O olhar de cronistas sobre o sertão séculos xvi e xvii

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O olhar de cronistas sobre o sertão séculos xvi e xvii

  1. 1. 0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA CAMPUS XIV – CONCEIÇÃO DO COITÉ POLYANA QUEIROZ SILVA MOTAO OLHAR DE CRONISTAS SOBRE O SERTÃO: SÉCULOS XVI E XVII Conceição do Coité 2010
  2. 2. 1 POLYANA QUEIROZ SILVA MOTAO OLHAR DE CRONISTAS SOBRE O SERTÃO: SÉCULOS XVI E XVII Artigo de conclusão de curso apresentado como requisito para obtenção do grau de Licenciatura em História, do Departamento de Educação – DEDC, Campus XIV – Conceição do Coité, Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Orientadora: Suzana Maria de Souza Santos Severs. Conceição do Coité 2010
  3. 3. 2 Conheci e vivi no sertão que era das “eras de setecentos”... Chuva vinha do céu e trovão era castigo. O sol se escondia no mar até o outro dia. Imperavam tabus de alimentação e os cardápios cheiravam ao Brasil colonial. Mandava-se fazer uma roupa de casimira que durava toda a existência. Era para o casamento, para as grandes festas, para o dia da eleição, do casamento da filha e era-se enterrado com ela. As mães “deixavam” roupa para as filhas. E elas usavam. Os hábitos ficavam os mesmos, de pai para filho. Calçava-se meia branca quando se tomava purgante de Jalapa. Mordido de cobra não podia ouvir falar em mulher. Nome de menino era de“santo do dia”. Os velhos tinham costumes inexplicáveis e venerados. Tomavam banho ao sábado, davam a benção com os dedos unidos e quase todos sabiam dez palavras em latim. A herança feudal passava como uma luva de ferro. Mas defendia a mão. Os fazendeiros perdiam o nome da família. Todos eram conhecidos pelo nome próprio acrescidos do topônimo. Coronel Zé Brás dos Inhamuns,Chico Pedro da Serra Branca, Manoel Bazio do Arvoredo. Nomes dos homens e da terra, como na Idade Média. Tempo bonito... Luís da Câmara Cascudo.
  4. 4. 3O OLHAR DE CRONISTAS SOBRE O SERTÃO: SÉCULOS XVI E XVII Polyana Queiroz Silva Mota1 RESUMOEste artigo é parte da pesquisa que teve como objeto de estudo o olhar dos cronistas sobresertão colonial. Deste modo trata das concepções de sertão no olhar de quatro cronistas dosséculos XVI e XVII em seus escritos sobre a América Portuguesa: Padre Manoel de Nóbregacom sua obra publicada como Cartas Jesuíticas I e Cartas do Brasil (1540-1560), GabrielSoares de Souza com seu Tratado Descritivo do Brasil, Fernão Cardim e sua obra Tratadosda Terra e Gente do Brasil e Frei Vicente do Salvador com a sua História do Brasil. Otrabalho está dividido com a apresentação do artigo, explicando como foi escolhido o tema eas dificuldades encontradas no decorrer de construção do projeto e desenvolvimento dapesquisa. A introdução com a exposição do tema, justificativa e o objetivo da pesquisa comotambém a parte metodológica seguida pela autora. Continuando, uma sumária biografia doscronistas e a explanação das idéias dos autores que embasaram tal trabalho. Por fim, asconcepções de cada cronista sobre sertão, o quadro comparativo usado na metodologia e asconsiderações finais da autora sobre a pesquisa desenvolvida.Palavras-chave: Cronistas, Sertão, Colônia ABSTRACThis article has as study object the columnists glance on interior, this way treats of theinterior conceptions in the four columnists of the centuries glance XVI and XVII in theirwritings on América Portuguesa: Priest Manoel of Nóbrega with his work published asLetters Jesuit I and Letters of Brazil (1540 -1560), Gabriel Soares of Souza with hisDescriptive Treaty of Brazil, Fernão Cardim and his work Treated of the Earth and Peoplefrom Brazil and Frei Vicente of Salvador with her History of Brazil. The work is divided withthe presentation of the article, that explains how it was chosen the theme and the difficultiesfound in elapsing of construction of the project and development of the research. Soonafterwards the introduction of the article with the exhibition of the theme, the justification, theimportance and the objective of the research as well as the following methodological part forthe author. Proceeding, a summary biography of the columnists and the explanation of theauthors ideas that you/they based such work. Finally, each columnists conceptions oninterior, the comparative picture used in the methodology and the authors final considerationson the developed research.Words- key: columnists, interior, colony1 Graduanda do curso de Licenciatura em História pela Universidade Estadual da Bahia – UNEB, Campus XIV.
  5. 5. 4INTRODUÇÃO Este artigo trata das concepções de sertão no olhar de quatro cronistas dos séculosXVI e XVII em seus escritos sobre a América Portuguesa: Padre Manoel de Nóbrega, comsua obra publicada, como Cartas Jesuíticas I e Cartas do Brasil (1540-1560), Gabriel Soaresde Souza com seu Tratado Descritivo do Brasil2, Fernão Cardim e sua obra Tratados daTerra e Gente do Brasil e Frei Vicente do Salvador com a sua História do Brasil. Escolheu-se estudar o período colonial na América Portuguesa, relacionando-o aotema sertão, porque no curso de graduação houve a curiosidade intelectual em pesquisar econhecer outros sertões além dos estudados durante o curso, pois muitos autores tratam ossertões como inexistentes no período colonial, principalmente no que diz respeito ao sertão daBahia, à região do semi-árido baiano, onde fica localizada a cidade de Barrocas3, na qualnasci, e a de Conceição do Coité, sede da Universidade onde aconteceram estes estudos4. Destacaram-se estes quatro cronistas e suas obras como fontes da pesquisa por seremos primeiros que estiveram no Novo Mundo nos séculos iniciais da colonização portuguesa ecuja importância dos seus escritos para a história do Brasil está em serem os pioneiros adescrever a terra e a vida da gente desta terra. A partir deles, foi-se delineando umacompreensão territorial, climática, cultural, política, econômica, sociológica e antropológicasobre o vir a ser sertão. A citação de Janaina Amado dá maior ênfase à escolha do tema, oobjeto de estudo, o recorte temporal e os personagens históricos desta pesquisa5: “Sertão” é uma das categorias mais recorrentes no pensamento social brasileiro, especialmente, no conjunto de nossa historiografia. Está presente desde o século XVI, nos relatos dos curiosos cronistas e viajantes que visitaram o país e o descreveram, assim, como a partir do século XVII, aparece nas primeiras tentativas de elaboração de uma história do Brasil, como a realizada por frei Vicente do Salvador.2 Variadas edições dos escritos de Gabriel Soares de Souza foram publicadas, o que levou seus escritos a ter outro título: Notícias do Brasil, edição de nº 1989. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1989, p.18.3 A cidade de Barrocas está situada na região do Semi-Árido (caatinga) do estado da Bahia. Fica a 255 KM da Capital, Salvador, pela estrada de ferro Viação Férrea Federal Leste Brasileira (VFFLB) que liga Salvador a Juazeiro, hoje privatizada com o nome de Estrada de Ferro Centro Atlântico. Desta ferrovia que se originou Barrocas em 1882, foi construído no que era apenas uma fazenda chamada Espera um “ponto de parada” para embarque e desembarque de mercadorias e passageiros, assim deu-se a povoação e desenvolvimento de Barrocas. NETO, João Gonçalves Pereira e BATISTA, Thiago de Assis. Barrocas: uma filha da estrada de ferro, 2007.4 UNEB (Universidade do Estado da Bahia) Departamento de Educação Campus XVI - Conceição do Coité/BA.5 AMADO, Janaína. Região, Sertão, Nação. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol.8, n.15, 1995, p.145-151
