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2         IDALIA E. DE OLIVEIRA CUNHA        MAGNA A. ROCHA FERRO SANTOSESTRANGEIRIZAÇAO EM THINGS FALL APART E O         ...
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11                               INTRODUÇÃO      A literatura cumpre um papel primordial, no sentido de registrar desde os...
12pretensão de julgar o certo/errado. O objetivo é analisar alguns aspectosculturais presentes na tradução da obra Things ...
13      Por fim, conclui-se, refletindo sobre o resultado da pesquisa os aspectosa serem repensados sobre a prática tradut...
14   1. A INFLUÊNCIA CULTURAL NA TRADUÇÃO LITERÁRIA                                                    “Entre trair o auto...
15padrão para cada idioma e essa forma é considerada culturalmente, econômicae social melhor do que os idiomas considerado...
16“original” que é o que ocorre com a tradução que domestica o texto. Eleacredita que o trabalho do tradutor é aproximar o...
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19       No próximo capítulo analisaremos informações biográficas e sóciohistóricas do autor Chinua Achebe, e da Nigéria, ...
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212.2 Resumo da obra      O romance conta com precisão o início das mudanças da cultura Ibo,cultura na qual o protagonista...
222.3 A Nigéria (aspectos culturais e sócio históricos)       A Nigéria é um dos países da África Ocidental, membro da Com...
23provém de três fontes: A cultura peculiar, dos povos que já habitavam oterritório; A influência Árabe que veio pelo Saar...
24da Commonwealth, cujo primeiro Presidente foi Nnamdi Azikiwe, da etnia Ibo.      O desequilíbrio provocado pelo maior de...
25danos causados a etnia negra no Brasil.      Nesse período, houve entre professores e muitos intelectuais umtrabalho sob...
26   3. ANÁLISE         DE DADOS: ALVOS E ESTRATÉGIAS DA       ESTRANGEIRIZAÇÃO                     “[A tradução] tem por ...
27precisão e fidelidade, hábitos alimentares, religiosos, a cultura do povo, comotoda a estrutura da sociedade com suas tr...
28        No parágrafo seguinte encontramos outro provérbio popular; desta vezproferido pelo narrador onisciente:Ex. 2    ...
29                     TT: O lagarto que conseguiu pular do alto da árvore para o chão disse                     que se el...
30contexto. Em uma entrevista, O escritor explica a maneira que gostaria de servisto pelas demais culturas: “Em primeiro l...
31                     medida que os espíritos dos ancestrais, recém-saídos da terra, se                     saudavam uns ...
32                      Mas quando seguro as contas de sua cintura...                      Ela faz de conta que não perceb...
33objeto que não faz parte da sua cultura, certamente o estranhará. Mas essaestranheza foi tratada por Venuti, como necess...
34                     TT: Umuófia era temida por todas as aldeias vizinhas. Era poderosa                     na guerra e ...
35        No exemplo abaixo pode-se ver o ritual de sacrifício que pune os erroscometidos. O personagem principal Okonkwo ...
36plantados por eles próprios, as plantações estavam também ligadas àscrenças, ao respeito que eles tinham pela terra e co...
37                      - Tenho cola – anunciou ele, sentando-se e passando o disco ao                      visitante.    ...
38nome original, traduzindo literalmente.        Outro alimento de importância expressiva para os Nigerianos era oinhame, ...
39                      TT: Pois por maior que fosse a prosperidade de um homem, se ele                      não demonstra...
40      CONSIDERAÇÕES FINAIS                     A tradução está se tornando cada vez mais uma das ferramentas            ...
41lingüísticas e culturais, e permitindo ao tradutor visibilidade, o que leva o leitorda tradução a perceber a participaçã...
42REFERÊNCIAS:ACHEBE, Chinua. Things fall apart. New York: Anchor Books, 1994.ACHEBE, Chinua. O mundo se despedaça: Traduç...
43WEBBOOM.PT. Autor destaque. Disponível em<http://www.webboom.pt/autordestaque.asp?ent_id=1117935&area=01>Acesso em 05 ma...
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45Anexo 1: EkweAnexo 2: Drum
46Anexo 3: EgwugwuAnexo 4: Iron gong
47Anexo 5: OgeneAnexo 6: Agogô
48Anexo 7: Palm OilAnexo 8: Noz de colaProduto         PepsiDefinição/Tipo Refrigerante tipo cola                Pet 600ml...
49Anexo 9: Kola NutAnexo 10: Sangrador do vinho de palma
50Anexo 11: Palm wineOntemHoje
51Anexo 12: IrocoAnexo 13: Iroko
52Anexo 14: Fazendo o foo-fooAnexo 15: Foo-Foo
53Anexo 16: Cowries
54Anexo 17: Berimbau metalizado / Ivete SangaloQue som é esse mano que o povo tá dançandoQue vem de lá pra cá?É um som dif...
55Anexo 19: Mapa atual da Nigéria
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Estrangeirização em things fall apart e o mundo se dspedaça

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS XIV IDALIA E. DE OLIVEIRA CUNHA MAGNA A. ROCHA FERRO SANTOSESTRANGEIRIZAÇAO EM THINGS FALL APART E O MUNDO SE DESPEDAÇA Conceição do Coité 2008
  2. 2. 2 IDALIA E. DE OLIVEIRA CUNHA MAGNA A. ROCHA FERRO SANTOSESTRANGEIRIZAÇAO EM THINGS FALL APART E O MUNDO SE DESPEDAÇA Monografia apresentada ao Departamento de Educação – Campus XIV da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, como requisito parcial para obtenção do Grau de Graduação de Licenciatura em Letras com Inglês. Orientadora: Professora Eliza Mitiyo Morinaka Conceição do Coité 2008
  3. 3. 3 TERMO DE APROVAÇÃO IDALIA E. DE OLIVEIRA CUNHA MAGNA A. ROCHA FERRO SANTOSESTRANGEIRIZAÇAO EM THINGS FALL APART E O MUNDO SE DESPEDAÇA BANCA EXAMINADORA: ____________________________________________ ORIENTADORA: PROFª.Ms. Eliza Mitiyo Morinaka. Professora da UNEB – Campus XIV _____________________________________________ PROFª. DRª. Irenilza Oliveira Professora da UNEB – Campus XIV ____________________________________________ PROFº. Raulino Batista Figueredo Neto Professor da UNEB – Campus XIV
  4. 4. 4. As nossas famílias, Vocês são o que mais prezamos.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOS “Custou, mas depois veio a bonança, agora é o momento de agradecer”Tudo tem o seu tempo determinado,E há tempo para todo propósito debaixo do céu:Tempo de plantar e tempo de colher;Tempo de cair e tempo de levantar;Tempo de chorar e tempo de rir. (Eclesiastes 3)Infinitamente ao nosso Criador. Pela mão sempre presente a nos guiar.A nossa família pelo amor e apoio incondicional a tudo, e pelas escolhas quenos ensinaram a fazer.A Eliza Morinaka, muito mais que orientadora, pela dedicação ao nosso projeto,pelo incentivo constante, por nos ensinar descomplicando, pela simplicidade,pelas diretrizes que nos deu mostrando-nos o caminho quando estávamosperdidas. Pela orientação brilhante e criteriosa. Que fez dessa monografia umtrabalho conjunto, pela leitura pente fino dos textos. Sem ela esse trabalho nãoseria possível.A Letícia Telles e Irenilza Oliveira exemplos a ser seguido durante a nossavida.Ao Professor Emanuel Nonato, por despertar em nós o desejo de aprofundaros nossos conhecimentos na área de tradução.A professora de Português, Maria Valdete de Oliveira, pela correção ortográficado nosso texto.A todos os professores, pela dedicação, competência e entusiasmodemonstrados ao longo do curso e que contribuíram para chegarmos até aqui.Ao nosso grupo de estudo que durante esses quatro anos, tornou-se umafamília para nós, amigas queridas que levaremos para sempre em nossocoração, pelo incentivo, amizade, pelos momentos de descontração e apoioemocional nos momentos difíceis.
  6. 6. 6. Traduzir é escolher. E escolher (quem traduzir, para quem e como) representa uma tomada de posição no mundo; enfim, um ato político. Marie-France Dépêche A essência da tradução é ser abertura, dialogo mestiçagem, descentralização. Ela é relação ou não é nada. Antoine Berman,
  7. 7. 7 RESUMOO presente trabalho está inserido em Estudos de Tradução, maisespecificamente na linha literária de Estudos Culturais. Discute os efeitos dasestratégias de tradução denominadas estrangeirização e domesticação na obraThings Fall Apart, escrita por Chinua Achebe e publicada em 1958 levando-seem consideração as teorias do Teórico americano Lawrence Venuti, objetiva-seanalisar como os aspectos culturais foram traduzidos na obra O mundo sedespedaça, tradução de Vera Queiroz da Costa e Silva, publicado em 1983 noBrasil, atentando ainda para os possíveis fatores que levaram a tradutora aoptar por determinada estratégia tradutória. Esta análise se presta a verificarconceitos de estrangeirização e domesticação e a problemática dainvisibilidade do tradutor e do poder que a tradução exerce nas comunidades.Informações biográficas e sócio históricas também são tratadas nesta pesquisaque culmina com a análise de dados, onde o leitor deste trabalho podecomprovar os efeitos sofridos por uma tradução.Palavras chave: tradução, estrangeirização, domesticação, cultura.
