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termina por produzir, para os migrantes sem capacitação, com uma vida marginal àcoletividade, aumentando o número daqueles...
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a troca de créditos de carbono pela implantação de florestas jovens, porque essas consomemmais oxigênio do que transformam...
encolhimento da camada de gelo em muitos glaciares. A falta de conhecimento por parte dapopulação tem provocado uma resson...
provavelmente não serve para todos os demais. O que se percebe é o interesse de instituiçõespara o desenvolvimento de gera...
e o mais profundo da terra, com 1680 metros de profundidade. Outro lago, o Mar de Aral, querepresentava um potencial de ág...
anual dos 18 rios do estado do Colorado. O Ogallala se estende do Texas a Dakota do Sul esuas águas alimentam um quinto da...
10) Oceanos.                  (...) Enquanto o aquecimento global derrete a calota polar, cinco paísescompetem no mapeamen...
reprodução ser extremamente lento: em média, uma fêmea tem apenas um filhote a cada trêsanos14. (...)                     ...
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Rio + 20 será que estaremos mais próximos de um sucesso

  1. 1. RIO±20: Será que estaremos mais próximos do sucesso? Engº Antonio Fernando Navarro1 RESUMO Este paper baseia-se, em parte do documento que recebeu o título de:Aquecimento Global: Armagedon ou um caso de Indulgência Ambiental?2, quando então setratavam de políticas voltadas para a redução do aquecimento global, tendo como uma dasestratégias a negociação de “créditos de carbono”, que passou a ser, de certa maneira, umamoeda de troca. No artigo questionávamos a medida de troca pelos poluidores, já que ospaíses que eram considerados poluidores poderiam continuar suas atividades, por certoperíodo, já que “trocavam” parte dessa poluição por ações desenvolvidas em outros países, daía razão de complementarmos o título com a expressão de Indulgência Ambiental. A partirdessa visão, passamos a buscar uma associação com o evento RIO+20, que se propõe adefinir, redefinir, impor, compor, ou qualquer outra palavra que seja melhor aplicada, regraspara que os países signatários as cumpram e a vida em nosso pequenino planeta denominadoTerra, terra uma sobrevida, com a conhecemos hoje. A RIO+20 é uma extensão de seguidasrodadas de negociações que começaram em 1972, e até hoje não tiveram nem seus objetivos enem as metas atendidas. A questão, como transparece a todos é mais político-econômica doque de preservação do meio ambiente. Tudo é possível desde que não prejudique a balançacomercial dos principais países envolvidos. A RIO+20 vem, como proposta básica, consolidar ou buscar um consensode todas as medidas propostas nas rodadas entre os países, visando a uma solução para a criseque se avizinha, da degradação das condições de vida em nosso Planeta, pelo fato de que osníveis de crescimento e de industrialização dos países termina por acelerar o processo dadeterioração da qualidade de vida e da própria existência de nós, os Seres Humanos. Nos últimos anos os principais países do mundo estiveram reunidos nacapital da Dinamarca discutindo uma série de ações para reduzir o “aquecimento de nossoPlaneta”. Conhecidas como COP-15 (Copenhague - 2009), COP-16 (Cancún - 2010) e COP-1 Antonio Fernando Navarro é físico, engenheiro civil, engenheiro de segurança do trabalho, mestre em saúde e meio ambiente, doutorandoem engenharia civil, especialista em gerenciamento de riscos, engenheiro e professor da Universidade Federal Fluminense – UFF/RJ – e-mail: navarro@vm.uff.br; afnavarro@terra.com.br.2 NAVARRO, A.F. Aquecimento Global: Armagedon ou um caso de Indulgência Ambiental?, Revista eletrônica Opinião.Seg, nº 5, agostode 2011, pp. 62-94, Editora Roncarati, São Paulo, 2011.
  2. 2. 17 (Durban - 2011), as diferenças entre os resultados desses encontros internacionais,envolvendo grande número de nações não são grandes. O protocolo de Kioto, únicoinstrumento vinculante, com força legal, esgota-se em 2012. Suas metas são modestas e nãoatingem nem a 30% do que seria necessário para reduzir os impactos nas emissões globais. Se por um lado têm-se as nações ditas mais ricas, o G7, posteriormentetransformado em G8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e oCanadá, todas do antigo G7, mais a Rússia), por outro lado têm-se aquelas que buscam seuslugares ao sol, ou as BRICs, (BRICS é um acrônimo que se refere aos países membrosfundadores (Brasil, Rússia, Índia e China) e à África do Sul, que juntos formam um grupopolítico de cooperação). Por fim tem-se um grande número de nações, a maioria exploradadurante centenas de anos por aquelas ditas ricas. Diga-se de passagem, que o propósito dessesgrupos é mais para e exercício das pressões político-econômicas. Essas explorações das riquezas minerais e vegetais foram muito profundas edevastadoras, deixando como resultado uma pequena minoria rica e em contraponto umaimensa massa de populações abaixo da linha de pobreza, que chega a “viver” com menos dedois dólares por dia. As nações assim consideradas e o percentual de suas populações afetadassão as seguintes: 1 Chade 80%; 2 Haiti 80%; 3 Libéria 80%; 4 Congo-Kinshasa 71%; 5 SerraLeoa 70%;2 6 Moçambique 70%; 7 Nigéria 70%; 8 Suriname 70%; 9 Gaza Strip 70%; 10Suazilândia 69%; 11 Zimbabué 68%; 12 Burúndi 68%; 13 Honduras 65%; 14 Zâmbia 64%;15 Níger 63%; 16 Ruanda 60%; 17 Comores 60%; 18 Guatemala 56.2%; 19 Namíbia 55.8%;20 Senegal 54%; 21 São Tomé e Príncipe 54%; 22 Tajiquistão 53%; 23 Malávi 53%; 24Madagáscar 50%; 25 Quénia 50%; 26 África do Sul 50%; 27 Eritreia 50%. 3 Dessas 27 nações, quase todas no Continente Africano, percebem-sealgumas semelhanças como: quase todas são estruturadas em tribos, todas foram objeto decobiça dos conquistadores europeus que permaneceram ali explorando os recursos naturaisenquanto esses existiam em abundância. Com as saídas dos conquistadores pouco restou àspopulações para suas sobrevivências, na medida em que não tiveram as chances de adquirir oconhecimento necessário para tal. Muitas dessas nações são habitadas por povos nômades quetransitam em busca de melhores condições de sobrevivência. Ainda há explorações dessa natureza, em várias partes do mundo, esubempregos, que não possibilitam que os trabalhadores tenham uma adequada qualidade devida. Em muitos momentos, as migrações em um mesmo país ou entre países limítrofes3 Fonte: http://www.indexmundi.com/g/r.aspx?v=69&l=pt 2 / 30
  3. 3. termina por produzir, para os migrantes sem capacitação, com uma vida marginal àcoletividade, aumentando o número daqueles que habitam as comunidades ou as habitaçõessubnormais, também ditas “favelas”. Nesse caso a comunidade como um todo é prejudicadacom o comprometimento da saúde social, transporte e em outros aspectos. No mês de junho o Brasil sediará a RIO+20, que pretende ser um eventobaseado na Rio-92, alinhando as questões ambientais discutidas até hoje em vários encontrosinternacionais. Para tal, é proposta uma pauta com dez temas para debates, com base narelevância para a promoção do desenvolvimento sustentável. Os temas são os seguintes:1) Desenvolvimento sustentável para combater a pobreza;2) O desenvolvimento sustentável como uma resposta à crise económica e financeira;3) Desemprego, trabalho decente e migrações;4) A economia do desenvolvimento sustentável, incluindo padrões sustentáveis de produção e consumo;5) As florestas;6) Alimento, nutrição e segurança;7) Energia sustentável para todos;8) Água;9) Cidades sustentáveis e inovação;10) Oceanos. Neste artigo traçam-se prognósticos para o final do evento, tendo comocerteza que até onde o poder de destruição alcança pode ser um exercício de futurologia, maso vislumbre do futuro associado à degradação é quase que uma certeza.Palavras-chave: Mudanças Climáticas; Aquecimento Global; Degradação Ambiental; EfeitoEstufa; Meio Ambiente; Sustentabilidade Ambiental; Desenvolvimento Sustentável. 3 / 30
  4. 4. INTRODUÇÃO: A Terra é terceiro planeta do sistema solar, com uma estrela de 5ª grandeza.Os quatro menores planetas (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) são conhecidos como planetastelúricos ou sólidos, encontram-se mais próximos do Sol e são compostos principalmente demetais e rochas. Estima-se que tenha uma idade de 4,6 bilhões de anos e que se destruirá, como colapso contro o Sol daqui a 4 bilhões de anos. O tempo de existência da vida humana noPlaneta é infenitesimal em relação à idade do planeta. O Planeta já passou por mausmomentos, quando um asteróide o atingiu, na Planície de Yacatan e destruiu boa parte da vidasobre a Terra. Isso faz parte da história. A vida sobre o planeta Terra quase desapareceu há250 milhões de anos, após uma gigantesca colisão entre o planeta e um asteroide. A afirmaçãoé de uma equipe de pesquisadores americanos na revista Science (fev/2001). Uma colisão dedois asteroides entre Marte e Júpiter, há 160 milhões de anos, enviou enormes rochas nadireção da Terra, incluindo uma que levou à extinção dos dinossauros, disseram cientistasnesta quarta-feira. Isso explicaria um dos fatos mais impressionantes da história da vida naTerra - a queda de um meteorito de 10 km de diâmetro na península do Yucatán (sudeste doMéxico), 65 milhões de anos atrás. Essa catástrofe acabou com os dinossauros, que haviamdominado o mundo por cerca de 165 milhões de anos, e outras formas de vida. Esse vácuo,segundo especialistas, propiciou o desenvolvimento dos mamíferos e, mais tarde, do serhumano. O impacto deve ter provocado um cataclismo ambiental em todo o mundo, expelindoenormes quantidades de rocha e poeira nos céus, provocando gigantescos tsunamis eincêndios globais. Isso teria feito com que a Terra passasse anos na escuridão.(http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1882821-EI302,00.html) Apenas nessas duas notícias percebe-se que nosso Planeta não é imune asofrer danos provenientes do Universo. Também se pode compreender que internamente hámuita energia no Planeta, muitas vezes expelida através de vulcões e de movimentação dasplacas tectônicas, também gerando danos. O Ser Humano, em sua pequenez em relação aoPlaneta também é capaz de causar danos ao Planeta. O dano será proporcional à quantidade depessoas que provocam a destruição. Não é um movimento único e isolado. Eu faço a minhaparte. Quantas vezes nós já não ouvimos esta frase? Talvez centenas de vezes não é? E o queisso significa? Para o Planeta nada ou quase nada. Se nós temos problemas em consensarmuitas questões em nossos lares, prédios, clubes, cidades, e estados, o que dirá com outrospaíses, quando então o ponto discrepante é o dos interesses econômicos? 4 / 30