  6. 6. 5 A metodologia da pesquisa deste trabalho teve como base o artigo Percepção doscronistas coloniais sobre o manguezal brasileiro durante os séculos XVI e XVII, de ArthurVinícius de Oliveira Marrocos de Melo e Betânia Maria da Silva6. Escolheu-se tal trabalhopor ter em comum o recorte temporal, que abordou o olhar de cronistas e principalmente ospassos da pesquisa que se encaixaram muito bem no que ainda era o projeto inicial O olharde cronistas sobre o sertão - séculos XVI e XVII. Os cronistas utilizados por Arthur ViniciusMelo e Bethânia da Silva não foram os mesmos deste artigo, a temática também não foi amesma, pois eles falaram de manguezais. Entretanto, a forma com que coletaram e analisaramos dados foi adequada para o procedimento de percepção do olhar dos cronistas sobre sertãonos séculos XVI e XVII. Inicialmente, realizou-se uma revisão bibliográfica do tema em sites especializadosem história, livros e artigos científicos sobre os cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII esobre o conceito de sertão. Para perceber as concepções de cada cronista pesquisado, foramnecessárias várias leituras de suas obras, os dados sistematizados sob a forma de relatoshistóricos, em ordem cronológica e, posteriormente, foi elaborado um quadro resumo ecomparativo sobre a idéia que cada cronista tinha de sertão. Intercalando estudo sobre abiografia de cada um e o contexto no qual escreveram e tiveram na América Portuguesa. Os escritores quinhentistas e seiscentistas eram aventureiros, missionários e viajantesque faziam uma literatura informativa sobre o Novo Mundo. Estes, conhecidos comocronistas devido à natureza dos seus escritos, tinham grande inquietação em reconhecer,identificar, descrever e classificar o que eles viam na América, a nova terra recém-descoberta,os nativos, a vegetação e os animais. A grande preocupação era a descrição da terra e faziamestas narrações e observações empiricamente, misturando observações exatas e minuciosascom lendas. Belluzzo interpreta estas novas visões do Novo Mundo como a projeção sobre odesconhecido, os símbolos e mitos, os contos maravilhosos e as fábulas; a observação direta eo cálculo, que proporcionaram descrições geográficas e cartográficas7. Desta maneira, oscronistas organizaram um conjunto de informações sobre a natureza, fauna e flora da colôniaamericana, chamando a atenção para as terras férteis, para as secas e estiagem emdeterminadas regiões e as condições habituais do clima da costa brasileira. A maior partedestas constatações foi muito útil para que se modificassem os conceitos teóricos do6 REVISTA EDUCAÇÃO Ambiental em Ação, edição nº 27 de 2009. Disponível em: <www.revistaea.org/>. Acesso em: 06 mar. 20097 BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. A propósito do Brasil dos Viajantes. Revista USP. São Paulo. Junho/Agosto. 1996. pg.10.
  7. 7. 6significado da zona tórrida e estabelecessem uma nova visão dos trópicos. Cronistas comoClaude d`Abbeville, Andre Thevet nos séculos XVI e XVII mencionaram em seus escritoscaracterísticas do clima da colônia, desmistificando a zona tórrida como lugar de intenso calorsendo a vida de difícil adaptação. Além dos aspectos naturais os cronistas registraram também os costumes e os nomesdas tribos indígenas existentes, seus instrumentos musicais, como o guizo e o maracá, e o usoda gaita e da flauta, peças importantes que acompanhavam danças e ocasiões festivas; bemcomo rituais religiosos dos diversos povos nativos. A forma como se vestiam, a resistência dealgumas tribos indígenas e a facilidade de outras tribos à catequização jesuítica, por seremmanipulados pelos europeus como também levados pela curiosidade ante o estranho e o novo.Chamaram atenção para as disputas entre as tribos indígenas, como também as guerras entreportugueses, franceses e indígenas. Desta maneira, através dos cronistas coloniais, podemosperceber o imaginário colonial daqueles que aqui viviam como também o imagináriomedieval que pairava sobre a Europa. O que conhecemos hoje como sereias, bruxas, monstrosque existiam no imaginário daqueles recém chegados ao novo mundo e sobre estes medosmuitos viajantes construíram suas impressões sobre o Brasil. Os cronistas deixaram como representações, fontes e informações importantes emvárias áreas do conhecimento: geografia, biologia, astronomia e principalmente a história,tanto política, econômica como cultural, e que podem ter como análise histórica tanto asproduções literárias e icnográficas como também as representações mentais e concepçõeshistóricas ligadas a uma tradição de séculos passados8. Na historiografia brasileira existem trabalhos de análises dos cronistas coloniais esuas impressões desta terra, mas ainda há lacunas e espaços para muitos outros, pois estesrelatos podem nos aproximar melhor da historia do nosso país. Ana Maria Beluzzo mostra aimportância destes cronistas para historiografia do Brasil: O interesse contemporâneo no reexame da contribuição dos viajantes que passaram pelo Brasil é um reconhecimento de que eles escrevem páginas fundamentais de uma história que nos diz respeito. O legado icnográfico e a literatura de viagem dos cronistas europeus trazem sempre a possibilidade de novas aproximações com a história do Brasil9. A Europa no século XVI e XVII tinha no seu contexto elementos dos séculosanteriores e as inovações que o renascimento trazia, se tratava de um imaginário influenciadopela literatura dos primeiros viajantes a territórios além da Europa, sobre o Novo Éden, os8 BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. A propósito do Brasil dos Viajantes. Revista USP. São Paulo. Junho/Agosto. 1996.pg.15.9 Id. Ibid., p. 18.
