Dempeo

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Dempeo

  1. 1. Uma semana depoisELLEN:É terça-feira de manhã e eu estou sentada no meu carro, no estacionamentodos Prospect Studios. Eu só tenho de estar aqui para a leitura em conjunto doelenco, mas por alguma razão, não consigo sair do carro. Minha bolsa falsaestá no banco do passageiro, toda embalada e pronta para ser usada, masainda estou para abrir a porta.Minhas mãos estavam sobre o meu colo, quase esquecidas, como zumbidosna minha mente. Eu tinha chegado aqui há dez minutos, antes do horário emque leitura devia começar, e eu precisava descobrir como iria agir quandochegar lá.
  2. 2. Devo ir lá e fingir que nada aconteceu? Talvez eu não devesse me sentar aolado dele. Eu não tinha que sentar sempre ao lado dele. Bem, talvez a maiorparte do tempo, mas não o tempo todo. Eu me sento ao lado de Sandra, àsvezes. Ou até de um terceiro. E, provavelmente, metade da metade do tempoele se senta ao meu lado. Humm.. Como isso aconteceu? Quero dizer, nóstemos muitas cenas juntos. Portanto, faz sentido sentarmos próximos. Nós nãotemos que nos sentar ao lado um do outro.Mas isto não faria nossa vida mais fácil quando tivéssemos que ensaiar nossasfalas juntos. Eu não quero ter que gritar por cima da mesa. Talvez eu me sentede frente para ele. Sim, é isto o que vou fazer. Não perto o suficiente para serdesconfortável, mas perto o suficiente para que ele não perceba algo suspeito.Será que ele suspeitaria de alguma coisa? Será que ele sabe que eu estavamentindo quando eu disse que não senti nada com o beijo?Apenas o que eu ia dizer? Eu tinha praticamente o desafiado. Porque você fezisso Ellen? Porque diabos você pediu ao seu co-estrela para beijá-la, com oobjetivo de provar que você não sente nada por ele? Que maneira vocêarrumou de fazer isso! Grande pensamento. Brilhante. Talvez fosse o vinho.Sim, eu não bebo normalmente e eu sou uma pessoa pequena. O álcool foidireto para minha cabeça. Grande merda. Não, isso não era verdade. Eu possolidar com um copo de vinho. Foi a maldita briga com Chris. Acusou-me de tersentimentos por Patrick. Eu não contei ao Paddy a história toda. Eu nãopoderia contar-lhe tudo. Não foi apenas por causa da cena da cama.Certamente, a cena tinha sido a gota d’água que faltava. Nós estávamossentados no sofá com um balde de pipoca entre a gente. Era um passatempoque foi rapidamente se tornando um ritual. Eu estava tão ocupada no trabalhoque Chris tinha esperado para assistir ao episódio comigo. Então, nósestávamos assistindo na sexta-feira antes da minha viagem para Nova York.Eu tinha esquecido completamente que essa era a cena de abertura doepisódio. Ele ficou sem palavras quando viu as primeiras imagens na tela. Eleficou forte ao meu lado e olhava a tela com uma expressão vazia, que eu sabiaque significava que ele estava chateado. Mas logo depois que acabou ele saiuda sala. Nem uma palavra, apenas saiu. Eu o chamei, mas ele me ignorou esaiu para o quintal. E somente quando estavam rolando os créditos foi que eusaí para me juntar a ele."Chris”. Digo em silêncio, enquanto eu fico na porta do pátio aberto.Ele se senta em uma das cadeiras do pátio de costas para mim. As luzes dacasa iluminam suas costas. Seus ombros estão rígidos. Sem se virar, ele diz,"Eu não quero conversar agora”."Isto é apenas atuação, Chris”. Eu respondo.Ele fica quieto por um segundo e responde "Isto não parecia como umaatuação para mim”.
  3. 3. Atordoada, eu sinto como se estivesse sido golpeada. Indignação incha no meupeito e me chicoteia, "Pois bem, com o que se parece então?”Ele vira a cabeça ligeiramente para olhar para mim, e eu posso ver o quantoisso tem afetado ele. Ele não tem o olhar triste, ele parece irritado. Ele pareceirritado, frustrado e furioso. "Eu não sei, fale-me você”.Eu coloquei minhas mãos em meus quadris e estreitei meus olhos. "Não. Vocêé o único que está com problemas aqui. Você me diga o que pensa que viu! Eusó estava fazendo meu trabalho. Esse é o meu trabalho!”Ele se levanta da cadeira rapidamente e vira-se para mim. Um pouco mais deforça e a cadeira teria caído. Mas em vez disso, ela apenas arranhou oconcreto com um guincho."Eu não sou cego! Eu vejo a forma como vocês dois se olham! Eu estou nojogo também, você sabe. Às vezes você pode esquecer isso, mas eu estou lá.Você não pode me dizer que isso é tudo atuação”. Ele acusa raivoso.Estou surpresa com suas palavras. Ele observou isso? Claro que nós nosdivertirmos juntos. Claro que nós reconhecemos a atração mútua um com ooutro, mas é só isso. Como ele ousa me acusar..., do que exatamente? “Eu játe disse isso antes Chris, é apenas atuação. Paddy é meu amigo”. Digocalmamente.Ele olha para mim me avaliando. Eu olho para ele de volta. E por um longomomento, nós apenas olhamos um para o outro. Ele, eu acho, tentandodescobrir o quanto é verdade em minhas palavras. Eu tentando o convencer deque estou só atuando. Eu não sei o que ele pensa, mas ele se acalma umpouco e relaxa. Mas antes que eu possa dizer mais alguma coisa, ele passapor mim e diz: "Você pode dormir no quarto, eu vou dormir no quarto dehóspedes, até eu pensar mais sobre este assunto”.Era nisso que eu estava pensando quando eu pedi ao Paddy para me beijar: noolhar de Chris. Eu tinha que provar para mim mesma, de uma vez por todas,que não havia nada acontecendo entre Paddy e eu, e eu tinha que voltar paraChris e honestamente ser capaz de negar que eu tinha sentimentos por Paddy.Não tinha sido uma decisão consciente. Eu não tinha pensado, tudo bem, euvou pedir para Paddy beijar-me e então eu vou saber com certeza. Apenasestávamos sentados naquele banco, e ele tinha sido tão compreensivo, que eutive esta idéia.Se Paddy tinha ficado surpreso quando eu disse isto, não ficou mais surpresodo que eu, quando ouvi as palavras saindo da minha boca! Eu não tinhapensado sobre a reação de Paddy, porém, eu estava pensando em Chris. Equanto mais eu pensava nisso, mais eu queria fazê-lo. Gostaria de mostrar aele! (Chris). Eu beijaria Paddy privadamente, sem câmeras, como eu, Ellen, egostaria de não sentir nada. Era coisa do meu trabalho ter uma atração como opersonagem de Paddy. Eu vou admitir que existia uma pequena quantidade de
  4. 4. atração entre nós, Patrick e Ellen, mas isso não significa que algo estavaacontecendo entre a gente. Talvez eu só estivesse vendo através dos olhos deMeredith. Talvez eu estivesse ficando muito levada!Paddy tinha me olhado estranhamente por um momento, e eu pensei que elenão ia fazer isso. Mas então, quando eu olhei para minhas mãos e depois paraele, eu sabia que ele ia me beijar! Por que ele concordou com isso? Eu não sei.Será que ele precisava provar algo a si mesmo também? Ele admitiu sentiratração por mim. Pelo menos é o que eu acho que ele queria dizer, quando eledisse que eu sabia por que ele tinha mentido para mim sobre o café da manhã.Eu tinha falado que era por nós ficarmos muito em nossos personagens, masacho que ambos sabemos que isso não era verdade.Por que eu senti a necessidade de fazer isto, então? Eu não sei. Minha brigacom Chris certamente provocou isto. Eu não ia dizer nada sobre a discussão,especialmente porque tinha sido sobre ele, mas Patrick insistiu. Ele tinha sidotão compreensivo, ele sabia exatamente aonde eu queria chegar. Talvez tenhasido por ele não dizer não. Ele não riu. Ele não me disse que eu estava louca.Ele tinha ficado somente me olhando. Olhou para mim como se precisassesaber a resposta também.Porém, ele não fez o primeiro movimento. Tinha sido meu o pedido. Tinha queser eu a única a iniciá-lo. Eu não sei o que me deu a coragem. Eu não sei porque isto deveria ter sido tão difícil. Quer dizer, nós já nos tínhamos beijadovárias vezes antes! Por horas! Eu mesma o vi nu! Mas quando a minha mão foipara a frente, foi como se tivesse sido preenchida com melaço, e eu me inclineipara a frente por pura vontade. Eu não olhei para ele. Eu olhei para aquelamão. Eu me inclinei devagar para a frente, dando-lhe tempo para me deter. Elepoderia parar a qualquer momento. Mas ele não fez isto. E eu não queria queele fizesse.Eu posso senti-lo, mesmo agora, olhar para os meus lábios, mesmo que eunão ousasse olhar para cima. Eu tinha fechado os olhos e agarrado sua lapela.Sua cabeça tinha se inclinado para a frente, e a única coisa que eu poderiapensar no momento era que estava realmente acontecendo.Seus lábios vieram diminuindo a distância, e hesitaram. Pequenos choques deenergia elétrica passaram entre nós e era como se ímãs puxassem um para ooutro. Ele mal moveu a sua boca, mas eu o acompanhei. Eu não possodescrever totalmente o que eu estava sentindo. Era como não houvesse nadano mundo, exceto a linha que ligava os seus lábios aos meus. Ellen não estavaali, naquele momento. Eu era apenas os lábios de Ellen. Isso era tudo o quehavia; calor, respiração e sensações.Ele tinha se afastou primeiro, e eu não pude ler o seu rosto. Eu tinha deixadocair as minhas mãos. Só saiu uma sílaba: "Então?" O que eu esperava que eledissesse? O que eu queria que ele dissesse? O que eu teria dito se ele tivessedito sim? Eu não sei, porque nunca tive essa resposta. Não. Ele disse quenão. Uma parte de mim suspirou de alívio. Ele me perguntou a mesma coisa eeu disse não também. Quero dizer, o que eu ia dizer? Sim, isso significou
