Ler e escrever na escola

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Ler e escrever na escola

  1. 1. Ler e escrever na escolaLer e escrever na escola O real, o possível e o necessário Délia Lerner Editora Artmed Profª: M. Bárbara Floriano
  2. 2. Ler e escrever na escola: o real, oLer e escrever na escola: o real, o possível e o necessáriopossível e o necessário Ensinar a ler e a escrever é um desafio que vai além da alfabetização. É um desafio que a escola tem de incorporar todos os alunos na cultura do escrito e conseguir que esses tornem-se membros da comunidade detornem-se membros da comunidade de leitores e escritores. Para que todos os alunos tornem-se praticantes da cultura escrita é preciso reconceitualizar o objeto de ensino, tomando como referência as práticas sociais de leitura escrita.
  3. 3. O necessário é fazer da escola uma comunidade de leitores que recorrem aos textos buscando respostas para os problemas que precisam resolver . O necessário é fazer da escola uma comunidade de escritores que produzem seus próprios textos para mostrar suas ideias. O necessário é fazer da escola um âmbito onde leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler ee escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir. ( LERNER, p. 18)
  4. 4. O necessário e o realO necessário e o real Necessário= preservar o sentido do objeto de ensino para o sujeito da aprendizagem. Real= levar à prática o necessário é uma tarefa difícil para a escola.Antes de formular soluções éaprendizagem. Preservar na escola o sentido que a leitura e a escrita têm como práticas sociais. formular soluções é preciso enunciar e analisar as dificuldades.
  5. 5. A tarefa é difícil porque:A tarefa é difícil porque: 1) A escolarização das práticas de leitura e de escrita apresenta problemas árduos; 2) Os propósitos que se perseguem na escola ao 4) A necessidade institucional de controlar a aprendizagem leva a por em primeiro plano somente os aspectos mais acessíveis à avaliação; 5) A maneira como seperseguem na escola ao ler e escrever são diferentes dos que orientam a leitura e a escrita fora dela; 3) A inevitável distribuição dos conteúdos no tempo pode levar a parcelar o objeto de estudo; 5) A maneira como se distribuem os direitos e obrigações entre o professor e os alunos determina quais são os conhecimentos e estratégias que as crianças têm ou não têm oportunidade de exercer e, quais poderão ou não exercer.
  6. 6. Dificuldades envolvidas naDificuldades envolvidas na escolarização das práticasescolarização das práticas Por serem atividades práticas, a leitura e a escrita oferecem resistência tanto à análise como à programação sequencial, portanto são atividades que dificultam sua escolarização.escolarização. Além disso são atividades aprendidas por participação nas atividades de outros leitores e escritores. Portanto, não é simples determinar com exatidão o que, como e quando os sujeitos aprendem.
  7. 7. Instaurar a leitura e a escrita na escola supõe enfrentar e encontrar caminhos para resolver a tensão entre mudança e conservação e a função explícita de democratizar o conhecimento e a função implícita de reproduzir a ordem social estabelecida.
  8. 8. Tensões entre os propósitos escolares eTensões entre os propósitos escolares e extraextra-- escolares da leitura e da escritaescolares da leitura e da escrita Na escola não são “naturais” os propósitos que nós perseguimos fora dela. Usar a leitura e a escrita para nos comunicarmos com alguém distante é um exemplo de propósito que perseguimos fora da escola e isso fica relegado ou até excluído da escola, que trata a leitura e a escrita em primeiro plano com propósitos didáticos. escola, que trata a leitura e a escrita em primeiro plano com propósitos didáticos. Tal situação cria uma divergência, pois se a escola ensina a ler e escrever com o único propósito de que os alunos aprendam a fazê-lo eles não o aprenderão para outras finalidades. E se a escola assume os propósitos sociais de leitura e escrita abandona sua função ensinante.
  9. 9. Relação saberRelação saber-- duração versusduração versus preservação do sentidopreservação do sentido A estrutura do ensino é feita conforme um eixo temporal único, segundo uma progressão linear, acumulativa e irreversível. Essa organização do tempo no ensino entraEssa organização do tempo no ensino entra em contradição com o tempo de aprendizagem, que não é linear e com a natureza das práticas de leitura e escrita, que resistem ao parcelamento e à sequenciação.
