Apostar nas tecnologias para atrair talentos e investimento

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Apostar nas tecnologias para atrair talentos e investimento

  1. 1. Terça-feira4Outubro2011 DiárioEconómico I ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DO DIÁRIO ECONÓMICO Nº 5273 DE 04 DE OUTUBRO DE 2011 E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE JohnBanagan/GettyImages Cidades de Futuro ÉVORA Para José Ernesto d’Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Évora, o TGV não é fundamental, mas é necessária uma ligação de mercadorias que atravesse a Europa”. PÁG. II e III “É estruturante para Évora ter uma ligação ferroviária” Apostar nas tecnologias para atrairtalentos e investimento Dezenas de empresários marcaram presença no Fórum Évora – Cidades de Futuro. Leia as conclusões sobre o presente e o futuro da cidade e da região. PÁG. IV e V Empresários marcam presença no Fórum Cidades de Futuro O Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo vai acolher laboratórios de investigação da Universidade de Évora e pretende vir a instalar cerca de 30 empresas. PÁG. VI e VII Parque de Ciência e Tecnologia quer conquistar 30 empresas
  2. 2. II Diário Económico Terça-feira 4 Outubro 2011 PaulaNunes CIDADES DE FUTURO: ÉVORA A UNIVERSIDADE, o turismo, a indústria, a investigação, o desenvolvimento e a inovação têm vindo a mudar a face de Évora. O projecto InovCity, que fez da cidade a primeira metrópole portuguesa a receber uma rede inteligente de energia; a rede urbana Corredor Azul e o Parque de Ciência e Tecnologia prometem ser motores de um cluster regional que vai atrair mais pessoas e empresas. “Não fazemos questão do TGV, mas é necessária uma ligação de mercadorias” O presidente da Câmara de Évora afirma que tem uma “visão clara” sobre as potencialidades do Alentejo e enfatiza a ligação ferroviária de mercadorias. HUGO SIMÕES deconomico@economico.pt ão fazemos questão que seja de alta velocidade, mas é estrutu- rante uma ligação de mercado- rias que atravesse a Europa e que comece em Sines, com uma plataforma em Évora, mas também uma linha de passa- geirosqueligueLisboaaMadride,acimadetudo, que não exclua Évora de uma rede de cidades eu- ropeias importantíssima para o futuro”, enfatiza José Ernesto d’Oliveira, presidente da Câmara de Évora,ementrevistaaoDiárioEconómico. No contexto actual de turbulência e grande ins- tabilidade é possível fazer planos sólidos de mé- dio e longo prazo? Não direi que são planos de grande fiabilidade. A velocidade a que o mundo muda, e particular- mentenestecontexto,tornaquaseimpossívelfa- zerumplaneamentorigoroso,masqualquerges- toroupresidentedecâmaratemdeterhorizontes e traçar objectivos para os mandatos. O nosso planeamento é dirigido em torno de três grandes objectivos:continuaraafirmarÉvoracomocida- dedemédiadimensãoàescalanacional,capazde preservar o passado, a história e o património, mas acrescentando a modernidade e a inovação que garantirão um lugar no futuro; continuar a dotar a cidade de infra-estruturas que tornem atractivo o investimento – hoje Évora tem uma carteira de investidores muito significativa, em contra-ciclo-,eaapostanaspessoas. Évora foi, em 1995, pioneira na área do Planea- mento Urbano e Ordenamento do Território e na elaboração de um plano estratégico. No en- tanto, a região continua com sustentabilidade demográfica afectada.Como se explica isto? Évora é dos poucos municípios alentejanos que cresceram de população – Évora, Sines, Vendas Novas e, paradoxalmente, Alvito. Isto porque es- tes são concelhos onde têm aparecido oportuni- dades de emprego. O grande problema da deser- tificação do Alentejo é haver poucas oportunida- des de emprego, o que leva a que muitos jovens tenham de procurar outras paragens, nomeada- mente na Grande Lisboa. Évora tem funcionado como bolsa de resistência à desertificação, com crescimento a todos os níveis, e é uma capital re- gional na qual quase 15% da população está liga- da à Universidade. A localização geográfica tam- bématornacentral,aumahoradeLisboa. N A região disporá de novas infra-estruturas que potenciarão a logística do concelho e da cidade, reforçando o papel de Évora como líder no Alentejo… O nó intermodal de acessibilidades rodoviárias e ferroviárias pode e deve ter