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A Deus pela sua graça e fidelidade. A minhafamília que sempre me incentiva memostrando que nada é impossível quando setem ...
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“A vocação final de uma emissora de TVefetivamente integrada à comunidade é fazerjornalismo e programação local, alavancar...
RESUMO              TV REGIONAL: O JORNALISMO DA TV SUBAÉNo ano 1988 é instituída a TV Subaé, a primeira afiliada da Rede ...
LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 01 – Dados da audiência e perfil do público do Jornal da Manhã................................4...
SUMÁRIOIntrodução ...........................................................................................................
10Introdução          O homem, como ser social, sente necessidade de estar situado no mundo, conectado àinformação, de ter...
11TV Santa Cruz, em Itabuna; a TV Sudoeste, em Vitória da Conquista, a TV Oeste, emBarreiras e a TV São Francisco, em Juaz...
12papel que a TV Subaé tem na região ao propagar a comunicação regional e ao fortalecer aidentidade.       Os procedimento...
13representadas e entender como o regional é apresentado no telejornal. Identificar se a TVSubaé pode ser considerada uma ...
14         1. HISTÓRIA DA TELEVISÃO NO BRASIL         1.1 - DESENVOLVIMENTO DA TV         No dia 18 de setembro de 1950, o...
15uma campanha publicitária começou a ser veiculada com o intuito de estimular as vendas dostelevisores, disseminando a id...
16          Apesar de o governo militar ter criado condições para a compra e expansão dosserviços de transmissão, ele crio...
17com a transmissão da festa da uva em Caxias do Sul (RS)”. Cruz (2008) afirma ainda que paraacompanhar a copa de 1974, a ...
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19        A penúltima fase definida por Mattos (2002, p.125) é a fase da globalização e da TVpaga, na qual “com o desenvol...
20        A TV digital vai tornar os televisores mais próximos aos computadores, comcapacidade para armazenar dados, reali...
21Mattos (1990 apud Bazi, 2000, p.12) afirmou que “a TV regional já era prevista por muitosestudiosos da comunicação como ...
22contribuição ao confirmar que “região não se delimita apenas por limites territoriais, os elosde proximidade e familiari...
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24contexto social dos cidadãos, além de proporcionar uma maior integração entre as pessoas, écapaz de gerar um laço de per...
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26alguns anos a TV Riberão ampliou sua produção passando a produzir um bloco local do“Globo Esporte”, o “ Globinho”, progr...
27economicamente inviável uma emissora regional se estabelecer e até mesmo sobreviver deforma independente, sem o auxílio ...
28Adamantina, Lucélia e Osvaldo Cruz. A TVR está no ar há mais de 5 anos com amplo espaçopara a programação regional (ROCH...
29nacional”. A emissora detém mais de 50% da audiência em todos os programas no estado coma proposta da Rede de destacar a...
30construção civil (LIMA, 2006). Foi inaugurada no dia 2 de julho de 1978, uma dataimportante para o estado, pois nela é c...
31nas escolas da região para debater sobre assuntos ligados ao universo estudantil. Há ainda oMosaico Baiano, um programa ...
32       Lima também expõe como as grandes redes têm colocado alguns repórteres para seremexclusivos ao dar notícias sobre...
33mídia seja considerado regionalizado, é necessário antes entender o sentido de regionalismoque está presente em produção...
34um dos mais importantes rios navegáveis do país, o São Francisco, e um dos maiores lagosartificiais do mundo, o do Sobra...
35tecnologias, bem como em suas emissoras regionais, tem conquistado exponencialmente nãosó o mercado da mídia eletrônica ...
362. TV SUBAÉ2.1 - HISTÓRIA       A TV Subaé é uma emissora de televisão, situada em Feira de Santana na Bahia.Como já cit...
37                            A TV começou com a maioria da mão de obra vinda de fora. A cidade não tinha                 ...
38maior destaque as cidades de Santo Antonio de Jesus e Alagoinhas. Ela atinge cerca de 1milhão e 500 mil telespectadores,...
39                        expectativa de se tornar cada vez mais regional..       Além de Alagoinhas e Santo Antonio de Je...
40       2.3 - PROGRAMAÇÃO       A grade de programação é composta pela retransmissão dos programas nacionais daRede Globo...
41       No Bahia Meio Dia sempre há presença de um artista da terra mostrando seu talento ea agenda cultural é exibida to...
42com reportagens e flashes ao vivo sobre os principais fatos que ocorrem no fim do dia,orientação do trânsito na hora do ...
43     alto para uma cidade do porte de Feira de Santana e por isso é realizada a pesquisa ano a ano”     afirma Costa (20...
44          Figura 2: Bahia Meio DiaDADOS DE AUDIÊNCIA E PERFIL DE PÚBLICO           BAHIA MEIO DIA 61                    ...
45       Através dos gráficos explicitados acima sobre a audiência da TV Subaé em seustelejornais, pode-se concluir que em...
46serviço ao jornalismo. Segundo Costa (2009), “na TV não há equipes fixas para o jornal, todomundo faz tudo e atende tamb...
Tv regional o jornalismo da tv subae
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  1. 1. UNIVERSIDADE do ESTADO da BAHIA Lorenna Katharine Nascimento OliveiraTV REGIONAL: O JORNALISMO DA TV SUBAÉ Conceição do Coité 2010
  2. 2. Lorenna Katharine Nascimento OliveiraTV REGIONAL: O JORNALISMO DA TV SUBAÉ Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial de obtenção do grau de bacharel em Comunicação, sob a orientação da Professora Especialista Carolina Ruiz de Macêdo. Conceição do Coité 2010
  3. 3. Lorenna Katharine Nascimento OliveiraTV REGIONAL: O JORNALISMO DA TV SUBAÉ Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV, da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação da Professora Carolina Ruiz de Macedo. Data: ____________________________ Resultado: ________________________ BANCA EXAMINADORA Profª. (Orientadora) Carolina Ruiz de Macêdo (Esp) Assinatura: _______________________ Profª. Patrícia Rocha de Araújo (Esp) Assinatura________________________ Prof. Tiago Santos Sampaio (Esp) Assinatura________________________
  4. 4. A Deus pela sua graça e fidelidade. A minhafamília que sempre me incentiva memostrando que nada é impossível quando setem um ideal.
  5. 5. AGRADECIMENTOSA Deus, pois sem Ele eu não teria completado mais essa etapa da minha vida .Aos meus pais que valorizam meus acertos e por depositarem em mim um sonho.Ao meu esposo Tito pelo amor e compreensão, e por estar presente desde o início da minhatrajetória acadêmica.A minha querida orientadora Carolina Ruiz pelo incentivo e apoio a cada produção entregue,na busca de cobrar sempre o mais completo e por acreditar em meu potencial. Sou muita grataa você Carol;À equipe da TV Subaé, que sempre me forneceu informações imprescindíveis para aelaboração da minha pesquisa. Em especial Romilson Santos, Marcílio Costa e CristianeMacário.E a todos aqueles que contribuíram de alguma forma para a realização deste trabalho.
  6. 6. “A vocação final de uma emissora de TVefetivamente integrada à comunidade é fazerjornalismo e programação local, alavancar aeconomia local por meio da publicidade,apoiar os eventos e iniciativas da região e,acima de tudo, colocar as pessoas da região natela da TV”.Mercado Global, Rede Globo, 3º trimestre de2003, ed. nº. 113, p. 96 apud Rocha, 2003,p12.
  7. 7. RESUMO TV REGIONAL: O JORNALISMO DA TV SUBAÉNo ano 1988 é instituída a TV Subaé, a primeira afiliada da Rede Globo no interior da Bahia,localizada em Feira de Santana, região que pertence ao semi-árido baiano. Entendendo que osmeios de comunicação estão diretamente ligados aos fatores sociais e desenvolvimento deuma determinada região, é necessário refletir sobre a relação estabelecida entre a TV Subaé ea região. Este trabalho tem como objetivo principal compreender como o regional éapresentado no jornalismo da TV Subaé e se esta pode ser considerada uma emissora regional.Sendo assim, os objetivos específicos propostos pela pesquisa são delinear o histórico da TVSubaé em seus 21 anos de existência, identificar os projetos sociais e culturais desenvolvidospela emissora e verificar como a microrregião de Feira de Santana, principal região abrangidapela TV Subaé, aparece no seu telejornalismo. Esta pesquisa utilizou o método da análise deconteúdo para categorizar e analisar as matérias veiculadas no telejornal para que após aanálise desses dados, pudesse ser identificado como o regional é apresentado no jornalismo daTV Subaé. Verificou-se que a TV busca valorizar o regional, mostrando a figura donordestino através de suas manifestações culturais e fortalecendo a identidade regional atravésdas matérias exibidas no seu telejornalismo.Palavras-chave: Telejornalismo, cultura regional, identidade regional, região.
