Percepção de riscos

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Percepção de riscos

  1. 1. A contribuição dos estudos de percepção de riscos na avaliação e no gerenciamento de riscos Pereira, A.F.de A.N.1 Gonçalves, M.L.2"O cientista não estuda a natureza porque ela é útil: estuda-a porque se delicia comela, e se delicia com ela porque é bela. Se a natureza não fosse bela, não valeria apena conhecê-la e, se não valesse a pena conhecê-la, não valeria a pena viver."Henri PoincaréI. Resumo: O objetivo principal deste artigo prende-se à análise de alguns métodosempregados no processo de Gestão de Riscos e sua contribuição na percepção de riscos,na avaliação e no gerenciamento de riscos.II. Introdução: As questões éticas associadas aos processos de percepção e avaliação deriscos não podem ser postas de lado em nenhuma circunstância. Por essa razão, elasserão abordadas com destaque nessa primeira fase deste artigo. Segundo FREITAS &GOMEZ (1997), apud SISINNO (2000): na perspectiva utilitarista das análises técnicas deriscos - da engenharia, toxicologia, epidemiologia, atuária, economia, entre outras - osindivíduos são abstraídos de seus contextos sociais e considerados como nãoinfluenciados por família, círculo de amigos, grupos sociais e instituições a quepertencem, por seus valores socioculturais e emoções. São tratados como frios ecalculistas, agindo ou devendo agir com o objetivo de ordenar o caos e maximizar osganhos de cada ação, distinguindo estratégias e projetando as conseqüências de cadauma delas de modo a determinar a capacidade de escolhas de alternativas, avaliandopermanentemente os riscos e os benefícios das possíveis ações. Na concepção elitista dedemocracia, a maior preocupação é manter a estabilidade de um determinado sistemaético, moral, social, cultural e político, em que são qualificados como racionais aquelescujas ações se encontram em consonância com o mesmo. Nesta concepção, a limitaçãoda participação dos cidadãos nas análises de riscos e nos processos decisórios é aceita ejustificada. Pelizzoli (2003) comenta: "falar em ambiente é falar em pessoas e suasrelações, ou seja, falar em ética, o que por sua vez não é apenas falar em normas moraise comportamentos, mas em formas de conhecimento (que são sempre relações), visõesde mundo, daí a cosmologia, a ontologia e a antropologia envolvidas, a saber, visões desentido do mundo/universo, do ser/essência e do humano/ético". Ainda segundo Pelizzoli (2003), "o planejamento e a administração hoje nãopodem mais suprimir a base ambiental e o modus civilizatório, assim como não poderão1 Antonio Fernando de Araújo Navarro Pereira, Engenheiro Civil, Especialista em Gestão de Riscos, Mestreem Saúde e Meio Ambiente pela Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE2 Mônica Lopes Gonçalves, Geóloga, Mestre em Geologia pela UFRJ, Doutora em Recursos Minerais eHidrogeologia pela USP, Coordenadora do Programa de Mestrado em Saúde e Meio Ambiente daUniversidade da Região de Joinville – UNIVILLE, Orientadora 1 / 14
  2. 2. mais prescindir de uma ética de futuro". "Não é mais possível", como enfatizou JoséLutzenberger, vivermos como se fôssemos a última geração. As éticas anteriores nãocontemplaram a dinâmica de mutação e a exclusão inerente à sociedade tecnoindustrial.Tem seus parâmetros inócuos e, muitas vezes, trazem em seu bojo as disposiçõesprofundas dos riscos da razão instrumental e egológica hegemônica. São por vezes éticasindividualizadas e que não conseguem pensar os sujeitos e os objetos não-humanos, oupensar em longo prazo, ou ainda pensar a globalização econômica como ela se impõehoje". Para as análises técnicas de riscos com base tanto na perspectiva utilitarista eno paradigma do ator racional, como na concepção elitista de democracia, a objetividadeé alcançada por meio da ênfase em determinados resultados das avaliações quantitativas(óbitos, custos, benefícios, probabilidade de eventos, magnitude das conseqüências,entre outros). O processo social de escolhas, de poder, de relações, de interesses éignorado de modo que, em uma abordagem unidimensional, são estabelecidos critérios epadrões de aceitabilidade de riscos descontextualizados. Ao final, é definido, por exemplo,que 10-6 para os casos de determinadas doenças resultantes de exposições químicasambientais ou que a exposição a α partes por milhão da substância γ durante um períodomédio de vida são valores estritamente objetivos, racionais e aceitáveis. (FREITAS &GOMEZ, 1997) A "ética" pressuposta nos defensores do mundo liberal e neoliberal parte doprincípio de que todos os homens buscam a felicidade própria e então a da sociedadecomo um todo; aqueles que lutam mais, galgam melhores postos e bens , até porque "aspessoas são diferentes", e com capacidades diferentes, e isso é que prevalece. É nestecontexto que vigora ainda a ética utilitarista, em sua face adaptativa e organicista-funcional para as chamadas "sociedades civilizadas e livres". Aqui, o valor supremo doindivíduo, e então de sua liberdade, só se realiza pela propriedade privada dos bens deprodução e consumo; ela liga-se como que a uma certa identidade, algo por vezesreferido à noção tradicional de família e auto-afirmação do sujeito e de seu grupo ouclasse. (PELIZZOLI, 2003) Partindo-se desta primeira abordagem de caráter filosófico-social, procurar-se-á