FABIANO MOREIRA FREIREKARINE GODOY CASTELO BRANCO DE ARAGÃOOSTEOPOROSE: UM ARTIGO DE ATUALIZAÇÃOGOIÂNIA2004
FABIANO MOREIRA FREIREKARINE GODOY CASTELO BRANCO DE ARAGÃOOSTEOPOROSE: UM ARTIGO DE ATUALIZAÇÃOTrabalho apresentado para ...
DEDICATÓRIAAos nossos avós, pais, irmãos e mestres que, direta ou indiretamente, muito contribuírampara a conclusão dessa ...
AGRADECIMENTOSA Deus; pela saúde, força e coragem nas horas mais difíceis, não deixando que desistíssemosdiante das dificu...
SUMÁRIOResumoINTRODUÇÃO --------------------------------------------------------------------------------01DEFINIÇÃO ------...
RESUMOA osteoporose é considerada atualmente um sério problema de saúde pública do mundo. Esteestudo é uma revisão atualiz...
INTRODUÇÃOA osteoporose é considerada atualmente um sério problema de saúde pública domundo. É uma doença que se caracteri...
DEFINIÇÃOA osteoporose tem sido recentemente reconhecida como um dos maiores problemasde saúde pública do mundo1, devido à...
ESTRUTURA ÓSSEAOs ossos do esqueleto são constituídos por camada externa densa, denominadacortical, que envolve estrutura ...
04e podem perder até 6% por ano durante os primeiros 5 anos após a menopausa. Os homensapenas começam a perder massa óssea...
INCIDÊNCIAA osteoporose é uma doença de importância crescente tendo-se em vista o aumentoda expectativa de vida populacion...
FATORES DE RISCOMuitos fatores contribuem para o desenvolvimento da osteoporose. A idade, o sexo ea raça estão entre os pr...
07Suscetibilidade à osteoporose é, em parte, devida à hereditariedade. Mulheres jovens,filhas de pais ou mães com fratura ...
08CálcioNíveis adequados de cálcio podem retardar o desenvolvimento de osteoporose porduas razões.39Primeiro, o cálcio sup...
09Alguns estudos demonstram que ingestão elevada de proteínas na dieta causa perdade cálcio em excesso na urina, o que aum...
10A atrofia óssea com perda acentuada de cálcio tem sido relatada após períodos deinatividade física, tanto por imobilizaç...
DIAGNÓSTICO CLÍNICONo Brasil, somente uma pessoa em três com osteoporose é diagnosticada, e destas,somente uma em cinco re...
12Após diversos episódios de dor intermitente aguda pode aparecer dor mecânicacrônica, resultante da deformidade vertebral...
13Constata-se que metade das fraturas de fêmur por osteoporose evolui paraincapacitação parcial ou total. Cerca de 20 a 30...
DIAGNÓSTICO RADIOLÓGICOA radiografia tradicional é um método pouco sensível para diagnosticarosteoporose.62A radiografia n...
DIAGNÓSTICO POR MEDIDAS DE MASSA ÓSSEAO advento das novas técnicas de quantificação da massa óssea tornou possívelidentifi...
16entre o peso das cinzas ósseas e peso do conteúdo mineral ósseo registrado pelodensitômetro.66A DEXA é capaz de medir pa...
PREVENÇÃO E TRATAMENTOMedidas geraisTanto para a prevenção como para o tratamento da osteoporose se recomendamdietas ricas...
18Estrogênios: Os estrogênios diminuem a reabsorção óssea, previnem a perda de ossotrabecular e cortical, reduz em 50% o r...
19Alendronato: Foi o primeiro bisfosfonato largamente utilizado que apresentou dadosconvincentes sobre sua eficácia na red...
20recomendado por dois anos. O desenvolvimento de outras vias de administração tem sidocogitado por alguns pesquisadores.5...
IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICAA atividade física traz um adequado desempenho dos sistemas cardíaco, respiratório,muscular...
22Um programa de atividade física constituído por caminhada, atividade aeróbica debaixo impacto e alongamento, três vezes ...
23Inúmeros estudos têm focalizado na associação entre massa óssea e exercício deresistência. Várias pesquisas indicam que ...
24significativo impacto na DMO, exceto patela. Entretanto, houve uma tendência para aumentoda DMO em membros inferiores.10...
25Infelizmente, na atualidade, permanece sem resposta questões como: qual o tipo deatividade física mais adequado para red...
CONSIDERAÇÕES FINAISAtualmente, pode-se observar o surgimento de uma situação relativamente nova: oenvelhecimento populaci...
27Portanto, a atividade física sendo considerada uma das estratégias mais eficientespara prevenir a osteoporose, o papel d...
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS1. Mitchell SL, Grant S, Aitchison T. Physiological effects of exercise on post-menopausalosteop...
297. Nordin BEC, Chatterton BE, Need A, Horowitz M. The definition, diagnosis andclassification of osteoporosis. Phys Med ...
3018. Rennó ACM, Driusso P, Ferreira V. Atividade física e osteoporose: uma revisãobibliográfica. Fisioter Mov 2001; 13(2)...
3128. Cerqueira FS, Rezende LF. Atuação da fisioterapia na melhora da qualidade de vida damulher no climatério e menopausa...
3237. Cooper GS, Sandler DP. Long-term effects of reproductive-age menstrual cycle patternson peri- and pastmenopausal fra...
3346. Heaney RP, Gallagher JC, Johnston CC, Neer R, Parfitt AM, Chir B et al. Calciumnutrition and bone health in the elde...
3455. Navega MT, Aveiro MC, Oishi J. Alongamento, caminhada e fortalecimento dosmúsculos da coxa: um programa de atividade...
3565. Nelson DA, Kleerekoper M. A practical guide to bone densitometry. In: Kleerekoper M,Siris E, McClung M (eds). The bo...
3674. Fuerst T, Gluer CC, Genant HK. Quantitative ultrasound. Eur J Radiol 1995; 20: 188-92apud Szejnfeld VL. 2004.75. Hea...
3784. Harris ST, Watts NB, Genant HK. Effects of risedronate treatment on vertebral andnonvertebral fracturas in women wit...
3893. Kelley GA, FACSM. Exercise and regional bone mineral density in postmenopausalwomen.A meta-analytic review of random...
39102. Smith R, Rutherford OM. Spine and total body bone mineral density and serumtestosterone levels in male athletes. Eu...
40111. Goodman CE. Osteoporosis: Protective measures of nutrition and exercise. Geriatrics1985; 40: 59-70 apud Aisenbrey J...
