A mídia e a moderação do corpo feminino

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Introdução

Todos os dias, nos dispomos diante do mosaico de informações trans...
estabelecidas discursivamente que tipo de mulher seria essa e a quem ela está se
dispondo agradar?
Este quarto poder exerc...
O corpo feminino utópico se cria a partir do discurso produzido pela sociedade,
de fato ao tratar deste corpo ideal, trata...
prisões de gênero acabarão, juntamente de todo o regime machista que afeta tanto
homens e mulheres, cis ou não.

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Mídia como moderadora do corpo

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Mídia como moderadora do corpo

  1. 1. A mídia e a moderação do corpo feminino 1 Introdução Todos os dias, nos dispomos diante do mosaico de informações transmitidas na televisão, internet, cinema, etc. fagocitando e reproduzindo comportamentos. A mídia, para o corpo, serve como uma ferramenta de reforço e moderação do indivíduo, pois a repetição de discurso dentro dos meios de comunicação faz a função de fixador de ideia, o sujeito passa a repetir comportamentos que pensa serem “naturais” através dessas falas constantes. A propaganda médica-midiática traz com a ajuda das novas tecnologias o pensar no corpo ideal, que agradaria a aqueles que estariam em busca de um corpo “perfeito”. Quando pensamos nas imposições colocadas no corpo da mulher modelada dentro dos moldes esteriotipados pela mídia, e por necessidades fúteis que supostamente seriam um status de bem estar pessoal/social, vemos a moderação do homem por sobre o corpo feminino na busca da manutenção do status predatório masculino. O presente trabalho faz uma análise sobre o conceito de corpo feminino ideal pregado pela mídia, bem como uma reflexão sob aspecto cultural e a disseminação do discurso midiático sobre o corpo. Palavras chave: Corpo, mídia, gênero e discurso. Uma reflexão sobre gênero, mídia e corpo Todos os dias nos dispomos diante do mosaico de informações colocadas na televisão fagocitando e reproduzindo comportamentos. A mídia, para o corpo, serve como uma ferramenta de moderação do indivíduo, pois a repetição de discurso dentro dos meios de comunicação faz a função de fixador de ideia, o sujeito passa a repetir comportamentos que pensa serem “naturais” através das falas constantes. A mídia, com a propaganda médica-midiática traz com a ajuda das novas tecnologias o pensar no corpo ideal, que agradaria a quem e por quê? Quando pensamos nas imposições colocadas no corpo da mulher dentro dos modelos de esteriótipos e necessidades 1 Nathani Mirella Valvazori dos Reis Messa Orientador: Fábio de Carvalho
  2. 2. estabelecidas discursivamente que tipo de mulher seria essa e a quem ela está se dispondo agradar? Este quarto poder exercido pela mídia atua não somente de maneira política sobre os sujeitos, mas de maneira pessoal, construindo e reforçando discursos como estes de “felicidade” e “bem estar” trazidos por esses corpos “perfeitos” acentuando características que demonstram caçador e presa na fábula sexual da sociedade. “[...] o corpo parece a âncora da mulher no mundo, sua razão de ser, para si mesma e para o outro, para o desejo do outro […]” (NATANSOHN, 2005). A mídia ajuda a reforçar esta idéia da mulher ancorada pelo corpo, a dependência da manutenção desta imagem de vaidade imposta a mulher faz dela uma escrava da ditadura do controle sexual. A mulher presa pela imposição e discurso midiático se sustenta pelas afirmações naturalizadas de beleza hegemônica e se submete a cirurgias desnecessárias para se esculpir nos moldes expostos pela propaganda constante da mídia. O corpo do indivíduo é formado como instituição a partir de formulações e imposições sociais que perpassam a colocação do corpo como matéria-objeto, que o impulsiona a se colocar mediante aos demais sujeitos como objeto social por meio de condutas reguladas socialmente, ou seja, este corpo social passa por moderações comportamentais que vem a se institucionalizarem através de olhares reguladores. Este corpo objeto nada mais é que um resultado de todo o somativo de valores impostos socialmente, pois o sujeito disposto a sociedade é formulado de valores morais, éticos ditadores que o induzem a moderar o corpo de acordo com o que se é imposto, idealizado pelo comportamento massificado. Como dito por Daolio (1995), “no corpo estão inscritas todas as regras, todas as normas e todos os valores de uma sociedade específica, por ser ele o meio de contato primário do indivíduo com o ambiente que o cerca”, ou seja toda a história do indivíduo está inscrita em seu corpo, seu contexto sócio-cultural e suas marcas de vida compõem sua matéria carne que contam tudo sobre o discurso que o mesmo deseja falar. A sexualidade da mulher é formatada de acordo com os desejos do homem, esta sexualidade feminina constantemente controlada se mostra obediente por meio de naturalizações. Esta mulher contemporânea é docilizada por padrões arcaístas de comportamento apenas a se modelar de acordo com as necessidades de conduta social destinadas a instituição feminina a ela imposta desde o nascimento, quando desde cedo suas orelhas são furadas classificando-a como sujeito mulher. A manutenção do comportamento predatório e a regulação masculina se torna visível nesta completa propagação de ideias de corpo ideal e feminino. O corpo da mulher, enquanto sua formatação, ainda sim é reflexo do espelho dos desejos do homem para o homem. A consciência da posse de um corpo considerado perfeito, cheio de excessos de “demonstrações de feminilidade”, quando alcançado e tornado visível para o homem traz a ideia de poder a mulher disposta a esse discurso, pois quando o corpo se torna objeto de status social ele impõe-se por si mesmo como potência diante dos demais sujeitos. Sustentando assim a disputa e o comportamento de competição e condição de presa e predador. As mulheres disputam entre si usando o próprio corpo como objeto, dentro dos âmbitos de caça, as presas se apresentam usando de suas qualidades físicas para se sobrepor mediante as demais na competição sexual.