estabelecer uma relação entre os métodos tradicionais de Gestão de Riscosfundamentados em pesquisas, coleta de dados, análises, associação com banco dedados, estudos de confiabilidade, e uma série de outras ferramentas e aplicativoscomputacionais, e a Percepção do que as pessoas pensam ou imaginam ser Riscos,baseada em seus próprios sentimentos, conhecimentos anteriores, medos e receiosdecorrentes de situações semelhantes por elas vivenciadas, seus comprometimentos, enas questões decorrentes da Ética Ambiental. Torna-se aqui relevante essa colocação, uma vez que, pretende-se relacionar aeficácia das duas formas de avaliação, e consolidá-las através da interpretação doquando se trata efetivamente de Riscos, principalmente os de natureza ambiental. O que são "Riscos"? Riscos são todos os insucessos ocorridos em umadeterminada fase ou época e não de todo esperados (NAVARRO 1996). O insucesso tem aqui a conotação do fracasso. Daquilo que não foi umsucesso, ou seja, daquilo que não ocorreu bem. Outro aspecto a ser considerado é o deque, normalmente, não se espera a ocorrência de um Risco sem que se tenha feitoalguma coisa para se prevenir dele. De modo geral, o Risco está associado aoinesperado. 2 / 14
  3. 3. No tocante à questão ambiental associada ao Risco, não basta apenasinformar as pessoas dos Riscos que existem ao seu redor, sejam esses inerentes ao meioe às atividades sócio-econômicas que ali se desenvolvam, ou não. Necessário também sefaz, levar em consideração as sensações de segurança ou de insegurança percebidas porelas, assim como as questões Ético-Ambientais envolvidas no contexto. Sabe-se hoje, que em muitas circunstâncias, o que mais vale é as pessoas sesentirem seguras frente aos Riscos que as envolvem, do que o seu convencimento poroutro caminho que não o de sua própria percepção. A escolha dos Riscos aos quais sedeva dar atenção, não se prende ao simples reflexo de preocupações com a proteção dasaúde, da segurança e do Meio Ambiente. A escolha reflete também outros aspectos,como os das crenças da sociedade acerca dos valores, instituições sociais, natureza,justiça e moral, sendo esses os determinantes na superestimação ou subestimação dedeterminados Riscos (DOUGLAS&WILDAVSKY, 1982, apud PELIZZOLI, 2003).III. Desenvolvimento: A Gerência de Riscos surgiu como técnica, nos Estados Unidos, no ano de1963, com a publicação do livro Risk Management in the Business Enterprise, de RobertMehr e Bob Hedges. Uma das fontes de inspiração para o surgimento dessa técnica, foium trabalho de Henry Fayol (1916. Ao longo de todo esse período, até hoje, a Gestão de Riscos continua sendoentendida como um conjunto de técnicas de abordagem aplicadas à identificação,conhecimento e prevenção das perdas que possam estar associadas aos Riscosestudados, com vistas à análise qualitativa e quantitativa desses. Deve-se enfatizar que,em um processo de gestão, qualquer que seja esse, o importante não é atacar-se àsconseqüências dos problemas e sim suas causas. Se o processo do gerenciamento for acausa, conseguir-se-á eliminá-las. Procurando responder duas questões fundamentais, Douglas & Wildavsky(1982), uma antropóloga e um cientista político, publicaram no início dos anos 80 0 livroRisk and Culture: essay an selection of technological and environmental dangers. Asquestões que se pretendiam responder eram: por que as pessoas privilegiam algunsriscos enquanto ignoram outros? Por que os americanos haviam selecionado a poluiçãoindustrial como principal fonte de perigo? A pressuposição básica destes autores era a deque todas as sociedades selecionavam alguns poucos riscos aos quais deveriam dasatenção e ignoravam uma enorme variedade de outros. Isto seria válido tanto para asociedade americana, altamente industrializada, como para as tribos "primitivas". Assim,cada sociedade teria a que denomina o próprio portfolio de riscos, sublinhando alguns queconsiderassem dignos de atenção e institucionalizando meios para controlá-los, ao passoque negligenciava outros. Este processo de seleção dos riscos seria inerente a todas associedades, uma vez que dependia de uma combinação de confiança e medos. Algunsmedos poderiam ser físicos e outros, sociais. Assim, talvez os cidadãos não se sentissemameaçados por situações que envolvessem medos físicos se sentissem confiança najustiça e no suporte social. Para os autores, a escolha dos riscos aos quais se deveria dasatenção não seria simplesmente o reflexo de preocupações com a proteção da saúde, dasegurança e do ambiente. A escolha refletia também outros aspectos, como as crençasdas sociedades acerca dos valores, instituições sociais, natureza, justiça e moral - sendoestes determinantes na superestimação ou subestimação de determinados riscos. O risconão seria, então, uma realidade objetiva, uma vez que a percepção é um processo social.Isto significava que as crescentes preocupações sobre os riscos industriais não poderiamser explicadas tanto pela abordagem psicológica - que privilegiava o indivíduo e seus 3 / 14
