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  1. 1. ,. t A gerência de riscos aplicada a riscos industriais Antonio Fernando Navarro · . · · Engenheiro Civil Engenheiro de Segurança do Trabalho Gerente de Riscos do Banco Nacional Professor da Funenseg I 1 T A I~erência o.uadministração de fiSCOSurgiu como uma necess sidade premente de reduzir a incidência de acidentes, bem como de encontrar soluções mais adequadas, a um mínimo de custos, para o aumento da produção industrial. Vejamos, inicialmente, qual seja a definição para riscos industriais"praticada por nós: Riscos industriais são todos aqueles onde, através da manipulação de um ou mais produtos, consegue-se produzir outros. Emresumo, são atividades de transformação. Uma tecelagem, manipulando algodão em caroço, tintas e pigmentos, colas e outros produtos, transforma-os em tecido. Uma fábrica de tintas, através da manipulação de uma gama de produtos, consegue transformá-Ios em gomas e lacas, além da própria tinta. Assim sendo, para que haja o produto final, que pode ser o aço para a construção civil,o cimento, o tijoloou a cerâmica, a gasolina ou o diesel, o papel ou o papelão, o chips para um computador, e até mesmo a tinta necessária para escrever este artigo, tem que existir a manipulação de uma infinidade de outros produtos, denominados matéria-prima. O produto final ou acabado de um empreendimento pode vir a ser a matéria-prima em um outro, como, por exemplo, a celulose, obtida da casca da madeira, gerando o papel. O risco industrial difere de qualquer outro pela existência da manipulação de produtos. De um modo geral, essa manipulação está associada a reações físico-químicas, pressões, temperaturas, umidades etc. Durante a manipulação geram-se produtos com características algumas vezes bem distintas do produto final, e em um estado físico também bastante diferente. Podem ser obtidos subprodutos sólidos, líquidos, gasosos, pastosos, de características ácidas, inflamáveis, oxidantes, tóxicas, infectantes, radioativas, corrosivas. Em vista dessa multiplicidade de riscos e situação é que se desenvolveu a gerência de riscos. Em princípio, são vários os riscos que podem afetar instalações industriais. Para cada um deles ~averá sempre a possibilidade de se encontrar um modo de prevenção como também de controle. De forma simplificada, os riscos que podem afetar uma instalação industrial podem ser devidos a: Danos de causa interna elevação ou redução da pressão positiva ou negativa do processo; · · elevação ou redução da tempera- tura do processo; · reações físico-químicas em paralelo ou descontroladas; explosão de misturas em preparação; · · combustão descontrolada; . acidentes envolvendo os maqui- nismos utilizados no processo. Danos de causa externa · · · · · · · · · incêndios; explosões; desmoronamentos; desabamentos; alagamentos; inundações; ventos; vazamentos de efluentes; colapso de edificações por falhas construtivas. Não há estatística correta, mas os acidentes podem ser decorrentes das seguintes causas: falhas construtivas; · falhas de materiais; · · · · falta de controle de qualidade; reações descontroladas; falhas de supervisão e controle; CADERNOS DE SEGURO 9 I
  2. 2. . · · condições naturais adversas; erros humanos. De todas essas causas a mais comum é a de erro humano, respondendo por cerca de 60% dos acidentes na área industrial. Pela sua importância convém comentar as suas causas. Os erros humanos podem ser divididos nos seguintes grupos de causas: cansaço - visual ou físico, devido a jornadas de trabalho longas, plantões mal dimensionados, condições ambientais desfavoráveis, inadequadas condições orgânicas, localização do trabalho à longa distância; · · stress - motivado por proble- mas de relacionamento no trabalho, inadaptabilidade.a chefias e subordinados, longas jornadas de trabalho, inadaptação a função; desatenção - provocada por problemas de ordens várias, dentre as quais citamos: problemas familiares, fome, ansiedade, condições de saúde, trabalhos com rotinas e .,cessivas, trabalho repetitivo; inadaptação física - trabalhos o ruido elevado induz ao erro humano, rasponsável por 60% dos acidentes na área industrial desgastantes demais para