Segundo Reinado

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Segundo Reinado

  1. 1. HISTÓRIA 2º REINADO – GOVERNO DE D. PEDRO II1. LIBERAIS E CONSERVADORES 1853, do Ministério da Conciliação, assim chamado porque em sua composição haviam liberais e conser- Vimos que, durante a Regência Una de Feijó, a vadores.vida partidária brasileira se resumiu a dois partidos: o Mesmo após o fim deste ministério e da for-Progressista e o Regressista. Após o Golpe da Maio- mação de sucessivos ministérios conservadores, a po-ridade, o Partido Progressista passou a se chamar lítica brasileira continuou marcada pela conciliação.Partido Liberal e o Regressista, Partido Conservador. De 1862 a 1868, houve uma nova conciliação parti- Para garantir a vitória dos deputados liberais dária no exercício do poder. Foi o período de governona formação da nova Câmara, o governo liderado pe- da Liga Progressista, formada novamente por liberaislos irmãos Andrada, alterou completamente a prática e conservadores.eleitoral no Brasil. Não bastando a violência física, a fraude foi a 4. A REVOLUÇÃO PRAIEIRAgarantia da vitória do Partido Liberal: meninos, es- A tradição revolucionária dos pernambucanoscravos mortos e pessoas que não existiam foram qua- se manifesta mais uma vez, em 1848, através da Re-lificadas como eleitores; trocaram a identidade de volução Praieira.muitos eleitores e o conteúdo das urnas substituído A insurreição dos praieiros mantém-se atépor votos preparados; fraudaram a apuração alterando 1850, quando seu último líder, ainda atuando, Pedroa contagem dos votos. A partir de então, a fraude e a Ivo, rendeu-se ao governo. Atraiçoado, preso e envi-violência tornaram-se práticas comuns nas eleições ado às fortaleza da Laje (RJ), foge de navio para a I-brasileiras. tália, mas no meio do caminho morre de causas O gabinete conservador iniciou um processo naturais. O pretexto para a eclosão da luta foi a quedade reformas que atestavam seu espírito regressista: do Ministério Liberal, no Rio de Janeiro, em 1848, erestauraram o Conselho de Estado e decretaram a re- a nomeação de um presidente conservador para Per-forma do Código do Processo Criminal. nambuco.2. O PARLAMENTARISMO No Manifesto ao Mundo, de autoria de Borges Num regime parlamentarista clássico como o da Fonseca, os revolucionários tornavam público seuinglês – (do qual, aliás, tirou-se o modelo), primeiro programa de reivindicações. Exigiam:são realizadas eleições para a Câmara dos Deputados, o fim do império e a proclamação de umaque elegeria o 1°ministro. Já no caso brasileiro o im- República;perador nomeava o 1°ministro fazendo valer o título a extinção do Senado vitalício e do Poderde palamentarismo às avessas. Moderador; voto livre e universal; Poder Moderador nacionalização do comércio; exercido pelo imperador liberdade de trabalho para garantir a vida do Poder Poder Poder cidadão, princípio defendido também pelos Legislativo Executivo Judiciário socialistas utópicos franceses; Primeiro Ministro reformas sociais e econômicas; liberdade de imprensa; Câmara dos Deputados Senado Conselho de Estado Presidentes de Províncias Juízes reforma judicial que assegurasse as garanti- as individuais. Parlamento 5. ECONOMIA E SOCIEDADE Esquema das relações dos poderes políticos durante o parlamentarismo, no Segundo Reinado. A sociedade e a economia brasileiras passa-3. A CONCILIAÇÃO ram, na segunda metade do século XIX, por signifi- cativas transformações que alteraram o processo A partir dos anos 50 do século XIX, a grande histórico nacional.maioria dos políticos entendia que era necessária arealização de reformas econômico-financeiras quepromovessem o progresso material do país e umamaior integração nacional. Contudo, sabiam que paraa realização de reformas era preciso o trabalho con-junto dos dois partidos. Isso levou à criação, emEditora Exato 30