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Osteoporose um artigo de atualização

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Osteoporose um artigo de atualização

  1. 1. FABIANO MOREIRA FREIREKARINE GODOY CASTELO BRANCO DE ARAGÃOOSTEOPOROSE: UM ARTIGO DE ATUALIZAÇÃOGOIÂNIA2004
  2. 2. FABIANO MOREIRA FREIREKARINE GODOY CASTELO BRANCO DE ARAGÃOOSTEOPOROSE: UM ARTIGO DE ATUALIZAÇÃOTrabalho apresentado para fins de avaliação parcial nadisciplina Trabalho de Conclusão de Curso II do Cursode Fisioterapia da Universidade Católica de Goiás.Orientadora: Profª Drª Fábia Maria Oliveira PinhoGOIÂNIA2004
  3. 3. DEDICATÓRIAAos nossos avós, pais, irmãos e mestres que, direta ou indiretamente, muito contribuírampara a conclusão dessa nossa árdua batalha, porém honrosa.
  4. 4. AGRADECIMENTOSA Deus; pela saúde, força e coragem nas horas mais difíceis, não deixando que desistíssemosdiante das dificuldades.Aos nossos pais, por não terem medido esforços para que chegássemos até aqui.À nossa querida Professora Fábia, responsável por nossa orientação.
  5. 5. SUMÁRIOResumoINTRODUÇÃO --------------------------------------------------------------------------------01DEFINIÇÃO -----------------------------------------------------------------------------------02ESTRUTURA ÓSSEA-------------------------------------------------------------------------03INCIDÊNCIA ----------------------------------------------------------------------------------05FATORES DE RISCO -------------------------------------------------------------------------06DIAGNÓSTICO CLÍNICO --------------------------------------------------------------------11DIAGNÓSTICO RADIOLÓGICO ------------------------------------------------------------14DIAGNÓSTICO POR MEDIDAS DE MASSA ÓSSEA--------------------------------------15PREVENÇÃO E TRATAMENTO ------------------------------------------------------------17IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA --------------------------------------------------21CONSIDERAÇÕES FINAIS ------------------------------------------------------------------26REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ---------------------------------------------------------28
  6. 6. RESUMOA osteoporose é considerada atualmente um sério problema de saúde pública do mundo. Esteestudo é uma revisão atualizada a respeito desta patologia, que possui alta taxa de morbi-mortalidade relacionada a fraturas e que acomete particularmente mulheres idosas. Revisa-seseu conceito, incidência, fatores de risco, diagnóstico e tratamento, enfatizando a importânciada atividade física em sua prevenção. Com o crescente envelhecimento populacional, é devital importância que todos os profissionais de saúde, especialmente os fisioterapeutas,estejam preparados cientificamente, não somente para minimizar os efeitos deletérioscausados pela osteoporose, mas principalmente tentar preveni-la.Palavras-chave: Osteoporose; envelhecimento; atividade física; prevenção.
  7. 7. INTRODUÇÃOA osteoporose é considerada atualmente um sério problema de saúde pública domundo. É uma doença que se caracteriza por alterações esqueléticas que comprometem aresistência óssea, predispondo o indivíduo a fraturas. Este estudo é uma revisão atualizada arespeito desta patologia, que possui alta taxa de morbi-mortalidade e que acometeparticularmente mulheres idosas.
  8. 8. DEFINIÇÃOA osteoporose tem sido recentemente reconhecida como um dos maiores problemasde saúde pública do mundo1, devido à alta taxa de morbi-mortalidade relacionadas comfraturas, particularmente entre mulheres idosas.2A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica caracterizada por diminuição damassa óssea e deteriorização microarquitetural do tecido ósseo, com conseqüente aumento dafragilidade óssea e susceptibilidade à fratura.3-6A perda de massa óssea é uma conseqüência inevitável do processo deenvelhecimento.7Entretanto, no indivíduo com osteoporose a perda é tão importante que amassa óssea cai abaixo do limiar para fraturas, principalmente em determinados locais, comoquadril, vértebras e antebraço.4, 8, 9Uma significativa redução de massa óssea pode ocorrerespecialmente em mulheres após a menopausa.8, 10
  9. 9. ESTRUTURA ÓSSEAOs ossos do esqueleto são constituídos por camada externa densa, denominadacortical, que envolve estrutura interna trabeculada, com maior área, denominada ossotrabecular ou esponjoso. O osso é formado predominantemente pelo colágeno do tipo I, ondese depositam cálcio e fósforo na forma de cristais de hidroxiapatita. A resistência ósseadepende da deposição mineral.11As unidades de remodelação são independentes e individuais, compondo-se cadauma de osteoblastos e osteoclastos, para formação e reabsorção, respectivamente.12Os osteoclastos são células sinciciais gigantes, que estão presentes principalmentenas partes mais altas das lacunas de reabsorção dos ossos trabeculares.12Os osteoblastos sãoas células responsáveis pela formação da matriz que será posteriormente mineralizada. Entreas substâncias que produz, podemos citar a fosfatase alcalina, a proteína GLA, grandesquantidades de colágeno do tipo I e uma variedade de outras proteínas da matriz.12Mudança contínua acontece em todo osso ao longo de vida. Estas mudançasacontecem em ciclos e são atribuíveis à atividade de grupos de osteoclastos e osteoblastos.Osteoclastos aparecem na superfície do osso e são responsáveis pela reabsorção, que é oprocesso por meio de onde cristais de fosfato de cálcio são removidos do osso e sãoabsorvidos pelo sangue. Depois que a fase de reabsorção é completada, os osteoblastosaparecem e são responsáveis por formação de osso novo.4, 10, 13O pico de massa óssea é atingido por volta dos 35 anos de idade em homens emulheres. Após essa idade, as mulheres perdem aproximadamente 1% de massa óssea por ano
  10. 10. 04e podem perder até 6% por ano durante os primeiros 5 anos após a menopausa. Os homensapenas começam a perder massa óssea, cerca de 0,3% por ano, por volta dos 50 anos.12, 14Vale lembrar que nos indivíduos após os 35 anos de idade, principalmente no sexofeminino, a formação óssea não consegue repor de forma completa a massa óssea perdidadurante a atividade osteoclástica.10Há redução da massa esquelética e os ossos tornam-seprogressivamente porosos. Esta redução de massa óssea ao longo do tempo é conhecida comoperda óssea involutiva.15A osteoporose ocorre quando os osteoclastos criam uma cavidade excessivamenteprofunda que não consegue ser suficientemente preenchida pelos osteoblastos ou quando estesnão conseguem preencher uma cavidade de reabsorção normal.7Nas mulheres após a menopausa, além dos índices de reabsorção e remodelaçãoestarem diminuídos, há um grande desequilíbrio entre estes dois processos. Os osteoblastos,apesar de ativos, não são capazes de reconstruir completamente as cavidades ósseasreabsorvidas pelos osteoclastos e a partir daí inicia-se uma perda excessiva de massa óssea.16
