Política do tratamento do crack dr ronaldo

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Apresentação do Dr. Ronaldo Laranjeira durante o Seminário “O crack e o enfrentamento social, legal e político” realizado na Câmara Municipal de São Paulo em 18/04/11

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Política do tratamento do crack dr ronaldo

  1. 1. Política do tratamento do CRACK Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira Professor Titular de Psiquiatria da UNIFESP INPAD-CNPq - Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas
  2. 2. Que tipo de doença é a Dependência ? <ul><li>Dependência é uma doença cerebral crônica e recidivante </li></ul><ul><li>As drogas mudam o cérebro, mudam a estrutura de como funciona. Doença COMPLEXA </li></ul>
  3. 3. com cocaína
  4. 4. Importante <ul><li>O Cerebro pode ser reparado – Leva tempo </li></ul><ul><li>Dependência como qualquer outra doença, pode ser gerenciada, e a pessoa viver sem a droga </li></ul>
  5. 6. AMBULATÓRIOS GERAIS AMBULATÓRIOS DE ESPECIALIDADES UNIDADE COMUNITÁRIA DE SAÚDE MENTAL CADEIAS E PRISÕES UNIDADES PARA MENORES INFRATORES HOSPITAL GERAL PS & ENFERMARIAS HOSPITAL DE ESPECIALIDADES PS & ENFERMARIAS AMBULATÓRIO DE SAÚDE MENTAL HOSPITAL PSIQUIÁTRICO PS & ENFERMARIAS UNIDADE COMUNITÁRIA ÁLCOOL & DROGAS AMBULATÓRIO ESPECIALIZADO ÁLCOOL & DROGAS GRUPOS DE AUTO-AJUDA ENFERMARIAS DE DESINTOXICAÇÃO INTERNAÇÃO PROLONGADA CLÍNICAS DE TRATAMENTO COMUNIDADES TERAPÊUTICAS CENTROS DE EXCELÊNCIA PESQUISA, ENSINO & TRATAMENTO HOSPITAL-DIA SAÚDE MENTAL HOSPITAL-DIA ÁLCOOL & DROGAS ESCOLAS EMPRESAS MORADIA ASSISTIDA ÁLCOOL & DROGAS ALBERGUES Ambientes de tratamento posicionados de acordo com o nível de atenção à saúde ao qual estão destinados.
  6. 7. O Governo do Estado de São Paulo reconhece <ul><li>que o consumo do Crack se transformou num problema de saúde pública de primeira ordem </li></ul><ul><li>que medidas urgentes são necessárias para proteger os usuários e suas famílias dos efeitos dessa droga tão devastadora </li></ul><ul><li>que a dependência do CRACK em particular, é uma doença crônica e que necessita um tratamento com múltiplos recursos e de longo prazo </li></ul>
  7. 8. O Governo do Estado de São Paulo reconhece <ul><li>que além do tratamento a reinserção social de longo prazo é necessária </li></ul><ul><li>que alguns modelos de tratamento, já testados nos últimos anos pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) , poderão ser ampliados para todo o estado de São Paulo </li></ul>
  8. 9. O Governo do Estado de São Paulo reconhece <ul><li>que a participação do setor de auto-ajuda ( Narcóticos Anônimos, Grupos de Familiares, Organizações Comunitárias e Religiosas ) deve fazer parte central na organização dessa resposta </li></ul>
  9. 10. As bases da política para o CRACK <ul><li>O uso do CRACK nas ruas não será mais tolerado </li></ul><ul><li>Todo agente público, como políciais, assistentes sociais, agentes comunitários, deverão encaminhar, imediatamente, para os serviços de saúde </li></ul><ul><li>Os usuários identificados deverão ser monitorados pelos serviços de saúde para avaliar a adesão ao tratamento </li></ul>
  10. 11. As bases da política para o CRACK <ul><li>As famílias deverão receber todo o apoio necessário para ajudar os usuários do CRACK a permanecer em tratamento e no longo processo de recuperação </li></ul><ul><li>O sistema de internação deverá se organizar para receber os três tipos de internação previsto na Lei 10.216/2001 (voluntária, involuntária e compulsória) </li></ul>