  5. 5. TUDO para mim. É, obviamente, não significava nada para você, mas tudopara mim? O que teria acontecido?Toc, toc!Que!!! Eu escuto o súbito bater na janela do meu carro. Katherine está do ladode fora. Seu cabelo está puxado para cima em um coque bagunçado e ela meencara com perplexidade divertida. Eu aperto o botão para abaixar a janela eolho para ela em expectativa."Você vai entrar?" Ela pergunta com uma saudação amigável."Oh, sim, sim". Eu respondo, afobada. "Eu só estava pensando em algumascoisas."Pego a minha bolsa e abro a porta do carro. Ela espera até que eu saia ecomenta: "Bem, eu acho que está um pouco óbvio. Você teve outra briga como Chris?""Oh, não, não, estamos bem. Eu fiz o que você me disse." Eu respondoenquanto a acompanho pela calçada.Nós acabamos voltando juntas no vôo de volta a LA. Tinha sido um longo vôo,e ela me perguntou o que estava me incomodando no jantar. Estávamos todosnos tornando bons amigos no set: Ela, Sandra, TR, Justin e eu. Foi comoconversar com uma boa namorada. Ela me contou sobre como ela não poderiamesmo deixar Josh assistir esses tipos de cenas.Em seu conselho, eu deveria chegar em casa e conversar com Chris maisainda sobre isso. Ele sabia que era o meu trabalho. Era só que quando ele viuas cenas, ele ficou um pouco raivoso. Eu disse a ele que eu podia entenderisso, mas que era o meu trabalho. Se ele não quisesse assistir, ele nãoprecisava. Gostaria que ele entendesse. E ele prometeu que iria tentar nãoreagir mais desse jeito. E eu prometi para mim mesma que eu nunca mais iriadeixar Patrick ficar no meu caminho e de Chris de novo. Eu precisava ouvir amim mesma. Era apenas o meu trabalho. Isso era tudo o que significava paraPaddy, e isso é tudo o que ia ser para mim também. Isso ainda não me ajudavaa descobrir onde eu deveria me sentar.Droga, eu deveria ter sabido. Ele segurou minha cadeira para mim. Bem, nãoexatamente o segurou, mas todo mundo já está aqui, e eles já escolheram oseu lugar. Esse é meu; ao lado dele. Katie rapidamente pega o assento ao ladode TR e hesito na porta. A sala não tem nada de especial, parecia uma sala deconferências genérica. A mesa era oval, com Peter, Shonda e Betsy no topo eà direita, do lado oposto da sala estavam Isaiah, James e Chandra. Nasequência de volta no fim da cauda (perto de onde eu estou em pé) estãoJustin, Katherine, TR, e Sandra. A única cadeira vazia, exceto uma ao longo daparede, é do lado de Paddy.Todo mundo está conversando sobre a visita ao front da ABC em Nova York etudo voltou ao normal no trabalho a partir das conversas da semana. Paddy
  6. 6. parece absorto em alguma discussão que está tendo com Peter (à esquerda).Ele parece muito casual em seu jeans preferido e camiseta preta com umemblema de algum esporte. Seu cabelo está penteado para trás ao acaso. Éóbvio que ele esteve usando um boné. O boné estava em cima da mesa nafrente dele. E enquanto eu o observo, ele passa as mãos pelos cabelos,escovando-os para fora.Por um segundo, é como se eu estivesse fora do grupo, olhando para de cimacomo se fosse tudo um filme, todos os personagens não sabem que eu estoulá. A memória do beijo me mantém distante do grupo, lembrando-me do calordos seus lábios nos meus, deixando-os formigando e eu toda afobada. Mas,então, Patrick olha para cima, vê-me ali de pé, e me dá um pequeno sorriso.Não é algo enorme, não algo significativo, apenas um tipo de prazer ao me ver.E isso é tudo que eu preciso.Um peso sai de cima de mim, e eu sou capaz de caminhar ao lado da mesa.Eu coloco minha bolsa na mesa e sento-me em minha cadeira. É bom estarnessa cadeira. Normal. Fazemos isso a cada duas semanas. É meu trabalho."Você está atrasada". Paddy acusa com um sorriso malicioso, ele parece usaresse sorriso na maioria das vezes (pelo menos, quando eu estou por perto)."Falta um minuto para começar." Eu digo com um aceno de cabeça satisfeitacom o relógio.Nós ambos o olhamos, e com certeza, o ponteiro dos minutos vermelho aindaestá em seu caminho sinuoso em torno do relógio pendurado na paredebranca.Como viemos para passar as falas, o assistente de algum dos escritoreschegou e passou os scripts para todos ao redor. Paddy pega o seu e passa orestante para mim. Eu pego o meu e passo para Sandra, que dizsarcasticamente "Isso vem do homem que surgiu com a regra de dez minutos.""Todo mundo sabe que uma reunião da equipe significa dez horas depois."Paddy responde quando começa a puxar o seu script aberto."Isso é uma coisa de Hollywood ou uma coisa Patrick?" Pergunta Sandra devolta, mas todos nós estamos interessados em ver como as coisas vão ser nasérie. Eu abro o meu script e vejo minha narração no topo:(narração): Na ciência não existem segredos. A medicina tem sempre umaforma de expor as mentiras. Dentro das paredes do hospital, a verdade ficanua. Como guardamos nossos segredos fora do hospita... Bem, isso é umpouco diferente. Uma coisa é cert. O que quer que estejamos tentandoesconder, nunca estamos prontos para o momento em que a verdade fica nua.Esse é o problema com os segredos. Como a miséria, eles adoram companhia.Vão se empilhando até tomar todo o espaço. Até você não ter espaço paramais nada. Até estar tão cheio de segredos que se sente como se fosseexplodir..
  7. 7. Segredos. Humm, isto é uma coincidência interessante para hoje. Gostaria desaber algum segredo encantador.A primeira cena: Manhã: Banheiro da casa de Meredith.George fica nu na casa de Meredith com um livro sobre urticárias, brotoejas eerupções cutâneas, aberto na frente de suas partes mais íntimas."Então, estamos falando do livro de texto ou folheto médico aqui?" Patricksussurra em meu ouvido.Eu, é claro, começo rir e dou uma pancada no ombro dele. "Pare". Eu digocom riso reprimido.Sandra pergunta-me o que há de tão engraçado com os olhos, mas eu balançoa cabeça negativamente, quando Katie começa a ler, "George. Você trancou aporta eu preciso tomar um banho.""Uh ... uh, eu vou sair em um minuto”. Responde TR."Isso é o que todos dizem." Patrick sussurra para mim novamente.Olho para ele e silvo de brincadeira, "Pare".Ele não parece muito arrependido. Na verdade, os seus olhos brilham paramim, e eu tenho que segurar os cantos de minha boca para não sorrir."O que você está fazendo aí?" Katie continua."Não é da sua conta!" Responde TR.Volto-me para Patrick, e antes que ele possa até mesmo abrir a boca (eu possover em sua mente o mal já formando palavras desagradáveis), "Não mesmo!"Digo."Eu não ia dizer nada. Você tem uma mente suja". Ele respondeinocentemente. Mas os olhos estão em chamas com a travessura."Oh, Oh, Deus, me desculpe. Entendi. Não quis interromper." Katie lê com umarco da sobrancelha para Patrick.Ele silenciosamente faz com a boca a palavra "sujo" e ambos voltamos osrostos fingindo ler os nossos roteiros."Não, não é isso." TR responde e eu começo a rir."Tudo bem. Tome o tempo que precisar." Katie responde e Patrick junta-se amim dando uma risada baixa.
  8. 8. "Não estou fazendo o que pensa que estou fazendo." TR diz quando uma bolhade riso escapa de sua própria garganta."Não precisa explicar. Eu espero. Você ... termina.” Katie mal contém suasrisadas."Não, estou ... estou saindo. Estou saindo!” TR fala com uma entonação quefaz a sala inteira dar risadas.***Depois que as risadas se acalmam, Sandra me pergunta: "Vocês têm outracena de cama? Eu vou ser uma mulher asiática grávida, e você fica na cama odia todo? De novo?""Não, eu estou sentada em uma cadeira e ELE está na cama." Eu digo comalívio enquanto discretamente eu o ignoro por estar conversando com Sandra.Eu sei que ele pode me ouvir, porém. Seus olhos estão em seu roteiro, mas assobrancelhas estão engatilhadas no alto do seu rosto, e eu juro que os seusouvidos estão virados na minha direção."Eles vão ficar na na cama de novo!” TR diz com um gemido."Você está com ciúmes”."Claro que eu tenho ciúmes. Eu quero uma cama”.Justin explode de rir. "Cara, vá a página 43”.Todo mundo vai até a página que Justin falou. "Sífilis?!?!”"Ok, ok, pessoas". Peter de repente fala "Será que podemos realmente fazeralgum trabalho aqui?"Shonda está sentada no lugar que ela normalmente fica. Ela é uma escritoraque gosta de ouvir as palavras. Peter gosta de dirigir, assim fazem uma boaequipe. A sala se acalma. Eu li minhas falas sobre não querer visitar minhamãe na casa de repouso e passamos a não atender o telefone. O episódiointeiro parece ser sobre segredos. Eu viro as páginas, mas as últimas cenasforam mantidas fora do script.Deve ser algo bom, então. Nós começamos em um ritmo. Quando Patrick e euestamos dizendo nossas falas juntos, eu finjo que sou Meredith e está tudobem. Nós rimos juntos na conversa dos preservativos que brilham-a-noite e dasuper-secreta cirurgia do chefe no pôr do sol. Quando alguém está dizendosuas falas, ele sussurra em meu ouvido, e eu tento ignorar o fato de que a sua
  9. 9. respiração no meu pescoço me faz tremer. Mas por outro lado, está tudonormal, quase como o beijo nunca tivesse acontecido. Quase.***Nós já passamos por todo o script, e estamos esperando os escritorestrazerem a cena final. Algo sobre a contratação de uma estrela, convidadaespecial. Shonda e Peter convidaram alguém grande. Isto é completamenteincomum. Normalmente, acabamos de ler todo o episódio e nada é retido. Issodeve ser algo especial, se eles estão segurando-o até o fim. Enfim, o episódioé sobre segredos.Viro-me para Patrick e digo: "Então, todos os meus segredos estãodescobertos. E os seus? "Ele se assusta um pouco, mas não o suficiente para que eu realmente registreisto. Ele continua a ler o script, enquanto responde, "Talvez eu não tenhasegredo nenhum”.Dou-lhe um longo olhar. Talvez ele não tenha mesmo. Eu era a única quementia. Eu era única que tinha segredos. Assim como Meredith. Mas algumacoisa está esquisita com esse script. Ele não olha para mim quando ele dizisso. Ele está lendo seu script, mas sua voz está, definitivamente, esquisita.Eu sou puxada dos meus pensamentos, porém, quando Sandra me cutuca noombro e pergunta, "Quem é aquela?”Dirijo meu olhar para a porta e com certeza é uma pessoa que eu nunca tinhavisto antes: um vermelho muito gritante nos cabelos, com características muitonítidas. Seus olhos são muito grandes, a boca, mais ainda, com maçãs dorosto que continuam para sempre. Ela é linda de uma maneira muito marcanteque se poderia chamar de quase masculina. Porém, quem é ela?Shonda a leva até nós e pára na porta. "Todo mundo, eu gostaria deapresentá-los à Kate Walsh. Ela vai se juntar a nós para os próximos 5 ou 6episódios. Kate, todo mundo, todo mundo, Kate”.Kate caminha com a desenvoltura de uma rainha, os lábios, levantando-se numsorriso, mas temperados pela saudação a toda uma série de pessoas aomesmo tempo. Dá a todos a uma saudação ou alguma forma dereconhecimento.
