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O ego consciente.O ego não apenas possui a capacidade de estar no meio das situaçõesda vida e reagir a elas, como também a...
Os complexos.Para o Dr. Jung a psique em si não é uma unidade indivisível, mas um tododivisível e mais ou menos dividido. ...
Todos nós temos complexos e é necessário que eles existam pois sem eleshaveria uma ausência de conflitos e, consequentemen...
Os arquétipos.Todos os animais têm suas posturas de ataque, suas posturas de defesa, deacasalamento, comportam-se de um mo...
Não se sabe se o número de tais arquétipos é limitado, pré-fixado, ou se podeesse número aumentar. Não dispomos de meios d...
O Herói.Quando lemos um mito sem ideias preconcebidas e com sentimento, partimos sempre da idéiade que a pessoa no centro ...
Comparado com outros animais de sangue quente, o ser humano é impar, na medida em quedesenvolveu uma forma específica e fo...
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Anima e Animus.Uma das maiores contribuições de Jung foi a demonstração de que o ser humano éandrógino, o que significa qu...
O Self.A realização do Self é algo problemático para a consciência cristã tradicional. Aconsciência cristã típica tem sido...
É bom lembrar também que os termos ego, persona, sombra, anima, animus eSelf, não devem ser entendidos como meros conceito...
Os Sonhos.Milhões de pessoas hoje em dia procuram saber mais a respeito de si mesmas. Queremsaber quem são para poderem se...
A Era de Aquário.Nós podemos ter uma ideia do mito que enforma uma sociedade pelo seu edifíciomais alto. Ao nos aproximarm...
ADVERTÊNCIAEste resumo não tem nada de original. É uma colcha de retalhos confeccionada com trechos dos livros relacionado...
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  1. 1. Software JunguianoO InconscienteO ego conscienteOs ComplexosOs arquétiposO HeróiIndividuaçãoPersona e SombraAnima e AnimusO SelfOs SonhosA Era de AquárioAdvertência Bibliografia
  2. 2. Software JunguianoA ciência que estuda a psique humana, o nosso “software”, é a psicologia.Dentro da psicologia existem várias escolas e cada uma delas tem o seumodelo da psique. Aqui, vamos ver o modelo da psique da psicologiajunguiana, o “software junguiano”.
  3. 3. O Inconsciente.Uma das maiores descobertas do século XX foi a do inconsciente.Descoberta que duplicou nossa visão de mundo. Sabemos hoje que a psiquehumana divide-se em duas partes: consciente e inconsciente, sendo esta amais ampla. Nossa psique inconsciente poderia ser comparada a umcomputador repleto de informações; a psique consciente, por sua vez, sóseria capaz de captar o pequeno conjunto de dados visíveis na tela numdado momento. Essa tela, nosso campo consciente, está sempre mudando.Aquilo que é consciente num momento pode ser inconsciente no momentoseguinte. Quando nos perguntamos: “Por que estou me sentindo assim?” ou“O que está se passando na minha cabeça?”, estamos tentando trazerinformações do inconsciente para a consciência. É como se soubéssemosque a solução está em algum lugar dentro do computador, mas nãoconseguimos fazê-la aparecer na tela.O inconsciente é tudo aquilo que é psíquico, mas que não é consciente.Trata-se de um conceito negativo. Usamos esse conceito negativo paraevitar um preconceito. Alguns o chamam de supraconsciente, outros desubconsciente, outros ainda falam em esfera divina ou base existencial.Nomes há aos milhares. Preferimos o termo inconsciente justamente porquenão diz nada. Diz apenas que não é consciente, o que permanece ummistério. Não sabemos o que é. Sabemos apenas que há fenômenospsíquicos que se manifestam através de sonhos, alucinações ou fantasiasque não são conscientes. Um sonho, por exemplo, é um evento psíquico quenão ocorreu materialmente, ocorreu enquanto evento psíquico e é o conjuntode eventos psíquicos não conscientes que chamamos de o inconsciente.Na realidade, o termo inconsciente trata-se de uma moderna expressãotécnica para uma experiência interior que nasceu com a humanidade, aexperiência que ocorre quando algo estranho e desconhecido toma conta denós a partir de dentro de nós mesmos; quando sonhamos, temos inspiraçõese vislumbres que sabemos não terem sido “construídos” por nós, mas quevieram a nós a partir de uma psique “exterior” abrindo seu caminho até aconsciência. Em épocas anteriores esses efeitos de processos inconscienteseram atribuídos a um deus, a um demônio ou a um espírito. Essasdesignações exprimiam o sentimento de uma presença objetiva, estranha eautônoma, bem como de uma sensação de alguma coisa abarcadora a que oego teve de aprender a lidar.