o indivíduo. no segundo o cansaço visual; ruído Aqui cabe fazer uma colocação a res- períodos de refeição. Fato bastante comum é a do operário correr como elevado, provocahdo falta de perceppeito do que apuramos como inadaptação física. Consideramos a escolha seu serviço para não perder o horário ção auditiva; temperaturas extremas, produzindo o desconforto térmico, sido almoço. Não podemos descartar do biotipo físico contraindicado para tuação essa encontrada junto a equiexercer certo tipo de função. Normal- também as ocorrências em indústrias mente isso ocorre em funções que exi- de produção sazonal ou de piques de pamentos com grande dispersão de calor e em locais confinados para a utigem demais da compleição física do produção; trabalhador; · falta de motivação - atribuímos lização de computadores. Os proble· brincadeiras - ocorrem devido a este item uma série de fatores gera- mas de aumento da pressão sangüíprincipalmente à imaturidade do gru- dores, tais como: má remuneração, nea e a tendosinovite são gerados pepo e à falta de uma supervisão ade- falta de treinamento, falta de perspeclas condições ambientai$ adversas; viquada à situação; tiva de crescimento na empresa, ina- bração geral ou localizada, acabamen· premeditação - são situações daptação à função, proximidade de tos construtivos com cores ou odores nas quais o trabalhador, voluntariaépocas de dispensas coletivas, em pe- agressivos. mente, procura o acidente, seja para Já sabemos, de modo superficial, ríon0S que antecedem a negociações beneficiar-se com ele ou prejudicar a sindicais, má situação financeira da quais são os principais danos que poempresa; empresa e outras causas mais. A fal- dem ocorrer em um risco industrial e crime - em nosso País são pou- ta de motivação é um dos fatores que quais seus fatos geradores. Entretancontribuem para o absentismo, provo- to, é oportuno comentar-se os refiecas as situações em que há o acidente devido a crime. Geralmente o traba- cador de grandes perdas para as em- xos-desses acidentes junto à empre~a. lhador procura obter para si ou para presas; Os problemas que podem redundar outrem, situação mais difícil, um resinadaptação aos equipamentos j!)araessas são os seguintes: sarcimento moral ou pecuniârio, com ou dispositivos de trabalho - seja de· interdições legais; a ação. Fatores geradores são as de- vido ao porte físico ou à falta de treidanos materiais ou pessoais; missões imotivadas, chefias arbitrá- namento, equipamento projetado perdas de imagem; rias ou arrogantes; multas; sem qualquer preocupação com o lafalta de treinamento - os aci- do ergonômico. A inadaptação tamações de ressarcimentos; dentes devidos a esta causa são bas- bém pode ser motivada por funções perdas de mercado; tante comuns, em empresas com al- que provocam grandes desgastes fí· baixa de estoque e baixa produto "turn over", ou mesmo a falta de sicos ou mentais; tividade, se ocorrido acidente envolcondições ambientais adversas critérios na seleção de pessoal para vendo os operários. exercer certas atividades; Como se vê, grandes são as impli- alguns itens relevantes merecem pressa - a tendência da ocorrên- ser destacados, como causadores de cações para as empresas e, por consecia de acidentes dessa natureza é condições ambientais adversas: ilumi- qüência, para os mercados consumiquanto à mudança de turno de trabanação excessiva ou deficiente, geran- dores. Dissemos no iníciodeste artigo lho ou em horários que antecedem a do no primeiro caso o ofuscamento e que um dos objetivos da gerência de · · · · · · · · · · · ·
  3. 3. riscos era a de evitar que situações gra- vosas atingissem os patrimônios empresariais, ai incluido o patrimônio pessoal. As formas de prevenção abrangem: seguros, produção, pessoas, instalações, patrimônio. Vejamos a seguir o "modus faciendi" da prevenção, aplicada a riscos industriais, passando, porém, a alguns critéios de identifica cão de riscos. E importante saber-se, antes de 'iniciar-se um processo de prevenção, quais itens são relevantes numa avaliação de riscos e quais os acidentes que podem ser esperados com maior freqüência: Avaliação de riscos envolvendo edificações Tem muita gente boa que avalia uma edificação