  10. 10. Tensão entre duas necessidadesTensão entre duas necessidades institucionais: ensinar e controlar ainstitucionais: ensinar e controlar a aprendizagemaprendizagem Devido a responsabilidade assumida pela escola ela necessita conhecer os resultados de seu funcionamento e essa necessidade costuma ter consequências indesejadas: como se tentar exercer controle sobre acomo se tentar exercer controle sobre a leitura, se lê somente para que o professora avalie a compreensão e a fluência em voz alta; como a avaliação é baseada naquilo que é “correto ou incorreto”, a ortografia ocupa lugar mais importante que problemas mais graves envolvidos no processo de escrita.
  11. 11. É aqui que se cria um conflito de interesses entre o ensino e o controle: se o ensino é colocado em 1º plano é preciso renunciar ao controle; se o controle das aprendizagens é colocado em 1º plano, é preciso renunciar o ensino de aspectos essenciais das práticas da leitura e escrita. Uma outra dificuldade é advinda da distribuição de direitos e obrigações entre o professor e os alunos. O que fazer na escola para que o sentido da leitura e daO que fazer na escola para que o sentido da leitura e da escrita tenha o mesmo sentido que fora dela? O possível é criar situações didáticas que permitam por em cena uma versão escolar da leitura e da escrita mais próxima da versão social dessas práticas.
  12. 12. Escolarização das práticas sociaisEscolarização das práticas sociais Em 1º lugar é preciso formular como conteúdos do ensino não só os saberes linguísticos como Em 2º lugar é possível articular os propósitos didáticos com os propósitos comunicativos quelinguísticos como também as tarefas do leitor e do escritor. comunicativos que tenham correspondência com os que orientam a leitura e a escrita fora da escola.
  13. 13. Resolvendo o paradoxo...Resolvendo o paradoxo... Uma das formas de resolver esse paradoxo é trabalhar com projetos, pois eles permitem que Os projetos também favorecem o desenvolvimento de estratégias de auto controle da leitura eeles permitem que todos os integrantes da classe orientem suas ações para uma finalidade compartilhada. controle da leitura e da escrita por parte dos alunos e abre as portas da classe para um nova relação entre o tempo e o saber.
  14. 14. Atenção !!!Atenção !!! Trabalhar apenas com projetos não resolve o problema da relação tempo- saber que considere o tempo da aprendizagem e preserve o sentido do objeto de ensino.preserve o sentido do objeto de ensino. Para consegui-lo é necessário articular muitas temporalidades diferentes,ou seja, diferentes tipos de atividades.
  15. 15. Quando há conflito entre o que é necessário para que as crianças aprendam e o que é necessário para controlar a aprendizagem, é indispensável optar pela aprendizagem. É preciso proporcionar aos alunos oportunidades de autocontrolar o que estão compreendendo ao ler e de criar estratégias para ler cada vez melhor, embora isso torne mais difícil conhecer os erros e acertos produzidos em sua primeira leitura. É preciso delegarproduzidos em sua primeira leitura. É preciso delegar (provisoriamente) às crianças a responsabilidade de revisar seus escritos, permitindo assim que se defrontem com problemas de escrita que não poderiam descobrir, se o papel de corretor fosse sempre assumido pelo professor. Analisar e enfrentar o real é muito duro, mas é imprescindível quando se assumiu a decisão de fazer tudo o que é possível para alcançar o necessário: formar todos os alunos como praticantes da cultura escrita.
  16. 16. Para transformar o ensino da leituraPara transformar o ensino da leitura e da escritae da escrita Qual é o desafio? O desafio é formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas sujeitos que possam “decifrar” o sistema de escrita. Formar seres“decifrar” o sistema de escrita. Formar seres humanos críticos, capazes de ler entrelinhas e assumir uma posição própria frente à mantida pelos autores dos textos que interagem. Formar pessoas dispostas a identificar-se com o semelhante ou solidarizar-se com o diferente e capazes de apreciar a capacidade literária.
  17. 17. Isso significa...Isso significa... Abandonar as atividades mecânicas e sem sentido, que levam à criança a se distanciar da leitura por considerá-la uma mera obrigação escolar, significa também incorporar situações em que lerincorporar situações em que ler determinados materiais seja imprescindível para o desenvolvimento dos projetos que se estejam levando a cabo ou que produzam o prazer que é inerente ao contato com textos verdadeiros e valiosos.