  4. 4. julgamentos - como pela realidade "objetiva", entendida esta como as evidênciascientíficas que justificariam dizer que o risco x é mais perigoso que o risco y. O risco esua percepção só poderiam, então, ser compreendidos através das análises sociais eculturais e suas interpretações. Os indivíduos selecionam riscos pela impossibilidade deestarem conscientes de todos. Os conceitos de Riscos são muito amplos. Risco não é só aquilo que está paraacontecer ou aquilo que se tem receio que aconteça em um determinado momento;observe-se os exemplos que se seguem abaixo:• Hoje teremos o risco de um temporal; Levem os seus casacos; Não cheguem tarde da noite;• Há risco de vocês serem assaltados, portanto, não cheguem tarde; Não andem por ruas escuras;• Se vocês não estudarem correrão o risco de não tirarem boas notas;• Não empreste dinheiro para seu amigo pois ele está desempregado, haverá o risco de você perder o amigo ao cobrá-lo;• Não tente consertar o chuveiro para não sofrer o Risco de levar um choque. Em cada um dos exemplos a palavra “Risco” tem um significado diferente. Nãochegar junto com o temporal apresenta o inconveniente, e não o "Risco" da pessoamolhar-se. Na hipótese de um assalto efetivamente há um Risco de perda monetária oude danos à própria vida ou à saúde. Nas provas, as pessoas poderão ser reprovadas. Oúnico Risco que não está sendo objeto da análise, é o da perda financeira de ter-se querepetir o ano letivo. Finalmente, no caso do chuveiro, o Risco envolve a vida da própriapessoa. Se essa estiver sobre um piso molhado poderá sofrer um choque fatal(NAVARRO 1996).III.1 Técnicas de Gestão de Riscos: Normalmente, o uso de técnicas de Gestão de Riscos dá-se mais na fase doestabelecimento das premissas básicas de projeto, do que na implantação doempreendimento. Trata-se de uma fase com pouca reverberação de opiniões, ou seja, aportas fechadas, quando se avaliam os prós e os contras da instalação doempreendimento. Dentro do enfoque escolhido aqui estabelecido de relacionar os processos deavaliação metodológica com a avaliação empírica, torna-se importante apresentaralgumas considerações sobre o que vem a ser um Risco, como ele se materializa e comopode ser avaliado, através de processos metodológicos. Riscos são todos os fatos, situações, bens ou atividades sujeitas a perdas oudanos. Para fins de estudos podem ser classificados em:• voluntários;• acidentais;• aleatórios. Riscos voluntários são todos aqueles nos quais há um ato voluntário presente,ato esse que não implica na participação humana no evento. A empresa que não faz umaavaliação correta do lançamento de seus efluentes está consciente que de esses podematingir o Meio Ambiente. A voluntariedade pode estar vinculada a algum propósito, como a 4 / 14
  5. 5. economia, a postergação de problemas ou a conveniência de aproveitar-se dedeterminada situação momentânea. Riscos Acidentais são os que ocorrem sem que tenha havido contribuiçãovoluntária para tal. O desabamento de um prédio e o alagamento de um pátio deestocagem constituem-se Riscos Acidentais; podem ser enquadrados dentro dascaracterísticas daqueles decorrentes das atividades normais de uma empresa, geradosacidentalmente. Riscos Aleatórios são aqueles ocorridos sem a participação humana, taiscomo: terremotos, tremores de terra naturais, vendavais, furacões, enchentes,inundações. São os eventos de causa externa, e não dependem de nenhuma influênciado empreendimento para que ocorram. São também conhecidos como Riscos daNatureza. O conceito de Risco, para ser aqui enquadrado como tal, deve atender aalgumas particularidades, quais sejam:: ser futuro; incerto; possível; independente davontade das partes, conduzir a perdas mensuráveis. A função da Gestão de Riscos é a dereduzir perdas e minimizar os seus efeitos. Isso quer dizer que, assume-se a existênciade perdas em todos os processos industriais, como um fato perfeitamente natural,procurando-se evitar que essas perdas venham a ocorrer com certa freqüência, limitando-as a valores aceitáveis, ou dentro do perfil estipulado pela empresa em seus orçamentosanuais. Grandes projetos de engenharia sempre alteraram fundamentalmente o MeioAmbiente, por uma série de razões tais como: remoção da cobertura vegetal, grandesmovimentações das camadas do solo, desvio de rios e canais, represamento de águasem áreas onde só corriam pequenos riachos, escavações que põem a nu o subsolo, comopor exemplo: usinas hidrelétricas, portos, túneis, pontes, indústrias químicas epetroquímicas, mineradoras, só para citar algumas delas. Em alguns momentos osempreendimentos instalam-se na região em primeiro lugar e as populações depois, essasquase sempre motivadas pela oferta farta de empregos, pelas facilidades geradas pelopoder púbico, pela proximidade de rodovias, aeroportos e portos. Em outros momentos,os empreendimentos instalaram-se depois, justamente atrás de facilidades geradas pelosgovernos. O que se verifica de comum entre esses projetos é que muitos foramimplantados sem que a primeira preocupação fosse com as pessoas ou com o MeioAmbiente. Mais recentemente, uma indústria de papel em Minas Gerais teve rompida umabarreira da lagoa de rejeitos, atingindo dezenas de municípios, principalmente os doEstado do Rio de Janeiro, provocando grandes danos ecológicos e comprometendoseriamente o abastecimento de água de cidades dos Estados de Minas Gerais e Rio deJaneiro. A questão polêmica que se instalou foi a de que a população já havia semanifestado sobre o assunto, sem sucesso. A Percepção das pessoas frente ao Risco jáhavia suplantado a previsão dos quanto a não possibilidade de rompimentos. A eficácia dos métodos de Gerenciamento de Riscos é tida como incontesteporque, na prática têm se comprovado adequados a análises voltadas para as empresas,enquanto vistas de modo isolado. Esses métodos trabalham com um conjunto detécnicas, que podem variar de acordo com os objetivos inicialmente propostos para aanálise das situações. Simplificadamente, as técnicas e suas abordagens apresentam-seclassificadas da seguinte forma:a) Check-list 5 / 14