  8. 8. 8 ABSTRACTThe present work is inserted in translation studies, more specifically in literarycultural studies. It discusses the effects of translation’s strategies called“foreignization” and “domestication” in the book Things Fall Apart, written byChinua Achebe, published in 1958, taking the theories of the AmericanTheorical Lawrence Venuti into consideration. The objective is to analyze howthe cultural aspects were translated, in the work “O Mundo se Despedaça”,translated by Vera Queiroz da Costa e Silva, published in 1983 in Brazil, payingattention to possible factors that influenced the translator chooses this specifictranslation strategy. This analysis verifies the concepts of estrangeirização anddomestication, the problems of the translator’s invisibility and the translation’spower in community. Biographical information and social historical are alsodiscussed in this research that is according to the datas analyses, where thereader can confirm the effects suffered by a translation.Key words: translation, foreignization, domestication, culture.
  9. 9. 9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASTO – Texto Original – Things fall apart, de Chinua Achebe.TT – Texto Traduzido – O mundo se despedaça, tradução de Vera Queiroz daCosta e Silva.
  10. 10. 10 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ..................................................................................................101. A INFLUÊNCIA CULTURAL NA TRADUÇÃO LITERÁRIA .......................131.1 Domesticação X Estrangeirização ..............................................................141.2 A Invisibilidade do tradutor ..........................................................................152. INFORMAÇÕES BIOGRÁFICAS E SÓCIAS HISTÓRICAS ......................192.1 Sobre o autor ..............................................................................................192.2 Resumo da obra .........................................................................................202.3 A Nigéria (aspectos culturais e sócio históricos).........................................212.4 Acontecimentos na Nigéria no período da publicação do livro....................222.5 Movimento negro no Brasil na Década de 80 .............................................233. ANÁLISE DE DADOS: ALVOS E ESTRATÉGIAS DAESTRANGEIRIZAÇÃO .....................................................................................253.1 Provérbios ...................................................................................................263.2 Instrumentos musicais ................................................................................293.3 Crenças/Religiosidade ................................................................................323.4 Alimentação ................................................................................................34CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................39REFERÊNCIAS ................................................................................................41ANEXOS ...........................................................................................................43
  11. 11. 11 INTRODUÇÃO A literatura cumpre um papel primordial, no sentido de registrar desde oscostumes a grandes acontecimentos de uma sociedade. Fazer a disseminaçãodo registro dessas particularidades entre os diferentes povos é oficio dotradutor, para Lawrence Venuti, (1996, 112) teórico renomado na área detradução: a “tradução é uma produção ativa de um texto que se assemelha aotexto original, mas que mesmo assim o transforma”. Durante essatransformação o tradutor tem o poder de escolher os métodos que irá utilizar.Venuti (1196, 113) ainda diz que: “A tradução é um processo de decisões: umasérie de situações consecutivas – como jogadas em um jogo – que impõem aotradutor a necessidade de escolher entre um número determinado (e muitasvezes definível com exatidão) de alternativas”. Essas decisões podem serfeitas de acordo com sua ideologia, cultura e crenças. O presente trabalho justifica-se mediante a observação de que um textoao ser traduzido sofre alterações significativas no que diz respeito aos aspectosculturais presentes nas traduções. Do ponto de vista de Venuti, os valoresculturais inclusos em uma obra traduzida muitas vezes são omitidos, ou temseus significados trocados durante o processo de tradução, distanciando assimo leitor do objetivo que propunha o original e ainda fortalecendo a hegemoniaque os Paises ricos exercem sobre os Paises pobres; provocando deste modoa domesticação dos textos e apagando o que não convém aos padrões dacultura alvo, e conseqüentemente privando o leitor estrangeiro do contato comoutra realidade. Porém, se a cultura fonte é valorizada, a leitura não ficará tão fluente,fazendo com que o leitor a todo o momento se depare com a cultura para aqual aquele texto foi escrito o que certamente causará estranheza, masacabará enfraquecendo as fronteiras culturais, diminuindo o etnocentrismo epermitindo ao leitor ler uma tradução como “tradução” e não como um“original”, valorizando e respeitando as peculiaridades do texto fonte, mantendoas marcas da cultura de origem no texto traduzido. As questões que aqui serão discutidas envolvem a reflexão sobre aintervenção do tradutor no texto original, embora este estudo não tenha a
  12. 12. 12pretensão de julgar o certo/errado. O objetivo é analisar alguns aspectosculturais presentes na tradução da obra Things Fall Apart do autor nigerianoChinua Achebe, publicado em 1958 através de um cotejamento entre original etradução “O Mundo se Despedaça”, traduzido por Vera Queiroz da Costa eSilva, a fim de verificar se a obra Things Fall Apart sofreu interferênciasestrangeirizadoras ou domesticadoras durante o processo de tradução e aimplicação dessas técnicas tradutórias na leitura da obra pelo público brasileiro. Para tanto utilizaremos como principal teórico o tradutor norte americanoLawrence Venuti por ser um autor que desenvolveu pesquisas e projetos detradução minorizante. Verificaremos se a tradutora Vera Queiroz da Costa eSilva preservou aspectos culturais da língua fonte durante o seu trabalho,estrangeirizando assim a tradução, ou se optou pela domesticação, omitindo acultura do texto fonte em detrimento da cultura alvo. A investigação deste trabalho se deu mediante a leitura das duas obras,comparando passagens que envolviam alguns aspectos da cultura tais como:provérbios, instrumentos musicais, crenças/religiosidade e hábitos alimentares,procurando sempre contextualizar as comparações e investigando a relevânciados aspectos analisados para as comunidades meta e fonte. Este trabalho monográfico está subdividido em três capítulos,considerações finais e os anexos que servirão como suporte para aconstatação de alguns fatos citados. No primeiro capítulo, intitulado “Ainfluência cultural na tradução literária”, é feita uma abordagem sobre asinfluências culturais que as traduções sofrem, as concepções do teóricoLawrence Venuti, conceitos de estrangeirização e domesticação e ainda aproblemática da invisibilidade do tradutor. O segundo capítulo, que traz como título “Informações biográficas esócio históricas”, traz dados do autor e um breve resumo da obra, bem comoinformações sócio-históricas do período em que o livro foi escrito e traduzido eum breve relato sobre o movimento negro na década de 80, período que o livrofoi traduzido no Brasil. O terceiro e último capítulo consiste na “Análise de dados”, onde sepropõem mostrar se a obra foi estrangeirizada ou domesticada, semprelevando em consideração os aspectos culturais das duas obras com suasconvergências e divergências, atentando para a postura da tradutora.
  13. 13. 13 Por fim, conclui-se, refletindo sobre o resultado da pesquisa os aspectosa serem repensados sobre a prática tradutória observando a importância dastraduções para a literatura. Ressaltando seu papel fundamental nadisseminação das culturas.
  14. 14. 14 1. A INFLUÊNCIA CULTURAL NA TRADUÇÃO LITERÁRIA “Entre trair o autor e trair o leitor, escolhi trair os dois, único modo de não trair ninguém” . Leminski A importância da influência dos aspectos culturais nos projetos detradução de obras literárias é inquestionável, visto que o contexto cultural comocategoria translatória é uma realidade nos nossos dias. É sabido que traduçãonão é apenas um processo automático de correspondências entre duaslínguas. Para traduzir não basta apenas conhecer bem dois idiomas e devidascorrespondências das palavras da gramática e dos idiomatismos. Traduzir vai muito além dessa idéia simplista de trocar um código poroutro. De acordo com Venuti (1996, p. 111): “A prática da tradução está repletade questões problemáticas com as quais o tradutor se confronta ao realizar suatarefa”. Podemos inferir então que o processo de tradução literária não é apenasum ato puramente lingüístico de mudança de um código por outro, mas em suaessência um ato de comunicação onde a mudança de uma língua por outra, éapenas um, entre muitos aspectos que devem ser atentados cuidadosamentepelo tradutor. Na concepção de Venuti: A língua nunca é simplesmente um instrumento de comunicação, empregado por um indivíduo de acordo com um sistema de regras – mesmo que a comunicação esteja sem dúvida entre as funções realizáveis pela linguagem. Seguindo Deleuze e Gauttari (1987), vejo a língua como uma força coletiva, um conjunto de formas que constituem um regime semiótico. Ao circular entre diferentes comunidades culturais e instituições sociais, essas formas estão posicionadas hierarquicamente, com o dialeto padrão em posição de domínio, mas sujeito a constante variação devido aos dialetos regionais ou dialetos de grupos, jargões, clichês e slogans, inovações estilísticas, palavras ad hoc e a pura acumulação dos usos anteriores. Qualquer uso da língua é, dessa maneira, um lugar de relações de poder, uma vez que uma língua, em qualquer momento histórico, é uma conjuntura específica de uma forma maior dominando variáveis menores (VENUTI, 1998, p. 24). A língua não é apenas um meio onde se produz uma comunicaçãoneutra. Ela envolve relações de poder, isto ocorre pela existência de uma forma