quanto ao risco que ela está sujeita, observando suas características construtivas e o ambiente natural ao seu redor. Assim sendo, uma edificação com estrutura integral de concreto armado, em um terreno natural plano, jamais vai sofrer danos consideráveis. Por outro lado, a mesma edificação sobre um <lterro,ou próxima à borda de um talude, pode vir a sofrer danos periódicos consideráveis. Élógico que o bom senso do inspetor determina, em seu t consciente, situaç,ões danosas ou não, ao ver a edificação e o ambiente externo como uma só condição, o que não está de todo correto. O avaliador mais meticuloso deve avaliar os riscos de per si e atribuir a eles a sua parcela ou participação em sinistros e, só a partir daí, avaliaro conjunto. Agindo dessa forma, terá melhores condições de sugerir medidas preventivas, melhor indicadas. Quando dizemos melhor indicadas queremos nos referir àquelas onde o fator custo x benefício foi observado. São os seguintes os itens, que a nosso ver, merecem uma observação mais detalhada: . idade das edificações - cada edificação tem uma vida útil, específica não só pela qualidade dos materiais de construção nela empregada, como também pela sua utilização. Dizer que uma edific.ação de alvenaria tem uma vida útil de 30 anos, se de alvenaria de produtos cerâmicos, e de 60 anos, se de alvenaria de blocos de cantaria (blocos de pedra) é um pouco difícil, para não dizer que foi "chute". A idade é fator preponderante quando avaliada em conjunto com outros elementos. Até mesmb as condições climáticas circundantes têm importância. Uma ~dificação de alvenaria em cantaria, em clima seco e frio, pode ter sua vida útil prolongada para 100anos, o mesmo não ocorrendo em climas úmidos e quentes. A idade deve ser pesquisada pOF ser importante saber-se a época da construção e, por conseguinte, os materiais empregados e as técnicas construtivas utilizadas. . vida útil - parâmetro sujeito a bastante discussão, pelos motivos que apresentamos anteriormente. O processo de determinação da vida útil em função do tipo de construção, através de tabelas, tem muito de empirismo. Mesmo porque duvidamos.que alguém tenha pesquisado uma série significativa de edificações e avaliado sua vida útil. Existem castelos na Europacom 800 anos, em perfeitas condições de utilização. Aconselhamos sempre que este item só seja avaliado após obter-se todos os demais parâmetros mensuradores. estado de conservação - quem já não teve a oportunidade de ver nas ruas carros com 30 Ol..'llais anos de idade, com a aparência de saídos de fábrica, e outros com um ano, dois ou três verdadeiros cacarecos? O principal fator para que isso ocorresse cha- . Na avaliação de riscos, a poluição f! ponto pelo monóxido de carbono e enxofre relevante. Monumentos são ameaçados CADERNOS DESEGURO 11
  4. 4. '';J ' .< Sistemas de detecção e combate a inc6ndios ma-se conservação. O mesmo se sucede com as edificações. Quanto melhor conservadas maior será o seu tempo de utilização, ou de aproveitamento. condições de manutenção apesar da palavra conservação parecer ser sinônimo de manutenção, entendemos que a manutenção é a periodicidade da conservação. Em um caso conservamos ou preservamos o bem e, em outro, mantemos o mesmo em perfeitas condições. · · condições ambientais agressivas consideramos a avaliação das con- - dições ambientais agressivas como um dos fatores mais expressivos, em termos de avaliação de riscos. Dentro deste tópico pode-se ter o clima e as condições físicas do terreno. A conjugação de chuvas em terren'o calcá rio pode ser fatal para a construção. Também aqui deve-se associarfatores, como forma de melhor estudá-Ios. Além desses pontos, a atmosfera do local também pode ser altamente prejudicial. Os grandes monumentos arquitetônicos do mundo estão sendo gradualmente destruídos pela poluição atmosférica, principalmente devido ao monóxido de carbono e ao enxofre. · qualidade dos materiais de cons- trução utilizados - é óbvio que se quisermos ter uma edificação que perdure, deveremos empregar materiais de 12 FIINMG incluem-se nas proteções ativas que contêm ou extinguem o dano :J '.. ","-" construção adequados à utilização da no de materiais e pessoas. · prote'ções