  10. 10. "Vou apresentá-la a um por um mais tarde”. Shonda diz a Kate. "Mas, poragora, devemos começar”."Bom”. Kate concorda e segue Shonda para se sentar na cadeira.Meus olhos a seguem quando ela se senta, e eu vejo Paddy fazendo a mesmacoisa. Seu olhar não é o de quem quer saber quem ela é, porém, é um olharapreensivo. Apreensão? Shonda sussurra algo para Kate, e em seguida, Kateolha para nós dois e sorri. Eu sorrio de volta, ou pelo menos eu acho que eufaço isso. Provavelmente sai mais parecido com uma careta. A estrela foiconvidada para 6 episódios? Isso seria até o começo da segunda temporada,certo? Por que ela não se apresentou antes? Dizer que a minha curiosidadeera doentia seria um eufemismo."A última cena é apenas entre vocês três”. Shonda diz a Paddy, Kate, e pramim, enquanto ela segura as mãos sobre uma pilha muito curta de scripts. "Istovai mudar um monte de coisas sobre a série, assim eu quero manter isto sobapertado segredo”.Então ela se vira para o resto do elenco e diz: "Então isso significa que tudo oque acontece hoje não pode sair para fora desta sala”.Todo mundo ficou inquieto em suas cadeiras. A divertida camaradagem queapareceu após a leitura de um episódio divertido desapareceu. Até agora, asérie tinha sido bastante simples. Tinha havido algumas surpresas, comoChristina estar grávida, mas nada enorme. Deslizo meu olhar para Paddy, masele não está olhando para mim. Ele partilha um olhar com Kate. Algo estáacontecendo aqui.Shonda tira as mãos dos scripts, e eu fico atenta, quando ela diz, "Vamos emfrente”.Se eu pudesse descrever seu rosto, ela teria se parecido com o de uma criançana manhã de Natal, no segundo antes de os presentes serem abertos.Francamente, isso me assusta.Eu olho para baixo e Patrick lê em voz alta, "Dia longo”.Eu posso ouvir um alfinete cair enquanto eu lia, "Sim”."Em algum lugar por aí existe um bife com seu nome gravado e talvez umagarrafa de vinho”. Paddy responde com uma voz monótona. Não deveríamosestar comemorando indo jantar? Em vez disso, o sentimento era como umamarcha fúnebre."É por isso que tenho você por perto”. Eu respondo a partir do script."Precisamos conversar”. Ele diz. Ah, conversar. Então ele tem algum tipo desegredo. Eu sabia.
  11. 11. "Vinho primeiro, conversa depois”."Está tentando me embriagar para tirar vantagem de mim?” Patrick diz umpouco lacônico. Nós dois nos lembramos da conversa de Meredith seaproveitar de Derek bêbado, ou dele aproveitando-se dela bêbada. Foi umacena muito divertida de se filmar.O roteiro fala de uma mulher deslumbrante (que eu assumo que seja Kate)entrando na cena por trás de Derek, enquanto ele me ajuda a colocar o casaco."Eu acho que gosto dessa coisa das regras”. Eu digo, referindo-me a umaconversa no início do episódio sobre o estabelecimento de certas regras, paranosso relacionamento. Mas eu olho para Kate enquanto estou dizendo isso.“Eu também”. Diz Derek, mas minha atenção está de volta em Patrick, porém,quando ele lê, "Meredith, eu sinto muito. Addison ... O que faz aqui?”Eu não posso demorar, assim eu olho para baixo para ler o restante. "Saberiase tivesse decidido atender um dos meus telefonemas”. Minha cabeça flutua emeu coração pára em meu peito.Eu olho para ela quando ela diz, "Oi. Sou Addison Shepherd”.Minha visão permanece nela por alguns segundos, antes de deslizarinvoluntariamente para Patrick. "Shepherd?” Eu pergunto, mas eu realmenteestou perguntando outra coisa.O rosto de Paddy não era o de um marido errante pedindo o perdão para suanamorada. É demasiado cedo para isso, esta é apenas uma leitura. Nenhumde nós teve tempo para processar o que vai acontecer com nossospersonagens. Eu esperava que ele estivesse tão surpreso quanto eu. Exceto,que ele não estava. Ele estava sentado na cadeira com a perna cruzada, damesma maneira que estava quando eu tinha lhe pedido para me beijar. Mas,enquanto no beijo seu rosto estivesse cheio de apreensão, curiosidade edeterminação, agora ele só parecia simplesmente culpado. Como ele ...?E então eu soube. A conversa com Peter. O dia em que ele havia mentido paramim. Ou o dia que eu o tinha pegado em uma mentira, porque, quem sabequantas vezes ele tinha feito isso antes. Ele me beijou. Deixou-me pedir a eleum beijo, quando ele sabia que não haveria mais cenas de nós dois nosbeijando por um bom tempo. Ele sabia o que ia acontecer, e ele ainda tinha medeixado pedir o beijo. Aquele IDIOTA!Meus olhos se estreitam quando Kate diz a fala final para uma platéiaextasiada. "E você deve ser a mulher que está transando com meu marido”.Um coro de suspiros ecoou pela. Um solitário assovio desaparece e morre.Logo em seguida, a pequena quantidade de mim que era Meredith, que estavalocalizada em algum lugar abaixo do meu peito, decidiu crescer e espalhou-sepelo meu sangue, como uma metástase; Meredith estava com raiva, eu estava
  12. 12. com raiva. Nossa raiva se fundiu e tornou-se uma. É não importava se era aminha raiva abastecendo Meredith, ou se era a raiva de Meredith abastecendoa minha, porque naquele momento, realmente não importava: nós éramos uma.PATRICK:Bem, isso vai ser divertido. Eu acho que eu não tinha realmente pensado sobreo que significaria para Derek ter uma mulher aparecendo na série.Eu só estava pensando em me separar de Ellen fisicamente, eu não tinharealmente pensado sobre o fato de que ela ficaria tão chateada comigo. Meupensamento era honesto no momento em que Peter me contou sobre Addison?Socorro. Meus pensamentos são honestos agora mesmo? Estou um poucoassustado. Eu suspiro com esse pensamento. Eu mereço. Bem, Derek merece.Bem, talvez eu também. Só um pouco.As coisas ficaram um pouco estranhas durante duas semanas. Acho que eudeveria saber que isso aconteceria depois daquele beijo. Coisas como essassempre mudam as coisas. Mesmo que aparentemente não tivesse significadonada para ela, significou algo para mim, e não havia volta para isso.Mas não foi isso que fez as coisas ficarem estranhas. Tínhamos andado o restodo caminho de volta para o quarto de hotel juntos, conversamos sobre outrascoisas vazias, e tinha sido bom. Na leitura que tivemos, nós brincamos e rimoscom os outros como nós fazíamos.Foi quando Kate tinha se mostrado que as coisas tinham mudado. Eu sabiaque elas iriam mudar. O olhar de Ellen quando ela descobriu, Deus, eu desejoque eu pudesse voltar no tempo. Foi de alguma forma pior do que o olhar queela tinha depois da briga com Chris. Chris não a tinha traído. Bem, eu não atinha traído exatamente. Eu não podia ter dito a ela, mesmo que eu quisesse.Peter foi muito explícito a esse respeito. Ele não tinha me dito exatamente oque iria acontecer. Tudo que eu sabia era que eu não teria que fazer qualquertipo de cena íntima com Ellen, pelo menos até ao final da temporada, porqueminha esposa estava voltando para a cidade. O que iria acontecer com aesposa, eu não tinha idéia. Mas esse olhar! Eu não podia tirar esse olhar daminha cabeça.Eu não via mais este olhar, mas ele ficou comigo. Era melhor este olhar do quea outra alternativa. Eu tinha conseguido o que eu tinha pedido, agora eu tinhaque viver com isto. Nós não tínhamos a camaradagem fácil de antes, as coisasestavam um pouco distantes, digamos assim, certo? Mas isto era o que eutinha pedido, né? Nós ainda passávamos as nossas falas juntos no trailer, nósfizemos nossas cenas juntos (fiquei particularmente impressionado com suacapacidade emotiva quando ela me contou sobre sua mãe ter Alzheimer), mas
  13. 13. tinha algo definitivamente diferente. Algo indefinível. Algum grau de separaçãoque não tinha estado lá antes.Tudo bem, chega de se lastimar, Patrick, apenas junte suas merdas.“Então porque você não me disse alguma coisa antes disso?” Pergunto a Peterenquanto eu descanso contra um balcão do hospital, tomando a minha terceiraxícara de café do dia.Esta noite, o resto do elenco e da equipe foram filmar algumas cenas no Joe’s.Ellen e TR estão no guarda-roupa. Então eu fiquei esperando para fazer asminhas cenas. Eu odeio mesmo pensar sobre quão tarde iria ser quandofinalmente eu chegasse hoje à noite em casa."Você quer dizer sobre a esposa?” Peter responde distraidamente enquantoele assiste a equipe configurar a iluminação, as marcas e tudo o mais quepossa necessitar."Sim”. Eu respondo, enquanto vejo como chovia forte em Los Angeles. Nadapoderia ter criado algo melhor para o momento: neblina, chuva espessa caindoem baldes e o início da noite se transformando em escuridão. Por algumarazão, isso correspondia exatamente ao meu humor."Não pergunte a mim, eu não sou o escritor”. Ele responde alegremente, e eufico assistindo Ellen e TR passear na esquina.Eu suspiro, mas isto não torna as coisas mais fáceis. Eu realmente estou tendodificuldades com isso. De um cenário futuro, neste mesmo episódio, pensandocomo meu personagem, eu sei que Derek deixou Seattle porque Addison oenganou. Mas por que não dizer isto a Meredith? Era sobre isso queprecisávamos conversar? Se eu tivesse contado a ela sobre Addison e nuncativesse tido uma chance com ela? Ou eu estava com medo de que se eucontasse a ela que eu era casado, ela iria se assustar? Eu tive dificuldade atépara convencê-la a sair comigo em primeiro lugar.Ellen vai até a área que eu estou esperando, mas não chega perto do balcão.Como eu disse: está mantendo distância. Ela está com uma camisa de mangaslongas roxa e sobre-pêlo. O mesmo casaco que eu tinha endireitado umasemana atrás, nesta mesma porta, onde Addison tinha feito sua entrada. Elaolha para a cena, certamente se lembrando de tudo também e pensando sobreo que ela vai dizer e fazer. Ela não sorri. Seu rosto está definido em uma linhasombria que está muito distante de seu jeito de menina costumeiro."Ei”. Eu a chamo para quebrar o silêncio."Ei”. Ela diz com um sorriso. Na verdade, ela mal olha para mim. Ela continua aolhar fixamente para a entrada, apenas dando um pequeno piscar de olhos naminha direção, reconhecendo a minha existência. Huh?Levanto-me reto e puxo meu jaleco cirúrgico sobre a minha camisa com