  2. 2. HISTÓRIA gião, o chamado Oeste Paulista assume a dianteira na Sudeste 41% economia cafeeira, a partir de meados da década de Sul 7% 1870. Centro-Oeste 2% Exportação do café do vale do Paraíba Norte 3% (em milhares de sacas de 60 kg) 1821-1830 3.178Nordeste 47% 1831-1840 10.430 1841-1850 18.367 1851-1860 27.339 1861-1870 29.103 Distribuição regional da população brasileira em 1872 (%) Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo – História do Brasil. 1871-1880 32.509 No período, ocorreram a extinção do tráfico 1881-1890 51.631negreiro, um relativo desenvolvimento industrial, umextraordinário crescimento da produção cafeeira e da Produção de Café do Brasilimigração, a sistematização do trabalho assalariado, a (em toneladas de café em grão)abolição da escravidão e, do ponto de vista político, a 1841-1850 1.027.260proclamação da República. 1851-1860 1.575.180Café 1861-1870 1.730.820 1871-1880 2.180.160 CULTURA CAFEEIRA NO BRASIL 1881-1890 3.199.560 1891-1900 4.469.460 Minas Gerais 1901-1910 7.835.940 Carangola Espírito 1911-1920 7.230.180 Santo 1921-1930 8.371.920RibeirãoPreto Oceano Atlântico Elza Nadai e Joana Neves – História do Brasil Juiz de Fora São Rio Preto Paulo Rio de Janeiro A imigração Campinas Queluz Petrópolis Rio de Primeiro setor em que a Para os cafeicultores, tornou-se urgente buscarSão Paulo Angra dos Reis Janeiro cafeicultura se desenvolveu Segundo setor em que a uma solução para o agravamento da carência de mão- Santos São Sebastião cafeicultura se desenvolveu de-obra após a eliminação da fonte africana. A solu- ção encontrada foi o incremento da imigração estran- História do Brasil – Luiz Koshiba e Denise Manzi Frayze Pereira geira. Principal responsável pelas transformações e- Pelo sistema de parceria, que se espalhou porconômicas, sociais e políticas ocorridas no Brasil na quase todo o interior paulista, os fazendeiros financi-segunda metade do século XIX, o café reintegrou a avam, através de empréstimos, a vinda e as despesaseconomia brasileira nos mercados internacionais, de instalação nos primeiros momentos do imigrantecontribuiu decisivamente para o incremento das rela- europeu.ções assalariadas de produção e possibilitou a acumu- O imigrante agora estava mais garantido quelação de capital que, disponível, foi aplicado em sua no sistema de parceria. Sua viagem com a família eraprópria expansão e em alguns setores urbanos como a paga pelo governo, e os gastos, durante o primeiroindústria, por exemplo. O café foi ainda responsável ano de sua estada no Brasil, eram de responsabilidadepela inversão na balança comercial brasileira que, do fazendeiro. Além disso, o imigrante recebia umdepois de uma história de constantes déficits, passou salário fixo anual e mais um salário que variava dea superavitária entre os anos de 1861 e 1885. acordo com a colheita. Contudo, a economia brasileira continuava es-truturada no velho modelo agroexportador e depen- A Era Mauádente dos mercados externos. Semelhante ao período Apesar da inegável prosperidade do império, acolonial, a economia do país sustentava-se na expor- arcaica estrutura socioeconômica assentada na agro-tação de um pequeno número de produtos agrícolas, exportação escravista e o ainda incipiente mercadodos quais o café tornou-se “produto-rei”. consumidor interno não possibilitaram uma industria- No processo de desenvolvimento da economia lização nos moldes europeus. Portanto, o que houvecafeeira, no Brasil, duas regiões se destacaram como no Brasil, na segunda metade do século XIX, apesargrandes produtoras, gerando renda e uma forte oli- da explosão da “Era Mauá”, não foi mais que um sur-garquia cafeeira (Os Barões do Café). A primeira a se to industrial que não tirou o país da dependência eco-destacar, até meados da década de 1860, foi a região nômica internacional. Por longos anos ainda, ado Vale do Paraíba, no Rio de Janeiro. A segunda re- economia brasileira continuaria baseada na lavoura de exportação.Editora Exato 31