  15. 15. 15padrão para cada idioma e essa forma é considerada culturalmente, econômicae social melhor do que os idiomas considerados periféricos. Venuti (1996, 112) escreve que: “A tradução é uma produção ativa quese assemelha ao texto original, mas que mesmo assim o transforma”. O textotraduzido sofre inevitavelmente intervenções por parte do tradutor, e durante oprocesso de transformação cabe ao mesmo manter as marcas da origem dotexto permitindo que o leitor perceba que o texto é estrangeiro. Esse métodotradutório conhecido como estrangeirizaçao do texto traduzido, é defendido porteóricos como Venuti, em oposição à domesticação, conceitos que serãoexplorados na próxima seção.1.1 Domesticação X Estrangeirização De acordo com Lawrence Venuti, domesticar um texto é deixá-lo o maisparecido possível com os padrões culturais locais, um texto domesticado apagatodos os traços culturais da língua de partida que venham causar algum tipo deestranhamento ao leitor, inserindo no mesmo aspectos culturais próprios dacomunidade a qual se destina a obra, nesse caso, eles são adaptados deacordo a língua alvo. Ou seja, a adequação da tradução às formas literáriasexistentes na língua alvo como condição primordial de traduzibilidade. Aoassumir essa postura o tradutor levanta muros que impedem o seu leitor deconhecer a cultura do autor da obra, sendo que ele poderia abrir janelas onde oleitor pudesse vislumbrar toda a riqueza cultural de outros povos. No modelo de tradução domesticada, ocorre a valorização da cultura dechegada, excluindo totalmente a cultura da língua de partida. Essa atitudedenota um forte etnocentrismo. Assim entendemos que o tradutor ageconscientemente em favor da cultura da língua para quem se escreve,desvalorizando e tornando menor a cultura fonte. A domesticação de textos literários torna a leitura clara e fluente,conseqüência do apagamento das divergências entre as duas culturas. Venutimostra-se contra esse tipo de tradução, favorecendo a traduçãoestrangeirizadora, que preserva termos do texto original e procuraconstantemente manter as diferenças culturais encontradas no texto. Um dosobjetivos desse modelo é que a tradução seja lida como tradução e não como o
  16. 16. 16“original” que é o que ocorre com a tradução que domestica o texto. Eleacredita que o trabalho do tradutor é aproximar o leitor do texto e da culturafonte, independente se esse texto vai ficar com a leitura mais densa ou não. A estrangeirização proporciona que a diferença seja transmitida, o quede certa forma causa estranheza e permite que o público alvo identifique que otexto que tem em mãos é de origem diferente da sua própria cultura. Atradução estrangeirizadora, ainda de acordo com Venuti é uma forma deresistência contra o etnocentrismo. É certo que todo texto acaba sendo domesticado, mas o que Venutipropõe é que essa domesticação não seja completa, que a tradução mantenhatraços que faça reconhecível a sua origem. Em alguns casos quando aspectosda cultura do texto fonte se tornam incômodos, a tradução é moldada emanipulada de maneira que o texto na língua alvo assuma um modelo quesatisfaça os padrões locais, não interferindo nas diferenças lingüísticas eculturais, quando na verdade a tradução deveria encaminhar o leitor até oautor. Em seu artigo intitulado A invisibilidade do tradutor, publicadoanteriormente ao lançamento do livro com esse mesmo titulo, Venuti denunciaa tradução domesticadora como responsável pelo apagamento do tradutor,assunto que será discutido na próxima seção.1.2 A Invisibilidade do tradutor O ato de traduzir está envolto em muitos problemas com o qual otradutor a todo o momento se depara. Um desses problemas é apontado porVenuti como “A invisibilidade do tradutor”. Uma boa tradução de acordo comalguns tradutores seria aquela legível, transparente que não oferecesseobstáculos ao leitor no momento da leitura, ou seja, a domesticadora. Arecepção do leitor não é apenas um dos motivos para que a tradução sejafluente, existe ainda a pressão dos redatores e revisores sobre o tradutor paraque a tradução soe o mais natural possível, tendo em vista que um dos motivosprimordiais para que uma obra literária seja traduzida está no retorno financeiroque esta possa trazer. Sendo assim, a fluência torna-se pré-requisito para que
  17. 17. 17a tradução seja aceita. Uma tradução fluente leva o leitor a ter uma falsasensação de estar diante do texto original fazendo com que este perca o seucaráter estrangeiro e passe a ser visto como um texto “natural”, a presença dotradutor torna-se imperceptível; ou seja, a visibilidade do tradutor é sacrificadaem nome da fluência, apagando traços culturais que causariam estranheza nacultura receptora, Como Venuti aponta: Na prática o fato da tradução é apagando pela supressão das diferenças culturais e lingüísticas do texto estrangeiro, assimilando-as a valores dominantes na cultura de língua alvo, tornando-a reconhecível e, portanto, aparentemente não traduzida (VENUTI, 1998, p 66). Ainda de acordo com Venuti, quanto mais fluente a tradução maisinvisível se torna o tradutor. Sendo que é o próprio tradutor que apagacuidadosamente a sua co-autoria, agindo sempre com o intuito de satisfazer afluência e consequentemente o seu público. Como ele mesmo ressaltou emseu artigo, a invisibilidade do tradutor, “é em parte um efeito estranho de suamanipulação da língua, um auto-aniquilamento que resulta do próprio ato datradução como ele é concebido e praticado hoje”. Essa invisibilidade dotradutor ocorre geralmente quando este utiliza uma tradução domesticadora,um dos principais alvos da crítica de Venuti. O tradutor pode propiciar o encontro do leitor com o autor, se optar pelaestrangeirização, levando-o a apreciar a literatura estrangeira com a ajuda dalíngua doméstica, mas sem o apagamento da identidade cultural da obra, semprecisar negar as peculiaridades estrangeiras, e ainda sem deixar o seu própriotrabalho em papel de invisibilidade. Analisando que uma obra literária ao ser escrita se destina a umadeterminada cultura, o tradutor no seu papel de mediador, ao reescrever amesma obra insere nesta não apenas códigos lingüísticos diferentes, mastambém mudanças culturais, adequando o texto para a cultura receptora,nascendo assim, um novo texto dentro da nova cultura, viabilizado pelatradução. Venuti reforça que a tradução nada mais é que “uma reescritura dotexto estrangeiro de acordo com as inteligibilidades e interesses domésticos”.(2002, p. 46-47), e essa mudança ou reescritura feita pelo tradutor acabainterferindo na maneira de pensar do leitor, podendo reforçar o que ele
  18. 18. 18acredita; gerar uma nova maneira de pensar e até mesmo contribuir para aformação de uma nova identidade, sobre isso venuti considera: Sem dúvida, o efeito que produz as maiores conseqüências – e, portanto, a maior fonte potencial de escândalo – é a formação de identidades culturais, A tradução exerce um poder enorme na construção de representações de culturas estrangeiras. A seleção de textos estrangeiros e o desenvolvimento de estratégias de tradução podem estabelecer cânones peculiarmente domésticos para literaturas estrangeiras, cânones que se amoldam a valores estéticos domésticos, revelando assim exclusões e admissões, centros e periferias que se distanciam daqueles existentes na língua estrangeira (VENUTI, 1998, p. 130). Esse poder que a tradução exerce nas comunidades culturais por ondecircula gera certo receio de que a cultura do outro não se encaixe nos padrõesda cultura receptora, interferindo nos dogmas, crenças da comunidade meta. Atradução além de fazer ligação entre povos distintos abre uma janela pela qualo leitor da língua meta pode vislumbrar costumes, condutas para á vida, alémde muitos outros fatores próprios à comunidade de onde veio o texto, quediferem dos seus. Esses usos e costumes podem ser acomodados ourepudiados. Se ocorrer a acomodação, a tradução pode induzir maneiras depensar e agir, quebrar dogmas, incutir novos valores, contribuindo para areformulação de pensamentos, podendo ser usada também de modo amanipular determinado grupo, promovendo assim efeitos sociais e culturaisimprevisíveis. O tradutor, através da sua interpretação e opção pessoal podecontribuir para a visibilidade de uma cultura ou ao contrário, apaga-la do textotratando-a como se nunca tivesse existido, isso se dá desde a escolhaadequada do texto e a maneira como esse texto vai ser transportadoadequando-se a outra língua. Nesse contexto pretendemos verificar alguns aspectos culturaispresentes na tradução da obra Things Fall Apart do autor nigeriano ChinuaAchebe, através de um cotejamento entre original e tradução O Mundo seDespedaça, traduzido por Vera Queiroz da Costa e Silva. A fim de verificar se aobra Things fall apart sofreu interferências estrangeirizadoras oudomesticadoras durante o processo de tradução e implicação dessas técnicastradutórias na leitura da obra pelo público brasileiro.
  19. 19. 19 No próximo capítulo analisaremos informações biográficas e sóciohistóricas do autor Chinua Achebe, e da Nigéria, mais especificamente dacultura tribal a qual o livro se refere, onde pode-se constatar algumasdiferenças entre a cultura fonte e a meta, como também, algumas semelhançasentre cultura nigeriana e a cultura brasileira.
  20. 20. 202. INFORMAÇÕES BIOGRÁFICAS E SÓCIO-HISTÓRICAS A interseção central dos estudos da tradução e da teoria pós-colonial são as relações de poder (Munday 2001, p 134).2.1 Sobre o autor Chinua Achebe, escritor nigeriano, da cidade de Ogidi, foi aclamadomundialmente, e muitas vezes indicado como prêmio Nobel da literatura, tendosido vencedor em várias oportunidades, o mais recente prêmio foi o: ManBooker International Prize em 2007 pela sua brilhante carreira literária.Escreveu o romance contemporâneo Things Fall Apart, publicado em 1958quando tinha apenas 28 anos e foi e traduzido para mais de 50 idiomas,considerado como um dos melhores livros já escritos. Na África e em paísesanglo-saxônicos o livro faz parte do currículo escolar por ser visto como umretrato fiel da cultura local e um marco da literatura moderna africana, valeressaltar ainda que foi um dos primeiros romances africanos escrito em línguainglesa reconhecido mundialmente. Achebe foi educado na Universidade deIbadan College. Posteriormente ele ensinou em diversas universidades naNigéria e nos Estados Unidos. Achebe era antes de tudo um fascinado pelo mundo das religiões eculturas tradicionais africanas, buscando retratar tais valores em sua obra. Seuestilo depende muito da tradição oral dos Ibo, tribo à qual pertencia, e faz umaforte combinação em sua obra de tradições orais com a sabedoria expressaatravés de provérbios. Também publicou uma série de histórias curtas, livrosinfantis, coleções e ensaios. Ele diz que iniciou a carreira literária para tentar concertar a imagemnegativa que a literatura européia e americana passava da África para o restodo mundo. “Eu não queria descrever meus conterrâneos nem melhor nem piordo que eles são”... “Me pareceu simplesmente uma questão de justiça”. Trata da depreciação que o ocidente faz sobre a cultura e a civilizaçãoda África e ainda dos efeitos da colonização do continente africano peloseuropeus; como vemos a seguir.