  8. 8. LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 01 – Dados da audiência e perfil do público do Jornal da Manhã................................43Figura 02 – Dados da audiência e perfil do público do Jornal Bahia Meio Dia.......................44Figura 03 – Dados da audiência e perfil do público do Jornal BA TV.....................................44Figura 04 – Ilustração do tráfego do sinal da geradora à emissora local..................................47Figura 05 – Mapa do portal do sertão.......................................................................................57Figura 06 – Mapa da Bahia.......................................................................................................57
  9. 9. SUMÁRIOIntrodução ....................................................................................................................101. História da televisão no Brasil................................................................................14 1.1 Desenvolvimento da TV ................................................................................................. 14 1.2 Desenvolvimento da TV Regional.................................................................................. 20 1.3 TVs Regionais: uma trajetória de sucesso ...................................................................... 25 1.4 TV Bahia......................................................................................................................... 292. TV Subaé ..................................................................................................................36 2.1 História............................................................................................................................ 36 2.2 Área de Cobertura ........................................................................................................... 37 2.3 Programação ................................................................................................................... 40 2.4 Audiência ........................................................................................................................ 42 2.5 Produção de Notícias: o jornalismo ................................................................................ 45 2.6 Relação com a Rede Bahia ............................................................................................. 473. O regional na TV Subaé..........................................................................................49 3.1 Metodologia da Análise .................................................................................................. 49 3.2 Cultura e Identidade Regionais ....................................................................................... 53 3.3 A Região na TV – análise das matérias .......................................................................... 61 3.4 A TV Subaé no Contexto de uma TV Regional ............................................................. 77Considerações Finais ...................................................................................................84Referências .............................................................................................................................. 86
  10. 10. 10Introdução O homem, como ser social, sente necessidade de estar situado no mundo, conectado àinformação, de ter conhecimento dos acontecimentos mundiais – aqueles aos quais ele nãoteria acesso sem os meios de comunicação – mas também dos que acontecem perto, na suaregião, cidade e vizinhança. A televisão é o meio de comunicação mais utilizado no Brasil. É considerado oprincipal veículo de comunicação, pois suas informações são divulgadas com muita agilidadee segurança, aproximando pessoas que se encontram geograficamente distantes. Ela estápresente na vida da maior parte das pessoas no mundo contemporâneo, com a presença deprotagonistas que entram diariamente nos lares para proporcionar diversão, informação, bemcomo estimular o consumo de determinados bens simbólicos e materiais. Pesquisas apontamque no Brasil a maioria dos lares possui pelo menos um aparelho televisor e que nas classesmédia e alta existe mais de um aparelho por domicílio (FRANÇA, 2006). A televisão cresceu no país e hoje representa um elemento importante na culturabrasileira. Ela também cumpre uma função de identificação com o seu público, que é muitovasto e diversificado. O público consegue se identificar com o apresentador do telejornal aoserem retratadas notícias de sua região, ou mesmo com um personagem de novela, e por issosua linguagem deve ser clara. Apesar de existirem diferenças econômicas, sociais e culturais,a TV permite que haja uma integração entre as regiões do Brasil, com assuntos que permeiamo país. A TV na Bahia começou a se expandir na década de 70 com o investimento cada vezmaior nos meios de comunicação regionais. Em 1º de junho 1988 é implantada a TV Subaé,primeira afiliada da Rede Globo no interior da Bahia, situada na cidade de Feira de Santana,segunda maior cidade do Estado e principal centro comercial do interior do Nordeste. A partirde então surgiram novas emissoras de TV que fazem parte da Rede Bahia de Comunicação: a
  11. 11. 11TV Santa Cruz, em Itabuna; a TV Sudoeste, em Vitória da Conquista, a TV Oeste, emBarreiras e a TV São Francisco, em Juazeiro. Iremos nos deter a TV Subaé, que é o objeto deestudo do presente trabalho. Uma TV regional tem um compromisso com o público de traduzir sua cultura erepresentar o comportamento de seus grupos sociais, além de contribuir na construção dacidadania através de ações que integram a comunidade, mostrando suas carências,potencialidades e denunciando as reais necessidades da população. Diante disso, aprogramação local, exibida pelas TVs Regionais, tem tido muita importância, já que asgrandes redes não conseguem atender a uma demanda tão grande de regiões, apresentandosimultaneamente notícias globais e informações ligadas ao cotidiano das regiões. A identidade regional é outro aspecto relacionado à TV regional, onde o telejornal éfundamental na construção, manutenção ou reinvenção dessa identidade, podendo gerar notelespectador uma identificação com a TV ao ver os acontecimentos do seu cotidiano maispróximo sendo apresentados. Busca-se com esta pesquisa compreender como o regional éapresentado no jornalismo da TV Subaé. A hipótese levantada é que a existência da TV Subaé, com a possibilidade dedisseminação de conteúdos locais, contribui para o fortalecimento do vínculo entrecomunicação e cultura regional. A relevância deste trabalho se justifica pela contribuição às pesquisas no campo dacomunicação regional, facilitando a compreensão deste assunto para a área de comunicaçãosocial. Mesmo com o enfoque em uma emissora e região específicas, esse trabalho pretendediscutir conceitos que são úteis e aplicáveis a outras realidades. Portanto, esta pesquisa é válida no que diz respeito ao desenvolvimento da TVregional na Bahia, tema pouco explorado ainda nesse sentido, identificando a contribuição e o
  12. 12. 12papel que a TV Subaé tem na região ao propagar a comunicação regional e ao fortalecer aidentidade. Os procedimentos metodológicos e suportes utilizados para a realização da pesquisaforam o levantamento bibliográfico e, para a coleta de dados, as entrevistas semi-estruturadascom alguns funcionários da emissora a fim de esclarecer as indagações e atender os objetivosespecificados na investigação, servindo também como subsídios para análise. A Análise deConteúdo foi efetivada no III capítulo a fim de facilitar a interpretação das matérias exibidasno telejornal. É válido ressaltar que a TV Subaé não possui documentos ou registros institucionaisescritos sobre a sua história, por isso foram úteis as entrevistas com funcionários que estãopresentes na emissora desde a sua implantação. A pesquisa pode, assim, identificar como aTV Subaé apresenta e se relaciona com esta região na qual está inserida. No primeiro capítulo traça-se uma contextualização histórica, desde odesenvolvimento da TV no Brasil até a chegada das grandes redes de televisão regionais,principalmente a chegada da TV na Bahia, mostrando ainda como se deu essedesenvolvimento das TVs regionais em alguns estados brasileiros, onde muitas redesregionais são exemplos de sucesso. No segundo capítulo será apresentado o objeto de estudo deste trabalho - a TV Subaéno contexto de uma TV regional - delineando seu histórico desde a sua implantação até a suaexpansão, a área de cobertura, a produção da programação local do jornalismo e a relaçãocom a Rede Bahia e o “padrão Globo de qualidade” a fim de compreender como estes fatorescontribuem para o desenvolvimento “dos aspectos regionais nessa emissora”. O objetivo no terceiro capítulo é analisar o telejornal Bahia Meio Dia durante o mêsde setembro de 2009. As matérias exibidas diariamente foram gravadas em meio digital a fimde apontar as principais categorias abordadas pelo telejornal, identificar quais são as regiões
  13. 13. 13representadas e entender como o regional é apresentado no telejornal. Identificar se a TVSubaé pode ser considerada uma emissora regional, levando em conta os projetos sociais eculturais desenvolvidos pela emissora e sua contribuição para a região também é outropropósito explorado no capítulo.
  14. 14. 14 1. HISTÓRIA DA TELEVISÃO NO BRASIL 1.1 - DESENVOLVIMENTO DA TV No dia 18 de setembro de 1950, o empresário e jornalista Assis Chateaubriandinaugurou oficialmente a chegada da televisão no Brasil, data que marcou a década de 50 einfluenciou o país a um avanço tecnológico e econômico. Neste momento, o país passava aexperimentar a sensação de acompanhar uma programação pela TV, quando muitos países jávivenciavam esta experiência. Seus primeiros anos foram marcados pela falta de recursos e deprofissionais habilitados, e principalmente pelas improvisações. A TV precisou apoiar-se norádio, aproveitando seus profissionais e técnicas, pois naquele período este era o meio decomunicação de maior influência no país. (Mattos, 2002) A televisão contribuiu para a formação do mercado brasileiro que migrava do campopara a cidade, vivendo um processo de modernização. Em pouco tempo ela se tornou a grandecatalisadora das emoções e do sentimento de pertencimento de uma nação, como afirma Costa(2004). As primeiras imagens da televisão brasileira foram transmitidas pela TV tupi, Canal 3,que nasceu com caráter de emissora local para depois tomar caráter de rede de dimensãonacional, que se constitui na primeira estação de televisão da América do Sul. De acordo comCosta, como não havia o vídeo-tape toda a programação televisiva era produzida nas regiões. Apesar de já passar por uma padronização na sua forma e conteúdo, ela era caracterizada por elementos da cultura local, porém a partir da integração que ocorrerá com o surgimento das grandes redes de televisão na década de 60, isso deixará de acontecer. (2004, p. 1) Mattos (2002) descreve diversas fases da TV brasileira. Segundo o autor, os anos de1950-1964 são caracterizados como a fase elitista da TV, quando só esta classe econômicabrasileira tinha acesso a este novo e atraente instrumento de comunicação. Durante esta fase
  15. 15. 15uma campanha publicitária começou a ser veiculada com o intuito de estimular as vendas dostelevisores, disseminando a ideia que todo o cidadão deveria ter um. Através desta campanhahouve um crescimento de telespectadores que queriam possuir o aparelho a qualquer custo,investindo suas economias neste novo objeto de desejo. O texto da campanha dizia o seguinte: Você quer ou não quer ver televisão? Para tornar a televisão uma realidade no Brasil, um consórcio radiojornalístico investiu milhões de cruzeiros! Agora é a sua vez - qual será a sua contribuição para sustentar tão grandioso empreendimento? Do seu apoio dependerá o progresso, em nossa terra, dessa maravilha da ciência eletrônica. Bater palmas e aclamar admiravelmente é louvável, mas não basta - seu apoio só será efetivo quando você adquirir um televisor! (MATTOS, 2002, p.82) A fase descrita como populista (1964-1975) foi quando a televisão ficou consideradacomo um exemplo de modernidade e os programas de auditório tomaram grande parte daprogramação. A década de 60 foi o período onde a TV brasileira sofreu influencia do governomilitar. O período da ditadura militar no Brasil foi marcado também pelo projeto de integraçãonacional, aonde os militares investiram no setor das telecomunicações e infraestrutura paraque o país se tornasse integrado. O projeto foi bem sucedido, pois a televisão forneceu aobrasileiro, elementos que contribuíram para reafirmar sua identidade nacional através do amorà pátria. Como afirma Bucci (1996, p.19), “a ditadura precisou da TV para sua sustentaçãopolítica, e a TV passou a precisar da ditadura para o seu sucesso junto ao público, pois a suaglória dependia da apologia da pátria, da unidade apoteótica, dependia do êxtase da integraçãonacional”. O Estado forneceu concessões, estimulou a produção nacional de aparelhos de TVs etornou disponíveis empréstimos a juros mais baixos para que o público pudesse compraraparelhos de TV. Essa foi uma das formas encontrada pelo governo para disseminar suasideias sobre segurança nacional e modernização das estruturas econômicas do país.
