Conflitos na Ucrânia
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Conflitos na Ucrânia Conflitos na Ucrânia Document Transcript

  • PROF. CADU GEOGRAFIA/ATUALIDADES 2014 Entenda os conflitos e protestos na Ucrânia No fim de 2013 e início de 2014 surgiu uma onda de protestos na Ucrânia, com intensas manifestações contra o governo do país. Pneus queimando em um distrito governamental em Kiev, durante protestos na Ucrânia.* Desde novembro de 2013 ocorreu uma onda de protestos na Ucrânia contra o governo do presidente Viktor Yanukovych, principalmente na praça da Liberdade (Maidan), no centro da capital Kiev. O motivo principal seria o fato de Yanukovych ter decidido que o país não assinaria o acordo com a União Europeia, pretendendo reforçar as relações com a Rússia. Prédios públicos foram ocupados, barricadas foram erguidas na capital Kiev e dezenas de mortes foram verificadas desde o início dos conflitos, evidenciando a violência dos protestos. Há ainda uma série de fatores que tem levado as pessoas às ruas, como a crise econômica, a desigualdade social, a corrupção, o sucateamento dos serviços sociais, a pobreza e o desemprego, além da forte repressão policial que se verificou contra os manifestantes. O conflito interno na Ucrânia está relacionado com divisões geográficas e culturais do país. A Ucrânia Central e Ocidental é mais próxima à Europa e é onde existe uma tradição cultural ucraniana. A Ucrânia do Sul e Oriental é mais próxima à Rússia e sua população é de maioria russa. Essa divisão traduz-se no apoio ou não do presidente Viktor Yanukovych, já que os ucranianos do centro e do ocidente são os principais opositores do regime, e o apoio ao presidente estaria nas regiões orientais e sul. Tais divisões expressam-se ainda em diferentes vertentes de nacionalismo. Isso possivelmente explica que parte dos líderes dos protestos seja de direita e de extrema-direita, muitos simpatizantes do fascismo e do nazismo. O mais organizado é o partido Svoboda (Liberdade), com células de ativistas em várias regiões. Há ainda uma coalizão de grupos neonazistas denominados Setor Direita, que ganharam bastante apoio após os
  • enfrentamentos na praça da Independência. Individualmente, o principal nome da oposição é o ex-campeão de boxe Vitali Klitschko, líder do movimento chamado Udar (soco), possível candidato à presidência em 2015, com o lema “um país moderno com padrões europeus”. Outra liderança da oposição a Yanukovych é a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, presa desde 2011, em decorrência de acusações de abuso de poder, durante a realização de um acordo sobre gás com a Rússia, em 2009. Policiais e manifestantes frente a frente nas ruas de Kiev, durante os protestos na Ucrânia.** A situação na Ucrânia está ainda em aberto, principalmente graças ao fato de ser um país industrializado e também por passarem em seu território gasodutos que fornecem o combustível à Europa, transformando assim os protestos em foco de interesse de potências ocidentais e da Rússia. Possivelmente, nos próximos vestibulares, o que pode ser abordado nem seja a situação atual da Ucrânia, mas talvez alguns momentos de sua história. Mais próxima no tempo está a chamada Revolução Laranja, ocorrida em 2004. Foi um movimento relacionado com as eleições daquele ano, que se polarizaram entre Viktor Yushchenko, um político ligado ao Ocidente, e o próprio Viktor Yanukovych, apoiado pelo presidente à época, Leonid Kuchma, e pró-Rússia. Havia sérias críticas à corrupção no governo de Kuchma, e a candidatura de Yushchenko era uma possível alternativa a essa situação. As denúncias de fraudes das eleições em favor de Yanukovych levaram a Suprema Corte do país a decidir por um novo segundo turno. Grandes manifestações tomaram as ruas e greves ocorreram nas empresas. Yushchenko sofreu envenenamento por dioxina, que não o matou, mas deixou sequelas em seu rosto. Em face do acirramento dos protestos, nova eleição foi realizada, garantindo a vitória de Yushchenko. A Revolução Laranja foi uma tentativa de colocar no poder políticos não mais diretamente ligados à influência russa. Isso possivelmente ocorreu pelo fato de a Ucrânia, durante muitas décadas, estar inserida nas estruturas do Estado Russo.
  • Desde o século XVIII, a Ucrânia fazia parte do território do Império dos czares russos e assim foi até a Revolução Bolchevique de 1917. No ano posterior, a Ucrânia conseguiu sua independência e setores sociais ucranianos foram fundamentais para a derrota das tropas do Exército Branco, que pretendiam acabar com o processo revolucionário. Na luta contra os Brancos, destacaram-se principalmente os camponeses liderados por Nestor Makhno. Entretanto, em 1924, a República Socialista Soviética da Ucrânia aderiu à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e nessa estrutura permaneceu até o colapso do chamado comunismo soviético em 1991. Nesse ano, uma nova independência foi conseguida, dando nome ainda à praça Maidan, onde estão ocorrendo os protestos em 2013 e 2014. Apesar de terem conseguido uma intensa industrialização na órbita soviética, os ucranianos vivenciaram períodos de graves problemas sociais. Durante o período da chamada coletivização das terras, na década de 1930, houve intensa resistência camponesa, e a requisição forçada de cereais por parte do governo soviético resultou na morte de cinco milhões de pessoas. O outro caso que pode ser citado foi o acidente nuclear na usina de Chernobyl, em 1986, que atingiu principalmente o território ucraniano, bielorrusso e russo, resultando na evacuação de grandes extensões de terras. Manifestante lança um coquetel-molotov durante protestos na Ucrânia.* A independência em 1991 fortaleceu também as tendências políticas nacionalistas, que tentam afastar o país da influência russa. Nesse sentido, a situação de conflito que se verifica atualmente na Ucrânia está ligada a esse histórico do país, de subordinação à Rússia, por um lado, e de tentativa de criar uma política nacionalista independente e próxima das instituições políticas da Europa Ocidental, de outro. Porém, a força que vêm demonstrando os grupos de extrema-direita indica a constituição de um cenário em que o autoritarismo, ou talvez o fascismo, seja o grande vencedor.