam e, por essa razão, ocupam um lugar extremamente importante. Além do reconhecimento já mencionado de El héroe, de Carlos Carrera, e Ver llover, de Elisa Miller, há diversos curtas mexicanos que participaram ou ganharam prêmios no Oscar. É o caso de El ojo en la nuca (Rodrigo Plá, 2001), La milpa (Patricia Riggen, 2002) e El último fin de año (Javier Bourges, 1992), ganhadores do Oscar Estudantil. Destaca-se também a indicação de De tripas corazón (1996), de Antonio Urrutia. Sobre o cinema de longa-metragem, vale ressaltar o trabalho recente dos ganhadores do Oscar Alfonso Cuarón e Alejandro González Iñárritu. A pre- sença de destaque do cinema mexicano no exterior confirma-se ainda pelo sucesso de outros filmes como Como água para chocolate (1992), de Alfon- so Arau; O beco dos milagres (1994), de Jorge Fons; Amores perros (2000) e Babel (2006), ambos de Alejandro González Iñárritu; e O labirinto do fauno (2006), de Guillermo del Toro. A partir de 1896, o cinema desempenhou um papel extremamente impor- tante no México como documento histórico, na indústria do entretenimen- to e, posteriormente, no âmbito comercial. Sua principal característica foi a simultaneidade da imagem e do movimento. Como se sabe, as primeiras imagens do cinematógrafo chamavam-se “vistas”, cenas animadas de curta duração, que mostravam eventos cotidianos. A câmera captava de um único ponto de vista a imagem em movimento e as cenas tinham duração máxima de aproximadamente dois minutos. Com o passar dos anos,“a indústria cinematográfica”, por assim dizer, come- çou a se desenvolver, tanto no âmbito técnico quanto no artístico. As fitas começaram a ter um argumento, já não se limitando a acontecimentos reais ou a eventos sociais e históricos. Também aumentava o tempo de filmagem, por questões lógicas, já que os rolos utilizados tinham uma metragem maior. Do livro El corto a lo largo de un siglo (O curta ao longo de um século), editado pelo Festival de Clermont-Ferrand – equivalente ao Festival de Cannes no âmbito do curta-metragem –, extraí duas citações que exemplificam a visão que se tinha sobre o curta em seus primeiros tempos: JEAN-PIERRE JEANCOLAS: “Depois de 1907-1908, são rodados filmes de 700 metros... projetados com 16 fotogramas por segundo alcançam uns quaren- ta minutos... o espetáculo distingue os temas curtos das obras mais longas. E nisso se firma o nascimento (ao contrário) do curta-metragem...” ALANAIS MASSON: “Curta-metragem? Tal palavra não seria entendida por nenhum aficionado pelo cinema em 1915. Os filmes não eram definidos pela duração... o curta-metragem não existe, portanto, senão como a reação ao longa-metragem, que começava a se desenvolver” Com isso, pode-se dizer que o mais racional e lógico é que o longa-metra- gem tenha surgido depois do formato curto, obviamente, em razão da du- ração que foi sendo determinada, a princípio, pelos avanços tecnológicos. Até 1908, os filmes tinham aproximadamente 15 minutos. A partir de 1913, o longa-metragem passou a ser a norma comercial de produção. A ideia de “curta” surge a partir do mesmo ano, quando os longas se estabelecem na indústria como medida comercial nos EUA. O Shorts México (SM) – Festival Internacional de Cortometrajes de México (FIC- MEX) nasceu em 2006, diante da necessidade de se criar um espaço de exibi- ção para o curta-metragem nacional e internacional. Parecia paradoxal que os curtas-metragens mexicanos, apesar de ter conquistado mais prêmios
  8. 8. 12 13 que os longas mexicanos e ter um forte destaque internacional, não tivesse em seu próprio país uma vitrine digna e especial. Em suas últimas edições, o festival reuniu mais de 15 mil espectadores na Cidade do México, sem contar o público de sua itinerância nacional e inter- nacional, além de receber a cada ano mais de 2000 curtas-metragens para seleção. Ao longo de 10 anos, o festival criou e consolidou novos públicos para o curta: seus títulos foram distribuídos em DVD, exibidos em circuitos de cinema comerciais e nas televisões pública e privada.Também foram cria- dos conceitos como“Cortoteca”e, com ele, programas de difusão na Internet e exibições mensais em“Noche de Cortoteca”. Tudo isso em virtude da busca de novos espaços para exibição. Ainda foram realizados curtas-metragens especialmente para o festival e curtas nacionais foram levados ao exterior. A décima edição do festival, por exemplo, ocorreu em mais de 15 sedes na Cidade do México e foram exibidos mais de 300 curtas-metragens (ficção, animação, documentário e experimental) de todo o mundo. A cada ano, a programação consta de quatro seções competitivas: Internacio- nal (Ficção, Animação e Documentário), Ibero-americana (Ficção, Animação e Documentário), Mexicana (Ficção, Animação e Documentário) e NeoMex, além do concurso de roteiro de curta-metragem. Desde sua primeira edição, em 2006, foram exibidas mostras, retrospectivas, homenagens e programas especiais (Longa em Curta, De Curta a Longa, etc.). Com a finalidade de dar ao público mexicano um panorama mais amplo da cinematografia internacional, no festival já foram apresentados desde longas de diferentes países compostos por curtas-metragens (Paris, te amo; 11 de setembro; Questão de vida; Eros; Fe, esperanza y caridad; Al otro lado; Três... extremos; Tokio!; Cada um com seu cinema; NovaYork, eu te amo; México Bárbaro; etc.), até retrospectivas de diretores de fama internacional, nacional ou homenagem a atores nacionais (exibindo exclusivamente cur- tas em que eles atuaram). Algumas das programações especiais realizadas foram: 25 anos de IMCINE (Instituto Méxicano de Cinematografía), Curtas da nouvelle vague francesa, Curtas vencedores do Ariel, Itália em curta, Curtas Berlinale, aniversários de festivais e de instituições cinematográficas. Em suas edições anteriores, o Shorts México apresentou centenas de curtas- -metragens do mundo todo. Já programou retrospectivas e homenagens a grandes diretores como George Lucas, Carlos Carrera (diretor de O crime do Padre Amaro e do curta El héroe), Roman Polanski, Aki Kaurismaki, Chris- toffer Boe e Krzysztof Kieslowski. Também exibiu longas compostos por cur- tas-metragens de outros cineastas renomados como: Carlos Reygadas, Lu- crecia Martel, John Woo, Ang Lee, Alejandro González Iñárritu, Alain Resnais, Wong Kar-Wai, Takashi Miike, Steven Soderbergh, Michelangelo Antonioni, TomTykwer, Christopher Nolan, Fatih Akin, Lukas Moodysson, Alexandre Aja, François Truffaut e Peter Greenaway. Jorge Magaña é liceniado em Ciências da Comunicação (Jornalismo) na Fa- culdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional Autônima do México, com a tese: “O Curta-metragem mexicano atual (Instituto Mexi- cano de Cinema, 1990-1997). Colaborador editorial e editor de várias seções em inúmeras revistas. Curador e programador de múltiplas mostras cinema- tográficas de longas e curtas em muitos países. Convidado especial e Jurado internacional de longas e curtas em inúmeros festivais. Fundador e diretor do Shorts Mexico. Festival Internacional de Curtas do México (único festival exclusivo de curtas em todo o México). Promotor cultural e coordenador de festivais dedicados ao cinema mexicano. Professor de oficinas cinematográ- ficas na UNITEC Campus sul e de marketing cultural no Centro de Capacita- ção Cinematográfica (CCC).