ativas e passivas - a mesma. Isso quer dizer que, se trabalharmos com produtos ácidos ou gra- nosso ver, para cada nova atividade xos, deveremos dispor de superfícies desenvolvida deverão existir sistemas resistentes ao ataque dos produtos. de proteção ativa ou passiva, existenSe ao invés desses produtos tivermos tes desde a fase do anteprojeto. Infemateriais explosivos, o principal é que lizmente, em nosso País, costuma-se os materiais utilizados tenham eleva- premiar quem age corretamente, ou da inércia e resistência a impactos. somente no estrito cumprimento da Além dos itens acima, os quais de- lei. verão ser analisados em conjunto, Toda atividade empresarial, mesmo existem outros também importantes, de pequeno porte, é obrigada por lei discriminados a seguir: a contar, com pelo menos, um siste· adequadas proteções contra da- ma primário de extintores de incêndio. nos - são todos os tipos de proteção O Corpo de Bombeiros, através de leempregadas para evitar que um aci- gislações estaduais, e o Ministério do dente destrua completamente a edifi- Trabalho, por meio de uma legislação eação. Por exemplo, telhados móveis, federal, regulamentam completamenque em caso de explosão liberamcom- te o assunto. Pois bem, o mercado sepletamente os gases formados. Estru- gurador brasileiro, a1émde passar por turas especiais resistentes a deformacima dessas exigências legais, porque ções etc. faz exigências bem inferiores ao deterlayout interno e do conjunto de minado em lei,ainda concede desconedlficações - em nível de segurança tos nas taxas de seguros. Em outras interna recomenda-se que sejam pro- palavras, premia-se quem descumpre jetados arranjos dos equipament@s e a lei. Bem, este não é bem o nosso asde áreas de atividade, de modo que sunto, aqui neste artigo. um acidente ocorrido em um local não As proteções ditas ativas são aquevenha a se alastrar com facilidade pa- las que atuam diretamente, contendo ra os outros. De um modo geral com- ou extinguindo o dano. Podem ser inpartimenta-se áreas utilizando-se pa- terpretados como proteção ativa os redes corta-fogo. Entretanto, nem sistemas de detecção e combate a insempre isso é possível, não só devido cêndios (extintores, mangotinhos, caà exigüidade de espaço físico, como nalizações preventivas, hidrantes, detambém por dificultar o trânsito inter- tectores, moto-bombas, sprinklers, ·
  5. 5. .... sistemas de gases etc.). As proteções passivas são aquelas incorporadas à edificação, com o objetivo de torná-Ia mais resistente aos efeitos do sinistro. São exemplos de proteção passiva: revestimentos de colunas metálicas, diques de contenção, aplicação de produtos especiais retardantes à ação do fogo etc. · resistência estrutural contra danos de causa externa - são todos os sistemas ou dispositivos adicionados às edificações, capazes de prolongar a sua vida útil face a impactos ou esforços solicitantes adicionais de causa externa ou interna. Os danos de maior possibilidade de ocorrência, afetando edificações, são: · · · · · · · incêndios; alagamentos; desmoronamentos; destelhamentos; explosão; desabamento; impacto de veículos. Avaliação de riscos envolvendo instalações De um modo superficial a sistemática adotada para identificação de itens é praticamente a mesma dos itens anteriores, diferindo apenas do enfoque dado. São eles: · idade da instalação; · vida útil atribuída e a real; · estado de conservação; · condições de manutenção; · regime de trabalho; · dimensionamento de projeto para folgas e sobrecargas; · condições ambientais agressivas; · produto agressivo dominante, disperso na atmosfera; · características da instalação; · formas de proteção contra danos; · qualidade dos materiais empregados; · traçado da instalação. Os danos mais comuns que podem afetar uma instalação são: . acidentes eletromecânicos; · rompimentos; . danos por superutilização; · explosões; · impactos mecânicos; · choques térmicos; · fadiga de material; · desnivelamento; · incêndio. Avaliação de riscos em equipamentos A exemplo dos itens anteriores, te- mos também uma série de pontos a serem observados individualmente, e em conjunto, para os equipamentos. São eles: · idade; · vida útil estimada e a real, em