Síndrome de Down e Música: Um encontro possível?Isaac MeloUniversidade Federal do Rio Grande do Norteisaac_thevenin@yahoo....
geral, eram nomeados de “idiotas” que em grego quer dizer “indivíduos privados”.John Langdon Down, cientista que dá nome à...
limitados e inaptos a ingressarem em uma escola de ensino regular, e se deve, em parte,ao fato de que a maioria dos estudo...
conhecimento e meio de expressão, auxiliando ainda no equilíbrio, auto-estima eautoconhecimento, além de integrador social...
Geral• Verificar a aplicação da educação musical, nas escolas de ensino regular, para sujeitoscom Síndrome de Down (SD) no...
A pesquisa utilizará como instrumento três questionários semi-estruturados. Oquestionário A, destinado aos estudantes do r...
MARTINS, Lúcia de Araújo Ramos. A inclusão escolar do portador da síndrome deDown: o que pensam os educadores?. Natal: EDU...
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Síndrome de down e música

  1. 1. Síndrome de Down e Música: Um encontro possível?Isaac MeloUniversidade Federal do Rio Grande do Norteisaac_thevenin@yahoo.com.brCarolina Chaves GomesUniversidade Federal do Rio Grande do Nortecarolinacg_musica@yahoo.com.brLúcia TorresUniversidade Federal do Rio Grande do NorteMaria SantanaUniversidade Federal do Rio Grande do NorteEulália MaiaUniversidade Federal do Rio Grande do Norteemcmaia@ufrnet.brEste projeto de pesquisa tem por finalidade identificar especificidades da Síndrome deDown (SD) e conhecer o panorama da educação musical nas escolas de ensino regularem Natal/RN. Para isso embasa-se em estudos que abordam sob os temasdesenvolvimento emocional e cognitivo, e socialização de sujeitos com SD. JohnLangdon Down, cientista que dá nome à síndrome, distinguiu a SD como entidadeclínica distinta de outras deficiências mentais. Em seu trabalho, publicado pelo LondonHospital Reports em 1866, Observations on an Ethnic Classification of Idiots, descrevepacientes com SD como pessoas com lentidão no crescimento, língua proeminente,hipotonia muscular, entre outras características. Estudos atuais demonstram quecrianças com SD passam pelos mesmos estágios de desenvolvimento de uma criançaque não possua o diagnóstico, porém em ritmo mais lento (PUESCHEL, 1993;SCHWARTZMAN e colaboradores, 2003). No Brasil apesar de haver um aumento nainclusão de alunos na rede regular de ensino, esta ainda abrange uma pequena parcelada população. O município do Natal possui algumas escolas de ensino regular quetrabalham com a inclusão, entretanto com o mesmo quadro. Outro dado que merecedestaque é a inserção do ensino de música como facilitador no processo de inclusão parapessoas com SD nas escolas de Natal/RN, sendo um elemento que atinge diversas áreasdo desenvolvimento do ser humano. Para a comunidade acadêmica esta pesquisa podevislumbrar a importância de preparar educadores musicais para atuarem em educaçãoinclusiva.INTRODUÇÃOA Síndrome de Down (SD) possui evidências de sua existência no decorrer dahistória, tendo registros na sociedade grega, na qual os portadores de deficiência, em
  2. 2. geral, eram nomeados de “idiotas” que em grego quer dizer “indivíduos privados”.John Langdon Down, cientista que dá nome à síndrome, distinguiu a SD comoentidade clínica distinta de outras deficiências mentais. Em seu trabalho, publicado peloLondon Hospital Reports em 1866, Observations on an Ethnic Classification of Idiots,descreve fisicamente os portadores da síndrome como pessoas com lentidão nocrescimento, língua proeminente, hipotonia muscular, entre outras características(MARTINS, 2002; SCHWARTZMAN e col., 2003; AMORIM, 2005; MELO, 2006).Indivíduos com SD possuem quarenta e sete cromossomos em suas células, uma mais dos quarenta e seis esperados, possui um cariótipo 47, XY, +21, para homens, e47, XX, +21, para mulheres, caracterizando assim a trissomia 21, que atinge cerca denoventa e cinco por cento dos indivíduos com SD. Outros problemas cromossômicos,mais raros, podem caracterizar a SD como a translocação ou o mosaicismo.Um sujeito com SD resultado da trissomia 21 é aquele que herda umcromossomo 21 adicional, somando aos outros dois cromossomos no grupo G do seumaterial genético, totalizando então quarenta e sete cromossomos, na primeira célula,que irão se reproduzir em todas as outras geradas. É importante salientar que essecromossomo adicional tanto pode ser fruto da mãe ou do pai, e ainda muito raro,resultado de uma falha na divisão da primeira célula.A translocação é, segundo Pueschel (1993), responsável por três por cento(3%) a quatro por cento (4%) dos casos. Da mesma forma adquire um cromossomo 21extra, porém esse atua de forma livre, ou seja, ele pode estar ligado a outro grupo decromossomos, geralmente ao 14, 21 ou 22, sendo possível à junção com