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3Dedico este trabalho monográfico a Deus, e aminha Família e amigos, que sempre estiveram aomeu lado em todos os momentos.
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6                                                            SUMÁRIOIntrodução ..............................................
73.9. Proposições ...........................................................................................................
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11   1. Os Pilares da Universidade: o Ensino, a Pesquisa e a Extensão        O ensino, a pesquisa e a extensão são ativida...
12       A criação de condições que facilitem a aprendizagem é também referida por Mizukami(1986) como a primeira finalida...
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21projetos e programas (parágrafo 2º); os cursos de extensão serão oferecidos aos públicos emnível universitários ou não, ...
22          De acordo com afirmações de Fagundes (1986), a extensão deve ser realizada pelauniversidade considerando també...
23governo na solução dos problemas sociais, no combate à pobreza através da educação e dodesenvolvimento de comunidades.  ...
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26extensionistas tenham um lugar próprio na estrutura das instituições de ensino superior, quenão podem afirmá-las como op...
272. Extensão, Comunicação e Cidadania à luz da obra de Paulo Freire    2.1. Panorama conceitual:       Neste capítulo, os...
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30trabalho de extensão (locutor e espectador), proporcionadora de uma comunicação integral,determinante do processo de com...
31da transferência de informação não interativa. Referindo-se aos técnicos da extensão rural,Freire ainda explica que     ...
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33       O potencial de contextualização e análise crítica da realidade social da qual se fazparte, resulta da iniciativa ...
34evidenciada como necessária para a percepção e descoberta de propósitos implicitamentedirigidos ao usufruto individual d...
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36       Na busca pela interatividade e pela participação consciente, são identificadasmetodologias admitidas por Freire e...
37multiplicidade de fluxos comunicativos facilita o ato de educar, da mesma forma que acomunicação educativa é concebida a...
38       Para a ampliação da compreensão quanto à relação entre comunicação e cidadania,vale ainda ressaltar Freire (apud ...
39da vida na comunidade e, por outro lado, têm deveres para com esta mesma comunidade, naqual é possível o livre e pleno d...
40pelo número de pessoas que têm o direito de votar, mas sim, pelo número de vezes (instâncias) que elas possam exercer o ...
41falta de participação, a coerção da conquista desta, e a inconsciência histórica e imposta dasociedade de autodeterminaç...
42possam tomar conhecimento e entender as atitudes e reações do público e de seusrepresentados.       A existência do dire...
433. Os projetos de extensão do Curso de Comunicação Social da UNEB – Campus XIV       A compreensão sobre a docência, sob...
44       A socialização humana e o reconhecimento dos sujeitos como os próprios e osprincipais atores desse processo, são ...
45cidadania na Região Sisaleira. Portanto, é realizada a descrição dos projetos, seus objetivos epropostas metodológicas.3...
46             Discutir estratégias de relacionamento ético e profissional com a imprensa.      Metodologia:             A...
47                             Aulas expositivas, trabalhos em equipes, recursos multimídia              (DVD, CD, etc.), ...
48               A consecução desse projeto funcionará a partir de duas etapas:           Preparação e execução a partir d...
49          Proposta de debate sobre as perspectivas do mercado de trabalho para a área decomunicação na região.          ...
50               A metodologia priorizada neste projeto foi o enquadramento, e a delimitação               temática no que...
Comunicação e cidadania uma análise dos projetos de extensão do curso de comunicação social
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Comunicação e cidadania uma análise dos projetos de extensão do curso de comunicação social

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA Genivania Boaventura de Oliveira COMUNICAÇÃO E CIDADANIAUma análise dos projetos de extensão do Curso de Comunicação Social da UNEB - Campus XIV Conceição de Coité – Ba 2010
  2. 2. 1 Genivania Boaventura de Oliveira COMUNICAÇÃO E CIDADANIAUma análise dos projetos de extensão do Curso de Comunicação Social da UNEB - Campus XIV Trabalho de conclusão apresentado ao Curso de Comunicação Social com Habilitação em Rádio e TV, da Universidade do Estado da Bahia como requisito parcial para a aquisição do grau de Bacharel em Comunicação Social, sob orientação do Professor Tiago Santos Sampaio. Conceição de Coité – Ba 2010
  3. 3. 2 Genivania Boaventura de Oliveira COMUNICAÇÃO E CIDADANIA Uma análise dos projetos de extensão do Curso de Comunicação Social da UNEB - Campus XIV Trabalho de conclusão apresentado ao Curso de Comunicação Social com Habilitação em Rádio e TV, da Universidade do Estado da Bahia como requisito parcial para a aquisição do grau de Bacharel em Comunicação Social, sob orientação do Professor Tiago Santos Sampaio.Data:________________________Resultado:____________________BANCA EXAMINADORAProf.(Orientador):_______________________________________Assinatura: ____________________________________________Prof.__________________________________________________Assinatura:_____________________________________________Prof.__________________________________________________Assinatura: ____________________________________________
  4. 4. 3Dedico este trabalho monográfico a Deus, e aminha Família e amigos, que sempre estiveram aomeu lado em todos os momentos.
  5. 5. 4 RESUMOA atuação e as ações da universidade na sociedade são identificadas como requeríveis deanálise e crítica do cumprimento do compromisso social, e da relação da instituiçãouniversitária com a comunidade em que está inserida. Analisar como os projetos de extensãodo Curso de Comunicação Social da UNEB – Campus XIV têm possivelmente contribuídopara a promoção da cidadania na Região Sisaleira é o objetivo geral desta monografia, sendoobjetivos específicos a realização do levantamento dos projetos realizados até o períodoequivalente ao mês de outubro do ano de 2009, e a discussão sobre as noções da extensão e dasua relação com a comunicação e a cidadania a partir da obra de Paulo Freire. A pesquisabibliográfica para a fundamentação teórica e a realização de pesquisa exploratória no Núcleode Pesquisa e Extensão foram metodologias utilizadas para a obtenção de informações sobreos projetos de extensão do Curso de Comunicação Social, e para a realização deste trabalho.A análise crítica dos projetos de extensão é possibilitada pela concepção e compreensão sobreextensão, comunicação e cidadania. A participação do público alvo é enfatizada nos projetoscomo fator primordial, o que possibilita a visão instrumental da comunicação comomediadora da interação entre universidade e comunidade. É possível perceber nos projetos deextensão apresentados a preocupação com a prestação de serviços à comunidade, no sentidode educar e oferecer assistência na área da Comunicação Social. A posição da UNEB –Campus XIV identificada diante desses projetos, é de colaboração, incentivo ereconhecimento crítico e social da relevância destes para a região, devendo ser ressaltado ocomprometimento com a responsabilidade social.PALAVRAS – CHAVE: Educação, Extensão, Comunicação, Cidadania.
  6. 6. 5 ABSTRACTThe role and actions of the university in society are identified as requeríveis and criticalanalysis of compliance with social commitment and the relationship of the university and thecommunity in which it operates. Consider how the extension projects of the SocialCommunication Course of UNEB - Campus XIV have possibly contributed to the promotionof citizenship in the region Sisal is the overall goal of this monograph, with specific goals tocompletion of survey projects conducted by the equivalent period a month October of 2009,and discussion on the notions of extension and its relationship with communication andcitizenship from the work of Paulo Freire. The literature for the theoretical and conductingexploratory research in the Center for Research and Extension methodologies were used toobtain information about the extension projects of the Social Communication Course, and forthis work. A critical analysis of extension projects is made possible by the design andunderstanding of extension, communication and citizenship. The participation of the audienceis emphasized in the projects is a key factor, enabling instrumental view of communication asa mediator of the interaction between university and community. You can see the extensionprojects presented concern with the provision of services to the community, to educate andprovide assistance in the media area. The position of UNEB - Campus XIV identified on theseprojects is collaboration, encouragement and critical recognition and social relevance of theregion should be emphasized a commitment to social responsibility.WORDS – KEY: Education, Extension, Communication, Citizenship.