  18. 18. O desafio continua...O desafio continua... Orientar as ações para a formação de escritores (pessoas que saibam se comunicar por escrito); Conseguir que os alunos sejam produtores de língua escrita; Conseguir que as crianças manejem comConseguir que as crianças manejem com eficácia os diferentes escritos que circulam na sociedade; Conseguir que a escrita deixe de ser na escola somente um objeto de avaliação, para se constituir realmente num objeto de ensino;
  19. 19. Promover a descoberta e a utilização da escrita como instrumento de reflexão para o próprio pensamento, como recurso para organizar e reorganizar o conhecimento; Combater a discriminação que a escola opera atualmente, não só quando cria o fracasso explícito daqueles que não consegue alfabetizar, como também quando impede aos outros chegar a ser produtores e leitores de textos competentes e autônomos; Unir esforços para alfabetizar todos os alunos,Unir esforços para alfabetizar todos os alunos, assegurando que todos tenham oportunidades de se apropriar da leitura e da escrita como ferramentas essenciais de progresso cognoscitivo e de crescimento pessoal.
  20. 20. É possível a mudança na escola?É possível a mudança na escola? Os desafios apresentados implicam em uma mudança profunda e realizá-la não será tarefa fácil para a escola, pois as reformas educativas costumam encontrar fortes resistências. A escola vive uma tensão entre a rotina repetitiva e a moda.Ao mesmo tempo em que a tradição A escola vive uma tensão entre a rotina repetitiva e a moda.Ao mesmo tempo em que a tradição opera como um fator suficiente para justificar a adequação de conteúdos e métodos, costumam aparecer e se difundir “inovações” que nem sempre estão claramente fundamentadas.
  21. 21. A inovação tem sentido quando faz parte da história do conhecimento pedagógico e quando, ao mesmo tempo, retoma e supera o anteriormente produzido. ( LERNER, p.30). A ausência de uma história científica torna possível o inovacionismo, e o inovacionismo dificulta a construção de uma história científica. Para que o inovacionismo permanente se mantenha é preciso sempre mostrar o fracasso da inovação anterior.fracasso da inovação anterior. Para se difundir com suficiente velocidade, uma inovação necessita do ritmo que só os processos da moda podem permitir-lhe. Para permitir esse ritmo, é preciso que as inovações não afetem nada essencial nas partes profundas das práticas dos professores e portanto nada pode proporcionar à didática. ( BROUSSEAU p. 30).
  22. 22. É importante que haja uma distinção entre as propostas de mudança que resultem da busca rigorosa de soluções para os problemas educacionais que enfrentamos daquelas que pertencem a moda. As propostas sérias encontram muita dificuldade de expandir-se no sistema educativo, pois afetam o núcleo da prática didática vigente, as propostas da moda se irradiam porque tratam de aspectos superficiais e parciais da ação docente.docente. Como fazer para ajudar a produzir e generalizar uma mudança na concepção do ensino da leitura e da escrita tornando possível que todos os que têm acesso à escola possam ser leitores e escritores competentes e autônomos?
  23. 23. A capacitação: condição necessária, mas nãoA capacitação: condição necessária, mas não suficiente para a mudança na propostasuficiente para a mudança na proposta didáticadidática A atualização se faz necessária para os professores latino-americanos sobretudo porque ocorreu uma mudança radical emporque ocorreu uma mudança radical em relação à alfabetização e tal mudança não teve suficiente eco nas instituições formadoras de professores, a função social do docente tem sofrido grande desvalorização, o acesso a livros e revistas especializadas é difícil (dificuldades econômicas), e os professores têm poucos espaços próprios para a discussão de sua tarefa.
  24. 24. Para que haja mudança não basta apenas capacitar os professores, é necessário estudar as condições institucionais para a mudança. Não é possível modelar o sistema de ensino à imagem e semelhança de nossos desejos, conseguindo que ele deixe de cumprir a função implicitamente reprodutivista e passe apenas a cumprir a função explícita de democratizar o conhecimento. Mas tampouco podemos renunciar aconhecimento. Mas tampouco podemos renunciar a modificar de forma decisiva o sistema de ensino. Reconhecer que a capacitação não é condição suficiente para a mudança na proposta didática porque esta não depende só das vontades individuais dos professores, significa aceitar que, além de continuar os esforços de capacitação, será necessário estudar os mecanismos ou fenômenos que ocorrem na escola e impedem que todas as crianças se apropriem dessas práticas sociais que são a leitura e a escrita. ( LERNER, p. 33)
  25. 25. Acerca da transformação didática: a leitura eAcerca da transformação didática: a leitura e a escrita como objetos de ensinoa escrita como objetos de ensino Leitura e escrita na escola: Fragmentada em pedacinhos não- significativos; Maior ocorrência da leitura em voz alta em detrimento da silenciosa; Leitura e escrita fora da escola: Escrita criada para representar e comunicar significados; Leitura silenciosa ocorre com muita frequência eleitura em voz alta em detrimento da silenciosa; Escrever textos num tempo muito breve e na versão final. A leitura e a escrita na escola parecem atentar contra o senso comum. com muita frequência e para a busca de informações; Escrever é um processo longo que requer muitos rascunhos e revisões. Por que ensinar algo tão diferente do que as crianças terão que usar ?