  4. 4. O ego consciente.O ego não apenas possui a capacidade de estar no meio das situaçõesda vida e reagir a elas, como também a capacidade de observar a simesmo. Quando desenvolvemos a capacidade de perceber o que estáacontecendo dentro de nós, adquirimos o “ego consciente”, ou seja, aposição do ego que repara, observa e discerne conteúdos inconscientesque emergem na consciência.O ego é um conteúdo da consciência e, ao mesmo tempo, condição daconsciência, uma vez que um conteúdo psíquico é consciente na medidaem que está ligado ao ego (senão seriam inconscientes). Considerando-se, no entanto que é apenas o centro do campo da consciência, o ego nãoé idêntico à totalidade da psique, mas apenas um entre outros conteúdos.A peculiaridade do ego consiste no fato de que, diferentemente de todosos outros conteúdos ele tende a se assentar como centro da consciência.O ego corresponde àquela parte da nossa psique com a qual mais nosidentificamos. Portanto, é ele que nos dá nossa identidade consciente.Mas o ego, como dissemos, não corresponde á nossa psique total e umpasso dos mais importantes para o desenvolvimento psíquico, bem comopara a psicoterapia, será trazer à consciência os complexos inconscientes,os outros personagens e dramas (“aplicativos”) que, juntamente com oego, também fazem parte da psique humana.
  5. 5. Os complexos.Para o Dr. Jung a psique em si não é uma unidade indivisível, mas um tododivisível e mais ou menos dividido. Para ele, além do ego, complexo com o qual nosidentificamos e que seria o centro de nossa consciência, possuiríamos outroscomplexos, ou outras personalidades parciais. Podemos observar claramente essefato toda vez que somos tomados por uma grande emoção. Fazemos coisas ousomos levados a executar atos que, depois, quando voltamos ao nosso estadonormal, reprovamos ou não reconhecemos como praticados por nós. Isso éparticularmente notório em casos patológicos em que há uma clivagem dapersonalidade e podemos notar duas ou mais personalidades funcionandoindependentemente, muitas vezes uma não tomando conhecimento da outra. Seriamos complexos ou, como dizem os primitivos, outras almas e outros espíritos.Esses complexos autônomos se manifestam mais claramente quando há umrebaixamento do nível da consciência. O ego, perdendo o controle dos conteúdos doinconsciente, permite que eles se manifestem como se fossem uma outraindividualidade. Quem quer que tenha lidado com pessoas com problema dealcoolismo pensará em exemplos fáceis. A personalidade costumeira virtualmentedesaparece com a ingestão do álcool e é substituída por uma personalidaderelativamente estável que pode mostrar-se engraçada ou agressiva, ou ainda, sobalguma forma notável, diferente do estado sóbrio do ego. Quando esta outrapersonalidade emerge, “conhece” com certeza as coisas e adota atitudes quepodem mostrar-se amplamente diversa da personalidade costumeira. Embora aunidade e a coerência sejam um ideal altamente valorizado em nossa cultura, narealidade o que percebemos é uma multiplicidade de indivíduos atuantes dentro deum mesmo indivíduo, e o comportamento observado é apenas a resultante dessasdiversas tendências dentro do psiquismo.No sonho, que é a expressão imediata do inconsciente, podemos visualizar, sobforma personificada, esses complexos. Cada personagem, ou mesmo o cenário eobjetos, representa partes do mundo psíquico do sonhador. Nos sonhos essescomplexos tomam a forma de outras pessoas, conhecidas ou não, que expressamestados de ânimo, afetos ou idéias do sujeito que está sonhando. É como se osonhador fosse, ao mesmo tempo, o diretor, o protagonista e os diversospersonagens que entram em cena. Nos sonhos, os complexos tomam forma,adquirindo vida própria.
  6. 6. Todos nós temos complexos e é necessário que eles existam pois sem eleshaveria uma ausência de conflitos e, consequentemente, uma ausência deansiedade. Quando isso ocorre, caímos em um estado de apatia já que sãoeles que mobilizam e põe em movimento o fluxo vital. Quando os complexosse hipertrofiam, perturbam – como tumores – a fisiologia do psiquismo,crescendo e roubando energia do ego. A história nos mostra inúmerosexemplos de indivíduos em que esses complexos foram dominando o ego,acabando por se impor totalmente à vontade consciente, levando-os àdestruição (inflação). Diríamos que apresentam um complexo de poder: oscésares, Napoleão, Hitler; um complexo erótico: Marco Antônio, Marques deSade. O que determina a patologia é a relação dos complexos entre si edestes com o ego.Os complexos se formam a partir de experiências que dependem da históriapessoal do indivíduo. Eles se originam a partir de um trauma ou vivênciadolorosos ou mesmo, influenciados pelo contágio psíquico (pessoas de umamesma família tendem a apresentar complexos parecidos). Contudo, apesardesses aspectos puramente pessoais, que dependem das experiênciasvividas por esses indivíduos, há algo que dá forma a tais experiências, quemolda esses conglomerados de emoções e idéias segundo padrões típicosda nossa espécie humana. Por trás de nossas infinitas experiências compais concretos, incontáveis contatos com a paternidade, seja através do meupai, do pai de outras pessoas, de nossas vivências com pai, existe a idéia depai, algo impossível de ser definido, que marca a relação entre pai e filho. Ocomplexo contém, dessa forma, um núcleo inatingível, abstrato, puramenteformal, que o Dr Jung chamou arquétipo.