função da utilização; . estado de conservação aparente e real; · condições de manutenção preventiva; · regime de trabalho em condições normais e em regime forçado; · formas de operação; · condições ambientais agressivas; · tipos de instÊlação; . produtividade real e projetada; . qualidade dos materiais empregados; . características. dos projetos de instalação e de montagem. Também, aqui,_os acidentes mais comuns podem ser atribuídos a: . acidentes elétricos; · acidentes mecânicos; · explosão; · implosão; · impactos mecânicos; . desintegração por força centrífuga. Agora que já conseguimos identificar, pelo menos de modo superficial, ., .. A manutenção preventiva é ponto a ser considerado na avaliação de riscos em equipamentos CADERNOS DE SEGURO 13
  6. 6. quais os riscos que podem afetar um empreendimento industrial, já temos condições de sugerir medidas preventivas, de modo que consigamos evitar, ou reduzir, a incidência de sinistros, ou eventos danosos. Pelo que dissemos anteriormente, as formas de prevenção são, basicamente: seguros, manutenção de segurança e adoção de sistemas de segurança. O seguro, em princípio, não previne nenhum risco. Simplesmente repõe um patrimônio afetado por um evento, podendo ser essa reposição total ou parcial. A reposição é dita total quando o empresário tem o seu bem de volta, após ser sinistrado, em condições de funcionamento pleno, despendendo para isso unicamente o custo do seguro. Reposição parcial é aquela na qual o empresário, além de despender com o pagamento do seguro, ainda terá que gastar mais dinheiro, se quiser ter a reposição plena. Éuma grande baleia afirmar-se que o seguro bem feito, ou bem contratado, repõe totalmente o bem sinistrado. A começar que os prejuízos Cleperda de mercado não são indenizados, a perdp de produção até a reposição não é computada. Para melhor exemplificar verificaremos o seguinte exemplo: · do bem segurado - máquina de trefilação importada, com cinco anos de idade, rendimento de produção de 100metros de fios por hora, com possibilidade de intercambiar a saída de fios, desde o diâmetro de 1 mm até 10 mm. Essa máquina representa 1/5 da produção total da empresa, com utili- 14 FUNEm:G zação plena de todas elase vendas garantidas para os próximos seis meses de 130% do total da capacidade instalada. · do sinistro - sinistro ocorrido em um componente eletromecânico, extendendo-se a toda a máquina, com perda total. A produção da máquina correspondente a três horas, que estava ao lado da mesma, foi totalmente danificada. · dos valores segurados - o valor segurado correspondia ao valor de novo do bem. · dos estoques - o segurado, como estava com um pique de vendas, inclusive acima da sua capacidade de produção, havia feito um estoque cor- respondente a três meses de venda. da apuração dos prejuízos - va.Ior segurado = valor dos prejuízos = valor indenizado. Pelas suas caracte- · rísticas de produção o segurado havia contratado, além da cobertura para o equipamento, um seguro de lucros cessantes, com um período indenitário de três meses,. supostamente necessário para a reposição do equipamento sinistrado. · da verificação da produção produção de uma ~áquina = 100m/h x 10 h/dia x 22 dias/mês = 22 km/mês; j:>roduçãode 5 máquinas = 22 km/mês x 5 = 110km/mês; capacidade de vendas = 110 km/mês x 30% = 143 km/mês. Meses Vendas Ikml Produção Ikml Estoque + produção Déficit 1? 2? 3? 4? 5? 6? 7'? 8? 9? 10? 11? 12? 143 143 143 143 143 143 143 143 143 143 143 143 110 110 110 110 110 110 110 110 110 110 110 110 429 396 363 330 297 264 231 198 165 132 99 66 33 33 66 99 132 165 198 231 264 297 330 363 396 Pela mudança legislativa ocorrida no País, a seguradora, em vista de não poder obter dólares para a importação do maquiná rio, substituiu-o por um similar nacional, o qual, pelas suas características técnicas, tem uma produção 40% inferior, além de propiciar uma perda de 10% da produção, pelo diâmetro diferente do fio. Nessa situa- ção, veremos como ficaria o quadro de vendas e de produção, partindo-se do princípio que os valores vendidos permanecerão os mesmos. Produção de 4 máquinas = 4 x 22 km/mês = 88 km/mês; produção da 5? máquina = 22 km/mês x 0,60 x 0,90 = 12 km/mês.