  9. 9. 14 15 O México nas telas do cinema heranças, transformações e perspectivas Larissa Jacheta Riberti Q uando lançado em 1989, o filme Rojo amanecer, do diretor Jorge Fons, levou para as telas dos cinemas a representação de um dos episódios mais traumáticos da história mexicana. O clima claus- trofóbico de um apartamento da zona habitacional Nonoalco- -Tlatelolco, na Praça das Três Culturas, Cidade do México, é o cenário para o desenlace da história de uma família de classe média que vivencia o que ficou conhecido como Massacre deTlatelolco, uma operação oficial para des- mobilizar e deslegitimar o movimento estudantil mexicano de 1968. Alguns dos estereótipos do cinema mexicano – e também da realidade – movem-se pelos cômodos do apartamento: o pai funcionário público, a mãe dona de casa, o avô militar aposentado. Para além da velha geração, a efer- vescência mundial de 1968 e de toda esta década fica representada pelos dois filhos mais velhos, jovens engajados que tentam convencer a família de que é necessário mudar as bases do sistema e renovar aquela sociedade go- vernada há décadas pela mesma elite política. As contradições desses novos tempos são mostradas com a presença da única filha da família que, apesar de estudar, vê seu futuro moldado pelas tradições de uma sociedade que dá oportunidades aos homens, mas reclui as mulheres a uma vida de privações e submissão. Os diálogos são conflitivos, as gerações se chocam e a tensão cresce ao pas- sar dos minutos. Os espectadores já sabem o que irá acontecer, a morte é inevitável, ainda que, muitas vezes, inesperada. Ao final da matança na Praça das Três Culturas, a família se depara com a violência em sua porta: a entrada de militantes que pedem por ajuda e refúgio une as gerações. É o começo de um entendimento, de uma solidariedade diante da repressão, fazendo com que o antigo e o novo reflitam sobre a possibilidade e a necessidade de mudança. O mundo exterior, no entanto, desaba, causando fissuras dentro daquele ambiente doméstico e privado. Os oficiais cumprem“seu dever”e o questionamento de como crescerão os jovens numa sociedade marcada por tamanha violência converte-se no tema final do filme de Jorge Fons. Rojo amanecer foi uma das primeiras produções cinematográficas a narra- rem uma outra versão dos acontecimentos de 2 de outubro de 1968. Após o Massacre, os jornais da Cidade do México e de todo o país divulgaram uma visão dos fatos que responsabilizava os estudantes pelo ocorrido no dia anterior.“Estudantes iniciaram os disparos”, publicaram alguns editoriais, corroborando o desenlace final da tal“conspiração comunista”, propagada e defendida por tantos jornais nos meses anteriores, quando a comunidade estudantil estava em greve. Naquele ano de 1968, o país se consagraria como o primeiro da América La- tina a sediar os Jogos Olímpicos. Nos discursos oficiais, isso mostrava a con- fiança, o respeito e a posição privilegiada conferidos pelos atores mundiais para o único vizinho do norte de língua espanhola. O México se auto pro- clamava uma democracia consolidada, com projetos modernos, desenvolvi- mento econômico e justiça social. Os representantes do governo mexicano, portanto, tinham muito a perder. Era deles o monopólio da representativida- de política, eles foram os responsáveis por manter no poder o mesmo parti- do durante tanto tempo e, faltando apenas dez dias para a inauguração do evento mais esperado do ano, não podiam permitir que nada saísse do script. Por trás das cortinas, no entanto, os anos 1960 trouxeram o esgotamento do “milagre econômico”e viram crescer a pobreza, a migração forçada, a perse- guição aos movimentos sociais e a concentração de riquezas. De um lado, famílias inteiras de camponeses perdiam suas terras e o projeto de reforma agrária, bandeira central da Revolução Mexicana, mostrava-se cada vez mais distante de ser cumprido. Do outro lado, a elite política do Partido Revolucio- nário Institucional e seus aliados, bem como as classes empresariais, bene- ficiavam-se dos projetos de reforma econômica, das inversões estrangeiras de capital e dos acordos comerciais. As disparidades desse México moderno, que crescia a passos rápidos e largos, mas injustos e desiguais, desaguaram em conflitos nas décadas posteriores, abrindo os caminhos para a chegada do novo século em terras astecas. Rojo amanecer, no entanto, não retrata apenas esse momento crítico da his- tória do país, mas é também a materialização de um novo cinema, mais poli- tizado, mais crítico, mais experimental, menos superficial. Tal transformação havia sido iniciada décadas antes com alguns intelectuais que conformaram, primeiramente, o Grupo Nuevo Cine, e que logo depois criaram uma revis- ta com o mesmo nome. Apesar das poucas edições publicadas e do baixo
  10. 10. 16 17 orçamento, o projeto reuniu nomes como Emilio García Riera, o estudioso mais importante do cinema mexicano; Carlos Monsiváis, crítico cultural e participante ativo e declarado do movimento de 1968; Paul Leduc, que se converteu num importante diretor de cinema posteriormente; e expoentes da literatura, como Octavio Paz. A iniciativa colocava em evidência a necessidade de“regenerar o cinema me- xicano”em vários aspectos, como explica Asier Aranzubia: na criação, no âm- bito trabalhista, na censura do Estado, na captação de recursos e na inovação técnica1 . Esse aglomerado de críticos buscava ir além da chamada“Época de Ouro” do cinema mexicano, na qual a produção cinematográfica foi muitas vezes financiada e utilizada pelo Estado para promover os costumes e valo- res da Revolução Mexicana. Em décadas anteriores aos anos 1960, firmaram-se no cinema mexicano gê- neros como a comédia rancheira e o melodrama, criando-se arquétipos da vida nacional, como o homem do campo valente e a dama submissa e frágil. Dentre os personagens da história do país mais representados pelo cinema está figura de Pancho Villa, herói nacional e parte desta identidade que se constrói durante a Revolução. Diretores como Fernando de Fuentes e atores como Dolores del Río e Pedro Gregorio Armendáriz foram responsáveis por dirigir e participar de filmes que encheram as salas de cinema, mas que nem sempre eram bem recebidos pela crítica, sobretudo a internacional. O título de“Época de Ouro”do cinema mexicano também foi alcançado com a participação do espanhol Luis Buñuel, exilado no país durante o governo franquista. Considerado o pai do “surrealismo cinematográfico”, Buñuel di- rigiu ao longo da década de 1950 importantes produções como Os esque- cidos (1950) e Subida ao céu (1952), dentre tantas outras. Durante vários anos, o diretor desligou-se de seu projeto surrealista e preferiu temáticas como a urbana e social. Porém, como assinala Beatriz D’Angelo Braz, “estes filmes, em sua maioria, são reconhecidos como melodramas mexicanos fei- tos por razões muito mais comerciais do que artísticas, em função da condi- ção de exilado do diretor, recém-chegado ao México, e de sua necessidade de sustento”. 2 Definitivamente, o divisor de águas da carreira do diretor foi O anjo extermi- nador (1962), último filme dirigido por Buñuel no México. Elaborada com re- quintes de sua vida pessoal, a produção mescla em sua narrativa a realidade 1 ARANZUBIA, Asier.“Nuevo Cine(1961-1962) y el nacimiento de la cultura cinematográfica mexica- na Moderna”. Dimensión Antropológica. Año18, Vol. 52, mayo/agosto, 2011. 2 BRAZ, Beatriz D’Angelo. “O Surrealismo e o confinamento em O Anjo exterminador, de Luis Buñuel”. Revista de la Asociación Argentina de Estudios de Cine y Audiovisual, n.12, 2015. de uma família rica com elementos provenientes da tendência surrealista do diretor. O sucesso do filme levou a crítica a considerá-lo vanguarda dentro da produção cinematográfica mexicana. Buñuel chegou a participar de alguns encontros com o Grupo Nuevo Cine, mas desistiu da ideia de se incorporar às posteriores publicações da Revista porque considerou o projeto arriscado para sua carreira3 . Sua curta participação, no entanto, inspirou os posteriores integrantes da publicação que aspiravam novos ares para o cinema mexica- no. O século XX pode ser visto como uma inundação de mudanças e efervescên- cias no aspecto artístico-cultural. Na capital do país reuniam-se grupos de artistas, diretores e produtores que buscavam captar recursos e colocar em prática seus projetos. Do movimento artístico muralista, cuja presença de Si- quieros, Rivera e Orozco conferiu um sentido político e crítico extremamente importante à necessidade de inovação técnica e de conteúdo, ao Grupo Nue- vo Cine, cujos intelectuais criaram uma verdadeira “cultura cinematográfica mexicana”4 , o país se demonstrava como um espaço para o crescimento de novas tendências e para a materialização de novas necessidades artísticas. Nesse México híbrido e ruidoso, as transformações das décadas posteriores se refletem também no crescimento da participação das mulheres que, mais do que atuar, passaram a dirigir os filmes. Não nos esqueçamos dos êxitos alcançados, por exemplo, por Dana Rothberg com Angél de fuego (1992) e por María Novaro com Lola (1989)5 . Esses aspectos foram responsáveis por converter o México em um espetáculo artístico cultural que ganhou propor- ções internacionais. O novo século chega em meio a esse emaranhado de acontecimentos. Nele, os anseios por mudanças esbarram nas tradições, no conservadorismo, na permanência de estruturas difíceis de serem superadas. Amores Brutos (2000), primeiro longa-metragem produzido pelo diretor Alejandro Gonzá- lez Iñárritu, é uma representação possível do México dos anos 2000. Um país cujas aspirações pela renovação muitas vezes se deparam com o impasse entre manter ou prosseguir. É o clássico melodrama6 da primeira metade do século passado, com uma roupagem jovem, olhos claros e tons hollywoo- dianos. Personagens que levam às últimas consequências seus desejos, mas 3 ARANZUBIA, Asier.“Nuevo Cine(1961-1962) y el nacimiento de la cultura cinematográfica mexica- na Moderna”. Dimensión Antropológica. Año18, Vol. 52, mayo/agosto, 2011. 4 ARANZUBIA, Asier.“Nuevo Cine(1961-1962) y el nacimiento de la cultura cinematográfica mexica- na Moderna”. Dimensión Antropológica. Año18, Vol. 52, mayo/agosto, 2011 5 STANDISH, Peter. “Desarrollo del cine mexicano”. Actas XLII (AEPE). Centro Virtual Cervantes. S/d. Disponível em: http://cvc.cervantes.es/ 6 SISK, Christina L.“Entre el Cha Cha Chá y el Estado: El cine nacional mexicano y sus arquetipos”. A contra corriente. Vol. 8, No. 3, Spring 2011, 163-182.