  8. 8. 7monstros marinhos e o desconhecido, como também a ambição por possuir novas terras enovos povos para catequização ao cristianismo. Sobre a catequização, Ronald Ramineli,quando fala do imaginário colonial, trata do pensamento de padres e filósofos sobre o NovoMundo que caracterizam o índio como bom ou mau selvagem, ora compassível ou não desalvação, ante os elevados pressupostos da civilização européia. O historiador sublinha que,de uma forma ou de outra, os índios foram assimilados sob o mito do homem bárbaro, e sob ocrivo da tutela e da colonização. Ele fala também da idéia dos europeus da América infernalque não só comprovavam a demonização dos índios, como também reafirmava a necessidadeda salvação, catequese e da conquista que, nesse sentido, deixavam de ser apenas um jogoentre contrários, o bem e o mal, para assumir características políticas. “Os infortúnios dacolonização receberiam, portanto, um empreendimento racional e imprescindível”10. As imagens construídas pelos viajantes sobre o Brasil não podem ser entendidascomo narrações descontextualizadas, e sim como imagens importantes para o historiador porserem coletivas e influenciadas pelas vicissitudes da história, que se formam, modificam - se,transformam-se e exprimem-se em palavras e temas, segundo a perspectiva de Jacques LeGoff11. Desta forma, algumas das tradições, idéias e valores da Europa medieval erenascentista chegaram ao Novo Mundo através destes viajantes, sendo estas imagens esímbolos, fenômenos históricos por retratarem aspectos de uma época e de uma sociedadesendo passíveis de análise. Partindo deste ponto de vista de Jacques Le Goff, é necessárioapresentar aspectos da biografia para que se entenda a vida e o pensamento de cada cronista. I – Biografia dos cronistas Padre Manoel de Nóbrega, Gabriel Soares de Souza, Fernão Cardim e Frei Vicentedo Salvador redigiram suas narrativas nos primeiros séculos da colonização da América.Cronistas que faziam parte das expedições vindas para o Novo Mundo, com objetivosreligiosos, políticos ou econômicos (exceto Frei Vicente do Salvador, que nasceu na América)cada um com sua história que é de fundamental importância para que se compreenda o olhardestes autores sobre sertão, assim, será descrita uma biografia sumária destes homens10 RAMINELLI, Ronald. Imagens da Colonização. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor/EDUSP/FAPESP, 1996. p. 23.11 LE GOFF, J. O imaginário medieval. Lisboa: Estampa, 1994.
  9. 9. 8pesquisados, levando em consideração fatores familiares, sociais, políticos, religiosos e operíodo e contexto em que escreveram. Será apresentada em ordem cronológica, de acordo achegada destes homens à América Portuguesa. Padre Manuel da Nóbrega nasceu em Sanfins do Douro em Portugal, em 1517,estudou nas Universidades de Salamanca e Coimbra na Espanha, bacharelando-se em DireitoCanônico e Filosofia pela Universidade de Coimbra (1541). Em 1544, ingressou naCompanhia de Jesus, ordem religiosa fundada em 1534 por um grupo de estudantes daUniversidade de Paris, liderados pelo basco Inácio de Loiola. A Companhia de Jesus foifundada no contexto da Reforma Católica, em movimento reacionário à Reforma Protestante. Sendo um sacerdote jesuíta português, Padre Manoel da Nóbrega foi chefe daprimeira missão jesuítica à América, chegando ao Brasil em 1549, com o propósito deinstalar a Companhia e iniciar os trabalhos de catequese juntamente com outros padres. Veiocom o primeiro governador geral do Brasil, Tomé de Souza12. Nomeado primeiro superior e primeiro Provincial da Ordem no Brasil, Padre Manuelda Nóbrega colaborou eficazmente na fundação das cidades de Salvador, de São Sebastião doRio de Janeiro e São Paulo de Piratininga, como também estimulou a conquista pelo interior,ultrapassando as serras do mar e construindo colégios jesuítas pela colônia. Dedicou seu tempo à conversão e catequese do gentio e a educação do colono.Auxiliou também o terceiro governador geral do Brasil, Mem de Sá, a promover a amizadeentre os índios tamoios e os portugueses, antes aliados dos franceses. Nóbrega não chegou aenaltecer o estágio natural do índio, o bom selvagem, mas o considerou um ser humano comoqualquer outro, apto a receber e incorporar os valores cristãos. Suas cartas foram publicadas pela primeira vez em conjunto em 1886, eposteriormente acrescidas de outras e um Diálogo sobre a conversão do gentio. Sendo assimdocumentos históricos sobre o Brasil colônia e a ação jesuítica no século XVI. Faleceu em 18de outubro de 1570, no Rio de Janeiro. Outro cronista pesquisado foi Gabriel Soares de Souza. Agricultor, empresário enavegador português, nascido em Ribatejo, em Portugal, ele foi um típico homem doRenascimento, com características comuns a todos do seu tempo: aventura, curiosidade,religiosidade aguçada e desejo de riqueza e poder. Membro da expedição naval de FranciscoBarreto, que partira com destino à África, acabou por chegar ao Novo Mundo, estabelecido na12 Com o fracasso da colonização portuguesa nas capitanias hereditárias, o governador Tomé de Souza veio para a América com o propósito de consolidar o domínio português no litoral, recebendo regimento para fundar, povoar e fortificar a cidade de Salvador, na capitania real da Bahia.
  10. 10. 9Bahia como colono agrícola; casou-se e montou o engenho Jaguaripe, rico foi dos homensbons da terra e vereador da Câmara de Salvador. Souza foi o primeiro proprietário do Solar doUnhão13, o local traz este nome de um dos donos, o desembargador Pedro de Unhão CasteloBranco que tentou implantar um engenho de açúcar, depois teve vários proprietários e váriasfunções. Gabriel Soares de Souza foi o primeiro cronista civil da colônia, representando nãoapenas o escritor metropolitano descrevendo terras estranhas, como também uma consciênciade colono, com valores estamentais e escravocratas. O que se sabe da biografia do autor éinsuficiente para relatar como Gabriel Soares de Souza passou de colono a proprietário deterras, de plantações de cana de açúcar, de engenhos, bois, índios forros e escravos. Segundoalguns escritores, seu patrimônio foi adquirido em poucos anos, com o auxílio de João Coelhode Souza, seu irmão que o antecedeu no Novo Mundo, nas terras da Bahia. A ambição em ser proprietário de pedras preciosas levou este cronista a projetaruma viagem para o sertão do Rio São Francisco, pois recebeu de seu irmão João Coelho deSouza, um manuscrito vindo do interior da Bahia com a informação que haveria encontradovestígios de pedras preciosas. Com a morte de João Coelho de Souza, Gabriel Soares deSouza voltou a Portugal, em 1584, para obter da corte o privilégio de exploração de minériose pedras preciosas ao longo do rio São Francisco. Enquanto aguardava a permissão régia epara justificar seus projetos e requerimentos escreveu seu famoso Tratado, entre 1584 e 1587,ficando inédito até o século XIX. Em Tratado Descritivo do Brasil, apresentou um roteiro geral da costa brasileira, doAmazonas ao rio da Prata, como todo cronista de sua época, porém destacando-se pelaminúcia das descrições, retratou a geografia, a flora, fauna, as povoações coloniais e aspopulações indígenas; na segunda parte, fez um memorial da Bahia, exaltando as qualidadespositivas da colônia e defendeu um maior empenho das autoridades metropolitanas com acolonização do Brasil, em razão das perspectivas positivas que a exploração daquelas terrasapresentava e o perigo de invasores de outros estados. Nas suas narrações, Gabriel Soares de Souza mostra influências do homemrenascentista português, do colono bem sucedido e do imaginário medieval que continuaranos escritos da Idade Moderna; ele trata de monstros da água doce e teve como fonte o13 O Solar do Unhão localiza-se em Salvador, no estado da Bahia. Constitui-se em um expressivo conjuntoarquitetônico, integrado pelo Solar, pela Capela de Nossa Senhora da Conceição, um cais privativo, aqueduto,chafariz, senzala e um alambique com tanques. O conjunto atualmente sedia o Museu de Arte Moderna da Bahia.Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Solar_do_Unh%C3%A3o>. Acesso em: 07 dez. 2009.
