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R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. • p.345Mauro MYC, Muzi CD, Guimarães RM, Mauro CCCwww.mte.gov.br. Acesso em 17 jul 2004.29....
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  1. 1. p.338 • R Enferm UERJ 2004; 12:338-45.Riscos ocupacionais em saúdeRRRRRISCOSISCOSISCOSISCOSISCOS OOOOOCUPCUPCUPCUPCUPAAAAACIONAISCIONAISCIONAISCIONAISCIONAIS EMEMEMEMEM SSSSSAÚDEAÚDEAÚDEAÚDEAÚDEOOOOOCCUPCCUPCCUPCCUPCCUPAAAAATIONALTIONALTIONALTIONALTIONAL HHHHHEALEALEALEALEALTHTHTHTHTH RRRRRISKSISKSISKSISKSISKSMariaYvoneChavesMauro*CamilaDrumondMuzi**RaphaelMendonçaGuimarães**CarlaChristinaChavesMauro***RESUMO:RESUMO:RESUMO:RESUMO:RESUMO: Este é um artigo de revisão que pretende discutir os riscos ocupacionais em saúde, apoian-do-se em pesquisa bibliográfica referente ao período de 1976 a 2004. Objetiva-se discutir os riscosocupacionais em saúde a partir de elementos do contexto do trabalhador e analisar as condições geraisdo seu ambiente de trabalho e suas condições individuais e de saúde. Percebe-se que a desarmoniaentre saúde e trabalho é incontestavelmente um problema de saúde pública, que merece ser analisadoem todos os seus prismas, compreendendo assim a integralidade do trabalhador. Tal fato requer, doenfermeiro, a atenção necessária para que, primeiramente, não sofra o desgaste gerado por essa desar-monia e, depois, possa contribuir para minimizar os efeitos negativos gerados em outros trabalhadores.Palavras-chave:Palavras-chave:Palavras-chave:Palavras-chave:Palavras-chave: Enfermagem; risco ocupacional; saúde; trabalho.ABSTRACTABSTRACTABSTRACTABSTRACTABSTRACT::::: This article intends to discuss occupational health risks, based on a bibliographic researchcovering the period from 1976 to 2004. The objective is to discuss occupational risks from elements thatmake part of the worker’s context, and to analyze related general environment conditions and personalconditions. It is clear that the disharmony between health and work is an incontestable public healthproblem that must be analyzed under its multiple facets. That fact demands attention of the nurse in orderto avoid suffering the effects generated by such disharmony, and to contribute to minimize the negativeeffects generated upon other workers.Keywords:Keywords:Keywords:Keywords:Keywords: Nursing; occupational risk; health; work.IIIIINTRODUÇÃONTRODUÇÃONTRODUÇÃONTRODUÇÃONTRODUÇÃOA palavra trabalho e o qualitativo profissi-onal são usados em psicologia para designar todaatividade realizada tecnicamente com a finalida-de de conseguir um rendimento econômico. Emnossa organização social, o ser humano dedica aotrabalho aproximadamente 65% da sua vida pro-dutiva, incluindo-se jornada de trabalho e ativi-dade propriamente dita, a locomoção e o atendi-mento das necessidades relacionadas ao trabalho.Portanto, não é a terceira parte da vida, mas ametade da sua existência que o homem dedica aotrabalho profissional.Hoje o trabalho constitui uma das práticasmais importantes da vida do ser humano, porqueé dessa atividade que o homem tira os elementospara sua própria subsistência familiar. Entretanto,o homem não deve trabalhar apenas pelo salárioque recebe, mas também pela satisfação pessoalque deve sentir na sua realização e pelos resulta-dos que colhe através do seu próprio esforço.O trabalho desempenha uma função im-portante na vida do homem e preenche algunsobjetivos, tais quais: respeitar a vida e a saúdedo trabalhador, priorizando o problema da segu-rança e da salubridade dos locais de atividadelaboral; deixar-lhe tempo livre para o descansoe lazer, destacando-se a questão da duraçãodessa jornada e de sua coordenação para amelhoria das condições de vida fora do local daatividade ocupacional; e deve permitir ao tra-balhador sua própria realização pessoal, ao mes-mo tempo em que presta serviços à comunida-de, considerando o problema do tipo de ativi-dade e da organização do trabalho.Quanto à Saúde do Trabalhador, ela é com-preendida como um conjunto de práticas teóricasinterdisciplinares - técnicas, sociais, humanas - einterinstitucionais, realizadas por diferentes ato-res situados em espaços sociais distintos e infor-mados por uma mesma perspectiva comum1.
