Osteoporose nas unidades básicas de saúde

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Osteoporose nas unidades básicas de saúde

  1. 1. Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.7, n.1, p.1-9, dez.2005 1 www.ccs.uel.br/espacoparasaude OSTEOPOROSE NAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE: CONHECIMENTO E PRÁTICAS PREVENTIVAS NA VISÃO DAS COORDENADORAS NO MUNICÍPIO DE CIANORTE, PARANÁ OSTEOPOROSIS ON THE HEALTH BASIC UNITS: KNOWLEDGE AND PREVENTIVE PRACTICES IN THE VIEW OF THE COORDINATORS IN CIANORTE CITY, STATE OF PARANÁ, BRAZIL. Luci Akemi Hashimoto 1 e Elisabete de Fátima Polo de Almeida Nunes 2 1 Farmacêutica-Bioquímica, Secretaria de Estado da Saúde do Paraná/Instituto de Saúde do Paraná, Vigilância Sanitária da 13ª Regional de Saúde. Especialista em Saúde Coletiva. Especialista em Saneamento e Vigilância Sanitária. Especialista em Gestão de Qualidade de Alimentos. Avenida Pará, 257. Cianorte – Paraná. Telefone: 0XX44-3631-2267. E-mail: luci@irapida.com.br. 2 Enfermeira, Docente do Departamento de Saúde Coletiva, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina. Doutora em Saúde Coletiva. Resumo Considerando o aumento da expectativa de vida, a osteoporose tornou-se um grande desafio para a saúde pública, portanto torna-se necessário analisar o conhecimento e as práticas preventivas referentes a osteoporose desenvolvidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) no município de Cianorte - Paraná. Foram aplicados questionários às responsáveis de todas as UBS de Cianorte, totalizando dez entrevistas. Constatou-se que três responsáveis, desconheciam ou citaram que não há casos de osteoporose diagnosticados nas Unidades Básicas de Saúde. A maioria, sete responsáveis, refere que são fatores de risco para osteoporose: ser do sexo feminino e ter dieta pobre em cálcio. São citados também por seis entrevistadas a idade avançada em ambos os sexos, e por cinco o sedentarismo, como fator de risco. Quanto ao conhecimento sobre as práticas preventivas desenvolvidas nas UBS, cabe ressaltar que cinco responsáveis informaram que têm realizado orientações dietéticas, quatro responsáveis citaram os exercícios físicos. No entanto, observa-se ser preocupante que três entrevistadas responderam que não têm realizado nenhuma prática preventiva nas UBS e que em apenas uma UBS tem sido realizado o diagnóstico precoce. Sendo assim, é primordial que seja implementado um processo de educação permanente aos profissionais que atuam nas UBS, e que os mesmos possam estar preparados para atender às necessidades de saúde da população. Deverão ser priorizadas as ações preventivas, pois no presente estudo foram constatados que a osteoporose é um agravo relevante que deve ser levado em consideração nas práticas preventivas. Descritores: Osteoporose; Serviços básicos de saúde; Prevenção primária. Abstract Considering the increase of life expectations, osteoporosis became a great challenge for the public health, therefore it becomes necessary to analyze the knowledge and the prevent practices relating to osteoporosis developed at the Basic Health Units (BHU) in Cianorte city, state of Paraná, Brazil. Questionnaries were given out to the people in charge of all the BHU in Cianorte city, totalling ten interviews. It has been noticed that three of the people in charge of the BHU did not know or mention osteoporosis cases diagnosed at the BHU. Most people in charge, seven of the interviewed people, told that the risk factors for osteoporosis are: being of the female sex and having a poor diet in calcium. Six of the interviewed people told that advanced age in both sexes, and five of the interviewed people mentioned the sedentarism as a risk factor. As for the knowledge about the prevent practices developed at the BHU, five of the interviewed people announced that they have given instructions about diet, four of the interviewed people announced physical exercises. However, it concerns that three of the interviewed people have not done any prevent practice at the BHU and only one BHU has done a previous diagnosis. So, it’s urgent that it may be implemented a permanent educational process for the professional people who work at BHU, for they may be prepared to see the population health needs. It should have priority over prevent actions, because at the current work was noticed that osteoporosis is a relevant damage that it should be considered at the prevent practices. Keywords: Osteoporosis; Basic health services; Primary prevention.