  6. 6. Método de caráter geral, qualitativo, através do diagnostico de situações deRiscos a partir de cenários, com o emprego de questionários previamente estabelecidos.Seu sucesso depende muito das análises posteriores que se seguirão, bem como dosresultados pretendidos.bI) What if Método qualitativo, que permite inferir o tipo e o tamanho de Risco, muitoimportante no emprego em discussões de caráter geral acerca de um sistema. Deve-sesempre separar, na aplicação da técnica, as causas das conseqüências. As causas sãoos fatos geradores, e as conseqüências os resultados.c) Técnica de Incidentes Críticos Técnica operacional qualitativa, que busca obter informações relevantesacerca de incidentes ocorridos durante determinada fase ou período relatados portestemunhas que os vivenciaram. Os incidentes são os quase acidentes, ou os acidentesnão geradores de perdas. A metodologia emprega, principalmente, entrevistas com osoperadores ou mantenedores dos sistemas sujeitos a estudos.d) Análise Preliminar de Riscos (APR) Técnica de inspeção desenvolvida com o objetivo de obter-se análisesuperficial dos possíveis Riscos, suas causas, conseqüências advindas com amaterialização desses e medidas corretivas ou preditivas adotadas. Através de uma APRidentificam-se elementos perigosos do sistema, situações de Risco e falhas potenciais.e) Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) Método de análise detalhada, gerando resultados qualitativos e quantitativos,ou seja, identifica o Risco ao mesmo tempo em que o mensura, possibilitando a análisedas falhas dos equipamentos, componentes e sistemas com estimativas de freqüência deocorrências e a determinação dos efeitos ou conseqüências dessas mesmas falhas.f) Análise de Árvore de Falha (AAF) Método desenvolvido nos Estados Unidos na década de 60, para estudar ocomportamento de mísseis balísticos intercontinentais. Assim sendo, partindo-se de umraciocínio lógico da ocorrência de um evento indesejável, ou evento de topo,desenvolveu-se uma metodologia interativa, a fim de se descobrir qual ou quais as falhasque, atuando em conjunto ou isoladamente poderiam gerar o evento não desejado.III.2 Percepção de Riscos: Pelizzoli (2003), quando aborda as perspectivas gerais de uma ótica holística,assim coloca: O ponto de partida comum é a crítica ao modelo civilizatório baseado nanoção de progresso material e desenvolvimento econômico nos moldes da modernidadecientífica e industrial, e o que ocorre com o ser humano e com os seres naturais emtermos de desequilíbrio e perda de harmonia/interligação com aspectos fundamentais davida. Torna-se interessante apresentar a consideração de Heemann (2001) à esserespeito: Há um comportamento humano qualificável sob o ponto de vista do certo eerrado, ou ainda, sob o aspecto do bem e do mal. Embora implique uma interioridade eum agir individual, sempre se concretiza em determinada sociedade. Mais uma vez entram em choque as ações dos seres humanos originadas desua busca incessante pela modernidade a qualquer custo, quando se observam asimplantações de empreendimentos industriais, e os gravames abandonados nos colos 6 / 14
  7. 7. dos indivíduos que co-habitam os mesmos espaços, que podem gerar reflexões sobre ofuturo ou o amanhã. Projetos de hoje têm que levar em consideração o amanhã, mas nãocomo um cenário inatingível ou muito distante. O exercício de co-habitação em ummesmo ambiente, das indústrias e seus Riscos, com as pessoas e seus anseios tem queser de modo pacífico. As questões relacionadas à preservação do Meio Ambiente ou a adoção demecanismos seguros de prevenção de Riscos são ou foram relegadas em favor oupreferência pela pressa do inicio às atividades ou aos aspectos financeiros,principalmente quando estão vinculados à obtenção de financiamentos de bancospúblicos a juros fortemente subsidiados. Muitos problemas foram considerados semsolução porque era melhor ter como vizinho uma indústria poluente geradora de mão-de-obra para a família toda do que um Meio Ambiente limpo ocupado por pessoasdesempregadas, ou terem essas que se deslocar dezenas de quilômetros na busca deoportunidades de emprego. De outra feita, tornava-se muito mais lucrativo ter um grandeempreendimento próximo à sua residência, proporcionando mais segurança e melhorinfraestrutura urbana do que tê-lo por longe. No que concerne à esta avaliação situacional, a primeira questão quesobressai é a da importância da percepção das pessoas frente a Riscos, muitas vezesnão tão palpáveis e o emprego de técnicas de avaliação baseadas em estatísticas,confiabilidade, estudos de situações assemelhadas, pesquisas baseadas em bancos dedados, tudo com o objetivo de definir-se medidas preventivas e/ou mitigadoras. Algumas vezes, como dito no parágrafo anterior, a percepção surge como frutode uma conivência entre uma população à mercê das incertezas da vida ou de umapopulação sem muitas opções. As pessoas sabem que aquilo