  2. 2. R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. • p.339Mauro MYC, Muzi CD, Guimarães RM, Mauro CCCDiscorrer sobre a Saúde do Trabalhador é, emprimeiro lugar, abordar um tema que ainda nãoatingiu a adolescência, mas que precisa discutir oscaminhos que levem a uma maturidade saudávele duradoura2. Para tal maturidade, cabe discutiros aspectos relacionados ao trabalho que garan-tam o bem-estar do sujeito e, ainda, abordar osriscos inerentes a esse trabalho, de forma que suaprevenção possa trazer segurança ao indivíduo.Assim, são objetivos deste estudo: discutiros riscos ocupacionais na área da saúde, a partirdos elementos do contexto do trabalhador e ana-lisar as condições gerais do seu ambiente de tra-balho e suas condições individuais de saúde.A pesquisa bibliográfica realizada abrangeprodução científica de 1976 a 2004, recuperandoconceitos e achados de grande relevância para aespecialidade Saúde do Trabalhador.O SO SO SO SO SIGNIFICADOIGNIFICADOIGNIFICADOIGNIFICADOIGNIFICADO DODODODODO TTTTTRABALHORABALHORABALHORABALHORABALHOO provimento das necessidades biológicasbásicas humanas é a função primordial do traba-lho, entretanto, existem outras funções como:propicia o aplauso social, uma vez que o individuoque não trabalha é mal visto pela sociedade; ali-via a tensão emocional funcionando como umaválvula de escape ou uma derivação para as emo-ções acumuladas; estimula a imaginação e ativaa criatividade porque afeta poderosamente a ati-vidade mental e estimula a inteligência, procu-rando obter melhores formas de expressão daprodutividade; condiciona o progresso e o bem-estar humano porque cada trabalhador é consi-derado parte do processo de melhoria de sua co-munidade3.O significado do trabalho4,5,6é elaborado comouma cognição subjetiva, histórica e dinâmica,caracterizada por múltiplas facetas que se articu-lam de diversificadas maneiras. É subjetiva, apre-sentando uma variação individual, a qual refletea história pessoal de cada um. É social, porque,além de apresentar aspectos compartilhados porum conjunto de indivíduos, reflete as condiçõeshistóricas da sociedade, na qual está inserido. Édinâmica, no sentido de que é construtoinacabado, em permanente processo de constru-ção. Decorrente disso, sua caracterização variaconforme seu próprio caráter histórico-social.O significado do trabalho, para o homem,representa uma situação especial, que lhe trazsatisfação ou não, e ainda, como atividade hu-mana tem significado tríplice: material, psicoló-gico e social3.Quanto à satisfação material, é necessárioque o trabalho proporcione o atendimento dasnecessidades biológicas primordiais: alimentação,vestuário, habitação, saúde física e mental, re-creação e outras.No que se refere à satisfação psíquica indi-vidual, ela se fundamenta no provimento das se-guintes necessidades: afeto; noção de pertencer,sentir-se uma peça da engrenagem empresarial;companhia dos outros; realização; experiênciasnovas; segurança; e fator de otimismo.Considerando a satisfação social, o trabalhoconfere posição entre os membros do grupo, o queé importante para a convivência social.Após a revisão desses significados, torna-seimprescindível destacar as alterações no homemdeterminadas pelo trabalho.AAAAASSSSS AAAAALLLLLTERAÇÕESTERAÇÕESTERAÇÕESTERAÇÕESTERAÇÕES PELOPELOPELOPELOPELO TTTTTRABALHORABALHORABALHORABALHORABALHONo desempenho do trabalho, pode-se obser-var alterações no organismo e na personalidadedo trabalhador que se manifestam durante a jor-nada3, tais como: modificações fisiológicas – altera-ção do processo metabólico, aumento do ritmorespiratório e cardíaco e alterações no teor físico-químico do sangue e dos tecidos musculares, re-sultantes do esforço produzido; aquecimento – ouseja, intensificação do rendimento do trabalhopelo aumento da capacidade dos músculos e ner-vos condicionados à atividade exercida; queda davelocidade e qualidade do rendimento – observáveiscom o prolongamento forçado do trabalho, decor-rente do esforço muscular e intelectual que sur-ge com a fadiga; reativação – é o súbito aumentodo ritmo de trabalho, seja pelo estímulo dosupervisor ou apelo nas ultimas horas de traba-lho; alterações no controle e coordenação motora –observáveis na continuidade do esforço físico.