Os níveis de proteção dos trabalhadores da construção                                                  Paper              ...
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Cabo de martelo mal posicionado podendo causar a soltura do mesmo.Cabo de martelo rompido após o impacto do martelo sobre ...
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Orientação                  Orientação é aqui descrita como esclarecimento, chamamento de atenção. Não setrata de uma capa...
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Capacitação                  A capacitação é a maneira de capacitar ou deixar o empregado capaz de executarsua tarefa da f...
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Supervisão das atividades                 Deixamos para o final, como última barreira, a considerar do indivíduo para oamb...
Conclusão                 Nesta abordagem sobre os níveis de proteção dos trabalhadores apresentamosexemplos corriqueiros ...
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Apresentam-se os níveis de proteção para se assegurar a seguança dos trabalhadores enquanto executam suas atividades.

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Barreiras de proteção dos trabalhadores da construção

  1. 1. Os níveis de proteção dos trabalhadores da construção Paper Antonio Fernando Navarro1 Com a intensiva divulgação dos conceitos de Confiabilidade, também associado aFiabilidade, através de vários meios, inclusive de sites de discussões, tem sido bastante divulgada aidéia de níveis de proteção ou de contenção. O conceito é relativamente simples, já que níveispodem ser também considerados como barreiras, ou meios de proteção. Esses conceitos, por suaversatilidade, podem ser ampliados a várias áreas, inclusive a de segurança do trabalho. Quando a visão é a da Confiabilidade, as barreiras passam a ser de contenção ouprevenção contra falhas operacionais ou de funcionamento, de equipamentos ou sistemas. Todas asinstalações, mesmo com os projetos mais adequados, estão sujeitas a falhas operacionais, ou aquebras. Quando um painel de alarme não acusa o funcionamento inadequado de uma válvula debloqueio tem-se uma falha. Quando um disjuntor de um circuito elétrico deixa de funcionar tem-seuma falha. Essa pode ser devida a uma infinidade de fatores, muitos desconhecidos. Se todos osmodos de falha fossem conhecidos os níveis de confiabilidade seriam de 100%. Na área da segurança do trabalho o ponto mais importante é a segurança dotrabalhador. Desta maneira, como explicitado no conceito de níveis de proteção, o trabalhador deveser protegido dos perigos e riscos, situados externamente. O trabalhador por estar próximo ao lado dos equipamentos, instalações e obraspode ser atingido facilmente por qualquer falha que se dê durante a execução de suas atividades.Algumas dessas falhas podem ser imputadas ao próprio trabalhador, ao próprio trabalho, aosprocedimentos e processos utilizados, ao ambiente de trabalho, às ferramentas e equipamentosempregados, e, por que não, ao acaso? Se todos os “Modos de Falha” fossem conhecidos nãoocorreriam Acidentes do Trabalho. Quando se tem o total controle das atividades minimiza-se aprobabilidade de ocorrência de acidentes, ou de falhas, crescendo os níveis de confiabilidade ou decerteza. O que de comum pode ser depreendido tanto nos processos quanto no ambiente detrabalho é que inúmeras são as possibilidades de ocorrências de falhas. Muitas vezes não bastaapenas que haja um processo inadequado. A conjugação desses processos pode conduzir a falhasperigosas.1 Antonio Fernando Navarro é Físico, Matemático, Engenheiro Civil, Engenheiro de Segurança do Trabalho e Mestreem Saúde e Meio Ambiente, tendo atuado em Gerenciamento de Riscos em atividades industriais por mais de 30anos. Atualmente é Engenheiro e Professor da Universidade Federal Fluminense – UFF.