  11. 12. Parcerias com a Comunidade Interessada <ul><li>É compromisso fundamental que o sistema de tratamento para os usuários de CRACK deverá estar aberto à influência e a participação ativa da comunidade, em especial os familiares </li></ul><ul><li>Todos os níveis de tratamento deverão ter como prioridade a ajuda às famílias de usuários </li></ul>
  12. 13. O Sistema de Tratamento, Reabilitação e Reinserção Social <ul><li>É preciso investir na estrutura de serviços </li></ul><ul><li>O sistema de tratamento , que visa a estabilização física e mental deverá trabalhar em sintonia com o setor de reinserção social , que visa uma vida sem drogas e a volta da plenitude das atividades acadêmicas, profissionais e familiares </li></ul>
  13. 14. O Sistema de Tratamento, Reabilitação e Reinserção Social <ul><li>O sistema formal de tratamento e reabilitação deverá trabalhar em sintonia com o sistema informal de autoajuda (Narcóticos Anônimos, Grupos de Familiares, Grupos Comunitários e Religiosos) </li></ul><ul><li>As escolas e os usuários mais jovens terão prioridade no atendimento </li></ul>
  14. 15. O Sistema de Tratamento, Reabilitação e Reinserção Social <ul><li>Uma parceria entre o sistema de saúde e o sistema judiciário deverá ocorrer para ajudar os usuários infratores, com o objetivo de evitar recorrer às prisões </li></ul><ul><li>Vários tipos de serviços deverão estar disponíveis, de uma forma regionalizada , a ponto de que num futuro próximo, cada região de cerca de 1-2 milhões de habitantes tenha acesso a todos os níveis de tratamento </li></ul>
  15. 16. Tipos de Serviços <ul><li>CAPS – AD </li></ul><ul><li>Programas Ambulatoriais – CRACK </li></ul><ul><li>Hospitais Dia </li></ul><ul><li>Prontos Socorros de Psiquiatria </li></ul><ul><li>Enfermarias Especializadas </li></ul><ul><li>Moradias Assistidas </li></ul><ul><li>Comunidades Terapêuticas </li></ul><ul><li>Serviços de Reinserção Social </li></ul>
  16. 18. UNIAD São Bernardo do Campo
  17. 19. Essa história começou com a... <ul><li>Melhoria e adequação de 30 leitos psiquiátricos pré-existentes dentro do Hospital Lacan </li></ul>Parceria entre a UNIFESP/ UNIAD, Grupo Bandeirantes e o Governo do Estado de São Paulo Inauguração oficial em 31 de março de 2009
  18. 20. PRINCIPAL PROPOSTA CLÍNICA Combinar várias estratégias terapêuticas de reconhecida evidência científica em um mesmo setting de internação.
  19. 21. ACOLHIMENTO HUMANIZAÇÃO
  20. 22. TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL <ul><li>A TCC procura capacitar o indivíduo a manejar conscientemente sua vida e sua relação com a droga (Edwards et al, 1999). </li></ul>Psicologia
  21. 23. GRUPO DE PREVENÇÃO DE RECAÍDA <ul><li>Ênfase no alcance e manutenção da abstinência </li></ul><ul><li>Participação ativa do paciente </li></ul><ul><li>Mudança de estilo de vida </li></ul><ul><li>(Marlatt e Gordon, 1993; Edwards et al, 1999) </li></ul>
  22. 24. TERAPIA MEDICAMENTOSA <ul><li>Neste contexto, a medicação passa ser vista como um incentivo a mudança, a ação, deixando de ser a mágica, mas apenas parte da mágica e da ciência voltada ao cuidado das pessoas (Zanelatto, 2009) </li></ul>
  23. 25. CUIDADOS E ATENÇÃO DA ENFERMAGEM
  24. 26. EDUCAÇÃO FÍSICA <ul><li>Resgatar qualidade de vida e desenvolver hábitos saudáveis... </li></ul>OMS, 1994
  25. 27. GRUPO DE 12 PASSOS (NA e AA) Conselheiros em Dependência Química
  26. 28. ABORDAGEM FAMILIAR INTEGRADA Auxiliar a família a desenvolver seu papel no processo de tratamento de seu familiar e resgata a esperança para uma nova possibilidade de vida para todos ( Skinner et al., 1983)
  27. 29. Ressocialização Preparar os pacientes para o começo de uma nova história fora do ambiente de internação...