  11. 11. 10cronista português Pero de Magalhães Gândavo, que permaneceu de 1565 a 1570 no Brasil efoi o primeiro a tratar destes monstros dos rios e também a mostrar aos poderes da metrópoleas perspectivas que a colônia oferecia. Frei Vicente do Salvador, em seu livro História do Brasil, reservou um capítulo desua obra para contar um pouco da história de Gabriel Soares de Souza e suas tentativas deencontrar pedras preciosas pelo sertão do Brasil14. O valor dos escritos de Souza é perceptívelcom o número de pesquisadores de várias áreas do conhecimento que o usaram como fonte.Segundo Bosi, o Tratado Descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Souza é a fonte mais ricade informações sobre a colônia no século XVI15. A informação dos jesuítas em suas crônicas tem como nomes mais significativos doséculo XVI o padre Manuel de Nóbrega, citado anteriormente, e Fernão Cardim, missionárioe escritor português, nascido em Viana do Alentejo, membro da Companhia de Jesus desde1566 e como jesuíta viajou para o Brasil em 1583, com o governador Manuel Teles Barreto16. Foi neste contexto que Fernão Cardim chegou às novas terras. Com a missão depadre visitador, viajou desde Pernambuco até ao Rio de Janeiro, tomando contato com asterras brasileiras, cujas observações resultaram em dois tratados e duas cartas. Um dospioneiros a descrever os habitantes e os costumes do Brasil, o primeiro dos tratados ocupava-se do clima e da terra do Brasil e o segundo tratava das origens e dos costumes dos índiosbrasileiros, e foram publicados, juntamente com suas narrativas epistolares, na Inglaterra,como Tratados da Terra e da Gente do Brasil, em 1925, compilados com anotações deCapistrano de Abreu. Após o retorno de Cristovão Gouveia para Portugal, Fernão Cardim assumiu areitoria do Colégio do Rio de Janeiro, tornou-se procurador da colônia em 1598 e voltou paraa Europa no ano seguinte. Em sua viagem de retorno a Portugal, seu barco foi atacado porpiratas ingleses e ele foi aprisionado pelo corsário inglês Francis Cook, que lhe confiscou umaobra sobre etnografia brasileira, Do Princípio e Origem dos Índios do Brasil e de SeusCostumes, Adoração e Cerimônias, a qual foi publicada na Inglaterra no século XIX. Libertado e novamente no Brasil como provincial da Companhia, cargo quedesempenhou por cinco anos (1604-1609), foi reitor do Colégio da Bahia, onde teve como14 O capítulo do livro tinha como título Da jornada, que Gabriel Soares de Souza fazia às minas do sertão, que a morte lhe atalhou. VICENTE do Salvador, Frei. História do Brasil:1500-1567. Belo Horizonte/Itatiaia/São Paulo: Edusp, 1982.15 BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1989, p.26.16 Este governador veio para a colônia como o primeiro representante da Espanha no Brasil, já que em 1580 Portugal e suas colônias caiu sobre a soberania do rei da Espanha e Manuel Teles Barreto logo que assumiu o cargo de governador geral colonial criou recursos de defesa dos portos com objetivo de impedir invasores de outras nações.
  12. 12. 11discípulo o padre Antônio Vieira. Autor de obras de interesse histórico e literário, nas quaispioneiramente criticou, por exemplo, a opulência dos senhores de engenho e o desrespeito doscolonos e suas maldades contra os índios, e com os demais representantes da Companhia deJesus dividia as informações sobre as ações empreendidas pelos jesuítas na colônia e buscavainformar a metrópole sobre estas terras e seus habitantes. Morreu em Salvador, em 1625. Bosirelata que Fernão Cardim lembra Gândavo e Gabriel Soares pela cópia de informações quesoube recolher nas capitanias que percorreu17. Natural de Matoim, atual município baiano de Candeias, Frei Vicente de Salvadorfoi, no século XVII, um dos nomes importantes na literatura colonial. Estudou no Colégio dosJesuítas, na Bahia, em 1564, e diplomou-se em Teologia pela Universidade de Coimbra.Possuía uma ligação íntima com o Novo Mundo, pois além de ter nascido nas novas terras,seus pais participaram do processo inicial da colonização e estiveram indireta ou diretamentedentre dos protagonistas da instalação e da organização dos órgãos administrativos (civis eeclesiásticos) implementados na colônia. O Bispo Antônio Barreiros chegou à Bahia em 1576, assumindo o bispado entre osanos de 1576 a 1640 e exerceu forte influência na vida pessoal e intelectual de Frei Vicente,que por ele foi nomeado vigário-geral, cargo de confiança do Bispo. Durante muito tempo,Frei Vicente foi a segunda pessoa mais importante do clero na América, o que lhe garantialigação com as pessoas centrais do poder político. Em meados de 1600, abraçou a causa dosfranciscanos, envolveu-se na cristianização das gentes da terra e, conseqüentemente naexpansão da fé entre as “bárbaras nações do Brasil”, auxiliando o império português aaumentar o número de súditos e à Igreja o número de cristãos; missionou na Paraíba, residiuem Pernambuco e cooperou na fundação da Casa Franciscana no Rio de Janeiro. Regressandoà Bahia para ser guardião do convento. A História do Brasil, de Frei Vicente de Salvador, é a primeira história escrita porum “brasileiro”, é um relato de fatos acontecidos entre 1500 e 1627. Uma obra escrita sob ainfluência do estilo barroco da época, numa linguagem rica em aliterações, jogos de palavras,metáforas e outras figuras de linguagem. Ao mesmo tempo em que cuidava da vida espiritual,lia autores contemporâneos, recolhia as tradições orais, ouvia aqueles que participavam demodo direto ou indireto da colonização: anotava também suas próprias vivências eexperiências. Atendendo a um pedido de um amigo para escrever “das cousas do Brasil”,17 BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1989, pg.31.