  26. 26. A diferença...A diferença... A distância entre o objeto de conhecimento que existe fora da escola e o objeto que é realmente ensinado na escola vai além da leitura e da escrita, é um fenômeno que afeta todos os saberes que ingressam na escola para serem ensinados e aprendidos.ensinados e aprendidos. O saber adquire diferentes sentidos em diferentes instituições, funciona de um modo na instituição que o produz e de outra na instituição que o comunica.Todo saber e toda competência estão modelados pelo aqui e agora da situação institucional em que se produzem.
  27. 27. O objetivo da escola é comunicar o conhecimento elaborado pela sociedade para as novas gerações e para tanto o objeto de conhecimento transforma-se em “objeto de ensino”. Ao sofrer essa transformação o saber ou a prática a ensinar se modificam: é necessário selecionar-se algumas questões em vez de outras; é necessário privilegiar- se certos aspectos; há que se distribuir as ações no tempo; há que se determinar uma forma de organizar os conteúdos. A necessidade de comunicar o conhecimento leva a modificá-lo .A necessidade de comunicar o conhecimento leva a modificá-lo . A questão do tempo é um dos fenômenos que marca de forma mais decisiva o tratamento dos conteúdos, na instituição escolar. O conhecimento vai-se distribuindo através do tempo, e essa distribuição faz com que adquira características particulares, diferentes da do objeto original. A graduação do conhecimento leva ao parcelamento do objeto.
  28. 28. A graduação do conhecimento faz com que a prática da leitura e da escrita se tornem fragmentadas, pois são detalhadas de tal modo que perdem sua identidade. Primeiro a leitura é mecânica e só mais tarde compreensiva; as letras ou sílabas se apresentam em forma sequenciada antes da palavra, da oração, do texto. A fragmentação alimenta duas ilusões da tradição escolar: Contornar a complexidade dos objetos de conhecimento reduzindo-os a seus elementos mais simples; Exercer um controle estrito sobre a aprendizagem.
  29. 29. A transposição didática é inevitável porque o propósito da escola é comunicar o saber, porque a intenção de ensino faz com que o objeto não possa aparecer exatamente da mesma forma, nem ser utilizado da mesma maneira que é utilizado quando essa intenção não existe, porque as situações que se apresentam devem levar em conta os conhecimentos prévios das crianças que estão se apropriando do objeto em questão.apropriando do objeto em questão. Como o objetivo final do ensino é que o aluno possa fazer funcionar o aprendido fora da escola, em situações que já não serão didáticas, será necessário manter uma vigilância epistemológica que garanta uma semelhança fundamental entre o que se ensina e o objeto e a prática social que se pretende que os alunos aprendam.A versão escolar da leitura e da escrita não deve afastar-se demasiado da versão social não-escolar. ( LERNER, p. 35)
  30. 30. Acerca do “contrato didático”Acerca do “contrato didático” O conceito de contrato didático elaborado por G. Brousseau (1986) ao analisar as interações entre professores e alunos acerca dos conteúdos, pode- se postular que tudo acontece como se essas relações respondessem a um contrato implícito, como se as atribuições que o professor e os alunos têm com relação ao saber estivessem distribuídas de uma maneira determinada, comodistribuídas de uma maneira determinada, como se cada um dos participantes na relação didática tivesse certas responsabilidades e não outras quanto aos conteúdos trabalhados, como se tivesse sido tecido e enraizado na instituição escolar um interjogo de expectativas recíprocas. (LERNER, p. 36)
  31. 31. Contrato:Contrato: Não compromete apenas o professor e seus alunos, mas também o saber, já que esse sofre modificações ao ser comunicado, ao ingressar na relação didática. A distribuição de direitos e deveres entre professor e alunos adquire característicasprofessor e alunos adquire características específicas em cada conteúdo. Com relação à leitura parece que a única interpretação válida é a do professor.Assim sendo, como farão as crianças para tornarem-se leitores independentes?