  2. 2. Mas, em que esse raciocínio é relevante? A relevância decorre do fato de asempresas, de maneira correta ou não, investirem na segurança de seus trabalhadores, mas osacidentes ainda continuam ocorrendo e gerando perdas não só para os empregados, como tambémpara os empregadores, Governos Federal, Estadual e Municipal, esses nos atendimentoshospitalares, auxílios ou pensões. Alguns estudos, dentre esses um que elaborados por cerca de 10 anos,continuamente, abrangendo empresas da área de construção com mais de cem trabalhadores,permitem-nos afirmar que os custos globais com a proteção dos trabalhadores não ultrapassam a 3%dos orçamentos das obras. Aliás, os custos passam a ser inversamente proporcionais ao efetivo daobra, já que as estruturas de supervisão e controle e os gastos gerais não crescemproporcionalmente. No gráfico a ordenada representa a quantidade de trabalhadores e a abcissa os custos de SMS Para que os níveis de segurança sejam considerados adequados devem existir,pelo menos: 1. Empresas com sólida cultura de prevenção de perdas; 2. Níveis gerenciais com competência e adotando a mesma cultura da empresa; 3. Fortes planos de supervisão e controle; 4. Baixos níveis de tolerância à ocorrência de perdas ou falhas; 5. Procedimentos Operacionais amplamente divulgados; 6. Sistemas de Gestão implementados; 7. Empregados escolhidos com base em critérios de Competências, Habilidades e Atitudes; 8. Investimentos em capacitação dos trabalhadores; 9. Investimentos na supervisão e controle dos trabalhadores; 10. Investimentos na instalação de Equipamentos de Proteção Coletiva; 11. Investimento na aquisição de Equipamentos de Proteção Individual; 12. Aquisição de equipamentos e ferramentas intrinsecamente seguros; 13. Manutenção dos canteiros de obras e áreas de serviço limpas e organizadas, etc..
  3. 3. A quantidade de materiais fornecidos aos trabalhadores e os investimentos nacapacitação e supervisão dos mesmos é comumente relacionada ao valor dos contratos, tempo deexecução dos serviços e características dos serviços executados. Passa a não fazer sentido se umaempresa com elevado padrão de segurança de seus trabalhadores contratar serviços de empresasdiversas, para a substituição de vidros nas janelas, ou troca do “miolo” das fechaduras das portas,que não tenham qualquer nível de comprometimento para com as questões de segurança. Um vidromal posicionado ou o transporte do mesmo de modo descuidado pode comprometer o padrão desegurança da empresa contratante. Os níveis mínimos de proteção dos trabalhadores são ilustrados a seguir. Para quepossam ser ampliados é necessário que o leitor tenha os conhecimentos necessários nas atividadesde Segurança do Trabalhador, Ambiente Natural e de Trabalho (comumente conhecido,erroneamente, por meio ambiente) e Saúde Ocupacional. Por exemplo, como Equipamentos deProteção Coletiva imaginam-se, em um primeiro momento, barreiras físicas, como biombos, porexemplo, mais empregados nas atividades de corte e solda de metais ou na dispersão ou absorção deruído gerado pelos equipamentos. Quando a visão passa a ser ampliada agregam-se os andaimes,barreiras de isolamento de áreas e de sinalização, placas de aviso, entre outras. As telas plásticasfixadas sobre andaimes fachadeiros são barreiras de proteção que impedem que materiais projetadosda obra venham a atingir os empregados ou terceiros. Neste paper iremos tratar especificamente desses seis níveis de proteção, tomadoscomo exemplo, e a importância de cada um deles para a segurança dos trabalhadores.
