Recomendações para o diagnóstico e manejo da osteoartrite de joelho e quadril

378 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
378
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
6
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Recomendações para o diagnóstico e manejo da osteoartrite de joelho e quadril

  1. 1. Hospital Universitário Dr. Walter Cantídio Serviço de Reumatologia Recomendações Para o Diagnóstico e Manejo da Osteoartrite de Joelho e Quadril Introdução Osteoartrite (OA) é a forma mais comum de artrite e a principal causa de prejuízo funcional e limitação em adultos. O joelho e o quadril são as principais grandes articulações afetadas. A estimativa da prevalência de OA de joelho e quadril varia consideravelmente quando o diagnóstico é feito pela presença de sintomas e alterações radiográficas ou por alterações radiográficas isoladamente. No último caso a prevalência de OA de joelho é superior a do quadril. A prevalência de OA sintomática é em torno de 40% da população de adultos acima de 65 anos. No Brasil, não existem dados precisos sobre esta prevalência. Etiologia e Classificação O principal aspecto no desenvolvimento da osteoartrite primária é a destruição progressiva da cartilagem levada por diferentes fatores e a incapacidade regenerativa da cartilagem, levando a alterações secundárias do osso subcondral e envolvimento de todas as estruturas da articulação como a cápsula articular, membrana sinovial. É classificada como primária ou secundária, quando fatores reconhecíveis estão ou não presentes (ex: trauma, doenças endócrinas e metabólicas). Quadro Clínico Os critérios classificatórios para o diagnóstico da OA do Colégio Americano de Reumatologia (ACR) baseiam-se na combinação da idade do paciente, sinais e sintomas, exame físico e radiológico. Tabela I. Quando a radiografia é associada ao exame físico, a sensibilidade e a especificidade são de 91% e 86% respectivamente. Recentemente a Liga Européia Contra Reumatismo (EULAR) sugeriu para diagnóstico clínico seguro de OA de joelho a associação de três sintomas (dor persistente em joelho, rigidez matinal e prejuízo funcional) e três sinais (presença de crepitus, restrição dos movimentos e alargamento do joelho).
  2. 2. Tabela 1 – Critérios da Associação Americana de Reumatologia Quadril -1991 Clínico e radiológico 1,2,3 1.Dor no quadril na maioria dos dias, no último mês. 1.2.4 2.VHS< 20mm/h 13,4 3.Radiografia do quadril com osteófitos acetabulares 4.Radiografia do quadril com redução do espaço atricular Joelho – clínico -1986 1.Dor articular na maioria dos dias no último mês 1,2,3,4 1,2,5 ou 1,4,5. 2. Presença de crepitus nos movimentos ativos da articulação. 3. Rigidez matinal < 30min. 4. Idade > 38 anos 5. Alargamento ósseo do joelho ao exame físico. Exames complementares: Radiografia O método diagnóstico baseado na radiografia tem o menor custo e maior acessibilidade, embora seja menos sensível em detectar alterações estruturais precoces na OA. O aumento do emprego da ressonância magnética (RM) na prática clínica tem facilitado nas decisões diagnósticas. Devido aos custos e da falta de uma maior clareza da performance diagnóstica deste exame e uma não padronização em relação à interpretação da RM, não esta bem clara se o aumento do uso da RM na clínica é uma prática racional. A radiografia convencional se mantém como primeiro método de imagem no diagnóstico e seguimento da OA. O uso da RM fica restrito a casos selecionados. Tratamento O tratamento deve ser multidisciplinar e buscar a melhora funcional, mecânica e clínica com o envolvimento dos profissionais que mais diretamente lidam com o doente com OA, reumatologistas, ortopedistas e fisiatras. Tratamento não Farmacológico Provisão de Informações, educação e autocuidado sobre OA e seu tratamento são extensamente difundidos como ponto central em guidelines para o tratamento da OA de joelhos e quadril, realizados com manuais educacionais ou cursos de orientação ao paciente. (1A)
  3. 3. Exercício físico Exercícios de força e exercícios aeróbios estão associados à melhora da função e redução da dor em pacientes com OA de quadril e joelhos. Os exercícios podem ser na água ou não. (1A) Redução do Peso A redução do peso esta associada a uma redução da dor em pacientes com OA de joelhos. Pacientes com OA de quadril também devem ser encorajados a perder peso e manter o seu peso o menor possível apesar desta intervenção basear-se em opinião de especialistas, falta ainda uma comprovação científica. (1B) Tratamento Farmacológico Acetominofen A Liga Européia contra Reumatismo recomenda o acetominofen na dose de 4gr/dia como analgésico de primeira linha no tratamento da dor moderada de