  5. 5. Produzir sem resíduos é uma tarefa impossível. O possível é maximizar areutilização dos resíduos de modo que esses sejam menos prejudiciais ao Meio Ambiente.Para isso, há que se investir muita tecnologia e recursos financeiros. Quanto maior for atecnologia empregada maior será a possibilidade de redução da mão de obra. Assim, resolve-se uma questão e cria-se outra, social, com o aumento do desemprego. Encontrar-se oequilíbrio ou o meio termo não é tarefa nada fácil. Com as economias dos países fragilizadas ea elevação das taxas de desemprego, quem irá se atrever a propor mudanças que onerarãoainda mais os consumidores, com os custos das mudanças repassadas nos preços dos produtose a manutenção ou ampliação do desemprego? Não se está falando em mudar equipamentos,mas sim tecnologias e processos. Para isso os técnicos devem investir longos períodos depesquisa e desenvolvimento. E aqui cabe uma questão: será que as nações aplicam os recursosnecessários para as áreas de pesquisa e desenvolvimento? (...) Diante dessa grande divergência de pensamentos apresentam-sealgumas considerações sobre o tema, de modo que o próprio leitor possa tirar suas conclusõesà respeito. O que é importante é que o Planeta está atravessando uma fase crítica onde asprincipais vítimas terminarão sendo os humanos que o habitam e todas as demais formas devida. Assim, devem ser estabelecidas ações que por menores que sejam busquem o equilíbrioda natureza. Em primeiro lugar a lógica recomenda o trabalho conjunto e a criação demecanismos que não provoquem mais estragos do que os atuais e, ao mesmo tempo, quepossibilitem uma recuperação mais rápida da natureza. Qual o custo disso? Com certezahaverá custos enormes, porém menores do que os gastos para salvar as instituições financeirasno início do ano de 2009, que representou alguns trilhões de dólares para salvar empresas,causando grandes transtornos na economia global. Contudo, qualquer que seja esse custo issorepresentará a continuidade da vida como a conhecemos hoje, ou seja, os benefícios serãosempre maiores do que os custos envolvidos. (...) (NAVARRO) O mais difícil quando se lê o texto RIO+20 promovido pela United NationsConference on Sustainable Development. Disponível no sitehttp://www.uncsd2012.org/rio20/index.php?page=view&nr=596&type=13&menu=23, é associar-se os temas apresentadospara que se chegue a um prognóstico favorável. Efetivamente, o Aquecimento Global é umelo que permeia cada um dos temas. Contudo, talvez não seja o elo mais forte. A grande quantidade de temas para discussão já revela que mesmo quepossam existir elos idênticos entre os mesmos, não haverá tempo suficiente para um debateconsensado, e, o que é pior, também não se tem qualquer expectativa de que todos os países 5 / 30
  6. 6. participantes e signatários sigam as mesmas regras e posturas sugeridas. As questõesrelacionadas a “aquecimento global”, “sustentabilidade” e “preservação ambiental” sãomotivo de muitas discussões em todas as reuniões dos países”. Muitas são as razões para quese pense dessa forma. Cada um desses países vem com expectativas distintas e necessidadesdistintas. Todos têm seus problemas, sejam políticos, sociais, econômicos, financeiros, enfim,possuem seus problemas e esses devem ser resolvidos, em primeiro lugar, pelos própriospaíses. O Fórum onde ocorrerá a RIO+20 não se presta a resolver os problemas nos “quintaisdos outros”, mas sim propor ações globais no interesse de todos. (...) Quando uma palavra se toma tão popular que começa a pipocar emtodos os lugares, em todo tipo de contextos minimamente relacionados, ou até mesmo nos nãorelacionados, isso quer dizer uma de duas coisas: ou ela se tomou um clichê sem sentido outem uma consistência conceitual verdadeira. "Ecológico" (ou, pior ainda, "virar ecológico")cabe inteiramente na primeira categoria, Mas "sustentável", que à primeira vista remete a umsentido igualmente vago de virtude ambiental, pertence à segunda. É verdade que ouvimos apalavra se referindo a qualquer assunto, de carros à agricultura e à economia. Isso ocorre,porém, porque o conceito de sustentabilidade é, em essência, tão simples, que se aplicalegitimamente a todas essas áreas e a outras ainda. Mas, apesar da simplicidade,sustentabilidade é um conceito que faz as pessoas quebrarem a cabeça. Para ajudar nestatarefa, consultamos vários especialistas no assunto para descobrir quais são os tipos de mal-entendidos mais frequentes. O resultado é este artigo sobre os dez maiores mitos sobre asustentabilidade. E, após essa introdução, fica claro qual mito deveria ser o primeiro (...).4 A Sustentabilidade passou, de repente, a ser o lugar comum e ser um dosprimeiros itens das pautas de discussões não só dos grandes conglomerados, como tambémdos países, isso tudo iniciado com a publicação de relatórios do IPCC que davam como certoque nós, os humanos, estávamos acelerando um processo de aquecimento global e que, noritmo em que as coisas estavam em 50 anos o nível dos mares iria crescer e inundar boa partedas cidades costeiras, e aí segue. Em uma revista complementar ao Jornal O Globo de 22 dedezembro de 2011, sob o título Planeta Terra, que trata das questões a serem discutidas naCOP-17 (Durban), em artigo de Claudio Motta, pp.12-13, expõe alguns tópicos sob o títuloSinais Vitais do Planeta: • A temperatura global da Terra aumentou 0,83ºCelsius desde 1880; • O nível dos oceanos subiu 3,27mm desde 1992;4 Por Michael D. Lemonick (Revista Scientific American Brasil – Terra 3.0 – ed.1) 6 / 30
  7. 7. • A camada mínima de gelo sobre o Oceano Ártico diminuiu 11,5% por década; • A concentração de CO2 na atmosfera é de 391 ppm, quando o ideal seria < 350 ppm (partes por milhão); • O buraco de Ozônio tem 27 milhões de quilômetros quadrados. Essas informações ditas sob a forma de drops, sem estarem inseridas em umcontexto técnico passam a mensagem ou idéia de que estamos em perigo iminente. Porexemplo, cientificamente falando, qual o impacto de mais 41 ppm na atmosfera? O nível domar está subindo, as temperaturas também, o buraco de Ozônio está enorme, e por aí segue.Estudos Acadêmicos indicam que estamos em uma fase de transição, até bastante fria, ondeteremos um aquecimento como um todo. Isso faz parte do Ciclo de Vida do Planeta Terra. A NASA identificou períodos de frio intenso na Europa entre 1550 e 1850 eregista três intervalos particularmente frios: por volta de 1650, por volta de 1770 e em 1850.Uma das causas mais prováveis foi atribuída a atividades vulcânicas. O aquecimento global pode ser pontual e explicado, muitas vezes, poratividades naturais, como vulcanismo, mesmo que reconheçamos que a ação humana quasesempre é mais destrutiva do que construtiva. Até por serem dados soltos edescontextualizados, as nações que realmente são as responsáveis pela poluição aindacontinuarão a poluir, já que o foco básico não é abordado. As consequências podem serpercebidas sempre mais facilmente do que as causas. Os Estados Unidos ainda continuarão autilizar o carvão em sua matriz energética porque estão com suas reservas de petróleopraticamente esgotadas. A China utiliza o carvão mineral em larga escala, da mesma formaque a Alemanha. A Alemanha supriu durante décadas os países limítrofes com o carvão, parafins de aquecimento e geração de eletricidade. No nosso Brasil, as matas de Minas Geraisforam sendo extintas para virar carvão vegetal empregado pelas empresas que produzem oferro gusa. Isso ocorreu durante décadas e ainda hoje é assim. A falta de políticas de aplicaçãode penas irrecorríveis facilita a continuidade do crime ambiental. De que adianta punir-se opoluidor com milhões se esse irá durante décadas recorrer e, talvez, ao final, pagar com areposição de poucas mudas de árvores? Há pouco tempo atrás se descobriu enorme reserva de petróleo sob o Ártico,da ordem de 90 bilhões de barris. Imediatamente foram construídas duas refinarias dePetróleo no Canadá. Nesse mesmo País, são extraídos por dia mais de um milhão de barris depetróleo, enviados aos Estados Unidos por dutos, extraídos do Xisto. A extração por si sóaumenta o desmatamento. As refinarias geram calor. A exploração do petróleo trás consigo o 7 / 30