  2. 2. Osteoporose nas Unidades Básicas de Saúde Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.7, n.1, p.1-9, dez.2005 2 www.ccs.uel.br/espacoparasaude INTRODUÇÃO Em 2000, a esperança de vida era de 70,5 anos. Em 2003, a esperança de vida estimada ao nascer no Brasil, para ambos os sexos, subiu para 71,3 anos. Entre 1980 e 2003 a esperança de vida, elevou-se em 8,8 anos: mais 7,9 anos para os homens e mais 9,5 anos para as mulheres1 . Com o aumento da expectativa de vida, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) devem preparar-se para atender a demanda de doenças crônico-degenerativas, entre elas a osteoporose, sendo através da promoção da saúde ou prevenção da osteoporose. Atenção Básica é definida como um “conjunto de ações, de caráter individual ou coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde, voltada para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação”2 . De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo com maior número de pessoas idosas3 . A OMS elegeu o período de 2000 a 2010 como a década do osso e da articulação4 . Russo5 destaca que dados alarmantes sobre a osteoporose foram apresentados durante o Congresso Mundial da International Osteoporosis Foundation (IOF), realizado em 2000, em Chicago, onde afirmam que nada menos que 200 milhões de pessoas no planeta estão sofrendo desta doença. Anauate e Longo6 salientam que estima-se que no Brasil mais de 10 milhões de pessoas tenham osteoporose. A osteoporose é definida como “uma doença esquelética que se caracteriza por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade óssea e susceptibilidade a fraturas”7 . Russo5 complementa que: “ [...] a Organização Mundial de Saúde (OMS) conceitua os pacientes osteoporóticos como: aqueles que tem uma DMO (Densidade Mineral Óssea), abaixo de -2,5 desvios padrão (T-score) comparado com massa óssea de adultos jovens. Sólidos estudos epidemiológicos demonstram que a redução de 1 desvio-padrão (ou 1U T-score) aumenta em duas vezes o risco de desenvolvimento de uma fratura”. A osteoporose e a fratura de quadril têm sido consideradas entre as maiores geradoras de gastos e preocupações. As possíveis limitações que surgem com a fratura de quadril, potencializadas pela sobreposição de outras doenças debilitantes, tornam esses pacientes dependentes para as atividades da vida diária, gerando ônus para a família e os sistemas de saúde8 . As medidas preventivas são particularmente importantes, visto que os tratamentos disponíveis podem conservar a massa óssea, mas não conseguem restaurar o osso osteoporótico até a normalidade7 . Sendo assim, considerando o aumento da expectativa de vida, a osteoporose tornou-se um grande desafio para a saúde pública, causando um alto impacto sócio-econômico no mundo. A osteoporose deve ser atendida não somente nas especialidades, mas em todos os níveis dos serviços de saúde, em especial na atenção básica. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo analisar o conhecimento e as práticas preventivas sobre a osteoporose na visão das coordenadoras das UBS de Cianorte. METODOLOGIA O estudo foi realizado no município de Cianorte, localizado no Noroeste do Paraná. As atividades de saúde pública são desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Saúde, que se encontra na Gestão Plena de Atenção Básica 9 . Neste trabalho os Postos de Saúde são denominados como UBS. Totalizam dez UBS, sendo que oito localizam- se no município de Cianorte, uma no distrito de Vidigal e uma no distrito de São Lourenço. As características de cada UBS estão descritas na tabela 1.
