Modernismo brasileiro

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Modernismo brasileiro

  1. 1. Século XX no Brasil - Modernismo
  2. 2. Século XX no Brasil - ModernismoO começo do século XX no Brasil foi marcadopor fatos que mudaram sua história. Dentre elesdestacam-se o início da produção industrial e avinda de grande número de imigrantes dediversos países. Como consequência o paísassistiu a um expressivo crescimento econômicoe as grandes transformações sociais, resultantesdo convívio com diferentes culturas.
  3. 3. Uma nova arte brasileiraNesse contexto de grandes mudanças sociaiscomeçou a se desenvolver uma nova arte brasileira,a princípio na literatura. Escritores como Oswald deAndrade, Menotti dell Picchia, Mário de Andrade, osartistas brasileiros deveriam ter como ponto departida as raízes nacionais. Assim, ele passou aexpor nos jornais suas ideias renovadoras e aparticipar de grupos de artistas unidos em torno deuma nova proposta para a arte brasileira.
  4. 4. Essa nova busca por novos caminhos ganhou forçacom a Semana de Arte Moderna, realizada emfevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo.No evento foram apresentados concertos econferências, além de exposições de artistasplásticos.
  5. 5. Lasar SegallAntes do Movimento Modernista de 1922, foiLasar Segall (1891-1957) que proporcionou aoBrasil o primeiro contato com a arte europeiamais inovadora. Segall nasceu na Lituânia eestudou pintura na Alemanha, para onde semudou em 1906. em 1912 esteve nos PaísesBaixos e em 1913 veio ao Brasil, onde expôs suapintura já com nítidas característicasexpressionistas. Essa exposição foi um dosacontecimentos precursores da arte moderna noBrasil.
  6. 6. Lasar Segall retornou ao Brasil em 1924 em 1924 efixou residência em São Paulo. A partir daí suapintura assumiu aspectos mais próximos darealidade brasileira.
  7. 7. Segall expõe no BrasilObserve nesta obra o desenho anguloso e ascores fortes com que o artista representa as duasmulheres. São características próprias do pintornessa fase de uma produção artística.
  8. 8. Duas amigas (1913), de Lasar Segall. Dimensões: 85 cm X 79 cm.Museu Lagar Segall.
  9. 9. O Brasil de SegallObserve nesta obra as cores e a luminosidadecom que o artista representa um meninosegurando uma lagartixa. Ao que parece, umpaís ensolarado como o nosso teve reflexos emsua pintura. Veja também como o artista destacaapenas as folhas para representar as árvoresque fazem fundo à cena. É como se as folhas,com seu verde intenso, fossem o elemento maisimportante das árvores.
  10. 10. Menino com lagartixas (1917), de Lasar segall. Museu Lasar Segall.
  11. 11. Anita MalfattiA exposição de Lasar Segall em 1913 nãocausou polêmica. Afinal, tratava-se do trabalhode um “estrangeiro”, que teria, portanto, o“direito” de apresentar uma arte estranha aogosto brasileiro. Mas com a exposição da pintorabrasileira Anita Malfatti (1889-1964) a reação foidiferente.
  12. 12. Malfatti, que nasceu em São Paulo e aí realizouseus primeiros estudos de pintura, teve grandeimportância nos fatos que antecederam oMovimento Modernista de 1922. Em 1912 foi paraAlemanha, onde frequentou a Academia de Belas-Artes de Berlim. Em 1914, de volta ao Brasil,realizou sua primeira exposição individual, mas suaexposição mais famosa foi a de 1917, que provocoupublicações de uma artigo com severas críticas porparte de monteiro Lobato. Nessa mostra figuram,por exemplo, A mulher de cabelos verdes e Ohomem amarelo, que se tornaram marcos da pinturabrasileira.
  13. 13. Com as críticas desfavoráveis a Anita Malfatti,muitos artistas uniram-se a ela em busca de umaarte brasileira livre das regras impostas peloacademicismo. Eis a grande importância histórica deMalfatti, ao ser criticada, chamou a atenção dosartistas inovadores e revelou que sua arte apontavanovos caminhos, principalmente no uso da cor.
  14. 14. O polêmico trabalho de MalfattiHoje essas obras de Anita Malfatti não assustamnem causam estranhamento. Em 1917, porém, amulher de rosto anguloso e cabelos verdes e estehomem pintado de amarelo causaram espanto. Naépoca, em geral, pensava-se que a arte – emparticular a pintura – deveria imita a realidade. Umpintor não poderia alguém com cabelos verdes oupele exageradamente amarela, pois ninguém éassim na realidade. Essa foi justamente uma dasnovidades trazidas pela arte moderna: a ideia deque o artista deve ter total liberdade de imaginaçãoe não se deixar limitar pela realidade.
  15. 15. O homem amarelo (1915), de AnitaMalfatti. Dimensões: 61 cm X 51 cm.A mulher de cabelos verdes (1915),de Anita Malfatti. Dimensões: 61 cm X51 cm. Colação particular.