complemento com o AeroportodeBeja.Tenhoumavisãoclarasobreas potencialidades do Alentejo e penso que Évora tem o seu papel a desempenhar como grande centro urbano e universitário. Sines, pela sua es- pecificidade, com um porto de águas profundas, com uma plataforma de indústria pesada bastan- te significativa, tem um papel mais virado para a actividade portuária e para a localização da in- dústriapesada,eBejadeveseguirumcaminhode afirmação no âmbito das tecnologias doregadio – coisaqueaindaestáporfazer. Mas que avaliação faz dos últimos anúncios do Governo referentes à ligação ferroviária entre Portugal e Madrid? Mesmo em contra-ciclo, temos conseguido não parar e continuamos a ser procurados por inves- tidores, nomeadamente na área da aeronáutica. Pensamos, no entanto, que possa ser o Alentejo o sacrificado quanto a alguns projectos anunciados para Évora, como o TGV. Não fazemos questão que seja de alta velocidade, mas é estruturante uma ligação de mercadorias que atravesse a Eu- ropa e que comece em Sines, com uma platafor- ma em Évora, mas também uma linha de passa- geirosqueligueLisboaaMadride,acimadetudo, que não exclua Évora de uma rede de cidades eu- ropeias importantíssima para o futuro, fundada sobreasacessibilidadesferroviárias. Falamos da valorização da rede de cidades mé- dias da região Alentejo, bem como dos centros urbanos de influência supra-concelhia, como principal objectivo na senda de um sistema ur- bano integrado. É aqui que entra a Rede Corre- dor Azul? Sim, a Rede nasceu por vontade dos municípios e procuraestruturarodesenvolvimentodoAlente- jo em torno de uma coluna vertebral que o per- corre transversalmente, de Sines a Elvas, com aproveitamentodeespecificidades deSines,San- tiago do Cacém, Vendas Novas, Évora, Borba, Vila Viçosa e Elvas – um conjunto de cidades neste corredor que já têm uma base de identidade para o desenvolvimento. A rede parte do princípio de valorização e aproveitamento das potencialida- desdoterritório.■ ENTREVISTA JOSÉ ERNESTO D’OLIVEIRA , PRESIDENTE DA CÂMARA DE ÉVORA O ‘Fórum Évora – Cidades de Futuro, InovCity, Ciência e Tecnologia’, promovido pelo Diário Económico (DE) e pela Câmara Municipal de Évora com o apoio da EDP, decorreu no Hotel Mar D’Ar Aqueduto, dia 29 de Setembro, e foi aberto por José Ernesto d’Oliveira, presidente da câmara. O debate, sobre o presente e o futuro de Évora, abordou temas como o projecto InovCity; a rede inteligente; a mobilidade eléctrica; a rede Corredor Azul como atracção de população ao eixo entre Sines e Elvas, com intervenções de Augusto Medina, da Sociedade Portuguesa de Inovação, e de António Figueiredo, da Quartenaire Portugal. O fórum concluiu-se com a realização de uma mesa redonda dedicada ao Parque de Ciência e Tecnologia, com participações de representantes de Cisco, HP, Microsoft, Reditus, Glintt, ADRAL e EDP. Em entrevista ao DE, José Ernesto d’Oliveira reitera o paradigma a que tem sido fiel: “Évora é reconhecida desde 1986 como cidade património da humanidade, com tradição e história - um elemento estratégico para a cidade do futuro. Promovemos o património legado pelos nossos antepassados mas contribuindo com a inovação e a modernidade, garantindo um lugar no futuro. Esse é o segredo da estratégia.” Évora em detabe “
  3. 3. Terça-feira 4 Outubro 2011 Diário Económico III “ OPINIÃO: ??????????????????? ????????????????????????????? OS CORREDORES RODOVIÁRIOS E FERROVIÁRIOS existentes e planeados têm grande relevância para o desenvolvimento da região, como o cluster aeronáutico, a escola de pilotagem e duas fábricas de componentes para aviões da Embraer que estão quase concluídas e já começaram a contratar os cerca de 600 funcionários previstos. EM 2009 O ALENTEJO tinha cerca de 6,6% do PIB nacional e o rendimento per capita equivalia a 74% da média europeia. A região, com cerca de um terço do território nacional, soma 5% da população do País e mais ou menos a mesma proporção em termos de emprego. O distrito de Évora perdeu 6.220 pessoas em dez anos, de acordo com o último Censos2011, realizado pelo INE. “Évora tem capacidade para atrair empresas de altíssima tecnologia, como as duas fábricas de componentes aeronáuticos da grande multinacional Embraer, que escolheu Évora para implementar o seu grande projecto de afirmação