  3. 3. HISTÓRIAA Tarifa Alves Branco A guerra do Paraguai Os privilégios alfandegários ingleses, que boi- Os ingleses não podiam tolerar um país que,cotavam o crescimento do setor industrial brasileiro, por meio de uma política excessivamente protecionis-finalmente foram extintos pela Tarifa Alves Branco ta, impedia as importações de manufaturados estran-de 1844. Com essa medida protecionista de elevação geiros. Para a Inglaterra, o modelo econômicodas tarifas alfandegárias, as mercadorias estrangeiras paraguaio era muito perigoso e teria de ser destruídoque desembarcavam no Brasil pagariam de 30% a antes que nações como Brasil e Argentina o adotas-60% de impostos alfandegários. sem e se libertassem do jugo capitalista britânico. Para viabilizar a destruição, a Inglaterra articu-6. POLÍTICA EXTERNA DO SEGUNDO REI- lou um conflito e habilmente jogou o Brasil e a Ar- NADO gentina na guerra destruidora do Paraguai.Intervenções na bacia do prata Francisco Solano López, sucessor do pai, em 1862, também não confiava no capital privado e por Mato Grosso isso continuou a política intervencionista estatal. Vi- Territórios perdidos pelo Paraguai sando a um maior incremento industrial, Solano Ló- PARAGUAI BRASIL 5 pez concedeu bolsas de estudos na Europa a jovens paraguaios e de lá importou técnicos, engenheiros e homens de ciências. 1 Uma saída para o mar libertaria o país das altas 2 Guerras Platinas Data Adversários taxas cobradas por Buenos Aires para exportar mer- 1 Cisplatina 1825-1828 Brasil x Argentina, Uruguai 4 Contra Brasil + “colorados” x cadorias paraguaias e o integraria nos mercados in- ARGENTINA (Província da 2 Oribe 1850-1851 Argentina + “blancos” Cisplatina entre (1816-28) 3 Contra ternacionais. O Grande Paraguai seria formado por URUGUAI 3 Rosas 1852 Brasil x Argentina Buenos Aires 4 Contra Aguirre 1864-1865 Brasil + Argentina + “colorados” x “blancos” Paraguai, Uruguai, Rio Grande do Sul, parte de Mato N0 232 464 5 do Paraguai 1864-1870 Tríplice aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) x Paraguai Grosso e as províncias argentinas de Corrientes e En- km tre-Rios. O Imperialismo brasileiro no Prata. Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo – História do Brasil. Entre 1851 e 1870, o Brasil interveio em váriosconflitos na Bacia do Prata, gerando conflitos com oUruguai, a Argentina e o Paraguai, o mais mortíferoconflito da história das Américas. A primeira intervenção brasileira deu-se em1851 (Guerra de Oribe e Rosas). Visava pôr no poderos colorados de Rivera, no Uruguai; e os federalistas,na Argentina. O inimigo declarado pelo Brasil é o ar-gentino Rosas e seu aliado, Manuel Oribe, presidenteuruguaio. O governo brasileiro temia que Rosas reu-nificasse o antigo vice-reinado do Prata (Argentina,Uruguai, Paraguai, Bolívia). O Uruguai foi invadido pelo RS (Caxias), Ar- A Guerra do Paraguaigentina (Urquiza) e por mar (Grenfell). A permanên- Revista Super Interessante Setembro 1999.cia brasileira no Uruguai durou 2 anos. O conflito tornou-se iminente quando o gover- A invasão reforça a presença brasileira no U- no brasileiro não aceitou a intermediação de Solanoruguai. O Barão de Mauá torna-se o maior barqueiro López na questão com o Uruguai. Solano rompeu re-e pecuarista do país; 30% das terras uruguaias são de lações com o Brasil, estabeleceu uma aliança políti-brasileiros. co-militar com Aguirre e afirmou que não toleraria a A segunda intervenção brasileira no Uruguai intervenção brasileira no Uruguai.aconteceu em 1864. Foi mais violenta do que a de Nesse mesmo ano, a vitória do almirante Bar-1851, e visava derrotar e retirar do poder o Presidente roso na Batalha do Riachuelo foi fundamental para aAguirre. Frente a 11 navios e 8 mil soldados, Aguirre libertação do Rio Grande do Sul.se rende (20/02/1865) e entrega a capital a Flores. O Em Janeiro de 1869, Caxias conquistou As-império brasileiro conta outra vez com um governo sunção e pouco depois foi substituído pelo condeamigo na ex-província Cisplatina. d’Eu. Apesar de conquistada a capital do país, os pa- raguaios continuaram resistindo bravamente. O conde d”Eu empreendeu a Campanha das Cordilheiras, umaEditora Exato 32