  11. 11. 18 19 que se chocam com a moralidade de uma sociedade cristã, com as complica- ções amorosas, com as diferenças sociais, com a violência cotidiana exercida pela pobreza, com a difícil tarefa de promover a própria mobilidade social. Politicamente, a virada do século trouxe novas esperanças. Setores progres- sistas e conservadores uniram-se para eleger um novo presidente, um novo partido e terminar com mais de sete décadas de um regime de partido único. As campanhas do candidato davam perspectivas otimistas para a sociedade: prometia-se promover a justiça social, a distribuição de riquezas e reparar as violações cometidas no passado por agentes do antigo regime contra os direitos humanos de indígenas, militantes e partidários da oposição. O discurso enfeitado, no entanto, não se materializou por completo. Bastou a antiga elite política pressionar os novos“donos do poder”para que acordos e negociações colocassem um freio nas recém-surgidas esperanças. O México, mais uma vez, esbarrava nas suas tradições e no seu passado. Após 12 anos de um“novo”governo, o país incrementou sua lista de problemas a nível na- cional, somando aos cadáveres anteriores milhares de vítimas de uma guerra contra o narcotráfico. A“transição”nunca se concluiu e alguns estudiosos se perguntam, inclusive, se ela teria começado em algum momento. É inegável, porém, que o México dos anos 2000 coloca-se à frente em di- versos aspectos: os incentivos à arte e à ciência, a promoção da cultura na- cional com o importante trabalho feito por organismos oficiais que tratam de valorizar o passado pré-hispânico e conservar o patrimônio histórico. As diversas políticas públicas, ainda que estejam mais centralizadas no Distrito Federal, colocaram em prática ações para proteger os direitos homossexuais, de mulheres e idosos. Essas disparidades regionais das ações postas em prá- tica têm como consequência um México progressista, localizado na capital do país, em detrimento de um México conservador e até mesmo reacionário espalhado por zonas pobres e afastadas. Os filmes desta mostra de cinema revelam o México atual e sua história re- cente. São representações de personagens de uma dança real, cujas narrati- vas por detrás das telas de cinema buscam dissecar, revelar e compreender. São temáticas conhecidas pelas novas gerações, reflexos de tempos atuais e de anseios comuns. Desta sociedade, saltam aos olhos do espectador os con- flitos étnicos e sociais, as questões contemporâneas, o choque entre o novo e o velho, esses seres perdidos buscando encontrar-se em meio ao caos da pós-modernidade. São novos diretores, técnicas, olhares e temáticas. Dentre estas, a difícil tarefa de administrar os recursos naturais; o enigma da vida pri- vada; a convivência em meio às drogas, à pobreza e à exclusão; os dramas da coexistência; as difíceis relações sociais; os desejos que extrapolam as regras. Esse é o México dos anos 2000: um oceano de contradições. Suas constru- ções e ruínas revelam, ao mesmo tempo, a materialização das origens de sua identidade, construída a partir de uma história de dominação e resistência, da coexistência – nem sempre pacífica – entre conquistadores e conquista- dos. Eduardo Galeano, em As veias abertas da América Latina, colocou em evidência o que seria esse sentimento de derrota latino-americano frente ao colonizador, tão persistente em alguns grupos da sociedade mexica- na. O autor, no entanto, esqueceu de considerar que onde há oprimidos e derrotas cria-se um terreno fértil para a rebelião, para a mudança e para a contestação. E no México sempre foi possível identificar a gestação de pe- quenas transformações que ocorrem dia a dia, que resistem à opressão, que são como flores que nascem em meio ao deserto e que persistem. O México atual é o resultado dos tempos passados, das questões do presente e das aspirações para o futuro. É complexo, vai além das dualidades e constitui-se num grandioso mosaico de culturas, sentimentos e subjetividades. Larissa Jacheta Riberti é licenciada e bacharel em História pela Universi- dade Estadual de Campinas, mestre e doutoranda em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desde o final de sua graduação tem desenvolvido pesquisas sobre a história contemporânea mexicana, especia- lizando-se em temas como o movimento estudantil de 1968, as guerrilhas da década de 1970 e 1980 e questões políticas e sociais da história recente do México. Em 2015, realizou um período de estudos na Universidade Nacional Autônoma do México e trabalhou como docente na Universidade Autônoma da Cidade do México, podendo compartilhar experiências, culturas e sabe- res.