  7. 7. 6 SUMÁRIOIntrodução ............................................................................................................................ 81 Os pilares da Universidade: o Ensino, a Pesquisa e a Extensão ....................................... 111.1 Concepção de Educação (dimensão humana e social) .................................................. 111.2 Ensino e Pesquisa .......................................................................................................... 141.3 Extensão ........................................................................................................................ 192. Extensão, Comunicação e Cidadania à luz da obra de Paulo Freire................................ 272.1 Panorama conceitual ...................................................................................................... 272.2 Comunicação e Extensão por Paulo Freire .................................................................... 282.3 A relevância do diálogo para a comunicação interativa ................................................ 322.4 Comunicação e Cidadania ............................................................................................. 373 Os projetos de extensão do curso de comunicação social da UNEB - Campus XIV ....... 433.1. Projeto de Extensão: assessoria de imprensa (outubro 2006)....................................... 453.2. Projeto de Extensão: Marketing: a publicidade como instrumento desustentabilidade empresas (março 2007) ............................................................................. 463.3. Projeto de Extensão: I Mostra de Cinema e Vídeo da UNEB / Coité – Olharessobre a América Latina (Setembro 2007) ........................................................................... 473.4. Projeto de Extensão: I Semana de Comunicação da UNEB – Campus XIV(Setembro 2008) .................................................................................................................. 483.5. Projeto de Extensão: “Observatório de Mídia Sisaleira”(Junho 2009) ........................ 493.6. Projeto de Extensão: II Semana de Comunicação da UNEB – Campus XIV(Julho 2004) ........................................................................................................................ 503.7. Projeto de Extensão: Oficina “Noções de Fotojornalismo” (Outubro 2009) ............... 513.8. Análise crítica dos projetos de extensão a partir dos seus objetivos e propostasmetodológicas ...................................................................................................................... 53
  8. 8. 73.9. Proposições ................................................................................................................... 58Considerações finais ............................................................................................................ 60Referências .......................................................................................................................... 62Anexos ................................................................................................................................. 65
  9. 9. 8Introdução A transformação do homem em um indivíduo participativo e colaborador docrescimento social é possibilitada através da educação. Em virtude do seu potencial detransformar, o trabalho educativo pode ser definido como uma prática social propiciadora dacapacitação das pessoas para a atuação na sociedade. É importante a reflexão sobre a relaçãoentre educação e transformações sociais. A educação origina-se pela integração dos indivíduos através da comunicação. Ainteração social mediada pelo processo comunicativo e educativo, promove a adaptação doindivíduo à sociedade. É despertado assim o sentimento de ser aceito pelas pessoas com quemconvive, e ao mesmo tempo de aceitá-las socialmente, através do respeito mútuo diante desuas individualidades. É possível afirmar que a educação, muito mais do que a escola, pode sercompreendida como o resultado da ação de todo o meio sociocultural sobre os seusparticipantes. Melo (2005, p.10) afirma que da família à comunidade, a educação existe difusaem todos os espaços sociais. “Primeiro, sem classe de alunos, sem livros e sem professoresespecialistas, mais adiante com escolas, salas, professores e métodos pedagógicos”. Entendida como instrumento de partilha dos conhecimentos acumulados pelahumanidade, a educação é decisiva para o desenvolvimento intelectual do ser humano. Ainteração social promovida pela comunicação determina a atuação do indivíduo em grupos,socializando idéias, informações, responsabilidades e decisões. A relação entre comunicação e educação deve ser construída a partir do contexto socialdaqueles que a estabelecem, para atender aos seus interesses. Esta relação é estabelecida pelaparticipação das pessoas no processo comunicativo e educativo. Para possibilitar a
  10. 10. 9compreensão da sociedade como espaço de comunicação, Brandão (2005, p.6) menciona que“ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou demuitos, na vida todos se envolvem com a educação, seja para aprender, para ensinar, paraaprender e ensinar, para saber, para fazer, para ser ou para conviver”. É importante o enfoque à imprescindibilidade da educação na formação do indivíduo ena convivência social, e também à multiplicidade de espaços e meios de realização da açãoeducativa. É possível afirmar que a comunicação é um instrumento de transformação tambémpresente nas instituições educativas. A participação das pessoas em projetos voltados a atender os interesses e necessidadesdos grupos dos quais fazem parte, pode contribuir para a formação da cidadania, e para aampliação do propósito educativo em torno desta. Dessa forma, discutir as noções deextensão, comunicação e cidadania a partir da obra de Paulo Freire e apresentar alternativasde ampliação do potencial comunicativo dos projetos de extensão do Curso de ComunicaçãoSocial da Universidade do Estado da Bahia - UNEB - Campus XIV são propósitos destamonografia. A ênfase aos projetos de extensão realizados pelo Curso de Comunicação Social daUniversidade do Estado da Bahia - UNEB - Campus XIV é o objeto de estudo deste para acompreensão do conceito da comunicação como instrumento de educação. A análise sobre osobjetivos e metodologias desses projetos é uma reflexão do potencial comunicativo destes, eda possível contribuição para a promoção da cidadania na Região Sisaleira, sendo ressaltado ocompromisso com a responsabilidade social. Instalado à Avenida Luis Eduardo Magalhães, 988, Bairro da Jaqueira, desde o ano de1991, o Departamento de Educação-Campus XIV da Universidade do Estado da Bahiafunciona em prédio cedido pela Prefeitura Municipal de Conceição do Coité. É umaInstituição Pública de potencial educativo significativo, e representa uma conquista da Região
  11. 11. 10Sisaleira do Estado. Como meio de democratização da informação, da cultura e do saber, aUNEB Campus XIV deve ser considerada como principal representante para contribuição dodebate sobre questões sociais, e para a contextualização do conhecimento à realidade sociallocal. As informações sobre os projetos de extensão da área de Comunicação Social daUNEB – Campus XIV foram obtidas através da realização de pesquisas exploratórias noNúcleo de Pesquisa e Extensão, da pesquisa bibliográfica para a fundamentação teórica, e daanálise dos projetos de extensão a partir das contribuições de Paulo Freire sobre a relaçãoentre comunicação e educação. É apresentada no capítulo I uma discussão sobre a extensão, o ensino, e a pesquisacomo pilares da Universidade, destacando-se a importância e a fundamentação da extensão, ea concepção de educação na dimensão humana e social. No capítulo II, extensão,comunicação e cidadania são definidos à luz da obra de Paulo Freire, sendo destacado opanorama conceitual, a interação desses conceitos entre Freire e outros autores, a relevânciado diálogo para comunicação interativa e a relação entre comunicação e cidadania. Osprojetos de extensão são apresentados no capítulo III, no qual é realizada uma análise críticabaseada nos objetivos e propostas metodológicas desses projetos, sendo destacada aimportância destes para a comunidade.
  12. 12. 11 1. Os Pilares da Universidade: o Ensino, a Pesquisa e a Extensão O ensino, a pesquisa e a extensão são atividades constituintes da educação de nívelsuperior, destacando-se a extensão com o sentido de socializar o conhecimento com acomunidade. 1.1. Concepção de Educação (Dimensão Humana e Social) Considerando as afirmações de Mizukami (1986), educação pode ser definida comouma realidade contínua e de diferentes aspectos, o humano, o cognitivo e o técnico. Contínua,em virtude da sua presença na vida cotidiana; de aspecto humano, por ser dirigida aoindivíduo como pessoa e não instituição ou objeto; cognitivo, por impulsionar a percepçãohumana para o que acontece em seu entorno; e técnico, por capacitar o sujeito a aplicarconhecimentos e procedimentos teoricamente adquiridos. Conforme a concepção descrita por Mizukami (1986,) há várias formas de se concebero fenômeno educativo que, por sua própria natureza, não é uma realidade que se dá aconhecer de maneira única e precisa em seus múltiplos aspectos. É possível assinalar aamplitude de metodologias da prática educativa, considerada relevante para odesenvolvimento humano e social. De acordo com Mizukami (1986), pode-se considerar que tudo o que estiver a serviçodo crescimento pessoal, interpessoal ou intergrupal é educação, e que o objetivo desta seráuma aprendizagem que abrange conceitos e experiências, tendo como pressuposto umprocesso de aprendizagem pessoal. A educação é, dessa forma, enfatizada como uma práticarealizada em prol do desenvolvimento e progresso intelectual e social do sujeito.
  13. 13. 12 A criação de condições que facilitem a aprendizagem é também referida por Mizukami(1986) como a primeira finalidade da educação, além do objetivo básico de provocar acapacidade de auto-aprendizagem. Educar seria, dessa forma, a criação de condições através das quais o indivíduo possa setornar uma pessoa de iniciativa, responsabilidade, autodeterminação e discernimento; etambém capacitar o indivíduo para a aplicação de conhecimentos adquiridos na solução deproblemas, adaptando-se e adquirindo flexibilidade comportamental à novas situações, eservindo-se da própria experiência, com espírito livre e criativo. O potencial de atuação dosujeito na sociedade e a capacidade de superação e construção são afirmados comofundamentos da educação. A dimensão humana e social da educação é abordada por Pimenta (2002), que aoreferir-se à prática educativa na sociedade enfatiza a humanização, para que todos sejampartícipes do desenvolvimento social, e comprometidos com a solução de problemascoletivos. É descartada a existência de uma única forma e de um único modelo de educar, damesma forma que a escola não é único lugar em que a educação acontece. O ensino escolarnão é considerado a única prática educativa, e o professor não é seu único praticante.Evidencia-se a abrangência da educação, das suas finalidades e formas de representação, dasua possibilidade de espaços, e sua diversidade de atores para realização. Referindo-se à educação escolar, Pimenta e Anastasiou (2002, p.81) a definem como“um trabalho que tem como objetivo o conhecimento, e cuja finalidade é contribuir com oprocesso de humanização deste, numa perspectiva de inserção social crítica etransformadora”. É uma definição que permite ressaltar que a sociedade cujo progressoevidencia as riquezas que a condição humana pode desfrutar, revela-se também, através da