É preciso estar atento para o início dessasalterações no trabalhador: os movimentos se tor-nam mais lentos e imprecisos e o trabalho se apre-senta com menos rendimento e queda na produ-tividade; os bloqueios que se caracterizam por in-terrupções muito curtas, de fração de segundos,automáticas e inconscientes no decorrer da ati-vidade, que o trabalhador nem percebe, acredi-tando-se ser reflexo de fadiga mental; e a fadigaque é a sensação de exaustão física e mental, re-sultante do excesso de atividades, manifestada
  3. 3. p.340 • R Enferm UERJ 2004; 12:338-45.Riscos ocupacionais em saúdepela redução da força física e capacidade de rea-gir ou executar tarefa3.Dando prosseguimento, inicia-se, a seguir,o estudo da relação ambiente ocupacional/tra-balhador.O AO AO AO AO AMBIENTEMBIENTEMBIENTEMBIENTEMBIENTE DEDEDEDEDE TTTTTRABALHORABALHORABALHORABALHORABALHO EEEEE OOOOOTTTTTRABALHADORRABALHADORRABALHADORRABALHADORRABALHADORA Saúde Ocupacional avança numa pro-posta interdisciplinar, com base na Higiene In-dustrial, relacionando ambiente de trabalho-corpo do trabalhador1. Incorpora a teoria damulticausalidade, na qual um conjunto de fato-res de risco é considerado na produção da doen-ça, avaliada através da clínica médica e de in-dicadores ambientais e biológicos de exposiçãoe efeito. Os fundamentos teóricos do modelo daHistória Natural da Doença7são aplicáveis aindivíduos ou grupos, e derivam da interação cons-tante entre o agente, o hospedeiro e o ambiente,significando um aprimoramento da multicausali-dade simples.Mesmo assim, se os agentes/riscos são assumi-dos como peculiaridades naturalizadas de objetos emeios de trabalho, descontextualizados das razõesque se situam em sua origem, repetem-se, na prá-tica, as limitações da Medicina do Trabalho. Asmedidas que deveriam assegurar a saúde do traba-lhador, em seu sentido mais amplo, acabam por res-tringir-se a intervenções pontuais sobre os riscosmais evidentes. Enfatiza-se a utilização de equipa-mentos de proteção individual, em detrimento dosque poderiam significar a proteção coletiva;normatizam-se formas de trabalhar consideradasseguras, o que, em determinadas circunstâncias,conforma apenas um quadro de prevenção simbó-lica. Assumida essa perspectiva, são imputados aostrabalhadores os ônus por acidentes e doenças,concebidos como decorrentes da ignorância e danegligência, caracterizando uma duplapenalização8. A fórmula ideal para a vida humanaconsiste em manter em equilíbrio os componentesbiológicos e psíquicos da personalidade e os fatoressociais e do ambiente. Quando o equilíbrio persis-te, o individuo conserva o seu estado de saúde emantém uma sensação de bem-estar.Desse modo, o ambiente de trabalho podeconverter-se em elemento agressor do indivíduo.Qualquer que seja a origem do desequilíbrio, exis-te a possibilidade de dano para a saúde do traba-lhador, o qual deve ser protegido pela adoção demedidas adequadas9.Assim, o estudo do ambiente de trabalhodeve compreender os seguintes aspectos: os dife-rentes tipos (características); os fatores que ocondicionam; as alterações desses fatores e suascausas; a técnica para exploração dessas altera-ções; as medidas que devem ser adotadas paraevitar a agressão do ambiente sobre o indivíduo10.Não é possível indicar todos os fatores