  11. 11. INCIDÊNCIAA osteoporose é uma doença de importância crescente tendo-se em vista o aumentoda expectativa de vida populacional, que no Brasil é de aproximadamente 72 anos para asmulheres.17Estima-se que uma em cada duas mulheres e um em cada cinco homens acima de 65anos de idade apresentarão pelo menos uma fratura relacionada à osteoporose em algummomento da vida.18A osteoporose atualmente afeta mais de 75 milhões de pessoas na Europa, Japão e osEstados Unidos, com um risco estimado de fraturas ao redor 15%.19Dados norte-americanosmostram que as fraturas devido à osteoporose são mais graves, letais em 12 a 20% dos casos eacarretam despesas médicas ao redor de dez bilhões de dólares.20Sabe-se que a incidência deosteoporose entre mulheres chilenas acima de 50 anos de idade é de 22%.21No Brasil, há escassez de dados referentes à população acometida pela osteoporose.18Estima-se que aproximadamente 10 milhões de brasileiros sofram com osteoporose no país22,sendo que 2,4 milhões sofrem fraturas anualmente e destes, cerca de 200 mil morrerão emdecorrência direta de suas fraturas.23Calcula-se que a osteoporose afete cerca de 35% dasmulheres acima de 45 anos de idade em nosso país.2
  12. 12. FATORES DE RISCOMuitos fatores contribuem para o desenvolvimento da osteoporose. A idade, o sexo ea raça estão entre os principais determinantes da massa óssea e do risco de fraturas.Quanto maior a sobrevida do indivíduo, maior é o risco de desenvolverosteoporose.11A osteoporose acomete preferencialmente indivíduos idosos, maisfreqüentemente mulheres acima de 45 anos de idade, embora o sexo masculino também possaser acometido.24, 25Mulheres são mais suscetíveis à osteoporose do que homens, pois além deapresentarem perda óssea importante durante a menopausa, possuírem menor densidademineral óssea 26e terem ossos mais finos e mais leves, têm maior expectativa de vida,portanto estão mais tempo sob risco.11Vale ressaltar que as fraturas vertebrais são sete vezesmais comuns em mulheres que em homens, tendendo a ocorrer duas décadas após amenopausa.20Fatores genéticos também são responsáveis pelas variações na massa óssea emdiferentes grupos éticos e raciais. Indivíduos da raça negra possuem maior pico de massaóssea e, portanto, são menos predispostos a sofrerem de osteoporose que brancos e asiáticos.27As mulheres brancas possuem baixos índices de pico de massa óssea na idade adulta eapresenta maior prevalência de osteoporose. Estima-se que 30% de todas as mulheres brancaspós-menopausadas terão pelo menos uma fratura osteoporótica durante a vida, incidência queaumenta com a idade avançada. A incidência de fraturas de fêmur em mulheres brancas éduas vezes maior do que em mulheres negras.11
  13. 13. 07Suscetibilidade à osteoporose é, em parte, devida à hereditariedade. Mulheres jovens,filhas de pais ou mães com fratura vertebral associada à osteoporose possuem menor massaóssea.11Também se relata que homens e mulheres de pequena estatura apresentam maior riscoao desenvolvimento de osteoporose por possuírem ossos mais finos.11Deficiência estrogênicaA menopausa, que se inicia entre 45 e 55 anos de idade, é evento singular que ocorredevido à deficiência estrogênica, trazendo uma série de transformações ao organismofeminino. As mulheres passam a enfrentar perdas ósseas, sintomas vasomotores, alteraçõescardiovasculares, distúrbios sexuais e psicológicos, alterações urinárias, genitais edermatológicas.11, 28Nesta fase da vida, a perda de massa óssea nas mulheres é relacionada aodeclínio agudo da produção ovariana de estrógeno, hormônio que tem ação protetora sobre oosso. 11No início da deficiência ovariana, uma mulher perde 3 a 5% de massa óssea por ano.29A deficiência de estrógeno tem sido apontada como uma causa primária de perdaóssea após a menopausa e conseqüentemente, um dos principais fatores de risco para odesenvolvimento de osteoporose em mulheres.30, 31O estrógeno tem um efeito protetor noosso por suprimir sua reabsorção, prevenindo a perda óssea e reduzindo o risco de fraturas.8,31, 32Este efeito ocorre por várias razões. Primeiro, o estrógeno melhora a absorção de cálciono trato intestinal e diminui a perda de cálcio pela urina.33Segundo, com níveis aumentadosde estrógeno, a forma ativa de vitamina D na circulação é elevada. Terceiro, o estrógenoestimula a produção de calcitonina, que previne a remoção de cálcio do osso.34O ossotrabecular tende a ser mais sensível do que osso cortical a variações nos níveis de estrógeno.35A redução dos níveis de estrogênio tem sido relacionada à alta incidência de fraturasvertebrais. Vale lembrar que as vértebras são constituídas primariamente de osso trabecular.35Quanto aos aspectos reprodutivos, vários estudos demonstram uma associação entrea ocorrência da menarca (primeira menstruação) e da menopausa (última menstruação) com aformação e densidade de massa óssea.36Foram identificados como fatores de risco paraosteoporose a menarca tardia e a menopausa precoce, que traduzem menor tempo deexposição do organismo feminino aos estrógenos endógenos, protetores importantes doosso.11, 36-38
  14. 14. 08CálcioNíveis adequados de cálcio podem retardar o desenvolvimento de osteoporose porduas razões.39Primeiro, o cálcio suprime a reabsorção óssea.40Segundo, a calcificação oumineralização óssea fortalece o osso.4, 8Aproximadamente 99% do cálcio do corpo está contido no esqueleto ósseo.41Umapequena quantidade de cálcio é requerida para contração muscular, transmissão do impulsonervoso e outras funções reguladoras do organismo, e quando necessário, o osso é reabsorvidopara produzir cálcio para estas funções.8, 41O cálcio que é perdido diariamente através daurina, suor e fezes também deve ser reposto pelo cálcio do esqueleto.Para prevenir a redução da massa óssea, deve-se manter o equilíbrio entre a ingestãoe absorção de cálcio e suas perdas. A absorção de cálcio diminui com o aumento da idade e émenor nas mulheres portadoras de osteoporose.4, 42Além disso, a maioria das mulheres temuma ingesta média de cálcio de 475 a 575 mg/dia 4, 40, 34, apesar de atualmente a quantidaderecomendada ser de no mínimo 1.000 mg/dia.43Heaney e colaboradores recomendam quemulheres após a menopausa aumentem sua ingesta de cálcio para 1.500 mg/dia para manterseu equilíbrio.33O aumento da reabsorção óssea que ocorre com a redução dos níveis decálcio afeta tanto os ossos trabecular quanto cortical.35A incidência de fraturas no quadril, pelve, úmero e tíbia aumentam lentamente com oavançar da idade até no último ciclo de vida, quando este aumento se torna exponencial.35Vitamina DA vitamina D é um hormônio que facilita a absorção intestinal de cálcio e suaincorporação no osso. Sua suplementação está indicada sempre que a absorção intestinalestiver diminuída, fenômeno que geralmente ocorre na osteoporose.11, 20Homens e mulheres na pré-menopausa devem receber suplementação de 200 a 400UI/dia de vitamina D, quando a exposição solar for menor que 15 minutos diários. Mulheresapós a menopausa sem terapia de reposição hormonal devem receber 800 a 1.000 UI/dia.11Fatores Nutricionais