  21. 21. 212.2 Resumo da obra O romance conta com precisão o início das mudanças da cultura Ibo,cultura na qual o protagonista Okonkwo estava inserido, guerreiro de grandefama entre as nove aldeias da Nigéria, vivia na aldeia com suas três mulherese filhos ansiando por alcançar o título mais alto entre o seu povo, sentia ummedo incomum de ser um fracassado, reflexo do que foi o próprio pai. Teve avida pautada pelo orgulho que tinha das tradições locais, as quais respeitavasem questionar, sendo sempre fiel aos mitos e costumes pré-estabelecidospelos ancestrais. Eles viviam em um mundo fechado e protegido pelo isolamento queservia de escudo contra o homem branco. A história ocorre entre o final doséculo XIX e o inicio do século XX. O livro é dividido em três partes. Na primeira parte, traz para o leitor o cotidiano do povo Ibo com todas assuas peculiaridades, bem como o herói Okonkwo e sua família, os seushábitos, leis, o dia-a-dia da aldeia, finaliza-se com o desterro de Okonkwo apósuma tragédia que o assolou. A segunda parte do livro inicia-se com a chegada de Okonkwo à aldeiamaterna e sua estadia durante os sete anos que tinha que permanecer fora dasua terra. Relata ainda a chegada dos primeiros missionários britânicos que láestavam a fim de trazer a “paz e civilização” na concepção do colonizador (ohomem branco). Na terceira e ultima parte ocorre o fim do exílio de Okonkwo e seuretorno a sua terra, os conflitos entre o homem branco e o povo Ibo, asprimeiras conversões religiosas da tribo Ibo para o protestantismo, e osmassacres do povo em nome da civilização retratando o momento decisivo nodrama colonial. O livro é narrado em terceira pessoa por um narradoronisciente que mostra simpatia pelo povo de Umuofia. A fim de tentar entender melhor a cultura Ibo, tratada na obra deAchebe, veremos a seguir aspectos da historia e da cultura nigeriana.
  22. 22. 222.3 A Nigéria (aspectos culturais e sócio históricos) A Nigéria é um dos países da África Ocidental, membro da ComunidadeBritânica de Nações. Com representantes de quase todas as raças nativas daÁfrica, caracterizando assim uma grande diversidade de povos e culturas. O país está situado na confluência das rotas migratóriastranscontinentais. O povo tem origem da mistura entre sudaneses e povosbantos e semi-bantos, oriundos do sudoeste e centro da África. O idioma oficialda Nigéria é o inglês, mas cada grupo étnico tem sua língua, com diversosdialetos. Posteriormente, grupos menores como os árabes shuwas, os tuareguese os fulas, concentrados no extremo norte, entraram em sucessivos ataquespelo Saara. Os habitantes da Nigéria são na sua quase totalidade da raçanegra, mas há profundas diferenças entre os mais de 250 grupos étnicos. Cadagrupo ocupa um território, que considera seu por direito de herança ou porantiguidade de ocupação. Os que não pertencem ao grupo, mesmo que vivame trabalhem no lugar continuarão na condição de estrangeiros. Há três grupos étnicos principais: Hauçás, povos de língua ioruba e ibo.Os Hauçás são os mais numerosos e vivem no extremo norte integrado aosFulani, que conquistaram a região no inicio do século XIX. Embora em minoriaos Fulas tem alguns privilégios em relação à minoria Hauçá: Podem casar-secom Hauçás ou até com membros de outros grupos, controlam a administraçãodas cidades e falam a sua própria língua. O terceiro grupo majoritário, o dos povos de língua Ibo, vivem empequenas porções dispersas no sudoeste. Uma pequena porcentagem dos Ibo,fixada no estado de Bendel, vive em grandes cidades pré-industriais e sãoculturalmente mais próximos dos Edos, da vizinha Benin City, do que os Ibosdo vale inferior do Niger. Na cultura Ibo, um homem deve ser forte e ter disposição para plantarmilhares de inhames com o objetivo de alimentar a si e a família, tendo oprivilégio de possuir muitas esposas. A dieta desse povo é baseada nestetubérculo, alimento considerado imprescindível para eles. Na parte central do território nigeriano encontra-se a maior concentraçãode grupos étnicos minoritários. São mais de 180. A herança cultural nigeriana
  23. 23. 23provém de três fontes: A cultura peculiar, dos povos que já habitavam oterritório; A influência Árabe que veio pelo Saara, e manifestou-se durante osegundo milênio da Era Cristã; E mais intensa, a cultura européia, presente nosreinos do século XV. O folclore e as tradições locais, menosprezadas noperíodo colonial, estão sendo resgatadas desde a metade do século XX, masperdeu algumas de suas marcas. As emissoras de rádio e televisão utilizamdiferentes idiomas e dialetos locais a fim de resgatar um pouco da culturaperdida. As artes e as músicas são objetos de estudo e constantesatualizações. Diante do contexto visto, percebe-se a Nigéria atual como resultadodesse processo de conflitos, de sobreposição de poder e cultura. Emobservância a esse trabalho percebe-se que se tratando desta obra, Achebetinha dentro de si, uma Nigéria perdida em sua diversidade de etnias, grupos,pessoas, culturas e ainda mais atônita com a nova possibilidade aberta pelosmissionários cristãos dava-se ali um processo de desconstrução que culminouem muitas tragédias e processos de aculturação passada naquele momentoque têm seus resultados sentidos até os dias de hoje. Sobre tudo isso, é importante salientar que os ingleses estavamintroduzindo naquela terra, pessoas de tradições muito diferentes uma dasoutras, de religiosidade totalmente diversa, vindos de Reinos, ou de apenasuma organização tribal. Enfim, trouxeram pessoas que, tornaram-se rivais comuma imposição cultural que gerou uma espécie de destruição. Vale ressaltarque durante o processo de colonização, a Nigéria sofreu os efeitos dos regimescolonizadores em vários aspectos passando pela dominação da língua,opressão, imposição da religião do colonizador e as influências significativas nacultura.2.4 . Acontecimentos na Nigéria no período da publicação do livro No final da Segunda Guerra, os nativos integram as estruturasgovernamentais, como preparação para a independência, contexto dentro doqual se insere, igualmente, a promulgação da Constituição de 1954, queintroduz o sistema federal. A independência formal ocorreu em primeiro deoutubro de 1960 e, três anos depois, transforma-se em república federal dentro
  24. 24. 24da Commonwealth, cujo primeiro Presidente foi Nnamdi Azikiwe, da etnia Ibo. O desequilíbrio provocado pelo maior desenvolvimento do sul (regiãoonde havia sido descoberto petróleo, em 1958), onde predominavam os Ibo, eo controle do sistema político pelo norte contribuía para o agravamento dasrivalidades étnicas e constituiu, a motivação ao golpe de Estado Militar deJaneiro de 1966, liderado por Aguiyi Ironsi, um ibo, que aboliu a federação esubstituiu os cargos de Presidente e de Primeiro Ministro por um GovernoMilitar Nacional. A reação do norte culmina no derrube e no assassinato deIronsi em 29 de Julho desse ano e também na matança de 30 mil ibos. Ocoronel Yacubu Gowon, nascido em uma pequena tribo cristã do norte, assumeo poder e reintroduz o sistema federal, dividindo a Nigéria em 12 Estados, aosquais foi concedido um grau de autonomia interna. Contudo, o conflito entreGowon e o governador do Estado de maioria Ibo, o coronel Odumegwu-Ojukwu, leva este último a proclamar, em 30 de Maio de 1967, a independênciada região, sob o nome de República Independente do Biafra. Durante os trêsanos posteriores, seguiu-se uma guerra civil, em que o Biafra viria a contar como reconhecimento da Tanzânia, do Gabão, da Costa do Marfim e da Zâmbia ecom o auxílio de Portugal, da África do Sul e da Rodésia (que procuravam fazerpassar a mensagem de que a África seria incapaz de suportar o corte dos laçoscoloniais, pois revelava uma inerente e incurável instabilidade), da França deGaulle, dos países escandinavos, da Alemanha Federal, da China e do Haiti.Já a Nigéria contaria com o apoio da grande companhia petrolífera, a Shell. Oconflito terminaria em 12 de Janeiro de 1970, quando o Major general PhilipEffiong, a quem Ojukwu tinha entregue o poder, antes de fugir para a Costa doMarfim, se rendeu ao Governo Federal. Seguiu-se uma política dereconciliação.2.5 Movimento negro no Brasil na Década de 80. Na década de 80, período da tradução do livro Things Fall Apart, para alíngua portuguesa, o movimento negro no Brasil foi consolidado tendo comoobjetivo mostrar para a sociedade o quanto à discriminação racial originada domomento escravocrata até hoje é nefasta para os afro-descendentes. A partirdaí, houve uma discussão de como seria feita uma reparação pelos muitos