  4. 4. HISTÓRIAintensa perseguição a Solano López que só terminou de produção escravista, a nova aristocracia paulistacom a morte em combate do ditador paraguaio em introduziu o trabalho assalariado em suas fazendas,Cerro Cora, em março de 1870. A guerra chegava ao substituindo a mão-de-obra escrava.fim. A maior guerra da história do Brasil, que forma Movimento e Partido Republicanoseu exército e marinha, é também a mais mortífera As idéias republicanas eram antigas no Brasildas Américas. Mata 158 mil brasileiros, 32 mil ar- e, no fim do período colonial, significavam a revoltagentinos e uruguaios, 606 mil militares e civis para- contra a metrópole e a negação do estatuto de colô-guaios (mais que a Guerra Civil dos EUA, da qual nia. Mas na época da independência passaram a sig-utilizam-se armamentos como os fuzis de repetição, nificar a oposição ao governo.canhões de cano raiado e couraçados). Os princípios básicos do republicanismo eram7. A CRISE DO IMPÉRIO a federação, o fim do poder hereditário, soberania na- cional e a reintegração política do Brasil com as na-A Extinção do tráfico negreiro. ções européias e americanas. O fim do tráfico contribuiu para uma série de Os republicanos pretendiam mudanças sem vi-transformações na economia brasileira. Os capitais olência, este movimento elitista não admitia a parti-que eram investidos no comércio de escravos passam cipação popular e nem alterações profundas naa ser aplicados na modernização dos transportes; logo realidade política e social do país dando ao movimen-após, surgiram as primeiras ferrovias no Brasil. O sis- to um caráter reformista e não revolucionário.tema de comunicações também foi inovado, surgindo Questão abolicionistao telégrafo. O sistema financeiro se amplia com o Prova da intenção gradualista da elite escravis-surgimento de muitos bancos. ta foi a aprovação de algumas leis que visavam acal- Um fato que está relacionado à Lei Eusébio de mar os ânimos dos abolicionistas mais exaltados eQueirós foi à edição da Lei de Terras, também no ano postergar uma resolução final para a questão. A Leide 1850. Por essa lei, ficava determinado que as ter- do Ventre Livre (1871), aprovada na gestão do Gabi-ras devolutas (abandonadas) só poderiam ser ocupa- nete Conservador do Visconde do Rio Branco, de-das mediante a compra pelo interessado. Desta terminava que, a partir de sua entrada em vigor, osforma, os pequenos agricultores continuaram impos- filhos de escravas seriam libertos. Mas, determinavasibilitados de ter acesso à propriedade. Por outro la- que isso só ocorreria após completarem 21 anos e quedo, esta lei visava dificultar ao máximo a aquisição seus proprietários receberiam uma indenização. Co-de terras pelos imigrantes. Uma vez que, após o ano locada em prática, esta lei produziu poucos efeitos.de 1850, a classe dominante brasileira passa a incen- Entre os anos de 1885 a 1888, a luta abolicio-tivar a vinda de colonos europeus para substituir o nista ganha força, radicaliza-se, promovendo fugastrabalhador compulsório, objetiva-se transformar o em massa, arrecadando fundos para a compra de al-imigrante em mão-de-obra para as grandes lavouras e forrias. Nesta época, praticamente só existiam vozesnão em pequenos proprietários. fortes em favor do escravismo no Vale do Paraíba.As Transformações econômicas e so- Torna-se clara a falta de base social para manter-se ociais sistema. Isso ficou demonstrado no ano de 1888. A As transformações econômicas e a urbanização maioria do parlamento, com exceção de apenas novepromoveram profundas mudanças sociais e geraram deputados, acompanhando os anseios sociais, aprovaaspirações e interesses diferentes dos tradicionais. o fim da escravidão, em lei que foi sancionada pela A nova elite cafeeira do Oeste paulista, ao de- regente, Princesa Isabel.senvolver uma mentalidade empresarial moderna, se Esse fato foi determinante para a crise do im-contrapunha à tradicional elite agrária açucareira do pério. Muitos dos escravistas ainda existentes des-Nordeste e à cafeeira fluminense e valeparaibana a- contentam-se profundamente com relação ao regime.pegadas ao conservadorismo escravista. Dona do po- Para