  16. 16. 16 Apesar de o governo militar ter criado condições para a compra e expansão dosserviços de transmissão, ele criou também agências que controlavam os conteúdos dosprogramas exibidos para a população. Os militares começaram a se preocupar com osprogramas que vinham do exterior e eram transmitidos no Brasil, e passaram a cobrar dasemissoras que substituíssem os programas enlatados estrangeiros por uma programaçãonacional que valorizasse a cultura do povo brasileiro. Segundo Mattos, durante o seu governoo presidente Geisel dirigiu inúmeras recomendações às emissoras e concessionárias duranteuma palestra falando sobre o material que era reproduzido no Brasil. 57% da programação da televisão é importada e 43% é produzida por técnicos brasileiros. Destes 43%, 34% é de matéria estrangeira, editada pelas emissoras brasileiras. Isto significa que, para 109 horas de uma semana de programação, apenas 31 são genuinamente brasileiras; as outras 78 são importadas. [...] A televisão comercial impõe sobre as crianças e jovens uma espécie de cultura que não tem nada a ver com a cultura brasileira... Em vez de atuar como um fator de criação e difusão da cultura brasileira, a TV está realizando o papel de privilegiado veiculo de importação cultural e está desnaturalizando a criatividade brasileira. (CAMARGO e PINTO, 1975 apud MATTOS, 2002, p.104). No dia 26 de abril de 1965 nasce a atual e maior emissora do país, a Rede Globo deTelevisão, inaugurada no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano vai ao ar pela TV Globo o JornalNacional, exibido pela primeira vez no dia 1º de setembro, informativo transmitido para todoo Brasil e que até hoje figura como o jornal de maior audiência e mais tradicional da históriada televisão brasileira. Hoje a rede reúne mais de 115 emissoras1 regionais afiliadasespalhadas por todo o território nacional. Com o desenvolvimento da televisão, que já chegava a alcançar todo o territóriobrasileiro, surgem então, na década de 60, as grandes redes de televisão, chamadas de“cabeças de rede”, cujo exemplo mais notório é a Rede Globo. Esta fase também foi marcada pela transição da TV preto e branco para a colorida.Conforme Cruz (2008, p.36), “a TV em cores chegou ao Brasil em 1º de fevereiro de 1972,1 Fonte: Atlas Rede Globo 2000.
  17. 17. 17com a transmissão da festa da uva em Caxias do Sul (RS)”. Cruz (2008) afirma ainda que paraacompanhar a copa de 1974, a indústria vendeu mais que o esperado, e as emissoras queachavam um absurdo algumas horas de programação em cores, resolveram migrarrapidamente toda programação. A partir da década de 70, a Globo vê nas emissoras regionais uma oportunidade deconsolidar-se como líder através das suas afiliadas e a partir de então começa a investir muitoem equipamentos, em profissionais e em técnica, imprimindo nas suas diversas emissoras detelevisão o que chamou de “padrão Globo de qualidade”. Como afirma Lima (2006, p.16), “aGlobo tem um sistema especial de tratar suas afiliadas, procurando sempre otimizar e darqualidade às produções que são veiculadas na sua programação, seguindo ‘o padrão Globo dequalidade”. Houve também a fase do desenvolvimento tecnológico (1975-1985), na qual as redesde TV começaram a se aperfeiçoar e a produzir com maior intensidade e profissionalismo osseus próprios programas com estímulo de órgãos oficiais, visando inclusive à exportação.Segundo Mattos (2002,), na década de 80 constatou-se que a influência americana diminuiubastante, pois o Brasil já conseguia desenvolver a capacidade de produzir seus própriosprogramas e passou a empregar seu próprio formato e tecnologia. Esta fase também foimarcada pelo fim da censura, aonde os meios de comunicação tiveram uma liberdade maiorpara exibir seus conteúdos. Foi constatado em 1980 que 55% de um total de 26,4 milhões deresidências já possuíam um aparelho televisor, como afirma Mattos (2002). Uma análise feitapor Straubhaar, sobre a nacionalização da programação brasileira constatou que, o número de programas importados diminuiu consideravelmente, apesar de ainda terem participação significativa na programação total. E que os programas “enlatados”, que são considerados de baixo custo para as emissoras, passaram a ser utilizados para o preenchimento da grade de programação nos horários da madrugada, quando a audiência é bem menor e o faturamento publicitário não justifica investimentos na produção de programas locais de alto custo. (STRAUBHAAR, 1981 apud MATTOS, 2002, p.108).
  18. 18. 18 Outra fase caracterizada por Mattos (2002) é a da transição e da expansãointernacional (1985-1990). Esta fase é marcada pela transição do regime militar para o regimecivil, onde as primeiras mudanças no setor das comunicações começam a ocorrer em virtudeda nova constituição de 1988, que apresenta texto específico sobre a comunicação social(capítulo V). De acordo com Mattos (2002), o artigo 221 fixou normas para a produção e aprogramação das emissoras de rádio e televisão, segundo o qual as emissoras deveriampromover programas com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas,procurando estimular a produção independente visando a promoção da cultura nacional eregional. Nesta fase de desenvolvimento da televisão, o que se observa é a maior competitividade entre as grandes redes, um contínuo avanço em direção ao mercado internacional, com a Rede Globo implementando desde 1985 sua expansão sistemática no exterior. (MATTOS, 2002, p.120). Neste mesmo ano, a TV Bahia foi implantada em Salvador, como afiliada da RedeManchete, e dois anos mais tarde foi escolhida pela Rede Globo como sua afiliada na Bahia.Desde então segue o padrão de programação da mesma, fazendo parte da Rede Bahia deComunicação, considerado o maior grupo de comunicação do Norte e Nordeste. É tambémnessa fase da transição e da expansão internacional que surge, em 1988, a TV Subaé em Feirade Santana, primeira emissora afiliada da Rede Globo no interior do estado e integrante daRede Bahia de Televisão. Neste período de expansão da televisão, o presidente do Brasil, JoséSarney, se utilizou politicamente das concessões para emissoras de rádio e televisão. Elemanteve as práticas clientelistas do governo de Figueiredo para a distribuição dos canais deTVs e as concessões passaram então a servir como moeda política, ou seja, uma troca defavores. O ministro das comunicações na época era Antonio Carlos Magalhães, e graças aoseu cargo dentro do governo teve facilitada a compra da TV Bahia e de outros meios decomunicação.
  19. 19. 19 A penúltima fase definida por Mattos (2002, p.125) é a fase da globalização e da TVpaga, na qual “com o desenvolvimento global na década de 90 começou-se a estabelecer asbases para o surgimento estruturado da televisão por assinatura, via cabo ou via satélite,estruturadas nos moldes americanos, e a se debater a televisão de alta definição”. Esta década registrou também os investimentos das redes nacionais no que diz respeitoàs suas respectivas infraestruturas, visando aumentar cada vez mais a exportação e produçãode programas. Segundo Mattos (2002), foi também nessa fase que se estabeleceram váriasemissoras regionais, aumentando as possibilidades de uma maior regionalização e utilizaçãode canais alternativos. Bazi (2000, p.24) reforça esta ideia: para atingir toda a extensão territorial do Brasil, as grandes redes de televisão são formadas por emissoras filiais e emissoras afiliadas, empresas associadas a uma emissora com penetração nacional de sinal, que retransmitem a programação da rede, embora também produzam programas, telejornais e comerciais locais. Por fim, a última fase é chamada da convergência e da qualidade digital (2000- 2009).No dia 29 de junho de 2006, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, assinou o decreto nº.5.820, que estabeleceu as normas para a digitalização da TV no Brasil. O padrão japonêsISDB-T serviu como base para o sistema adotado no Brasil. O SBTVD-T, que significaSistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre, foi definido para o Brasil. A TV digitalaberta estreou no Brasil em 2 de dezembro de 2007, com transmissões na cidade de SãoPaulo. Segundo Cruz (2008, p.15) “a digitalização traz a TV para o mundo da convergência,em que toda a informação é transportada por qualquer tipo de rede”. Para Cruz A TV digital irá proporcionar ao Brasil um grande avanço tecnológicomaior do que foi a transição do preto e branco para a TV em cores, contará com serviços interativos parecidos com o da Internet, alta definição com imagem melhor do que a do DVD, multiprogramação, a transmissão de até quatro programas simultâneos no mesmo canal, mobilidade, portabilidade, com recepção do sinal em veículos em movimentos e também no celular. (CRUZ, 2008, p.17)
  20. 20. 20 A TV digital vai tornar os televisores mais próximos aos computadores, comcapacidade para armazenar dados, realizar compras pela TV, banco eletrônico, acesso aInternet, informações do governo como Receita Federal e Previdência, serviços de postagemcomo no correio, entre muitas outras novidades. Segundo Cruz (2008, p.18) “o período detransição deve ir pelo menos até 2016, durante esse período a transmissão analógica vaiconviver com a digital, com isso cada emissora ocupara dois canais”. Ele afirma que “é amaior transformação já enfrentada pelo meio de comunicação mais popular do país”. (CRUZ,2008, p.15). 1.2-DESENVOLVIMENTO DA TV REGIONAL Desde a década de 70 as grandes redes de televisão passaram a investir em emissorasregionais, porém somente na década de 90 elas se estabeleceram e desenvolveram. As redesregionais estão ligadas às grandes redes nacionais e retransmitem a sua programação tantonuma esfera global quanto para uma determinada região. É válido verificar o que diz a Constituição Federal de 1988 sobre a regionalização daprogramação nos veículos de comunicação TV e rádio: A Constituição Federal, de 1988, em seu artigo 221, prevê a regionalização da programação cultural, artística e jornalística das emissoras de Rádio e TV; A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: 1. preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; 2. promoção da cultura nacional e regional e estimulo à produção independente que objetive sua divulgação; 3. regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei; 4. respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.22 BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil, 1988, Capítulo V, Da Comunicação Social, Artigo221.