  14. 14. 13necessidade de humanização e transformação, como uma sociedade contraditória e desigual,em que ocorre a restrição de conquistas e benefícios humanos e sociais. A capacitação do sujeito para atuar na sociedade é uma ação identificada por Pimentae Anastasiou (2002) como um significado da educação. Essa capacitação que é proporcionadapela prática educativa requer preparação científica, técnica e social. Possibilitar a aquisição deconhecimentos científicos e tecnológicos, desenvolver habilidades para operá-los, revê-los econfrontá-los é afirmado como finalidade da educação escolar. Considerando as afirmações de Pimenta e Anastasiou (2002), pode-se compreender adocência como uma forma de interferir na realidade social mediante a educação. Ainstitucionalização da educação é um processo realizado por algumas entidades que assumema responsabilidade de desenvolver a prática educativa sistemática e intencionalmente. Auniversidade pode ser enfatizada como uma dessas instituições. Enfatizando a concepção de social e os pilares que a constituem, a universidade éapresentada como uma instituição educativa que tem por objetivo, o permanente exercício dacrítica que, de acordo com Pimenta e Anastasiou (2002), é sustentado pela pesquisa. A pesquisa é caracterizada pela produção de conhecimento por meio daproblematização do já produzido, dos resultados deste na construção da sociedade humana, edas novas demandas e desafios apresentados. Ressaltando a importância da pesquisa, do ensino e da extensão, evidencia-se apertinência da conceituação desses termos. Conforme denominações apresentadas por Ferreira(1988), a palavra pesquisa é uma busca minuciosa para a averiguação da realidade, em que serealiza uma investigação e estudo para descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos aum campo qualquer do conhecimento. Ao ensino é atribuído o significado de instrução, transmissão de conhecimentos,informações ou esclarecimentos úteis ou indispensáveis à educação, e de um esforço
  15. 15. 14orientado para a formação ou qualificação da conduta humana. A definição do termo extensãoé correlacionada ao ato de estender, de levar o conhecimento além de, e para alguém. 1.2. Ensino e Pesquisa A definição do termo ensino é realizada sob dois diferentes aspectos: o de instrução eo de educação. Considerando Schilling e Murad (1990), em seu aspecto de instrução, o ensinopode ser definido como um conjunto de operações que têm por finalidade proporcionar umsaber abstrato (teórico), ou operacional (prático) àqueles que não o possuem. No primeirocaso, trata-se da transmissão de conhecimentos em geral, e no segundo, da habilitaçãoprofissional. Além de requerer a presença de um intermediador entre o aprendiz e o objeto deestudo, o ensino-instrução é reduzido à simples transmissão do saber, por não proporcionar aatividade prática do conhecimento. A formação de juízo, a capacitação da arte de aprender sem instrutores e a construçãode comportamento e de caráter são aspectos identificados como diferenciais do ensino-educação. Para esclarecer a diferença e as características dos três aspectos do ensino-educação, Schilling e Murad (1990) proporcionam o entendimento de que o ensino-educação,no aspecto da formação de juízo, não visa apenas informar e oferecer o domínio de uma certacapacitação, mas propõe ensinar os alunos a julgar sensatamente, com rigor e probidade,sabendo distinguir informações importantes de conteúdos irrelevantes. O estímulo ao senso crítico e a construção de opinião própria são destacados comoresultantes da formação de juízo que é, também, referida como responsabilidade da instituiçãode nível superior. O combate à despersonalização e ao condicionamento de uma civilização demassa é uma ação que para Schilling e Murad (1990) deve ser adotada pela universidade. Épreciso ensinar os discentes a pensar por si mesmos, de maneira independente. Odesenvolvimento da percepção e do senso crítico é condição necessária para a invenção e a
  16. 16. 15descoberta do conhecimento. A integridade da personalidade e a condição de inalienável sãoabordadas como primórdios do ensino-educação competido à universidade. Sobre a formação da arte de aprender sem instrutores, o ensino-educação consiste emensinar o aluno a ter maior autonomia. O reconhecimento de seus limites e lacunas, oencorajamento, o ato de aprender a não depender de um guia, e o esforço de adaptação erenovação, são abordados por Schilling e Murad (1990) como tipos de atitudes a seremadotados mesmo depois de se ter deixado de freqüentar a sala de aula. O potencial de atitude,de ação e auto-suficiência é explicitado nesta reflexão. Para explanar sobre o aspecto da formação do comportamento e do caráter no ensinoeducação, Schilling e Murad (1990) tornam possível a compreensão de que o trabalhosolitário não perdeu sua importância, pois é somente na concentração prolongada e nosilêncio, que as idéias podem se cristalizar e se atualizar. Sendo assim, quando adotado a fimde desempenhar estudos que exigem intensa concentração, o estudo solitário é uma estratégiade realização. Entretanto, o indivíduo deve aprender a se adaptar à realização de atividadescoletivas, o que pode complementar e enriquecer o conhecimento adquirido. Também a motivação e a provocação do sentido da investigação é um aspecto deensino-educação. Caracteriza-se pelo esforço do docente para despertar a vontade doestudante, para ensiná-lo a enfrentar as dificuldades com perseverança. Conforme Schilling eMurad (1990), o educador não se limita a transmitir uma soma de conhecimentos, masprocura despertar no discente o sentido da investigação e o desejo de saber mais. No que diz respeito à divergência conceitual, o ensino e a pesquisa são definidos porSchilling e Murad (1990) como duas atividades com finalidades distintas. A transmissãocontínua de informações com a pretensão de transformar alguém, é afirmada como acaracterística geral do ensino.
  17. 17. 16 Para a pesquisa, a característica estabelecida para distinguí-la do ensino é a isenção dointeresse em formar alguém. Mesmo quando direcionada para seres humanos com a intençãode conhecê-los melhor, individualmente ou coletivamente, a produção de novosconhecimentos, novas técnicas, ou a colocação de novos problemas são as atividadespropostas pela pesquisa. São ainda estabelecidos por Schilling e Murad (1990) alguns aspectos para a distinçãoentre ensino e pesquisa. Ao ensino é atribuída a necessidade de uma aptidão particular para acomunicação, é exigido o dom da simpatia e a capacidade de ser ao mesmo tempo tolerante eintolerante. Tolerante para com a ignorância, a inépcia, a falta de habilidade. Intolerante namedida em que for preciso induzir o aluno a superar a sua debilidade inicial através de umtreinamento nem sempre agradável. É suscitada a tolerância a prováveis fraquezas do discente no processo de ensino eaprendizagem, porém, o não entendimento dessas fraquezas e a distorção de significados,assim como a imposição da aprendizagem são fatores determinantes de intolerância. O ensino e a pesquisa exigem, igualmente, o dom da resistência ao desânimo, e o domde descobrir e conhecer, devendo todo professor ou pesquisador acreditar em sua missão, novalor e na utilidade do seu trabalho para ele próprio, para os estudantes e para coletividade,conforme afirma Schilling e Murad (1990). A crítica ao conhecimento produzido, à relevância deste na construção da sociedade, érelatada por Pimenta e Anastasiou (2002) como propiciada pelo ensino na universidade.Algumas atribuições desse ensino são destacadas, estando entre elas o desenvolvimento dashabilidades de pesquisa, que é definido como fundamental para propiciar informações,métodos e técnicas que assegurem o domínio científico e profissional, e a condução de umaprogressiva autonomia do aluno na busca de conhecimento.
  18. 18. 17 Além das atividades supracitadas e conferidas ao ensino da universidade, destacam-setambém, o exercício do processo de ensinar e aprender como atividades integradas; odesenvolvimento da capacidade de reflexão; e a substituição da simples transmissão deconteúdos por um processo de investigação do conhecimento. E ainda devem ser citados, aintegração, vertical e horizontal, da atividade de investigação, o que supõe trabalho emequipe; a criação e recriação de situações de aprendizagem; e o conhecimento do universosocial e de conhecimentos dos alunos, para desenvolver, com base nele, processos de ensinoe aprendizagem interativos e participativos. Estas atribuições refletem a excelência do ensinoda universidade impulsionado por compromisso e competência, e pela perspectiva detransformação da sociedade através do acesso irrestrito ao saber. A pretensão de mudanças comportamentais úteis e socialmente adequadas à sociedadeé relacionada ao ato de ensinar por Mizukami (1986). É estabelecido que os objetivosintermediários e finais do ensino, devem ser decididos com base em critérios de avaliação docomportamento inicial, e daqueles que o educando exibirá ao longo do processo de ensino. A adoção de tal procedimento pode ser entendida como uma estratégia paraverificação do envolvimento do aluno com o processo de ensino, e para averiguar a obtençãode respostas quanto ao domínio de uma determinada habilidade pelo educando. Avalia-se suaadaptação a procedimentos instrucionais, sua aprendizagem, desempenho e desenvolvimento.É possível identificar se houve variações no ritmo de aprendizagem e potencial deassimilação, no alcance de objetivos e adaptação a métodos e materiais de estudo, e no nívelexigido de rendimento e desempenho. É evidenciada também a importância do conhecimento do contexto social, e da trocade experiências do saber através da conversa e da interrogação, para uma interatividadecomunicativa capaz de auxiliar o desenvolvimento do ensino-aprendizagem, cabendo aos
  19. 19. 18discentes observar, experimentar, comparar, relacionar, avaliar, justapor, compor, levantarhipóteses e argumentar. O ato de ensinar é advertido por Morais (1940) como difícil e trabalhoso, e quepropor-se ao ensino é propor-se a um risco. O desencadeamento de incertezas é referido comoconseqüência do choque entre ignorância e informação, entre alienação e consciência político-social causado pelo ensinar. Convencer o aluno a adotar atitudes que promovam mudançaspositivas para si mesmo e para a sociedade é um propósito educativo, que pode ou não seralcançado. O resultado final pode ser a motivação ou o pessimismo para a continuidade doprocesso educativo. O conjunto de investigações e trabalhos intelectuais ou práticos com o objetivo dedescobrir novos conhecimentos e técnicas de exploração e criação é atribuído por Schilling eMurad (1990) ao conceito de pesquisa, que é também explanado como um trabalho dopensamento e da linguagem para pensar e dizer o que ainda não foi pensado nem dito, e querequer a reflexão, a crítica, e o exame de conhecimentos instituídos. A atualização dos conhecimentos é ressaltada por Gressler (1989) como necessáriapara a qualidade do ensino superior, assim como a preocupação por parte das universidades,com a investigação de fatos novos, e com o desenvolvimento e a aplicabilidade deconhecimentos necessários para a solução de problemas da sociedade. As conquistas do conhecimento humano são apresentadas como resultantes dapesquisa educacional por Gressler (1989), e a participação neste tipo de trabalho é referidacomo provedora da habilidade de pensar criticamente, e do crescimento intelectual. Trata-sede uma atividade que é enfatizada como uma das mais específicas funções da universidade,pois a realização de treinamentos e o desenvolvimento de atitudes positivas originam-se dapesquisa educacional.