  4. 4. EPIs – Equipamentos de Proteção Individual Os EPIs tradicionalmente são considerados como a primeira barreira de proteçãocontra os acidentes. Existem pontos a favor e outros pontos contra essa questão de ser a primeirabarreira. Em análises de mais de 500 acidentes com e sem afastamento, ocorridas durante osperíodos de 1982 a 1987 e de 2001 a 2008, verificamos que em cerca de 70% dos casos analisadosos EPIs estavam de posse dos trabalhadores ou sendo empregados por esses. Em um dos casos, umtrabalhador encontrava-se sobre o estrado de um andaime no interior de um tanque, mudando osestrados de posição para a continuidade das atividades de manutenção interna do tanque. Otrabalhador não se encontrava só. Mas, no momento em que se deu o acidente seu colega detrabalho havia sido chamado pelo encarregado para realizar outra atividade. O acidente se deveu aofato do trabalhador arrastar os estrados metálicos para mudar a posição dos mesmos. Cada estradopesava quase 30 quilogramas. Em um determinado momento, o “chão faltou” ao trabalhador e essecaiu de uma altura de 12 metros no piso do tanque. Foi removido para o hospital e três dias depoisveio a falecer. No momento em que tiravam o trabalhador do chão para coloca-lo em umaambulância ele estava com o cinto de segurança do tipo paraquedista, com dois talabartes, enroladosem sua cintura. Não havia linha de vida para que o trabalhador prendesse os ganhos dos talabartes.Inúmeros são os exemplos de empregados que utilizavam EPIs quando sofreram o acidente dotrabalho. Em outro exemplo, o trabalhador ficava sentado em um banco, com uma haste de madeirade 4 metros, na extremidade da qual ficava um gancho de aço. A função do trabalhador era a deorientar as toras de madeira que eram descarregadas para o picador. Uma das toras ficouatravessada e estava impedindo as demais de escorregarem sobre a rampa, até os dentes do picador.O trabalhador ficou com a haste tentando orientá-la. Em um determinado momento, sua luva ficoupresa a uma farpa da haste de madeira. Coincidentemente a tora foi puxada pelo picador e juntocom ela o gancho, a haste e o braço do operador. O EPI não é um dispositivo que salva vidas, mas que pode atenuar as lesões. Umcapacete de segurança não representa nada diante de uma carga de 100 Kg que cai do segundoandar do prédio em construção. Uma luva não protege os dedos do trabalhador se essa for puxadapelo disco de serra. Um óculos de segurança não consegue barrar o trajeto de um prego que se soltade uma chapa de madeira serrada, que pode seguir em velocidade. Também um protetor facial nãoprotege a face de um trabalhador que ao amolar uma ferramenta, solta um pedaço do rebolo que giraa uma velocidade de 1300rpm. Por outro lado, uma luva de segurança para trabalhos comeletricidade, capaz de proteger o trabalhador para uma tensão de 10.000 volts o protege, quandoesse está operando uma linha com tensão inferior.
  5. 5. O EPI deve ser adequado para a atividade executada, o trabalhador deve sabercomo utilizar o EPI e, principalmente, o EPI deve ser de boa qualidade. Voltando às nossas estatísticas, em 15% dos acidentes o trabalhador não sabiacomo utilizar corretamente o EPI. Em 10% dos acidentes o EPI não era o adequado. Um trabalhadorsofreu forte intoxicação por produtos químicos porque usava barba. O trabalhador empregavamáscara de segurança adequada, mas a barba impedia a aderência plana da máscara ao rosto dotrabalhador. Às vezes nos deparamos com cenas bizarras, como por exemplo a exigência douso de capacetes em um galpão industrial com duas pontes rolantes transportando cargas de 800toneladas. A explicação recebida era a de que o capacete era importante se um parafuso ou umaferramenta caísse na cabeça do trabalhador. Diante do exposto, deve se ter sempre o bom senso quanto ao emprego dos EPIs.As normas específicas determinam, em primeiro lugar, eliminar o risco. Em segundo lugar, o uso deEPC, principalmente barreiras