  21. 21. 21Mattos (1990 apud Bazi, 2000, p.12) afirmou que “a TV regional já era prevista por muitosestudiosos da comunicação como um fator primordial na década de 90”. Bazi (2001 apudCampos, 2005, p.4) acrescenta que “a regionalização da programação da televisão é oprincipal fator de sobrevivência das grandes emissoras do país”. No Brasil existem seis grandes redes comerciais operando em sistema de canal aberto:Globo, Record, SBT, Bandeirantes, Rede TV e CNT/Gazeta. Segundo Bazi (2000, p.22) é aRede Globo de Televisão que usufrui de 70% da verba publicitária investida na mídiatelevisiva. Algumas redes regionais pertencem a grupos políticos, empresariais, familiares ereligiosos, estes últimos, por sua vez, têm encontrado neste veículo um espaço para adivulgação da mensagem religiosa. Para Fernandes (1996), Existem três tipos de estações regionais: as TVs geradoras, ou seja, aquelas que geram programação do próprio local em que estão instaladas; as retransmissoras, isto é, aquelas que apenas possuem os equipamentos necessários para captar sinais de sons e imagens recebidos de uma estação geradora, em geral da cabeça- de- rede (no caso da Globo, por exemplo, a emissora líder é a Globo Rio de Janeiro) e transmiti-los para a recepção dos aparelhos domésticos de TV, sem produzir programa próprio; e as estações repetidoras, também chamadas de Estações de Recepção Terrena (ERT), ou retransmissoras passivas, que apenas são capazes de receber sinais e retransmiti-los. (FERNANDES, 1996 apud BAZI, 2001, p.24) Para seguir discutindo sobre a TV regional, é preciso entender a ideia de região.Vários autores procuram definir o que seria local e regional e o que pode se observar é que osdois termos não se restringem às fronteiras ou limites territoriais; é um espaço onde osindivíduos se identificam e onde estes atores estão inseridos. Segundo Ortiz (1999 apudVOLPATO; OLIVEIRA, 2007, p.2), “o local se confunde com o que nos cerca, estárealmente presente em nossas vidas. Ele nos conforta com sua proximidade, nos acolhe comsua familiaridade.” Ao mesmo tempo em que o regional se liga ao território, observamos queeste não se refere somente ao aspecto geográfico. Cecília Peruzzo também traz a sua
  22. 22. 22contribuição ao confirmar que “região não se delimita apenas por limites territoriais, os elosde proximidade e familiaridade ocorrem muito mais pelos laços de identidades de interessessimbólicos, do que por razões territoriais” (PERUZZO, 2003 apud VOLPATO; OLIVEIRA,2007, p.3). O espaço analisado neste trabalho é o Centro Norte Baiano, que é uma das setemesorregiões do estado da Bahia. É formado pela união de oitenta municípios agrupados emcinco microrregiões. Os principais municípios são: Feira de Santana, Irecê, Itaberaba,Jacobina e Senhor do Bonfim. A microrregião de Feira de Santana está divida em 24 cidades, sendo que quatro delasnão possuem a cobertura da TV Subaé. Iremos nos deter a microrregião de Feira de Santana,onde a TV abrange a maior parte dos municípios circunvizinhos. A economia é um dos laçosque mantém a integração entre as cidades da região. A maioria dessas cidades sobrevive daagropecuária, com o cultivo de plantas e criação de animais, tendo destaque a criação de gado.A agropecuária é uma atividade realizada por pequenos produtores que utilizam práticas etécnicas tradicionais que foram repassadas através de gerações, o que vem a reforçar atradição como uma forma de identificação. E como definir o que seria uma TV regional? Bazi chegou à conclusão que umatelevisão regional é aquela que retransmite seu sinal a uma determinada região e que tenha suaprogramação voltada para ela mesma (BAZI, 2001, p.16). Retratar os assuntos locais é muitoimportante, pois os telespectadores podem ver os acontecimentos da sua cidade e região sendotransmitidos diariamente e também têm a opção de ver os assuntos que se referem aosacontecimentos que ocorrem no Brasil e no mundo através da rede nacional. ConformeCampos (2005, p.4), “a programação local apresentada pelas TVs regionais ganham cada vezmais importância, se contrapondo à enxurrada de informação global apresentada pelasgrandes redes de televisão”.
  23. 23. 23 Não há melhor laboratório para a observação do fenômeno comunicacional do que a região. Uma região é o palco em que, por excelência, se definem os diferentes sistemas de comunicação cultural, isto é, do processo humano de intercâmbio de idéias, informações e sentimentos, mediante a utilização de linguagens verbais e não verbais e de canais naturais e artificiais empregados para a obtenção daquela soma de conhecimentos e experiências necessária à promoção da convivência ordenada e do bem-estar coletivo (BELTRÃO, 1976 apud RETT, 2004, p.3) Cada vez mais se discute a importância da regionalização da TV. O que tem seobservado é que cada dia o número de emissoras regionais tem crescido muito, e há tambémuma preocupação com a identidade regional de cada lugar do país. Segundo Rett (2004), a TVhoje é muito mais do que um eletrodoméstico, ela assume papel de educadora, decompanheira, de formadora de opinião e é por isso mesmo que cada vez mais ela deveassumir a “cara” da comunidade que representa. Para reforçar este conceito, Debona eFontella (1996, apud BAZI, 2001, p.18) trazem a importância que jornalismo regional tempara a comunidade, “a TV regional pode servir para desenvolver as características culturais decada comunidade, combatendo uma homogeneização que poderia ser causada pelas grandesredes de comunicação”. Um meio de comunicação regional possui a característica de difundir informações queprivilegiem a região na qual está inserida, fazendo com que a comunidade se mantenhainformada sobre diversos acontecimentos da sua região. No caso de uma televisão ainda mais,já que, configurado como um meio de comunicação de massa, esse veículo abrange umgrande número de espectadores, cumprindo bem o seu papel de integrar e levar a informaçãoa um grande público. Para Campos (2005, p.5) “as notícias veiculadas no telejornal possuemcaracterísticas capazes de conquistar a atenção do telespectador, ou seja, elas agregam fatoresque estão de certa forma, ligados aos interesses da comunidade”. Portanto, é importante para uma região ter uma TV que contemple as notícias que sereferem à sua comunidade, uma vez que a abordagem de assuntos que fazem parte do
  24. 24. 24contexto social dos cidadãos, além de proporcionar uma maior integração entre as pessoas, écapaz de gerar um laço de pertencimento ao lugar, como destacam Coutinho e Martins (2008). Com a grande quantidade de informação que chega aos meios de comunicação,algumas delas precisam ser selecionadas e por isso as produções dos telejornais utilizam oscritérios de noticiabilidade para classificar as notícias. Estes critérios formam o conjunto devalores notícias que determinarão se aquele acontecimento é apenas um fato ou se poderá seruma notícia. Um desses critérios mais relevantes é a proximidade da notícia em relação aopúblico, o que valoriza o trabalho desempenhado pelas emissoras que produzem jornalismoregional. Existem vários critérios de noticiabilidade, Silva (2005) sintetiza estes critérios emtrês instâncias: na origem do fato (seleção primária dos fatos / valores-notícia), com abordagem sobre atributos como conflito, curiosidade, tragédia, proximidade, etc; 2) critérios de noticiabilidade no tratamento dos fatos, centrados na seleção hierárquica dos fatos e na produção da notícia, desde condições organizacionais e materiais até cultura profissional e relação jornalista-fonte e jornalista-receptor; e 3) critérios de noticiabilidade na visão dos fatos, sobre fundamentos ético-epistemológicos: objetividade,verdade, interesse público etc. Apesar de todo esse investimento nas emissoras regionais, as grandes redes detelevisão se preocupam acerca dos sinais que chegam as casas dos receptores e quanto àqualidade técnica da imagem. Esta preocupação é muito válida no que se refere fazer TVregional, pois não adianta ter todos os equipamentos, ser denominada de TV regional e teruma imagem de péssima qualidade, com chuviscos ou mal iluminada. Bazi (2001, p.23)afirma isso ao citar, que as preocupações vão da qualidade do sinal que chega à casa dostelespectadores até o investimento realizado pelas emissoras regionais. Não basta obter concessão e instalar a emissora. É preciso que ela percorra um vasto caminho até se tornar, de fato, inserida no contexto político, econômico e cultural da comunidade. É necessário seguir padrões de qualidade, funcionamento, desenvolvimento de recursos humanos e investir pesado em equipamentos e instalações para proporcionar ao mercado local programação, jornalismo, comercialização, envolvimento com eventos e festas locais e excelência na transmissão do sinal da emissora por toda a sua área de cobertura, que deve ser
  25. 25. 25 definida a partir de características culturais, demográficas e econômicas homogêneas. 3 Existem vários obstáculos para se fazer um jornalismo regional de qualidade, como adificuldade na locomoção de equipe, muitas vezes pelas más condições das estradas da região.O tempo é outro fator que não contribui, pois é preciso viajar até outras cidades da região parafazer a cobertura de uma matéria e muitas dessas viagens são longas; outro fator relevante é oalto custo em equipamentos e padronização da programação.1.3 - TVs REGIONAIS: UMA TRAJETÓRIA DE SUCESSO No Brasil existem grandes redes regionais, que com muito esforço e colaboração dacomunidade conseguiram se desenvolver e hoje são sinônimo de sucesso no país. No interiorde São Paulo, as filiais e afiliadas da emissora da Rede Globo, investiram na qualidade dosinal e na reformulação de sua programação. Um dos exemplos é o caso da EPTV (EmissorasPioneiras de Televisão), fundada em 1979, e que hoje conta com quatro emissoras - TVCampinas, em Campinas; TV Riberão, em Riberão Preto; TV Central, em São Carlos e TVSul de Minas, em Varginha, Minas Gerais. Atualmente com as quatro emissoras, a EPTValcança 292 municípios entre o interior paulista e o sul de Minas, num total de 9 milhões dehabitantes . (BAZI, 2001) “As ações da Rede EPTV, incluindo as suas quatro emissoras, estão divididas ao meiocom a Globo, 50% pertencem a família Marinho, os outros 50% são de propriedades dosCoutinho Nogueira”, grupo regional (BAZI, 2001, p.36). No seu início, a TV Campinasprecisava ganhar a confiança do anunciante local, da elite local e, é claro, do público. Em3 MERCADO GLOBAL, Rede Globo, 3º trimestre de 2003, Edição número 113, página 01.