  13. 13. 12Manuel Severim18, em 20 de dezembro de 1627, Frei Vicente do Salvador assinava adedicatória de sua história do Brasil aquele erudito português, que ficou inédita até 1889,quando foi publicada nos Anais da Biblioteca Nacional. II - O sertão nos cronistas Todos estes cronistas rapidamente biografados usaram em seus escritos o termosertão, nomeclatura já conhecida destes homens desde de Portugal. Janaína Amado afirmaque, desde o século XIV, os portugueses usavam a palavra “sertão ou “certão”, relacionando-o a areas dentro de Portugal, todavia distante da capital. E, a partir do século XV, usaram-napara designar terras conquistadas, das quais pouco ou nada sabiam. Entende-se que os cronistas trazem para a América uma concepção de sertão jáconstruída como lugar distante, espaços vastos, interiores que não conheciam, lugares recémconquistados. Mas, aos poucos, vai se misturando com as concepções criadas aqui na colôniade acordo com o olhar, o contexto e os lugares pelos quais cada cronista passou. Erivaldo Fagundes Neves fala de sertão em sua obscuridade etimológica, onde omesmo revela-se polissêmico, carregado de novos e velhos sentidos. E o termo “sertão”, aolongo da história, foi se modificando e ganhando amplitudes maiores, em relação a regiões,culturas, ambientes, climas. Novas categorias surgiram na condição geográfica e tambémsocioantropológica19. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também não dá umadefinição exata quando afirma que a palavra “sertão” tem uma significação ampla e movediçana língua portuguesa, o que fez com que diferentes segmentos do território, em diferentesmomentos históricos, tenham recebido essa alcunha, inclusive partes da região amazônica. Estabelecer etimologias é uma armadilha em que se pode cair com fascinação e a etimologia da palavra sertão parece se perder na nebulosa que esgarça e dissolve a configuração de possíveis limites físicos e conceituais, permanecendo tão indefinida a significação quanto ilimitado o conceito20.18 Manuel Severem era um português sacerdote católico, historiador, arqueólogo, numismata, geneologista e escritor. O primeiro jornalista português e sua obra mais conhecida é Noticias de Portugal, publicada em 1655.OLIVEIRA, Maria Lêda. A Hisória do Brasil de Frei Vicente do Salvador: história e política no Império Português do século XVII, Rio de Janeiro, Versal: São Paulo, Odebrecht, 2008.19 NEVES, Erivaldo Fagundes e MIGUEL, Antonieta(2007), caminhos do sertão: Ocupação Territorial, Sistema Viário e intercâmbios coloniais dos sertões da Bahia, Salvador, Editora Arcaida, 2007.p.2120 PIRES, Jerusa, Ferreira. Um Longe Perto: Os segredos do sertão da terra. Légua e Meia – Revista de Literatura e Diversidade Cultural. Feira de Santana: UEFS, V. 3, Nº 2, 2004, p. 25 - 39.
  14. 14. 13 Esta pesquisa embasou-se nas concepçoes de sertão dos autores citados, comotambém de Núbia Braga Ribeiro que relata as imagens dos sertões como frutos da vidacolonial e que devem ser pensadas considerando as visões do mameluco, do sertanista, doeuropeu, do índio, do negro que naquele momento histórico habitaram essas áreas. Oresultado da pesquisa teve como referencial alguns dos protagonistas da colônia que NúbiaBraga Ribeiro chama a atenção: o europeu e o colono, que foram homens ativos naempreitada e na história da colonização da América21. Será exposto o olhar de cada cronista sobre sertão, de acordo com a sequência dechegada ao Novo Mundo, Padre Manoel de Nóbrega, Gabriel Soares de Souza, FernãoCardim e Frei Vicente do Salvador. Nas cartas de Padre Manoel da Nóbrega22, o termo sertão tem várias concepções.Quando ele escreveu sobre a capitania de Pernambuco, retratou o seu sertão como perigosopara os cristãos por se praticar pecados e os costumes dos gentios, falou também de um sertãodistante no interior e um lugar de maldades cometidas pelos brancos aos nativos. Como outrosreligiosos que acompanharam a colonização da América, Nóbrega denunciou a violênciacometida aos índios pelos portugueses, pois ele acreditava que o indígena era uma folha embranco que precisava ser escrita nos moldes do cristianismo e nunca duvidou da naturezahumana dos indígenas americanos, questionamento típico da época. Quando Manoel da Nóbrega escreveu a D. João pedindo um padre para a Capitaniade São Vicente, ele falou do sertão desta capitania como lugar certo e seguro para acatequização onde os gentios não são cruéis nas suas lutas com os inimigos. E é aqui o caminho mais certo e seguro para entrar nas geraçoes do sertão, de que temos boas informações; ha muitas gerações que não comem carne humana, as mulheres andam cobertas, não são cruéis em suas guerras, como estes da costa, porque somente se defendem; algumas tem um só Principal, e outras cousas mui amigas da lei natural, pela qual razão nos obriga Nosso Senhor a mais presto lhes socorrermos 23. Em uma aldeia chamada Simão na capitania da Bahia, esteve Manuel de Nóbrega echamou a região de sertão, por ser um lugar distante e diferente da costa do mar, faltoso dealimentos, onde a pescaria estava longe e os que lá moravam padeciam de fome. Os que nesta aldeia residem, se mantem das esmolas dos Indios, porém não deixam de padecer de muita falta, porque esta aldêa não está junto do mar, mas pelo sertão um pedaço, está a pescaria longe, e por amor contrarios que alli os costumam de21 RIBEIRO, Núbia Braga. Os povos indígenas e os sertões das minas do ouro no século XVIII. Departamento de História, FFLCH, USP-SP, 2008. (Tese Doutorado).22 MANUEL DA NÓBREGA, Padre. Cartas jesuíticas I – Cartas do Brasil (1549 – 1560): Belo Horizonte:Itatiaia; São Paulo: Edusp,1978.23 Idem. p. 145
  15. 15. 14 esperar, não ousam de ir pescar, sinão todos juntos, o que é causa de muitas vezes elles e seus mestres padecerem muita fome24. Padre Nóbrega, ao descrever conflitos entre cristãos e gentios na capitania de Ilhéus,falou que o medo que os cristãos sentiam os fez despovoar e deixar roças e casas para irem,todos, fazer fortes no sertão. A concepção dele de sertão neste momento foi de refúgio. Manuel de Nóbrega retratou a venda que os índios faziam entre eles para os cristãos,sobretudo os indígenas das tribos rivais, vendiam os mais desamparados por medo e sujeiçãoaos cristãos ou por cobiça do pagamento. Narrando estes acontecimentos, Manuel de Nóbregausou o termo sertão diferenciando os índios que viviam na costa de Porto Seguro e Ilhéus dosque habitavam o sertão, pois os índios do sertão poderiam ser vendidos para os cristãos e osdo mar não. Os de Porto Seguro e Ilhéos nunca se venderam, mas os Chistãos lhe ensinaram que aos do sertão, que vinham a fazer sal ao mar, os salteassem e vendessem, e assim se pratica lá os do mar venderem aos do sertão quanto podem, porque lhes parece bem a rapina que os Christãos lhes ensinaram e porque isto é geral trato de todos25. As concepções de sertão usadas pelo jesuíta Nóbrega são: perigo, morada dosgentios pecadores, lugar de maldades, interior, refúgio, distante, lugar de fome, diferente dacosta do mar na geografia e climatologia, como também no comportamento dos índios quehabitam estes lugares. Para este