  3. 3. O corpo feminino utópico se cria a partir do discurso produzido pela sociedade, de fato ao tratar deste corpo ideal, tratamos de um objeto que existe apenas no discurso. Sua representação se dá a partir de recortes que instituem sua modelagem para fora do campo simbólico. Rosário diz que, “corpo pós-moderno é a própria fragmentação, partese em pedaços, divide-se e adquire sentido”, ou seja se este corpo na pós-modernidade é fragmentado o discurso sobre si também o é, logo, todas as falas colocadas pela mídia que ferramenta o discurso social também o serão. Na disposição de uma capa de revista é notável que todas as falas são fragmentadas adquirindo sentidos próprios erotizando o corpo da mulher, alvo da revista que a aborda e modela constantemente. O corpo que passa pelas pasteurizações ao ser reproduzido compulsoriamente pela mídia nada mais é que sobrecarregado de signos de feminilidade para produzir sentido - desejo. A feminilidade precisa ser firmada nesse processo para estabelecer o desejo entre os que se colocam dispostos a imagem. As mulheres estabelecidas como representantes de uma capa de revista passam também por uma pasteurização reafirmando discursos sobre feminilidade e comportamento imposto feminino, pois o corpo delas por si só não representam toda a fala em cima desta mulher “ideal”, elas são tentativas de representação deste ser discursivo montado e desmontado pelo discurso. O corpo discursivo é um instrumento de venda para a massa que o reproduz mimeticamente, pois o que se vende não é o corpo e sim a feminilidade subjetivada na imagem que é disposta e reproduzida pelos meios de comunicação, pois o que se reafirma no processo de produção de uma mulher de capa são os signos que a tornam desejáveis, ou seja, os elementos que compõem a construção do discurso de desejo do corpo. Cabelo, unha, maquilagem, […] Mesmo o corpo que se constrói na resistência tem a norma como referente […] (BRAGA, 2003), os corpos distantes dos ideais acabam englobando as mensagens colocadas pelo discurso sócio-midiático se submetendo a pressão da normativa discursiva que estabelece o padrão ideal de beleza e corpo. Os sujeitos se apropriam e se modelam a partir da fragmentação do corpo ideal, pois tudo que se apresenta dele são pedaços, não um todo, a retórica do corpo está em quase todos os lados, capas de revista, magazines matinais, filmes, novelas, tudo é um grande mosaico onde se pega com a mão a parte que se deseja obter. Acabamos sendo escravos dos discursos sociais independentemente de posição de gênero, mesmo os que transitam de uma performance a outra sofrem efeitos de discurso do gênero ao qual caminham, logo, em geral totalitariamente sofremos efeitos de fala e acabamos sendo discutidos e moderados pelo olhar do outro que é composto por esse enorme quebra-cabeça do gênero. A reflexão pretendida a partir disso é que como podemos como indivíduos que caminham em meio a sociedade sair das amarras discursivas que compõem as instituições de gênero Masculino e Feminino destinados a todos os que nascem e vivem na sociedade pós-contemporânea? Bem, sair de um regime é sempre complicado, pois é passível de se cair em outro muitas vezes pior, mas rebater as questões de machismo que impregnam a sociedade é uma das muitas soluções. Avaliar comportamentos e valores que compõem estes discursos e trabalhar o senso crítico nas bases educacionais, pois se reproduzimos apenas aquilo que vemos é necessário observar o que de fato se é reproduzido pelos jovens que formarão a sociedade futura, só assim, talvez, as grandes
  4. 4. prisões de gênero acabarão, juntamente de todo o regime machista que afeta tanto homens e mulheres, cis ou não. Considerações finais O presente trabalho teve como objetivo discutir, analisar e refletir questões ligadas a formação discursiva sobre o corpo na mídia – impressa – assim como tentar entender parte do que é a finalidade de exemplificação de corpo em uma capa de revista destinada a mulher. Tendo em vista a fragmentação do corpo na fala pós-contemporânea e os demais signos erotizados presentes no discurso de corpo que se prolifera na mídia, sobretudo os que compõe a fala ligada ao corpo da mulher contemporânea. Bibliografia DAOLIO, Jocimar. Da Cultura do corpo. Campinas: Papirus, 1995. 1999. p39 BRAGA, Adriana. Corporeidade Discursiva na Imprensa Feminina: um estudo de editoriais. p1, p3. NATANSOHN, Graciela. O corpo feminino como objeto médico e mediático. ROSÁRIO, Nísia Martins do. Corpo em tempos de pós-modernidade: semiose ilimitada.

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