  14. 14. colarinho e pullover. "Você está zangada comigo?” Pergunto antes mesmo deeu saber que as palavras se formaram na minha mente."Claro!” Ela responde com um grunhido. Ela fica sorrindo. Não um sorrisomaldoso, mas um sorriso raivoso."É isto é por que não te falei sobre Addison?” Pergunto, enquanto eu tentomeditar sobre as possibilidades. Quer dizer, eu sabia que ela poderia estarlouca de raiva de mim, por não ter dito a ela, mas ela tinha que entender queeu não podia contar para ela.Ela olha para mim como se eu fosse um idiota. "É claro que isto é sobreAddison. Isto é sobre aquela cena, não é?” Ela observa e, em seguida,silenciosamente, se volta quando Peter vai até ela.Oh, isto é sobre a cena! Eu sou um idiota. Eu realmente pensei que ela estavacom raiva de mim!“Certo Ellen, você vai agir como você estivesse indo embora. Você começa asair por aquela porta, e em seguida, Patrick vai atrás te seguindo”. Peter dirige."Você está pronta?”"Sim. Estou pronta”. Ela concorda com determinação, enquanto ela garanteque a bolsa sobre seus ombros está firmemente presa e não vai a lugarnenhum. "Agora não seja boa para ele. Você acabou de descobrir que ele tinha umaesposa este tempo todo. Você ficou surpreendida. Não dê a ele qualquerchance de se desculpar”. Peter diz a ela com um sorriso orgulhoso para mim."Obrigado, homem”. Digo sarcasticamente.Ele apenas ri silenciosamente de mim, quando Ellen se vira para me olhar. Sealguma vez houve um olhar de expectativa do mal, era aquele. Eu quasepoderia pensar que ela estava olhando para a frente, se eu não a conhecessemelhor. Poderia ter sido a iluminação, mas eu tinha certeza de que seus olhosbrilharam. E eles podem ter até piscado com uma tonalidade avermelhada,mas eu não estava totalmente certo."Ok, tomem seus lugares!” Peter grita e a equipe entra em ação.Ellen se dirige direção às portas sensoras como uma mulher que tenta escaparde uma situação desagradável. Eu dou uma corrida atrás dela e digo,"Meredith!”“Desapareça!” Ela ordena para mim quando eu chego perto dela."Espere. Devíamos conversar sobre isso”. Eu falo, quando ela se vira e mesurpreende com sua veemência."Aqui está uma idéia: não! Pare de me seguir!” Ela praticamente cospe em
  15. 15. mim. Uau. Todo o seu corpo está em chamas com a sua raiva. Seu porte éereto, os olhos estão arregalados com tanta raiva mantida em segredo.Fico estático, alguns passos para trás e digo, "Pelo menos deixe eu explicar!”Oh garoto. Eu sabia que era a minha fala, que eu deveria dizer, e ela também,mas era claramente a coisa errada a dizer."Explicar? Devia ter explicado na noite que nos conhecemos no bar. Antes doresto todo. Teria sido uma boa hora”. Ela grita com uma vulnerabilidade que édolorosa, mesmo sabendo que era atuação.Eu tipo meio que concordo e estou tão preso em sua raiva que me esqueço daminha fala seguinte. Tudo fica em silêncio por um segundo. Acabei de ficar lá.Ela fica de costas para mim e então alguém grita “Corta!”"Olha, sei como se sente”. Peter diz quando ele vem por trás de mim e põe amão no meu ombro."Hein?” Pergunto quando fico em confusão."Sua fala!!” Peter sugere não-tão-sutilmente.Ellen se vira novamente e passa por mim, bufando, praticamente arrancandomeu cotovelo no processo. Eu fiquei perplexo. Com certeza minha boca estápendurada bem aberta, eu silenciosamente pergunto a Peter o que diabos estáacontecendo. Sua única resposta é dar de ombros e colocar a cabeça paratrás da câmera. Volto à minha posição inicial de correr atrás dela e nósfazemos tudo de novo.Eu chamo Meredith de novo e, se possível, sua voz está mais veementequando ela grita "Desapareça!”A indignação aumenta dentro de mim quando eu lhe peço mais uma vez paraesperar para discutirmos isso. Eu juro que as chamas do inferno se levantamem seus olhos enquanto ela grita "Aqui está uma idéia: não! Pare de meseguir!”Os olhos dela queimam com uma intensidade que eu nunca vi em um atorantes ou depois. A raiva é tão real que eu tenho dificuldade em separar a iraque é dirigida a mim da que é suposta ser dirigida a Derek.E então vejo algo em seus olhos, e eu sei que esta é a Ellen quem eu estouvendo. Eu não posso dizer como eu sei disso, mas sei. E então eu adivinho doque se trata. "Pelo menos deixe-me explicar!” Falo com um pouco mais deentendimento do que se trata.Ela parece ouvir algo na minha voz, porque quando ela se vira, ela fala,"Explicar? Devia ter explicado na noite que nos conhecemos no bar”, sai bem,mas eu sou o único a sentir sua voz falhando quando ela disse, Antes do restotodo. Teria sido uma boa hora”.
  16. 16. Minha mente insere automaticamente a palavra em falta. Beijada. A noite emque nós nos beijamos. Oh meu Deus, como eu poderia ter sido tão estúpido?"Olha, sei como se sente”, digo. Só que isto não é realmente o que eu querodizer. O que eu realmente quero dizer é que lamento, mas eu não posso. Eutenho que dizer a fala de Derek."Sabe?! Por alguma razão duvido disso. Pois se soubesse, calaria a boca,daria meia-volta e voltaria lá pra dentro, pois entenderia que estou prestes aentrar no meu carro e te atropelar no estacionamento!” Ela grita para mim e emseguida foge junto com TR que coloca um guarda-chuva sobre ela.Eu fiquei de pé lá. Eu estou lá, e eu mereço isto. Ellen estava certa. Eu deveriater dito a ela. Eu deveria ter dito a ela antes de beijá-la. Mas o que eu poderiater dito a ela? O que eu poderia ter dito a ela realmente? Eu sinto muito, euestava tão afetado pela nossa cena juntos, que Peter ficou triste o suficientepara dizer-me uma prévia? Que ele me conhecia tão bem que ele sabia o queeu ia pedir antes que eu realmente pedisse? Que de alguma forma, quandoeu a tinha beijado, não me importei, pois não iria haver mais cenas na camajuntos? Eu precisava saber. Para mim. Eu tinha que saber para mim. Não eramais simples ou mais complicado do que isso.E agora eu sabia. E ela sabia que eu tinha sabido sobre Addison. E ela estavachateada. O que era provavelmente uma boa coisa. Seu pequeno deslizesignificou que tivemos de fazer a cena de novo. Peter nos fez repetir a cenatantas vezes que eu fiquei tão cansado e desgastado que eu só queria gritar.Ellen grita, vou tentar justificar as coisas, e ela grita mais um pouco. Eu sei queela tem razão, porém, e apenas como Derek, eu ia ficar lá e aguentar. Eumereço.No momento em que o corte final é chamado, estou fisicamente e mentalmenteesgotado. As palavras e as acusações de Meredith, caíam como uma luva paraEllen. Meredith/Ellen estava muito magoada comigo. E eu tinha que aceitarisso. Era o que eu queria. De certa forma. Eu estava feliz. Fiquei aliviado. Masserá que isso explica por que, quando Peter tentou falar comigo quando eu iaembora, eu me recusei a conversar? Será que isso explica por que quando eutropecei em um dos brinquedos de Tallulah na porta da frente, naquela noite,eu o chutei com tanta força que ele voou para o quintal? Pena que isto não mefez sentir-me melhor.
  17. 17. ELLEN:“Então qual é o problema?” Sandra pergunta do outro lado da nossa mesa. Euestou bebendo um mojito com um canudo terrivelmente pequeno."Do que você está falando?” Eu respondo de volta o mais suavemente queposso, mas sei que meu coração realmente não está ali. Eu preciso falar comalguém. Eu quero falar com alguém. Eu pedi a ela para irmos até aquele barpara que eu pudesse conversar com ela. Eu não queria falar sobre Paddy, masseu nome ainda parece entrar em meus pensamentos com freqüênciacrescente."Oh, vamos lá, você é uma atriz muito boa, eu tenho certeza que você é, maseu quero dizer o quanto estupendamente você atuou naquela cena comPatrick. Você deve ganhar um Emmy por ano, pelo resto de sua vida, ou vocêestá regiamente chateada com Patrick por alguma coisa“."Sim, sua esposa apareceu”. Eu falei de dentro da minha miséria.Eu nem havia percebido o que eu tinha dito, porque de repente sua voz sooumuito divertida quando ela pergunta, “Você quer dizer que ela apareceudurante as filmagens, ou algo mais metaforicamente?”Eu fico olhando para ela como se brotasse chifres de sua cabeça. Então eupercebi que eu disse. "Não, não, eu quis dizer foi a Addison aparecendo”.Agora é sua vez de imaginar objetos imaginários brotando da minha cabeça,exceto que provavelmente seria como um bando de aves voando ao redor daminha cabeça e dizendo coisas como "Cuco”. "Você está ciente de que
  18. 18. Addison é a mulher de Derek, e que ele é o personagem de Patrick em umasérie, e que ela é paga para agir como a mulher dele, não a esposa real, quese chama Jill e vive em Beverly Hills, certo?”"Sim”. Eu assobio com aborrecimento. "Tudo bem, eu estava apenas checando”. Ela responde quando ela se inclinapara trás em sua cadeira e fica olhando para mim, só esperando para eu contarpara ela qual é realmente o meu problema.Após um longo silêncio, eu digo, "Tudo bem, tudo bem. Ele mentiu para mim.Você está feliz?”"De novo?” Ela pergunta com as sobrancelhas para cimaOh certo, novamente. De repente, torna-se óbvio para mim, naquele momento,que tantas mentiras aconteceram no mesmo dia. Humm. Eu devo ter um olharestranho no meu rosto porque Sandra pergunta, "O que foi?”“Eu não sei”."O que você quer dizer, com você não sabe?”“É só que...” Pedaços de coisas começam a se formar em meu cérebro cheiode álcool. “Você se lembra daquele dia que ele mentiu sobre porque não veiopara o café da manhã?”"Sei, aquele, ‘oh, tão conveniente, eu acordei tarde, me desculpa’?” Ela diz."Pois é. E então, quando cheguei no trabalho você me disse que ele tinhaficado com Peter o todo o tempo que você estava lá, certo?”"Sim”."Humm.” Eu respondo, mas é mais um gemido do que qualquer palavra real."Humm, o que?”"Paddy sabia sobre Addison”. Digo sacudindo o meu canudinho que oscilacomo uma varinha de condão, com a ênfase. “Eu não estava olhando paraSandra, porém. Eu estava olhando para trás em minha memória, para aqueledia, e o que poderia significar."Você tem certeza?” Sandra pergunta com interesse. Eu posso ver seu cérebrorodando quando ela pensa sobre o que aquilo pode significar."Sim, e aquele bastardo não teve a decência de me dizer sobre isso. Eleapenas me deixou ser ignorante e eu tive que descobrir quando ela apareceutoda pernalonga e fabulosa”. Digo quando o meu canudo de repente se tornaum objeto bom para espetar o gelo remanescente no copo. Clunk, Clunk, clunk.