  15. 15. 09Alguns estudos demonstram que ingestão elevada de proteínas na dieta causa perdade cálcio em excesso na urina, o que aumenta as necessidades de cálcio pelo organismo.11, 44-49Recomenda-se atualmente a ingestão diária de 44g de proteínas para as mulheres e 56g paraos homens.11A ingestão excessiva de fibras e de sódio pode diminuir a absorção intestinal eaumentar a excreção renal de cálcio.11As fibras presentes nos vegetais e cereais não afetam aabsorção de cálcio. As únicas exceções são a aveia e o espinafre, ricos em ácido oxálico, quebloqueiam a absorção de cálcio.11Peso corporalIndivíduos obesos, com maior índice de massa corporal (IMC), apresentam maiordensidade mineral óssea e, portanto, maior proteção contra osteoporose. Nas mulheres obesaspós-menopausadas, a massa óssea é mantida principalmente pela produção estrogênicaproveniente do tecido gorduroso.20Assim, o peso corporal interage com os hormôniosgonadais na manutenção da massa óssea, protegendo o esqueleto contra os efeitos adversos dadeficiência estrogênica.50Hábitos de vidaO consumo regular de álcool, como por exemplo, mais de dois drinques diários, podeser prejudicial para o tecido ósseo para ambos os sexos.11Mulheres fumantes apresentam níveis reduzidos de estrogênio e iniciam amenopausa mais precocemente do que mulheres não-fumantes.11As chances de desenvolver osteoporose aumentam também com ingestão de duas oumais xícaras de café/dia, quando combinada com uma baixa ingestão de cálcio. A alta ingestade cafeína de qualquer fonte (café, chá, refrigerantes e outras bebidas), acelera a perda decálcio na urina, aumentando o risco de fratura óssea.51Inatividade física
  16. 16. 10A atrofia óssea com perda acentuada de cálcio tem sido relatada após períodos deinatividade física, tanto por imobilização quanto por permanência prolongada no leito.52, 53Alguns autores estudaram os efeitos da permanência prolongada no leito por 5 a 36 semanasem uma centena de indivíduos jovens e saudáveis. Através deste estudo, várias tentativasterapêuticas, incluindo o uso suplementar de cálcio e vitamina D, exercícios, compressão deesqueleto e aumento da pressão hidrostática em membros inferiores, foram feitos paraprevenir a perda mineral óssea. O programa de exercício envolveu um treinamento diário de80 minutos utilizando levantamento de peso com um sistema de roldanas que oferecia 400gde resistência. Apesar destas intervenções terapêuticas, o cálcio urinário aumentourapidamente e houve uma perda mineral calcânea de 5% por mês. Os autores concluem queembora tenha ocorrido perda óssea mesmo com o condicionamento físico, a ausênciacompleta de exercícios acarreta redução maior e mais importante de cálcio e osso. Os autoressugerem que os exercícios de força compressiva e de impacto aplicados no referido estudopodem não ter simulado adequadamente uma deambulação, tanto em relação à qualidadequanto à quantidade.53É importante destacar que a atividade física promove ganho de massa muscular,aumento da massa óssea ou redução de sua perda, maior tolerância ao esforço e melhorequilíbrio, o que diminui o risco de quedas e fraturas, eventos freqüentes entre portadores deosteoporose.54Dessa forma, realização de exercícios físicos específicos regulares possibilita amanutenção da independência física para realização das atividades da vida diária e melhorqualidade de vida.55
  17. 17. DIAGNÓSTICO CLÍNICONo Brasil, somente uma pessoa em três com osteoporose é diagnosticada, e destas,somente uma em cinco recebe algum tipo de tratamento.56Todos os pacientes que apresentam osteoporose devem ser submetidos à avaliaçãoclínica global. Uma história cuidadosa e um exame físico completo são essenciais. Osobjetivos desta avaliação são: excluir as causas de osteoporose secundária, medir a extensãoda perda óssea e fraturas e estabelecer um parâmetro objetivo das condições básicas dopaciente, diante das quais a eficácia do tratamento possa ser avaliada.20A osteoporose inicialmente é assintomática, sendo conhecida como “doençasilenciosa”, pois as primeiras manifestações clínicas surgem quando já ocorreu perda de 30 a40% de massa óssea.51, 57-59Os primeiros sintomas aparecem quando ocorrem fraturas periféricas ou axiais apósmínimos traumas.59As fraturas ocorrem principalmente nas vértebras, punho e colo dofêmur.32Clinicamente, as fraturas vertebrais se manifestam agudamente com dor nas costasapós movimento rápido de flexão, extensão ou mesmo após tossir ou espirrar. No entanto, amaior parte das fraturas é assintomática e somente se manifestam com a progressão da cifoseou são descobertas ao acaso, em radiografias de rotina, geralmente, da região do tórax. Amaior parte das fraturas vertebrais ocorre na região torácica baixa ou lombar alta. A dor podeser leve ou intensa, restrita ao sítio de fratura ou irradiada para região anterior do abdome.59, 60