derisco, contudo relacionam-se os mais comuns11:muitas horas de trabalho; postura inadequada;monotonia; meio físico inadequado; instalaçõessanitárias insuficientes; falta de salas de descansoe assentos; saúde e higiene mental insatifatóriase fadiga.Entre os agravos à saúde do trabalhador, des-tacam-se os acidentes de trabalho que são men-cionados a seguir.AAAAACIDENTESCIDENTESCIDENTESCIDENTESCIDENTESCom uma perspectiva de superação da visãodo acidente de trabalho de uma forma inespecíficae a-histórica, deve-se ter uma visão renovadadesse tipo de evento, ou seja, olhar com cuidadonão só o acidente em si, mas também os fatoresque o predispuseram. Embora saiba-se que aci-dentes com material biológico não acontecemsomente com enfermeiros ou técnicos de enfer-magem, há estudos que indicam a hegemoniadessa categoria nos incidentes, especialmente emacidentes com material perfurocortantes12.Recentes estudos13evidenciaram que a re-lação entre incidência de acidentes de trabalhoe mortalidade não é tão baixa, o que significa quehá um pequeno potencial de mortalidade e umgrande potencial de morbidez, condição que de-manda estratégias para minimizar esses agravosno ambiente de trabalho, tendo em vista suas re-percussões para o indivíduo e para o Estado. Veri-ficou-se, ainda, que há diferenças brutais entreas mesmas taxas nacionais e por regiões, o quesinaliza uma diferenciação no acesso aos serviçosde saúde e, especificamente, na área da Saúdedo Trabalhador.Neste contexto, os acidentes de trabalho(AT) ocupam destaque, uma vez que se apresen-tam como a concretização dos agravos à sua saú-de em decorrência da atividade produtiva, rece-bendo interferências de variáveis inerentes à pró-
  4. 4. R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. • p.341Mauro MYC, Muzi CD, Guimarães RM, Mauro CCCpria pessoa, do ponto de vista físico ou psíquico,bem como do contexto social, econômico, políti-co e da própria existência. Decorrem da rupturana relação entre o trabalhador e os processos detrabalho, os quais interferem no processo saúde/doença, algumas vezes de maneira abrupta e ou-tras de forma insidiosa, bem como no modo deviver ou morrer dos trabalhadores14.Considerando o exposto, o trabalho notur-no pode ser outro fator de ruptura no equilíbriosaúde/doença, conforme é descrito na seção se-guinte.TTTTTRABALHORABALHORABALHORABALHORABALHO NNNNNOTURNOOTURNOOTURNOOTURNOOTURNOAs escalas de trabalho em turnos geralmen-te adotadas são bastante variadas, e em uma mes-ma empresa pode haver várias escalas. Nas déca-das de 60 e 70, escalas de turnos em que predo-minava o rodízio semanal dos horários de traba-lho eram bastante freqüentes.Uma das análises mais divulgadas na litera-tura sobre erros/acidentes relacionados ao traba-lho em turnos foi publicada originalmente em 197915. A hipótese destacada pelo referido estudo é ade que provavelmente o pior desempenho obser-vado em atividades em plantões ou regimes detrabalho noturnos estaria associado à queda oudiminuição na expressão comportamental de al-guns ritmos biológicos, com especial ênfase ao datemperatura corporal.Esse ritmo apresenta valores mais baixos du-rante a noite, concomitante ao aumento da so-nolência e conseqüente queda de rendimento dealgumas funções cognitivas. A falta de repousoleva a riscos, decorrentes da privação de sono quevão desde a irritação, ansiedade, insegurança,depressão, dificuldade de concentração e redu-ção da capacidade crítica; o profissional de en-fermagem se sente insatisfeito por não ter presta-do uma assistência de melhor qualidade aopaciente16.Diante das evidências de problemasgerados pela inversão do ciclo vigília-sono e con-seqüente privação do sono de trabalhadores, pode-se dizer que as estratégias individuais relaciona-das aos