  19. 19. “Ok, agora você está me assustando”.“Por quê?” Pergunto de um golpe."Você está agindo como se fosse Meredith”.Isso me deixou gelada. "Eu fiz isto, não fiz?”"Fez”.Eu suspiro e empurro o copo agora vazio para longe de mim. Eu não iria dizermais nada, porém, Sandra pergunta, "Então é por isso que você brava comele? Por que ele não te contou sobre Addison? Aposto que Peter disse a elepara não contar”.“Por que ele faria isso?” "Peter?”"Sim”."Talvez ele pensasse que sua atuação seria mais autêntica, ou algo assim. Sevocê soubesse, talvez a cena não ficasse tão bem sucedida como elesqueriam”."Mas eu descobri na leitura, de qualquer forma”."Eu não sei de nada. A Administração pode ser esquisita dessa forma”. Dizela com um encolher de ombros.Só então a nossa garçonete aparece. Ela usa uma sombra cintilante prata etem os cabelos loiros platinados o que eu acho ridículo, mas é agradável einócua, basta ter o que você precisa em um garçom."Vocês aceitam mais alguma coisa?” Ela pergunta com uma doçura de açúcarfalsa em sua voz, do jeito que todas as garçonetes se expressam.Eu olho para a minha bebida em câmera lenta. Eu sei que o álcool já estásaturando minhas veias, mas hoje eu realmente sinto como se estivesse nalixeira."Só mais um, obrigada”. Eu digo e Sandra segue o pedido. Não pense que eunão notei o arco de incredulidade de suas sobrancelhas embora. Eu não tinhanenhuma cena para filmar até amanhã à noite. Eu posso beber o que euquiser."Então, você está chateada com ele porque ele não te informou sobreAddison?”“Estou”. Eu respondo mal humorada. Eu tenho certeza de que meus olhos
  20. 20. estão estreitos demais, como se ele estivesse bem ali, para que eu pudesseolhar para ele com raiva."Ele deveria ter me contado antes do resto!” Digo com um grande gesto devarrer o meu braço no ar."Você percebe que você está citando a série novamente? E do que você estáfalando aqui?” Ela pergunta quando garçonete traz nossas bebidas.Sandra pega o dela e começa a tomar um gole quando eu grito, "Antes que eleme desse aquele beijo maldito!”Sandra começa a sufocar descontroladamente."Eu apenas lhe pedi para me beijar porque eu pensei que nós teríamos quefazer mais cenas de beijo juntos. Mas nãooooo, ele sabia que não faríamosmais. Ele sabia o tempo TODO!”A asfixia de Sandra diminui, mas eu tenho certeza que os pássaros-cucodecidiram fazer um retorno permanente voando ao redor da minha cabeça, seo olhar no rosto dela for qualquer indicação disso."Você pediu para Patrick beijá-la?” Ela pergunta, hesitante, e depois como umadendo, "E o tempo todo o quê?”"Sim, mas apenas porque Chris me acusou de estar atraída por ele”."E você está?” Ela pergunta com olhos curiosos, enquanto ela leva suabebida até seus lábios.Eu penso nisto por um segundo. Eu penso no brilho dos seus olhos sobre mim,quando ele está me provocando. Eu penso sobre a forma como os meus dedosse enredam em seus cabelos cheio de produtos. Eu penso sobre a formasuave de seus lábios nos meus que eu ainda posso sentir, mesmo semanasdepois de ter acontecido." Está parecendo que sim”. Sandra diz com uma diversão leve em sua voz."Isto passou do ponto, porém”."E qual é o ponto?”"O ponto é que eu pedi-lhe para me beijar porque eu não tinha certeza se eramapenas meus sentimentos como Meredith, que estavam ficando no nossocaminho. Dessa forma eu poderia voltar a Chris e dizer-lhe honestamente quenão era nada. Se eu não sentisse nada, é isto”.Ela solta uma gargalhada e pergunta maldosamente. "E como foi essetrabalho para você?”
  21. 21. Agora era a vez dela de ser a destinatária do meu olhar de morte."Novamente, esse não era o ponto.”Ela levanta as sobrancelhas novamente e olha para mim, como se eu nãoestivesse não só louca, mas delirando também."O ponto é que ele sabia o tempo todo que ele estava beijando-me e que istonão importava porque nós não vamos nos beijar mais no futuro de qualquermaneira. Então, por que me beijar, então? Por que me humilhar assim, paraquê? O que ele poderia querer com isso?”Através na névoa induzida pelo álcool, vejo-a me encarando avaliadoramente.O que ele poderia querer com isso? E então eu sei. Eu sinto o sangue escorrerda minha cara, e eu sinto um formigamento em lugares que eu definitivamentenão deveria estar sentindo, pelo meu co-estrela muito casado. Eu olho paraSandra com o recém-encontrado conhecimento gritante em meu olhar. Eu vejoquando ela arqueia as sobrancelhas significativamente para mim.***************************Estamos de volta no trailer Airstream de Derek novamente. O cadillac vintageprata sentava-se aborrecido e brilhante sob a luz temporária do lote. O jipe deMeredith está alinhado com o trailer na grama. Patrick está relaxadamentesentado nas escadas do trailer enquanto eu me encosto no capô do meu carro.Tenho uma leve dor de cabeça por causa de todo o álcool que eu bebi a noitepassada, mas eu dormi e eu teria que estar irregular e irritada mesmo para asfilmagens, então isto vem a calhar."Uma noite, eu estaciono o carro, abro a porta, entro em casa e algo estádiferente. Nada está diferente, tudo é o mesmo, mas ainda assim algo estádiferente”. Derek me diz.Esta é a história de Derek. Estas são as falas de Derek, um Derek que eununca vi antes. Este não é o sexy, glamouroso, neurocirurgião confiante. Este éo homem por trás da máscara cirúrgica. O homem que preenche o uniforme e ojaleco, mas que escondia um mundo de dor por baixo de um exterior confiante.Várias coisas caem no lugar.Enquanto Meredith, eu apenas ficava lá e esperava o resto da explicação. E eufico lá por um tempo. E então eu sei.Patrick engata sua voz, e eu posso sentir a dor flutuando para fora dele. É tãoreal. Eu sei que isto é a história de Derek, mas é como se Patrick batesse emalguma dor oculta e trouxesse-a para fora. Ela diz: este sou eu, isso aconteceucomigo. Eu estou tentando não ficar brava com ele, mas as minhas revelaçõesda noite anterior lavaram qualquer vestígio de enfurecimento. Mas, Meredithainda está com raiva, por isso eu fico com as minhas mãos nos bolsos emantenho a minha distância."Sabe, há momentos para mim, normalmente na sala de operação, quando seio que está prestes a acontecer”. Ele diz com um olhar assombrado. Esta é a
  22. 22. décima vez que eu o escuto dizer isso, e sua voz está cada vez mais profundae diferente.Desta vez, ele toma um gole de sua cerveja antes da minha hora de me juntara ele na escada. Eu não estou muito certa sobre uma mulher que teve o tapetepuxado de debaixo dela, ir se sentar ao lado da pessoa que puxou o tapete,mas Peter insistiu. Ao mesmo tempo, era difícil resistir ao impulso irresistível deconfortá-lo, embora eu soubesse que isto não é a história de Patrick. Ou era?"Então subi as escadas. E no que atravessava o corredor, tentava me prepararpro que ia ver quando entrasse no quarto.” Ele diz quando eu chego perto dele.Eu penso sobre minha revelação de ontem à noite enquanto ele me passa agarrafa. Três mentiras. Isto é o que eu penso: três mentiras."Pisei num paletó que não me pertencia. E tudo que eu achava que sabiacomeçou a mudar. É tudo uma merda. Porque o paletó que não me pertenciaera um paletó que eu conhecia. E o que eu sabia era que quando entrasse nomeu quarto, não ia somente ver que minha mulher estava me traindo. Ia verque minha mulher estava me traindo com Mark, que por acaso era o meumelhor amigo ....”Seus olhos estão duros e refrescantes ao mesmo tempo. Parece que ele vaichorar a qualquer momento, mas seu cérebro não foi pego com ele. A raivaestá muito próxima da superfície para permitir qualquer outro sentimento. Umatristeza, uma raiva e uma vulnerabilidade, que eu não acho que eu tenha vistoantes, o envolvem."É tudo tão rotineiro, vulgar e sujo e cruel. Na maior parte, cruel. Fui embora.Vim para cá”."E me conheceu”. Eu digo, mas se é Ellen ou Meredith dizendo isso, eu nãofaço a menor idéia."E te conheci”. Ele diz isto com a veracidade dessa declaração em seus olhos.É difícil dizer se é Derek ou Patrick respondendo, porque a mensagem é amesma: Me desculpe. Desculpe a dor que eu causei, estou pesaroso que vocêtivesse que passar por isso, desculpa porque eu tinha que passar por isso.Mas o momento é quebrado quando eu me levanto para encarnar Meredith. "Eo que fui para você? A garota que você ferrou para esquecer ter sido ferrado?”Derek responde, "Você foi como recuperar o fôlego. Como se eu estivesse meafogando e você me salvou. É tudo que eu sei”.Aquela eram as palavras de Derek, por isso não tenho qualquer problemaseparando-me. Essas são palavras escritas. Patrick iria fazer uma piada sobreisso. Umas duas semanas atrás, eu poderia imaginar ele brincando, fingindoque ele havia se afogado e a única maneira de salvá-lo seria a respiração bocaa boca.Porém, Meredith não está completamente pronta para perdoá-lo, então eu
  23. 23. endureço minhas feições e digo: "Não é suficiente” e entro no meu supostocarro. Meredith se afasta, mas eu fico no set, enquanto Derek é filmadodisparando alguns chutes frustrados dentro do trailer. Ele é realmente bom nosapateado.