  25. 25. 25danos causados a etnia negra no Brasil. Nesse período, houve entre professores e muitos intelectuais umtrabalho sobre temas relacionados a escravidão e consequentemente aabolição, houve uma participação em massa desse movimento de renovaçãosobre estudos relacionados a escravidão, publicando obras importantes sobrea criminalidade escrava no período da abolição, sobre as dimensões doscastigos infligidos aos escravos e sobre as penosas lutas diárias dos cativosem busca do sonho da liberdade. Algumas teses orientadas pelos programas de gerenciamento dosprincipais movimentos negros da década, naqueles anos e nos seguintestransformaram-se em livros que também contribuíram para dá outra dimensãono estudo das ações dos escravos refugiados, do significado das Leis doVentre Livre e de outros aspectos da experiência de muitos seres humanoscativos que viveram e lutaram durante o período em que vigorou a escravidão. Segundo as principais lideranças do movimento negro daquela décadaas mudanças podem parecer insignificantes, quando expressa de formasimples. Mas esta perspectiva implica alterações importantes na história,capazes de estabelecer conexões e possibilidades de diálogo entre áreas dahistória do Brasil que até agora eram estudadas isoladamente. De um lado,ganham os estudos sobre as questões raciais e os significados da presençanegra e dos egressos do mundo escravista. De outro, ganham os estudossobre a escravidão e a abolição, que passam a participar de análisesprofundas, relacionadas às dimensões políticas e culturais das lutas pelacidadania em diversos momentos da história. Pode-se perceber que os acontecimentos desta década foram deextrema peculiaridade e de grande valia para a modificação e auto-afirmaçãode um contexto sócio-político e comportamental, tanto no Brasil quanto naNigéria, de uma certa maneira se olharmos este contexto sob uma perspectivaglobal, podemos perceber claramente as influências desses estudos noamadurecimento de toda uma mentalidade em relação ao negro, ao seuposicionamento na sociedade e inclusão de uma nova conduta social quepermitiria a seguir uma incorporação de capacidade e a internalização deconceitos sobre a realidade vivenciada pelos negros de uma forma geral
  26. 26. 26 3. ANÁLISE DE DADOS: ALVOS E ESTRATÉGIAS DA ESTRANGEIRIZAÇÃO “[A tradução] tem por objetivo direcionar-se a um público diferente ao atender as exigências de uma cultura e língua diferentes” (Venuti, 2002). Antes de iniciarmos a análise de dados, convém deixar nota explicativasobre as abreviações e os seus devidos significados, que serão adotadas como fim de facilitar o entendimento do leitor:a) TO (texto original) – Things Fall Apart, de Chinua Achebe.b) TT (texto traduzido) – O mundo se despedaça, tradução de Vera Queiroz daCosta e Silva. A leitura da tradução de Things Fall Apart, no primeiro momento denotauma obra com marcas de estrangeização, (tópico 1.1) onde a todo instante oleitor se vê de frente com a cultura do povo Ibo, seus costumes epeculiaridades. A tradutora também fez uso de notas de rodapé, o que torna aleitura pouco fluente, mas que deixa o tradutor em posição de visibilidade,tornando inquestionável a sua passagem/contribuição para a obra literária, elevando o leitor a conhecê-lo como co-autor daquele titulo. A tradutora mantém-se fiel à idéia do autor, e passa para o leitor aessência da obra de Achebe, desmistificando o retrato da África pintado pormuitos anos pelo colonizador. Achebe dá voz ao seu povo, e esse grito do povoafricano chega até a cultura brasileira através da tradutora. Percebe-setambém uma despreocupação da tradutora com a recepção do texto paracomunidade a qual se destinava a tradução, considerando que não procuraatenuantes para as cenas de violência, ocorre à valorização das origens e umpouco do resgate da língua e identidade “original”, diminuindo a marginalizaçãodas línguas nativas da África. A tradutora também passa para o leitor com
  27. 27. 27precisão e fidelidade, hábitos alimentares, religiosos, a cultura do povo, comotoda a estrutura da sociedade com suas tradições. Entre os muitos temas que atradução da obra Things fall apart proporciona, foram selecionados quatro paraa análise, a saber: Provérbios, Instrumentos musicais, Crenças/religiosidade eAlimentação que serão analisados respectivamente.3.1 Provérbios Na cultura Ibo, uma única palavra pode ter muitos significados, emfunção disso os provérbios desempenham um fator importante na linguagem dopovo. Se alguém não faz uso deles no discurso é considerado estrangeiro. A leitura do livro mostra a presença forte de provérbios, os quais sãotraduzidos literalmente, sem a adequação com provérbios da cultura receptora,como podemos ver nos exemplos a seguir:Ex 1 TO: A toad does not run in the daytime for nothing (p. 15). TT: Um sapo não costuma correr durante o dia sem motivo (p. 27). Observa-se que a tradutora evita a domesticação, com a adequação doditado à cultura meta, trabalhando assim com a estrangeirização traduzindopalavra por palavra do provérbio e mantendo a sua carga cultural, ponto devista defendido por Lawrence Venuti. Se a mesma optasse por domesticar oprovérbio, procurando com isso um melhor entendimento do seu público alvo,ela encontraria muitos provérbios similares na língua portuguesa, como porexemplo: Neste mato tem coelho. Diante do contexto da conversa que estavasendo travada pelos personagens do livro, a tradução poderia se ater apenasem uma das frases ditas: “Deve haver alguma coisa por trás disso” essecomentário se deu diante da notícia que uma pessoa da comunidade tinhaparado repentinamente de trabalhar como sangrador de vinho, e a partir daílevados pela curiosidade começaram a formular hipóteses que justificasse talatitude inesperada.
  28. 28. 28 No parágrafo seguinte encontramos outro provérbio popular; desta vezproferido pelo narrador onisciente:Ex. 2 TO: [...] Because as the saying goes, an old women is always uneasy When dry bones are mentioned in a proverb” (p. 15). TT: [...] Porque, como diz o ditado, mulher velha fica sempre um pouco sem graça quando se faz menção a ossos secos num provérbio (p. 27). Novamente não foi colocado um ditado similar na tradução, mesmocorrendo o risco do receptor não decodificar a mensagem, este provérbio foidito pelo narrador do livro para explicar o motivo do personagem principal,Okonkwo, ter ficado sem graça, diante de um comentário. Seus amigosfalavam de uma terceira pessoa, caçoando do fracasso do pai deste quandovivo. Okonkwo, que tinha vergonha do próprio pai, por vê-lo como umfracassado, não achou engraçado o comentário e enquanto todos “riamgostosamente”, ele apenas deu um “riso meio sem graça”. A tradutora podiacolocar um ditado da língua portuguesa, como: “Em casa de enforcado, nãofales em corda”, embora tenha um jogo de palavras totalmente diverso, passa àmesma mensagem. Observa-se que os provérbios eram uma constante na comunicação dopovo Ibo, e uma maneira dos mais velhos passarem para a nova geraçãovalores que pudessem nortear as condutas do povo, sabendo-se que ditado éuma verdade de valor geral, que unido à palavra popular, tem-se como averdade do povo, a voz do povo. Em apenas um diálogo encontra-se muitos ditados populares, o quedenota que eles eram utilizados com certa freqüência. Ainda na mesmaconversa do exemplo anterior, encontramos outro provérbio:Ex. 3 TO: The lizard that jumped from the high iroco tree to the ground said he would praise himself if no one else did (p. 16).