padre, os índios do sertão eram inferiores aos da costa, porserem vendidos aos europeus por seus contrários. Este jesuíta demonstra em seu olhar vários sertões, é até paradoxal, quando tratou deoutras capitanias modificou os conceitos que havia dado anteriormente a sertão, de perigo, dopecado para um sertão certo e seguro de catequização, terra de gentios dóceis, não cruéis,amigos da lei natural . O outro cronista destacado nesta pesquisa, Gabriel Soares de Souza26, no ínicio dosseus escritos, para mostrar onde estava situada a Província do Brasil, usou sertão como regiãodesta província, área do Tratado de Tordesilhas, lugar de refúgio dos índios caetés que foramexpulsos da costa por Duarte de Coelho, território de guerras entre tribos índigenas diferentes. Chegando Duarte Coelho a este porto desembarcou nele e fortificou-se, onde agora está a vila em um alto livre de padrastos, da melhor maneira que foi possível... não desistiu nunca da sua pretensão, e não tão-somente se defendeu valorosamente, mas ofendeu e resistiu aos inimigos, de maneira que os fez afastar da povoação e despejar as terras vizinhas aos moradores delas, onde depois seu filho, do mesmo nome, lhe fez guerra, maltratando e cativando neste gentio, que é o que se chama caeté, que o fez despejar a costa toda, como esta o é hoje em dia, e afastar mais de cincoenta léguas pelo sertão 2724 Idem, p. 158.25 Idem,p.198.26 SOUZA, Gabriel Soares. Tratado descritivo do Brasil em 1587. Belo Horizonte: Itatiaia, 2001.27 Idem,p.38
  16. 16. 15 Nos capítulos que Gabriel Soares de Souza chamou atenção para o Rio SãoFrancisco, local em que seu irmão lhe convenceu que haveria pedras preciosas, relatou que osgentios ribeirinhos afirmavam que no sertão de sua terra haveria serras de ouro e prata, matasde pau brasil e de caça. Como deixou claro também que toda essa terra ficava a léguas do marno sertão, lugar distante, no interior, muito ampla, desconhecida e desabitada. A terra do sertão é de campinas, como a da Espanha, e uma e outra é muito fértil e abastada de caça e muito acomodada para se poder povoar, porque se navega muito espaço por ela acima28. Ele usou sertão também para designar região de outros rios, como o sertão do rioCamamu na Bahia, com muita água, e o rio Caravelas que em seu sertão era povoado degentios bem acondicionados e possuía esmeraldas. Ao descrever os frutos da terra, GabrielSoares de Souza usou concepções diferentes de sertão, não mais na região do rio SãoFrancisco, ainda na capitania da Bahia falou de um sertão de campinas e, como Nóbrega, deum sertão seco da caatinga, onde se passava sede e fome. Há outra casta desta fruta, que os índios chamam cajuí, cuja árvore é nem mais nem menos que a dos cajus... as quais árvores se não dão ao longo do mar, mas nas campinas do sertão, além da catinga 29. Umbu é uma árvore... Dá-se esta fruta ordinariamente pelo sertão, no mato que se chama a caatinga, que está pelo menos afastado vinte léguas do mar, que é terra seca, de pouca água, onde a natureza criou a estas árvores para remédio da sêde que os índios por ali passam. Com o que a gente que anda pelo sertão mata a sede onde não acha água para beber, e mata a fome comendo esta raíz, que é mui sadia, e não fez nunca mal a ninguém que comesse muito dela30. Para apresentar os animais, Gabriel Soares de Souza destacou os do sertão diferentesdos da costa do mar; para ele sertão ficava longe do mar e era diferente no seu clima, fauna eflora. Mostrou um sertão do pecado por ser morada dos tupinambás, como também um sertãocom monstros de água doce, as cobras monstros que os índios descreviam para o cronista.Assim Souza deixa transparecer nos seus relatos a influência de uma Europa Medieval, queainda na Idade Moderna estava presente no imaginário de outros séculos. Quando se fala em monstros na colônia, Ramineli tem sua interpretação31.Analisando os desenhos daquele período, constatou que, ao invés destas imagens terem porreferência apenas os escritos dos europeus da época, elas demonstravam o imaginário doNovo Mundo, nos desenhos, os nativos perdiam suas especificidades para assumir o aspectode bruxos, feiticeiros, demônios e homens selvagens. Esse processo, na visão do historiador,28 Idem,p.9729 Idem,p.16730 Idem.p.17131 RAMINELLI, Ronald. Imagens da Colonização. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor/EDUSP/FAPESP, 1996.
  17. 17. 16além de reforçar os projetos coloniais, assinalava a dificuldade dos conquistadores emcompreender uma nova realidade cultural. O cronista Gabriel de Souza descreveu o sertão da Bahia, além do Rio SãoFrancisco, lugar que viveu uma nação de gente bárbara que se chama ubirajas, os quais não seentendem com nenhuma outra nação e faziam contínuas guerras com os outros gentios;cativavam-se, matavam-se e comiam uns aos outros sem piedade. E na mesma capitania daBahia descreve sertão como lugar de esmeraldas, cristais e outras pedras preciosas onde osíndios usavam para fazer enfeites no seu corpo. Ele vai além das fronteiras da colônia quandonomeia sertão como uma região do Rio da Prata. Sertão tinha inúmeros significados no olhar deste cronista. No decorrer de sua obra,ele falou de um sertão seco, de fome, de caatinga como também de um sertão de campinas,região de um rio com muita água, distante da costa e desabitado. Diferente de Nóbrega, paraquem sertão tem muitos significados, menos de campinas e de rio com muita água. Contudo,o olhar de Nóbrega e o de Gabriel sobre sertão se assemelham quando alguns dos seus sertõesse coincidem: distante do mar, interior, seco, de fome e de refúgio. Os dois cronistas tambémusam sertão de forma controversa, dependendo da tribo que habitasse as terras do sertão, elepoderia ser lugar de bárbaro e de pecador como também de gentios dóceis. Em Tratado descritivo do Brasil, o termo sertão é usado para delimitar fronteiras, aregião que não fazia parte da costa, certa região da província do Brasil, área do Tratado deTordesilhas, área de um rio, podendo esta área ser fora da capitania do Brasil. Transpondo daEuropa os mitos e lendas dos monstros marinhos e a ambição de metais preciosos, paraGabriel Soares de Souza, sertão também era lugar de monstros de água doce, de minas deouro, prata, cristais, esmeraldas. Os escritos do missionário Fernão Cardim32 se assemelham com os de GabrielSoares de Souza, quando descreveu a terra, sua gente, os animais e as plantas, porém, menosdetalhado e reduzido. Quando descreveu os animais e as plantas da colônia, Fernão Cardimusou o termo sertão para designar lugares distantes, no interior, espaçoso, de difícil acesso,como também regiões de determinadas capitanias. Ararúna – Este macaco he muito formoso: he todo preto espargido de verde, que lhe dá muita graça, e quando lhe dá o sol fica tão resplandecente que he para folgar de ver; os pés tem amarellos, e o bico e os olhos vermelhos; são de grande estima, por sua formosura, por serem raros, por não criarem senão muito dentro pelo sertão e de suas pennas fazem seus diademas, e esmaltes33.32 CARDIM, Fernão. Tratados da terra e gente do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1980.33 Idem,p.32.