  26. 26. 26alguns anos a TV Riberão ampliou sua produção passando a produzir um bloco local do“Globo Esporte”, o “ Globinho”, programa dirigido ao público infantil e a realizar reportagensde âmbito regional para serem exibidas pelos telejornais da Rede Globo. A TV Sul de Minastinha uma área de abrangência de 75 cidades e saltou para 140 cidades, onde vivemaproximadamente 2,2 milhões de pessoas, sendo o seu maior desafio as enormes distânciasentre as cidades mineiras e o seu difícil acesso. A TV Central no início tinha uma cobertura de30 municípios, e com o tempo o raio de atuação da emissora se expandiu, chegando a alcançar37 municípios. Em 1991 a emissora estreou seu telejornal regional desvinculando-se da TVRibeirão (BAZI, 2001). O autor afirma ainda que as emissoras afiliadas da Rede Globo foramestrategicamente instaladas em regiões de grande concentração populacional e com mercadoscomerciais ativamente promissores. A EPTV, por exemplo, como em qualquer outra emissora afiliada a Rede Globo,possui horários predeterminados para mostrar sua programação regional. No entanto, por 10vezes, a EPTV já ocupou outro espaço na programação da Globo, utilizando-se do horário doprograma “Globo Repórter”, para apresentar suas produções regionais (BAZI, 2001). Istodemonstra como a rede EPTV tem parceria e credibilidade junto à cabeça de rede, mostrandoque é possível as TVs regionais ter acesso a este espaço tão delimitado, ao exibir as suasproduções regionais em horário voltado para a exibição de matérias nacionais. Comcompetência e profissionalismo pode se alcançar o privilégio de ver as matérias que fazemparte do contexto de sua cidade sendo apresentadas nacionalmente. Temer (1998) pesquisou sobre a história da TV Triângulo de Uberlândia, MinasGerais, para documentar sobre o pioneirismo das emissoras de televisão no interior do Brasil,mostrando as dificuldades que são encontradas no início para uma TV regional se estabelecer.É nesse aspecto de estabelecimento e reconhecimento de uma emissora regional que asafiliadas assumem um papel importante no que se refere a investimentos e recursos, pois seria
  27. 27. 27economicamente inviável uma emissora regional se estabelecer e até mesmo sobreviver deforma independente, sem o auxílio das afiliadas. Acompanhando a TV Triângulo percebe-se que ela surgiu a partir da “aposta do povo”, sem nenhum tipo de pesquisa ou planejamento, e sem o conhecimento das pontecialidades dos mercados local e regional para sustentar este veículo. Num primeiro momento imperam o entusiasmo e o amadorismo, a emissora se instala com recursos mínimos em um apartamento no centro de Uberlândia e entra no ar sem nenhuma formação especifica de recursos humanos. (TEMER, 1998 apud ROCHA, 2003, p.6) Outro exemplo de Redes regionais que tem dado certo é a TV Tem, com emissorassediadas em Bauru, Sorocaba, São José do Rio Preto e Itapetinga, onde as quatro são afiliadasa Rede Globo. A tendência do surgimento das redes de televisão pode não ser novidade, masvem se consolidando no interior de São Paulo. Um dos motivos seria o grande potencial dointerior paulista, que é considerado pelo setor publicitário o segundo maior mercado do país,só perdendo para a capital. Outra razão defendida pelas emissoras, é a maior proximidadecom o telespectador que “quer se ver” na televisão. Segundo Volpato e Oliveira (2007), durante a programação um informe de 20 a 30segundos é exibido sobre as cidades cobertas pela TV Tem. O nome da cidade se destacajunto com o slogan “TV tem, a TV que tem você”, uma estratégia midiática para aumentar suacredibilidade e a relação de identificação com o público. O editor regional de jornalismo da TV Tem, Osmar Fábio Chor, afirma que o maisimportante é ver as notícias da sua rua, do seu bairro, da sua cidade e saber que a emissora é aporta-voz dos seus problemas junto ao poder público4. Outra experiência pioneira, com custo acessível, e com o objetivo de regionalização daprogramação de TV, vem sendo realizada em Adamantina, pela FAI - FaculdadesAdamantinenses Integradas, por meio do departamento de Comunicação Social e a emissorade televisão TVR, sediada em Tupi Paulista, com transmissões de sinais para Tupi, Dracena,4 JORNAL O IMPARCIAL, Presidente Prudente/SP, 20/06/2003.
  28. 28. 28Adamantina, Lucélia e Osvaldo Cruz. A TVR está no ar há mais de 5 anos com amplo espaçopara a programação regional (ROCHA, 2003, p.11). A iniciativa tem forte identidade com a comunidade regional, fato este que tornou o“Programa Feira Livre” carro-chefe da emissora, e em poucas semanas em uma das maioresaudiências da televisão. Rocha (2003) aponta que a faculdade oferece toda infra-estrutura emrecursos técnicos e humanos para que artistas anônimos de Adamantina e região apresentemseus números musicais e culturais. Passam pelo Feira Livre cantores sertanejos, de hip-hop,grupos de danças, contadores de piadas e outros. É muito interessante ver a educação interligada ao desenvolvimento da TV regional nopaís. Essa experiência da TVR em parceria com a faculdade é importante, pois valoriza epropaga a cultura e dá apoio aos artistas da região. Muitas vezes estes artistas não encontramespaço nos grandes veículos de comunicação de massa passando despercebidos diante dasociedade e são nas emissoras regionais que podem encontrar esse espaço. Projetos como estes podem trazer audiência para uma emissora regional, dando a estauma maior visibilidade e tornando-a mais forte e conhecida. Por fim temos o exemplo da RBS, pertencente a Rede Sul de Comunicação, quetambém faz parte deste contexto de televisão regional, ao longo de sua história de mais de 47anos. Segundo Hinerasky (2004, p.4), “O grupo RBS detém 85 % do mercado do Rio Grandedo Sul, e vem investindo recursos em ações sociais e comunitárias”. O que diferencia a rede éo modelo de televisão regional: atuação comercial e cultural junto às comunidades regionais.Ela é afiliada a Rede Globo desde 1971, e a principal emissora do estado: possui 17 emissorasde televisão, 18 emissoras de rádio, atua em vários segmentos da mídia e caracteriza-se pordestinar cerca de 10% do que exibe para a produção regional. Hinerasky (2004, p.5) afirmaainda que “apesar deste número não ser tão expressivo, a emissora é uma instituição que temconsiderável inserção no contexto cultural gaúcho, pois dá ‘cor local’ na grade de uma Rede
  29. 29. 29nacional”. A emissora detém mais de 50% da audiência em todos os programas no estado coma proposta da Rede de destacar a cultura regional e suas características em toda suaprogramação. Através do conhecimento de sua programação, evidencia-se a preocupação em falar para a comunidade, mostrar seus problemas e eventos e em valorizar a cultura e história do povo gaúcho. A emissora também tem buscado alternativas para abranger um amplo espectro da audiência, organizando sua programação em categorias principais ou segmentações, especialmente a partir de 1999 (HINERASKY, 2004, p.6) Conforme Barbero, “as televisões regionais se convertem em uma reivindicaçãofundamental das comunidades regionais e locais, em sua luta pelo direito à construção de suaprópria imagem, que se confunde com o direito à sua memória” (BARBERO; REY, 2001,apud HINERASKY, 2004, p.4), o que equivale a dizer que a importância da TV regional vaimuito mais além do que expor notícias locais; é através dela que a história da comunidade sefaz e se conta, podendo contribuir para a formação da identidade local.1.4 - TV BAHIA O jornalista Assis Chateaubriand, no de ano de 1956, decidiu implantar uma antenatransmissora em cada grande cidade do Brasil. Foram adquiridas nove estações, que sedestinavam a Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Campina Grande, Fortaleza, São Luiz,Belém e Goiânia. Em 1960, chega à Bahia a primeira emissora de televisão, a TV Itapoan.Segundo Lima (2006), achava-se que a Bahia não tinha mercado para sustentar um canal deTV, porém aconteceu uma surpresa: 70% dos anunciantes eram locais e somente 30% eram deoutros estados. Hoje a Rede Bahia de Comunicação é composta por diversas empresas. Ela atuadentro e fora da Bahia, está presente na mídia impressa, TV por assinatura, jornais, rádios,produtora de cinema e vídeo, gráfica, provedora de Internet e atua também no setor de
  30. 30. 30construção civil (LIMA, 2006). Foi inaugurada no dia 2 de julho de 1978, uma dataimportante para o estado, pois nela é comemorada a independência da Bahia. A Rede pertenceà família Magalhães, uma família muito conhecida na Bahia e no Brasil, por atuarem na áreapolítica. Lima (2006) afirma que uma mídia regional ou um grupo regional está diretamenteligado as tendências políticas e também culturais de uma região. No segmento de mídiaeletrônica ela possui seis emissoras de TV aberta, uma de TV fechada, duas emissoras e umarede de rádio, porém o seu carro chefe é a TV Bahia, que abrange um público de mais de 12milhões de pessoas. Todas são líderes absolutas de audiência e garantem, assim, a grande maioria das verbas publicitárias dos anunciantes locais e nacionais. Entre as empresas de rádio, destaque para a Rede Tropicalsat, que distribui seu conteúdo via satélite para emissoras em todo o estado. Para conseguir esses resultados, a Rede investe pesadamente em tecnologia para a instalação do seu sinal via satélite, que chega hoje a todos os municípios da Bahia, para a digitalização de seus equipamentos visando melhorar a qualidade do sinal de suas retransmissoras, e, principalmente, em informação regionalizada, um produto importante para conquistar e ampliar audiência. (REDE BAHIA DE COMUNICAÇAO, 2003). A TV Bahia foi inaugurada em Salvador no dia 10 de março de 1985, como emissoraafiliada à Rede Manchete, mas em 1987 passou a ser afiliada à Rede Globo de Televisão. Aemissora transmite seu sinal para a Região Metropolitana de Salvador e mais 221 municípios,leva seu sinal a de 1,4 milhões de domicílios, com quase 7 milhões de telespectadores e foi oprimeiro investimento da Rede Bahia no que se refere a TV aberta. (REDE BAHIA DECOMUNICAÇAO, 2003 apud LIMA, 2006). A TV Bahia exibe uma programação diversificada durante toda a semana, que vaidesde o jornalismo até programas esportivos, educativos e culturais e transmite também aprogramação da Rede Globo. São exibidos diariamente os telejornais Jornal da Manhã, BahiaMeio Dia, Bahia Esporte e à noite o BA TV, que traz informação com as principais notíciasdo dia, flashes ao vivo e inserção de reportagens das outras emissoras regionais. Aos sábadossão exibidos o programa Aprovado, classificado como educativo, que traz jovens que estudam
  31. 31. 31nas escolas da região para debater sobre assuntos ligados ao universo estudantil. Há ainda oMosaico Baiano, um programa de entretenimento, com entrevistas e agenda com principaiseventos da região. O Rede Bahia Revista vai ao ar aos domingos e traz notícias e reportagensde temas variados que abordam as tradições culturais do povo baiano, além de música, dançae arte, e o Bahia Rural, exibido domingo pela manhã, retrata o universo do homem do campo. Lima (2006) cita que são feitas quatro reuniões diariamente entre os coordenadores doJornal Nacional, o coordenador de núcleo na emissora e o produtor, onde todo o trabalho édiscutido e analisado, desde o texto até a condução da matéria. Ela afirma que o repórter sórealiza a matéria depois que há uma combinação entre a central de jornalismo da Rede Globono Rio e o núcleo da Bahia, e que se a notícia não é importante para a rede ela passa a ser sólocal e não é produzida. Através dessa noção de como é realizado a produção das notícias pela TV Bahia,percebemos a forte dependência que a rede regional tem com a rede nacional, pois tudo o queé captado de informação precisa antes ser passado para a Central Globo de Jornalismo, paraque eles avaliem se aquela notícia vale a pena ser divulgada ou não. Portanto, não há umaautonomia para uma emissora regional transmitir a matéria sem a decisão da cabeça de rede,“além disso os repórteres devem evitar uma linguagem regional, e tentar tornar sua imagem amais neutra possível” (LIMA, 2006, p.19). Na pesquisa de Montes (1997 apud LIMA, 2006, p.19) sobre produção de notícias, elecita: acostumado a acompanhar a edição das próprias matérias, o repórter José Raimundo afirma que o trabalho não se encerra quando a equipe de reportagem retorna da rua:‘quando volta para a TV começa uma outra etapa do trabalho. É a hora de editar, discutir o que foi feito na externa e se os indícios apontados antes da saída foram confirmados’, acrescenta o repórter. ‘O trabalho é todo discutido e estudado, desde o texto até a condução da matéria. Tudo é discutido com a coordenação do núcleo’.