  7. 7. Os arquétipos.Todos os animais têm suas posturas de ataque, suas posturas de defesa, deacasalamento, comportam-se de um modo inteiramente específico que écaracterístico da espécie. O mesmo ocorre com o homem. A base de nossa psiqueconsciente é um sistema de modos herdados, instintivos, de comportamento e é issoo que entendemos por um arquétipo. O “complexo de Édipo” é um ótimo exemplo doque chamamos arquétipo. Foi o primeiro arquétipo que Freud descobriu, aliás, oprimeiro e único. Ele pensou que esse era o arquétipo. É claro que existem muitosdesses arquétipos. A mitologia grega tem uma porção deles. Mas, para Freud, oincesto era algo tão impressionante que até escolheu a expressão “complexo deÉdipo” por se tratar de um dos mais notáveis exemplos de um arquétipo de incesto.Entretanto, isso é apenas a forma masculina, pois as mulheres também têm umarquétipo de incesto. Trata-se apenas do termo para designar uma forma arquetípicade comportamento, no caso da relação de um homem, digamos, com sua mãe; masdiz igualmente respeito à relação com a filha. Podemos ver as coisas dessa oudaquela maneira. Depende.O “complexo de Édipo” existe, mas não é o único. É apenas uma entre muitas formasde comportamento. O Édipo dá-nos um excelente exemplo do comportamento de umarquétipo. É sempre uma situação total. Há uma mãe, há um pai, há um filho, há umahistória completa sobre o modo como tal situação se desenvolve e até onde pode,finalmente, levar. Um arquétipo é sempre uma espécie de drama sintetizado. Começade tal maneira, amplia-se em virtude de tal ou tal complicação e encontra o seudesfecho, a sua solução, desta ou daquela forma. Este é o modelo comum. Vejamos,por exemplo, o instinto de construção de um ninho das aves. Na forma comoconstroem um ninho existe um principio, um meio e um fim. Os ninhos são feitos parareceber apenas um determinado número de filhotes. O fim já está previsto. Esta é arazão por que, no próprio arquétipo, não existe tempo. É uma condição intemporal emque principio, meio e fim são dados em conjunto, três situações em uma só.O modo como o joão-de-barro constrói seu ninho é uma forma herdada nele, umcódigo inato que ele aplicará. São padrões inatos de comportamento. E o homem, éclaro, também tem seus padrões de comportamento ou arquétipos. É por isso que osprimitivos contam histórias do que fazem. Uma boa parte da educação processa-seatravés de contar histórias. Também nos ensinamentos da igreja católica existemmuitos milhares de santos. Eles mostram-nos como proceder, servem de modelos.Têm suas lendas e essa é a mitologia cristã. Na Grécia havia Teseu, havia Hércules,modelos de excelentes homens, de perfeitos cavalheiros, e eles nos ensinam comonos devemos comportar. São arquétipos do comportamento.
  8. 8. Não se sabe se o número de tais arquétipos é limitado, pré-fixado, ou se podeesse número aumentar. Não dispomos de meios de comparação. Sabemos queexiste um comportamento, digamos, como o incesto, ou um comportamento depoder, de pânico e assim por diante. São áreas, por assim dizer, em que existemmuitas variações. Podem expressar-se desta ou daquela maneira. E sobrepõem-se, muitas vezes é impossível dizer onde uma forma começa ou termina. Nada épreciso porque o arquétipo, em si mesmo, é completamente inconsciente e sópodemos ver os seus efeitos. Quando sabemos que uma pessoa é possuída porum arquétipo, podemos conjeturar e até prever possíveis desenvolvimentos. Pois acoisa toda terá tais e tais complicações, tais e tais desenvolvimentos, pois isso écaracterístico do comportamento de um arquétipo.Também não se sabe a origem dos arquétipos, sua natureza permanece obscura einescrutável. Isto porque sua pátria é aquele misterioso reino das sombras, oinconsciente, ao qual jamais teremos acesso direto e de cuja existência e atuaçãotemos conhecimento apenas indireto, justamente pelo nosso encontro com osarquétipos, isto é, através de suas manifestações na psique. Visto, no entanto, demaneira empírica, o arquétipo jamais nasce dentro da vida orgânica; ele surgecom a vida.O comportamento de qualquer ave ou inseto obedece a um padrão e o mesmoacontece conosco. O homem tem um determinado padrão que o tornaespecificamente humano, e nenhum homem nasce sem ele. Só que estamosprofundamente inconsciente desse fato, porque vivemos pelos nossos sentidos efora de nós mesmos. Se um homem pudesse olhar para dentro de si poderiadescobrir tudo isso. Poderia descobrir os arquétipos que dirigem ou determinam oque o homem faz.Dentre os vários complexos e arquétipos (“aplicativos”) que existem na nossapsique e determinam nosso comportamento, o primeiro que vamos tomarconsciência é o do herói. O mito do herói é o mais comum e o mais conhecido emtodo o mundo. Encontramo-lo na mitologia clássica da Grécia e de Roma, naIdade Média, no extremo Oriente e entre as tribos primitivas contemporâneas.Aparece também em nossos sonhos. Tem um poder de sedução dramática e,apesar de menos aparente, uma importância psicológica profunda. O herói, comoveremos a seguir, também pode nos ajudar a entender melhor o que nos tornadiferentes dos outros animais, ou seja, seres humanos.Os arquétipos do homem são tão instintivos quanto ahabilidade dos gansos para emigrar (em formação);como o das formigas para se organizarem emsociedades; como a dança das abelhas, que com ummovimento traseiro comunicam à colmeia a localizaçãoexata do alimento.