outros grupos.Aqui o caso do cromossomo extra é herdado do pai ou da mãe, que apesar de nãopossuir danos mentais ou físicos, relacionados a genética, um deles possuem umcromossomo 21 ligado a outro grupo de cromossomos, ou seja, possui um cromossomo21 isolado em seu lugar de origem e outro livre, ligado a qualquer um dos cromossomosrestantes, com isso é muito provável que esse indivíduo tenha filhos com SD.Ainda mais raro, é o mosaicismo, no qual o indivíduo possui a célula inicialcom quarenta e seis cromossomos, porém antes ou no momento da fertilização ocorreuma “divisão celular imperfeita” (STRAY-GUNDERSEN, 2007, p.24) algumas célulaspassam a ter quarenta e sete cromossomos e outras quarenta e cinco, onde essas últimasgeralmente não sobrevivem (PUESCHEL, 1993, p.62).Até pouco tempo atrás indivíduos com Síndrome de Down eram considerados
  3. 3. limitados e inaptos a ingressarem em uma escola de ensino regular, e se deve, em parte,ao fato de que a maioria dos estudos publicados tratavam apenas da ordem patológica,sendo esses muito pessimistas ao explanar sobre atividades acadêmicas (MARTINS,2002).A educação inclusiva tem como objetivo principal extinguir obstáculosexistentes quanto à aprendizagem e participação, e promover o crescimento dos recursosque apóiam estes processos (DUK, 2005, p.59). De fato, a participação desses alunos éde suma importância ao seu desenvolvimento, tanto cognitivo quanto social pelo fato deproporcionar uma maior interação com crianças de sua idade (MARTINS, 2002).Alguns autores enfatizam ainda que o benefício desse encontro não fica apenaspor parte dos alunos com SD, mas também auxilia aqueles que não possuem aexperiência de ter pessoas próximas com necessidades especiais, compreender econviver com elas (MARTINS, 2002; STRAY-GUNDERSEN, 2007).Dentre os diversos conhecimentos que podem auxiliar neste processo deinclusão e educação a arte tem um papel fundamental. Amorim (2005) justifica que aarte traz para a educação uma visão mais holística, ou seja, com a educação ocidentalpriorizando o hemisfério esquerdo do cérebro, a arte assume a importância dohemisfério direito.Para o indivíduo com SD, a arte, em especial a música, é ainda fonte deexpressão, já que esses indivíduos possuem certa dificuldade no aspecto lingüístico.Segundo Langer (apud LAZZARIN, 2005) tanto a linguagem quanto a arte utilizam-sede símbolos para apreender e compreender o fluxo de imagens do mundo. A linguagemutiliza símbolos para produzir informações objetivas, ao passo que os símbolos damúsica, e das artes em geral, produzem insights. Os insights não passam pela mediaçãoda linguagem, mas por meio da obra de arte “são disponíveis apenas através de umaapreensão imediata da qualidade, e tal apreensão é essencialmente uma aventuraprivada” (LAZZARIN, 2005, p. 16).O processo de simbolização que ocorre tanto pela linguagem quanto pela arterevela que para o “domínio da linguagem o símbolo convencional carrega informação,enquanto na arte é a forma expressiva, carregada de insight, que traz em si a dimensãoda expressividade humana” (LAZZARIN, 2005, p. 17).O Ministério da Educação enfatizou em seu documento Referencial Curricularpara Educação Infantil (BRASIL, 1998) que a música é uma importante forma de
  4. 4. conhecimento e meio de expressão, auxiliando ainda no equilíbrio, auto-estima eautoconhecimento, além de integrador social.Dessa forma, a música sustenta diversos aspectos importantes para o portadorda Síndrome, sejam estes aspectos facilitadores ou estimuladores do seudesenvolvimento como um todo.Sendo assim, a proposta deste trabalho consiste em: Qual a situação daeducação musical para sujeitos com Síndrome de Down, em escolas de ensino regularno município de Natal/RN?JUSTIFICATIVADurante diversos momentos na história, as pessoas com Síndrome de Down(SD), foram vítimas das mais diversas significações, trazendo consigo aos dias atuaisum estigma de “incapaz”, inferiorizado, não possuindo condições de oferecer-se a nossasociedade competitiva.Estudos recentes demonstram que crianças com SD passam pelos mesmosestágios de desenvolvimento de uma criança que não possua o diagnóstico, porém comalgum atraso (SCHWARTZMAN e colaboradores, 2003).Quanto à inclusão, Martins (2002) enfatiza que uma das áreas em que ascrianças desenvolvem bem é a de Artes, dentre elas a Música.Em nosso país apesar de haver um crescimento na inclusão, a rede regular deensino ainda abrange uma pequena parcela da população, se opondo a questão de quetoda criança tem direito a um ensino de qualidade.A cidade do Natal possui algumas escolas de ensino regular públicas eparticulares, que trabalham com a inclusão, porém essas ainda não atingem umapercentagem considerável dessa população.Para a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Rio Grande doNorte – UFRN – esta pesquisa pode vislumbrar a importância de preparar futuroseducadores musicais com conhecimentos básicos em educação inclusiva.Nessa perspectiva, esta pesquisa baseia-se em estudos de pedagogos,psicólogos e educadores musicais que tratam a respeito do desenvolvimento emocionale cognitivo e da socialização de indivíduo com Síndrome de Down.OBJETIVOS