hábitos de sono são essenciais para permi-tir a adaptação ao trabalho em turnos17.Um estudo18realizado entre auxiliares deenfermagem e enfermeiros que trabalhavam emhospital público de São Paulo, cuja organizaçãodos turnos diurnos e noturnos fixos era de 12 ho-ras diárias, seguidas de 36 horas de descanso, com-parou as durações dos episódios de sono, detec-tando diferenças significativas entre sono diurnoe noturno. A qualidade dos episódios de sono diur-no após as noites de trabalho foi avaliada comopior do que a qualidade dos episódios de sononoturno. Foram encontradas diferenças significa-tivas na percepção dos estados de alerta em trêsmomentos diferentes do turno da noite. Os níveispercebidos de alerta à noite tornam-se piores àmedida que aumenta o número de horas de tra-balho. Isso é um indicativo de que a sonolênciano trabalho noturno se faz presente e pode preju-dicar seriamente tanto trabalhadores quanto ospacientes que estão sob seus cuidados.A partir de estudos anteriores19, 20realiza-dos acerca do trabalho noturno, verificou-se umasérie de alterações no ritmo biológico do traba-lhador (ciclo circadiano; temperatura corporal;nível de glicose no sangue; grau de fadiga; adap-tação ao trabalho; rendimento; duração do sono;grau de retenção da informação). As conseqü-ências diretas foram: fadiga; desadaptação à ati-vidade; baixo rendimento; baixa capacidade deconciliar o sono normal; maior índice de errosdetectados; desequilíbrio nutricional; limite re-duzido de responsabilidade; aumento ou apare-cimento de patologia de natureza somática;estress.CCCCCONDIÇÕESONDIÇÕESONDIÇÕESONDIÇÕESONDIÇÕES DEDEDEDEDE SSSSSAÚDEAÚDEAÚDEAÚDEAÚDEAs medidas ergonômicas relacionadas à pos-tura no ambiente de trabalho, assim como as so-luções implementadas de modo preventivo são maispositivas, especialmente quando associadas à se-leção adequada do trabalhador e à utilização detécnicas corretas no processo de trabalho21. Essaprática é comumente realizada inadequadamen-te pelos profissionais de enfermagem, daí a fre-qüência de problemas de saúde no trabalho.Deve-se ainda considerar o trabalho senta-do, no qual a incidência de hérnias de disco é trêsvezes maior que no trabalho em pé, e os esforços nosentido de ampliar os conhecimentos básicos deergonomia dos profissionais da área de saúde.Cabe destacar aqui os principais fatores re-lacionados às condições ocupacionais20,21, consi-derando-se as novas tendências do mercado detrabalho: remuneração; oportunidade de carrei-ra; garantia disciplinares; horas de trabalho; des-
  5. 5. p.342 • R Enferm UERJ 2004; 12:338-45.Riscos ocupacionais em saúdecanso e férias; segurança social; proteção à saú-de; oportunidade de formação inicial e educaçãocontinua; efetivo de pessoal no serviço; organiza-ção do trabalho; participação do pessoal na de-terminação de suas condições ocupacionais e devida e participação em tudo que contribui parasua satisfação no trabalho.No Brasil, existem inúmeros convênios e re-comendações da Organização Internacional doTrabalho(OIT) ratificadas pelas Portarias do Mi-nistério do Trabalho denominadas NormasRegulamentadoras (NR), além da Consolidaçãodas Leis de Trabalho (CLT), disciplinando essaárea. Os estudos sobre os riscos ocupacionais apon-tam que, quando eles não são submetidos a con-trole, levam ao aparecimento de acidentes e do-enças profissionais e do trabalho.O Ministério do Trabalho, através das NR,visa eliminar ou controlar tais riscos ocupacionais.São 32 NRs direcionadas para trabalhador urba-no, das quais foram selecionadas algumas de re-levância para o trabalhador de saúde: NR-1 Dis-posições Gerais; NR-4 Serviços Especializados emEngenharia de Segurança e Medicina do Traba-lho – SESMT; NR-5 Comissão Interna de Preven-ção de Acidentes – CIPA; NR-6 