A função e a origem do gerenciamento de riscos

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A função e a origem do gerenciamento de riscos

  1. 1. A função e a origem do Gerenciamento de Riscos Antonio Fernando Navarro1 IntroduçãoA função do Gerenciamento de Riscos é a de reduzir perdas e minimizar os seus efeitos. Issoquer dizer que se assume a existência de perdas em todos os processos industriais, como um fatoperfeitamente natural. Entretanto, por meio de técnicas, basicamente de inspeções e de análises,procura-se evitar que essas perdas venham a ocorrer com certa freqüência, ou reduzir os efeitosdessas mesmas perdas, limitando-as a valores aceitáveis, ou dentro do perfil estipulado pelaempresa em seus orçamentos anuais.Não existe um método único de Gerenciamento de Riscos, ou uma metodologia padrão. Costuma-seconfrontar os procedimentos em vigor com procedimentos-padrão para aquele tipo de etapa,analisando as possíveis alterações existentes, através de um amplo conhecimento das várias etapasda atividade analisada.O Gerenciamento de Riscos é um contínuo processo de busca de defeitos, ou de quase-defeitos,com vistas à sua prevenção. Esses defeitos são chamados riscos.Risco é uma chance de perda e provavelmente, o mais importante degrau no processo deidentificação e gerenciamento das perdas.Com as informações obtidas por intermédio da aplicação das várias técnicas adotadas noGerenciamento de Riscos e o emprego de metodologias específicas pode-se também quantificarriscos. A partir do momento que se qualifica e quantifica um risco tem-se a sua real magnitude ousua expressão matemática.A qualificação é a identificação do tipo de risco ou da qualidade, se é que podemos assim dizer àrespeito das características dos eventos que podem surgir. Trata-se de um risco de incêndio, ou deum risco de explosão, ou de um risco de danos elétricos, etc..A quantificação é a determinação do valor da perda, expressa em percentual do valor dos bens ouem valores absolutos, ou do tamanho do prejuízo a se verificar no futuro. O risco, se ocorrer, poderá1 Antonio Fernando Navarro é Engenheiro Civil, Engenheiro de Segurança do Trabalho e Mestre em Saúde e MeioAmbiente, tendo atuado em atividades industriais por mais de 30 anos. Também é professor da Universidade FederalFluminense – UFF.
  2. 2. gerar uma perda que irá afetar 48% do patrimônio da indústria. A perda potencial é de cerca de $500,000.Como veremos adiante, tanto o tipo de risco quanto o valor da perda gerada são bastanteimportantes para a fixação do custo do risco, ou seja, do valor que a perda, se ocorrida, podeassumir. Essa informação é muito importante para a execução de um programa de tratamento dorisco. Em função do custo do risco, que pode vir a ser razoavelmente calculado por processossimples, consegue-se elaborar um plano de retenção das perdas ou de transferência para umaSeguradora, por intermédio de um contrato de seguros. Se as perdas são pequenas e a probabilidadede virem a ocorrer é baixa, com toda a certeza pode se tratar de um caso de retenção do risco, ou deum auto-seguro. Por outro lado, se a perda tem características de vir a apresentar danos severos, é omomento de se pensar em transferi-la, por intermédio da contratação de uma apólice de seguros.Passaremos a entender nos capítulos que se sucederão que uma transferência de risco não é umaoperação isolada. O fato de se transferir um risco não é um pressuposto de que todas aspreocupações da empresa estarão resolvidas, ou todos os prejuízos serão reembolsados, ou as perdasreparadas. Normalmente existem mecanismos dentro do contrato de seguros que transformam aempresa em corresponsável pelas perdas, ou seja, se um sinistro vier a ocorrer, a empresa terá quebancar uma parte do mesmo e a seguradora a quem ela transferiu a responsabilidade seráresponsável pela diferença. Esse mecanismo de corresponsabilidade é o que denominamos defranquia ou participação obrigatória do segurado (POS). Assim, a empresa por não ter condiçõestécnicas de repassar 100% tem que se preparar para evitar as ocorrências dos eventos. Uma dasformas de prevenção se dá por intermédio da aplicação das técnicas corretas de Gerenciamento deRiscos, associada a adoção de mecanismos ou de sistemas de prevenção de perdas. No tocante aesses, iremos destinar alguns capítulos para tratar do assunto especificamente. Origem do Gerenciamento de RiscosA Gerência de Riscos surgiu como técnica nos Estados Unidos, no ano de 1963, com a publicaçãodo livro Risk Management in the Business Enterprise, de Robert Mehr e Bob Hedges.Seguramente uma das fontes de consulta ou de inspiração dos autores foi um trabalho de HenryFayol, divulgado na França em 1916. A origem da Gerência de Riscos é a mesma da Administraçãode Empresas, a qual, por sua vez, conduziu aos processos de Qualidade e de Produtividade.