  29. 29. 29 TT: O lagarto que conseguiu pular do alto da árvore para o chão disse que se elogiaria a si próprio, se ninguém mais o fizesse (p. 28). Neste exemplo embora a tradução tenha seguido a mesma linha dosexemplos anteriores, a tradutora apagou a palavra Iroco, mas sem maioresprejuízos para a compreensão do texto, talvez ela tenha suprimido a palavra datradução para evitar divergências entre as duas línguas. Essa palavra na línguaIbo, significa uma árvore africana carregada de significados religiosos. Nacrença do povo Ibo, Iroco é a morada dos espíritos infantis, considerada umadas quatro arvores sagradas. Existe na literatura oral muitas fábulasconcernente a ela. Enquanto que no Brasil Iroko é uma divindade docandomblé, e que se fosse traduzida poderia ter-se uma conotação ligada aessa crença religiosa. Para ilustração desse exemplo ver: (anexo 12 e 13). Logo em seguida ainda na mesma conversa entre os personagensEncontramos outro provérbio:Ex. 4 TO: Eneke the bird says that since man have learnt to shoot without missing he has learnt to fly without perching (p. 16). TT: Eneke, o pássaro, diz que desde que o homem aprendeu a atirar sem errar a pontaria, ele, o pássaro, aprendeu a voar sem pousar (p. 29). Aqui temos um exemplo claro de estrangeirização, a tradutora mantém ovocábulo Eneke, que é um pássaro peculiar da cultura africana. A tradução tornou-se pouco fluente, mas não teve a inteligibilidadesacrificada. Na língua portuguesa existe um provérbio similar, que poderia serutilizado pela tradutora da obra, tornando assim o texto domesticado: A bomgato, bom rato. Com a domesticação do provérbio, a mensagem seria passadada mesma forma, com a vantagem de que o leitor entenderia mais rapidamentea mensagem do autor, por ser uma máxima do seu dia-a-dia. Em todos os diálogos que se travam no desenrolar da história arecorrência de provérbios é muito grande, mostrando a importância que o povoIbo dava às máximas populares. Os provérbios que Achebe cita no decorrer dahistória não têm na língua inglesa, sendo possível entende-los apenas pelo
  30. 30. 30contexto. Em uma entrevista, O escritor explica a maneira que gostaria de servisto pelas demais culturas: “Em primeiro lugar, nós somos pessoas. Nãosomos seres estranhos. Eu diria simplesmente: olhe para a África como umcontinente de pessoas. Eles não são demônios, eles não são anjos, sãoapenas pessoas. E os escute. Nós já ouvimos muito”. Através dessedepoimento fica claro que embora Achebe tenha escrito seus romances nalíngua do colonizador, um dos seus objetivos era que a cultura africana fossenotada, e os provérbios possivelmente foi uma estratégia para alcançar esseobjetivo e ainda reforçar a africanidade para o ocidente. Pela natureza do trabalho não é possível mostrar a quantidade deprovérbios que estão inseridos no livro.3.2 Instrumentos musicais: A música era muito importante para a comunidade Ibo. Em todos oseventos citados no livro ela está presente, nos casamentos, nascimentos,inclusive a morte de algum membro da tribo era avisada através dos tambores,quando esses soavam todos sabiam que alguém tinha morrido; nos funeraistambém a música era imprescindível, eles faziam uma grande festa (eraconsiderado uma grande ocasião); nas histórias que as mães contavam aosfilhos pequenos sempre tinha uma cantiga; nas guerras, nos julgamentos, nasfestas peculiares da cultura como a festa da colheita, denominada festival donovo Inhame; na cerimônia de recebimento de título ou ainda quando opregoeiro saia à noite pelas nove aldeias tocando um instrumento musical, paraavisar a reunião extraordinária no dia seguinte, onde todas as aldeias deveriamestá presentes impreterivelmente, como vemos no exemplo a seguir:Ex. 1 TO: The drum sounded again and the flute blew. The egwugwu house was now a pandemonium of quavering voices: Aru oyim de de de de dei! Filed the air as the spirits of the ancestors, just emerged from the earth, greeted themselves in their esoteric language (p. 64). TT: De novo ouviu-se o agogô, e a flauta tornou a soar. A casa dos egwugwu transformara-se num pandemônio de vozes garganteadoras: de de de de dei! E essas vozes enchiam o ar, à
  31. 31. 31 medida que os espíritos dos ancestrais, recém-saídos da terra, se saudavam uns aos outros, em sua linguagem esotérica (p. 86). Neste exemplo, a tradutora opta pela domesticação. Na obra originalChinua Achebe cita “drum” (anexo 2) que quer dizer tambor e a tradutora optapela substituição de tambor por Agogô, que é um instrumento musical idiofonede metal utilizado no candomblé, na capoeira e ainda no samba, (anexo 6).Mas extrangeiriza o termo egwugwu (anexo 3), que é um tipo de dançarino nacultura Ibo. No próximo exemplo ela traduziu o termo: beat his iron gong (anexo 4)por batia o agogô.EX. 2 TO: The village crier was abroad again in the night. He beat his iron gong and announced that another meeting would be held in the morning (p.143). TT: À noite, o pregoeiro tornou a percorrer a aldeia. Batia o agogô, a anunciar que outra reunião se realizaria na manhã seguinte (180). Pelo exemplo citado acima, percebemos que ocorreu outradomesticação com a substituição de iron por agogô. No próximo exemplo podemos perceber o quanto à música e seusinstrumentos musicais estavam presentes na vida dos Ibos:EX. 3 TO: The musicians with their wood, clay and metal instruments went from song to song. And they were all gay. They sang the latest song in the village: “If I hold her hand…She says, “Don’t touch!” If I hold her foot…She says, “Don’t touch!” But when I hold her waist beads… She pretends not to know” (p. 85). TT: Os músicos, com seus instrumentos de Madeira, barro e metal, executavam uma canção atrás da outra. E todos estavam alegres. Entoaram à canção que estava mais em voga na aldeia: “Se eu lhe seguro a mão...Ela diz: “Não me toques!” Se eu lhe seguro o pé...Ela diz: “Não me toques!”
  32. 32. 32 Mas quando seguro as contas de sua cintura... Ela faz de conta que não percebe” (p. 112). A tradutora procurou manter-se fiel a idéia do autor no exemplo acima,ela traduziu de forma literal, mantendo aspectos da cultura da língua fonte,mostrando também que como nas outras sociedades eles tinham inclusive amúsica do momento, aquela que está na moda. No próximo exemplo encontra-se outra marca de estrangeirização, comalguns resquícios de domesticação, envolvendo ainda o mesmo instrumentomusical:EX. 4 TO: Okoye was also a musician. He played on the ogene (p. 5). TT: Okoye também era músico. Tocava o agogô (p. 15). Novamente a tradutora domesticou o termo, desta vez substituindoOgene por agogô. Ogene é um instrumento musical da cultura Ibo, que separece com uma moringa com uma abertura no centro. (anexo 5). O termoagogô é um instrumento conhecido em nossa cultura (anexo 6) encontradoinclusive em letras de musicas brasileiras como Berimbau metalizado (anexo17) da cantora baiana Ivete Sangalo. A seguir encontraremos um outroexemplo com instrumentos musicais:EX. 5 TO: He could hear in his mind’s ear the blood-stirring and intricate rhythms of the ekwe and the udu and the ogene (p. 5). TT: Com os ouvidos da mente, conseguia escutar os excitantes e intricados ritmos do ekwe, o tambor falante, do udu, a botija de barro de cuja boca, com um abano, se retira um som cavo, e do agogô, bem como a própria flauta. (p. 15). A tradutora mantém o termo ekwe do original, (anexo 1) extrangeirizandoassim a tradução. Apesar de estrangeirizar, ela acrescenta no original adescrição detalhada do que seria esse instrumento musical, tornando o textomais compreensível para o leitor da língua meta, que ao se deparar com um
  33. 33. 33objeto que não faz parte da sua cultura, certamente o estranhará. Mas essaestranheza foi tratada por Venuti, como necessária na tradução, pelo fato devalorizar a cultura fonte e também o papel do tradutor, visto que o objetoestranho leva o leitor para outro mundo, além do seu. Na secção seguinteveremos a relevância da fé para a cultura Ibo.3.3 Crenças/Religiosidade A Nigéria é um país muito místico, as crenças do povo são levadasmuito a sério, e a religiosidade é muito forte, eles adoram a diversos deuses,na crença do povo Ibo existem três níveis de divindades, o nível mais elevado éo Deus supremo, ou Chukwu, em seguida vem deuses menores denominadoUmuagbara para em seguida vir os Ichie, que são os Espíritos das pessoasfalecidas. Eles também acreditam na reencarnação. Enxergam a morte comouma transição. Toda aldeia tem sacerdotes e sacerdotisas que auxilia o povocom questões espirituais. As religiões do povo ibo se assemelha em muitos aspectos aocandomblé no Brasil, principalmente no quesito cultuar antigos deuses. Sabe-se também que os orixás são originários da África, mais especificamente daNigéria que vieram para o Brasil com os escravos. Toda deidade na Nigéria geralmente está ligada a um efeito da natureza.Pesquisadores explicam ainda que os orixás sejam representantes das forçasque regem a natureza e dos fenômenos que a ela se relacionam, existe ainda acrença de que os deuses foram seres humanos que teriam praticados incríveisfeitos na terra, por esta razão foram deificados pelo seu clã, família ou povo.Um dos motivos da religião ser inserida na análise de dados é exatamente aimportância para o povo local e a grande quantidade de recorrências que foramencontradas, no primeiro exemplo tem-se:EX.1 TO: Umuofia was feared by all its neighbors. It was powerful in war and in magic, and its priests an medicine-men were feared in all the surrounding country. Its most potent war-medicine was as old as the clan itself. Nobody knew how old. But on one point there was general agreement – the active principle in that medicine had been an old woman with one leg. In fact, the medicine itself was called agadinwayi, or old woman (p. 08/09).
  34. 34. 34 TT: Umuófia era temida por todas as aldeias vizinhas. Era poderosa na guerra e na magia, e seus sacerdotes e curandeiros infundiam terror em derredor. Seu mais potente feitiço de guerra era tão antigo quanto o próprio clã. Ninguém sabia ao certo quão antigo. Mas num ponto todos concordavam: o princípio ativo desse feitiço fora uma velha de uma perna só. De fato, o feitiço chamava-se agadi nwayi, ou seja, mulher velha (p. 19/20). Nos trechos acima citados, percebe-se que a tradução domesticou omaior número de palavras referentes às crenças, com exceção do nome dofeitiço, agadi nwayi o que configura uma estrangeirização, e corrobora paralevar o leitor a perceber a estrangeiridade do texto. No próximo exemploencontra-se um ritual praticado pelos nativos, envolvendo a questão religiosa,fé e as crenças. Era hábito do povo consultar o oráculo nas cavernas das montanhas,que era conhecido por Agbala e representado por uma sacerdotisa.Acreditava-se que o oráculo traria respostas para quentões diversas: EX. 2 TO: The Oracle was called Agbala, and people came from far and near to consult it. They came when misfortune dogged their steps or when they had a dispute with their neighbors. They came to discover what to discover what the future held for them or to consult the spirits of their departed fathers (p. 12). TT: O Oráculo era chamado de Agbala, e as pessoas vinham de longe e de perto para consulta-lo. Vinham, quando o infortúnio lhes batia à porta, ou quando tinham uma disputa com os vizinhos. Vinham para descobrir o que o futuro lhes reservava ou para consultar os espíritos de seus antepassados (p. 23). No exemplo lido, encontra-se outra marca de estrangeiridade natradução. O nome Agbala, um titulo dado a sacerdotisa que intermediava asrelações entre o povo e os deuses, falando em nome dos mesmos, atendia opovo, exortando, e explicando qual seria o sacrifício a ser oferecido, o quedependia do tamanho da falta cometida, revelava o futuro e entrava em contatocom os mortos, fazia feitiços, entre outras atribuições. Observa-se uma grandesemelhança com os cultos Afro-brasileiros também conhecidos por candombléno Brasil.