pacientes com OA de joelho e quadril. Por outro lado, estudos de cohort têm mostrado que o tratamento com doses elevadas de acetominofen (>3gr/dia) esta associado com maior risco de hospitalização por perfuração do trato gastrintestinal e sangramento do que com doses menores (<3gr/dia). Também há evidências de prejuízo da função renal em pacientes mulheres com uso prolongado de acetominofen. (1A) Antiinflamatórios não Hormonais Os AINES são superiores ao acetominofen no tratamento da dor em pacientes com OA de joelho e quadril. O risco de hospitalização por complicações gastrointestinais é maior em pacientes recebendo AINES, quando comparado com pacientes tratados com acetominofen é duas vezes maior em pacientes recebendo AINES não cox-seletivo do que os recebendo o Cox -2 seletivo, celocoxib. A co- prescrição de um inibidor da bomba de próton (IBP) ao AINES não seletivo reduz em 30% o risco de internação por sangramento gastrointestinal. A co-prescrição de um IBP ao AINES tanto os seletivos, quanto aos não seletivos é custo efetivo. (1A) AINES Tópico O AINES tópico pode ser empregado como terapia alternativa ou adjuvante no tratamento da OA sintomática de joelhos e possivelmente é mais seguro do que o AINES oral. (1A) Opióides O uso de opióides pode trazer redução na intensidade da dor em pacientes com OA, porém com pouca melhora funcional. Os benefícios do uso dos opióides são por
  4. 4. outro lado limitados pelo aparecimento de efeitos adversos como náuseas, constipação, tonturas, sonolência e vômitos. (1A) Injeção Intrarticular com Corticosteróide O uso de corticosteroides injetável pode trazer benefícios no tratamento da AO de joelhos. Entretanto para se obter uma melhora persistente, são necessárias repetidas infiltrações com intervalos regulares. (1A) Injeção Intrarticular com Ácido hialurônco Os estudos realizados são na grande maioria em pacientes com osteoartrite de joelhos e devido à sua heterogeneidade não estão bem estabelecidos os benefícios do ácido hialurônico no tratamento da osteoartrite de joelho. Os resultados apontam para uma melhora na dor quando comparado com a injeção intrarticular de corticosteróide a partir da quarta semana. O ácido hialurônico de elevado parece ter uma eficácia maior do que a apresentação padrão. (1A) Sulfato de Glucosamina Embora não se tenha um consenso sobre os efeitos da glucosamina como droga modificadora da estrutura da OA, os estudos apontam para uma redução da dor nos pacientes em tratamento com glucosamina e uma redução na incidência de prótese de joelho no seguimento de pacientes após um ano de tratamento com 1500mg de sulfato de glucosamina, em relação aos pacientes que não estavam tomando. (1A) Diacereína A diacereína é um derivado da antraquinona com propriedades de inibir IL-1B em estudos in vitro e como droga de ação lenta tem apresentado alguma eficácia sintomática persistente em pacientes com osteoartrite de joelhos e quadril, porém a eficácia na redução da dor foi pequena. A diarréia é um problema freqüente nestes pacientes. (1B) Tratamento Cirúrgico Dentre as opções de tratamento cirúrgico para a OA de joelhos, a prótese unicompartimental e total são as opções que estão mais associadas à melhora na dor e da função. Porém tratar-se de um procedimento de alto custo. A decisão de se optar pela cirurgia de prótese total é influenciada por vários fatores como a gravidade da dor e da incapacitação, a idade do paciente, sexo e comorbidades tanto quanto a tendência do cirurgião em indicar procedimentos cirúrgicos e a disposição do paciente em submeter-se a cirurgia. (III)
  5. 5. Critérios para Internação A principal indicação para a internação do paciente com AO é na realização do tratamento cirúrgico, quando indicado. O tempo de internação habitualmente é curto, quando há complicações no pós-operatório. Referências Bibliográficas OARSI recommendations for the management of hip and knee osteoarthritis, Part I: Critical appraisal of existing treatment guidelines and systemic review of current research evidence. Osteoarthritis and Cartilage (2007) 15, 981-1000 OARSI recommendations for management of hip and knee osteoarthritis Part III: changes evidence following systematic cumulative update of research published through January 2009 – Osteoarthritis and Cartilage 18 (2010) 476-499 OARSI recommendations on knee and hip osteoarthritis: use with discernment. Jone and Bone Spine 76 (2009) 455-457. Definition of osteoarthritis on MRI: results of Delphi exercise. Osteoarthritis and Cartilage 19 (2011) 963-969 Osteoarthritis year 2011 in review: biochemical markers of osteoarthritis: an overview of research and initiatives. Osteoarthritis and Cartilage 20 (2012) 215-217.

×