  8. 8. gás carbônico, um dos que causa o efeito estufa. Assim, falar-se em redução da calota polarou do deslocamento de blocos de gelo (icebergs) e culpar-se a humanidade como um todo,excluindo-se aqueles que exploram e se beneficiam dos resultados dessa exploração passa aser incoerente. Mas, na mesa de negociações alguns desses países estarão presentes. Já háacordos entre os Estados Unidos e a Rússia para parcerias estratégicas. O Reino Unidoprotege seu quinhão com embarcações militares. É a guerra pela sobrevivência. Nessa guerra,a regra geral é a de obterem-se mais e mais vantagens. Assim, com esse pensamento coletivoserá que as nações estarão preocupadas umas com as outras e todas com o Planeta? (...) Muitos dos efeitos do aquecimento global têm sido bem documentados.É a medida exata que é difícil de prever. Prever as consequências do aquecimento global éuma das tarefas realmente difíceis para os pesquisadores do mundo. Primeiro, porque osprocessos naturais que causam precipitação de chuvas, tempestades, aumento do nível do mare outros efeitos esperados do aquecimento global dependem de diferentes fatores. Emsegundo lugar, porque é difícil prever o volume das emissões de gases de efeito estufa naspróximas décadas, já que essa é determinada em grande medida, por decisões políticas e osavanços tecnológicos. Quanto maior é a tecnologia menor pode ser o nível deempregabilidade. Contudo, a população desempregada continua sobrevivendo e consumindo.(...) (...) Ocorre que os cenários obtidos podem não ser representativos em vistados resultados esperados. Avaliar um período de temperaturas normais tendo como parâmetroum período de temperaturas muito baixas pode dar a idéia de que está havendo aquecimento.Da mesma forma que quando se avalia o contrário pode passar a impressão de que estaremosentrando em uma nova era do gelo. Periodicamente ocorrem fenômenos naturais sem qualquerinterferência humana que tendem a causar alterações climáticas, como atividades solares maisintensas, terremotos, vulcanismos e outros. Esses fenômenos, por si só podem ter o elevadopoder de alterar o clima, momentaneamente, como o El Niño e La Niña. Quando juntamente aesses fenômenos têm-se degradações ambientais provocadas pelo Ser Humano, asconsequências podem ser piores. Nesse momento surgem perguntas, algumas sem respostascomo: • Já há certeza de que o aquecimento global é fruto somente das ações humanas? Se isso for verdade, ataquemos a questão de frente, indo às causas do problema. Como solucioná-lo se temos ao redor de uma mesa quase duzentas nações com interesses os mais variados possíveis, desde um conjunto de ilhas como Tuvalu, conjunto de ilhas coralíneas, com uma população fixa de mais de dez mil habitantes, que depende do 8 / 30
  9. 9. nível do mar não subir para continuar existindo, até países como a China, EUA, Alemanha e outros, onde o carvão é abundante e é empregado na matriz energética, sendo um dos maiores responsáveis pela emissão de gás carbônico? • O que fazer para mudar a cultura de povos que sempre foram extrativistas e exauriram os recursos minerais de seus próprios países e agora o estão fazendo em países menos desenvolvidos? • Como tratar a questão dos valores morais e sociais dos povos? Será esse um tema que necessite da intervenção de todas as nações? • Como reverter, no tempo que ainda seja possível, os danos já causados, alguns, irreversivelmente? Será que um dia teremos condições de reparar todos os estragos que já provocamos, inclusive, nas áreas de jazidas de minério de ferro, bauxita, ouro, etc.. • Como criar empregos e oferecer melhor qualidade de vida, ou permitir que a população tenha qualidade de vida, se em nosso mundo globalizado os tentáculos das grandes empresas multinacionais atingem as nações subdesenvolvidas, para a obtenção de mão de obra barata e a exploração de seus recursos naturais a baixo custo? • Como impedir que todos os países tenham desenvolvimento humano e tecnológico iguais? Nesta última questão, não se trata apenas da dança das cadeiras, onde os mais rápidos ou espertos conseguem seus acentos, mas sim, possibilitar que todos tenham os mesmos direitos. (...) Mudanças praticadas por um governo ou partido político normalmente sãodescontinuadas quando outro partido assume o poder. Essas descontinuidades terminam porinviabilizar ações globais. Essas são questões importantes, que não vão a uma mesa dedebates, pois não são interessantes para as nações mais ricas. Os políticos devem entender quequando são eleitos o são para representar o interesse daqueles que os elegeram. Não custanada repetir que assistimos a uma série de palestras da Simbiocity, com professores daNoruega, onde foi-nos dito que os planejamentos lá, mais na área de urbanismo, eram feitoscom antecedência de 50 anos, para a “grande” Copenhagen, e de 30 anos para as cidadeslimítrofes. Na hora dos debates questionamos a viabilidade do tempo de 50 anos e a respostafoi simples: em nosso País os governantes governam para o povo e são seus representantes.Quando não atendem ao que o povo quer são substituídos. Será que esse pensamento écomum na América do Sul e na África, só como exemplo? 9 / 30
  10. 10. Quando a África foi repartida em nações, da mesma forma que a Índia,Iugoslávia, Indochina e várias outras, ou povos foram “repartidos”, como os Curdos, ou osBascos, da mesma maneira que povos foram divididos, como em Angola e em outras nações.Não se falava em justiça, e sim em interesses comerciais envolvidos. Quase sempre, asdivisões foram promovidas pelos povos dominadores (estrangeiros) deixando aos dominadosos problemas futuros. Angola é um exemplo típico, com a divisão das tribos Hutus e Tutsi,inimigas ancestrais grupando-as em partes do país. O resultado disso tudo foram décadas deuma guerra fraticida, causando milhões de mortos e milhares de mutilados por minasterrestres. O norte do País é rico em petróleo e minério de ferro e o sul rico em diamantes.Inúmeros são outros exemplos, onde o que menos importava eram as Etnias e sim osinteresses econômicos. Assim, vários e vários foram os bolsões populacionais criados. Nadivisão da Índia, surgiu o Paquistão, do lado oriental e Bangladesh, do lado ocidental, além deMianmar. De uma hora para outra ocorreu uma miscelânea religiosa com mulçumanos ebudistas. A Indochina ou Peninsula Indochinesa, do sudeste asiático, entre o leste da Índia e osul da China, foi dividida em Vietnã, Laos, Camboja, e, às vezes, Tailândia e Myanmar,antiga Birmânia. O que ocorreu em regiões continentais se deu da mesma forma que nas ilhas,como Bornéu, Timor, e outras. Os interesses econômicos, em primeiro lugar, foram sempre osprincipais motivos dessas mudanças. Entre esses, figura o petróleo. Infelizmente já sedescobriu que há petróleo na Antártida, da mesma maneira que se tornou pública a grandereserva do precioso óleo nas ilhas Malvinas ou Falkland islands. Desde os tempos imemoriais as nações agem movidas por interesseseconômicos e ainda o continuam fazendo. Agora, vem alguém e diz: façam algo, pois vamostodos morrer! Será que os interesses deixaram de existir e todos passaram a ser bonzinhos?Talvez não! Se tivéssemos em pauta um só tema comum, ainda assim os contrastesaflorariam. Quando se apresenta uma pauta com dez temas, a maioria com problemas deconsenso, já se pode concluir que a tendência de consenso será pequena. Nossos Índios foram considerados “atrasados” em função de sua maneira deviver hoje, depois de ocuparem esta Terra Brasilis por mais de 5.000 anos, ainda a explorampara sua sobrevivência da mesma maneira como o faziam antes, isso, até onde o HomemBranco deixou. Será que eles realmente são “atrasados”, ou são mais espertos do que oscivilizados que não sabem viver com os recursos que a Natureza disponibiliza? O mundo está e sempre foi segregado quanto às forças dominantes. Depoisda segunda grande guerra mundial a divisão passou a ser a dos comunistas, representado pelaURSS e por outro lado as nações ditas capitalistas, capitaneadas pelos EUA. Essa divisão de 10 / 30
  11. 11. forças durou até a fratura da URSS, que de um único bloco, comunista, passou a várias naçõessendo a maior a República Russa. Neste vácuo de ausência da polaridade, foram surgindooutras forças representadas por nações ou por grupo de nações. A China é hoje, embora umpaís fora do Grupo G-7, a nação com o segundo PIB do mundo, de aproximadamente 8trilhões de dólares, e uma população de mais de um bilhão e trezentos milhões de habitantes.Somando-se a população da China com o da Índia tem-se em torno de 25% da populaçãomundial. Os Estados Unidos, com uma população de pouco mais de trezentos milhões dehabitantes possui um poder de compra de quase 25% de tudo o quanto é vendido no mundo eum PIB que quase 15 trilhões de dólares. Esses desequilíbrios reduzem de certa forma, opoder de negociação dos países exportadores. Em artigo da Folha.com, aparece a seguinteinformação: Os Estados Unidos vão perder seu posto de líderes da economia mundial bemantes do que se esperava, caso estejam certos os mais recentes relatórios dos grandes bancosglobais, informa reportagem de Patrícia Campos Mello para a Folha. No relatório originalsobre os Brics, de 2003, o Goldman Sachs projetava que a China iria ultrapassar os EUA até2041. Em 2009, o Goldman reviu suas projeções e passou a acreditar que o PIB chinês serámaior que o americano já em 2027. O Citigroup, em seu relatório "3 G - Geradores Globais deCrescimento", divulgado no fim de fevereiro, é ainda mais ambicioso: a projeção é que aChina supere os EUA antes de 2020. E mais: até 2050, a Índia terá ultrapassado a China e setornará a maior economia mundial, com os EUA em terceiro5. Esses grandes crescimentos, em um curto intervalo de tempo são realizadosbuscando-se o aproveitamento de todos os recursos imediatos mais próximos. Tanto a Chinaquanto a Índia precisam produzir a qualquer custo, para alimentar suas enormes populações,que somadas representam mais de 25% da população do Planeta. Para tanto, são utilizadostodos os meios e formas de produção, sem que se leve em consideração pesquisas edesenvolvimento relacionadas à sustentabilidade. Não são projetos para o futuro, são açõespara o presente. Como a China possui grandes reservas de carvão mineral, essa deve continuarsendo sua principal matriz energética e principal fonte de poluição. Certamente que a Índia e aChina não estarão preocupadas se algumas ilhas de coral irão ser submergidas prejudicar avida de algumas dezenas de milhares de pessoas, enquanto que juntas, já devem estarpróximas de dois bilhões e meio de pessoas. Trata-se de uma matemática bem simples. Isso significa que ações, mesmo que bem intencionadas, e que pretendamsalvar o Planeta Terra, serão sempre difíceis de serem aceitas e implementadas em função daspeculiaridades de cada uma delas, e das necessidades de seus habitantes. Os mesmos países5 Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/mercado/887206-china-deve-superar-pib-dos-eua-ate-2020.shtml, acesso em 04/05/2012 11 / 30