  28. 30. 31/03/2009 a 31/03/2010 – 1 ano!!!
  29. 31. <ul><li>DADOS GERAIS </li></ul><ul><li>Número de pacientes internados até 13/02/2010 ( N= 233) </li></ul><ul><li>Idade Média = 35 ANOS (variando de 18 a 61 anos) </li></ul><ul><li>Taxa de re-internação: 7% (n=15 pacientes) </li></ul><ul><li>Tempo médio de internação: 45 dias </li></ul>Equipe UNIAD SBC
  30. 32. Diagnóstico Principal
  31. 33. Grau de satisfação com o serviço
  32. 34. <ul><li>1. Prolongar tempo de internação </li></ul><ul><li>2. Gostariam de ter mais atividades físicas como a musculação </li></ul><ul><li>3. Gostariam de ter mais atividades que pudessem exercer laborterapia ( horta, culinária) </li></ul><ul><li>4. Gostariam de ser acompanhados no pós alta pela mesma equipe. </li></ul>Principais sugestões dos pacientes e familiares
  33. 35. Clinica de Desintoxicação - BAIRRAL <ul><li>105 leitos no BAIRRAL </li></ul><ul><ul><li>30 leitos MULHERES </li></ul></ul><ul><ul><li>40 leitos HOMENS – álcool </li></ul></ul><ul><ul><li>35 leitos JOVENS – CRACK </li></ul></ul><ul><li>Equipe de saúde </li></ul><ul><ul><li>2 psiquiatras, 2 psicólogas, 1 Ass Social </li></ul></ul><ul><ul><li>6 conselheiros em Dependência Química </li></ul></ul><ul><li>EXPOSIÇÃO AOS 12 PASSOS </li></ul>
  34. 36. Atendimento médico
  35. 37. Ateliê de atividades
  36. 38. Atividades esportivas
  37. 39. Atividades esportivas
  38. 40. Reunião com Conselheiro - AA
  39. 41. Reunião terapêutica
  40. 42. Reunião com Conselheiro NA - Masc/Fem
  41. 43. Reunião com Conselheiro NA - Masc/Fem
  42. 44. <ul><li>Primeira fase: Diagnóstica </li></ul><ul><li>Consulta médica psiquiátrica + consulta de enfermagem + Consulta psicológica </li></ul><ul><li>Exames complementares (laboratoriais, neuropsicológico, etc) </li></ul><ul><li>Consultas médico clínico, neurologista </li></ul>PROJETO TERAPÊUTICO PROGRAMA AD AME VILA MARIA <ul><li>Segunda fase: aquisição </li></ul><ul><li>Atendimento psicológico individual e ou em grupo (terapia cognitivo comportamental e manejo de contigência) </li></ul><ul><li>Atendimento TO (palnejamento e organização do cotidiano) </li></ul><ul><li>Consultas de enfermagem </li></ul><ul><li>Atendimento de família (grupo ou individual) </li></ul><ul><li>Monitoramentodo uso (exame de urina) </li></ul>Gerenciamento de Caso: Monitoramento constante do tratamento , busca ativa
  43. 45. <ul><li>Dos 66 pacientes (crack) que passaram pelo ambutário, 41 estão em tratamento </li></ul><ul><li>62, 1% </li></ul><ul><li>25,8 % dos pacientes atendidos são dependentes de crack (n=66) </li></ul>Em 6 meses:
  44. 46. Moradia Assistida <ul><li>É a Comunidade Terapêutica no meio urbano </li></ul><ul><li>Abriga até 15 “pessoas em recuperação” </li></ul><ul><li>Regra de ouro “abstinência total” </li></ul><ul><li>Casa auto-sustentada </li></ul><ul><li>Participação diária em grupos AA/NA </li></ul><ul><li>Modelo “sober house” da Califórnia </li></ul>
  45. 52. Ampliação dos Serviços Blog de Dependência Química: Destinado à classe médica e a pesquisadores, supervisionado diariamente pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira Blog Jogo Limpo: Destinado aos pais e educadores Blog Se Liga!: Destinado aos jovens A equipe profissionais da UNIAD estará à disposição para sanar dúvidas, receber notícias e informações referentes à adolescência, educação de filhos, dependência química, entre outros temas. www.uniad.org.br

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