  7. 7. Meses Vendas Ikm) 1? 2? 3? 4? 5? 6? 7? 8? 9? 10? 11? 12? + 143 143 143 143 143 143 143 143 143 143 143 143 Produção Ikm) Estoque + produção Déficit 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 429 386 343 300 257 214 171 128 85 42 ( 1) ( 44) ( 87) 43 86 129 172 215 258 301 344 387 430 473 516 Caso a máquina seja reposta no período máximo de três meses, estipulado no contrato de seguro de lucros cessantes, perante a seguradora o segurado não teve uma perda de lucro, já que o seu estoque foi suficiente para manter suas vendas por esse período. Entretanto, a partir do sétimo mês o segurado passou a contar com deficiência em suas vendas. Essa mesma deficiência, provocada por uma reposição de equipamento inadequado, o famoso similar nacional, fez com que ocorresse: perda de mercado, ou perda de clientes. Paramanter a sua clientela original, sua alternativa foi a de repor o seu estoque através de compras de terceiros cada vez maiores. Todas essas perdas não são indenizáveis pelo seguro. Nosso País, atrelado a tarifas de seguros únicas, fica cada vez mais problemático para o segurado contratar o seguro que realmente precisa. Quando isso ocorre, vem recheado de "coberturas" totalmente inócuas à sua atividade, que só encarecem o custo finaldo seguro. Isso para não falardos pacotes de seguros, interessantes somente para as seguradoras, nos quais são comerc1alizadas coberturas para riscos remotíssimos, e nos quais não pode atribuir as importâncias que deseja para cada cobertura. Em resu"mo,por mais que o contrato de seguro seja bem feito, sempre existirão despesas não cobertas. Cabe ao gerente de riscos buscar coberturas mais adequadas, a um mínimo de custos. Paratanto, deverá ter um perfeito controle de todos os sinistros ocorridos, apurando todos os custos deles decorrentes, e a partir daí formar uma série histórica necessária a qualquer pleito junto à seguradora ou ao IRB. Descartando-se o lado comercial, hoje de bastante influência, e o aspecto legal ou contratual, a aceitação de um ~isco deve-se dar em função da análise de uma série de parâmetros, tais como: · ocupação do risco; · sinistralidade conhecida; .. expectativa de sinistros futuros; · características físicas do risco; · existência de meios e sistemas de detecção e combate a incêndios; · dano máximo provável e perda máxima esperada; . condições externas agressivas; importâncias seguradas; · garantias pretendidas; garantias adicionais acessórias; · risco dominante; · franquias solicitadas; · prazo de cobertu ra. Com base nesses parâmetros é determinada a taxa de risco puro e os seus carregamentos. A partir daí são entabuladas pela seguradora algumas considerações para aceitação do risco, com base nos parâmetros: condições e prazos para colocação dos excessos de cobertura; · taxas praticadas internacionalmente; · importâncias resseguradas; · prazos para pagamento; · · . t .... · Como se vê, é longa a série de exigências feitas pelo mercado segurador, mesmo porque a aceitação do risco não é imediata e nem depende da exclusiva vontade da seguradora. A título de ilustração, os caminhos percorridos para a aceitação de um risco obedecem às seguintes fases, totalmente ou não em função dos capitais segurados: CADERNOS DE SEGURO 15 I