  3. 3. Hashimoto L A, Nunes E F PA Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.7, n.1, p.1-9, dez. 2005 3 www.ccs.uel.br/espacoparasaude Tabela 1 – Características das UBS quanto ao número de equipes PSF*/PACS†, famílias cadastradas, pessoas cadastradas, atividades educativas com grupos realizadas pelos profissionais de nível médio e pelas equipes PSF/PACS, Cianorte - PR, novembro de 2004. Nome da Unidade Básica de Saúde Nº de equipes PSF/PACS Nº de famílias cadastradas Nº de pessoas cadastradas Nº de atividades educativas com grupos (nível médio) Nº de atividades educativas com grupos (PSF/PACS) UBS Vila Sete 2* 1.777 6.117 - 8 UBS Pedro Moreira 1* 626 2.223 70 - UBS Cianortinho 1* 1.513 4.250 2 20 UBS Setor III 1* 1.378 4.566 386 6 UBS Setor IV 1* 1.130 3.766 2 20 UBS Zona Oito 1* 1.347 4.850 3 - UBS São Lourenço 1* 858 3.004 30 209 UBS Saúde Vidigal 1* 419 1.416 10 - UBS Núcleo Integrado de Saúde II 2† 2.771 8.915 - - UBS Extensão do Núcleo Integrado de Saúde II - - - - - * Programa Saúde da Família †Programa de Agentes Comunitários de Saúde Cada equipe do PSF (Programa Saúde da Família) conta com 1 médico, 1 enfermeira, 1 auxiliar de enfermagem e 6 agentes comunitários, o médico realiza atendimento na UBS e visitas domiciliares com os demais integrantes da equipe. Em uma das UBS não há equipe do PSF nem do PACS (Programa de Agentes Comunitários de Saúde), contando com um médico, uma psicóloga e uma enfermeira. Em 2004, a estimativa do número de famílias em Cianorte era de 17.265, sendo que estão, no momento, cadastradas 11.847 famílias, o que representa uma cobertura de 68,62%. A distribuição dos componentes das mencionadas famílias segundo a faixa etária e o sexo está descrita na tabela 2. Tabela 2 – Distribuição da população de Cianorte - PR, por faixa etária e sexo, 2004 Faixa etária Sexo < 1 1 a 4 5 a 6 7 a 9 10 a 14 15 a 19 20 a 39 40 a 49 50 a 59 ≥ 60 Total Masculino 98 899 680 1093 1854 1880 6451 2573 1692 2216 19436 Feminino 91 896 680 1071 1820 1854 6992 2870 1941 2603 20818 Total 189 1795 1360 2164 3634 3734 13443 5443 3633 4819 40254 Fonte: SIAB – Sistema de Informação de Atenção Básica, 04/01/2005. Para coordenar as atividades desenvolvidas nas UBS, a Secretaria Municipal de Saúde de Cianorte designou uma enfermeira como responsável para cada UBS. O presente trabalho definiu como população de estudo essas enfermeiras responsáveis, considerando que estas profissionais devem conhecer as atribuições e atividades desenvolvidas pelos demais membros da equipe. As enfermeiras responsáveis de cada UBS foram orientadas quanto à liberdade de aceitar ou não participar da pesquisa, em consonância com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, também receberam o Termo de Consentimento Esclarecido. O projeto foi submetido à apreciação e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina (Parecer CEP nº 257/04). O instrumento de coleta de dados foi um questionário composto por questões fechadas e algumas em aberto, o qual foi aplicado às enfermeiras responsáveis de cada UBS de Cianorte, no período de novembro a dezembro de 2004.
  4. 4. Osteoporose nas Unidades Básicas de Saúde Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.7, n.1, p.1-9, dez.2005 4 www.ccs.uel.br/espacoparasaude O estudo caracteriza-se como tendo caráter transversal, quantitativo, sendo que a coleta de dados foi realizada pela própria pesquisadora. Os dados coletados foram tabulados e analisados através do programa Epi Info 6 e, em seguida, apresentados em tabelas. RESULTADOS Neste estudo, foram analisados o conhecimento e as práticas preventivas sobre osteoporose. Para isto foram entrevistadas as responsáveis pelas UBS do município de Cianorte, sendo que todas são enfermeiras, não havendo recusa quanto ao preenchimento do questionário. Ao serem questionadas sobre os casos de osteoporose diagnosticados nas UBS, sete responsáveis responderam que há casos (Tabela 3), no entanto somente duas souberam informar quantos casos haviam sido diagnosticados nos últimos três meses. Observa-se ser preocupante que três enfermeiras responsáveis, desconhecem ou citam que não há casos de