físicas e, em terceiro lugar, o fornecimento e o uso pelo trabalhadordo EPI. No caso do galpão industrial citado, não poderia ocorrer passagens de pessoas sob a carga,depois de essa estar içada pelas pontes rolantes. Também é importante que o trabalhador seja continuamente orientado a teratenção às suas atividades. A falta de atenção é responsável por 18% das ocorrências de acidentes.A falta de percepção do risco é responsável por cerca de 20% das ocorrências. A conjugação dafalta de atenção à falta de percepção chega próximo a 25% das ocorrências dos acidentes com ousem afastamento. Frisa-se que uma ocorrência de acidente nunca é devida somente a uma causa.Existem as causas raiz, as causas básicas, as causas consequentes ou decorrentes, enfim, nuncasomente a falta do EPI foi a causa do acidente. Um paralelo pode ser feito com a chuva. Ela nãoocorre porque há nuvens espessas sobre nós. Não basta apenas haver nuvens para que haja a chuva.No nordeste, há nuvens. Todavia, há regiões onde não ocorrem chuvas por muitos meses. Nas fotografias a seguir ilustraremos uma situação com o empregado utilizandocorretamente os EPIs e outra onde o empregado não faz uso de nenhum EPIs. A “justificativa” paraa segunda fotografia foi apresentada pelo trabalhador que informou que estava alí só para receberseu salário, atrasado a três meses, e seu encarregado havia pedido que fizesse um pouco deconcreto. O trabalhador sequer chegou a entrar no vestiário. Após o serviço foi embora sem osalário. Contudo, naquele momento expôs seu organismo a poeiras de cimento e areia.
  6. 6. Foto de empregado totalmente uniformizado e empregando corretamente os EPIs requeridos para a execução das atividades. Empregado lançando baldes de cimento na betoneira sem empregar nenhum dos EPIs recomendados para a atividade.Coifa de serra circular, atingida pelo desalinhamento do disco de corte. Com o contato um dente do disco de corte foi quebrado e por pouco não atingiu um trabalhador.
  7. 7. Carneira de capacete rompida com o impacto de uma peça de madeira que caiu de uma fôrma.Disco de serra circular desalinhado pela excessiva pressão de tábuas e barrotes, causando uma série de cortes na mesa de corte.
  8. 8. Cabo de martelo mal posicionado podendo causar a soltura do mesmo.Cabo de martelo rompido após o impacto do martelo sobre superfície dura. A ferramenta havia sido entregue com o cabo rachado e o operário não a tinha examinado antes de iniciar suas atividades.Cabo de pá rompido ao ser empregado. O cabo apresentava imperfeições antes de ser entregue pelo almoxarife ao trabalhador.
  9. 9. EPCs – Equipamentos de Proteção Coletivos Os EPCs tradicionalmente são considerados como a segunda barreira de proteçãodos trabalhadores contra os riscos a que estão expostos. Os EPCs legalmente devem ser empregadosantes de o trabalhador fazer uso dos EPIs. Supõe-se que os EPCs afastem os trabalhadores do riscoe, em assim o sendo, o trabalhador não se acidenta. Ocorre que tanto o trabalhador quanto o EPCencontram-se em um mesmo ambiente. Como resolver essa questão? Em primeiro lugar, o isolamento de uma área, equipamento, sistema ou ambienteé uma das maneiras de proteger o trabalhador, quando o mesmo esteja prestes a se acidentar. A telade proteção presa aos andaimes fachadeiros na reforma de fachadas de prédios é um dispositivo deproteção coletiva, que não atende somente ao trabalhador, mas também a terceiros. Neste exemplo,a tela deve ser resistente aos materiais projetados sobre ela, resistente às intempéries, corretamentepresa sobre a estrutura do andaime. Quando isso não ocorre os materiais projetados caem sobre aspessoas, não importa quem. Assim, o EPC deve ser sempre o mais adequado ao isolamentopretendido. Em nossas estatísticas, 5% dos acidentes ocorreram pela transposição das barreiras pelotrabalhador, ou seja, 5% das vítimas ou não reconheciam a importância da proteção, ou fizeram aultrapassagem premidos por