  32. 32. Se o aluno não tem direito de atuar como um leitor reflexivo e crítico na escola, qual será a instituição social que lhe permitirá formar-se como tal? Se o aluno tem a obrigação de escrever a versão final de um texto, sem poder revisá-lo, corrigi-lo, nem fazerum texto, sem poder revisá-lo, corrigi-lo, nem fazer rascunhos, porque a correção é tarefa exclusiva do professor, como poderá ser praticante autônomo e competente da escrita? Fica assim evidente a contradição existente entre a maneira como se distribuem os direitos e obrigações de professores e alunos, dentro das instituições escolares.
  33. 33. Ferramentas para transformarFerramentas para transformar o ensinoo ensino Para produzir uma mudança profunda nas propostas didáticas não basta apenas capacitar os professores, é necessário que haja modificações no currículo, na organização institucional, criar consciência em relação à opinião pública e desenvolver a pesquisarelação à opinião pública e desenvolver a pesquisa no campo da didática da leitura e da escrita. É necessário também traçar novamente as bases da formação dos professores e promover a hierarquização social de sua função.
  34. 34. Mudança no currículo:Mudança no currículo: Deve cuidar para que o objeto apresentado na escola conserve as características essenciais que tem fora dela. Devem ser levadas em conta as seguintes questões: 1) A necessidade de estabelecer objetivos por ciclos, em vez de grau. Isso permite elevar aciclos, em vez de grau. Isso permite elevar a qualidade da alfabetização, pois acaba reduzindo a fragmentação do conhecimento. 2) A importância de atribuir aos objetivos gerais prioridade absoluta sobre os objetivos específicos.A ação educativa deve estar permanentemente orientada pelos propósitos essenciais que lhe dão sentido.
  35. 35. Atenção...Atenção... As perguntas: “Qual é o objetivo geral que este objetivo específico permite cumprir?” e “ Corre-se o risco de que transmita alguma metamensagem que nãotransmita alguma metamensagem que não seja coerente com o que nos propomos?” deveriam orientar a análise avaliativa de todas as propostas que são feitas no currículo.
  36. 36. 3) Necessidade de evitar o estabelecimento de uma correspondência termo a termo entre objetivos e atividades. Deve-se considerar que uma situação didática cumpre em geral diferentes objetivos específicos. 4) A necessidade de superar a tradicional separação entre “alfabetização em sentido estrito” (apropriação do sistema de escrita) e “alfabetização em sentido amplo” (desenvolvimento da leitura e escrita). Essa separação é(desenvolvimento da leitura e escrita). Essa separação é uma das responsáveis da educação fundamental centrar-se na sonorização sem significado. Sabemos que a leitura é desde o começo um ato centrado na construção do significado, então por que manter uma separação com efeitos negativos? O objetivo deve ser de formar leitores, portanto as propostas devem estar centradas na construção do significado.
  37. 37. Para construir significados ao ler é fundamental ter constantes oportunidades de envolver-se na cultura do escrito. Por isso a escola deve fazer as crianças participarem em situações de leitura e de escrita: é necessário pôr à sua disposição materiais escritos variados, é necessário ler para elas muitos e bons textos para que tenham oportunidade de conhecer diversos gêneros.
  38. 38. Mudança na organizaçãoMudança na organização institucionalinstitucional É imperiosa a necessidade do trabalho em equipe, de abrir espaç espaços de discussão que permitam confrontar experiências e superar o isolamento no qual alguns professores trabalham.no qual alguns professores trabalham. É necessário também discutir outras modificações que possam tornar a escola um espaço mais democrático que permita revalorizar a posição do professor dentro do sistema. Também é necessário definir modificações que aceite a diversidade cultural e individual dos alunos.
  39. 39. Novo xVelhoNovo xVelho É necessário criar-se a consciência de que a educação também é objeto da ciência e que a cada dia são produzidos novos conhecimentos que deveriam ser implantados nas instituições escolares, os quais permitiriam melhorar substancialmente a situação educativa, assimsubstancialmente a situação educativa, assim como mostrar os efeitos nocivos dos métodos e procedimentos tradicionais que são “tranquilizadores” para a comunidade, e tornar públicas as vantagens das estratégias didáticas que realmente contribuem para formar leitores e escritores autônomos.