  12. 12. 20 21 Um país no cinema e é um filme de estrada Mateus Nagime E ssa mostra insere-se em um contexto já conhecido: assistir em con- junto aos filmes de um mesmo diretor, estúdio, ator, ano, ou ainda, país. No caso dos três primeiros exemplos, podemos entender melhor uma mensagem geral na obra de determinado artista ou profissional (ou conjunto de artistas). Quando temos a interessante experiência de ver filmes do mesmo ano de maneira próxima podemos tentar pensar em algum conjunto de ideias que marcava a visão de mundo e visão de cinema em um determinado período. Mas, o que ganhamos ao ver filmes do mesmo país? Esta é uma pergunta difícil de ser respondida, especialmente porque temos que sempre levar em consideração os vários meandros nos quais estão en- volvidas a distribuição e exibição dos filmes. Em muitos casos, um filme só faz sentido para quem conhece de perto as peculiaridades históricas, sociais e políticas de um país. Em outros, ele representa de alguma forma os atribu- tos que esperamos ver daquela cinematografia. Afinal, como escolher entre as centenas de filmes que um país tão grande e diverso como o México lança a cada ano? Para a mostra, tentamos abarcar um variado conjunto de gêneros, temas e estilos de cinema. Longe de formar um quadro definitivo do cinema mexicano dos últimos seis anos, o desejo é apontar caminhos, mostrar exemplos de sucesso de crítica e de público. Fo- ram selecionados filmes que logram êxito entre o público local e conquista- ram prêmios no Ariel, o tradicional prêmio que a Academia Mexicana de Cine outorga desde os anos 1940 (com uma interrupção entre 1958 e 1972). Por um lado, alguns dos filmes exibidos não tiveram amplo lançamento dentro do país; por outro lado, possuíram uma longa carreira em festivais interna- cionais, paralelo que podemos estabelecer com os melhores representantes do cinema contemporâneo brasileiro. Ou seja, são filmes que dialogam ou com um público local ou, majoritariamente, com um público internacional do circuito de arte. Em comum, todos tentam apresentar suas visões do Mé- xico, de sua história e de sua função contemporânea como nação. Escolhemos seguir três parâmetros: o primeiro foi exibir apenas filmes des- ta década, tentando trazer um número nivelado de representantes de cada ano; em seguida, fizemos questão de mesclar filmes de diretores consagra- dos (Arturo Ripstein, Carlos Reygadas, Julián Hernández) com cineastas re- centes e ainda pouco entendidos como autores. Para completar, queríamos que fossem filmes que não tivessem sido lançados no circuito comercial no Brasil. Afinal, a ideia é justamente contribuir com a exibição de filmes mexi- canos pouco vistos no nosso país. Alguns já passaram em festivais e outros são completamente inéditos nos cinemas brasileiros. Acredito que esses 13 longas e 3 curtas cumpram bem a tarefa de servir como um microcosmo do cinema mexicano. Esperamos que os espectado- res possam partir deles e formar suas próprias linhas de pesquisa dentro des- ta ampla filmografia. Mas, exatamente, o que podemos considerar como um filme mexicano? O México fica num ponto estratégico bem peculiar. Além de estar ao sul dos Estados Unidos e receber uma forte influência especialmente na região nor- te, também tem uma proximidade com os vizinhos caribenhos e da América Central. Para completar, ainda exerce uma significativa influência regional sobre a América do Sul e é também um hub importante para a Espanha no continente americano. Não é de se estranhar, então, que o deslocamento, a fuga, a estrada sejam tão predominantes no cinema realizado nesse país.Técnicos, artistas e atores mexicanos também conseguem circular de forma natural pelos países acima mencionados e as produções mexicanas também recebem profissionais es- trangeiros, contribuindo para uma renovação da cinematografia. A narrativa de A vida depois (La vida después, 2013, David Pablos) parte da fuga da mãe de família, deixando os filhos sozinhos a par de sua inde- pendência, mas eles escolhem o caminho da estrada para procurá-la. Dois irmãos na estrada também são o mote de As lágrimas (Las lágrimas, 2013, Pablo Delgado Sánchez), em que o sair de casa e o vagar pelo país parecem contribuir com a elaboração de um autoconhecimento. Seria o país que de- veria olhar para si? Os protagonistas de A zebra (La cebra, 2011, Fernando Javier León Rodríguez) também se encontram na estrada. No meio da revolu- ção mexicana, encontram os mais variados tipos de personagens. Nesta, que parece ser uma mera história, um pouco absurda, temos um cinema que ten- ta se comunicar com o público local, promovendo uma avaliação do aconte- cimento histórico que ainda causa uma forte influência nos rumos atuais da política local, mesmo um século depois. Partindo para um lado mais documental, Verão de Golias (Verano de Go-
  13. 13. 22 23 liat, 2010, Nicolás Pereda) também vai para a estrada a partir de um desapa- recimento, mas Pereda está mais interessado em fazer um estudo das muitas personagens que ele encontra na pequena cidade costeira de San Pedro Hui- lotepec. É o mesmo objetivo de José Cohen e Lorenzo Hagerman em H2Omx (2014), no qual traçam um retrato desanimador e trágico a respeito de uma possível falta d’água para os 20 milhões de habitantes da Cidade do México. Navalhada (Navajazo, 2014, Ricardo Silva) é outro documentário que tenta mostrar um mundo muito longe do sonho mexicano: em Tijuana, cidade tão próxima e tão longe dos EUA, muitas personagens imaginam fama, sucesso e dinheiro, em um painel que, mesmo sendo um tanto clássico, não perde a força. O filme foi indicado ao Ariel de melhor documentário na edição de 2015, perdendo para H2Omx. Outros dois vencedores da última edição do Ariel estão na mostra. Ramo- na (2014, Giovanna Zacarías) foi escolhido o melhor curta e apresenta uma senhora de 80 anos que anuncia sua morte. A trama analisa, em apenas 10 minutos, a cultura dos mortos, que é tão forte no México. O modelo de Pi- ckman (El modelo de Pickman, 2014, Pablo Ángeles Zuman) baseia-se na obra de H.P. Lovecraft para fazer um belo uso da animação em uma história macabra a respeito do processo criativo. Um mundo distópico e um tanto aterrorizante é o cenário para Post Tene- bras Lux (2012, Carlos Reygadas), em que saunas parisienses e jogos de rú- gbi ingleses misturam-se ao campo e às praias do México, enquanto figuras estranhas aparecem em cena. Reygadas venceu o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 2012, mas o filme, que possui imagens estontean- tes, recebeu críticas irregulares, surgindo um grande debate em torno da car- reira do cineasta, inclusive quando o longa passou no Festival do Rio. Quatro anos depois e com um novo filme previsto para ser lançado no ano que vem, talvez seja a hora de voltarmos a Post Tenebras Lux, entender seus signifi- cados e como ele lida com a luta de classes: de um lado, uma elite cada vez mais globalizada e sem raízes; de outro, uma classe trabalhadora que sofre para encontrar o seu caminho no novo país. O retorno ao lar também é um tema constante nos filmes da mostra. Nunca Morrer (Mai Morire, 2012, Enrique Rivero) foi o filme que Rivero fez logo após ter vencido o Leopardo de Ouro no importante Festival de Locarno, com Parque vía (2008). O diretor segue seu estilo de se aproximar de uma personagem e estudar os momentos em que ela contempla as escolhas que fez e o futuro a seguir. A protagonista volta à sua cidade natal para cuidar da mãe e buscar um caminho para sua vida, em um estilo de filmagem que valoriza uma personagem e sua presença no mundo ao seu redor. Carmim tropical (Carmín tropical, 2014, Rigoberto Pérezcano) mostra o retorno de um muxe para sua cidade natal e o reencontro com amigos e família, quando descobre que uma amiga foi assassinada. O muxe, similar ao travesti brasileiro, é uma figura tradicional no sul do México e, portanto, pode parecer estranho para nós que a identidade sexual e de gêneros não seja amplamente questionada. Mas isso é um grande triunfo do filme, que consegue lidar com sucesso com as relações entre as várias personagens e o embate entre o rural e o urbano, entre os que escolhem ficar e permanecer no mesmo lugar e os que buscam caminhos alternativos. Ou seja, mesmo que a questão de identidade de gênero não esteja explicitamente discutida, o queer rodeia todo o filme, que foi bem recebido no México e venceu o Ariel de melhor roteiro original, sendo ainda indicado para melhor filme e outras seis categorias. Aquestãodasexualidadetambéméchavenosfilmesmaisrecentes,lançados em 