fatos diversos. Nas atividades de cravação de estacas empregandomartelos, deve-se isolar toda a área ao redor dos bate estacas. A boa prática recomenta que o raio deisolamento deve corresponder a uma vez e meia a altura da haste do bate estacas. E por que isso?Pelo fato de que ao cair, a lança pode projetar o cabo de aço e o martelo em um fenômenodenominado de “efeito chicote”. Em outro exemplo, o isolamento de uma área de escavação temque possibilitar que o material escavado seja depositado a uma distância segura da borda, que, pelosregulamentos técnicos deve ser de pelo menos a metade da altura da escavação. Se o isolamento nãotiver previsto o volume de terra escavado, o material será depositado ou junto à própria vala ou apósa cerca. Isolar é proteger, é evitar a proximidade. Uma cerca é uma barreira de isolamento,mas também um EPC. Em galpões industriais com grande quantidade de equipamentos emfuncionamento, muitos com nível de ruído elevado, se nada for feito será quase que inviável apermanência contínua de trabalhadores no local. Nessas condições podem ser empregadas medidasde enclausuramento dos equipamentos ou motores e a instalação de biombos refletores das pressõessonoras, que são uma das formas de propagação de energia. Nas duas fotografias a seguir ilustra-se a questão das linhas de vida. Uma linha devida é um cabo firmemente preso, posicionado acima dos trabalhadores, no qual são presos osganchos dos talabartes dos cintos de segurança. É um EPC porque se destina a oferecer uma
  10. 10. proteção coletiva. Recebe o nome de linha de vida porque graças a ela os trabalhadores ao caíremdo piso de trabalho poderão ficar suspensos e não “morrer”, ou seja, continuarem vivos. Algunsaspectos relevantes não são considerados ao se avaliar a eficiência desse dispositivo, como porexemplo, a atracação dos cabos em estruturas que suportem o peso dos trabalhadores, e acapacidade de resistência dos cabos utilizados. Fotografia com dois operários empregando seus EPIs, com cintos de segurança do tipo paraquedistas, contudo, prendendo os ganchos dos talabartes em uma linha de vida mal posicionada, nas proximidades da forma da laje que estava sendo concluída para receber a ferragem.
  11. 11. Trabalhador realizando um trabalho perigoso, com o tronco enrolado em uma corda displicentemente segurada por um colega. O EPC recomendado era uma linha de vida, corda oucabo posicionado acima da cabeça dos trabalhadores, firmemente presas em estruturas de suporte que independam da estrutura onde os trabalhadores estarão.
  12. 12. Orientação Orientação é aqui descrita como esclarecimento, chamamento de atenção. Não setrata de uma capacitação do trabalhador, mas sim de alerta. A orientação pode ser visual/gráfica, pormeio de painéis, banners, posters. A orientação deve ser dada pelo encarregado do trabalhador. Oencarregado ou o superior imediato do trabalhador sabe, melhor do que os demais empregados daempresa como abordar o trabalhador e o que deve ser dito nessa abordagem. Muitas vezes otrabalhador já foi capacitado e treinado. Entretanto, sob determinadas circunstâncias, pode nãoexecutar as atividades do modo mais seguro, ou na pressa e sob stress para cumprir sua tarefa,utilizar as ferramentas inadequadas ou os métodos incorretos. Quando isso ocorre diz-se que otrabalhador está utilizando atalhos. O atalho é sempre a forma mais imediata de se chegar aoacidente ou à falha. A orientação pode ser dada ao trabalhador antes que esse inicie suas atividades, ouno decorrer dessas, para alertá-lo dos perigos e riscos. Nos exemplos a seguir veremos dois tipos deorientação aplicadas nos locais de obra em ambiente e situações extremamente perigosas. Observa-se acima que o encarregado, apesar de estar com o cinto de segurança não se preocupou em atracar o talabarte em um ponto firme, já que não há uma linha de vida montada. Naquele momento eram repassadas orientações acerca da montagem das fôrmas.