  20. 20. 19 Considerada por Gressler (1989) como base para tomada de decisões, cuja eficáciadepende da capacidade crítica para o desafio intelectual, a pesquisa é evidenciada comoexame cuidadoso para a descoberta de novas informações ou relações, para a ampliação everificação do conhecimento existente, para a explanação de fatos, e para ainstrumentalização e o aumento da eficiência educacional. É abordada como instrumental por Fazenda (2004) na medida em que possibilita umre-pensar de outras práticas, o que torna pertinente a afirmação que uma pesquisa que somentetenha fim em si mesma, impede e não impulsiona a leitura de outras práticas. São valorizadasas pesquisas que permitem o surgimento de várias interpretações, e aquelas que através doavanço teórico possibilitam a indicação de novas buscas para a prática educacional. 1.3. Extensão A universidade é destacada por Santos (1999) como uma instituição na sociedadecontemporânea que não pode agir em conformidade com o pensamento individual, mais sim,baseado na coletividade. À universidade é concedida uma posição privilegiada para a criaçãoe a proliferação de comunidades interpretativas, o que comprova seu potencial detransformação social e política. A acessibilidade a esse tipo de entidade é o significado que deve ser adotado para acompreensão da democratização dessa instituição. A legitimidade da universidade é cumpridaatravés da integração das atividades universitárias de extensão, pesquisa e ensino, o quefortalece a relação entre esses fatores, mencionados como os pilares da instituição de ensinosuperior. A dimensão simbólica da universidade na sociedade é correlacionada por Santos(1999) à sua permanência como instituição educativa e social, através da qual as atividades de
  21. 21. 20extensão são caracterizadas pela criação de espaços de interação com a comunidade, para aidentificação e definição de prioridades da atuação acadêmica. A realização da extensão comouma prática educativa da instituição de ensino superior é uma atividade teoricamente etambém legalmente fundamentada. No que diz respeito à fundamentação legal da extensão, o Estatuto e Regimento daUniversidade do Estado da Bahia é uma representação desse tipo de referencial. Considerandoo Estatuto, o Capítulo I, do Título III, apresenta a Seção III, da qual convém destacar o Artigo53 cujos incisos subseqüentes definem a extensão como interação da Universidade com asociedade (inciso I); como promoção e estímulo às atividades culturais nos Departamentos(inciso II); socialização do conhecimento acadêmico (inciso III); presença da universidade nocontexto histórico da sociedade, propiciando o exercício permanente da cidadania (inciso IV). O Artigo 55 da Seção III prescreve que a extensão poderá ser executada com o apoiofinanceiro externo, através de instituições idôneas, públicas ou privadas, não governamentais,nacionais ou internacionais; e conforme o Artigo 56, o Regime Geral definirá a organização eo funcionamento das atividades de extensão nas universidades. Referindo ao Regimento, o Capítulo I do Título III reafirma as prescrições do Estatuto,apresentando a Seção IV, em que o Artigo 126 explica a extensão também como interação dauniversidade com a sociedade (inciso I); como promoção e estímulo às atividades sócio-culturais dos Departamentos (inciso II); socialização do conhecimento acadêmico (inciso III);presença da universidade no contexto histórico da sociedade, propiciando o exercíciopermanente da cidadania (inciso IV). O Artigo 126 da Seção IV expõe parágrafos que esclarecem que, a extensão poderá serproposta pelo Departamento e executada com o apoio financeiro externo, através deinstituições idôneas, públicas ou privadas, não governamentais, nacionais e internacionais(parágrafo 1º); os serviços de extensão serão prestados sobre a forma de cursos, estudos,
  22. 22. 21projetos e programas (parágrafo 2º); os cursos de extensão serão oferecidos aos públicos emnível universitários ou não, modalidade presencial ou à distância, com o propósito de elevar aeficiência dos padrões comunitários (parágrafo 3º). E o Artigo 128 acrescenta que, auniversidade deve consignar, obrigatoriamente, em seu orçamento, recursos destinados àsatividades de extensão, de acordo com o especificado nos Planos Operativos Anuais. Osconceitos legais sobre extensão facilitam a análise dos projetos do Curso de ComunicaçãoSocial da UNEB Campus XIV, apresentados nesta monografia, e possibilitam a correlaçãoentre os objetivos e propostas metodológicas destes e o cumprimento do que é estabelecidopor lei. A atuação da universidade na comunidade através da extensão é refletida comoprincípio fundamental do Estatuto e Regimento da Universidade do Estado da Bahia, devendoser relatado também, a atenção direcionada ao comprometimento da Instituição com arealização da ação extensionista. A responsabilidade social e a intervenção da instituição de ensino suprior nosproblemas sociais são definidas por Santos (1999) como formas de valorização dacomunidade, e a adoção desse tipo de ação pode ser assinalada como importante para odesenvolvimento de relações interativas entre universidade e sociedade. Para a compreensão sobre a extensão, a relação entre universidade e sociedade éconsiderada como primordial por Fagundes (1986), entretanto, é ressaltado pelo autor que ocompromisso da universidade com a comunidade é resultado de pressões e reivindicações desetores preocupados e comprometidos com a democratização dos bens produzidos nainstituição de ensino superior. Universidade e sociedade são assinaladas por Fagundes (1986) como entidades quedevem ser constituídas por relações recíprocas, em que a instituição educativa evolui com acomunidade, e não se define antes ou independente da sociedade, mas em relação a ela.
  23. 23. 22 De acordo com afirmações de Fagundes (1986), a extensão deve ser realizada pelauniversidade considerando também a concepção de socialização do conhecimentoestabelecida pelo governo para o desenvolvimento social do País. É possível entender que aextensão é proposta, na perspectiva governamental como uma forma de a universidadeampliar os seus compromissos, integrando comunidades que se encontram à margem doprocesso de desenvolvimento e em situações de atraso e pobreza, na participação dos bensproduzidos socialmente. A orientação para o compromisso social da universidade e para as diretrizes dasatividades de extensão é atribuída por Fagundes (1986) aos governos posteriores ao golpe de1964. Conforme explicações de Fagundes (1986) este é o período a partir do qual auniversidade é solicitada, de forma clara e decidida, a comprometer-se com a política dedesenvolvimento do governo. A contribuição para instituir a extensão como função da universidade é mencionadapor Fagundes (1986) como uma iniciativa adotada pelo Ministério da Educação e Cultura apartir da avaliação da implantação da Reforma Universitária em 1975. A sistematização, acoordenação e o controle das atividades extensionistas são evidenciados como as açõesconstituintes do Plano de Trabalho de Extensão Universitária estabelecido pela ReformaUniversitária, visando o embasamento teórico, indicando novas tarefas para a extensão, esubordinando-a aos programas e projetos considerados estratégicos para o desenvolvimentosocial. O elitismo, a falta de compromisso da universidade com o desenvolvimento nacional eregional, e também o desconhecimento da necessidade de condições básicas de vida dapopulação carente são suscitados por Fagundes (1986) como fatores não aceitos peloMinistério da Educação e Cultura. É ressaltado o dever da universidade de colaborar com o
  24. 24. 23governo na solução dos problemas sociais, no combate à pobreza através da educação e dodesenvolvimento de comunidades. A amplitude de áreas para prestação de serviços e a variação de destinatários daextensão é abordada por Santos (2004) que inclui os grupos sociais populares e a suasorganizações, as comunidades locais e regionais, e os setores público e privado como públicoalvo das ações extensionistas. O enfoque social da extensão é assinalado por Fagundes (1986) com a perspectiva deidentificar como a atividade de extensão pode ser realizada no sentido de beneficiar ascamadas sociais marginalizadas. Dessa forma, a extensão passa a ser pensada como umamodalidade de responsabilidade social, tendo como objetivo maior e meta final a integração ea melhoria das condições de vida das comunidades. A extensão é identificada por Fagundes (1986) como uma forma de articulação quepermite à comunidade discutir os problemas e descobrir os seus determinantes. É evidenciadoque as atividades extensionistas devem ser subsidiadas pelo conhecimento da realidade local,para que seja possível solucionar os problemas básicos do lugar. Admitindo que a universidade contenha três funções principais, a da pesquisa, a dedocência e a de extensão, Demo (1980, p.118) afirma que “a extensão nunca esteve à alturadas outras, nunca obteve uma fundamentação teórica satisfatória ou uma prática realmenteconvincente”. Assim, é identificada a necessidade da extensão não ser entendida somentecomo uma função complementar da instituição de ensino superior, mas como umacontribuição para o desenvolvimento social. A extensão universitária é considerada por Demo (1980) como uma atividade quepode adquirir uma importância histórica sem precedentes, através da socialização dosconhecimentos. Simultaneamente referindo-se à função extensão, Rocha (1980) admite ageração de benefícios para a população em que se verifica a realização de atividades
  25. 25. 24extensionistas. É assinalado que o conhecimento que se aprende vivendo ou fazendo fora dassalas de aula pode contribuir para uma ligação efetiva entre universidade e comunidade. A comunicação entre sociedade e universidade é atribuída à extensão por Rocha(1980), que também destaca a prática do potencial educativo de docentes, discentes eadministrativos como fator determinante da ação extensionista. Ainda é suscitado por Rocha(1980) que a extensão não deve ser realizada por mera necessidade dos departamentosacadêmicos, ou para a aquisição e utilização de recursos financeiros, mas peloreconhecimento da importância da relação recíproca entre a comunidade e a instituição deensino superior. Programas ou projetos de ação comunitária e realização de cursos são exemplos deformas práticas da extensão evidenciadas e que, conforme argumentações feitas por Rocha(1980), propiciam a ação conjunta da comunidade, universidade e demais instituições quedeles participem com papéis específicos. Da mesma forma, Rocha (1980) considera importante a avaliação das atividadesextensionistas, e que a sua realização deve contar não somente com a liderança formal, masprincipalmente com a contribuição da comunidade e daqueles que são objeto dos programasde extensão universitária. Algumas considerações sobre a extensão acadêmica são realizadaspor Cavalcanti (1980), e uma delas é também a recomendação para a universidade efetuarquestionamentos e reflexões sobre a ação extensionista , e sobre a sua responsabilidade com acomunidade a que pertence. De acordo com afirmações de Rocha (1980), a extensão universitária é vulgarmente e,na maioria das vezes, identificada como prestação de serviços. É atribuída ao Art. 20 da Lei5.540 a definição que estabelece que as universidades estenderão à comunidade sob a formade cursos e serviços as atividades de ensino e os resultados de pesquisas que lhe são inerentes.De fato, a concepção da lei é bastante ampla e leva ao entendimento da extensão como
  26. 26. 25simples prestação de serviços. Entretanto, Rocha (1980) torna possível a compreensão de quea extensão é função de mudança e desenvolvimento, e que a prestação de serviços é apenasum aspecto da ação da universidade na sociedade. A identificação da extensão como uma forma de estágio, principalmente estágiooptativo, é referida por Rocha (1980) como uma outra visão errônea sobre a açãoextensionista, visto que, o estágio é para o autor um momento do processo de ensino eaprendizagem responsável pela consolidação de conhecimentos teóricos e práticos recebidos.Portanto, é possibilitada a compreensão de que a universidade não pode registrar ou aprovarprogramas imaginários de extensão que não atendam aos anseios comunitários ouinstitucionais envolvidos. Um outro tipo de visão da extensão definido por Rocha (1980) como equivocado e,segundo ele, assumido por dirigentes, docentes e discentes, é o entendimento da extensãocomo uma forma de levar o estudante (na maioria das vezes sem supervisão docente) a atuarem situações nas quais é requerido um profissional graduado, ou em realidades distantes dassuas. A formulação dessa visão é também atribuída por Rocha (1980) à Lei 5.540, emvirtude do Art. 40 em que é estabelecido que as instituições de ensino superior, por meio dassuas atividades de extensão, proporcionarão aos discentes oportunidades de participação emprogramas de melhoria das condições de vida das comunidades num processo dedesenvolvimento. Realmente, não é argumentado que os docentes têm obrigatoriamente queestar presentes no meio, ou que os mesmos têm o papel de supervisionar os discentes. Uma última concepção assinalada como errônea por Rocha (1980) é a que afirma aextensão como toda atividade que não se possa enquadrar nas funções de ensino e pesquisa.Para que a extensão não seja apresentada como algo indefinido, ou como o conjunto de açõesque a universidade quer fazer, mas não são programadas, é suscitado que as atividades
  27. 27. 26extensionistas tenham um lugar próprio na estrutura das instituições de ensino superior, quenão podem afirmá-las como opcionais.