não é bom para elas masaceitam o fato pacificamente. Nesses casos, apresentar elementos convincentes, mesmobaseados em formulações matemáticas de que o Risco não é bom, decreta a sentença demorte do gestor do Risco. Para Wynne (1987), suprimir a dimensão da experiência social envolvida emuma dada tecnologia ou risco seria encobrir a legitimidade de valores sociais eansiedades que surgem desta experiência. A supressão da experiência social peloGerenciamento de Riscos ou regulamentação colocaria em perigo a própria credibilidadeao dizer para os indivíduos expostos que suas experiências sociais e busca designificados não contariam. Esta perspectiva de Gerenciamento e regulamentação,quando considera a experiência social, o faz de um modo freqüentemente classificadocomo uma neurose ou patologia que necessitaria de uma terapia. Esta perspectivaconduziria a um ciclo de destruição de sua própria credibilidade.II. Objetivos: Feitas as colocações iniciais, surge como objetivo principal a avaliação, dentrode condições normais, da eficácia de alguns métodos empregados no processo deGerenciamento ou Administração de Riscos, notadamente daqueles relativos a MeioAmbiente e à sua degradação. O enfoque prioritário das técnicas de avaliação, sempre foi o de avaliar-seprojetos e processos com vistas à identificação dos Riscos para o seu tratamento,posteriormente, contudo, sempre voltado para o universo da própria empresa. Aampliação do campo de ação desses procedimentos ampliava à identificação dos Riscoscapazes de causar danos a terceiros. Os danos eram sempre objeto de avaliação de 7 / 14
  8. 8. seguradoras que passavam a assegurar os Riscos daí oriundos. Mais recentementepassou-se a incluir nesse rol de técnicas a avaliação do consumidor quanto à suapercepção de Risco. Deve-se esclarecer que nos Estados Unidos, onde o valor dapercepção passou a ser mais enfatizado, surgiram jurisprudências legais que apontavampara indenizações reparadoras e indenizações punitivas. Em linhas gerais, as punitivas,aplicadas para sensibilizar as empresas a não mais degradarem o Meio Ambiente,correspondiam de 7 a 10 vezes o valor da ação reparadora. Especificamente na avaliação de impactos ambientais espera-se que osmoradores da circunvizinhança do empreendimento também possam opinar sobre asquestões que dizem respeito à contaminação ambiental, antes mesmo de virem a serafetados por ela. Slovic et al (1991) realizaram um estudo bastante interessante, envolvendo apercepção do público leigo em relação à transformação de uma área de Yucca Montain,Nevada (Estados Unidos), em depósito para grandes quantidades de resíduos nuclearesde alto nível. Este estudo apontou que, além dos "efeitos padrão" geralmente resultantesde grandes projetos de engenharia - sobre o nível de emprego local, moradias etransportes, por exemplo - haveria os "efeitos especiais" relacionados a processossociais, que seriam a percepção dos riscos e o estigma. A percepção de riscos e aamplificação social das reações aos possíveis "eventos indesejáveis" estariam associadasaos riscos de acidentes (grandes e pequenos), a descobertas de vazamentos radioativos,às evidências de má gestão de segurança do depósito, a possíveis sabotagens ou mesmoa rupturas na instalação. A estigmatização do local estaria associada aos possíveisimpactos econômicos que poderia gerar. São exemplos a redução das atividadesturísticas, de trabalho e comerciais, bem como da capacidade local de atrair novosinvestimentos, e o aumento, a longo prazo, da migração de residentes locais. Um exemplo clássico da Percepção de Riscos, qualificado como intuitivo, é odecorrente da análise situacional de um martelo. Isoladamente essa ferramenta nãoapresenta qualquer tipo de Risco e nem é motivo de preocupações, como por exemplo, omartelo em uma caixa de ferramentas, ou sobre uma bancada de trabalho. Todavia, namão de uma criança pode vir a representar um Risco para sua própria vida. Uma mãe, aover seu filho com menos de dois anos andar pela casa com um martelo na mão tem areação imediata de tirá-lo desse, por ter razões de sobra para perceber que pode ocorreralgo de ruim. O mesmo pensamento pode não ocorrer com um pai, que pode até quererentregar um prego para que o filho possa pregá-lo sobre uma tábua e depois mostrar paratoda a família apregoando as qualidades artesanais da criança. Se forem tios ou avós,certamente acharão graça dele andar pela casa com o martelo, ao invés de andar comum brinquedo. Dirão: como essa criança é precoce!... A percepção dos Riscos pode variar de acordo com o momento econômicopelo qual as pessoas estão passando, com o seu nível cultural e de informações,interesses envolvidos, aspectos familiares, dentre outros. Se houver necessidade de seconstruir um depósito de lixo em determinada localidade, e se houver tratamentoadequado, esse projeto poderá será uma fonte de emprego para famílias dedesempregados, ou fonte de Riscos para famílias estruturadas financeiramente que nãodependam para sua subsistência. Outro fato interessante é o que diz respeito à estruturade família. Um rapaz solteiro que viva sozinho poderá ter uma reação frente aos Riscosdiferentemente do que for casado, e mais diferentemente ainda do que tiver filhospequenos. 8 / 14