  16. 16. Di CavalcantiDepois das exposições de Segall eMalfatti, começou a desenvolver-se a ideia deuma mostra coletiva com o que havia de maisatualizado no país. Entre os artistas interessadosnisso estava o pintor Di Cavalcanti, um dosincentivadores da Semana de Arte Moderna de1922.
  17. 17. Cartaz da Semana de Arte Moderna, 1922.
  18. 18. Di Cavalcanti (1897-1976), chamado EmilianoAugusto Cavalcanti de Albuquerque Melo, viveu naEuropa e conheceu os artistas mais notáveis daépoca. Na década de 1940 sua arte, jáamadurecida, conquistou espaço definitivo napintura brasileira. Em sua obra destaca-se apresença da mulher negra, como podemos ver emNascimento de Vênus.
  19. 19. Nascimento de Vênus (1940),de Di Cavalcanti.Nascimento de Vênus, de Botticelli.
  20. 20. Di Cavalcanti e a mulher negraEssa obra é uma referência à famosa pintura deBotticelli que representa o nascimento de Vênus,a deusa da beleza, em uma concha sobre o mar.
  21. 21. O trabalho de Di Cavalcanti foi influenciado pordiversos pintores, como Picasso, Gauguin, Matissee Braque, mas ele transformou essa influência emuma produção muito pessoal, associada aos temasnacionais. É assim, por exemplo, em Pescadores.
  22. 22. Pescadores (1951), de Di Cavalcanti.
  23. 23. O Brasil de CavalcantiObserve como essa cena é típica do Brasil: ocasal de pescadores que vende seu produtopróximo ao mar, as pessoas ao fundo comtabuleiros sobre a cabeça. São personagens quenos lembram pessoas que vemos na cidadeslitorâneas do país. As cores e as formas que DiCavalcanti dá a elas, porém, não são realistas;são escolhas dele.
  24. 24. A geometria em Vicente do RegoMonteiroObserve nas duas obras um aspectocaracterístico da pintura de Vicente do RegoMonteiro: tanto em um como em outra, arepresentação dos corpos está próxima deformas geométricas. Isso dá ao observador aideia de volume e não de uma superfície plana,como é o caso da pintura.
  25. 25. O menino e a ovelha (1925),de Vicente do Rego monteiro.Atirador de arco (1969), deVicente do Rego Monteiro.
  26. 26. Vicente do Rego MonteiroVicente do Rego Monteiro (1889-1970) nasceuem Recife e , aos 12 anos, foi estudar pintura naEuropa. Aos 14 anos, já participava do SalãoIndependente, em Paris. Voltou ao Brasil em1917 e participou da Semana de 1922. Depoissua vida alternou-se entre a França e o Brasil. NaFrança recebe críticas favoráveis e teve obrasadquiridas por importantes Menino e ovelha eAtirador de arco.
  27. 27. Tarsila do AmaralCom Tarsila do Amaral (1886-1973), nascida emCapivari, estado de São Paulo, a pinturabrasileira começa a procurar uma expressãomoderna, porém mais ligada às nossas raízesculturais. Ela não participou da Semana de ArteModerna de 1922, mas colaborou decisivamentepara a arte moderna brasileira.
  28. 28. Sua carreira artística começou em 1916. Em 1920foi para Europa, onde estudou com mestresfranceses até 1922. No mesmo ano veio ao Brasil,mas em 1923 voltou à Europa, onde passou pelainfluência impressionista e, depois cubista. Nessafase ligou-se a importantes artistas do modernismoeuropeu, como Picasso e Brancusi.
  29. 29. No ano seguinte, novamente no Brasil, iniciou-se afase a que se deu nome de pau-brasil,caracterizada, segundo o crítico Sérgio Milliet (1898-1966), pelas “cores ditas caipiras, rosas e azuis, asflores do baú, a estilização geométrica das frutas eplantas tropicais, dos caboclos e negros, damelancolia das cidadezinhas, tudo isso enquadradona solidez da construção cubista”. É o que pode serobservado em O mamoeiro.
  30. 30. A fase pau-brasil de TarsilaObserve na imagem o emprego, em áreas bemdelimitadas, das cores azuis, rosa, verde eamarelo. Note a estilização na representação depessoas, casas plantas e frutas: tudo estáreduzido e seus traços essenciais, lembrandofiguras geométricas, como círculos, retângulos etriângulos. Veja também a simplicidade e atranquilidade da cidadezinha representada nacena.
  31. 31. O mamoeiro (1925), de Tarsila do Amaral
  32. 32. As obras que Tarsila produziu na década de 1930expressam a preocupação com os problemassociais e com os trabalhadores. Um exemplosignificado desse tema é o quadro Operários.
  33. 33. O trabalho segundo TarsilaObserve o modo como a pintora expressa omundo do trabalho: um grande número de rostoscolocados lado a lado, todos sérios; nenhumsorriso, pois a preocupação não deixa lugar paraa alegria. São pessoas que nos olham fixamentecomo a nos lembrar que é duro o trabalho nasfábricas, presentes na obra sob a forma de umprédio austero e chaminés cinzentas.