2015, que estão fazendo um certo barulho em suas giras internacionais. Manhã psicotrópica (Mañana psicotrópica, 2015, Alexandro Aldrete) não escapa do artifício da estrada: um grupo de amigos parte em uma viagem. Com a ajuda de muitas drogas, sexo, música eletrônica e música clássica, o fil- me encontra o seu caminho à medida em que segue um jovem recém-saído de uma tentativa de suicídio e seus amigos pelas estradas e cantos do país. Outro filme jovem é Te prometo anarquia (Te prometo anarchia, 2015, Ju- lio Hernández Cordón), que participou da competição do Festival de Locarno em 2015 e venceu o prêmio da imprensa internacional (Fipresci) de melhor filme latino-americano no Festival do Rio de 2015. Cordón é um diretor me- xicano que circulou pela América Central e trabalhou na Guatemala, o que explica um pouco o fato do filme ter uma forte sensação de não pertenci- mento. A viagem também está presente, porém, não de forma tão fundamental como nos outros filmes aqui mencionados. Ainda assim, trata-se basicamen- te de dois jovens que não encontram seu lugar em um ambiente urbano su- focante e que os leva a um negócio ilegal. Enquanto isso, a influência de Gus Van Sant é notável. É um típico filme queer e jovem, com muitas cenas estili- zadas de meninos bonitos andando de skate, além de cenas de nudez e sexo. Especialmente, mas não só neste filme, também é notável a influência que outro Hernández tem causado há alguns anos no cinema mexicano: Julián Hernández e sua já extensa obra. Desde seus primeiros curtas, a questão de gênero e um certo mal a l’àise está presente através de personagens que não se encaixam em visões predefinidas, geralmente através da homosse-
  14. 14. 24 25 xualidade. Ele faz parte de uma nova geração de jovens que não enxerga o longa como um caminho final. Nuvens flutuantes (Nubes flotantes, 2014), um de seus curtas mais recentes e presente na mostra, é a prova disso: um fragmento de história e tomadas de corpos bailando na água é tudo o que o filme precisa. Por mais que possa ser entendido pelo viés do combate à homofobia, o longa é muito mais uma luta pelo cinema como registro de corpos e de um certo ideal de beleza, sempre em movimento, praticamente confundido com a vida. Hoje já veterano, com 23 filmes no currículo, entre longas, curtas e episódios, Julián Hernández consegue expressar essa sua confusão através da figura de um diretor de cinema que se perde entre as muitas imagens criadas, seja na vida real ou na vida cinematográfica, em Eu sou a felicidade deste mundo (Yo soy la felicidad de este mundo, 2014). O filme defende a falta de barrei- ras entre elas e talvez possa ser considerado o trabalho mais maduro do cine- asta, que define precisamente todas as questões trabalhadas anteriormente e ainda pensa de forma mais explícita o papel do cinema, encarado como a estrada a ser percorrida. E, para completar a lista de filmes exibidos na mostra, não há diretor com maior trajetória no cinema mexicano contemporâneo que Arturo Ripstein. Indicado à Palma de Ouro em Cannes três vezes e vencedor de inúmeros prêmios, incluindo cinco Ariels, dirigiu mais de 50 títulos em um número muito próximo de anos de carreira, passando por inúmeras fases da produ- ção nacional. Atualmente, é um cineasta bissexto, tendo lançado seu último filme, La calle de la amargura, no último Festival de Toronto, em setembro de 2015. Está incluído na mostra o seu penúltimo filme, As razões do cora- ção (Las razones del corazón, 2011), uma interessante e afiada adaptação de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, para a sociedade mexicana con- temporânea. É com essa ampla lista de filmes que pretendemos servir como uma segun- da entrada ao cinema mexicano contemporânea para o público, se conside- rarmos as estreias comerciais como uma primeira. Naturalmente, como em qualquer mostra desse porte, outros filmes poderiam estar presentes, mas acredito que os 16 filmes aqui selecionados, entre curtas e longas, represen- tam formas distintas de se encarar o cinema e a sociedade pelos realizadores mexicanos. Se o tema da estrada, recorrente em tantos filmes, é um indicati- vo de um país que está traçando um caminho diferente, qual é esse México que o cinema retrata e onde ele quer chegar? FILMES
  15. 15. 26 27 Carmin Tropical 2014, cor, 80 min A história de um regresso, o de Mabel a sua cidade natal para achar o assassino de sua amiga Daniela. Uma viagem pela nostalgia, o amor e a traição em um lugar onde a tra- vestilidade cobrou, em seu momento, uma dimensão incomum. Direção: Rigoberto Pérezcano Roteiro: Rigoberto Perezcano e Edgar San Juan Produção: Rigoberto Pérezcano, Jaime Ramos, Christian Valdelièvre e Cristina Ve- lasco Produtora: Cinepantera, Fondo para la Producción Cinematográfica de Calidad (Foprocine) e Tiburón Filmes Direção de Fotografia: Alejandro Cantú Direção de Arte: Ivonne Fuentes Som: Ruy García e Pablo Tamez Edição: Miguel Schverdfinger Música: Luca Ortega Elenco: Luis Alberti, Juan Carlos Medellín, José Pescina, Marco Pétriz, Everardo Trejo Rigoberto Pérezcano Começou dirigindo documen- tários. Seu filme XV en Zaachila participou em diferentes festivais, recebendo diversos prêmios na- cionais e internacionais. Em 2001, trabalhou como estagiário para o Rockefeller-MacArthur Ford para escrever o roteiro Carmim Tro- pical. Norteado foi seu primeiro filme de ficção e fez parte da 14ª edição de Cine en Construcción, no Festival de San Sebastián. O filme ganhou três prêmios: Prê- mio da Indústria, Premio Televi- são Espanhola e Prêmio Casa de América. Carmim Tropical é seu segundo filme. LONGAS H2Omx 2013, cor, 82 min A Cidade do México é uma das mais popu- losas do mundo, que cresce sem controle. Anteriormente uma região rodeada de lagos, agora o suprimento de água para a cidade é um problema real. H2Omx registra a escassez, o desperdício e os graves pro- blemas de contaminação da água, e faz um urgente chamado à ação e ao compromis- so dos cidadãos. Direção: José Cohen em colaboração com Lorenzo Hagerman Roteiro: Ólga Cáceres Produção: Alejandra Liceaga, Fernando Hernández Jaime Cohen e José Cohen Produtora: Cactus Film & Video Direção de Fotografia: Bernabé Salinas,- Guillermo “Memo” Rosas, Jaime Reynoso, Sylvestre Guidi e Gaetan Mariage. Som: Samuel Larson Edição: Paula Heredia, Omar Guzmán, Lo- renzo Hagerman Música: Ariel Guzik e Javier Alvarez José Cohen Produtor que fundou e dirige a Cactus Film & Video. Produziu re- portagens para a televisão, docu- mentários e curtas-metragens para o México e o exterior. Seu mais recente trabalho como produtor inclui Trópico de Cáncer e La Guerra Contra las Drogas de México, para a BBC; Un día de Gloria para o Dis- covery Channel; Papalotzin; e La Vida en la Línea, que obteve o Prê- mio do Júri no Festival de Cinema Internacional Al Jazeera, em 2008. Atualmente está produzindo De la Calle a la Cancha, um documentá- rio sobre os integrantes da seleção mexicana de futebol de meninos de rua (Homeless World Cup), diri- gido por Alejandro Solar. H2Omx é o seu primeiro filme. LONGAS Principais prêmios: Indicado a 8 Ariels em 2015, entre eles melhor filme. Vencedor do prêmio de ro- teiro original. Principais prêmios: Melhor do- cumentário no Ariel 2015.
  16. 16. 28 29 A Zebra 2011, cor, 100 min Leandro e Odón querem ser obregonistas e seguem para o norte em uma zebra que encontraram em um circo abandonado, e que consideram um cavalo“gringo”. Durante sua viagem passam por diversas aventuras: escapam de mulheres que os escravizaram, conhecem o General Quesada, que quer fundar uma nova república, se perdem no deserto... Direção e Roteiro: Fernando Javier León Rodríguez Produção: Socorro Méndez Díaz e Antonio Urdapilleta Produtora: Cinemágico Producciones Direção de Fotografia: Martín Boege Direção de Arte: Alisarine Ducolomb Som: Miguel Molina Edição: Oscar Figueroa Música: Julio de la Rosa Elenco: Harold Torres, Jorge Adrián Espín- dola, Jesús Ochoa, Paulina Gaitan, Leticia Huijara, Alejandra Ley, Humberto Elizondo, Raquel Pankowsky, Manolo Solo, Julián Villa- grán, Alejandro Caso, Irineo Álvarez Fernando Javier León Rodríguez Estudou teatro nas oficinas de Juan Tovar (1993) eVicente Leñero (1994- 2001), e roteiro na Universidad In- ternacional Menéndez y Pelayo, em Valência, Espanha (1997). Participou da 5ª Oficina de Roteiro do Sundan- ce Institute - Fundación Toscano (1999) e no 1º Laboratório de Ro- teiro da Fundación Contenidos de Creación – Sundance Institute, em Barcelona, Espanha (2000). Além de sua atividade cinematográfica, León Rodríguez dedica-se