  9. 9. O Herói.Quando lemos um mito sem ideias preconcebidas e com sentimento, partimos sempre da idéiade que a pessoa no centro da história – o herói, a heroína – é um ser humano com quem nosidentificaremos (usualmente mulheres com mulheres e homens com homens) e de cujosofrimento participaremos.Ora, se estudarmos a psicologia das crianças, veremos que o ego pode aparecer projetado (*)como se “não fosse o meu ego”. Muitas crianças se referem objetivamente a si mesmas pelonome e não dizem “eu”, pois o seu “eu” está projetado no nome. Elas dizem: “Joãozinhoentornou o leite”. A experiência sensível de identidade com o ego está falando. Seobservarmos atentamente, verificaremos com frequência que a fase seguinte da personalidadedo ego é projetada em um ser que é tremendamente admirado. Pode ser um colega de escolaa quem a criança imita como um escravo. Poderíamos dizer que a forma futura do ego éprojetada nesse amigo. Nesse caso, é lícito afirmar que as qualidades que mais tardepertencerão ao ego desse rapaz ainda não estão identificadas, mas projetadas em outro ser.Podemos ver aí um fator de construção do ego em ação; através de um fascínio que induz aidentificação. Podemos dizer que o herói, nos mitos, tem uma imagem psicológica quedemonstra essa tendência para a construção do ego e que serve de modelo para ele. Apalavra “herói” sugere isso, pois é uma pessoa modelar. A reação de querer imitar a figura éespontânea.Para o Dr Jung o fator que constrói o complexo do ego e o mantém funcionando é o arquétipodo Self (o principal dos arquétipos). Como vimos, na personalidade humana como um todo oego é apenas uma parte. Uma grande parte da psique não é idêntica à pessoa. Jung define aatividade auto-reguladora do todo como o Self. Para ele, a saúde do indivíduo é melhor quandoo complexo do ego funciona afinado com o Self, pois nesse caso existe um mínimo relativo deperturbações neuróticas. È como se o ego significasse, pela sua própria natureza, ser, não umguia, mas um instrumento da totalidade do sistema psíquico, que funciona melhor quandoresponde às necessidades básicas instintivas dessa totalidade e, não, quando resiste a elas.(*Projeção é um mecanismo inconsciente, autônomo, pelo qual vemos primeiro nas pessoas, nos objetos e nosacontecimentos as tendências, características, potencialidades e deficiências que, na realidade, são nossas. Povoamos omundo exterior de feiticeiras, princesas, diabos e heróis do drama sepultado em nossas profundezas. A projeção do nossomundo interior no exterior não é coisa que fazemos de propósito. É simplesmente a maneira como funciona a psique. Narealidade, a projeção acontece de forma tão contínua e inconsciente que costumamos não dar tento de que ela estáacontecendo. Não obstante, tais projeções são instrumentos úteis à conquista do autoconhecimento. Contemplando asimagens que atiramos na realidade exterior, chegamos a conhecer-nos.)
  10. 10. Comparado com outros animais de sangue quente, o ser humano é impar, na medida em quedesenvolveu uma forma específica e focalizada de consciência que não será encontrada emoutros seres, pelo menos neste planeta. Os animais parecem estar limitados a seus padrõesde comportamentos (arquétipos) num grau muito mais elevado, frequentemente até o ponto dedestruição. Por exemplo: os lêmingues (pequenos roedores), como todos os outros animais,tendem a formar grupos de tempos em tempos e a migrar. Esse instinto de migração é tãoforte que eles seguem em frente, penetrando até mesmo num rio onde se afogam. Sãoincapazes de parar e de mudar de rumo. Assim, os animais não podem se desligar dessepadrão de comportamento (arquétipo), ainda que ele possa destruí-los. Pode-se observar,então, que os padrões instintivos nem sempre são positivos. Vamos imaginar que o leminguepudesse se perguntar por que ele está agindo daquela maneira, pudesse refletir sobre asituação e perceber que ele não tem nenhuma vontade de se afogar e, ainda, que poderiavoltar atrás; isso seria muito útil para ele. Essa talvez seja a razão do porque da naturezainventar o ego como um novo instrumento para nós; nós somos um instrumento novo nanatureza, pois nós temos um instrumento adicional para regular os impulsos instintivos. Nósnão vivemos apoiados somente sobre as estruturas de comportamento, mas dispomos de algomais, de um estranho aditivo conhecido como ego. A situação ideal, tanto quanto possamosdepreender, é quando o ego com certa plasticidade, obedece à regulagem central da psique(por ex., acompanhando os sonhos). Mas quando ele se endurece e torna-se autônomo,agindo de acordo com as próprias razões, geralmente aparece uma síndrome neurótica e suapersonalidade, como um todo, pode deixar de funcionar. Esse é o pesado preço que o homempaga por uma maior liberdade.Assim, o ego humano se defronta com a tentação de se desviar a tal ponto dos instintos, quedificuldades podem surgir. Logo, é tremendamente importante para a consciência humana terum modelo em mente, um padrão de como o ego pode funcionar de acordo com o resto dascondições instintivas. O herói, dos mitos, lendas, contos de fada, religiões, tem essa função denos recordar o tipo correto de comportamento em harmonia com a totalidade do ser humano.O herói, nos contos mitológicos, representa aquele aspecto do Self que está envolvido naconstrução do ego, em sua manutenção e ampliação. O herói e a heroína representammodelos para um funcionamento do ego em harmonia com a totalidade da psique. Sãomodelos para o ego saudável, um complexo do ego que não perturba a estrutura global dapersonalidade mas que normalmente funciona como seu órgão de expressão.No mito do herói, a luta contra o dragão reflete a luta do ego (seres humanos) para se separardo inconsciente (natureza animal, arquétipos). O começo da diferenciação do elenco edo tema principais da psique humana.