osteoporose diagnosticados nas UBS. Tabela 3 – Distribuição das respostas referidas pelas entrevistadas sobre a existência de casos de osteoporose diagnosticados nas UBS de Cianorte, PR, 2004 Respostas Número Sim 7 Não 2 Não sei 1 Total 10 Das sete enfermeiras responsáveis que responderam que há casos de osteoporose diagnosticados, todas referiram que há maior número de casos em mulheres. Em relação aos tipos de osteoporose atendidos, uma enfermeira informou ser do tipo involuntiva (senil) e seis enfermeiras citaram o tipo involuntiva (pós-menopausa), ninguém referiu outros tipos de osteoporose (secundária). A distribuição das respostas referidas pelas entrevistadas a respeito do conhecimento sobre os fatores de risco para osteoporose é apresentada na Tabela 4. Constata-se que a maioria, sete enfermeiras responsáveis, referem que são fatores de risco para osteoporose: ser do sexo feminino e ter dieta pobre em cálcio. São citadas também por seis entrevistadas a idade avançada em ambos os sexos, e por cinco entrevistadas o sedentarismo. Em relação ao conhecimento sobre os fatores de risco como raça asiática, uso de corticóide, tabagismo e tratamento com drogas que induzem perda de massa óssea, estes não foram citados por nenhuma das entrevistadas. Tabela 4 – Distribuição das respostas referidas pelas entrevistadas em relação ao conhecimento sobre fatores de risco para osteoporose nos pacientes atendidos nas UBS de Cianorte, PR, 2004* Fatores de risco Número Sexo feminino 7 Baixa densidade mineral óssea 2 Fratura prévia 2 Idade avançada em ambos os sexos 6 Menopausa precoce 4 Alcoolismo 3 Sedentarismo 5 Dieta pobre em cálcio 7 Não sei 1 *As entrevistadas referiram mais de um fator de risco. Das UBS que atendem osteoporose, somente uma enfermeira referiu atender casos de complicações, no caso, relacionadas a fraturas. Apesar das medidas preventivas serem fundamentais para a atenção a saúde, todas as enfermeiras responsáveis pelas UBS informaram que não há educação permanente para os profissionais de saúde, não há protocolos de medidas preventivas, não há campanhas, nem programa de prevenção à osteoporose nas UBS de Cianorte. Para as orientações de medidas preventivas da osteoporose nas UBS foram citados: médicos, enfermeiras, agentes comunitários e os profissionais que atuam na Estratégia de Saúde da Família, sendo que uma entrevistada respondeu que nenhum profissional atua nas orientações de medidas preventivas. Quanto ao conhecimento sobre as práticas preventivas desenvolvidas nas UBS, cabe ressaltar que cinco entrevistadas informaram que realizam orientações dietéticas, quatro entrevistadas referiram os exercícios físicos. No entanto, observa-se ser preocupante que três entrevistadas responderam que não realizam nenhuma prática preventiva nas UBS e que em apenas uma UBS é realizado o diagnóstico precoce (Tabela 5).
  5. 5. Hashimoto L A, Nunes E F PA Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.7, n.1, p.1-9, dez. 2005 5 www.ccs.uel.br/espacoparasaude Tabela 5 – Distribuição das respostas referidas pelas entrevistadas em relação ao conhecimento sobre práticas preventivas para osteoporose desenvolvidas nas UBS de Cianorte, PR, 2004* Práticas preventivas Número Orientação dietética 5 Exercícios físicos 4 Diagnóstico precoce 1 Orientações PSF†/PACS‡ 3 Nenhuma das respostas anteriores 3 * As entrevistadas referiram mais de uma prática preventiva † Programa Saúde da Família ‡ Programa de Agentes Comunitários de Saúde Em relação ao conhecimento sobre os meios e técnicas de diagnósticos utilizados para os casos de osteoporose: duas enfermeiras responsáveis informaram a exploração clínica, três citaram a radiologia, duas referiram os exames laboratoriais e quatro citaram a densitometria mineral óssea, três não souberam responder e uma entrevistada relatou “os casos suspeitos são encaminhados para especialistas”. Para os exames radiológicos e densitometria óssea os pacientes são encaminhados para as clínicas terceirizadas. Esses exames não são realizados nas UBS. Os tratamentos utilizados nos pacientes com osteoporose foram: oito entrevistadas informaram a dieta, cinco referiram