para o século XXI. As fábricas de Évora utilizarão a mais moderna tecnologia existente e já estão a recrutar quadros para um sector em crescimento na região. A curto prazo irão ser anunciados mais investimentos na área de produção de componentes para a indústria aeronáutica, transformando progressivamente a nossa base industrial com o acrescento de um cluster aeronáutico, com tudo o que isso tem de inovação e capacidade de retenção, promovendo-se o aparecimento e crescimento de pequenas e médias empresas subsidiárias da grande âncora Embraer”, referiu José Ernesto d’Oliveira, presidente da CME. ÉVORA QUER EMPRESAS DE ALTA TECNOLOGIA Évora tem capacidade para atrair empresas de altíssima tecnologia, como as duas fábricas de componentes aeronáuticos da grande multinacional Embraer, que escolheu Évora para implementar o seu grande projecto de afirmação para o século XXI. As fábricas de Évora utilizarão a mais moderna tecnologia existente e já estão a recrutar quadros para um sector em crescimento na região. A curto prazo irão ser anunciados mais investimentos na área de produção de componentes para a indústria aeronáutica, transformando progressivamente a nossa base industrial com o acrescento de um cluster aeronáutico, com tudo o que isso tem de inovação e capacidade de retenção, promovendo-se o aparecimento e crescimento de pequenas e médias empresas subsidiárias da grande âncora Embraer. Questionado sobre a reforma da administração local, o Presidente da José Ernesto d’Oliveira sa- lienta que tem uma pecha: “não dedica uma pa- lavraàregionalização”. Até 2020 que principais oportunidades de des- envolvimento tem Évora no horizonte e que obstáculos se interpõem? Queremos levar tão longe quanto possível o des- envolvimento dos três pilares que referi. As prin- cipais dificuldades resultam de uma região sem grande tradição empresarial, com falta de recur- sos humanos, que não têm tido condições para se fixarem, e da falta de capital próprio que alavan- queodesenvolvimento. De que forma a câmara incentiva a fixação de empresas na região? Temos uma política que visa infra-estruturar as zonas de expansão para acolhimento empresarial e apenas vendemos lotes infra-estruturados. Quem demonstre interesse por terrenos indus- triais ou comerciais em Évora pode contar com a existência de oportunidades e disponibilidade de solos infra-estruturados, com todo o enquadra- mento de ordenamento territorial concluído e processos muito rápidos de concessão. Depois, temos também um regulamento de atribuição de lotes industriais que prevê várias formas de de- dução no preço destes terrenos e na isenção de impostos municipais, que, cumulativamente, pode chegar aos 90% de incentivo. Não podemos dar subsídios a entidades privadas, mas pode- mos, numa política de captação de investimento, fazer um desconto de 90% para quem assuma determinadas cláusulas como a exigência de que a empresa tenha sede em Évora, sendo o conce- lhoressarcidoporviadosimpostosdasempresas. Já manifestou concordância com propostas go- vernativas para a reorganização da administra- ção local e crê que pecam por tardias. Devia existir uma câmara única na região? Não. Há uma tradição municipalista no País que deve ser respeitada e penso que o poder local, em torno do poder municipal, tem contribuído de forma decisiva para o desenvolvimento do País como um todo, particularmente nas regiões do interior. Esta reforma administrativa tem, no en- tanto, uma pecha que lamento profundamente e que se revelará numa oportunidade perdida para contribuirparaaharmoniadonossoedifíciojurí- dico-constitucionaleparaaarticulaçãodevários patamares de poder: não dedica uma palavra à regionalização. Sou um regionalista convicto e pensoqueosmausexemplosnãodevemserutili- zados para pôr esse anátema sobre o grande con- ceito da regionalização. O País tem muito a ga- nhar com a regionalização e há formas muito simples de tornear problemas como o aumento daclassepolíticaedadespesaadministrativasem que se crie mais um monstro burocrático. A re- gionalização há-de impor-se e lamento se este Governo não der continuidade à credibilização desse projecto, prevendo-o, nesta nova reforma, como patamar intermédio entre os poderes cen- tralelocalparaganharumaescalaregional.■ “O País tem a ganhar com a regionalização” HUGO SIMÕES deconomico@economico.pt