  28. 28. 272. Extensão, Comunicação e Cidadania à luz da obra de Paulo Freire 2.1. Panorama conceitual: Neste capítulo, os termos extensão, comunicação e cidadania, serão discutidos a partirdas contribuições de Paulo Freire a fim de gerar uma compreensão sobre o significado e aimportância destes para a análise do objeto desta pesquisa. Para a contextualização da relação ensino e aprendizagem, costuma-se entender aextensão como o ato ou o efeito de estender e ampliar o conhecimento. No que diz respeito aoato de estender, A extensão pode acontecer através da transmissão formal do conhecimento deuma pessoa para a outra, de uma instituição para um grupo de pessoas ou população externa(Ferreira, 1988). A prática educativa realizada nas instituições de ensino é uma representação daformalidade da transmissão do conhecimento. Ao se tratar de ampliação do conhecimento,pode-se compreender que ao transmíti-lo por meio da extensão, é possível que ocorra a trocade informações, e a partir dessa provável troca, é estabelecida uma possibilidade deenriquecimento do saber daquele que se propõe a levá-lo a diante (Ferreira, 1988). A palavra comunicação refere-se à transmissão e recepção da mensagem, à troca oudiscussão de idéias, e ao diálogo estabelecido pela conversa originada da busca pelo bomentendimento entre as pessoas (Ferreira, 1988). O termo cidadania apresenta uma dimensãoampla de significados, e é basicamente definido como exercício de deveres e direitos docidadão (Ferreira, 1980). Por outro lado, para conceituar a extensão, comunicação e cidadania, de acordo comPaulo Freire (1976), é importante reconhecer a relação social existente entre os termos emquestão. Ele descreve a natureza do conhecimento e da comunicação, afirmando que
  29. 29. 28 Conhecer, que é sempre um processo, supõe uma situação dialógica. Não há, estritamente falando, um “eu penso”, mas um “nós pensamos”. Não é o “eu penso” o que constitui o “nós pensamos”, mas, pelo contrário, é o “nós pensamos” que me faz possível pensar. Na situação dialógica, o objeto do conhecimento não é o termo do conhecimento dos sujeitos cognoscentes, mas a sua mediação. (Freire, 1976, p.86). A interatividade da palavra ou do conhecimento, mediada pelo diálogo, é destacadacomo princípio da relação dos indivíduos na sociedade. Nessa perspectiva, é pertinenteafirmar que, existe comunicação, quando ocorre a transmissão interativa do conhecimento ouinformação, e quando é realizada a troca de experiências oriundas do saber, podendo ocorrer aextensão do conhecimento, que pode ser entendida como um exercício de cidadania.2.2. Comunicação e Extensão por Paulo Freire: interação com outros autores Para auxiliar na abordagem do pensamento freiriano, sobre extensão e comunicação,têm-se como escolha a obra Extensão ou Comunicação? (1971), em que Freire afirma aextensão rural como uma forma de manipulação e invasão cultural. No estudo sobre determinado processo de extensão rural para o qual foi convidado aparticipar, Freire realizou reflexões sobre a metodologia de ação utilizada por técnicosagrônomos originários dos EUA. Os profissionais responsáveis foram encarregados paradisseminar o processo de agilização da atividade agrária, para modernização da agricultura noChile. A reflexão do autor sobre a observação do trabalho de extensão rural realizado permitea compreensão sobre a distinção entre os conceitos de extensão e comunicação, possibilitandoum entendimento singular para cada um desses termos. Na análise de Paulo Freire sobre a metodologia aplicada no processo de extensão rural,é possível compreender que, neste processo, ocorre a manipulação e a invasão cultural na
  30. 30. 29ação do técnico que pretende oferecer, aos trabalhadores, conhecimentos capazes de melhorara ação produtiva dos agricultores. Analisando a comunicação realizada entre agrônomo e agricultores, Freire identifica apalestra como o principal método utilizado, e o define como um recurso inadequado para acomunicação, caracterizado pelo monólogo e não pelo diálogo. Nesta metodologia descartadaa reciprocidade de conhecimentos, ou seja, a troca de experiências provenientes do saber,prevalecendo somente a recepção passiva. À luz da concepção freiriana de extensão e comunicação, o monólogo é uminstrumento unicamente de transferência de informações, devendo ser entendido como umobstáculo para a articulação de argumentos entre um indivíduo e outro, e como empecilhopara a troca de experiências estabelecida pelo diálogo. Para Freire (1971, p.66), “acomunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida. [...] Na comunicaçãonão há sujeitos passivos”. Por conseguinte, o diálogo problematizador é evidenciado como o recurso maisadequado para a ação extensionista, e para o caso da extensão analisado, é considerado ummétodo que permitiria diminuir a distância entre a expressão significativa do agrônomo, e apercepção dos agricultores em torno dos significados. Reafirmando a concepção freiriana da comunicação, e enfatizando a interatividadeentre os participantes, Melo (1998, p.277) esclarece que, “a relação diálogo-comunicativoimplica num acordo entre os sujeitos do significado do objeto”. E comenta que “para que hajaesse acordo torna-se indispensável uma permanente articulação dos sujeitos que secomunicam, numa tentativa de lograr a compreensão do conteúdo da comunicação”. Assim, a interação do saber entre as pessoas, e a oportunidade para a participaçãomútua na fala são apresentadas como fatores determinantes da comunicação, e também daconvergência entre o entendimento do significado do objeto de ambos os participantes do
  31. 31. 30trabalho de extensão (locutor e espectador), proporcionadora de uma comunicação integral,determinante do processo de compreensão do outro. Melo (1998, p.278) diz que, “eu só posso obter uma comunicação integral na medidaem que sou capaz de me colocar empaticamente diante dos condicionamentos sócio-culturaisdo meu interlocutor, e vice e versa”. Dessa maneira, a comunicação será plena, caracterizada pelo diálogo e não pelomonólogo, sendo possível identificar a participação de todos. Acontece a interlocução porparte daqueles que participam do processo comunicativo e de extensão do saber; oconhecimento da realidade social e cultural do outro; e até mesmo, a experiência de conviverou ter convivido com essa realidade. Para Freire (1971, p.69), “a educação é comunicação, é diálogo, na medida em quenão é a transferência de saber”. Considera-se que é possível educar por meio da extensão, e apartir dela, levar adiante e aprimorar conhecimentos. Entretanto, entende-se que ametodologia observada nas atividades de extensão rural, é identificada como isenta daessência educativa. Observou-se que o trabalho realizado é resumido ao simples ato detransferência de informações, em que não ocorre o diálogo, a comunicação. É possível correlacionar também à concepção freiriana de comunicação, a abordagemde Pereira (2005) em que a comunicação é definida como uma disciplina. Deve ser estudada econscientemente praticada pelo homem, que não mais a entenderá como uma simples práticacotidiana. É evidenciada a humanização e o senso crítico dos participantes do diálogo para alegitimação do processo comunicativo. Freire (1971) não hesita em denunciar a susceptibilidade da realização doextensionismo por meio de técnicas de propaganda, e de persuasão. Assinala também e o riscoda manipulação intelectual e invasão cultural. Trata-se de um alerta preventivo do que podeacontecer com a ação extensionista, em virtude da sua tendência à prevalência do simplismo
  32. 32. 31da transferência de informação não interativa. Referindo-se aos técnicos da extensão rural,Freire ainda explica que Ao sentir as primeiras dificuldades em sua tentativa de comunicação com os camponeses, não percebem que estas dificuldades, entre outras causas, têm ainda esta: o processo de comunicação humana não pode estar isento dos condicionamentos sócio-culturais. Então, em lugar de levar essa verdade em conta, a refletir sobre os condicionamentos sócio-culturais dos camponeses, que não são os seus, simplificam a questão e concluem pela incapacidade dialógica dos camponeses. (Freire, 1971, p.73) Considerando o pensamento freiriano sobre o método aplicado na extensãoexemplificada, e sua concepção sobre comunicação anteriormente apresentada, é possívelperceber que, de acordo com o autor, a diferença entre extensão e comunicação é estabelecidaa partir do momento em que, a extensão é realizada por meio do processo metodológicoutilizado na extensão rural, que é o monólogo. Semelhante a Freire, Melo (1998) também distingue extensão de comunicação, e amanipulação de comportamentos é evidenciada como característica da extensão realizadaatravés do monólogo; e quanto à comunicação, é conferido o humanismo e a participação dopúblico alvo. Os conceitos de comunicação e extensão são distinguidos a fim de que, a palavraextensão enquanto simples transmissão de informação não seja comparada com o termocomunicação. A comunicação é definida como propulsora da compreensão mútua do significado. Noque diz respeito à idéia de participação e de troca de conhecimento, a vida em sociedade éabordada como resultante da comunicação, que é enfatizada como um processo social básicoe primário por Pereira (2005), sendo atribuído ao convívio social o significado de sociedade,troca e intercâmbio. A comunicação é apresentada, desta forma, como instrumentoimprescindível e determinante para a socialização do indivíduo.