  12. 12. que se recusaram desde 1972 a aderir a ações globais, continuarão sendo os mesmos que nãoapresentarão metas significativas de redução de seus níveis de poluição. Tudo isso porquesuas matrizes energéticas são baseadas no carvão, um dos combustíveis fósseis que mais poluio meio ambiente, como a Rússia e os Estados Unidos. Acresce-se a isso o fato de que há uma grave crise financeira mundial. Ainércia e os custos das mudanças necessárias associadas à crise mundial financeira que desde2009 não dá mostras de mudanças imediatas, reforçam ainda mais a tese de que a RIO+20talvez seja mais um desses encontros políticos, onde, após o encerramento, tudo “volta comodantes no quartel dos Abrantes”. (...) Quando se associam os temas ao Aquecimento Global está se referindoa fenômenos naturais e aqueles provocados pelo Homem, da mesma maneira que se envolve apolítica firmada entre os países pobres e ou muito dependentes a aqueles muito ricos. Nosencontros passados, chegaram a criar uma nova moeda “crédito de carbono”, onde os paísesque não se adequavam aos novos parâmetros ou não atingiam as metas globais estabelecidaspoderia, trocar a poluição por créditos de carbono. Em uma linguagem simplificada, opoluidor “compensava” a natureza implementando ações, até mesmo em outros países, quecompensavam a poluição de seus processos. Isso, em nosso artigo citado foi denominado deIndulgência Ambiental. Martinho Lutero, um dos grandes pensadores Cristãos, que viveu no séculoXVI, expôs a questão da Indulgência Papal, onde em troca de construções de igrejas,contribuições para o esforço guerreiro, ou orações, perdoavam-se os “pecados”. Ora, por quese deve plantar mudas em um país, pagas por outro país poluidor, se aquele poluidorcontinuará a poluir? Não será esse um tipo de indulgência, onde quem polui continuará apoluir, mas, será “perdoado”, pois está plantando mudas em outro país bem distante (oschamados Crédito de Carbono). O Armagedom ou Har-Magedon é identificado na Bíblia como a batalhafinal de Deus contra uma sociedade humana iníqua que se desvirtuou dos princípios Divinos. Podem ser atribuídas à ira Divina quaisquer que sejam os fenômenosnaturais, oriundos de nosso Planeta, ou provenientes do universo, como por exemplo, umfenômeno tectônico com elevado poder de destruição, muito maior do que o Tsunami queatingiu a Ásia em 26 de dezembro de 2004 (Com uma magnitude de entre 9,1 e 9,3, foi oterceiro maior terremoto já registrado em um sismógrafo. Esse sismo teve a maior duração defalha já observada, entre 8,3 e 10 minutos. Isso fez com que o planeta inteiro vibrasse em umcentímetro e deu origem a outros terremotos em pontos muito distantes do epicentro, como no 12 / 30
  13. 13. Alasca, nos Estados Unidos. Seu hipocentro foi entre Simeulue e a Indonésia continental). A aqueda de um meteoro, como o que ocorreu a 65 milhões de anos atrás, dizimou mais de 90%da vida na Terra. Na outra extremidade tem-se a má gestão provocada pelo Ser Humano, quelentamente ou não provoca uma série de destruições na superfície do Planeta. As duas teoriassobre o aquecimento global tratam sobre questões antropomórficas ou naturais. (...)(NAVARRO) Temas da RIO+20 1) Desenvolvimento sustentável para combater a pobreza; O Desenvolvimento sustentável para o combate à pobreza não possui umcaráter global, e sim pontual. A globalidade fez com que ocorresse o empobrecimento deregiões em detrimento do enriquecimento de empresas. As empresas instalavam-se em regiõesonde notadamente havia abundância de mão de obra barata, recursos minerais sem fim epolíticas locais que incentivavam a atração de empresas estrangeiras. Em troca, havia apromessa de troca de tecnologias e de capacitação local. Essas bandeiras já se encontramultrapassadas. Olhando para o próprio umbigo, vejamos o Brasil, país continental. Porqueserá que a cultura do norte ou do nordeste é diferente da cultura do sudeste e do sul? Será porcausa dos colonizadores? Sim, porque os colonizados são os mesmos. Lembro-me que em1972 um professor meu, agrônomo, foi para o Estado do Piauí trabalhar na perfuração depoços profundos para a obtenção de água. Dois anos depois nos encontramos e eu perguntei oque ele achou por lá, já que aquele estado era considerado um dos mais “secos” do Brasil. Deacordo com as informações dele, ocorreram perfurações onde as vazões variavam de 400m3por hora a 1.200m2 por hora, com profundidades variando entre 600 a 1.200 metros. O que foifeito de toda essa água? Por que as populações não foram beneficiadas? Por que essainformação não foi disseminada? Será que era interessante dar o “salvo conduto” àquelapopulação, ou era melhor que continuassem no cabresto dos políticos? São palavras duras, e aépoca também o era, mas isso nunca saíu de minha cabeça. Durante um período em que estiveno Rio Grande do Norte, percorrendo o Estado de carro, a trabalho, notei que na estrada,muito boa, que ligava a capital, Natal, à cidade de Mossoró, tanto de um lado da estradaquanto do outro o que via era uma areia cinza. De vez em quando o cenário passava a ser deoásis verdejante. Ví plantações de todo o tipo (no início da década de 90). Chegando em 13 / 30
  14. 14. Mossoró fiquei hospedado em um hotel de águas termais. Perguntei então o que eram aquelesoásis. A resposta foi: Essas terras foram adquiridas pela MAISA, que comprou da Petrobrasos poços que não jorravam petróleo e sim água. A MAISA era um dos grandes produtores defrutas (Mossoró Agro-Industrial S/A). Se a história de compra e venda era verdadeira eu nãome preocupei. Mas ví que a água produzia milagres na região. A partir daí veio a questão: Porque o Nordeste é tão seco e árido e tão pobre? Essa não era só a minha visão, mas a de muitosbrasileiros. Será que não se poderia mudar a política de assistencialista e imediatista por outrade maior tecnologia, como a da exploração de aquíferos, exploração da água salobra, com adessalinização, como é feito em Israel, um dos grandes produtores de cítricos? Ou a visãoainda deveria permanecer assistencialista? Nas proximidades de Juazeiro(BA), vizinho dePetrolina (PE), conectadas por uma ponte, na década de 60 foi iniciado o Projeto bebedouro,com o aproveitamento da água do Rio São Francisco, para a irrigação da lavoura. Nãodemorou muito e já se produziam uvas, laranjas, melões e diversas outras, e inclusivecomeçou-se a exportar. Esse tipo de ação é que o chamamos de combate inteligente à pobreza.Não se combate a pobreza de modo assistencialista, mas sim gerando meios para que apopulação possa se aproveitar e sobreviver. A época de trocar “uma alpercata” por um voto jápassou há décadas. O combate à pobreza se faz com ações sérias e rigorosas. Uma delas é com acultura ou conhecimento. Os antigos Tigres Asiáticos, formado por Hong Kong, Singapura,Taiwan e Coréia do Sul, empreenderam longo processo de capacitação de seu povo atétornarem-se exportadores de produtos. Esse processo levou mais de 30 anos e ainda continua. Não se combate pobreza com doações ou ajudas financeiras temporárias. Háque se considerar que o que efetivamente contribui é a capacitação das pessoas. Entretanto,não basta só a capacitação se não há empreendimentos que as empreguem. No terremoto doHaiti, sómente como exemplo, muitas das doações de comunidades sequer chegaram ao seudestino final e isso ocorre fartamente na África e em outras nações. Hoje muitos paísesencontram-se em guerra fraticida para tirar do poder governantes que estão a décadas nopoder e nada fizeram pela população miserável. O exemplo está difundido em todos oscontinentes. Também deve ser avaliado de que forma se acaba com a pobreza. 14 / 30
  15. 15. 2) O desenvolvimento sustentável como uma resposta à crise econômica e financeira; Neste tema associam-se questões político-econômicas com as dedesenvolvimento sustentável. Conceitualmente falando, um desenvolvimento passa a sersustentável quando há a mínima ou nenhuma agressão ao meio ambiente. Somente nessedesenvolvimento percebe-se que nenhum empreendimento é sustentável. O empreendimentopassa a ser parcialmente sustentável quando gera condições de repor o que foi retirado danatureza. Uma casa de sapê, com tijolos de argila e telhado de galhos secos pode serenquadrado como sustentável, porque todos os componentes da construção foram retirados danatureza e não extraídos. Esses materiais, quando decompostos com o tempo terminam porserem absorvidos pela natureza. Assim, não há pegadas humanas como vestígio. Uma fábrica,que recicle a água do processo, extraia o calor dos equipamentos e da produção para gerarenergia elétrica, que passa a ser utilizada nela, não é um empreendimento sustentável. Paraimplantar o empreendimento alterou-se o local, empregaram-se materiais que não são osnaturais, encontrados no ambiente, criaram-se rotas de transporte, enfim, alterou-se umambiente. A geração da energia e o reaproveitamento da água são ações importantes? Claroque sim, mas não é isso que faz com que o empreendimento seja sustentável, a menos queestejamos mudando os conceitos e definições. De acordo com Rebeiro (2004)6, (...) a auto-sustentabilidade não é umaquestão que está ancorada na dimensão financeira, ao contrário, ela é pluri-dimensional. Dapalavra «sustento», mais que a idéia de «pão para comer», colhemos a referência à conteúdo,à suporte, à segurança; tal sustento pode ser material, moral, espiritual, afetivo, etc. Enfim, aauto-sustentabilidade do terceiro setor não é um fenômeno avulso, isolado; não acontecesozinho! Não existe a auto-sustentabilidade por si mesma. A auto-sustentabilidade não é algovoluntarista (que depende puramente da vontade!) ou tecnicista (que só depende de meiosusados), mas está condicionada a todo um grande contexto de conquistas tais como aelaboração de um sério projeto institucional, a nobreza da causa defendida pela instituição, asua significatividade social, a sua sintonia com as políticas públicas e governamentais, a suacapacidade de busca (inquietude profética), a sua visão estratégica, os recursos humanos, acomunicação com a sociedade, a sua transparência administrativa, etc. (...)6 REBEIRO, A.S. (Diretor da Escola Salesiana do Trabalho), A auto-sustentabilidade do terceiro setor, 16 pp.Belém, 16/08/2001. 15 / 30