a mobilidade e exercício físico, seis referiram o cálcio, uma citou a calcitonina, três citaram o estrogênio, uma das entrevistadas mesmo respondendo que não há casos de osteoporose em sua UBS, informa que se tiver serão utilizadas a dieta e mobilidade e exercício físico para o tratamento. Para o tratamento da osteoporose são disponibilizados alguns medicamentos pela Secretaria Municipal de Saúde de Cianorte e também são fornecidos medicamentos excepcionais de uso contínuo através da Regional de Saúde. DISCUSSÃO A osteoporose representa hoje um importante problema de saúde pública, em termos de morbidade, mortalidade e custos financeiros. Quando a diminuição de massa óssea ainda não é acentuada, a osteoporose pode ser assintomática. À medida que a perda óssea aumenta, surgem sinais e sintomas como: perda de altura, deformidade vertebral (principalmente cifose) e fraturas de vértebra, quadril, punhos e de outros ossos. O sintoma mais característico é dor nas costas por compressão vertebral10 . Como a osteoporose pode ser assintomática no início da doença, os pacientes podem não estar sendo diagnosticados, portanto é preocupante que duas enfermeiras responsáveis citam que não há casos de osteoporose na área de abrangência de suas UBS e uma desconhece se há ou não casos de osteoporose. A OMS relata que a osteoporose é uma doença negligenciada, mal diagnosticada, que afeta aproximadamente 200 milhões de mulheres no mundo, sendo que a osteoporose aflige cerca de um terço das mulheres entre 60 e 70 anos de idade e dois terços daquelas com 80 anos ou mais11 . A osteoporose tem sido classicamente dividida em osteoporose primária, quando os pacientes apresentam osteoporose isolada e osteoporose secundária, naqueles com uma patologia associada. A osteoporose primária subdivide-se em involucional e idiopática. Para a osteoporose primária involucional, há o tipo 1 ou pós-menopausa e o tipo 2 ou senil. A osteoporose involucional é o tipo mais comum, aparecendo em 95% de todos os pacientes12 . A osteoporose secundária, embora ocorra em menor proporção, deve ser considerada. Não foi citada por nenhuma das enfermeiras responsáveis, indicando o desconhecimento do mesmo, o que significa que não se vem fazendo a associação como fator de risco para a osteoporose de algumas patologias ou alguns medicamentos que promovem a reabsorção do tecido ósseo. As mulheres têm maior tendência em desenvolver osteoporose que homens, segundo Pereira et al.10 , isto ocorre na proporção de 4:1, pois geralmente possuem pico de massa óssea menor e sofrem perda de massa óssea acelerada após a menopausa. Não existe cura para a osteoporose, portanto as medidas preventivas, o diagnóstico e tratamento precoce propiciam a possibilidade de evitar a principal e mais grave conseqüência da osteoporose, a fratura. No mundo todo, estima-se que as fraturas de quadril causadas pela osteoporose venham a aumentar de 1,7 milhões anualmente para 6,3 milhões anualmente perto de 205013 . Pereira et al.10 complementam que após a fratura de quadril, ocorre a redução na expectativa de vida de 12 a 20% depois de
  6. 6. Osteoporose nas Unidades Básicas de Saúde Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.7, n.1, p.1-9, dez.2005 6 www.ccs.uel.br/espacoparasaude seis meses. Metade dos indivíduos que sobrevivem necessitam de algum auxílio nas atividades diárias. As medidas preventivas para osteoporose são de extrema importância, visto que a pirâmide populacional é modificada gradativamente. Dessa forma, Kanis et al. apud Frizoli Júnior8 advertem que a prevenção da osteoporose em idades mais tenras e a diminuição dos fatores de risco para quedas em idosos são fundamentais para a diminuição do número de fraturas de quadril. Nas UBS, as orientações de medidas preventivas e as práticas preventivas para osteoporose não são realizadas exclusivamente para esta patologia, mas de forma generalizada, visto que orientações dietéticas, exercícios físicos são benéficos não somente para a osteoporose. Quanto ao diagnóstico precoce, foi citado somente por uma das responsáveis das UBS, esse fato é de grande importância e gravidade, pois o