  9. 9. Se o empreendimento precisa saber quais são seus pontos vulneráveis paradesenvolver medidas preventivas ou mitigadoras deve aplicar as técnicas degerenciamento de Riscos ainda durante o projeto. Se o empreendimento que passar paraa população uma imagem de segurança e tranqüilidade, deve fazer com que as pessoasse sitam bem residindo nas suas proximidades. Para tal, não deverá impor situações ouinduzí-las a um erro de julgamento, que será muito negativo futuramente.III. Metodologia: É importante salientar que um evento, quando materializado, nunca trazconsigo somente um tipo de perda, podendo existir outras do tipo:• perda material ou de insumos para a produção;• perda de produção;• perda financeira;• perda pessoal;• perda de imagem;• perda de mercado;• responsabilidades civis;• danos ambientais, etc. O contraponto da aplicação dessas técnicas, informadas anteriormente, é o dapercepção da perda ou do Risco. Para Douglas & Wildavsky (1982), os indivíduosselecionam alguns Riscos pela impossibilidade de estarem conscientes de todos. Entredecidir dentre os milhares que os cercam, a opção é a de pensar naqueles que deveriamser relevados e os ignorados. Os indivíduos podem não se preocupar, em um primeiromomento, com o lançamento de resíduos poluentes em um rio, mas sim na fumaça quesai pela chaminé da fábrica, porque ainda não estão preocupados com a contaminaçãodas águas e porque o rio não passa junto à sua cidade. Quase sempre nos preocupamoscom aquilo que vemos ou sentimos. Orway & Thomas (1982) consideravam que apesar de podermos conhecer,pelo menos em princípio, cada aspecto acerca da Percepção de Riscos, devemosconsiderar que esta percepção dependerá das informações que as pessoas têm recebido,bem como a escolha dos tipos nos quais têm acreditado, dos valores e experiênciassociais aos quais têm sido expostas e da sua visão de mundo. Por sua vez, esses fatoresdependeriam da dinâmica dos interesses dos grupos, da legitimidade das instituições, dascaracterísticas do processo político e do momento histórico que vivem. Wynne (1982 e 1983) fez algumas considerações sobre qual deveria ser opapel da pesquisa sociológica sobre a Percepção de Riscos. Para o autor, a tecnologiadeveria ser conceitualizada primariamente como uma organização social, e não comouma entidade física. Esse conceito esclareceria que o Risco, em si mesmo, pode serfreqüentemente uma categoria de pensamento inserida artificialmente na mente daspessoas, direcionando de algum modo à questão de como deveria ver os sistemas deprocessos decisórios sobre o desenvolvimento e controle da tecnologia. Ainda segundo Wynne (1987), suprimir a dimensão da experiência socialenvolvida em uma dada tecnologia ou Risco seria encobrir a legitimidade de valoressociais e ansiedades que surgem desta experiência. A supressão da experiência socialpelo gerenciamento de Riscos ou regulamentação colocaria em perigo a própriacredibilidade ao dizer para os indivíduos expostos que suas experiências sociais e buscade significado não contariam. 9 / 14
  10. 10. A Percepção de Riscos não deve ser tomada como isolada ou dissociada dasquestões concretas relacionadas às situações e eventos de Riscos, já que interage cominúmeros aspectos sociais. De modo geral, os estudos demonstram que, se queremos estabelecerestratégias de gerenciamento de Riscos mais eficazes, devemos considerar os aspectospsicológicos, sociais, culturais e os valores morais que conformam as percepções dopúblico. Como argumentam Flynn et al. (1993), a racionalidade científica por si não irásubstituir, nem tampouco ser uma resposta final as preocupações do público, de modoque, sozinha, não deverá guiar as políticas públicas e o gerenciamento de tecnologiasperigosas. Há espaço e necessidade para a aplicação de abordagens distintas. A empresaou o empreendimento não pode só se valer da percepção das pessoas a respeito dosRiscos que poderá causar. Os organismos de licenciamento, principalmente osambientais, não podem somente basear-se no que as pessoas dizem ou pensam. Devemse preocupar com a análise técnica, com as avaliações estatísticas, com as verificaçõesde projeto e, com a aplicação de tecnologias que qualifiquem e quantifiquem os Riscos.Sabe-se que muitos Riscos somente são percebidos depois que se manifestam, ou seja,a percepção das pessoas não foi suficiente para afastá-las dos Riscos. A Norma NBR ISO 14.001 - Sistemas de gestão ambiental comenta, emsubitem 4.3.3 - Objetivos e Metas - "Ao estabelecer e revisar seus objetivos, aorganização deve considerar os requisitos legais e outros requisitos, seus aspectosambientais significativos, suas opções tecnológicas, seus requisitos financeiros,operacionais e comerciais, bem como a visão das partes interessadas". Dentro desseenfoque, não só os problemas da organização estão em cheque, como também a visãodas partes interessadas. A vizinhança é parte interessada. As organizações nãogovernamentais também podem ser enquadradas como partes interessadas, na medidaem que representem legitimamente os interesses das comunidades afetadas. No anexo "A" da mesma norma citada no parágrafo acima, no que diz respeitoa planejamento (subitem A.3) é informado: è recomendado que o processo para aidentificação dos aspectos ambientais significativos associados às atividades dasunidades operacionais considere, quando pertinente. Há outras citações relativas àparticipação da comunidade expressando a preocupação dos