  35. 35. 35 No exemplo abaixo pode-se ver o ritual de sacrifício que pune os erroscometidos. O personagem principal Okonkwo ofende a deusa da terra em umperíodo do ano que era considerado sagrado, a semana da paz, e por isso eleé obrigado a oferecer sacrifícios à deusa.EX. 3 TO: The evil you have done can ruin the whole clan. The earth goddess whom you have insulted may refuse to give us her increase, and we shall all perish. His tone now changed from anger to command. “You will bring to the shrine of Any tomorrow one she-goat, one hen, a length of cloth and a hundred cowries.” People called on their neighbors and drank palm-wine. This year they talked of nothing else but the nso-ani which Okonkwo had committed (p. 22). TT: O mal que você fez pode arruinar todo o clã. A deusa da terra, a quem você ofendeu, poderá recusar-se a nos dar auxílio, e todos nós pereceremos. – E continuou, passando do tom de zanga ao de comando: - Você deverá levar, amanhã, ao santuário de Ani, uma cabra, uma galinha, uma peça de tecido e cem cauris. Nesse ano, não se falou noutra coisa que não fosse o nso-ani, o grande pecado que Okonkwo cometera. (p. 36/37). Acima encontra-se três marcas de estrangeiridade: o nome da deusa:Any, que era a deusa da terra, a moeda local: cauris, (anexo 16) durante muitotempo os nigerianos usaram como dinheiro pequenas conchas, elas eramcoloridas e variavam de tamanho, e o nome do pecado cometido por Okonkwo:nso-ani. Fica claro nesse exemplo todo o ritual praticado no momento de fazersacrifícios aos deuses, o herói do livro tinha que levar para a deusa da terra,animais, dinheiro e uma peça de tecido. O ritual de se oferecer animais emsacrifícios aos deuses é peculiar na cultura brasileira nos cultos do candomblé,mas levar tecidos é um costume cultural da Nigéria, pois de acordo nota deroda pé a tradutora explica que o tecido simbolizava a historia do povo africano,sendo portanto um objeto com significado especial na tradição deles.3.4 Alimentação O alimento tinha uma forte simbologia para o povo Ibo, a maioria dosalimentos que eram consumidos na aldeia tinha um significado, e todos eram
  36. 36. 36plantados por eles próprios, as plantações estavam também ligadas àscrenças, ao respeito que eles tinham pela terra e consequentemente aosdeuses da terra. Tinha a plantação feminina e a plantação masculina, ascrianças não estavam isentas desse oficio e desde muito pequenas já tinhamresponsabilidades junto aos seus pais. No exemplo abaixo, percebe-se o inicio da valorização de preço de umalimento feito na própria aldeia. Que é decorrente da chegada do homembranco. A valorização monetária das mercadorias é um dos motivos dosmissionários brancos terem sido aceitos na comunidade, visto que eles nãotraziam apenas os seus costumes e crenças, mas uma nova possibilidade demelhoria de vida.EX. 1 TO: And the first time palm-oil and kerned became things of great price, and much money flowed into Umuofia (p. 128). TT: Fazendo com que pela primeira vez o óleo e as sementes de palma atingissem elevados preços, e uma grande quantidade de dinheiro afluísse em Umuófia (p. 162). A tradutora manteve os mesmos termos usados pelo autor, configurandodesta forma uma estrangeirização. Nos trechos abaixo veremos um exemplode domesticação, a palavra kola nut (anexo 9), um dos alimentos peculiares acultura e carregado de significados, que foi traduzido pelo correspondente noz-de-cola do português.EX. 2 TO: Unoka went into an inner room and soon returned with a small wooden disc containing a Kola nut, some alligator pepper and lump of white chalk. “I have kola,” he announced when he sat down, and passed the disc over to his guest. “Thank you. He who brings kola brings life. But I think you ought to break it,” replied Okoye passing back the disc. “No, it is for you, I think,” and they argued like this for a few moments before Unoka accepted the honour of breaking the kola. Okoye, meanwhile, took the lump of chalk, drew lines on the floor, and then painted his big toe. As he broke the kola, Unoka prayed to their ancestors for life and health, and protection against their enemies (p. 5). TT: Unoka foi até o quarto interior e, de volta, trouxe um pequeno disco de madeira, com uma noz de cola, um pouco de pimenta e um pedaço de giz branco.
  37. 37. 37 - Tenho cola – anunciou ele, sentando-se e passando o disco ao visitante. - Muito obrigado. Quem traz cola traz vida. Mas acho que é você quem deve parti-la – retrucou Okoye, estendendo o disco de volta. - Não, cabe a você parti-la – E discutiram durante alguns instantes, até que Unoka aceitou a honra de romper a noz de cola. Enquanto isso, Okoye, com o giz, desenhava algumas linhas no chão. Depois, pintou o dedão do pé. Ao mesmo tempo que partia a cola, Unoka rezava aos ancestrais, a pedir-lhes vida, saúde e proteção contra os inimigos (p.15) Esse trecho é o ritual que o povo Ibo praticava na hora de servir a nozde cola. Na cultura Ibo, era costume oferecer a kola aos visitantes de maneiracerimoniosa, e de acordo a crenças da tribo, quem oferecia kola oferecia vida.Isso explica-se pelos poderes desse fruto rico em cafeína que é utilizado aindahoje na fabricação de refrigerantes de cola, (anexo 8) suas sementes tem açãoestimulantes e atuam como um tônico revigorante. Os escravos costumavammasca-las para suportar os trabalhos árduos. É ainda muito utilizada comoestimulante sexual e para auxiliar na perda de peso entre outros. No exemplo abaixo veremos uma bebida tradicional na cultura do povoIbo:EX. 3 TO: The men in the obi had already begun to drink the palm-wine which Akueke’s suitor had brought. It was a very good wine and powerful, for in spite of the palm fruit hung across the mouth of the pot to restrain the lively liquor, white foam rose and spilled over. “that wine is the work of a good tapper”, said Okonkwo (p.51). TT: No obi, os homens já tinham começado a beber o vinho de palma que o pretendente de Akueke trouxera. O vinho era de muito boa qualidade e bem forte, pois, apesar do coquinho no gargalo do vaso, destinado a reter a borbulhante bebida, a espuma branca transbordou e derramou-se toda. Este vinho foi colhido por um bom sangrador, comentou Okonkwo (p. 71). O topé ou vinho de palma é bebida cotidiana e consumida em largaescala em todas as festas na Nigéria. É uma bebida extraída da palmeira,(anexo 10) existem muitas lendas ligadas aos deuses com essa bebida. É umabebida atual, pois na internet encontramos uma variedade de vinho de palma(anexo 11) com preços diversificados. No exemplo acima, é observado queembora a tradutora tenha traduzido o texto, ela não domesticou, pois elapoderia ter substituído pela nossa tão conhecida cachaça, mas ela manteve o
  38. 38. 38nome original, traduzindo literalmente. Outro alimento de importância expressiva para os Nigerianos era oinhame, eles eram verdadeiros devotos dessa iguaria, e frequentementeassociavam a comida à condição de masculinidade, é freqüente se ler: Inhame= plantação masculina, Inhame = Rei das colheitas. Muitos alimentos para opovo eram associados à fé, à religiosidade e este era um desses alimentos,aspectos estes que foram mantidos pela tradutora. O inhame é frequentementecitado, conhecemos no livro o foo-foo que é um bolo de Inhame semelhante apamonha, sopa de Inhame, Inhame amassado, pasta de Inhame, Inhamesocado, pirão de Inhame, a festa do novo Inhame. Era comum ainda associar ovalor do homem à quantidade de Inhame que este tinha guardado quanto maisInhame no celeiro mais honra e prestigio diante da sociedade local.EX. 4 TO: His mother and sisters worked hard enough, but they grew women’s crops, like coco-yams, beans and cassava. Yam, the king of crops, was a man’s crop (p. 16). TT: A mãe e as irmãs trabalhavam com afinco, mas cuidavam de plantações tipicamente femininas, como o cará, o feijão e mandioca. O inhame, rei das colheitas, era plantio de homem (p. 29). No exemplo acima, os alimentos citados no original são conhecidos pelacultura receptora. A tradutora domesticou os nomes dos alimentos o que leva oleitor brasileiro a vislumbrar a si próprio no espelho do outro, causando umaidentificação imediata. Logo em seguida veremos outra iguaria muitoconsumida pelos ibos: EX. 5: TO: No matter how prosperous a man was, if he was unable to rule his women and his children (and especially his women) he was not really a man. He was like the man in the song who had ten one wives and not enough soup for his foo-foo (p. 37).