os libertos, contudo, a liberdade não foi acom-der econômico, já que o café era a base da panhada de melhorias em suas condições de vida.sustentação econômica nacional, a aristocracia cafe- Não houve um programa educacional e nem de re-eira paulista não tinha entretanto uma representação forma agrária para a população afro-brasileira. Aque-política compatível com sua força econômica, pois o les que viviam no campo continuam comopoder era manipulado pela velha e retrógrada aristo- trabalhadores nas grandes fazendas.cracia. Nas cidades, tornam-se excluídos, constituem, A aristocracia cafeeira do Oeste paulista intro- por meio das favelas, uma nova paisagem urbana.duziu métodos mais modernos de produção. Diferen-te dos “barões do café” das zonas fluminenses e doVale do Paraíba, presos às velhas e arcaicas formasEditora Exato 33
  5. 5. HISTÓRIA Escravos importados pelo Brasil No período de 1842-1852 1842 1843 1844 1845 1846 1847 1848 1849 1850 1851 1852 17.435 19.095 22.849 19.453 50.324 56.172 60.000 54.000 23.000 3.287 700Análise sobre a crise A cultura popular urbana manifestava-se na Em síntese, a crise do Império se deve a uma organização dos grupos de bairros que dariam origemsérie de fatores que, interagindo, levaram à mudança às sociedades carnavalescas, às escolas de samba edo regime: aos conjuntos de chorinho. Também começava a to- as transformações ocorridas na sociedade mar impulso, neste momento, a prática daquele que brasileira na segunda metade do século seria o nosso grande esporte nacional: o Futebol. Nas XIX; artes plásticas, destacaram-se as correntes cubista e a decadência da aristocracia tradicional; impressionista. aparecimento de um nova aristocracia cafe- A Cultura imperial sofreu este desenvolvimen- eira mais dinâmica, moderna, rica e podero- to após o período de produção cafeeira, pois os ba- sa, cuja intervenção na política nacional rões eram mais viajados, conheciam outros países e conduziu o país ao regime republicano; outras culturas, custeando assim uma produção inte- a apatia do governo imperial no atendimen- lectual mais refinada e um sistema de governo mais to às aspirações das diferentes camadas so- moderno a seu serviço. ciais que exigiam mudanças significativas; ESTUDO DIRIGIDO a Questão Militar, a Questão Religiosa e a abolição da escravidão. 1 Que partidos destacaram-se no segundo reinado? O fim do regime monárquico resultou, portan-to, numa série de fatores cujo peso não é o mesmo.Duas forças, de características diversas, devem serressaltadas: o Exército e um setor expressivo da bur-guesia cafeeira de São Paulo, organizado politica-mente no Partido Republicano Paulista (PRP). A 2 Cite duas reivindicações da revolução praieira.queda do Imperador, em 15 de novembro de 1889,resultou da iniciativa quase exclusiva do Exército,que deu um decisivo empurrão para o fim do regimemonárquico. Por outro lado, a burguesia cafeeirapermitiria à República contar com uma base social 3 Mencione dois fatores que explicam a crise doestável que nem o Exército nem a população urbana Império e a mudança do regime.do Rio de Janeiro podiam por si mesmas proporcio-nar.8. CULTURA NO IMPÉRIO A cultura durante o império também se desen-volveu. As escolas, que ofereciam ensino para os fi-lhos da elite, cresceram acompanhando a EXERCÍCIOSprosperidade econômica e social vivida. O ColégioPedro II (RJ) foi criado como modelo para várias es- 1 Na segunda metade do século XIX, considerada acolas secundárias que foram criadas. No ensino supe- fase do apogeu, ocorreu no Brasil um surto derior, há que se destacar a Escola de Medicina (RJ) e crescimento de atividades econômicas. Assinale,as Escolas de Direito (SP e PE). entre as alternativas a seguir, a que corresponde O teatro foi muito pouco explorado, destacan- aos principais fatores que contribuíram para essedo-se apenas algumas obras de Martins Pena e de ou- desenvolvimento:tros autores. Na poesia, nasce o Parnasianismo, uma a) Alta das cotações do café no mercado interna-corrente que se preocupava com rimas ricas, levando cional; extinção do tráfico negreiro, com a leia poesia à perfeição e ao afastamento da realidade de Eusébio de Queiroz; construção de estradassocial (ex: Olavo Bilac). de ferro, facilitando o escoamento da produ- ção.Editora Exato 34