  33. 33. 322.3. A relevância do diálogo para a comunicação interativa A superação do desamor e do comodismo diante da ausência do dialogo no processode educação e comunicação é assinalada por Freire (1967). A prática do diálogo é reconhecidacomo uma forma de estimular o sujeito a usufruir da sua capacidade cognitiva e do seupotencial de realização. Evidencia-se a necessidade do discurso interativo para odesenvolvimento humano e social. O desenvolvimento de um sistema de capacitação do homem para o uso de suasfunções intelectuais é comentado por Melo (1998) que identifica a pedagogia da comunicaçãoreferida por Freire, como um meio para realização do ensino e aprendizagem através daparticipação e interatividade. A preocupação com a inexperiência democrática, com a incomunicação, e com omutismo brasileiro, é enfatizada por Melo (1998) como determinante da pedagogia dacomunicação. É conferida ao ato comunicativo uma interligação à questão política, aconsolidação da democracia é relatada como necessária para a comunicação participativa. Apreocupação com a não participação do indivíduo nos processos comunicativos e sociais, écitada como fundamento da pedagogia da comunicação freiriana. Conforme Freire (1967, p.66), “o Brasil nasceu e cresceu sem experiência de diálogo.De cabeça baixa, com receio da Coroa. Sem imprensa. Sem relações. Sem escolas. Doente.Sem fala autentica”. A obediência e o conformismo às condições sociais impostas no início daconstituição da sociedade brasileira são citados como representação do silêncio e dapassividade do povo brasileiro nos processos de comunicação. A negação da comunicação participativa nas sociedades determina a ausência deoportunidade de manifestação da capacidade de percepção crítica dos indivíduos, quanto aocontexto social em que estão inseridos.
  34. 34. 33 O potencial de contextualização e análise crítica da realidade social da qual se fazparte, resulta da iniciativa dialógica e de comunicação adotada pela sociedade. A prevalênciado mutismo social é mencionada por Freire (1967) à recusa ao diálogo-comunicação, e àadesão da imposição comunicativa resultante de compulsão ou doação. Voltando ao crescimento e desenvolvimento do Brasil sem experiência de diálogo, opredomínio do mutismo, e a não participação na solução de problemas comuns são referidospor Freire (1967) como conseqüência da restrição de vivência comunicativa. Trata-se de uma reflexão que representa, por exemplo, o monólogo da extensão rural,procedimento metodológico entendido como inibidor da manifestação do potencial deargumento do sujeito. O diálogo é reconhecido como um mecanismo de atuação possível de tornar oindivíduo autor da solução de problemas comuns no decorrer da vida. Não havendooportunidade de exercê-lo, é impossibilitada a participação social. A natureza da pedagogia da comunicação assinalada por Melo (1998) pode sercompreendida como uma comunhão comunicativa, o que implica numa pedagogia aberta, empermanente reelaboração. É atribuída à pedagogia da comunicação, a idéia de algocompartilhado, assim como, a idéia de participação e de tornar comum a interlocução, quequanto mais intensa e ampla, mais abrangente será a interação entre os seus participantes. Entretanto, Melo (1998, p.264) esclarece que, “Paulo Freire adverte para o possívelequívoco de se confundir o amaciamento das relações humanas com a autêntica comunicação,o diálogo. Mesmo quando as relações humanas se façam, em certo aspecto, macias, no grandedomínio não há diálogo. Há paternalismo”. É chamada a atenção para que a comunicação interativa, ou seja, a prática do diálogonão seja descuidada em virtude da harmonia existente nas relações sociais, objetivando assima participação crítica dos sujeitos. A preocupação com a falsa liberdade de discurso é
  35. 35. 34evidenciada como necessária para a percepção e descoberta de propósitos implicitamentedirigidos ao usufruto individual da eficácia comunicativa. Ao ressaltar a correlação entre comunicação e extensão é relevante destacar o cuidadonecessário para que o ato comunicativo não seja moldado à concepção bancária de educação,refletido por Paulo Freire, e comentado por Melo (1998), que proporcionam a compreensão deque na concepção bancária de educação, o educador em lugar de comunicar-se, depositaconteúdos preestabelecidos no educando, transformando a educação em um ato de depositar, ede simplesmente transmitir conhecimentos. A passividade comunicativa é ressaltada nesse tipo de educação, em que é refletida arecepção passiva de informações e não há interlocução, mas sim, despejo de informações parao ouvinte, que não participa e é impossibilitado de manifestar sua concepção crítica a respeitodo conteúdo exposto. A transmissão excessiva de informações e a mensuração do conhecimento sãocaracterísticas da concepção de educação bancária abordada por Freire (1979). Trata-se de umtipo de educação cuja fundamentação é o princípio de que quanto mais se dá mais se sabe. Entretanto, é afirmado que o resultado de experiência realizada com este tipo desistema educativo, é a formação de indivíduos comuns, que não se destacam na atuaçãosocial, o que significa que quando não há estímulo não há criação, nem participação. Para destacar a qualidade da comunicação realizada por meio da interatividade, assimcomo, realçar o sucesso alcançado na compreensão da mensagem vale ressaltar que, Da Silva(1997, p. 30) diz que “quanto mais elevada, melhor o nível da comunicação, melhor aelaboração dos juízos comunicativos”. O diálogo e a interatividade são mencionados comofatores que determinam o nível da comunicação, a percepção crítica e consciente damensagem e a sua repercussão, que são estabelecidos através do processo comunicativo.
  36. 36. 35 O potencial de interpretação para usar a razão por conta própria, é assinalado porDuarte (2007) como fator determinante da preparação do indivíduo para se comunicar. Acapacidade de senso crítico e a opinião própria são assinaladas como pré-requisitos para acomunicação. A compreensão de que o convencimento sobre algo ou determinado assunto sejaoriundo do senso crítico e da consciência do sujeito, e não da manipulação intelectual umacomunicação em que os participantes têm o potencial de discernir as melhores escolhas, e dedecidir pelo destino de suas vidas na sociedade. A seleção qualitativa do conteúdo para aprática comunicativa é evidenciada como possibilitadora da capacitação do individuo para aatuação social. A prática dialógica entre os membros do processo de comunicação e extensão, referidapor Freire, a fim de extinguir o monólogo em que é estabelecida a ordem educador -educando, é também assinalada por Melo (1998), que favorece a compreensão de que asuperação da contradição dessa relação, é identificada como exigência primordial para queseja estabelecida a pedagogia da comunicação, o que implica na reversão dos papéis deeducador e educando e na concomitância destes. Para chamar a atenção quanto à necessidade imediata de estimular o senso crítico e aexpressão da opinião própria dos participantes da comunicação, e para afirmar o potencial dedecisão, desenvolvimento, e superação social do indivíduo, Freire fala que o desenvolvimento de uma consciência crítica que permite ao homem transformar a realidade se faz cada vez mais urgente. Na medida em que os homens, dentro de sua sociedade, vão respondendo aos desafios do mundo, vão fazendo história pela sua própria atividade criadora. (Freire, 1979, p.33) A capacitação humana que pode ser proporcionada através da comunicaçãoparticipativa é reconhecida como possibilitadora de transformações social.
  37. 37. 36 Na busca pela interatividade e pela participação consciente, são identificadasmetodologias admitidas por Freire e referidas por Melo (1998), para o processo decomunicação e extensão de conhecimentos. A multiplicidade de canais visuais, pictóricos,gráficos, auditivos e cinéticos, e também a realização de leituras e discussões de artigos derevistas, jornais, e capítulos de livros, são recursos e metodologias sugeridos. O dinamismo eo estímulo a participação característicos desses métodos são fatores determinantes dacomunicação interativa. Ainda sobre a interação comunicativa, caracterizada pelo diálogo entre os participantesdo processo de comunicação e extensão, e suscitada por Freire (1971), é possível afirmar quea admiração consensual dos interlocutores pelo objeto de estudo é destacada como exigênciapara a eficiência comunicativa, além da utilização de signos lingüísticos correspondentes àrealidade contextual de ambos, a fim da compreensão mútua e semelhante. Referindo-se à comunicação como prática resultante do diálogo, e consequentemente,como propiciadora de uma extensão idealizada, Freire interroga e concomitantemente afirma: E o que é o diálogo? É uma relação horizontal de A com B. Nasce de uma matriz crítica e gera criticidade. Nutre-se do amor, da humildade, da esperança, da fé, da confiança. Por isso, só o diálogo comunica. E quando os dois pólos do diálogo se ligam com amor, com esperança, com fé um no outro, se fazem críticos na busca de algo. Instala-se, então, uma relação de simpatia entre ambos. Só aí há comunicação. (Freire, 1967, p. 107) É possível compreender que Paulo Freire preconiza, através da comunicação por eledefinida, uma extensão do saber cuja metodologia é o diálogo, caracterizado pelahumanização, e isenção de hierarquia, originadas da prática da comunicação educativa econsciente, e propiciador da manifestação do poder de crítica. A comunicação é atribuída exclusivamente ao diálogo. A interação comunicacional éabordada por Kaplún (1999) que confirma a imprescindibilidade do diálogo no processocomunicativo. Comunicação e educação são correlacionadas no sentido de que, a
  38. 38. 37multiplicidade de fluxos comunicativos facilita o ato de educar, da mesma forma que acomunicação educativa é concebida a partir do diálogo. Ao afirmar que a ação extensionista envolve, qualquer que seja o setor em que serealize, a necessidade que sentem aqueles que a fazem, de ir até a outra parte do mundo,considerada inferior, para, à sua maneira, normalizá-la, Freire (1971) tenta atrair a percepçãodo leitor para uma realidade inevitável, porém, reversível. Por isso, é importante que aextensão seja entendida e realizada como uma tentativa de mudança da cultura da submissão,do sujeito passivo e sem voz, para uma cultura de participação, de interlocução.2.4. Comunicação e Cidadania O debate sobre a potencialidade da interlocução e da participação mútua nos processosde comunicação e extensão, propõe discussão sobre cidadania. Referindo-se a Freire, Duarte(2007) enfatiza que suas contribuições permanecem atuais, destacando-se, principalmente, aforma única de tratar a comunicação, dando a ela uma dimensão política da igualdade, e daausência da relação desigual de poder e de dominação. A idéia de igualdade e de ausência do domínio da comunicação aproxima-se dacompreensão do conceito de cidadania como um “exercício de direitos” (Ferreira, 1988,p.150), visto que, a interlocução característica da ação comunicativa permite a interlocução deambos os participantes. A relação entre comunicação e cidadania, é assinalada como proveniente dainterligação da comunicação à questão política, e para enfatizar a contextualização dessainterligação nas sociedades, a conquista de ter direito a voz, e o direito de pronunciar suapalavra, é destacada por Santos (1999) como o grande desafio político das sociedades, fatoque remete á comunicação uma dimensão política.