  8. 8. r---- ------ --- I -- --- - - - - --, I I I I I I I I - " I I I -' -,,-' ff~/ ,.-, · fase 1 - aceitação do risco por parte da seguradora, ou por um pool de seguradoras, com a retenção de responsabilidades equivalente ao somatório dos limitestécnicos do grupo; · fase 2 - o excedente da capacidade retentiva do pool é negociado e repassado para o IRB, sob a denominação de resseguro; · fase 3 - após o IR B esgotar sua rapacidade retentiva repassa o exce3nte às seguradoras, capacitadas a operar no ramo, proporcionalmente aos seus ativos líquidos, em uma operação chamada de retrocessão, ou 1? excedente país; · fase 4 - todos os excedentes de responsabilidade ainda existentes são repassados através de contratos com os resseguradores no exterior,em operações cumulativas, denominadas de 1?, 2? e 3? excedentes; fase 5 - caso ainda exi!?tamresponsabilidades a serem repassadas, são carreadas para uma operação denominada de 2? excedente país, no qual o IRBparticipa com uma parcela de retenção e o conjunto de seguradoras nacionais com o restante; responsabilidade, negociadas através de contratos avulsos com o exterior. Apresentamos uma situação crítica, na qual são acionadas todas as fases de aceitação de riscos. Periodica: mente, em função da política de retenção de riscos, praticada pelo país para evitar a evasão de divisas, são feitas alterações nos mecanismos de aceitação de riscos, inclusive com a ampliação de faixas retentivas, em função do dano máximo provável. · · fase 6 - as responsabilidades 16 fI'Nvar. construções mais seguras; modificação de equipamentos e processos; modificação e alteração do processo de utilizaçãode matérias-primas e produtos intermediários. Basicamente, no primeiro caso, empregamos métodos ou sistemas de prevenção de riscos, os quais, acionados, previnem ou reduzem a extensão dos danos. Nosegundo caso, após conhecermos todo o processo e levantarmos os seus pontos vulneráveis, ou pontos críticos, alteramos ou corrigimos as falhas, podendo, para isso, ter ou não ocorrido algum sinistro. Em um próximo artigo falaremos com maior profundidade sobre as formas de proteção de riscos, aplicada a riscos industriais. Este assunto faz parte de uma série de artigos por nós preparada sobre o tema Segurança Industrial, brevemente publicada. A seguir apresentamos em quadros algurls conceitos sobre a segurança na armazenagem de materiais, enfocando: armazenagem em tambores metálicos verticais; · armazenagem em tambores metálicos horizontais; · armazenagem em cilindrosde gases; embalagens diversas - sacarias depositadas; · armazenamento de fardos de celulose; · ex- cedentes e não agasalhadas são repassadas para o Excedente Único de Riscos Extraordinários, onde o IRB e todo o mercado participam; · fase 7 - o restante dos riscos não assumidos são negociados com o Governo Federal, através da compra de títulos; fase 8 '-. essa última fase compreende a colocação das pontas de · ~ ---------- l_________ No tocante à'prevenção de riscos, existem várias formas de praticá-Ios: · medidas preventivas - manu- tenção corretiva e preditiva; controle de pontos críticos; instalação de equipamentos de prevenção e controle de perdas; treinamento de pessoal. · medidas corretivas - novas · · armazenamentoem prateleiras; · estoques a granel sólido; · fardos em fibras; · caixotaria de materiais.
