Artigo 8 o poder de seducao do e e do que

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Artigo 8 o poder de seducao do e e do que

  1. 1. O poder de sedução do "e" e do "que" Como sabemos, é preciso estar conectado, mas também sabemos que isso não basta, temos mesmo éde estar "bem" conectados. Dessa forma, saber como e com o que conectar é importante. Nossa língua oferece muitos mecanismos para isso,e entre esses mecanismos está a conjunção "e".Assim como o "que" é um conector que nos atrai muito, a conjunção "e" é muito prestigiada. Isso ocorre, poistanto um como o outro são conectores por excelência. O "que", além de desempenhar papel de pronome relativo e de conjunção subordinativa integrante, étambém base das locuções de conjunção, conjunção subordinativa e coordenativa, assumindo diversos valores,vejamos:a) comparativo: Falam mais que papagaio.b) adversativo: Apresente outro projeto que não esse.c) aditivo: Mexe que mexe.d) concessivo: Sensual que fosse, não o conquistava!e) condicional: Que ela viesse aqui, resolveríamos tudo muito rápido! O "e", apesar de sua classificação de conjunção coordenativa aditiva, é polissêmico, ou seja, podeassumir diversos valores semânticos:a) adversativo = Estudou, e não passou.b) conclusivo/ consecutivo = Estudou bastante, e passou.c) alternativo = Estudar e ficar à toa, o que fazer?d) concessivo = Foi aprovado, e conseguiu boa pontuação. O conectivo "e" pode também ser palavra denotativa, expressando ideia dea) assunto = E ele? Por que não veio? - notem a retomada de assunto que fez o interlocutor nesse exemplo;b) explicação enfática = Você sabe que mereço, e muito! Devido a essa variedade de função e sentido, os dois são os queridinhos de muita gente, afinal, bastaempregá-los em um contexto e a "ligação" entre as partes estará feita. É por isso que, no momento em que se vaiescrever, é preciso que se tenha cuidado para não empregá-los em exagero. Ao utilizá-los em demasia, além de apessoa mostrar falta de conhecimento de vocabulário, revelar pouca habilidade para fazer coesão e empobrecerseu texto, é possível, ainda, que ela estabeleça uma relação incoerente com esses conectores. Notem como isso pode "judiar" de vocês tanto em redação como em prova objetiva. Vejam as questõesque seguem:
  2. 2. (CESPE - 2007 - TRT-9R - Analista Judiciário)Na linha 9, a preposição de, em "do que", introduz o segundo termo de uma comparação iniciada com "maiscapaz de"."... Se pensarmos no que está à nossa volta, na América do Sul, então, mais ainda. Mesmo quando é beminformado, o brasileiro típico se mostra mais capaz de dar notícia do que ocorre na Europa e nos Estados Unidosda América do que em qualquer de nossos vizinhos. " Observem ser até possível a maioria entender que o fragmento "do que ocorre na Europa e nos EstadosUnidos da América" não seja, de fato, o segundo termo da comparação iniciada por "mais capaz de", mas que é difícil identificar, no texto, o segundo termo da comparação e entender essa continuidade do trecho do texto,isso é! A elaboração deixa a desejar, e é claro que o examinador aproveitou-se disso. Afinal, o que o segmento representa no texto, se não é o segundo elemento da comparação? Écomplemento de "notícia": "...ser capaz de dar notícia daquilo / que (pronome relativo) ocorre na Europa e nosEstados Unidos da América..." O segundo elemento da comparação mesmo está em "do que em qualquer de nossos vizinhos." = "mais capaz de dar notícia do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos da América do que (é capaz de dar notícia do que ocorre) em qualquer de nossos vizinhos." (FCC - CASA CIVIL - Executivo Público - abril/2010) Gostaria de propor algumas hipóteses sobre as formas de complô, sobre as intrigas e os grupos que seconstituem para planejar ações paralelas e sociedades alternativas. (linha 5) Em princípio, o complô supõe uma conjuração e é ilegal porque secreto; sua ameaça implícita nãodeve ser (linha 7) atribuída à simples periculosidade de seus métodos, mas ao caráter clandestino de suaorganização. Como política, postula a seita, a infiltração, a invisibilidade. (linha 10) Muitas vezes, o próprio relato de um complô faz parte do complô, e assim temos uma relaçãoconcreta entre narração e ameaça. De fato, podemos ver o complô como uma ficção potencial, uma intriga que setrama e circula, e cuja realidade é sempre duvidosa. O excesso de informação produz um efeito paradoxal, o quenão se sabe passa a ser a chave da notícia. (linhas 15 e 16) O que não se sabe, em um mundo onde tudo se sabe,obriga a buscar a chave escondida que permita decifrar a realidade. (Ricardo Piglia. Teoria do complô. In: Serrote, revista de ensaios, ideias e literatura. São Paulo: Instituto Moreira Salles, n. 2, jul 2009, p. 97) Atenção aos itens A e C. A alteração que mantém o sentido e a correção originais é a de(A) e (linha 5) por “mas”.(B) à simples periculosidade de seus métodos (linha 7) por “à simples perigos advindos de seus métodos”.(C) mas (linha 7) por “e sim”.(D) Muitas vezes (linha 10) por “Intermitentemente”.(E) o que não se sabe (linhas 15 e 16) por “o efeito que não se conhece”. Notem que a questão cobra exatamente o valor do "e" aditivo,na linha5 e, por isso, não pode sersubstituído pelo "mas" neste contexto, e o adversativo, na linha 7, que aqui é reforçado pelo "sim" em contrasteao "não" da oração anterior - não deve ser atribuída à simples periculosidade de seus métodos, o que permite asubstituição do "mas". Essas percepções semânticas só são possíveis com a análise do contexto. Sendo assim, ogabarito é a letra c.
  3. 3. Vejam este outro exemplo: Temos dois braços e uma cabeça e somos donos do mundo! Como o "e" tantopode associar termos, palavras como também orações, enunciados, sintagmas, para entendermos o que os "es"estão relacionando no texto de exemplo, será preciso pensar no sentido da frase, o qual acabará se apresentandodevido à elaboração do fragmento. A redação feita tem coerência, lógica: primeiro, foram somados "dois braços"e "uma cabeça" - que são termos de mesma ordem gramatical, dois substantivos numerados -; depois, foramsomadas as orações "Temos... e somos ..." - que também são de mesma ordem gramatical - duas orações comverbos e respectivos complementos. Podemos dizer que existe uma hierarquia sintática aí: primeiro, somam-se osmenores e, depois, os maiores. Não deixem de observar esses detalhes na formação dos períodos, dos períodos compostos, dosparágrafos, dos textos, enfim; pois trata-se de um assunto muito cobrado em prova ultimamente. Que confusão eles podem fazer! Com esses dois realmente não se brinca. Bons estudos, pessoal! E até mais. Professora Luciane SartoriContatos:www.sartoriprofessores.com.brwww.sartorivirtual.com.brfacebook: Luciane Sartori IIlucianesartori@bol.com.br

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