  16. 16. Em uma obra em que atuamos no início da década de 2000, os restos doconcreto da betoneira, provenientes da limpeza da bica viraram espaçadores na montagem dasferragens da estrutura. Os restos de concreto eram transformados em sub-base das ruas, asmadeiras, quando não podiam ser reaproveitadas eram doadas a panificadoras, quequeimavam-nas para a produção do pão. Todos os resíduos gerados eram segregados parareaproveitamento ou doação. Todas essas ações visavam unicamente diminuir os impactos aomeio ambiente. Esse talvez seja o conceito maior – reduzir os impactos ao meio ambiente. O outro tema associado diz respeito à crise econômica e financeira. Essacrise começou devido a uma bolha de valorização dos imóveis nos Estados Unidos, com oscompradores revendendo seus imóveis e ampliando os níveis de endividamento, tendo comogarantia o imóvel. Com o estouro da bolha a garantia não assegurava a amortização dofinanciamento. Essa foi uma parte da crise. Outra parte foi provocada pelo excesso debenefícios concedidos em algumas nações. Todos estes temas foram pontuais. Porém, com aglobalização e a interconexão das bolsas de valores, o habitante de Mumbai, na Índia,terminou sendo prejudicado, da mesma maneira que o habitante de Bonfim, no estado de BoaVista. Assim, como essas ações poderão ser solucionadas? A França encontra-se em períodoeleitoral, da mesma forma que os Estados Unidos e outros Países. Em muitos outros háconflitos pelo poder, ou seja, o cenário não é nada conveniente para se falar em solução decrise econômica e financeira. Essa pode ser minimizada com a criação de empregos, queterminam sendo gerados pela implantação de empresas ou o crescimento das existentes.Muitos Sindicatos brigam por reduzir a carga horária semanal sob a alegação de que assimhaverá a possibilidade de se contratar mais gente. Isso nem sempre é possível, quando asempresas não tem um segundo turno. Para que as empresas cresçam é necessário que pessoaspassem a comprar. Para que essas tenham os recursos devem-se reduzir as cargas tributárias.Para reduzir as cargas tributárias os administradores públicos devem “enxugar” despesas eserem mais eficientes. A questão é extensa e complexa e somente ele já poderia ser um pontode discussão isolado. Todavia, é um problema que afeta uma nação ou algumas nações, nocaso de estabilização da balança comercial, e nunca o conjunto de nações que existem naPequenina Terra. 16 / 30
  17. 17. 3) Desemprego, trabalho decente e migrações7; Aqui associam-se desemprego, trabalho decente e migrações, temasdistintos e pontuais. O desemprego está associado ao segundo tema. Para combater odesemprego os países precisam investir em capacitação, pesquisa e desenvolvimento.Também devem investir na facilitação para que novas empresas surjam. A redução dasexcessivas cargas tributárias facilitaria em muito essas ações. As micro empresas são umasolução fácil e rápida, da mesma maneira que os investimentos em atividades que empregammão de obra em abundância, como na construção civil. Outro aspecto é o da identificação davocação local. Por vocação local pode ser entendido o que as populações podem se dedicarmais. Algumas dessas vocações surjem naturalmente e outras são criadas. Vemos o caso deGramado (RS), com sua vocação turística e de eventos. Novo Hamburgo (RS) para calçados,Bento Gonçalves (RS) uva e vinho, Pelotas (RS) pêssegos e compotas em geral, VoltaRedonda (RJ) aço, Nova Friburgo (RJ) têxteis, Petrópolis (RJ) turismo histórico e roupas,Ouro Preto (MG) turisco histórico, só para ficarmos nesses pouco exemplos e nãodesconsiderando centenas de outras cidades. A partir do momento em que essa vocação édescoberta, ou surge, os governos podem aprimorar seus mecanismos de intervenção eimplementar medidas de melhoria dos padrões, com a capacitação, a certificação, asorientações técnicas, através da EMBRAPA, por exemplo. O trabalho passa a ser decente quando as nações passam a ter leis rigorosas.Como aplicá-las em muitos dos paises asiáticos ou africanos? Como combater no Brasil, queaceita os migrantes bolivianos na capital econômica do País (São Paulo) para a produção depeças de vestuário em condições sub-humanas? Isso é sempre motivo de reportagenstelevisivas, sem a obrigatoriadade de citação de fontes. Basta assistir a televisão. Nos Estadosdo Norte do Brasil há problemas sérios, inclusive os relativos à mutilação de pés em criançase jovens na produção da juta, durante o pisoteado da planta nas grandes máquinas dedesfibramento. São inúmeros os casos de migrações populacionais motivadas pelas guerras,pelos fenômenos naturais, como terremotos e tsunamis, implantação de empreendimentosindustriais de grande porte, além de uma série de outras razões. O migrante, ou seja, aqueleque migra de um local para outro, podendo ser de um bairro a outro, de uma cidade a outra, de7 Traduzido de “Lotta Comunista”, nº 492, jul/ago 2011 17 / 30
  18. 18. um estado a outro ou de um país a outro, termina causando uma série de transtornos, sócio-econômico-culturais nos locais para onde vão. No delta do Mekong (parte da antiga Indochina) onde se encontram hoje ospaíses de Myanmar (50 milhões de habitantes), Tailândia (68 milhões de habitantes),Camboja (15 milhões de habitantes), Laos (71 milhões de habitantes) e Vietnã (89 milhões dehabitantes), as contínuas migrações internas terminam por criar sérios problemas sociais, alémde onerar os países que as recebem. Essas migrações devem-se, em parte, a políticaseconômicas locais ou novos empreendimentos. Também podem ser associadas a questõespolíticas e climáticas. Com a implantação de novas tecnologias e a globalização, que muitas vezesbusca estabelecer empresas onde o custo da mão de obra ou de insumos seja mais baixo, comose percebe na Europa nos dias de hoje, os administradores locais devem ter todo umplanejamento estratégico que antecede a concessão das autorizações para a implantação, vezque a vinda de novas empresas ao invés de ser um excelente negócio a médio e longo prazopassa a ser uma dor de cabeça, deixando atrás de si grandes problemas, principalmente os decunho social. Ressaltam-se os problemas envolvendo a saúde pública, o aumento dacriminalidade e da prostituição, o aumento dos custos gerais produzidos pela crescentedemanda, e que quando essa cessa a redução dos custos não ocorre com a mesma velocidade eproporcionalidade. As empresas estão em contínua busca de mão de obra cada vez maisespecializada. Os clientes cobram reduções de custos cada vez maiores e os administradoreslocais, prefeitos, governadores ou presidentes, buscam auferir divisas dessas atividades.Ocorre muitas vezes que no local específico para a implantação do empreendimento não há amão de obra necessária e com a capacitação que se requer. As empresas, por outro lado, nãopodem dispender tempo de capacitação de pessoal e nem de preparo dos ambientes, emfunção dos orçamentos e cronogramas fixados que determinam uma data para o início daprodução. Retardar-se a produção é o mesmo que retirar-se os resultados econômico-financeiros. Na linguagem econômica tem-se o custo das oportunidades. Em razão disso,percebe-se que na maioria das vezes passa a ser atribuído aos moradores locais o exercício dasfunções menos nobres, sendo as demais repassadas a trabalhadores migrantes, principalmenteas funções gerenciais e operacionais, ou seja, aquelas com maior remuneração. Além disso, osempreendimentos terminam trazendo sérios problemas sociais, com o encarecimento dos 18 / 30