  24. 24. Sento-me no carro, e penso em todas as vezes que ele mentiu para mim. O diaem que ele não foi para o café da manhã; quando disse que Derek não tinhaquaisquer segredos quando ele sabia da esposa, e o outro. O importante. Maseles realmente eram os mesmos. Uma enorme mentira embrulhada em todas.Essa foi a minha revelação. Isso é o que eu tinha percebido.Quando as câmeras são desligadas e a equipe começa a embalar osequipamentos, eu saio do jipe. Paddy está conversando com Peter e algunsdos membros da equipe, mas eu não me aproximo dele. Sento-me no mesmolugar em que estávamos filmando anteriormente, o mesmo local exatorealmente.Eu não preciso olhar, para que ele saiba que eu estou lá. E com certeza, asvozes morrem e as conversas acabam. As luzes são apagadas, portas decarros são batidas, e o som de motores permeiam o ar, quando um corpoquente senta-se ao meu lado."Ei”. Ele diz com um sorriso pequenino que é exclusivamente seu e contémtodo o calor do mundo."Ei”. Eu respondo, com certeza, da mesma maneira.Porém, esta é uma saudação desconfortável. A última vez que nós nostínhamos visto, eu estava gritando com ele o tempo todo. Bem, era Meredithquem gritava, mas eu (Ellen) não escondi a mágoa que eu estava sentindo porPaddy também. Eu diria que estava muito em contato com meu lado raivoso.Ele oferece a cerveja como uma oferta de paz. Eu a pego, mas eu não tomoum gole. Também era apenas água, depois de tudo. O beijo e as mentiras eKate e uma série de outras coisas correm em volta do meu cérebro, mas eunão estou pronta para enfrentar qualquer uma delas. Não ainda."Isso foi...” eu ia começar a falar, quando eu olho de verdade para ele, e sóposso pensar em uma palavra para descrever isso. "Você está lindo”.Seus olhos brilham e ele parece muito satisfeito, mas também inclina a cabeçacom vergonha. Espanta-me sempre como um exemplo de boa aparência ehomem de talento pode ser tão humilde. Posso dizer que ele não sabia o quefazer com o elogio, então eu devolvo a garrafa. Ele toma um gole, e seus olhosainda estão assombrados pela cena que tinha acabado de filmar.Sem olhar para mim, ele diz, "Sabe, a minha primeira esposa e eu nos traímosvárias vezes”."Rocky?” Eu meio que guinchei. Quer dizer, o que você pode dizer sobre isso?Quer dizer, eu tinha ouvido todos os rumores, é claro, mas nada te preparapara o momento em que o seu co-estrela realmente diz isso para você."Mmm”. Ele acena a cabeça afirmativamente. Uma pequena palavra que dizquase tudo. Ou melhor, o que ele não diz fala mais alto.
  25. 25. Eu me pergunto como seria estar nesse tipo de situação. Uma mulher que tinhaidade suficiente para ser sua mãe. Ela era também a sua agente. Ela era amãe de seu melhor amigo. "Freudiano, ao extremo”. Ele diz respondendo aminha pergunta silenciosa.Eu não tinha idéia do que dizer, assim, em vez disso, eu falo, "Sabia que minhamãe morreu quando eu tinha quatro anos?”"Foi mesmo?” Ele pergunta, surpreso. Isto não era algo que eu realmentegostaria de falar. Isto foi uma coisa que me aconteceu. Isto era assuntoprivado.Eu posso ouvir a simpatia na sua voz, então digo, "O que significa que fuicriada pelo meu pai” ."Seu pai”. Ele repete confuso e simpático."O que é o italiano. Italiano de Boston”. Acrescento.Ele parece muito confuso, então eu continuo, "o que significa que eu posso serum tipo de mandona”.Ele sorri, porque ele já sabia disso."E cabeça dura”. Falo.Ele sorri um pouco mais, como se ele soubesse disso também.“E um bocado conflituosa”. Arremato."Não a minha pequena Ellie”. Ele responde, brincando, mas ambos sabemosque é verdade."O que me faz fazer e dizer coisas antes que eu realmente possa pensarnelas”. Eu digo, e nenhum de nós tem que pensar muito para saber do quêestou falando. Nossos olhos, de repente, acham a terra um lugar muitointeressante para se olhar."Ellen”, Ele começa com uma voz muito conciliadora.Mas eu tenho que falar o que eu vim aqui para dizer. Ou talvez seja amandona, a cabeça-dura, a pessoa conflituosa se mostrando. Eu o interrompo,"O que estou tentando dizer, é que eu não queria ter colocado você nesse tipode situação”."Você não...” Ele tenta dizer mais uma vez, mas eu o interrompo novamente.“Então, eu sinto muito sobre isto. Mas isso não deixa você menos malvado”.Digo, pois não consigo as palavras certas, mas então elas finalmentechegaram, "Por que você não me contou?”
  26. 26. Sua boca se abre para dizer alguma coisa, mas depois se fecha novamente.Quando ela se abre novamente, ele afirma calmamente, "Mas eu não podiacontar para você”.Mas ele não olhava para mim quando ele disse isso. Ele estava mantendo algoa distância.“Você quer dizer Peter?” Pergunto.Isso o faz olhar para mim. "Peter?” Ele pergunta confuso."Peter pediu para você não me contar?”Sua confusão se desvanece, mas deixa alguma coisa ali, alguma emoçãoindefinível que marca sua testa. "Sim, isto é verdade, Peter me pediu para nãote contar. Mas esta não foi a razão de eu não ter contado para você”.Ele volta a olhar para as árvores, então eu o puxo de volta, " Por que, então?”"Por que não contei para você?” Ele pergunta quando ele me olha de frente.Uma emoção indefinível está lá, junto com a tristeza e a raiva de mais cedo."Sim”. Eu respondo, ficando de pé."Você realmente quer saber?” Ele pergunta enquanto se levanta também.Eu realmente não queria saber o que ele poderia estar perguntando, mas euquero saber. Então, certamente o que aconteceu com Eva momentos antesque ela arrancasse a maçã da árvore da vida, eu comecei uma série deeventos que eu nunca poderia trazer de volta."Sim”. Eu respondo engolindo em seco.Tudo o que sei é que, em um segundo seus olhos estão nos meus lábios e nomomento seguinte seus lábios estão nos meus. Ele segura minha cabeça comsuas mãos e passa os dedos pelo meu cabelo. Seus lábios mal estão na minhaboca e sua língua já está empurrando a minha. Porém nada é suave, e sim, virile ardente. Estou inicialmente chocada, mas logo minhas mãos envolvem seupescoço, e nossas línguas estão se tocando freneticamente. Seus polegaresesfregam meus ouvidos enquanto nos beijamos ardorosamente. Eu soltei umgemido baixo. Mas logo que começou, tudo acabou. Ele puxa os lábios e asmãos para longe, e eu fiquei balançando um pouco na minha própria coluna.Atordoada e afobada e, ouso dizer, chocada?
  27. 27. Entre as respirações pesadas e quase com raiva, ele diz, "Você não acha queeu tinha que saber também, caramba?”"Mas você disse que não sentiu nada”. É a única coisa que eu posso pensarem dizer."Assim como você!” Ele deu saraivadas de volta."Foi você quem disse primeiro!” Eu digo apontando o dedo para ele.Ele fica de pé e grita, "O que você queria que eu dissesse? Que bem que teriafeito?”"Não teria feito de você um mentiroso”."Oh, isto é o roto falando do esfarrapado”."O que você está insinuando?” Reajo com a dignidade ofendida."Eu não era a única pessoa que tinha minha língua dentro da boca de outrapessoa há cinco minutos atrás”. Ele diz enquanto aponta para o local ondeestávamos sentados.Sem sequer pensar, o meu pé esquerdo chuta-o na canela. "Aii! O que foiisso?” Ele pergunta enquanto dá uns pulinhos a minha volta."Por ser um idiota! Digo e, em seguida, volto e me sento onde eu estava antes.O chute definitivamente tinha me chocado, pois era tão fora do meucomportamento. Tão rápido quanto a raiva tinha vindo, ela se dissipa quando omeu traseiro faz contato com a madeira novamente. Na verdade, a raiva passa
  28. 28. completamente, quando eu me inclino para trás e todo o meu corpo descansacontra a madeira. Eu solto um grande suspiro.Patrick pára de amaldiçoar, mas muito sabiamente decide sentar-se um poucodistante de mim, para não levar outro chute. Eu inclino minha cabeça paraolhar para ele, mas ele está olhando para o deserto."Veja. Eu não vou ser aquela pessoa novamente. Eu não vou ser aquelapessoa que não consegue se olhar no espelho. Eu amo Jill. Ela é a únicapessoa que eu posso sempre dizer que sempre esteve lá para mim”."Eu pedi alguma coisa para você?” Digo baixinho. Ele não responde nada,apenas olha para mim, até eu perguntar de novo, um pouco mais alto. "Eu pedialguma coisa para você?”"Não, mas ....”"Você é este homem”. Digo enquanto eu me afasto do trailer.Eu ando em direção a ele novamente, então ele pergunta, "Você não vai mebater novamente, vai?”"Não, mas, não me teste”. Digo quando eu fico na frente dele com as mãos nomeu quadril. "Eu lhe pedi para me beijar porque eu pensei que você fosse meuamigo”.Ele abre a boca para dizer alguma coisa, mas eu o interrompo novamente."Esse foi meu erro, porque você não é. Você estava certo. Eu sou a sua co-estrela. Eu deveria ter escutado você em primeiro lugar”.”Ellen”. Ele diz em voz baixa."Não, não sou mais Ellen para você”. Digo-lhe, e com firme convicção adiciono,"Não vai ser Ellen nunca mais. Da próxima vez que você me vir, eu sereiMeredith. E toda vez após isto”."Ellen”. Ele diz, quase implorando."Não, Eu estou saindo de tudo isto. Pegue tudo o que você sente por mim edeixe para Meredith, e eu vou fazer o mesmo para Derek. É tudo o que vocêtem que fazer. Eu não me importo mais”.Eu me importava sim, mas não vou dizer isso a ele. Há muita confusão sobreeste assunto. Esta é a única maneira de lidar com isso.Posso vê-lo processando as coisas em seu cérebro, mas então ele levanta acabeça e pergunta, "Você acha que isto é por causa do nosso trabalho?”"Tem a ver sim”. Eu digo e começo a andar. Eu ando até meu carro, entro, ligoo motor e o deixo aquecer. Parece meio irônico que a última vez que eu vejoPatrick ele está em pé em frente ao trailer de Derek com uma garrafa na mão.