  39. 39. 39 TT: Pois por maior que fosse a prosperidade de um homem, se ele não demonstrasse ser capaz de dominar suas mulheres e seus filhos (principalmente suas mulheres), não era homem de verdade. Era como o homem da canção. – aquele que possui dez mulheres mais uma, porém não tinha caldo suficiente para o seu foo-foo (p. 54). Neste exemplo vemos uma clara estrangeirização, onde a tradutoramantém o termo estrangeiro e explica com nota de rodapé: foo-foo – bolo feitode inhame pilado. (anexo 14) É uma massa branca – semelhante, na forma ena consistência, à pamonha – que se mergulha num molho condimentado. Atradutora não apenas explica o que é o foo-foo (anexo 15), mas o trás paraperto do leitor quando o compara a pamonha comida típica da culturareceptora. Tendo apresentado esses exemplos de domesticação/estrangeirização,explicaremos a seguir a implicação dessas técnicas tradutórias na leitura daobra pelo público brasileiro.
  40. 40. 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS A tradução está se tornando cada vez mais uma das ferramentas centrais à nossa disposição para melhor compreender como as culturas estão interligadas e também fragmentadas. (Gentzler, 2002, 218) Considerando que a realidade cultural dos diferentes países sofremgrande influência na hora de transportar um código lingüístico, ondegeralmente está embutido valores, normas para conduta, hábitos e toda umaorganização social e levando em consideração também a teoria venutiana deestrangeirização e domesticação, buscou-se neste trabalho analisar a obraThings Fall Apart, juntamente com a sua tradução para a língua portuguesa. A leitura do original mostrou que o próprio autor estrangeirizou a culturaIbo, para a língua inglesa, a partir do momento que ele leva o leitor a tercontato com as diferenças culturais e os valores que formam o perfil identítarionigeriano. A análise revelou que a tradutora priorizou em seu trabalho aestrangeirização em todos os aspectos que foram analisados no livro, nosalimentos, crenças, instrumentos musicais e nos provérbios que sãocarregados de significados próprios a cada cultura, havendo ganho cultural aoampliar os horizontes do leitor, buscando desta forma trazer o leitor para pertodo texto original, mantendo desta forma a identidade do texto-fonte. Apesar dagrande recorrência de estrangeirização, também foi constatado a presença dedomesticação, o que é natural, pois de acordo Venuti, todo texto édomesticado, o que ele critica é a completa domesticação. Durante a análise de dados observamos que a tradutora no queconcerne aos instrumentos musicais e alguns aspectos da religiosidade, optoupor utilizar a estratégia de domesticação, eliminando diferenças culturais elingüísticas entre língua-fonte e língua-meta e tornando desta forma a leituraacessível e fluente a compreensão do leitor. Mas no geral a tradução manteve as marcas de origem do texto,mantendo a estranheza do mesmo, ou seja, preservando diferenças
  41. 41. 41lingüísticas e culturais, e permitindo ao tradutor visibilidade, o que leva o leitorda tradução a perceber a participação do tradutor como sujeito ativo noprocesso de transposição de códigos e consequentemente sua co-autoria naobra. Nos quatro elementos analisados ocorreu a estrangeirização, osprovérbios, aspectos religiosos, alguns instrumentos musicais e os alimentos,sendo que nos provérbios e alimentos esta se deu com mais freqüência.Estratégia que conseqüentemente tornou a leitura pausada, opaca, levando oleitor a ler notas de roda pé, mas que de acordo a visão venutiana, ocorreu oreconhecimento e a valorização do outro, um elo que une o original e atradução sem descaracterizar a identidade cultural da língua de origem. Pode-se inferir pela postura da tradutora, um grande respeito pelo autornigeriano Chinua Achebe e sua respectiva cultura, não se sabe se esserespeito se dá por ideologia ou pela intencionalidade dos redatores e editores,pois a obra de Achebe já tinha simpatizantes em todo mundo, e provavelmenteo seu leitor ansiava por conhecer exatamente o outro lado que foi omitido peloscolonizadores. Mas ficou claro a fidelidade da tradutora, que conseguiutranspor para cultura brasileira a voz de Achebe, contribuindo para apropagação de uma cultura considerada marginal, mas que é singular e dignade respeito não devendo ser vista como melhor nem pior que as outras culturasexistentes. Acredita-mos que este trabalho tenha proporcionado uma pequenareflexão sobre o tema, oportunizando melhores conhecimentos sobre arelevância da tradução.
  42. 42. 42REFERÊNCIAS:ACHEBE, Chinua. Things fall apart. New York: Anchor Books, 1994.ACHEBE, Chinua. O mundo se despedaça: Tradução de Vera Queiroz daCosta e Silva. São Paulo: Ática, 1983.AVELINO, Paulo. Resenha de livro: Things fall apart, de Chinua Achebe.Disponível em <http://fla.matrix.com.br/pavelino/achebe.htm> Acesso em 28abr. 2008.LISBON, Portugal Conference. Chinua Achebe: A Tribute50th Anniversary of Things Fall Apart. Disponível em<http://www.achebelisbon2008.com/mandate%20pt.htm> Acesso em 25. mar.2008.NIGÉRIA, Page. Other On-Line Resources Related to Nigeria. Disponível em<http://www.africa.upenn.edu/Country_Specific/Nigeria.html>. Acesso em 25.abr. 2008.REPÚBLICA FEDERAL DA NIGÉRIA. A Nigéria. Disponível em<http://www.sergiosakall.com.br/africano/nigeria.html> Acesso em 01 maio.2008.Revista Espaço Acadêmico . [on line], vol. 9, n 40. Paraná: 2004. Disponível em <http://www.espacoacademico.com.br/040/40creis.htm>. Acesso em 04 abr. 2008. ISSN 1519 - 6186.RODRIGUES, Ângela Lamas. Tradução, Transcodificação e HibridismoMigrante: Ngugi wa Thiong’o e Chinua Achebe. Disponível em<http://www.abralic.org.br/enc2007/anais/33/1510.pdf.> . Acesso em 10 abr. de2008.VENUTI, Lawrence. Escândalos da tradução: por uma ética da diferença.Tradução de Laureano Pelegrin, Lucinéia Marcelino Villela, Marileide DiasEsqueda e Valéria Biondo. Bauru: EDUSC, 2002.VENUTI, Lawrence. A invisibilidade do tradutor: Tradução de CarolinaAlfaro. In palavra 3. Rio de Janeiro: Grypho, 1995.
  43. 43. 43WEBBOOM.PT. Autor destaque. Disponível em<http://www.webboom.pt/autordestaque.asp?ent_id=1117935&area=01>Acesso em 05 mar. 2008.
  44. 44. 44
  45. 45. 45Anexo 1: EkweAnexo 2: Drum
  46. 46. 46Anexo 3: EgwugwuAnexo 4: Iron gong
  47. 47. 47Anexo 5: OgeneAnexo 6: Agogô
  48. 48. 48Anexo 7: Palm OilAnexo 8: Noz de colaProduto PepsiDefinição/Tipo Refrigerante tipo cola Pet 600ml, 1, 1,5, 2 e 2,5 litros, garrafa de vidro 284ml eEmbalagens lata com 350ml. Aromatizantes naturais compostos, água gaseific., açúcar,Ingredientes cafeína, corante de caramelo, extrato de noz de cola, ácido fosfórico.Val. Carboidratos - 23g/200ml;nutricionaisLançamento 1893Prazo de 3 meses: pet 600ml; 4 meses: pet 1, 1,5, 2 e 2,5 litros, 9validade meses: lata 350ml e garrafa de vidro 284mlLink www.pepsi.com.br
  49. 49. 49Anexo 9: Kola NutAnexo 10: Sangrador do vinho de palma
  50. 50. 50Anexo 11: Palm wineOntemHoje
  51. 51. 51Anexo 12: IrocoAnexo 13: Iroko
  52. 52. 52Anexo 14: Fazendo o foo-fooAnexo 15: Foo-Foo
  53. 53. 53Anexo 16: Cowries
  54. 54. 54Anexo 17: Berimbau metalizado / Ivete SangaloQue som é esse mano que o povo tá dançandoQue vem de lá pra cá?É um som diferenteQue alucina a gente, faz dançarÉ uma mistura de tambor, violino e agogô que não deixa ninguém paradoLá no fundo tá rolando o som que vem empurrando é o berimbau metalizado (2x)Tá tá tá,tá arrastando toda a massaTá tá tá,tá balançando o chão da praçaTá tá tá, tá todo mundo arrepiadoCurtindo o som do berimbau metalizado (2x)Que som é esse mano que o povo tá dançandoQue vem de lá pra cá?É um som diferenteQue alucina a gente e faz dançarÉ uma mistura de tambor, violino e agogô que não deixa ninguém paradoLá no fundo tá rolando o som que vem empurrando é o berimbau metalizado (2x)Tá tá tá,tá arrastando toda a massaTá tá tá,tá balançando o chão da praçaTá tá tá, tá todo mundo arrepiadoCurtindo o som do berimbau metalizado (2x)Que som é esse mano que o povo tá dançandoQue vem de lá pra cá?Som diferenteQue alucina a gente, faz dançarÉ uma mistura de tambor, violino e agogô que não deixa ninguém paradoLá no fundo tá rolando o som que vem empurrando é o berimbauTá tá tá,tá arrastando toda a massaTá tá tá,tá balançando o chão da praçaTá tá tá, tá todo mundo arrepiadoCurtindo o som do berimbau metalizado (4x)Anexo 18: Mapa da Nigéria em 1958
  55. 55. 55Anexo 19: Mapa atual da Nigéria
  56. 56. 56

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