  40. 40. Investigação didática na áreaInvestigação didática na área da leitura e da escritada leitura e da escrita É necessário continuar produzindo conhecimentos que permitam resolver os inúmeros problemas que o ensino da língua escrita apresenta. Se se pretende produzir mudanças reais naSe se pretende produzir mudanças reais na educação, e em especial na alfabetização, é imprescindível propiciar a investigação didática, dando-lhe um apoio muito maior que o que atualmente se oferece em nossos países.
  41. 41. Preparação dos professoresPreparação dos professores Deve-se assegurar sua formação como leitores e produtores de textos e considerar como eixo da formação o conhecimento didático Todo currículo deveria contribuir para mostrar aos estudantes os progressos que se vão registrando na produção do formação o conhecimento didático (relacionado à leitura e à escrita) registrando na produção do conhecimento de tal modo que eles tenham consciência da necessidade de aprofundar e atualizar seu saber de forma permanente.
  42. 42. Apontamentos a partir daApontamentos a partir da perspectiva curricularperspectiva curricular Quando se elaboram documentos curriculares percorre- se um caminho problemático.Vamos analisar ideias essenciais à perspectiva curricular adotada pela autora: 1) Todos os problemas que se enfrentam na produção curricular são problemas didáticos. Portanto somente a didática da língua pode resolver. Os saberes dea didática da língua pode resolver. Os saberes de outras disciplinas relacionadas a linguística proporcionam uma ajuda fundamental, porém não são suficientes para resolver os problemas curriculares. 2) quando se propõe uma transformação didática, é necessário prever como articular a proposta que se tenta levar à prática com as necessidades e pressões da própria institução.
  43. 43. 3) O problema didático que devemos enfrentar é o da preservação do sentido do saber ou das práticas que se estão ensinando. Apresentar propostas capazes de contribuir para concretizar, na escola, condições geradoras de uma certa fidelidade à forma como funcionam socialmente fora da escola os objetos que serão ensinados e aprendidos. A apresentação do objeto de ensino deve favorecer: a fidelidade ao saber ou à prática social que sea fidelidade ao saber ou à prática social que se pretende comunicar; as possibilidades do sujeito de atribuir um sentido pessoal a esse saber, de se constituir participante ativo dessa prática.
  44. 44. Transposição didáticaTransposição didática Selecionar é imprescindível. É impossível ensinar tudo.Ao selecionar conteúdos estamos separando-os do contexto em que estão imersos e portanto são transformados e reelaborados. É fundamental que haja uma vigilância evitando o distanciamento excessivo entre o objeto dedistanciamento excessivo entre o objeto de ensino e o objeto social de referência. toda seleção supõe uma hierarquização, uma tomada de decisão acerca do que se considera prioritário. como se apresenta essa questão no caso da leitura e da escrita?
  45. 45. O maior propósito educativo do ensino da leitura e da escrita é o de inserir as crianças na comunidade de leitores e escritores, formar os alunos como cidadãos da cultura escrita. Por esse motivo o objetivo do ensino deve-se definir tomando como referência fundamental as práticas sociais de leitura e escrita. Para formar leitores e escritores, é necessário dedicar muito tempo escolar ao ensino da leitura e ao da escrita,muito tempo escolar ao ensino da leitura e ao da escrita, sem dar ênfase em apenas um delas em detrimento do outro.
  46. 46. Práticas de leitura e escritaPráticas de leitura e escrita As práticas de leitura parecem ter sido, em primeiro lugar, intensivas e depois extensivas. Isso quer dizer que primeiro se liam poucos textos de maneira intensa, profunda e reiterada e depois houve uma mudança na maneira de ler, abarcando uma enorme quantidade de textos de maneirauma enorme quantidade de textos de maneira mais rápida e superficial. As duas maneiras de ler podem existir em uma mesma sociedade. Nos setores mais letrados as práticas tendem a ser mais extensivas, enquanto que as práticas intensivas ficam por conta dos setores populares.
  47. 47. Praticas Intensivas x ExtensivasPraticas Intensivas x Extensivas Intensivas Geralmente Extensivas Leitura Geralmente ocorre em voz alta Realizada em comunidade Leitura solitária Se desenvolve na intimidade
  48. 48. Leitura nas relações sociaisLeitura nas relações sociais O domínio da escrita é uma condição social; quando lemos ou escrevemos um texto, participamos de uma “comunidade textual”, que compartilham uma determinada maneira de ler e entender um corpus de textos.Tornar-se leitor em um domínio específico significa aprender aum domínio específico significa aprender a participar de um paradigma. Para dominar a escrita, não basta conhecer as palavras, é necessário aprender a compartilhar o discurso de alguma comunidade textual, o que implica saber quais são os textos importantes, como devem se aplicados na fala e na ação...