  29. 29. A próxima vez que eu o vir, não haverá nada de Patrick. Pelo menos, era nissoque eu acreditava. A realidade tem uma maneira de ser um pouco maiscomplicada.PATRICK:Aparentemente, eu tenho sido um idiota. Assim diz a minha mulher que nãoestá, aparentemente, falando comigo. Eu aperto minhas mãos no volanteenquanto dirijo ao longo do Boulevard Santa Mônica.Aparentemente, eu tenho sido um idiota por um tempo. Eu poderiaprovavelmente dizer o momento exato em que me tornei um idiota, se eu fosseadmitir esse tipo de coisa. Mas eu não iria admitir. Não para mim edefinitivamente não para Jill. Eu não quero ser um idiota. Eu quero ser feliz. Eudeveria estar feliz!A série ia muito bem, na verdade estávamos indo celebrar, hoje à noite, o fimda temporada e para comemorar o início de outra temporada. O estúdio deuuma festa em comemoração. Eu tinha um emprego. Um permanente. Euestava empregado. Eu tinha estabilidade, pela primeira vez em muito tempo, eem vez de me sentir feliz e realizado, tudo que eu realmente queria, eraCHUTAR alguma coisa.Eu paro no estacionamento do restaurante Ocean and Vine. O motor morrecom uma virada da minha chave. Jill abre a porta do carro e sai. Um passeio decarro silêncioso. Era isto a que eu tinha sido submetido. Milha após milha desilêncio. O que era praticamente equivalente ao número de horas e horas desilêncio que tenho obtido de Ellen desde aquela noite no trailer de Derek. Nãoque ela não estava fisicamente falando comigo. Oh, ela está falando comigomuito bem. Mas, como Meredith. Sempre Meredith. Sempre esquisita Meredith.Eu abro a porta do carro e saio. Jill esperou por mim, mas ainda não diz nada.Ela está linda em um vestido de alça que cai em uma bainha para baixo deseus joelhos. Porém, ela sempre se vestia bem. Eu tinha casado com umamulher bonita. Ela agarra a bolsa preta bem apertada em vez de pegar a minhamão.”Olhe, Jill, me desculpe”. Digo quando ela está prestes a agarrar a maçanetada porta do restaurante. Era uma porta dupla muito grande, mas ésurpreendentemente fácil de abrir.Eu mantive-as abertas para ela poder passar antes de suspirar e dizer:"Podemos apenas acabar com isso e ir para casa? Eu não quero falar sobreisto agora”."Certo”. Digo suspirando.Caminhamos para o piso principal e descobrimos que o restaurante foitransformado em algo não completamente um restaurante, nemcompletamente um clube de dança. As mesmas janelas duplas no flanco direitoda parede inteira, mostrando o Pacífico através de uma estranha luz roxa. Uma
  30. 30. barra retangular com cadeiras ao longo dela compõe a maior parte do primeiroplano, enquanto o piso superior se transformou em uma pista de dança. Maisadiante, também no nível superior, tem uma lareira, rodeada por sofás depelúcia em forma de anel. Por sua própria vontade, meus olhos buscam umafigura pequena, com cabelos ondulados longos e meus ouvidos escutam umriso contagiante. Mesmo sem vê-la eu posso dizer que está no canto do bar.Com Sandra e seu marido, e, é claro, Chris.Eu me coloco em modo de festa, olho para Jill e pergunto, "Quer uma bebida?”**********************************“Então é assim que termina? E os papéis do divórcio, saem ou não?” Perguntoa Peter enquanto estou encostado no balcão, mordiscando uns amendoins,sobre a série.Do lugar em que estou, eu posso ver Jill sentada perto da lareira, bebendo umMerlot com Ellen. GRANDE, as duas pessoas que não estão falando comigo,conversam uma com a outra. A palavra ironia começa a assumir um significadocompletamente novo para mim naquele momento."Não, na verdade, eu não acho que a rede vai deixar-nos ficar com Kate.Addison, provavelmente, deve aparecer apenas mais uma última vez” Peter dizcasualmente.Isso prende a minha atenção. "Ah sim, agradeço por isso. Eu realmenteaprecio isto”. Digo, falando tanto por meu personagem como por mim."Eu acho que não tem nada a ver com você”. Peter responde rindo.Ficamos ambos em silêncio por um segundo, eu assistindo Jill e Ellenconversarem, Peter bebendo sua terceira taça de vinho. Lentamente, tentoesgueirar-me, "Então, ele realmente vai assinar os papéis de divórcio, nãovai?”Peter não pergunta de quem eu estou falando. Ele divertidamente responde,"Eu juro que sou inocente de qualquer fala programada para vocês”."O que significa que isto é ruim”. Eu falo com um suspiro.”Triunfo no Emmy”. Ele diz com um ligeiro aceno embriagado de sua cabeça."Grande”. Eu respondo com um enorme suspiro.Triunfo no Emmy queria dizer que alguém ia morrer ou entrar em coma ou queia ser um Terror. Eu achava que era o último.Naquele momento, eu vejo Jill levantar-se e dirigir-se para os banheiros. Chrisnão está a vista. Eu vejo a minha oportunidade. Eu ataco. Os amendoins sãodescartados rapidamente de volta para a tigela e um tapinha nas costaspermite dizer a Peter que eu iria sair do balcão.
  31. 31. Eu fecho o único botão do meu terno, enquanto eu faço o meu caminho até opequeno conjunto de escadas. Ela está de costas para mim, então ela não temoportunidade de me ver e caminhar na direção oposta.Sento-me rapidamente no local que Jill liberou e digo na forma mais levepossível, "Isto é estúpido”.Ela não me viu chegando, por isso, quando me sento tão de repente, ela seassusta, derruba o copo de vinho que estava ao seu lado, e gotas de vinhocaem nos seus sapatos. Ela grita, “merda! Graças a Deus eles são negros.”"Sua esposa acabou de sair para ir ao banheiro”. Ela resmunga.”Eu sei. Eu vim para conversar com você”. Eu digo quando eu me encosto nacadeira de pelúcia e tento agir,como sua frieza não significasse nada para mim.Ela coloca o copo de vinho em cima da mesa e se vira para mim. O verde deseus olhos reflete a luz do fogo, e eu me lembro de outro momento em outrofogo. Porque é que sinto como se fosse um milhão de anos atrás?"Falar sobre o quê? Falar se você vai assinar os papéis do divórcio?” Elapergunta enquanto gradativamente ela se senta mais longe no banco. Eu nãoposso dizer o quanto este pequeno movimento me machuca.”Não é sobre isso”. Digo em frustração."Então é sobre o quê? Você disse que queria conversar. Eu estouconversando”. Ela diz com os olhos fixos e a coluna reta, de um jeito que eununca tinha visto.Eu suspiro, cansado de tudo. Eu não quero isso. Eu nunca quis isso. Eu queroa minha velha Ellen de volta. Eu sinto falta dela. E naquele momento, eupercebo que não estou realmente preocupado com os beijos e com tudo aquiloque estava acontecendo entre nós. Era estúpido. Eu fui idiota. Eu não queronada disso. Eu só quero minha Elly de volta.Tento uma última tática. Com um suspiro, eu digo, "Bem, se você não querconversar, pelo menos você vai dançar comigo?”Eu vejo seu olhar em direção a pista de dança e, se possível, sua coluna ficaainda mais reta. Eu sei que ela vai dizer não. Mas então eu sou agraciado pelaprovidência divina, sob a forma de seu namorado, Chris, que se senta do outrolado dela."Ei cara”, Ele diz para mim de uma forma amigável, e então pergunta a Ellen,"O que está acontencendo, amor?”Eu sei que ela deve estar prestes a dizer que ela quer ir embora, ou para elelevá-la para outro lugar, então, antes que ela pudesse abrir a boca, eu digo,"Eu só estava tentando fazer ela dançar”.
  32. 32. "Oh, vou estar aqui quando vocês voltarem”. Ele oferece não tão galante,enquanto ele examina o rótulo da garrafa de vinho na borda da lareira.Ellen ficou apertada. Porque se ela diz não, então iria ter de explicar o motivopor que estava zangada comigo para Chris. Neste exato momento, eu amo oChris. Chris é meu melhor amigo."Sim, Chris, eu a trago de volta”. Digo com o meu melhor olhar de cãozinhoabandonado.Ela me dá um olhar de raiva, mas se levanta do banco. Eu dou a ela meusorriso mais brilhante e sigo até a pista de dança. Passamos por Sandra e seumarido, Katie e TR, e mesmo JPJ e sua esposa, para dançar uma música doKeane “Somewhere only we know” que é linda, e que refletia meu espírito.Eu tomo sua mão e a coloco em meu peito e embrulho minha mão em torno desua outra mão, naquela antiga forma de casais dançarem. Seus braços estãoduros e pesados. O espaço entre nossos corpos é tão largo quanto ocomprimento de nossos braços irá permitir. Eu não sei como diminuir adistância entre nós. A distância física e a psicológica."Olha, se eu vou ser Derek para sempre, eu posso ser o Derek antes deAddison aparecer?” Pergunto para tentar aliviar as coisas. Sempre o palhaço,eu sou.Seus braços relaxaram um pouco. Este é um território seguro. O espaçodiminui entre nós uma quantidade indefinível. "Só se eu puder voltar a ser aMeredith que não dormiu com um homem casado”."Ooh, ouch”. Digo, voltando a cair nos maneirismos de Derek. "Mas espere umminuto, isto não foi antes da série começar?”Eu a seguro um pouco mais apertado quando ela responde, "Na segunda vez,seu bobo”."Eu sinto falta do meu cobertor roxo”. Eu digo enquanto faço um beicinho.Ela sorri, e me vejo sorrindo para ela. Seus braços estão como massa emminhas mãos, então eu a levo ao redor da pista de dança em uma mini-valsa.Uma valsa zig zag, mas as valsas são todas a mesma coisa. Ela ri todo ocaminho, fazendo meu coração alegrar-se em cada volta e pirueta.Quando a música está chegando ao fim, eu a rodopio mais forte, de modo queela acaba abraçada em mim. Parece natural puxá-la para mim. Eu estou sendoDerek agora, não estou? Eu mantenho sua mão em meu peito enquanto meuspés se movem e meu outro braço está em volta da sua cintura. A parte que éDerek quer que ela coloque sua cabeça no meu ombro, mas a parte que éPatrick sabe que é uma má idéia. Porém, o bom senso ganha.Eu quero dizer a ela como estou arrependido. Eu quero dizer a ela o quanto um
  33. 33. imbecil eu tenho andado. Mas eu não digo. Que bem iria fazer? Ela me pediupara ser Derek, e é isto que eu estou fazendo. Patrick é o único que estáarrependido. Além disso, isto quebraria o momento. Então ela iria fugir de mimimediatamente.Eu não posso perdê-la de novo. Eu posso não gostar desta situação, possolutar contra ela, mas é isso que ela quer. Eu posso fazer isso. Agora eu sótenho que descobrir exatamente como fazer isso. Bem, eu tenho o hiato dedois meses para descobrir isso. Dois meses depoisMeu tênis bate na refrescante areia branca, um pé, o outro. Meus pés fazem oseu caminho através das areias de Santa Mônica, minha mente seguerepetindo as ondulações dos meus passos.Derek, Patrick, Derek, Patrick.As ondas se formam e colidem com uma grande explosão de força e, emseguida, morrem lentamente à medida que chegam tão longe da costa possívele depois afundam de volta no mar. Eu entendo atingir o impossível.Derek, Meredith, Derek, Meredith.Areia e a água são uma mistura de cor purpúrea rosa azul misturado com umpouco da alvorada iminente. Por um momento, quando as ondas se afastam, aareia brilha e reflete o céu, como se a água nunca saísse. Mas, como a maré