  13. 13. No segundo exemplo encarregado confere e orienta seus subordinados no posicionamento das ferragens, pois a concretagem ocorreria logo depois. É importante destacar-se que o encarregadoprendeu o talabarte de seu cinto de segurança em uma corda enrolada nas ferragens, idêntica a vista em primeiro plano.
  14. 14. Capacitação A capacitação é a maneira de capacitar ou deixar o empregado capaz de executarsua tarefa da forma prevista. A capacitação deve estar inserida em uma estrutura de padrões a seremaplicados a cada nova tarefa. Um trabalhador capaz deve entender, compreender e executar osserviços da maneira como foi instruído. Algumas vezes as empresas deixam que os trabalhadores sesintam mais à vontade e façam suas tarefas da forma como aprenderam. Isso pode criar conflitos deinteresses, prejudicar o resultado do trabalho e gerar acidentes. Uma tarefa nunca é resultado de uma só pessoa. Para que um time de futebolganhe de outro a equipe tem que estar capacitada e empenhada para a conquista. Se isso não ocorrerdiminuem as chances de essa vencer. Retornando, em uma atividade de montagem de fôrma emuma vala com profundidade de 60 cm, onde seriam colocadas ferragens para a concretagem de um“envelope elétrico”, com as instalações passando por eletroduto distanciados uns dos outros epresos a uma ferragem, um dos operários, recém ingresso na empresa, utilizava, com oconsentimento de seu encarregado um martelo com o cabo com 65cm de comprimento. A fôrmatinha 50 cm de largura e a vala cerca de 70 cm. Para pregar as “gravatas” nas laterais da fôrma, otrabalhador “enforcava o cabo do martelo, segurando-o pelo meio. O resultado dessa atividade foique o trabalhador ao bater a cabeça de um prego atingiu o cotovelo na borda da fôrma, causandouma lesão no cotovelo. Normalmente os carpinteiros de obras substituem os cabos originais de seusmartelos por outros com comprimento variando até 60 cm. Assim, ao segurar a extremidade docabo imprimem maior força ao martelo pregando os pregos mais rapidamente. Nesse específicocaso o encarregado aceitou como normal essa improvisação, pois era assim que ele havia aprendidocomo carpinteiro, só que não avaliou corretamente os riscos. Nas estatísticas 30% dos acidentados sabiam como proceder, ou seja estavamcapacitados. Esse é um dos problemas das orientações. Quando ditas por pessoas que fazem oque fazem há muitos anos, terminam por aceitar que o fazem do modo correto, até que um acidenteocorra. Essas pessoas, quando abordadas recitam um chavão: “eu faço desta maneira há mais de 20anos”. Os exemplos a seguir ilustram melhor essa situação.
  15. 15. Organização dos ambientes Um ambiente de trabalho, erroneamente denominado de meio ambiente detrabalho, é responsável, direta ou indiretamente por cerca de 45% das ocorrências de acidentes. Aquestão quase sempre não está no ambiente em sí, mas na forma como se encontra organizado,sinalizado, isolado, administrado. Um ambiente de trabalho pode ser um escritório. As pessoaspodem se acidentar chocando-se contra gavetas abertas, portas de vidro fechadas, tomadas nospisos, extensões elétricas sobre o chão, lixeiras fora de suas posições, portas de armários abertas,enfim, há inúmeras possibilidades. Se, entretanto, o ambiente não “for sadio”, ou estiver localizadoem um “prédio doente”, as chances de acidentes aumentam, até pela distração dos trabalhadores.Ampliando o ambiente para um canteiro de obras, os acidentes ocorrem seguindo uma mesmalógica. Uma vala aberta, uma ferramenta pontiaguda sem capa, uma enxada no chão, pregosespalhados, pontas de vergalhões expostas, painéis de fôrmas mal posicionados, enfim, várias evárias condições inseguras terminam por ser agentes de acidentes. Só as condições inseguras nãosão suficientes para o acidente. Pode acrescer-se à lista a ausência de isolamentos, a falta desinalização e bloqueios, as orientações aos trabalhadores, a falta de EPCs e de EPIs. Quaisquer quesejam os ambientes sempre haverá chances de o acidente ocorrer. Em nossas residências, a banheiraé fonte de acidentes, cerca de 10% dos acidentes caseiros. As cozinhas e áreas de serviço sãoresponsáveis por cerca de 60% dos acidentes. Brincadeiras de crianças em camas podem redundarem 3% dos acidentes. O uso de um ferro elétrico, ou a cocção em um forno apresentam potenciaisde acidentes. Trocar lâmpadas, posicionar cortinas, limpar ventiladores de teto, arrumar a parte altados armários embutidos são situações onde os acidentes não são incomuns, especificamente porquehá improvisações para se chegar aos locais mais altos. Diz o ditado que: de tanto se improvisartermina-se sendo vítima de acidentes. As improvisações decorrem de vários fatores como: 1. Pressa na conclusão da tarefa; 2. Falta de meios para a realização dos serviços (ferramentas, escadas, etc.); 3. Falta de percepção de riscos; 4. Execução de atividades rotineiras; 5. Distrações casuais, etc..