  18. 18. 12Após diversos episódios de dor intermitente aguda pode aparecer dor mecânicacrônica, resultante da deformidade vertebral. A dor crônica na coluna ocorre devido àcompressão e inflamação das raízes nervosas, que emergem das vértebras, assim como dostecidos adjacentes.59Nos casos em que a fratura vertebral é indolor, ela pode ser diagnosticada,clinicamente através da perda da altura, que pode ser uma medida objetiva de fratura nestespacientes. Cada fratura compressiva provoca a perda de um centímetro de altura e em casosgraves, com múltiplas fraturas, pode haver diminuição de 10 a 20 cm de altura.59As fraturas na coluna torácica levam a um aumento progressivo no grau de cifose. Nacoluna lombar há retificação da lordose lombar e escoliose. A perda progressiva da alturaresulta no encurtamento progressivo da musculatura paravertebral e contração ativa dosmúsculos paravertebrais, resultando em dor e fadiga muscular. A dor piora com a posição empé prolongada e melhora quando o paciente anda.59As alterações esqueléticas que acompanham a osteoporose reduzem a capacidade dascavidades torácica e abdominal, com conseqüente alteração das funções cardíacas, pulmonar,gástrica e vesical, que podem dificultar a respiração e causar hérnia de hiato e incontinênciaurinária.59As fraturas de quadril e antebraço distal (fratura de Colles) geralmente ocorrem apósqueda. Aproximadamente 30% dos indivíduos acima de 65 anos, caem uma ou mais vezes porano e, destes, 3% desenvolvem fraturas. O sítio de fratura pode influenciado pela direção daqueda. Queda para trás resultam em fraturas de quadril e, para frente, fratura de Colles.59Distúrbios na coordenação motora, alteração na marcha, diminuição da acuidadevisual, uso de sedativos e outros fármacos, associados a doenças neurológicas ereumatológicas são fatores que predispõe a maior freqüência de quedas e, conseqüentemente,a aumento no número de fraturas. Sabe-se que as fraturas do antebraço ocorrem 15 a 20 anosantes da fratura do quadril, podendo a fratura de Colles predizer o risco futuro de fratura dequadril.60A maior parte das fraturas de quadril em idosos ocorre após trauma mínimo, definidocomo queda da própria altura. Ainda não está bem estabelecida se os pacientes caem e sequebram ou se eles se quebram e depois caem.59A dor associada à fratura de quadril é variável e depende do grau do trauma, perdasanguínea e outros. Na maior parte dos pacientes, o diagnóstico é óbvio devido à dor e àincapacidade de se levantar ou fazer a rotação externa da perna.59
  19. 19. 13Constata-se que metade das fraturas de fêmur por osteoporose evolui paraincapacitação parcial ou total. Cerca de 20 a 30% dos indivíduos com fratura de colo de fêmurpor osteoporose apresentam alterações circulatórias, respiratórias e tromboembólicas,resultando em morte dentro dos dois primeiros anos após a fratura.32O tempo de consolidação da fratura por osteoporose é semelhante ao de qualquerfratura.61Os indivíduos com fratura de Colles são facilmente tratáveis, não requerendohospitalização, diferentes daqueles com fratura de quadril, que requerem tratamento cirúrgicocom internação e risco de morte no primeiro ano.59
  20. 20. DIAGNÓSTICO RADIOLÓGICOA radiografia tradicional é um método pouco sensível para diagnosticarosteoporose.62A radiografia não é eficiente para detectar a densidade óssea e sim para auxiliarno diagnóstico de desvios posturais.16O diagnóstico de osteoporose realizado pela avaliação das alterações radiográficas étardio, pois quando as manifestações radiológicas estão presentes houve perda de 30 a 50% damassa óssea.59, 62Em presença de história de fratura, após mínimo trauma, o estudo radiológico daregião acometida permite confirmar o diagnóstico da osteoporose. A única região doesqueleto que pode fornecer o diagnóstico de osteoporose mesmo na ausência de história defratura é a coluna dorsal e lombar.Os principais sinais radiológicos encontrados na coluna dorso-lombar são: reduçãodifusa da densidade óssea, acentuação das corticais ósseas dos corpos vertebrais, acentuaçãodo trabeculado ósseo vertical e alterações das formas dos ossos vertebrais-vértebrasbicôncavas, achatadas, acunhadas ou por compressão (crush vertebrae), que refletemdiferentes graus de fraturas. Podem ser únicas ou múltiplas.63Tomografia computadorizada quantitativa (TCQ) é a tomografia aplicada à medidada absorção de raios X pela utilização de um programa especial. A TCQ é utilizada para aferira densidade de ossos axiais, sendo mais comumente usada para avaliar a densidade da colunavertebral. Embora seja bastante difundida no mundo, é uma técnica demorada, de alto custo epouco sensível.64
  21. 21. DIAGNÓSTICO POR MEDIDAS DE MASSA ÓSSEAO advento das novas técnicas de quantificação da massa óssea tornou possívelidentificar pacientes com maior risco de desenvolver fraturas, bem como a monitoração damassa óssea. Os métodos mais utilizados, internacionalmente e também no Brasil, são adensitometria de dupla emissão com fonte de raios X (DEXA), que permite a avaliação diretada coluna, região proximal do fêmur e terço distal do radio, regiões mais acometidas pelaosteoporose, e a ultra-sonometria óssea (USO), que pode ser realizada no calcâneo, patela oudedos das mãos e fornece uma avaliação indireta do risco de fratura na coluna e/ou fêmur.59Densitometria óssea (DEXA)A densitometria óssea (DEXA) permite analisar os pacientes com alto risco dedoença metabólica óssea, de estimar a severidade da perda óssea, verificar o risco de fraturase de acompanhar a evolução dos tratamentos.16Ela só deve ser indicada quando seu resultadofor influenciar a decisão clínica.65De um modo geral, a DEXA não deve ser repetida mais que uma vez por ano ou acada dois anos. Repetições mais freqüentes são sugeridas em pacientes com possibilidade deapresentar perda óssea acelerada, como ocorre naqueles em uso de corticóides.65A DEXA depende da absorção da radiação pelo esqueleto, provendo medidasquantitativas da massa óssea. Sua acurácia é medida em termos do coeficiente de variação
  22. 22. 16entre o peso das cinzas ósseas e peso do conteúdo mineral ósseo registrado pelodensitômetro.66A DEXA é capaz de medir partes centrais do esqueleto (coluna e fêmur). Temacurácia diagnóstica elevada e a dose de radiação baixa, quando comparadas aos outrosmétodos.67, 68É a técnica de densitometria mais utilizada atualmente no mundo.62Ultra-sonometria óssea (USO)A avaliação óssea com ultra-som é uma técnica relativamente nova, prática, de baixocusto e desprovida de radiação ionizante.69Não mede, todavia, a densidade mineral ósseapropriamente dita.70Quanto à capacidade de prever fraturas, as tentativas de comparação dasensibilidade do ultra-som com a DEXA, para coluna e fêmur, indicam que o ultra-som émenos sensível que a DEXA.70A teoria da ultra-sonometria óssea de calcâneo se baseia na observação de que a ondasonora ao atravessar um material poroso como o tecido ósseo pode sofrer alterações em suavelocidade e amplitude, dependendo das propriedades físicas do tecido.71-75