  4. 4. IV Diário Económico Terça-feira 4 Outubro 2011 PUB CIDADES DE FUTURO: ÉVORA InovCity atrai investimento tecnológico A EDP já tem 26 mil clientes com os novos contadores. HUGO SIMÕES deconomico@economico.pt vora é a primeira cidade do País a implementar uma rede inteligente de energia (‘smart grid’), servindo de exemplo de sustentabilidade e tubo de ensaio ao País. InovCity é o nome do projecto da EDP, que já cobre 26 mil clientes com ‘EnergyBox’ em casa - o equipamento que subs- titui o tradicional ‘contador’ e permite aceder a serviços de telegestão. A rede inteligente, a mobilidade eléctri- ca e o InovCity como ponte para um cluster regional foram os temas de um debate em que António Aires Messias, adjunto do concelho de administração da EDP, sublinhou objectivos que “passam pela electrificação e por soluções que integram todos estes conceitos”. O “foco no consumidor final”; as “características diferenciado- ras pelo conjunto de funcionalidades disponibilizadas e de ‘stakeholders’ envolvidos”; a “vantagem competitiva de Évora por fazer parte das cidades-piloto que têm a rede de carrega- mento de veículos eléctricos” ou os verificados ganhos de efi- ciência após testes a cerca de 1.300 clientes foram argumentos do InovCity apresentados por Aires Messias. ■ É 1 2 3 Postos de veículos eléctricos são para aumentar No domínio da mobilidade eléctrica, a Câmara de Évora e a EDP já implementaram quatro pontos de abastecimento de veículos eléctricos. A rede continuará a desenvolver-se a par da rede inteligente de energia, que será o suporte das operações de carga e descarga dos veículos, salientou António Aires Messias. Fotos:PaulaNunes
  5. 5. Terça-feira 4 Outubro 2011 Diário Económico V PUB 1. Foram mais de 80 os participantes no evento. Muitos confraternizaram durante o coffee-break. 2. (Da esq. para a dir.) Manuel Silva da DECSIS, Rui Barroso da ADRAL, Nuno Dias da HP, Jorge Antunes também da DECSIS e Paulo Ramos da Bond. 3. (Da esq. para a dir.) Adriano Mendes da Contadores de Energia, SA, Joaquim Dias da 3 Marcos Fasterer Solutions e José Luz da Lobosolar. 4. (Da esq. para a dir.) José Marmé da EDP, Paulo Tomé da João Jacinto Tomé. 5. (Da esq. para a dir) Luis Cavaco da Glintt, Pedro Figueiredo também da Glintt e José Noites da Sómefe. 6. António García Salas, director da Escola de Negócios de Badajoz. > QUEM É QUEM 4 5 6 Assumindo que o desenvolvi- mento e a inovação têm de ser vistos “por uma hélice tripla en- tre universidade, empresas e Go- verno”, Manuel Cancela d’ Abreu, vice-reitor da Universi- dade de Évora, destacou que “os processos de transferência de tecnologia têm falhado quando apenas se baseiam na relação empresa-universidade, esque- cendo o território, o desenvolvi- mento da região e os interesses do Governo regional”. No debate sobre o projecto InovCity, o vice-reitor reportou- se ao conceito de “cidade incu- badora”, “pelo qual as universi- dades devem ter uma relação pri- vilegiada com a cidade onde se situam”, sustentando que essa “relação indutora” aumenta a “potencialidade de interacção com a indústria e atrai talentos” – algo que, segundo o responsá- vel, acontece em Évora e é condi- Apostar no conceito de cidade incubadora Para atrair novos empresários e criar nichos de mercado. ção “fundamental” para atrair e fixar talentos, mas também para “apostar em novos empresários, nichos de mercado e produtos”. Com a rede InovCity e a mobili- dade eléctrica, a Universidade pretende induzir o aparecimento de ‘start-ups’ e ‘spin-offs’ que venham a criar novos serviços que desenvolvam a rede e o ‘cluster’. A Universidade vai investir na criação de laboratórios para os quais já está a mobilizar inves- tigadores em áreas considera- das fundamentais como: enge- nharia mecatrónica; energias renováveis (sobretudo energia solar, podendo surgir um novo ‘cluster’ na zona); agricultura (mecanização agrícola, produ- zindo-se energia a partir de produtos agrícolas como a ja- tropha, e técnicas de utilização eficiente da água) e genética molecular. ■ H.S. MANUEL CANCELA D’ ABREU, Vice-reitor da Universidade de Évora “O Alentejo precisa, como de pão para a boca, de bons empresários com visão, que queiram aqui investir e utilizar as potencialidades que existem na região.