Equipamentosde Proteção Individual – EPI; NR-7 Programa deControle Médico de Saúde Ocupacional -PCMSO; NR-9 Programa de Prevenção de Ris-cos Ambientais - PPRA; NR-15 Atividades eOperações Insalubres; NR-16 Atividades e Ope-rações Perigosas; NR-17 Ergonomia; NR-24 Con-dições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Tra-balho; NR-26 Sinalização de Segurança; NR-31Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços Con-finados; NR-32 (em processo de implementação)Segurança e Saúde no Trabalho em Estabeleci-mentos de Assistência à Saúde 22.Algumas delas estão envolvidas no controledas condições de risco para a saúde e melhoriados ambientes de trabalho, visando: identifica-ção das condições de risco para a saúde presentesno trabalho; caracterização da exposição equantificação das condições de risco; discussão edefinição das alternativas de eliminação ou con-trole das condições de risco; implementação eavaliação de medidas a serem adotadas 22.Os condicionantes sociais, econômicos,tecnológicos e organizacionais responsáveis pelascondições de vida e de trabalho e os fatores derisco ocupacionais são também determinantes dasaúde do trabalhador. Portanto, ações na área dasaúde do trabalhador têm como objetivo primor-dial mudanças nos processos de trabalho que con-templem, em toda sua dimensão, as relações saú-de-trabalho, por meio de uma atuaçãomultiprofissional, interdisciplinar e intersetorial.Considera-se fator de risco para provocar umdano, toda característica ou circunstancia queacompanha um aumento de probabilidade deocorrência do fator indesejado, sem que o ditofator tenha de intervir necessariamente em suacausalidade23.Classicamente, os fatores de risco para a saú-de e segurança dos trabalhadores, presentes ourelacionados ao trabalho, de acordo com a Orga-nização Pan-Americana da Saúde no Brasil, po-dem ser classificados em cinco grandes grupos22,24:físicos- agressões ou condições adversas de natu-reza ambiental que podem comprometer a saúdedo trabalhador; químicos- agentes e substânciasquímicas, sob a forma líquida, gasosa ou de partí-culas e poeiras minerais e vegetais, comuns nosprocessos de trabalho; biológicos- microorganismosgeralmente associados ao trabalho em hospitais,laboratórios e na agricultura e pecuária;ergonômicos e psicossociais - que decorrem da or-ganização e gestão do trabalho; de acidentes- liga-dos à proteção das máquinas, arranjo físico, or-dem e limpeza do ambiente de trabalho, sinaliza-ção, rotulagem de produtos e outros que podemlevar a acidentes do trabalho.Os riscos ocupacionais têm origem nas ativi-dades insalubres e perigosas, aquelas cuja natu-reza, condições ou métodos de trabalho, bem comoos mecanismos de controle sobre os agentes bio-lógicos, químicos, físicos e mecânicos do ambien-te hospitalar podem provocar efeitos adversos àsaúde dos profissionais.Os técnicos especialistas em Higiene e Se-gurança do Trabalho são unânimes em colocar queo importante não é gratificar o trabalhador com oadicional de insalubridade ou de periculosidade,mas sim tornar o trabalhador e o ambiente abso-lutamente saudáveis.O quadro a seguir mostra a classificação dosprincipais riscos ocupacionais em grupos, de acor-do com a sua natureza:Essas condições isalubres e perigosas na mai-oria das vezes se tornam rotina, freqüentementenão percebidas pelos gerentes, nem pelo própriotrabalhador de saúde, o qual se habitua com a