  11. 11. Individuação.Todo ser tende a realizar o que existe nele em germe, a crescer, a completar-se.Assim é para a semente do vegetal e para o embrião do animal. Assim é para ohomem, quanto ao corpo e quanto à psique. Mas no homem, embora odesenvolvimento de suas potencialidades seja impulsionado por forças instintivasinconscientes, adquire caráter peculiar: o homem é capaz de tomar consciência dessedesenvolvimento e de influenciá-lo. Precisamente no confronto do inconsciente peloconsciente, no conflito como na colaboração entre ambos é que os diversoscomponentes da personalidade amadurecem e unem-se numa síntese, na realizaçãode um indivíduo específico e inteiro.A ideia central da psicologia do Dr Jung é seu conceito de individuação. Isto é, oprocesso pelo qual a pessoa vai se tornando progressivamente, durante toda suavida, um ser pleno e unificado. Como consequência, há uma expansão gradual daconsciência do ser, e também uma capacidade sempre maior da personalidadeconsciente em refletir o Self. O ego, como vimos, é o centro da consciência, o “eu”dentro de nós, aquela parte com a qual nos identificamos conscientemente. O Self é onome dado à personalidade total, ao ser na sua potencialidade, ao ser que estádentro de nós, desde o inicio, procurando ao longo da vida ser reconhecido emanifestado através do ego.O processo de individuação é claro e simples na sua essência: tendência instintiva arealizar plenamente potencialidades inatas. Mas, de fato, a psique humana é tãocomplexa, são de tal modo intricados os componentes em jogo, tão variáveis asintervenções do ego consciente, tantas as vicissitudes que podem ocorrer, que oprocesso de totalização da personalidade não poderia jamais ser um caminho reto ecurto de chão bem batido. Ao contrário, será um percurso longo e difícil.O processo de individuação é descrito em imagens nos mitos, contos de fada, noopus alquímico, nos sonhos, nas diferentes produções do inconsciente. Sobretudoatravés dos sonhos será possível acompanhá-lo ao vivo nos progressos, interrupções,regressões e interferências várias que perturbam seu desenvolvimento. Seguindo-oem numerosíssimos casos, Jung verificou a constante emergência de imagensanálogas ou semelhantes que se sucediam, traçando, por assim dizer, o itinerário docaminho percorrido. Baseado nessas observações, Jung descreveu as fases doprocesso de individuação.
  12. 12. Persona.Há pessoas que sofrem da ilusão de serem idênticas ao papel social que representam.Jung dá a esse papel social o nome de persona. O professor, o médico, o militar, porexemplo, de ordinário mantêm uma fachada de acordo com as convenções coletivas,quer no vestir, no falar ou nos gestos. Os moldes da persona são recortes tirados dapsique coletiva. Mas poderá suceder que seja tão excessivamente valorizada a pontodo ego consciente identificar-se com ela. O indivíduo funde-se então aos seus cargos etítulos, ficando reduzido a uma impermeável casca de revestimento. Muitos, no entanto,tem percepção e senso de humor suficientes para evitar essa armadilha e têmcapacidade para a pronta discriminação entre o papel público que exercem e o seu egopessoal.Quanto mais a persona aderir à pele do ator, tanto mais dolorosa será a operaçãopsicológica para despi-la.Quando é retirada a máscara que o ator usa nas suas relações com o mundo apareceuma face desconhecida: é a sombra.Sombra.O processo de individuação envolve a pessoa em problemas psicológicos e espirituaisde grande complexidade. Um problema difícil é a questão de aceitar o seu ladosombra, aquele lado escuro, indesejado e perigoso da personalidade que está dentrode cada um, e que conflita com nossas atitudes e ideal conscientes, mas com o qualtodos precisam conviver, se quiserem tornar-se plenos.A rejeição da sombra, resulta numa divisão interior e no estabelecimento de um estadode hostilidade entre o consciente e o inconsciente. A aceitação e integração da sombraé um processo muito difícil e doloroso, mas que tem por consequência oestabelecimento da unidade e do equilíbrio psicológico, que de outra forma não seriamatingidos.Nos sonhos a sombra costuma aparecer personificada em indivíduos do mesmo sexodo sonhador, que representam, por assim dizer, o seu avesso. É um duro problema deinício de análise o reconhecimento de figurantes do sonho, julgados desprezíveis pelosonhador, como aspectos sombrios de sua própria personalidade.Depois de travar conhecimento com a própria sombra, uma tarefa muito mais difícil seapresenta. É a confrontação da anima (pelo homem) e do animus (pela mulher).Exemplo impressionante de persona e sombraencontra-se no conto de R. Stevenson, que o cinemadivulgou num filme intitulado O Médico e o Monstro. Dr.Jekill era um médico admirado pela sua capacidade,afável com os amigos e cheio de bondade para seusdoentes. Mr. Hyde, um ser moralmente insensível,sempre pronto a cometer crimes. Os dois eram amesma pessoa. Este exemplo é muito ilustrativo e podenos confundir. É que o romance apresenta as duaspartes da personalidade agindo separadamente, umade dia, outra de noite, enquanto que, na vida, elasatuam o tempo todo entremeadas.