  19. 19. custos locais, carência de moradias, alterações nas características urbanas das cidades aoredor, enfim, passam a existir várias questões que, na maioria das vezes fogem ao controledos legisladores locais. Periodicamente ocorrem movimentos dito migratórios onde a migração sedá dentro de uma mesma cidade, estado ou país. Esses movimentos terminam por nãorepresentar aumentos populacionais aos países. Más há também aqueles onde as migraçõessão entre países, como correu com a Nova Zelândia, Austrália, Canadá, entre outros, paísescom baixo índice populacional e que precisavam de mão de obra para poder crescer. Tanto emum quanto em outro caso as movimentações de pessoas não se dão em um mesmo tempo,ocorrem lentamente, a menos que estejamos tratando de regiões com conflitos bélicos, comoatualmente na Síria, com populações fugindo para a Turquia. O que preocupa os dirigentes locais é o que se denomina de infraestrutura.Quando um local não possui a estrutura necessária capaz de absorver essas levas de mão deobra passa a ter um desequilíbrio, pois, além de ter a obrigação de cuidar das populaçõesexistentes passa a ter a responsabilidade de atender a novas demandas populacionais. Outra questão que deve ser levada em consideração é a que diz respeito àriqueza do País. Há migrantes que se estabelecem nos países ricos com o único objetivo deconseguir qualquer emprego para poder enviar dinheiro para suas famílias que residem empaíses mais pobres. Essa transferência de divisas é boa para os países mais endividados. Foi o desenvolvimento capitalista que colocou em circulação e remexeupopulações que – com exceção das ligações e dos comércios limitados que caracterizaram dequalquer forma a economia pré-capitalista – viviam essencialmente separadas e independentesumas das outras. Ian Goldin, em seu recente trabalho sobre migrações mundiais, remonta aessa época o início das grandes explorações (Colombo, Cortéz, Vasco da Gama) e fala de umaera das explorações que liga entre elas as comunidades humanas em todo o mundo. Daquivieram o mercantilismo, o capitalismo e as migrações modernas. Hania Zlotnik8 resumiu e comentou as teorias sobre as migraçõesinternacionais começando por Adam Smith, que era contra as limitações dos deslocamentosde homens em vigor na Inglaterra do século XVIII. Esquematicamente: Zlotnik faz umadistinção entre teorias “macro” (que são baseadas em fatores econômicos de push, ou seja,que empurram a população e a força de trabalho de um país para outro, e de pull, que as8 KRITZ, Mary M. e Hania ZLOTNIK (1992), “Global interactions: migration systems, processes, and policies”, in M.M. Kritz et al. (Ed.),International Migration Systems. A Global Approach, Oxford, Clarendon Press, pp 1-16KRITZ, Mary M., Lin L. LIM e Hania ZLOTNIK (Ed.) (1992), International Migration Systems. A Global Approach, Oxford, ClarendonPress 19 / 30
  20. 20. atraem de um país para outro) e teorias “micro”, que procuram explicar os fenômenos partirdas escolhas econômicas individuais do migrante e de sua família. O propósito dessas teorias,que surgiram em grande número ao longo dos últimos trinta anos, seria o de preverquantidades e fluxos das migrações para poder administrá-los mais facilmente. Podemosresumir como principais fatores atratores ou repulsores: • Qualidade de Vida; • Segurança Familiar; • Oportunidades de Trabalho; • Facilidades de Moradia; • Lazer; • Saneamento básico, escolas, etc.. 4) A economia do desenvolvimento sustentável, incluindo padrões sustentáveis de produção e consumo; O tema, também complexo, trata de padrões sustentáveis de produção econsumo, como foco principal do problema, trazendo à reboque as questões da economia dodesenvolvimento sustentável. Mais uma vez criam-se temas generalistas e que terminamsendo conflituosos. O Ser Humano precisa aprender a produzir e a consumir com critérios. Sócomo exemplo, um simples escovar de dentes em casa pode representar um gasto que podechegar a 15 litros de água, se a pessoa não fechar a torneira. Um banho matinal de 15 minutospode representar 90 litros de água. O consumo é maior se observarmos o que comemos e oque vestimos. A água é empregada em muitas etapas de praticamente todas as atividadesprodutivas, seja na lavagem dos produtos, resfriamentos de processos, entre outras. Na cidadede Joinville em Santa Catarina uma empresa de ônibus recicla quase que 80% de toda a águautilizada na limpeza de sua frota de ônibus. Na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, um postode gasolina reutiliza a água empregada para a remoção do sabão na lavagem dos veículos paraa primeira limpeza dos próximos veículos. Em uma segunda ação, no horário de pique deconsumo de energia o posto utiliza um gerador a diesel em substituição a energia elétrica daconcessionária pública. Em outra ação, no projeto de um prédio de escritórios no centro dacidade do Rio de Janeiro foi prevista uma “fabrica” de gelo para ser utilizado no sistema de arcondicionado geral. À noite fabricava-se gelo. De manhã, com o gelo se transformando emágua gelada era inserido no circuito do sistema de ar condicionado. Podem ser ações isoladas?Claro, mas são importantes. A auto geração de energia elétrica nas refinarias de petróleo, a 20 / 30
  21. 21. construção de geradores eólicos e outras ações terminam, no conjunto geral, sendoimportantes. Hoje em muitas cidades europeias já se incentiva o telhado verde, com osmoradores plantando suas hortas, ou recolhendo a água das chuvas para reaproveitamento emdiversos fins. 5) As florestas; No ano de 1854 (há autores que citam o ano de 1845), o presidente dosEstados Unidos Franklin Pierce fez uma proposta de comprar grande parte das terras de umatribo indígena, oferecendo em contrapartida a concessão de uma outra "reserva". Essas terraspertenciam às tribos Suquamish e Duwamish, comandadas pelo Chefe Seatlle (Tsial-la-kum),(1786 / 1866), que reapondeu ao grande Chefe Branco da seguinte forma: (...) Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Háuma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o quefizer ao tecido, fará a si mesmo. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalossejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos dafloresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída porfios que falam.∗ Onde está o arvoredo? Desapareceu.∗ Onde está a águia? DesapareceuÉ o final da vida e o início da sobrevivência.(...)9 Devemos iniciar essa série de reflexões conhecendo um pouco do que pensaMolion (2009)10 quando diz: (...) Reflexões sobre o propalado aquecimento global deixam9 Texto dado como escrito no ano de 1854 pelo Chefe Indígena "Chefe Sealth" (Tsial-la-kum), mais conhecidocomo Chefe Seattle (1786 / 1866), líder das tribos Suquamish e Duwamish, ao presidente dos Estados UnidosFranklin Pierce que havia feito uma proposta de comprar grande parte de suas terras, no que hoje é o estadoamericano de Washington, oferecendo, em contrapartida, a concessão de uma outra "reserva". Esse texto temsido considerado, um dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meioambiente.10 Outra visão sobre o aquecimento global, por Luiz Carlos Baldicero Molion, Doutor em Meteorologia pelaUniversidade de Wisconsin (estados Unidos) e Pós Doutor em Hidrologia de Florestas pelo Instituto deHidrologia de Wallingford (Inglaterra), em artigo publicado pela Scientific American Brasil Terra 3.0 21 / 30
  22. 22. evidente que o clima do planeta é complexo e, sem exagero, resultante de tudo o que ocorreno Universo. O fato de o aquecimento entre 1977 e 1998 ter sido provocado principalmentepela variabilidade natural do clima não é um aval para a humanidade continuar a depredaro meio ambiente. Ao contrário, considerando-se que o aumento populacional é inevitável, obom senso sugere a adoção de políticas públicas e práticas de conservação ambiental bemelaboradas, destituídas de dogmatismos, e mudanças nos hábitos de consumo para que asgerações futuras possam dispor de recursos naturais. A maior ameaça ao ambiente é amiséria humana e uma distribuição de renda mais eqüitativa é imperativa. Essas ações nãodependem de mudanças climáticas e devem ser tomadas, independentemente de aquecimentoou resfriamento global. (...) (...) Um quadro complexo, além daquele que envolve as relações entre ospaíses é o que trata das questões econômicas, aflorando em cada uma das discussões, muitasvezes não totalmente explícitas. Essas mesmas questões econômicas já se transformaram ementraves em reuniões anteriores tratando das mesmas questões: mudanças climáticas, já que oscustos envolvidos podem ser realmente elevados. A principal questão que se apresenta, masnão é levada à mesa das discussões, é o que fazer para se mudar o status quo. Sim, porquemais do que a simples questão financeira, estão em jogo interesses comerciais e técnicos,questões relativas à empregabilidade, e, por que não, o fato dessas ações serem em longoprazo, onde os governantes que a implantam, ou plantam, não são os mesmos que colhem osresultados. Muitas das nações envolvidas, vítimas de todo esse processo, pois permitiram ouforam vítimas das explorações predatórias comandadas pelas nações ditas desenvolvidas,procuram, nessas discussões, obter algum tipo de ganho. Bornéu, a terceira maior ilha do mundo, com uma riqueza imensa deespécies vegetais e animais, com uma extensão territorial um pouco maior que o tamanho deMinas Gerais somado ao de Pernambuco, praticamente não tem mais florestas primárias. Emmenos de 100 anos só sobrou 10% das florestas. A madeira explorada era enviada para aEuropa, e em seu lugar foi plantado o Dendê para a extração do óleo, produção praticamentetoda exportada. Não será essa uma questão de má gestão ambiental? No Brasil, um projeto denominado “Fordlandia”11 com o apoio do governodo Estado do Pará, destinou uma grande extensão de terras para uma multinacional, a fim deque essa pudesse se abastecer de látex, empregado na produção de pneumáticos. Depois de11 Fordlândia foi o nome dado a uma gleba de terra adquirida pelo empresário norte-americano Henry Ford,através de sua empresa Companhia Ford Industrial do Brasil, por concessão do Estado do Pará, por iniciativa dogovernador Dionísio Bentes e aprovada pela Assembléia Legislativa, em 30 de setembro de 1927. A área de14.568 km2 fica próxima a cidade de Santarém, no estado do Pará, às margens do Rio Tapajós. 22 / 30