ao teatro e a televisão: em 1997 o Fundo Nacio- nal para a Cultura e as Artes (FON- CA) produziu sua peça teatral Activo Fijo, sob a direção de Rogelio Luéva- no. A Zebra é o seu primeiro filme. LONGAS A Vida Depois 2013, cor, 90 min Samuel e Rodrigo começam uma via- gem em busca de sua mãe, que desa- pareceu de maneira estranha, deixan- do um bilhete sobre a mesa que dizia: “Tive que sair. Mamãe”. A relação entre os irmãos se torna tensa e sofre uma ruptura conforme viajem pela paisa- gem desértica, seguindo pistas basea- das em recordações da infância. Direção: David Pablos Roteiro: Gabriela Vidal e David Pablos Produção: Henner Hofmann, Karla Bukantz e Verónica Novelo Turcotte Produtoras: Centro de Capacitación Cine- matográfica e Fondo para la Producción Cinematográfica de Calidad (FOPROCINE) Direção de Fotografia: José de la Torre Direção de Arte: Shantal Franceschi Som: Alejandro de Icaza e Nicolás Aguilar Edição: Miguel Salgado Música: Carlo Ayhllón Animação: Christian Rivera Elenco: Américo Hollander, Rodrigo Azue- la e María Renée Prudencio David Pablos É formado no Centro de Capacitación Cine- matográfica, onde se graduou com o filme La Canción de los Niños Muertos, ganhador de mais de dez prêmios internacionais e selecionado para renomados festivais de cinema como Cannes e San Sebastián, en- tre outros, e recebendo posteriormente o Prêmio Ariel de melhor curta-metragem. Em fevereiro de 2009 foi selecionado para a 7ª edição do Berlinale Talent Campus. Em 2010, seu documentário Una Frontera, Todas las Fronteras estreou no International Do- cumentary Film Festival Amsterdan (IDFA). Em 2013, seu primeiro longa-metragem de ficção, A Vida Depois, estreou na 70ª edição do Festival de Veneza. O filme participou de mais de 40 festivais de cinema e recebeu di- versos prêmios. Neste mesmo ano dirigiu a série de televisão 20 y Más por el Arte, para o Canal 22. Seu segundo longa de ficção, Las Elegidas, produzido por Gael García Bernal, Diego Luna e Pablo Cruz, recebeu o presti- giado apoio CNC (antes Cinéma du Monde) e estreou no Festival de Cannes, em 2015, na mostra Um Certain Regard. LONGAS Principais prêmios: Melhor filme de estreia no Festival Latino-ame- ricano de Lima, 2012. Principais prêmios: Selecionado para a Mostra Orizzonti do Festival de Veneza, 2015
  17. 17. 30 31 As Lágrimas 2013, cor, 64 min Os irmãos Gabriel e Fernando sofrem, cada um ao seu modo, as desastrosas consequências de viver em um lar frag- mentado. Para fugirem, ainda que mo- mentaneamente, dessa situação, reali- zam uma pequena viagem rumo a um bosque, local simbólico para ambos. Direção e Roteiro: Pablo Delgado Sán- chez Produção: Henner Hofmann, Karla Bukantz e Guillermo Ortiz Pichardo Produtora: Centro de Capacitación Cine- matográfica Direção de Fotografia: Juan Pablo Ra- mírez Direção de Arte: Derzu Campos Som: Martín Hernández e Loretta Ratto Edição: Gil Gonázlez Penilla Música: Esteban Ruiz Velazco e Diego Westendarp Elenco: Fernando Álvarez Rebeil, Gabriel Santoyo, Claudette Maillé Pablo Delgado Nasceu em Córdoba, Veracruz. Se especializou como diretor no curso geral do Centro de Capa- citación Cinematográfica. Dirigiu diversos curtas, entre eles: Pia Mater (2011), pelo qual recebeu o Dinossauro de Prata de melhor curta no Festival Etiuda & Anima, Polônia; e Dorsal (2010), que par- ticipou de mais de 20 festivais na- cionais e internacionais. LONGAS As Razões do Coração 2011, cor, 119 min Emilia, uma dona de casa frustrada pela medio- cridade da sua vida, pelos fracassos de seu mari- do e agoniada no papel de mãe, sente que está a ponto de perder a paciência com tudo. Para piorar, é abandonada pelo amante. Em seu apar- tamento, vazio e desolado, decide enfim tomar uma decisão há muito considerada: o suicídio. Curiosamente sua morte provoca a aproximação entre o marido traído e o amante esquivo. Direção: Arturo Ripstein Roteiro: Paz Alicia Garciadiego sobre Madame Bovary, de Gustave Flaubert Produção: Hugo Espinosa Produtora: Fondo de Inversión e Estímulos al Cine (FIDECINE), Ibermedia, Mil Nubes-Cine e Wanda Films Direção de Fotografia: Alejandro Cantú (B&W) Direção de Arte: Sandra Cabriada Som: Armando Narváez, Carlos Cortés Navar- rete, John Camino, José Caldararo, Leandro de Loredo, Luis Argüelles, Omar Juárez e Sebastián Sonzogni Edição: Alejandro Ripstein Música: David Mansfield Elenco: Arcelia Ramírez, Vladimir Cruz, Plutarco Haza, Patricia Reyes Spíndola, Alejandro Suárez, Pilar Padilla, Paola Arroyo, Carlos Chávez, Eligio Meléndez, Marta Aura Arturo Ripstein Nasceu na Cidade do México em 13 de dezembro de 1943. Estudou Direito na Universidad Nacional Autónoma de México, História no Colegio de México e História da Arte na Universidad Iberoamericana. Sua primeira aproximação com a indús- tria do cinema foi como ator, duran- te sua adolescência. Em 1963 atuou, sem ser creditado, como assistente de direção no filme O Anjo Extermi- nador, de Luis Buñuel. Estreou como diretor com Tempo de Morrer (1965). Nos anos 70 dirigiu dois dos seus fil- mes mais conhecidos: O Castelo da Pureza e O Santo Ofício. A estes se seguiram diversos outros. Em 2014, em reconhecimento a sua trajetória, Arturo Ripstein recebeu da Acade- mia Mexicana de Artes e Ciências Ci- nematográficas o Ariel de Ouro, prê- mio máximo do cinema mexicano. LONGAS Principais prêmios: Menção es- pecial dentre os filmes de estreia, Festival de Havana, 2013. Principais prêmios Diretor com 5 filmes vencedores do Ariel; indicado 3 vezes a Cannes.
  18. 18. 32 33 Nunca Morrer 2012, cor, 84 min Chayo volta a Xochimilco para cuidar de sua mãe idosa, mas a comodidade da vida tradicional a leva a escolher um casamento que lhe fará abandonar seus ideais. Sua percepção particular e sua fé absoluta na vida a obrigarão a cometer o maior sacrifício que uma mãe pode fazer. Direção: Enrique Rivero Roteiro: Enrique Rivero e Aleka Rivero Produção: Paola Herrera e Fernando Delgado Produtora: Una Comunión, Zamora Fil- ms, Simplemente, Celuloide Films. Direção de Fotografia: Arnau Valls Co- lomer e Gerardo Barroso Direção de Arte: Christopher Lagunes Som: Alejandro de Icaza e Jose Miguel Enriquez Edição: Enrique Rivero e Javier Ruiz Cal- dera Música: Alejandro de Icaza Elenco: Margarita Saldaña, Amalia Salas, Juan Chirinos Enrique Rivero Diretor, produtor, escritor e editor me- xicano nascido em Madri, em 1976. Es- tudou engenharia industrial e após tra- balhar no setor bancário, decidiu em 2004 se dedicar ao cinema. Em 2006, tornou-se cofundador da casa produ- tora Una Comunión. Estreou em longa- -metragem com Parque Vía (2008), que participou de mais de 60 festivais em todo o mundo e ganhou importantes prêmios internacionais, como o Leo- pardo de Ouro do FIPRESCI no Festival de Locarno. Seu segundo longa, Nun- ca Morrer (2012), foi considerado pelo Hollywood Reporter como “uma obra impressionante do realismo mexicano” e recebeu o prêmio de melhor fotogra- fia no Festival de Roma. Pozoamargo (2015) é seu terceiro filme, que contou com o apoio do FONCA-CONACULTA (México) e do Programa Ibermedia. LONGAS Manhà Psicotrópica 2015, cor, 90 min Após uma tentativa de suicídio, Lito, de 19 anos, viaja de Monterrey a Querétaro para vi- sitar seu primo Koko, de 20 anos. Lá, se une a um grupo de amigos com a intenção de ven- der drogas para bancar um fim de semana em Michoacán. Entre pílulas psicotrópicas, LSD e cogumelos alucinógenos, entre festas improvisadas e trilhas na natureza, cria-se um laço que reforça a amizade entre eles; enquanto Lito parece encontrar o caminho para a reconciliação. Direção e Roteiro: Alexandro Aldrete Produção: Alexandro Aldrete, Juan Farré e Magaly Ugarte Produtora: Aurora Dominicana, Woo Films e Bengala Direção de Fotografia: Daniel Cárdenas Direção de Arte: Paola Garcés Som: Gerardo Villarreal Edição: Alexandro Aldrete e Daniel Cárdenas Música: Jesús de Hoyos Elenco: Miriam Balderas, Marcelo Galán, So- phie Latrouche, Camila Barragán, Fernando Cavazos, Daniela Moreno Alexandro Aldrete Roteirista e diretor, atuou no teatro e no cinema. Em 2008, re- alizou com 30 mil pesos seu pri- meiro longa-metragem, Oliendo a Perro, que estreou no Festival de Cinema de Monterrey e no Festi- val Underground Mil Metros Bajo Tierra. Trabalhou como drama- turgo em outros projetos, como Cartografias, e como produtor executivo em Cumbres. Manhâ Psicotrópica é o seu segundo fil- me. LONGAS Principais prêmios: Melhor contri- buição técnica (fotografia) no Festi- val de Cinema de Roma, 2012. Principais prêmios: Selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Monterey, 2015.