  32. 32. 32 Lima também expõe como as grandes redes têm colocado alguns repórteres para seremexclusivos ao dar notícias sobre uma determinada região com o intuito de acostumar otelespectador com as notícias divulgadas por aquele repórter da região, a exemplo do JornalNacional. As exclusividades, nestes casos, funcionam mais como uma forma de ancorar asnotícias de determinadas regiões em um único profissional. Conforme Lima (2006), otelespectador de qualquer região do país se identifica com a notícia de acordo com o que orepórter está apresentando. Na TV Bahia, por exemplo, apesar de existirem dois repórteres de rede, o únicorepórter autorizado para fazer esses tipos de matérias para o Jornal Nacional é o repórter JoséRaimundo. Segundo Montes (1997 apud LIMA, 2006, p.20), nas afiliadas da Rede Globo opúblico deve ter certa identificação com o repórter que entra no horário nobre da Globo.Sendo assim o telespectador ao ver na sua casa a imagem ou a voz do repórter JoséRaimundo, que já exclusivo daquela região, saberá que aquela notícia é do nordeste, gerandoassim uma identificação do emissor com o receptor. Segundo Lima (2006, p.24) “os grupos de mídia regionais estão, de fato,desenvolvendo e consolidando a idéia de empresa genuinamente regional, comprometida comproduções e notícias tanto na esfera do tradicional (local), quanto na esfera do pós-moderno(global)”. Os grupos regionais começaram a perceber a importância de estar investindo tantoem equipamentos quanto em profissionais qualificados, e muito mais em mídia local. Pois osmeios de comunicação têm uma grande influência na sociedade e cada vez mais estes veículosestão procurando se aperfeiçoar. Desde 1985 outras afiliadas começaram a surgir e a se expandirem pelo interior doestado. A TV Santa Cruz em Itabuna, a Sudoeste em Vitória da Conquista, a Oeste Barreiras,a TV São Francisco em Juazeiro e a TV Subaé de Feira de Santana, que em março de 1998incorporou 50% de seu capital à Rede Bahia. Segundo Lima (2006), para que um grupo de
  33. 33. 33mídia seja considerado regionalizado, é necessário antes entender o sentido de regionalismoque está presente em produção, investimentos e estratégias. Para entendermos um pouco sobreessas emissoras regionais de TV aberta, que fazem parte do contexto de mídia regional noestado da Bahia, será feita uma apresentação sobre estas outras TVs que compõe a RedeBahia de Comunicação.TV Santa Cruz“Com sede em Itabuna, a TV Santa Cruz, desde novembro de 1988, leva seu sinal à região suldo estado, onde estão algumas das mais antigas e importantes cidades da Bahia,representantes da cultura cacaueira e da nossa história, como Ilhéus, Itabuna e Porto Seguro.Além dessas cidades, destaca-se o desenvolvimento de novos pólos econômicos, emEunápolis, Teixeira de Freitas e Itamaraju, e turísticos em Canavieiras, Prado, Santa Cruz deCabrália e Itacaré. Cobrindo 53 municípios, a TV Santa Cruz leva informação eentretenimento, consolidando o forte compromisso com o desenvolvimento econômico esócio-cultural da região” (REDE BAHIA DE COMUNICAÇÃO, 2003).TV Sudoeste“São 67 municípios cobertos pelo sinal da TV Sudoeste. É mais uma emissora da Rede Bahia,que se une à força industrial de Jequié e Itapetinga, ao potencial do turismo histórico eecológico de Rio de Contas e a rica agricultura de Brumado, Guanambí e Caetité. Sediada emVitória da Conquista, uma das maiores cidades da Bahia, a TV Sudoeste foi inaugurada emmarço de 1990 e é hoje mais um exemplo de desenvolvimento do Estado, assim como acultura do café na região” (REDE BAHIA DE COMUNICAÇÃO, 2003).TV São Francisco“Instalada na cidade de Juazeiro, na divisa com o estado de Pernambuco, A TV São Franciscofoi inaugurada em dezembro de1990 e leva seu sinal a 28 municípios. A região é banhada por
  34. 34. 34um dos mais importantes rios navegáveis do país, o São Francisco, e um dos maiores lagosartificiais do mundo, o do Sobradinho. Juntos esses recursos naturais representamsustentáculos da economia regional. Importante pólo produtor de frutas para exportação, onorte baiano engloba também forças como Campo Formoso, um dos maiores centrosprodutores de diamantes do país, as riquezas e os mistérios da Chapada Diamantina e todo oprogresso de Senhor do Bonfim. A TV São Francisco atua como um agente ativo dodesenvolvimento social e econômico, levando informação, educação e cultura aostelespectadores da região” (REDE BAHIA DE COMUNICAÇÃO, 2003).TV Oeste“A Região Oeste está localizada em um ponto estratégico para o escoamento da produçãoagropecuária e industrial do Estado. O potencial turístico, a cultura de grãos (lavoura eindústrias de beneficiamento) em Barreiras e Luís Eduardo Magalhães e o potencial comercialde Bom Jesus da Lapa dão a certeza de que a região representa uma importante fronteira parao crescimento econômico do Estado. Inaugurada em fevereiro de 1991 e sediada em Barreiras,a TV Oeste leva seu sinal a 21 municípios, marcando presença na vida da população eparticipando ativamente do crescimento econômico da região” (REDE BAHIA DECOMUNICAÇÃO, 2003).TV Subaé“Inaugurada em junho de 1988, a TV Subaé foi a primeira afiliada à Rede Globo no interiorda Bahia. Sediada em Feira de Santana. Segunda maior cidade do estado e principal centrocomercial do interior do Nordeste, a TV Subaé transmite sua programação para 48municípios, levando informação e entretenimento, além de incentivar a cultura e asmanifestações populares da região” (REDE BAHIA DE COMUNICAÇÃO, 2003). A autora Lima (2006) traz sua consideração sobre a Rede Bahia de Comunicação,mostrando como esta, através da sua produção regionalizada e do seu investimento em
  35. 35. 35tecnologias, bem como em suas emissoras regionais, tem conquistado exponencialmente nãosó o mercado da mídia eletrônica como também os seus demais segmentos. A Rede Bahia de Comunicação representa, de certo modo, a realidade dos grupos regionais pelo Brasil, enquanto proposta de mudança. A “maior do Norte/Nordeste” serve de exemplos para outros grupos. Assim como no Sul, a RBS já havia percebido esse filão, de regionalização, agora temos as outras empresas de mídia acompanhando essa tendência, que está voltada para a modernização, a tecnologia e o investimento. Somente assim, para enfrentar o mercado cada vez mais competitivo. (LIMA, 2006, p.26) A autora afirma que a Rede Bahia, assim como a RBS, percebeu na regionalização daprogramação um caminho para o sucesso da mídia regional.