  6. 6. VI Diário Económico Terça-feira 4 Outubro 2011 PUB CIDADES DE FUTURO: ÉVORA Parque quer conquistar 30 empresas Oobjectivoétransferirconhecimentoentreaacademiaeasempresas. HUGO SIMÕES deconomico@economico.pt o terceiro painel do fórum foram debatidos, em mesa redonda, por representantes de ADRAL, HP, Glintt, Redi- tus, Cisco, Microsoft e EDP, os temas da atracção por Évora e pela região, bem como as suas potencialidades não exploradas no âmbito do Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo (PCTA). O PCTA, prestes a acolher laboratórios de in- vestigação da Universidade junto a uma incu- badora empresarial de iniciativa municipal com capacidade para a instalação de 30 em- presas, é visto como local ideal para promover a interligação e a transferência de conheci- mento entre o tecido empresarial e a acade- mia, num investimento de cerca de dez mi- lhões de euros a concluir até final do ano. A sociedade gestora do PCTA tem como accio- nistas a autarquia e a Universidade, que de- têm, cada qual, 45% do capital, sendo os res- tantes 10% distribuídos pelos institutos poli- técnicos de Beja, Portalegre e Santarém; ADRAL; Associação Nacional de Jovens Em- presários e uma entidade bancária. José Ernesto d’Oliveira, presidente da Câ- mara de Évora, afirma que a cidade “está em contra-ciclo e continua a afirmar-se”, sen- do “cada vez mais procurada por sectores de tecnologia de ponta, como a aeronáutica”. No entanto, empresas e Universidade ainda não estão em total sintonia. “Pedem-nos in- vestigação aplicada, mas as empresas não dizem o que precisam. Há ainda muita falta de diálogo”, afirmou o vice-reitor Manuel Cancela de Abreu, reforçando que as empre- sas têm de ser mais “proactivas em relação às academias e propor e patrocinar investi- gações”. ■ N A estratégia do PCTA na área das novas tecno- logias é coordenada pela ADRAL, que tem sido interlocutora junto dos parceiros envolvidos. Após o envolvimento no projecto Cidades Digi- tais em Évora, a ADRAL esteve na concretiza- ção do Centro de Tecnologia de Dados que levou à ligação de 14 concelhos por fibra óptica. Cria- ram-se então infra-estruturas que permitiram, já com Cisco e Microsoft, redefinir estratégias. Agora, Alfredo Barroso anuncia que a agência vai “criar um centro de ideias para estar em sintonia com os centros de investigação da Universidade”. Salientou a importância do tu- rismo, no âmbito da rede Corredor Azul”. ■ ADRAL vai criar um centro de ideias ALFREDO BARROSO Presidente da ADRAL A HP está a investir três milhões de euros num ‘data center’ em Évora, aproveitando as redes de infra-estruturas e a proximidade com Espa- nha. Segundo Carlos Leite, dois factores foram fundamentais para que a HP se implantasse no PCTA: “O dinamismo e especialização da Uni- versidade, que promoveu de forma proactiva as suas ideias e projectos, e as vias e redes de comunicação, com bons acessos e proximida- de de Espanha.” Na perspectiva de “entrar em mercados espanhóis, externalizando compe- tências e serviços”, o director vê a Estremadu- ra e a Andaluzia espanholas como deficitárias “do ponto de vista de empresas de IT”. ■ Investimento de três milhões para um ‘Data Center’ Natural de Évora, Mira Godinho admitiu ter in- fluenciado a tomada de decisão da Glintt ao ins- talar-se no PCTA, mas alinhou-a com uma es- tratégia de internacionalização na área de pres- tação de serviços de valor acrescentado. “Que- remos potenciar a nossa capilaridade em pro- víncias e cidades espanholas através do PCTA. Podemosdesenvolverprodutosparaanossarede espanhola,ondetemoscemparceirostecnológi- cos.” Mira Godinho lembrou que a Glintt é líder ibérica na prestação de serviços de sistemas de informação a farmácias e acrescentou que o PCTA “potencia a ligação ao meio académico e a criaçãodeprodutos,bensouserviços”.■ Uma aposta que passa pela internacionalização CARLOS LEITE Director de Grandes Clientes da HP MIRA GODINHO CEO da Glintt