  16. 16. Supervisão das atividades Deixamos para o final, como última barreira, a considerar do indivíduo para oambiente exterior, ou a primeira observada do ambiente externo para o trabalhador a supervisão dasatividades. Toda e qualquer atividade deve ser supervisionada. As normas de segurança abrangendoatividades de elevado risco recomendam que a supervisão seja contínua em trabalhos em espaçosconfinados, realizados em altura ou em ambiente energizado. A supervisão é o acompanhamentodas tarefas. Pode ser ostensiva, discreta ou contínua, com o supervisor acompanhando as atividadesdos empregados, como durante a movimentação de cargas com elevado peso, grande excentricidadeou ampla geometria, quando a presença permanente do rigger passa a ser uma exigênciaprocedimentar. Supervisionar não deve ser entendido como tomar conta, ou espionar. Asupervisão está mais para a orientação dos trabalhadores. Os trabalhadores precisam de um líder eesse quase sempre é o Encarregado. O líder é visto como exemplo. O líder é seguido em suas ações.O Líder comanda com o olhar. Quando o encarregado não tem os predicados de um líder asupervisão fica prejudicada. Um supervisor que acompanha a realização de uma atividade a mais de 15 metrosde altura sem qualquer dispositivo de proteção individual e não orienta o trabalhador que está emum nível inferior para prender seu cinto de segurança não está dando o exemplo da Liderança e nemsupervisionando as atividades.
  17. 17. Conclusão Nesta abordagem sobre os níveis de proteção dos trabalhadores apresentamosexemplos corriqueiros e simples e procuramos repassar a todos que um acidente não é um simplesfato que ocorre inesperadamente. Quase sempre as ocorrências são precipitadas por questõesrelativas à imperícia dos trabalhadores, chefias que não se mostram preocupadas com a segurançados membros de suas equipes, ambientes de trabalho sujos ou desorganizados, equipamentos dequalidade duvidosa, enfim, contribuem para a ocorrência vários fatores, alguns já descritos. Oimportante é que se encarem os perigos como realmente são, perigosos. Os perigos sãomanifestados através dos riscos e esses em acidentes. Depois que um acidente ocorre não há comoreverter-se a situação. Não se podem ressuscitar mortos, devolver partes de membros amputados,restabelecer a saúde dos trabalhadores. E o que é pior é ter que dar a notícia àqueles que ficamsempre na espera de seus familiares. Mas, se pode e deve zelar pela segurança dos trabalhadores,eliminando fatores simples, mas que causam acidentes. Para isso, deveremos olhar para o ambientecomo se fosse sempre a primeira vez e NUNCA se acostumar com os desvios, como se essesfossem normais às atividades. Nenhuma atividade necessita de desvios para que seja executada.Para isso é que existem os procedimentos.

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