  49. 49. Pensamos no domínio da escrita como uma condição ao mesmo tempo cognitiva e social: a capacidade de participar ativamente em uma comunidade de leitores que concordam com princípios de leitura, um conjunto de textos que são tratados como significativos e uma hipótese de trabalho sobre as interpretações apropriadas ou válidas desses textos.ou válidas desses textos. ( Olson, 1998)
  50. 50. Explicitar conteúdos envolvidosExplicitar conteúdos envolvidos nas práticasnas práticas Lemas educativos (práticas de leitura e escrita como objetos de ensino) Aprende-se a ler, lendo Aprende-se a escrever, escrevendo
  51. 51. Apesar desses lemas serem bastante difundidos , sua concretização nas atividades rotineiras em sala de aula é pouco frequente. Ao planejar um currículo é imprescindível esclarecer o que é que se aprende quando se lê ou se escreve em aula, quais são os conteúdos que se estão ensinando e aprendendo ao ler e escrever. Ao se instituir como conteúdos escolares as atividades deAo se instituir como conteúdos escolares as atividades de leitura e escrita na vida cotidiana, consideram-se duas dimensões: Social Interpessoal Pública A Psicológica Pessoal Privada B
  52. 52. Fica estabelecido...Fica estabelecido... Os comportamentos do leitor e do escritor são conteúdos, porque são aspectos do que se espera que os alunos aprendam. O conceito de “comportamentos do escritor e do leitor” não coincide com o de “conteúdosdo leitor” não coincide com o de “conteúdos procedimentais” (é mais que isso). Ao exercer comportamentos de leitor e de escritor, os alunos entram no mundo dos textos. Ao atuar como leitores e escritores, os alunos se apropriam de conteúdos linguísticos que adquirem sentido nas práticas.
  53. 53. Preservar o sentido dosPreservar o sentido dos conteúdosconteúdos Deixar claro os conteúdos implícitos nas práticas é indispensável,mas também supõe correr riscos em relação à preservação do sentido. Preservar o sentido dos comportamentosPreservar o sentido dos comportamentos do leitor e do escritor supõe propiciar que sejam adquiridos por participação nas práticas das quais tomam parte, que se ponham em ação, em vez de substituídos por meras verbalizações.
  54. 54. Conteúdos em ação eConteúdos em ação e conteúdos objeto de reflexãoconteúdos objeto de reflexão Conteúdo em ação= cada vez que é posto em jogo pelo professor ou alunos ao lerem ou escreverem Conteúdo objeto de reflexão= quando os problemas apresentados pela escrita ou leitura o requeiram.
  55. 55. A leitura e a escrita são atos globais e indivisíveis; Somente é possível se apropriar dos comportamentos que as constituem, dentro da escola, em situações semelhantes às que têm lugar fora da escola; No âmbito escolar é imprescindível construir condições didáticas favoráveis para o desenvolvimento das práticas de leitura e de escrita; Tratar os alunos como leitores e escritores plenos, para que possam começar a atuar como tais;que possam começar a atuar como tais; A escola não pode limitar-se a reduzir as práticas de leitura e de escrita tal qual são fora dela; A tarefa educativa supõe formar sujeitos capazes de analisar criticamente a realidade.
  56. 56. Comportamentos do leitor naComportamentos do leitor na escola: tensões e paradoxosescola: tensões e paradoxos A escola enfrenta um estranho dilema: centrar-se na leitura em voz alta ou leitura silenciosa? Geralmente a escola obtém exatamente o contrário do que se propõe. Por quê? Conflito entre obrigatório e eletivo. Fora da escola, a leitura se mantém alheia ao obrigatório,escola, a leitura se mantém alheia ao obrigatório, dentro dela não pode escapar da obrigatoriedade. Devido sua responsabilidade com o ensino a escola exerce forte controle sobre a aprendizagem, portanto acaba-se lendo apenas aquilo que é possível comentar em aula, o que dificulta a questão dos alunos poderem escolher suas leituras.
  57. 57. Como se pode começar aComo se pode começar a resolver essas tensões?resolver essas tensões? Inserção da leitura e da escrita em projetos; Abrir espaços onde a escolha dos alunos passe para o primeiro plano; Limitar as exigências do controle, abrindo espaços para os alunos escolherem algo a compartilhar compara os alunos escolherem algo a compartilhar com a turma. Abrir espaços onde os alunos possam exercer na escola a prática extensiva da leitura que é a predominante em nossa sociedade.