  23. 23. PREVENÇÃO E TRATAMENTOMedidas geraisTanto para a prevenção como para o tratamento da osteoporose se recomendamdietas ricas em cálcio. Mulheres na pré-menopausa, mulheres na pós-menopausa e homensnecessitam ingerir cerca de 1000 a 1500 mg de cálcio/dia.59Um estudo recente relata que asuplementação de cálcio nas doses de 1.000 mg/dia em mulheres na pós-menopausa diminui aperda de massa óssea em até 50%.20Outro estudo descreve uma diminuição significativa daperda óssea em coluna lombar em mulheres que receberam 1.000 a 2.000mg de cálcio por diadurante um ano, quando comparadas a mulheres que receberam placebo, entretanto esse efeitobenéfico se perdeu no segundo ano da terapêutica.20Além da ingestão adequada de cálcio, recomenda-se exposição solar e ingestão dealimentos ricos em vitamina D que assegurem o mínimo recomendado de 400 a 800 UI/dia.59A vitamina D é um hormônio que facilita a absorção intestinal de cálcio e está indicadasempre que essa absorção estiver diminuída. As principais vitaminas D são a vitamina D2 oucalciferol e a vitamina D3 ou colecalciferol, ambas obtidas por fotossíntese cutânea sob osraios ultravioletas.20MedicamentosOs medicamentos atualmente aprovados para a prevenção da osteoporose são osestrogênios, raloxifeno, alendronato e risedronato. Atualmente, são utilizados para tratamentoda osteoporose os estrogênios, calcitonina, alendronato, risedronato e teriparatida.76
  24. 24. 18Estrogênios: Os estrogênios diminuem a reabsorção óssea, previnem a perda de ossotrabecular e cortical, reduz em 50% o risco de fratura em qualquer sítio esquelético eaumentam a densidade óssea da coluna (5 a 6%) e fêmur (2 a 3%). Os maiores efeitosocorrem em mulheres com perda óssea recente ou acelerada. Esta terapia de reposiçãohormonal (TRH) pode ser utilizada em qualquer momento após a menopausa, porém é maiseficaz quando ministrada a mulheres mais jovens nos primeiros anos após a menopausaquando ainda não ocorreu grande perda da densidade óssea.59Embora existam evidências deque os estrogênios em doses adequadas sejam eficazes no tratamento da osteoporose,principalmente prevenindo a perda de massa óssea em mulheres na pós-menopausa77-79eeficientes também na redução de fraturas vertebrais e de quadril, no momento, seus riscos têmsido mais valorizados do que seus benefícios.59Tem sido estabelecida uma relação entre TRHe maior risco de ocorrência de câncer de pulmão e problemas cardíacos. Assim, atualmente,recomenda-se doses baixas de TRH para reduzir sintomas próprios da menopausa e prevenir aperda de massa óssea.79Nos Estados Unidos, cerca de 30 a 50% das prescrições feitas deterapia de reposição hormonal nunca foram seguidas. Apenas 20% das mulheres que recebemreposição hormonal continuam seguindo essa prescrição por mais de dois anos.59Calcitonina: A calcitonina altera a motilidade citoplasmática dos osteoclastos inibindo suaatividade de reabsorção óssea. A calcitonina utilizada atualmente na prática clínica é umhormônio sintético proveniente do salmão, considerado 50-100 vezes mais potente que acalcitonina humana.20A calcitonina spray nasal é uma alternativa segura para o tratamento daosteoporose, embora sua eficácia em reduzir fraturas ainda não esteja comprovada. Deve serutilizada em homens ou mulheres após a menopausa com osteoporose de coluna, associada ounão a fratura aguda vertebral. Vale destacar que também atua como importante analgésico.Estudos recentes sugerem que doses de 200 UI/dia de calcitonina reduz o risco de novasfraturas vertebrais em 30%, sem, no entanto, qualquer efeito sobre as fraturas não vertebrais.59Raloxifeno: O raloxifeno reduz a reabsorção óssea, previne a perda óssea na coluna e fêmur,aumenta a densidade óssea da coluna (1,5%) e do fêmur (1,5%) e reduz em 50% o risco defratura na coluna.59, 80, 81O aumento da densidade óssea, observado em pacientes tratados comraloxifeno é menor que o de pacientes tratados com terapia de reposição hormonal. Suautilização foi aprovada apenas para a prevenção da osteoporose e não para o tratamento daosteoporose estabelecida. A dose recomendada é de 60 mg/dia.59
  25. 25. 19Alendronato: Foi o primeiro bisfosfonato largamente utilizado que apresentou dadosconvincentes sobre sua eficácia na redução de fraturas de pacientes com osteoporose. Oalendronato diminui o número e a atividade dos osteoclastos, inibindo a reabsorção óssea. Eleaumenta a densidade óssea da coluna (3 a 5%) e do fêmur (2 a 3%) e reduz a perda óssea doantebraço em 50%. Cerca de 86% dos pacientes apresentam algum aumento de densidadeóssea.59O alendronato reduz significativamente a incidência de todas as fraturas clínicas empacientes com história de fraturas vertebrais.82Recente estudo demonstra que o tratamentocom alendronato por três anos consecutivos aumenta a densidade mineral óssea vertebral ereduz o risco de fraturas vertebrais em mulheres orientais na pós-menopausa comosteoporose.83A dose recomendada é 10 mg/dia ou 70 mg/semana.82Risedronato: Este novo bisfosfonato também revela ser eficaz na redução de fraturas depacientes osteoporóticos.59Recentes estudos observam que o risedronato reduz o risco denovas fraturas vertebrais em 49% em comparação com o grupo-controle após três anos detratamento, com redução de 61% no primeiro ano de terapêutica. O risco de fraturas nãovertebrais foi reduzido em 33% após três anos de tratamento. A dose recomendada é de 5mg/dia ou 35 mg/semana.84, 85O risedronato tem ação mais rápida e é mais bem tolerado queo alendronato. Ambos são contra-indicados em pacientes com doença gastrintestinal ativa oucom alterações estruturais do esôfago.59Bifosfonatos mais potentes vêm sendo investigados.Entre estes, destacam-se o zolendronato, ibandronato e o ranelato de estrôncio. 59PTH: A teriparatida, que é a fração amino-terminal do hormônio da paratireóide (PTH), é ummedicamento que se propõe a reverter alterações esqueléticas que ocorrem na osteoporose.Estimula diretamente a formação óssea, ativando osteoblastos da superfície óssea e prolonga avida média dos osteoblastos ativos, inibindo a morte dos mesmos. Sua ação se dá tanto noosso cortical quanto no trabecular.59Estudo multicêntrico que incluiu 1.637 mulheres na pós-menopausa portadoras de fraturas vertebrais prévias, seguidas por um período de 21 meses,demonstrou ganho de massa óssea em 10% dos casos e redução de 65% de fraturas vertebraise 53% de fraturas extravertebrais.86As maiores evidências sobre a eficácia da teriparatidaforam obtidas em mulheres após a menopausa com osteoporose, que apresentaram, após doisanos de tratamento, redução significativa de fraturas vertebrais e não vertebrais, bem comoaumento da densidade óssea nos principais locais de fratura. O maior fator limitante para suautilização é o fato de ser injetável, o que impede seu uso por longos períodos, sendo
  26. 26. 20recomendado por dois anos. O desenvolvimento de outras vias de administração tem sidocogitado por alguns pesquisadores.59, 87A dose recomendada é de 20 mg/dia SC.