  36. 36. 362. TV SUBAÉ2.1 - HISTÓRIA A TV Subaé é uma emissora de televisão, situada em Feira de Santana na Bahia.Como já citado, foi inaugurada no dia 1º de junho de 1988, configurando-se como a primeiraemissora afiliada à Rede Globo no interior da Bahia. Quando a emissora surgiu fazia parte do Grupo Modesto Cerqueira, que levava onome do seu presidente. Após a morte de Modesto Cerqueira, o grupo passou a sercomandado pelo seu filho, Modezil Cerqueira. Em 1999, o Grupo Modesto Cerqueira sedesfez de outros veículos de comunicação em Feira de Santana, como as Rádios Subaé AM,Subaé FM e o Jornal Feira Hoje, todos vendidos para o Sistema Nordeste de Comunicação.No mesmo ano, o empresário Modezil Cerqueira vendeu partes de suas ações para a RedeBahia. Hoje a TV Subaé faz parte da Rede Bahia de Comunicação. Através do Núcleo de Jornalismo da Rede Globo, vieram alguns profissionais deMinas Gerais e São Paulo implantar a TV Subaé, entre eles Sílvio Palma, que foi o primeirodiretor de jornalismo, Marcos Pizano, editor de texto da TV Leste/Globo Minas, João AldemirVenceslau, editor de texto da TV Leste/Globo Minas que também fez parte da equipe deimplantação da TV Santa Cruz de Itabuna-BA, o repórter Ciro Porto da EPTV São Paulo,Aline Hungria, repórter da TV Globo São Paulo, Ferreira, gerente de operações da TV GloboSão Paulo, entre outros profissionais nas áreas de operações, operações comerciais,programação e engenharia. O mercado de TV de Salvador, o único da época na Bahia,também contribuiu com muitos profissionais na fase inicial de transmissão da TV Subaé. Como afirma Marcílio Costa, Chefe de jornalismo da TV Subaé, em entrevistaconcedida no dia 22 de outubro de 2009,
  37. 37. 37 A TV começou com a maioria da mão de obra vinda de fora. A cidade não tinha televisão, não tinha mão de obra disponível. Vieram grupos da Globo implantar a televisão em seus diversos setores: pessoas vieram fazer levantamentos na parte do jornalismo, avaliação, e escolher as pessoas que iam trabalhar. Nesse momento vieram pessoas de fora que já conheciam e trabalhavam com televisão, mesclou com o pessoal daqui e foi formada a mão-de-obra a partir daí. Para Costa (2009) a implantação da TV Subaé teve um impacto muito grande nacidade. Segundo ele, “a TV Subaé é um marco não só na história do meio de comunicação,como também na história de Feira de Santana, tendo uma grande importância para acomunidade”. Ele afirma que TV Subaé busca, todos os dias, ficar mais próxima dotelespectador. TV Regional é aquela que mostra a cara das pessoas que estão ali, esse é o principio da TV Regional, quando as pessoas vêem suas demandas sendo mostradas e atendidas. É conseguir chegar mais próximo das necessidades da comunidade, e quando se consegue atender uma boa parte dessa demanda. É isso que a TV Subaé busca todos os dias: ficar mais próximo do telespectador, é mexer no nosso formato, é um aprendizado diário, sempre buscando colocar o telespectador em evidência. Bazi (2001) confirma a importância que uma TV tem para a comunidade na qual estáinserida, ao afirmar que as empresas de televisão que atuam num âmbito regional adquiremum papel fundamental, pois são elas que produzem e transmitem informações aostelespectadores, podendo dessa maneira, criar uma identidade com as comunidades. 2.2 - ÁREA DE COBERTURA A TV Subaé transmite sua programação para 48 municípios5 situados próximos àcidade de Feira de Santana, levando seu sinal também a outras cidades importantes, tendo um5 Água Fria, Alagoinhas, Amargosa, Amélia Rodrigues, Anguera, Antônio Cardoso, Araçás, Araci, Aramari,Barrocas, Biritinga, Cairú, Candeal, Castro Alves, Conceição da Feira, Conceição do Coité, Conceição doJacuípe, Coração de Maria, Cruz das Almas, Feira de Santana, Iaçu, Ichú, Ipecaetá, Ipirá, Irará, Itaberaba, Itatim,Jiquiriça, Lage, Lamarão, Mutuípe, Ouricangas, Pedrão, Rafael Jambeiro, Retirolândia, Riachão do Jacuípe,
  38. 38. 38maior destaque as cidades de Santo Antonio de Jesus e Alagoinhas. Ela atinge cerca de 1milhão e 500 mil telespectadores, com 372.099 domicílios com TV. Segundo CristianeMacário, coodernadora de Marketing, em entrevista concedida no dia 22 de outubro de 2009. Além de Feira de Santana, a TV fez uma divisão por regiões, sendo a cidade de SantoAntônio de Jesus a cabeça do Recôncavo Sul e do lado oposto, geograficamente, estáAlagoinhas, localizada no leste da Bahia. Estas duas cidades foram estabelecidas comoprincipais, porque geram mais notícias e a distância em relação à Feira de Santana não égrande se comparada a outras cidades, o que facilita ir nas duas cidades em um turno eretornar à TV com a matéria, como afirmou Costa (2009). Em Santo Antonio de Jesus existiaum escritório regional com equipe locada lá, mas atualmente está desativado. Estas demais cidades de cobertura da TV Subaé não comportam ter uma equipe permanente instalada. Nós temos consciência que são 48 municípios, mas como em toda emissora regional, não só aqui, não se consegue cobrir todos os 48 municípios, então fazemos rondas. Tem produtores encarregados por região: através das rondas vemos o que vai gerar notícia. A Globo não vai cobrir todos os estados como cobre Rio de Janeiro e São Paulo, então são as TVs Regionais que chegam mais próximo do telespectador. (COSTA, 2009) Ainda Segundo Costa (2009), no mês de setembro de 2009, a TV Subaé exibiu 292matérias inéditas, onde 17 matérias foram regionais e 275 foram locais. Diante destes dadospodemos perceber que a emissora, apesar de se denominar regional, privilegia algumascidades mais importantes. Esse aspecto, presente em muitas emissoras, tem gerado muitosdebates sobre o papel de uma emissora regional. Porém sempre é levantado o aspecto daviabilidade, lembrando que apesar de ser regional é difícil para uma emissora cobrir todos osmunicípios da região a qual seu sinal atinge. Sobre este dilema local x regional em relação à TV Subaé, Costa (2009) diz que é inegável que Feira de Santana tem um maior espaço pela sua economia e pela força da notícia, e que por a emissora estar instalada na cidade é natural que esta ganhe uma maior relevância. Portanto, é uma emissora local/regional comSanta Bárbara, Santanópolis, Santo Antonio de Jesus, Santo Estevão, São Gonçalo dos Campos, São Miguel dasMatas, Serra Preta, Serrinha, Tanquinho, Teofilândia, Valença, Valente.
  39. 39. 39 expectativa de se tornar cada vez mais regional.. Além de Alagoinhas e Santo Antonio de Jesus, a TV Subaé busca notícias factuais ecuriosas, a exemplo de matéria produzida na cidade de Serrinha, onde um morador coleciona400 aparelhos rádios. Ainda segundo Costa (2009), outros fatos inusitados e de interesse público da regiãoestão sempre sendo buscados pela equipe de jornalismo da TV Subaé, como o caso de umamulher que caiu numa cisterna na cidade de Santo Estevão. Costa conta que a TV recebeu anotícia pelo telefone, mas não sabiam se era verídica. A TV entrou então em contato com ocorpo de bombeiros, que confirmou a notícia. A TV enviou sua equipe até a cidade para fazera matéria e ao chegar ao local, a mulher já havia sido resgatada, mas como alguns moradoresfilmaram o episódio pelo celular, a equipe teve acesso à gravação. Conforme Costa (2009),“foi uma história muito impactante e por isso foi transmitida pela TV Bahia. Essa matéria teveforça suficiente para que nos deslocássemos para Santo Estevão. Quando um fato é forte podeser no distrito mais distante, não medimos esforços e vamos à cidade”. Esse episódio mostraainda como o jornalismo regional pode ser feito a partir da interação e participação dapopulação. Bastos Silva, após um levantamento de dados sobre duas emissoras da BaixadaSantista chegou à conclusão que, as tevês regionais por uma série de questões procuram dar cobertura maior para a cidade mais importante da sua região. Este fato tem gerado muitas criticas e discussões sobre o papel que as emissoras deveriam prestar para a região. As empresas se defendem afirmando que não tem equipes suficientes para realizar uma cobertura cabal ou ás vezes não se justifica enviar uma equipe para um município muito distante sem haver razão maior. (SILVA, 1997 apud BAZI, 2001, p.16). A TV Subaé não foge a esta realidade, porém de acordo com o diretor de jornalismoda TV, há a consciência do papel de uma emissora regional e o objetivo de cada vez mais irexpandindo a produção, equipe e equipamentos para contemplar as demais cidades da região.
  40. 40. 40 2.3 - PROGRAMAÇÃO A grade de programação é composta pela retransmissão dos programas nacionais daRede Globo de Televisão e por três programas regionais, exclusivamente jornalísticos. Diariamente são exibidos os telejornais Jornal da Manhã, Bahia Meio Dia e o BA TV,este último transmitido à noite, nos mesmos moldes que combinam produção local comprodução exibida para todo Estado comandada pela TV Bahia, principal emissora da RedeBahia de Comunicação, com sede na capital do Estado. O jornal da Manhã é exibido de segunda a sexta-feira, às 06h 30 min. Antes exibidoapenas duas vezes por semana, atualmente ganhou mais espaço na programação sendotransmitido diariamente. É apresentado por Lete Simões, que traz as principais notícias deFeira de Santana e região logo cedo. O telejornal apresenta notícias e informações de utilidadepública, oferta de empregos, previsão do tempo e sempre um assunto de interesse geraldiscutido em entrevista, ao vivo no estúdio. Através das câmeras espalhadas pelos principaispontos da cidade, o telespectador é orientado sobre as condições do tráfego e sobre os fatosque aconteceram durante a noite e a madrugada, (sendo mostrados no Jornal da Manhã). O jornal Bahia Meio Dia é exibido de segunda a sábado às 12 h e 20 min, apresentadopor Madalena Braga. O programa tem como uma das suas principais características levar ainformação ao vivo, onde quer que o fato aconteça. É o programa que mais divulga osproblemas da comunidade: o Bahia Meio Dia apresenta quadros de cunho social, como o“Desaparecidos”, exibido todas as quartas-feiras na praça da Catedral, que ajuda as famílias aencontrarem seus parentes e o quadro de “Empregos”, que dá a oportunidade dedesempregados buscarem uma nova oportunidade no mercado de trabalho. As ofertas detrabalho são exibidas todos os dias: a empresa entra em contato com a TV, e não tem custopara anunciar sua vaga, como afirmou Macário (2009).