  6. 6. R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. • p.343Mauro MYC, Muzi CD, Guimarães RM, Mauro CCCsituação ou mantém um autocontrole dos sinto-mas, sem procurar esclarecer as causas verdadei-ras. Das observações feitas, e com base na litera-tura estudada9,14,17,24-27, evidenciam-se as conse-qüências dessas condições: queda da produção,maior vulnerabilidade aos acidentes de trabalho,afastamento do trabalho por motivo de saúde,causa mais freqüente do elevado absenteísmo.A combinação desses fatores leva a enfer-magem, principalmente, a uma condição que osperitos da OIT caracterizam como de penúriacrônica.Com o conhecimento desses fatores de ris-cos e a identificação da população exposta (ospróprios profissionais de enfermagem, seus cole-gas de trabalho e os clientes), cabe aos gerentesencetar uma luta para orientar o trabalhador so-bre tais riscos ocupacionais e as medidas necessá-rias ao seu controle.Um programa de educação continuada, comtreinamento específico para profissionais de saú-de, pode favorecer o entendimento desses pro-blemas e de sua gravidade para combatê-los.A criação de Comissões Internas para Pre-venção de Acidentes27(CIPAS), nas Unidadesde Saúde, também, facilitará a discussão dos pro-blemas com a direção das instituições, assimcomo as Comissões de Saúde. Vale ressaltar queos hospitais com mais de 500 empregados sãoobrigados a incorporar um Enfermeiro do Traba-lho no seu quadro, de modo que esse profissio-nal além de participar das atividades especifi-cas, deverá estar atento aos fatores de riscos paracombatê-los 28.Atualmente, conta-se com a NormaRegulamentadora do Ministério do Trabalho nº32/2002, ainda em fase de homologação, que sedestina à proteção dos trabalhadores de estabe-lecimentos de saúde 29.Os centros de estudos dos hospitais e outrosserviços de saúde, também deverão discutir essaproblemática e buscar a assessoria necessária comos técnicos competentes, principalmente em re-lação a novos riscos.Resultados de pesquisas sobre condições detrabalho e aspectos ergonômicos mostram que hánecessidade de difundir-se entre os enfermeiroso conhecimento desses estudos e de outros sobrea higiene, biossegurança e segurança do traba-lho, visando a proteção de sua própria saúde e deseus clientes26. É imperativa a implementação demedidas ergonômicas e de biossegurança para aproteção dos enfermeiros e demais profissionaisde saúde, assim como de medidas de higienemental para a garantia de um ambiente saudávele obtenção do equilíbrio emocional do grupo.Fonte: Ministério do Trabalho (MTE) Norma Regulamentadora – NR 9 – Riscos ambientais2525252525FIGURA 1:FIGURA 1:FIGURA 1:FIGURA 1:FIGURA 1: Classificação dos Principais Riscos Ocupacionais.
  7. 7. p.344 • R Enferm UERJ 2004; 12:338-45.Riscos ocupacionais em saúdeCCCCCONCLUSÃOONCLUSÃOONCLUSÃOONCLUSÃOONCLUSÃOExistem medidas especificas de proteção àsaúde do trabalhador que são quantitativa e qua-litativamente satisfatórias, embora de circulaçãoainda limitada, e, devem ser implantadas comonorma obrigatória do Ministério do Trabalho. Éuma questão de cidadania a conquista desse di-reito do trabalhador.A enfermagem ainda não está mobilizada osuficiente para aplicar as medidas em favor de suaprópria saúde, da produtividade do serviço, do seumelhor desempenho e satisfação no trabalho.Destaca-se como elemento de grande efici-ência o domínio do conhecimento dos fatores deriscos ocupacionais, causas das patologias do tra-balho e medidas de controle, especialmente noque se relaciona com a enfermagem.Considera-se o grupo de enfermagem o gru-po ideal para difundir esses conhecimentos porser o sujeito e o objeto do problema em questão.Desse modo, o enfermeiro pode ser o multiplicadorem potencial na área da saúde.RRRRREFERÊNCIASEFERÊNCIASEFERÊNCIASEFERÊNCIASEFERÊNCIAS1. Minayo-Gomez C, Thedim-Costa SMF. A construçãodo campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas.Cad Saúde Pública 1997; 13 (supl.2): 21-32.2. Lacaz FAC. Saúde dos trabalhadores: cenário e desafi-os. Cad Saúde Pública 1997; 13 (supl.2): 07-19.3. Mielnik I. 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