  13. 13. Anima e Animus.Uma das maiores contribuições de Jung foi a demonstração de que o ser humano éandrógino, o que significa que combina em si os elementos masculino e feminino. Mas ohomem geralmente se identifica com seu lado masculino e usa sua feminilidade nointerior, ao passo que a mulher faz o contrário. Esta mulher interior no homem Jung achama anima, e o homem interior na mulher, animus.Num homem a anima encontra expressão principalmente nos seus humores, vaidade,irritabilidade, fantasias eróticas, impulsos e incentivos emocionais para a vida. O animusda mulher, por seu turno, assume antes a forma de impulsos inconscientes de ação, desúbita iniciativa, de enumeração autônoma de opiniões, de teimosia, de razões ouconvicções.Anima e animus formam, por um lado, uma ponte nas relações com o sexo oposto (namaioria das vezes por meio de projeções); por outro lado, também constituem umobstáculo especial na tentativa de compreender o parceiro, visto que a anima do homemtende a irritar as mulheres, e o animus destas, tende a irritar os homens. Essa é quasesempre a causa da chamada “guerra dos sexos”, e a maioria das dificuldades conjugaispode ser remetida à influência desses personagens inconscientes.A anima poderá desenvolver-se, diferenciar-se, transpor estágios evolutivos. Seatentamente tomada em consideração e confrontada pelo ego, torna-se uma funçãopsicológica da mais alta importância. Função de relacionamento com o mundo interior, naqualidade de intermediária entre consciente e inconsciente, função de relacionamentocom o mundo exterior na qualidade de sentimento conscientemente aceito.Do mesmo modo que a anima, o animus é susceptível de evoluir, de transformar-se etem funções importantes a realizar. É o mediador entre consciente e inconsciente, papeldesempenhado pela anima no homem. Se atentamente cuidado e integrado peloconsciente, traz à mulher capacidade de reflexão, de autoconhecimento e gosto pelascoisas do espírito.As formas, belas ou horríveis, que a anima se reveste nos sonhos, contos de fada, mitose outras produções do inconsciente são numerosíssimas: sereia, mãe-d’agua, feiticeira,fada, ninfa, prostituta, animal, súcubo, mulher. As personificações que o animus assumetambém variam em escala larguíssima: formas animais, selvagens, demônios, príncipes,criminosos, heróis, feiticeiros, homens bonitos e homens requintados.A incorporação do elemento feminino (anima) dentro do homem, e do elementomasculino (animus) dentro da mulher, é uma questão psicológica de grande sutileza edificuldade. Mas, a menos que eles consigam fazer isso, não poderá sequer teresperanças de compreender todo o mistério do seu próprio Self.
  14. 14. O Self.A realização do Self é algo problemático para a consciência cristã tradicional. Aconsciência cristã típica tem sido treinada ao longo dos séculos para almejarnada menos que a perfeição, para levar uma vida sem manchas, uma vidaperfeita. Somos ensinados – e isso a despeito do Novo Testamento – que nofundo Deus não é muito paciente com nossas imperfeições, com nosso ladoescuro e sombrio. Os cristãos deveriam ser puros, imaculados, santos peranteDeus: isentos de ira, rancores e paixões. A psicologia da individuação,entretanto, mostra que a meta desse processo que leva ao ser total não é aperfeição, mas sim a plenitude. Um indivíduo, na sua inteireza, não é sempreinatacável, sem culpa, puro, mas é aquele em quem, não se sabe como, todosos aspectos foram integrados num ser total. O Self parece abranger todos osaspectos da psique acima mencionados, incluindo o ego. Ele é, vamos dizer, oser humano maior e eterno que há em nós.Nos sonhos de mulheres, o Self revela-se sob a forma de velha sábia, deusamãe, sacerdotisa ou deusa do amor. Nos sonhos de homens assume o aspectode velho sábio, de mago, de mestre espiritual, de filósofo. Mas o Self não serevela apenas através de personificações humanas. Sendo uma grandeza queexcede de muito a esfera do consciente, sua escala de expressões estende-sede uma parte ao infra-humano e de outra parte ao super-humano. Assim, seussímbolos podem apresentar-se sob aspectos minerais, vegetais, animais etambém sob formas abstratas. Muitos desses símbolos são dotados de grandepotencial energético, causando sempre ao sonhador uma impressão duradourade maravilhamento.A sequência de mudanças da personalidade acima não é a única, razão por quenão devemos tomar o esquema como o único padrão possível. Especialmenteno caso dos jovens, em que o ego começa a ser constelado, por vezesdeparamos com uma exata inversão. A descrição de Jung apresenta, digamos,uma escala de graus de dificuldade no processo de individuação. Tornar-seconsciente da sombra poderia ser descrito como um trabalho para iniciantes; aintegração do animus e da anima é uma tarefa bem mais avançada e poucoshoje conseguem passar desse ponto.