  5. 5. Geral• Verificar a aplicação da educação musical, nas escolas de ensino regular, para sujeitoscom Síndrome de Down (SD) no município de Natal/RN.Específicos• Identificar as expectativas dos professores de música atuantes em escolas públicas eprivadas, e dos estudantes do curso de Licenciatura em Música da UFRN quanto aoensino musical destinado a alunos com SD;• Verificar as ações desenvolvidas nas escolas públicas e privadas, relativas ao ensinomusical a alunos com SD, no município de Natal/RN;• Avaliar a percepção dos pais ou responsáveis de sujeitos com SD sobre a implicaçãodas aulas de música no desenvolvimento desses sujeitos na rede regular de ensino.METODOLOGIAEssa pesquisa caracteriza-se como sendo um estudo epidemiológicoexploratório-descritivo.Universo de pesquisaEste estudo será realizado em escolas públicas (municipais e estaduais),privadas do município de Natal/RN e a Escola de Música da Universidade Federal doRio Grande do Norte (EMUFRN).Serão utilizadas apenas escolas que possuam o ensino de música para sujeitoscom Síndrome de Down (SD).SujeitosFarão parte da pesquisa, como participantes, educadores musicais das referidasescolas; estudantes do curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do RioGrande do Norte, que cursaram a disciplina Introdução à Educação Especial e pais dealunos com SD que tiveram ou que no período programado para as entrevistas estejamtendo a experiência do ensino musical regular.Coleta de Dados
  6. 6. A pesquisa utilizará como instrumento três questionários semi-estruturados. Oquestionário A, destinado aos estudantes do referido curso, tem como objetivo conheceras expectativas desses quanto ao ensino de música para sujeitos com SD em nossomunicípio; O questionário B será aplicado aos educadores musicais, com o intuito deidentificar a situação atual do ensino musical e atuação dos professores, e por fim oquestionário C, destinado a família, visando analisar a percepção do familiarresponsável acerca dos benefícios da educação musical no desenvolvimento do sujeitocom SD.Análise dos DadosOs resultados serão disponibilizados em planilhas eletrônicas e analisadosinicialmente pelo programa estatístico SPSS (Statistical Package Social Science) versão14.0 for Windows.Para análise das questões abertas será utilizado o software ALCESTE (AnáliseLexical Contextual de um Conjunto de Segmentos de Texto) (CAMARGO, 2005)..Complementarmente, será utilizada a proposta de análise de conteúdo desenvolvida porBardin (1977).BIBLIOGRAFIAAMORIM, Maria de Lourdes Mendes. A música e a holística transformando a educaçãodos portadores da Síndrome de Down. Recife. Ed. Universitária da UFPE, 2005. 60 p.BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Trad. Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro.Lisboa, Portugal: Edições 70, 1977.BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Secretaria de Educação FundamentalReferencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasil: MEC/SEF, 1998.CAMARGO, B. V. ALCESTE: Um programa informático de análise quantitativa dedados textuais. In: Moreira, A S P (Org.). Perspectivas teórico-metodológicas emrepresentações sociais. João Pessoa: UFPB/Editora Universitária, 2005.DUK, Cynthia (org.). Educar na diversidade: material de formação docente. Brasília:Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2005. 266p.LAZZARIN, Luís Fernando. A compreensão do significado estético em educaçãomusical. In: BEYER, Esther Sulzbacher Wondracek (org.). O som e a Criatividade:reflexões sobre experiências musicais. Santa Maria: UFSM, 2005.
  7. 7. MARTINS, Lúcia de Araújo Ramos. A inclusão escolar do portador da síndrome deDown: o que pensam os educadores?. Natal: EDUFRN, 2002.MELO, Symone Fernandes de. O bebê com Síndrome de Down e sua mãe: um estudosobre o desenvolvimento da comunicação. 2006. 242 f. Tese (Doutorado) –Departamento de Psicologia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2006.PUESCHEL, Siegfried M. Síndrome de Down: Guia para pais e educadores. Campinas,SP. Papirus, 1993.SCHWARTZMAN, José Salomão. Síndrome de Down. 2.ed. São Paulo, Memnon.Mackenzie, 2003. 324p.STRAY-GUNDERSEN, Karen (org.). Crianças com síndrome de Down: guia para paise educadores. Trad. Maria Regina Lucena Borges-Osório. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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