  7. 7. Terça-feira 4 Outubro 2011 Diário Económico VII PUB A “qualidade dos recursos humanos e a atitude das autoridades locais” seduziram a Reditus, que desenhou, em 2006, uma estratégia de desen- volvimento de pólos fora de Lisboa, no entanto próximosde“universidadesquetivessemvalên- ciasparaotrabalhodaempresa”.MiguelFerreira sugere o aproveitamento da rede de empresas para a criação de “uma espécie de rede de côn- sules honoríficos da cidade que pudessem divul- gar as suas valências e captar investimentos in- ternacionais e parcerias que podem criar muito mais valor no domínio das tecnologias e dos ser- viços”. Miguel Ferreira apela à “divulgação in- ternacionalparacaptarmaisinvestimento”. ■ Criar uma rede internacional para gerar valor MIGUEL FERREIRA Administrador da Reditus A Cisco está em Évora desde o projecto Cidades e Regiões Digitais. “Évora foi um dos poucos lo- cais onde encontrámos uma preocupação com a região como um todo”, disse Paulo Malta, atri- buindo à ADRAL e à autarquia os louros pelos esforços desenvolvidos. “Competição por ta- lento e investimento, mais do que ser feita entre países, começa a ser feita entre cidades e re- giões. Há um conjunto grande de infra-estrutu- ras, de potencial e entrosamento entre as enti- dades locais”, afirma, embora alertando para “um grande esforço de promoção a fazer”, uma vez que “os agentes locais têm a percepção do que está feito, mas fora da região não se tem”. ■ Competir por talentos e investimentos “É notável a convergência de esforços entre instituições do ensino, uma agência de desen- volvimento regional com papel catalisador fulcral, o poder local e empresas de bases na- cional e multinacional interessadas em pro- moverem o desenvolvimento nacional e re- gional”, fez notar Rui Grilo, explicando que também a Microsoft teve no processo das Ci- dades e Regiões Digitais “uma boa oportuni- dade para que os interlocutores desenvolves- sem a relação de confiança e parceria revelada no PCTA”. Porque “Évora tem factores de atracção intangíveis que cativam”, salienta Rui Grilo. ■ “Évora tem factores de atracção que cativam” PAULO MALTA Dir. para o Sect. Público da Cisco RUI GRILO Director de Educação da Microsolft “Sucesso.” É assim que Manuel São Miguel de Oliveira qualifica o InovCity, que, na sua opi- nião, “passou a ser também um factor de atracção para Évora”. “Temos centenas de de- legações de variadíssimas entidades do mun- do que querem visitar Évora pelo InovCity”, adianta, certo de estar “na linha da frente” de “um projecto com integração muito superior às iniciativas em curso noutros países”. A EDP encontrou em Évora “qualidade de serviço técnico e prestação de serviços para oferecer a quem queira fixar-se” e aposta em seduzir os clientes enquanto agentes do sistema e produ- tores. A EDP sustenta “uma posição muito aberta”, procurando envolver entidades inte- ressadas e até outros operadores que criem serviços e valor na plataforma. ■ Uma empresa que atrai também outras SÃO MIGUEL DE OLIVEIRA Adjunto do Cons. Adm. da EDP Distribuição Fotos:PaulaNunes
  8. 8. PUBPUB

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