legisladores com oatendimento, também, às necessidades das comunidades locais. A norma não fazreferências explícitas à percepção da comunidade frente a Riscos, mas menciona osinteresses das comunidades afetadas. As técnicas de avaliação devem ser claras o suficiente para não permitirinterpretações errôneas ou conduzidas. Esse talvez seja um dos mais sérios problemas, oda condução dos resultados para beneficiar "A", "b" ou "c". O que fazer então? A soluçãoé de se desenvolver procedimentos específicos para o empreendimento, e buscar ascorrelações ou mesmo as relações em bancos de dados específicos. Trabalhar-se somente com o resultado da avaliação das pessoas, normalmenteenvolvidas emocionalmente, ou respaldados em relatórios que não costumam serdefinitivos ou decisivos, já que dependem da qualidade da avaliação dos resultados,costuma ser elemento facilmente contestável, principalmente em Juízo.IV. Conclusão: 10 / 14
  11. 11. O próprio Wynne (1987) conclui pela necessidade se considerar as experiênciae vivências de cada um, especialmente daqueles que serão envolvidos direta ouindiretamente pelos projetos, opinião que também concordamos, haja vista que, para seter sucesso na análise dos resultados das avaliações técnicas deve-se aplicar tambémparte do conhecimento adquirido pelo avaliador, mesmo que aplique inúmeras técnicas. Assim, para a opinião pública envolvida em um projeto ambiental vale mais osseus conceitos de Risco e a sua percepção desses mesmos Riscos do que a leitura deextensos relatórios tentando lhes provar o contrário. Hoje em dia, quando se realizamaudiências públicas para a avaliação de um Risco Ambiental, reuni-se a população local,apresentam-se os resultados do EIA/RIMA e discute-se a questão. Segundo Porto & Freitas (1996), para as Ciências Sociais, a completadimensão dos Riscos Tecnológicos Ambientais não pode ser capturada somente pelasanálises realizadas pela Engenharia, Toxicologia e Epidemiologia, já que qualquer idealde objetividade científica seguramente deverá reconhecer a inevitabilidade dos processose relações sociais que envolvem a geração e as conseqüências das situações e eventosde riscos, bem como a sistemática subjetividade dos experts como parte objetiva doprocesso científico. Essa interação, que é por vezes bastante sutil e complexa, éfreqüentemente assumida pelos analistas de riscos como inexistente, ou no mínimoseparada por uma quase intransponível barreira entre mundos físicos e sociais. ATecnologia, o Meio Ambiente e os Riscos enquanto construções sociais evidenciam que oGerenciamento de Riscos, o qual não pode ser separado de suas análises, não dependesomente da promulgação de estratégias formuladas pelos experts. Como observaRappaport (1998), apud Porto & Freitas (1996), a Análise de Risco pós-moderna devetornar o sistema sócio-ecológico como um todo em seu domínio, incorporando a naturezadas percepções em suas análises, não somente como fonte externa de má compreensãodas informações probabilísticas construídas pelos Analistas de Riscos, mas como parteintegrante das mesmas. Otway (1992), apud Porto & Freitas (1996), em uma severacrítica aos analistas que não consideram a dimensão social e a questão da subjetividade,embora estejam permanentemente embrenhados nas mesmas, considera importante sãosomente incorporar as percepções e atitudes daqueles que se encontram expostos aosriscos, mas também desenvolver estratégias de análise e decisão que possibilitem umaefetiva participação desses atores sociais, como trabalhadores e comunidades vizinhas àsindústrias. Os estudos sobre percepção demonstram que as questões relacionadas aosRiscos não podem ficar restritas somente aos processos físicos, químicos e biológicos. Omundo em que se situam - seres humanos em suas relações sociais - é constituído poroutros aspectos, como os estilos de vida e as relações interpessoais, as interaçõessimbólicas e os movimentos sociais, as questões de poder e de distribuição de Riscos,controle social e instituições sociais. Esses aspectos conformatarão não somente o modocomo os indivíduos e especialistas percebem os Riscos, mas também o próprio modocomo este Risco ocorre (Freitas & Gomez, 1997) As tecnologias empregadas para a detecção dos Riscos estão em contínuaevolução. Sabe-se que apuram informações e dados que precisam ser interpretados eque essa interpretação é feita por profissionais com conhecimento específico. APercepção do Risco é importante e deve ser relevante na avaliação final da análise.Também se deve reforçar a tese de que os laços de afetividade entre a comunidadevizinha e o empreendimento devem ser sempre fortes. Para reforça-los é importante ouvira opinião de seus representantes. Aqui entre em cena o aspecto da ResponsabilidadeSocial. 11 / 14