diagnóstico tardio poderá ocorrer em fases avançadas da doença ou mesmo após uma fratura. Alguns fatores de risco para osteoporose foram mais e outros menos citados pelas entrevistadas, sendo que há também fatores de risco que não foram referidos, demonstrando conhecimento insuficiente das entrevistadas quanto ao mesmo. Segundo Pereira et al.10 os fatores nutricionais, um consumo baixo de cálcio ao longo da vida podem resultar num pico menor de massa óssea. A imobilização ou inatividade importante pode levar à perda óssea e, conseqüentemente à osteoporose. Outros fatores de risco como tabagismo, abuso do consumo de álcool ou cafeína e a hereditariedade também se relacionam com o desenvolvimento da osteoporose. Skare12 complementa que a atividade diária de suporte do peso do próprio corpo é essencial para a saúde do esqueleto, dessa forma, a massa óssea acaba sendo diretamente proporcional à massa de musculatura esquelética. Costa Paiva et al.14 descrevem que além da idade, o sexo e a raça estão entre os principais determinantes da massa óssea e do risco de fraturas. Fatores genéticos também são responsáveis pelas variações na massa óssea em diferentes grupos éticos e raciais. Fatores genéticos contribuem com cerca de 46 a 62% de DMO, portanto, 38 a 54% podem ser afetados por fatores relacionados com o estilo de vida, como a nutrição. O pico de massa óssea é atingido entre a adolescência e os 35 anos de idade15 . No entanto, conhecer os fatores de risco para baixa massa óssea não é suficiente para diagnosticar a osteoporose. A densitometria é hoje o exame de referência para o diagnóstico da osteoporose. É realizado por técnica de DEXA-absorciometria por Raio- X. Poderão ser solicitados exames complementares, como os testes laboratoriais. Os exames radiológicos são indicados para o diagnóstico de fraturas, sendo que esta técnica não pode ser utilizada para diagnosticar osteoporose15 . Assim, a densitometria mineral óssea sendo citada como técnica de diagnóstico para osteoporose por apenas quatro das enfermeiras responsáveis, evidencia que nas demais UBS os pacientes podem não estar sendo diagnosticados. A International Osteoporosis Foundation16 discorre que no Brasil, somente uma pessoa em três com osteoporose é diagnosticada, e destas, somente uma em cinco recebe algum tipo de tratamento. O tratamento para a osteoporose pode ser farmacológico ou não farmacológico. Os fármacos utilizados podem ser classificados em drogas anti-reabsortivas ou drogas estimuladoras da formação óssea. No entanto somente o estrógeno, a calcitonina e o alendronato foram aprovados pelo Food Drug Administration (FDA) para o tratamento da osteoporose estabelecida10 . Quanto ao tratamento não farmacológico, Skare12 , complementa que o melhor tratamento é o preventivo. A OMS declarou recentemente a osteoporose como uma “Epidemia Inaceitável” e está convocando médicos, pacientes, imprensas e governos a reconhecer a osteoporose como o segundo maior problema de saúde pública, depois das doenças do coração e que mais limita a qualidade de vida da mulher11 . No Brasil, poucos municípios iniciaram programas de prevenção a osteoporose. Em Cianorte também não há ainda programa de prevenção, no entanto temos como exemplos nacionais no município de Florianópolis, programa de prevenção destinado a terceira idade e em Brasília, centros de referências nas
  7. 7. Hashimoto L A, Nunes E F PA Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.7, n.1, p.1-9, dez. 2005 7 www.ccs.uel.br/espacoparasaude Regionais de Saúde para diagnóstico precoce, prevenção e tratamento da doença. Como exemplos internacionais existem a Fundação Internacional de Osteoporose, e também programas para a osteoporose desenvolvida na Filadélfia e na Pensilvânia – Estados Unidos da América17 . Vários países como os Estados Unidos, Canadá, Áustria, França, Itália, Espanha, entre outros, já apresentam protocolos clínicos para osteoporose, baseados em evidências científicas, para auxiliar o médico a tomar decisões. No Brasil, o Consenso Brasileiro de Osteoporose 2002, estabelece diretrizes para o diagnóstico precoce, prevenção e tratamento da