  34. 34. Operários (1933), de Tarsila do Amaral.
  35. 35. Vitor Brecheret: a escultura brasileirase modernizaFoi graças principalmente a Vitor Brecheret(1894-1955) que, na década de 1920, a esculturabrasileira ganhou um aspecto mais moderno. Asobras de Brecheret afastaram-se da imitação darealidade e ganharam expressão e formasgeométricas, de linhas simples.
  36. 36. Brecheret produziu muito e criou obras gigantescas,como Monumento a Caxias e seu mais conhecidotrabalho, Monumento às bandeiras, cuja maqueteapresentou em 1920. Mas ele também assinoupeças delicadas, como Bailarinas e Tocadora deguitarra.
  37. 37. A grandiosidade do granitoEssa escultura de granito composta por 37figuras é uma referência às bandeiras,expedições armadas que, do século XVI aoséculo XVIII, partiram principalmente de SãoPaulo em direção ao Sertão para capturarindígenas e procurar minas de ouro e pedraspreciosas. Note a impressão de força e solidezque o conjunto desperta no observador.
  38. 38. Monumento às bandeiras (1936- 1953), de Vitor Brecheret.
  39. 39. Bailarina (década de 1920), de Vitor Brecheret.Tocadora de guitarra(1923), de Vitor Brecheret.
  40. 40. A arte brasileira após a Semana deArte ModernaDepois da Semana de 1922 ganharam destaquenovos artistas plásticos que valorizam a culturabrasileira. Dentre eles destacam-se os pintoresPortinari, Cícero Dias, Rebolo e Volpi e o escultorBruno Giorgi.
  41. 41. Cândido PortinariNo início da 1920 Cândido Portinari (1903-1962)foi aluno da Escola Nacional de Belas-Artes. Em1933, depois de uma viagem de estudos aoexterior, foi viver em Brodósqui, onde nasceu, nointerior de São Paulo. Iniciou, então, suaexperiência com a pintura mural, que seriaimportante em sua obra. Nos famosos muraisque pintou em 1938 para o então Ministério daEducação e Saúde, já aparecem os aspectos queo tornaram internacionalmente conhecido.
  42. 42. O corpo humano sugerindo volume e os pésenormes, que transmitem a sensação de que asfiguras se relacionam intimamente com a terra,sempre representa em tons muito vermelhos.Portinari retratou retirantes nordestinos, cangaceirose temas históricos. Dentre estes destacam-se osgrandes painéis de Tiradentes, hoje no Memorial daAmérica Latina, em São Paulo, o painel a Guerra ePaz, pintado em 1957 para a sede da ONU. Ainfância em Brodósqui também esteve presente emsua obra.
  43. 43. Imagem da infânciaObserve na imagem as cores alegres das pipas edas roupas das crianças em contraste com overmelho-escuro da terra. Note também aimpressão dos movimentos nas mãos e nosbraços dos meninos e nas roupas, como agitadaspelo mesmo vento que impulsiona as pipas.
  44. 44. Meninos com pipas (1947), de Cândido Portinari.
  45. 45. O trabalho duroObserve na imagem as figuras humanas: os pése as mãos são bastante grandes; o corpo sugerevolume. Esses detalhes revelam o trabalho duronas plantações de café, que exige força e ignoraa fraqueza real das pessoas.
  46. 46. Café (1934), Cândido Portinari.
  47. 47. Bruno GiorgiBruno Giorgi (1905-1993) nasceu em Mococa,interior de São Paulo, mas ainda criança foi coma família em Roma. Só voltou ao Brasil no fim dadécada de 1930, quando aderiu ao MovimentoModernista. Na década de 1950 passou avalorizar em suas esculturas a sugestão demovimentos e vazios, e a harmonizar linhascurvas e formas angulares. No fim dessa mesmadécada começou a usar o bronze e a criar figurasdelgadas. É dessa época, por exemplo, a obraOs guerreiros, criada para a praça dos TrêsPoderes, em Brasília.
  48. 48. Na década de 1960 Bruno Giorgi introduziu duasinovações em sua obra: a forma geométrica no lugardas figuras humanas e o mármore branco em lugardo bronze. É o que podemos observar, por exemplo,na obra Meteoro.
  49. 49. Os volumes e os vaziosNote como estas figuras de bronze sãoalongadas e delgadas. Observe os espaçosvazios entre as duas esculturas, posicionadaslado a lado: eles também compõem uma forma.Esse era um dos princípios da esculturamoderna: os volumes e os vazios dão forma àcriação do artista.
  50. 50. Os guerreiros (Candangos) (1995),de Bruno Giorgi.
  51. 51. A impressão da levezaObserve que nessa obra de linhas curvas e retasexistem volumes e espaços vazios. Graças aessa composição temos a impressão de umobjeto muito leve flutuando no espelho-d’água.Na verdade, porém, estamos diante de uma obrafeita em mármore; portanto, bastante pesada.
  52. 52. Meteoro (1967), de Bruno Giorgi.

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