  12. 12. Finalmente, conclui-se que Percepção de Riscos deve ser uma ferramenta amais, além das técnicas, utilizadas no Gerenciamento de Riscos, face à sua importânciadentro de um contexto social. Também se conclui que a Percepção não deve ser umelemento único ou isolado na Avaliação dos Riscos, porque há possibilidade de não sercompletamente verdadeira, face ao fato de que contribui para o seu insucesso a falta deinformação ou o comprometimento das pessoas com o empreendimento. De 1978 até 1987, avaliando-se os Riscos de mais de 100 indústrias emprocesso de implantação e início de atividades, notadamente nas regiões centro-oeste enordeste, observamos o seguinte quadro, depois de ouvirmos mais de 600 pessoas quemoravam em um raio de até 500 metros dos empreendimentos: % de Nível de preocupação apresentada Informantes 10% problemas de poluição do Meio Ambiente 10% falta de segurança que poderia ocorrer, principalmente devido a assaltos 15% possíveis riscos de incêndio e de explosão 25% quantidade de empregos gerados para si e seus filhos 40% melhoria da qualidade de vida que surgiria, com a pavimentação de ruas, melhoria da iluminação pública, implantação de linhas de ônibus, creche e escolasTabela I: Avaliação dos níveis de Percepção de Riscos de populações vizinhas a empreendimentos industriais em implantação (NAVARRO, 1996) A maior preocupação dos moradores era com a melhoria da qualidade de vidaque passariam a ter. A menor com aspectos de poluição e de falta de segurança. Diante desse quadro vivenciado a mais de quinze anos atrás, o melhorinvestimento para os empreendimentos era aplicar em melhorias para o aumento daprodutividade. Foi aí que surgiram com mais ímpetos os passivos ambientais. Hoje,depois que um investimento consideravam por parte do poder público e das Organizaçõesnão Governamentais, a população já prioriza mais aspectos como o Meio Ambiente, masnão o suficiente para bloquear a construção de empreendimentos, como já ocorre naEuropa e nos Estados Unidos. A Sociedade como um todo não pode deixar de lado a premissa básica de quea semente de hoje será a arvore de amanhã. O empreendimento de hoje poderá ser oalgoz da população amanhã. Deve-se ter o máximo cuidado nas avaliações técnicas bemcomo no respeito à opinião das pessoas envolvidas.V. Bibliografia: 0. AMERICAN SOCIETY OF INSURANCE MANAGEMENT STUDY OF THE RISK MANAGER AND ASIM - New York Woodward and Fondiller Inc, 1969. 1. BAGLINI, N.A. “Risk Management in American Multinational and International Corporations - New York Risk Studies Foundation - 1976. 2. C. Arthur Williams,Jr. & Richard M. Heins - Risk Management and Insurance - McGraw-Hill Book Company - 1976. 3. DOUGLAS, M & WILDDAVSKY. A. Risk and Culture - An Essay on Selection of Technological and Environmental Dangers. Berkerley: University of California Press, 1982. 12 / 14
  13. 13. 4. FAYOL, H. General and Industrial Management - New York Pitman Publishing Corporation - 1949.5. FISCHHOFF.B. et al. How safe is safe enough? A psychometric study of attitudes towards technological risk and benefits. Policy Sciences, 9:127-152, 1978.6. FLYNN,J.,SLOVIC,P.&MERTZ,C.K. The Nevada iniciative: a risk communication fiasco. Risk Analysis, 13:497-502, 1993.7. FREITAS, C.M. & GOMEZ, C.M.. Análise de Riscos Tecnológicos na Perspectiva das Ciências Sociais. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, 03(03): 485-504, 1997.8. FREITAS, C.M.. A contribuição dos estudos de Percepção de Riscos na avaliação e no gerenciamento de riscos relacionados aos resíduos perigosos, artigo contido no livro Resíduos Sólidos, Ambiente e Saúde. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, 1998.9. GREENE, Mark R. & Seirbein, Oscar N. - Risk Management - Text and Cases - Reston Publishing Comp. Inc.10. HEEMANN, Ademar. Natureza. Ética. Editora da UFPR, 2001, 224p11. MEHR,R.I. & Hedges,B.A. “Risk Management Concepts and Applications” - Homewood Richard D. Irwin, Inc 1974.12. MEHR,R.I. & Hedges,B.A. “Risk Management in the Business Enterprise” - Homewood Richard D. Irwin, Inc 1963.13. NAVARRO, Antonio Fernando - A evolução da Gerência de Riscos - Revista FUNENSEG nº 53 - 199014. NAVARRO, Antonio Fernando - A gerência de riscos aplicada a riscos industriais - Revista FUNENSEG nº 40 – 198815. NAVARRO, Antonio Fernando – A importância de dados estatísticos na Segurança Industrial - Boletim Informativo FENASEG - Ano XV - nº 739 - 198316. NAVARRO, Antonio Fernando - Gerência de Riscos - Prevendo o Imprevisível - Revista de Seguros nº 759- 198517. NAVARRO, Antonio Fernando - Gerenciamento de Riscos Industriais - registrado na Biblioteca Nacional sob nº 123.087/199618. NAVARRO, Antonio Fernando - Os efeitos da poluição - Revista de Seguros nº 762 - 198519. NAVARRO, Antonio Fernando – Os riscos da industrialização – Jornal Gazeta Mercantil – Caderno Paraná – 25/09/9820. NAVARRO, Antonio Fernando – Pobre rio Iguaçu – Jornal Gazeta Mercantil – Caderno Paraná – Ano II – nº 59221. NAVARRO, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte I - Revista FUNENSEG nº 61 – 199222. NAVARRO, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte II - Revista FUNENSEG nº 64 – 199223. NAVARRO, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte III - Revista FUNENSEG nº 66 – 199324. PELIZZOLI, M.L., Correntes da Ética Ambiental, Editora Vozes, 200325. RISK MANAGEMENT - A Reader Study - New York ASIM - 1973.26. SISINNO, C.L.S.. Resíduos sólidos, ambiente e saúde: uma visão multidisciplinar. Editora Fiocruz, 2000 - 142p. Rio de Janeiro27. THOMPSON,M. & WILDAVSKY,A, 1982. A proposal to create a cultural theory of risk. In: KUNREUTHER,H.C. & LEY,E.V. (Eds). The risk analisysis controversy - an institutional perspective. Berlin: Springer-Verlag, 198228. WYNNE, B. Redefining the issues of risk public acceptance - the social viability of technology. Futures, 15: 13-32, 1983 13 / 14
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