osteoporose. Como estratégia do SUS para formação e desenvolvimento dos recursos humanos que trabalham para o setor, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, através da Portaria MS nº 198 de 13 de fevereiro de 2004, sendo apontada como prioridade a educação permanente das equipes de saúde que atuam na atenção básica18 . Parte-se do pressuposto da aprendizagem significativa em que os processos de qualificação dos trabalhadores da saúde tomem como referência as necessidades de saúde das pessoas, da gestão setorial e do controle social em saúde. Dessa forma, devem ser estruturados a partir da problematização da atuação e da gestão setorial em saúde. Assim, tem como objetivo a transformação das práticas profissionais e da própria organização do trabalho19 . A identificação das reais necessidades de prevenção da osteoporose deveria ser realizada pelas equipes que atuam nas UBS, porém até a realização desta pesquisa ainda não foi implantada a educação permanente nas UBS de Cianorte. Portanto foi analisado o conhecimento e as práticas preventivas sobre a osteoporose sob a ótica das enfermeiras responsáveis que trabalham como coordenadoras pelas UBS. Os resultados obtidos evidenciaram o conhecimento insuficiente das entrevistadas nas UBS sobre a osteoporose. Algumas limitações desta pesquisa dizem respeito à população de estudo. Outras pesquisas com demais integrantes das equipes deverão ser realizadas. É comemorado no dia 20 de outubro o Dia Internacional da Osteoporose. A década do osso e da articulação foi formalmente lançada pela OMS na Genebra, Suíça, em janeiro de 2000. Tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das pessoas com desordens musculoesqueléticas em todo o mundo. A década do osso e da articulação é uma campanha mundial, sendo uma de suas atividades: desenvolver campanhas educacionais e de conscientização pública em campanhas de prevenção de desordens musculoesqueléticas20 . Assim, a osteoporose é uma doença relevante mundialmente, no entanto, em Cianorte ainda não há programas, protocolos e educação permanente para os profissionais de saúde em suas UBS. CONSIDERAÇÕES FINAIS O envelhecimento faz parte natural do ciclo da vida, e por ser inevitável, chegar saudável em idade avançada requer cuidados ao longo da vida. É nesta fase em que ocorrem muitas doenças crônico-degenerativas, entre elas a osteoporose. Osteoporose implica no risco aumentado às fraturas. Caso as mesmas ocorram podem levar a conseqüências relevantes para o indivíduo por representar a perda de sua independência e da qualidade de vida. Para a sociedade são atribuídos custos financeiros resultante do tratamento, tanto no sistema de saúde público como no privado. Em algumas das UBS de Cianorte são realizadas atividades como exercícios físicos e orientações dietéticas, porém nessas práticas não são dado enfoque para a prevenção da osteoporose, mas para prevenção de outras patologias. Embora a população de Cianorte tenha acesso ao atendimento a atenção básica nas UBS, ainda não se dá real importância para a osteoporose, constatado através do desconhecimento de casos de osteoporose por algumas responsáveis ou pela não realização de práticas preventivas como o diagnóstico precoce, fundamental para a prevenção. Os principais fatores de risco para osteoporose são passíveis de controle. Dessa maneira, a identificação precoce dos fatores de risco para a osteoporose, pelas equipes multiprofissionais que atuam nas UBS, deveriam orientar a realização de práticas não
  8. 8. Osteoporose nas Unidades Básicas de Saúde Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.7, n.1, p.1-9, dez.2005 8 www.ccs.uel.br/espacoparasaude somente curativa, mas preventivas e com intervenções na promoção da saúde. Nas UBS há atividades educativas para alguns grupos realizadas pelos agentes comunitários (nível médio) e pelas equipes PSF/PACS para algumas patologias. No entanto, em nenhuma das UBS essas atividades educativas são voltadas especificamente para a osteoporose. Portanto, é primordial que seja implementado o processo de educação permanente, para todos profissionais que atuam nas UBS, e que os mesmos possam estar preparados para atender as necessidades de saúde da população, entre os quais deverão ser priorizadas as ações preventivas, sendo que no presente estudo foi constatado que a osteoporose é um agravo relevante que deve ser levado em consideração nas práticas preventivas. REFERÊNCIAS 1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Notícia: em 2003, expectativa de vida do brasileiro subiu para 71,3 anos. [citado 2005 Maio 9]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidenc ia/noticias/noticiavisualiza.php?id_noti cia=266&id_pagina=1. 2. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Manual para organização da atenção básica. Brasília, DF; 1999. 3. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Política do idoso no Brasil. [citado 2004 Jul 13]. Disponível em: http://ibge.gov.br/ibgeteen/datas/idoso/ politicadoidosonobrasil.html. 4. Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Conselho de Osteoporose aprova criação do Programa de Osteoporose. [citado 2004 Ago 30]. Disponível em: http://www.fhdf.gov.br/mostraPagina.a sp?codServico=216&codPagina=1184. 5. Russo LAT. Osteoporose pós- menopausa: opções terapêuticas. Arq Bras Endocrinol Metabol 2001; 45: 401-6. 6. Anauate MC, Longo C. Osteoporose não é doença da terceira idade [citado 2004 Jul 1]. Disponível em: http//www.nutricaoempauta.com.br/no vo/60/entrevista1.html. 7. Szejnfeld VL. Epidemiologia da osteoporose e fraturas. In: Szejnfeld VL. Osteoporose: diagnóstico e tratamento. São Paulo: Sarvier; 2000. p.63-74. 8. Frisoli Júnior A. Osteoporose no idoso. In: Szejnfeld VL. Osteoporose: diagnóstico e tratamento. São Paulo: Sarvier; 2000. p.118-34. 9. Cianorte. Secretaria Municipal de Saúde. Relatório de gestão 2001- 2003. [citado 2004 Ago 26]. Disponível em: http://www.cianorte.pr.gov.br/secretari as_saude.php. 10. Pereira RM, Dourador EB, Kochen JAL, Lima FR. Osteoporose. In: Yoshinari NH, Bonfá ESDO. Reumatologia para o clínico. São Paulo: Roca; 2000. p.149-61. 11. Marques Neto JF. Epidemia da osteoporose no Brasil; 2001. [citado 2004 Dez 9]. Disponível em: http://www.nutricaoempauta.com.br/No vo/51/entrevista3.html. 12. Skare TL. Osteoporose. In: Skare TL. Reumatologia: princípios e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1999. p.248-59. 13. International Osteoporosis Foundation. Densitometria mineral óssea confirmada como um indicador chave para o risco de fraturas. [citado 2004 Dez 9]. Disponível em: http://www.osteofound.org/wco/2004/p ress_releases_files/pr_2004_04_07_ por.pdf. 14. Costa - Paiva L, Horovitz AP, Santos AO, Fonsechi-Carvasan GA, Pinto Neto AM. Prevalência de osteoporose em mulheres na pós-menopausa e associação com fatores clínicos e reprodutivos. Rev Bras Ginecol Obstet 2003; 25: 507-12. 15. Pinto Neto AM, Soares A, Urbanetz AA, Souza ACA, Ferrari AEM, Amaral B. Consenso brasileiro de osteoporose 2002. Rev Bras Reumatol 2002; 42: 343-54. 16. International Osteoporosis Foundation. Dados da América Latina. [citado 2004 Dez 9]. Disponível em: http://www.osteofund.org/wco/2004/pr ess_release_files/pr_2004_05_14_por. pdf.
  9. 9. Hashimoto L A, Nunes E F PA Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.7, n.1, p.1-9, dez. 2005 9 www.ccs.uel.br/espacoparasaude 17. Simões CMO, Carvalho JG, Moraes MBM. Osteoporose – programas destinados à prevenção da osteoporose. [citado 2004 Nov 16]. Disponível em: http://www.saudeemmovimento.com.br /conteudos/ conteudo_exibe1.asp? cod_noticia=67. 18. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Pólos de educação permanente. Saúde investe em pólos de Educação Permanente. [citado 2005 Jan 19]. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/saude/visuali zar_texto.cfm?idtxt=19906. 19.Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Política de educação e desenvolvimento para o SUS: caminhos para a educação permanente em saúde - pólos de educação permanente. Brasília, DF; 2004. 20.Musafir ME. A década do osso e da articulação 2000-2010. [citado 2004 Dez 30]. Disponível em: http://www.reumatorj.com.br/decada.ht m. Recebido em 06/06/2005 Aprovado em 22/08/2005

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