  19. 19. 34 35 Navalhada 2014, cor, 75 min Um apocalipse imaginado é apresentado diante de nós através de retratos de personagens que lutam para sobreviver em um ambiente hostil, onde só podem contar consigo mesmos e a única coisa que têm em comum é o desejo de seguir vivendo, sem importar o custo. Um diretor de ví- deos domésticos, um viciado na canalização do RioTijuana, um colecionador de brinquedos e um velho satânico que toca canções em um teclado Casio são alguns dos sobreviventes. Filme que mistura documentário e ficção para apresentar um retrato das pessoas que vivem à margem em Tijuana, cidade de fronteira no norte do México. Direção: Ricardo Silva Roteiro: Ricardo Silva e Julia Pastrana Produção: Ricardo Silva e Paulina Valencia Produtora: Specola e Julia Pastrana Direção de Fotografia: Adrian Durazo e Alejan- dro Montalvo Direção de Arte: Ricardo Silva e Elmer Figueroa Som: Ricardo Carreño Edição: Julia Pastrana Música: Albert Pla Elenco: Amador Granados, Yareni García, Richard Lewis, Balthazar Hernández El Muerto de Tijuana, Julián Reyes Ricardo Silva Issbocet (2006), seu primeiro trabalho, foi um curta realizado para o Festival Recortos 48, e teve exibição no Canadá, Espa- nha, Argentina, EUA e Cidade do México. Navalhada é o seu primeiro longa-metragem. LONGAS Post Tenebras Lux 2012, cor, 120 min Juan e sua jovem família urbana vivem no interior do México. Lá desfrutam e sofrem com um mundo que entende a vida de outra forma. E ninguém sabe se os dois mundos se complementam ou, na verda- de, lutam inconscientemente para eliminar um ao outro. Direção e Roteiro: Carlos Reygadas Produção: Jaime Romandia e Carlos Rey- gadas Produtora: No Dream e Mantarraya Direção de Fotografia: Alexis Zabé Direção de Arte: Nohemí González Som: Gilles Laurent Edição: Natalia López Música: Pablo Chemor Elenco: Nathalia Acevedo, Adolfo Jimenez Castro, Willebaldo Torres, Eleazar Reyga- das, Rut Reygadas Carlos Reygadas Seu primeiro longa-metragem, Ja- pón (2002), produção independen- te e feita basicamente com elenco não profissional, foi exibido no Fes- tival de Cinema de Roterdã e logo depois na seção Directors’ Fortni- ght, em Cannes, onde recebeu uma Menção Especial pela Camera d’Or. Em 2005, seu segundo longa Ba- talla en el Cielo foi selecionado para a competição oficial do Festival de Cannes. Seu terceiro filme, Luz Si- lenciosa, recebeu o Prêmio do Júri neste mesmo festival, na edição de 2007, no Festival de Lima e no Festi- val de Cinema Ibero-americano de Huelva, estreando no México em 12 de outubro daquele ano. Seu quar- to filme, Post Tenebras Lux, recebeu o Prêmio de Melhor Diretor no Fes- tival de Cannes de 2012. LONGAS Principais prêmios: Vencedor da seção“Cineastas do Presente” no Festival de Locarno, 2014. Principais prêmios: Melhor dire- ção no Festival de Cannes, 2012.
  20. 20. 36 37 Te Prometo Anarquia 2015, cor, 88 min Miguel e Johnny são amigos e amantes, se co- nhecem desde a infância e passam o tempo patinando com seus amigos nas ruas da Cida- de do México. Vendem seu próprio sangue e conseguem doadores para o mercado negro. Uma grande transação de sangue termina mal para todos os envolvidos. A mãe de Miguel decide mandá-lo para fora do país. Longe de Johnny, Miguel enfrentará um novo destino. Direção e Roteiro: Julio Hernández Cordón Produção: Maximiliano Cruz e Sandra Gómez Produtora: Interior13 Cine, Fondo para la Pro- ducción Cinematográfica de Calidad (FOPRO- CINE) e Rohfilm Direção de Fotografia: María Secco Direção de Arte: María Elizabeth Medrano Som: Axel Muñoz e Aleljandro de Icaza Edição: Lenz Claure Música: Erick Bongcam Elenco: Diego Calva, Eduardo Martínez Peña, Shvasti Calderón, Oscar Mario Botello, Gabriel Casanova Julio Hernández Cordón Diretor e roteirista nascido nos EUA, mas criado entre o México, a Guatemala e a Costa Rica. Diri- giu KM 31, seu primeiro curta, em 2003. Seu primeiro longa, Gasoli- na, recebeu o Prêmio Horizontes no Festival de San Sebastián, em 2008. Las Marimbas del Infierno, de 2010, o consolidou como cineasta multipremiado. Seu terceiro lon- ga, Polvo (2012), foi desenvolvido na residência da Cinéfondation do Festival de Cannes. Hasta el Sol Tiene Manchas estreou no FIDMar- seille de 2012. Te Prometo Anarquia teve sua estreia mundial na com- petição internacional do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça. LONGAS Verão de Golias 2010, cor, 76 min Depois de abandona pelo seu marido, Teresa passa os dias desesperada, ten- tando entender o que aconteceu. No lugar de encontrar respostas, sua mis- são se converte em uma viagem pelas ruas e casas de pessoas que conhecem seu esposo. Misturando ficção e docu- mentário, suas visitas retratam a cidade e os seus habitantes. Verano de Goliat é uma reflexão sobre do sofrimento após o abandono, promessas não cumpridas, desconexão e ânsia eterna. Direção e Roteiro: Nicolás Pereda Produção: Nicolás Pereda, Andrés Cas- tañeda e Elsa Castillo Sosa Produtora: En Chinga Films, IMCINE, Santas Producciones e Hubert Bals Fund Direção de Fotografia: Alejandro Coro- nado Som: Alejandro de Icaza, José Miguel Enríquez Rivaud e Mauricio Villalba Edição: Nicolás Pereda Elenco: Teresa Sánchez, Gabino Rodrí- guez, Juana Rodríguez, Harold Torres, Óscar Saavedra Miranda, Nico Saavedra Miranda, Amalio Saavedra Miranda Nicolás Pereda Possui mestrado em Artes e Direção de Cinema da Universidade de York, Toron- to. Dirigiu seis longas e um curta com os quais ganhou prêmios em muitos festivais. Realizou filmes e vídeos para eventos in- terdisciplinares, óperas e espetáculos de dança apresentados no México, na Ásia e na Europa. Vivendo entre Canadá e Méxi- co, o cinema de Nicolás Pereda foi exibido em festivais com os de Cannes, Veneza, Roterdã, FIDMarseille, Viena e Edimburgo e recebeu prêmios em vários deles. A pri- meira retrospectiva de seus filmes aconte- ceu no Cine Las Americas de Austin, Texas, em 2010. Despois dessa aconteceram outras em Jeonju IFF, Anthology Film Ar- chives, Paris Cinéma, Cartagena IFF, UCLA, Valdivia FF e Harvard Film Archive, além de outras em Madri, Seattle, São Francisco, Belo Horizonte e no TIFF Bell Lightbox, de Toronto. LONGAS Principais prêmios: Prêmio Fipresci de melhor filme latino-americano no Festival do Rio, 2015. Selecionado para a mostra principal do Festival de Locarno, 2015. Principais prêmios: Melhor filme na Mostra Orizzonti no Festival de Veneza, 2010.