  39. 39. 38 Para a ampliação da compreensão quanto à relação entre comunicação e cidadania,vale ainda ressaltar Freire (apud DE LIMA, 2001, p.66) que diz que “o homem que é sujeitode suas próprias opções, é um homem que projeta livremente o seu próprio destino”.Evidencia-se assim uma reafirmação do potencial de escolha e decisão do indivíduo. Entretanto, a liberdade de expressão que determina a prática comunicativa, ésusceptível a interrupções de aspectos político. O direito à comunicação é correlacionado porDuarte (2007) à participação do indivíduo como sujeito ativo em todas as fases do processo decomunicação, o que o torna também, autor da prática comunicativa, e o que confirma a idéiade que comunicar seja o direito da pessoa se manifestar, e ser ouvida. A comunicação é assinalada como construtora da cidadania. A participação éconsiderada por Duarte (2007) um instrumento estratégico de desenvolvimento de um país,podendo ser citada a competência humana de produzir e utilizar o conhecimento, e a suainterligação com o ato de participar. É atribuída uma interligação à prática de produzir e aplicar o conhecimento com o atode participar. A criação de novos conhecimentos e a viabilização de conquistas são conferidasà participação, o que sintetiza a importância da comunicação para o desenvolvimento social. Considerando a interligação entre comunicação e cidadania, a comunicação éargumentada por Duarte (2007) como uma importante ferramenta na dinâmica de vivência dacidadania, e ao dinamismo comunicativo, são remetidos a viabilização do acesso àinformação, e o estímulo a debates das questões públicas. A consolidação da cidadania é afirmada por Peruzzo(1998) como resultante docomprometimento das pessoas, e o envolvimento destas às questões sociais é definido comouma iniciativa determinante da participação característica da cidadania. A potencialidade do termo participação no regimento das sociedades é abordada porPeruzzo (1998) na explanação de que todos os homens têm o direito de participar livremente
  40. 40. 39da vida na comunidade e, por outro lado, têm deveres para com esta mesma comunidade, naqual é possível o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade. Para a autora trata-se de uma reflexão que permite não somente a idéia de privilégios ou consentimento para exigências, mas também de cumprimento do compromisso e obrigatoriedade social. O processo de participação do individuo no regimento da sociedade é afirmado como proveniente de decisões dos governantes, e da capacidade de reivindicação, com vista a realização do dever de contribuir na construção social. (Peruzzo, 1998, p.275) A ênfase sobre a eficácia dos resultados da conjugação de forças dos indivíduos paraas conquistas sociais, e o cumprimento de direitos e deveres pelos membros da sociedade sãoargumentados por Peruzzo (1998, p.275) ao referir-se ao conceito de cidadania afirmando que Cidadania é a qualidade de uma sociedade organizada sob a forma de direitos e deveres majoritariamente reconhecidos. Trata-se de uma das conquistas mais importantes na história. Cidadania pressupõe, pelo menos na teoria, igualdade de todos perante a lei, e o reconhecimento de que a pessoa humana e a sociedade são detentores inalienáveis de direitos e deveres. (Peruzzo, 1998, p.275) A prevalência de uma cidadania somente teoricamente preconcebida não é descartada,e da mesma forma, a garantia dos direitos e dos deveres teoricamente prescrita, não pode, naprática, ser corrompida. O condicionamento e a determinação das decisões políticas pelos fatos ocorridos nasociedade civil são relatados por Bobbio (1992), sendo suscitada a compreensão de que, aconquista da democracia torna a esfera política (onde são tomadas decisões de interessecoletivo) incluída na sociedade, o que implica no compartilhamento de decisões com asociedade, e favorece para que o índice de desenvolvimento democrático não seja mensurado
  41. 41. 40pelo número de pessoas que têm o direito de votar, mas sim, pelo número de vezes (instâncias) que elas possam exercer o direito de participar. A constituição da cidadania é fundamentada, conforme Peruzzo (1998), por três tiposde direitos, e a classificação destes é por ela assinalada como possíveis de representação, ounão, de maneira mais abrangente ou mais restrita: são os direitos civis, políticos e sociais.Peruzzo explica que: Os direitos civis são os que dizem respeito à liberdade individual, sendo responsável por eles o sistema judiciário. Os políticos são os que se ligam ao exercício do poder, cabendo sua salvaguarda, às organizações parlamentares. Os sociais são os que se relacionam com o nível de vida e o patrimônio social, cuja promoção compete aos serviços para isso existentes e à estrutura educacional. (Peruzzo, 1998, p.286) Além de classificar e descrever as competências atribuídas aos direitos definidos comoconstituintes da cidadania, a autora também possibilita o esclarecimento sobre o conceito decidadão, ao qual é atribuído a condição de possuir direitos de ver-se protegido legalmente,locomover-se, interferir na dinâmica política, de votar e ser votado, além dos direitos demoradia e alimentação digna, educação, emprego e participação. A aquisição de direitos em nível legal é uma conquista social pontuada por Duarte(2007). Entretanto, a participação política limitada na discussão e decisão de questões deinteresse coletivo, os problemas gerados pela concentração de renda, e o difícil acesso àeducação formal básica, são assinalados como situações que refletem a precariedade dademocratização socioeconômica. Apesar dos avanços ocorridos ao longo dos últimos anos quanto à organização e àparticipação da sociedade civil nos temas políticos, é possível afirmar que no Brasil ointeresse pela política ainda permanece restrito a períodos específicos como durante aseleições, ou na discussão de temas de interesse nacional suscitados pela mídia. Para Demo(1995, p.16), esta situação demonstra certa pobreza política por parte da sociedade, ou seja, “a
  42. 42. 41falta de participação, a coerção da conquista desta, e a inconsciência histórica e imposta dasociedade de autodeterminação”. Ainda sobre a participação política na Brasil Demo (2000, p.35), atribui à sociedadebrasileira a incapacidade de conquistar seu espaço próprio e criativo, pois “serve de massa demanobra nas mãos de uma oligarquia tão restrita quanto tacanha”. Dessa forma, a pobrezapode ser definida muito mais como uma forma de discriminação política, com base naprodução e manutenção da ignorância, do que uma carência material. A interferência na dinâmica política destacada na concepção de cidadão e apresentadapor Peruzzo coincide com a abordagem de Duarte (2007), em que o cidadão é definido comoum sujeito capaz de interferir na ordem social em que vive, participando das questõespúblicas, debatendo e deliberando sobre elas, e o conceito de cidadania afirmado pela autorapontua o comprometimento com a coletividade, o que implica em ações de mobilização,cooperação e formação de vínculo de co-responsabilidade para com os interesses coletivos. A idéia de coletividade remetida ao conceito de cidadania pode ser entendida comouma provocação ao diálogo, ou seja, a ação comunicativa. Duarte (2007) ressalta a plenitudecomunicativa como propulsora da consolidação da cidadania, e comenta que comunicação e cidadania são conceitos interligados, cujo o crescimento e aperfeiçoamento reforçam a existência mútua. A comunicação deve ser plena a tal ponto que possa oferecer ao cidadão condições de se expressar enquanto personalidade crítica e autônoma, emancipar-se e compreender-se, de modo a fomentar uma capacidade de organização e mobilização dos sujeitos que consistirá, na concretização de uma cidadania ativa, fruto do aprendizado, da produção coletiva de saberes, capaz de romper formas de exclusão e encontrar caminho e modelos próprios de organização da vida coletiva. (Duarte, 2007, p.113) A interligação entre comunicação e cidadania é definida como representação mútuadas mensagens políticas, que favorecem, por um lado, a publicidade dos negócios e atospúblicos para que eles sejam compreendidos pelos cidadãos, e por outro, que os políticos
  43. 43. 42possam tomar conhecimento e entender as atitudes e reações do público e de seusrepresentados. A existência do direito político como a liberdade de imprensa e de propaganda éreferida por Cotta (2000), como determinante da permissão para a formação e a representaçãoda vontade política. Por fim, é possível afirmar que a cidadania pode também ser considerada num sentidomais amplo, como a cidadania mencionada por Souza, Garcia e Carvalho (1998), que requersimultaneamente o gozo dos direitos e o cumprimento dos deveres inerentes à participação navida da sociedade. Assim sendo, o novo cidadão busca pertencer ao sistema sociopolítico,como também, o direito de participar da redemocratização e do processo de reaprendizado dacidadania.
  44. 44. 433. Os projetos de extensão do Curso de Comunicação Social da UNEB – Campus XIV A compreensão sobre a docência, sobre suas finalidades e os métodos de ensino éexplicitada por Pimenta e Anastasiou (2002) como fator determinante da valorização doensino superior. A atuação e as ações da universidade na sociedade são identificadas como requeríveisde análise e crítica do cumprimento do compromisso social, e da relação da instituiçãouniversitária com a sociedade em que está inserida. A criação, o desenvolvimento, a transmissão da ciência e da técnica, a preparação parao exercício de atividades profissionais que exigem aplicação de conhecimento e métodoscientíficos, são atividades apresentadas como funções universitárias. A diversidade de metodologias para a ampliação do conhecimento científico,adquirido e produzido nas instituições de ensino, é um fator determinante da acessibilidade àeducação que pode ser fundamentada pela argumentação de Brandão (2005, p.9) ao afirmarque “não há uma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar ondeela acontece”. O potencial do indivíduo para criar condições ambientais e materiais, para arealização da extensão de ensino nas comunidades, é enfatizado por Brandão (2005, p.22) aoargumentar que “tudo o que é importante para a comunidade, existe também como algummodo de ensinar”. Cada grupo humano cria e desenvolve situações, recursos e métodos paraensina o saber. O esforço e desempenho humano para providenciar meios que possibilitem o acessoao conhecimento, assim como, uma relação interativa e social entre comunidade e instituiçõeseducativas, são iniciativas que podem ser entendidas como propiciadoras de umareciprocidade entre as suas necessidades locais, e a oportunidade acadêmica para aaplicabilidade do conhecimento científico e apuração do efeito de resposta deste na sociedade.