  9. 9. Segurança na Armazenagem de Materiais iUm~nagemem Tambores Meiálicos nallorizontal · · · · · Deverão ser 'verificados. por ocasião da inspeção. os seguintes itens: resiStência dos suportes estabilidade dos tambores aterramento elétrico (caso de depósito de inflamáveis com manipulação) drenagem da área devido a vazamentos possibilidade de impacto por velculos e equipamentos Armazenag$D1 em Tambores MetáUcoS Verticais · · · · . . · Deverão ser verificado por ocasião da inspeção. os seguintes itens: altura máxima de empilhamento resistência flsica dos pallets estabilidade das pilhas de tambores drenagem da área devido a vazamentDs possibilidade de impaems-por velculos e equipamentos capacidade de resistência do piso . incompatibilidade entre produtos armazenados CilindroS com Gases · · · · · · Deverão ser verificado por ocasião da inspeção. os seguintes itens: incompatibilidade dos gases armazenados quantidade de garrafas estocadas prevenção ao risco de incêndio e explosão prevenção aos danos provocados por impactos mecânicos i(lentificação dos cilindros cheios de vazios amarração das garrafas - J L li li u_ 7Xy CADERNOSDE SEGURO 17 I
  10. 10. Segurança na Armazenagem h_. _._"' ,_ ~;. de Materiais Embalagens Diversas _ Sacarias altura máxima que depende da resistência do material de embalagem - pallet Estocadas . . . . . . · . Deverlo ser verificado por ocasião da inspeção. os seguintes itens: tempo máximo de armazenamento do produto rotatividade do estoque estabilidade das pilhas de sacos nãô absorção de umidade pelo produto ventilação (arejamento) interno das pilhas resistência do material de embalagem identificação dos produtos proteção contra Incêndio Estoques a Granel Sólido · · . . · . . Deverlo ser l1erificado por ocasião dà inspeção. os seguintes Itens: dispersão de material particulado altura máxima de empilhamento estabilidade da pilha prevenção do risco de fogo e explosão (armazenamento de substências minerais e orgânicas) aeração Interna drenagem do piso condições ambientais agressivas 4rmazenamen.to · · · . · em Prateleiras Deverlo ser verificado por ocasião da inspeção. os seguintes itens: altura máxima das prateleiras distanciamento entre prateleiras e divisões internas estabilidade das prateleiras existência de mercadorias acima das prateleiras existência de mercadorias cuja largura excede à das prateleiras prevenção do risco de fogo · 18 fUNOO:G
  11. 11. de Materiais Segurança na Armazenagem Caixa com Materiais Deverão ser verificado por ocasião da inspeção. os seguintes itens: das embalagens altura máxima da ampilhamento estabilidade das pilhas de caixas possibilidade de danos por água ou umidade drenagem da área para ascoamento das águas identificação correta do conteúdo · · · · · ..resistência Fardos de Fibras · · · · · · Deverão ser verificado por ocasião da inspeção. os saguintes itens: altura máxima da ampilhamento estabilidade da pilha resistência do pallet proteção dos fardos para o armazenamento ao ar livre proteção das mercadorias contra a umidade risco de incêndio I fardo I .... .---- I ----< I // 20 ruNOOI; pallet
  12. 12. Sugestão para armázenamento de fardos de celulose ao ar livre , filme plástico de recobrimento ---fardo de celulose tábua de fixação1>.I í ~ ... fardo de celulose OCD 1::18 ~['ti .C~:m Õ E :s l ." 4- .5 grelha de E u cobe~~ ~ .:=:" F_ J,. .. . - madeira ~~//--=:;//.:- 4 0.3%(mlnimo) caimento do terreno . 11 ,.. j. pallet torasde ._~.' ( . . . c--'~ -,~/:::.. ...:.///~p,,- galeria de águas pluviais ComTrato. Do11IDo E+'o 8~'tI O seguro semmistério. Até agora o pequeno e médio empresário andava investigando os mistérios do mercado segurador. Ele procurava um seguro que atendesse às necessidades específicasda sua empresa:um seguro simples, objetivo e totalmente desburocratizado. Finalmente a Generali acabou com o mistério criando ComTrato um seguro compreensivo, que dis~ pensa vistoriase avaliações. uma N única apólice você ofereceao cliente 18diferentes tipos de coberturas, além das opções paralelas. E é bem mais econômico do que fazer vários seguros ~paradamente. Ofereça ComTrato. O seguro que o pequeno e médio empresário estava procurando de lupa na mão. ~ GENE~ ~ o grande seguro da pequena e média empresa. CADERNOS DESEGURO 21
  13. 13. T Fatores a serem observados na instalaçãode uma indústria · · . · · · . . layout dos prédios layout dos equipamentos e maquinismos orientação dos ventos dominantes declividade do terreno insolação distância entre edificações existência de áreas internas comunicações entre áreas de fabricação Situações perigosas no armazentamento de produtos · · · · · substância mistura no transporte de cargas . tipo . . . armazenada de equipamentos capacidade dos equipamentos içamento de produtos altura de armazenamento circulações movimentação internas proteção contra incêndio ~ I ."f I I no manuseio de no manuseio de gases · · · · manipulação proteção contra incêndio .. · · . . i~".is transporte estocagem transporte estocagem 22 líquieJos FUNENfG manipulação proteção contra incêndio

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