  15. 15. É bom lembrar também que os termos ego, persona, sombra, anima, animus eSelf, não devem ser entendidos como meros conceitos ou definiçõesintelectuais. São designações destinadas a estabelecer uma certa ordem nocaos das experiências interiores amplamente variadas de muitos homens emulheres de maneira muito semelhante à atividade de classificação de plantase animais. Esses arquétipos estão presentes em todo homem e em todamulher, mas as pessoas os encontram de modo geral na projeção, ou seidentificam inconscientemente com eles. Podemos encontrar nossa sombra,por exemplo, nas características das outras pessoas que nos dão nos nervosmais do que deveriam. Aí se oculta o demônio! O animus e a anima em geralinfluenciam os bastidores dos relacionamentos amorosos, mas também podemser identificados na efeminação de um homem ou na masculinização de umamulher. No século XX, vários “líderes” políticos deram conspícuos exemplos deidentificação com o Self, enquanto que, em épocas anteriores, esses “líderes”estavam mais propensos a serem figuras religiosas que dizem falar em nomede Cristo, de Deus ou do Espírito Santo. De maneira menos conspícua,contudo, todo comportamento ultra autoritário trai uma identificação com o Self,seja na ciência, na política ou na religião. A projeção ou identificação com osarquétipos do inconsciente que descrevemos é o inverso do torná-losconscientes.Valerá a pena o árduo trabalho da individuação? Aqueles que não sediferenciam permanecem obscuramente envolvidos numa trama de projeções edeste modo são levados a agir em desacordo consigo, com o plano básicoinato de seu próprio ser. E é este desacordo consigo mesmo que constituifundamentalmente o estado neurótico. E a libertação deste estado sósobreviverá quando se pode existir e agir em conformidade com aquilo que ésentido como sendo a própria verdadeira natureza. Este sentimento será deinicio nebuloso e incerto mas, à medida que evolui o processo de individuação,fortalece-se e afirma-se claramente. Então o homem poderá dizer, ainda queem meio a dificuldades externas e internas, ainda reconhecendo que nenhumacarga é tão pesada quanto suportar a si mesmo: “tal como sou assim eu ajo”.“Durante mais de cinco anos este homem percorreu aEuropa como um louco, em busca de qualquer coisa aque pudesse deitar fogo. Infelizmente sempre haverámercenários prontos a abrir as portas da sua pátria aeste incendiário internacional”. Hitler discursando: acitação é a descrição que ele fez de Winston Churchill.Exemplo esclarecedor de projeção da sombra.
  16. 16. Os Sonhos.Milhões de pessoas hoje em dia procuram saber mais a respeito de si mesmas. Queremsaber quem são para poderem ser quem são. O Dr Jung foi um pioneiro na pesquisa dossonhos para proceder a uma investigação sistemática do vasto universo interior. Eledescobriu que enquanto dormem, através dos sonhos, as pessoas despertam para aquiloque realmente são.Em síntese, eis uma teoria junguiana básica sobre os sonhos. Os sonhos nascem noinconsciente. Como vimos, chamamos de “inconsciente” porque é algo de que geralmentenão temos conhecimento. Não sabemos o que é realmente o inconsciente, masconhecemos suas manifestações através dos sonhos, das visões, dos afetos, dos mitos,dos contos de fada e das neuroses. Da mesma forma que não podemos observardiretamente o átomo e no entanto deduzimos sua natureza pelos efeitos produzidos, deforma semelhante não observamos diretamente o inconsciente, mas o que ele produzpode ser estudado no campo de nossa consciência. Deste interior ou deste inconsciente,provêm os sonhos.Os sonhos são expressões dos pensamentos de nosso inconsciente, estes, no entanto,não se expressam através de uma linguagem racional prontamente acessível à psiqueconsciente. Pelo contrário, um sonho revela o inconsciente sob a forma de imagens,metáfora e símbolo, numa linguagem associada à da arte. Longe de ser exposiçõesobjetivas e prosaicas os sonhos costumam ser confrontos altamente subjetivos epessoais, nos quais o ego sente emoções que vão do medo e hilaridade a sensação desublime paz e beleza. Assim como as peças teatrais, os poemas e a pintura, a linguagemdos sonhos transmite o poder e a sutileza tanto dos sentimentos como do pensamento.Os sonhos que temos tem um propósito. E provavelmente este é o aspecto maisimpressionante, isto é, sabermos que por trás dos sonhos existe uma ação intencionalinteligente. É como se fossem tramados por um centro em nosso interior e objetivassemuma compreensão que está fora de nossa consciência. De modo que podemos dizer queentender o significado dos sonhos é confrontar-se com um tipo de inteligência existentedentro de nós que conhece algo que desconhecemos e que possui objetivos próprios. E oque se torna ainda mais impressionante é ver essa atividade ir se objetivando numa sériede sonhos. Parece então que os sonhos estão a serviço do processo de individuação deque já falamos. Como se estivessem num movimento espiral, os sonhos nos levam porvoltas repetidas e nos fazem perceber um centro invisível, que representa nossatotalidade e aí parece estar o objetivo final dos sonhos.Cada sonho se constitui uma experiência pessoal na qual nos é revelada uma parcela deconhecimento sobre nós mesmos. É um conhecimento que produz em nós admiração eque nos transforma numa pessoa mais consciente e desenvolvida do que antes.