  27. 27. IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICAA atividade física traz um adequado desempenho dos sistemas cardíaco, respiratório,muscular e ósseo, contribuindo assim, para melhor qualidade de vida para o indivíduo.88Os exercícios físicos regulares tendem a reduzir os níveis de LDL-colesterol etriglicérides, bem como elevar os níveis de HDL-colesterol, evitando o aparecimento daaterosclerose.28, 89Também tem sido demonstrada diminuição dos níveis de pressão arterialcomo efeito dos exercícios realizados de modo regular, livre de qualquer medida terapêutica.Outros benefícios da atividade física são retardar a progressão da intolerância à glicose,aumentar os receptores de insulina e manter peso corporal, auxiliando no controle daobesidade e dos níveis glicêmicos em diabéticos.28O exercício aeróbio, especificamente, permite o ajuste cardiovascular ao esforço,promove aumento da oferta de oxigênio ao miocárdio, diminui a pressão arterial e afreqüência cardíaca ao repouso, melhora o retorno venoso e aumenta o volume sistólico. Valeressaltar que este tipo de exercício deve ser rítmico, repetitivo, dinâmico e englobar grandesgrupos musculares. Deve-se dar preferência a exercícios de baixo impacto como ciclismo, ahidroginástica, a natação e a caminhada.28Bravo e colaboradores estudaram um grupo de 124 mulheres na pós-menopausa,submetidas a programa regular de atividade física incluindo dança aeróbia e flexibilidade.Após 12 meses, a comparação destas mulheres com um grupo semelhante de mulheressedentárias, mostrou a diminuição significativa de queixas entre as que se exercitavamassociada ao aumento da satisfação com a própria saúde e do bem estar.28
  28. 28. 22Um programa de atividade física constituído por caminhada, atividade aeróbica debaixo impacto e alongamento, três vezes por semana, por um ano, teve como resultados umaumento da força muscular do quadríceps, melhor flexibilidade e postura, manutenção doequilíbrio e melhora de qualidade de vida num grupo de mulheres pós-menopausadas,incluindo osteoporóticas.1Apesar da existência de intervenções médicas para osteoporose, atividade física éaltamente recomendada como o primeiro passo em sua prevenção. O valor preventivo deexercício físico não é o único fator em potencial para reduzir a perda óssea e melhorar a forçamuscular, mas também é benéfico em prevenir quedas e reduzir fraturas ósseas.28Não estão totalmente esclarecidos os mecanismos pelos quais o esqueleto responde àatividade física e nem o mínimo necessário de exercício para a formação óssea. Entretanto,sabe-se que há aumento de resistência óssea em resposta à aplicação de cargas mecânicas,assim como a diminuição da densidade óssea mineral na ausência das mesmas.28Ossos e músculos respondem bem ao estresse físico, tornando-se maiores e maisfortes. Exercícios físicos provocam tensão física no corpo, ajuda a estimular o crescimentoósseo, preservar a massa óssea e, conseqüentemente, auxilia na prevenção e tratamento daosteoporose.90, 91Realizou-se, com dezoito estudos prospectivos, randomizados e controlados, umameta-análise que teve por objetivo avaliar os efeitos da atividade física na massa óssea demulheres saudáveis pós-menopausa. Foram incluídos estudos com atividades tipo andar,correr, bem como condicionamento físico e aeróbico. Seus resultados sugerem que programasde exercícios na população de mulheres acima de 50 anos de idade são efetivos para prevenirperda de DMO em nível de L2-L4. Entretanto, tais programas não têm nenhum efeito sobremassa óssea do fêmur ou antebraço.92Seguindo mesmo propósito e linha de pesquisa, outrameta-análise sugere que a atividade física pode retardar a perda de massa óssea em mulherespós-menopausa, evitando assim, a instalação da osteoporose.93Embora os exercícios aeróbicos sejam importantes para manter corpo, mente e ossossaudáveis, os exercícios resistidos parecem exercer um importante efeito na densidade óssea.Os exercícios que utilizam resistência podem ajudar a alcançar o maior pico de massa ósseapossível nas mulheres pré-menopausa com o intuito de manter a densidade óssea na pós-menopausa.94
  29. 29. 23Inúmeros estudos têm focalizado na associação entre massa óssea e exercício deresistência. Várias pesquisas indicam que a prática de exercícios de resistência está associadapositivamente com o aumento da densidade óssea.94Na população idosa, os exercícios de resistência podem trazer efeitos benéficos,como melhora da capacidade de subir escadas, carregar pesos ou levantar-se de poltronas.Além disso, esse tipo de exercício pode provocar um significativo impacto na manutenção dasaúde óssea. Recentes pesquisas demonstram que exercícios resistidos melhoram a forçamuscular e o equilíbrio, além de reduzir as quedas e os fatores de risco associados àosteoporose em indivíduos idosos de ambos os sexos.94-99Alguns autores postulam que os efeitos dos exercícios com resistência no osso sãolocais-específicos.100-102Tais exercícios aumentam a massa óssea primariamente no local ondea força é aplicada. O local onde é aplicado maior peso tem como resposta uma maiorresistência, efeito que influencia diretamente na formação e remodelação óssea.94Altadensidade óssea tem sido notada em braços dominantes de jogadores de tênis e em pernasdominantes de jogadores de futebol.103, 104Karlsson e colaboradores mostram que a densidademineral óssea (DMO) da coluna, quadril, tíbia e antebraço de levantadores de peso do sexomasculino é maior do que indivíduos que não praticam este tipo de exercício.101Já Hamdy ecolaboradores comparam a quantidade de massa óssea contida no osso do braço de algunsatletas. Os resultados deste estudo demonstram que a DMO desta localidade é maior entrelevantadores de peso do que entre corredores.100Aumento da massa óssea vertebral tem sido notado em mulheres pós-menopausa,como resultado de um programa de exercícios. Após oito meses de exercícios com ou semaplicação de resistência, durante uma hora, três vezes por semana, as mulheres, com média deidade de 50 a 73 anos, apresentaram um aumento de 3,5% na DMO lombar.105Um estudo recente demonstra que mulheres em pós-menopausa submetidas aprograma de exercícios de resistência de alta intensidade ganham, em média, 1% de DMO nofêmur e coluna lombar, comparado com grupo-controle que perde 2,5% e 1,8% de DMOnestes locais, respectivamente. Além disso, mulheres que realizam exercícios resistidos têmaumento de 35-76% na força muscular, melhora do equilíbrio em 14% e ganho de 1-2kg demassa muscular.99Entretanto, tem sido também reportado que exercícios de resistência não tem nenhumefeito ou até impacto negativo na massa óssea em mulheres pós-menopausa.106, 107Um estudocom mulheres jovens demonstra que o treinamento com exercícios de resistência não teve