  58. 58. É possível ler na escola?É possível ler na escola? Ler é entrar em contato com outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir umadistanciar do texto e assumir uma postura crítica ao que se quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita... ( LERNER, 2008)
  59. 59. É possível ler na escola???É possível ler na escola??? Parece um tanto estranha essa pergunta, uma vez que é função primordial da escola ensinar a ler e escrever. Todo o tratamento que a escola faz da leitura é fictício, começando pela imposição de umaé fictício, começando pela imposição de uma única interpretação possível. O tratamento que é dado à leitura na escola pode ser perigoso, pois corre o risco de “assustar as crianças”, ou seja, distanciá-las da leitura, em vez de aproximá-las dela.
  60. 60. A escola precisa tornar-se um âmbito propício para a leitura e isso deve acontecer antes mesmo das crianças saberem ler no sentido convencional e para isso o professor deve assumir o papel de intérprete, deixando que os alunos leiam através dele. Fazer da escola um âmbito propício para a leitura éFazer da escola um âmbito propício para a leitura é abrir para todos as portas dos mundos possíveis, é inaugurar um caminho que todos possam percorrer para chegar a ser cidadãos da cultura escrita.
  61. 61. Dificuldades na formação deDificuldades na formação de leitoresleitores 1. A realidade não se responsabiliza pela perda de suas ilusões.( Não é possível ler na escola).As semelhanças entre as práticas escolares da leitura e o uso social são muito escassas.social são muito escassas. 2. A escola como microssociedade de leitores e escritores.(É possível ler na escola). É preciso conciliar os objetivos institucionais com os objetivos pessoais dos alunos.
  62. 62. Avaliar a leitura e ensinar a lerAvaliar a leitura e ensinar a ler A avaliação é um instrumento que permite determinar em que medida o ensino alcançou seu objetivo, em que medida foi possível fazer chegar aos alunos a mensagem que o docente se propôs comunicar. Entretanto a prioridade da avaliação deveEntretanto a prioridade da avaliação deve determinar onde começa a prioridade do ensino. Por em primeiro plano o propósito de formar leitores competentes nos levará a promover a leitura de livros completos, textos diferenciados, dar um lugar mais relevante às situações de leitura silenciosa.
  63. 63. Saber que o conhecimento é provisório, que os erros não se “fixam” e que tudo o que se aprende é objeto de sucessivas reorganizações permite aceitar, com maior serenidade, a impossibilidade de controlar tudo. Proporcionar às crianças todas as oportunidades necessárias para que cheguem a ser leitores no pleno sentido da palavra impõe o desafio de elaborar novos parâmetros de avaliação, novas formas de controle queparâmetros de avaliação, novas formas de controle que permitam recolher informação sobre aspectos da leitura que se incorporam ao ensino. Para formar leitores autônomos a avaliação precisa deixar de ser função privativa do professor e capacitar os alunos para decidir quando sua interpretação é correta e quando não o é, ou seja, é preciso proporcionar às crianças oportunidades de construir estratégias de autocontrole da leitura.
  64. 64. Tornar possível essa construção requer que os alunos enfrentem as situações de leitura com o desafio de validar por si mesmos suas interpretações e, para que isso aconteça, é necessário que o professor retarde a comunicação de sua opinião para as crianças, que delegue provisoriamente para elas a função avaliadora. O docente precisa fazer algumas intervenções durante as interpretações dos alunos, pois tais intervenções são decisivas.decisivas. O professor continua tendo a última palavra, mas é importante que seja a última e não a primeira, que o juízo de validade do docente seja emitido, depois que os alunos tenham tido a oportunidade de validar por si mesmos suas interpretações.
  65. 65. O professor: um ator no papelO professor: um ator no papel de leitorde leitor Para comunicar às crianças os comportamentos que são típicos do leitor, é necessário que o professor os encarne em sala de aula, que proporcione a oportunidade a seus alunos de participar em atos de leitura que ele mesmo está realizando, que trave com eles uma relação de leitor para leitor. realizando, que trave com eles uma relação de leitor para leitor. Ao ler para as crianças, o professor ensina como se faz para ler. Operar como leitor é uma condição necessária,mas não suficiente para ensinar a ler.Algumas vezes é preciso outras intervenções do docente ( diferentes estratégias de leitura).

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