  21. 21. 38 39 Eu Sou a Felicidade deste Mundo 2014, cor, 122 min Emiliano, um diretor de cinema, explora seus processos criativos e tenta se conectar com sua realidade imediata. A história que filma se mistura com a própria realidade cotidiana. O seu mundo real parece sempre ser visto pela lente da câmera. Confuso e sozinho, sempre na frente da tela, que é a sua reali- dade transfigurada, escuta essa canção, que se repete como uma oração que o obriga a continuar tentando amar. Direção e Roteiro: Julián Hernández Produção: Roberto Fiesco Produtora: Mil Nubes, Cine e CUEC e UNAM Direção de Fotografia: Alejandro Cantú Direção de Arte: Jesús Torres Torres Som: Omar Juárez Espino e Armando Nar- váez del Valle Edição: Emiliano Arenales Osorio Música: Arturo Villela Vega Elenco: Hugo Catalán, Alan Ramírez, Andrea Portal, Gabino Rodríguez, Emilio Von Ster- nenfels, Iván Álvarez, Rocío Reyes, Emmanuel Ávalos, Gerardo del Razo, Diana Lein, Javier Oliván, Giovanna Zacarías, Juan Carlos Car- rasco, Sergio Anselmo, Aladino Torreblanca, Gloria Contreras Julián Hernández Nascido na cidade do México em 1972, estudou cinema no Centro Universitario de Estudios Cinema- tográficos (CUEC). Dirigiu vários cur- tas-metragens, além de peças de te- atro e ópera. Seu primeiro longa Mil Nubes de Paz Cercan el Cielo, Amor, Jamás Acabarás de Ser Amor estreou na 53ª edição do Festival de Cinema de Berlim, em 2003, onde obteve o Prêmio Teddy de melhor filme de longa-metragem. Em 2006 dirigiu o aclamado filme El Cielo Dividido e em 2009 dirigiu Rabioso Sol, Rabioso Cielo, que também ganhou o Prêmio Teddy, convertendo Julián Hernán- dez no único cineasta a ter recebido este prêmio em duas ocasiões. LONGAS O Modelo de Pickman 2014, cor, 10 min Na busca por obter o quadro de seu pintor favorito de arte macabra, Richard Pickman, o colecionador de arte Thurber Phillips descobre o mistério oculto na obra do ar- tista. Adaptação de uma história de H. P. Lovecraft. Direção, Roteiro, Produção, Direção de Fotografia, Direção de Arte e Edição: Pablo Ángeles Zuman Produtora: Instituto Mexicano de Cinema- tografía (IMCINE) Som: Sergio Díaz Música: Emiliano González Elenco: Christopher Smith, Gino Acevedo Pablo Ángeles Zuman Com licenciatura em Desenho de Comunicação Gráfica da Unidade Xochimilco da Universidad Autó- noma Metropolitana (UAM), foi premiado na 57ª entrega do Prê- mio Ariel da Academia Mexicana de Artes e Ciências Cinematográ- ficas (AMACC) na categoria de Melhor Curta-Metragem de Ani- mação para O Modelo de Pickman. CURTAS Principais prêmios: Diretor vence- dor de 2 prêmios Teddys no Festival de Berlim. Principais prêmios: Melhor curta de animação no Ariel 2015. Melhor curta de animação no Fes- tival de Guadalajara 2014.
  22. 22. 40 41 Nuvens Flutuantes 2014, cor, 14 min A piscina e a água aparecem como uma metáfora do entorno no qual se pode fer- tilizar a consciência, nela o corpo ágil e pleno se move ao ritmo de sua escolha, mas que ao ser julgado parcialmente por uma visão alheia, uma visão com o mesmo medo, mas sem o mesmo valor, criará um resposta intolerante e ofensiva. Direção: Julián Hernández Roteiro: Julián Hernández e Sergio Loo Produção: Hugo Espinosa, Roberto Fiesco, Ernesto Martínez Arévalo e Iliana Reyes Produtora: Mil Nubes Cine Direção de Fotografia: Alejandro Cantú Direção de Arte: Jesús Torres Torres Som: Carlos De la Madrid e Armando Nar- váez del Valle Edição: Emiliano Arenales Osorio Elenco: Alan Ramírez, Ignacio Pereda, Mauricio Rico Julián Hernández Consulte Eu Sou a Felicidade deste Mundo. CURTAS Ramona 2014, cor, 10 min Ramona, de 84 anos, anuncia que já está pronta para morrer. Porém, enquanto sua família cuida dos preparativos, ela muda de opinião. Direção: Giovanna Zacarías Roteiro: Ana Díaz Sesma e Giovanna Za- carías Produção: Roberto Fiesco, Hugo Espinosa, Ileana Reyes e Ernesto Martínez Arévalo Produtora: Instituto Mexicano de Cinema- tografía (IMCINE) Direção de Fotografia: Alejandro Cantú Direção de Arte: Jesús Torres Torres Som: Miguel Hernández Montero e Ar- mando Narváez del Valle Edição: Oscar Figueroa Música: Leo Heiblum e Jacobo Lieberman Elenco: Columba Domínguez, Gerardo Ta- racena, Ángeles Cruz, Mónica del Carmen, Roberto Sosa, Mayahuel del Monte, Xochi- quetzatl Rodríguez, Gustavo Terrazas Giovanna Zacarías Praticou ballet clássico até os 19 anos, quando optou por mudar de rumo e se dedicar ao teatro, onde estudou com o famoso di- retor Ludwik Margules. Sua pri- meira peça de teatro foi Sexual Perversity in Chicago, de Dabid Mamet, e sua estreia no cinema foi no papel protagonista do filme de Jaime Humberto Her- mosillo, Escrito en el Cuerpo de la Noche. Além da experiência em atuação, a jovem atriz foi aluna de roteiro do Centro de Capacitación Cinematográfica. Ramona é o seu primeiro filme. CURTAS Principais prêmios: Melhor curta de ficção no Ariel 2015.
  23. 23. 42 43 Presidenta da República Dilma Rousseff Ministro da Fazenda Nelson Barbosa Presidenta da CAIXA Miriam Belchior​​​​ CRÉDITOS Realização Luzes da Cidade – Grupo de Cinéfilos e Produtores Culturais Insensatez Audiovisual Curadoria Mateus Nagime Coordenação de Produção Aleques Eiterer Marília Lima Pedro Nogueira Produção de Cópias Raquel Rocha Assistência de Produção de Cópias Edgar Torres Editoração do Catálogo Aleques Eiterer Mateus Nagime Textos Jorge Magaña Larissa Jacheta Riberti Mateus Nagime Tradução de Textos Daniel Maggi Balliache Fabricio Felice Larissa Jacheta Riberti Revisão de Textos Daniel Maggi Balliache Joyce Cury Debate Fabián Núñez María Celina Ibazeta Tradução e Legendagem de Filmes Felipe Gonçalves Projeto Gráfico, Web Designer e Vinheta Inhamis Studio Assessoria de Imprensa Eduardo Vanini Redes Sociais Fausto Junior Registro Fotográfico e Videográfico Marília Lima Pedro Nogueira Fotografias Divulgação O Luzes da Cidade é composto por Aleques Eiterer Carlos Pernissa Júnior Marília Lima Nilson Alvarenga Pedro Nogueira Tarcísio Jorge Santos Pinto Agradecimentos Especiais Consul Linda Marina Munive Temoltzin Adolfo Zepeda Agradecimentos Alexandro Aldrete Anja Holland Arturo Ripstein Astrid Guger Boris Miramontes Bruna Haddad Carlos Reygadas Charles de Freitas Cosimo Santoro Daniel Carranza David Pablos Enrique Rivero Fabricio Felice Fernando Delgado Fernando Leon Giovanna Zacarías Gisela Esteban Real José Cohen Julián Hernández Julio Hernández Cordón Lariza Melo Louise Ralola Marco Spinnicchia Maria Aparecida Xavier de Lima Mariana Sobrino Marina da Costa Campos Marta Vidal Monserrat Sanchez Natalia Christofoletti Barrenha Nicolás Pereda Oscar Alonso Pablo Ángeles Zuman Pablo Delgado Paola Herrera Pierre Emö Ricardo Silva Rigoberto Pérezcano Roberto Fiesco Stephanie Fuchs Teresa Blanco Vanda Eiterer Youn Ji e todas as pessoas que nos ajudaram neste projeto
  24. 24. 44 Acesse caixacultural.gov.br Curta facebook.com/CaixaCulturalRioDeJaneiro Baixe o aplicativo CAIXA Cultural Realização Apoio Patrocínio

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