  18. 18. 17 Dentro das concepções que o autor demonstrou sobre sertão existe a de um lugarperigoso, de fuga para os índios que são expulsos da costa do mar pelos portugueses, regiãodiferente da costa do mar, inclusive os costumes e na língua dos gentios que nele habitavam:“São como bichos do mato, porque entrão pelo sertão a caçar despidos e descalços sem medonem temor algum”34. “...porem os Portuguezes lhe têm dado tal pressa que quasi todos são mortos e lhes têm tal medo, que despovoão a costa e fogem pelo sertão a dentro até trezentas a quatrocentas léguas”35. A idéia de sertão como lugar seco e de fome também foi percebida nos escritos deFernão Cardim quando ele falou do sertão de Pernambuco, todavia quando citou a Villa dePiratitinga, em São Paulo, retratou o sertão como terra sadia, fria e com geadas. As fazendas de cannaviaes e mandioca muitas se seccaram, por onde houve grande fome, principalmente no sertão de Pernambuco, pelo que desceram do sertão apertados pela fome, socorrendo-se aos brancos quatro ou cinco mil indios. Porem passado aquele trabalho da fome, os que poderam se tornaram ao sertão, excepto os que ficaram em casa dos brancos ou por sua , ou sem sua vontade 36. Piratininga é Villa da inovação da conversão de São Paulo; está do mar pelo sertão dentro doze léguas; é terra muito sadia, há nella grande frios e geadas e boas calmas37. Comparando os conceitos de sertão dos dois missionários, Nóbrega e Cardim falamde um sertão seco e de fome, porém Nóbrega não retratou o sertão com clima frio e comgeadas, descrito por Cardim na Vila de Piratininga em São Paulo, local que Nóbrega tambémpercorreu, mas em pouco tempo, porque logo se instalou na Bahia, na cidade de Salvador. O olhar de Fernão Cardim sobre sertão demonstrou vários significados: lugardistante, de difícil acesso, determinada região de uma capitania, perigoso, espaço de refúgiopara os índios, diferente da costa do mar tanto na geografia como nos costumes ecomportamentos dos gentios, “nações de bárbaros”. Como Gabriel Soares de Souza, eledestacou sertão em seu paradoxo, seco e de terras sadias e frias e de bárbaros. Todas asdefinições usadas por Cardim sobre sertão já foram citadas no olhar de Souza e Nóbrega,exceto o sertão de difícil acesso. Frei Vicente do Salvador38, apesar de ter escrito bem depois dos outros cronistasdestacados neste artigo, e ter nascido na colônia, suas concepções de sertão são bem parecidascom a dos europeus, porque usou estes mesmos cronistas como fonte e também na colônia a34 Idemp.9535 Idemp.10136 Idem. p.16237 Idem. p17338 SALVADOR, Frei Vicente. História do Brasil:1500-1627. Belo Horizonte; São Paulo: Edusp,1982.
  19. 19. 18cultura da metrópole estava presente. Ele trata sertão como região, área, lugar, a qual pertenceàs terras da colônia Brasil, e também sertão como sinônimo de desabitado, desconhecido e nointerior. Quando no terceiro capítulo de sua obra critica os portugueses, chama-os denegligentes por não aproveitarem as terras do Brasil, e para ele estas terras não aproveitadasera o sertão. Da largura que a terra do Brasil tem para o sertão não trato, porque até agora não houve quem a andasse, por negligência dos portugueses que, sendo grandes conquistadores de terras, não se aproveitam delas, mas contentam-se de as andar arranhando ao longo do mar como caranguejos 39 No discurso do Frei, como dos outros cronistas referidos neste artigo, nota-se sertãotambém como lugar de fuga dos índios em guerra com os portugueses e terras de guerras entreos gentios de tribos diferentes. Tornados os línguas com esta reposta, fez Duarte Coelho de Albuquerque uma junta de oficiais da Câmera, e mais pessoas da governança...Porém quando viram o socorro dos barcos, e que não puderam impedir-lhes o desembarcar, posto que o acometeram animosamente, logo desconfiaram, e fugiram para o sertão, levando as mulheres, e filhos diante, e ficando os valentes fazendo-lhes costas40. Frei Vicente, em um capítulo especial para falar de Gabriel Soares de Souza,designou sertão como lugar de pedras preciosas e de destino da jornada do mesmo. Além demostrar nos seus escritos que sertão era lugar diferente da costa do mar, mostrou tambémsertão como local seco de fome e o sertão do rio real com muita água e povoado de currais elocal de fuga dos índios expulsos de suas terras pelos portugueses. Este cronista mostrou sertão em diferentes perspectivas, repetindo a idéia que osoutros cronistas já possuíam de sertão, de interior, distante, seco, de gentios, de refúgio,diferente da costa do mar e com algumas contradições, como Souza e Cardim, sertão seco, defome e sertão de muita água, e muito peixe. Pois, ele usou como fonte Gabriel Soares deSouza e também por na colônia estes conceitos já estavam sendo repassados há séculos,todavia, ele identificou um sertão de currais no interior da Bahia, que os outros não haveriamfalado. Por ser um colono, escreveu já no século XVII, período em que já estava acontecendoa penetração e a conquista do interior do Brasil, e principalmente da Bahia, com ocrescimento da pecuária, Frei Vicente do Salvador fala que o sertão tinha começado a serpovoado, mas de muitos currais. Percebe-se nas palavras do cronistas uma ironia e diminuiçãoda importância do sertão naquele momento.39 Idem. p.0540 Idem. p.20
  20. 20. 19 Cláudia Vasconcelos fala de Eurico Alves e sua defesa em relação à penetração dosertão baiano41. Para ele, a pecuária foi a responsável pela expansão e unidade do território nacional e formação social do que chamou de “civilização do pastoreio”. A partir de frases como: “Foi o boi que provocou a descoberta do sertão”, “Despertou o sertão ao rumor das boiadas” e “A música do aboio despertou o Brasil”, Eurico afirma ter sido a aristocracia dos currais e principalmente os vaqueiros (que ora se confundem propositadamente uns com os outros) os responsáveis pela expansão e até, mesmo pelo desenvolvimento econômico do país, além de colocar o gado como responsável pela interlocução entre o mar e o Sertão. A professora Vasconcelos destaca, na sua dissertação, um capítulo para Eurico Alves, jurista e poeta de Feira de Santana que, em sua obra Fidalgos e Vaqueiros, trata da discussão das imagens fixas do sertão e do sertanejo, publicada em 1953, por ele ser um defensor do sertão e contribuir para que se desfaçam vários estereótipos relacionados ao conceito de sertão. Este resultado do olhar de cada cronista sobre sertão foi percebido e analisado com comparações entre suas idéias, na construção do quadro comparativo sobre o que cada autor relatava sobre sertão. Quadro comparativo Padre Manuel de Gabriel Soares de Frei Vicente do Fernão Cardim Nóbrega Souza Salvador Perigo Perigoso Pecado/ moradia Pecado dos tupinabás Costumes dos gentios Distante do mar/ Interior/desabitado/ Distante/Interior desabitado/ amplo/ Distante/interior desconhecido Desconhecido Lugar de maldades dos brancos para os índios Certo e seguro para41 VASCONCELOS, Cláudia Pereira. Ser-tão baiano. O lugar da sertanidade na configuração da identidade baiana. Salvador UFBA, 2007. [Dissertação de Mestrado]. Eurico Alves, p.22, 45,15, 44
  21. 21. 20 catequese Gentios que não Gentios não cruéis cometem maldades aos brancos Diferente da costa Diferente da costa Diferente da costa do mar ( os índios e do mar do mar o lugar) Seco/ Seco de fome Seco / fome Seco/fome caatinga/fome Refúgio Refúgio Refúgio Refúgio Região de rio com Região/lugar/área muita água Região do rio com Campinas Terras sadias e frias muita água Monstros de água doce Pedras preciosas Pedras preciosas Guerras entre gentios, nação de Nação de bárbaros bárbaros/canibais Difícil acesso Terras não aproveitadas pelos portugueses Destino da jornada de Souza Lugar de curraisQuadro 1: Comparação das concepções sobre sertão dos cronistas coloniais.