  3. 3. Por ser uma técnica relativamente nova, sua divulgação e adaptação pelos países variou de acordocom as necessidades de momento, das experiências dos técnicos que a difundiram, da fase dedesenvolvimento pela qual estava passando o país e outros motivos mais. No Brasil o seu ingressodeu-se na segunda metade da década de 1970, com aplicação voltada especificamente para a áreade seguros, com vistas à prevenção de riscos em bens patrimoniais, segurados pelas empresas dosetor. Desta forma, seus conceitos começaram a se propagar juntamente com os conceitosprevencionistas do Mercado Segurador Brasileiro, principalmente no que diz respeito ao risco deincêndio. Porém, com o intercâmbio entre os países e a melhor compreensão da técnicavislumbrou-se um melhor futuro para a mesma.Quase ao final da década de 70, com o desenvolvimento da Engenharia de Confiabilidade deSistemas, ou a Engenharia de Segurança de Sistemas, alguns conceitos comuns passaram a semesclar, dando nova configuração à Gerência de Riscos.Nos capítulos a seguir faremos uma análise de alguns tipos de processos industriais, com destaquepara os seus principais riscos e sugestões de formas ou de maneiras adotadas para o tratamento dosriscos. Nos deteremos mais no tópico prevenção e combate a incêndios nessas análises, por seresse o principal risco das empresas, sem entretanto descuidarmos da análise e da exemplificação deoutros riscos.Existem inúmeros eventos que constantemente ameaçam o patrimônio das empresas. Porém, emlinhas gerais, dos eventos geradores de danos que incidem em instalações industriais, tanto no quediz respeito à freqüência de ocorrências, como também no tocante à severidade das perdas, oIncêndio é o mais comum. Na ilustração a seguir apresenta-se um gráfico com os percentuaismédios, aplicados aos riscos maiores ou geradores das ocorrências, verificados nos acidentesenvolvendo indústrias. 60 Quebra de Máquinas Incêndio Danos Elétricos Explosão Equipament. Y Explosão Substâncias Impacto de 15 Veículos Derrame de 5 5 5 5 Materiais 1 2 1 Corrosão X Erosão
  4. 4. Nesse capítulo abordaremos desde o conhecimento das características dos agentes extintores até oseu emprego, sempre com vistas à prevenção e controle dos riscos.Finalmente, cumpre ressaltar que muitas vezes a Gerência de Riscos é confundida com aSegurança Industrial. Ambas têm caráter preventivo. Entretanto, na Gerência de Riscos procura-setratar o risco sob o prisma matemático de sua ocorrência, quase que para fins de estudos, enquantoque a Segurança Industrial parte direto para as medidas corretivas.A linha de trabalho que consideramos ideal é aquela que associa os métodos de análiseempregados na Gerência de Riscos com os procedimentos da Segurança Industrial. Bibliografia sugeridaExistem inúmeros trabalhos publicados no exterior acerca dos temas que abordamos, algunspublicados por Seguradores ou por empresas especializadas em Resseguros. Entretanto, aspublicações que mais se aproximam da linha de trabalho que adotamos são as sugeridas comofontes bibliográficas, como se segue:• American Society of Insurance Management Study of the Risk Manager and ASIM - New York Woodward and Fondiller Inc, 1969.• Baglini, N.A. “Risk Management in American Multinational and International Corporations - New York Risk Studies Foundation - 1976.• C. Arthur Williams,Jr. & Richard M. Heins - Risk Management and Insurance - McGraw-Hill Book Company - 1976.• Fayol, H. General and Industrial Management - New York Pitman Publishing Corporation - 1949.• Greene, Mark R. & Seirbein, Oscar N. - Risk Management - Text and Cases - Reston Publishing Comp. Inc.• Mehr,R.I. & Hedges,B.A. “Risk Management Concepts and Applications” - Homewood Richard D. Irwin, Inc 1974.• Mehr,R.I. & Hedges,B.A. “Risk Management in the Business Enterprise” - Homewood Richard D. Irwin, Inc 1963.• Navarro, Antonio Fernando - A evolução da Gerência de Riscos - Revista FUNENSEG nº 53 – 1990.
  5. 5. • Navarro, Antonio Fernando - A gerência de riscos aplicada a riscos industriais - Revista FUNENSEG nº 40 – 1988.• Navarro, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte I - Revista FUNENSEG nº 61 – 1992.• Navarro, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte II - Revista FUNENSEG nº 64 – 1992.• Navarro, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte III - Revista FUNENSEG nº 66 – 1993.• Risk Management - A Reader Study - New York ASIM - 1973.

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