  41. 41. 41 No Bahia Meio Dia sempre há presença de um artista da terra mostrando seu talento ea agenda cultural é exibida toda a sexta-feiras. É o telejornal que tem a maior duração, e nesseespaço maior a TV aproveita para divulgar os eventos da cidade, levar um artista no estúdio eexibir o quadro de desaparecidos, que é sucesso da TV Subaé, como afirma Costa (2009). Como exemplo, ele conta uma história que aconteceu no início do mês de outubrodeste mesmo ano em que o Bahia Meio Dia exibiu o caso de um paciente que estava internadohá um ano no Hospital Colônia Lopes Rodrigues. Após sofrer um acidente o indivíduo perdeua memória e o contato com a família. A matéria foi exibida no Bahia Meio Dia às 12h e às 13hdo mesmo dia, a família entrou em contato com a TV Subaé e o reencontro foi marcado. Costa afirma através desse caso a importância da prestação de serviço à comunidadecomo característica marcante da TV regional, “só a televisão com a força que ela tem, com aimagem, é capaz de fazer reencontros. Isso é TV Regional” (COSTA, 2009). Os meios de comunicação de uma cidade permitem que o cidadão tenha conhecimentosobre informações que se referem ao seu cotidiano, o que é reforçado por Coutinho e Martins(2008). O telejornal local é um mediador entre o receptor e a cidade; através do telejornal otelespectador se conecta a ela, partilha e assiste pela televisão histórias de cidadãos que vivemproblemas semelhantes aos seus. As autoras ainda afirmam que o telejornalismo regional setorna ainda mais importante na construção da identidade local, podemos concluir que se a programação veiculada pela televisão em rede nacional é concebida como uma narrativa e/ou agente unificador, o telejornalismo regional se torna ainda mais importante na construção da identidade local, na medida em que pode ressaltar – e em alguns casos mesmo resgatar – a cultura das comunidades às quais se destina, fazendo com que as pessoas se sintam retratadas e lembradas, através da TV. (COUTINHO e MARTINS, (2008, p. 15). Por fim, o jornal BA TV é transmitido à noite, às 19h e 05min, sendo exibido desegunda a sábado. Ele também é apresentado por Lete Simões e, durante a sua exibição, conta
  42. 42. 42com reportagens e flashes ao vivo sobre os principais fatos que ocorrem no fim do dia,orientação do trânsito na hora do rush e cobertura especial das notícias do futebol. O jornalismo de TV que tenha um caráter realmente local pode influenciar o sentimento de pertencimento do cidadão, de reconhecimento por ele do que seria o seu espaço público; o telespectador que assiste ao telejornal local se identifica com o que está vendo porque a notícia da cidade apresentada na tela efetivamente faz parte da sua vida cotidiana. (COUTINHO e MARTINS, 2008, p.4) Ele é considerado o telejornal mais assistido da televisão baiana, como afirma Costa(2009) “100% da programação da TV Subaé é líder de audiência, e os telejornais sãocampeões de audiência. A maior audiência da TV Subaé é o BA TV, que muitas vezes fica nafrente do Jornal Nacional, o que é normal, pois as pessoas se identificam com o jornal local”. 2.4 - AUDIÊNCIA A pesquisa de audiência da TV Subaé é realizada pelo Instituto IBOPE, que éresponsável por fazer medição em veículos de comunicação. Uma vez por ano, funcionáriosdo Ibope vêm à Praça de Feira de Santana, selecionam alguns domicílios e distribuem ummanual com orientação para o telespectador. Cada vez que o telespectador assistir adeterminado programa ou canal, marca no caderno. Eles retornam até a casa dessesmoradores, recolhem o caderno e enviam os dados para o Instituto Ibope. Após uma análise, o IBOPE tira as conclusões necessárias para medir a audiência eperfil da emissora. Nesta tabela são classificadas a audiência e participação durante a exibiçãode cada telejornal, o perfil do público, como classe social, sexo e a faixa etária dostelespectadores. A última pesquisa desta natureza foi realizada em maio de 2009. Nas emissoras que possuem um mercado publicitário forte essa pesquisa pode serrealizada diariamente, ponto a ponto, como no caso da TV Bahia. Apesar de Feira de Santanater um bom mercado publicitário “este tipo de audiência ponto a ponto, tem um custo muito
  43. 43. 43 alto para uma cidade do porte de Feira de Santana e por isso é realizada a pesquisa ano a ano” afirma Costa (2009). Outra forma citada de medir a audiência é através de outros veículos de comunicação: “a audiência é medida pelo retorno da comunidade ao telefone ou e-mail”. Televisão, e quem não enxergar isso mude de ramo, é negócio alimentado pela audiência. Ou seja, o público é que define. Se nós temos a capacidade de fazermos um projeto que agregue audiência, nós devemos fazer. Se o nosso projeto não agrega audiência, nós temos que examinar. E se com certeza ele diminui a audiência, nós temos que eliminá-lo. (CRUZ, 1996 apud BAZI, 2001, p.64) Segundo Macário (2009), o perfil do público da TV Subaé é variado, uma vez que a TV Subaé procura atender a toda população, criança, jovem e idoso. “A TV Subaé tenta trabalhar com esse público tanto para projetos comerciais como sociais, baseada na pesquisa que o Ibope realiza.” Este tipo de pesquisa é realizado também na Rede EPTV (Emissoras Pioneiras de Televisão), nas praças de Campinas, Riberão Preto e São Carlos, onde algumas pessoas são selecionadas e ouvidas em estúdio. Como afirma o diretor Coutinho Nogueira, “nós ouvimos grupos de audiência da classe A, B, C e D naquele vidro escondido na sala, onde tudo é gravado. Ao mesmo tempo em que as pessoas têm amor, cumplicidade com a emissora, elas também ‘descem o pau’ querendo mais” (NOGUEIRA, 1999 apud BAZI, 2001, p.64). Figura 1: Jornal da ManhãDADOS DE AUDIÊNCIA E PERFIL DE PÚBLICO JORNAL DA MANHÃ 64 PERFIL DO PÚBLICO 11% 16% 5% 17% 8% 24% 35% 11% 57% 13 68% 48% 04 a 11 1 a1 2 7 1 a 24 8 04 A 11 FEM ININO M A SCULINO Audiência Participação (%) AB C DE 25 a 49 50+ Fonte: IBOPE Media Quiz, maio/09. Praça: Feira de Santana.
  44. 44. 44 Figura 2: Bahia Meio DiaDADOS DE AUDIÊNCIA E PERFIL DE PÚBLICO BAHIA MEIO DIA 61 PERFIL DO PÚBLICO 11% 18% 12% 12% 23% 30% 28% 15% 17 44% 47% 60% 04 a 11 1 a1 2 7 1 a 24 8 Audiência Participação (%) 04 A 11 FEM ININO M A SCULINO AB C DE 25 a 49 50+ Fonte: IBOPE Media Quiz, maio/09. Praça: Feira de Santana. Figura 3: BA TVDADOS DE AUDIÊNCIA E PERFIL DE PÚBLICO PERFIL DO PÚBLICO 9% BATV 80 17% 12% 52 12% 21% 26% 25% 15% 47% 62% 54% 04 a 11 1 a1 2 7 1 a 24 8 Audiência Participação (%) 04 A 11 FEM ININO M A SCULINO 25 a 49 50+ AB C DE Fonte: IBOPE Media Quiz, maio/09. Praça: Feira de Santana.
  45. 45. 45 Através dos gráficos explicitados acima sobre a audiência da TV Subaé em seustelejornais, pode-se concluir que em todos os telejornais a classe C é a que mais assiste ostelejornais e que a maioria dos telespectadores é do sexo feminino e possui faixa etária de 25 a49 anos. Por isso as emissoras de TVs devem mesmo ter preocupação com a audiência e,principalmente, com a opinião da comunidade, afinal a programação é feita para ela e voltadapara a mesma. A audiência determina ainda a intensidade da influência que o jornal podecausar e também indica o grau de identificação entre telespectador regional e conteúdosveiculados. A conquista da audiência depende da qualidade da programação e da credibilidadeda emissora junto ao seu público. Como afirma Nogueira, (...) ter audiência é ter respeitabilidade. Nós não podemos nunca induzir, sugerir, criar algum mecanismo numa região que influencie a população e, sim, retratar com fidelidade os fatos. Certamente o nosso poder de audiência hoje é muito grande, mas o é, porque o trabalho tem credibilidade. Se a gente começar a fazer besteira, começar a tentar manipular a opinião pública, não conseguiremos, pois não existe mais o telespectador “bobo”. (NOGUEIRA, 1999 apud BAZI, 2001, p. 63) A audiência de uma emissora regional é determinada pela satisfação da comunidadecom determinada matéria ou projeto social realizado pela emissora. O público é quem avaliase tal matéria vai ter sucesso ou não; tudo depende da comunidade e para uma TV regional aaudiência é um fator determinante de aceitação e sustentação. 2.5 - PRODUÇÃO DE NOTÍCIAS: O JORNALISMO O número de funcionários da Instituição é de 77 pessoas, entre funcionários da própriaInstituição e prestadores de serviços. A estrutura de coordenação do jornalismo da TV Subaéfunciona na redação, com um chefe de jornalismo, um chefe de reportagem, cinco equipes deexternas, quatro pessoas internamente na produção dos telejornais e três editores. A equipe conta com o apoio também do supervisor de operações, cinegrafistas,editores de imagem e auxiliares, que não pertencem diretamente ao jornalismo, mas prestam
  46. 46. 46serviço ao jornalismo. Segundo Costa (2009), “na TV não há equipes fixas para o jornal, todomundo faz tudo e atende também aos pedidos para todos os jornais da TV Bahia e RedeGlobo”. A produção de notícias é feita de diversas maneiras, sendo uma delas através de umprograma chamado I News, que é um gerenciador de jornalismo, utilizado também pela RedeGlobo e suas demais afiliadas. Costa (2009) conta que dentro deste programa tem uma pastaque à medida que a notícia chega vai sendo alimentada dentro de uma data prevista. Outraforma utilizada é tipo agência escuta. Toda a informação que chega é avaliada para saber oque precisa ser feito para a realização da matéria Como toda TV, e principalmente em uma regional, as fontes bases são sempre asmesmas e as rondas diárias são realizadas. A TV Subaé faz contato com órgãos competentesda cidade como polícia, prefeitura, hospitais, polícia rodoviária federal, bombeiros, setoresque sempre tem alguma informação. Costa (2009) afirma que “são estabelecidas relações comdeterminados órgãos, fontes praticamente permanentes, e então decidimos a notícia queinteressa e fazemos a matéria”. A TV Subaé também é muito procurada pelos telespectadores que sempre têm algumainformação; essas informações são verificadas e se forem verídicas a TV produz a matéria.Conforme Costa (2009), a TV Subaé tem um fluxo representativo de informações que chegampelo telespectador, através de e-mail ou telefone. É preciso então fazer uma triagem e ver oque é notícia e a partir daí avaliar se aquela informação vira matéria ou não. Muitas vezes uma notícia nacional pode ter um viés de local, como economia que é um assunto comum a todos. Vamos falar sobre isso e trazer o telespectador para dentro da notícia; não é repetir a mesma matéria que o jornal nacional, mas trazer a notícia para o contexto local. (COSTA, 2009) Ainda segundo Costa, a maior dificuldade para a produção de programas regionais é afalta de recursos e de mão de obra local. A TV encontra essa maior dificuldade por ser a única

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