  23. 23. grandes somas de recursos investidos o projeto naufragou, pois não havia o necessárioconhecimento do comportamento da floresta amazônica, à época. Também não será essa umaquestão de má gestão ambiental? Também no Brasil vários outros projetos tiveram finalidades semelhantes,com resultados não muito satisfatórios. Um desses gerou uma guerra fraticida, conhecida coma Guerra do Contestado12, no Estado de Santa Catarina, um conflito armado entre a populaçãocabocla e os representantes do poder estadual e federal brasileiro travado entre outubro de1912 a agosto de 1916, numa região rica em erva-mate e madeira disputada pelos estadosbrasileiros do Paraná e de Santa Catarina. A região fronteiriça entre os estados do Paraná eSanta Catarina recebeu o nome de Contestado devido ao fato de que os agricultorescontestaram a doação que o governo brasileiro fez aos madeireiros e à Southern BrazilLumber & Colonization Company. O principal ponto da discórdia foi o fato do governo haverdesconhecido os direitos da população ali existente, e doado a terra, antes ocupada por essa,para uma empresa estrangeira em troca da construção de uma estrada de ferro. A paga se dariacom a comercialização da madeira extraída, as araucárias, que hoje praticamente não maisexistem na região. Na China, grandes florestas foram substituídas por plantações de bambu.Será que isso não nos lembra nosso passado no Brasil, ou o dos demais países da América doSul também explorados, e porque não os países africanos? Pois bem, nessas horas deacusações mútuas sobre quem polui mais ou menos e sobre quem tem a obrigação de agir equem não tem sobre quem tem o direito de receber e quem tem que pagar a conta, os acordossão difíceis. Não há uma uniformidade de pensamento sobre como resolver as questõesdo aquecimento global, as ações mitigadoras necessárias, os prováveis impactos econômico-sociais, os custos necessários e os esforços que deverão ser empreendidos pelas nações, emuito menos se o Homem é realmente réu neste processo, ou seja: será o Homem responsávelpelas alterações que estão sendo observadas no clima do Planeta? Os cientistas ainda discutem12 Após a conclusão das obras do trecho catarinense da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande, a companhiaBrazil Railway Company, que recebeu do governo 15km de cada lado da ferrovia, iniciou a desapropriação de6.696km² de terras (equivalentes a 276.694 alqueires) ocupadas já há muito tempo por posseiros que viviam naregião entre o Paraná e Santa Catarina. O governo brasileiro, ao firmar o contrato com a Brazil RailwayCompany, declarou a área como devoluta, ou seja, como se ninguém ocupasse aquelas terras. "A área total assimobtida deveria ser escolhida e demarcada, sem levar em conta sesmarias nem posses, dentro de uma zona detrinta quilômetros, ou seja, quinze para cada lado". Isso, e até mesmo a própria outorga da concessão feita àBrazil Railway Company, contrariava a chamada Lei de Terras de 1850. Não obstante, o governo do Paranáreconheceu os direitos da ferrovia; atuou na questão, como advogado da Brazil Railway, Affonso Camargo,então vice-presidente do Estado. 23 / 30
  24. 24. a troca de créditos de carbono pela implantação de florestas jovens, porque essas consomemmais oxigênio do que transformam o gás carbônico. O homem, desde os seus primórdios é um destruidor nato. Seja através dasárvores abatidas para a construção de suas moradias, ou para queimar nas fogueiras, na caçapara alimentação, proteção ou vestuário, na construção de seus barcos, e em quase tudo o quefaz para sobreviver. Nas guerras as grandes máquinas capazes de por abaixo as muralhas eramde madeira retirada das proximidades. No império romano, os soldados ao se retirarem de umlocal derrubavam tudo aquilo que pudesse ser transformado em pontes, catapultas, aríetes,flechas e tudo o mais pelos seus inimigos, era a política da terra arrasada, tão bem praticadaem todas as guerras. Muitos dos países europeus já não tinham nem 50% de suas florestasprimárias há 500 anos. Uma caravela para cruzar o oceano poderia significar a derrubada dequase 200 árvores, entre as empregadas na própria embarcação, as utilizadas no apoio e narolagem dos barcos para os rios, as empregadas no mobiliário e outros fins. (...) (Navarro,2011) 6) Alimento, nutrição e segurança; Há debates envolvendo a fome, principalmente no continente africano,questionamentos também acerca da ocorrência dos fenômenos naturais que causam milharesde vítimas. São os vulcões ativos, terremotos e maremotos, furacões e tornados. Todas essasocorrências naturais têm provocado um repensar sobre o amanhã. Além desses, a misériaextrema pela qual passam quase um bilhão de pessoas, que vivem com menos de 2 US dólarpor dia, também é razão de muitos questionamentos. Enquanto esse largo contingente passafome há desperdícios de alimentos em muitas partes do Globo, sejam esses pelo excesso demanipulação ou das condições das colheitas, perdas localizadas durante o transporte ouarmazenagem, e outras. Em alguns momentos o percentual dessas perdas pode chegar a maisde 2% de tudo o quanto é colhido. As condições climáticas são desfavoráveis ao cultivo de alimentos para todaessa população, em muitas das regiões do nosso pequeno mundo. Os combustíveis fósseisestão com os seus dias contados, o efeito estufa prejudica-nos, o buraco de ozônio continua aíprovocando transtornos, e, com todo esse cenário pessimista, ou muitas vezes alarmista, oHomem segue sem rumo navegando nesse mar de intranqüilidade e incertezas, sem saber oque será do próprio planeta e da raça humana no futuro. Isso sem falar no aquecimento global,com o desprendimento de icebergs maiores do que muitos países, errantes pelos mares, e o 24 / 30
  25. 25. encolhimento da camada de gelo em muitos glaciares. A falta de conhecimento por parte dapopulação tem provocado uma ressonância muito maior desse eco de reclamações. A desertificação dos campos e florestas deslocou a maior massa migratóriana história do mundo. Na virada do século, mais de metade da população viverá em áreasurbanas. A quantidade de terra tornada improdutiva pela desertificação anualmente no mundoé de aproximadamente 21 milhões de hectares. O percentual da terra no mundo que sofredesertificação é de cerca de 29%. As monoculturas amplamente praticadas pelos principaispaíses termina por centralizar grandes áreas agriculturáveis nas mãos de um pequeno númerode agricultores. Reverter-se esse quadro hoje é impossível. Assim, resta para aqueles que nãotem onde plantar, buscar subempregos para poder alimentar suas famílias. A existência dos“boia frias”, trabalhadores avulsos que na época da safra cortavam cana, foram substituídospor máquinas com elevada produtividade. Mais uma vez ressalta-se que a modernidade, aredução dos custos para participar do mercado exportador requer novas tecnologias quereduzem os efetivos de mão de obra. 7) Energia sustentável para todos; O tema energia sustentável para todos, é uma falácia, começando pelo título.Em primeiro lugar, a sustentabilidade não é total e sim parcial. Em segundo lugar, asconcepções não menos recentes de doar células captoras de luz solar para as residências, emalguns lugares da Europa, já se manifestaram inócuas. Nos devemos ter uma matriz energéticabem dimensionada e conveniente aos recursos dos países. Por exemplo, no Brasil ainda háelevado potencial de produção de energia hidrelétrica. O mesmo não ocorre em muitos outrospaíses que precisam de energia alternativa. Dentre todas, a “mais limpa” é a energia nuclear.Contudo, os episódios recentes do Japão, mostraram a todos que os projetos precisam serrevistos, e não que essa fonte de energia seja eliminada. A energia eólica tem se mostradobastante interessante para os países, principalmente pelo baixo custo. Porém, mais uma vez,para se montar geradores eólicos devem-se ter correntes de ventos que fluam na regiãoproduzindo a energia necessária para o propósito. Ainda não se tem como afirmar qual é amelhor forma de geração de energia elétrica. Provavelmente, coletores de luz solar em regiõesdesérticas seja uma solução. Em outros países as termoelétricas a carvão ainda sãoabundantes, porque nesses países há muito carvão mineral. As termoelétricas a gás são outraforma de geração interessante. Mas, fica dependente da existência de jazidas com reservas quepossibilitem o emprego do gás por décadas. As soluções que servem para um país muito 25 / 30
  26. 26. provavelmente não serve para todos os demais. O que se percebe é o interesse de instituiçõespara o desenvolvimento de geração alternativa, como a promovida pelo movimento dasmarés. Este é um tema bastante complexo e técnico que não deverá ser consensado a médioprazo. Há muitas empresas, dentre essas a Petrobras, que produzem e chegam a exportar,internamente, os excedentes da energia elétrica. Essa produção decorre do melhoraproveitamento dos processos produtivos. Como não há nenhum processo onde haja oaproveitamento de 100% da energia despendida, os desperdícios podem ser transformados emoutras formas de energia. O que era o bagaço da cana moída, para extração da garapa e aprodução de álcool e açúcar, hoje é empregada em caldeiras e produz energia elétrica para aspróprias empresas. Nesse aspecto o governo brasileiro tem incentivado a co-geração deenergia elétrica e temos hoje, uma rede que abrange quase todo o país, de sorte que, quandouma hidrelétrica produz menos energia porque choveu menos na região, essa passa a serabastecida pela energia gerada em outras regiões. Este é um bom exemplo a ser seguido. 8) Água; Muito se propala que a água potável do mundo irá acabar. Será? Nospadrões atuais os níveis de desperdícios no consumo de água são elevados. As fontes dessesrecursos estão sendo deterioradas, com as nascentes eliminadas, as matas ciliares substituídaspor plantios agrícolas, a larga extração da água para a irrigação das lavoras, e, o que é pior, olançamento de resíduos perigosos utilizados nos herbicidas nos rios e a penetração dosmesmos nos aquíferos. Há muitos aquíferos dispersos pelo mundo. O Aquífero Guarani temextensão total aproximada de 1,2 milhões de km², sendo 840 mil km² no Brasil, 225,500 milkm² na Argentina, 71,700 mil km² no Paraguai e 58,500 km² no Uruguai. A porção brasileiraintegra o território de oito Estados: MS (213.200 km²), RS (157.600 km²), SP (155.800 km²),PR (131.300 km²), GO (55.000 km²), MG (51.300 km²), SC (49.200 km²) e MT (26.400 km²).As reservas permanentes de água são da ordem de 45.000 km³ (ou 45 trilhões de metroscúbicos), considerando uma espessura média aquífera de 250m e porosidade efetiva de 15%, ecorrespondem à somatória do volume de água de saturação do Aquífero mais o volume deágua sob pressão. No interior de São Paulo há alguns afloramentos do aquífero. Nesses já sepercebe poluição das águas. Além disso, a intensa exploração da água para vários fins podereduzir o tempo de sobrevivência do mesmo, apesar de seu enorme volume. O Guarani temum volume de água armazenada equivalente a uma vez e meia do volume de água do Lago doBaikal, na Rússia, que com 636 km de comprimento e 80 km de largura, é o maior lago deagua doce da Ásia, o maior em volume de agua do mundo, o mais antigo (25 milhões de anos) 26 / 30