  30. 30. 24significativo impacto na DMO, exceto patela. Entretanto, houve uma tendência para aumentoda DMO em membros inferiores.107Snow e colaboradores obteram aumento significativo na DMO lombar de jovensmulheres que se submeteram tanto a programa de treinamento aeróbico quanto a treinamentode resistência, quando comparados ao grupo-controle. Porém, este aumento não teve diferençasignificativa entre os dois programas de treinamento. Vale ressaltar que as mulheres querealizaram treinamento de resistência exibiram significativo aumento da força muscularquando comparado com o grupo que realizou exercícios aeróbicos.108Pesquisas comparando grupos de mulheres que realizam programa de exercíciosaeróbicos isolados ou combinados com exercícios de resistência para fortalecer massamuscular relatam que a DMO é maior entre as mulheres que utilizam ambos os programas.109A falta de protocolos bem definidos, determinando tipo, freqüência, intensidade eduração de exercícios específicos dificultam a escolha do programa de condicionamento físicopara prevenção e tratamento das pacientes com osteoporose.55Os fisioterapeutas têm papelmuito importante neste processo.88Além de serem responsáveis pela educação de seu pacienteem corrigir sua postura, evitar quedas e excesso de atividades físicas, que possampotencialmente resultar em fraturas ósseas indesejáveis, também são responsáveis pelaprescrição de um programa de condicionamento físico específico para cada indivíduo.Para mulheres incapacitadas pela osteoporose, instituir programas de exercíciosfísicos não é uma tarefa muito fácil. O primeiro passo para que um paciente entre emprograma de condicionamento físico é a realização de um teste de esforço para avaliar atolerância ao exercício físico e detectar alterações cardiovasculares.28Pacientes com fraturas compressivas recentes de vértebras freqüentementeapresentam dor severa por espasmos da musculatura paravertebral. Nesta fase aguda, o maisindicado é o repouso. Assim que as condições do indivíduo permitirem, exercíciosabdominais isométricos e de extensão devem ser instruídos. Os exercícios de flexão devemser evitados porque aumentam a força de compressão vertical das vértebras, podendo resultarem fraturas ou agravamento de microfraturas pré-existentes.5, 10, 110-112Como sugere a literatura, exercícios que utilizam levantamento de peso podem serbenéficos em manter ou, possivelmente, aumentar a massa óssea. Vale ressaltar a importânciada regularidade e aplicação dos exercícios em todos os segmentos do esqueleto. Recomenda-se uma freqüência de três vezes por semana, durante 30 a 45 minutos. Com a melhora da forçae tolerância, o tempo de atividade deve ser aumentado gradativamente.28
  31. 31. 25Infelizmente, na atualidade, permanece sem resposta questões como: qual o tipo deatividade física mais adequado para reduzir a perda ou mesmo aumentar a massa óssea,principalmente em mulheres após a menopausa com osteoporose? Qual a melhor freqüência?Duração? Intensidade? Será que a massa óssea continua a aumentar se o exercício permanecercom a mesma frequência e intensidade e acrescer sua duração? Ou se alcança um platô limite?Estudos futuros são urgentemente necessários para responder estas e outras importantesquestões sobre esta relevante doença.Vale lembrar que como não existe, até o momento, um programa de atividade físicaelaborado para prevenção e/ou tratamento da osteoporose que pode ser aplicadoaleatoriamente a todos as pessoas, certamente a melhor conduta é a avaliação e prescriçãoindividualizada.
  32. 32. CONSIDERAÇÕES FINAISAtualmente, pode-se observar o surgimento de uma situação relativamente nova: oenvelhecimento populacional, que significa aumento da proporção de idosos. Estima-se quecerca de um milhão de pessoas cruzam a barreira dos 60 anos de idade, a cada mês, em todo omundo. A percentagem de idosos no Brasil representará em 2030, segundo estimativas, 15%da população geral.Portanto, com o aumento da expectativa de vida e conseqüentemente aumento dapopulação com risco de desenvolver doenças relacionadas ao envelhecimento, incluindoosteoporose, torna-se necessário o desenvolvimento e a prática de medidas preventivas,terapêuticas e de reabilitação. Tais medidas têm por objetivo evitar ou minimizar asconseqüências decorrentes da osteoporose, como dores articulares, contraturas musculares,alterações posturais, deformidades ósseas e fraturas ósseas freqüentes.Assim, diante desta nova realidade, é de vital importância que os profissionais dasaúde estejam preparados para a prevenção da osteoporose, já que é considerada a medidamais eficaz para evitar o surgimento desta doença.As melhores estratégias para prevenção da osteoporose devem ser instituídas a partirdos 35 anos, idade em que se inicia a perda de massa óssea. Estas medidas incluemmodificações no estilo de vida e na alimentação, uso de medicamentos que evitem a reduçãoda massa óssea e a prática regular de atividade física.
  33. 33. 27Portanto, a atividade física sendo considerada uma das estratégias mais eficientespara prevenir a osteoporose, o papel do fisioterapeuta se torna de capital importância paraprescrever, orientar e acompanhar um programa adequado para cada indivíduo. Vale destacarque a prática regular de atividade física também proporciona melhora da auto-estima, maiorintegração social e cultural gerando, conseqüentemente, melhor qualidade de vida ao sujeito.
  34. 34. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS1. Mitchell SL, Grant S, Aitchison T. Physiological effects of exercise on post-menopausalosteoporotic women. Physiotherapy 1998; 84(4): 157-63.2. Marques Neto JF, Lederman R. Osteoporose Brasil 2000.Ed. Limay.1995.P.137 apudCosta-Paiva L, Filardi S, Pinto-Neto AM, Samara A, Marques-Neto JF. Impact todegenerative radiographic abnormalities and vertebral fractures on spinal bone density ofwomen with osteoporosis. São Paulo Med J 2002; 120(1).3. Consensus Development Conference: Diagnosis, prophylaxis and treatment ofosteoporosis. Am J Med 1993 apud Rennó ACM, Driusso P, Ferreira V. 2001.4. Chesnut CH. Treatment of postmenopausal osteoporosis. Compr Ther 1984; 10: 14-7 apudAisenbrey JA. 1987.5. Sinaki M. Postmenopausal spinal osteoporosis: Physical therapy and rehabilitationprinciples. Mayo Clin Proc 1982; 57:699-703 apud Aisenbrey JA. 1987.6. Navas LR, Lyles KW. Osteoporose. In: Duthie, Katz. Geriatria Prática. 3ª ed. Rio deJaneiro: Revinter; 2002. P. 211- 20.
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