  17. 17. A Era de Aquário.Nós podemos ter uma ideia do mito que enforma uma sociedade pelo seu edifíciomais alto. Ao nos aproximarmos de uma cidade medieval, vemos que a catedral seeleva acima de tudo. Ao nos aproximarmos de uma cidade do século XVII, o paláciodo governo é o prédio mais alto. E ao nos aproximarmos de uma cidade moderna, osedifícios mais altos são os prédios de escritórios, os centros da vida econômica, e osshopping Centers, as grandes catedrais do capitalismo. Esta é a história da civilizaçãoocidental. Do período gótico ao período principesco dos séculos XVI, XVII e XVIII, atéeste mundo econômico, em que vivemos.Para as pessoas reflexivas é evidente que a sociedade ocidental já não possui ummito viável, operante. Fica cada vez mais claro que nossos valores culturais foramsolapados. Jung cedo chegou ao doloroso reconhecimento de que a religiãoeclesiástica não lhe podia dar respostas. Em vez disso, ele descobriu o caminho dailuminação nas profundezas da própria psique. O mesmo lugar em que muitaspessoas o procura hoje, por exemplo, por meio das drogas. A base e a substância detoda a vida e de toda a obra de Jung não residem nas tradições e religiões que setornaram conteúdos da consciência coletiva, mas antes, na experiência primordial queconstitui a fonte última desses conteúdos: o encontro do indivíduo isolado com o seupróprio deus ou demônio, a batalha com as emoções, afetos, fantasias, inspiraçõescriadoras e obstáculos poderosíssimos que vêm à luz a partir de dentro. É portantonatural que a maioria dos que compreendem isso sejam pessoas para quem a vida detodas as doutrinas pregadas, ensinadas e acreditadas perdeu o sentido e que seveem forçadas, por conseguinte, como o próprio Jung o foi, a curvar-se sempreconceito e a dar atenção ao lado desprezado de sua própria psique inconscienteem busca de sinais que possam indicar o caminhoPara Jung, como vimos, a imagem de Cristo é por demais unilateralmente espiritual eboa para representar de maneira adequada a totalidade do homem. Faltam-lheobscuridade e realidade corporal e material. Isso foi percebido já na Idade Média pelosalquimistas. O “Homem Divino” que eles procuravam libertar da matéria era umaimagem do homem em que o bem e o mal, o espirito e a matéria, estavamgenuinamente unidos, imagem por meio da qual não apenas o homem, como toda anatureza, se tornam inteiros. É essa imagem alquímica do deus-homem que estáconstelada na base coletiva da psique do homem contemporâneo. No fundo, o queestá se formando no inconsciente coletivo é a imagem do homem da Era de Aquário.A imagem astrológica do período aquariano mostra um homem que derrama a águade um cântaro na boca de um peixe, que representa alguma coisa ainda inconsciente.Isso poderia significar que a tarefa do homem da Era de Aquário será tornar-seconsciente dessa presença interior mais ampla, o Self, e ter maior cuidado com oinconsciente e com a natureza (e não destruí-la como é feito hoje).
  18. 18. ADVERTÊNCIAEste resumo não tem nada de original. É uma colcha de retalhos confeccionada com trechos dos livros relacionados nabibliografia. Meu único trabalho foi selecionar, recortar (mutilar!?) e organizar os vários trechos na tentativa de resumiraquilo que aprendi lendo a fascinante psicologia junguiana. Portanto, qualquer semelhança com livros já publicados porautores junguianos não é mera coincidência é cópia mesmo (trecho pode copiar).BIBLIOGRAFIAC.G.JUNG: Entrevistas e Encontros - William McGuire e R.F.C. Hull - Editora CultrixEGO E ARQUÉTIPO: Individuação e função religiosa da psique - Edward F. Edinger - Editora CultrixSONHOS ARQUETÍPICOS – Carlos Alberto Corrêa Salles – Editora ImagoOS SONHOS E A CURA DA ALMA - John A. Sanford - Editora PaulusO MÉTODO JUNGUIANO - Glauco Ulson - Editora ÁticaO CAMINHO DOS SONHOS - Marie-Louise von Franz e Fraser Boa - Editora CultrixC.G.JUNG: Seu Mito em nossa Época - Marie-Louise von Franz - Editora CultrixO SIG. PSIC. MOTIVOS DE REDENÇÃO NOS CONTOS DE FADA - Marie-Louise von Franz - Editora CultrixO HOMEM E SEUS SÍMBOLOS - C.G.Jung e Outros - Editora Nova FronteiraJUNG: VIDA E OBRA - Nise da Silveira - Editora Paz e TerraJUNG E O TARO: Uma jornada arquetípica - Sallie Nichols - Editora CultrixESTRUTURA DA PERSONALIDADE: Persona e Sombra - Carlos Byington - Editora ÁticaO PODER DO MITO – Joseph Campbell com Bill Moyers - Editora Palas AthenaPara consultar uma lista dos livros da psicologia junguiana publicados no Brasil visite o site:http://sites.google.com/site/psicojung

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