  27. 27. e o mais profundo da terra, com 1680 metros de profundidade. Outro lago, o Mar de Aral, querepresentava um potencial de água para as populações ribeirinhas, teve entre 1989 e 2008 umaperda de 90% de seu tamanho e volume de água, isso porque as nascentes dos dois principaisrios afluentes ficam nas altas montanhas do sistema do Himalaia e distanciam cerca de 2.000km da foz. Ao longo desse percurso os rios cortam quatro países (a saber: Afeganistão,Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão), tornando-se preciosa fonte de recursos naturais,com grande variedade biológica, em meio ao clima desértico. A indústria pesqueira era aprincipal atividade econômica da região. No século XX os dois rios passaram a receber lixo,esgoto e poluentes com o desenvolvimento das comunidades próximas, e foram alvo desucessivas drenagens pelo governo soviético das repúblicas da Ásia Central. A partir de 1920o fluxo dos rios diminuiu consideravelmente, até que se chegou quase que aodesaparecimento do lago. Quando se trata de água para a provisão humana, deve-se avaliar apreservação dos rios e suas nascentes, os lagos, aquíferos e outras formas de contenção daágua como as represas e açudes. Se não houver o controle do uso desses recursos dificilmente,ou a um elevado custo eles poderão ser aproveitados no futuro, vide as represas deGuarapiranga e Billings em São Paulo, entre tantas outras, com grande poluição. Considerando que as demandas totais de água no mundo são da ordem de6.000 km3/ano, divididas em 10% para uso doméstico, 20% para uso industrial e 70% para aagricultura, se houver uma redução de apenas 10% da água para a agricultura, através denovas tecnologias, já se poderia dobrar a oferta para a população mundial. (FAO, 2.000). NoEstado do Pará, nas proximidades da cidade de Santarém foi descoberto um aquífero que,segundo os pesquisadores das universidades federais do Pará e do Ceará, que vêmdesenvolvendo estudos há alguns anos, pode conter uma reserva de água da ordem de 86.000km3, superando em quase duas vezes o Aquífero Guarani. O nome desse aquífero é Alter doChão. O Brasil tem mapeamentos de outros aquíferos importantes, no Piauí, Maranhão eAcre/Amazonas. Essas reservas ainda não foram totalmente mapeadas e avaliadas. Com isso,se demonstra que cuidar dos recursos hídricos não é somente tratar de rios, riachos, nascentes,açudes, barragens, entre outros, mas também entender que há enormes recursos “estocados”, aalguns intocáveis em muitas regiões do Brasil. Ocorre que não se pode fazer com essesrecursos. Nos Estados Unidos, segundo um estudo da BBC Mundo (2003), verificou-se que o maior aquífero desse país, o Ogallala, está empobrecendo a uma taxa de 12 bilhõesde m3 ao ano. A redução total chega a uns 325 bilhões de m3, um volume que iguala o fluxo 27 / 30
  28. 28. anual dos 18 rios do estado do Colorado. O Ogallala se estende do Texas a Dakota do Sul esuas águas alimentam um quinto das terras irrigadas dos Estados Unidos. Muitos fazendeirosnas pradarias altas estão abandonando a agricultura irrigada ao se conscientizarem dasconsequências de um bombeamento excessivo e de que a água não é um recurso inesgotável13. 9) Cidades sustentáveis e inovação; De acordo com Santos & Machado (2004), (...) Indubitavelmente asociedade atual caracteriza-se pelo avanço técnico-científico e informacional que lhe conferepeculiaridades nunca antes imaginadas. É predominantemente urbana, da comunicaçãoinstantânea, das distâncias reduzidas, da robótica, da cibernética. Em contrapartida, é asociedade do ter em detrimento do ser, da rapidez frenética, da competição acirrada, e, porquenão dizer, marcada por profundas crises. Essas crises refletem objetivamente a esgotabilidadede um processo produtivo que, ao expandir-se globalmente, escancara sua face perversa,através de várias formas de degradação sócio-ambiental. Assim, há duas questões-chave quese apresentam (...) produzir de forma sustentada, não esquecendo que há o dever ético degarantir o abastecimento para as futuras gerações, e (...) e desenvolver mecanismos eficientespara acabar com a miséria absoluta de cerca de 20% da população mundial. (...) O despertar da humanidade já se iniciou, pois é inegável que nas últimasdécadas demos alguns passos em direção a uma nova postura diante do Planeta e seusrecursos. Com certeza as questões ambientais ganharam espaço no Primeiro EncontroMundial sobre o Meio Ambiente em Estocolmo, Suécia, em 1972, eclodindo na Conferênciadas Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecida como Rio-92 ouCúpula da Terra. Esses encontros constituíram um marco definitivo na longa batalha paraaumentar a tomada de consciência internacional quanto à verdadeira natureza e escala da criseambiental, embora muitos estudiosos afirmassem que deram origem a acordos fracos einexpressivos, incapazes de mudar a conduta das nações. Esse despertar talvez tenha sido omais importante resultado da Rio-92, como nos diz Oliveira e Machado (op. cit.): “da mesmaforma que as primeiras fotos da Terra flutuando no espaço sobre o horizonte da Luaprovocaram profunda mudança na maneira de perceber nosso planeta, a Rio - 92 provocouprofunda mudança na maneira pela qual as nações do mundo passaram a encarar suas relaçõese responsabilidades mútuas”.13 Texto extraído do site:http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/geografia/geografia_geral/hidrografia/brasil_aquifero_4, contidona página UFRGS / site www.oaquiferoguarani.com.br 28 / 30
  29. 29. 10) Oceanos. (...) Enquanto o aquecimento global derrete a calota polar, cinco paísescompetem no mapeamento de novas fronteiras energéticas. As apostas são altas: um quartodas últimas reservas de petróleo e gás natural pode estar sob o leito oceânico dessa vastidãoinexplorada. (Oceano Ártico - Revista National Geographic Brasil - 1http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/edicao-110/oceano-artico-450494.shtml) (...) Uma das grandes preocupações que as nações têm que ter é com apreservação da qualidade dos oceanos. O aquecimento global como um todo pode elevar osníveis dos oceanos, afetando grande parte das cidades que ficam nos litorais. Por outro lado,há a exploração desenfreada dos recursos oferecidos pelos oceanos. Na Ásia, ainda continuamas pescas com o emprego de cargas explosivas, destruindo os atóis de coral. A Grandebarreira de Corais, com seus mais de oito mil quilômetros de extensão é uma das grandesabsorvedoras do carbono que se deposita nos oceanos. As pescas predatórias com longasredes sendo arrastadas por embarcações dizimam as espécies de peixes. Os pescadores partementão para dizimar espécies em outras regiões. A exploração do petróleo produz desastresambientais, com os vazamentos acidentais. Enfim, devem existir regras que disciplinem o usoe o aproveitamento dos oceanos em prol da humanidade. Nos países asiáticos, espécies jáforam dizimadas em nome do tabu. Tubarões são abatidos para sopas de barbatanas. Asperdas são irremediáveis. As tartarugas por pouco não já se transformaram em espéciesextintas. As baleias Jubarte quase foram extintas, tudo em nome da obtenção de alimentospara populações cada vez mais famintas. (...) São quatro espécies de baleias que correm risco de extinção, de um totalde 13 existentes no planeta: a baleia azul (Balaenoptera musculus), a cinza (Eschrichtiusrobustus), a franca do norte (Eubalaena glacialis) e a bowhead, ou cabeça-redonda (Balaenamysticetus). Isso, porém, não significa que as nove espécies restantes estejam em situaçãoconfortável - muito pelo contrário. Apesar de a pesca estar proibida desde 1985, todas elascontinuam correndo sério risco de literalmente sumirem do mapa, segundo o Greenpeace,principal organização mundial de defesa do meio ambiente. O animal foi tão perseguido pelohomem ao longo dos últimos nove séculos que precisaria de muito mais tempo e proteçãopara recuperar o número normal da sua população. Só no século XX, foram mortas mais de 2milhões de espécimes. O risco de extermínio se agrava ainda mais devido ao fato de o ciclo de 29 / 30
  30. 30. reprodução ser extremamente lento: em média, uma fêmea tem apenas um filhote a cada trêsanos14. (...) Citando Milton Santos (1994), conclui: “Pelo simples fato de viver, somostodos os dias, convocados pelas novíssimas inovações, a nos tornarmos, de novo, ignorantes,mas também, a aprender tudo de novo”.14 Yuri Vasconcelos, Quais são as baleias mais ameaçadas de extinção?, disponível em http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-sao-as-baleias-mais-ameacadas-de-extincao 30 / 30

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