  22. 22. 21CONSIDERAÇÕES FINAIS Vários são os sertões no olhar destes cronistas coloniais. A maioria das concepçõesse repete nos testemunhos destes homens. Eles mudam de conceito de acordo com a capitaniaou a região que percorrem, sendo às vezes controversos no seu olhar. Todos os quatro coincidiram na visão de sertão como região, lugar distante ediferente da costa do mar, interior, desconhecido, lugar seco e de fome, refúgio e morada dosíndios. Sertão para estes cronistas era carregado de simbolismos, dicotomias, ambigüidades ecomo também ambientes em movimento, pois eles destacavam na maioria das vezes osmoradores dos sertões os índios, e estes como estavam sempre itinerantes simbolizavam abarbárie, o diferente, o pecado e o atraso. Por este motivo também, os cronistas consideravamsertão na colônia portuguesa desabitado, pois se eram os índios que moravam nesses espaçosnão existiam pessoas civilizadas de acordo com os pressupostos da colonização e doseuropeus. Como um missionário e que acreditava na humanidade dos índios, se catequizados,apenas no olhar de Padre Manuel de Nóbrega sertão é lugar de maldades cometidas pelosbrancos aos índios, do pecado e lugar certo e seguro para a catequização. E coincidia seuolhar com o de Gabriel Soares de Souza quando destacava sertão terra de gentio não cruel,que não faz mal para homens brancos. Gabriel Soares de Souza, Fernão Cardim e Frei Vicente do Salvador mostram osertão de nação de gente bárbara e canibal, lugar de guerras entre os gentios. Souza e Cardimtrazem um sertão de campinas, de muita água e de clima frio. Frei Vicente do Salvador eGabriel Soares de Souza tratam de um sertão de pedras preciosas. Apenas Gabriel Soares de Souza fala de um sertão de monstros de água doce. Eespecificamente o olhar de frei Vicente do Salvador sertão foi o destino da jornada de Souza,e de terras não aproveitadas pelos portugueses como também local dos currais. Pode-se assim perceber que existiam vários sertões na colônia, muitos destesconceitos vieram de Portugal, na mentalidade destes cronistas que viveram no Novo Mundo.Contudo, o olhar destes homens sobre sertão aos poucos foi se modificando e se atrelandooutras concepções de acordo com o contexto e o local sobre qual descreviam. Sertão perigoso,do pecado, de costumes dos gentios, seco, de refúgio, terras sadias e frias, de pedras preciosase lugar de gente bárbara, canibal e de guerras entre gentios e ocupado por currais.
  23. 23. 22 Para se compreender as percepções sobre sertão destes quatro homens autores decrônicas coloniais, deve-se levar em consideração o imaginário medieval e colonial, fatoresculturais, que, mesmo escrevendo na Idade Moderna, traziam influências dos séculosanteriores e também os interesses coloniais de novas terras conquistadas, riquezas, escravos epovos catequizados ao cristianismo. Muito dos conceitos que foram construídos no período colonial por estes cronistas,continuam fazendo parte do que se entende atualmente sobre os sertões. Mesmo de formaambígua, estes conceitos são importantes para a constituição da identidade brasileira, que aolongo dos séculos foram se ampliando as percepções e os olhares sobre sertão, novos autores,novas interpretações e situações deixaram este termo ainda mais polissêmico. Expandindo emodificando as concepções dos cronistas sobre sertão para os sertões das manifestaçõesregionalistas, culturais, políticas, econômicas e sócio antropológicas.
  24. 24. 23 Referências BibliográficasA AMÉRICA desenhada pelos cronistas: derivações dedutivas a partir do exercício dalinguagem. Disponível em:<http://www.fflch.usp.br/dh/ceveh/public_html/biblioteca/livros/ab/ab-p-l-capi5.htm>.Acesso em: 12 jul. 2009.AMADO, Janaína. Região, Sertão, Nação. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol.8, n.15,1995, p.145-151.BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. A propósito do Brasil dos Viajantes. Revista USP. SãoPaulo. Junho/Agosto. 1996. pg.10.BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1989, p.26.CAMARGO, J. C. G. A Contribuição dos cronistas coloniais e missionários para oconhecimento do território brasileiro. In: Revista de Geografia da UFC, Fortaleza, n.2, 2002, p. 79-90. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1982-45132009000200014&lng=e&nrm=iso&tlng=e>. Acesso em: 23 ago. 2009.CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. 5. ed. Belo Horizonte: Itatiaia/SãoPaulo: Edusp, 1975, 2v.CANDIDO, Antonio; CASTELO, José Aderaldo. Presença da literatura brasileira. 11. ed.São Paulo, Difel, 1982. V.1.CARDIM, Fernão. Tratados da terra e gente do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo:Edusp, 1980.CASCUDO, Luís da Câmara. Vaqueiros e cantadores: folclore do sertão Pernambucano,Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. 3.ed. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. daUSP, 1984.FONSECA, Aleilton & PEREIRA, Rubens (orgs). Rotas e Imagens: Literatura e outrasviagens, Feira de Santana, UEFS: PPGLDC, 2000.
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