  6. 6. b) Investimentos particulares em estaleiros, valo- d) a crise da economia agrícola cafeeira, com a rização da mão-de-obra negra, passando o ex- abolição da escravatura, ocasionando a aplica- escravo a receber salários; desenvolvimento da ção de capital estrangeiro no setor fabril. exportação cafeeira. c) Valorização da mão-de-obra imigrante em substituição à mão-de-obra escrava; redução 4 Assistiram-se, no decorrer de 1988, às mais di- das tarifas alfandegárias; construção de estra- versas comemorações dos cem anos de abolição das de ferro, facilitando as comunicações. da escravidão. Ao mesmo tempo, presenciaram- d) A vinda de imigrantes para substituir a mão- se protestos de grupos ligados ao movimento ne- de-obra escrava; a substituição das grandes gro contra a idealização da figura da princesa I- propriedades de café por minifúndios; investi- sabel como grande libertadora dos escravos. mentos particulares na plantação de outros I – Os movimentos negros, após a emancipação, produtos no lugar do decadente café. passaram a adotar posições racistas com rela- ção aos homens brancos brasileiros. II – A história oficial da escravidão não leva em2 O declínio da monarquia e a propagação dos ide- consideração toda a luta da raça negra por sua ais republicanos, no final do século passado, li- liberdade. gam-se sem dúvida, aos efeitos que a guerra do III – A abolição não libertou os negros da situa- Paraguai nos deixou como herança, isto porque: ção social inferior que lhes foi imposta pelos a) a guerra acelerou as contradições internas, aba- brancos escravistas. lando a mais sólida base da monarquia - a es- IV – A comemoração de um fato histórico não cravidão – e fazendo emergir um exército com significa que os negros ocupem na escala eco- consciência de seu poder. nômica, atualmente, papéis proporcionais aos b) a guerra contra a nação paraguaia acarretou pa- dos brancos. ra o Brasil uma redução considerável de sua Marque a alternativa CORRETA: dívida externa, bem como uma crescente influ- a) Estão corretos somente os itens I, II, III. ência política e social do exército. b) Estão corretos somente os itens I, III, IV. c) a derrota brasileira obrigou a monarquia a fa- c) Estão corretos somente os itens II, III, IV. zer concessões territoriais que abalaram a eco- d) Todos os itens estão corretos. nomia, aumentando consideravelmente a dívida externa do Brasil, o que levou D. Pedro II a recorrer aos empréstimos ingleses. GABARITO d) embora nossa situação econômica se consoli- dasse com a guerra, a monarquia não procurou Estudo Dirigido reconciliar as duas facções de nossa política na 1 Partidos Liberal e Conservador. época, o partido liberal e o conservador, levan- do este último a patrocinar o golpe que derru- 2 Voto livre e universal e nacionalização do co- bou D. Pedro II. mércio. 3 A decadência da aristocracia tradicional e as3 Há mais de século, teve início no Brasil um pro- questões militar, abolicionista e religiosa. cesso de industrialização e crescimento urbano Exercícios acelerado. Podemos identificar, como condições 1 A que favoreceram essas transformações: a) a crise da economia açucareira no nordeste que 2 A propiciou um intenso êxodo rural e uma grande 3 B aplicação de capitais no setor têxtil em outras regiões do país, mas principalmente na região 4 C norte. b) o que favoreceu essas transformações foram os lucros conseguidos com a produção e a comer- cialização do café, que deram origem ao capi- tal para a instalação de industrias e importação de mão-de-obra estrangeira. c) a crise provocada pela abolição do tráfico ne- greiro, que favoreceu a criação de leis que le- galizasse a entrada de estrangeiro no país como mão-de-obra específica para o setor agrário.Editora Exato 35

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