  45. 45. 44 A socialização humana e o reconhecimento dos sujeitos como os próprios e osprincipais atores desse processo, são fatores mencionados por Brandão (2005), comodeterminantes da caracterização de planos e projetos construtores do progresso social, quereflete a importância e a valorização atribuída ao intercâmbio entre universidade e sociedade. A instituição educativa e a sociedade são evidenciadas como espaços que podem serconsideradas importantes para a manifestação de ações que visem o desenvolvimento dasfaculdades inatas do individuo, sua capacidade de atuação e contribuição na construção social. No que diz respeito à estrutura da sociedade Brandão (2005) torna possível acompreensão de que a interação entre a comunidade e a universidade, é uma prática socialconstitutiva e proporcionadora do crescimento social, o que pode resultar no fortalecimentoprodutivo da coletividade, através da transmissão de informações sobre a relevância daadoção de atitudes socialmente transformadoras. Considerando a ênfase sobre a importância da relação socialmente interativa entreuniversidade e comunidade, para o desenvolvimento social, a análise dos projetos de extensãorealizados pelo Curso de Comunicação Social da UNEB - Campus XIV, propõe aidentificação da atuação e do comprometimento da Instituição Educativa com aresponsabilidade social. São apresentados os projetos de extensão do Curso de Comunicação Social da UNEB -Campus XIV, efetuados no período entre o mês de outubro do ano de 2006, e o mês deoutubro do ano de 2009. A análise crítica dos projetos de extensão é possibilitada pelaconcepção e compreensão sobre extensão, comunicação e cidadania, possibilitada no CapítuloII desta monografia. Não se trata de uma pesquisa quantitativa e nem mesmo de causa e efeito dessas açõesna sociedade, mas sim, de uma análise dos projetos a partir dos seus objetivos e propostasmetodológicas, da relação destes com uma possível contribuição para a promoção da
  46. 46. 45cidadania na Região Sisaleira. Portanto, é realizada a descrição dos projetos, seus objetivos epropostas metodológicas.3.1. Projeto de Extensão: Assessoria de Imprensa (outubro 2006) Coordenação: Nisia Alejandra Rizzo de Azevedo Projeto que enfatiza a contextualização da teoria e da prática da assessoria deimprensa, o aperfeiçoamento da formação profissional de estudantes de comunicação e áreasafins, jovens comunicadores da Região Sisaleira, e a necessidade de contribuição naprofissionalização do trabalho de assessoria de imprensa nas organizações desta região, razãomotivadora da sua criação. Objetivo geral: Desenvolver uma oficina de caráter teórico e prático, de modo que os participantes discutam conceitos básicos de assessoria de imprensa, pesquisem a realidade dos meios de comunicação e vivenciem as diversas etapas do trabalho de assessoria de imprensa. Objetivos específicos: Complementar a formação de estudantes de comunicação de diversas habilitações que ainda não estudaram a disciplina assessoria de imprensa. Praticar a comunicação dirigida escrita direcionada à imprensa: produção de diversas modalidades de relises, procurando responder aos critérios de noticiabilidade dos veículos de comunicação. Elaborar planos de divulgação em assessoria de imprensa. Orientar na preparação do assessorado para lidar com a imprensa.
  47. 47. 46 Discutir estratégias de relacionamento ético e profissional com a imprensa. Metodologia: Aulas expositivas/ participativas. Discussão em sala de aula. Atividades em grupos e individuais. Trabalho de campo. Pesquisas na internet. Análise e produção de textos.3.2. Projeto de extensão: Marketing: A Publicidade como Instrumento deSustentabilidade das Empresas (março 2007) Coordenação: Vilbégina Monteiro dos Santos Proposta de capacitação de estudantes e profissionais de comunicação, empresários daregião e integrantes de entidades do terceiro setor, na promoção da sustentabilidade deempresa de comunicação com perfil notadamente comunitário e, ou educativo, através dasferramentas do Marketing Relacionado à Causa. Objetivos: Aprimorar as relações de comunicação e consumo, em busca da harmonia entre o bem estar social e o interesse privado. Capacitar os alunos a desenvolverem estratégias de comunicação usando a sustentabilidade das empresas de perfil educativo e/ou comunitário. Transmitir noções teóricas sobre marketing, publicidade e os processos envolvidos na elaboração de uma política de comercial de empresas. Metodologia:
  48. 48. 47 Aulas expositivas, trabalhos em equipes, recursos multimídia (DVD, CD, etc.), revistas especializadas. 3.3. Projeto de extensão: I Mostra de cinema e vídeo da UNEB/Coité Olhares sobre a América Latina (setembro de 2007) Coordenação: Vilbégina Monteiro e Rogério Silva Iniciativa tomada tendo em vista a democratização do conhecimento e da produçãocinematográfica, e a carência de um espaço público de exibição audiovisual na RegiãoSisaleira. Propõe a exibição, discussão e análise da produção cinematográfica, contextualizada eorientada por professores, além de incluir também a exibição de documentários e curtas -metragens, tendo como público alvo docentes, discentes e comunidades externas. Objetivo geral: Promover no ambiente acadêmico a reflexão crítica, a partir da produção cinematográfica e audiovisual. Objetivos específicos: Exibir, discutir e analisar obras cinematográficas e audiovisuais, a fim de promover a crítica da comunidade acadêmica acerca de problemas relacionados às áreas humanas e sociais. Promover um maior acesso dos alunos às produções cinematográficas, tendo em vista a não existência de salas de exibição na região. Propiciar a interdisciplinaridade através de discussões transversais relacionadas a essas produções. Metodologia:
  49. 49. 48 A consecução desse projeto funcionará a partir de duas etapas: Preparação e execução a partir das seguintes ações: Eleição de um tema de interesse entre diversas disciplinas e cursos. Escolha de uma lista de filmes, documentário e/ou curtas-metragens que abordem esse tema de forma interdisciplinar. Escolha de palestrantes ( professores, estudiosos, artistas) que possam falar sobre os filmes e provocar discussões de assuntos variados, dentro de uma temática definida a partir do interesse levantado. O evento será desenvolvido uma vez por ano durante quatro dias da semana, definidos a partir de acertos com os professores, para que possam liberar os alunos de suas salas. Serão exibidos filmes em horários alternados (vespertino das 14:00 às 16:00h e noturno, 19:00 às 21:00h) de forma que possa beneficiar tanto o público noturno quanto o vespertino, e um horário intermediário (das 16:00 às 18:00h), beneficiando a discussão interdisciplinar com a presença dos cursos de Letras, Comunicação e História. Após exibição do filme um professor, estudioso ou artista analisará o que foi exibido, provocando em seguida o debate entre os participantes.3.4. Projeto de extensão: I Semana de Comunicação da UNEB - Campus XIX (setembro2008)Coordenação: Vilbégina Monteiro dos Santos e Nísia Rizzo Tema: Radialismo: mercado e perspectivas.
  50. 50. 49 Proposta de debate sobre as perspectivas do mercado de trabalho para a área decomunicação na região. Objetivo: Promover o contato entre estudantes, professores, profissionais e estudiosos das mais diversas áreas da comunicação, além de debater as perspectivas do mercado de trabalho para o futuro profissional de comunicação, através da contextualização da realidade local. Metodologia: Palestras, oficinas. 3.5. Projeto de extensão: “ Observatório de Mídia Sisaleira” ( junho 2009) Coordenação: Nisia Rizzo de Azevedo Projeto com a pretensão de proporcionar aos alunos de comunicação umaformação acadêmica constituída pela critica de mídia como um instrumento de integraçãocom a comunidade, e construção de propostas de mudança social. Visa a capacitação doestudante para a contribuição na criação de discursos jornalísticos representantes da realidadesocial. Objetivo:Complementar a formação oferecida pelo Curso de Comunicação Social e, maisespecificamente, praticando o monitoramento de conteúdos transmitidos pelos meios decomunicação; sugerindo a abordagem de assuntos que enfoquem o respeito do direito docidadão a informação; e orientando os jornalistas da região a proceder de modo ético notratamento da informação. Metodologia:
  51. 51. 50 A metodologia priorizada neste projeto foi o enquadramento, e a delimitação temática no que diz respeito a forma como a própria região e seus habitantes são representados nos veículos de comunicação local, sendo também indicado a análise de conteúdo e a análise de discurso, através de grupo de estudo. 3.6. Projeto de extensão: II Semana de Comunicação da UNEB - Campus XIV(Julho 2009)Coordenação: Colegiado de Comunicação Social Com o tema Comunicação e Cidadania, e a proposta de realização do 7º Seminário deDemocratização da Comunicação na Região Sisaleira / Políticas Públicas de Comunicação:Desenvolvimento Territorial e Cidadania, o projeto visa o discurso sobre a inserção doprofissional em outros setores, e não somente nos grandes meios e veículos de comunicaçãode massa. É dirigido a estudantes de comunicação, professores, profissionais de comunicação edemais pessoas interessadas no tema, além de representantes de órgãos públicos. É proposta uma reflexão sobre a preocupação com a formação acadêmica dos alunos,demonstrando que o curso investe na formação ética dos futuros profissionais. Objetivo geral: Promover o contato dos estudantes com outros setores de atuação na comunicação, que não sejam apenas os grandes veículos da comunicação. Além de promover uma discussão sobre a comunicação na Região Sisaleira, e discutir os desafios e perspectivas do curso de Rádio/TV da UNEB - Campus

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