  34. 34. puxa para fora, a areia seca e torna-se apenas areia simplesmente mais umavez.Patrick, Derek, Patrick, Derek.Passei o verão separando-os em minha mente. No início, era como separarareia de água: quase impossível. Não importa o quão duro eu tentei drenar aparte de mim que era Derek de minha vida doméstica, ele sempre saltava emmomentos inesperados.E pensar em sua esposa na cozinha como enfermeira, não era uma boa idéia.Eu percebi que meu trabalho estava afetando meu relacionamento com Jill, eassim eu tinha pedido desculpas. Para tentar explicar todas as dificuldades queDerek estava passando sobre a série. Ela tentava entender. Eu poderia vê-lalutando com isto. Mas ela aceitou. E a vida seguiu em frente.Ellen, Jill, Ellen, Jill.Ambas as mulheres da minha vida me pediram para manter a outra parte daminha vida separada delas. Eu podia ver a sabedoria neste plano, então euaceitei. Toda a confusão da última temporada aconteceu porque eu nãoconseguia separar os dois homens.Os sentimentos que eu tinha para Ellen e os sentimentos que Derek tinha porMeredith estavam confusos e problemáticos. Bem, isso não vai acontecermais. Eu ia ser Derek no estúdio, e eu iria ser Patrick em casa. Não havia outrojeito de ser.Derek, Patrick, Derek, Patrick.Mas como o tempo avançava, a água que era Derek secou fora da areia queera Patrick. Quando eu estava longe de casa ou comparecendo aos eventos decorridas, eu praticava estar em Derek. Eu era um homem que tinha sido traídopela esposa e que tinha ido para o outro lado do país para chegar o mais longedela possível.E eu tinha conhecido Meredith. Minha respiração de ar fresco. Mas por algumarazão Addison estava de volta e pedindo perdão. Eu era um brilhanteneurocirurgião (e ele sabia muito) que se preocupava profundamente commeus pacientes.E então eu iria para casa. Para minha esposa e filha. Assistiria corridas natelevisão, passaria mais tempo com T, e passaria mais tempo com a família. Avida era boa. E simples.Meredith, Derek, Meredith, Derek.Os dois primeiros roteiros para a nova temporada tinham sido enviados paraminha casa por uma transportadora especial há duas semanas atrás. Gostariade ter uma leitura esta manhã, o meu primeiro dia de volta ao trabalho. Mas por
  35. 35. enquanto eu apreciaria a posição intermediária de ser apenas um homem napraia.Eu não era Patrick nem Derek. Eu era apenas um homem. Essa pessoa semnome. Aquela pessoa que apenas abriu os olhos pela manhã. Aqueles poucosmomentos antes de os pensamentos intercederem, antes que você tomasseconhecimento de sua realidade física, e você só era. Não havia nenhuma outraidentidade para além do reconhecimento de si mesmo. Nenhum traço depersonalidade, sem laços de parentesco, sem armadilhas físicas, somente areunião amorfa da mente e do corpo de um ser imperfeito. Corpo epensamento, água e areia, Patrick e Derek, separados e ainda os mesmos,dois em um.ELLEN:O peso do sono ainda estava em mim quando eu sinto um beijo sobre o interiordo meu tornozelo. Eu estava deitada na minha cama com a minha cara para oteto e as minhas pernas envoltas em um lençol. Meu quarto. Meu teto. O meulençol. Os beijos continuaram ao longo da minha perna direita. Minha pernainteira formiga, quando sua língua lambe o seu caminho a uma curta distânciaaté o tornozelo. Uma lambida lenta e todo o meu corpo solta um gemidosilencioso. Meus pés ondulam com o prazer.Meus olhos estão fechados, mas eu posso sentir o calor do sol da manhã e sualuta para chegar através das janelas. Eu espio através dos meus cílios, mas aúnica coisa que eu posso ver é um corpo feminino estendido sob o lençol. Oresto da roupa de cama estava caído no chão em uma massa amassada.Alguns quadrados de sol brilham no leito acima da minha cabeça. Pequenosácaros passam pelos raios de luz na felicidade frenética. Uma manhã normal,melhor porque é de alguma maneira mágica, por causa do toque suave debeijos na minha pessoa.Seus lábios se desviaram enquanto minha mente estava viajando. Apenasalguns minutos se passaram, mas seus lábios já fizeram o seu caminho para ointerior do joelho. De alguma forma, sem que eu perceba, minhas pernasrelaxaram um pouco abertas para lhe dar mais acesso. Minhas pernas sabem oque estão fazendo. Elas não precisam pedir minha permissão. Meus olhosainda estão pesados de sono. Meu corpo todo é um peso de chumbo na cama,lentamente, passando a viver daqueles beijos.Sua forma agachada ondula sob o lençol enquanto seus dedos se juntam àleitura inebriante. Uma mão macia viaja até a minha coxa branca, enquantoseus lábios vão lambendo e mordendo em seu caminho até ir mais devagar.As pontas dos seus dedos lentamente saem de dentro do meu joelho eespalham-se para segurar minha coxa. Eu tremo quando a parte superior desua mão se aproxima perigosamente para onde com certeza seus lábios estãocaminhando, mas é apenas momentâneo, quando ele usa suas garras parapuxar o corpo para cima.
  36. 36. Seus beijos se tornam mais frenéticos e duram mais no tempo, quase como sea proximidade de seu objetivo o tornasse impaciente. Respirações curtas são oúnico som que eu posso fazer quando a respiração quente pode ser sentida aolongo de toda a minha perna.O lençol cai um pouco afastado para revelar um tufo de cabelos escuroscacheados, mas eu não vejo, porque meus olhos estão fechados emantecipação. Eu não preciso ver com meus olhos para saber quem é.Silenciosamente, eu sei quem é, mas é errado registrar, e o meu corpo inteiroarde. E um lugar em particular, ele guarda seu lábios para terminar a suaascensão.No primeiro toque, meu corpo entra em convulsão com a intrusão da boca delena minha área mais privada, mas depois relaxa no molhado. A aspereza de sualíngua envia meu corpo em paroxismos do prazer, mas isto não é tudo o queele faz. Ele passa sua barba contra a minha protuberância agora quasedolorosamente sensível.Mas eu cometo o erro de abrir os olhos. A primeira coisa que noto é que mãosbrancas estão ao longo de meus quadris. Parece incongruente. Mas seuslábios e língua continuam para a frente e para trás, enquanto eu tremo comouma folha. Uma estranha pressão cresce dentro de mim quando balanço o meuquadril com avidez. Eu tenho que fechar meus olhos novamente. Isto é muitopara mim.Eu não quero saber quanto tempo sua língua me molha, mas isso realmenteimporta? Tudo o que sei é que eu nunca senti nada assim antes. Eu não estoufalando sobre o ato, eu estou falando sobre o transporte total. A queima detodos os meus sentidos por causa de uma coisa. Ou devo dizer por causa deuma pessoa? Onde está a boca é apenas o centro, o prazer de enviar paratodas as outras partes do meu corpo. Sinto-me extasiada. Sinto-me arrebatada.Eu sinto.Mas, como todas as boas coisas devem ter um fim, o meu corpo não conseguelevar isto para sempre. Meus quadris sobem mais alto, seus lábios se movemmais rapidamente, e a bolha derretida quente de prazer que estava sendoconstruída irrompe em torno de mim.Eu grito. Ele continua a lamber, mas tenho de afastá-lo. É simplesmentedemais. Eu palpito como onda após onda de prazer através de mim. Meucoração está batendo rapidamente no meu peito e minha respiração é dispersae superficial. Eu não posso acreditar no que acaba de acontecer. Nunca foiassim antes.Eu posso o sentir limpando a boca no lençol e, em seguida, jogá-lo de ladopara vir vaguear o meu corpo. Cada beijo é extra-sensível. A trilha na minhabarriga faz-me perder a respiração. A mordidela suave no meu peito me fazderreter. Mas é o acariciar suave no meu pescoço que me faz tremer maisuma vez. Eu viro a minha cabeça e partilhamos um beijo tão profundo que écomo se nós já estivéssemos juntos. Um beijo que é preguiçoso e a longo
  37. 37. prazo e aponta para novos prazeres, mas não tem urgência inebriante. Eu caiodentro do beijo. Deixo-me levar.Eu não sei o que me fez sentir assim. Abro os olhos. Eu quero olhar nos olhosdo homem que me fez sentir desse jeito. Eu quero ver se ele sente a mesmamistura tórrida de emoções que eu sinto. Eu quero ver se ele compartilhou omesmo prazer. Quero compartilhar minha alegria com ele. Mas quando eufaço, é como se minha realidade fosse quebrada.Seus olhos são azuis. Um azul suave que brilha com a sua marca única decharme e vulnerabilidade. Seu cabelo é negro. Preto e encaracolado comcachos perfeitos que só podem pertencer a uma pessoa. O brilho dos olhos. Amandíbula forte. A barba sempre presente. Eu não posso tirar meus olhos dele.Mas o ato de reconhecimento deve me tirar da minha fantasia. Sua forma sedissipa quando minha mente retorna do reino da inconsciência. O mesmolençol branco está no meu corpo. Os mesmos raios de sol com os ácaros dapoeira estão no quarto. O resto dos cobertores ainda está amassado no chão.A única diferença é a falta de companhia masculina na minha cama.Mas eu ainda posso sentir o peso de sua forma inebriante deitado em cima demim. Eu ainda tenho os sentimentos arrebatadores que ele me fez sentir com alíngua. Eu nunca senti isso antes com uma língua. Uma língua que só tevecontato brevemente com a minha em apenas uma ocasião memorável. Fora doestúdio. A língua do meu co-estrela, não o meu namorado.O namorado, que agora está dormindo no corredor (ele ronca, não podemosdividir um quarto, ou eu passo a noite inteira o chutando para ele calar a boca).Eu estou tão PERDIDA. Uma pessoa para quem eu tinha dito que só iria mever como Meredith. A pessoa que eu gostaria de estar vendo todas as horas.Dois meses é muito tempo quando você está acostumado a ver a pessoa todosos dias. Dois meses é muito tempo para refletir sobre tudo o que aconteceuentre nós. Um monte de tempo para chegar a algumas conclusões sobre simesma. Ou seja, que NUNCA houve realmente qualquer Meredith. Oh, estoutão perdida.

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